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A Linhagem da Liderança

A FIESC foi criada para atender à indústria e liderar sua expansão e crescimento. A linhagem dos seus protagonistas atesta a sintonia estabelecida entre duas pontas importantes: a dedicação às empresas e as estratégias das políticas públicas. A missão é o desenvolvimento estadual e nacional; a meta é a superação dos desafios em função da sobrevivência e da vocação empreendedora. A indústria carecia de mais competitividade e competir só poderia ser possível com inovação, tecnologias adequadas, processos eficazes e decisões que extrapolassem os limites da indústria e beneficiassem toda a sociedade. Para essa tarefa, precisou do apoio de políticas públicas, da criação de instituições modernas de crédito e de fomento e de um sistema bancário à altura das demandas do desenvolvimento.

Uma indústria gera relações complexas e de amplo espectro. Há o convívio entre os próprios industriais, em debate permanente sobre os rumos da produção, a relação de ganha-ganha com os colaboradores, a implantação de melhorias nos municípios etc. Há o engajamento nas mudanças profundas implantadas para garantir a prosperidade e liberar as forças produtivas inseridas no coração de cada época. Não foi um trabalho fácil. Marcada pelas rupturas sucessivas no plano político, a liderança catarinense refletiu as dificuldades de resolver conflitos de interesses num projeto de desenvolvimento que envolve profundamente empresários e trabalhadores, políticos e especialistas, tradição e modernidade, recursos e escassez. A FIESC tem antecedentes históricos que revelam a complexidade desse quadro. A política interagia com a indústria, contribuindo para sua transformação e interferindo em seus rumos. Era o atalho para as mudanças necessárias, o fórum de negociações de muitos cruzamentos e conflitos, com líderes exercendo poderes conforme as nuances de cada momento do país em construção. Durante a Primeira República (1889-1930), a política catarinense girou em torno de duas grandes forças: Lauro Müller, de linha mais austera, e Hercílio Luz, mais liberal. Lauro Müller, ex-aluno do professor positivista Benjamin Constant na Escola Militar, aos 25 anos foi indicado o primeiro governador de Santa Catarina no novo regime republicano. Ocupou o cargo quatro vezes até sua morte em 1926, mas costumava ficar apenas seis meses em cada vez, pois assumia o posto de ministro, o que ocorreu em três governos nacionais. Mas sua influência era permanente no Estado, já que era o chefe do Partido Republicano Catarinense.

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Ebook FIESC 65 anos  

Este livro é balanço, celebração e proposta. Pertence à indústria catarinense, razão de ser da FIESC.

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