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A origem econômica dos protagonistas era diferente. Os Ramos eram pecuaristas de Lages e os Konder Bornhausen eram sócios da fábrica de Papel Itajaí (em sociedade com os Hering e os Deeke), da Companhia Carbonífera Próspera, da Fábrica de Máquinas Raimann e proprietários do Banco INCO (em sociedade com os Renaux). O fórum da atuação política era o sistema partidário. Celso Ramos, que assumiu a presidência da FIESC com forte apoio estadual e nacional, foi candidato ao Senado em 1958 pelo PSD, perdendo para Irineu Bornhausen pela UDN. Mas em 1960 venceu a votação para governador graças a um plano de governo que atendia aos anseios da indústria catarinense. Contribuiu para isso a origem do plano: o Seminário Socioeconômico, realizado pela FIESC, com etapas nas principais cidades do Estado e coordenado por Celso Ramos nos anos de 1959 e 1960. A meta era reverter em curto prazo as dificuldades da indústria. A exemplo de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, Santa Catarina precisava urgentemente de um Estado planejador, sob pena de marcar passo por mais cinco anos com estruturas deficientes. Celso Ramos optou pelo planejamento no momento certo, pois existia um novo padrão de crescimento que emergia da economia estadual. Empreendedor dos setores madeireiro e da pesca, ele foi o grande líder da indústria na década de 1950, reelegendo-se presidente da Federação por cinco mandatos consecutivos, até renunciar em 1961, quando assumiu o governo do Estado. Em 1955, seu irmão, Nereu Ramos, então primeiro vice-presidente do Senado Nacional, assumiu a presidência da República, onde permaneceu por dois meses e 21 dias – em 31 de janeiro de 1956 passou o cargo para Juscelino Kubitschek.

AGENDA DESENVOLVIMENTISTA Eleito presidente da República em 1956, o mineiro Juscelino Kubitschek implantou o Plano de Metas, voltado a avanços em áreas como energia, indústria de base, educação e transportes, além da construção de Brasília. O programa promoveu grande atividade no Estado catarinense, em infraestrutura e incentivo à industrialização. JK recebeu a faixa presidencial de Nereu Ramos, que como primeiro vice-presidente do Senado havia assumido a presidência após o suicídio de Getulio Vargas e dos impedimentos de seu vice, Café Filho, e do presidente da Câmara, Carlos Luz. Nereu, que também foi deputado estadual, governador e Ministro da Justiça, morreu em 1958, num acidente aéreo próximo a Curitiba. No acidente também morreram o ex-governador Jorge Lacerda e o deputado federal Leoberto Leal.

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