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05 Painel digital

SUMÁRI O

06 diretoria 07 editorial 08 charge 09 entrevista 12 Fala, indústria 22 giro da indústria 54 dicas 56 cultura da indústria 57 gadgets 60 quanto você pagou? 62 artigo capa

28 ROTA DA TRANSFORMAÇÃO Rota Bioceânica é promessa de desenvolvimento para Porto Murtinho, que já começa a ver o cenário ser modificado com novos investimentos

14 inovação Ministério credencia laboratório de análise de sementes do Instituto Senai de Tecnologia em Alimentos e Bebidas

61 quem te conhece que te compre

24 geral EcoSesi Bonito sedia 9ª reunião dos ministros de Agricultura do Brics e ministros dos cinco países elogiam estrutura do espaço

46 iel Com apoio do Centro Internacional de Negócios, indústrias exportam e importam produtos

Em Ivinhema, Tropicana produz caldo de cana envasado sem adição de conservantes

50 sesi Centro de Inovação do Sesi de MS ganha reforço de “labradores” da USP para desenvolver pesquisas

42 senai 18 manutenção garantida Presidente da Fiems Sérgio Longen tranquiliza industriais sobre manutenção de incentivos fiscais

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MS terá de qualificar 142,5 mil trabalhadores em profissões industriais até 2023

58 radar industrial Fique por dentro dos indicadores do setor industrial de MS


PAINEL DIGITAL

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Tô rindo, mas é de nervoso! #sfiems #sesims 3 técnicas simples para estudar sem medo de errar #fiems #ielms #estudos #faculdade

Já deu né 2019? #fiems #ielms #estudos #faculdade

Ao conceder entrevista coletiva para a imprensa nesta quartafeira (25/09), durante a 9ª Reunião dos Ministros da Agricultura do Brics, a ministra Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias destacou os esforços para a promoção do evento em Mato Grosso do Sul e a importância da região para o turismo internacional. #sfiems

Sérgio Longen coloca como meta distribuir 10 mil mudas de árvores até o fim do ano em Mato Grosso do Sul #fiems #semanadarvore #arvore #mudas

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D I RET ORI A

S IS TE MA F I E M S Diretor Corporativo: Cláudio Jacinto Alves Diretor Executivo: Anatole Verlaine Etges Superintendente do Sesi/MS: Bergson Henrique S. Amarilla Diretor Regional do Senai/MS: Rodolpho Caesar Mangialardo Superintendente do I EL/MS: José Fernando Gomes do Amaral

Revista da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul Diretor de Comunicação: Robson Del Casale (DRT/MS 064) Chefe de Redação: Daniel Pedra (DRT/MS 088) Jornalistas: Flávia Melo (MTB/MS 1032) Zana Zaidan (MTE/MS 1255) Fotos: Dicom/Fiems Foto Capa: Edemir Rodrigues (Governo do Estado de MS) Endereço: Avenida Afonso Pena, 1.206 - 2º Andar Bairro Amambaí - Campo Grande/MS - 79.005-901 E-mail: unicom@sfiems.com.br Site: www.fiems.com.br Fone: (67) 3389-9017 As opiniões contidas em artigos assinados são de total responsabilidade de seus autores, não refletindo, necessariamente o posicionamento do Sistema Fiems Revista Mensal - 10 mil exemplares

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Presidente: Sérgio Marcolino Longen 1ª Vice-pres.: Claudia Pinedo Zottos Volpini 2º Vice-pres.: Alonso Resende do Nascimento 3º Vice-pres.: José Francisco Veloso Ribeiro 1º Vice-Pres Regional: Luiz Claudio Sabedotti Fornari 2º Vice-Pres Regional: Roberto José Faé 3º Vice-Pres Regional: Romildo Carvalho Cunha 4º Vice-Pres Regional: Francisco Giobbi 5º Vice-Pres Regional: Lourival Vieira Costa 6º Vice-Pres Regional: Gilson Kleber Lomba 1º Secretário: Silvana Gasparini Pereira 2º Secretário: Antônio Carlos Nabuco Caldas 3º Secretário: Zigomar Burille 1º Tesoureiro: Altair da Graça Cruz 2º Tesoureiro: Edis Gomes da Silva 3º Tesoureiro: Nilvo Della Senta Diretores: João Batista de Camargo Filho Antônio Breschigliari Filho Julião Flaves Gaúna Marcelo Alves Barbosa Edemir Chaim Asseff Alfredo Fernandes Marcelo De Carli Ferreira Cláudio George Mendonça Marismar Soares Santana Regis Luís Comarella Walter Ferreira Cruz Walter Gargione Adames Vagner Rici Silvio Roberto Padovani Omildson Regis Guimarães José Eduardo Maksoud Rahe Conselho Fiscal: Efetivos: Milene de Oliveira Nantes Ivo Cescon Scarcelli Lenise de Arruda Viegas Suplentes: Egon Hamester Edson Luiz Germano de Souza Irma Tinoco Atagiba Asseff Delegados Suplente junto à CNI: Efetivos: Sérgio Marcolino Longen Claudia Pinedo Zottos Volpini Suplentes: Roberto José Faé José Francisco Veloso Ribeiro


ED ITOR I A L

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PORTO SEGURO

município de Porto Murtinho (MS) iniciou um processo de desenvolvimento que não tem mais volta e, cuja a tendência, é só ampliar a cada ano que passa graças à viabilização da Rota Bioceânica, que permitirá que a produção brasileira possa atingir o mercado asiático via portos do Chile no Oceano Pacífico. A região pode se tornar um dos principais entrepostos comerciais do País, sendo comparada à “Nova Paranaguá”, e já começa a receber novos investimentos, que vão gerar mais empregos e trazer desenvolvimento para a região. Os novos investimentos que estão sendo feitos em Porto Murtinho mostram a possibilidade de desenvolvimento não só do município, como em todo o Mato Grosso do Sul. Porém, acredito que, neste momento, nossa preocupação deve ser focada no andamento da obra de construção da ponte sobre o Rio Paraguai, que ligará a cidade sul-mato-grossense a Carmelo Peralta, no Paraguai. Não adianta iniciarmos discussões sobre o que pode ou não passar por lá nesse momento. Então hoje nosso foco é a obra. Finalizadas a ponte e a estrada que a ligarão até a BR-267, poderemos avançar nas discussões,

que são muitas e incluem desde a melhoria da infraestrutura do município, como hotéis, escolas, comércio, entre outros, até a qualificação da mão de obra para atender os novos empreendimentos que já estão sendo iniciados. Contudo, é preciso reforçar a importância do desenvolvimento dos portos para a saída da nossa produção. Estive há alguns anos em Porto Murtinho inaugurando uma Biblioteca da Indústria do Conhecimento do Sesi e, naquela época, já era possível notar uma busca do município por ações de desenvolvimento. Sempre defendi que o porto de Murtinho poderia trazer ações de desenvolvimento para a região e hoje o terminal já é uma realidade, inclusive com novos investimentos, agora para novos portos. Essa é uma ação imediata, que vem trazendo resultados e entendo que a ampliação de ações com o porto trará ainda mais progresso. A tendência é que, cada vez mais, o município avance economicamente, transformando-se em um verdadeiro porto seguro para os investidores.

SÉRGIO LONGEN Presidente do Sistema Fiems

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ENTREVISTA

RUDEL ESPÍNDOLA TRINDADE JUNIOR DIRETOR-PRESIDENTE DA MSGÁS

“A MSGás está bem estruturada em Campo Grande e Três Lagoas. É o momento para expandirmos a rede.”

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esponsável pela distribuição de gás natural canalizado de Mato Grosso do Sul, há 21 anos, a MSGás foi constituída como uma empresa de infraestrutura. Seu perfil era totalmente voltado para o desenvolvimento de sua engenharia. De 2015 para cá, viu seu número de

clientes crescer 400%, saltando de 2 mil para 10 mil. Com produção diária de 600 mil metros cúbicos, ocupa a 10ª posição no ranking de empresas do seu segmento e a expectativa, de acordo com diretor-presidente da empresa de economia mista, MS INDUSTRIAL | 2019 • 9


Rudel Espíndola Trindade Junior, é ocupar o 4º lugar nos próximos três anos, quadruplicando o volume de gás natural distribuído. Tecnologia de ponta e investimentos na expansão da rede de gasoduto, em sua equipe de engenharia e comercial, são os alicerces que vêm transformando a MSGás em uma locomotiva de inovação com o compromisso de levar soluções inteligentes para a sociedade. Em entrevista à Revista MS Industrial, Rudel fala sobre os desafios enfrentados, os avanços e o que esperar do mercado sulmato-grossense de gás natural encanado - considerado o mais limpo dos combustíveis fósseis.

de documentação. Em relação aos postos que vendem GNV, temos oito em Campo Grande e um em Três Lagoas. É muito pouco, temos que abrir mais frentes. Isso tudo tem sido um grande obstáculo. Mas, mesmo assim o GNV, aqui no Estado, tem crescido de 5% a 8% ao mês. Um bom crescimento, mas esbarramos nesse lado insipiente de não ter empresas certificadoras, instaladoras, mais postos que comercializem GNV. O que temos feito é trabalhar para ampliar a rede de postos. Em seis meses, teremos novidades. O governo estadual autorizou

estudo para a instalação de um ramal de gás natural na região de Aquidauana e Anastácio, assim como nos municípios de Sidrolândia, Maracaju e Dourados. Quais os fatores levados em consideração para a escolha dessas duas regiões? A MSGás está bem estruturada em Campo Grande e Três Lagoas. É o momento para expandirmos a rede. O governo estadual orienta que sejamos agressivos e proativos nas vendas. Na estratégia, realizam estudos comerciais das potencialidades das regiões. No ramal Sul – Sidrolândia, Maracaju e Dourados, estamos finalizan-

Quais os desafios para aumentar a oferta e melhorar a competitividade do gás natural em Mato Grosso do Sul? A cada dia que passa o mercado é mais competitivo. A MSGás comercializa um energético, o gás natural, e não estamos sozinhos. Temos a entrada muito forte das energias eólica e solar, ainda competimos com a utilização de lenha, embora o consumidor tenha aumentado a conscientização de que a madeira não certificada prejudica o ambiente. Temos que trabalhar com muito afinco para que o gás natural esteja preparado tecnologicamente e com preço competitivo frente a essas opções. O Gás Natural veicular (GNV) oferece várias vantagens, como ser o mais econômico e com melhor rendimento. Na opinião do senhor, o que é necessário para se tornar mais viável? Alguns estados se sobressaem neste setor, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo. Outros Estados, como o nosso, esbarram principalmente na falta de empresas instaladoras e certificadoras. Temos em MS apenas uma empresa desse segmento, o que reflete a falta de competição na venda do kit veicular. Onerando, assim, o dono do veículo e tendo uma burocracia maior em termos 10 •

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“Tão importante quanto o número de clientes, para a MSGás é o volume de distribuição.”

- RUDEL ESPÍNDOLA TRINDADE JUNIOR Diretor-presidente da MSGÁS


do o estudo e já vamos lançar a licitação para contratar o projeto executivo para o canal de Campo Grande – Sidrolândia, custará cerca de R$ 70 milhões. E depois, levaremos esse gasoduto a Maracaju e Dourados. Em Aquidauana e Anastácio, os prefeitos solicitaram um estudo econômico para essa região. São cidades com crescimento extraordinário e onde há empresa âncoras para colaborar na amortização do investimento. Caso seja autorizada a construção desses ramais, qual seria o impacto imediato no segmento? Quanto mais gás produzimos mais ICMS está entrando no Estado, este é um ponto positivo. Além de gerar emprego nos setores de engenharia e construção, temos o mais importante que é oferecer um energético barato e de alta tecnologia para o empresário que busca eficiência em sua empresa, muitas vezes, não está sendo abastecido de forma satisfatória. Em termos de logística não tem competição com o gás natural. E à medida que o gás natural chega numa cidade, como é o caso de Três Lagoas, na qual o setor industrial consome grandes volumes, conseguimos expandir para o comércio, hotéis, shoppings, hospitais. Toda a população é beneficiada. Desde 2015, a MSGÁS multiplicou por cinco o número de clientes, de cerca de 2 mil para 10 mil. A que se deve esse crescimento? Primeiro, tivemos um bom momento de preço e uma mudança de foco comercial. Não fomos vender gás natural apenas porque ele é barato, mas também porque ele é seguro, tem a questão ambiental de energia limpa e a logística. Além da praticidade do comércio e dos condomínios de que não é necessário ter um espaço para armazenamento de botijão. Reforçamos a equipe comercial, multiplicamos por três, implantamos o pós-venda e expandimos a rede de fornecimento de gás natural.

