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duas serrarias e duas fazendas e a fábrica Perimbó de pasta mecânica (polpa de celulose produzida mecanicamente por meio da trituração) para poder fornecer insumos para o setor. Em 1950 a Papel Itajaí de Lages foi vendida para o grupo americano Olinkraft. Surgiram muitas outras empresas e o setor que no início era formado por pequenos produtores locais começa a partir dos anos 1960 a participar de outro perfil empresarial em favor de grupos de outros Estados. Mas o que mudou mesmo o padrão da economia catarinense foi o setor metalmecânico, que também nasceu de pequenas propriedades impulsionadas pelos rendimentos provindos de atividades extrativas, como madeira, carvão e erva-mate. As origens do setor podem ser buscadas antes de 1945, mas foi a partir daquele ano que houve realmente um salto significativo. O exemplo mais citado e conhecido é o da Fábrica Tupy, que começou em 1938 como pequena fundição montada por três sócios, Albano Schmidt, Hermann Metz e Arno Schwarz. Foram eles que pesquisaram a fórmula do ferro maleável e conseguiram o uso exclusivo dela no País. Em 1941, a Tupy ganhou o Certificado de Similaridade Nacional na produção de conexões e seus produtos começaram a ser utilizados na construção civil de grandes centros urbanos. Quando foi implantado o Plano de Metas, nos anos 1950, que contou com a importante participação da FIESC, a empresa começou a fornecer tambores de freio para a Volkswagen. A Tupy se expandiu e diversificou, adquirindo a Fiação Otto Hertz, em Amparo (SP), e instalou duas empresas em Joinville, a Aço Granalha e a Plásticos Tupiniquim. Com o tempo, a Fundição Tupy se transformou numa das mais bem-sucedidas iniciativas do setor metalmecânico. Outras empresas fizeram história nesse nicho decisivo da indústria: a Wetzel, que começou em 1932 na fundição de metais não ferrosos; a Schneider, que fabricava motobombas e surgiu de uma pequena oficina de consertos de máquinas e motores importados em 1946; a Metalúrgica Schulz, fundada em 1946 por um ex-funcionário da Tupy e que produzia panelas e tachos de alumínio, e a Duque, de 1955, que produzia fornos esmaltados e bombas hidráulicas. A Docol nasceu em 1956, em Jaraguá do Sul e no ramo de bens de consumo duráveis. Em 1950 foi fundada em Joinville a Consul Refrigeradores, a partir da iniciativa de Rudolfo Stetzer e Guilherme Holderegger, que fabricavam anzóis em Brusque e se associaram ao comerciante Wittich Freitag para produzir geladeiras a querosene. A Consul é outro fenômeno de crescimento e em 1960 já produzia 21 mil unidades/ano.

SALTO PARA O FUTURO Criada em 1938 pelos sócios Albano Schmidt, Hermann Metz e Arno Schwarz, a pequena fundição de Joinville deu um grande salto com a exclusividade do uso da fórmula do ferro maleável no País. Suas conexões hidráulicas abasteceram a construção civil de grandes centros urbanos a partir de 1941. E nos anos 50, com a início da produção de tambores de freio para a Volkswagen, a Tupy ingressou no mercado automotivo, que a ajudaria a se consolidar como uma das maiores fundições do mundo.

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Ebook FIESC 65 anos  

Este livro é balanço, celebração e proposta. Pertence à indústria catarinense, razão de ser da FIESC.

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