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FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DE SANTA CATARINA

O passO à frente da indústria catarinense


PORTAS ABERTAS AO FUTURO Geográfica e metaforicamente encravada no coração da Ilha, a sede da FIESC simboliza a pujança que desde o nascedouro caracterizou a indústria catarinense. Inaugurado em 1983, no bairro Itacorubi, em Florianópolis, o prédio que congregou todas as entidades da Federação (à esquerda) ganha em 2015 uma moderna ampliação, erguida dentro dos mais modernos conceitos de sustentabilidade, dotada de heliponto e sintonizada com os novos desafios do setor industrial do Estado.


Nei Duclós

O passo à frente da indústria catarinense

1ª edição

Santa Catarina / 2015


A P R E S E NTAÇÃO

NOSSO EXEMPLO DE SUPERAÇÃO

E

ste livro é balanço, celebração e proposta. Pertence à indústria catarinense, razão de ser da FIESC. Pertence, também, aos estadistas, que colocam as políticas públicas a favor da expansão empresarial; aos líderes, que decidem os rumos do Estado e do País, na árdua articulação de realidades e perspectivas; a todos os inovadores, que fazem da atividade industrial um impulso permanente de resistência e superação. Pertence, finalmente, aos profissionais que integram o quadro de pessoal da Federação e que formam a ativa comunidade dedicada ao desenvolvimento e à conquista de mercados. O foco desta publicação é a inovação, que define o perfil do nosso trabalho na FIESC. Trata-se de fazer justiça em dois polos principais. Primeiro, em relação à tradição industrial, atividade transformadora por excelência, que desde o seu início precisou mudar constantemente para criar soluções, encontrar caminhos, gerar riquezas e repercutir em todo o tecido social da nação. Segundo, em sintonia com as necessidades urgentes desta época de grandes desafios, em que tudo muda, inclusive a forma como essa mudança se comporta. Para abordar a inovação, é preciso também inovar no enfoque. Cada época soma novas percepções sobre o que aconteceu na formação do Brasil, eternamente em construção, já que o gigantismo do nosso território se reflete na grandiosidade dos nossos desafios. Santa Catarina ocupa uma pequena porção da vasta superfície do País, mas soube, desde o início, criar diferenciais que garantiram a intensidade da atividade industrial, sua diversidade e, mais importante, sua capacidade de encontrar saídas para o que, em muitos momentos, parecia insolúvel. Foi assim quando os pioneiros tiveram de inventar as primeiras fábricas para escapar dos limites do extrativismo. A abundância dos recursos naturais era só o início. Em algumas gerações foi possível notar que os empreendedores enfrentariam a crescente escassez dos recursos utilizados. Quando alguns nichos esgotaram seus ciclos, os industriais precisaram partir para iniciativas até então inéditas, difundindo técnicas e assumindo encargos cada vez mais complexos. Para isso tiveram não só que inventar as fábricas, mas também as cidades, as estradas, os mercados, as fontes de energia. Isolados por alguns momentos da história, souberam entrar em sintonia com os saltos do País rumo ao desenvolvimento. Pela capacidade de seus protagonistas, a indústria catarinense tornou-se um case bem-sucedido, dando exemplo de como proceder quando o desafio é grande, mas não maior do que o ânimo e a vontade de vencer. O espírito prático, que tanto se inspira na prudência quanto na ousadia, convive com o sonho de um futuro melhor. Para nós, que temos o privilégio de liderar a FIESC com foco no atendimento da indústria, o compromisso é com essa linhagem da indústria catarinense em sua longa e proveitosa história, por meio da atuação em quatro grandes eixos: Ambiente Institucional, Educação, Inovação e Tecnologia e Qualidade de Vida. Nesta publicação, damos detalhes das providências tomadas para que os empresários e seus líderes possam dar mais um passo à frente pelo desenvolvimento. Assumi pela segunda vez, juntamente com os meus companheiros de Diretoria, o honroso mandato de Presidente da FIESC, com a missão de corresponder, com trabalho, à notável contribuição que a valorosa indústria catarinense dá ao Estado e ao País. Este livro mostra o que está sendo feito nesse sentido, ao mesmo tempo em que pontua sua narrativa com os exemplos da trajetória de 65 anos da nossa entidade, além dos dois séculos de atividades industriais em Santa Catarina.


O foco deste livro, baseado nas pesquisas mais recentes sobre a indústria brasileira, é a inovação, que define a vocação da indústria catarinense e o perfil da nossa gestão. Aqui, damos detalhes das ações empreendidas para que a indústria e seus líderes possam dar mais um passo à frente no fascinante trabalho pelo desenvolvimento.

G L A U C O C ÔRTE Presidente da F I E S C


Su már io

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A Solidão e o Alinhamento

O empreendedorismo dos pioneiros extrapolou seus limites e foi a base para a participação da indústria de Santa Catarina nas políticas nacionais de desenvolvimento.

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Reações na Década Perdida

As providências tomadas para driblar as dificuldades da crise dinamizaram nichos importantes de atividade, que conseguiram superar os índices negativos da economia. PÁGINA

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O Desafio da Diversidade

A expansão e a geração de empresas impuseram a necessidade da criação da FIESC para representar e liderar todos os vetores de uma atividade dinâmica. PÁGINA

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Anos 1990: A Globalização Muda Tudo Novos paradigmas assumem com força o leme da produção e da gestão e a FIESC aprofunda sua missão para se manter na vanguarda de um processo transformador. PÁGINA

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A Linhagem da Liderança

Perfil dos protagonistas que definiram estratégias à altura da complexa rede corporativa implantada com a dedicação e o esforço de empresários e líderes sindicais. PÁGINA

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O Voo no Novo Milênio

O engajamento em conceitos como qualidade total e sustentabilidade orientam os rumos das mudanças radicais que beneficiam as atividades produtivas.

Desempenho da FIESC em números

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O Salto nos Anos 1970

Com investimentos de anos anteriores e cenário econômico favorável, década do milagre econômico marcou a força de uma indústria com vocação ao sucesso. PÁGINA

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Uma Nova Revolução Industrial

Atual liderança está focada na inovação e na tecnologia, trabalhadas com competência por quadros formados nos mais modernos conceitos e recursos da produção e do consumo.

Indústria de Santa Catarina em gráficos

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PIONEIRISMO INOVADOR Fundada em Joinville em 1856, cerca de cinco anos após a chegada do maior fluxo de imigrantes alemães à região, a Serraria do Príncipe é considerada a primeira indústria de Santa Catarina. Sua produção era voltada à exportação de madeiras para o Rio de Janeiro e o marco da inovação foi o uso de serra movida a vapor. Embora tardio em relação a outras regiões do País, esse ingresso na atividade fabril foi o primeiro passo de uma rápida trajetória de sucesso do setor industrial do Estado.

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C A PÍTU LO

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A Solidão e o Alinhamento

A indústria catarinense se destaca pela importância nacional e internacional, pela diversidade, pela inovação e por uma história solidamente ancorada em pesquisas corporativas e acadêmicas. O mergulho nas fontes, a cada década, lança novas luzes sobre uma saga que muito bem pode ser contada como uma experiência bem-sucedida, com seus altos e baixos, avanços e recuos e exemplos de superação que empolgam os estudiosos. Nessa trajetória, a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) faz parte como protagonista fundamental a partir de sua fundação em 1950. Em nenhum outro Estado o peso da indústria no PIB e na economia é tão grande como em Santa Catarina. As 50 mil empresas do parque industrial empregam mais de 800 mil pessoas e geram riquezas que proporcionam ao Estado alguns dos melhores índices sociais do continente.

A FIESC é o indutor dessa ação decisiva do desenvolvimento catarinense, representa o passo à frente que a indústria sempre precisa dar para atingir seus objetivos. Na atual gestão, de Glauco José Côrte, inovação é a palavra-chave e é com ela que vamos articular a história deste livro. Há dois tipos de abordagens que se complementam ao contar essa história. A indústria catarinense seria um acontecimento isolado, promovido por empreendedores migrantes e inovadores que precisavam sobreviver não apenas do extrativismo – madeira, erva-mate, carvão –, mas também do beneficiamento dos recursos naturais? Ou foi obra de políticas nacionais de desenvolvimento que alinharam Santa Catarina às necessidades econômicas do País? A primeira hipótese, abraçada tradicionalmente pelos historiadores, explica em parte a atuação endógena num território considerado à margem dos benefícios de outros Estados, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Mas a segunda tem crescido em importância nos últimos anos, com trabalhos que se debruçam sobre a articulação entre regiões industriais de Santa Catarina e as decisões nacionais. Longe de negar a iniciativa dos pioneiros, esse enfoque atualiza o entendimento sobre os motivos que levaram alguns nichos a se desenvolver mais do que outros, alguns municípios a chegar ao topo mais cedo e como uma atividade empreendedora desencadeia outra, numa sucessão quase infinita de iniciativas pressionadas pela ousadia, a sobrevivência e a vontade de crescer. Na origem da indústria, na sua “natureza”, podemos dizer, está o poder de transformação. Do insumo ao produto, passando pela intermediação da técnica e de equipamentos cada vez mais sofisticados, o foco dessa atividade fundamental da civilização é a mudança. Uma fábrica já é a prova da importância

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de não se conformar com uma situação. É preciso transformá-la para se conseguir resultados. Isso se faz com a inovação constante. Da força hidráulica que movia as máquinas no início da atividade, passando pela fase do vapor e do carvão, até chegar à eletricidade e ao universo eletrônico e digital, a inovação pontua cada episódio dessa cena. No momento em que a FIESC completa 65 anos e enfrenta o maior desafio da sua história, com a pressão das contingências econômicas sobre as empresas industriais, mais do que nunca é preciso inovar para sobreviver e crescer, e por isso é importante resgatar esse foco inovador que vem desde os pioneiros. E quem se dedica a esse esforço sabe que inovar é um processo amplo, que inclui não só a solução inédita, a novidade tecnológica. Nutre-se dela, da criação técnica e científica que evita os gargalos da produção agindo a favor da dinamização dos resultados e da vitória sobre a concorrência. Mas também inovar pode ser a implantação de uma tecnologia já conhecida e que resolve o problema pontual de cada empreendimento. Criar hoje um software que defina um novo conceito na linha de montagem ou pesquisar a fórmula do ferro maleável são duas pontas que se tocam. Os comandos digitais de equipamentos com tecnologia de ponta têm antecedentes de grande significado. Em Brusque, duas iniciativas têxteis ilustram esse esforço de inovação. João Bauer, em 1890, desenvolveu a primeira tentativa de produção de tecidos no município, contando com a ajuda dos imigrantes poloneses, conhecidos como tecelões de Lodz. A segunda tentativa foi bem-sucedida, com o apoio de Carlos Renaux, comerciante que instalou rústicos teares de madeira, construídos pelos próprios poloneses, dentro do depósito de sua casa de comércio em 1892, fundando a Fábrica de Tecidos Carlos Renaux S/A. São feitos que expressam essa linhagem nobre da indústria que nasceu da vontade de vencer e se desenvolveu graças à visão de sucessivas gerações de pessoas voltadas para o crescimento do Estado e do País. Dos primeiros teares às grandes indústrias, há uma trilha segura de aprimoramento técnico, desenvolvido tanto dentro das empresas catarinenses quanto por meio de parcerias com companhias de ponta de outros países. Pois inovar é também ensinar e aprender. O artesão que veio da Alemanha como mestre da fabricação têxtil ou de vestuário é um exemplo. Ele repassou seus conhecimentos para aprendizes que elevaram o nome de empresas tornadas famosas, como a Hering e a Döhler, das regiões de Blumenau e Joinville. Essa tendência, do ensino e aprendizado, tornou-se constante e chegou ao apogeu com a criação das unidades do SESI e do SENAI de Santa Catarina. O SESI e o SENAI complementam o esforço inovador da indústria catarinense e continuam sendo polos de saltos decisivos em direção à superação de obstáculos. Essas instituições são fundamentais na história que estamos contando. Às iniciativas governamentais de fomento ao ensino profissionalizante, como a criação da Universidade Técnica Federal em 1934, somou-se, em 1939, a determinação do governo de que todas as indústrias com mais de 500 operários deveriam oferecer cursos de qualificação profissional a seus funcionários. Um decreto foi o embrião de um projeto que propunha aplicar no Brasil uma prática já adotada por diversos países e recomendada pelo Bureau Internacional do Trabalho: a criação de um sistema nacional de aprendizagem. Convocados a participar das discussões a respeito, Euvaldo Lodi, representando a CNI, e Roberto Simonsen, em nome da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), propuseram que os órgãos sindicais fossem os responsáveis pela execução do projeto. Em 1942, o presidente Getulio Vargas criou o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). Entre as diretrizes de atuação da nova instituição de ensino estavam a preparação sistemática de trabalhadores em centros ou escolas de aprendizagem comuns a várias empresas, a administração

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direta do sistema pela própria indústria e a contribuição compulsória de 1% sobre a folha de pagamento de todos os empregados para o custeio das atividades. Em 1943 começaram as atividades da Delegacia Sul do SENAI, com sede em Curitiba, que atendia aos estados do Paraná e de Santa Catarina. Em 1946 o presidente Gaspar Dutra criava o Serviço Social da Indústria (SESI), subordinado à CNI. O SESI chegaria oficialmente a Santa Catarina na década seguinte, em 1951, um ano após a fundação da FIESC. A sofisticação do aprendizado tem origem sólida em séculos passados. O lavrador que precisou migrar para explorar a mata – e que extraiu madeira e plantou café e cana-de-açúcar – se transformou em empresário de secos e molhados, ou que fundou serrarias e, capitalizado, se aliou a outros empreendedores montando empresas comerciais, é um dos protagonistas fundamentais. Desde os quintais onde foram instaladas oficinas, que mais tarde evoluíram para fábricas e de fábricas viraram grupos empresariais poderosos, há sempre essa ferramenta básica: a de inovar constantemente para não perder o ritmo e o rumo. É o que identifica a fase atual de toda essa conquista secular da indústria catarinense. Justifica-se assim a seleção de alguns episódios para melhor ilustrar o que de fato aconteceu em praticamente 200 anos de esforços coletivos. Entre a solidão dos pioneiros e o alinhamento das fábricas com as decisões estaduais e nacionais, há muito o que contar. Um detalhe importante das iniciativas do século XIX é que nessa época o que havia de rudimentar em termos de experiência industrial alcançou um patamar mais sólido por meio das indústrias organizadas. Histórias como essa pontuam toda a grande saga da economia industrial catarinense, minuciosamente levantada por vários estudiosos, que trazem também uma inovação: a dos enfoques sobre os episódios cada vez mais reveladores. Sabe-se como cada nicho de atividade nasce a partir do extrativismo – como a madeira, o carvão, a erva-mate. A iniciativa gera recursos, capitaliza-se para criar empresas comerciais que evoluem para oficinas e daí para pequenas, médias e grandes em-

NOS PRIMÓRDIOS, A SUBSISTÊNCIA Introduzidos pelos imigrantes açorianos a partir de 1748, os engenhos de farinha representaram, até o ingresso no século XIX, o maior negócio do Estado. Componente da economia de subsistência típica da época, que incluía a produção de aguardente e a pesca, a fabricação de farinha de mandioca tornou-se o principal produto catarinense de “exportação”. Contudo, as restrições da Coroa Portuguesa às atividades industriais e o isolamento da região colaboraram para que os engenhos se mantivessem num estágio rudimentar. Sem poder de capitalização, os empreendimentos familiares não tiveram condições de desenvolver atividades correlatas ou de agregar valor à produção.

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presas. Trata-se de uma variedade infinita de momentos decisivos, desafiando a compreensão de historiadores e economistas, que ultimamente se unem para lançar luzes sobre as origens, evolução e crescimento das fábricas. Entre 1748 e 1756, açorianos aportaram em solo catarinense, onde desenvolveram uma típica economia de subsistência, alicerçada principalmente na produção de farinha de mandioca. A base alimentar da população logo se transformou no principal produto de exportação. Mas as restrições impostas pela política colonialista, que proibia grande parte das atividades industriais no Brasil – a fim de não prejudicar os interesses da Coroa Portuguesa –, colaboraram para manter os engenhos em um estágio rudimentar, gerando produtos de baixo valor comercial. O destaque era a pequena propriedade com produção de farinha, aguardente e pesca. Essa situação estava sintonizada com os interesses de Portugal e os únicos excedentes serviam a monopólios, como a caça à baleia. Não havia, portanto, margem para a capitalização e o consequente desdobramento em outras atividades correlatas ou paralelas, como aconteceu nos períodos seguintes. Ao ingressar no século XIX, cerca de 900 engenhos de farinha, todos de pequeno porte, representavam o maior negócio do Estado, distribuídos nas vizinhanças da Ilha de Santa Catarina. Além desses engenhos, a indústria catarinense era formada por moendas de cana para alambiques, pilões de arroz, moinhos, atafonas, curtumes e armações para a caça de baleias. Assim, o Estado se manteve distante dos grandes impulsos econômicos do Brasil, tanto no Ciclo da Mineração quanto no Ciclo do Café. Em 1842, a Província de Santa Catarina era uma das menos populosas do Brasil: 65.280 habitantes, dos quais cerca de 20% eram escravos. Esse cenário seria alterado a partir da segunda metade do século XIX, quando iniciaram as grandes colonizações. Entre 1850 e 1872, a população mais que duplicou. A economia foi dinamizada, criando, em poucos anos, uma base artesanal sólida e diversificada para os padrões da época. Em 1850 e 1851, os alemães fundaram as colônias Doutor Blumenau e Dona Francisca (Joinville). Em 1856, foi implantada a primeira indústria de Santa Catarina: a Serraria do Príncipe, em Joinville, propriedade do Príncipe de Joinville, voltada à exportação de madeiras para o Rio

EXTRATIVISMO CAPITALIZADOR Atividades como o beneficiamento de erva-mate, que foi um dos pilares da economia estadual até cessarem as importações por parte da Argentina, e a exploração da madeira foram as raízes da industrialização catarinense. O capital acumulado com essas atividades extrativistas possibilitou que produtores se tornassem comerciantes e posteriormente partissem para os primeiros empreendimentos industriais.

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de Janeiro. O desenvolvimento da colônia era latente. Em 1873, com a abertura da Estrada Dona Francisca, o comércio de Joinville tornou-se ainda mais dinâmico, permitindo o acompanhamento de ciclos econômicos como o da madeira e o da erva-mate. Ao obter lucros com a venda desses produtos, os comerciantes acumularam capital suficiente para transformarem-se em industriais alguns anos depois. O dinamismo demográfico da Província e o amadurecimento dos polos administrativos provocaram uma verdadeira transformação na economia catarinense por volta de 1880. Surgiram os primeiros empreendimentos industriais, dotados de tecnologia moderna para a época, entre os quais se destacavam serrarias e usinas de açúcar, que utilizavam o vapor como fonte de energia. Mas a tendência de uma dinâmica própria, diferenciada em relação à já existente, demoraria até 1950 para se tornar realidade. É importante revisitar as origens dessa saga. De 1810 até 1847, chegou uma leva de imigrantes europeus, que fundaram a Colônia de São Pedro de Alcântara, próxima a Desterro, futura Florianópolis. Mesmo com a força empreendedora dos imigrantes alemães, essa colônia não se desenvolveu como as de Blumenau e Brusque, mais tarde, que também contaram com a mesma etnia mas conseguiram superar em muitos pontos sua coirmã mais antiga. Isso se deve ao alinhamento com políticas de industrialização, que incluía a sintonia com mercados ascendentes poderosos, como o de São Paulo, e políticas públicas como a dos investimentos e crédito, um nicho que começou com pequenas casas bancárias e evoluiu para instituições de fomento. De 1850 a 1880, houve diversificação da agricultura e desenvolvimento artesanal. A pequena propriedade no início era voltada para si mesma e evoluiu junto com o desenvolvimento das colônias. O artesanato se beneficiou não só dos insumos da madeira e da erva-mate, mas do capital acumulado por essas atividades extrativas, o que permitiu que se instalasse em território catarinense uma variedade importante de empresas focadas na indústria. De 1880 a 1914, houve a primeira fase do desenvolvimento industrial. Mais imigrantes chegaram, dessa vez os alemães do Vale do Itajaí, que contavam com apoio oficial e tinham entre si pessoas experimentadas na produção fabril. Núcleos urbanos em alguns pontos do Estado aumentaram a rede de demanda e de oferta da produção industrial, houve um volume maior de excedente e começou um

CAMINHO DA DINAMIZAÇÃO Abertura da Estrada Dona Francisca, a partir de 1873, possibilitou que Joinville, impulsionada pelos ciclos da erva-mate e da madeira, se transformasse em um importante e dinâmico entreposto comercial, formando as bases para a industrialização da região.

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processo de aprimoramento do transporte, que ainda era muito precário mas precisava se transformar para que houvesse fluxo de mercadorias num mercado que crescia cada vez mais. De 1914 a 1945, Blumenau começou a se destacar em todo o Brasil graças à produção têxtil. A pequena indústria metalúrgica de Joinville começou a evoluir rumo a uma performance nacional, assim como o carvão, que tinha sido descoberto no início do século XIX e que a partir da Primeira Guerra Mundial, por contingência da escassez no resto do mundo, foi beneficiado por políticas protecionistas. Surgiam as primeiras siderúrgicas e as frentes pioneiras do Oeste, que iriam transformar a região num fenômeno agrícola e da produção de carnes, explodindo depois na agroindústria com alto nível de exportação. Problemas acabam gerando oportunidades. Como foi o caso da crise da erva-mate, até então um dos pilares da economia do Estado, que entrou em decadência porque o principal cliente, a Argentina, passou a cuidar mais da produção própria e cortou fortemente as importações. O fim de uma atividade acaba sempre desembocando em novas iniciativas. A erva-mate se concentrava no Alto Vale do Rio Uruguai e no Planalto Norte – do atual município de Campo Alegre até Xanxerê –, uma atividade dinamizada pelo ramal ferroviário que ligou Porto União ao Porto de São Francisco do Sul. A erva-mate foi responsável pela fixação inicial dos imigrantes de Joinville e São Bento do Sul e pela construção da Estrada Dona Francisca. A industrialização e exportação do mate formou um corredor entre São Bento do Sul e Joinville. De 1880 a 1945, se originaram e cresceram em Santa Catarina, prioritariamente, as indústrias madeireira, alimentar, carbonífera e têxtil. A metalmecânica também nasceu nesse período, mas aceleraria só anos depois. A partir de 1917, ocorreu um surto imigratório do Rio Grande do Sul em direção ao Oeste catarinense, tendência que se estendeu até o ano da fundação da FIESC, 1950. Cada leva de populações adventícias que se instalaram no Estado reproduz uma situação nova para a indústria. A política migratória no século XIX fazia parte da política imperial, que trouxe alemães e italianos e em menor proporção poloneses, austríacos, árabes, eslavos e espanhóis. No final do século XIX, uma forte base agrária mercantil convivia com uma fraca base industrial. O extrativismo e o setor alimentar eram hegemônicos, enquanto a indústria têxtil era forte apenas em algumas capitais fora do Estado, como Rio de Janeiro. A expansão da renda graças ao complexo exportador depois de 1918 impulsionou segmentos mais dinâmicos, tendência que se estendeu até 1933, quando começou a ser pensado um projeto nacional de industrialização. Em Santa Catarina, a indústria originária está no segmento extrativo – erva-mate, madeira e carvão –, no alimentício – farinha, açúcar e derivados de suínos – e no têxtil. Havia também a pecuária extensiva nos Campos de Lages. O carvão teve uma história interessante. As minas do Sul do Estado foram descobertas por tropeiros no início do século XIX. Mas as iniciativas de exploração foram tímidas em 1830 e 1850. Os ingleses se interessaram no final do século pela riqueza que precisava ser extraída da terra, mas as empresas fundadas para isso tiveram vida curta. Havia um problema técnico: o alto grau de rejeito do carvão catarinense, que era aproveitado em apenas 25% com valor energético. Durante a Primeira Guerra, a redução nas importações de combustíveis provocou a ativação de minas de carvão e na Segunda Guerra a atividade ganhou forte impulso. O carvão era insumo estratégico para o transporte ferroviário. Entre 1939 e 1945 a produção quadriplicou, com grande impacto sobre a economia da região Sul do Estado. Cinco companhias foram criadas entre 1917 e 1922. Por ser básico para a industrialização, o consumo de 10% da produção foi decretado obrigatório em 1931, pelo primeiro governo de Getulio Vargas, índice que passou para 20% em 1937. Na Segunda Guerra Mundial toda

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DA DIFICULDADE À PUJANÇA Descobertas por tropeiros no início do século XIX, as jazidas de carvão no Sul catarinense inicialmente enfrentaram dificuldades no processo de extração. O quadro só mudou com a redução da importação de combustíveis na Primeira Guerra, que levou à ativação das minas. Insumo para o transporte ferroviário, o carvão ganhou força na Segunda Guerra, com protecionismo estatal, impulsionando a economia da região.

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NAS MALHAS DO TEMPO Vindos da Saxônia, de uma família com grande tradição em tecelagem, os irmãos alemães Hermann e Bruno fundaram em 1880, em Blumenau, a Gebruder Hering, que se consolidou como uma das mais importantes indústrias têxteis do País. Um dos carros-chefes do polo industrial do setor que se formou no Vale do Itajaí, a Hering também foi pioneira na preocupação sociocultural em relação aos seus trabalhadores.

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a produção foi encampada. É daí que surgem a Companhia Siderúrgica Nacional de Volta Redonda e a Usina Termelétrica de Capivari. A madeira faz parte desse cenário por meio da sua abundância em território catarinense, permitindo o surgimento de atividades relacionadas à sua exploração, com a consequente expansão da produção artesanal que estava ligada à expansão do mercado interno. A madeira cortada era levada por barco ao porto de São Francisco do Sul e daí para Rio de Janeiro, Porto Alegre e Montevidéu. As primeiras pequenas serrarias eram de colonos migrantes que se instalaram como comerciantes e se transformaram em industriais. Eles compravam a madeira de outros colonos e a vendiam serrada. O setor têxtil também tem essa origem nas atividades primárias. Entre 1850 e 1880, a colônia de Blumenau era dedicada à agricultura, como fumo café e cana-de-açúcar; aos alimentos como farinha de mandioca, manteiga, queijo e salame; bebidas como vinho, aguardente e cerveja, e também madeira e tijolos. Migrantes chegados depois de 1875 e que vinham da região industrial da Saxônia mudaram esse cenário. O mestre tecelão Hermann Hering e seu irmão Bruno fundam, então, em 1880, a Gebruder Hering. A tendência se intensificou com a Karsten em 1882, a Johann Heinrich Grevsmuhl & Cia., nascida em 1868 e que em 1884 se tornou a Empresa Industrial Garcia (adquirida pela Artex em 1974); a Buettner em 1875 e a Renaux em 1892. Em Joinville surgem Döhler, Lepper, Colin e Alfred Marquardt. A expansão de um setor não pode ser atribuída apenas à iniciativa dos pioneiros, mas também ao cenário favorável do País. A expansão da renda promovida pelo setor cafeeiro e a diversificação industrial dos anos 1920 abriram novos mercados para a indústria têxtil catarinense. O que diferenciava o setor têxtil era o alto grau de difusão técnica, o que permitia a cópia com facilidade, não exigindo muitos investimentos. A expansão do setor pode ser entendida não só pela queda das importações durante a Primeira e a Segunda Guerra, mas também pelo crescimento urbano e a política cambial dos anos 1920, entre outros fatores. As fábricas nasceram para o mercado regional, mas conquistaram o mercado nacional e depois o mercado externo. O trabalho com a terra passou pelo mesmo processo de renovação e ampliação de mercados, conforme foram anexados novos contingentes humanos com experiências mais ricas e à medida que evoluíram os instrumentos de fomento e de crédito para que algumas empresas deslanchassem e municípios se destacassem pela sua performance. Mesmo com a produção de alimentos no Sul, no Vale do Itajaí e no litoral, seria com a colonização no Oeste catarinense que o setor agrícola – mais tarde agroindustrial – teria outros desdobramentos e definiria os rumos da indústria alimentar em Santa Catarina e no Brasil a partir da criação de grandes empresas. Além da madeira, que serviu no início como base para outras atividades graças à acumulação de recursos proporcionada por uma atividade rentável, a plantação de fumo no Oeste catarinense também foi impulsionada pelos migrantes vindos do Rio Grande do Sul. Muitos colonos tinham vindo de Santa Cruz do Sul (RS) e, devido à integração ferroviária com centros urbanos, vendiam o excedente também para o mercado nacional. Nota-se aí a evolução de uma atividade que se esgotou para uma nova. Por exemplo: o tropeirismo de muares e gado, prática herdada do período das grandes fazendas de criação, entrou em decadência e os tropeiros foram então contratados por suinocultores do Vale do Rio do Peixe e do Oeste para transportar suas criações. Essa saga ainda está no início. Nos próximos capítulos, veremos como cada nicho evoluiu para uma situação mais dinâmica e integrada e como a FIESC entrou no processo com sua força de liderança para que a indústria catarinense evoluísse no esforço do desenvolvimento e da geração de emprego e renda.

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Os colonos do progresso A colonização de Santa Catarina foi largamente efetuada pelos imigrantes. Os açorianos colonizaram o litoral no século XVIII. Os alemães colonizaram o Vale do Itajaí e o Norte em meados do século XIX. O Oeste catarinense foi colonizado principalmente por descendentes de italianos, deslocados do Rio Grande do Sul, na primeira metade do século XX. Quando a partir de 1748 os colonos açorianos começaram a aportar em Santa Catarina, a estratégia portuguesa era ocupar terras em litígio com a Espanha com a fixação de famílias que se organizavam em pequenas propriedades na base de subsistência. O processo não gerou grande desenvolvimento econômico, mas causou a fundação de vários povoados. Restrições impostas pela política colonialista, que proibia grande parte das atividades industriais no Brasil – a fim de não prejudicar os interesses da Coroa Portuguesa – colaboraram para manter os engenhos em um estágio rudimentar, gerando produtos de baixo valor comercial que impediam a capitalização dos pioneiros. Com isso, ao ingressar no século XIX, 50 anos após o início da Revolução Industrial na Europa, a farinha de mandioca ainda era o principal produto da província. Em 1842, a Província de Santa Catarina era uma das menos populosas do Brasil. Ela ficou à margem do desenvolvimento econômico do Sudeste e do Nordeste do País, que viveram os prósperos ciclos do Pau-Brasil, do Ouro e do Café, até a segunda metade do século XIX. Os alemães começaram a chegar em Santa Catarina em 1828. Por 20 anos suas tentativas de colonização não deram certo. As colônias só tiveram sucesso quando os carroções subiram mais ao norte do Estado, nas proximidades do porto de São Francisco do Sul e no Vale do Itajaí. Os colonos alemães trouxeram a Revolução Industrial para Santa Catarina, especialmente no setor têxtil. A Hering é a mais antiga das companhias têxteis: foi fundada em 1880, em Blumenau, por um clã de tradição no setor têxtil alemão desde o século XVII. Dois anos depois, surgia a Karsten, que se capitalizou com um moinho pioneiro movido por uma queda d’água, seguido por uma serraria e empresa de transportes, com barcos e carroças. Com os lucros os Karsten compraram modernos teares europeus. Na mesma ocasião, em 1881, surgia a Döhler, em Joinville, com um tear de troncos de árvores, feito pelas mãos dos pioneiros da família.

TECNOLOGIA À MODA DA CASA Fundada em 1881 por Karl Schneider, a Casa do Aço impulsionou o avanço tecnológico de Joinville com a importação de máquinas sofisticadas e resultou na fundação da Ciser, maior fabricante de fixadores da América Latina.

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Os alemães transformaram o Vale do Itajaí em um dos grandes polos têxteis continentais no final do século XX. Nessa mesma região, que engloba o norte e nordeste catarinense, esses imigrantes alemães transformaram a selva em três dos maiores polos industriais de Santa Catarina atualmente – Joinville, Blumenau e Jaraguá do Sul. Comerciantes eram figuras estratégicas nas novas colônias, onde faltava crédito e capital para o desenvolvimento de negócios. Eles exerciam múltiplas funções. Único elo com o resto do mundo, funcionavam como orientadores da produção agrícola, indicando o que plantar. Eram os banqueiros locais, na falta de sistemas financeiros. Cuidavam da poupança dos agricultores, lhes ofereciam crédito e permutavam produtos rurais por industrializados, inclusive internacionais, que modernizaram a produção. Eles se tornaram as pessoas mais capitalizadas das colônias e alguns investiram em indústrias pioneiras que tiveram grande destaque: Buettner, Schrader, Schneider, Renaux, Karsten e Krieger, entre outras. Muitos possuíam barcos e carroções, constituindo verdadeiras companhias logísticas, como a Karsten. A Casa do Aço, fundada por Karl Friedrich Schneider em Joinville, no final do século XIX, trouxe máquinas sofisticadas e grandes avanços tecnológicos para a cidade, como as primeiras bicicletas e moendas de ferro, capazes de produzir açúcar pela primeira vez na região. Filhos de imigrantes italianos que rumaram do Rio Grande do Sul para Santa Catarina na metade do século XX deram grande impulso à agropecuária no Oeste catarinense. Em 1943, Atílio Fontana adquiriu um frigorífico em Concórdia, onde nasceu a Sadia, e desenvolveu entre os pequenos produtores um melhoramento genético dos suínos e mais tarde das aves, o que tornou Santa Catarina uma potência mundial nesses dois segmentos. Pouco depois surgia a Perdigão, de Saul Brandalise, em Videira. As duas empresas se fundiram em 2009, na Brasil Foods, uma das 10 maiores processadoras de carne do mundo. RODA DA FORTUNA A partir de um pioneiro moinho movido por uma queda d’água, a Karsten, de 1882, capitalizou-se e importou modernos teares europeus, resultando numa potência do setor têxtil.

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FORÇA MOTRIZ Com as restrições às importações de máquinas, a fábrica de teares mecânicos Buddemeyer, de Itajaí, foi fundamental na consolidação da indústria têxtil durante a Segunda Guerra. Depois, a empresa foi para São Bento do Sul e se tornou uma potência do próprio segmento.

FÓRMULA DO SUCESSO Após cinco anos de estudos, equipe da Tupy encontrou a fórmula do ferro maleável, dando origem a uma das maiores fundições privadas do mundo e sendo a semente da indústria metalmecânica de Joinville.

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Dois séculos de inovações As inovações e o empreendedorismo sempre fizeram parte da saga industrial catarinense. Em 1861, Johann Karsten usou uma queda d’água do Rio do Testo para mover a roda de um moinho e gerar energia para seu sítio na Colônia de Blumenau. Nos anos 1930, em uma modesta fundição em Joinville, após mais de cinco anos pesquisando em manuais escritos em alemão, sofrendo queimaduras e sem aparelhagem adequada, Albano Schmidt e equipe enfim conseguiram encontrar pela primeira vez no Brasil a fórmula de ferro maleável. Todo ferro maleável para produzir conexões hidráulicas para encanamentos de casas e ruas vinha da Inglaterra – e a Segunda Guerra Mundial, em 1939, interrompeu as exportações de conexões para o Brasil. Surgia a Fundição Tupy, que em pouco tempo tornou-se em um dos maiores empregadores de Santa Catarina e é uma das maiores fundições privadas do mundo. A primeira geladeira moderna do Brasil foi produzida em 1947, em Brusque, e desse embrião surgiu a Consul, em Joinville, financiada pelo cônsul Carlos Renaux, descendente do pioneiro. Durante a Segunda Guerra, Fritz Buddemeyer teve papel fundamental na consolidação da indústria têxtil. Os fornecedores europeus de teares estavam paralisados e a política nacionalista do presidente Getulio Vargas proibia a importação de máquinas e equipamentos. Entre 1936 e 1951, Buddemeyer fabricou 2 mil teares mecânicos, inéditos no Brasil, e praticamente salvou o parque têxtil da estagnação. A Buddemeyer foi uma das dezenas de empresas que surgiram entre as duas Guerras Mundiais. O período entre 1914 e 1945 tem como principal característica o desenvolvimento de pequenas e médias empresas, como Sadia, Perdigão, Tupy, Schneider, Teka, Artex, Duas Rodas, Cremer, Altenburg, Haco, Linhas Círculo, Condor, Tigre e várias outras. Sem contar com muitos investimentos de fora, Santa Catarina se destacou pela qualidade e inovação de pequenos empreendimentos que ficaram grandes. Ao final da Segunda Guerra, o Estado emergiria para os novos tempos com um parque industrial consolidado e diversificado, com empresas preparadas para o mercado e para exercer forte influência na modelagem e economia catarinense nas décadas seguintes. O setor têxtil consolidou-se e passou a exportar para vários mercados. As atividades extrativistas, como madeira e carvão, e a indústria alimentícia receberam forte impulso. O segmento metalmecânico ensaiava os primeiros passos. Mudanças profundas na infraestrutura, especialmente com o aperfeiçoamento do sistema de transportes, com novas estradas, ferrovias e portos e o uso de energia a vapor, em meados de 1800, e da energia elétrica no começo dos 1900, foram fundamentais para viabilizar o dinamismo industrial. O uso da energia elétrica substituía as energias humana e hidráulica dos engenhos e moinhos. O grande avanço ocorreu com a construção de usinas patrocinadas por empresários locais: as pioneiras em Joinville e Blumenau. Com a abertura da estrada Dona Francisca para São Bento, em 1873, Joinville, impulsionada pelo porto e pelos ciclos da erva-mate e da madeira, tornou-se importante entreposto comercial no começo do século XX.

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QUANTIDADE E QUALIDADE O período entre 1920 e 1940 foi marcado pelo surgimento de diversas empresas industriais em Santa Catarina, que se tornariam líderes de seus segmentos no País e teriam forte atuação internacional. Uma delas foi a Cremer, fundada em 1938 no polo têxtil de Blumenau, que se tornou a maior indústria do Brasil em produtos para as áreas de primeiros socorros, cirurgia, higiene e bem-estar.

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C A PÍTU LO

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O Desafio da Diversidade

Como atender a um mercado que crescia num ambiente de poucas estradas, energia escassa, indústrias ainda no início e uma economia girando em torno de nichos tradicionais do extrativismo? Como sintonizar as necessidades do País e do Estado, que se transformavam, com a vocação empreendedora dos pioneiros? Qual o rumo a dar para as habilidades trazidas de além-mar? Como produzir algo mais sofisticado do que o já conhecido e experimentado? Essas perguntas foram respondidas pela ação. O isolamento aos poucos foi substituído pela associação e a parceria, o mercado local deixou de ser a única opção, a atividade herdada dos pais não significava manter a tradição num cenário dinâmico. Com a constante mudança, a FIESC entrou como protagonista a partir de 1950, quando o impulso industrializante já tinha força suficiente para o grande salto inicial.

A FIESC entra como divisor de águas, gerada pela própria indústria que era implantada de maneira múltipla em todas as regiões do Estado, completamente sintonizada com o que ocorria na economia brasileira. A industrialização levou um tempo maior em Santa Catarina para ter um papel preponderante. A proliferação industrial lenta que foi sendo implantada no litoral, na serra e nos vales catarinenses nas décadas pioneiras do século XIX sofreu grande impacto no novo século. O que marcou o período entre 1880 e 1945 foi a habilidade empreendedora de aproveitar as chances oferecidas pelo mercado em expansão. Entre 1920 e 1940 surgiram empresas como Teka, Duas Rodas, Cremer, Artex, Fundição Tupy, Schneider, Laboratório Catarinense, Condor, Sadia, Perdigão e Tigre. O desafio da diversidade foi vencido graças à integração positiva com o núcleo mais importante da economia brasileira, São Paulo, beneficiada pela capitalização promovida pelo principal produto de exportação do Brasil na época, o café. O estado paulista era ávido por alimentos, têxteis, carvão e madeira. E depois por produtos industrializados que foram sendo criados para atender a esse consumo. Houve ao mesmo tempo uma integração importante com os Estados vizinhos, como Paraná e Rio Grande do Sul. A partir de 1930, a situação da indústria catarinense começou a mudar radicalmente. As regiões mais preparadas, ou seja, as que conseguiram liberar com mais competência as forças produtivas e avançadas, foram as que se destacaram. Por falta de aporte financeiro e devido à ainda baixa capacidade de acumulação (com exceção dos têxteis), Santa Catarina só se beneficiou da ampliação e diversificação do capital industrial a partir de 1940. Até essa época, os setores tradicionais como madeira, erva-mate, carvão, alimentos e têxteis definiam o perfil estadual, com

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o detalhe da pouca exigência tecnológica, o que facilitava a ampla difusão de empreendimentos. Pequenas oficinas mecânicas e funilarias eram muito limitadas para imprimir um ritmo ideal, industrial, para a economia estadual. Entre 1945 e 1962 houve uma grande diversificação e ampliação da base produtiva no Estado. Surgem novos setores, como papel, papelão, pasta mecânica, cerâmico, metalmecânico, de materiais elétricos e indústrias ligadas ao transporte. Há mais quantidade e mais qualidade na produção, surgindo um novo padrão com capital maior dinamizando quem tinha mais condições de crescer. O setor de alimentos nos oferece um quadro revelador do que aconteceu com a indústria. De uma produção pulverizada em inúmeros pequenos proprietários, aos poucos houve um desdobramento em direção às grandes empresas e mais tarde aos grupos financeiros e industriais. Nos anos 1930 começaram a surgir na região do Vale do Rio do Peixe casas comerciais que revendiam alimentos e cereais para o interior de São Paulo e a capital paulista. Mais tarde, essas casas comerciais se transformaram em moinhos e frigoríficos, como a Ponzoni, Brandalise e Fritz Lorenz, em Perdizes (atual Videira); Casimiro Tisian, em Bom Retiro dos Campos Novos, e Fuganti Fontana, em Cruzeiro (atual Joaçaba), além de Freitag Assmann, em Piratuba; Ludovico J. Tozzo, em Chapecó, e Saulle Pagnoncelli, em Herval d’Oeste. A lógica de todo esse cenário ainda era a comercial, mas quando as pequenas propriedades foram integradas a projetos empresariais maiores, como o beneficiamento de derivados de suínos e aves, a economia regional mais sintonizada à nacional e com a união da agricultura com a indústria foi que o processo evoluiu para um cenário prioritariamente industrial. Basta seguir os passos de duas grandes empresas de alimentos, a Perdigão e a Sadia, para ver como aconteceu essa mudança no Oeste do Estado. Cada nova etapa significa um acréscimo na inovação, em favor do crescimento e da conquista de novos mercados. Em 1923, a família Brandalise montou um comércio em Vila Perdizes (atual Videira), onde já existia um abatedouro que atendia ao mercado local. Em Rio Bonito (atual Tangará), os irmãos Ponzoni montaram uma pequena casa comercial e um abatedouro. Dez anos depois, as duas famílias, Brandalise e Ponzoni, se uniram para constituir uma empresa. Paralelamente, Fritz Lorenz criou uma firma e a vendeu para Frey & Kellermann. No seu abatedouro, foi implantado um posto de venda de produtos suínos. Em 1939, a Frey & Kellermann associa-se à Ponzoni e Brandalise, formando a Sociedade de Banha Catarinense e a Fábrica de Produtos Suínos. No ano seguinte – 1940 – é fundada a Perdigão, que amplia o negócio, adquire um curtume e em 1943 duas serrarias para produzir as embalagens. A história da Sadia tem também as origens nos pequenos negócios que evoluíram para grandes empreendimentos. Em 1935, o comerciante Atílio Fontana associou-se à família Fuganti para vender alfafa. Em 1940 ele saiu da sociedade e assumiu o comando do Moinho Concórdia, semente da Sadia, criada em 1944. O município do Concórdia, na região do Alto Uruguai, no Meio-Oeste catarinense, era um convite para os colonos que cultivavam milho, trigo, feijão, mandioca, fumo e batata, além da criação de suínos, que contava com um rebanho de cem mil cabeças na época. Firme na sua região, a Sadia tinha os olhos voltados para o mercado paulista. Em 1948, inaugurou um centro de distribuição em São Paulo, capital, expandindo mais tarde para Campinas, Bauru, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro e Londrina. Hoje, Sadia e Perdigão fazem parte da mesma empresa, a BRF – Brasil Foods, criada em 2009. Depois do processo de fusão, finalizado em 2012, a empresa tornou-se uma das gigantes do mercado alimentício mundial. Hoje, é uma das principais exportadoras de proteína animal, atingindo mais de 110 países.

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Esses exemplos mostram que o engajamento de Santa Catarina na economia nacional proporcionou um salto à economia estadual, já visível entre 1930 e 1940. O Estado fazia parte daquela porção de regiões produtoras com capacidade de se engajar rapidamente nas novas demandas nacionais. Mas as bases produtivas catarinenses estavam ainda a dever para os tempos mais dinâmicos e só a partir de 1945 o Estado começou a mudar de maneira significativa sua estrutura industrial, graças à ampliação da pequena indústria metalmecânica em Joinville e ao surgimento da indústria de papel, pasta e celulose no Planalto e das cerâmicas no Sul. Os recursos industriais, somados aos gerados pelo comércio, serviriam de base a uma acumulação mais densa rumo à integração e à maturidade da indústria catarinense. A dinâmica desse salto obedece às oportunidades que nascem das crises. Os produtores se adaptam aos novos tempos. A pequena propriedade perde sua autonomia e se engaja nos sistemas das grandes agroindústrias, mas não some, continua firme na mão de quem toca seu negócio. Há uma linhagem empreendedora que pode ser seguida nos cases que se desdobraram e se expandiram ao longo do tempo. Como acontece com a história do frigorífico Seara, que está ligada à família Paludo, em Nova Milano (atual município de Seara). Em 1935, Biagio Aurélio Paludo, que trabalhava com seu pai no corte e transporte de madeira desde 1925, comprou a casa comercial de Ricardo Bortolini. A prosperidade levou o empreendimento a evoluir até a inauguração do moinho Seara com equipamentos importados da Suíça. Era o sistema Bueler, com capacidade de moer 15.600 quilos por dia e com motor próprio para geração de energia. As vendas iam para Salvador, norte do Paraná e São Paulo. Novos silos e armazéns foram adquiridos mais tarde e em 1956 foi formada uma nova sociedade. Só em 1980 é que a Seara foi então vendida para a Ceval.