O senhor acredita que essa linha ascendente deve se manter? Tão importante quanto o número de clientes, para a MSGás é o volume de distribuição. Hoje, são 10 mil clientes e vendemos 600 mil cúbicos de gás natural por dia. A projeção é de quadruplicar o volume de gás nos próximos três anos. Se confirmada, a MSGás será a quarta maior distribuidora do País, ficando atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Mérito também das indústrias porque temos um parque industrial que está crescendo fortemente. E a Fiems faz um trabalho para atrair indústrias e fortalecer as já existentes sem igual, colaborando com a gente porque desde que temos indústria, nós vendemos para elas. O que significa para a MSGás fazer o transporte do gás vindo da Bolívia? A TBG continuará operando o Gasbol (o gasoduto que tem 3 mil quilômetros entre a Bolívia e o Rio Grande do Sul), mas o transporte que pertence à Petrobras, até o final do ano, de 30 milhões de metros cúbicos passará a ser de 12 milhões de metros cúbicos. Para os 18 milhões de metros cúbicos, a ANP (Agência Nacional de Petróleo) abriu uma chamada pública, na qual fomos habilitados. Hoje pagamos para a Petrobras a molécula de gás e o transporte. Poderemos pagar somente pela molécula de gás e passar esse valor menor para nossos clientes. Com essa chamada pública, a MSGás tem uma oportunidade de aprendizado em um certame extremamente técnico para que, se não nessa, em outras chamadas estejamos aptos. O que o setor industrial pode esperar da MSGás para os próximos anos? Vejo um cenário promissor à medida que a exploração de petróleo e gás natural na área do pré-sal avança. Daqui dois, três

“Em termos de logística não tem competição com o gás natural” anos, é possível que já teremos esse gás natural com um preço muito mais baixo. O Brasil terá uma independência e vamos depender menos do gás natural boliviano. A Bolívia terá que oferecer um preço melhor. Aumentaremos o consumo e teremos um produto mais barato. E desde que estou na diretoria da MSGás, temos um aliado muito importante, que é o presidente da Federação Sergio Longen. Ele nos cobra muito o gás natural como uma alternativa mais barata para beneficiar o setor industrial. Quero colocar para os industriais que a MSGás tem uma técnica apurada, técnicos para analisar instalações de forma individualizada e que estamos à disposição, sem qualquer custo, para que nossa equipe vá até suas empresas e prestem um serviço de orientação para melhor utilização do gás natural. MS INDUSTRIAL | 2019 • 11


FALA, INDÚSTRIA

A cada novo conhecimento, abre-se um grande leque de oportunidades e, por isso, visamos alinhar os serviços e produtos do Sistema Fiems para atender as novas demandas da indústria, que já conhece o que o Sesi, Senai e IEL oferecem, mas sempre espera soluções diferentes para o dia a dia” J O S É F R A N CISCO VE LOSO presidente do Sindivest/MS (Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Vestuário, Tecelagem e Fiação de Mato Grosso do Sul)

É fundamental investir em qualificação profissional, além de preparar as empresas para o mercado externo, mesmo sem intenção de internacionalizar os negócios, porque se você é capaz de atender o mercado externo, dominará com facilidade o mercado interno” N I LVO D E L L A SEN TA 3º diretor-tesoureiro da Fiems

Quando colocamos um jovem a partir dos 14 anos no mercado de trabalho, ele começa a ter um futuro um pouco mais coerente, porque ele tem oportunidade de se desenvolver e crescer” R O D O L P H O CA E SA R M A N GIA LA RD O diretor-regional do Senai

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Se eu tivesse de falar uma impressão que vou levar para a Índia, eu diria que é são as pessoas bonitas e com um cuidado especial ao meio ambiente aqui no EcoSesi. Em toda a minha vida, acredito que esse é o melhor lugar que já visitei” BI MBADHAR PRADHAN Chefe da delegação da Índia durante 9ª Reunião Anual dos Ministros de Agricultura, realizada em Bonito


A burocracia em excesso é um instrumento de corrupção e quando tratamos esse problema da burocracia, também acabamos tratando uma série de anomalias que atrapalham a eficiência do Estado, garantindo mais segurança jurídica” CLÁUDIA VOLPINI vice-presidente da Fiems

Precisamos recuperar a economia dos estados e municípios e aumentar a receita para que eles deixem de operar no prejuízo e voltem a crescer, possibilitando a retomada de investimentos necessários para a sociedade” SÉRGIO LONGEN presidente da Fiems

Não temos aulas de disciplinas, mas um conjunto de professores que trabalham um determinado desafio em que os alunos vão desenvolver os conhecimentos de que precisam e que estão correlacionados à matriz da BNCC” SIMONE FIGUEIREDO gerente de educação do Sesi sobre Novo Ensino Médio em Três Lagoas

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I N O VA Ç Ã O

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CONTROLE E

QUALIDADE Ministério credencia laboratório de análise de sementes do Instituto Senai de Tecnologia em Alimentos e Bebidas

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epois de auditoria realizada em setembro deste ano, o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) credenciou o laboratório de análise de sementes do IST Alimentos e Bebidas (Instituto Senai de Tecnologia em Alimentos e Bebidas), localizado em Dourados (MS). A partir de agora, a região que engloba os municípios de Maracaju e Dourados ganha mais um espaço para melhorar a competitividade da agroindústria de Mato Grosso do Sul. Com esse reconhecimento, o laboratório de análise de sementes do IST Alimentos e Bebidas passa a fazer parte do Registro Nacional de Sementes e Mudas habilitado a exercer a atividade de análise em sementes de soja e milho. Conforme o diretorregional do Senai, Rodolpho Caesar Mangialardo, o credenciamento reforça a credibilidade da instituição, representa uma expansão de mercado e irá trazer grandes ganhos para a sociedade. “A equipe toda que se envolveu no desenvolvimento desse laboratório está de parabéns, pois fazer um projeto, montagem, execução e auditoria do Mapa em um ano é praticamente um prazo recorde. Motivo de muito orgulho para todos nós e com certeza irá beneficiar a agroindústria da região”, afirmou Rodolpho Mangialardo, acrescentando que a ideia de construir o laboratório vem ao encontro de uma demanda da agroindústria da região, que já tinha manifestado uma preocupação com a qualidade das sementes vindas, na grande maioria, da Região Sul do Brasil. “Começamos a estudar e identificamos que há uma série de características que precisam ser confiáveis para que a produtividade do plantio seja garantida. Por isso, decidimos construir um laboratório para ajudar a agroindústria, podendo também prestar serviço à cadeia de produção de grãos de todo o Estado”, explicou o diretor-regional do Senai. Poderão contratar os serviços do laboratório de análise de sementes empresas produtoras de sementes, cooperativas revendedoras, produtores de grãos que queiram atestar o vigor e qualidade do material genético adquirido para controle de qualidade de sua lavoura, empresas de produtos

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agroquímicos e obtentores de cultivares e pesquisadores. Para atender essa demanda, o laboratório está estruturado com equipamentos de alta tecnologia e performance para que o melhor resultado seja atingido e conta com equipe qualificada e treinada para executar os ensaios. Segundo a coordenadora do LabSenai Alimentos e Bebidas, Daniela Menegat, incialmente, estão sendo realizados serviços de análises laboratoriais em sementes de milho e soja, como determinação de pureza e verificação de outras cultivares, determinação de outras sementes por número, determinação do grau de umidade, teste de germinação, teste de vigor envelhecimento acelerado, teste de peroxidase e uniformidade, além de peso de mil sementes. As análises são realizadas de acordo com metodologias oficiais descritas nas Regras de Análise de Sementes, publicadas pelo Mapa. “Sementes puras apresentam alta qualidade física e genética. A pureza física implica na ausência de impurezas tais como: palhas, folhas, sementes de plantas daninhas, sementes de outras culturas, etc. A pureza genética implica que o lote de sementes contenha apenas sementes com características conhecidas da variedade ou cultivar em análise”, detalhou o responsável técnico do laboratório de análise de sementes, Edilson Cardoso de Oliveira Junior. Ela acrescentou que o primeiro passo em direção ao máximo rendimento das culturas é obtido por meio de uma população recomendável de plantas, que requer que sementes de alta qualidade sejam semeadas. “O sucesso de uma lavoura depende de diversos fatores, mas, sem dúvida, o mais importante deles é a utilização de sementes de elevada qualidade, que gere plantas de elevado vigor e desempenho superior de campo. O uso de sementes de elevada qualidade permite o acesso aos avanços genéticos, com as garantias de qualidade e tecnologias de adaptação nas diversas regiões produtoras”, concluiu. Serviço - Interessados nos serviços oferecidos pelo IST Alimentos e Bebidas podem obter mais informações pelo telefone (67) 3411-2636.

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FIEMS

MANUTENÇÃO GARANTIDA Presidente da Fiems, Sérgio Longen tranquiliza industriais sobre manutenção de incentivos fiscais

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presidente da Fiems, Sérgio Longen, tranquilizou os empresários industriais do Estado sobre a manutenção dos incentivos fiscais convalidados pelo Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária) apesar da ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) protocolada pelo Governo do Estado de São Paulo em julho de 2014, questionando a redução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) concedidos pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul para atrair indústrias e outros investidores. As declarações ocorreram em entrevistas aos programas Tribuna Livre, da Rádio FM Capital, e CBN Campo Grande, da Rádio CBN. Ele garantiu que a ação judicial não deve ameaçar as indústrias do Estado. “Com certeza, é uma questão que traz preocupação ao empresário que acreditou no incentivo fiscal e investiu, mas eu estou aqui para tranquilizar os industriais. Entendimentos jurídicos muito claros trazem que os nossos incentivos fiscais estão convalidados e atendem a Legislação Federal. Entendemos que quiseram fazer um pouco de política no apagar das luzes de um tema que no nosso entendimento já está superado”, afirmou. Segundo Sérgio Longen, a Lei nº 4049/2011 e o Decreto nº 13.606/2013, do Governo do Estado, que concedem benefícios fiscais de até 67% através do Programa Estadual de Desenvolvimento Industrial MS-Forte/ Indústria, foram convalidadas pelo Confaz em 2018 e 2019. “Esses benefícios respeitam plenamente a Lei Complementar nº 160/2017 e o Convênio nº 190/2017. Então, não se trata de momento de instabilidade como colocaram à mesa. Precisamos de união em termos de ideias positivas e, no nosso entendimento, essa fase está superada e podemos ter tranquilidade de que os incentivos fiscais são legais e assim serão”, completou. REFORMAS O presidente da Fiems também comentou sobre o avanço da Reforma da Previdência no Congresso e defendeu a PEC Paralela, que inclui a incorporação de Estados e municípios. “Mo-

