Issuu on Google+

a produção foi encampada. É daí que surgem a Companhia Siderúrgica Nacional de Volta Redonda e a Usina Termelétrica de Capivari. A madeira faz parte desse cenário por meio da sua abundância em território catarinense, permitindo o surgimento de atividades relacionadas à sua exploração, com a consequente expansão da produção artesanal que estava ligada à expansão do mercado interno. A madeira cortada era levada por barco ao porto de São Francisco do Sul e daí para Rio de Janeiro, Porto Alegre e Montevidéu. As primeiras pequenas serrarias eram de colonos migrantes que se instalaram como comerciantes e se transformaram em industriais. Eles compravam a madeira de outros colonos e a vendiam serrada. O setor têxtil também tem essa origem nas atividades primárias. Entre 1850 e 1880, a colônia de Blumenau era dedicada à agricultura, como fumo café e cana-de-açúcar; aos alimentos como farinha de mandioca, manteiga, queijo e salame; bebidas como vinho, aguardente e cerveja, e também madeira e tijolos. Migrantes chegados depois de 1875 e que vinham da região industrial da Saxônia mudaram esse cenário. O mestre tecelão Hermann Hering e seu irmão Bruno fundam, então, em 1880, a Gebruder Hering. A tendência se intensificou com a Karsten em 1882, a Johann Heinrich Grevsmuhl & Cia., nascida em 1868 e que em 1884 se tornou a Empresa Industrial Garcia (adquirida pela Artex em 1974); a Buettner em 1875 e a Renaux em 1892. Em Joinville surgem Döhler, Lepper, Colin e Alfred Marquardt. A expansão de um setor não pode ser atribuída apenas à iniciativa dos pioneiros, mas também ao cenário favorável do País. A expansão da renda promovida pelo setor cafeeiro e a diversificação industrial dos anos 1920 abriram novos mercados para a indústria têxtil catarinense. O que diferenciava o setor têxtil era o alto grau de difusão técnica, o que permitia a cópia com facilidade, não exigindo muitos investimentos. A expansão do setor pode ser entendida não só pela queda das importações durante a Primeira e a Segunda Guerra, mas também pelo crescimento urbano e a política cambial dos anos 1920, entre outros fatores. As fábricas nasceram para o mercado regional, mas conquistaram o mercado nacional e depois o mercado externo. O trabalho com a terra passou pelo mesmo processo de renovação e ampliação de mercados, conforme foram anexados novos contingentes humanos com experiências mais ricas e à medida que evoluíram os instrumentos de fomento e de crédito para que algumas empresas deslanchassem e municípios se destacassem pela sua performance. Mesmo com a produção de alimentos no Sul, no Vale do Itajaí e no litoral, seria com a colonização no Oeste catarinense que o setor agrícola – mais tarde agroindustrial – teria outros desdobramentos e definiria os rumos da indústria alimentar em Santa Catarina e no Brasil a partir da criação de grandes empresas. Além da madeira, que serviu no início como base para outras atividades graças à acumulação de recursos proporcionada por uma atividade rentável, a plantação de fumo no Oeste catarinense também foi impulsionada pelos migrantes vindos do Rio Grande do Sul. Muitos colonos tinham vindo de Santa Cruz do Sul (RS) e, devido à integração ferroviária com centros urbanos, vendiam o excedente também para o mercado nacional. Nota-se aí a evolução de uma atividade que se esgotou para uma nova. Por exemplo: o tropeirismo de muares e gado, prática herdada do período das grandes fazendas de criação, entrou em decadência e os tropeiros foram então contratados por suinocultores do Vale do Rio do Peixe e do Oeste para transportar suas criações. Essa saga ainda está no início. Nos próximos capítulos, veremos como cada nicho evoluiu para uma situação mais dinâmica e integrada e como a FIESC entrou no processo com sua força de liderança para que a indústria catarinense evoluísse no esforço do desenvolvimento e da geração de emprego e renda.

15


Ebook FIESC 65 anos