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direta do sistema pela própria indústria e a contribuição compulsória de 1% sobre a folha de pagamento de todos os empregados para o custeio das atividades. Em 1943 começaram as atividades da Delegacia Sul do SENAI, com sede em Curitiba, que atendia aos estados do Paraná e de Santa Catarina. Em 1946 o presidente Gaspar Dutra criava o Serviço Social da Indústria (SESI), subordinado à CNI. O SESI chegaria oficialmente a Santa Catarina na década seguinte, em 1951, um ano após a fundação da FIESC. A sofisticação do aprendizado tem origem sólida em séculos passados. O lavrador que precisou migrar para explorar a mata – e que extraiu madeira e plantou café e cana-de-açúcar – se transformou em empresário de secos e molhados, ou que fundou serrarias e, capitalizado, se aliou a outros empreendedores montando empresas comerciais, é um dos protagonistas fundamentais. Desde os quintais onde foram instaladas oficinas, que mais tarde evoluíram para fábricas e de fábricas viraram grupos empresariais poderosos, há sempre essa ferramenta básica: a de inovar constantemente para não perder o ritmo e o rumo. É o que identifica a fase atual de toda essa conquista secular da indústria catarinense. Justifica-se assim a seleção de alguns episódios para melhor ilustrar o que de fato aconteceu em praticamente 200 anos de esforços coletivos. Entre a solidão dos pioneiros e o alinhamento das fábricas com as decisões estaduais e nacionais, há muito o que contar. Um detalhe importante das iniciativas do século XIX é que nessa época o que havia de rudimentar em termos de experiência industrial alcançou um patamar mais sólido por meio das indústrias organizadas. Histórias como essa pontuam toda a grande saga da economia industrial catarinense, minuciosamente levantada por vários estudiosos, que trazem também uma inovação: a dos enfoques sobre os episódios cada vez mais reveladores. Sabe-se como cada nicho de atividade nasce a partir do extrativismo – como a madeira, o carvão, a erva-mate. A iniciativa gera recursos, capitaliza-se para criar empresas comerciais que evoluem para oficinas e daí para pequenas, médias e grandes em-

NOS PRIMÓRDIOS, A SUBSISTÊNCIA Introduzidos pelos imigrantes açorianos a partir de 1748, os engenhos de farinha representaram, até o ingresso no século XIX, o maior negócio do Estado. Componente da economia de subsistência típica da época, que incluía a produção de aguardente e a pesca, a fabricação de farinha de mandioca tornou-se o principal produto catarinense de “exportação”. Contudo, as restrições da Coroa Portuguesa às atividades industriais e o isolamento da região colaboraram para que os engenhos se mantivessem num estágio rudimentar. Sem poder de capitalização, os empreendimentos familiares não tiveram condições de desenvolver atividades correlatas ou de agregar valor à produção.

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Ebook FIESC 65 anos  

Este livro é balanço, celebração e proposta. Pertence à indústria catarinense, razão de ser da FIESC.

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