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Esses exemplos mostram que o engajamento de Santa Catarina na economia nacional proporcionou um salto à economia estadual, já visível entre 1930 e 1940. O Estado fazia parte daquela porção de regiões produtoras com capacidade de se engajar rapidamente nas novas demandas nacionais. Mas as bases produtivas catarinenses estavam ainda a dever para os tempos mais dinâmicos e só a partir de 1945 o Estado começou a mudar de maneira significativa sua estrutura industrial, graças à ampliação da pequena indústria metalmecânica em Joinville e ao surgimento da indústria de papel, pasta e celulose no Planalto e das cerâmicas no Sul. Os recursos industriais, somados aos gerados pelo comércio, serviriam de base a uma acumulação mais densa rumo à integração e à maturidade da indústria catarinense. A dinâmica desse salto obedece às oportunidades que nascem das crises. Os produtores se adaptam aos novos tempos. A pequena propriedade perde sua autonomia e se engaja nos sistemas das grandes agroindústrias, mas não some, continua firme na mão de quem toca seu negócio. Há uma linhagem empreendedora que pode ser seguida nos cases que se desdobraram e se expandiram ao longo do tempo. Como acontece com a história do frigorífico Seara, que está ligada à família Paludo, em Nova Milano (atual município de Seara). Em 1935, Biagio Aurélio Paludo, que trabalhava com seu pai no corte e transporte de madeira desde 1925, comprou a casa comercial de Ricardo Bortolini. A prosperidade levou o empreendimento a evoluir até a inauguração do moinho Seara com equipamentos importados da Suíça. Era o sistema Bueler, com capacidade de moer 15.600 quilos por dia e com motor próprio para geração de energia. As vendas iam para Salvador, norte do Paraná e São Paulo. Novos silos e armazéns foram adquiridos mais tarde e em 1956 foi formada uma nova sociedade. Só em 1980 é que a Seara foi então vendida para a Ceval.

DO MOINHO PARA O MUNDO Originada do Moinho Concórdia, a Sadia nasceu em 1944 na região que contava com um rebanho suíno de cem mil cabeças. De olho no maior mercado do País, já em 1948 a empresa catarinense abriu um centro de distribuição em São Paulo, inaugurando um processo contínuo de expansão, diversificação e internacionalização.

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Ebook FIESC 65 anos  

Este livro é balanço, celebração e proposta. Pertence à indústria catarinense, razão de ser da FIESC.

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