DO MOINHO PARA O MUNDO Originada do Moinho Concórdia, a Sadia nasceu em 1944 na região que contava com um rebanho suíno de cem mil cabeças. De olho no maior mercado do País, já em 1948 a empresa catarinense abriu um centro de distribuição em São Paulo, inaugurando um processo contínuo de expansão, diversificação e internacionalização.

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A industrialização, a urbanização e a integração nacional, promovidas por políticas públicas de investimentos e de apoio aos empreendimentos mais significativos, geram um crescimento articulado entre os Estados. Com a industrialização pesada, são aprofundadas as trocas comerciais entre as unidades federativas. Em Santa Catarina, o dinamismo interno, em torno da propriedade pulverizada, criou condições para a diversificação. A pequena propriedade ganhou dimensão de grande empresa, formando grupos econômicos fortes, com grande poder competitivo. Nesse período de transição entre 1940 e até o início dos anos 1960, três novos setores revelam a mudança de padrão de crescimento no Estado: o metalmecânico, o cerâmico e o de papel e pasta mecânica. A fábrica de louças de Henrique Lage, fundada em 1919 em Imbituba, foi a primeira indústria cerâmica de revestimento de Santa Catarina. Lage precisava abastecer seus navios que faziam a linha de cabotagem Rio de Janeiro-Laguna-Porto Alegre. Ele trouxe técnicos italianos, como Alfredo Del Priore, para o desenvolvimento de novos produtos, e em 1925 a empresa começou a fabricar azulejos. Houve uma crise nos anos 1940 devido à morte do seu fundador, mas nos anos 50 a empresa se aprumou adquirindo equipamentos alemães e italianos. Com a experiência na Lage, Del Priore fundou, junto com outros 15 sócios, em 1946, a Cesaca – Cerâmica Santa Catarina, que começou a funcionar no ano seguinte. De louças passou para azulejos e vasos sanitários. Em 1981 foi vendida para o grupo Cecrisa, que tem suas origens também na década de 1940, quando o empresário Diomício Freitas começou a explorar carvão mineral na

REVESTINDO O BRASIL A Cesaca - Cerâmica Santa Catarina em 1952. A empresa foi fundada por 16 sócios liderados pelo técnico italiano Alfredo Del Priori, que havia sido trazido pelo pioneiro do setor, Henrique Lage, quando em 1919 fundou a primeira indústria cerâmica de revestimento de Santa Catarina. Inaugurada em 1946, a Cesaca foi uma das pioneiras na produção de azulejos e em 1981 foi vendida para o grupo Cecrisa, no já consolidado polo do Sul catarinense.

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INGRESSO NUM NOVO TEMPO Fundada por um eletricista, um mecânico e um administrador em 1961, a WEG, ao lado da Kohlbach, foi um dos destaques na inclusão de Jaraguá do Sul no setor que mudava a fisionomia da economia estadual, o metalmecânico. Com uma trajetória de diversificação e internacionalização, a WEG se tornou uma das maiores fabricantes de equipamentos elétricos do mundo.

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bacia carbonífera de Santa Catarina. Seu filho Manoel Dilor de Freitas fundou em 1966 a empresa Cerâmica Criciúma. Os primeiros produtos da Cecrisa são de 1971. A expansão tomou vulto graças à aquisição e à construção de novas unidades industriais no território nacional. Com sede na cidade de Criciúma, a Cecrisa é hoje uma das maiores empresas de revestimentos cerâmicos do Brasil. Mas antes desse deslanche da líder, outras iniciativas também surgiram com algum destaque. Como é o caso da Ceusa – Cerâmica Urussanga, em 1953, que começou com uma antiga olaria comprada por um grupo de pequenos proprietários. Há também a história da indústria Cocal, fundada em 1954 e que gerou a bem-sucedida Cerâmica Eliane. O empreendedor Maximiliano Gaidzinski, na época com 47 anos, ao lado da mulher e dos cinco filhos (Jarvis, Edson, Edna, Vicente e Eliane – a caçula que inspirou o nome da empresa), adquire uma cerâmica falida em Cocal do Sul e encara o desafio de reconstruir a indústria. Em 1972, a empresa, até então conhecida por seus azulejos, passa também a produzir revestimentos com uma grande diversidade de formatos, cores e tamanhos. É quando toma o rumo do sucesso. Mas não bastavam os empreendimentos, era preciso apoio financeiro para a produção de cerâmica deslanchar e as empresas ganharem destaque no cenário nacional. Foi quando foram criados em 1964 o Banco Nacional da Habitação (BNH) e o SFH - Sistema Financeiro de Habitação. Os aportes de recursos das políticas desenvolvimentistas encontraram um ambiente propício para a expansão dos negócios. Havia tradição e vontade de crescer em muitos setores. E isso vinha de longe. Em 1912, por exemplo, Curt Hering e José Deeke fundaram a Fábrica de Papel Itajaí, que foi a primeira do gênero em Santa Catarina. A expansão veio em 1950, em Lages, com a compra de

APOSTA CERTA A aquisição e recuperação de uma indústria cerâmica falida de Cocal do Sul deu origem, em 1954, à Cerâmica Eliane. Acompanhando o crescimento do setor, principalmente a partir dos anos 70, a companhia modernizou a produção dos tradicionais azulejos e ingressou no segmento de pisos e revestimentos, tornandose uma das grandes do setor no País. Na foto, as instalações da empresa em 1962.

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duas serrarias e duas fazendas e a fábrica Perimbó de pasta mecânica (polpa de celulose produzida mecanicamente por meio da trituração) para poder fornecer insumos para o setor. Em 1950 a Papel Itajaí de Lages foi vendida para o grupo americano Olinkraft. Surgiram muitas outras empresas e o setor que no início era formado por pequenos produtores locais começa a partir dos anos 1960 a participar de outro perfil empresarial em favor de grupos de outros Estados. Mas o que mudou mesmo o padrão da economia catarinense foi o setor metalmecânico, que também nasceu de pequenas propriedades impulsionadas pelos rendimentos provindos de atividades extrativas, como madeira, carvão e erva-mate. As origens do setor podem ser buscadas antes de 1945, mas foi a partir daquele ano que houve realmente um salto significativo. O exemplo mais citado e conhecido é o da Fábrica Tupy, que começou em 1938 como pequena fundição montada por três sócios, Albano Schmidt, Hermann Metz e Arno Schwarz. Foram eles que pesquisaram a fórmula do ferro maleável e conseguiram o uso exclusivo dela no País. Em 1941, a Tupy ganhou o Certificado de Similaridade Nacional na produção de conexões e seus produtos começaram a ser utilizados na construção civil de grandes centros urbanos. Quando foi implantado o Plano de Metas, nos anos 1950, que contou com a importante participação da FIESC, a empresa começou a fornecer tambores de freio para a Volkswagen. A Tupy se expandiu e diversificou, adquirindo a Fiação Otto Hertz, em Amparo (SP), e instalou duas empresas em Joinville, a Aço Granalha e a Plásticos Tupiniquim. Com o tempo, a Fundição Tupy se transformou numa das mais bem-sucedidas iniciativas do setor metalmecânico. Outras empresas fizeram história nesse nicho decisivo da indústria: a Wetzel, que começou em 1932 na fundição de metais não ferrosos; a Schneider, que fabricava motobombas e surgiu de uma pequena oficina de consertos de máquinas e motores importados em 1946; a Metalúrgica Schulz, fundada em 1946 por um ex-funcionário da Tupy e que produzia panelas e tachos de alumínio, e a Duque, de 1955, que produzia fornos esmaltados e bombas hidráulicas. A Docol nasceu em 1956, em Jaraguá do Sul e no ramo de bens de consumo duráveis. Em 1950 foi fundada em Joinville a Consul Refrigeradores, a partir da iniciativa de Rudolfo Stetzer e Guilherme Holderegger, que fabricavam anzóis em Brusque e se associaram ao comerciante Wittich Freitag para produzir geladeiras a querosene. A Consul é outro fenômeno de crescimento e em 1960 já produzia 21 mil unidades/ano.

SALTO PARA O FUTURO Criada em 1938 pelos sócios Albano Schmidt, Hermann Metz e Arno Schwarz, a pequena fundição de Joinville deu um grande salto com a exclusividade do uso da fórmula do ferro maleável no País. Suas conexões hidráulicas abasteceram a construção civil de grandes centros urbanos a partir de 1941. E nos anos 50, com a início da produção de tambores de freio para a Volkswagen, a Tupy ingressou no mercado automotivo, que a ajudaria a se consolidar como uma das maiores fundições do mundo.

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Em Jaraguá do Sul destacam-se a Kohlbach, de 1945, e a WEG, de 1961. A Kohlbach passou em 1960 da produção de dínamos e alternadores para a de motores elétricos. A WEG é obra de Werner Ricardo Voigt, Eggon João da Silva e Geraldo Werninghaus, que fundaram em 1961 a Eletromotores Jaraguá. Anos mais tarde, a empresa criada por um eletricista, um administrador e um mecânico viria a ganhar uma nova razão social, a Eletromotores WEG S/A. O nome é a junção das iniciais dos três fundadores. Uma das maiores fabricantes de equipamentos elétricos do mundo, a WEG atua nas áreas de comando e proteção, variação de velocidade, automação de processos industriais, geração e distribuição de energia e tintas e vernizes industriais. Foi assim que Joinville e Jaraguá do Sul emergiram como grandes centros industriais. Um exemplo seguido, no setor metalmecânico, por outros municípios como Joaçaba, Criciúma, Blumenau, Brusque, Timbó, Rio do Sul e Caçador. Mas todas essas conquistas perdiam impulso com o estrangulamento de alguns itens fundamentais para a indústria, que precisava de energia elétrica abundante, estradas que levassem os produtos para os centros maiores e aporte financeiro para a expansão e a diversificação. O crescimento da indústria em Santa Catarina gerou a necessidade de defender os interesses do setor, que esbarrava na precariedade da infraestrutura do Estado. Além de energia e estradas, faltavam qualificação da força de trabalho e avanços sociais. Os industriais estavam certos de que a captação de recursos para a modernização do parque fabril, bem como para gerar benefícios à sociedade, só poderia ser feita por uma entidade representativa legalmente constituída. Era natural, portanto, a união em um órgão classista que lutasse por condições mais favoráveis ao desenvolvimento: a FIESC. Em 25 de maio de 1950, reunidos em Florianópolis, representantes de sete sindicatos do setor industrial catarinense decidiram que era o momento de constituir uma entidade capaz de defender os interesses da indústria. Os sindicatos fundadores eram: Sindicato da Indústria da Construção Civil de Joinville, da Indústria da Extração de Madeiras do Estado de Santa Catarina, da Indústria da Marcenaria de Florianópolis, da Indústria da Panificação e Confeitaria de Florianópolis, da Indústria do Mate no Estado de Santa Catarina, das Indústrias de Fiação e Tecelagem de Brusque e das Indústrias de Serrarias, Carpintarias, Tanoarias, Madeiras Compensadas e Laminadas, Aglomerados e Chapas de Fibras de Madeira do Estado de Santa Catarina. Naquela época, esses interesses passavam, principalmente, pela melhoria das condições de infraestrutura necessárias ao desenvolvimento econômico e social de Santa Catarina. Entre outros problemas, o progresso esbarrava em estradas intrafegáveis, restrições no fornecimento de energia e ausência de crédito para fomentar a atividade fabril. A instituição expressava não apenas o amadurecimento do cenário industrial, mas também a força e a importância dos seus protagonistas. A partir do sucesso dos empreendimentos, um grupo de pessoas-chave liderou a necessária transformação. Entre elas, destaca-se Celso Ramos, o primeiro presidente da entidade, que iniciou um processo de aceleração das condições favoráveis à expansão fabril. Eram muitas as frentes de batalha. A falta de energia era constante nos anos 1940 e 1950. Antes que o Brasil implantasse a Usina de Paulo Afonso e as Centrais Elétricas de Minas Gerais (Cemig), em 1955, e Furnas, em 1957, e o setor de energia consumisse 43,4% dos recursos do Plano de Metas, Santa Catarina era como os outros Estados: todo pulverizado em termos de energia. A Celesc - Centrais Elétricas de Santa Catarina só foi criada em 1955, superando aquele estágio que

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em 1907, em Joinville, tinha o pioneirismo da Eletricidade Luz e Força, a Hidroelétrica Busch, em Blumenau, e a Salto, em Gaspar Alto, em 1915. Nos anos 1920 foi constituída a Empresa Força e Luz Santa Catarina, que incorporou várias iniciativas semelhantes, de pequenos proprietários, espalhadas em municípios como Mafra, São Bento do Sul, Tijucas e Nova Trento. No final da década, a empresa alemã AEG – Allgemeine Elektricitäts-Gesellschaft unificou todas elas numa só corporação, a Empresul, que foi anexada ao patrimônio nacional em 1945 como parte da indenização da Segunda Guerra. As indústrias resolviam seus problemas em épocas de crise, como aconteceu durante a Segunda Guerra, quando a Electro Aço Altona, em Blumenau; a Primo Tedesco, em Caçador, e a Sadia, em Concórdia, providenciavam sua própria geração de energia. Havia também pequenas usinas geradoras em Florianópolis, Videira, Lages e Tubarão. Esses empreendimentos acabaram sob a guarda da Celesc, criada em 1955 no governo Irineu Bornhausen. Dois anos depois, o governador Jorge Lacerda constituiu a Sociedade Termelétrica de Capivari. Mas as duas empresas só começaram a apresentar resultados mais concretos depois de 1965. Os transportes eram outro gargalo importante. A partir de 1937 algumas medidas influíram na mudança dessa situação. Foi preciso criar uma base fiscal e institucional sólida. Foi aprovado um Plano Nacional de Viação e criado o DNER – Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, além de novas contribuições vinculadas para financiar a solução do problema. O sistema ferroviário estava deteriorado e pulverizado, incapaz de atender às necessidades do escoamento industrial. O transporte rodoviário foi considerado mais adequado para fazer a integração entre os Estados. A malha rodoviária foi ampliada oito vezes entre os anos 1940 e 1960, junto à pavimentação de muitas estradas, uma tendência que cresceu nos anos 1970. No Plano de Metas, 29,6% dos recursos estavam voltados para os transportes.

UMA NOVA ERA Um dos marcos do novo padrão de produção industrial que se estabeleceu no Estado com o crescimento do setor eletrometalmecânico foi o surgimento da Consul. Fundada em 1950, em Joinville, para fabricar geladeiras a querosene, em seu primeiro ano de operação produziu modestos 22 refrigeradores. Com o avanço da urbanização que marcou a época no País, ampliando a busca por bens de consumo duráveis, e apostando na constante modernização e atualização tecnológica, já em 1960 a empresa produzia 21 mil unidades/ano, saltando para 30 mil em 1961.

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Santa Catarina sofria com um sistema rodoviário precário. Em 1936 foi traçado o primeiro Plano Rodoviário Estadual, com destaque para a ligação entre Itajaí e Lages, passando por Blumenau e Rio do Sul, entre Florianópolis e Xanxerê e também para Tubarão. Em 1955, dos 458 quilômetros de rodovias federais no Estado apenas 22 quilômetros eram pavimentados. A malha ferroviária era fragmentada e atendia necessidades regionais. A navegação fluvial estava limitada aos trechos Blumenau-Itajaí, Porto União-Mafra e Laguna-Jaguaruna. Para driblar as dificuldades de transportes, a cargo de velhos caminhos e ferrovias precárias, Sadia e Perdigão optaram por uma solução inovadora e radical: distribuíam seus produtos por avião. Em 1957 a Perdigão comprou um avião DC-3 com capacidade de três mil quilos de carga, e o percurso entre Videira e São Paulo foi reduzido para duas horas. A Sadia Transportes Aéreos existiu até 1972, quando foi transformada em Transbrasil, já desvinculada da empresa que a criou. Com tantas dificuldades num ambiente de expansão, com empreendimentos que ganhavam cada vez mais espaço, era preciso que Santa Catarina intensificasse esse movimento rumo ao progresso. Esse era o objetivo dos fundadores da FIESC. Entre eles estava Celso Ramos, filho caçula de Vidal Ramos Júnior, um dos mais influentes políticos catarinenses. Líder nato, Celso Ramos reelegeu-se para cinco mandatos consecutivos da FIESC, até renunciar em 1961, quando assumiu o governo do Estado. Ele foi o responsável pela fundação do primeiro sindicato patronal do setor madeireiro catarinense, no qual atuava. A criação do sindicato precisava ser aprovada pelo Ministério do Trabalho, o que exigiu viagens frequentes de Ramos à Capital Federal, o Rio de Janeiro. Em uma dessas viagens, ele conheceu Euvaldo Lodi, empresário que, ao lado de Roberto Simonsen, havia fundado a Confederação Nacional da Indústria (CNI), em 1938. Em contato com um dos

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maiores líderes do setor industrial brasileiro, Celso Ramos reforçou sua convicção quanto à importância do associativismo, trazendo na bagagem o projeto de unir os sindicatos patronais catarinenses em torno de causas comuns. Para concretizá-lo, percorreu as principais cidades do Estado a fim de convencer empresários e líderes sindicais de que o associativismo poderia encurtar o caminho para o desenvolvimento. A empreitada deu certo. A criação da FIESC representava a realização do projeto idealizado por Celso Ramos, eleito presidente da entidade na mesma noite em que a Federação foi fundada. Além dele, formavam a chamada diretoria provisória da FIESC os empresários Guilherme Renaux (primeiro vice-presidente), Adhemar Garcia (segundo vice-presidente), Alberto Gonçalves dos Santos (secretário) e José Elias (tesoureiro). O Conselho Fiscal foi composto por Otto Schaeffer, Otto Jordan Sobrinho e Edgard Moritz. Em 9 de novembro de 1950, Celso Ramos anunciou que a FIESC havia sido reconhecida pelo Ministério do Trabalho e estava habilitada a pleitear sua filiação à Confederação Nacional da Indústria, pedido aceito em janeiro do ano seguinte. Além de fazer parte da mais respeitada organização patronal do país, a filiação à CNI significava a oportunidade de implantar em Santa Catarina unidades do Serviço Social da Indústria (SESI) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), considerados instrumentos essenciais ao real desenvolvimento do setor no Estado. Estava dado o passo que mudou definitivamente o rosto industrial do Estado. Mas o futuro reservava novos desafios, que continuam a ser enfrentados nestas seis décadas e meia de trabalho intenso.

NAS ASAS DO CRESCIMENTO Para driblar as precárias condições de escoamento por estradas e ferrovias, a Perdigão partiu para uma solução inovadora e radical. Em 1957, a empresa de Videira adquiriu um avião DC-3 com capacidade de três mil quilos de carga para poder transportar com segurança e rapidez seus produtos perecíveis. Assim, conseguiu ampliar significativamente o atendimento ao principal mercado consumidor brasileiro: as longas viagens para São Paulo tiveram sua duração reduzida para duas horas. A mesma solução foi adotada por outra gigante do setor de alimentos, a Sadia, que até 1972 contou com a Sadia Transportes Aéreos, que mais tarde, já desvinculada da empresa, se transformou na Transbrasil.

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Lauro Müller

Hercílio Luz

Felipe Schmidt

Vidal Ramos

Fúlvio Aducci

Adolpho Konder

ANTECEDENTES HISTÓRICOS Desde a Primeira República, política e indústria interagiam, interferindo mutuamente em seus próprios rumos e transformações. Da indústria emergiram diversos líderes políticos e foi na FIESC que nasceu, em 1961, o primeiro plano de metas do governo catarinense. Novidade na época, foi o primeiro orçamento plurianual produzido no Brasil, que alavancou o desenvolvimento de Santa Catarina, combatendo gargalos estruturais históricos.

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C A PÍTU LO

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A Linhagem da Liderança

A FIESC foi criada para atender à indústria e liderar sua expansão e crescimento. A linhagem dos seus protagonistas atesta a sintonia estabelecida entre duas pontas importantes: a dedicação às empresas e as estratégias das políticas públicas. A missão é o desenvolvimento estadual e nacional; a meta é a superação dos desafios em função da sobrevivência e da vocação empreendedora. A indústria carecia de mais competitividade e competir só poderia ser possível com inovação, tecnologias adequadas, processos eficazes e decisões que extrapolassem os limites da indústria e beneficiassem toda a sociedade. Para essa tarefa, precisou do apoio de políticas públicas, da criação de instituições modernas de crédito e de fomento e de um sistema bancário à altura das demandas do desenvolvimento.

Uma indústria gera relações complexas e de amplo espectro. Há o convívio entre os próprios industriais, em debate permanente sobre os rumos da produção, a relação de ganha-ganha com os colaboradores, a implantação de melhorias nos municípios etc. Há o engajamento nas mudanças profundas implantadas para garantir a prosperidade e liberar as forças produtivas inseridas no coração de cada época. Não foi um trabalho fácil. Marcada pelas rupturas sucessivas no plano político, a liderança catarinense refletiu as dificuldades de resolver conflitos de interesses num projeto de desenvolvimento que envolve profundamente empresários e trabalhadores, políticos e especialistas, tradição e modernidade, recursos e escassez. A FIESC tem antecedentes históricos que revelam a complexidade desse quadro. A política interagia com a indústria, contribuindo para sua transformação e interferindo em seus rumos. Era o atalho para as mudanças necessárias, o fórum de negociações de muitos cruzamentos e conflitos, com líderes exercendo poderes conforme as nuances de cada momento do país em construção. Durante a Primeira República (1889-1930), a política catarinense girou em torno de duas grandes forças: Lauro Müller, de linha mais austera, e Hercílio Luz, mais liberal. Lauro Müller, ex-aluno do professor positivista Benjamin Constant na Escola Militar, aos 25 anos foi indicado o primeiro governador de Santa Catarina no novo regime republicano. Ocupou o cargo quatro vezes até sua morte em 1926, mas costumava ficar apenas seis meses em cada vez, pois assumia o posto de ministro, o que ocorreu em três governos nacionais. Mas sua influência era permanente no Estado, já que era o chefe do Partido Republicano Catarinense.

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Hercílio Luz, formado em Engenharia das Artes e da Manufatura na Bélgica e em Humanidades no Rio de Janeiro, foi governador três vezes e dedicou-se integralmente ao cargo. Junto com Lauro Müller participou do grande racha de 1893, quando apoiaram Floriano Peixoto na guerra contra os federalistas de Gaspar Silveira Martins. Com a vitória de Floriano, Hercílio assumiu o governo do Estado com apoio de Lauro Müller. Mas as dissensões internas continuaram na campanha civilista de Rui Barbosa em 1909, em oposição ao militarismo de Hermes da Fonseca. Lauro Müller ficou com Hermes e Hercílio, com Rui. Lauro foi hegemônico num primeiro período, entre 1898 a 1918, influindo sobre governadores como Felipe Schmidt, também formado pelo Colégio Militar; Gustavo Richard, de sólida formação humanista, literária e científica, tendo estudado na L’École Supérieure du Commerce, de Paris, e Vidal Ramos, sem formação acadêmica e líder de uma linhagem que gerou muitos protagonistas, entre eles Celso Ramos, o primeiro presidente da FIESC. No período de 1918 a 1930, Hercílio Luz tinha maior influência. Governador de 1918 a 1924, quando faleceu e foi sucedido pelos seus aliados, como Antônio Pereira Oliveira, Fúlvio Aducci e Adolpho Konder, que era formado na faculdade de Direito do Largo São Francisco. Os Konder eram de uma família de Itajaí e tinham forte ligação com os comerciantes do litoral e os industriais de Blumenau, como os Curt, os Deeke e os Hering. Os alemães do Vale do Itajaí tinham formação protestante, com fé na ética do trabalho e na riqueza conquistada pelo pão ganho com o suor do rosto. Em 1921 houve uma nova cisão no Partido Republicano Catarinense, com a criação do bloco chamado de Reação Republicana, que apoiava Nilo Peçanha à presidência da República (derrotado por Arthur Bernardes). O movimento foi fundado em Santa Catarina por Nereu Ramos e Vidal Ramos, em oposição a Hercílio Luz, que tinha Adolpho Konder como aliado. Novo conflito aconteceu nas eleições presidenciais de 1929, quando os Ramos ficaram com a Aliança Liberal, de oposição, e os Konder Bornhausen, com a situação. Esta venceu as eleições mas foi derrubada pela revolução de 1930. Numa reviravolta política, Nereu Ramos, formado em Direito em São Paulo e tendo sido aluno de Joaquim Nabuco, foi indicado interventor em 1937, definindo assim a clássica divisão da política catarinense, que vigorou até os anos 1970, entre os Ramos e os Konder Bornhausen. Nereu foi vice-presidente da República entre 1946 e 1951 e assumiu a presidência em 1955, quando transmitiu a faixa para Juscelino Kubitschek.

LIDERANÇA MODERNIZADORA Primeiro presidente da FIESC, após sua criação em 1950, Celso Ramos foi representante de uma linhagem que tinha no pai, Vidal Ramos Júnior, e no irmão, Nereu Ramos, dois expoentes do cenário político-administrativo catarinense. Assumiu a Federação com forte apoio estadual e nacional e em 1960 foi eleito governador com o respaldo de um plano de governo que atendia aos anseios da indústria e à necessidade de desenvolvimento de Santa Catarina. A origem desse plano foi o Seminário Socioeconômico desenvolvido pela FIESC, com etapas nas principais cidades do Estado. Ao final do mandato de governador, em 1966, retornou por alguns meses à presidência da entidade, quando foi eleito senador.

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A origem econômica dos protagonistas era diferente. Os Ramos eram pecuaristas de Lages e os Konder Bornhausen eram sócios da fábrica de Papel Itajaí (em sociedade com os Hering e os Deeke), da Companhia Carbonífera Próspera, da Fábrica de Máquinas Raimann e proprietários do Banco INCO (em sociedade com os Renaux). O fórum da atuação política era o sistema partidário. Celso Ramos, que assumiu a presidência da FIESC com forte apoio estadual e nacional, foi candidato ao Senado em 1958 pelo PSD, perdendo para Irineu Bornhausen pela UDN. Mas em 1960 venceu a votação para governador graças a um plano de governo que atendia aos anseios da indústria catarinense. Contribuiu para isso a origem do plano: o Seminário Socioeconômico, realizado pela FIESC, com etapas nas principais cidades do Estado e coordenado por Celso Ramos nos anos de 1959 e 1960. A meta era reverter em curto prazo as dificuldades da indústria. A exemplo de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, Santa Catarina precisava urgentemente de um Estado planejador, sob pena de marcar passo por mais cinco anos com estruturas deficientes. Celso Ramos optou pelo planejamento no momento certo, pois existia um novo padrão de crescimento que emergia da economia estadual. Empreendedor dos setores madeireiro e da pesca, ele foi o grande líder da indústria na década de 1950, reelegendo-se presidente da Federação por cinco mandatos consecutivos, até renunciar em 1961, quando assumiu o governo do Estado. Em 1955, seu irmão, Nereu Ramos, então primeiro vice-presidente do Senado Nacional, assumiu a presidência da República, onde permaneceu por dois meses e 21 dias – em 31 de janeiro de 1956 passou o cargo para Juscelino Kubitschek.

AGENDA DESENVOLVIMENTISTA Eleito presidente da República em 1956, o mineiro Juscelino Kubitschek implantou o Plano de Metas, voltado a avanços em áreas como energia, indústria de base, educação e transportes, além da construção de Brasília. O programa promoveu grande atividade no Estado catarinense, em infraestrutura e incentivo à industrialização. JK recebeu a faixa presidencial de Nereu Ramos, que como primeiro vice-presidente do Senado havia assumido a presidência após o suicídio de Getulio Vargas e dos impedimentos de seu vice, Café Filho, e do presidente da Câmara, Carlos Luz. Nereu, que também foi deputado estadual, governador e Ministro da Justiça, morreu em 1958, num acidente aéreo próximo a Curitiba. No acidente também morreram o ex-governador Jorge Lacerda e o deputado federal Leoberto Leal.

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A passagem do irmão pela presidência ampliou o prestígio de Celso Ramos no meio empresarial. Capitaneada por ele, a FIESC teve forte atuação política, uma das metas iniciais da entidade. De 7 a 11 de novembro de 1955, Ramos e um grupo de empresários catarinenses participaram da 2ª Reunião Plenária da Indústria, realizada em Porto Alegre com a finalidade de discutir os rumos da industrialização brasileira e seus principais gargalos. Do evento, Celso Ramos extraiu a ideia de promover e coordenar um amplo processo de diagnóstico da indústria catarinense, que resultasse em um plano de investimentos e metas. As aspirações de Celso Ramos inseriam-se em um contexto desenvolvimentista que tomava conta do País. Em 1947, durante a presidência do general Eurico Gaspar Dutra, o Plano Salte (Saúde, Alimentação, Transporte e Energia) representou a primeira tentativa deliberada – e depois frustrada – de desenvolvimento. Inspirado no Salte, o governador de Santa Catarina, Irineu Bornhausen, lançou em 1951 o Plano de Obras e Equipamentos (POE), que tinha por objetivo minimizar a carência de infraestrutura no Estado. Em 1953, o governo de Getulio Vargas deu um passo importante nesse sentido, com a criação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), que se tornaria um agente fundamental à industrialização nas décadas seguintes. Ao assumir a presidência da República em 1956, Juscelino Kubitschek deu início a seu Plano de Metas, programa que definia a política econômica do governo federal. Eram 31 objetivos, distribuídos em seis grandes grupos: energia, alimentação, transportes, indústria de base, educação e construção de Brasília. Assim, o governo JK promoveu uma grande atividade do Estado, tanto no setor de infraestrutura quanto no incentivo à industrialização. Ao mesmo tempo, concedeu grandes facilidades ao capital externo, atraindo investimentos estrangeiros em áreas consideradas prioritárias pelo governo: estradas de ferro, eletricidade, aço, transportes aéreos e indústria automobilística. No setor industrial, os resultados do Plano de Metas foram surpreendentes. De 1955 a 1961, a produção industrial registrou crescimento médio de 80%. Alguns setores alcançaram índices impressionantes, como material de transporte (600%), eletricidade e comunicações (380%) e mecânica (125%). Entre 1957 e 1961, o PIB cresceu a uma taxa anual de 7% – em toda a década de 1950, o PIB per capita brasileiro foi cerca de três vezes maior que o registrado no restante da América Latina. Por meio de intensa atuação política, a FIESC buscava inserir Santa Catarina na rota do desenvolvimento, combatendo um dos maiores problemas gerados pelas políticas públicas da época: a concentração do parque industrial no Sudeste do País. A alocação dos investimentos nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais agravava as deficiências de Santa Catarina, tendo em vista que não sobravam recursos do governo para atender as demandas locais. Em 1958, com a morte do irmão Nereu Ramos em um acidente aéreo, Celso Ramos tornou-se o principal líder do Partido Social Democrático (PSD) em Santa Catarina. No ano seguinte, com o Seminário Socioeconômico, financiado pela CNI e coordenado por técnicos da Federação, teve início o levantamento da situação econômica e social em todas as regiões do Estado. A partir das constatações, a meta era propor planos de ação para o desenvolvimento. Em um primeiro momento, cerca de três mil pessoas, espalhadas por todos os principais municípios catarinenses, responderam a um questionário com 15 temas. Elas representavam lideranças regionais e entidades públicas e privadas. As respostas foram sintetizadas em encontros microrregionais e, por fim, consolidadas em um evento realizado em Florianópolis, de 3 a 5 de dezembro de 1960. Desse evento, completamente coordenado pela FIESC, nasceu o Plano de

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Metas do Governo (Plameg), que nos anos seguintes seria implantado por Celso Ramos, eleito governador em 1960. Aprovado pela Assembleia Legislativa em 1961, o Plameg transformou-se no primeiro orçamento plurianual produzido no Brasil, uma novidade para a época. Com base no Plano, foram criadas instituições essenciais ao desenvolvimento do Estado, como o Banco do Estado de Santa Catarina (BESC), a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e a Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc). Em outra frente, os investimentos em infraestrutura chegaram a consumir 55% da receita estadual. Obras nas áreas de transporte, educação e saúde espalharam-se pelo Estado, anunciando uma nova fase de desenvolvimento. Na tentativa de minimizar o problema do crédito às atividades industriais, foi criado, em 1961, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), que reunia Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. Investimentos estrangeiros também tiveram papel fundamental nesse processo. Na área de energia, por exemplo, um empréstimo de US$ 3,5 milhões, concedido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, permitiu a criação da Celesc. Outro financiamento, de US$ 10,9 milhões, deu origem à Sociedade Termelétrica de Capivari – atual Complexo Termelétrico Jorge Lacerda. Assim, ao final do mandato de Celso Ramos, a disponibilidade de energia per capita passou de 40 para 100 Watts. A preocupação em ampliar o parque gerador refletia o quanto a deficiência de energia prejudicava o progresso econômico e industrial de Santa Catarina, em um período marcado pela crescente urbanização. Em 1961, estavam em funcionamento no Estado aproximadamente 20 mil estabelecimentos industriais, que ocupavam cerca de 150 mil operários. No ranking setorial, a indústria madeireira liderava o número de estabelecimentos, seguida pelas de produtos alimentares, minerais não metálicos e têxtil.

RESPALDO AO DESENVOLVIMENTO Os governadores do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola (em pé à esquerda); do Paraná, Ney Braga, e de Santa Catarina, Celso Ramos, sentados à mesa com o então vice-presidente da República, João Goulart, ao centro, na cerimônia que marcou a instalação do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, o BRDE, em 1961. O objetivo era fazer frente à histórica concentração de investimentos e políticas públicas em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais por meio de financiamentos e apoio a projetos de desenvolvimento e competitividade. Como a divisão regional vigente até 1970 incluía São Paulo na região Sul, a decisão foi por adotar a expressão “Extremo Sul” na denominação do banco de investimentos, que se mantém até hoje.

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A capacidade de expansão da indústria precisou destravar antigos nós, que vinham desde 1930, quando estava limitada por frágeis bases técnicas e financeiras. A história bancária de Santa Catarina está dividida em três períodos. De 1907 a 1935, predominavam as cooperativas de credito agrícola; de 1935 a 1962, surgem e se expandem em todo o Estado os bancos catarinenses, e de 1962 a 1998 são criados os bancos de fomento e ocorre a incorporação de bancos locais por grandes bancos nacionais. Era importante fazer a união banco-indústria, comandada a partir de interesses nacionais. A solução foi encontrada em 1952, com um sistema estatal de financiamento centrado no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) e a busca de recursos externos. O primeiro estabelecimento de crédito agrícola em Santa Catarina foi a Caixa Cooperativa do Sindicato Agrícola de Blumenau, fundada por pequenos proprietários em 1907, que emprestava dinheiro sob a hipoteca de imóveis. Ela foi incorporada em 1927 pela Caixa Agrícola de Blumenau. Em 1916 o Banco do Brasil se instalou em Florianópolis, em 1918 foi também para Joinville e no final dos anos 1950 já tinha 11 agências. O cooperativismo começou a ser apoiado financeiramente na segunda metade dos anos 1920. As cooperativas de crédito agrícola, que prestavam assistência financeira aos agricultores, tinham uma área de abrangência limitada e um caráter solidário. Esse tipo de instituição fazia parte do chamado modelo Raiffeisen-Luzzatti. As cooperativas Raiffeisen foram idealizadas por Friedrich Wilhelm Raiffeisen (1818-1888) entre os anos de 1847 e 1848, como sociedades de auxílio-mútuo para atender às necessidades dos agricultores da região de Flammersfeld, Alemanha. Em 1854, Raiffeisen fundou outras sociedades dessa natureza em Heddesford, que posteriormente foram substituídas por cooperativas de crédito e cujo sucesso resultou na fundação de entidades semelhantes em outras localidades. Já em 1865 surgiram na Itália cooperativas de crédito do tipo Luzzatti, os chamados bancos populares, modelo inspirado no cooperativismo de crédito urbano da Alemanha e idealizado principalmente por Leone Wollemborg e Luigi Luzzatti, político, escritor e professor universitário, que publicou em 1863 “A difusão do crédito e o Banco Popular”, obra em que expôs suas ideias a respeito do cooperativismo de crédito. Quem mais se destacou nessa linha que ajudou a implantar as bases do cooperativismo no Estado foi o Banco de Crédito Popular e Agrícola de Bella Alliança (atual Rio do Sul), fundado em 1928 e incorporado pelo Banco Indústria e Comércio de Santa Catarina. Com o nome fantasia de INCO, o banco foi fundado em 1935 pelas famílias Bornhausen e Renaux, com sede em Itajaí. Em poucos anos o INCO já contava com agências nas principais cidades catarinenses, expandindo-se para outros Estados. Em 1956 eram 55 agências em Santa Catarina, sete no Paraná e uma na Guanabara. No ano seguinte, incorporou o Banco Nacional da Cidade de São Paulo, ampliando o número de agências para 101, sendo 34 em São Paulo. A proliferação das agências era uma exigência de diversificação e ampliação da indústria. O importante era o crédito de longo prazo, já que os bancos locais não atendiam às necessidades de moeda. Os bancos catarinenses acabaram sendo incorporados no final dos anos 1960 e início dos 1970 por grandes bancos nacionais. A maior incorporação foi a do INCO, pelo Bradesco, em 1968. A solução para a escassez de moeda para financiar a ampliação industrial veio principalmente depois de 1962, com a criação do Banco de Desenvolvimento de Santa Catarina (o BDE), do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), do Banco de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina (Badesc), do Fundo de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina (Fundesc), do

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Programa Especial de Apoio à Capitalização das Empresas (Procape) e, mais tarde, do Programa de Desenvolvimento da Empresa Catarinense. (Prodec). O Plameg inaugurou uma nova fase da economia catarinense. A partir desse momento a presença dos grandes industriais na esfera política estadual passa a ser decisiva. A indústria catarinense, que estava num acelerado processo de diversificação e ampliação, passa a ser pensada pelo Estado, que se torna o verdadeiro condutor do processo de integração industrial, investindo em infraestrutura e oferecendo linhas de crédito de longo prazo.

ENERGIA VITAL A reduzida oferta de energia era um dos principais entraves ao desenvolvimento de Santa Catarina, em especial do setor industrial. Criada em 1957, no governo de Jorge Lacerda, a Sociedade Termoelétrica de Capivari - Sotelca integrou o Plano de Metas do Governo Federal e visava a suprir a carência energética. Porém, as obras da Usina Termelétrica Jorge Lacerda só foram iniciadas em 1960, impulsionadas pelo Plano de Metas e Governo de Celso Ramos e por um financiamento internacional. Ela entrou em operação em 1965 e, ao final do mandato de Celso Ramos, a disponibilidade de energia per capita passou de 40 para 100 Watts. O crescimento da energia disponível beneficiou largamente o Sul catarinense e impulsionou o surgimento e a ampliação de indústrias no Estado. A Sotelca foi incorporada pela Eletrosul em 1972 e privatizada em 1998, no governo de Fernando Henrique Cardoso, sendo atualmente controlada pela Tractebel Energia, com o nome de Complexo Termelétrico Jorge Lacerda.

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Isso aconteceu por meio de uma profunda transformação da economia brasileira na segunda metade dos anos 1960. Num cenário definido pelo Plano de Ação Econômica do Governo (PAEG), foram feitas reformas fiscais e trabalhistas, a correção monetária, o Banco Central e as Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional (ORTN), título público federal para pagar uma remuneração corrigida e evitar a corrosão da inflação sobre as aplicações futuras. O novo arranjo foi seguido por um processo de competição por recursos e clientes, gerando concentração do sistema bancário. Dos 336 bancos comerciais existentes em 1964, havia 195 em 1970. A diversificação industrial exigia mudanças profundas, especialmente a criação de um banco de fomento como o BDE, que fazia parte do novo padrão de crescimento. A política industrial se sofisticava. Em 1962 foi criado pelos três governadores dos Estados do Sul o BRDE, para proporcionar as novas condições financeiras que a indústria necessitava, já que os bancos estaduais não dispunham de capital suficiente. Já o Fundesc foi criado em 1963 para servir de fonte de recursos para o BDE, que financiava o Plameg. O Fundesc foi substituído em 1975 pelo Procape - Programa Especial de Apoio à Capitalização das Empresas. Com os recursos liberados pelo BDE, Fundesc, Procape, BRDE, Badesc e Prodec, o complexo agroindustrial deu um salto quantitativo e qualitativo, o setor metalmecânico tornou-se profundamente dinâmico, a indústria de revestimentos cerâmicos integrou-se rapidamente à economia nacional e internacional e o Vale do Itajaí se tornou o segundo polo têxtil do País. A industrialização brasileira e o sucesso da integração produtiva de Santa Catarina são resultados de uma obra que somou políticas públicas com o empreendedorismo vocacionado e diversificado dos inovadores que souberam avançar dos seus redutos para conquistas amplas e significativas. Estava pronto o cenário para o grande salto industrial que ocorreria na década de 1970.

CAPITAL ESTADUAL Fundado em 1935, com sede em Itajaí, o banco INCO marcou época como instituição financeira de origem exclusivamente catarinense. Seu auge foi entre as décadas de 1950 e 60, contando com agências nas principais cidades catarinenses, no Paraná, no então Estado da Guanabara e em São Paulo. Dentro do novo cenário político-econômico nacional, o INCO foi incorporado em 1968 pelo Bradesco.

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PIONEIRO INSPIRADOR Idealizadas pelo alemão Friedrich Raiffeisen (foto) e aperfeiçoadas pelo italiano Luigi Luzzatti, as cooperativas de crédito do chamado modelo RaiffeisenLuzzatti serviram de inspiração para a criação de instituições similares em Santa Catarina, que representaram forte impulso à atividade agroindustrial estadual.


A base da qualificação humana Assim como a qualificação dos recursos humanos, o processo de industrialização trouxe à tona as discussões sobre a necessidade de promover o bem-estar social, a saúde, a educação e o lazer dos trabalhadores. Na década de 1940, aumentavam as tensões sociais – reflexo de problemas enfrentados nos setores de alimentação, saúde, transportes e habitação. Preocupados com a situação, representantes das federações industriais de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Pernambuco constataram que era preciso criar, com urgência, “um serviço social que se dedicasse à defesa e à valorização do trabalhador da indústria e de sua família, além de promover medidas de estímulo à produção industrial”. Assim, em 25 de junho de 1946, o presidente Dutra assinou o Decreto-Lei nº 9.043, que criava o Serviço Social da Indústria (SESI), subordinado à CNI. O Departamento Regional do SESI foi criado em 6 de dezembro de 1951, por determinação do presidente da CNI, Euvaldo Lodi. Tão logo a FIESC recebeu a incumbência de implantar o SESI/SC, deu início a um estudo detalhado das condições socioeconômicas das comunidades operárias, a fim de elaborar um plano de ação objetivo, que de imediato surtisse efeito favorável à população. Os dados permitiram identificar as condições de vida de cada comunidade, definindo as prioridades de atuação. Foram sendo instalados Núcleos Regionais nos principais polos industriais do Estado. Eram unidades pequenas, mas que, durante as décadas de 1950 e 1960, passaram a executar programas de assistência médica, odontológica e farmacêutica, além de orientação e educação social. Antes de completar seu primeiro ano de vida autônoma, o SESI/SC estava implantado em todos os principais centros industriais catarinenses. Ao estruturar uma rede de atendimento médico-odontológico, o SESI/SC instalou consultórios médicos nos núcleos regionais de Joinville, Blumenau e Florianópolis. Também passou a oferecer, em 1952, com caráter experimental, o serviço reembolsável de medicamentos, que chegavam aos trabalhadores pela metade do preço. Essa iniciativa daria origem a uma rede de farmácias presente em todo o Estado de Santa Catarina. A instabilidade da economia brasileira fazia com que os preços dos alimentos apresentassem grande variação, gerando uma escalada do custo de vida. Por isso, o SESI instituiu a Assistência Alimentar, serviço executado por meio de postos de abastecimento, que comercializavam alimentos a preços vantajosos para os operários. A maioria desses postos foi instalada inicialmente na zona carbonífera, uma das mais afetadas pelo problema.

ORIGEM DA REDE Implantado experimentalmente em 1952, o serviço que fornecia medicamentos aos trabalhadores pela metade do preço deu origem à atual rede de farmácias do SESI/SC.

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O preparo dos colaboradores A construção de uma base industrial sólida dependia de recursos humanos em constante evolução, tanto técnica quanto social. Às iniciativas governamentais de fomento ao ensino profissionalizante, como a criação da Universidade Técnica Federal em 1934, somou-se, em 1939, a determinação do governo de que todas as indústrias com mais de 500 operários deveriam oferecer cursos de qualificação profissional a seus funcionários. O Decreto foi o embrião de um projeto que propunha aplicar no Brasil uma prática já adotada por diversos países e recomendada pelo Bureau Internacional do Trabalho: a criação de um sistema nacional de aprendizagem. Convocados a participar das discussões a respeito, Euvaldo Lodi, representando a CNI, e Roberto Simonsen, em nome da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), propuseram que os órgãos sindicais fossem os responsáveis pela execução do projeto. A proposta foi aceita pelo governo e, em 16 de julho de 1942, o presidente Getulio Vargas assinou o Decreto nº 10.009, que criava o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). Por determinação de Euvaldo Lodi, em março de 1943 iniciaram as atividades da Delegacia Sul do SENAI, chamada de 7ª região. Com sede na cidade de Curitiba, a Delegacia atendia os Estados do Paraná e de Santa Catarina. Por apresentarem tradição industrial, as cidades de Florianópolis, Joinville, Blumenau, Brusque, Tubarão e Criciúma foram escolhidas para implantação das primeiras atividades do SENAI em Santa Catarina. Na época, um levantamento realizado no Estado revelou que apenas 16,5% dos trabalhadores da indústria eram tecnicamente capacitados para exercer suas funções.

