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presas. Trata-se de uma variedade infinita de momentos decisivos, desafiando a compreensão de historiadores e economistas, que ultimamente se unem para lançar luzes sobre as origens, evolução e crescimento das fábricas. Entre 1748 e 1756, açorianos aportaram em solo catarinense, onde desenvolveram uma típica economia de subsistência, alicerçada principalmente na produção de farinha de mandioca. A base alimentar da população logo se transformou no principal produto de exportação. Mas as restrições impostas pela política colonialista, que proibia grande parte das atividades industriais no Brasil – a fim de não prejudicar os interesses da Coroa Portuguesa –, colaboraram para manter os engenhos em um estágio rudimentar, gerando produtos de baixo valor comercial. O destaque era a pequena propriedade com produção de farinha, aguardente e pesca. Essa situação estava sintonizada com os interesses de Portugal e os únicos excedentes serviam a monopólios, como a caça à baleia. Não havia, portanto, margem para a capitalização e o consequente desdobramento em outras atividades correlatas ou paralelas, como aconteceu nos períodos seguintes. Ao ingressar no século XIX, cerca de 900 engenhos de farinha, todos de pequeno porte, representavam o maior negócio do Estado, distribuídos nas vizinhanças da Ilha de Santa Catarina. Além desses engenhos, a indústria catarinense era formada por moendas de cana para alambiques, pilões de arroz, moinhos, atafonas, curtumes e armações para a caça de baleias. Assim, o Estado se manteve distante dos grandes impulsos econômicos do Brasil, tanto no Ciclo da Mineração quanto no Ciclo do Café. Em 1842, a Província de Santa Catarina era uma das menos populosas do Brasil: 65.280 habitantes, dos quais cerca de 20% eram escravos. Esse cenário seria alterado a partir da segunda metade do século XIX, quando iniciaram as grandes colonizações. Entre 1850 e 1872, a população mais que duplicou. A economia foi dinamizada, criando, em poucos anos, uma base artesanal sólida e diversificada para os padrões da época. Em 1850 e 1851, os alemães fundaram as colônias Doutor Blumenau e Dona Francisca (Joinville). Em 1856, foi implantada a primeira indústria de Santa Catarina: a Serraria do Príncipe, em Joinville, propriedade do Príncipe de Joinville, voltada à exportação de madeiras para o Rio

EXTRATIVISMO CAPITALIZADOR Atividades como o beneficiamento de erva-mate, que foi um dos pilares da economia estadual até cessarem as importações por parte da Argentina, e a exploração da madeira foram as raízes da industrialização catarinense. O capital acumulado com essas atividades extrativistas possibilitou que produtores se tornassem comerciantes e posteriormente partissem para os primeiros empreendimentos industriais.

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Ebook FIESC 65 anos  

Este livro é balanço, celebração e proposta. Pertence à indústria catarinense, razão de ser da FIESC.

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