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bilizamos nossos parlamentares reforçando que tanto Governo Federal, como governos estaduais e municipais também precisam da Reforma da Previdência. É algo que tem trazido uma conta muito grande para a sociedade, porque muitas pessoas reclamam que não há mais investimentos em segurança, em educação, em saúde e quando se olha a conta, a gente vê que a Previdência tem desviado parte desses recursos”, salientou. Para Sérgio Longen, a proximidade do pleito municipal traz uma dificuldade ainda maior com relação à Reforma por parte dos Estados e prefeituras. “Que vereador vai votar um aumento de carga para o trabalhador público? Isso não é uma pauta digesta para campanha eleitoral. Esperamos que a PEC Paralela seja aprovada”, reforçou. Além da Reforma da Previdência, ele também comentou sobre as discussões com relação à Reforma Tributária, considerada um sonho pelos brasileiros. “Fico muito feliz por ver grande mobilização com as propostas que estão aí, mas me preocupo um pouco porque nós empresários temos certa dificuldade de acreditar em uma reforma que traga redução da alíquota”, pontuou. O empresário completa que há uma preocupação muito grande com receitas dos Estados e prefeituras, mas é preciso colocar em discussão também o desenvolvimento regional. “Com certeza trabalharemos muito para esse desenvolvimento, simplificação da carga tributária e nos posicionaremos contra qualquer ação que busque aumentar a reforma tributária, como a criação de novos impostos”, ressaltou. INVESTIMENTOS Essas reformas, conforme o presidente da Fiems, demonstram aos investidores estrangeiros que o Brasil começa a ter condições de receber novos investimentos. “Mato Grosso do Sul tem uma particularidade muito positiva e uma situação privilegiada, com Corredor Bioceânico, pontes e investimentos que estão sendo feitos na área de logística em Porto Murtinho. Temos recebido na Fiems grupos internacionais, especialmente chineses, que têm vindo observar as nossas pecu-


liaridades e que buscam projetos de interesse econômico para seus países”, apontou. Ele explicou que os chineses, por exemplo, têm demonstrado grandes interesses no setor de geração de energia fotovoltaica. “Temos um grande potencial de produzirmos energia, fazendas produtoras de energia e, isso já está em andamento, principalmente na região de Aparecida do Taboado. Além disso, temos energia de biomassa e grandes projetos construídos inclusive na região do Pantanal”, completou. EMPREGO E EXPORTAÇÕES No período de janeiro a julho deste ano, o setor industrial de Mato Grosso do Sul abriu 2.119 novos postos de trabalho, o que eleva para 123.146 o número de trabalhadores empregados com carteira assinada na indústria até o momento. “Indicadores vê m demonstrando claramente que a nossa economia vem se ajustando. Esses números trazem, por exemplo, a contratação formal de empregos da indústria com mais de 2.100 contratações a mais com relação ao mesmo período do ano passado. É uma retomada lenta, mas é uma retomada e nós precisamos cada vez mais acompanhar isso e identificar onde podemos multiplicar essas ações de contratação e os resultados são satisfatórios”, salientou o presidente da Fiems. Nesse sentido, ele destacou a importância da qualificação profissional, uma demanda apresentada continuamente pelas empresas do Estado. “Se você fizer um levantamento da necessidade de trabalhadores da indústria de Mato Grosso do Sul, temos muitas vagas, mas muita dificuldade para preencher. Ao mesmo tempo, temos inúmeras vagas de qualificação gratuitas e não encontramos interessados. Muitos desses cursos têm empregabilidade garantida e essa é uma dificuldade que enfrentamos”, comentou. Com relação às exportações, Longen destacou a importância do segmento de papel e celulose. “A receita de exportações de produtos industrializados do Estado alcançou, de janeiro a julho, US$ 2,14 bilhões, 5% superior ao montante de US$ 2,04 bilhões obtidos no mesmo período do

“Esses benefícios respeitam plenamente a Lei Complementar nº 160/2017 e o Convênio nº 190/2017. Então, não se trata de momento de instabilidade como colocaram à mesa. Precisamos de união em termos de ideias positivas e, no nosso entendimento, essa fase está superada e podemos ter tranquilidade de que os incentivos fiscais são legais e assim serão” - SÉRGI O L ONGEN

Presidente do Sistema Fiems

ano passado. Nesse cenário, a celulose responde por quase 60% da receita obtida com as exportações, com um montante de US$ de 1,26 bilhão”, finalizou. MS INDUSTRIAL | 2019 • 21


GIRO DA INDÚSTRIA

TA X A ND O O S O L P R O P O STA RE C HA Ç A DA A proposta da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) de alterar as regras e passar a cobrar pela energia solar que o consumidor gera foi rechaçada pelo presidente da Fiems, Sérgio Longen, por entender que a medida é uma proibição para a produção de energia limpa no Brasil. Para ele, a proposta da Aneel impacta toda a cadeia de produção, desde quem produz energia com os resíduos de suínos e frangos, algo comum no Paraná e Santa Catarina, passando pela eólica, muito utilizada nos Estados do Nordeste, até chegar à energia fotovoltaica, que abrange todos os Estados do Brasil.

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No caso específico da energia solar, desde o ano passado, muitos empresários, pequenos, médios e grandes, fizeram investimentos pesados, buscando, inclusive, como forma de obter mais uma fonte de receita. “Agora, com essa intenção da Aneel de alterar as regras de produção de energia limpa, passamos a enxergar os piores cenários possíveis, que é a possibilidade de cobrar impostos para tentar regular essa iniciativa, seria como taxar o Sol”, disse Longen. Na avaliação do presidente da Fiems, essa proposta com certeza traz prejuízos para quem apostou nessa iniciativa, indo na contramão do que tanto pregou o atual Governo de garantir segurança jurídica aos novos investimentos. Para ele, o tema tem de ser discutido politicamente dentro do Congresso Nacional, que tem a prerrogativa de tratar de questões que afetam toda a população.


P E G O S DE SU R P RE S A

“BÔ NUS”

Segundo Sérgio Longen, os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) foram surpreendidos pela proposta da Aneel de taxar a geração de energia solar. “Ou seja, foi uma ação que pegou todo mundo de surpresa”, reforçou. Ele vem articulando com a bancada federal para barrar essa taxação.

O dinheiro a ser repartido é uma parte do chamado bônus de assinatura, que totaliza R$ 106,56 bilhões – uma parte será paga até dezembro pelos vencedores do leilão, e o restante em 2020. A estimativa de extração dos blocos que serão licitados é de 15 bilhões de barris de óleo equivalente.

C O R T I N A DE F U MA Ç A O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, deputado estadual Paulo Corrêa, também fez duras críticas à proposta da Aneel. Para o parlamentar, a proposta é um absurdo. “O presidente Jair Bolsonaro não vai deixar uma barbaridade dessa. Isso é uma cortina de fumaça que inventaram para desviar o foco”, afirmou o presidente da Assembleia Legislativa.

E XCE D E NT E D O PR É - S A L O Senado aprovou, por unanimidade, o projeto que garante a distribuição a estados e municípios de parte do bônus de assinatura do leilão de campos excedentes do pré-sal. A proposta destina 30% do que a União arrecadar no leilão aos entes federados. Estados e Distrito Federal ficarão com 15% — ou R$ 10,9 bilhões, se todos os campos forem leiloados — e municípios receberão os outros 15%.

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G ERAL

MODELO DE EcoSesi Bonito sedia 9ª reunião dos ministros de Agricultura do Brics e ministros dos cinco países elogiam estrutura do espaço

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EcoSesi – Observatório Socioambiental, localizado no município de Bonito (MS), foi classificado pelos ministros de Agricultura do Brics, grupo composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, como um lugar de belezas naturais únicas e um modelo de sustentabilidade e de boas práticas. O local sediou, en-


SUSTENTABILIDADE tre os dias 25 e 26 de setembro, a 9ª reunião dos ministros de Agricultura dos cinco países. A ministra de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias, agradeceu a cedência do espaço pela Fiems para a realização da reunião. “Gostaria de agradecer ao presidente da Fiems, Sérgio Longen, pelo es-

paço e a toda a equipe do Sesi que nos atendeu de forma primorosa. Os ministros ficaram encantadíssimos com tudo o que viram por aqui e acredito que o evento em Bonito foi uma oportunidade de divulgarmos nosso Estado, Bonito e as nossas boas práticas agropecuárias”, afirmou. O chefe da delegação da Índia, Bimbadhar Pradhan, ressal-

tou a hospitalidade e a beleza do povo bonitense. “Se eu tivesse de falar uma impressão que vou levar para a Índia, eu diria que é a impressão de sustentabilidade do EcoSesi, com pessoas bonitas e com um cuidado especial ao meio ambiente. Em toda a minha vida, acredito que esse é o melhor lugar que já visitei e recomendo este local aos meus amigos para que eles MS INDUSTRIAL | 2019 • 25


pudessem vir visitar”, comentou. Na mesma linha, o vice-ministro da Rússia, Taolin Zhang, classificou os lugares visitados em Bonito como singulares. “Talvez não vá dizer nada de muito original, mas acredito que na Terra não haja lugares como esses. Gostaria de sublinhar que tivemos a oportunidade. Isso não foi agradável apenas do ponto de vista social, mas também do ponto de vista profissional, pois conhecemos um exemplo de desenvolvimento e sustentabilidade aqui”, disse. Para o vice-ministro da China, Taolin Zhang, o EcoSesi é uma perfeita combinação de ecoturismo, sustentabilidade e boas práticas. “Nós concordamos com o modelo aplicado aqui e defendemos essa preocupação com o meio ambiente”, considerou. Já para o vice-ministro da África do Sul, Mcebisi Skwatsha, foi gratificante ficar em um lugar tão tranquilo e hospitaleiro. “É um lugar muito bonito, muito pacífico, muito tranquilo e com pessoas muito bonitas. Levarei para a África a impressão de pessoas bonitas e de lugares incríveis”, pontuou. CARTA DE BONITO - No fim da 9ª Reunião dos Ministros da Agricultura do Brics, realizada 26 •

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no EcoSesi Bonito (MS), os representantes dos cinco países assinaram a Carta de Bonito, com 27 itens que reiteram o comprometimento com a cooperação na área agrícola. Os ministros afirmaram o potencial para aprimorar a colaboração nas áreas de produção de alimentos, segurança alimentar e segurança ambiental. “Isso pode ser alcançado por

meio de boas práticas agrícolas, desenvolvendo agricultura digital e cadeias de valor para a melhor comercialização agrícola e melhoria de renda para os agricultores”, diz a carta, que trata de temas como inovação, comunicação do setor, startups, facilitação de comercio, princípios científicos, regionalização e sustentabilidade.


SETOR PRODUTIVO PRESENTEIA MINISTROS COM OBRAS DE MANOEL DE BARROS E ANA RUAS Representando o setor produtivo de Mato Grosso do Sul, o presidente da Famasul, Maurício Saito, presentou os ministros de Agricultura do Brics, grupo composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, com um livro de poesias do poeta Manoel de Barros e uma tela da artista plástica Ana Ruas. Maurício Saito elogiou a escolha de realizar o evento em Bonito como forma de apresentar o Brasil e Mato Grosso do Sul para o restante do mundo. “É uma oportunidade para que a gente possa divulgar nossas potencialidades e nossa capacidade produtiva muito baseada em sustentabilidade. Estamos entregando um presente para os ministros como forma de compartilhar a cultura do nosso Estado, bastante peculiar. Além das lembranças, também estamos entregando dados econômicos do nosso Estado”, afirmou.

Segundo o documento, os países do Brics estão prontos para fortalecer os mecanismos e aprimorar a comunicação em importantes temas internacionais, como o incentivo a novas soluções para o aumento da produção de alimentos, o empreendedorismo em startups de agrotecnologia, o aumento do comércio internacional a segurança alimentar em países em desenvolvimento e o cumprimento da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Para a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias, é uma honra promover a reunião do Brics em Bonito. “Como sul-matogrossense, vi nesse evento a oportunidade de divulgar ainda mais a cidade, que é mundialmente conhecido, mas agora ficará ainda mais. Tivemos um dia extremamente produtivo hoje e todos ficaram encantados com o que viram. Espero, juntamente com esses presentes, que todos levem para seus países as melhores impressões de Bonito, de Mato Grosso do Sul e do Brasil e que esse encontro sirva para fortalecer nossos laços comerciais, mas também nossos laços de amizade”, declarou. Presente ao evento, o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck, reforçou que

Os ministros reconhecem a importância da agricultura sustentável e o papel da biotecnologia para o aumento da produtividade, usando menos terras e insumos. “Compartilhamos o compromisso de melhorar a eficiência por meio do aumento da produtividade e custos reduzidos, e de expandir o uso de sistemas integrados e sustentáveis de produção de plantas e animais, para aumentar o uso da agricultura de precisão, irrigação e elementos da agricultura digital”,

a realização da 9ª Reunião dos Ministros de Agricultura do Brics em Bonito, referência em ecoturismo e produção sustentável, é uma oportunidade de mostrar ao mundo como o Brasil trata a questão ambiental. “Mato Grosso do Sul hoje se destaca como um Estado com produção altamente sustentável, integração lavoura e pecuária com nível de excelência e é isso que queremos passar para o mundo. Além disso, o EcoSesi traduz exatamente o que queremos mostrar, que é um espaço que integra tudo de que precisamos. Temos rio, temos área de proteção ambiental, temos reserva legal, temos sustentabilidade com energia solar. Então vemos claramente que a percepção dos ministros e suas delegações foram extremamente positivas e essa imagem que eles vão levar daqui”, finalizou Jaime Verruck.