QUALIFICAÇÃO NO CARVÃO Na foto de 1948, alunos dos cursos voltados à qualificação dos trabalhadores do polo carbonífero catarinense e no detalhe a escola que foi sede do SENAI em Siderópolis e em 1968 passou a abrigar o Grupo Escolar Dr. Tullo Cavallazzi.

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Em 1948, a Delegacia Sul do SENAI foi elevada à categoria de Departamento. Mas Santa Catarina precisava de mais. Com a fundação da FIESC, iniciou-se o processo de criação de uma unidade regional própria, uma das principais promessas de Celso Ramos ao assumir a presidência da entidade. Assim, o Departamento da 7ª Região foi desdobrado, por meio da Portaria nº 33/35, de 1º de outubro de 1953. O processo documental e legal se estendeu até o final daquele ano, sendo concluído em 1º de janeiro de 1954, quando foi efetivamente criado o SENAI Santa Catarina. Era a primeira grande conquista da FIESC. Quando assumiu a diretoria do recém-fundado SENAI/SC, o professor Alcides Abreu conhecia pelo nome cada industrial catarinense. O setor contava até então com 18 mil trabalhadores e a carência de força de trabalho especializada tornou-se ainda mais evidente após a realização de um censo industrial no Estado, em 1954. A pesquisa revelou que Santa Catarina tinha iniciativas industriais de diferentes segmentos e que, na maioria delas, os trabalhadores atuavam de forma empírica, sem conhecimento técnico. Na época, foram listados mais de 100 ofícios que eram executados nas indústrias do Estado. A partir dessa lista, o SENAI/SC estruturou os cursos que seriam oferecidos em suas unidades. Em 1955 foi iniciada a construção da escola do SENAI/SC em Lages, no Planalto Serrano, projetada para operar em regime de internato. No mesmo ano, foi inaugurada uma unidade em Blumenau, planejada para atender os alunos de cidades vizinhas, como Brusque, Itajaí, Indaial e Timbó. Em 1956, o SENAI/SC deu início a um treinamento para menores no local de trabalho. Além de capacitar os operários, o SENAI/SC se empenhava em ampliar o conhecimento dos gestores das empresas. Exemplo disso foi a implantação, em 1957, do Training Within Industry (TWI), programa de treinamento desenvolvido nos Estados Unidos com o objetivo de qualificar todo o corpo gerencial de uma indústria. Em 1954, o SENAI/SC oferecia formação para o desenvolvimento de 14 atividades e ofícios, nas unidades de Florianópolis, Joinville, Siderópolis e Blumenau: ajustagem, alfaiataria, caldeiraria, carpintaria, corte e costura, eletricidade, eletricista instalador, ferraria, funilaria, marcenaria, mineração, solda, serralheria e tornearia mecânica. FORMAÇÃO ALTERNATIVA Alfaiataria era uma das modalidades de cursos oferecidas pelo SENAI/SC em suas unidades, para capacitar os jovens e contribuir para a melhoria das condições de vida das comunidades.

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MATURIDADE E AVANÇO Com o impulso proporcionado por investimentos principalmente em energia e transportes na década anterior, o setor industrial catarinense ingressou nos anos 70 em um novo patamar de produtividade e de inserção mercadológica. E um dos segmentos que já se mostrava preparado para o salto que se iniciava era o eletrometalmecânico, liderado por empresas como Tupy, Embraco, WEG e Consul. Começava a se consolidar o polo catarinense de companhias com elevado grau de inovação, competitividade e participação no mercado internacional.

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O Salto nos Anos 1970

Nos anos 1970 a indústria catarinense exibia uma situação de grande destaque no desenvolvimento do País. Existiam antecedentes para isso. Ao longo da década de 1960, investimentos em energia e transporte, novos sistemas de crédito e a maturidade dos setores mais importantes, como o eletrometalmecânico, liderado por médias e grandes indústrias, contribuíram de forma decisiva para elevar o padrão de crescimento. Nos setores mais tradicionais, várias empresas incorporaram outras marcas e, em alguns casos, chegaram à liderança nacional.

O passo à frente da indústria catarinense passou a ser conduzido pela FIESC, pelas políticas públicas estaduais e nacionais e por grandes empresas dos setores de alimentos (Perdigão, Sadia, Aurora, Seara e Duas Rodas), eletrometalmecânico (Tupy, Consul, Embraco, Busscar e WEG), cerâmico (Eliane, Cecrisa, Portobello e Cesaca), têxtil e vestuário (Hering, Artex, Karsten, Teka, Sulfabril, Malwee, Renaux, Buettner, Cremer, Marisol e Döhler), papel e celulose (Klabin, Igaras, Irani, Trombini e Rigesa), madeireiro (Sincol, Adami, Battistella e Fuck), carbonífero (CBCA, CCU, Metropolitana, Criciúma, Catarinense e Próspera), moveleiro (Cimo, Artefama, Rudnick e Leopoldo), plástico (Hansen-Tigre, Cipla, Canguru e Akros) e porcelanas e cristais (Oxford, Schmidt, Ceramarte, Blumenau e Hering). A força de alguns grupos empresariais foi fundamental para o avanço tecnológico e financeiro das fábricas. Os anos 1970 foram marcados por essa erupção de quantidade movida pela qualidade. Como aconteceu com a rápida expansão nas três maiores cerâmicas sul-catarinenses – Eliane, Cesaca e Cecrisa –, por exemplo. A diversificação da produção industrial na região Sul do Estado foi um grande indutor de renda, pois a partir do momento em que a cerâmica se engajou no mercado nacional houve um processo simultâneo de dinamização econômica, em que as articulações internas foram capazes de conquistar novos mercados, com dinamismo crescente graças às estratégias competitivas. Os clientes internacionais, que exigem bom preço e qualidade, foram um seguro caminho trilhado pelas constantes inovações tecnológicas.

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Num patamar menos sofisticado, mas igualmente importante, houve também avanço em segmentos como o da cerâmica vermelha. As olarias amargaram longo período de defasagem e só tardiamente algumas empresas implantaram a modernização tecnológica com a introdução de novos fornos, rolamentos, redutores, motorredutores, cortadores automáticos, além de novos produtos químicos. Assim foi possível oferecer uma linha mais diversificada de telhas e tijolos, como telhas esmaltadas, glasuradas e de concreto ou tijolos maciços de vários modelos e tamanhos. Forças geradas no próprio Estado catarinense levaram à diversificação produtiva, num criativo efeito dominó: uma atividade econômica, ao esgotar seus primeiros e mais significativos impulsos, abria espaço para atividades ainda inéditas nas regiões. Havia assim um rompimento da dependência em relação a um setor hegemônico, como aconteceu em Criciúma, que dependia do carvão e diversificou para o cerâmico, o plástico e o vestuário. Ou em Caçador, que dependia da madeira e, depois de qualificar as atividades extrativas, partiu para a produção de calçados, metalurgia e plástico. Um exemplo da diversificação foi o setor de máquinas para a indústria moveleira, com empresas como a Fezer. As décadas de 1960 e 1970 marcaram profundamente as empresas moveleiras do Estado, que se concentram no Alto Vale do Rio Negro, nos municípios de São Bento do Sul, Rio Negrinho e Campo Alegre. Herdeiras da comercialização da madeira e da erva-mate, elas fizeram sucesso produzindo móveis no estilo colonial e vendendo para o resto do País e para alguns países do exterior. Os trabalhadores mais experientes tinham se estabelecido por conta própria, o que gerou uma proliferação de estabelecimentos. A difusão do estilo colonial e a expansão do consumo fizeram o setor passar por intensas mudanças estruturais, com a concentração e proliferação de novas unidades. Foi nos anos 1950 e 1960 que o setor de papel e celulose, que vinha desde os anos 1930 em Santa Catarina, se destacou. A maioria eram empresas de pequeno porte, com exceção da Irani, da Cia. Itajaí e da Olinkraft. Em 1973 havia 16 fábricas de papel, 18 de pasta mecânica e sete de celulose. O salto do setor na quantidade produzida foi graças aos investimentos do final dos anos 1960 e início dos anos 1970 por grandes grupos estrangeiros. A primeira a se instalar foi a Olinkraft, atual Igaras, em 1958, e depois a Papel e Celulose Catarinense, do Grupo Klabin, ambas em Lages. Em 1974 foi a vez da Rigesa, do grupo Westvaco (EUA), em Três Barras. Em 1974 o grupo paranaense Trombini adquiriu a Industrial Fraiburgo, pertencente à família Frey. Em 1972 outro grupo paranaense, a Imaribo, comprou em Campos Novos a Fábrica de Papelão Ibicuí, mais tarde Iguaçu. A Celulose Irani, fundada em 1941 em Joaçaba foi comprada em 1996 pelo grupo Habitasul. Outras empresas catarinenses que se destacam são Primo Tedesco, Adami e Avelino Bragagnolo. A indústria catarinense de transformação registrou crescimento médio de 8% ao ano ao longo da década de 1960. A FIESC acompanhou esse crescimento. Em 1963, a entidade inaugurou o edifício Palácio da Indústria. Localizado na Rua Felipe Schmidt, no Centro de Florianópolis, o prédio abrigou os departamentos regionais do SENAI e do SESI e tornou-se a base política dos empresários na Capital. Na eleição para a presidência da Federação realizada em 1966, Celso Ramos foi reconduzido ao cargo – que deixou em outubro do mesmo ano para candidatar-se a uma vaga ao Senado Federal. Em outubro de 1966, Ramos passou a presidência da FIESC para seu vice, Adhemar Garcia. A eleição seguinte, realizada em 1968, marcaria o fim de um ciclo político na entidade. Carlos Cid Renaux, representante do setor têxtil, foi eleito presidente. Ao assumir o cargo, Renaux deu início a um processo de reorganização institucional, que tinha por objetivo modernizar a administração e descentralizar as atividades da FIESC. O novo presidente também enfatizava a necessidade de atua-

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ção social das entidades ligadas à Federação. Em maio de 1969, no Dia do Trabalho, ele destacou a vocação da FIESC para estabelecer parcerias entre empregadores e empregados e o compromisso com o crescimento industrial de todo o Estado. Renaux entendia que os problemas econômicos e sociais andam juntos e que o crescimento industrial dependia de boas soluções para o problema social. Marcou sua gestão com essa ideia, assumida por seu vice e próximo presidente, Bernardo Wolfgang Werner. Foi essa postura que possibilitou enfrentar os desafios da grande expansão da década seguinte.   Os resultados vieram rapidamente. Focada no desenvolvimento do Estado, a FIESC cresceu tanto quanto o setor que defendia. Ao explorar novos mercados, indústrias catarinenses conquistaram, ao longo da década de 1970, a liderança nacional em vários segmentos, como carnes de aves e de suínos, tubos e conexões de PVC, revestimentos cerâmicos, refrigeradores, motocompressores e motores elétricos. As exportações do Estado cresceram significativamente, com posições sólidas no exterior e a comercialização de produtos de maior valor agregado. A boa fase da indústria em Santa Catarina coincidiu com um dos períodos de maior crescimento da economia brasileira, conhecido como “milagre econômico”. Entre 1967 e 1974, o PIB cresceu, em média, 11,2% ao ano. A curva ascendente começou a perder força em 1973, com a crise internacional do petróleo. Foi o primeiro baque sofrido por uma política econômica calcada no investimento externo – em 1973, o ingresso de capital estrangeiro tinha alcançado o nível anual de US$ 4,3 bilhões, quase o dobro do registrado em 1971. Mudanças na indústria significam mudanças nas suas entidades. Foi quando a FIESC desencadeou uma importante fase de reestruturação, marcada pela renovação política e pelo redirecionamento da atuação da entidade. As bases para esse trabalho eram sólidas. Em 1955 a Federação já tinha

SEDE DE UMA NOVA ETAPA Inaugurado em novembro de 1963, o Palácio da Indústria, localizado na Rua Felipe Schmidt, no Centro de Florianópolis, foi a primeira sede própria, construída para atender às necessidades de infraestrutura da Federação. Além da própria FIESC, o prédio abrigava os Departamentos Regionais do SESI e do SENAI e se transformou numa base política dos empresários catarinenses na Capital. Atualmente o prédio é sede da Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina - Fatma.

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decidido adquirir um terreno para a construção de uma sede própria, que atendesse às necessidades de infraestrutura das três entidades – FIESC, SESI e SENAI. O Palácio da Indústria, no Centro de Florianópolis, seria inaugurado em 25 de novembro de 1963. A meta era modernizar não apenas sua administração, mas também os serviços oferecidos às indústrias. A eleição de Carlos Cid Renaux para a presidência da FIESC, em 1968, foi o começo dessa nova fase. Já no início da gestão da nova diretoria, a Federação conquistou uma importante aproximação política com o governo federal. Nesse período, a FIESC cedeu espaço na sede da entidade para a instalação do gabinete provisório do governo federal e promoveu eventos em comemoração ao milagre econômico. Uma das ações importantes da época foi o início da construção da BR-101, no ano de 1969, que ligaria o Centro-Sul ao Nordeste do País, fundamental para o escoamento de produtos dessas regiões. Outra iniciativa prometia amenizar a escassez de energia elétrica em Santa Catarina: a ampliação da Usina Termelétrica de Capivari, hoje denominada Complexo Termelétrico Jorge Lacerda. Identificando novas demandas da indústria catarinense, a FIESC, que na época representava 13 sindicatos afiliados, criou novos programas e linhas de atuação ainda no final da década de 60. Esses serviços tinham o objetivo de ampliar a representatividade da Federação por todo o Estado. Entre eles estava o Cadastro Industrial Catarinense, iniciado em 1968 com a finalidade de conhecer em profundidade o setor secundário do Estado e suas potencialidades. Além disso, a FIESC passou a promover o serviço técnico-jurídico de assistência às empresas. O principal objetivo era acompanhar todos os projetos de lei apresentados no Congresso Nacional, relacionados com previdência social, direito do trabalho, direito tributário, fiscal e assistência social, entre outros. A Federação emitia pareceres a respeito de cada projeto e também produzia análises sobre os poderes, além de coordenar movimentos reivindicatórios da indústria. Em um período em que a indústria catarinense vivia uma espécie de apogeu, a FIESC se es-

LIDERANÇA E INTEGRAÇÃO A Federação esteve à frente do processo que levou ao início da construção da BR-101, a partir de 1969. Foram promovidos eventos de mobilização com diversos prefeitos, reforçando a importância da chamada translitorânea para o Estado. A obra da rodovia foi em grande parte resultado da aproximação da entidade com o governo federal da época, que também teve reflexos em outros projetos de interesse da indústria catarinense. A nova estrada seria fundamental para a integração de Santa Catarina à economia nacional e para o fluxo de mercadorias na região.

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truturou para atender às necessidades dos grupos empresariais e subsidiá-los para um crescimento ainda mais expressivo. Até a década de 1970, a pauta de exportação de Santa Catarina era dominada pela venda da madeira e poucas indústrias tinham negócios no exterior. Para reverter essa situação, a FIESC criou, em 1969, o Consórcio Catarinense de Exportação (Concatex), que propunha novas estratégias para ingresso no mercado internacional. Em paralelo, mudanças organizacionais criaram novas estruturas para tomada de decisão na FIESC. Foi estabelecido, pela primeira vez, um organograma de cargos e funções para a Federação. Como na época o presidente da FIESC não residia em Florianópolis, criou-se o cargo de Diretor de Coordenação, que representava o presidente e o substituía em todas as ações das quais ele não pudesse participar. A FIESC passou a realizar reuniões com industriais por todas as regiões do Estado, para onde se deslocavam todos os seus diretores. Em 1969 foi criada uma Divisão de Produtividade, que per-

CONQUISTANDO O PAÍS Ao longo dos anos 70, dois segmentos da indústria catarinense que desenvolveram uma trajetória de crescimento até a liderança de seus mercados em nível nacional foram o agroindustrial e o de tubos e conexões de PVC. Na agroindústria, o avanço foi liderado pelo processamento e comercialização de carnes de aves e de suínos, com desenvolvimento de produtos de maior valor agregado. A diversificação produtiva e a busca por novos mercados também conduziram à vanguarda no País outros segmentos da indústria estadual, como revestimentos cerâmicos, refrigeradores, motores elétricos e motocompressores.

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correu Santa Catarina promovendo cursos sobre custo industrial, produtividade, planejamento e liquidez de caixa, gerência financeira, simplificação de trabalhos burocráticos, projetos industriais e racionalização de métodos. Todas essas ações tinham como objetivo profissionalizar tanto a gestão quanto a produção das indústrias catarinenses, ampliando sua base de conhecimentos. Nesse processo, a aproximação com universidades e centros de pesquisa também seria fundamental. Por isso, em outubro de 1969 a FIESC implantou um núcleo regional do Instituto Euvaldo Lodi (IEL). Criado pela CNI em janeiro do mesmo ano, o IEL surgiu com o objetivo de estimular a integração entre a universidade e a indústria. O núcleo catarinense do IEL nasceu para ser a instituição responsável pela administração de estágios de alunos universitários nas indústrias catarinenses. Um mês após a criação do IEL em Santa Catarina, foi proposto o projeto “Estágio na Indústria – Pesquisa e Execução”, que implantava efetivamente a entidade no Estado por meio de visitas de universitários a empresas, de pesquisas de capacidade de absorção e com a consequente alocação de estagiários nas indústrias. Junto ao desenvolvimento do IEL, a FIESC estruturou outro importante órgão para apoiar o desenvolvimento do setor industrial catarinense: o Centro das Indústrias do Estado de Santa Catarina – CIESC. A entidade, fundada em junho de 1970, foi criada para coordenar interesses de classe, promover estudos e diagnósticos de problemas comuns e definir ações de cooperação com o governo na busca por soluções e na realização de projetos específicos. A cooperação com o setor público seria muito importante para a indústria nos anos seguintes. A posse de Colombo Salles, em 1970, como governador do Estado deu continuidade à política desenvolvimentista iniciada por Celso Ramos. O Projeto Catarinense de Desenvolvimento, plano de governo de Salles, destacou a preocupação em modernizar a indústria, aumentar sua produtividade e continuar com o processo de expansão. Em 1972 a FIESC propôs a criação da Secretaria da Indústria e Comércio, que passaria a ser responsável pela formulação da política de desenvolvimento do setor produtivo catarinense, com foco em planejamento setorial e descentralização de decisões. Antes disso, em 1971, os sindicatos integrantes da Federação elegeram um novo presidente: Bernardo Wolfgang Werner. Filho do fundador da empresa Electro Aço Altona, ele presidiria a Federação por 15 anos, em uma gestão marcada pela grande expansão da infraestrutura e das atividades

MODERNIZAÇÃO E AVANÇO Representante da indústria têxtil, Carlos Cid Renaux foi eleito para a presidência da FIESC em 1968, marcando o início de uma nova fase para a Federação. Para modernizar a gestão e os serviços oferecidos, ele promoveu uma reorganização institucional, com descentralização das atividades. A Federação buscou impulsionar a inserção internacional de empresas com a criação, em 1969, do Consórcio Catarinense de Exportações. A aproximação com universidades e centros de pesquisa também teve início em 1969, com a implantação do núcleo regional do Instituto Euvaldo Lodi.

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da FIESC, principalmente nos serviços desenvolvidos por SENAI e SESI, que passaram a atuar com mais ênfase na qualificação e bem-estar dos trabalhadores. Na época, o SESI/SC mantinha suas atividades em 19 Núcleos Regionais. No início dos anos 70, começava a crescer um dos serviços mais reconhecidos da entidade: o jardim de infância. Atendendo crianças de 3 a 6 anos, esse serviço era oferecido nas cidades de Brusque, Itajaí, Lauro Müller, Criciúma e Florianópolis. Ainda faziam parte do portfólio da entidade atividades como teatro, biblioteca, banda, coral infantil, cinema e cursos populares. Em 1971, ano de comemoração dos 25 anos do SESI Nacional, a principal preocupação da entidade era o número cada vez maior de brasileiros que deixavam a área rural em busca de emprego na indústria. Considerando o êxodo rural e as atividades migratórias, foi elaborado, então, o 1º Plano Nacional do SESI, pelo qual a entidade passaria a concentrar seus programas em três setores: educação, saúde e lazer. No mesmo ritmo de expansão, o SENAI/SC possuía quatro Agências de Treinamento (Joaçaba, Mafra, Caçador e São Bento do Sul), além de dois Centros de Formação Profissional (Blumenau e Joinville) e um Centro de Treinamento Têxtil, em Brusque. A instalação da Agência de Joaçaba, em 1970, marcou a chegada da entidade ao Meio-Oeste do Estado. Além da inauguração e da ampliação de novas unidades, outros centros de treinamento estavam sendo planejados em parceria e convênio com indústrias. Na época, Joinville e Blumenau respondiam por quase 50% da força de trabalho industrial catarinense e, por isso, os centros de treinamento do SENAI/SC daquelas cidades foram ampliados. O novo diretor regional da entidade, Célio Goulart, nomeado em 1972, assumiu com a missão de impulsionar fortemente os programas de formação. Para atingir a meta, o SENAI/SC previa a construção de centros de treinamento nas cidades de Jaraguá do Sul e São Bento do Sul, bem como a implantação de duas unidades móveis de treinamento – uma novidade no Estado. O início da década de 1970 também foi uma fase de expansão para o IEL/SC. Entre maio e junho de 1972, a entidade firmou importantes Contratos de Concessão de Estágio com empresas como Fundição Tupy, Consul, Hering, Ciser, Engepasa, Kavo, Linhas Corrente, Duque, Electro Aço Altona, Meias Centauro, Artex, Sulfabril e Cremer, entre outras. As necessidades das pequenas e médias empresas também passaram a ser percebidas pelo Instituto, que, em agosto do mesmo ano, desenvolveu serviços para prestar assistência técnica específica a indústrias de pequeno e médio portes. Pelas diversas realizações em tão breve período de tempo, o núcleo catarinense do IEL foi reconhecido como instituição de utilidade pública pelo Estado de Santa Catarina. Para o presidente da FIESC, Bernardo Wolfgang Werner, tão importante quanto a atuação junto aos governos era a ampliação da representatividade institucional da Federação. A expansão das atividades de SESI, SENAI e IEL em Santa Catarina era fundamental para que a FIESC conquistasse cada vez mais a confiança do empresariado. Para isso, era preciso expandir a estrutura física da entidade. Em 1977, foram inauguradas escolas do SENAI em Itajaí e São Bento do Sul e começaram as obras de novos centros de ensino em São José e Rio do Sul. Com a construção de novas escolas, ao final da década o SENAI/SC somava 1.774 alunos matriculados nos cursos de aprendizagem, qualificação e habilitação profissional. Em todas as frentes, o sucesso da indústria catarinense foi significativo, não apenas no aspecto social e de apoio aos colaboradores. As exportações quintuplicaram em valor entre 1970 e 1975. Novas plantas industriais, parcerias tecnológicas e melhorias na infraestrutura contabilizaram a favor dessa época em que as fábricas lideraram o processo desenvolvimentista do País.

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Indústrias definem os municípios A vocação empreendedora e seus desdobramentos definem o perfil dos municípios mais dinâmicos de Santa Catarina. Joinville e Jaraguá do Sul formam o maior polo eletrometalmecânico de Santa Catarina. Em segundo lugar vêm o eixo Timbó-Brusque, a região de Criciúma e Joaçaba. O crescimento da população está sintonizado com as atividades produtivas. Nos anos 1940, a cidade que mais cresceu foi Criciúma (carvão), nos anos 1950 Lages (madeira) e nos anos 1960 Joinville, que chegou em 1970 a 120 mil habitantes e em 1980 a 235 mil, tornando-se a maior cidade catarinense, a única com mais de 200 mil habitantes. Em 1985 Joinville representava no Estado 64,3% da indústria metalúrgica e 63,8% da mecânica. Nos anos 1980, algumas cidades intensificaram seu crescimento, como Jaraguá do Sul, Blumenau, Criciúma e Chapecó. As iniciativas dos pioneiros inauguraram o desenvolvimento de Jaraguá do Sul: Guilherme Weege (comércio de produtos suínos e laticínios) Max Wilhelm (fábrica de refrigerantes), Gustavo Grunz (banha e linguiça), João Marcatto (chapéus) e Henrique e Walter Marquardt (malharia). A partir dos anos 1960 e 1970, Jaraguá do Sul começou a se beneficiar da proximidade com Joinville e Blumenau. Um dado importante é a existência do ramal ferroviário EFSPRG (Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande), que ligava o Porto de São Francisco a Porto União e colocava Jaraguá do Sul em contato direto com o terminal portuário e a cidade de Curitiba. Isso facilitava a exportação de produtos suínos, laticínios, chapéus, óleos essenciais e bebidas. O desempenho da região deve-se a três fatores: o engajamento da indústria local com o projeto nacional de industrialização, a participação do Estado catarinense no suprimento de energia, transporte, crédito e telefonia e o comando exercido por empresas de médio e grande portes. Principalmente as grandes, que depois dos anos 1970 definiram os rumos da economia de Jaraguá do Sul. A Malwee e a Marisol, da indústria de vestuário (setor que tinha também Menegotti, Nanette e Zanutti), a Kohlbach e a WEG, da eletrometalmecânica (incluindo Wiest, Trapp e Lombardi, entre outras) e a Duas Rodas, de alimentos (além de Bretzke, Frigumz, Sasse e as filiais da Seara, Nutrimental e Fleischmann-Royal). MARCA REGISTRADA Alguns setores estão intimamente ligados aos perfis das cidades onde nasceram e se desenvolveram. É o caso da indústria têxtil e cidades do Vale do Itajaí, como Blumenau, Itajaí e Brusque. Mas também se estende, com a indústria do vestuário, a Joinville e Jaraguá do Sul, consolidando potências como a Malwee (fotos). O setor do vestuário também é uma marca no polo que se formou no Sul do Estado, fruto da diversificação industrial.

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A indústria de matérias plásticas também faz parte do DNA de Joinville. Começou em 1941, quando João Hansen Junior, da Cia. Hansen, atual Tigre, comprou uma pequena fábrica de pentes feitos de chifres e passou a produzir cachimbos. Em 1952 começou a produzir mangueiras de PVC flexíveis, em 1958 tubos de PVC roscáveis e conexões para atender ao crescente mercado de água e saneamento. Com incentivos da Sudene, a Tigre abriu uma unidade industrial em Recife (PE) e também se instalou em São Paulo, tornando-se rapidamente líder no setor de matérias plásticas para a construção civil. Outras empresas desse setor se destacaram, como a Plásticos Tupiniquim em 1961, ligada ao grupo Tupy, e em 1970 a Empresa de Embalagens Canguru, de Criciúma. A indústria têxtil do Vale do Itajaí impregna a imagem dos seus municípios, como Blumenau, Itajaí e Brusque, mas também atinge Joinville e Jaraguá do Sul. Já a indústria de vestuário inclui, além do Litoral Norte, o Sul do Estado (jeans em Criciúma, com atividades que se espalharam até Tubarão) e a Grande Florianópolis (malhas e tecidos). Se os anos 1950 e 1960 foram os da verticalização do setor têxtil, os anos 1970 podem ser considerados o período da expansão (para o Nordeste, Paraná e São Paulo), enquanto os anos 1980 foram os da diversificação e ampliação para o mercado externo e os anos 1990 os da desverticalização e retração. Artex, Teka e Hering são as estrelas desse processo. A indústria de calçados definiu o perfil de cidades como Sombrio, Araranguá, São João Batista e Nova Trento. Foi praticamente uma influência do setor calçadista do Vale do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul, centralizado em Novo Hamburgo. No Oeste catarinense, foi a indústria de alimentos que definiu o caráter dos municípios da região. Houve um crescimento veloz e uma industrialização da agricultura. A modernização da agricultura brasileira deveu-se à industrialização pesada pós-1955 e às políticas de créditos e subsídios liberados pelo Estado. Sadia, Perdigão, Ceval, Coopercentral, Chapecó, Aurora e Macedo brilham nesse cenário dinâmico. O município de Chapecó é a estrela principal de um impulso gerador de emprego e renda. DNA INDUSTRIAL Com uma vocação que remonta aos pioneiros imigrantes, Joinville tem sua herança genética originada na indústria. Alguns segmentos são parte da identidade da cidade e um dos mais caraterísticos é a indústria de plásticos, comandada pela produção de tubos e conexões de PVC. Nascida da aquisição, em 1941, de uma fábrica de pentes feitos de chifres, nos anos 50 a Tigre ingressou no universo do PVC para nas décadas seguintes se consolidar como líder nacional e potência mundial do setor.

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Uma saga de 200 anos Alemães fundam Blumenau e Joinville.

1748 Começam a chegar os açorianos, que introduzem os primeiros engenhos de farinha.

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1850/51

Filhos de imigrantes italianos vêm do Rio Grande do Sul para o Oeste de Santa Catarina e dão forte impulso à agroindústria.

Estrada liga Joinville ao interior e transforma cidade em importante entreposto comercial.

1856

1873

Surge a primeira indústria moderna: a Serraria do Príncipe, em Joinville, com serra movida a vapor.

Ferrovia Tereza Cristina passa a levar o carvão de Criciúma aos portos.

1880

1884

Surge a primeira indústria têxtil em Blumenau.

1907

Santa Catarina conta com 2.646 empresas, mais que o triplo das 791 de 20 anos antes.

Ferrovia São Paulo-Rio Grande (RS) permite acesso ao Oeste catarinense.

1910

Empresários de Blumenau e Joinville inauguram as primeiras usinas hidrelétricas do Estado.

1920

1930

1940

Surgem dezenas de empresas entre as duas Guerras Mundiais e várias tornam-se líderes nacionais.

Presidente Dutra cria SESI Nacional.

1942

Presidente Getulio Vargas cria o SENAI Nacional.

1946


Liderança articulada

Guilherme Renaux, vice-presidente de Celso Ramos, assume a presidência da FIESC.

O industrial Celso Ramos é eleito presidente da FIESC.

Inauguração do Palácio da Indústria, sede da FIESC localizada na Rua Felipe Schmidt, na Capital.

Entra em operação o Departamento Regional do SESI/SC.

Fundação da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC).

1950

1951

Criação do SENAI/SC.

FIESC inicia o Seminário Socioeconômico, com questionários e eventos regionais, como em Brusque (foto), finalizado em 1960, na Capital, criando bases ao desevolvimento do Estado.

Guilherme Renaux é reeleito presidente da FIESC.

Celso Ramos é novamente eleito presidente da FIESC.

1952 1953 1954 1955 1956 1957 1958 1959 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966

CELSO RAMOS

GUILHERME RENAUX

Filho de Vidal Ramos Júnior e irmão de Nereu Ramos, dois dos mais influentes políticos catarinenses, Celso Ramos exerceu diferentes cargos públicos, como deputado estadual, superintendente de Lages, vice-governador e governador do Estado. Ao fundar a FIESC, em 1950, reforçou sua liderança entre os industriais, que o elegeram para presidir a entidade por 10 anos consecutivos. Em 1960, disputou com Irineu Bornhausen o governo do Estado, vencendo as eleições. Ao final do mandato, voltou à presidência da FIESC por alguns meses de 1966, quando foi eleito senador. Encerrou a vida pública em 1974. Faleceu aos 98 anos, em 1996.

Filho de um dos pioneiros da indústria catarinense, o cônsul Carlos Renaux, Guilherme Renaux nasceu em 1896 e testemunhou o desenvolvimento econômico do Estado ao longo do século XX. Foi um dos fundadores da FIESC em 1950 e assumiu a presidência da entidade em 1961, quando Celso Ramos licenciou-se para ocupar o governo do Estado. Eleito em 1962, permaneceu à frente da instituição até 1966. Formado em Agronomia, realizou pesquisas para o desenvolvimento de novas linhagens de algodão, que tiveram impacto direto na indústria têxtil. Foi membro do Conselho da Administração da Fábrica de 55 Tecidos Carlos Renaux até aposentar-se. Faleceu em 1981, aos 85 anos.

(Presidente entre 1950 e 1960)

(Presidente entre 1961 e 1966)


Federação em expansão A FIESC cria o Consórcio Catarinense de Exportação (Concatex), que propunha novas estratégias para ingresso no mercado internacional.

Bernardo Wolfgang Werner é eleito presidente da FIESC, cargo que exerceria por 15 anos.

Implantação do núcleo regional do Instituto Euvaldo Lodi (IEL/SC). Fundação do Centro das Indústrias de Santa Catarina (CIESC).

Carlos Cid Renaux é eleito presidente da FIESC.

1967

1968

1969

1970

FIESC propõe a criação da Secretaria Estadual de Indústria e Comércio, responsável pela formulação da política de desenvolvimento do setor produtivo. Federação, por meio do IEL/SC, firma importantes contratos de concessão de estágio com empresas como Tupy , Consul , Hering, Electro Aço Altona e Artex.

1971

1972

1973

1974

Aumento das exportações catarinenses graças a novas plantas industriais, parcerias tecnológicas e melhorias na infraestrutura.

1975

1976

Indústrias catarinen ses conquistam liderança nacional em segmentos como aves e suínos, tubos e conexões, cerâmi ca, refrigeradores, compressores e motores elétricos.

1977

1978

CARLOS CID RENAUX

BERNARDO WERNER

Nascido em Brusque, em 1920, Carlos Cid Renaux atuou como presidente dos Conselhos de Administração da Fábrica de Tecidos Carlos Renaux e das Indústrias Têxteis Renaux. Antes de chegar à presidência da FIESC, liderou diversas entidades representativas da classe empresarial, como o Sindicato do Comércio Varejista de Brusque e o Sindicato das Indústrias da Fiação e Tecelagem de Brusque e Itajaí. Eleito presidente da FIESC em 1968, focou o trabalho da Federação no crescimento das exportações catarinenses. Em 1995, foi condecorado pela CNI com a Ordem do Mérito Industrial. Faleceu em 2002.

Bernardo Wolfgang Werner foi o dirigente que mais tempo esteve à frente da FIESC: 15 anos. Nascido em Blumenau, em 1927, formou-se em Direito e Administração e trabalhou na Electro Aço Altona, empresa criada pelo pai, Paul Werner. Em 1954, ingressou na Câmara de Vereadores de Blumenau, onde liderou o movimento para criação da atual Universidade Regional de Blumenau (FURB). Com a morte do pai, em 1970, assumiu o cargo de diretor-superintendente da Altona. No ano seguinte, foi eleito presidente da FIESC, dando início ao período de maior expansão da Federação, com ampliação da rede física de SESI e SENAI, uma das grandes marcas de sua gestão. Faleceu em 2008, aos 81 anos.

(Presidente entre 1968 e 1971)

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Inauguradas escolas do SENAI em Itajaí e São Bento do Sul e começam as obras de centros de ensino em São José e Rio do Sul.

Crise internacional do petróleo abala política econômica calcada no investimento externo, prejudicando a indústria.

(Presidente entre 1971 e 1986)


No pleito mais disputado da história da FIESC, Milton Fett é eleito presidente.

Inauguração da nova sede da FIESC, no bairro Itacorubi, em Florianópolis.

Joinville chega a 235 mil habitantes, tornando-se a maior cidade catarinense.

1979

1980

Inauguração do Complexo Esportivo do SESI, um dos maiores centros poliesportivos da América Latina, em Blumenau.

A FIESC cria a Sociedade de Previdência Complementar do Sistema FIESC (Previsc).

Começa período de recessão, com queda do PIB de 3,1%. Entre 1981 e 1983 o declínio médio do PIB foi de 1,6%.

1981

1982

1983

1984

1985

1986

1987

Milton Fett é reeleito presidente da FIESC até 1992.

1989

1988

MILTON FETT

(Presidente entre 1986 e 1992) Empresário do setor madeireiro, Milton Fett liderava sindicatos patronais desde os anos 1950. Na década de 1960, foi diretor-tesoureiro da FIESC e representou Santa Catarina no Conselho Fiscal da Confederação Nacional da Indústria. Ocupou o cargo de primeiro vice-presidente ao longo dos 15 anos da gestão de Werner. Em 1986, elegeu-se presidente da Federação na eleição mais apertada da história da entidade, vencendo Otair Becker, da oposição, por apenas um voto de diferença. Na eleição seguinte, foi reconduzido ao cargo de forma praticamente unânime, terminando o mandato em 1992.

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Avanço e diversificação FIESC implanta Programa de Qualidade Ambiental na Indústria Catarinense, em parceria com a UFSC.

Osvaldo Douat assume a presidência da Federação, até 1999.

FIESC aprova novo estatuto e amplia a diretoria eleita de 24 para 42 cargos.

1990

Criação do Cento Internacional de Negócios (CIN). Primeira Missão Empresarial da FIESC: delegação vai à feira de Hannover, na Alemanha.

1991

1992

1994

1995

OSVALDO DOUAT

(Presidente entre 1992 e 1999)

58

Advogado e administrador de empresas, trocou o trabalho no Banco do Brasil, onde iniciou carreira em 1958, pelo comando das empresas da família em 1966. Nascido em Joinville, em 1939, foi vice-presidente da CNI, presidente da Celesc, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae/SC e representante da CNI na Comissão da ALCA. É representante de uma dinastia iniciada em 1874 pelo bisavô Etiene e seguida pelo avô Henrique e pelo pai, Arnaldo, com atuação empresarial e política.

1996

José Fernando Xavier Faraco é eleito presidente da FIESC.

Inauguração do Midiville, em Joinville, com apoio do IEL/SC, do SENAI/SC, da CNI e do BID.

Implantação em Santa Catarina do Prêmio Estadual de Incentivo à Qualidade e Produtividade.

IEL/SC cria o Softpolis.

1993

O SENAI/SC passa a atuar no ensino superior por meio da formação de tecnólogos.

SESI/SC implanta o Programa Lazer Ativo.

1997

1998

1999


Inovação em pauta Faraco é reeleito para o triênio 2002-2005.

SENAI/SC atinge 1 milhão de alunos matriculados.

FIESC propõe a criação do Fórum Sul de Energia. IEL/ SC e SENAI/SC promovem cursos e eventos para melhorar o aproveitamento de energia elétrica nas indústrias. FIESC firma parceria com o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social para difundir boas práticas e políticas responsáveis na gestão dos negócios junto ao empresariado catarinense.

2000

2001

FIESC realiza a primeira missão empresarial à China. Empresários e parlamentares do Fórum Industrial Parlamentar Sul elaboram estudo sobre a infraestrutura do Sul para apresentar a novos ministros.

2002

2003

É eleita a chapa única liderada por Alcantaro Corrêa, com Glauco José Côrte como primeiro vice-presidente.

2004

2005

JOSÉ FERNANDO XAVIER FARACO (Presidente entre 1999 e 2005)

Engenheiro de Telecomunicações, participou da estruturação dos setores de teleprocessamento do BESC, Celesc, Casan e Assembleia Legislativa, entre 1980 e 1987. Foi fundador e primeiro presidente da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate), entidade que consolidou a base empresarial da informática e das telecomunicações do Estado. Fundou o Grupo Empresarial em Tecnologias Avançadas, que compreende cinco empresas, sendo a Dígitro Tecnologia a maior delas. Foi primeiro vice-presidente durante toda a gestão de Osvaldo Douat. Eleito em uma chapa única, de consenso, Faraco focou a atuação da FIESC no incentivo à inovação e ao investimento em pesquisa e desenvolvimento como fator de competitividade.

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Entidade engajada Alcantaro Corrêa é eleito vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Federação promove missões para a cooperação econômica e o intercâmbio comercial entre empresas catarinenses e italianas.

FIESC lidera o Conselho das Federações Empresariais de Santa Catarina (Cofem) para barrar o aumento do ICMS.

Federação promove a campanha contra a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

Federação promove o Encontro Desenvolvimento Sustentável, nos municípios de Chapecó, Lages, Joinville, Criciúma, Florianópolis e Blumenau. Lançamento do Programa Mercado de Carbono, concebido pela FIESC em parceria com a CNI e com apoio do SENAI/SC.

FIESC organiza o Encontro Econômico Brasil-Alemanha 2007, em Blumenau.

FIESC elabora proposta de mudança na legislação para aumentar a participação catarinense nos royalties do Pré-Sal. FIESC apoia a reconstrução das regiões atingidas pela enchente de novembro.

FIESC assegura, junto à Petrobras, o cumprimento dos contratos de fornecimento de gás natural às indústrias do Estado.

Federação elabora o documento “Pacto Federativo como Instrumento do Desenvolvimento Sustentável”.

SENAI/SC firma parceria com o Instituto Fraunhofer, de Dortmund, na Alemanha, para transferência de conhecimento na área de logística.

2005

2006

2007

Alcantaro Corrêa é reeleito presidente da FIESC.

2008

ALCANTARO CORRÊA

(Presidente entre 2005 e 2011)

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Nascido em Pomerode no ano de 1943, o industrial Alcantaro Corrêa formou-se em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atuando como presidente da Electro Aço Altona e diretor da Mineração Altona, da Werner Agricultura e da Bellevue Produtos em PVC, foi eleito para presidir a FIESC em 2005. Antes disso, havia ocupado o cargo de primeiro vice-presidente por dois mandatos (gestão Faraco) e presidente da Câmara para Assuntos de Transporte e Logística. Presidiu o SIMMMEB – Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e do Material Elétrico de Blumenau e foi membro do Conselho Deliberativo da Associação Comercial e Industrial de Blumenau (ACIB). Em 2008, foi reeleito presidente da FIESC, tendo Glauco José Côrte como vice. Além de ampliar a representatividade institucional da Federação, a gestão Corrêa focou sua atuação na sustentabilidade da indústria catarinense. Faleceu em 2014, num acidente de carro na BR-101, aos 71 anos.

Lançamento do FIESC Projeto de Implantacomemora ção e Estruturação 60 anos. do Arranjo Catarinense de Núcleos Lançamento do de Inovação projeto DesenTecnológica (PRONIT), volvimento SC – desenvolvido pelo uma visão da IEL/SC e outras 17 indústria. instituições. Alcantaro Corrêa assume a presidência do Conselho de Política Industrial e Desenvolvimento Tecnológico da CNI.

2009

2010


Reeleita a chapa formada por Glauco José Côrte e Mario Cezar de Aguiar.

Foco modernizador

A FIESC estrutura seu plano estratégico para o período 2015-2022, atualizando diretrizes das entidades e determinando projetos e metas.

FIESC intensifica ações do Movimento A Indústria pela Educação. Mais de 1,6 mil instituições aderiram ao Movimento, sendo 1,3 mil indústrias.

Glauco José Côrte é eleito presidente da FIESC, tendo como primeiro vice Mario Cezar de Aguiar. Reestruturação aprofunda a competitividade da FIESC. Estruturas ganham eficiência com a integração dos serviços corporativos.

As 21 Câmaras Setoriais e Comitês Temáticos geram informações para a ação política e formulam estratégias para o desenvolvimento industrial. Instalação de diversos Institutos de Inovação e de Tecnologia do SENAI/SC.

Consultorias do IEL/SC aplicam metodologia voltada a incorporar a inovação de forma permanente nas empresas.

O Programa de Desenvolvimento Industrial Catarinense (PDIC) é a base para a formulação de uma política industrial para o Estado e referência das ações da FIESC. Define prioridades e soluções para os Setores Portadores do Futuro.

2011

2012

É criada a Central de Serviços Compartilhados, padronizando o atendimento a todas as entidades, com 12 Núcleos Regionais. Adotando modelo praticado pelas indústrias em nível estratégico, o SESI/SC integra suas soluções em Programas de Gestão da Qualidade de Vida.

2013

GLAUCO JOSÉ CÔRTE

(Presidente entre 2011 e 2017) Glauco José Côrte nasceu em Timbó, em 1943. Empresário e bacharel em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina, possui diversas especializações por instituições como UFSC, FGV, American Graduate School of International Management (Arizona, EUA) e IMD (Lausanne, Suíça). Foi diretor Financeiro adjunto da Sotelca e da Eletrosul, diretor Financeiro e de Relações com o Mercado da Companhia Siderúrgica Nacional - CSN, vice-presidente executivo da Portobello, diretor da Portobello América (EUA) e presidiu o Conselho de Administração da Celesc no período de 2005 a 2010. É vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e presidente do seu Conselho Temático de Política Industrial e Desenvolvimento Tecnológico. Membro do Conselho Deliberativo da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e do Conselhos de Administração das empresas Portobello, Multilog e Pedra Branca.

O CIESC é reestruturado, com revisão no portfólio de produtos e parcerias, para oferecer serviços competitivos e de alto valor agregado, com ênfase ao comércio eletrônico nesta nova fase. Implantação do novo Modelo de Relacionamento com a Indústria.

2014

2015 FIESC comemora 65 anos.

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FORÇA MANTIDA Apesar dos nefastos efeitos registrados durante os anos 80, com um longo período de baixo crescimento econômico e a crise da dívida externa brasileira, alguns segmentos da indústria catarinense conseguiram driblar as dificuldades da chamada década perdida. Consolidada na liderança nacional nos anos 1970, a indústria cerâmica foi uma das que sofreu forte impacto mas teve fôlego para atravessar a turbulência. A manutenção de taxas constantes de inovação tecnológica e a diversificação da produção foram as ferramentas para continuar crescendo num cenário desfavorável.

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C A PÍTU LO

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Reações na Década Perdida

Os anos 1980, apesar das dificuldades da chamada década perdida, não significaram um revés para a totalidade da indústria catarinense. Houve reação por vários motivos apontados pelos pesquisadores. Os setores menos atingidos pela crise foram aqueles em que Santa Catarina se especializou. Eles conseguiram manter taxas constantes de inovação tecnológica, como no alimentício, cerâmico e de papel e celulose. Houve uma diversificação produtiva em municípios-polo em cada região, como é o caso de Criciúma, Jaraguá do Sul e Caçador. Muitas oportunidades foram aproveitadas, pois ainda havia espaço para a integração produtiva dentro do próprio Estado. Além disso, parte da produção foi deslocada para o mercado externo e os investimentos em infraestrutura promovidos pelo setor público dentro dos planos estaduais foram amadurecendo ao longo da década. Agências de fomento e programas de incentivos garantiam a continuidade dos investimentos, apoiando assim as finanças pró-industrialização.

