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Os colonos do progresso A colonização de Santa Catarina foi largamente efetuada pelos imigrantes. Os açorianos colonizaram o litoral no século XVIII. Os alemães colonizaram o Vale do Itajaí e o Norte em meados do século XIX. O Oeste catarinense foi colonizado principalmente por descendentes de italianos, deslocados do Rio Grande do Sul, na primeira metade do século XX. Quando a partir de 1748 os colonos açorianos começaram a aportar em Santa Catarina, a estratégia portuguesa era ocupar terras em litígio com a Espanha com a fixação de famílias que se organizavam em pequenas propriedades na base de subsistência. O processo não gerou grande desenvolvimento econômico, mas causou a fundação de vários povoados. Restrições impostas pela política colonialista, que proibia grande parte das atividades industriais no Brasil – a fim de não prejudicar os interesses da Coroa Portuguesa – colaboraram para manter os engenhos em um estágio rudimentar, gerando produtos de baixo valor comercial que impediam a capitalização dos pioneiros. Com isso, ao ingressar no século XIX, 50 anos após o início da Revolução Industrial na Europa, a farinha de mandioca ainda era o principal produto da província. Em 1842, a Província de Santa Catarina era uma das menos populosas do Brasil. Ela ficou à margem do desenvolvimento econômico do Sudeste e do Nordeste do País, que viveram os prósperos ciclos do Pau-Brasil, do Ouro e do Café, até a segunda metade do século XIX. Os alemães começaram a chegar em Santa Catarina em 1828. Por 20 anos suas tentativas de colonização não deram certo. As colônias só tiveram sucesso quando os carroções subiram mais ao norte do Estado, nas proximidades do porto de São Francisco do Sul e no Vale do Itajaí. Os colonos alemães trouxeram a Revolução Industrial para Santa Catarina, especialmente no setor têxtil. A Hering é a mais antiga das companhias têxteis: foi fundada em 1880, em Blumenau, por um clã de tradição no setor têxtil alemão desde o século XVII. Dois anos depois, surgia a Karsten, que se capitalizou com um moinho pioneiro movido por uma queda d’água, seguido por uma serraria e empresa de transportes, com barcos e carroças. Com os lucros os Karsten compraram modernos teares europeus. Na mesma ocasião, em 1881, surgia a Döhler, em Joinville, com um tear de troncos de árvores, feito pelas mãos dos pioneiros da família.

TECNOLOGIA À MODA DA CASA Fundada em 1881 por Karl Schneider, a Casa do Aço impulsionou o avanço tecnológico de Joinville com a importação de máquinas sofisticadas e resultou na fundação da Ciser, maior fabricante de fixadores da América Latina.

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Ebook FIESC 65 anos  

Este livro é balanço, celebração e proposta. Pertence à indústria catarinense, razão de ser da FIESC.

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