traz trecho. A carta também fala do compromisso de aumentar a participação de biocombustíveis sustentáveis e outras fontes de energia renováveis na matriz energética dos países do Brics e incentivar medidas para evitar a erosão do solo, incluindo a proteção das margens dos rios com vegetação nativa. “Reafirmamos nosso compromisso com a proteção do meio ambiente e sua importância para a produção agroalimentar”, diz a carta. MS INDUSTRIAL | 2019 • 27


C APA

ROTA DA

TRANSFORMAÇÃO Rota Bioceânica é promessa de desenvolvimento para Porto Murtinho, que já começa a ver o cenário ser modificado com novos investimentos

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CAPA

om a viabilização da Rota Bioceânica ligando o Brasil ao Chile, passando por Paraguai e Argentina, Porto Murtinho (MS) será a cidade de Mato Grosso do Sul que mais será beneficiada e já vê seu cenário sendo modificado. Perto de romper seu isolamento histórico, o município deverá se tornar um dos principais entrepostos comerciais do País, sendo comparado à “Nova Paranaguá”, e já começa a receber novos investimentos, que vão gerar mais empregos e levar desenvolvimento para a região. A cerca de três quilômetros da cidade, ainda na BR-267, já é possível ver o início da transformação. Uma imensa obra chama a atenção. Tratase de um estacionamento de triagem de caminhões, que está sendo construído pela Mécari Distribuidora para dar suporte aos portos de Porto Murtinho. “A ideia desse estacionamento surgiu antes ainda do anúncio da construção de novos portos no município”, explica o empresário Neodi Vicari. Quando o projeto começou a ser desenhado, a Rota Bioceânica ainda não tinha se concretizado. “Também não havia nenhuma confirmação sobre novos portos no município, ou seja, começamos sem grandes pretensões, mas com recursos próprios e sem esperar muito, porém, de janeiro para fevereiro deste ano, tudo começou a se consolidar, como a construção da ponte entre Murtinho e Carmelo Peralta, no Paraguai, e tivemos de refazer 30 •

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CAPA

UM SONHO POSSÍVEL

“A gente sempre sonhou com essa Rota Bioceânica, mas eu mesmo, apesar de desejar muito, era um pouco cético. Pensava que seria mais viável ela passar por Ponta Porã para ir para a Argentina, mas passar por Porto Murtinho é realmente um presente para nós”. A declaração é do empresário Marco Aurélio Nunes dos Santos, da Pousada do Pescador, que tem as melhores expectativas possíveis com relação aos novos investimentos. Para ele, o Corredor Bioceânico deverá movimentar ainda mais a economia e a projeção é que aumente o número de turistas. “Vai ficar mais fácil para a população de Mato Grosso do Sul visitar o Chile, como também vai ser mais fácil para eles virem para Mato Grosso do Sul. Porto Murtinho tem um potencial turístico muito grande por causa da pesca e espero que o movimento por aqui aumente ainda mais depois da concretização da rota”, destaca. Atualmente, a pousada conta com 22 apartamentos, voltados para turistas atraídos pela pesca. “Por enquanto esse é meu público, mas já estamos percebendo a vinda de muitas pessoas para cá a trabalho e aí talvez seja interessante para mim ampliar o número de quartos para atender essas pessoas. Ainda vou estudar isso, mas com certeza terei de me aperfeiçoar para os novos turistas que devem surgir na cidade de qualquer forma”, comenta. Marco Aurélio Nunes dos Santos ainda ressalta que a Rota Bioceânica deverá movimentar a economia de

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toda a cidade. “A gente já vê aumento significativo no valor dos alugueis na região central, valorização de terrenos e imóveis, novos investimentos em novos segmentos, como hotéis e restaurantes. Acredito que vai ser importante nos estruturarmos melhor para receber todas essas pessoas que virão para Porto Murtinho, seja como turista mesmo ou até para morar e trabalhar nesses novos empreendimentos que estão surgindo”, completa. De olho no aumento do número de turistas, o aposentado Olvídio de Oliveira Andrade, de 70 anos, decidiu vender uma de suas propriedades rurais localizadas no município e investir o recurso na construção de um hotel. “Na verdade, é a ampliação da minha casa. Serão ao todo 10 apartamentos, alguns serão com camas de casal e outras com duas camas de solteiro, mas teremos, no mínimo, capacidade diária para receber 20 pessoas”, destaca. Na avaliação de Olvídio de Oliveira Andrade, as transformações por causa da Rota Bioceânica em Porto Murtinho já são notadas por todos. “Alugueis estão mais caros, material de construção também, porque a procura é grande. A gente já começa a ver o movimento aqui na cidade, mais caminhões, mais pessoas, mais carros. Isso tudo contribui para a economia. Esperamos

ainda que venham mais empresas, mais indústrias, mais investimentos e, com isso, o tão sonhado desenvolvimento para nossa cidade”, salienta. VALORIZAÇÃO – Segundo a presidente da Associação Comercial e Industrial de Porto Murtinho, Maria Elena Benitez Aguilera, os imóveis da região central já sofreram uma valorização significativa. “O mesmo terreno no ano passado custava R$ 45 mil e agora já custa R$ 80 mil. Também estamos vendo um reajuste grande nos alugueis, todos em média de 40%, porque realmente estamos com falta de imóveis na cidade para toda a demanda que está surgindo e é um momento do pessoal ganhar dinheiro”, comenta. Ela ainda ressalta que a previsão é que esses valores ainda aumentem com o passar do tempo. “Recentemente foi lançado um loteamento para a construção de um condomínio, mas quase não se encontram mais imóveis disponíveis para locação. Tenho quatro salões comerciais que já estão alugados, todos pela média de R$ 750, mas assim que vencer o prazo, terei de reajustá-los para pelo menos R$ 1.050. Além disso, a expectativa é que venham mais pessoas para a cidade, principalmente porque no município existe uma planta frigorífica desativada e que deve voltar a operar em breve”, reforça.

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CAPA os nossos planos”, completa. Numa área de 35 hectares serão investidos, no total, R$ 12 milhões, sendo cerca de R$ 5 milhões apenas na primeira fase, que consistirá numa estrutura com capacidade para 390 rodotrens de 25 metros cada um, contando ainda com um hotel com até 40 apartamentos, um restaurante e um posto de combustíveis. “Na segunda etapa teremos mais 410 vagas para diversos tipos de caminhões, fechando em um total de 800 vagas. Com isso, deveremos gerar mais de 60 empregos diretos na parte da construção e, quando entrar em operação, mais 35 trabalhadores fixos”, pontua Neodi Vicari. A expectativa ainda é atuar na área de importação e exportação, abrigando inclusive órgãos públicos. “Além de quem for construir o trecho rodoviário da BR-267 até o Rio Paraguai. É claro deixando as portas abertas para as possibilidades que devem surgir, pois, na minha percepção, Mato Grosso do Sul como um todo, mas, em especial, a região sudoeste, vai entrar em ebulição econômica”, destaca o empresário. FRONTEIRA AGRÍCOLA – O estacionamento da Mécari vem ao encontro de um novo investimento em Porto Murtinho, o Porto Itahum Export, construído pela FV Cereais. O grupo, que já tem seis unidades de recebimento, beneficiamento, armazenamento e comercialização de produtos como soja e milho no mercado interno e está construindo seu primeiro terminal portuário. A previsão é que a primeira fase do empreendimento, destinada ao embarque de grãos sólidos e açúcar, esteja operando até abril de 2020. O investimento na primeira fase do empreendimento é de R$ 56 milhões. Em um segundo estágio, será implantada uma estrutura para a importação de fertilizantes, de modo a otimizar a estrutura de transportes, permitindo que caminhões carregados com grãos e açúcar descarreguem sua carga para embarque 34 •

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INDÚSTRIA DEVERÁ MOVIMENTAR ATÉ US$ 1,5 BI POR ANO Com potencial de movimentar US$ 1,5 bilhão por ano em exportações de carnes, açúcar, farelo de soja e couros, conforme levantamento do Radar Industrial da Fiems, a indústria de Mato Grosso do Sul será diretamente beneficiada pela implantação do Corredor Rodoviário Bioceânico. A diretora da Fiems, empresária Cáudia Volpini, afirmou que a chamada Rota Bioceânica representa a criação de uma nova alternativa logística para a produção industrial do Mato Grosso do Sul, beneficiando principalmente as exportações voltadas para

CARNES

AÇÚCAR

FARELO DE SOJA

COUROS


REPRESENTANTES INTERNACIONAIS o mercado asiático. “A concretização da Rota Bioceânica trará importantes avanços para a indústria do Estado, especialmente no que diz respeito às exportações do que é produzido aqui”, declarou. Ela acrescenta que há uma grande expectativa em torno dos investimentos não somente em termos de logística, mas também nos avanços estruturais que essa alternativa vai exigir. “Isso vai beneficiar as empresas que já estão aqui instaladas, atraindo novos investimentos e tornando Mato Grosso do Sul mais competitivo em

relação aos demais estados brasileiros”, avaliou. O governador Reinaldo Azambuja destacou as oportunidades de desenvolvimento econômico do Estado. “Existe uma crescente demanda dos países asiáticos pelos produtos brasileiros, por isso se faz necessário encurtar distâncias. Isso não se faz no curto prazo, é preciso planejamento e investimentos, e no médio e longo prazo vejo a Rota Bioceânica como oportunidade de o Brasil e Mato Grosso do Sul se tornarem ainda mais fortes na exportação”, considerou.

Autoridades dos governos do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile destacaram a importância dos investimentos para o desenvolvimento das regiões em que o corredor passará:

- JOÃO CARLOS PARKINSON DE CASTRO COORDENADOR-GERAL DE ASSUNTOS ECONÔMICOS LATINO-AMERICANOS E CARIBENHOS DO MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES

“Há vantagens espetaculares para Mato Grosso do Sul não só com relação à exportação. Na medida que evita congestionamentos nos portos de Santos e Paranaguá, o Estado será beneficiado de portos de maior calado, com serviços mais eficientes e mais baratos, diferencial de frete. Tudo isso envolverá a criação de novos empregos” MS INDUSTRIAL | 2019 • 35


REPRESENTANTES INTERNACIONAIS

- MÓNICA DINUCCI DIRETORA DE LIMITES E FRONTEIRAS DO MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES DA ARGENTINA

“Não adianta de nada termos a melhor rota em termos de estradas, com pistas de ótima qualidade interligando os países, se os caminhões tiverem de ficar parados por horas nas fronteiras por causa da burocracia. Por isso, estamos conversando com as autoridades migratórias para essa simplificação, que vai beneficiar não somente o fluxo das cargas, mas também o turismo” 36 •

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no porto e retornem levando fertilizantes para os produtores. INVESTIMENTO CHINÊS – Um novo terminal portuário também deve começar a ser construído até dezembro, com previsão para iniciar os embarques em um ano. O cálculo apresentado pelo diretor-executivo do grupo Navios South American Logistics, Cláudio Lopez,é de que, embarcando por Murtinho, o produtor sul-mato-grossense terá um ganho de 10 dólares para cada tonelada de grãos. Essa conta deve ser decisiva para garantir a movimentação do terminal portuário, que terá capacidade para embarcar 800 toneladas/hora de grãos em cada uma das duas linhas de carregamento. O investimento será de R$ 120 milhões e deve gerar 450 empregos diretos e indiretos. A empresa adquiriu área de cinco hectares na barranca do rio Paraguai, onde vai construir as linhas de carregamento, três silos de 15 mil toneladas cada e um armazém para 35 mil toneladas de fertilizantes. O grupo já opera outros três portos (dois no Uruguai e um no Paraguai) e é dono de uma das maiores frotas de navios tanques barcaças e empurradores em navegação na hidrovia. Cláudio Lopez explicou que, em princípio, a ideia é transportar soja e milho em barcaças pelo rio Paraguai até o porto de Nova Palmira, no Uruguai, de onde o produto segue em navios para a Ásia e demais países. E no retorno as barcaças trazem fertilizantes e adubo. Em um segundo momento o terminal pretende embarcar também combustível. “Vemos uma grande capacidade de crescimento para a região devido às circunstâncias internacionais favoráveis, e nossa empresa quer ajudar com a cadeia logística a melhorar o acesso ao mundo dos produtos de Mato Grosso do Sul. Porto Murtinho será a saída direta ao mar, o que é fundamental. O governo do Estado tem essa visão revolucionária de acessar os mercados do mundo e nossa empresa compartilha desse projeto”, ressalta o diretor-executivo do grupo Navios South American Logistics. EXPECTATIVA – Para o presidente da Fiems, Sérgio Longen, os novos investimentos mostram a possibilidade de desenvolvimento não só em Porto Murtinho, como em todo o Estado. “Mas acredito que neste momento, nossa preo-