A política cambial e protecionista do governo federal garantia as condições mínimas para enfrentar as dificuldades, dentro de um movimento de desconcentração regional iniciado em 1970 e que se estendeu até a metade da década de 1980. Quem contribuiu para essa desconcentração foi o II Plano Nacional de Desenvolvimento, também chamado II PND (1975 -1979), lançado no final de 1974 no governo do general Ernesto Geisel. O objetivo do plano era estimular a produção de insumos básicos, bens de capital, alimentos e energia. Foi uma resposta à crise econômica provocada pelo primeiro choque do petróleo, no fim do milagre econômico brasileiro, período de seis anos consecutivos com taxas de crescimento superiores a 10% ao ano. A década perdida exigia respostas, pois representou um longo período de baixo crescimento econômico provocado pela crise da dívida externa. Os Estados perderam a plena capacidade de formular políticas de desenvolvimento voltadas para os interesses nacionais. O Brasil mergulhou numa crise fiscal e financeira que se originava nas dívidas externa e interna. Pois a fase que tinha se iniciado nos anos 1930, com taxa média anual de crescimento de 7,5%, esgotou-se em 1980. Por falta de um capital financeiro forte do sistema bancário durante o crescimento, o padrão se apoiou em excesso nos recursos externos. Com a crise da dívida, voltou o problema de financiar o desenvolvimento com um forte capital financeiro nacional. A média de crescimento do PIB brasileiro nos anos 1980 foi baixa, de apenas 2,2% ao ano. Mas alguns Estados não participaram dessa queda, pois tiveram um desempenho bem acima da média

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nacional. Foi o caso de Santa Catarina, que girou em torno de 5,3%, mais Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Outros Estados também superaram a média, mas num patamar menor, como foi o caso de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Quem conseguiu articular uma reação positiva na década perdida? Os protagonistas, fortalecidos pela FIESC, podiam contar com o carvão, que foi beneficiado pela continuidade de uma política de proteção na segunda metade dos anos 1980. O setor cerâmico ficou ancorado no BNH até sua extinção em 1986 e o ritmo de produção manteve-se acelerado com a abertura de novas unidades fabris. Cecrisa e Eliane se integraram nacionalmente e incrementaram a inovação tecnológica. Calçados, matéria plástica e vestuário mantiveram o ritmo, principalmente na geração de emprego. No meio da década de 1980, o setor calçadista chegou a empregar 5.500 trabalhadores. No Oeste, o destaque foi a forte expansão dos grandes frigoríficos. No final dos anos 1980 o setor de carnes passou a ser responsável por 13 % das exportações catarinenses, num processo que vinha dos anos 1970. Na suinocultura, o número de integrados, os pequenos proprietários que produziam em rede para os frigoríficos, só começou a decrescer nos anos 1990. Além desses setores, os de madeira, têxtil e de papel e celulose aumentaram a produção, abrindo novas unidades fabris. O setor de bens de capital foi o mais prejudicado durante a crise dos anos 1980, época em que registrou nacionalmente uma retração de 26%. Algumas empresas fortes reagiram, como a Consul, Embraco e Busscar. E o impacto foi amenizado com o dinamismo da WEG em toda a região. Em Jaraguá do Sul, a diversificação de três segmentos nas áreas de eletrometalmecânica, alimentos e vestuário, liderados por grandes empresas, garantiu a expansão da renda dentro e fora dos limites do município, se estendendo a cidades próximas. No geral, algumas empresas retraíram e outras tiveram expansão. Os avanços foram garantidos principalmente pela exportação. Um parque industrial instalado que conseguiu encerrar o processo de substituição de importações não evitou – apesar das reações dos setores citados – os estragos da década perdida. A economia amargou um longo período de recessão a partir de 1981 e a crise se instalou em parte do setor indus-

PODER DE REAÇÃO Com uma retração de 26%, o setor de bens de capital foi um dos mais prejudicados no País durante os anos 80, marcados pela recessão econômica. As indústrias de bens de consumo durável enfrentaram o mesmo quadro de crise, contudo em Santa Catarina as mais fortes reagiram, caso de companhias como a Consul. Além da eletrometalmecânica, com o dinamismo da WEG e da Embraco (foto), segmentos como vestuário e alimentício buscaram a diversificação da produção e a obtenção de resultados positivos com as exportações.

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MAIOR ABRANGÊNCIA Eleito em 1986 por apenas um voto de diferença, na eleição à presidência mais disputada da história da FIESC, Milton Fett inaugurou naquele mesmo ano o Centro de Atendimento ao Trabalhador (CAT) de Criciúma (acima). Era a manutenção do trabalho iniciado na gestão de seu antecessor, Bernardo Werner, de consolidação da presença do SESI/SC por todo o Estado. Nos anos 80, num período de 10 anos foram inaugurados 11 desses Centros, como o de São José (à esquerda). Com uma política conciliatória e de unificação dos sindicatos e entidades da Federação, e ações para modernização do parque industrial e ampliação das ações do SESI e do SENAI, Fett foi reeleito de forma praticamente unânime em 1989.

ESPAÇO E ESTRUTURA Em 1981 teve início a construção da nova sede da Federação, no ainda pouco habitado bairro Itacorubi, em Florianópolis. As novas instalações foram inauguradas no dia 23 de novembro de 1983, suprindo a necessidade de espaço físico adequado para acompanhar o crescimento das atividades da FIESC e abrigar as entidades vinculadas à Federação: SESI/SC, SENAI/SC, CIESC e IEL/SC.

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trial. Pela primeira vez desde 1947, quando os indicadores do PIB começaram a ser estabelecidos, o resultado em 1981 foi negativo, registrando queda de 3,1%. Nos três anos mais problemáticos – entre 1981 e 1983 –, o PIB teve um declínio médio de 1,6%. Os setores mais atingidos foram as indústrias de bens de consumo durável e de capital, concentradas nas áreas mais urbanizadas do País. O desemprego provocado pela crise adensou os desníveis sociais criados pelo processo de desenvolvimento econômico e inflação ascendente. Em 1980, o índice anual de inflação chegou a 110,2%. A economia nacional passava por um período de estagnação econômica e altos índices inflacionários. Começaram a surgir greves no ABC paulista, a região de maior concentração industrial do Brasil, anunciando uma situação potencialmente explosiva. Em 1980, a chegada de Albano Franco à presidência da CNI fortaleceu o papel da instituição, bem como de SESI, SENAI e IEL. A filosofia de atuação do SESI tornou-se ainda mais abrangente, evoluindo da assistência para a promoção social em sentido amplo. Em Santa Catarina, a década de 1980 marcou a consolidação da presença física regional do SESI/SC com os diferentes serviços de saúde, educação e alimentação oferecidos pela entidade. Em 10 anos, foram construídos e inaugurados em Santa Catarina 11 Centros de Atendimento ao Trabalhador (CATs), que concentravam os serviços do SESI/SC, em Itajaí, Joaçaba, Chapecó, Florianópolis, Criciúma, Rio do Sul, Lauro Müller, Lages, Porto União, Concórdia e Videira. Os CATs eram estruturas construídas pela entidade para reunir os serviços oferecidos em determinado município. Em 1981, foi iniciado o projeto de construção da nova sede da FIESC, localizada no Bairro Itacorubi, em Florianópolis, e inaugurada em 23 de novembro de 1983. Nessa época, a indústria catarinense gerava 270 mil postos de trabalho, num Estado de 4 milhões de habitantes. Na década de 1980 o Brasil passava por intensas mudanças políticas, marcadas pela transição do regime ditatorial para o democrático. Com a morte do presidente eleito por via indireta, Tancredo Neves, em 21 de abril de 1985, o vice-presidente da chapa eleita, José Sarney, assumiu o cargo. Nesse ano, o quadro econômico brasileiro era menos grave do que em anos anteriores, pois o grande impulso das exportações permitira uma reação. O saldo da balança comercial de 1985 foi de US$ 13,1 bilhões, o que possibilitou o pagamento dos juros da dívida. Além disso, o Brasil acumulava reservas da ordem de R$ 9 bilhões no fim de 1984. Mas o problema das dívidas externa e interna persistia, assim como o da inflação, que chegou ao nível dramático de 235,5%. A FIESC também passava por um período de transição. Em 1986, o industrial Milton Fett venceu por apenas um voto de diferença a eleição para a diretoria da Federação. Foi a eleição mais disputada da história da FIESC. A vitória apertadíssima gerou novos debates sobre a atuação da instituição em meio à crise econômica, bem como sua inserção em novos tempos democráticos. Liderados por Fett, empresários formaram uma comitiva para interagir com a bancada catarinense em Brasília e o grupo de parlamentares ligado à indústria. Como ponto principal da pauta dos industriais estava a formatação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), criado pela Constituição. Após a disputa acirrada pela diretoria, o presidente eleito buscou uma política conciliatória para a FIESC, a fim de unificar sindicatos e as entidades da Federação. Além da unificação, a gestão de Fett previa mais modernização do parque industrial, ampliação das ações do SESI e do SENAI e o remodelamento da estrutura organizacional da Federação, incluindo um plano de interiorização e descentralização administrativa.

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Foram criadas comissões especiais e setoriais permanentes nas áreas de política sindical, política industrial, assuntos energéticos, política de emprego e salário, além de apoio a micro, pequenas e médias empresas. Essas comissões foram os embriões das atuais câmaras especializadas. Para facilitar a gestão da FIESC, a administração era conduzida pelo gabinete da presidência e uma chefia executiva. As áreas administrativa e financeira foram modernizadas e o Departamento Jurídico ampliado, bem como o Centro de Assistência à Média e à Pequena Indústria. A reforma organizacional também contemplou a criação do Setor Econômico e Estatístico e da Assessoria para Assuntos Florestais e do Meio Ambiente – um tema cada vez mais recorrente entre empresas e consumidores do mundo todo. A Federação elaborou e encaminhou ao governo federal projetos voltados à tecnologia, entre eles a criação do Núcleo Regional de Informatização Tecnológica Industrial de Santa Catarina e o Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial do Estado. Em sintonia com as novas demandas, a reestruturação da FIESC incluiu a criação do Departamento Econômico e de Comércio Exterior, com ênfase no Mercosul. A oferta de produtos para o mercado externo tornou-se ainda mais diversificada, e com maior valor agregado, incluindo itens como motocompressores, papel Kraft, pisos e azulejos, materiais elétricos, refrigeradores e calçados. O salto foi grande: no início dos anos 1970, as exportações catarinenses representavam menos de 2% do total nacional e 25% dos produtos eram industrializados. No início dos anos 1990, elas equivaliam a quase 6% do total nacional, sendo que 70% dos produtos eram industrializados ou semi-industrializados. Santa Catarina passaria, assim, da oitava para a quinta posição no ranking das exportações brasileiras. Intensificando o clima pesado da crise econômica, quase todo o Estado catarinense sofreu com enchentes entre os meses de julho e agosto de 1983, que atingiram tanto as áreas mais industrializadas quanto as agrícolas. Beneficiada pela capilaridade de suas entidades, a FIESC contribuiu com os trabalhos de assistência aos atingidos.

SALTO EXPORTADOR Para acompanhar a mobilização da indústria estadual para alteração da matriz exportadora, a FIESC, em seu processo reestruturador implementado nos anos 80, criou o Departamento Econômico e de Comércio Exterior, com ênfase no Mercosul. A diversificação da oferta de produtos aos mercados externos foi uma das estratégias, além da inclusão de itens de maior valor agregado. A via exportadora representou um significativo salto para a indústria do Estado. De menos de 2% do total nacional no início dos anos 1970, as exportações catarinenses passaram a representar no início da década de 90 quase 6% do total exportado pelo Brasil. Dessa forma, Santa Catarina passou da oitava para a quinta colocação no ranking nacional de comércio exterior.

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Em 1984, o SENAI completou 30 anos em Santa Catarina. Em três décadas de história, 316.149 trabalhadores haviam passado pela entidade. Isso significava que de cada 100 colaboradores, 70 tiveram algum relacionamento com a instituição. Na segunda metade da década de 1980, os programas desenvolvidos pelo SESI e pelo SENAI foram remodelados para atender a novas necessidades dos trabalhadores da indústria catarinense. No ano de 1986, o Programa de Aprendizagem Metódica do SENAI, que era realizado no local de trabalho dos operários, foi implantado em todas as regiões do Estado, de modo que 80 setores de aprendizagem foram desenvolvidos pelo Programa em 16 municípios. Ações regionais estratégicas também se destacavam. Em Blumenau, por exemplo, devido à importância do setor têxtil para a região, o SENAI promoveu, em 1986, o 1º Congresso Nacional de Tecnologia da Confecção (Contec). Um dos principais resultados do encontro foi a elaboração do projeto para a implantação da Escola Técnica Têxtil de Blumenau. No final daquele ano, o SENAI firmou parceria com a Carbonífera Próspera S/A, de Criciúma, assumindo as instalações do Centro de Formação Profissional de Capivari, em Tubarão. Em outra frente, o SESI/SC investia em ações voltadas ao bem-estar da comunidade industrial, refletidas na expansão da infraestrutura. No ano de 1986 estava em andamento a obra do ginásio de esportes da entidade em Joinville, que iria ampliar em 25% o atendimento de lazer na cidade, beneficiando cerca de 1.800 pessoas por mês. Mas foi em Blumenau que a FIESC inaugurou uma das mais importantes obras do período: o Complexo Esportivo do SESI, considerado um dos maiores centros poliesportivos da América Latina. Inaugurado em 1986, o Complexo foi instalado em uma área de 378 mil metros quadrados, dos quais 26 mil são de área construída. Trabalhadores da indústria e a comunidade passaram a ser beneficiados pelo espaço, que conta com quadras poliesportivas, campos de futebol, piscinas, canchas de bocha, pistas de bolão, auditórios e academia esportiva. Além da expansão física, o SESI/SC lançou naquele ano o serviço de Unidades Móveis Odontológicas, a fim de prestar atendimento àqueles que não pudessem se deslocar até suas unidades fixas. Ao todo, 29 unidades móveis começaram a circular no Estado.

ÁGUAS DA CRISE Além da conjuntura econômica que marcou o período e causou grandes estragos à atividade industrial catarinense, o Estado também sofreu com as chuvas e consequentes enchentes que atingiram Santa Catarina nos anos 1980. A mais grave cheia ocorreu em 1983, com enormes prejuízos em cidades como Blumenau (foto), deixando muitos flagelados e afetando as atividades de diversas indústrias. Várias estruturas da FIESC foram atingidas, como a unidade de treinamento do SENAI de Rio do Sul, totalmente encoberta pelas águas e que precisou ser reconstruída. Mesmo diante das dificuldades, a estrutura da Federação contribuiu na assistência aos atingidos, abrigando flagelados e ajudando a reconstruir casas e a recuperar equipamentos das indústrias.

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Em todo o Brasil, o ano de 1986 foi marcado por grandes crises de abastecimento de gêneros alimentícios. Apesar dessa dificuldade, o SESI/SC manteve um bom desempenho na sua rede, que vinha registrando grande crescimento desde a década anterior. Em 1980, 3 milhões de pessoas foram beneficiadas pelo serviço. Como outras áreas ligadas à FIESC, os supermercados tiveram grande expansão na segunda metade da década. Em 1988, foram inauguradas cinco novas lojas, além da Central de Abastecimento localizada em São José. O objetivo era centralizar o setor de compras e a administração da rede de supermercados, visando à redução de custos e à oferta de produtos com preços mais acessíveis. A nova unidade era dotada das mais avançadas tecnologias de armazenagem, em um prédio de 7,5 mil metros quadrados de área construída. Os processos de controle de estoque, alteração de preços e demais rotinas administrativas e contábeis eram totalmente informatizados. As dificuldades conjunturais da década também atingiram as farmácias, que enfrentaram problemas devido ao congelamento de preços dos medicamentos determinado pelo governo. Mesmo assim, o plano de instalação de novas farmácias e a modernização das já existentes continuou. Em 1988 a rede era formada por 46 farmácias, pelas quais passavam cerca de 2 milhões de pessoas por ano. Em 1987, a FIESC criou, de forma pioneira no País, a Sociedade de Previdência Complementar do Sistema FIESC (Previsc). O objetivo da Previsc era administrar o plano de previdência complementar dos funcionários da Federação, do SESI, do SENAI e do IEL – que na época tinham dificuldades para se aposentar devido à grande diferença de rendimento entre ativos e inativos. Em 1991, a Previsc se tornaria independente da FIESC, administrando planos de previdência para outras organizações. Apesar das dificuldades impostas pelo cenário econômico, na década de 1980 o SENAI/SC manteve sua estrutura e a sua qualidade de ensino. Em 1988, 32.746 trabalhadores ou candidatos a emprego na indústria catarinense foram matriculados em cursos oferecidos pelo SENAI/SC. Nos cursos oferecidos pelas indústrias sob a assistência técnica do SENAI, matricularam-se 23.614 colaboradores. Desses 56.360 matriculados nas duas modalidades, 91,3% concluíram seus cursos.

BEM-ESTAR E CUIDADO Investimentos em ações para a ampliação do atendimento prestado à comunidade industrial e a expansão da estrutura marcaram o ano de 1986, com obras como o ginásio de esportes em Joinville e o Complexo Esportivo do SESI, em Blumenau. No mesmo ano, o atendimento odontológico também teve expansão física e foram implantadas 29 Unidades Odontológicas Móveis no Estado.

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O esforço da entidade em prol da profissionalização era cada vez mais reconhecido pelo setor. Em uma pesquisa nacional, Santa Catarina ganhou destaque como o Estado com a melhor relação entre o SENAI e a indústria. Atuando nas áreas de serviço social, cooperação e assistência, educação, lazer, saúde, assistência farmacêutica e alimentar, o SESI/SC de 1988 estava presente em 71 municípios catarinenses, com 120 unidades operacionais. Naquele ano, com a implantação de novos centros de atividades, laboratórios, unidades móveis de atendimento médico e odontológico, ginásios esportivos, farmácias e supermercados, o SESI/SC totalizou 22,9 mil metros quadrados de área construída. Na mesma época, a FIESC decidiu retomar as ações para estreitar a interação entre a indústria e as instituições de ensino. A atuação do IEL/SC foi ampliada e ele passou a assessorar a FIESC na interação da atividade econômica e social com a atividade educacional superior e de segundo grau, por meio de programas de formação profissional, promoção cultural e desenvolvimento tecnológico. A transferência de conhecimento integrava uma estratégia maior para a conquista de mercados pela indústria de Santa Catarina. Naquela época, a falta de uma política industrial bem definida dificultava a fidelização de clientes e o aumento das exportações. Era preciso ganhar qualidade ABASTECIMENTO GARANTIDO Mesmo num período marcado por sucessivas crises de abastecimento e alternância entre remarcação desenfreada e congelamentos de preços, a rede de supermercados do SESI/SC manteve nos anos 80 o bom desempenho e o ritmo de crescimento registrado desde a década anterior. Oferecendo produtos a preços mais acessíveis, eles tiveram grande expansão na segunda metade da década, sendo inauguradas em 1988 cinco novas lojas, além da Central de Abastecimento em São José. Já para a rede de farmácias, mesmo com problemas provocados pelo congelamento de preços dos medicamentos, foi mantido o plano de instalação de novas unidades e de modernização da rede, com média de atendimento de 2 milhões de pessoas por ano.

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e eficiência, preparando o setor para os desafios da década seguinte. Com a missão de ajudar a indústria a superar esse e outros obstáculos, Milton Fett foi reeleito presidente da FIESC até 1992. O final dos anos 80 foi marcado pela eleição de Fernando Collor de Mello para a presidência da República. Em um encontro com industriais catarinenses, o então candidato detalhou os planos de seu governo para o comércio exterior. Os dois pontos principais eram a liberalização do câmbio em médio prazo e uma política liberal também na área de importações, com revisão total das tarifas. A maioria dos industriais aprovou esses planos, vendo neles a oportunidade de menos burocracia e mais ação, já que a intervenção do governo no comércio exterior parecia excessiva. Tão logo assumiu a presidência, Collor anunciou um plano econômico radical que bloqueou por 18 meses todos os depósitos bancários existentes, permitindo apenas saques até um limite de 50 mil cruzeiros (cerca de R$ 15 mil atuais). O plano estabelecia também o congelamento de preços, o corte de despesas públicas e a elevação de alguns impostos. E assim os planos aprovados pelos empresários à época da eleição mostravam outra face, que causaria enormes transtornos à indústria nos anos seguintes. As lições que ficam dessa época serviram de base para enfrentar os desafios intensos que se manifestaram a partir da década de 1990.

MANUTENÇÃO DA QUALIDADE A preservação da excelência no ensino e da estrutura de atendimento que caracterizam o SENAI desde sua origem até hoje foi uma diretriz reafirmada durante os anos 80, num cenário econômico desfavorável. Ao final daquela década, o número de matrículas superava os 56 mil, nos cursos oferecidos pela própria instituição e nas empresas, com índice de conclusão superior a 91%.

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NOVOS RUMOS E DESAFIOS Os anos 1990 marcaram o estabelecimento de uma nova ordem política e econômica mundial, com ampla integração internacional e abertura de mercados. Em Santa Catarina, o novo cenário do início da década, com queda de alíquotas de importação, invasão de importados, redução nas exportações e sobrevalorização cambial, causou baixas e impôs desafios às empresas. Na década em que se disseminaram conceitos como globalização e sustentabilidade, setores precisaram se reestruturar e novamente a inovação foi chave para a inserção em novos mercados. No setor eletrometalmecânico catarinense, o desenvolvimento de novas tecnologias foi fundamental e assegurou forte expansão externa. Caso da Embraco e seus inovadores compressores para refrigeração, que reduziram em 50% o consumo de energia das geladeiras e consolidaram a companhia como uma das principais multinacionais no Estado e líder mundial.

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C A PÍTU LO

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Anos 1990: A Globalização Muda Tudo

Empreender, diversificar, ampliar mercado, buscar o equilíbrio social, manter o rumo do desenvolvimento, enfrentar os obstáculos econômicos de dentro e de fora do País, liderar, inovar e preservar o meio ambiente são desafios que a indústria catarinense, porção importante do universo fabril nacional, enfrentou em décadas de conquistas. Mas o mais importante estava por vir: ter de se reciclar radicalmente para se adaptar aos novos tempos da globalização e das transformações corporativas e econômicas da década de 1990 e do início do novo século. Foi quando a atividade da FIESC precisou aprofundar sua missão e colocar-se na vanguarda de um processo transformador.

Essa fase de mudanças radicais é fruto de um cenário submisso aos ditames da economia mundial. De 1930 a 1970 era possível para os Estados nacionais criar políticas de industrialização, graças aos efeitos do Acordo de Bretton Woods, firmado no pós-guerra e que permitia essa autonomia. Mas esse ciclo foi encerrado em agosto de 1971, numa reunião em Camp David, nos Estados Unidos. O fim da paridade ouro-dólar, provocada pelo déficit do balanço de pagamentos norte-americano e pelo financiamento da Guerra do Vietnã, entre outros motivos, inaugurou uma nova etapa nas finanças internacionais. Os mercados financeiros entraram numa instabilidade crônica, reduzindo o poder de intervenção estatal. O novo condutor da ordem econômica era o mercado. O endividamento externo tinha dado uma sobrevida à situação anterior. Um exemplo importante é que o II PND foi financiado por recursos do estrangeiro. Quando o FED – Federal Reserve, o Banco Central norte-americano, elevou as taxas de juros e houve a sobrevalorização do dólar, o endividamento externo tornou-se um entrave para os Estados brasileiros formularem novas políticas de desenvolvimento. A solução foi adaptar-se por meio da inovação e da conquista de mercados fora do País. As consequências do novo cenário para a economia catarinense são conhecidas: redução das atividades estatais, reestruturação da indústria cerâmica, o desmonte parcial do complexo carbonífero, a reestruturação patrimonial no complexo eletrometalmecânico, a desverticalização e retração dos segmentos têxtil-vestuário e de calçados e a desnacionalização no complexo agropecuário.

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O setor cerâmico sofreu os efeitos da recessão do início da década, com muitos pedidos de concordata, reduções na produção e fechamento de empresas. A recuperação começou no início do Plano Real, em 1994, implantado na presidência de Itamar Franco, que substituiu Fernando Collor, obrigado a renunciar para evitar o impeachment. Foi quando a modernização no parque fabril e o crescimento industrial levaram a uma melhora expressiva na produtividade. Em 1980, com 8 mil trabalhadores, as cerâmicas catarinenses produziram 24,5 milhões de metros quadrados de revestimentos cerâmicos. Em 1998, com 7,8 mil trabalhadores, a produção saltou para 116,2 milhões de metros quadrados. Novas tecnologias reduziram o tempo de queima de 15 horas para 20 minutos, triplicando as exportações, que no final dos anos 1990 já representavam 43,8% do total nacional. O complexo carbonífero chegou ao fim de um longo ciclo de expansão em 1990, quando o governo Fernando Collor liberou a importação do carvão metalúrgico e desobrigou as siderúrgicas estatais de comprar o carvão nacional. Os níveis de produção e emprego voltaram ao período pré-1973, e a saída para o carvão catarinense foi manter a oferta de energético, destinada ao Complexo Termelétrico Jorge Lacerda. O setor eletrometalmecânico passou por uma reestruturação patrimonial e começou a desempenhar papel relevante no mercado internacional. A Tupy vendeu as unidades do setor de perfis para a Tigre, de isolamento térmico para a Sabroe e de tubos e conexões em PVC para a Fortilit. Mais tarde, a Tupy viria a responder por 70% do mercado nacional de peças para os sistemas de motor e de freio. No setor de compressores para refrigeração, novas tecnologias reduziram o consumo de energia elétrica das geladeiras em 50%, o que tornou a Embraco uma das principais multinacionais no Estado e a líder do setor no mundo. O complexo têxtil-vestuário foi o setor mais atingido em Santa Catarina com o processo de abertura comercial. A redução das alíquotas de importação de 105% em 1990 para 20% em 1993 e a sobrevalorização cambial levaram a uma invasão de produtos estrangeiros, provocando uma queda nas exportações catarinenses no setor de US$ 423,6 milhões em 1993 para US$ 258,7 milhões em 1999. Para reduzir custos, partes do processo produtivo foram terceirizadas, distribuídas entre micro e pequenas empresas recém-criadas.

INVASÃO E READEQUAÇÃO Segmento mais atingido pela abertura comercial e invasão de produtos importados, o complexo têxtil-vestuário catarinense viveu um de seus maiores desafios na década de 1990. As exportações do setor despencaram quase 40% de 1993 para 1999 e as empresas precisaram se reinventar. Uma das estratégias para reduzir custos foi a terceirização de partes da produção.

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No setor de calçados, a sobrevalorização cambial escancarou as portas do mercado brasileiro para os calçados do sudoeste asiático e da China, e o nível de produção catarinense em 1999 voltou aos padrões da segunda metade dos anos 1960. De 1993 a 1999, as exportações catarinenses de calçados caíram 66,1%. O parque industrial do Sul catarinense foi fortemente abalado, somando a crise na indústria de calçados, a reestruturação produtiva no setor cerâmico e a redução do crescimento no complexo têxtil-vestuário. O que manteve a região nos eixos durante o período de turbulência foi a expansão do setor químico em formação. Com a abertura econômica, a estabilização da economia e as mudanças no padrão de consumo, a agroindústria catarinense entrou em um novo patamar de competitividade. Novas tecnologias, rações e linhagens de frangos e suínos fizeram o consumo interno e as exportações mais que duplicarem. Devido às novas técnicas e ao aumento da presença de multinacionais no setor, houve, no entanto, uma redução no número de suinocultores e readaptação dos avicultores. O número de produtores integrados de Aurora, Sadia, Perdigão e Frigorífico Chapecó registrou uma queda geral na década. Para garantir o bom desempenho de Santa Catarina, as novas estratégias de gestão priorizaram investimentos em tecnologia e inovação e revolucionaram as relações de trabalho com a aposta na terceirização. O processo que começou como uma reação à ameaça da concorrência estrangeira resultou em um salto de qualidade e produtividade na indústria catarinense. A FIESC acompanhou o ritmo das mudanças para que a indústria de Santa Catarina se adaptasse aos novos tempos, pautados pela presença poderosa de uma nova ferramenta, a internet, inaugurando o que em pouco tempo seria reconhecido como Era da Informação. O Brasil passara pelas amargas lições de sucessivos planos econômicos e muitos setores sofriam a estagnação econômica e uma taxa de inflação descontrolada, que se manteve superior a três dígitos nos primeiros cinco anos da década e atingiu 2.708,17% em 1993. Um processo agressivo

AMEAÇA ORIENTAL A invasão dos produtos do sudoeste asiático e da China representou um forte impacto ao setor calçadista catarinense, com redução de 61% nas exportações de 1993 a 1999. O segmento, que conta com cursos de formação do SENAI/SC (foto), precisou readequar estratégias, custos e estruturas e diversificar a produção para enfrentar a nova realidade. FÓRMULA DA RECUPERAÇÃO Com os estragos causados à indústria catarinense pelas mudanças da economia global, com perda de competitividade acentuada pelas turbulências na política cambial, uma das alternativas buscada pelas companhias foi investir em pesquisa e inovação. A FIESC se engajou a esse esforço, ampliando e diversificando cursos oferecidos pelo SENAI/SC.

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NOVO PATAMAR Na segunda metade da década de 90, com a estabilização da economia, a agroindústria catarinense inaugurou uma nova fase de competitividade. Foram introduzidas novas tecnologias, rações e linhagens de frangos e suínos, possibilitando produtos de maior valor agregado e levando as vendas internas e externas a mais que duplicar no período.

VOLTA POR CIMA Abalado pelos efeitos da recessão econômica no início dos anos 90, o setor cerâmico catarinense enfrentou muitos pedidos de concordata, redução na produção e fechamento de empresas. Com a implantação do Plano Real, em 1994, e a estabilização da economia, o segmento deu início ao processo de recuperação. Os carroschefes desse processo foram a modernização do parque fabril e a introdução de novas tecnologias, como as que possibilitaram a redução do tempo de queima das peças cerâmicas de 15 horas para 20 minutos. Houve um salto da produtividade, que mais que quadruplicou em relação à década anterior. Já as exportações triplicaram e no final da década representavam 43,8% do total nacional.

ACIMA DA MÉDIA Juros altos e lento desempenho exportador reverteram o crescimento apresentado pela economia brasileira no início do Plano Real, impactando a indústria. Visando a atrair capital externo e a sustentar a estabilidade da moeda, a alta cambial escancarou o mercado e deixou a balança comercial deficitária. Enfrentar a concorrência estrangeira no quintal de casa exigia que as empresas brasileiras adotassem padrões internacionais. Para ajudar nessa inserção no mundo globalizado, a FIESC ampliou a representação empresarial, desenvolveu programas de educação e formação tecnológica e ações para melhoria da qualidade de vida do trabalhador. Com a rápida reação, a economia catarinense ficou acima da média nacional, com crescimento da produção industrial de 1992 a 1997 de 26,2%, contra 16,8% do País. Na indústria de transformação o número de empresas quase dobrou de 1990 a 2000. E as exportações foram destaque, duplicando nos anos 90, mantendo a balança positiva e levando o Estado de oitavo a sexto no ranking nacional.

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de abertura da economia foi desencadeado na curta presidência de Fernando Collor de Mello. Entre 1989 e 1996, a tarifa média do imposto de importação caiu de 78% para 12,6%. Na outra ponta, reservas de mercado foram eliminadas e os estímulos à exportação reduzidos. Collor saiu de cena política, mas o processo de abertura econômica iniciado por ele foi mantido na gestão de Itamar Franco, que assumiu a presidência no final de 1992, e nos oito anos do governo de Fernando Henrique Cardoso, a partir de 1994. Os investimentos estrangeiros diretos saltaram de praticamente zero em 1991 para US$ 7,3 bilhões em 1994. O processo de privatização de empresas estatais no setor da indústria pesada e nos serviços públicos, iniciado em 1990 com o Programa Nacional de Desestatização (PND), foi responsável por cerca de 25% dos US$ 17,3 bilhões anuais dos investimentos externos no País entre 1996 e 1998. A inflação foi controlada na época com o Plano Real. Nos dois primeiros anos da nova moeda, a economia cresceu 5,9% em 1994 e 4,2% em 1995, graças à estabilização de preços. O melhor desempenho foi registrado na indústria: o aumento anual na produção alcançou 9,7% em junho de 1995. As altas taxas de juros e o lento desempenho nas exportações, no entanto, acabaram por desacelerar o crescimento, impactando principalmente a própria indústria de transformação. Os juros eram mantidos altos para atrair capital externo e sustentar a estabilidade da moeda, o que levava a uma abertura cada vez maior da economia brasileira. Embora servisse para controlar a inflação, a valorização cambial provocou uma deterioração da balança comercial, que, depois de mais de 10 anos de superávit, passou a ser deficitária de 1995 até o abandono da âncora cambial, quatro anos mais tarde. Com o enfraquecimento de barreiras geográficas e alfandegárias, as empresas precisaram adotar padrões internacionais para enfrentar a concorrência estrangeira no quintal de casa. E era preciso fazer isso suportando uma carga tributária que aumentou 10 pontos percentuais ao longo da década, enquanto os incentivos à importação eram cada vez mais generosos. Muitas indústrias sucumbiram. As que sobreviveram e conseguiram se adaptar rapidamente à nova realidade ficaram mais fortes e levaram a indústria nacional a um novo patamar. Santa Catarina foi um exemplo. Embora tenha sentido os efeitos negativos da abertura de mercados, a economia catarinense reagiu rápido às mudanças e mostrou resultados acima da média nacional. A produção industrial catarinense teve o melhor desempenho do País entre 1992 e 1997, com crescimento acumulado de 26,2%, bem acima da média brasileira de 16,8%. O número de empresas do setor na indústria de transformação quase dobrou entre 1990 e 2000, passando de 11.857 para 20.011. Enquanto a balança comercial brasileira registrou déficits contínuos de 1995 a 2000, o saldo da balança comercial catarinense nunca foi negativo. As exportações duplicaram nos anos 1990, fazendo Santa Catarina subir da oitava para a sexta posição no ranking dos Estados com maior participação nas exportações nacionais. Em relação ao crescimento do PIB, enquanto a média nacional ao longo da década foi de 1,7%, Santa Catarina cresceu mais do que o dobro (3,5%). Para enfrentar os anos 1990, a FIESC adotou uma estrutura mais densa, aprovou seu novo estatuto e ampliou a diretoria eleita de 24 para 42 cargos, incluindo presidente, vice-presidentes regionais e setoriais, além de diretores. Em 1992, Osvaldo Moreira Douat assumiu a presidência da Federação, cargo que ocupou até 1999. A nova diretoria se preocupou em ampliar a representação empresarial, para ajudar os industriais catarinenses a se inserir na economia globalizada; investiu em programas de

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educação e formação tecnológica, para melhorar a competitividade da indústria, e em programas voltados à melhoria da qualidade de vida do trabalhador, fator determinante para o aumento da produtividade. Essas ações, que integravam o planejamento estratégico da FIESC, tinham como objetivo minimizar os impactos da abertura econômica, principalmente o desemprego. Estudos realizados pela Federação indicavam que Santa Catarina poderia perder 50 mil empregos industriais em decorrência do aumento da competitividade internacional. O trabalho desenvolvido de forma integrada pelas entidades da FIESC contribuiu para reduzir significativamente esse número, que chegou a 20 mil. Assim, a estratégia adotada pela Federação ajudou a salvar pelo menos 30 mil empregos industriais no Estado entre 1992 e 1997. A atuação política da Federação também foi responsável pela atração de grandes volumes de recursos para Santa Catarina, por meio da criação de centros tecnológicos, aporte de equipamentos sofisticados, atração de força de trabalho altamente qualificada e parcerias com as universidades. Douat tinha uma sala anexa à do governador Vilson Kleinübing no Palácio Santa Catarina, onde despachava com o chefe do Executivo estadual. Assim, a política industrial do Estado era discutida em conjunto pelos dois. Em janeiro de 1995 entrou em vigor a tarifa externa comum do Mercosul, representando um salto para as exportações catarinenses. Situado no epicentro da integração latino-americana, o Estado registrou saldo positivo na balança comercial com o Mercosul durante toda a década, embora a partir de 1997 o desempenho tenha caído. Em 1990, Argentina, Paraguai e Uruguai canalizavam pouco mais de 3% das vendas externas de Santa Catarina, porcentagem que passou de 17% em 1997, favorecendo as indústrias têxtil, de papel, de carnes, de refrigeradores e freezers e de revestimentos cerâmicos. No primeiro ano do Mercosul, Santa Catarina registrou um saldo negativo na balança comercial de US$ 63,34 milhões. Passados 10 anos, a situação se inverteu e o saldo positivo em 2000 passou dos US$ 152,17 milhões. No período, as exportações cresceram 698% e as importações 129%. Os investimentos em Ciência e Tecnologia no Brasil cresceram de 0,7% para 1,2% do PIB. A participação da iniciativa privada saltou de 10% no início da década para 25%, 10 anos depois. Em Santa Catarina, que na década de 1980 tinha criado o Centro de Laboração de Tecnologias Avançadas

BOA VIZINHANÇA O então ministro da Fazenda, Pedro Malan (à esquerda), com o presidente da FIESC eleito em 1992, Osvaldo Douat, em evento de 1995 na FIESC que marcou a entrada em vigor da tarifa externa comum do Mercosul. No epicentro do bloco formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, o Estado catarinense obteve um salto nas exportações a partir da adoção da nova regra tarifária e registrou saldo positivo na balança comercial com o Mercosul ao longo de toda a década. Na época também vice-presidente da CNI e presidente do Conselho Industrial do Mercosul, Douat teve atuação decisiva nos avanços alcançados pelo bloco e dos resultados para Santa Catarina. Com o reforço dos embarques para os três países vizinhos, de 1990 a 2000 as exportações catarinenses cresceram quase 700%. De pouco mais de 3% em 1990, as vendas para o Mercosul passaram de 17% do total exportado pelo Estado em 1997. Os segmentos protagonistas desse avanço foram têxtil, alimentício, eletrometalmecânico e cerâmico.

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(Celta), implantou nos anos 1990 um polo tecnológico concentrado principalmente em Florianópolis, Joinville e Blumenau. Em 1994 foi criado pelo IEL/SC o Laboratório de Desenvolvimento de Software (Softpolis), instalado no Parque Tecnológico Alfa, na capital do Estado, destinado a apoiar a produção brasileira de softwares. O SENAI/SC iniciou uma parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a implantação de incubadoras de base tecnológica, em um processo que resultou na inauguração do Midiville, na cidade de Joinville, em 1998. Originada do projeto Pégaso, do IEL/SC, e administrada pelo SENAI, a iniciativa recebeu apoio inédito do BID e da CNI, que garantiram recursos para a criação de dois novos Midis: de Alimentos em Chapecó e de Cerâmica em Criciúma. A modernização do parque industrial incluía necessariamente a qualificação da força de trabalho. Em parceria com a Secretaria de Estado da Educação, a FIESC, por meio do SESI, criou em 1994 a Fundação Catarinense de Educação, para atender às necessidades da indústria na educação de adultos, com o objetivo de melhorar os níveis de escolaridade dos operários catarinenses. Em 1995 foram iniciados os cursos de Segundo Grau (atual Ensino Médio) e Técnico Especial em Informática Industrial no Centro de Tecnologia em Automação e Informática (CTAI) do SENAI/SC, a partir de convênio com a Escola Técnica Federal de Santa Catarina (atual IFSC). Em parceria com a UFSC, foi criado um laboratório para oferecer serviços avançados de software, implantação de selo de qualidade e engenharia ergonômica de interfaces, entre outros. A partir de 1997 foi aprovado o projeto do Curso Superior de Tecnologia em Automação Industrial do CTAI, e o SENAI/SC passou a atuar definitivamente na educação superior por meio da formação de tecnólogos. Dois anos mais tarde, foram inaugurados o Centro de

MODERNIZAÇÃO E QUALIFICAÇÃO O mercado globalizado exigia modernização do parque industrial e qualificação da força de trabalho. E essa foi uma das ações prioritárias do planejamento estratégico da FIESC nos anos 90, resultando na criação de centros tecnológicos, aporte de equipamentos e parcerias com universidades. Em outra frente, SESI e SENAI implementaram projetos desde melhoria da escolaridade dos operários até a graduação. Implantado a partir de 1997, o Curso Superior de Tecnologia em Automação Industrial marcou o ingresso definitivo do SENAI na educação superior. Foram criados no Estado Centros de Tecnologia em Automação e Informática, Cerâmica, Alimentos, Vestuário e Eletrometalmecânica.

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Tecnologia do Vestuário (CTV), em Blumenau, e o Centro de Tecnologia em Eletrometalmecânica (CTEMM), em Joinville, somando ao todo cinco centros de tecnologia no Estado: Automação e Informática, Cerâmica, Alimentos, Vestuário e Eletrometalmecânica. O CTEMM estava voltado para a prestação de serviços e assistência técnica e tecnológica, formação profissional e suporte técnico às empresas instaladas no Midiville. No início da década, quando a globalização começou a mudar a geografia econômica do planeta, a FIESC se posicionou de forma ativa na internacionalização da indústria catarinense. O marco de entrada do Estado na briga internacional por mercados aconteceu em 1993, com a participação da primeira delegação na Feira de Hannover, considerada a mais importante do mundo no setor industrial. A ida à Alemanha gerou a primeira edição do projeto Missões Empresariais e influenciou a criação do Cento Internacional de Negócios (CIN), com serviços de apoio e diagnóstico de oportunidades. O IEL/SC lançou, ainda, o projeto Made in Brazil – Benchmarking de Práticas e Performances Industriais, por meio do convênio de cooperação técnica com o IMD – International Institute for Management Development, da Suíça, na área de capacitação tecnológica gerencial. Em 1987 surgiu o primeiro conjunto de critérios para a implantação de sistemas de garantia de qualidade, a série ISO 9000, lançada pela Organização Internacional de Padronização (ISO), entidade internacional com sede na Suíça e presente em 157 países, responsável pelo estabelecimento de normas técnicas no âmbito internacional. No Brasil, a primeira versão da ISO 9000 chegou em 1990, e o País bateu recorde mundial de velocidade na obtenção de certificados. O número de empresas detentoras do selo saltou de 18 em 1990 para 4 mil em 1999. Em parceria com os empresários, o SESI/SC liderou a implantação de programas de saúde ocupacional e de lazer nas empresas catarinenses. Entre 1994 e 1997, o custo real do trabalho na indústria subiu 30% e a abertura econômica modificou as formas de organização do trabalho para priorizar a diminuição de custos e o aumento da produtividade.

AMADURECIMENTO TECNOLÓGICO A inauguração em 1999 do CTEMM - Centro de Tecnologia em Eletrometalmecânica foi um marco dos investimentos da FIESC, por meio do SENAI/SC, nos anos 90 para capacitação da força de trabalho necessária à modernização do parque fabril estadual. Com sede em Joinville, o CTEMM completou o conjunto de cinco centros voltados ao ensino técnico inaugurados a partir de 1994, com o CTAI - Centro de Tecnologia em Informática e Automação, em Florianópolis. Depois vieram o CTC - Centro de Tecnologia em Cerâmica, de Criciúma, em 1995, e o CTAL - Centro de Tecnologia em Alimentos, de Chapecó, em 1998. E a rede foi completada com o CTV – Centro de Tecnologia do Vestuário, de Blumenau, inaugurado em 1999.

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De 1990 a 1992, a forte recessão levou a uma queda brusca nos níveis de emprego na indústria. Com a estabilização da economia a partir de 1994, o processo foi revertido e tanto a economia quanto o nível de emprego cresceram até 1997. No entanto, o efeito cascata das crises no México, na Rússia e nos países asiáticos, somado à crise financeira internacional em meados de 1998, causou novamente forte impacto nos níveis de emprego. As transformações no panorama econômico e nas relações de trabalho na indústria catarinense levaram o SESI/SC a uma revolução paulatina ao longo da década, mais incisiva a partir de 1999, com a gestão de José Fernando Xavier Faraco na presidência e Alcantaro Corrêa como vice da FIESC. Enquanto a fase anterior tinha sido marcada pela construção de instalações do SESI nas cidades, o que se viu foi uma readequação de produtos e de gestão. Em 1998, o Programa Lazer Ativo, implantado pelo SESI/SC em 38 empresas catarinenses, serviu de exemplo para outros Estados e foi adotado no ano seguinte pelo SESI Nacional. Um dos marcos de encerramento da década foi o fim da paridade do real com o dólar, em janeiro de 1999. A explosão da crise asiática em 1997, seguida pela crise da Rússia no ano seguinte, havia levado as contradições do Plano Real a um ponto crítico, e pela primeira vez na década os fluxos de investimentos líquidos em carteira foram negativos. O governo chegou a elevar a taxa de juros a quase 50% em setembro de 1998. Um pacote criado pelo FMI, o Banco Mundial e o governo norte-americano liberou US$ 41,5 bilhões para tentar sustentar o real. Mas quando ficou óbvio que as elevadas taxas de juros não impediam a saída de capital e ainda estavam gerando uma recessão econômica, o governo permitiu que a taxa cambial flutuasse livremente e o real desvalorizou 40% em dois meses. No final de sua gestão, em agosto de 1999, Douat ponderou que Santa Catarina tinha enfrentado desafios inéditos para o setor produtivo, entre os quais profundas transformações econômicas e sociais que ampliaram os conceitos de globalização. Fronteiras geográficas sucumbiram ao poder das telecomunicações e exigiram novas formas de atuação político-institucionais. Para fugir da obsolescência, as empresas tiveram que buscar novas formas de operar e se relacionar com o mercado, já que ele próprio havia mudado de forma radical.

