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o detalhe da pouca exigência tecnológica, o que facilitava a ampla difusão de empreendimentos. Pequenas oficinas mecânicas e funilarias eram muito limitadas para imprimir um ritmo ideal, industrial, para a economia estadual. Entre 1945 e 1962 houve uma grande diversificação e ampliação da base produtiva no Estado. Surgem novos setores, como papel, papelão, pasta mecânica, cerâmico, metalmecânico, de materiais elétricos e indústrias ligadas ao transporte. Há mais quantidade e mais qualidade na produção, surgindo um novo padrão com capital maior dinamizando quem tinha mais condições de crescer. O setor de alimentos nos oferece um quadro revelador do que aconteceu com a indústria. De uma produção pulverizada em inúmeros pequenos proprietários, aos poucos houve um desdobramento em direção às grandes empresas e mais tarde aos grupos financeiros e industriais. Nos anos 1930 começaram a surgir na região do Vale do Rio do Peixe casas comerciais que revendiam alimentos e cereais para o interior de São Paulo e a capital paulista. Mais tarde, essas casas comerciais se transformaram em moinhos e frigoríficos, como a Ponzoni, Brandalise e Fritz Lorenz, em Perdizes (atual Videira); Casimiro Tisian, em Bom Retiro dos Campos Novos, e Fuganti Fontana, em Cruzeiro (atual Joaçaba), além de Freitag Assmann, em Piratuba; Ludovico J. Tozzo, em Chapecó, e Saulle Pagnoncelli, em Herval d’Oeste. A lógica de todo esse cenário ainda era a comercial, mas quando as pequenas propriedades foram integradas a projetos empresariais maiores, como o beneficiamento de derivados de suínos e aves, a economia regional mais sintonizada à nacional e com a união da agricultura com a indústria foi que o processo evoluiu para um cenário prioritariamente industrial. Basta seguir os passos de duas grandes empresas de alimentos, a Perdigão e a Sadia, para ver como aconteceu essa mudança no Oeste do Estado. Cada nova etapa significa um acréscimo na inovação, em favor do crescimento e da conquista de novos mercados. Em 1923, a família Brandalise montou um comércio em Vila Perdizes (atual Videira), onde já existia um abatedouro que atendia ao mercado local. Em Rio Bonito (atual Tangará), os irmãos Ponzoni montaram uma pequena casa comercial e um abatedouro. Dez anos depois, as duas famílias, Brandalise e Ponzoni, se uniram para constituir uma empresa. Paralelamente, Fritz Lorenz criou uma firma e a vendeu para Frey & Kellermann. No seu abatedouro, foi implantado um posto de venda de produtos suínos. Em 1939, a Frey & Kellermann associa-se à Ponzoni e Brandalise, formando a Sociedade de Banha Catarinense e a Fábrica de Produtos Suínos. No ano seguinte – 1940 – é fundada a Perdigão, que amplia o negócio, adquire um curtume e em 1943 duas serrarias para produzir as embalagens. A história da Sadia tem também as origens nos pequenos negócios que evoluíram para grandes empreendimentos. Em 1935, o comerciante Atílio Fontana associou-se à família Fuganti para vender alfafa. Em 1940 ele saiu da sociedade e assumiu o comando do Moinho Concórdia, semente da Sadia, criada em 1944. O município do Concórdia, na região do Alto Uruguai, no Meio-Oeste catarinense, era um convite para os colonos que cultivavam milho, trigo, feijão, mandioca, fumo e batata, além da criação de suínos, que contava com um rebanho de cem mil cabeças na época. Firme na sua região, a Sadia tinha os olhos voltados para o mercado paulista. Em 1948, inaugurou um centro de distribuição em São Paulo, capital, expandindo mais tarde para Campinas, Bauru, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro e Londrina. Hoje, Sadia e Perdigão fazem parte da mesma empresa, a BRF – Brasil Foods, criada em 2009. Depois do processo de fusão, finalizado em 2012, a empresa tornou-se uma das gigantes do mercado alimentício mundial. Hoje, é uma das principais exportadoras de proteína animal, atingindo mais de 110 países.

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