R O T A

ATALHO DE 7 MIL KM ATÉ OS MERCADOS ASIÁTICOS

B I O C E Â N I C A

TRAJETO DE 2.396 KM DE CAMPO GRANDE A ANTOFAGASTA, NO CHILE

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cupação deve ser a obra. Não adianta iniciarmos discussões sobre o que pode ou não passar por lá nesse momento. Então hoje nosso foco é a obra. Finalizada a ponte e a estrada que ligará a BR-267 à ponte, poderemos avançar nas discussões”, pondera. Ele reforça, contudo, a importância do desenvolvimento dos portos para a região. “Estive há alguns anos em Porto Murtinho inaugurando uma Biblioteca da Indústria do Conhecimento do Sesi e naquela época já era possível notar uma busca do município por ações de desenvolvimento. Sempre defendi que o porto de Porto Murtinho poderia trazer ações de desenvolvimento para a região e hoje o porto já é uma realidade, inclusive com novos investimentos agora para novos portos. Essa é uma ação imediata, que vem trazendo resultados e entendo que a ampliação de ações com o porto trará ainda mais desenvolvimento”, completa. O governador Reinaldo Azambuja destaca os avanços no campo da geopolítica e da infraestrutura entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, reafirmando seu otimismo na consolidação da nova rota de integração comercial a curto prazo. “Sonhamos desde a década de 1960 com esse caminho, que está hoje muito mais estruturado, contudo temos que tomar decisões em conjunto para eliminarmos obstáculos aduaneiro e migratório e finalizarmos uma rota em potencial quanto à competitividade, crescimento e ampliação de mercados”, ressalta. Na avaliação do secretário da Semagro (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar), Jaime Verruck, a viabilização do Corredor Rodoviário Bioceânico é estratégica para os governos do Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. “Ela vai facilitar um acesso que hoje é dificultado pela logística, com preços de transporte mais competitivos, redução de tempo e de custo. Além disso, a relação entre os quatro países tem avançado para a criação de uma plataforma de desenvolvimento local que vai 38 •

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OPORTUNIDADES DE INDUSTRIALIZAÇÃO A Rota Bioceânica deverá atrair novos investimentos para Mato Grosso do Sul, que vão contribuir para a industrialização do Estado e, consequentemente, maior geração de emprego e renda. A avaliação é do diretor-regional do Senai, Rodolpho Caesar Mangialardo, durante a 8ª Reunião do Grupo de Trabalho do Corredor Bioceânico Rodoviário - Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. “Além do desenvolvimento que vem para o Estado na BR-267 que corta Mato Grosso do Sul, podemos enxergar uma série de incentivos quanto à importação e exportação de produtos industrializados do Estado, que deverão se tornar mais competitivos. Diante desses novos investimentos que devem surgir, o Senai está pronto para oferecer cursos para qualificar a mão-de-obra que será demandada. Vale ressaltar que além do nosso portfólio, também podemos customizar soluções para as empresas”, afirmou Rodolpho Mangialardo. Ele também ressaltou que todo o Sistema Indústria irá auxiliar e apoiar os novos empreendimentos que devem se instalar no Estado. “O Senai já tem uma expertise no que diz respeito à educação profissional e também em produtos e serviços que melhoram processos de produção. O Sesi desenvolve trabalhos na área de Saúde e Segurança do Trabalho, com um Centro de Inovação destinado a isso, e o IEL também deverá auxiliar na qualificação das empresas com o PQF (Programa de Qualificação de Fornece-


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dores), além do CIN (Centro Internacional de Negócios), que deverá auxiliar nos processos de importação e exportação”, completou. O governador Reinaldo Azambuja reforçou que é importante discutir o amadurecimento do Corredor Bioceânico, tratando de temas que envolvem não apenas a infraestrutura, como também a questão aduaneira e logística. “A obra e os investimentos já são realidade. Agora precisamos organizar como esse corredor vai funcionar com relação às cargas, estradas. Também precisamos nos organizar com relação ao turismo, a questão cultural dos quatro países, as pessoas que serão afetadas”, afirmou. Nesse sentido, ele destacou a importância do trabalho em conjunto com as universidades e com o Sistema S. “As federações que representam o setor produtivo de Mato Grosso do Sul são fundamentais. Poder trabalhar o desenvolvimento com a Fiems, Fecomércio-MS, Famasul é muito importante porque vamos precisar de mão-de-obra qualificada para os novos investimentos que vão surgir. Muito mais do que a organização de uma infraestrutura em si, precisamos de uma organização política entre os quatro países para o desenvolvimento desse corredor”, reforçou.

- ROBERTO RUIZ PIRACES EMBAIXADOR DO CHILE

“Para nós, esse é um projeto político, porque permite a integração não apenas de territórios por meio de pontes, mas a união de quatro economias importantes e complementares. É um corredor que une o Pacífico ao Mercosul e que dará mais competitividade aos produtos da América do Sul”

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REPRESENTANTES INTERNACIONAIS

FRETE CAIRÁ PELA METADE

- GLÓRIA IRMA AMARILLA EMBAIXADORA DO PARAGUAI

“Acreditamos que o Corredor Bioceânico irá trazer novas possibilidades de desenvolvimento, principalmente nas cidades por onde passa a rota, por isso são fundamentais essas reuniões para estruturação de uma política conjunta de organização” 40 •

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Estudos preliminares de viabilidade do corredor, apresentados pelo coordenador-geral de assuntos econômicos latino-americanos e caribenhos do Ministério das Relações Exteriores, João Carlos Parkinson de Castro, traçam um panorama de confiabilidade à nova alternativa de escoamento da produção quanto a redução dos custos de transporte e de distância entre os centros produtores do Brasil ao Oceano Pacífico. Parkinson também citou a identificação de novos fluxos de comércio e de atração de investimentos ao longo do corredor. “A Bioceânica não beneficiará apenas o Brasil ou Mato Grosso do Sul, mas a todos os parceiros. Todos ganharão em competitividade e a redução do custo de logística é algo concreto”, disse o ministro, citando que a tonelada de uma carga trazida do porto de Antofagasta (Chile) diretamente a Campo Grande terá um custo menor de até 49%, em comparação às rotas por Uruguaiana, Foz do Iguaçu ou Ponta Porã. O ministro adiantou as medidas que estão sendo tomadas no sentido de tornar Campo Grande e outros centros logísticos como polos de distribuição dessas cargas, com a construção de um porto seco na Capital. Também informou que os estudos de mercado encomendados pelo governo brasileiro analisam os destinos não apenas asiáticos, mas centros consumidores do Canadá, México e a Costa Oeste americana, para identificar e atrair novos parceiros comerciais.


impactar diretamente em todo o entorno do trajeto”, comenta.

FRETE

ESPINHA DORSAL – O prefeito de Porto Murtinho, Derlei João Delevatti, aposta nos investimentos que estão sendo feitos no município no modal hidroviário como outra alavanca do desenvolvimento para a cidade. Para ele, o município terá uma diversificação de atividades econômicas com a viabilização dos projetos logísticos e aponta que já está buscando se preparar para as novas demandas. “Estamos com alguns projetos básicos tramitando na Câmara Municipal, como plano de desenvolvimento, incentivos fiscais para empresas, desapropriação de propriedades, reorganização de vários terrenos dentro da cidade, porque existe necessidade de comprar terrenos. Além disso, hotéis terão de ser reformados e estamos discutindo uma lei para a instalação de freeshops, que também está atrelada ao desenvolvimento”, pontua o prefeito. Ele revela que já está em contato com o Governo Federal e o Ministério da Integração para suporte para o desenvolvimento da cidade. “Queremos criar uma espinha dorsal do nosso desenvolvimento e a partir daí chamar as instituições que podem nos ajudar para fazermos o fortalecimento dessa espinha, mas precisamos determinar como estamos e aonde queremos chegar e, a partir daí, definir o que será feito na área de saúde, infraestrutura, educação”, comenta. Para isso, além de todo um estudo que já foi iniciado por técnicos da prefeitura, há três projetos que tramitam na Câmara Municipal, que são o plano de desenvolvimento, porque teremos de rever nosso Plano Diretor, de que forma poderemos conceder incentivos fiscais para as empresas se instalarem aqui, desapropriação de propriedades e terrenos e lei de freeshop. “O desenvolvimento de Porto Murtinho já é uma realidade, mas para acompanhar esse desenvolvimento precisamos nos estruturar internamente, nos qualificar. Muitos comparam nossa cidade a uma nova Santos ou uma nova Paranaguá. Eu quero mesmo é que Porto Murtinho seja maior do que essas duas, mais desenvolvida e mais próspera e vamos trabalhar para isso”, finaliza Derlei Delevatti. MS INDUSTRIAL | 2019 • 41


S EN A I

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DE OLHO NO FUTURO MS terá de qualificar 142,5 mil trabalhadores em profissões industriais até 2023

M

ato Grosso do Sul terá de qualificar 142.574 trabalhadores em ocupações industriais nos níveis superior, técnico, qualificação e aperfeiçoamento entre 2019 e 2023. Os dados são do Mapa do Trabalho Industrial, elaborado pelo Senai Nacional para subsidiar a oferta de cursos da instituição e essas ocupações têm em sua formação conhecimentos de base industrial. A demanda prevista pelo estudo inclui, em sua maioria, o aperfeiçoamento (formação continuada) de trabalhadores que já estão empregados. Em parcela menor (29%) estão aqueles que precisam de capacitação para ingressar no mercado de trabalho (formação inicial). Nesse grupo estão pessoas que vão ocupar tanto novas vagas quanto postos já existentes e que se tornam disponíveis devido a aposentadoria, entre outras razões. Além de subsidiar a oferta de cursos do Senai, o Mapa do Trabalho pode apoiar jovens na escolha da profissão e trabalhadores que desejam se recolocar no mercado. “O profissional qualificado de acordo com a necessidade do mundo de trabalho tem mais chances de manter o emprego e

também pode conseguir uma nova oportunidade mais facilmente quando as vagas forem oferecidas”, afirma o diretor-geral do Senai Nacional, Rafael Lucchesi. Já o diretor-regional do Senai, Rodolpho Caesar Mangialardo, a economia está voltando a aquecer e isso faz com que a instituição em Mato Grosso do Sul precise se movimentar cada vez mais. “Nesse contexto, sabemos que teremos de qualificar e requalificar muitos profissionais que já estão no mercado de trabalho e também que desejam ingressar. Para isso, o Senai tem se desenvolvido para levar para os trabalhadores aquilo que existe de mais tecnológico no mundo para as empresas, principalmente as inovações relativas à Indústria 4.0”, pontuou. Ele completa que o Senai tem ouvido muitas demandas das indústrias de Mato Grosso do Sul para essas mudanças tecnológicas e, por isso, está delineando cursos voltados para essa cadeia produtiva. “Sabemos que a indústria metalmecânica e energia renovável vão ser os grandes fomentadores da economia nos próximos anos e precisamos nos aprimorar nessa área. Ainda dentro desse ensejo, o Senai tem trabalhado com nova tecnologia de ensino e aperfeiçoado os cursos na modalidade EaD (Educação a Distância), tanto em base tecnológica como em bases administrativas, porque são demandas de mercado.