PONTE PARA O MUNDO O presidente da FIESC, Osvaldo Douat, com o governador Vilson Kleinübing, liderando a presença catarinense na Feira de Hannover em 1993. A participação na mais importante feira industrial do mundo marcou a entrada de Santa Catarina na disputa internacional por mercados e a primeira edição do projeto Missões Empresariais, que passou a organizar delegações aos principais eventos de diversos segmentos industriais. Cerca de 200 pessoas, principalmente microempresários que nunca haviam saído do País, embarcaram no avião fretado pela FIESC, que seguiu diretamente de Florianópolis a Hannover. A viagem também influenciou a criação pela FIESC do CIN - Centro Internacional de Negócios.

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DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA Os anos 90 marcaram o início da mudança da mentalidade do segmento industrial em relação ao meio ambiente. Principalmente a partir da Eco 92, muitas empresas passaram a adotar procedimentos para combater a poluição e reduzir desperdícios. Esse processo também impulsionou a criação da série ISO 14000, para certificação de sistemas de gestão ambiental, que foi estimulada em eventos promovidos pela FIESC. E a primeira empresa a conquistar a ISO foi a Hering, uma das pioneiras têxteis do País a construir uma estação para tratamento dos efluentes.

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A indústria e o meio ambiente A preservação do meio ambiente também entrou na pauta de atividades industriais na década de 1990, principalmente a partir da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a Eco 92. A conferência teve reflexo imediato. Dados da CNI mostram que 85% das empresas do setor adotaram algum tipo de procedimento voltado ao meio ambiente no início dos anos 1990 e, ao final, 62% já haviam implantado projetos de gestão ambiental. A Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina (Fatma) lançou programas de conscientização nas principais bacias hidrográficas do Estado, e o índice de poluição industrial caiu de 80% a 90%. Somente na região Nordeste de Santa Catarina e no Vale do Itajaí as indústrias investiram mais de US$ 100 milhões em estações de tratamento de efluentes em 1993. A Eco 92 também impulsionou a criação da série ISO 14000, de certificação de sistemas de gestão ambiental de empresas, com um método para enquadramento no padrão de desenvolvimento sustentável. Em Santa Catarina, a primeira empresa a conquistar o certificado ISO 14000 foi a Hering, uma das primeiras têxteis do País a construir uma estação própria de tratamento de efluentes e, mais tarde, de reúso da água. Marcos importantes da política ambiental no Brasil foram a criação da Política Nacional de Meio Ambiente na década de 1980 e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em 1990. Em 1997, o País instituiu o Plano Nacional de Recursos Hídricos, estabelecido na Lei das Águas, de 1997, que incorporou fundamentos da Agenda 21 e das Metas de Desenvolvimento do Milênio. A FIESC criou três órgãos consultivos para discutir a legislação ambiental nacional e seu impacto na indústria: as Câmaras de Desenvolvimento da Indústria Florestal, Qualidade Ambiental e Energia. Em 1995, foi implantado o Programa de Qualidade Ambiental na Indústria Catarinense, em parceria com a UFSC, e no final de 1998, em busca de um modelo de gestão autossustentável, a FIESC passou por uma ampla reforma administrativa coordenada por Faraco, que estava sendo preparado por Douat para sucedê-lo na presidência. Em 1999 o IEL/SC conquistou o 7º Prêmio Expressão de Ecologia pelo projeto Produção Mais Limpa, que constituía uma rede integrada com unidades em diversos Estados, para prestar serviços especializados a empresas interessadas em adotar práticas industriais ambientalmente responsáveis. O programa proporcionou economia de quase R$ 3 milhões em oito empresas dos setores metalmecânico e agroindustrial de Santa Catarina. O Estado também se destacou pelo projeto Ecogoman, parceria entre o Instituto de Pesquisas de Denkendorf (ITV), da Alemanha, e quatro empresas têxteis brasileiras: Alpargatas-Santista, de São Paulo, e as catarinenses Döhler, Karsten e Artex. A meta do projeto era a reciclagem de goma à base de amido natural modificado, diminuindo custos e impacto ambiental. A questão ambiental foi inserida definitivamente no debate político-econômico internacional com a assinatura do Protocolo de Quioto, em 1997, tratado internacional com compromissos mais rígidos para a redução da emissão dos gases que agravam o efeito estufa.

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No início dos anos 2000, estudo da FIESC mostrou que 80% das exportações catarinenses por via aérea eram embarcadas em outros Estados

Atuação da Federação contribuiu para viabilização de projetos para resolver deficiências de infraestrutura, como melhoria de rodovias

Ampliação e modernização do sistema portuário catarinense integraram objetivos perseguidos pela FIESC na virada para o século XXI

A necessidade de recursos emergenciais para melhoria de modais de transporte, como o ferroviário, foi cobrada em proposta da FIESC

DESAFIOS DA INFRAESTRUTURA Com inflação e instabilidade política superadas e a capacitação e modernização tecnológica consolidadas, a indústria catarinense ingressou no século XXI tendo de enfrentar os gargalos da infraestrutura logística e energética. O comprometimento da competitividade industrial do Estado era um dos reflexos da falta de investimentos, o que levou a FIESC a apresentar ao Fórum Parlamentar Catarinense uma série de sugestões. O objetivo foi a inclusão no Orçamento da União de recursos para projetos estratégicos, que ganharam impulso ao longo da década.

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C A PÍTU LO

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O Voo no Novo Milênio

O cenário do novo século feriu a tradição industrial ao tornar obrigatória a qualidade total (fazer certo desde a primeira vez), a sustentabilidade (o bom uso dos recursos naturais sem comprometer as gerações futuras), a inovação (mudar o paradigma para otimizar os resultados), a tecnologia (em um patamar inédito de mudanças radicais), as atividades multidisciplinares (nenhum nicho operacional trabalha isolado) e a globalização (a integração dos mercados sem os obstáculos das fronteiras políticas e econômicas). E ao mesmo tempo a desafiou para a mudança, tirando-a do conforto das reservas de mercado, de hábitos arraigados, de gestão superada, do excesso de burocracia e da falta de planejamento. Nada seria como antes, mas nada poderia vingar sem sólidos precedentes, sem os exemplos que vingaram e mostraram o quanto o empreendedorismo foi hábil em conseguir implantar em solo catarinense uma indústria que fez a diferença no País em construção.

Dois séculos de atividades não foram em vão. Principalmente se levarmos em consideração que a indústria vive da autossuperação para atender a demandas cada vez mais complexas, intensas e sofisticadas. A articulação econômica da indústria catarinense com as políticas públicas estaduais e nacionais, sob forte liderança corporativa, institucional e política, encontrou na inovação sua ferramenta básica para desatar o nó da questão. Esse é o foco da atualidade da FIESC na sua liderança industrial. Quando completou 50 anos, em 2000, a FIESC tinha o que comemorar. Os primeiros anos do século XXI foram de crescimento para a economia brasileira e trouxeram especialmente para Santa Catarina alguns dos melhores resultados de sua história. A participação da entidade foi decisiva no bom desempenho do Estado, ajudando a criar condições para a indústria se desenvolver em um mercado global exigente e competitivo. O ano 2000 representou um novo patamar de crescimento econômico. Questões como inflação e instabilidade política estavam superadas, e o trabalho de capacitação e renovação tecnológica feito pelos industriais nos 10 anos anteriores para inserir a indústria catarinense na globalização deixou o Estado em pé de igualdade para competir internacionalmente. O desafio agora era fornecer infraestrutura logística e energética para que as indústrias aproveitassem todo o seu potencial. A FIESC passou a abrigar um posto avançado da Financiadora de Máquinas e Equipamentos (Finame/BNDES) e, focada na promoção da inovação, fortaleceu o escritório regional da Financiadora de

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Estudos e Projetos (FINEP), que funcionou em sua sede a partir de abril de 1997. A Federação também reunia postos do Banco do Brasil, Caixa Econômica, BRDE, BADESC e Santa Catarina Administração de Fundos. Em apenas três meses essa estrutura reuniu projetos que somaram mais de R$ 100 milhões em financiamentos solicitados. Para as empresas instaladas em incubadoras, o IEL/SC lançou o Fundo de Investimentos em Empresas de Base Tecnológica, com R$ 12 milhões para capitalização. Uma das mais importantes conquistas institucionais da FIESC no início da década veio em 2000, quando o então presidente da instituição, José Fernando Xavier Faraco, entregou ao presidente Fernando Henrique Cardoso uma carta com propostas para o comércio exterior e também um alerta sobre a necessidade de coesão do Mercosul frente às negociações com a União Europeia e especialmente com a ALCA, Área de Livre Comércio das Américas. A FIESC, presidida por Faraco, um dos três engenheiros eletricistas que fundaram a Dígitro, em Florianópolis, em 1977, dedicou atenção especial ao acesso a mercados. As discussões com um parceiro tradicional, os Estados Unidos, que fazia exigências, por meio da ALCA, não compatíveis com o momento, inauguraram uma estratégia agressiva de abertura comercial. Santa Catarina partiu em busca de novos parceiros na Europa Oriental e no Oriente Médio, e encontrou na Rússia um relevante mercado, principalmente para os setores tradicionais da indústria. A primeira missão oficial foi realizada em julho, quando o presidente da FIESC acompanhou o Grupo Parlamentar Brasil/Rússia em uma viagem a Moscou, onde foi assinado um protocolo de intercâmbio econômico, comercial e tecnológico estimado em US$ 3 bilhões entre os dois países. Quando iniciaram as discussões sobre a implantação do gasoduto Bolívia-Brasil, no final da década de 1990, a FIESC se empenhou em incluir o território catarinense no projeto e focou na necessidade de as indústrias catarinenses converterem a matriz energética, sempre com base no custo do novo insumo e na garantia de seu fornecimento. As pioneiras na conversão tinham no gás um insumo de seus produtos, como o setor cerâmico, mas logo várias empresas de diferentes setores passaram a utilizar o gás natural. Mas persistia a desigualdade no cálculo do preço do gás natural entre os Estados brasileiros. Pressionar os fornecedores pela manutenção de preços competitivos para o gás natural no Estado seria uma batalha permanente da FIESC ao longo da década. Em 2001, uma crise no fornecimento de energia cobrou o preço dos anos de atraso nos investimentos em infraestrutura. Em Santa Catarina a FIESC propôs a criação do Fórum Sul de Energia,

NOVAS FRONTEIRAS As dificuldades impostas por exigências dos Estados Unidos, por meio da Área de Livre Comércio das Américas – ALCA, contribuíram para o início de uma nova estratégia de abertura comercial para o Estado nos anos 2000, com a busca por novos parceiros na Europa Oriental e no Oriente Médio. Na foto, o governador Esperidião Amin (centro) assina acordo comercial com a Rússia, fruto das missões empresariais que contaram com o protagonismo da FIESC, presidida por José Fernando Faraco (à direita). O marco inicial foi a presença de Faraco na primeira missão oficial a Moscou, que resultou num protocolo de intercâmbio econômico, comercial e tecnológico.

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formado por entidades representativas de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, para buscar soluções para o abastecimento. Como o setor industrial consumia quase metade da energia elétrica utilizada no Estado, a Federação também lançou iniciativas como o Programa Catarinense para o Uso Racional de Energia, que incluía um projeto de redução de consumo desenvolvido em parceria por SENAI/SC, IEL/SC, UFSC e ETFSC (atual IFSC) e também um convênio de R$ 1,4 milhão entre o IEL/SC e a Eletrobrás, para melhorar o aproveitamento de energia elétrica nas indústrias com a realização de cursos e workshops. O SENAI/SC lançou ainda um curso de pós-graduação em Uso Racional de Energia. Passada a crise, Faraco foi indicado para presidir a Câmara Técnica Setorial de Energia da FINEP, criada para propor um estudo de fontes alternativas de energia, redução do desperdício e estímulo à competitividade da tecnologia industrial nacional. Os investimentos não se limitaram, no entanto, a melhorias na produção e acesso a mercados. Um dos fenômenos da década foi a preocupação cada vez maior das empresas com a responsabilidade social, conceito que já rondava os industriais nos anos 1990, mas que só então ganhou forma e método. Por isso a FIESC firmou parceria com o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, para difundir boas práticas e políticas responsáveis na gestão dos negócios junto ao empresariado catarinense. O SESI/SC criou ainda uma área de consultoria em responsabilidade corporativa, para explicar o conceito às empresas e avaliar o compromisso da indústria em relação ao público interno, sua saúde, ambiente de trabalho e vida equilibrada. O SENAI/SC atingiu 1 milhão de alunos matriculados desde o início das atividades, e uma pesquisa mostrou que 92% dos alunos egressos estavam empregados. O SESI/SC experimentou, entre 2000 e 2005, mudanças mais significativas em seu modelo de atuação, passando a oferecer soluções completas ao setor produtivo. Na década em que a responsabilidade ambiental e o comprometimento com a sustentabilidade passaram a ser encarados com seriedade dentro das empresas, a FIESC liderou projetos com resultados significativos na redução do impacto ambiental da indústria. Um deles foi o Projeto Couro, cooperação

COM TODO O GÁS FIESC teve atuação decisiva na implantação do Gasoduto Bolívia–Brasil no Estado, desde a luta pela inclusão de Santa Catarina na rede de distribuição até a pressão pela manutenção de preços competitivos para o insumo e garantia do fornecimento, além de estimular a conversão da matriz energética pelas indústrias catarinenses. PROTAGONISMO ENERGÉTICO Proposto pela FIESC, o Fórum Sul de Energia buscou soluções para a crise de fornecimento de 2001, que ficou conhecida como “Apagão”. O Fórum reuniu os presidentes das três federações de indústrias e representantes de outras entidades dos Estados do Sul.

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bilateral de transferência tecnológica mútua entre Brasil e Alemanha coordenada pelo IEL/SC. Cinco curtumes brasileiros, dos quais dois catarinenses, participaram do estudo, que contribuiu para reduzir em 90% o volume do lodo gerado na produção de couro e ainda transformou parte desse resíduo em carvão ativado utilizado para filtros, diesel para máquinas, gases para geração de energia e água para posterior tratamento. O Programa Produção Mais Limpa, metodologia desenvolvida pelo IEL/SC para racionalização da produção, economia de recursos naturais e redução de resíduos, fez com que um grupo de 26 empresas conseguisse uma economia cinco vezes maior que o valor investido em gestão ambiental. Ao todo, as indústrias aplicaram R$ 2,2 milhões nos projetos adotados e os benefícios econômicos chegaram a R$ 11 milhões anuais. A indústria tradicional transformada somou-se às conquistas do setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) de Santa Catarina. Com a formação de uma plataforma de intercâmbio entre universidade e indústria promovida pelo IEL/SC, foi criado um Arranjo Produtivo Local, com prioridade nas ações de financiamento por parte do governo. Em apenas três anos, o Micro Distrito Industrial de Base Tecnológica (Midiville), incubadora da FIESC em Joinville, viu as empresas residentes triplicarem o faturamento global e aumentarem em 500% o número de empregos gerados. O Projeto Pégaso, iniciativa da FIESC com apoio financeiro do BID e do SENAI Nacional, viabilizou também a implantação do Midisul, em Criciúma, e do Midioeste, em Chapecó, inaugurados em 2002. O trabalho desenvolvido pela FIESC garantiu a José Fernando Xavier Faraco um segundo mandato na presidência da entidade, com apoio unânime dos 117 sindicatos filiados. A diretoria eleita para o triênio 2002-2005 tinha como vice-presidente o industrial Alcantaro Corrêa. No mesmo ano, a FIESC lamentou o falecimento de dois de seus ex-presidentes, Milton Fett e Carlos Cid Renaux. Faraco definiu a educação como a grande plataforma para sua segunda gestão, voltada para um sistema educacional apropriado ao interesse da indústria. Já no primeiro semestre de 2003 o SENAI/SC passou a oferecer cursos regulares de Ensino Médio, articulados com a educação profissional. Os alunos tiveram a opção de realizar, em horários alternativos, cursos de iniciação profissional com noções básicas para um primeiro contato com o mercado de trabalho. Para esses cursos o SENAI/ SC adotou o método da Educação por Competência, em que o aluno é avaliado segundo as competências exigidas do profissional no mercado de trabalho em cada área específica. Mas ainda persistia um grande desafio para as empresas do Brasil, com fortes impactos nas indústrias: o sistema fiscal e tributário, considerado inadequado. Por isso a FIESC e os industriais apresentaram ao Fórum Parlamentar Catarinense uma série de sugestões sobre a Reforma Tributária, que previam desoneração de investimentos, proibição de medidas provisórias que incidissem sobre impostos e realocação de recursos emergenciais para a melhoria da infraestrutura.

NOVA REALIDADE Os anos 2000 marcaram a adoção da responsabilidade ambiental e do conceito de sustentabilidade pelas indústrias catarinenses, com a liderança da FIESC na criação de projetos. Uma das ações foi o Programa Produção Mais Limpa, para racionalização da produção, economia de recursos naturais e redução de resíduos.

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ATUAÇÃO DIVERSIFICADA Iniciativa da FIESC, o Projeto Pégaso viabilizou a implantação do Midisul, em Criciúma, inaugurado em 2002 (foto acima). No mesmo ano, outro Micro Distrito Industrial de Base Tecnológica inaugurado foi o Midioeste, de Chapecó, somando-se ao pioneiro Midiville, de Joinville. Outra frente de ação da Federação foi por mudanças no sistema fiscal e tributário, com a apresentação ao Fórum Parlamentar Catarinense de sugestões do setor industrial para a Reforma Tributária (foto ao lado). E a educação foi um dos compromissos prioritários da Federação a partir do novo milênio, quando o SENAI/SC (foto abaixo) atingiu 1 milhão de alunos matriculados desde o início das atividades. E em 2003 a entidade diversificou seu portfólio, passando a oferecer cursos regulares de Ensino Médio articulados com educação profissional.

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O objetivo foi incluir no Orçamento da União recursos para projetos estratégicos que dependiam de verbas federais e que poderiam minimizar os gargalos de infraestrutura. Segundo o levantamento, a região Sul necessitava de investimentos de R$ 9,3 bilhões para rodovias, portos, ferrovias e aeroportos, dos quais R$ 3,1 bilhões seriam para obras em Santa Catarina. A falta de investimentos em infraestrutura logística colocava Santa Catarina em desvantagem em relação a outros Estados, comprometendo a competitividade da indústria. Dados levantados pela FIESC mostram que na época pelo menos 80% das exportações catarinenses que saíam por via aérea eram embarcadas em aeroportos de outros Estados. Os investimentos em infraestrutura se mostravam ainda mais urgentes frente ao avanço das exportações catarinenses. Santa Catarina superou em 2001 a casa dos US$ 3 bilhões exportados para 165 países, batendo o recorde histórico de US$ 2,8 bilhões em 1997 e subindo para a quinta posição entre os maiores exportadores do país. O bom desempenho foi impulsionado pelas novas parcerias fechadas com Rússia e Arábia Saudita, países para os quais o volume de exportação catarinense em 2001 cresceu 442,78% e 73,91%, respectivamente. Em 2003 as exportações superaram novamente o recorde histórico de 2002, dessa vez com uma alta de 17,06%. Com o resultado, Santa Catarina acumulou US$ 2,7 bilhões de saldo na balança comercial. O frango puxou a lista de produtos mais exportados pelo Estado, crescendo 10,03%, seguido de móveis de madeira (17,94%). Em 2004 Santa Catarina bateu novamente seu recorde histórico de exportações, com US$ 4,85 bilhões, o sexto melhor resultado entre os Estados brasileiros. O nível de emprego industrial cresceu 9,78%. O resultado em 2004 foi impulsionado pela retomada de negociações com o Mercosul, registrando uma melhora de 41,74% em relação a 2003.

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Frente aos números excelentes de 2004, o desempenho da indústria catarinense não pôde ser repetido no ano seguinte. Apesar de atingir um novo recorde nas exportações, com elevação de 15% em relação ao ano anterior, Santa Catarina ficou abaixo dos níveis nacionais e obteve apenas o oitavo lugar no ranking nacional entre os estados. Foi a pior posição de Santa Catarina desde 1991. Diante do cenário pouco animador, o papel institucional da FIESC teve um peso ainda maior. A atuação da Federação foi reforçada pela união e fortalecimento da diretoria da Federação. Na mais serena eleição da história da entidade, em 2005 foi eleita a chapa única liderada por Alcantaro Corrêa (1943-2014), engenheiro mecânico formado pela UFSC e que dirigiu a Electro Aço Altona de 1994 a 2008 e o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e do Material Elétrico de Blumenau (SIMMEB). Ele foi presidente da FIESC entre agosto de 2005 e agosto de 2011, com a reeleição da mesma chapa em 2008. A vice-presidência foi ocupada por Glauco José Côrte, exvice-presidente executivo da Portobello e diretor da Portobello América (EUA), além de ter presidido o Conselho de Administração da Celesc no período de 2005 a 2010. Glauco José Côrte assumiu a presidência por dois mandatos, desde 2011, e atualmente lidera a FIESC e suas entidades com foco na inovação, um insumo que se tornou urgente devido aos desafios multiplicados de crises sucessivas e mudanças permanentes.

CONSOLIDAÇÃO E DIANTEIRA Com a inserção internacional consolidada desde os anos 80 e 90, a produção de frangos ganhou ainda mais impulso nos anos 2000 com a abertura de novos mercados. O produto liderou em 2003 a lista de itens mais exportados pelo Estado, na qual sempre mantém posição de destaque.

FORÇA MOVELEIRA Outro segmento que registrou crescimento na pauta de exportações catarinense na entrada do novo milênio foi o de móveis de madeira. Com sua inserção no mercado nacional estabelecida desde os anos 70, com a produção de móveis no estilo colonial, o setor se modernizou, cresceu, agregou valor à produção e avançou nos mercados internacionais. Concentrada principalmente no Alto Vale do Rio Negro, a indústria moveleira estadual registrou em 2003 crescimento de quase 18% nas vendas externas.

AVANÇO EXTERNO Novas parcerias comerciais com Rússia a Arábia Saudita colaboraram para que Santa Catarina batesse em 2001 o recorde histórico de 1997, de US$ 2,8 bilhões em exportações. Superando os US$ 3 bilhões exportados, o Estado subiu para a quinta posição entre os maiores exportadores brasileiros. Até 2004 Santa Catarina registrou recordes sucessivos de vendas ao exterior, impulsionados pela retomada das negociações com o Mercosul.

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MEIA DÉCADA DE DESAFIOS Os últimos cinco anos da década de 2000 exigiram versatilidade, obstinação e competência da indústria. Quando 2005 terminou, a sensação era de que o Brasil tinha ficado para trás. Enquanto o mundo inteiro cresceu, o PIB brasileiro subiu apenas 2,5%, bem abaixo da meta (4%), figurando em último lugar no ranking do crescimento econômico. Culpa da taxa de juros, que se manteve acima dos 18% o ano todo pelo medo do Banco Central em não atingir a meta de inflação. Em Santa Catarina, as vendas da indústria caíram 11,89% em relação a 2004. O saldo da balança comercial catarinense bateu o recorde histórico e fechou em US$ 3,4 bilhões, mas o crescimento do superávit com o exterior foi de apenas 1,6%, índice bem inferior ao nacional, de 33%. A situação não melhorou em 2006, mas colocou o desenvolvimento econômico na agenda nacional. O Brasil vinha crescendo em média 2,3% nos últimos 10 anos, um dos piores desempenhos entre os países emergentes. Em Santa Catarina a produção industrial estava praticamente estagnada, o faturamento das empresas caía e as exportações cresciam abaixo da média nacional. A produção física das indústrias, em 2006, cresceu apenas 0,4% e o faturamento diminuiu 3% nos primeiros 10 meses do ano. Levando-se em conta que 2005 já tinha sido fraco, 2006 foi um ano frustrante em termos de crescimento industrial. O superávit recuou para US$ 2,49 bilhões, o menor valor desde 2002. Mesmo assim, o ano de 2008 tinha tudo para dar certo. Santa Catarina registrava alta nas vendas, na produção e no número de empregos. Em janeiro, pesquisas realizadas pela FIESC revelavam que 80% dos industriais catarinenses estavam confiantes em relação à economia e pretendiam ampliar os investimentos em inovação. No final do ano, entretanto, ficou claro que o Brasil não passaria incólume pela crise que se abateu sobre os Estados Unidos. A confiança dos empresários e dos consumidores foi afetada, e investimentos começaram a ser adiados. O clima no início de 2009 era de ressaca. A turbulência na economia mundial provocou uma queda generalizada nas bolsas

DIÁLOGO E PESQUISA A partir da segunda metade dos anos 2000, a FIESC ampliou o diálogo com os filiados, como no Encontro da Indústria de 2006 (foto), e intensificou o levantamento de dados sobre a indústria catarinense, com diversas pesquisas que periodicamente possibilitam a avaliação precisa da trajetória do setor. REPRESENTATIVIDADE REFORÇADA Na foto com o presidente Armando Monteiro Neto (esquerda), Alcantaro Corrêa foi eleito em 2006 vicepresidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Essa representatividade ampliou a capacidade da FIESC na defesa dos interesses da indústria estadual. Exemplos disso foram a mobilização que barrou a tentativa de aumento do ICMS de itens essenciais em 2006 e a luta contra a renovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), extinta em 2007.

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de valores e a disparada do dólar, que valorizou 35% no ano. O índice de confiança da indústria de Santa Catarina começou o ano com 46,9 pontos, o mais baixo da série histórica, iniciada em outubro de 1998. No entanto, o cenário mudou ao longo do ano. O mercado financeiro no Brasil teve uma recuperação surpreendente e o dólar voltou a patamares pré-crise. Em dezembro, o País já estava tecnicamente fora da recessão e o Ibovespa encostava nos 70 mil pontos, alta de 90% em relação à mínima do ano e a maior pontuação desde junho de 2008. Em Santa Catarina, o mercado interno evitou que os impactos da crise fossem ainda mais fortes e chamou atenção para os efeitos benéficos de medidas de desoneração defendidas pela FIESC e adotadas pelo governo estadual. Para analisar com precisão a trajetória do setor industrial, a partir de 2006 a FIESC manteve contato mensal com 570 indústrias do Estado, coletando informações por meio das pesquisas “Indicadores Industriais” e “Nível de Emprego Industrial”. Dados importantes também foram levantados pela Sondagem Industrial, realizada trimestralmente, e pelo Índice de Confiança do Empresário Industrial na Economia, além do anuário estatístico Santa Catarina em Dados, que passou a apresentar números regionais. No mesmo ano, o setor viu maior inserção de Santa Catarina nas instâncias de decisão nacionais do setor industrial, com a eleição de Alcantaro Corrêa para o cargo de vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O tranquilo processo eleitoral, que reconduziu o industrial Alcantaro Corrêa à presidência da FIESC em 2008, reforçou a representação da entidade. Com o prestígio de autoridades

OLHAR MINUCIOSO A definição de estratégias foi fortalecida com a ampliação da coleta de informações sobre a indústria catarinense pela FIESC a partir de 2006. Esses levantamentos resultam na definição de indicadores e em publicações como o anuário Santa Catarina em Dados.

FOCO SUSTENTÁVEL FIESC incentivou a adoção de práticas sustentáveis pelas indústrias catarinenses em ações como o Encontro Desenvolvimento Sustentável, uma série de eventos realizada em Joinville, Blumenau, Chapecó, Lages, Criciúma e Florianópolis em 2008. Nos encontros, indústrias de todos os portes conheciam cases de sucesso e ampliavam conhecimentos sobre meio ambiente, educação e responsabilidade social.

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como o presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, a chapa única liderada por Alcantaro Corrêa recebeu aprovação de todos os 103 sindicatos que participaram da eleição. Entre setembro e outubro de 2008, a Federação promoveu o Encontro Desenvolvimento Sustentável, uma série de eventos realizados em Chapecó, Lages, Joinville, Criciúma, Florianópolis e Blumenau. Em cada encontro, indústrias de todos os portes tinham a oportunidade de conhecer cases de sucesso e ampliar conhecimentos sobre meio ambiente, educação e mercado de trabalho e responsabilidade social. Um dos marcos da atuação da FIESC nessa época foi a elaboração do documento “Pacto Federativo como Instrumento do Desenvolvimento Sustentável”, com propostas para adequar a legislação ambiental à realidade do Estado. O principal questionamento tratava da sobreposição de competência dos órgãos ambientais federal e estadual responsáveis pela fiscalização e licenciamento dos projetos. O setor produtivo propunha que processos de licenciamento e autorização de atividades de baixo impacto ambiental fossem transferidos para os municípios. Durante a elaboração do Código Ambiental de Santa Catarina, aprovado em 2009, a FIESC defendeu a utilização econômica de áreas de floresta nativa, respeitando regras de manejo sustentado, além da criação de mecanismos de estímulo para ampliar os investimentos em eficiência energética e em pesquisas que ajudem na captura e redução de emissão de gases causadores do efeito estufa. O combate ao aquecimento global fez surgir um novo mercado, e já em 2004, com a criação da Bolsa de Resíduos, a FIESC destacou a importância do meio ambiente como uma oportunidade de

Eventos promovidos pela FIESC difundiram e estimularam entre os industriais do Estado a elaboração de projetos dos chamados Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDLs).

Inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho mereceu atenção especial do SESI/SC, que lançou um programa específico e ajudou as empresas a cumprir a legislação.

HORIZONTE AMPLIADO Setores como o florestal vislumbraram novas oportunidades com o surgimento do Mercado de Créditos de Carbono e a possibilidade de participação em projetos de corte de emissão de gases. A FIESC difundiu informações e capacitou empresas por meio de programa lançado em 2008.

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negócios. O portal online permitiu às empresas anunciar e negociar seus resíduos, para que fossem usados por outras empresas como matéria-prima. O Mercado de Créditos de Carbono, que em 2005 havia movimentado US$ 10 bilhões em todo o mundo, segundo o Banco Mundial, levou a FIESC a difundir os chamados Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDLs) em ações integradas com IEL e SENAI para articular competências nas questões técnicas, jurídicas e econômicas para a elaboração de projetos. Os eventos para promover os MDLs tiveram forte repercussão no estado. Alguns setores importantes da economia, como o florestal e o de produção de carnes (biodigestores na produção de suínos), perceberam o grande potencial para participar de projetos de corte de emissão de gases. Em 2008 foi lançado o Programa Mercado de Carbono, concebido pela FIESC em parceria com a CNI e com apoio do SENAI/SC, para difundir informações e capacitar empresas para atuar nesse mercado. O incentivo à inovação tecnológica incluiu o Benchmarking Industrial, ferramenta de comparação de performance de empresas com as líderes mundiais de seus setores. Com o Núcleo de Gestão Integrada da Inovação (NUGIN), criado para ajudar as empresas catarinenses a ganhar competitividade sustentável no mercado, o IEL/SC canalizou investimentos para o Estado. Em 2009 foi lançado o Projeto de Implantação e Estruturação do Arranjo Catarinense de Núcleos de Inovação Tecnológica (PRONIT), desenvolvido pelo IEL/SC e outras 17 instituições para estruturar redes entre os já consolidados NITs, por meio do financiamento da FINEP e da Fundação de Apoio à Pesquisa de Santa Catarina (FAPESC). O trabalho do SESI/SC foi marcado pela inclusão de pessoas portadoras de deficiência no mercado de trabalho. Para auxiliar as indústrias a cumprir a legislação, que obriga empresas com 100 ou mais empregados a preencher de 2% a 5% de suas vagas com pessoas portadoras de necessidades especiais, o SESI/SC lançou o Programa de Inclusão de Pessoas com Deficiência, com o objetivo de conhecê-las melhor, escolarizá-las, qualificá-las profissionalmente e facilitar sua inclusão no mercado de trabalho. Para apoiar micro e pequenas indústrias a melhorarem as condições do ambiente laboral, o SESI/SC implantou em 2009 uma nova política de preços em relação a serviços de saúde e segurança no trabalho, com valores subsidiados até dezembro de 2010 e expectativa de realizar mais de 500 mil atendimentos. O SENAI/SC ampliou sua rede de Educação a Distância e somou 6 mil matrículas em 2006, o que correspondeu a 10% do total de alunos. A rede lançou também seus primeiros programas de pós-graduação e passou a oferecer treinamentos focados em necessidades específicas das empresas, atendendo grandes companhias. Para facilitar o acesso dos estudantes, o SENAI/SC aderiu ao Programa Universidade para Todos (PROUNI) e ao Programa de Financiamento Estudantil (FIES), além de assinar convênio para participar do Programa de Bolsas de Estudo e Pesquisa previstas no artigo 170 da Constituição Estadual, todos destinados a alunos economicamente carentes. O bom desempenho da FIESC levou Alcantaro Corrêa a assumir, em 2009, a presidência do Conselho de Política Industrial e Desenvolvimento Tecnológico da CNI. Mas o novo século estava apenas começando. Nos anos seguintes, as atividades da FIESC foram desafiadas ainda mais, exigindo uma postura mais eficaz e agressiva para superar problemas endêmicos e as dificuldades pontuais na área econômica e política.

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MUNDO AFORA O processo de internacionalização da indústria catarinense iniciado nos anos 80-90, com empresas como a Sadia, cuja foto ilustra a distribuição de produtos no Barein, registrou um grande salto na primeira década do século XXI. Ele contou com a liderança da FIESC e foi marcado por uma ampla diversificação na abertura de mercados.

Porto de Nansha: um dos locais visitados por missão empresarial à China liderada pela FIESC.

Presença em feiras de negócios deu suporte ao avanço das exportações catarinenses à China.

Alcantaro Corrêa em missão à Coreia do Sul, que se consolidou como novo mercado catarinense.

Oportunidades de negócios com a Polônia foram tema de seminário promovido pela FIESC em 2008.

NOVOS TERRITÓRIOS Glauco José Côrte, então vice-presidente da FIESC, em missão aos Emirados Árabes Unidos que rendeu a assinatura de um acordo com a Câmara de Comércio e Indústria de Dubai. O protagonismo da Federação com a realização de missões empresariais a partir de 2006 expandiu as relações comerciais de Santa Catarina com a Liga Árabe e viabilizou o estabelecimento de protocolos de cooperação e a abertura de mercados como Kwait e Irã.

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Conquistas internacionais A atuação internacional da FIESC deu um salto na primeira década do novo século. A entidade liderou a indústria nacional em missões do governo brasileiro ao Leste Europeu, com passagens por Rússia, Polônia e Ucrânia. Com rápido avanço econômico e posição geográfica estratégica, a Polônia buscava se consolidar como porta de entrada para investimentos e exportações na Europa. Com a Ucrânia, a FIESC assinou acordo de cooperação nas áreas tecnológica, industrial, de novos investimentos e para formação de joint ventures. Missões empresariais também pousaram em outros países, principalmente na Ásia e no Oriente Médio, com destaque para a China. A primeira missão para lá contou com 26 empresários catarinenses, rumo às cidades de Pequim, Xangai e Guangzhou. De 1999 a 2003, as vendas do Brasil para o país asiático cresceram mais de 570%, e com as missões as empresas catarinenses fizeram investimentos também ao adquirir unidades fabris na China. Outras partes da Ásia também entraram no roteiro, em missões ao Japão, Coreia do Sul e Cingapura. Na Coreia do Sul, a busca foi pela ampliação das exportações de carne suína e de frango. Em 2009, em visita a Cingapura, a FIESC prospectou mercados para os setores de móveis e carnes e parcerias nos setores de tecnologia da informação e operações portuárias, em que Cingapura é referência. A FIESC também trabalhou para a expansão das relações comerciais com a Liga Árabe, tendo carne de frango e seus derivados como principais produtos exportados. Estabeleceu ainda protocolo de cooperação com a Câmara de Comércio e Indústria do Kuwait para o desenvolvimento de negócios, assistência em empreendimentos e em missões de negócios. Na Europa, foram realizadas missões à Itália, onde a FIESC e a Câmara de Comércio de Milão se comprometeram a promover cooperação econômica e intercâmbio comercial entre empresas. Em 2006, o setor agropecuário catarinense sofreu com o temor da gripe aviária, que prejudicou as exportações de frangos e levou a FIESC a pressionar o governo a adotar medidas de emergência para garantir o status sanitário de Santa Catarina. O presidente em exercício da FIESC, Glauco José Côrte, entregou ao presidente Lula uma lista de ações para minimizar o impacto da gripe aviária nas vendas de frango do Estado. O temor por causa do vírus, sobretudo na Europa, fez as exportações catarinenses do produto em 2006 despencarem 22,5% de janeiro para fevereiro. Mas o cenário era de otimismo, apesar dos contratempos. Na Espanha, oito empresas catarinenses, juntamente com a FIESC, participaram da Foro Sector Metal Astúrias 2008, primeira feira dos setores metalúrgico e metalmecânico da região das Astúrias. A missão empresarial fez parte de um acordo de cooperação do Centro Internacional de Negócios da FIESC com a Câmara de Comércio de Gijón, onde o evento foi realizado. A relação com a Alemanha também foi fortalecida. Além de participar dos Encontros Econômicos Brasil-Alemanha em Berlim, em 2006, e em Colônia, em 2008, representando a CNI, a FIESC foi responsável pela organização do Encontro Econômico Brasil-Alemanha 2007, em Blumenau. Mais de 1.400 empresários e representantes governamentais, sendo cerca de 250 da Alemanha, participaram do evento.

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À LUZ DA INOVAÇÃO Com a repetição de altos e baixos na economia e de quadros de crise interna e externa que ampliaram os desafios do mercado globalizado, o ingresso do setor produtivo no segundo decênio do século XXI consolidou a necessidade estratégica de a indústria incorporar a inovação de forma ampla e permanente. Nesse contexto, a FIESC ampliou intensamente sua atuação como articuladora de projetos inovadores e de acesso à tecnologia pelas indústrias catarinenses. Entre os exemplos desse engajamento está a estruturação dos Institutos de Inovação e de Tecnologia do SENAI e do Instituto SESI de Inovação em Tecnologia da Segurança e Saúde do Trabalho, voltados a soluções, projetos e capacitação.

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C A PÍTU LO

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Uma Nova Revolução Industrial

Como enfrentar uma crise que desafia a indústria tanto dentro quanto fora do País? E que ameaça a sobrevivência de empresas e empregos e compromete os índices de crescimento econômico? Qual o caminho que deve ser trilhado pela gestão diante das transformações do mundo corporativo? Como atender as novas demandas do mercado num ambiente extremamente competitivo? A FIESC tem uma atuação voltada para o núcleo da questão: a indústria deve ser garantida por meio da inovação e da tecnologia, trabalhada com competência por quadros formados nos mais modernos conceitos e recursos da produção e do consumo.

Toda crise significa um limite para determinados procedimentos, que por contingência precisam ser substituídos para evitar o pior. Há um rescaldo nessa mudança de paradigma, pois muita coisa é deixada para trás – estruturas, funções, hábitos, recursos. Mas é o preço a pagar pela continuidade e permanência. A chave desse processo é inovar de maneira ampla e profunda, um caminho trilhado pela presidência de Glauco José Côrte na FIESC, eleito de 2011 a 2014, com recondução ao cargo até 2017 junto com o 1º vice-presidente, o empresário da construção civil Mario Cezar de Aguiar. O foco é tornar a entidade o principal meio de articulação em projetos inovadores. Os benefícios da inovação e implantação de novas tecnologias favorecem o trabalhador e sua família, por meio de um trabalho integrado. Trata-se de uma atuação na linha divisória entre as conquistas do passado e as emergências de um presente desafiador. Para entender o significado dessa intervenção, pode-se começar abordando o Instituto SENAI de Inovação em Sistemas de Manufatura e o Instituto SENAI de Inovação em Laser, situados em Joinville e focados na competitividade por meio de soluções tecnológicas para o desenvolvimento de produtos e processos. O segundo, trabalhando com a Manufatura Aditiva a Laser (Laser Additive Manufacturing – LAM), desenvolve uma tecnologia revolucionária para processos produtivos, considerada hoje a precursora de uma nova revolução industrial e completamente integrada à manufatura digital, com grande potencial para mudar os conceitos de fabricação. Ela reduz os custos de manufatura, resíduos, time-to-market, bem como o número de operações, além de possibilitar a obtenção de peças complexas de alto valor agregado.

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Com a instalação de diversos Institutos de Inovação e de Tecnologia do SENAI/SC, a FIESC formata uma rede de apoio à inovação em Santa Catarina, para servir às indústrias de menor porte que nem sempre podem contar com equipamentos e profissionais dedicados a segmentos específicos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), sem deixar de ser parceira também das grandes empresas. Os Institutos encontram-se no estado da arte de suas especialidades. Têm parceiros internacionais como a Sociedade Fraunhofer, da Alemanha, e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos EUA, com atuação em pesquisa aplicada, voltada à criação de soluções para o mercado. Além do instituto especializado em tecnologias de Laser, o Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados é voltado para inovações em microeletrônica, tecnologia da comunicação e informação. Todos os Institutos de Inovação são concebidos como as principais referências no Brasil em suas respectivas atividades. Os Institutos de Tecnologia são voltados a setores industriais específicos, oferecendo serviços de consultoria, desenvolvimento de projetos e formação de pessoal especializado, com foco nas demandas estaduais. Para reforçar essa atuação, a FIESC trabalha em sintonia com projetos da CNI e de outras entidades, procurando intensificar a participação da indústria. O Programa SENAI de Apoio à Competitividade da Indústria, da CNI, investe R$ 1,9 bilhão em 24 Institutos de Inovação e 60 Institutos de Tecnologia no País. A necessidade de atualização tecnológica e de produção de inovações faz com que indústria e tecnologia de ponta andem lado a lado. A modernização gerada nesse processo torna a indústria uma poderosa indutora do desenvolvimento socioeconômico. Mas, apesar das reconhecidas vantagens em se buscar produtos e processos inovadores, há muitos obstáculos a serem vencidos. Pesquisas realizadas com empresas brasileiras apontam altos custos, riscos elevados, falta de pessoal qualificado e dificuldades na obtenção de financiamentos como os principais entraves ao investimento em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) para a geração de inovações tecnológicas. Por isso, um dos focos da FIESC é fornecer meios para o acesso da indústria à tecnologia. A começar pela formação de pessoal qualificado para operar indústrias modernas e a desenvolver novos projetos. A FIESC, por meio do SENAI/SC, também possui uma rede certificada de laboratórios de metrologia atuante em todo o Estado.

SUPORTE INDISPENSÁVEL A rede de Institutos de Tecnologia e de Inovação do SENAI/SC em implantação no Estado, além de importante parceira para as grandes empresas, tem papel decisivo no apoio às indústrias de menor porte no acesso às atividades de Pesquisa & Desenvolvimento. Suporte fundamental aos processos de inovação e atualização tecnológica exigidos pelo mercado globalizado.

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MANUFATURA REVOLUCIONÁRIA Precursora de novos paradigmas nos processos fabris, com a criação de sólidos tridimensionais a partir de modelos digitais, a manufatura aditiva é uma das plataformas de atuação do Instituto SENAI de Inovação em Laser. E o desenvolvimento de soluções tecnológicas para a indústria estadual conta ainda com o Instituto SENAI de Inovação em Sistemas de Manufatura.

NO CLIMA DA EFICIÊNCIA Reflexo da integração do planejamento e das atividades operacionais da FIESC, os investimentos em desenvolvimento de pessoal resultaram em ganhos de eficiência e melhoria do clima organizacional. E um dos marcos foi o reconhecimento, em 2013, como a melhor organização de grande porte para se trabalhar em Santa Catarina e uma das cem melhores do País pelo Instituto Great Place to Work.

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Nesse processo complexo que contribui para a renovação do parque fabril catarinense, cabem ainda mais atribuições à FIESC, que mantém dissemina a cultura e ajuda empresas a articular seus esforços em inovação de modo integrado. Outras ações colaboram para fazer de Santa Catarina um polo de tecnologia e inovação. São exemplos as realizações da Bienal Brasileira do Design, do Encontro Brasil-Alemanha, do Global Healthy Workplace Awards and Summit (encontro mundial de qualidade de vida) e do III Workshop Internacional de Educação no Estado em 2015. As negociações para trazer esses eventos foram lideradas e promovidas pela FIESC. Há mais: o apoio ao Movimento Santa Catarina Moda e Cultura ajuda a desenvolver a indústria da moda no Estado. A Federação também apoia o Programa Catarinense de Inovação, do Governo do Estado. Há muito trabalho pela frente. O Brasil ficou para trás na corrida tecnológica, sendo apenas a 64ª nação em registro de patentes de produtos inovadores. Sabe-se que as empresas mais bemsucedidas são as que conseguem explorar as partes de maior valor das cadeias produtivas, o que é obtido justamente por meio das inovações.

MATURIDADE ATRATIVA Numa demonstração da maturidade atingida pelo processo de estímulo à atualização da indústria catarinense para ampliação da competitividade com sustentabilidade, o Estado tem se consolidado como um polo de tecnologia e inovação. E um exemplo dessa realidade é a atração de importantes eventos, num processo liderado pela FIESC. Entre eles estão a Bienal Brasileira do Design 2015 (painel e mapa acima), com seis mostras, seminário internacional, ações educativas e atividades paralelas; o encontro mundial sobre qualidade de vida – Global Healthy Workplace Awards and Summit – e o Encontro Brasil-Alemanha 2015. Outro importante evento é o III Workshop Internacional de Educação, em Florianópolis. Essa capacidade de atração de eventos de peso se respalda num retrospecto de ações voltadas à disseminação da cultura inovativa, desde a implantação dos primeiros parques tecnológicos até os Institutos de Tecnologia do SENAI/SC.

