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Santa Catarina sofria com um sistema rodoviário precário. Em 1936 foi traçado o primeiro Plano Rodoviário Estadual, com destaque para a ligação entre Itajaí e Lages, passando por Blumenau e Rio do Sul, entre Florianópolis e Xanxerê e também para Tubarão. Em 1955, dos 458 quilômetros de rodovias federais no Estado apenas 22 quilômetros eram pavimentados. A malha ferroviária era fragmentada e atendia necessidades regionais. A navegação fluvial estava limitada aos trechos Blumenau-Itajaí, Porto União-Mafra e Laguna-Jaguaruna. Para driblar as dificuldades de transportes, a cargo de velhos caminhos e ferrovias precárias, Sadia e Perdigão optaram por uma solução inovadora e radical: distribuíam seus produtos por avião. Em 1957 a Perdigão comprou um avião DC-3 com capacidade de três mil quilos de carga, e o percurso entre Videira e São Paulo foi reduzido para duas horas. A Sadia Transportes Aéreos existiu até 1972, quando foi transformada em Transbrasil, já desvinculada da empresa que a criou. Com tantas dificuldades num ambiente de expansão, com empreendimentos que ganhavam cada vez mais espaço, era preciso que Santa Catarina intensificasse esse movimento rumo ao progresso. Esse era o objetivo dos fundadores da FIESC. Entre eles estava Celso Ramos, filho caçula de Vidal Ramos Júnior, um dos mais influentes políticos catarinenses. Líder nato, Celso Ramos reelegeu-se para cinco mandatos consecutivos da FIESC, até renunciar em 1961, quando assumiu o governo do Estado. Ele foi o responsável pela fundação do primeiro sindicato patronal do setor madeireiro catarinense, no qual atuava. A criação do sindicato precisava ser aprovada pelo Ministério do Trabalho, o que exigiu viagens frequentes de Ramos à Capital Federal, o Rio de Janeiro. Em uma dessas viagens, ele conheceu Euvaldo Lodi, empresário que, ao lado de Roberto Simonsen, havia fundado a Confederação Nacional da Indústria (CNI), em 1938. Em contato com um dos

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Ebook FIESC 65 anos