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processo de aprimoramento do transporte, que ainda era muito precário mas precisava se transformar para que houvesse fluxo de mercadorias num mercado que crescia cada vez mais. De 1914 a 1945, Blumenau começou a se destacar em todo o Brasil graças à produção têxtil. A pequena indústria metalúrgica de Joinville começou a evoluir rumo a uma performance nacional, assim como o carvão, que tinha sido descoberto no início do século XIX e que a partir da Primeira Guerra Mundial, por contingência da escassez no resto do mundo, foi beneficiado por políticas protecionistas. Surgiam as primeiras siderúrgicas e as frentes pioneiras do Oeste, que iriam transformar a região num fenômeno agrícola e da produção de carnes, explodindo depois na agroindústria com alto nível de exportação. Problemas acabam gerando oportunidades. Como foi o caso da crise da erva-mate, até então um dos pilares da economia do Estado, que entrou em decadência porque o principal cliente, a Argentina, passou a cuidar mais da produção própria e cortou fortemente as importações. O fim de uma atividade acaba sempre desembocando em novas iniciativas. A erva-mate se concentrava no Alto Vale do Rio Uruguai e no Planalto Norte – do atual município de Campo Alegre até Xanxerê –, uma atividade dinamizada pelo ramal ferroviário que ligou Porto União ao Porto de São Francisco do Sul. A erva-mate foi responsável pela fixação inicial dos imigrantes de Joinville e São Bento do Sul e pela construção da Estrada Dona Francisca. A industrialização e exportação do mate formou um corredor entre São Bento do Sul e Joinville. De 1880 a 1945, se originaram e cresceram em Santa Catarina, prioritariamente, as indústrias madeireira, alimentar, carbonífera e têxtil. A metalmecânica também nasceu nesse período, mas aceleraria só anos depois. A partir de 1917, ocorreu um surto imigratório do Rio Grande do Sul em direção ao Oeste catarinense, tendência que se estendeu até o ano da fundação da FIESC, 1950. Cada leva de populações adventícias que se instalaram no Estado reproduz uma situação nova para a indústria. A política migratória no século XIX fazia parte da política imperial, que trouxe alemães e italianos e em menor proporção poloneses, austríacos, árabes, eslavos e espanhóis. No final do século XIX, uma forte base agrária mercantil convivia com uma fraca base industrial. O extrativismo e o setor alimentar eram hegemônicos, enquanto a indústria têxtil era forte apenas em algumas capitais fora do Estado, como Rio de Janeiro. A expansão da renda graças ao complexo exportador depois de 1918 impulsionou segmentos mais dinâmicos, tendência que se estendeu até 1933, quando começou a ser pensado um projeto nacional de industrialização. Em Santa Catarina, a indústria originária está no segmento extrativo – erva-mate, madeira e carvão –, no alimentício – farinha, açúcar e derivados de suínos – e no têxtil. Havia também a pecuária extensiva nos Campos de Lages. O carvão teve uma história interessante. As minas do Sul do Estado foram descobertas por tropeiros no início do século XIX. Mas as iniciativas de exploração foram tímidas em 1830 e 1850. Os ingleses se interessaram no final do século pela riqueza que precisava ser extraída da terra, mas as empresas fundadas para isso tiveram vida curta. Havia um problema técnico: o alto grau de rejeito do carvão catarinense, que era aproveitado em apenas 25% com valor energético. Durante a Primeira Guerra, a redução nas importações de combustíveis provocou a ativação de minas de carvão e na Segunda Guerra a atividade ganhou forte impulso. O carvão era insumo estratégico para o transporte ferroviário. Entre 1939 e 1945 a produção quadriplicou, com grande impacto sobre a economia da região Sul do Estado. Cinco companhias foram criadas entre 1917 e 1922. Por ser básico para a industrialização, o consumo de 10% da produção foi decretado obrigatório em 1931, pelo primeiro governo de Getulio Vargas, índice que passou para 20% em 1937. Na Segunda Guerra Mundial toda

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