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A tecnologia de ponta, que muda inclusive o processo das mudanças, gerando perspectivas inéditas e criando oportunidades para soluções eficazes, faz parte do trabalho de integração desenvolvido pelo esforço de modernização da entidade. O trabalho é intenso num cenário de crise e oportunidades. O parque industrial catarinense é, hoje, o quarto maior do Brasil, responsável por 35% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual. As fábricas são o esteio de uma economia forte. Santa Catarina possui o quinto maior PIB brasileiro, contando com apenas 3% da população e 1,2% do território. Sendo bem distribuídas as riquezas, formou-se no Estado uma sociedade equilibrada e saudável. No ranking nacional do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que considera educação, renda e longevidade, Santa Catarina ocupa o segundo lugar. Porém, a indústria enfrenta seu maior desafio em décadas, com queda na produção e nas exportações (com algum alívio quando o câmbio favorece o comércio para outros países, mas essa é uma situação pontual), o que põe em risco o processo de desenvolvimento do Estado. A solução é promover a competitividade. Isso significa reciclar-se internamente, mexendo com suas estruturas, que ganham eficiência por meio da integração dos serviços corporativos. Estes absorviam até 25% do tempo e dos recursos dos diretores, sem agregar valor à atividade-fim. A mudança resultou em uma economia de 20% com energia, 11% com telefonia e 6% com a frota de veículos. A integração do planejamento estratégico, dos serviços corporativos e de relacionamento com a indústria permitiu à FIESC perseguir seus objetivos com mais clareza, reduzir custos operacionais e oferecer soluções mais adequadas às demandas empresariais. As Vice-Presidências Regionais foram fortalecidas. Elas passaram a contar com uma pequena estrutura de apoio, para facilitar o contato e o atendimento descentralizado. A atuação junto aos Sindicatos focou na necessidade de torná-los mais eficientes e atrativos, por meio do Programa de Desenvolvimento Associativo. A FIESC foi concebida para que a própria indústria gerisse as contribuições compulsórias com as quais financiava a educação profissional, a assistência social, pesquisas e outras atividades necessárias ao processo de industrialização do País. Ao longo do tempo, as entidades passaram a oferecer novos serviços à indústria. Cresceram e conquistaram grande autonomia, passando a definir suas estratégias e executando os próprios orçamentos, sob coordenação geral da FIESC.

RECICLAGEM ESTRUTURAL Focada na promoção da competitividade e da eficiência, nesta segunda década do século XXI a FIESC aprofundou o processo de aperfeiçoamento de suas estruturas internas e de integração dos serviços corporativos. Visando à descentralização dos atendimentos, as Vice-Presidências Regionais foram fortalecidas por estruturas de apoio e a integração dos serviços corporativos proporcionou racionalização de tempo e de custos. Já o Programa de Desenvolvimento Associativo priorizou o apoio à maior eficiência e à atratividade dos Sindicatos filiados.

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O modelo gerou uma rede complexa de operações. Seu alcance pode ser medido por indicadores, tais como 200 mil trabalhadores atendidos diariamente pelo SESI/SC ou mais de 2 milhões de matrículas realizadas pelo SENAI/SC desde a sua criação. Foi preciso superar limitações e sobreposições entre as entidades, incompatíveis com as atuais demandas do setor industrial. A decisão foi integrar as entidades em torno de uma estratégia comum, dando unidade aos projetos e discursos. A unificação do planejamento estratégico foi um passo decisivo para a completa integração da FIESC e suas entidades. Para essa integração foi criada, em 2012, a Central de Serviços Compartilhados na sede da Federação, em Florianópolis, que passou a realizar o atendimento padronizado a todas as entidades. Em 2013 foram estruturados 12 Núcleos Regionais de Serviços Compartilhados, contemplando a integração dos serviços em todas as regiões de Santa Catarina, uma vez que as entidades da FIESC têm centenas de pontos de atendimento espalhados pelo Estado. As mudanças exigiram a padronização de níveis hierárquicos e remanejamento de pessoal. Nas entidades, algumas diretorias foram extintas e os profissionais se voltaram às atividades-fim. O mesmo ocorreu nos níveis intermediários. Em alinhamento com o Mapa Estratégico da Indústria, da Confederação Nacional da Indústria – CNI, para o período 2013-2022, o Mapa Estratégico da FIESC definiu como objetivo central o fortalecimento da indústria para o desenvolvimento de Santa Catarina, em quatro grandes eixos: Ambiente Institucional, Educação, Inovação e Tecnologia e Qualidade de Vida. Nenhuma iniciativa é empreendida na FIESC sem que esteja compreendida em, pelo menos, um desses grandes e importantes eixos. Esse processo de mudanças serve para enfrentar uma realidade dura. Nos últimos anos, o termo “desindustrialização” passou a assombrar o País. Refere-se à tendência de perda de participação da indústria na formação total de riquezas. Em Santa Catarina, onde a indústria tem maior participação relativa no Produto Interno Bruto que no restante do Brasil, o tema preocupa com mais intensidade.

INTEGRAÇÃO PRODUTIVA Com o objetivo de superar limitações e sobreposições entre suas entidades, a unificação do planejamento estratégico solidificou a integração da FIESC. E uma das ferramentas para viabilizar esse processo foi a criação em 2012 da Central de Serviços Compartilhados, na sede, em Florianópolis. Proporcionando o atendimento padronizado a todas as entidades, a estrutura foi consolidada em 2013 com a implantação de 12 Núcleos Regionais de Serviços Compartilhados espalhados pelo Estado.

APOIO ESTRATÉGICO Por meio do Programa SENAI de Apoio à Competitividade da Indústria, a FIESC investe na implantação dos institutos de inovação e de tecnologia, suporte à excelência do setor industrial catarinense. Já o Movimento A Indústria pela Educação fomenta entre as indústrias a formação e qualificação de trabalhadores, familiares e comunidades.

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Por isso a FIESC iniciou e desenvolve um amplo e inovador Programa de Desenvolvimento Industrial Catarinense (PDIC), que é base para a formulação de uma política industrial para o Estado e serve de bússola para as ações da FIESC na busca da maior competitividade industrial. O programa contempla desde a definição de prioridades de ação política até o desenvolvimento de soluções voltadas aos Setores Portadores do Futuro e à superação de seus entraves. Os projetos que compõem o PDIC são: Setores Portadores do Futuro (identifica os mais promissores para concentrar esforços e atrair investimentos), Rotas Estratégicas Setoriais (aponta os caminhos para o fortalecimento dos Setores Portadores do Futuro) e Masterplan (consolida os principais pontos críticos que afetam a competitividade da indústria). Já foram identificados os 16 setores portadores do futuro, ou seja, aqueles que serão mais competitivos no Estado na próxima década, assim como desenhadas as Rotas Estratégicas Setoriais, que apontarão os caminhos para a construção do futuro desejado. Entre os setores já estabelecidos encontram-se o agroalimentar e o de móveis e madeira, para os quais o desafio é agregar valor a processos e produtos, além de identificar e perseguir os padrões internacionais de excelência. Como fez a centenária indústria do vestuário, que passou a produzir moda, intensificou o lançamento de coleções, formou redes de varejo e superou a concorrência asiática. Para outros setores como cerâmica, metalmecânico e metalurgia e produtos químicos e plásticos, de média ou alta intensidade tecnológica, existe expansão pelo Estado, deixando de se concentrar em polos regionais. De modo semelhante, a chamada economia do mar tem grande potencial de expansão. O setor reúne segmentos como extração de recursos, alimentos, portos, transporte marítimo e construção naval.

XÔ, DESINDUSTRIALIZAÇÃO! A tendência à perda de participação da indústria na formação de riquezas ganhou impulso nos últimos anos, gerando apreensão nos meios empresariais e agregando ao vocabulário o termo “desindustrialização”. Líder da indústria num Estado em que o segmento tem participação relativa na composição do PIB entre as maiores do País, a FIESC detectou cedo a ameaça e tratou de se preparar para a batalha contra a perda de dinamismo. A principal arma foi a implantação do Programa de Desenvolvimento Industrial Catarinense – PDIC 2022, que envolve empresas, governo, instituições de ensino e terceiro setor e traça um mapa estratégico para o futuro da economia do Estado. Na primeira de suas três etapas, o PDIC definiu os chamados Setores Portadores de Futuro, que serão os mais competitivos do Estado na próxima década. Entre os 16 setores listados estão metalmecânico, cerâmico e naval. Em curso, a segunda etapa aponta os caminhos ao futuro desejado e a terceira reunirá os principais pontos que afetam a competitividade.

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PDIC - O MAPA DO FUTURO Setores econômicos identificados como prioritários em cada região do Estado (em ordem de priorização). Norte Oeste

Vale do Itajaí

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Agroalimentar Biotecnologia Móveis e madeira Meio ambiente Tecnologia da informação e comunicação Construção civil Celulose e papel Bens de capital Energia Saúde Turismo

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Economia do mar Têxteis e confecções Turismo Metalmecânico e metalurgia Tecnologia da informação e comunicação Naval Meio ambiente Saúde Bens de capital Construção civil Energia Agroalimentar

• Metalmecânico e metalurgia • Tecnologia da informação e comunicação • Economia do mar • Bens de capital • Meio ambiente • Móveis e madeira • Turismo • Construção civil • Têxteis e confecções • Automotivo • Saúde • Produtos químicos e plásticos • Energia

Planalto Serrano • • • • • • • • • • • • •

Celulose e papel Móveis e madeira Turismo Energia Meio ambiente Tecnologia da informação e comunicação Construção civil Biotecnologia Agroalimentar Bens de capital Saúde Automotivo Aeronáutico

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Sul • • • • • • • • • • • • •

Cerâmica Meio ambiente Turismo Metalmecânico e metalurgia Têxteis e confecções Tecnologia da informação e comunicação Agroalimentar Bens de capital Construção civil Economia do mar Produtos químicos e plásticos Energia Saúde

Grande Florianópolis • Tecnologia da informação e comunicação • Turismo • Economia do mar • Meio ambiente • Cerâmica • Energia • Construção civil • Construção naval • Biotecnologia • Saúde • Nanotecnologia


Os setores automotivo e aeronáutico deverão ser muito importantes para a renovação da matriz produtiva do Estado. São intensivos em tecnologia e tendem a formar vastas redes de fornecedores e prestadores de serviços. Importante também deverá ser o desenvolvimento das indústrias de base tecnológica e de Tecnologia da Informação, já bem representadas em cidades como Florianópolis, Blumenau, Joinville, Criciúma e Chapecó. Elas podem fornecer inovação a várias cadeias produtivas, por isso cabe incentivar também áreas de alcance transversal como a Biotecnologia e a Nanotecnologia. O programa tem longo alcance, pois envolve empresas, governo, instituições de ensino e terceiro setor em uma análise aprofundada das perspectivas da economia catarinense. Participam dos estudos e encontros mais de 1.100 pessoas, incluindo-se 50 doutores e mestres de diferentes especialidades e regiões do Estado e 500 lideranças regionais. Baixos índices de atividade inovadora não são consequência apenas de falta de infraestrutura para pesquisas – pode ser uma questão cultural. Por isso é preciso difundir o conceito entre a indústria. A FIESC, por meio de consultorias do IEL/SC, aplica uma metodologia voltada a incorporar a inovação de forma permanente no dia a dia das empresas. As companhias passam a realizar o mapeamento estratégico da inovação, conseguindo enxergar oportunidades de novos produtos, processos e mercados. Também desenvolvem ferramentas para gerenciar o assunto internamente, criando núcleos estratégicos e fortalecendo a interação entre as áreas. Depois elas definem carteiras de projetos inovadores, podendo obter recursos reembolsáveis e não reembolsáveis por meio de linhas de financiamento próprias para a atividade. A FIESC mobiliza recursos junto a órgãos de fomento e viabiliza contrapartidas para as empresas beneficiadas. Um exemplo é a Escola Profissional Inovadora, projeto voltado para o desenvolvimento de competências para a indústria por meio do uso intensivo de tecnologia em todas as suas dimensões pedagógicas. A FIESC e suas entidades atendem a indústria por meio de um portfólio de mais de 800 produtos e serviços, no qual se incluem de consultorias sobre meio ambiente a cursos técnicos profissionalizantes; de intermediação de estágios a vacinação de trabalhadores contra a gripe; de pesquisa científica aplicada a laudos sobre saúde ocupacional, além da representação política em defesa da indústria. Para que o trabalho surtisse o efeito desejado, entretanto, seria necessária, ainda, uma reformulação na área de mercado da FIESC. O novo Modelo de Relacionamento com a Indústria, desenvolvido pela Diretoria de Comunicação e Marketing (COMAR), tem a integração como um dos objetivos. Mais do que integrar as soluções de cada uma de suas entidades, a abordagem da FIESC passa a ser sistêmica, contemplando soluções que agregam produtos e serviços de mais de uma entidade. Esse trabalho de inteligência de mercado comanda uma ampla revisão de portfólio, retirando o foco da simples oferta de produtos já formatados e colocando as necessidades da indústria no centro da estratégia. Essa ação requer uma articulação em rede, por meio de um protagonista: o Agente de Relacionamento com o Mercado (ARM). Com amplo conhecimento do portfólio e alinhados às novas estratégias e às metas de atendimento, cabe aos ARMs integrar a atuação de relacionamento com a indústria apresentando soluções de todas as entidades da FIESC. A ideia é obter maior eficiência operacional e evitar duplicidade nas abordagens. Considerando as indústrias de menor porte, os setores que mais demandam atendimento são os de construção

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civil, alimentos, vestuário, metalmecânico e madeira, especialmente em ações relacionadas a Saúde e Segurança no Trabalho (foco Qualidade de Vida), Aperfeiçoamento Profissional (Educação) e Metrologia (Inovação e Tecnologia). Somente no biênio 2013-2014 registram-se mais de 130 obras de novas unidades, ampliações ou revitalizações em mais de 50 municípios, todas decididas e dimensionadas de acordo com as demandas das indústrias locais. Nos municípios de pequeno porte, a FIESC e suas entidades investem em parcerias com prefeituras ou empresas ou se faz presente por meio de suas 85 unidades móveis – somente em 2014 foram inauguradas 19 delas – voltadas à inclusão digital, ao ensino profissionalizante e à saúde. Destinados aos quatro focos de atuação da FIESC, os investimentos contemplam de escolas e centros de atendimento até a construção dos já citados Institutos de Tecnologia e de Inovação, com equipamentos dentre os mais modernos do mundo. Os investimentos da FIESC saltaram de R$ 59,2 milhões em 2010 para R$ 116,5 milhões em 2014. A competitividade industrial não se define apenas da porta da fábrica para dentro. Fatores não gerenciáveis pelos empresários podem ser um fardo muito mais pesado que o desafio diário de produzir com qualidade. O Brasil ainda não possui ambiente favorável à realização de negócios, o que impõe ao industrial os reveses do chamado “Custo Brasil”. Segundo o estudo “Competitividade Brasil 2014”, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a competitividade refere-se à habilidade da empresa concorrer no mercado — vale dizer, à sua capacidade de igualar ou superar seus concorrentes na preferência dos consumidores. As empresas dispõem basicamente de dois mecanismos para conquistar essa preferência: preço e diferenciação de seu produto por meio de qualidade, inovação ou propaganda. O potencial competitivo de uma economia pode ser avaliado a partir do exame dos fatores que condicionam a capacidade de suas empresas para o manejo eficaz desses mecanismos de competição. Nesse sentido, cabe considerar dois tipos de fatores. Primeiro, os que afetam diretamente a eficiência das empresas e a eficácia de seu manejo desses instrumentos, como a disponibilidade e custo de mão de obra, disponibilidade e custo de capital, infraestrutura e logística e peso dos tributos. E, segundo, os que condicionam os anteriores e afetam indiretamente o desempenho das empresas, como: ambiente macroeconômico, ambiente microeconômico, nível educacional da população, tecnologia e inovação. O potencial competitivo da economia brasileira foi avaliado em função da posição relativa do Brasil diante de um conjunto de países selecionados em função de suas características econômico-sociais e/ou da natureza de sua participação no mercado internacional. Esse conjunto de países compreende África do Sul, Argentina, Austrália, Canadá, Chile, China, Colômbia, Coreia do Sul, Espanha, Índia, México, Polônia, Rússia e Turquia. A avaliação de oito fatores determinantes da competitividade dos países confere ao Brasil a penúltima posição entre os 15 países selecionados, à frente da Argentina. Apenas nos fatores disponibilidade e custo da força de trabalho e tecnologia e inovação o País não se encontra no terço inferior do ranking (entre a 15ª e a 11ª posição). A melhor posição do Brasil entre os oito fatores é obtida em disponibilidade e custo da força de trabalho (quarta posição em 14) e a pior posição em disponibilidade e custo de capital (15ª), pois o País possui a mais alta taxa de juros real de curto prazo e o maior spread da taxa de juros.

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PORTFÓLIO INTEGRADO Com a agregação de produtos e serviços de suas entidades, o novo Modelo de Relacionamento com a Indústria desenvolvido pela FIESC passou a ter uma abordagem sistêmica na oferta de soluções às empresas. Os objetivos são aumentar a eficiência, evitar duplicidade e ampliar os atendimentos. Para viabilizar essa articulação em rede foi criada a figura dos Agentes de Relacionamento com o Mercado, com amplo conhecimento do portfólio e capazes de apresentar às empresas soluções integradas. Dentre os setores que mais demandam atendimento, entre as indústrias de menor porte, está o da construção civil, especialmente em ações de Saúde e Segurança no Trabalho, aperfeiçoamento profissional e metrologia. E para prestar esses atendimentos por todo o Estado, a FIESC conta, além de cursos em suas instalações fixas, com as unidades móveis, voltadas a inclusão digital, ensino profissionalizante e saúde.

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Afora os desafios comuns à indústria brasileira, há os particulares a Santa Catarina, que tem de lutar para ser contemplada em projetos de infraestrutura e se ressente de desequilíbrios na distribuição de recursos federais. O caminho é a força dos sindicatos com ações como o Programa de Desenvolvimento Associativo e a aproximação das bases por meio da constituição de sedes regionais, que potencializam a percepção das demandas locais e setoriais da indústria. A FIESC tem o maior número de sindicatos filiados em todo o Brasil. A meta é associar mais empresas. No processo de melhor orientar suas ações, as Vice-Presidências para Assuntos Regionais e Estratégicos reúnem-se mensalmente para formulação das estratégias da Federação. Outro colegiado importante é o Fórum Estratégico da Indústria, formado por lideranças reconhecidas que dão peso às decisões da FIESC. Na retaguarda do processo estão as 21 Câmaras Setoriais e Comitês Temáticos que geram informações para a ação política, estruturados para fornecer subsídios ao posicionamento da FIESC diante de temas prioritários e formular estratégias para o desenvolvimento industrial. São 16 Câmaras especializadas em assuntos que vão dos tributários aos trabalhistas, contemplando setores como construção civil, automotivo e micro e pequenas empresas. Os cinco Comitês tratam de assuntos como carvão mineral, petróleo e gás, logística reversa e desenvolvimento aeronáutico. Definidos os temas prioritários e as linhas de ação, a FIESC busca interlocução junto aos Poderes constituídos levando as demandas empresariais, articulando bancadas parlamentares, influenciando políticas públicas e orientando ações judiciais, dentre outras intervenções possíveis para a construção de um ambiente favorável aos investimentos e operações industriais. Para o êxito do trabalho são fundamentais as parcerias e a FIESC busca o alinhamento com diversas entidades empresariais para a convergência de agendas e a união de força política. Numa ação coordenada com as Federações das Indústrias dos demais estados do Sul, por meio do Fórum Industrial Sul, a FIESC atua junto às bancadas da região que integram o Legislativo Federal.

DEMANDAS E ARTICULAÇÃO Com desafios extras em relação a outras regiões do País, pelo desequilíbrio na distribuição de recursos federais, Santa Catarina conta com o protagonismo da FIESC na luta para ser contemplada em projetos de infraestrutura. Respaldada por diversas estruturas, fóruns e colegiados, a Federação busca a interlocução junto aos Poderes constituídos, encaminhando demandas e influenciando políticas públicas. A ampliação da disponibilidade de energia e de gás natural e a instalação de ferrovias para melhoria da infraestrutura logística estão entre as prioridades.

110


A indústria catarinense já obteve importantes resultados no campo institucional, como a inclusão do Estado no Gasoduto Brasil-Bolívia, a formulação e aprovação do Código Ambiental de Santa Catarina e do Código de Direitos e Deveres do Contribuinte Catarinense e a inclusão do carvão mineral na matriz energética brasileira. Energia é uma das prioridades para os próximos anos. É preciso aumentar a disponibilidade de gás natural e de energia para dar segurança ao sistema do Sul. Na infraestrutura logística, as prioridades são a instalação de ferrovias que aproximem as regiões produtoras dos portos e centros de consumo e a melhoria da mobilidade. A modernização das leis trabalhistas é um tema central, assim como a redução da carga tributária. Também está em pauta a criação de um Fundo Constitucional para o desenvolvimento do Sul. Com forte tradição exportadora, Santa Catarina fornece produtos a 200 países. Mas a complexidade das relações internacionais e o acirramento da concorrência mundial requerem uma nova abordagem da indústria. É nesse contexto que a FIESC desenvolve o Programa Estratégico para a Internacionalização da Indústria Catarinense. Na frente de promoção comercial as ações contemplam parcerias com instituições como Sebrae e APEX Brasil, com programas voltados às exportações de micro e pequenas empresas, dentre outros. A FIESC organiza missões empresariais a feiras e eventos internacionais, encontros de negócios e capacitação por meio de workshops e cursos. Outra importante iniciativa é a promoção dos portos catarinenses. O programa Portos SC é uma ação conjunta dos portos do Estado para captação de cargas em todo o mundo, por meio de articulação liderada pela FIESC. O programa de internacionalização vai além do objetivo de consolidar e ampliar as exportações. Inclui atrair investimentos estrangeiros para tornar o Estado um entroncamento industrial global, com ênfase na importação de matérias-primas, manufatura e exportação. A atração de investimentos inclui promoção institucional e divulgação de oportunidades para a produção industrial e prestação de serviços no Estado.

ENTRONCAMENTO GLOBAL No contexto da complexidade das relações internacionais e de acirramento da concorrência mundial, a FIESC desenvolve o Programa Estratégico para a Internacionalização da Indústria Catarinense. Ele vai além da meta de ampliar as exportações e busca tornar o Estado um entroncamento industrial global. Entre outras ações, apoia as exportações de micro e pequenas empresas, e em outra frente o programa Portos SC atua na captação de cargas em todo o mundo.

111


Saúde nas empresas competitivas Ambientes de trabalho seguros e saudáveis são fatores de redução de riscos e custos e de ganhos de produtividade. Empresas que mantêm baixos índices de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais têm custos reduzidos com planos de saúde e Previdência Social. Nas empresas com indicadores baixos, o valor do seguro de acidentes pode dobrar e chegar a 6% da folha de pagamento. Quando os indicadores são positivos, as despesas podem cair à metade da alíquota original. Investimentos em qualidade de vida do trabalhador geram retornos de até cinco vezes o valor dos recursos aplicados. A maneira de obter os melhores resultados é a gestão integrada da qualidade de vida, praticada pelas empresas em nível estratégico. O SESI/SC integra suas soluções em Programas de Gestão da Qualidade de Vida, que contemplam os ciclos de diagnóstico, planejamento, ação, verificação e análise. O SESI realiza campanhas para conscientização dos trabalhadores, o que resulta na redução do uso de sal e em cardápios mais saudáveis. Outra frente é o incentivo ao esporte. Milhares de trabalhadores participam de competições esportivas, com destaque para os Jogos do SESI, que disponibiliza estruturas para esporte e lazer em todo o Estado. Mais de 100 mil trabalhadores praticam diariamente a ginástica laboral. O SESI também oferece ginástica funcional, voltada a atividades laborais específicas, e ainda a gestão de academias in company. A FIESC mantém uma rede de farmácias, com média de mais de 470 mil atendimentos mensais. Com o auxílio da rede, são realizadas pesquisas para detecção de doenças como diabetes e hipertensão, prestando orientações aos portadores. Eficiência, produtividade, competitividade, resultados. Mais do que meras palavras de efeito dos manuais de administração, esses são conceitos fundamentais para a superação das dificuldades e a construção de um futuro brilhante para a indústria de Santa Catarina. Oferecendo ativa representação política diante das questões que afetam a indústria, serviços que permitem o acesso de empresas a conhecimentos avançados e a tecnologias de ponta em nível mundial e disponibilizando serviços que preenchem lacunas deixadas pelo Setor Público, dentre outras atribuições, a FIESC reafirma sua relevância histórica no cenário socioeconômico de Santa Catarina. Em 65 anos de atividades, a FIESC representa um salto à frente da indústria catarinense. Diante dos novos desafios, intensifica sua atuação com um projeto integrado de soluções compartilhadas entre empresários, trabalhadores, autoridades e a sociedade brasileira.

CARDÁPIO: QUALIDADE DE VIDA Fator estratégico à produtividade da indústria, o bem-estar do trabalhador é o eixo principal da atuação do SESI/SC, ofertando produtos, serviços e instalações que abrangem áreas como saúde, alimentação, esporte e lazer.

112


O salto da educação Nas 50 mil indústrias existentes em Santa Catarina, trabalham 800 mil colaboradores. Uma das principais necessidades das empresas é atrair e reter esses funcionários. O contexto atual é de escassez de pessoal qualificado e mesmo não qualificado no mercado de trabalho. E a qualidade do ensino no Brasil ainda está entre as piores do mundo, o que resulta em baixa produtividade média do trabalhador. A FIESC busca suprir essa demanda oferecendo serviços de educação profissional, básica, continuada e executiva, além de programas de estágios e capacitações, por meio de suas entidades. Ao invés de soluções isoladas, programas de gestão da saúde e qualidade de vida são incorporados pelas indústrias, para atrair e reter talentos e gerar resultados financeiros e de produtividade. Nos últimos 15 anos, a FIESC multiplicou por 10 o número de matrículas em cursos técnicos e a formação de aprendizes industriais. Desde 2012, intensifica as ações do Movimento A Indústria pela Educação, iniciativa que fomenta entre as indústrias a formação e a qualificação de trabalhadores, seus familiares e comunidades. A meta é ousada: até 2022, todos os trabalhadores da indústria estadual deverão ter escolaridade básica completa e contar com educação tecnológica e profissional adequada à sua formação. Além disso, a FIESC firma parcerias para promover a inserção social de jovens em situação de risco, que passam a ter acesso ao ensino profissional. É o caso do projeto Novos Caminhos, que tem entre os parceiros o Tribunal de Justiça de Santa Catarina e a Associação dos Magistrados Catarinenses. Já a Fundação Victor Civita e o Movimento Todos pela Educação passaram a compartilhar experiências e informações. As ações da FIESC se agregam a outras iniciativas da sociedade, como a campanha A Educação Precisa de Respostas, do Grupo RBS, que foca na qualificação da educação básica.

PODER MOBILIZADOR Liderado pela FIESC, Movimento A Indústria pela Educação aglutina instituições da sociedade, esferas governamentais e indústrias em torno da formação e qualificação de trabalhadores e da comunidade em geral.

O SENAI/SC conta hoje com 60 unidades educacionais fixas espalhadas pelo Estado. As Unidades Móveis oferecem cursos de educação continuada e inclusão digital, ou se constituem em laboratórios completos, com equipamentos para o ensino de automação industrial, usinagem ou solda, dentre outros. Outra solução são os Laboratórios Didáticos Móveis (LDM), que podem ser montados em qualquer terreno. O SENAI/SC também é um dos principais parceiros do Governo Federal no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), que oferece cursos gratuitos de nível técnico e de qualificação.

113


Desempenho da FIESC em números INVESTIMENTOS DE PESO  Recursos para ampliação e modernização da estrutura da FIESC

R$ 95 milhões

R$ 93,5 milhões R$ 68 milhões

R$ 107,8 milhões

R$ 109,7 milhões

2014

2013

2012

2011

2010 Fonte: GECON

INOVAÇÃO E TECNOLOGIA

Serviços prestados – SESI/SC, SENAI/SC e IEL/SC (horas de produção) 226 mil

2012

2012

2013

2014

257 mil

2013

290 mil

2014

Fonte: SAD – Sistema de Apoio à Decisão

EDUCAÇÃO

Matrículas totais – SESI/SC, SENAI/SC e IEL/SC

350,9 mil 298,4 mil

210,5 mil 2011

114

227,8 mil 2012

2014

2013

Fonte: SAD – Sistema de Apoio à Decisão


SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO Atendimentos/ano – SESI/SC

786,4 mil

745,8 mil

ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL Atendimentos/dia – SESI/SC

106,6 mil 106,4 mil 2011

2012

110 mil 2013

640,8 mil

90,6 mil 2014

556,3 mil

2012

2011

2014

2013

Fonte: SAD – Sistema de Apoio à Decisão

Fonte: SAD – Sistema de Apoio à Decisão

Indústria de Santa Catarina em gráficos ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DE SC 45.202

42.286

2010

2011

Fonte: RAIS-Ministério do Trabalho e Emprego

47.214

2012

TRABALHADORES NA INDÚSTRIA DE SC

49.923

2013

735.877

763.197

761.657

805.415

2010

2011

2012

2013

Fonte: RAIS-Ministério do Trabalho e Emprego

115


EXPORTAÇÕES DE SC (US$ FOB mil)

9.051.045

8.920.676

2011

2012

8.987.359 8.688.848

2014

2013

7.582.023 2010

Fonte: MDIC/Secex

FATURAMENTO MÉDIO MENSAL Indústria de transformação de SC (R$ mil) 2.434.923,42

2.235.657,36

2010

2011

2.695.366,57

2012

2.933.481,65

2013

3.077.396,43

2014

Fonte: FIESC/Pesquisa Indicadores Industriais (amostral)

PARTICIPAÇÃO DA INDÚSTRIA NO PIB DE SC (*) (
 Em %)

34,1

33,7

35,1

2010

2011

2012

(*) Indústria de transformação, extrativa mineral, construção civil e Serviços Industriais de Utilidade Pública
 Fonte: IBGE

116


ENTIDADES BEM ESTRUTURADAS VICE-PRESIDÊNCIAS REGIONAIS DA FIESC

SESI/SC

SENAI/SC

IEL/SC

Indústrias atendidas em

Indústrias atendidas em

Indústrias atendidas em

222

municípios Unidades Escolares

50

197 municípios

Unidades Educacionais

60

fixas

Salas de Aula

Unidades de Farmácia

74

594

Laboratórios Educacionais

684

Unidades de Alimentação

92 12

Unidades Móveis

14

Regionais

10

Extensões

2

Laboratórios Didáticos Móveis

Centro de Saúde do Trabalhador

de Educação

23

móveis

127

municípios

58

de Saúde

Fonte: COMAR | AGO SESI

194

Institutos SENAI

3

7

de Inovação de Tecnologia Laboratórios de Ensaio

14

Fonte: COMAR / AGO SENAI

Fonte: COMAR | AGO IEL

Dados de Dez/2014

117


D i retor i as

e

C onse l h os

da

FIESC

FIESC

GESTÃO 2014 - 2017 Presidente – Glauco José Côrte 1º Vice-Presidente – Mario Cezar de Aguiar Diretor 1º Secretário – Edvaldo Ângelo Diretor 2º Secretário – Cid Erwin Lang Diretor 1º Tesoureiro – Alfredo Piotrovski Diretor 2º Tesoureiro – Egon Werner Vice-Presidentes para Assuntos Regionais Álvaro Luis de Mendonça – Alto Uruguai Catarinense Arnaldo Huebl – Planalto Norte Astor Kist – Extremo-Oeste Célio Bayer – Vale do Itapocu Diomício Vidal – Sul Evair Oenning – Norte-Nordeste Gilberto Seleme – Centro-Oeste Ingo Fischer – Vale do Itajaí-Mirim Israel José Marcon – Serra Catarinense Lino Rohden – Alto Vale do Itajaí Márcio Luís Dalla Lana – Centro-Oeste Maurício Cesar Pereira – Foz do Rio Itajaí Michel Miguel – Litoral Sul Ronaldo Baumgarten Júnior – Vale do Itajaí Tito Alfredo Schmitt – Sudeste Waldemar Antonio Schmitz – Oeste Vice-Presidentes para Assuntos Estratégicos Mário Lanznaster Ney Osvaldo Silva Filho Rui Altenburg Diretores Adalberto Roeder Albano Schmidt Aldo Apolinário João Alexandre D’Ávila da Cunha André Armin Odebrecht Bárbara Paludo Carlos Júlio Haacke Júnior César Murilo Barbi Charles Alfredo Bretzke Charles José Postali Conrado Coelho Costa Filho Giordan Heidrich Henrique de Bastos Malta Ida Áurea da Costa José Sylvio Ghisi Olvacir José Bez Fontana Osni Carlos Verona Osório Dal Bello Otmar Josef Müller Pedro Leal da Silva Neto Roberto Marcondes de Mattos Rogério Pedro Mendes Vianei Amilcare Zappellini Volmir Antônio Meotti Walgenor Teixeira Wanderley Zunino Conselho Fiscal Efetivos Celso Panceri Fred Rubens Karsten Leonir João Pinheiro Suplentes Amauri Eduardo Kollross Flávio Henrique Fett Rita Cássia Conti

118

Delegação junto à CNI Efetivos Glauco José Côrte Mario Cezar de Aguiar Suplentes Jair Philippi João Stramosk

CIESC Presidente – Glauco José Côrte Vice-Presidente – Mario Cezar de Aguiar Diretora 1º Secretária – Sílvia Hoepcke da Silva Diretor 2º Secretário – Marcelo Rodrigues Diretor 1º Tesoureiro – Luciano Flávio Andriani Diretor 2º Tesoureiro – José Fernando da Silva Rocha Conselho Consultivo Adolfo Fey Claudio Ávila da Silva Cláudio Roberto Grando Evandro Müller de Castro Hilton Siqueira Leonetti José Adami Neto José Antônio Philippi Joachim Gerecht Luiz Gonzaga Coelho Nivaldo Pinheiro Noiodá José Damiani Odelir Battistella Conselho Fiscal Efetivos Juarez de Magalhães Rigon Newton João Fabris Valcir José Zanette Suplentes Amilcar Nicolau Pelaez Edson Osvaldo Amaral Fernandes Luiz Andretta

SESI/SC

Presidente – Glauco José Côrte 1º Vice-Presidente – Mario Cezar de Aguiar Representantes da Indústria Titulares Luis Carlos Guedes Luis Eduardo Broering Maria Regina de Loyola Rodrigues Alves Ulrich Kuhn Suplentes Ademir José Pereira Elias Rogério Lunardi Eliezer da Silva Matos Ramiro Cardoso Representantes Institucionais Titulares Ari Oliveira Alano – Trabalhadores da Indústria Paulo César da Costa – Governo do Estado Luiz Miguel Vaz Viegas – Ministério do Trabalho e Emprego Suplentes Carlos Alberto Baldissera – Trabalhadores da Indústria Sergio Luiz Gargioni – Governo do Estado Alberto Roberge Causs – Ministério do Trabalho e Emprego


SENAI/SC Presidente – Glauco José Côrte 1º Vice-Presidente – Mario Cezar de Aguiar Representantes da Indústria Titulares Cesar Augusto Olsen Hilton José da Veiga Faria Osvaldo Luciani Sergio Augusto Carvalho da Silva Suplentes Cláudio Luis Kurth Orlindio da Silva Fernando Mayer Vincenzo Francesco Mastrogiacomo Representantes Institucionais Titulares Miguel Padilha – Trabalhadores da Indústria Maria Clara Kaschny Schneider – Ministério da Educação Luiz Miguel Vaz Viegas – Ministério do Trabalho e Emprego Suplentes Carlos Artur Barboza – Trabalhadores da Indústria Silvana Rosa Lisboa de Sá – Ministério da Educação Alberto Roberge Causs – Ministério do Trabalho e Emprego

IEL/SC

Presidente – Glauco José Côrte 1º Vice-Presidente – Mario Cezar de Aguiar Diretor-Tesoureiro – Luciano Flávio Andriani Representante da FIESC Carlos Frederico da Cunha Teixeira Conselho Consultivo Efetivos Ângela Teresa Zorzo Dal Piva Hans Heinrich Bethe Liandra Nazário Nóbrega Marco Antônio Corsini Mircon Norberto Becker Paulo Rubens Obenaus Valério Gomes Neto Suplentes Álvaro Schwegler Celso Marcolin Eduardo Seleme Flávio José Martins Heleny Mendonça Meister Márcio Vaccaro Sérgio Luiz Moretto Conselho Fiscal Efetivos Ilton Paschoal Rotta Marcus Schlösser Norberto Viana Suplentes Alexsandro da Cruz Barbosa Harry Perusin Joacir Antônio Dalvit Representantes Institucionais Titulares BRDE - Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo sul FAPESC - Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de Santa Catarina FUNDAÇÃO CERTI - Centro de Referência em Tecnologias Inovadoras

SEBRAE/SC - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SISTEMA ACAFE - Associação Catarinense das Fundações Educacionais UDESC - Universidade do Estado de Santa Catarina UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina Fórum Estratégico Adolfo Fey Álvaro Toubes Prata Carlos Rodolfo Schneider Carlos Victor Ohf César Bastos Gomes Décio Silva Edvaldo Ângelo Felipe Hansen Fernando Marcondes de Mattos Frank Bollmann Germano Purnhagen Glauco José Côrte Hildo Battistella Ingo Fischer João Carlos Brega João Karsten Neto Jorge Konder Bornhausen José Fernando Xavier Faraco Luiz Tarquínio Sardinha Ferro Manoel Arlindo Zaroni Torres Mario Cezar de Aguiar Mario Lanznaster Michel Miguel Neuto de Conto Ney Osvaldo Silva Filho Osvaldo Moreira Douat Ovandi Rosenstock Renato de Mello Vianna Rolf Buddemeyer Rui Altenburg Vicente Donini Vilson Hermes Presidentes/Coordenadores de Câmaras e Comitês Temáticos e Setoriais Agroindústria – Mário Lanznaster Assuntos Tributários e Legislativos – Sérgio Rodrigues Alves Automotiva – Hugo Eurico Ferreira Comércio Exterior – Maria Teresa Bustamante Construção – João Formento Energia – Otmar Josef Müller Florestal – Odelir Battistella Mobiliário – Arnaldo Huebl Moda – Sérgio Luis Pires Micro e Pequena Empresa   Panificação e Confeitaria – Norberto Viana Pesca – Dario Luiz Vitali Qualidade Ambiental – José Lourival Magri Relações Trabalhistas – Durval Marcatto Jr. Saúde Tecnologia e Inovação – Alexandre D’Ávila da Cunha Transporte e Logística – Mario Cezar de Aguiar Comitê do Petróleo e Gás – Edgar Cardoso da Silva Comitê para a Logística Reversa – Albano Schmidt Comitê para o Carvão Mineral – Fernando Luiz Zancan Comitê Aeronáutica – Cesar Augusto Olsen Comitê Gerenciador do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H) Diretoria Executiva da Fiesc e suas Entidades Antônio José Carradore Carlos Henrique Ramos Fonseca Carlos José Kurtz Carlos Roberto de Farias Eloir Edilsom Simm Fabrizio Machado Pereira Fernando Pisani de Linhares Jefferson de Oliveira Gomes Maurício Capra Pauletti Natalino Uggioni Rodrigo Carioni Silvestre José Pavoni

119


S i nd i catos

q u e i nte g ra m a

F iesc

Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de Santa Catarina Sindicato da Indústria da Alimentação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí Sindicato da Indústria da Cerâmica Vermelha de Morro da Fumaça

Sindicato da Indústria de Cerâmica para Construção e de Olaria de Tubarão Sindicato da Indústria de Extração de Carvão do Estado de Santa Catarina Sindicato da Indústria de Extração de Madeiras no Estado de Santa Catarina

Sindicato da Indústria da Construção Civil da AMAI Sindicato da Indústria da Construção Civil da Grande Florianópolis Sindicato da Indústria da Construção Civil de Itapema Sindicato da Indústria da Construção Civil de Joinville Sindicato da Indústria da Construção Civil de Tubarão Sindicato da Indústria da Construção Civil do Sul Catarinense Sindicato da Indústria da Construção Civil dos Municípios da Foz do Rio Itajaí Sindicato da Indústria da Construção Civil e Artefatos de Cimento Armado do Alto Uruguai Catarinense Sindicato da Indústria da Construção de Balneário Camboriú Sindicato da Indústria da Construção e de Artefatos de Concreto Armado do Extremo Oeste de Santa Catarina Sindicato da Indústria da Construção e de Artefatos de Concreto Armado do Oeste de Santa Catarina Sindicato da Indústria da Construção e do Mobiliário de Blumenau Sindicato da Indústria da Construção e do Mobiliário de Brusque, Guabiruba, Botuverá e Nova Trento Sindicato da Indústria da Construção e do Mobiliário de Concórdia Sindicato da Indústria da Construção e do Mobiliário de Ibirama

Sindicato da Indústria de Extração de Pedreiras do Estado de Santa Catarina Sindicato da Indústria de Massas Alimentícias e Biscoitos do Sul Catarinense Sindicato da Indústria de Material Plástico no Estado de Santa Catarina Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria de Criciúma Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria de Joinville Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria de Tubarão e Região Sindicato da Indústria de Serrarias, Carpintarias, Marcenaria, Palitos e Fósforos, Madeiras Compensadas e Lâminas, Aglomerados e Chapas de Fibras de Madeiras de Curitibanos Sindicato da Indústria de Serrarias, Carpintarias, Tanoarias, Madeiras Compensadas e Laminadas e Chapas de Fibras de Madeira do Vale do Uruguai Sindicato da Indústria de Serrarias, Carpintarias, Tanoarias, Madeiras Compensadas e Laminadas, Aglomerados e Chapas de Fibras de Madeira de Canoinhas, Três Barras e Major Vieira Sindicato da Indústria de Serrarias, Carpintarias, Tanoarias, Madeiras Compensadas e Laminadas, Aglomerados e Chapas de Fibras de Madeira de Joaçaba Sindicato da Indústria de Serrarias, Carpintarias, Tanoarias, Madeiras Compensadas e Laminadas, Aglomerados e Chapas de Fibras de Madeira no Estado de Santa Catarina Sindicato da Indústria de Torrefação e Moagem do Café no Estado de Santa Catarina

Sindicato da Indústria da Construção e do Mobiliário de Jaraguá do Sul

Sindicato da Indústria do Arroz no Estado de Santa Catarina

Sindicato da Indústria da Construção Pesada e Afins do Estado de Santa Catarina

Sindicato da Indústria do Couro, Calçado, Vestuário e Artefatos de Couro de Caçador

Sindicato da Indústria da Madeira e do Mobiliário da Amurel

Sindicato da Indústria do Fumo da Região Sul do Brasil

Sindicato da Indústria da Panificação e Confeitaria da Grande Florianópolis

Sindicato da Indústria do Mate de Catanduvas

Sindicato da Indústria da Pesca, dos Armadores e da Aquicultura da Grande Florianópolis e Sul Catarinense Sindicato da Indústria de Calçados de Criciúma Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado de Santa Catarina

120

Sindicato da Indústria do Mate no Estado de Santa Catarina Sindicato da Indústria do Trigo no Estado de Santa Catarina Sindicato da Indústria do Vestuário de Criciúma Sindicato da Indústria do Vestuário de Joinville


Sindicato da Indústria do Vestuário de Tubarão

Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem, Malharia e Tinturaria, de Brusque, Botuverá e Guabiruba

Sindicato da Indústria do Vinho de Santa Catarina Sindicato da Indústria Plástica do Sul Catarinense

Sindicato das Indústrias de Informática do Estado de Santa Catarina

Sindicato das Indústrias Cerâmicas e Olarias do Vale do Araranguá

Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados de Santa Catarina

Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário de Lages

Sindicato das Indústrias de Madeira do Médio e Alto Vale do Itajaí

Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário de Mafra Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário de Porto União Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário de Rio do Sul Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário de Rio Negrinho Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário de São Bento do Sul Sindicato das Indústrias da Construção Naval de Itajaí e Navegantes Sindicato das Indústrias da Mandioca e do Açúcar de Rio do Sul, Ilhota e São João Batista Sindicato das Indústrias de Alimentação de Jaraguá do Sul Sindicato das Indústrias de Alimentação do Extremo Oeste Catarinense

Sindicato das Indústrias de Malharias e Meias de Joinville Sindicato das Indústrias de Marcenaria, de Móveis de Junco e Vime e de Vassouras, de Cortinados e Estofados de Blumenau Sindicato das Indústrias de Mármores, Granitos e Pedras Decorativas do Estado de Santa Catarina Sindicato das Indústrias de Molduras da Região da Amurel e Amrec Sindicato das Indústrias de Móveis de Madeira, Serrarias, Carpintarias, Marcenarias, Tanoarias, Madeiras Compensadas e Laminadas, Aglomerados e Chapas de Fibras de Madeiras de Criciúma Sindicato das Indústrias de Olaria, de Cerâmica para Construção, de Mármores e Granitos de Chapecó Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria, Produtos de Cacau, Balas, Massas Alimentícias, Biscoitos, Doces e Conservas Alimentícias de Concórdia Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitarias de Lages

Sindicato das Indústrias de Artefatos Plásticos e Brinquedos de Blumenau

Sindicato das Indústrias de Panificação, Confeitaria e de Produtos Alimentícios de Blumenau e Região

Sindicato das Indústrias de Calçados de São João Batista

Sindicato das Indústrias de Pré-Moldados e Artefatos de Cimento da Grande Florianópolis

Sindicato das Indústrias de Carnes e de Beneficiamento de Cereais de Nova Veneza Sindicato das Indústrias de Celulose e Papel de Santa Catarina

Sindicato das Indústrias de Refrigeração, Aquecimento e Tratamento de Ar, de Compressores Herméticos para Refrigeração e de Artigos e Equipamentos Odontológicos, Médicos e Hospitalares de Joinville

Sindicato das Indústrias de Cerâmica de Criciúma Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral e do Fumo de Blumenau Sindicato das Indústrias de Confecções e do Vestuário da Grande Florianópolis Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem de Joinville Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem de São Bento do Sul Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem, Confecção e do Vestuário do Alto Vale do Itajaí

Sindicato das Indústrias de Refrigerantes do Estado de Santa Catarina Sindicato das Indústrias de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de Santa Catarina Sindicato das Indústrias de Serrarias, Carpintarias e Tanoarias de Lages Sindicato das Indústrias de Serrarias, Carpintarias, Tanoarias, Madeiras Compensadas e Laminadas, Aglomerados e Chapas de Fibras de Madeira de Blumenau Sindicato das Indústrias de Serrarias, Carpintarias, Tanoarias, Madeiras Compensadas e Laminadas, Aglomerados e Chapas de Fibras de Madeira de Caçador

121


S i nd i catos

q u e i nte g ra m a

F iesc

Sindicato das Indústrias de Vidros, Cristais, Espelhos, Cerâmica de Louça e Porcelana de Blumenau

Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de São Bento do Sul

Sindicato das Indústrias do Material Plástico do Oeste Catarinense

Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Timbó

Sindicato das Indústrias do Material Plástico dos Municípios da AMFRI

Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Xanxerê

Sindicato das Indústrias do Mobiliário da Grande Florianópolis Sindicato das Indústrias do Vestuário de Brusque, Botuverá, Guabiruba e Nova Trento

Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e do Material Elétrico da Região do Alto Uruguai Catarinense

Sindicato das Indústrias do Vestuário do Oeste de Santa Catarina

Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e do Material Elétrico de Brusque

Sindicato das Indústrias do Vestuário, Fiação e Tecelagem de Jaraguá do Sul

Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e do Material Elétrico de Caravaggio

Sindicato das Indústrias do Vestuário, Fiação, Tecelagem, Calçados e Couro do Alto Uruguai Catarinense

Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e do Material Elétrico de Chapecó

Sindicato das Indústrias dos Descartáveis Plásticos do Estado de Santa Catarina

Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e do Material Elétrico de Indaial

Sindicato das Indústrias Gráficas da Grande Florianópolis

Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e do Material Elétrico de Rio do Sul

Sindicato das Indústrias Gráficas da Microrregião de Itajaí Sindicato das Indústrias Gráficas de Blumenau Sindicato das Indústrias Gráficas de Concórdia Sindicato das Indústrias Gráficas de Joinville Sindicato das Indústrias Gráficas de Rio do Sul Sindicato das Indústrias Gráficas do Oeste de Santa Catarina Sindicato das Indústrias Gráficas do Sul Catarinense Sindicato das Indústrias Gráficas nas Regiões da Serra e Vale do Rio do Peixe no Estado de Santa Catarina Sindicato das Indústrias Mecânicas, Oficinas Mecânicas e Serviços de Chapeação e Pintura em Veículos do Extremo Oeste de Santa Catarina Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico de Joinville Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Blumenau

Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e do Material Elétrico de Tubarão Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e Materiais Elétricos de Itajaí Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e Materiais Elétricos de Lages Sindicato das Indústrias Químicas do Sul Catarinense Sindicato das Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de Santa Catarina Sindicato de Indústria Cerâmica para Construção do Vale do Itajaí, Centro, Norte e Planalto Catarinense Sindicato dos Armadores e das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal

Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Criciúma

Sindicato Nacional da Indústria do Cimento

Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Florianópolis

Sindicato Patronal da Indústria da Mecânica de Joinville e da Indústria da Mecânica, Metalúrgica e do Material Elétrico da Região

Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Jaraguá do Sul Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Joaçaba

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B i b l i o g raf i a

AMARAL, Thiago Periard do. Formação econômica de Santa Catarina: uma abordagem institucionalista. Florianópolis, 2007. 85 f. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro Sócio-Econômico. Programa de Pós-Graduação em Economia. Disponível em: http://www.tede.ufsc.br/teses/PCNM0179-D.pdf. Confederação Nacional da Indústria. CNI – Competitividade Brasil 2014 - comparação com países selecionados. São Paulo, 2015. GOULARTI FILHO, Alcides. Formação econômica de Santa Catarina. 2. ed. rev. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2007. 473 p. Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina. FIESC: relatório anual 2014. Florianópolis, 2015. Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina. FIESC Competitiva: Resultados para a indústria catarinense 2011-2014. Florianópolis, 2014. FIESC 50 Anos: uma história voltada para a indústria catarinense. Florianópolis: Editora Expressão, 2000. 148 p. il. FIESC 60 Anos: A força da indústria catarinense. Florianópolis: Editora Expressão, 2010. 180 p. il.

