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de Janeiro. O desenvolvimento da colônia era latente. Em 1873, com a abertura da Estrada Dona Francisca, o comércio de Joinville tornou-se ainda mais dinâmico, permitindo o acompanhamento de ciclos econômicos como o da madeira e o da erva-mate. Ao obter lucros com a venda desses produtos, os comerciantes acumularam capital suficiente para transformarem-se em industriais alguns anos depois. O dinamismo demográfico da Província e o amadurecimento dos polos administrativos provocaram uma verdadeira transformação na economia catarinense por volta de 1880. Surgiram os primeiros empreendimentos industriais, dotados de tecnologia moderna para a época, entre os quais se destacavam serrarias e usinas de açúcar, que utilizavam o vapor como fonte de energia. Mas a tendência de uma dinâmica própria, diferenciada em relação à já existente, demoraria até 1950 para se tornar realidade. É importante revisitar as origens dessa saga. De 1810 até 1847, chegou uma leva de imigrantes europeus, que fundaram a Colônia de São Pedro de Alcântara, próxima a Desterro, futura Florianópolis. Mesmo com a força empreendedora dos imigrantes alemães, essa colônia não se desenvolveu como as de Blumenau e Brusque, mais tarde, que também contaram com a mesma etnia mas conseguiram superar em muitos pontos sua coirmã mais antiga. Isso se deve ao alinhamento com políticas de industrialização, que incluía a sintonia com mercados ascendentes poderosos, como o de São Paulo, e políticas públicas como a dos investimentos e crédito, um nicho que começou com pequenas casas bancárias e evoluiu para instituições de fomento. De 1850 a 1880, houve diversificação da agricultura e desenvolvimento artesanal. A pequena propriedade no início era voltada para si mesma e evoluiu junto com o desenvolvimento das colônias. O artesanato se beneficiou não só dos insumos da madeira e da erva-mate, mas do capital acumulado por essas atividades extrativas, o que permitiu que se instalasse em território catarinense uma variedade importante de empresas focadas na indústria. De 1880 a 1914, houve a primeira fase do desenvolvimento industrial. Mais imigrantes chegaram, dessa vez os alemães do Vale do Itajaí, que contavam com apoio oficial e tinham entre si pessoas experimentadas na produção fabril. Núcleos urbanos em alguns pontos do Estado aumentaram a rede de demanda e de oferta da produção industrial, houve um volume maior de excedente e começou um

CAMINHO DA DINAMIZAÇÃO Abertura da Estrada Dona Francisca, a partir de 1873, possibilitou que Joinville, impulsionada pelos ciclos da erva-mate e da madeira, se transformasse em um importante e dinâmico entreposto comercial, formando as bases para a industrialização da região.

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