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Hercílio Luz, formado em Engenharia das Artes e da Manufatura na Bélgica e em Humanidades no Rio de Janeiro, foi governador três vezes e dedicou-se integralmente ao cargo. Junto com Lauro Müller participou do grande racha de 1893, quando apoiaram Floriano Peixoto na guerra contra os federalistas de Gaspar Silveira Martins. Com a vitória de Floriano, Hercílio assumiu o governo do Estado com apoio de Lauro Müller. Mas as dissensões internas continuaram na campanha civilista de Rui Barbosa em 1909, em oposição ao militarismo de Hermes da Fonseca. Lauro Müller ficou com Hermes e Hercílio, com Rui. Lauro foi hegemônico num primeiro período, entre 1898 a 1918, influindo sobre governadores como Felipe Schmidt, também formado pelo Colégio Militar; Gustavo Richard, de sólida formação humanista, literária e científica, tendo estudado na L’École Supérieure du Commerce, de Paris, e Vidal Ramos, sem formação acadêmica e líder de uma linhagem que gerou muitos protagonistas, entre eles Celso Ramos, o primeiro presidente da FIESC. No período de 1918 a 1930, Hercílio Luz tinha maior influência. Governador de 1918 a 1924, quando faleceu e foi sucedido pelos seus aliados, como Antônio Pereira Oliveira, Fúlvio Aducci e Adolpho Konder, que era formado na faculdade de Direito do Largo São Francisco. Os Konder eram de uma família de Itajaí e tinham forte ligação com os comerciantes do litoral e os industriais de Blumenau, como os Curt, os Deeke e os Hering. Os alemães do Vale do Itajaí tinham formação protestante, com fé na ética do trabalho e na riqueza conquistada pelo pão ganho com o suor do rosto. Em 1921 houve uma nova cisão no Partido Republicano Catarinense, com a criação do bloco chamado de Reação Republicana, que apoiava Nilo Peçanha à presidência da República (derrotado por Arthur Bernardes). O movimento foi fundado em Santa Catarina por Nereu Ramos e Vidal Ramos, em oposição a Hercílio Luz, que tinha Adolpho Konder como aliado. Novo conflito aconteceu nas eleições presidenciais de 1929, quando os Ramos ficaram com a Aliança Liberal, de oposição, e os Konder Bornhausen, com a situação. Esta venceu as eleições mas foi derrubada pela revolução de 1930. Numa reviravolta política, Nereu Ramos, formado em Direito em São Paulo e tendo sido aluno de Joaquim Nabuco, foi indicado interventor em 1937, definindo assim a clássica divisão da política catarinense, que vigorou até os anos 1970, entre os Ramos e os Konder Bornhausen. Nereu foi vice-presidente da República entre 1946 e 1951 e assumiu a presidência em 1955, quando transmitiu a faixa para Juscelino Kubitschek.

LIDERANÇA MODERNIZADORA Primeiro presidente da FIESC, após sua criação em 1950, Celso Ramos foi representante de uma linhagem que tinha no pai, Vidal Ramos Júnior, e no irmão, Nereu Ramos, dois expoentes do cenário político-administrativo catarinense. Assumiu a Federação com forte apoio estadual e nacional e em 1960 foi eleito governador com o respaldo de um plano de governo que atendia aos anseios da indústria e à necessidade de desenvolvimento de Santa Catarina. A origem desse plano foi o Seminário Socioeconômico desenvolvido pela FIESC, com etapas nas principais cidades do Estado. Ao final do mandato de governador, em 1966, retornou por alguns meses à presidência da entidade, quando foi eleito senador.

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Ebook FIESC 65 anos  

Este livro é balanço, celebração e proposta. Pertence à indústria catarinense, razão de ser da FIESC.

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