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C A PÍTU LO

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A Solidão e o Alinhamento

A indústria catarinense se destaca pela importância nacional e internacional, pela diversidade, pela inovação e por uma história solidamente ancorada em pesquisas corporativas e acadêmicas. O mergulho nas fontes, a cada década, lança novas luzes sobre uma saga que muito bem pode ser contada como uma experiência bem-sucedida, com seus altos e baixos, avanços e recuos e exemplos de superação que empolgam os estudiosos. Nessa trajetória, a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) faz parte como protagonista fundamental a partir de sua fundação em 1950. Em nenhum outro Estado o peso da indústria no PIB e na economia é tão grande como em Santa Catarina. As 50 mil empresas do parque industrial empregam mais de 800 mil pessoas e geram riquezas que proporcionam ao Estado alguns dos melhores índices sociais do continente.

A FIESC é o indutor dessa ação decisiva do desenvolvimento catarinense, representa o passo à frente que a indústria sempre precisa dar para atingir seus objetivos. Na atual gestão, de Glauco José Côrte, inovação é a palavra-chave e é com ela que vamos articular a história deste livro. Há dois tipos de abordagens que se complementam ao contar essa história. A indústria catarinense seria um acontecimento isolado, promovido por empreendedores migrantes e inovadores que precisavam sobreviver não apenas do extrativismo – madeira, erva-mate, carvão –, mas também do beneficiamento dos recursos naturais? Ou foi obra de políticas nacionais de desenvolvimento que alinharam Santa Catarina às necessidades econômicas do País? A primeira hipótese, abraçada tradicionalmente pelos historiadores, explica em parte a atuação endógena num território considerado à margem dos benefícios de outros Estados, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Mas a segunda tem crescido em importância nos últimos anos, com trabalhos que se debruçam sobre a articulação entre regiões industriais de Santa Catarina e as decisões nacionais. Longe de negar a iniciativa dos pioneiros, esse enfoque atualiza o entendimento sobre os motivos que levaram alguns nichos a se desenvolver mais do que outros, alguns municípios a chegar ao topo mais cedo e como uma atividade empreendedora desencadeia outra, numa sucessão quase infinita de iniciativas pressionadas pela ousadia, a sobrevivência e a vontade de crescer. Na origem da indústria, na sua “natureza”, podemos dizer, está o poder de transformação. Do insumo ao produto, passando pela intermediação da técnica e de equipamentos cada vez mais sofisticados, o foco dessa atividade fundamental da civilização é a mudança. Uma fábrica já é a prova da importância

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Ebook FIESC 65 anos