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FORMAÇÃO DE TÉCNICOS - As áreas que mais vão demandar a capacitação de profissionais com formação técnica em Mato Grosso do Sul são transversais; metalmecânica; energia e telecomunicações; logística e transporte; e eletroeletrônica. Profissionais com qualificação transversal trabalham em qualquer segmento, como técnicos em eletrotécnica e técnicos de controle da produção. Cursos técnicos têm carga horária entre 800h e 1.200h (1 ano e 6 meses) e são destinados a alunos matriculados ou egressos do ensino médio. Ao término, o estudante recebe um diploma. METODOLOGIA - O Mapa do Trabalho Industrial é elaborado a partir de cenários que estimam o comportamento da economia brasileira e dos seus setores; projeta o impacto sobre o mercado de trabalho e estima a demanda por formação profissional industrial (formação inicial e continuada). As projeções e estimativas são desagregadas no campo geográfico, setorial e ocupacional, e servem como parâmetro para o planejamento da oferta de cursos do Senai. Na opinião de Rafael Lucchesi, conhecer as necessidades do mercado é fundamental para o planejamento da oferta de formação profissional. “O Senai é referência em educação profissional porque está alinhado com as necessidades da indústria e mantém seus cursos atualizados com o que existe de mais avançado em termos de tecnologia”, explicou. A instituição possui o Modelo Senai de Prospecção, que permite prever quais serão as tecnologias utilizadas no ambiente de trabalho em um horizonte de cinco a dez anos. A metodologia já foi transferida a instituições de mais de 20 países na América do Sul e no Caribe. O método foi apontado ainda pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como exemplo de experiência bem sucedida na identificação da formação profissional alinhada às necessidades futuras das empresas. 44 •

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Áreas com maior demanda por formação - Técnicos 4.776 Transversais 2.174 Metalmecânica 2.053 Energia e telecomunicações 1.829 Logística e transporte 1.684 Eletroeletrônica Ocupações industriais com maior demanda por formação dentro e fora da indústria - Técnicos 2.192 Técnicos de controle da produção 1.275 Técnicos em eletrônica 1.105 Técnicos em eletricidade e eletrotécnica 893 Técnicos em operação e monitoração de computadores 828 Supervisores da construção civil 757 Especialistas em logística de transportes 718 Técnicos de planejamento e controle de produção 641 Supervisores da fabricação de alimentos, bebidas e fumo 627 Técnicos em transportes rodoviários 610 Técnicos de laboratório industrial Qualificação profissional Já os cursos de qualificação são indicados a jovens ou profissionais, com escolaridade variável de acordo com o exercício da ocupação, e buscam desenvolver novas competências e capacidades. Ao final,

o aluno recebe um certificado de conclusão. As áreas que mais vão exigir a capacitação de trabalhadores com esse tipo de formação, de acordo com o Mapa do Trabalho Industrial 20192023 serão: Áreas com maior demanda por formação – Qualificação (+200h) 10.872 Metalmecânica 3.389 Alimentos 2.663 Energia e telecomunicações 1.621 Eletroeletrônica 1.560 Confecção e vestuárioÁreas com maior demanda por formação – Qualificação (-200h) 20.396 Logística e transporte 15.924 Transversais 15.570 Metalmecânica 14.153 Alimentos 13.047 Construção

1.561 Instaladores e reparadores de linhas e cabos elétricos, telefônicos e de comunicação de dados 1.330 Padeiros, confeiteiros e afins 1.301 Trabalhadores na fabricação e conservação de alimentos 1.282 Eletricistas de manutenção eletroeletrônica 1.174 Operadores de máquinas para costura de peças do vestuário 1.096 Trabalhadores de instalações elétricas 1.011 Mecânicos de manutenção de máquinas pesadas e equipamentos agrícolas Ocupações industriais com maior demanda por formação dentro e fora da indústria Qualificação (-200h) 16.931 Motoristas de veículos de cargas em geral

Segundo o Mapa, entre as ocupações que exigem cursos de qualificação e que mais vão demandar profissionais capacitados estão mecânicos de manutenção de veículos automotores; preparadores e operadores de máquinas-ferramenta convencionais, entre outras:

14.407 Alimentadores de linhas de produção

Ocupações industriais com maior demanda por formação dentro e fora da indústria Qualificação (+200h)

3.244 Trabalhadores na operação de máquinas de terraplenagem e fundações

3.781 Mecânicos de manutenção de veículos automotores

2.697 Trabalhadores de estruturas de alvenaria

2.610 Mecânicos de manutenção de máquinas industriais 1.693 Preparadores e operadores de máquinas-ferramentas convencionais

11.936 Magarefes e afins 10.720 Trabalhadores da mecanização agrícola 3.878 Ajudantes de obras civis

1.961 Trabalhadores de soldagem e corte de ligas metálicas 1.850 Trabalhadores operacionais de conservação de vias permanentes (exceto trilhos)

1.636 Apontadores e conferentes Em relação ao nível superior, as áreas de informática, gestão e construção serão as que mais vão precisar qualificar profissionais no período de 2019 a 2023, de acordo com o Mapa do Trabalho: Áreas com maior demanda por formação – Superior 2.051 Informática 1.998 Gestão 1.051 Construção 343 Metalmecânica 278 Logística e transporte Ocupações industriais com maior demanda por formação dentro e fora da indústria – Superior 1.757 Analistas de tecnologia da informação 773 Engenheiros civis e afins 549 Gerentes de produção e operações em empresa da indústria extrativa, de transformação e de serviços de utilidade pública 202 Gerentes de manutenção e afins 190 Arquitetos e urbanistas 189 Engenheiros de produção, qualidade, segurança e afins 186 Gerentes de suprimentos e afins 162 Engenheiros eletricistas, eletrônicos e afins 148 Gerentes de tecnologia da informação 134 Administradores de tecnologia da informação

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COMÉRCIO VIZINHO Com apoio do Centro Internacional de Negócios, indústrias exportam e importam produtos

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assessoria técnica em comércio exterior do CIN/MS (Centro Internacional de Negócios de Mato Grosso do Sul) vem alavancando o comércio exterior do Estado ao atender empresas de todos os portes interessadas em atuação no mercado internacional, seja para importação ou exportação de produtos. Exemplos bem-sucedidos são a exportação da indústria Erva-Mate Suprema, de Campo Grande (MS), e a importação de trigo da indústria de panificação Rainha das Massas, de Dourados (MS). A indústria Erva-Mate Suprema realizou sua primeira exportação de erva para tereré para a Bolívia. O carregamento, com 780 caixas do produto, partiu em outubro com destino ao país vizinho. Já a indústria de panificação Rainha das Massas conseguiu reduzir em pelo menos 20% os custos de produção graças à importação de farinha de trigo da Argentina. O produto é a matéria-prima para a produção de massas de pastel, lasanhas e pães de queijo, entre outros produtos. EXPORTAÇÃO A coordenadora do CIN/ MS, Nathália Alves, destaca que quando uma empresa realiza sua primeira exportação tem influência direta na ampliação dos mercados da exportação de uma empresa, pois facilitam a interação de empresários brasileiros com os mais diversos players internacionais. “Com a realização dessa primeira venda, a empresa fica menos dependente do mercado brasileiro porque, agora, ela já está preparada para exportar para qualquer lugar. É lógico que irá ter as diferenças de um país para outro, mas o contexto geral é similar e será preciso apenas se adaptar. Se em algum momento a venda interna dele cair, ele consegue destinar a produção para o mercado externo porque já está preparado por meio da nossa consultoria”, disse. Já a consultora de comércio exterior do CIN/MS, Andrea Afif, explica que atuar no mercado 48 •

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CAIXAS FORAM EXPORTADAS

internacional exige preparação e estratégia e esse foi o trabalho desenvolvido com a Erva-Mate Suprema. “Nosso trabalho com a Suprema iniciou com a parte burocrática, documental e o registro do produto na Bolívia. Em seguida, a parte operacional, ou seja, olhar a produção, alinhar a embalagem, rótulo, formação de preço. Tudo para viabilizar a exportação do lado brasileiro e boliviano”, detalhou. Para o empresário Evandro José Lahr, proprietário da ErvaMate Suprema, a consultoria do CIN/MS foi fundamental para que sua empresa pudesse empreender no mercado internacional boliviano. “Em tudo que precisamos somos atendidos e as dúvidas esclarecidas. Estou bem contente. Sinto segurança para fazer a exportação. Só tenho o que agradecer pelo apoio do CIN nesse processo”, declarou. Essa primeira exportação possibilitou a preparação da ErvaMate Suprema para uma atuação sólida no mercado exterior. “Temos a expectativa de vender, por mês, cinco mil caixas de erva de tereré para a Bolívia. E também estamos trabalhando no desenvolvimento de produtos específicos para atender o paladar boliviano”, adiantou Evandro Lahr.

REDUÇÃO DE 20% Foi o que a Rainha das Massas obteve com a importação de farinha de trigo da Argentina Apoiar as empresas nesse processo de exportação, oferecendo um leque de serviços, é a missão do CIN/MS, que disponibiliza desde a parte burocrática e de tributação até as ações de prospecção de mercados, identificação de clientes, formatação de preço do produto, cursos em comércio exterior, consultoria para viabilizar a venda da mercadoria. Conforme Nathália Alves, a assessoria técnica do CIN/ MS torna o processo de comércio exterior mais tranquilo, seguro e até mais ágil. “Porque a


gente já conhece os caminhos, já sabe o que é que tem que fazer, como fazer, o time do negócio. Com o nosso apoio, o processo fica menos penoso para o cliente porque a exportação é uma novidade dentro de uma empresa e, geralmente, está dedicada ao seu core business, então, o empreendimento precisa ter um profissional capacitado de uma assessoria para poder ajudar na abertura desse novo mercado”, conclui. IMPORTAÇÃO A negociação para a importação da matéria-prima direto da Argentina, que é o principal fornecedor de trigo para o Brasil, foi possível depois que os proprietários da Rainha das Massas, o casal Gisele da Silva Sales e Adriano Corrêa Barbosa, buscaram apoio do CIN/MS, que é vinculado ao Sistema Fiems, com o objetivo de adquirir um trigo mais barato e com maior qualidade. A Rainha das Massas, que há 12 anos fabrica pães de queijo, chipa (tradicional receita do Paraguai), salgados, lasanhas e outros alimentos congelados, buscava uma alternativa às constantes oscilações do dólar, que, pelas mãos do fornecedor, impactavam ainda mais o custo final do trigo. “Sempre compramos farinha de trigo de importadores brasileiros, mas, toda vez que ficávamos sabendo de possíveis altas no dólar, corríamos para estocar uma quantidade razoável, porque, comprando de um terceiro, estávamos sujeitos ao aumento imposto por eles, e que sempre nos era repassado”, relatou Gisele da Silva. Depois de passar por todo o processo de consultoria do CIN, a indústria negociou a compra da farinha de trigo direto com o fabricante argentino e, além da redução de custos, adquiriu uma matéria-prima 100% pura, que vai resultar em um produto final de mais qualidade e com maior rendimento. “Estamos adquirindo um trigo melhor, 100% puro, e que, sem dúvidas, vai resultar em um produto de melhor qualidade

para o consumidor final, além da redução dos custos de pelo menos 20%. Com essa economia, vamos investir na fabricação de novas linhas de produtos, como pães congelados”, comemorou a empresária. Atualmente, a Rainha das Massas fabrica 74 toneladas de produtos todos os meses, mas já projeta crescer em 2020 e expandir a venda para outros Estados. A coordenadora do CIN/ MS, Nathália Alves, explica que auxiliou a empresa na busca por fornecedores internacionais de farinha de trigo, resultando, inicialmente, em um estudo com dez potenciais contatos. “Além disso, também identificação de três fornecedores potenciais que atenderiam as demandas da empresa em termos de valor, qualidade e agilidade e apresentação do estudo de viabilidade de importação. Contamos com o apoio da Câmara de Comércio Argentina para nos auxiliar nessas buscas”, detalhou Nathália Alves, completando que ficou muito satisfeita com esse trabalho. “Por meio desse planejamento, nosso cliente conseguiu economizar e oferecerá um produto melhor para seu público. Nosso papel é fazer a ponte entre as empresas de Mato Grosso do Sul e o mercado externo, procurando sempre trazer ótimas oportunidades para nossos clientes”, finalizou a coordenadora. Conforme a consultora do CIN/MS, Andréa Afif, para a concretização da operação foi necessário também a realização dos cadastros da empresa nos diversos órgãos anuentes, como Receita Federal e Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), e a elaboração dos documentos de importação até a chegada da carga ao cliente. “A primeira remessa de trigo chegou à empresa no dia 28 de setembro e também foi acompanhada pela equipe do CIN caso houvesse dúvidas”, afirmou. Serviço – Mais informações sobre os serviços e produtos do CIN de Mato Grosso do Sul pelo telefone (67) 3389-9051. MS INDUSTRIAL | 2019 • 49


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CANINOS LOUCOS

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Centro de Inovação do Sesi de MS ganha reforço de “labradores” da USP para desenvolver pesquisas