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I cono g raf i a

Acervo Defesa Civil de Blumenau – página 68

DPA- Deutsche Presse-Agentur – página 40 (à direita)

Acervo Rogério Dalsasso – página 42

Edson Junkes – páginas 9, 52, 57 (centro), 69, 71, 75, 84

Aldo Machado / Arquivo FIESC – páginas 78, 82 (acima), 86 e 87 (à direita) André Vanzin / Arquivo SESI/SC – página 69 (à esquerda) Arquivo BRDE – página 37 Arquivo Buddemeyer – página 18 (acima) Arquivo Cecrisa – páginas 24 e 62 Arquivo Cia. Hering – página 14 Arquivo Ciser – página 16 Arquivo CNI / Institucionais – página 43

(acima à esquerda), 89 (abaixo), 109 (centro à direita), 111 (acima à esquerda e abaixo) e 113 Elmar Meurer / Arquivo FIESC – página 103 Elvis Palma – página 109 (acima) Gabriel Heusi / Arquivo SESI/SC – página 112 (à direita) Heraldo Carnieri / Arquivo FIESC – guarda 1 e páginas 61 (abaixo à direita), 100 e 109 (centro à esquerda e abaixo) in: contestado. Editora Index – página 10 Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina – página 32 e 35 (à direita)

Arquivo Cremer – página 20

Marcos Campos / Arquivo FIESC – página 101 (acima)

Arquivo Eliane - página 26

Markito / Arquivo FIESC – páginas 67, 76 (abaixo), 84

Arquivo Enercan – página 110 (abaixo)

(acima à direita e ambas abaixo), 90, 91 (abaixo), 110 (acima

Arquivo Expressão – páginas 49 e 74 (à esquerda) Arquivo FIESC – páginas 34, 47, 48, 50, 53 (abaixo), 55, 56, 57 (acima à esquerda e abaixo), 58, 59, 60, 61 (acima

à direita) e 111 (à direita) Nica Azevedo - Tempo Editorial / Arquivo FIESC – página 94 (abaixo)

e abaixo à esquerda), 65, 81, 87 (esquerda), 89 (acima e

Nico Esteves - Tempo Editorial / Arquivo FIESC –

centro), 91 (acima), 92, 93, 94 (ambas acima), 96 (exceto a

página 76 (centro)

acima), 101 (abaixo), 104 (acima), 105 e 117 (à direita)

Peninha Machado / Arquivo FIESC – página 80

Arquivo Histórico de Itajaí – página 40 (à esquerda)

Phillipe Arruda / Arquivo Expressão – página 72

Arquivo Histórico de Joinville – páginas 6, 11, 53 (acima)

(foto maior)

e 54 (abaixo)

Plínio Bordin / Arquivo FIESC – páginas 64, 69 (à

Arquivo Histórico Municipal Pedro Milanez –

direita), 72 (detalhe), 74 (à direita) e 76 (acima)

Criciúma (SC) – páginas 13 e 54 (acima)

Shutterstock – páginas 98 e 110 (acima à esquerda)

Arquivo Histórico Sadia – páginas 23 e 96 (alto)

Tempo Editorial / Arquivo FIESC – página 82 (abaixo)

Arquivo Karsten – página 17 Arquivo Malwee Malhas – página 88 Arquivo Perdigão – páginas 30 e 31

Histórias de Sucesso

Arquivo SENAI/SC – páginas 79, 104 (abaixo) e 117 (centro)

Fabio Dias – páginas 150 e 151

Arquivo SESI/SC – páginas 41, 70, 112 (à esquerda) e

Jair Fabiciack / ASCOM / CESAP – páginas 138 e 139

117 (à esquerda) Arquivo Tractebel Energia – página 39 Arquivo Tupy – páginas 18 (abaixo), 27 e 44 Arquivo WEG – página 25

João Wendel – página 165 (acima à direita) Marcus Quint – páginas 142 e 143 Markito página 165 (centro à direita) Plínio Bordin – páginas 164 e 165 (à esquerda e à

Arquivo Whirlpool – página 29

direita abaixo)

Divulgação Governo Federal – página 35 (à esquerda)

* Demais fotos dessa seção: arquivos das empresas.

124


Expe di e nte

Projeto Editorial Editora Expressão Diretor Corporativo Antonio Carlos Coutinho Coordenador Executivo Rodrigo Coutinho Edição de Textos Nei Duclós Secretário de Redação / Legendas / Revisão Sérgio Ribeiro Direção de Arte / Produção Gráfica Luiz Acácio de Souza Edição de Arte João Henrique Moço Editoração Histórias de Sucesso João Paulo Freitas Tratamento de imagens Histórias de Sucesso Vilma Silveira Infográficos / Linha do tempo Fábio Nienow Supervisão Carlos Roberto de Farias, Marcelo Lopes Carneiro, Elmar Muerer, Cristina de Oliveira Cardoso e Ana Paula Eckert Revisão Adriana Paula Cassol, Ana Paula da Silva, Claryssa Stuart Valentim, Cleberson Silva, Débora Gonçalves Pereira, Elaine Cristina Kiel, Ivonei José Fazzioni, Juniara Cechetti, Karla Brehm Wolfgramm, Márcia Camilli, Pablo Setúbal e Syntia Sorgato Catalogação na publicação por: Onélia Silva Guimarães CRB-14/071 D838f Duclós, Nei FIESC 65 anos : o passo à frente da indústria catarinense / Nei Duclós. – Florianópolis : Expressão, 2015. 168 p.: color. Inclui bibliografia ISBN: 978-85-87887-15-3 1. Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina. 2. Indústria – Santa Catarina – História. 3. Santa Catarina – Indústrias – Inovações tecnológicas. 4. Desenvolvimento sustentável. 5. Fotografias. I. Título. CDU: 338.45(816.4)

Consciente em relação aos aspectos ambientais e sociais, a FIESC utiliza para a impressão desta obra papéis que contam com a certificação FSC (Forest Stewardship Council). Essa certificação assegura que uma matéria-prima florestal provenha de um manejo social, ambiental e economicamente adequado. Impressão Gráfica Coan

Certificada na Cadeia de Custódia FSC www.coan.com.br

125


Histórias de sucesso em Santa Catarina As trajetórias de algumas organizações que colaboram para o sucesso da indústria catarinense são narradas neste capítulo. Os perfis a seguir mostram o empreendedorismo, a capacidade de diversificação de seus negócios, a alta tecnologia empregada na fabricação de seus produtos, a excelência na prestação de serviços e as ações em benefício dos funcionários, das comunidades e do meio ambiente.


Embalando o Meio-Oeste catarinense Consolidada entre as empresas líderes no segmento de embalagens de papelão, a Adami S/A realiza ações ambientais inovadoras e promove a melhoria da saúde e da qualidade de vida da população através de iniciativas que estimulam a prática regular de atividades físicas

Programa Bem Viver Adami incentiva cuidados com a saúde por meio de atividades como ginástica laboral, centro de condicionamento físico, corrida rústica, caminhada e passeio ciclístico

A

história da Adami S/A teve início em 1942 na cidade de Caçador, região do Meio-Oeste de Santa Catarina. O potencial florestal existente na região viabilizou sua atuação no segmento madeireiro, destinada inicialmente à produção de caixas de madeira, preparação de madeiras aplainadas e comércio de madeiras brutas. Ao longo dos anos, a Adami desenvolveu novos negócios e através de ações empreendedoras e inovações efetuou a diversificação da sua linha de produtos e a verticalização em seu setor de atuação. Os investimentos em tecnologia permitiram o aprimoramento dos processos e consequentemente a ampliação da capacidade produtiva, possibilitando a manutenção de um crescimento constante. Atualmente, os principais produtos desenvolvidos pela atividade industrial da empresa são pasta químico-mecânica, paletes, painéis, molduras, portas, kits portas prontas, madeira serrada e beneficiada, papéis miolo, kraft e capa, e embalagens de papelão ondulado, além de gerar energia elétrica e realizar o plantio de florestas produtivas, desde a produção de mudas até a colheita. 128

A empresa é composta por seis principais Unidades de Negócio. Em sua unidade madeireira os resíduos (biomassa) descartados no processo produtivo são, na sua totalidade, reutilizados nas caldeiras para produção de vapor, que é utilizado na produção de papel e das embalagens. A empresa possui uma área construída de 90.451,46 m², ocupados pelo parque fabril das Unidades de Negócio Papel, Embalagem e Madeireira. Preocupada com as questões ambientais, a Adami tem uma trajetória repleta de ações para redução dos impactos e preservação do meio ambiente. Devido ao crescimento da atividade industrial, ampliou sua Estação de Tratamento de Efluentes Industriais. A modernização da ETE durou três anos e custou R$ 10,5 milhões. Como resultados, houve a total eliminação da liberação de resíduos (lodo) para a rede pluvial, além da redução na exalação de odores, na temperatura do efluente, na turbidez e dos resíduos sólidos na água. Devido à grande relevância da inovação para o meio empresarial, o projeto foi reconhecido com a conquista do 20º Prêmio Expressão de Ecologia. A construção de um aterro próprio para disposição de

16,18% é a participação da Adami no mercado de embalagens de papelão da região Sul.

75% de sua produção de embalagens destina-se ao setor alimentício.

3,30% das embalagens de papelão consumidas no país são produzidas pela empresa.


Aterro para destino correto dos resíduos industriais não agride o meio ambiente e possui estimativa de vida útil de 15 anos

A nova tecnologia empregada na ETE, que contou com investimentos de R$ 10,5 milhões, permite a remoção da matéria orgânica através de tratamento com bactérias aeróbias

seus resíduos industriais, concluído em janeiro de 2014, é mais uma iniciativa da empresa voltada à preservação ambiental. O aterro industrial recebeu uma série de adaptações, com rigoroso monitoramento, para não causar danos à natureza, evitando que o líquido gerado no processo atinja o lençol freático. O projeto foi contemplado, em agosto de 2014, com o Prêmio Empresa Cidadã ADVB/SC na categoria Preservação Ambiental. Além dos ótimos projetos ambientais, a empresa promove a melhoria da saúde e da qualidade de vida da população do Meio-Oeste catarinense por meio de ações que estimulam a prática regular de atividades físicas. Uma das ações de seu programa “Bem Viver Adami” é a Corrida Rústica, Caminhada e Passeio Ciclístico. O evento é realizado no Parque Central José Rossi Adami e faz parte das comemorações de aniversário da empresa. Centenas de pessoas participam das atividades, que contam com premiações para os melhores colocados, distribuição de camisetas e sorteios de prêmios para os participantes. Uma equipe de professores de Educação Física do SESI ajuda na coordenação e orientação das atividades. A ginástica laboral é outra iniciativa em parceria com o SESI para melhoria da saúde dos trabalhadores da Adami. Orientada pelos profissionais da entidade, a ginástica é realizada diariamente com duração de 10 minutos e envolve grande participação dos colaboradores da empresa. Já o Centro de Condicionamento Físico Adami foi inaugurado em setembro de 2013, fruto também de uma parceria com o SESI. O investimento ultrapassou os R$ 200 mil em equipamentos e estrutura física. Atualmente, mais de 200 colaboradores utilizam ativamente a academia. A Adami acredita que o esporte é a melhor ferramenta para estimular e incentivar o colaborador. Por isso também apoia e incentiva a participação dos colaboradores nos Jogos do SESI, maior evento esportivo de Caçador, que conta com a participação de milhares de trabalhadores de empresas da região.

Centro de Condicionamento Físico Adami foi inaugurado em 2013 e conta com orientação de profissionais do SESI

VERT é a marca da Adami responsável por uma linha completa de portas e produtos para acabamentos residenciais

“Nossas práticas de responsabilidade social têm se comprovado como as melhores no nosso contexto regional, pagando salários competitivos, mantendo os melhores ambientes de trabalho, contribuindo para a melhoria da saúde e dos níveis de escolaridade. Ações que fazem da Adami uma empresa socioambientalmente responsável.” José Adami Neto Presidente

Setores: Madeireiro/ Papel e embalagem Sede: Caçador (SC) Colaboradores: cerca de 1.950 129


Nova linha de toalhas possui extrema absorção e rápida secagem

Um banho de bem viver Líder nacional no segmento de travesseiros, Altenburg caminha para o centenário ampliando seu portfólio na linha de banho e lança no mercado a primeira coleção de toalhas com tecnologia Dry Fit

U

ma das mais importantes marcas do setor têxtil do Brasil, a Altenburg comercializa seus produtos para 15 países da América do Sul, América Central e África. Possui fábricas em Blumenau, onde está sediada a empresa, no polo têxtil de Santa Catarina e no Distrito Industrial de Socorro, próximo a Aracaju, capital de Sergipe, região estratégica para alcançar os clientes do Nordeste. Outra planta fabril é localizada em São Roque (SP). A empresa conta com cinco lojas próprias, chamadas de Altenburg Store, sendo quatro unidades em São Paulo (SP) e uma em Balneário Camboriú (SC). Além disso, possui um outlet anexo à fabrica de Blumenau e

130

um posto de vendas na unidade de Sergipe. E recentemente inaugurou um outlet na cidade de Sombrio (SC). Também conta com uma loja virtual no endereço: altenburgstore.com.br. O grupo possui atualmente duas marcas: Altenburg, focada nos segmentos A e B, e Carambella, adquirida em 2012, focada nos segmentos C e D.

13 mil

Sua trajetória teve início em 1922, quando a fundadora Johanna Altenburg ficou viúva e, para garantir o sustento da família, começou a produzir acolchoados manualmente. Ela continuou à frente do negócio até 1944, quando assumiram Arno e Anna Altenburg e a companhia entrou numa fase de diversificação de produtos,

de travesseiros são produzidos por mês nas fabricas de Blumenau (SC) e Socorro (SE).

pontos de venda levam o conforto Altenburg a todo o Brasil.

1 milhão


A Altenburg estimula a elevação da escolaridade dos colaboradores, oferece programas de estágio e subsídios para cursos técnicos e superiores

com investimentos em tecnologia. Neto de Johanna, Rui Altenburg é o atual presidente e está à frente da gestão da empresa há 45 anos. A Altenburg destaca-se na produção de travesseiros, edredons, colchas, roupas de cama, toalhas de banho e outros produtos para o lar. Foi eleita em 2014, pelo 12º ano consecutivo, a melhor empresa do país em Cama, Mesa e Banho pelo Prêmio Mérito Lojista, promovido pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas. Em 2012, diversificou seu negócio com a marca Ecofiber, voltada para a confecção de fibras de poliéster para utilização em diversos segmentos. Hoje produz isolamentos térmicos e acústicos e elementos filtrantes para construção civil, mantas de poliéster para a indústria de confecção, edredons, colchas e recheios para a indústria moveleira. Além disso, possui uma grande participação no mercado de fibras recicladas de garrafas PET. Em mais uma iniciativa inovadora, a Altenburg lançou no mercado a primeira linha de toalhas de banho Dry Fit. São confeccionadas com a tecnologia que traz como atributo principal absorver maior umidade do corpo e liberar ao ambiente de forma rápida. Como resultado, as toalhas têm alto poder de absorção e rápida secagem. Durabilidade é outro ponto forte da linha Dry Fit, pois as toalhas não puxam fios. A sustentabilidade é uma das marcas da Altenburg. Foi pioneira no lançamento de roupas de cama e travesseiros com fibras recicladas de garrafas PET, conquistando o Prêmio Planeta Casa 2010. Cada travesseiro produzido retira 15 garrafas PET do meio ambiente. Outras ações internas fazem da Altenburg uma parceira do meio ambiente, como a conscientização ambiental dos funcionários, a reciclagem e reaproveitamento de materiais, além da economia de energia e água. A empresa também promove iniciativas que tragam um retorno positivo para a comunidade, contribuindo com doações de produtos e arrecadações entre seus colaboradores.

Com mais de 90 anos no segmento, empresa aposta na linha de travesseiros antialérgicos

“Bem Dormir, Bem Viver” é o slogan da companhia pioneira na fabricação de edredons no Brasil

“A principal razão do nosso sucesso é desenvolver produtos que tenham beleza, conforto e qualidade. Nossos produtos estão do Iapoque ao Chuí e temos como meta ter um produto Altenburg em cada lar brasileiro.”

Rui Altenburg Presidente

Setor: Têxtil Sede: Blumenau (SC) Funcionários: 1.632 (2014) Faturamento: R$ 300 mi (2014) 131


Aurora comemorou, em 2014, o maior faturamento e o melhor resultado líquido de sua trajetória, com crescimento de 18%

Essência cooperativista Maior cooperativa produtora de alimentos do Brasil, Aurora conta com mais de 26 mil funcionários e é referência mundial na tecnologia e processamento de carnes

A

trajetória da Cooperativa Central Oeste Catarinense – a Aurora Alimentos – teve início em 1969, quando 18 homens, representando oito cooperativas da região Oeste de Santa Catarina, se reuniram em assembleia oficial com o propósito de constituir uma sociedade cooperativista, para melhorar as condições dos produtores de suínos e conseguir mais espaço no mercado. Com o tempo, as atividades se diversificaram e sua capacidade de produção e comercialização foi ampliada. Sediada no município catarinense de Chapecó, a Aurora se tornou um conglomerado agroindustrial, que conta atualmente com mais de 850 produtos comercializados. A cooperativa atua na industrialização e comercialização de carnes suínas, aves, 132

lácteos, massas, vegetais e suplementos para nutrição animal. A maior parte da produção de suas unidades industriais, comerciais e granjas atende à demanda doméstica, porém a cooperativa catarinense exporta cerca de 20% de seus produtos para países da Ásia e da Europa. A Aurora Alimentos é formada por outras 13 cooperativas espalhadas entre Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. São elas: Cooperalfa, Copérdia, Copercampos, Camisc, Caslo, Cooper A1, Coopervil, Cril, Cooper Auriverde – Cral, Coolacer, Cooasgo, Cocari e Cotrel. Sua principal função é apoiar essas cooperativas, que, por sua vez, apoiam os produtores rurais. A Aurora segue os valores da cooperação em tudo o que faz. Por

70 mil produtores rurais são associados à Aurora e a suas 13 cooperativas afiliadas.

500 cidades brasileiras possuem produtores associados ao cooperativismo da Aurora.


Aurora lançou 37 produtos em 2014, com destaque para linha de lácteos, além de linguiças, lasanhas, almôndegas, kibes e pão de alho, entre outros

Frigorífico em Joaçaba foi reinaugurado em 2014 com um moderno sistema de tratamento automatizado de efluentes

isso, desde sua fundação duplicou o número de associados das cooperativas filiadas. O compromisso da Aurora Alimentos é oferecer aos consumidores alimentos da mais alta qualidade, valorizando a matéria-prima e o produto final. Para promover ações culturais e socioambientais junto às comunidades de sua atuação, a Aurora criou e mantém a Fundação Aury Luiz Bodanese, que leva o nome de seu fundador e promove centenas de atividades, atendendo a milhares de pessoas. A instituição atua com base em nove programas: Vivendo Saúde, Atitude Agora, Amigo Energia, Roda de Leitura/Contação de Histórias, Família é Tudo, Projeto Dança, Projeto Canto Coral e A Turminha da Reciclagem, além do Centro de Memória da Fundação Aury Luiz Bodanese. A Turminha da Reciclagem é um projeto realizado pela Fundação junto com a Aurora e outros parceiros, com o objetivo de educar e conscientizar as crianças dos ensinos médio e fundamental sobre os cuidados com o meio ambiente. O objetivo é estimular as crianças a realizarem reciclagem e conscientizá-las da importância de proteger os recursos naturais para preservação da natureza. O projeto foi criado em 1991 e já beneficiou mais de 176 mil crianças. A iniciativa conquistou em 2012 o Prêmio Expressão de Ecologia. Em 2014, o aniversário de 45 anos da cooperativa foi comemorado com a reinauguração da planta industrial de Joaçaba (SC), com investimento de R$ 86 milhões. A reabertura do frigorífico, com área total de 25 mil metros quadrados, gerou mais de mil empregos diretos e três mil empregos indiretos. Atualmente o sistema cooperativista é referência como uma das formas mais modernas e justas de trabalho. É a essência da Aurora, que através dos seus valores mantém ações de responsabilidade socioambiental e cultural. A Aurora Alimentos tem orgulho de ser cooperativa, com os valores do cooperativismo fazendo parte de seu DNA há 46 anos. A empresa sempre teve a preocupação com a permanência do homem no campo, garantindo alternativas para melhorar a qualidade de vida das suas famílias. Na missão da cooperativa estão os interesses dos quais não abre mão: “Valorizar a qualidade de vida no campo e na cidade, produzindo alimentos de excelência”.

A Turminha da Reciclagem atingiu mais de 19 mil pessoas em 2014 somente no Estado de Santa Catarina

“Temos

a mes-

ma tecnologia de produção de campo de qualquer organização nacional e não devemos nada para as internacionais, tanto na produção e no beneficiamento do leite, quanto em aves e suínos. ” Mário Lanznaster Presidente da Aurora Alimentos

Setor: Alimentos Sede: Chapecó (SC) Funcionários: cerca de 26.000 Receita Bruta: R$ 6,76 bi (2014) 133


Energia para o desenvolvimento regional Municípios da área de abrangência da BAESA são agraciados com iniciativas da empresa para promover a preservação ambiental e que visam ao crescimento econômico, sociocultural e de qualidade de vida de suas comunidades

Empresa conta com viveiro florestal, que já distribuiu mais de 880 mil mudas de árvores, e apoia programas educacionais que estimulam o hábito da leitura nas escolas

A

BAESA (Energética Barra Grande S/A) é a empresa responsável pela operação da Usina Hidrelétrica Barra Grande, construída no leito do Rio Pelotas, entre os municípios de Anita Garibaldi (SC) e Pinhal da Serra (RS). Em funcionamento desde novembro de 2005, a Usina vem contribuindo para o desenvolvimento de sua região de abrangência. Durante os 52 meses de construção, por exemplo, foram gerados, em média, cerca de 5 mil empregos por mês. Após o início da operação, um montante de R$ 1,1 milhão, em média, é repassado mensalmente aos municípios do entorno do empreendimento, aos estados catarinense e gaúcho e a órgãos do governo federal, a título de Compensação Financeira pela Utilização dos Recursos Hídricos (CFURH). Constituída em 2001, a BAESA tem se notabilizado tanto pelas ações de responsabilidade social quanto pela geração de energia. Sua atuação é reconhecida por expressivos resultados já alcançados junto à comunidade. Prova desse trabalho são as conquistas do Prêmio Empresa Cidadã ADVB em oito edições (2005 e de 2007 a 2013) e do Prêmio Expressão de Ecologia, em 2010, com o Programa de Reintrodução da Dyckia distachya, um dos mais inovadores projetos de recuperação de espécies vegetais desenvolvidos por empreendimentos hidrelétricos no Brasil. 134

A preocupação com o meio ambiente é outra diretriz da empresa. Exemplo disso é o Viveiro Florestal Berço das Araucárias, construído ao lado da Usina Hidrelétrica Barra Grande, com o objetivo de incentivar o plantio de espécies nativas para fortalecer a conscientização ambiental e aumentar a cobertura vegetal no entorno do reservatório. O trabalho da BAESA abrange ainda a execução de melhorias nas áreas de saúde, educação, segurança pública e assistência social das cidades, além da inclusão social de famílias rurais beneficiadas pelo programa de remanejamento da empresa. Também promove diversos projetos culturais, como sessões de cinema e apresentações de circo, peças teatrais e orquestras em praça pública. Outra boa iniciativa é o projeto Parceria Votorantim pela Educação, realizada pelo Instituto Votorantim, em parceria com a BAESA e a Prefeitura de Anita Garibaldi. Criado para aprimorar o processo educacional de crianças e adolescentes do município por meio de ações práticas e interativas, o projeto busca conscientizar os alunos sobre a importância da educação, incentivando especialmente o hábito da leitura. Durante todo o ano letivo, estudantes, professores e a comunidade participam de diversas atividades pedagógicas, como concurso de redação, peça teatral, apresentação musical, campanha de doação de livros e cantinho da leitura, entre outras.

R$ 130 mi é o montante repassado pela BAESA como compensação financeira pela utilização dos recursos hídricos até março de 2015.

27% da demanda catarinense de energia, ou 690 megawatts, é o equivalente à potência instalada da Usina Hidrelétrica Barra Grande.

Setor: Energia Sede: Florianópolis (SC)


TODO MUNDO SONHA EM TER UM BMW. SANTA CATARINA TEM. Mais uma conquista catarinense com o apoio do BRDE.

135


65 ANOS COM TANTAS RECEITAS DE SUCESSO QUE UM LIVRO SÓ NÃO DARIA CONTA.

1879_AN_BRF_65_ANOS_420x297.indd 1


HOMENAGEM DA BRF

AOS 65 ANOS DA FIESC. Assim como a FIESC, a BRF nunca perde o gosto por fazer sempre mais e melhor. Não é à toa que somos hoje a 7ª maior empresa de alimentos do mundo, com mais de 50 fábricas no Brasil e exterior, referência em qualidade e sustentabilidade. Em 2014, foram investidos R$ 208,4 milhões em pesquisas, projetos e gestão ambiental. Entre as práticas estão a devolução de mais de 90% da água captada e 96% de energia direta de fonte renovável.

AFINAL, GOSTO É O QUE A GENTE MAIS TEM EM TUDO O QUE FAZ.

27/03/15 15:59


Gerando energia e desenvolvimento Usina Hidrelétrica Salto Pilão produz energia para a região mais industrializada do Estado e é fonte de renda e de avanços socioambientais no Vale do Itajaí

I

naugurada em dezembro de 2009, a Usina Hidrelétrica Salto Pilão foi edificada após 42 meses de obras, junto ao Rio Itajaí-Açu, entre os municípios de Apiúna, Ibirama e Lontras, em Santa Catarina. Com uma capacidade instalada de 191,89 MW, formada por duas unidades geradoras, Salto Pilão é a maior hidrelétrica do Vale do Itajaí, considerada a região mais industrializada de Santa Catarina, gerando energia suficiente para abastecer aproximadamente 700 mil pessoas. Em virtude de suas características, com cerca de 10 quilômetros de túneis e Casa de Força abrigada, a Usina Salto Pilão posiciona-se como uma das maiores hidrelétricas subterrâneas do país. Projetado e construído rigorosamente dentro dos prazos estabelecidos nos cro-

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nogramas originais, o empreendimento foi edificado com altos índices de eficiência e economicidade de recursos, tanto financeiros quanto ambientais. A concessão pertence ao Consórcio Empresarial Salto Pilão - CESAP, formado por Votorantim (60%), DME Energética (20%) e CGEP (20%).

Forte participação comunitária Além de gerar energia, a Usina Salto Pilão também é fonte de renda para os municípios onde está localizada. Do valor de toda a energia produzida pela hidrelétrica, 6,75% é repassado como Compensação Financeira pela Utilização de Recursos Hídricos (CFURH). Nestes cinco anos, o montante de benefícios gerados para os municípios, Estado e União atingiram mais de R$ 25 milhões.

191,9 MW de capacidade instalada na usina, que é formada por duas unidades geradoras.

700 mil pessoas são abastecidas com a energia gerada pela AHE Salto Pilão.

R$ 25 mi é o montante de benefícios gerados nos últimos cinco anos para os municípios de Apiúna, Ibirama e Lontras, o Estado e a União.


“Com a condição que é permitida pelos acionistas, envolvimento dos colaboradores e parceiros, o CESAP escreveu junto à comunidade do Vale do Itajaí uma história de conquistas e excelente relacionamento. A nossa missão de gerar energia limpa, contribuindo para o crescimento econômico do País, é realizada pelo prisma do desenvolvimento local, colaborando para a melhoria da qualidade de vida das comunidades que nos hospedam.”

Eng. Braz Ferrari Lomonaco Diretor-Superintendente do CESAP

Preocupado com a qualidade da água, CESAP realiza ações para limpeza do Rio Itajaí e promove campanhas de educação ambiental junto à comunidade estudantil e conscientização dos moradores ribeirinhos

O CESAP tem auxiliado também na difusão de cultura e desenvolvimento regional com forte apoio a projetos sociais nos três municípios. Promove, patrocina e auxilia inúmeros projetos de iniciativa das comunidades nas áreas cultural, esportiva e de práticas de inclusão social. Essa decisão de parcerias firmadas junto à comunidade ocorre livre de qualquer condicionamento ambiental, por liberalidade e sensibilidade dos acionistas. O Consórcio mantém um permanente canal de diálogo e envolvimento com a comunidade do entorno, construindo uma relação harmoniosa e de conquistas mútuas. O Centro de Atendimento a Visitantes recebe anualmente milhares de pessoas, disseminando conhecimentos técnicos, acadêmicos e de educação ambiental.

Usina mobiliza comunidade em prol do Rio Itajaí Na região do Alto Vale do Itajaí (SC), onde insere-se a Usina Hidrelétrica Salto Pilão, a poluição ocasionada pelo lançamento indiscriminado de lixo, esgoto e agrotóxicos, além da destruição das matas ciliares e a ocupação irregular do solo, são os principais exemplos de descaso com o Rio Itajaí-Açu. Preocupado com esse cenário, o CESAP, com apoio do Instituto Votorantim e da Votorantim Energia, tem realizado há três anos uma ampla campanha denominada “Rio Itajaí Pede Nossa Ajuda”. Essa iniciativa tem forte envolvimento regional em ações de educação ambiental junto à comunidade estudantil, conscientização dos moradores ribeirinhos e ações de limpeza de vários trechos do rio. Os objetivos são promover a conscientização da comunidade sobre a poluição desse recurso hídrico e incentivar a adoção de posturas em prol do meio ambiente. Durante as atividades são promovidas distribuição de cartilhas didáticas e fôlderes sobre os cuidados com a água e o lixo, afixação de cartazes, exibição e doação de vídeo-documentário que retrata as condições atuais do rio, além de palestras e dinâmicas com estudantes. “Com isso, a Usina busca estimular a comunidade da região a preservar o rio para as gerações futuras”, destaca o diretor-superintendente da Usina, Braz Ferrari Lomonaco.

Setor: Energia Sede: Florianópolis (SC) Funcionários: 41 139


Novo parque fabril em Araquari (SC)

Empreendedorismo hereditário História do grupo empresarial foi construída pela visão inovadora de quatro empreendedores da família Schneider. Karl, Hans, Carlos Frederico e o atual presidente, Carlos Rodolfo, consolidaram os negócios do Grupo H. Carlos Schneider, onde se destaca a Ciser como empresa líder na fabricação de fixadores em toda a América Latina

A

trajetória do Grupo H. Carlos Schneider teve início em 1881, quando Karl Schneider desembarcou em Joinville (SC) vindo da Alemanha. Ele abriu um pequeno comércio de exportação de produtos nativos e importação de aço e implementos agrícolas fundamentais para o desenvolvimento da cidade. Fundou a Casa do Aço, uma loja de ferragens e ferramentas, primeiro comércio da família. A partir de 1912, seu filho Hans Emílio Carlos Schneider, formado em Comércio na Alemanha, levou os artigos da Casa do Aço a todo o interior de Santa Catarina e aos estados vizinhos. 140

As duas gerações seguintes, com Carlos Frederico Adolfo Schneider e Carlos Rodolfo Schneider, ampliaram e diversificaram o Grupo com a criação da Cia. Industrial H. Carlos Schneider, conhecida como Ciser, hoje a líder na fabricação de fixadores na América Latina, Ciser Fixadores Automotivos (Sarzedo, MG), Ciser China (Hefei, China), Ciser Peru (Lima, Peru), Hacasa Empreendimentos Imobiliários, Intercargo Soluções Logísticas, RB|Energia – comercializadora de energia no mercado livre e gestora de unidades consumidoras –, Agropecuária Parati e FCF – Fábrica Catarinense de Fixadores, uma joint venture com a empresa americana Fastenal, focada

62 projetos sociais foram apoiados pelo Instituto Th. Isolde Odebrecht em 2014.


Companhia fabrica diversos tipos de fixadores e peças metálicas, incluindo linha voltada para automóveis

Localizada em Sarzedo, na Grande Belo Horizonte (MG), a unidade Ciser Automotive foi inaugurada em 2008

Empresa mantém reserva florestal de 9 mil hectares, que protege e preserva as nascentes do Rio Quiriri, em Joinville

na produção de peças usinadas de alta complexidade e variedade, voltadas principalmente para os mercados de papel e celulose, óleo e gás e energia eólica. Está em andamento a construção da nova fábrica da Ciser em Araquari (SC), para onde serão levadas as linhas de produção que hoje estão no vizinho município de Joinville. A mudança vai permitir aumentar a capacidade de fabricação para 263 toneladas por dia. A unidade contará com área construída de 90 mil m². Um dos empreendimentos do Grupo H. Carlos Schneider

Percebendo a degradação acentuada dos rios de Joinville, o Grupo adquiriu, a partir de 1983, várias áreas no entorno da cidade e montou um santuário natural de 9 mil hectares. Além de preservar as nascentes do Rio Quiriri, um importante manancial de abastecimento de Joinville, a empresa protege mais de 20 mil espécies de plantas e centenas de animais. Para potencializar as ações socioambientais já desenvolvidas pelo Grupo H. Carlos Schneider foi criado o Instituto Th. Isolde Odebrecht, mais conhecido como ITHIO, que tem como missão promover o desenvolvimento sustentável da sociedade. Dedica especial atenção ao desenvolvimento de programas que contribuam para a inclusão social, geração de renda e formação da cidadania em comunidades menos favorecidas, com foco especial em crianças, adolescentes, idosos e pessoas com deficiência.

Com 18 anos de atuação completados em 2015, o Coral Ciser Show conta com uma estrutura completa para proporcionar verdadeiros espetáculos ao seu público

Grupo H. Carlos Schneider Sede: Joinville (SC) 141


Premiado sete vezes como melhor resort de praia do país, Costão oferece centenas de atividades

Hospedagem paradisíaca Situado próximo à reserva ambiental RPPN Morro das Aranhas, a 35 quilômetros do Centro de Florianópolis, cercado por mata nativa, costões e sítios arqueológicos, o resort Costão do Santinho é referência na hotelaria brasileira e internacional

F

oi contemplando a natureza da Praia do Santinho, localizada na região norte da capital catarinense, que os criadores do Costão idealizaram um dos melhores complexos turísticos do Brasil. A trajetória do resort teve início com a aquisição dos primeiros terrenos no final dos anos 70, mas as primeiras vilas começaram a ser construídas em janeiro de 1990, sendo inauguradas em dezembro do ano seguinte, nos moldes da arquitetura açoriana.

com a hotelaria. Centenas de investidores apoiaram o projeto de trocar a casa de praia tradicional pelo conforto de um apartamento no resort, que é rodeado de história e repleto de registros das civilizações que viveram na região, como os Homens do Sambaqui e os Carijós da nação Tupi-Guarani. A cultura dos colonos açorianos que fundaram Florianópolis está presente na arquitetura do Costão e integrada à própria história da Ilha de Santa Catarina.

O espaço do Costão do Santinho iniciou um sistema inovador no país, que mescla a propriedade particular

O Costão é um empreendimento completo, que proporciona a seus hóspedes um atendimento de pa-

144

750 mil m² é a área total do Costão do Santinho Resort, repleta de trilhas ecológicas e fauna nativa.

60% da área total do empreendimento foi convertida em local de preservação ambiental.


Inscrições rupestres feitas há milhares de anos inspiraram a identidade visual do resort

Visitação de baleias-francas, que procuram as águas cristalinas do Santinho, é um dos atrativos turísticos do empreendimento Costão promove eventos de educação ambiental para capacitação e conscientização de alunos e professores

drão internacional, alta gastronomia, SPA e lazer diversificado, incluindo campo de golfe, complexo esportivo e náutico, além do maior conjunto de piscinas aquecidas internas e externas em resorts do Brasil. A preocupação com o meio ambiente permeia todas as ações da empresa, que busca alternativas ecológicas para todos os seus processos. O Costão do Santinho também possui um programa de gerenciamento de resíduos sólidos e reaproveita 100% da água que utiliza. O resort tem ainda uma das mais eficientes e modernas estações de tratamento de efluentes do Sul do Brasil. A ETE realiza a filtragem à base de carvão ativado e o fluxo de tratamento passa por um conjunto de lâmpadas ultravioleta, que eleva a sua potabilidade, resultando em índice de pureza acima de 98%. Os resíduos sólidos gerados no empreendimento e nos dois quilômetros de extensão da Praia do Santinho vão para uma estação de triagem responsável pela coleta, transporte, separação, acondicionamento e destino adequado. O Costão promove, ainda, atividades de educação ambiental com instituições dos ensinos fundamental, médio e superior dos três estados da região Sul, contribuindo para a capacitação de alunos e professores. São abordados temas como reciclagem do lixo, tratamento de esgoto, ciclo da água, conhecimentos sobre fauna, flora, geologia, recursos hídricos e, sobretudo, os costumes e legados culturais dos diversos povos que habitaram a região há cerca de cinco mil anos.

O resort conta também com moderna estrurura para realização de eventos de porte internacional

“Nunca imaginamos que o empreendimento pudesse alcançar essa dimensão. Já recebemos sete presidentes, hospedamos a Seleção Brasileira em duas oportunidades e sediamos o Congresso Técnico da Fifa para 32 países”

Fernando Marcondes de Mattos Proprietário do Costão do Santinho

Setores: Hotelaria/Eventos Sede: Florianópolis (SC) Funcionários: cerca de 700 145


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Onde aparece essa palavra, sempre existe a energia da Celesc. Há seis décadas, a Celesc trabalha pelo desenvolvimento de Santa Catarina, levando energia de qualidade para a indústria, o comércio e o agronegócio, contribuindo para que nosso Estado seja referência em qualidade de vida. Por isso, nosso compromisso é fazer essa parceria cada vez maior para o Estado continuar crescendo. E sendo um lugar melhor para todos os catarinenses.

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Um universo de sabores Líder nacional na fabricação de aromas e ingredientes para a indústria de alimentos e de bebidas, a Duas Rodas comemora 90 anos em forte processo de expansão nos mercados brasileiro e internacional

Profissionais altamente qualificados atuam no Innovation Center e no Centro Tecnológico Administrativo no desenvolvimento de soluções para os clientes

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atuação no segmento de ingredientes para nutrição animal.

Desde a sua fundação pelo casal de imigrantes alemães Rudolph e Hildegard Hufenüssler, na década de 20, em Jaraguá do Sul (SC), sua história de sucesso foi construída pelo DNA de inovação, criatividade e empreendedorismo.

Excelência e criatividade são atributos estratégicos para ajudar aos seus parceiros a conquistar maior qualidade sensorial e sucesso no mercado, aliando tecnologia e conhecimento. Para tanto, a empresa mantém laboratórios de pesquisa, desenvolvimento e aplicação de produtos em cinco de suas sete fábricas, onde mais de 150 profissionais altamente especializados desenvolvem soluções para a indústria de alimentos e bebidas.

eferência internacional em matérias-primas para a indústria de alimentos e de bebidas, a Duas Rodas celebra em 2015 nove décadas de presença no mercado.

Pioneira na extração de óleos essenciais no Brasil, nas últimas duas décadas, a Duas Rodas promoveu forte expansão dos negócios no mercado internacional, com o processo de viabilização de unidades fabris na América Latina, que estão localizadas na Argentina, no Chile, na Colômbia e no México, além de um escritório técnico comercial no Peru. No Brasil, a empresa conta com três fábricas – Jaraguá do Sul, Sergipe e Manaus – e um escritório comercial e de aplicações em Campinas (SP) e mapeia aquisições para novos segmentos de mercado. A multinacional catarinense atende a mais de 10 mil clientes em todo o mundo, com mais de 2 mil itens no portfólio, entre aromas, produtos para sorvetes, coberturas de chocolate, condimentos e aditivos, extratos e desidratados e soluções integradas. Em 2015, a empresa iniciou

Em Jaraguá do Sul, a Duas Rodas conta com o Centro de Tecnologia e Administração e o Innovation Center, espaços de excelência em desenvolvimento e aplicação de aromas e ingredientes para alimentos e bebidas. O prédio reúne plantas-piloto que permitem reproduzir balas, biscoitos, sorvetes, refrigerantes e embutidos, dentre outros produtos finais para desenvolvimento de soluções conjuntas com os clientes. Investimentos em expansão de mercados, inovação e capital humano diferenciado estão entre os segredos para trazer mais sabor a cada criação, agradando aos consumidores e possibilitando aos clientes estar sempre à frente. Uma empresa que estabeleceu-se em terras catarinenses e daqui expandiu-se e compete em âmbito mundial em um segmento de alta tecnologia.

2 mil itens compõem seu portfólio de produtos voltados à indústria alimentícia.

“A

Duas Rodas

chega aos seus 90 anos como uma empresa nova, vibrante, consolidada e em intenso processo de expansão no mercado global.”

Leonardo Fausto Zipf Presidente da Duas Rodas Industrial

Setor: Alimentício Sede: Jaraguá do Sul (SC) Funcionários: cerca de 1.400 145


Sinônimo de excelência em tecnologia Líder mundial em inovação no mercado de compressores herméticos para refrigeração, a Embraco busca tornar a vida das pessoas mais agradável, confortável e saudável, com simplicidade e poder de mudança

Além de ser uma das mais inovadoras empresas do Brasil, a companhia destaca-se pelas ações de sustentabilidade, como o Prêmio Embraco Ecologia, referência nacional em educação ambiental

L

iderança tecnológica, excelência operacional e sustentabilidade são alguns dos diferenciais da Embraco, que tem capacidade produtiva superior a 30 milhões de compressores ao ano e emprega, diretamente, mais de 12 mil pessoas no Brasil, México, Estados Unidos, Itália, Eslováquia, Rússia e China. Com clientes em mais de 80 países, é líder mundial em inovação no mercado de compressores para refrigeração. A empresa investe cerca de 3% a 4% do faturamento em pesquisa e desenvolvimento, verba destinada a mais de 20 laboratórios de ponta espalhados pelo mundo; dedica em torno de 500 profissionais só aos departamentos de P&D e mantém parcerias estratégicas com universidades e institutos de pesquisa de vários países. O compromisso da Embraco com a inovação já rendeu quase 1.300 cartas-patente concedidas mundialmente.

