Page 21

Os alemães transformaram o Vale do Itajaí em um dos grandes polos têxteis continentais no final do século XX. Nessa mesma região, que engloba o norte e nordeste catarinense, esses imigrantes alemães transformaram a selva em três dos maiores polos industriais de Santa Catarina atualmente – Joinville, Blumenau e Jaraguá do Sul. Comerciantes eram figuras estratégicas nas novas colônias, onde faltava crédito e capital para o desenvolvimento de negócios. Eles exerciam múltiplas funções. Único elo com o resto do mundo, funcionavam como orientadores da produção agrícola, indicando o que plantar. Eram os banqueiros locais, na falta de sistemas financeiros. Cuidavam da poupança dos agricultores, lhes ofereciam crédito e permutavam produtos rurais por industrializados, inclusive internacionais, que modernizaram a produção. Eles se tornaram as pessoas mais capitalizadas das colônias e alguns investiram em indústrias pioneiras que tiveram grande destaque: Buettner, Schrader, Schneider, Renaux, Karsten e Krieger, entre outras. Muitos possuíam barcos e carroções, constituindo verdadeiras companhias logísticas, como a Karsten. A Casa do Aço, fundada por Karl Friedrich Schneider em Joinville, no final do século XIX, trouxe máquinas sofisticadas e grandes avanços tecnológicos para a cidade, como as primeiras bicicletas e moendas de ferro, capazes de produzir açúcar pela primeira vez na região. Filhos de imigrantes italianos que rumaram do Rio Grande do Sul para Santa Catarina na metade do século XX deram grande impulso à agropecuária no Oeste catarinense. Em 1943, Atílio Fontana adquiriu um frigorífico em Concórdia, onde nasceu a Sadia, e desenvolveu entre os pequenos produtores um melhoramento genético dos suínos e mais tarde das aves, o que tornou Santa Catarina uma potência mundial nesses dois segmentos. Pouco depois surgia a Perdigão, de Saul Brandalise, em Videira. As duas empresas se fundiram em 2009, na Brasil Foods, uma das 10 maiores processadoras de carne do mundo. RODA DA FORTUNA A partir de um pioneiro moinho movido por uma queda d’água, a Karsten, de 1882, capitalizou-se e importou modernos teares europeus, resultando numa potência do setor têxtil.

17

Ebook FIESC 65 anos  

Este livro é balanço, celebração e proposta. Pertence à indústria catarinense, razão de ser da FIESC.

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you