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O Desafio da Diversidade

Como atender a um mercado que crescia num ambiente de poucas estradas, energia escassa, indústrias ainda no início e uma economia girando em torno de nichos tradicionais do extrativismo? Como sintonizar as necessidades do País e do Estado, que se transformavam, com a vocação empreendedora dos pioneiros? Qual o rumo a dar para as habilidades trazidas de além-mar? Como produzir algo mais sofisticado do que o já conhecido e experimentado? Essas perguntas foram respondidas pela ação. O isolamento aos poucos foi substituído pela associação e a parceria, o mercado local deixou de ser a única opção, a atividade herdada dos pais não significava manter a tradição num cenário dinâmico. Com a constante mudança, a FIESC entrou como protagonista a partir de 1950, quando o impulso industrializante já tinha força suficiente para o grande salto inicial.

A FIESC entra como divisor de águas, gerada pela própria indústria que era implantada de maneira múltipla em todas as regiões do Estado, completamente sintonizada com o que ocorria na economia brasileira. A industrialização levou um tempo maior em Santa Catarina para ter um papel preponderante. A proliferação industrial lenta que foi sendo implantada no litoral, na serra e nos vales catarinenses nas décadas pioneiras do século XIX sofreu grande impacto no novo século. O que marcou o período entre 1880 e 1945 foi a habilidade empreendedora de aproveitar as chances oferecidas pelo mercado em expansão. Entre 1920 e 1940 surgiram empresas como Teka, Duas Rodas, Cremer, Artex, Fundição Tupy, Schneider, Laboratório Catarinense, Condor, Sadia, Perdigão e Tigre. O desafio da diversidade foi vencido graças à integração positiva com o núcleo mais importante da economia brasileira, São Paulo, beneficiada pela capitalização promovida pelo principal produto de exportação do Brasil na época, o café. O estado paulista era ávido por alimentos, têxteis, carvão e madeira. E depois por produtos industrializados que foram sendo criados para atender a esse consumo. Houve ao mesmo tempo uma integração importante com os Estados vizinhos, como Paraná e Rio Grande do Sul. A partir de 1930, a situação da indústria catarinense começou a mudar radicalmente. As regiões mais preparadas, ou seja, as que conseguiram liberar com mais competência as forças produtivas e avançadas, foram as que se destacaram. Por falta de aporte financeiro e devido à ainda baixa capacidade de acumulação (com exceção dos têxteis), Santa Catarina só se beneficiou da ampliação e diversificação do capital industrial a partir de 1940. Até essa época, os setores tradicionais como madeira, erva-mate, carvão, alimentos e têxteis definiam o perfil estadual, com

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Ebook FIESC 65 anos  

Este livro é balanço, celebração e proposta. Pertence à indústria catarinense, razão de ser da FIESC.

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