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Dois séculos de inovações As inovações e o empreendedorismo sempre fizeram parte da saga industrial catarinense. Em 1861, Johann Karsten usou uma queda d’água do Rio do Testo para mover a roda de um moinho e gerar energia para seu sítio na Colônia de Blumenau. Nos anos 1930, em uma modesta fundição em Joinville, após mais de cinco anos pesquisando em manuais escritos em alemão, sofrendo queimaduras e sem aparelhagem adequada, Albano Schmidt e equipe enfim conseguiram encontrar pela primeira vez no Brasil a fórmula de ferro maleável. Todo ferro maleável para produzir conexões hidráulicas para encanamentos de casas e ruas vinha da Inglaterra – e a Segunda Guerra Mundial, em 1939, interrompeu as exportações de conexões para o Brasil. Surgia a Fundição Tupy, que em pouco tempo tornou-se em um dos maiores empregadores de Santa Catarina e é uma das maiores fundições privadas do mundo. A primeira geladeira moderna do Brasil foi produzida em 1947, em Brusque, e desse embrião surgiu a Consul, em Joinville, financiada pelo cônsul Carlos Renaux, descendente do pioneiro. Durante a Segunda Guerra, Fritz Buddemeyer teve papel fundamental na consolidação da indústria têxtil. Os fornecedores europeus de teares estavam paralisados e a política nacionalista do presidente Getulio Vargas proibia a importação de máquinas e equipamentos. Entre 1936 e 1951, Buddemeyer fabricou 2 mil teares mecânicos, inéditos no Brasil, e praticamente salvou o parque têxtil da estagnação. A Buddemeyer foi uma das dezenas de empresas que surgiram entre as duas Guerras Mundiais. O período entre 1914 e 1945 tem como principal característica o desenvolvimento de pequenas e médias empresas, como Sadia, Perdigão, Tupy, Schneider, Teka, Artex, Duas Rodas, Cremer, Altenburg, Haco, Linhas Círculo, Condor, Tigre e várias outras. Sem contar com muitos investimentos de fora, Santa Catarina se destacou pela qualidade e inovação de pequenos empreendimentos que ficaram grandes. Ao final da Segunda Guerra, o Estado emergiria para os novos tempos com um parque industrial consolidado e diversificado, com empresas preparadas para o mercado e para exercer forte influência na modelagem e economia catarinense nas décadas seguintes. O setor têxtil consolidou-se e passou a exportar para vários mercados. As atividades extrativistas, como madeira e carvão, e a indústria alimentícia receberam forte impulso. O segmento metalmecânico ensaiava os primeiros passos. Mudanças profundas na infraestrutura, especialmente com o aperfeiçoamento do sistema de transportes, com novas estradas, ferrovias e portos e o uso de energia a vapor, em meados de 1800, e da energia elétrica no começo dos 1900, foram fundamentais para viabilizar o dinamismo industrial. O uso da energia elétrica substituía as energias humana e hidráulica dos engenhos e moinhos. O grande avanço ocorreu com a construção de usinas patrocinadas por empresários locais: as pioneiras em Joinville e Blumenau. Com a abertura da estrada Dona Francisca para São Bento, em 1873, Joinville, impulsionada pelo porto e pelos ciclos da erva-mate e da madeira, tornou-se importante entreposto comercial no começo do século XX.

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Ebook FIESC 65 anos  

Este livro é balanço, celebração e proposta. Pertence à indústria catarinense, razão de ser da FIESC.

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