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abradores - Caninos Loucos”. Este é o nome da nova tecnologia que, em parceria com a USP (Universidade de São Paulo), está sendo aplicada pelos pesquisadores do Centro de Inovação do Sesi de Mato Grosso do Sul nos protótipos de soluções pensadas para atender às demandas da indústria nacional. O reforço foi enviado pela universidade e chegou ao Centro de Inovação, localizado em Campo Grande (MS), e atua com a linha de pesquisa de sistemas para gestão da saúde e segurança do trabalho nas empresas. Agora, explica o gerente de Inovação e Tecnologia do Centro, Ricardo Egídio, a ideia é fazer uso do recurso para aprimorar os projetos em andamento. “As placas Labradores que estão conosco são o primeiro passo de uma grande parceria com a USP e tornarão nossos protótipos mais

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precisos, escaláveis e aderentes às necessidades das indústrias”, avaliou Ricardo Egídio. Um dos projetos de curto prazo miram o Edital de Inovação para a Indústria 2019, iniciativa do Sesi e Senai para o financiamento de projetos inovadores para a indústria. A categoria Inovação Setorial em Segurança e Saúde no Trabalho e Promoção da Saúde, por exemplo, prevê a inscrição de projetos como os que são desenvolvidos pelo Centro de Inovação. “A chegada das placas Labradores, com alta capacidade de processamento e interfaces de comunicação, vai aprimorar e fortalecer as pesquisas do nosso

time”, acrescentou Ricardo Egídio. LABRADOR A placa “Labrador” foi desenvolvida pelo Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico (LSI-TEC), da USP, no âmbito do “Programa Caninos Loucos”, financiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. O “Caninos Loucos” desenvolve Single Board Computers (SBCs) com estrutura aberta, hardware e software, para Internet das Coisas (IoT) e quer formar uma comunidade de desenvolvedores para uso da tecnologia de IoT no meio industrial


e disseminar a aprendizagem de eletrônica embarcada no Brasil. Essa é uma iniciativa do LSITEC com o apoio da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e do Jon “Maddog” Hall, diretor do Conselho do Linux Professional Institute. A placa “Labrador” é a primeira Single Board Computer da “Caninos Loucos” aberta e com as funcionalidades de um computador. Essa placa é capaz de rodar em um sistema operacional Android ou Linux, acessar a Internet por cabo de rede ou Wi-Fi, reproduzir vídeos e executar programas de edição de texto. A Labrador é uma combinação de duas placas, a core board, uma placa de tamanho reduzido e alta capacidade de processamento, e a base board, onde encontramos as diversas interfaces de comunicação. Esse conjunto possui proteção ESD, é compacta, resistente e serve para as mais diversas aplicações, desde projetos pessoais até aplicações comerciais.

“As placas Labradores que estão conosco são o primeiro passo de uma grande parceria com a USP e tornarão nossos protótipos mais precisos, escaláveis e aderentes às necessidades das indústrias” - RI CARDO EGÍ DI O Gerente de Inovação e Tecnologia Centro de Inovação do Sesi de Mato Grosso do Sul

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DICAS

LEI GERAL DE PROTEÇÃO DE DADOS SUA EMPRESA ESTÁ PREPARADA? A segurança digital é um tema cada vez mais importante dentro de empresas de todos os portes em vários países. No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) foi sancionada em 2018 e entrará em vigor em agosto de 2020. A norma traz regras que regulamentam a coleta e o tratamento de informações pessoais por empresas e órgãos públicos visando proteger a privacidade dos cidadãos. A nossa legislação foi baseada no GDPR a lei de proteção de dados da União Europeia. Está mais do que na hora de as empresas começarem a se adaptar, pois a nova legislação torna obrigatórias algumas medidas para garantir a proteção de informação dos seus clientes e usuários. Vamos entender melhor a LGPD e como ela deve impactar seu negócio?

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CONFIRA OS PRINCIPAIS PONTOS PARA QUE SUA EMPRESA CUMPRA A NOVA LEI: GERENCIE SEUS DADOS SEUS DADOS

FISCALIZAÇÃO A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) será a responsável pela fiscalização da LGPD. Quem não cumprir as normas estará sujeito a multas de até 2% do faturamento da empresa (com limite de R$ 50 milhões) e bloqueio ou eliminação dos dados relacionados a uma infração. A suspensão parcial ou total de banco de dados de um ente que violar a Lei havia sido prevista na Lei de Conversão da MP (No 13.353 de 2019) foi um dos pontos vetados pelo presidente Jair Bolsonaro, que ainda passarão por análise do Congresso Nacional.

A LGPD vale para todas as empresas que coletam dados pessoais - aquelas informações que podem identificar alguém, seja no universo online ou off-line. Além de dados pessoais como nome, RG e CPF, a legislação engloba também o tratamento de dados sensíveis, como informações de origem racial ou étnica, de saúde, religião e opinião política. Se cometidas infrações, a empresa corre o risco de pagar uma multa de até 2% de seu faturamento, limitada a R$ 50 milhões por infração. Ao coletar um dado, as empresas deverão informar a finalidade. Se o usuário aceitar repassar suas informações, as organizações passam a ter direito de tratar os dados desde que em conformidade com a lei. A norma prevê uma série de obrigações, como a garantia da segurança dessas informações e a notificação do titular em caso de um incidente de segurança.

O titular das informações ganhou uma série de direitos: poderá, por exemplo, solicitar os dados que a empresa tem sobre ele, a quem foram repassados e para qual finalidade. Caso os registros estejam incorretos, poderá cobrar a correção. A legislação também permitirá a revisão de decisões automatizadas tomadas com base no tratamento de dados, como os perfis de consumo. Portanto, é preciso se atentar para quem tem acesso ao banco de dados de informações e como eles estão sendo usados. Equipes e departamentos diferentes acessam os mesmos dados de formas diversas e os usam para variados propósitos. Seja a equipe de marketing ou a do RH lidando com dados dos seus funcionários ou ainda departamento de vendas e jurídico, é essencial que a organização implemente procedimentos padronizados e fluxos de trabalho para lidar com dados pessoais, e que os colaboradores tenham acesso apenas aos dados quando necessários para sua função.

PROTEJA SEUS DADOS Você deve estar se perguntando: mas como proteger esses dados? Para garantir que os controles de segurança sejam eficientes a fim de proteger as informações de seu banco de dados, há uma série de medidas que vai além de apenas o uso de criptografia. A LGPD requer monitoramento constantes e uma ação imediata em caso de violação de dados.

A tecnologia tem um papel muito importante nessa tarefa, mas não sozinha. É necessário a junção de estratégias de diferentes setores, como os responsáveis pelas técnicas de segurança, controle de acesso, soluções de backup fluxos, educação interna dos colaboradores e de trabalho padronizados, além de orientação jurídica para atender as normas de forma correta.

As principais medidas que devem ser adotadas são: nomeação de responsáveis pela proteção de dados, a obtenção de consentimento dos clientes para a utilização de seus dados em diversas finalidades, a atualização de documentos como contratos e políticas internas e a adequação de contratos com fornecedores.

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C U LT U R A D A I N D Ú S T R I A LIVRO

“PENSE SIMPLES”, DE GUSTAVO CAETANO

Milhares de empresários sonham em fazer uma única coisa: Inovar! A inovação é o cálice sagrado do negócio de sucesso, mas como começar? Como você sabe o que fazer ou que rumo tomar para realizar algo que vai tocar a vida das pessoas e mudar o seu mercado? Gustavo Caetano aprendeu a enxergar problemas pequenos, mas que precisam de solução imediata, e a mudar o rumo do seu negócio para continuar crescendo. O que ele mais quer é ver o leitor inovar também. Quem ler este livro vai descobrir que, ao contrário do que se pensa e diz por aí, inovar é simples. Neste livro você vai aprender: como o fracasso pode moldar a mentalidade para o sucesso; o que compõe o DNA inovador; qual é a lógica da simplicidade para estimular a inovação; a importância de ser ágil e leve para se manter com alto potencial inovador; a não acreditar no “sempre foi assim”.

“SEM LIMITES - A HISTÓRIA DA NETSHOES”, DE JOSÉ EDUARDO COSTA LIVRO

Conheça os segredos dos fundadores da empresa que se tornou o maior e-commerce de artigos esportivos da América Latina. A narrativa conta a história de dois primos de ascendência armênia, Marcio Kumruian e Hagop Chabab, que em 2000 abriram uma loja de calçados, na capital paulista, e a transformaram num grande sucesso varejista digital. A Netshoes fatura hoje mais de 2 bilhões de reais e emprega mais de 2 mil colaboradores. Pioneira no Brasil na venda de calçados on-line, a Netshoes é referência para empresas que vieram depois dela. Essa trajetória não aconteceu sem sobressaltos. O livro conta como se deu a migração da loja de rua para o comércio eletrônico, os sucessivos desafios superados pelos primos – das conversas para a compra da plataforma de e-commerce com os americanos, sem que nenhum dos sócios falasse inglês, à montagem do primeiro centro de distribuição automatizado. Um case de sucesso que certamente pode inspirar muita gente a arregaçar as mangas e enveredar pelo mundo do empreendedorismo. FILME

“COMO FAZER AMIGOS E INFLUENCIAR PESSOAS”, DE DALE CARNEGIE LIVRO

Em sua 51ª edição, com mais de 30 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, “Como fazer amigos e influenciar pessoas” é considerado um dos principais livros no gênero, influenciando com ótimos conceitos a todos no âmbito pessoal e profissional. O guia clássico e definitivo para relacionarse com as pessoas. Um livro inovador e uma das principais referências do mundo sobre relacionamentos, seja no âmbito profissional ou pessoal. Os conselhos, métodos e as ideias de Dale Carnegie já beneficiaram milhões de pessoas, e permanecem completamente atuais. Carnegie fornece, nesse livro, técnicas e métodos, de maneira extremamente direta, para que qualquer pessoa alcance seus objetivos pessoais e profissionais.

U M S E NHOR E S TA G IÁ R IO

Esse filme é uma lição de vida profissional e pessoal! Ben Whitaker é viúvo de 70 anos, aposentado, que em meio a sua monótona rotina resolve se candidatar a estagiário de uma empresa de venda de roupas na internet. A presidente do site, Jules Ostin, é uma workaholic assumida que começa a mudar sua visão de mundo, modo de pensar e agir graças aos ensinamentos desse jovem senhor. Por mais que enfrente o inevitável choque de gerações, logo ele conquista os colegas de trabalho e se aproxima cada vez mais de Jules, que passa a vê-lo como um amigo.

FILME

A G R A N D E A POS TA

Baseado no livro escrito por Michael Lewis, o longa-metragem conta a trajetória de quatro grupos de investidores, cada um com suas peculiaridades, mas com um objetivo em comum: lucrar e, muito, a partir da destruição do sistema. Indicado ao Oscar, o filme conta com um elenco de peso que protagoniza cada um dos núcleos base: Christian Bale, Steve Carell, Ryan Gosling e Brad Pitt. Esse é mais um dos filmes que todo empreendedor deveria assistir.

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GADGETS

PNEU QUE ENCHE SOZINHO

A empresa alemã Continental anunciou que acaba de desenvolver um pneu capaz de encher sozinho enquanto o motorista dirige. Apelidado de C.A.R.E (conectado, autônomo, confiável e eletrificado), o pneu trabalha com bombas centrífugas que atuam para gerar ar comprimido na medida que o veículo acelera. O ar extra gerado é armazenado em um tanque, caso precise no futuro. Sensores incorporados também fornecem informações sobre danos, temperatura e pressão dos pneus. Os dados são coletados e enviados ao programa ContiConnect Live, onde podem ser gerenciados remotamente. A Continental não informou sobre quando o C.A.R.E será lançado para o mercado.

Agora, você já pode fechar as portas da sua casa, escritório ou empresa sem utilizar chaves. Basta estar com o seu celular na mão. A nova fechadura digital da Intelbras, a FR 500, através do app Bluetooth InControl FR 500, disponível para Android e iOS, fica totalmente integrada ao seu smartphone. É possível gerenciar o acesso ao imóvel e até restringir o acesso definindo dias e horários específicos nos quais a porta pode ser aberta. Assim como outros modelos de fechaduras digitais da Intelbras, a FR 500 oferece diversas opções de acesso, como senha, biometria, chave, tag de proximidade e tag adesiva. Mas o grande diferencial é a integração com o aplicativo InControl FR 500. Além de permitir que a porta seja destravada usando o celular, possibilita todo o gerenciamento de acesso ao local. Basta cadastrar o nome das pessoas com permissão para abrir a porta que o aplicativo irá registrar o horário de entrada de cada uma delas.