Além de produzir soluções de refrigeração para freezers, balcões expositores de bebidas, balcões refrigerados e outros equipamentos (atendendo o segmento comercial), a Embraco atende o segmento doméstico e abastece as maiores fabricantes de eletrodomésticos de linha branca do país. E do mundo também: mais de 70% do que é produzido em Santa Catarina, onde a empresa mantém suas unidades brasileiras, é exportado. A liderança da Embraco é reflexo da gestão dos talentos e da paixão pelo que faz. A empresa acredita que cada uma das mais de 12 mil pessoas que fazem o dia a dia são fundamentais para o sucesso das operações em todo o mundo. A com146

panhia desenvolve e implanta sistemas de recursos humanos alinhados com as melhores práticas do mercado. Como reconhecimento à gestão estratégica de recursos humanos, foi eleita uma das Melhores Empresas para se Trabalhar no Brasil pelo Guia Você S/A por três anos consecutivos, e a unidade dos EUA foi reconhecida por importantes premiações como Metro Atlanta’s Top 100 Workplaces e Atlanta’s Best and Brightest Companies to Work for. Além da tecnologia aplicada, a Embraco tem consciência de que tão importante quanto a inovação é a sustentabilidade, um dos pilares estratégicos da companhia. Por isso investe em produtos compactos (que consomem menos matéria-prima e economizam energia elétrica na casa do consumidor) e conduz toda a operação com o objetivo de que o negócio seja sustentável a longo prazo. Na condição de uma empresa global, entende que gera impactos diretos e indiretos nas diversas comunidades onde opera – e não mede esforços para que esses impactos sejam sempre positivos. Disposta a transformar realidades, a Embraco contribui para melhorar a vida das pessoas que vivem no seu entorno. Anualmente, mais de 30 mil pessoas são alcançadas pelos diversos projetos sociais. Destaque para o Prêmio Embraco Ecologia, que está em sua 24ª edição e é referência nacional em educação ambiental; o Prove (Programa de Voluntariado da Embraco) e o Dia Global do Voluntariado, que mobiliza colaboradores do mundo todo em ações de transformação nas comunidades onde a empresa está presente.

500 profissionais da Embraco são focados em Pesquisa & Desenvolvimento nas unidades do mundo todo.

“Entregamos

solu-

ções inovadoras para uma melhor qualidade de vida. Nos diferenciamos, sobretudo, pela forma como desenvolvemos e produzimos nossos produtos, com investimentos em inovação tecnológica, valorização de um time talentoso e apaixonado pelo que faz e reforçando que a sustentabilidade é um pilar estratégico de negócio que permeia toda a cadeia de valor.”

Roberto Holthausen Campos Presidente da Embraco

Setor: Metalmecânico Sede: Joinville (SC) Funcionários: 11.500, globalmente


Cultura, esporte e oportunidades Programa de Responsabilidade Social da Enercan apoia e desenvole projetos socioculturais e esportivos que beneficiam diretamente as comunidades dos quatro municípios de sua área de abrangência

Programa Campeões da Vida, em parceria com o Instituto Guga Kuerten, e escolinhas de voleibol e futsal são iniciativas voltadas para o desenvolvimento dos jovens da região

A

Enercan (Campos Novos Energia S/A) é a empresa responsável pela construção e operação da Usina Hidrelétrica Campos Novos, erguida no leito do Rio Canoas, entre os municípios catarinenses de Campos Novos e Celso Ramos. Seu reservatório ocupa uma área com 34,6 quilômetros quadrados, abrangendo parcialmente terras de quatro municípios catarinenses: Anita Garibaldi, Abdon Batista, Campos Novos e Celso Ramos. A reduzida área de seu reservatório e a alta potência instalada concedem à Usina Hidrelétrica Campos Novos o privilégio de ser uma das hidrelétricas construídas no país com a melhor relação entre área alagada e energia gerada. Desde que entrou em operação, em fevereiro de 2007, a Usina Hidrelétrica Campos Novos repassa mensalmente recursos para os municípios de sua área de abrangência. Trata-se da CFURH (Compensação Financeira pela Utilização de Recursos Hídricos), um montante pago pela usina em decorrência do uso da água para a geração de energia. Como um dos maiores empreendimentos da região, a Usina Hidrelétrica Campos Novos alia sua atuação empresarial com responsabilidade social. Além de gerar energia para o desenvolvimento da região e do país, a Enercan possui um sólido e atuante Programa de Responsabilidade Social, que contribui com o desenvolvimento dos municípios do entorno da usina. São ações que possibilitam melhorar

a qualidade de vida de milhares de famílias, assegurando novas perspectivas e um futuro mais promissor. São apoiados projetos que preservam o meio ambiente, fomentam a agregação de renda e que se beneficiam das leis de incentivo à cultura, ao esporte, à criança e ao adolescente e ao idoso. Como incentivo à cultura a Enercan apoia diversos projetos pela Lei Rouanet, que envolvem a arte do cinema, o incentivo à leitura, a música, a dança e o teatro como forma de resgatar a cultura local e conscientizar sobre temas importantes como a preservação do meio ambiente. Através dos projetos da Lei de Incentivo ao Esporte aprovados pela empresa, Instituto Votorantim e Votorantim Energia foi possível a criação de núcleos esportivos em cada município de sua área de abrangência, com base em um trabalho multidisciplinar para os alunos. Entre os projetos desenvolvidos estão o “Programa Atleta do Futuro”, que aconteceu em Abdon Batista e Campos Novos; a “Escola de Voleibol e Futsal”, realizada em Anita Garibaldi e Celso Ramos, e o “Programa Campeões da Vida”, com atividades em Campos Novos. Com a parceria dos Conselhos Municipais do Direito da Criança e do Adolescente (CMDCA), a Enercan também apoia importantes projetos viabilizados através do Fundo para a Infância e Adolescência (FIA), voltados para o desenvolvimento social, físico e intelectual dos jovens da região.

R$ 1,5 bi Um dos maiores investimentos aplicados integralmente em Santa Catarina para construção da Usina Hidrelétrica Campos Novos.

880 MW é a potência instalada da usina, que tem capacidade para suprir cerca de 30% da demanda de energia elétrica de Santa Catarina.

103 mil pessoas foram beneficiadas pelos 67 projetos e ações sociais patrocinados pela Enercan em 2014.

Setor: Energia Sede: Florianópolis (SC) 147


Diversificação: o segredo do sucesso Prestes a completar 50 anos, gradativamente a Irmãos Fischer foi ampliando seu espaço em construções próprias e diversificando sua linha de produção – de bicicletas e eletrodomésticos à construção civil – para atender às demandas dos mercados nacional e externo

U

ma oficina de conserto de bicicletas criada em 1961 por Ingo Fischer, com apenas 17 anos de idade, foi o ponto de partida dessa bem-sucedida empresa. Com o tempo, o negócio foi envolvendo outros dos irmãos Fischer. Os produtos, inicialmente alvo de consertos, passaram a ter fabricação própria. Essa experiência adquirida resultou em 1966 na fundação da empresa Irmãos Fischer Indústria e Comércio Ltda., hoje Sociedade Anônima, visando inicialmente à produção de pias de aço inoxidável e de fornos elétricos para uso doméstico. O empreendedorismo e a vocação em diversificar com sucesso seu negócio marcaram as cinco décadas de atuação

da empresa. Um exemplo disso é que, na segunda metade dos anos 60, o crescimento da indústria pesqueira em Santa Catarina proporcionou à Fischer o ingresso na fabricação de equipamentos especiais para o setor, no qual se tornou a maior fabricante do Brasil. A companhia também se especializou em equipamentos para matadouros, açougues, frigoríficos e abatedouros de aves. Posteriormente, devido à instabilidade que envolvia as indústrias pesqueira e alimentícia, a Fischer optou por fabricar fornos elétricos para o uso doméstico. Inovadora, sua linha de cooktops a gás, elétricos e de indução conquistou as cozinhas do país e em pouco tempo se tornou líder no mercado. Embalada pelo

3,6 milhões de m² é o tamanho do moderno parque industrial da Fischer, com cerca de 150 mil m² construídos.

4 parques fabris são responsáveis pela diversidade de produtos da Fischer, como bicicletas, eletrodomésticos, casas modulares, telhas e painéis.

Investimentos e ampliação do parque industrial permitiram à Fischer desenvolver produtos de diversos segmentos

146


Desenvolvimento de produtos exclusivos com tecnologia de ponta faz parte da bem-sucedida estratégia da companhia, que conta com instalações modernas e bem equipadas

creche para 300 crianças, tanto de funcionários da empresa como das comunidades circunvizinhas. O projeto foi realizado em parceria com a Prefeitura de Brusque. A Fischer disponibilizou o prédio devidamente preparado, pátio e estacionamento próprios. Na mesma ocasião foram inauguradas uma academia de ginástica Outro setor de atuação de destaque “Desde sua cria- e uma sala de treinamento em informáda companhia é o da construção civil, tica, instaladas e mantidas em parceria ção, a Irmãos que foi impulsionado pelo governo fecom o SESI, já colocadas à disposição Fischer não parou deral em meados da década de 70. Aprodos colaboradores da empresa a partir veitando essa oportunidade de negócio, de crescer e hoje distribui seus do final do ano de 2011. a Irmãos Fischer adquiriu e instalou produtos por todo o território Outra parceria com o SESI, iniciauma área fabril para a produção de carnacional e para vários países da tiva que faz parte do Movimento a Inrinhos de mão. Para atender à crescente América Latina. ” dústria pela Educação, da FIESC, viademanda da construção civil, a empreIngo Fischer bilizou à Fischer a inauguração de uma sa comprou uma fábrica de artefatos Presidente ampla biblioteca na sede da empresa de borracha para produção de pneus e, em julho de 2014. A unidade disponiposteriormente, passou também a probiliza aos trabalhadores um centro multimídia com 19 duzir betoneiras e guinchos. Com a indústria em franca computadores, um acervo com cerca de dois mil títulos, expansão e crescente conquista do mercado, inclusive no incluindo livros acadêmicos e de literatura em geral, exterior, houve a necessidade da construção de um novo jornais, periódicos, CDs e DVDs, além das obras de parque industrial, que possui a certificação de qualidade domínio público disponíveis na internet. ISO 9001. A nova unidade, concluída em 2010, conta com área industrial de 44 mil m², moderna e bem equipada para a fabricação de casas modulares, telhas, steel decks e painéis. sucesso dessa linha, em 2004 teve início a produção de diversos produtos de embutir, como churrasqueiras a gás, fornos elétricos e fornos de micro-ondas. Um dos motivos do sucesso desses produtos é sua alta eficiência energética, comprovada por certificações como o Selo Conpet.

Em dezembro de 2007 foi inaugurado o Centro de Convivência Olga Fischer. Destinado a promover o bem-estar dos funcionários da empresa, o local possui três andares com ambulatório, cozinha, refeitório, auditório e espaço para lazer. Também conta com uma

Setor: Metalmecânico Sede: Brusque (SC) Funcionários: cerca de 1.300 147


Sede da Intelbras possui uma área de 36 mil m² e conta com as certificações ISO 9001 e ISO 14001

Liderança tecnológica Referência internacional em tecnologia, Intelbras é líder em telecomunicações e segurança eletrônica na América Latina e possui um dos maiores centros de pesquisa e desenvolvimento privado do continente

F

undada em 1976, com capital brasileiro e tecnologia própria, a Intelbras conta com mais de 2 mil colaboradores e seus produtos são exportados para 19 países da América Latina e da África. No Brasil, a marca está presente em mais de 40 mil pontos de venda de varejo e 18 mil revendedores corporativos. O Grupo empresarial possui dois escritórios internacionais e cinco unidades fabris no país, três delas localizadas no estado de Santa Catarina: matriz (São José), Automatiza e Engesul (Palhoça), além das unidades em Santa Rita do Sapucaí (MG) e Manaus (AM).

150

Com foco nas áreas de segurança eletrônica, telecom e redes, a Intelbras é líder em vários de seus segmentos de atuação e possui uma das maiores redes de assistência técnica do mercado brasileiro. Destaca-se também pela excelência em soluções tecnológicas inovadoras. Em 1987, lançou o primeiro PABX microprocessado no Brasil com tecnologia totalmente nacional. A Intelbras mantém a produção de centrais PABX, telefones com e sem fio, switches e placas de rede, entre outros itens dessa linha. Também ampliou, a

8 milhões de consumidores são atendidos anualmente pelos produtos Intelbras.

1 bilhão de componentes produzidos por ano através de tecnologia de montagem automatizada.

1,5 milhão de toneladas de plástico para fabricação de produtos é a capacidade anual das injetoras da Intelbras.


Com mais de 2 mil colaboradores, a empresa é considerada uma das melhores para se trabalhar no país

O Centro de Capacitação em Tecnologia da Intelbras (ITEC) já qualificou 170 mil pessoas desde 2007

partir de 2007, seu portfólio com CFTV, sistemas de alarme, sensores para detecção de incêndio, iluminação de emergência e controle de acesso, que compõem sua unidade de segurança. Para aumentar sua participação nesse segmento, em 2013 a Intelbras adquiriu as empresas Engesul e Automatiza. A inovadora empresa catarinense possui o maior centro de pesquisa e desenvolvimento de produtos do segmento no país, com investimento total de 6% de seu faturamento. O Centro de Capacitação em Tecnologia da Intelbras (ITEC) oferece treinamentos avançados, palestras e eventos de relacionamento, nas áreas de telecomunicação, redes e segurança eletrônica. O ITEC atende em todo o Brasil, através de instrutores especializados, e também possui dois Centros de Treinamento, localizados em São José (SC, matriz) e Santa Rita do Sapucaí (MG, filial), com modernos laboratórios, equipamentos e instrutores altamente qualificados.

Empresa é líder no mercado brasileiro de telefones (32%), centrais telefônicas (60%), centrais condominiais (62%), gerenciamento de imagens (40%) e switches não gerenciáveis (40%)

“Esperamos,

no

futuro, continuar crescendo como crescemos até hoje, através da contribuição também de nossos

Mas não é só na área tecnológica que a empresa se destaca. A Intelbras é considerada uma das melhores empresas para se trabalhar no Brasil, segundo pesquisas das revistas Exame, Você S/A e Época. Possui um rigoroso controle de qualidade e importantes certificações, como a ISO 14001 na matriz e a ISO 9001 nas unidades de São José (matriz e filial), Manaus (certificada pelo BVC) e Santa Rita do Sapucaí (certificada pelo RINA). Outra iniciativa que mostra a preocupação da empresa com a sustentabilidade é o Código de Ética e Conduta, que orienta as ações e contextualiza sua postura social com seu público de relacionamento. A gestão desse código cabe ao Comitê de Gestão de Pessoas e Ética, equipe multidisciplinar formada por lideranças da empresa, que tem como compromisso atualizar o documento regularmente e solucionar dúvidas, críticas e sugestões encaminhadas.

parceiros, levando produtos que melhorem e facilitem a vida dos nossos consumidores.”

Altair Angelo Silvestre Presidente da Intelbras

Setor: Eletroeletrônico Sede: São José (SC) Funcionários: 2.300 (2014) Faturamento: R$ 1 bilhão (2014) 151


Usina de benefícios às comunidades lindeiras Maior hidrelétrica com casa de força em Santa Catarina, com capacidade para atender a cerca de 35% da demanda do Estado, Machadinho promove diversas ações socioambientais e incentiva o turismo sustentável na região de seu entorno

Consórcio Machadinho detém a concessão para utilizar o potencial hidrelétrico do Rio Pelotas até 2032

A

Usina Hidrelétrica Machadinho Carlos Ermírio de Moraes foi construída entre os municípios de Piratuba, em Santa Catarina, e Maximiliano de Almeida, no Rio Grande do Sul. Outros oito municípios integram a área de abrangência do reservatório: Capinzal, Zortéa, Celso Ramos, Campos Novos e Anita Garibaldi, em Santa Catarina, e Machadinho, Barracão e Pinhal da Serra, no Rio Grande do Sul. A Usina começou a operar em 2002, por meio do aproveitamento hidrelétrico das águas do Rio Pelotas, principal afluente do Rio Uruguai, que forma uma das maiores bacias hidrográficas do Sul do Brasil. O empreendimento conta com importantes certificações, como a ISO 14001 (Meio Ambiente), a OH152

SAS 18001 (Saúde e Segurança no Trabalho) e a ISO 9001 (Qualidade). Criado em 1997 por uma associação de empresas, o Consórcio Machadinho é detentor da concessão para exploração comercial da Usina Hidrelétrica Machadinho. O Consórcio é responsável por todos os investimentos relacionados à implantação e a manutenção da Usina até 2032, com a possibilidade de renovação desse prazo. É formado por oito grandes empresas: Companhia Brasileira de Alumínio (27,52% de participação), Alcoa Alumínio (25,74%), Votorantim Cimentos (5,61%), Tractebel Energia (19,28%), Vale (8,29%), CEEE-GT (5,53%), InterCement (5,27%) e DMED (2,73%).

R$ 8,5 mi já foram investidos pelo Consórcio Machadinho e seus parceiros em projetos sociais.

252 ações sociais executadas nos 13 anos de operação do empreendimento.

1.140 MW é a capacidade instalada da usina, que corresponde a 35% da demanda de Santa Catarina.


Livro revela recém-descoberto santuário das cachoeiras na divisa dos estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul

Região repleta de cachoeiras oferece a possibilidade de um roteiro de visitação sustentável com grande potencial turístico

Com investimentos no desenvolvimento social da população do entorno da Usina, o Consórcio Machadinho vem construindo uma história de conquistas socioambientais e bom relacionamento comunitário. Dezenas de iniciativas geram emprego, renda e melhoram as condições de educação, segurança, saúde, lazer e qualidade de vida das comunidades. O Consórcio também promove, patrocina e apoia diversos projetos de iniciativa das comunidades mediante a utilização de recursos próprios ou incentivos através de leis federais e estaduais de apoio à cultura, ao esporte e à inclusão social. Outro exemplo de interação com a comunidade é o Programa de Visitas, que já levou cerca de 65 mil visitantes até a usina, mostrando como funciona o processo de geração de energia elétrica. Em 2013, o Ibama aprovou o Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno do Reservatório Artificial (PACUERA). Seguindo diretrizes do Ibama, o plano foi elaborado em conjunto com a comunidade e as lideranças locais, com o objetivo de identificar as melhores alternativas de uso do reservatório, priorizando a preservação ambiental e o interesse coletivo. Para mostrar o belo potencial turístico dessa região, o Consórcio Machadinho patrocinou o livro “Cachoeiras da Região Sul”. Lançada em 2013, a obra apresenta um verdadeiro santuário de cachoeiras localizadas nas nascentes dos rios Canoas e Pelotas. Para promover o turismo sustentável, o livro possui anexo um mapa ilustrado com informações sobre as cidades, as casas de cultura, as cachoeiras, termas, estações de águas, rios e lagos da região.

Programa de educação ambiental atende a 65 unidades de ensino na região de abrangência do empreendimento

“O

Consórcio

Machadinho agradece o apoio de todos os que contribuem para o sucesso do empreendimento e das iniciativas que o envolvem. Aliados à comunidade, aos colaboradores e aos parceiros, e com o apoio dos nossos acionistas, continuaremos a construir essa história de sucesso.”

Carlos Alberto Bezerra de Miranda Diretor Geral do Consórcio Machadinho

Setor: Energia Sede: Florianópolis (SC) 153


A arte de vestir gerações Com mais de 50 anos de história e líder nacional no segmento de confecção e franquia infantil, a Marisol aposta na ampliação das redes para manter seu crescimento.

Lilica Ripilica: única grife infantil a se apresentar no São Paulo Fashion Week

F

undada em maio de 1964, produzia chapéus de praia em fibra natural e sintética. Em 1968, a Marisol diversificou seu negócio incorporando uma pequena malharia e a partir daí seu foco torna-se o vestuário, com ponto forte na linha infantil. Considerada uma das maiores empresas do Brasil no setor do vestuário, possui duas unidades fabris: a matriz, localizada na cidade de Jaraguá do Sul (SC), e uma unidade na cidade de Pacatuba (CE), que juntas têm capacidade produtiva anual de 18 milhões de peças de roupas e 2,2 milhões de pares de calçados.

154

Sempre antenada às principais tendências e aliada à experiência de mercado, em 1991 lançou a marca Lilica Ripilica, que em pouco tempo tornou-se referência nacional para meninas de até 10 anos, vestindo-as com encanto e personalidade. Baseada neste sucesso, em 1993 criou a marca Tigor T. Tigre, para atender o universo dos meninos irreverentes e modernos. Em seu portfólio de marcas próprias estão a Marisol, Lilica Ripilica, Tigor T. Tigre, Mineral e Mineral Kids. Faz ainda a gestão de produtos de outros personagens consagrados, através de um portfólio denominado Marisol Licenciados.

12 mil pontos de venda multimarcas comercializam os itens da empresa.

18 milhões de peças de roupa é a capacidade anual de produção das unidades fabris da Marisol.


A One Store Marisol busca aliar o conforto às tendências da moda para garantir a diversão das crianças

Concerto em comemoração aos 50 anos da empresa, com a presença da Orquestra Sinfônica de Jaraguá do Sul

A Marisol é gestora das redes de franquias Lilica & Tigor e Marisol, da rede de valor One Store Marisol e da rede de lojas próprias Outlet Marisol. O atual reconhecimento perante o mercado da moda e varejo é mérito alcançado ao longo dos 51 anos de atuação, em que a inovação e a criatividade sempre fizeram parte das estratégias da empresa.

Tecnologia moderna e avançada presente também nos equipamentos que compõem as unidades produtivas

A Marisol é responsável por mais de 400 unidades, entre lojas Lilica & Tigor e One Store Marisol. Por conta da experiência acumulada na gestão das redes de varejo, lançou recentemente a rede de franquias Marisol. A rede de franquias Lilica & Tigor é a maior do país, com 180 lojas, e também referência no segmento de vestuário infantil. O sucesso das redes é baseado em constantes ações estratégicas que visam à manutenção e à ampliação do negócio, desenvolvendo diversas vantagens aos parceiros, como know-how de implantação, operação e administração do empreendimento, estabelecendo um sistema eficaz de apoio. Para comercializar seus produtos e melhor atender os consumidores, a empresa conta com 180 lojas na rede de franquias Lilica & Tigor, 280 lojas na rede One Store Marisol e atua também com a rede de lojas próprias focadas em coleções passadas denominada Outlet Marisol, hoje com cinco operações. Dispõe também seus produtos nos mais de 12 mil pontos de venda do canal multimarcas e no e-commerce (www.amazingstore.com.br), com demanda crescente. Em 2012 iniciou um novo negócio, a venda de malha acabada junto ao mercado de confecção. Atualmente conta com capacidade de produção de 400 toneladas por mês e consumo interno de 50% dessa produção. Nesse sentido, após o segundo ano de implantação do projeto, percebeu um mercado bastante promissor e que atualmente demanda uma produção maior que a capacidade. Em 2015 os investimentos são para ampliação da produção para 500 toneladas por mês, visando a atender essa demanda de mercado.

“Ao

completar

meio século, a empresa começa a colher os frutos de um intenso processo de reformulação com medidas impactantes que nos fizeram retomar o foco naquilo que sabemos fazer de melhor, e nos aprimorando em novas competências, que têm nos elevado a novos patamares.”

Giuliano Donini Presidente da Marisol

Setor: Vestuário Sede: Jaraguá do Sul (SC) 155


Uma empresa alicerçada na tecnologia

A

companhia de Timbó (SC) baseou sua trajetória de crescimento no domínio tecnológico em sua área de atuação, a laminação de aço para produção de peças especiais, e tornou-se um elo de importantes cadeias produtivas globais. A Metisa - Metalúrgica Timboense S/A construiu sua trajetória de sucesso iniciada em 1942 com base na qualidade de seus produtos. O constante aperfeiçoamento e a inovação, alicerçados nas melhores tecnologias disponíveis, colocaram a companhia em posição de destaque nos mercados de peças para implementos agrícolas e tratores, para implementos rodoviários, acessórios ferroviários, pás e lâminas para cortes de pedras, entre outros produtos. A empresa possui domínio tecnológico na utilização de aços microligados ao boro, manganês, cromo e outros metais, que proporcionam aumento considerável da vida útil do produto em uso. A Metisa mantém uma área de pesquisa e desenvolvimento para a obtenção dos melhores processos de tratamentos térmicos de materiais e para os trabalhos de usinagem e conformação das peças. O desenvolvimento dos produtos é realizado por meio de engenharia simultânea com os principais clientes, entre os quais algumas das maiores companhias do mundo nos setores de equipamentos agrícolas, de terraplenagem, ferroviário e rodoviário.

Vista aérea da Metisa

156

240 mil m² é a área total da fábrica, da qual 37 mil m² são de área construída.

40 países em cinco continentes importam produtos da empresa atualmente.

80 mil toneladas de aço é a capacidade de produção anual da Metisa.


Reservatório para controle das águas

Laboratório

Expedição

Processo de fabricação com tratamento térmico

A linha de produção da Metisa é logisticamente integrada, tanto aos principais fornecedores de aço quanto aos clientes, o que coloca a empresa na condição de elo de importantes cadeias produtivas globais. Os padrões internacionais de qualidade são garantidos por um laboratório metalúrgico próprio, que dispõe de equipamentos para análises físicas e químicas. As propriedades mecânicas dos produtos são avaliadas em diversas fases do processo de fabricação. A Metisa possui um sistema de gestão da qualidade certificado pelas normas ISO 9000. Companhia de gestão profissionalizada e capital aberto, com ações negociadas em bolsa de valores, a Metisa atingiu no século XXI uma capacidade de produção anual de 80 mil toneladas de aço. Exportando cerca de 30% da produção para mais de 40 países, consolidou-se como uma das mais importantes laminadoras brasileiras. Possui várias ações na área de sustentabilidade. A água circula na indústria em processo de circuito fechado e os resíduos sólidos são reciclados a partir de um sistema de coleta seletiva. A empresa monitora regularmente a qualidade das águas do lençol freático nas cercanias da fábrica e mantém um cinturão verde às margens do Rio Benedito Novo, em Timbó, onde é sediada.

Setor: Metalurgia Sede: Timbó(SC) Funcionários: 1.100 (2014) 157


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Um porto a serviço da indústria catarinense Responsável por 45% de toda a movimentação portuária de Santa Catarina, Portonave conta com tecnologia avançada e equipamentos de ponta que atraem anualmente milhões em negócios internacionais

Monitoramento da qualidade da água e desenvolvimento de importantes projetos sociais são algumas das ações da empresa, que se destaca pela forte atuação socioambiental

E

m operação desde outubro de 2007, a Portonave localiza-se no Vale do Itajaí, próxima da BR-101, principal corredor rodoviário do país, em posição estratégica para o escoamento da produção catarinense, do Mercosul e de estados vizinhos. Sua sede é em Navegantes, município que conta com o segundo maior aeroporto internacional de Santa Catarina e está localizado a 111 km de Florianópolis, a 203 km de Curitiba e a 571 km de Porto Alegre. Junto com o Porto de Itajaí, forma o Complexo Portuário de Navegantes-Itajaí, responsável por movimentar 70% da corrente de comércio catarinense. A Portonave investe constantemente na manutenção e modernização dos equipamentos, na capacitação e aprimoramento dos colaboradores e na eficiência e adaptação às necessidades do mercado internacional, como a ampliação da bacia de evolução para operação de navios maiores. A empresa pagou parte dos estudos para a nova bacia de evolução e, a partir de 2016, essas obras vão permitir a entrada de navios de até 335 metros no Complexo. Para continuar sendo o principal movimentador de contêineres de Santa Catarina, o Terminal Portuário investirá cerca de R$ 120 milhões para ampliar a capacidade estática de seu pátio. Com o fim das obras, previsto para o segundo semestre de 2015, o complexo terá cerca de 400 mil m² de área operacional e mais de 2.100 tomadas para contêineres reefer.

A Portonave possui as certificações ISO 9001 e ISO 14001, que confirmam o compromisso com a qualidade dos serviços prestados e com a preservação ambiental. O Terminal mantém centrais de recebimento de resíduos recicláveis e perigosos espalhadas em Navegantes e, por meio de um convênio com empresas de reciclagem, possibilita a destinação correta dos resíduos coletados. Além de ser uma empresa parceira do meio ambiente, a Portonave promove diversos projetos dentro do Programa de Responsabilidade Social, o “Portonave de Todos”, que objetiva preservar os recursos ambientais e culturais e promover a valorização da vida para as gerações futuras. Estruturado para atender a coletividade, o programa trabalha com foco nas áreas de educação, cultura e desenvolvimento, preservação ambiental, saúde e esporte. Outro projeto implementado pela empresa, chamado Contém Cultura, é um espaço multicultural com biblioteca, aulas de dança, teatro e canto que percorre diversas cidades catarinenses e já recebeu mais de 30 mil pessoas. O projeto também tem um espaço fixo instalado na região central de Navegantes. O Projeto Onda compartilha conhecimentos e conceitos de cidadania nas escolas públicas de Navegantes. As aulas são ministradas por voluntários da Portonave e abordam temas do cotidiano, como respeito e cidadania, entre outros.

17 mil contêineres de 20 pés (TEUs) é sua capacidade de armazenamento.

“Ampliar a bacia de evolução e aumentar nossa capacidade estática significam maior competitividade, ganhos de escala e, consequentemente, maior produtividade, condições indispensáveis em um segmento que muda constantemente e precisa se adaptar às necessidades mundiais.” Osmari de Castilho Ribas Diretor-Superintendente Administrativo da Portonave

Setor: Portuário Sede: Navegantes (SC) Funcionários: cerca de 1.000 159


Comercializadora de energia com DNA da indústria

Empresa oferece aos empresários as melhores soluções na gestão de energia com preços competitivos e segurança na aquisição do insumo

Sediada em Joinville, a RB|Energia é uma comercializadora de energia que traz em sua essência o DNA da indústria e faz parte de um grupo empresarial empreendedor consolidado como uma sólida instituição catarinense com mais de 130 anos de atuação

A

atuação da RB|Energia abrange a compra e venda de energia elétrica no Mercado Livre, gestão e representação de unidades consumidoras, eficiência energética e o desenvolvimento de parcerias em geração de energias renováveis. Com o slogan “A energia certa para gerar resultados”, a empresa busca proporcionar as melhores soluções para os clientes, utilizando sua ampla experiência na área industrial e o profundo conhecimento de seus profissionais, que atuam há mais de 20 anos no setor elétrico. Tudo isso para cumprir com sua missão: “Criar soluções inovadoras e confiáveis em gestão energética, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e gerando valor para nossos clientes e acionistas”. Atuando como comercializadora de energia desde 2012, a RB|Energia se consolidou como uma verdadeira parceira, presente e integrada aos interesses de seus clientes. Realiza a gestão de energia de mais de 40 empresas em Santa Catarina e se destaca pela forma transparente de atuação com foco na segurança, responsabilidade e presença na região. Com extremo cuidado na gestão de riscos e excelência no atendimento, a RB|Energia desenvolve estratégias inovadoras e modelos diferenciados para compra de energia no Mercado Livre de Energia Elétrica, sempre alinhados à cultura organizacional e ao perfil de aversão ao risco de cada empresa. Dessa forma, os consumidores conseguem 160

alinhar o binômio preços competitivos e segurança na aquisição desse insumo fundamental para a indústria. A RB|Energia também tem como prioridade participar da ampliação do parque gerador no Brasil, com ênfase em projetos de geração a partir de energias renováveis. Ao desenvolver uma gestão focada na sustentabilidade, a empresa se destaca pelas inovadoras estratégias em investimentos de geração de energia, criando diferenciais competitivos e assegurando o equilíbrio entre a maximização do retorno sobre o capital investido para os investidores parceiros e a segurança de contratos de fornecimento sólidos e com rating que viabilizam uma estrutura para alavancagem de projetos. A sustentabilidade também está presente no dia a dia da empresa, que tem como filosofia “Agir no presente, pensando no futuro”. Além do foco no desenvolvimento e comercialização de energia de fontes renováveis e baixo impacto ambiental, a RB|Energia apoia e financia o Instituto Th. Isolde Odebrecht no desenvolvimento de diversos projetos. Destaque para os trabalhos de Preservação da Mata Atlântica e das Nascentes do Rio Quiriri – grande fonte de recursos hídricos localizada no Norte de Santa Catarina – e para o Coral Ciser Show, que envolve colaboradores, familiares e comunidade, levando cultura e lazer para Joinville e outros municípios, inclusive fora do Estado.

“Estarmos presentes e alinhados com as necessidades das empresas nos permitiu desenvolver soluções amplas e estruturadas na gestão integrada de energia, que realmente agregam valor.”

Sandro Luiz Bittencourt de Souza Diretor de Negócios da RB|Energia

RB|Energia apoia a preservação do Rio Quiriri, que abastece Joinville

Setor: Energia Sede: Joinville (SC)


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Uma empresa preocupada com o todo Desde 1952 a Sopasta inova e faz história na produção de embalagens de papelão ondulado

S

ediada em Tangará, Santa Catarina, a Sopasta está constantemente ampliando seu parque fabril e inovando. Utilizando tecnologia de ponta desde a transformação de aparas, sua principal matéria-prima, para transformá-las novamente em papel, contando com um criterioso processo de controle de qualidade. Pautada pelo conceito de parceria entre indústria e cliente, a empresa investe no desenvolvimento de protótipos para testar, aperfeiçoar e aprovar novos formatos de embalagens de papelão ondulado, de forma personalizada, buscando soluções que melhorem o desempenho da produção, do acondicionamento, armazenamento e do transporte dos produtos. Trabalhando lado 162

a lado com seus clientes, a Sopasta tem seus produtos percorrendo o Brasil e o mundo, colaborando com a preservação do meio ambiente de forma sustentável. Atuando principalmente nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, a Sopasta desenvolve produtos para melhor atender indústrias dos mais diversos segmentos, como bebidas, têxtil, higiene e limpeza, agroindústria e indústria alimentícia. Por trás de cada produto existem centenas de pessoas que constroem essa história diariamente e é pensando nessas pessoas que a Sopasta investe em projetos de desenvolvimento e valori-

7 milhões de m² é o tamanho da área mantida pela empresa exclusivamente para reflorestamento.

ISO 9001 e OHSAS 18001 são as certificações da Sopasta.

150 mil m² Área ocupada pelo parque fabril da empresa.


Sopasta investe constantemente em projetos de atualização tecnológica, desenvolvimento e valorização pessoal e profissional

zação pessoal e profissional. Atualmente, a empresa é certificada pela ISO 9001, visando à conformidade do seu produto, e pela OSHAS 18001, fortalecendo o seu compromisso com a melhoria das condições de trabalho e vida dos colaboradores. A empresa adota o Modelo de Excelência da Gestão, visando a melhores desempenhos e resultados, reafirmando a busca constante pela melhoria contínua dos seus processos, o que resultou na conquista de prêmios e certificados, como o Prêmio Catarinense de Excelência (PCE) – pela quarta vez e pelo segundo ano consecutivo – e o Prêmio FIESC, do Movimento A Indústria pela Educação, na categoria Programa de Desenvolvimento de Competências, com a prática de Desenvolvimento de Lideranças. Por meio dos programas ambientais a Sopasta reafirma o cuidado e o respeito com os colaboradores, a comunidade e o meio ambiente, trabalhando com embalagens biodegradáveis, recicláveis e efetivamente recicladas. Toda a água utilizada no processo produtivo passa pela estação de tratamento de efluentes antes de ser devolvida à natureza. Conta com uma hidrelétrica própria, localizada em seu parque fabril, para gerar de forma limpa e sustentável parte da energia utilizada pela indústria. A Sopasta tem orgulho de ser uma empresa carbono zero, pois mantém uma área de 7 milhões de metros quadrados exclusivamente para reflorestamento, compensando todo o carbono emitido pelo processo produtivo. A empresa acredita que o crescimento vai além dos números. É no desenvolvimento humano, na preservação do meio ambiente e no investimento constante em tecnologia que reside a sua força e o seu maior valor. A Sopasta é comprometida com seus clientes, com a comunidade de entorno, com o meio ambiente e com os colaboradores. É uma empresa consciente e comprometida com o todo.

Empresa é referência no segmento de produção de papel, papelão e embalagens de papelão ondulado

Setor: Papel e Embalagem Sede: Tangará (SC) Funcionários: 407 163


Usina de Itá foi a primeira grande hidrelétrica construída pela iniciativa privada no país

Uma grande fonte de energia para o país Maior geradora privada do Brasil, Tractebel tem usinas instaladas em todas as regiões

A

maior geradora privada do país opera no Brasil desde 1998. Com usinas das diversas formas de energia espalhadas por todas as regiões brasileiras. Seu parque gerador é composto por nove hidrelétricas, cinco termelétricas e 13 complementares: três a biomassa, seis eólicas, três Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e uma solar. Quatro dessas usinas são exploradas por meio de consórcio com outras empresas. Do total de 27 usinas operadas pela Tractebel Energia, 15 já estão certificadas segundo as normas NBR ISO 9001 (Qualidade), NBR ISO 14001 (Meio Ambiente) e OHSAS 18001 (Saúde e Segurança no Trabalho) – o que corresponde a mais de 90% da capacidade 164

instalada operada pela Companhia. Seu portfólio de clientes é formado por distribuidoras, clientes livres e comercializadoras. Além da venda de energia, a empresa presta serviços associados, como a implantação de instalações de cogeração, operação e manutenção de equipamentos de produção de energia e monitoramento da qualidade da energia.

7,03 mil

Nos últimos anos, a Tractebel Energia vem diversificando o seu portfólio de usinas, a partir do uso de fontes alternativas de energia, tais como a biomassa, solar e eólica. A Companhia iniciou, em abril de 2014, a operação total do Complexo Eólico Trairi, no Ceará. Formado por quatro parques eólicos, o complexo conta com capacidade instalada de 115 MW.

compõem o parque gerador da Tractebel.

MW de capacidade própria em geração de energia, cerca de 6% do total no Brasil.

27 plantas R$ 22 bi Valor de mercado da Companhia em 30/9/2014.


Complexo Eólico Trairi: expansão na geração eólica amplia o portfólio de energias renováveis

Usina Cidade Azul: maior planta solar fotovoltaica em funcionamento no Brasil, com capacidade para abastecer cerca de 2,5 mil residências

Com sede em Florianópolis, a Tractebel opera sete usinas em Santa Catarina. A Usina Itá, localizada às margens do Rio Uruguai, gera energia hidrelétrica com potência instalada de 1.450 MW. No mesmo rio está a Usina Machadinho, com capacidade instalada de 1.140 MW. Já a Unidade de Cogeração Lages (UCLA) é a primeira planta de biomassa da empresa no país. A Usina Fotovoltaica Cidade Azul, localizada em Tubarão, entrou em operação em agosto de 2014, com capacidade instalada de 3 MWp. A iniciativa pioneira é uma parceria com a UFSC, a WEG e 11 empresas do setor para avaliar o potencial de geração solar no Brasil. Outra parceria da Tractebel, com a WEG, resultou no início de 2015 na instalação de um aerogerador com potência de 2,1 MW, localizado na frente do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, situado em Capivari de Baixo (SC). A partir da análise e do desempenho das tecnologias nele aplicadas, a meta é projetar um aerogerador com 3,3 MW de potência, desenvolvido com tecnologia 100% nacional, fato inédito no país. A Tractebel Energia também investe na ampliação do seu parque gerador. Em Candiota (RS), está implantando a Usina Termelétrica Miroel Wolowski (Pampa Sul), com 340 MW de capacidade instalada. Na Bahia, a empresa investe na construção do Complexo Eólico Campo Largo, que será composto por 11 usinas que gerarão energia aos mercados livre e regulado. No Ceará, o Complexo Eólico Santa Mônica (97,2 MW) está em implantação. Esse novo parque se somará a Trairi (115,4 MW), já em operação na mesma região do litoral oeste cearense. O controle acionário da Tractebel Energia é detido pelo grupo franco-belga GDF SUEZ, o maior produtor independente de energia do mundo, com presença em 70 países e que detém 68,71% das ações. O Banco Clássico detém 10% e os demais 21,29% são negociados na BM&FBOVESPA, onde a Tractebel Energia tem ações negociadas no Novo Mercado e integra a carteira de ações do ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial).

Usina de Cogeração Lages utiliza a queima de resíduos da indústria madeireira como combustível

Carvão abastece o Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, situado no Sul de Santa Catarina

“Estamos investindo em diferentes fontes de energia para a Tractebel continuar na liderança de mercado. ”

Manoel Zaroni Torres Presidente da Tractebel Energia

Setor: Energia Sede: Florianópolis (SC) Funcionários: 1.132 (2014) 165


Sinônimo de excelência em eletrodomésticos Dona das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid, a Whirlpool completa 65 anos de atuação em Santa Catarina, reconhecida pela sua excelência em qualidade, inovação e sustentabilidade

Em mais de 1 milhão de m² de área, as pessoas são as principais responsáveis pela qualidade e inovação na Whirlpool

A

história da Whirlpool em Santa Catarina começou em julho de 1950, em Joinville, e com um crescimento sólido e sustentável alcançou a liderança no mercado latino-americano de eletrodomésticos. Atualmente, conta com mais de 15 mil funcionários distribuídos entre centro administrativo, três fábricas, quatro centros de tecnologia e 23 laboratórios de pesquisa e desenvolvimento em Joinville, Manaus (AM), Rio Claro e São Paulo (SP), além de escritórios em outros países da América Latina. Admirada por suas marcas, leva qualidade, preocupação com o meio ambiente e paixão pelos seus produtos para cerca de 100 milhões de lares brasileiros, o que representa um produto a cada dois domicílios. A Whirlpool mantém uma política de valorização dos seus profissionais, com ações práticas para atrair, reter e desenvolver talentos. É com esse time que fomenta e implanta ideias inovadoras, surpreende e encanta seus consumidores. Como retorno, os colaboradores encontram uma empresa que cuida do ser humano e de suas carreiras. Prova disso é que, há 18 anos, figura na lista das Melhores Empresas Para Trabalhar do Guia Você S/A, sendo uma das três a figurar desde o início do prêmio, e, há três anos, faz parte do ranking elaborado pelo Great Place To Work com a revista Época. Considerada uma das mais inovadoras do Brasil, desenvolve, fabrica e exporta produtos com soluções 166

diferenciadas. Para se manter no topo da inovação, destina de 3% a 4% do faturamento para pesquisa e desenvolvimento e em torno de 23% de sua receita vem desses produtos diferenciados. Em 2014, por exemplo, obteve a concessão de 92 patentes, e é a única empresa do Brasil entre as 500 mais inovadoras do mundo, de acordo com o ranking de registros de patentes da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI). Além de uma equipe altamente especializada, conta ainda com importantes aliados: UFSC, Udesc e Univille são exemplos de parceiros para acelerar o desenvolvimento de pesquisas, gerar conhecimento e atrair talentos. A sustentabilidade é um compromisso da companhia e se reflete em ações concretas. A empresa foi uma das pioneiras do país a eliminar a destinação de resíduos industriais para aterro e até 2016 a meta é zerar também o envio de resíduos não industriais. Destaque ainda para o uso sustentável da água. Além da constante redução no consumo, só em 2014 foram captados 11 milhões de litros de água da chuva e reaproveitados 46,5 milhões de litros de água. Na comunidade, um dos projetos sociais mais significativos da empresa é o Instituto Consulado da Mulher, que incentiva e viabiliza a geração de renda. Desde o início do projeto, em 2002, 33 mil mulheres foram apoiadas e assessoradas em todo o Brasil.

De 3% a 4% do faturamento da Whirlpool é investido em pesquisa e desenvolvimento.

“Santa Catarina para a Whirlpool é sempre motivo de orgulho e sinônimo de parceria, seja pelo apoio da comunidade, das universidades, dos fornecedores, do governo, e claro, dos talentos que fazem parte da nossa Companhia.”

João Carlos Brega Presidente da Whirlpool Latin America

Setor: Eletroeletrônico Sede: Joinville (SC) Funcionários: 15.000


HÁ 21 ANOS colaborando com o desenvolvimento de uma gigante de 65 anos.

Prover o 5º maior parque industrial do Brasil com uma energia mais limpa e econômica: É assim que a SCGÁS contribui para o desenvolvimento da indústria catarinense, hoje responsável por 35% do PIB estadual. Juntas, as empresas atendidas por nossa Companhia já representam mais de 40% da produção no setor. Por isso, neste ano que completamos 21 anos, estamos comemorando junto com a FIESC os resultados de uma indústria forte, competitiva e inovadora, que se projeta no mundo inteiro.

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FIESC, A INOVAÇÃO PERMANENTE Ao fazer o balanço dos 65 anos da FIESC - Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina, este livro aborda a ação inovadora de uma entidade voltada para o desenvolvimento e o bem comum. Uma presença constante, focada na ampla, profunda e diversa atividade da indústria ao longo da história num Estado modelo, de invejável qualidade de vida e equilíbrio social. A narrativa se baseia nos mais recentes estudos sobre o assunto, que articulam experiências em âmbito regional, nacional e internacional. Da contribuição dos pioneiros, que trouxeram o conhecimento, o entusiasmo e as perspectivas de um futuro melhor, às mais modernas conquistas da tecnologia, da gestão e do preparo dos profissionais envolvidos, a indústria catarinense palmilha um amplo território de revelações. Não estão refletidos aqui apenas os perfis das empresas e de seus protagonistas, que mudaram a face da nação e a projetaram para o pódio das realizações. Mas também o entorno onde se articulou essa saga, com uma síntese dos cruzamentos feitos entre percepções variadas, fruto, por sua vez, de árduas pesquisas desenvolvidas em âmbito acadêmico e corporativo. Trata-se de uma publicação para marcar o esforço de superação permanente que define a indústria catarinense e suas lideranças, reunidas em torno da FIESC.

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