FECHADURA DIGITAL

O administrador pode remover outras pessoas dessa lista a qualquer momento, funcionalidade que agradará proprietários de locais nos quais é preciso ter um controle de quem entra e sai, como empresas, escritórios compartilhados ou quem aluga residências no Airbnb. Através do aplicativo também é possível gerar uma senha única que expira em 5 minutos, permitindo que você libere o acesso ao local remotamente.

ALEXA: A VERSÃO EM PORTUGUÊS

A assistente virtual da Amazon finalmente ganha uma versão em português. Com ela, o usuário poderá utilizar dispositivos como a linha Amazon Echo para executar uma série de comandos de voz. A partir destas caixas de som é possível pedir à Alexa que toque músicas a partir de serviços de streaming como Amazon Music, Spotify e Deezer. A Alexa também possibilita uma série de acessos ao noticiário, acessando canais como UOL, CBN, Jovem Pan, G1, Veja e Folha de São Paulo, acompanhar as partidas de seus esportes favoritos, se informar sobre a previsão do tempo, enviar e receber mensagens e chamadas (inclusive em vídeo, para o caso do Echo Show 5), fazer perguntas sobre os mais diversos assuntos, criar alarmes, timers, listas de compras e de tarefas. Também permitirá que você controle uma casa conectada, já que ela funciona com uma variedade de produtos compatíveis com Wi-Fi incluindo lâmpadas, câmeras, tomadas, fechaduras e interruptores inteligentes. Com isso, você pode, por exemplo, trancar a porta antes de dormir ou diminuir as luzes direto do sofá, tudo usando apenas a sua voz.

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RADAR INDUSTRIAL

E MP R E GO De janeiro a agosto deste ano o setor industrial de Mato Grosso do Sul, que é composto pelas indústrias de transformação, de extrativismo mineral, de construção civil e de serviços de utilidade pública, gerou um saldo positivo de 2.797 postos de trabalho, resultado de 40.797 contratações e 38 mil demissões, conforme levantamento realizado pelo Radar Industrial. Ainda de acordo com os números do Radar, os principais responsáveis por esse bom desempenho são as indústrias de alimentos e bebidas (+1.246), construção (+781), química (+355), papel, papelão, editorial e gráfica (+258), extrativa mineral (+147), metalúrgica (+120) e produtos minerais não metálicos (+111). Com esse saldo, o conjunto das atividades industriais em Mato Grosso do Sul encerrou agosto com 123.824 trabalhadores empregados, indicando elevação de 0,55% em relação ao mês anterior, quando o contingente ficou em 123.146 funcionários.

E X P O R TA ÇÃ O A receita obtida com as exportações de produtos industrializados de Mato Grosso do Sul já superou, de janeiro a agosto, US$ 2,43 bilhões, uma alta de 2% em relação ao mesmo período do ano passado, quando somou US$ 2,38 bilhões, conforme levantamento do Radar Industrial da Fiems. Apenas no mês de agosto, as exportações de industrializados do Estado totalizaram US$ 275,1 milhões, sendo que, no mês, o setor respondeu por 66% de toda a receita de exportação de Mato Grosso do Sul, enquanto no acumulado do ano a participação está em 68%. Os grupos de maior destaque nas exportações de produtos industriais de Mato Grosso do Sul são: “Celulose e Papel”, “Complexo Frigorífico”, “Extrativo Mineral”, “Óleos Vegetais”, “Couros e Peles” e “Açúcar e Etanol”, que, somados, representaram 98% da receita total das vendas sul-mato-grossenses de industrializados ao exterior.

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PROD UÇÃ O IN D UST RIA L Em agosto, 57,8% das empresas industriais sul-mato-grossenses apresentaram estabilidade na produção, no mês anterior esse resultado era de 51,4%. Já as empresas que apresentaram crescimento responderam por 21,9% do total, contra 31,4% no último levantamento, indicando uma acomodação no ritmo da atividade industrial na passagem entre os meses de julho e agosto, de acordo com a Sondagem Industrial realizada pelo Radar Industrial da Fiems junto a 64 empresas no período de 2 a 12 de setembro. Esse desempenho refletiu no índice de avaliação da produção, que fechou o mês em 50,1 pontos. Sobre a ociosidade nas indústrias, há uma nova queda, mas, mesmo assim, ainda segue em patamar elevado. Em agosto, a ociosidade média na indústria sul-mato-grossense ficou em 25%, contra 27% no mês anterior. Já o índice de utilização da capacidade instalada fechou o mês em 47,2 pontos, ficando praticamente estável em relação ao último levantamento.

D E SEM PEN H O IN D UST RIA L O IGDI (Índice Geral de Desempenho Industrial) de Mato Grosso do Sul, que foi criado pelo Radar Industrial da Fiems e é calculado com base nas pesquisas de Confiança e Sondagem Industrial, completou, em agosto deste ano, o 15º mês consecutivo acima dos 50 pontos. No respectivo mês, o Índice somou 56,4 pontos, indicando um recuo de 1 ponto na comparação com julho deste ano, quando chegou a 57,5 pontos, a 2ª melhor marca do indicador. Na passagem de julho para agosto, ocorreram quedas no índice de intenção de investimento e na participação das empresas com produção estável ou crescente. Além disso, explica o economista, teve relativa estabilidade, mas com pequeno recuo, na participação das empresas que contrataram e no índice de confiança. MS INDUSTRIAL | 2019 • 59


QUANTO VOCÊ P A G O U ?

Fonte: Portal Transparência MS e SEFAZ/MS. Elaboração; SFIEMS COEP

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Quem te conhece E M I V I N H E M A , T R O P I C A N A P R O D U Z C A L D O D E C A N A E N VA S A D O S E M A D I Ç Ã O D E C O N S E R VA N T E S Em Mato Grosso do Sul e em boa parte do território brasileiro não existe programa melhor do que comer pastel e tomar caldo de cana. Pelo menos na região sul do Estado, desde o início de agosto, isso ficou ainda mais fácil. Isso porque a empresa Tropicana, localizada no município de Ivinhema (MS), iniciou, com auxílio do IST Alimentos e Bebidas (Instituto Senai de Tecnologia em Alimentos e Bebidas), que fica em Dourados (MS), a produção de um caldo de cana envasado e que pode ser comercializado nos supermercados. O supervisor de consultoria do IST Alimentos e Bebidas, Lucas Alves Gomes, contou que a empresa entrou em contato assim que teve a ideia de desenvolver o produto. “A parceria entre o Senai e a Tropicana surgiu no início de 2018, quando iniciamos o desenvolvimento do caldo de cana. O projeto teve duração de aproximadamente um ano e meio e nesse período foram feitas várias pesquisas e testes com o objetivo de obter um caldo de cana que mantivesse as suas características de sabor e pudesse ter um prazo de validade maior sem adição de conservantes”, explicou. Com o mesmo nome da empresa,

Tropicana, o caldo de cana é pasteurizado por meio de um processo moderno, que elimina os microrganismos e garante a qualidade do produto, sem nenhuma alteração no sabor ou no aroma por 30 dias. “Foram vários testes para que se chegasse ao produto final. Vale ressaltar que a empresa contratou todas as nossas linhas de serviço, que começou com o desenvolvimento do produto, depois foi uma consultoria para elaboração de um programa de autocontrole e boas práticas para conseguir o registro junto ao Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento)”, comentou o supervisor de consultoria do IST Alimentos e Bebidas. Segundo o empresário Angelo Trevisam, um dos sócios da empresa, a ideia de produzir caldo de cana surgiu a partir da vontade de ter o alimento à disposição em qualquer horário e qualquer dia, sem precisar esperar a feira do bairro ou procurar um vendedor ambulante. “E aí comecei a ver muitos produtos no mercado, como água de coco e sucos naturais com uma produção com alta tecnologia e resolvi procurar o Senai, que é uma instituição referência em inovação,

para me ajudar na elaboração desse produto”, afirmou. Na avaliação do empresário Angelo Trevisam, sem o apoio do Senai o processo todo teria sido mais demorado e mais difícil. “Para nós, todo o auxílio da equipe do IST Alimentos e Bebidas e do próprio Senai Empresa foi fundamental, principalmente porque eu sou um grande apreciador de caldo de cana e queria que chegássemos a um produto idêntico ao natural, mas com prazo de validade maior. Para isso, não poderíamos utilizar conservantes, que alterariam o sabor”, destaca. A produção do Tropicana começou no início de agosto e os produtos, fabricados na versão tradicional, sabor abacaxi e sabor limão e envasados em copos de 300 ml, podem ser encontrados nos municípios de Ivinhema, Fátima do Sul, Jateí, Vicentina, Novo Horizonte, Deodápolis, Glória de Dourados, Angélica, Naviraí, Itaquiraí, Eldorado, Mundo Novo, Iguatemi, Juti e Caarapó. “Queremos em breve estar em todo o Estado, levando o sabor do caldo de cana fresco a todo mundo que gosta do produto”, finaliza.

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A RT IG O

REDUÇÃO DE RECURSOS PARA INOVAÇÃO DIMINUI COMPETITIVIDADE - GIA N N A SAGAZI O

Diretora de Inovação da CNI

Os investimentos do Brasil, que já eram baixos na área de inovação, vêm sofrendo quedas consecutivas nos últimos anos. Os reflexos da falta de prioridade dos governos em relação a esta agenda já aparecem de forma nítida, seja na baixa quantidade de empresas que operam nos padrões da indústria 4.0, seja na queda do Brasil no Índice Global de Inovação (IGI) – o país caiu da 64ª para a 66ª colocação no ranking de 129 países. Essa posição é completamente incompatível com o fato de sermos a 9ª maior economia do mundo. O ranking demonstra que o Brasil tem enorme desafio pela frente para se tornar mais inovador, com desempenho proporcional à grandeza de sua economia. Mas é preciso agir com rapidez, pois diante do ambiente de crescente competição internacional, a inovação será um grande diferencial com peso cada vez maior para o desenvolvimento de um país. Países competitivos no cenário global, como Suíça, Suécia, Estados Unidos, Holanda e Reino Unido, que são os cinco primeiros no ranking do IGI, têm indústria forte e elegeram a inovação como estratégia de desenvolvimento. Essas nações priorizam investimentos em ciência, tecnologia e inovação e apostam fortemente em políticas com visão de futuro a fim de fortalecer a qualidade da educação e o sistema de financiamento e fomento à inovação. Outros três países merecem menção: a China, único país de renda média entre os 20 primeiros colocados no ranking – está em 14º; a Índia, que vem melhorando posições a cada ano e cujo governo se comprometeu a ficar entre os 10 países mais inovadores do mundo; e Israel, que pela primeira vez está entre as 10 primeiras colocações. Atualmente, o Brasil investe apenas 1,27% do PIB em pesquisa e desenvolvimento (P&D) contra 2% de média dos países da OCDE. Nações mais inovadoras apostam ainda mais nessa agenda. A Coreia do Sul destina 4,3% do PIB; Israel, 4,2%; e Japão, 3,4%. Os números mostram que somente com inovação conseguiremos aumentar a produtividade e a competitividade do Brasil, por meio de um desenvolvimento sustentável. A inovação é o único caminho para o Brasil sair da crise econômica de maneira sustentada. No entanto, internamente enxergamos um cenário distante, com investimentos

muito aquém dos necessários em P&D. O contingenciamento de recursos do governo federal, incluindo o do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), coloca o Brasil na contramão de países fortes na agenda da inovação. O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) teria R$ 5,1 bilhões de orçamento em 2019, mas, com o contingenciamento de 37%, restaram R$ 3,2 bilhões para investimentos. Já o FNDCT, que completou cinco décadas de fomento à ciência e tecnologia no país, viu seu potencial de impulsionar a pesquisa e a formação de quadros, ser reduzido. Embora a arrecadação do Fundo tenha se mantido acima de R$ 4 bilhões anuais entre 2016 e 2018, o volume autorizado pelo governo para investimento em ciência, tecnologia e inovação ficou próximo a R$ 1 bilhão nesses três anos. Se o cenário nos últimos anos já era grave, os dados de 2019 são ainda mais alarmantes. A Lei Orçamentária Anual (LOA) estimou arrecadação de R$ 5,65 bilhões para o FNDCT para este ano. Contudo, desse total, R$ 3,39 bilhões são reserva de contingência. E mais ainda: dos R$ 851 milhões inicialmente destinados a programas não reembolsáveis, o MCTIC liberou apenas R$ 589,3 milhões para empenho. Esse orçamento permitirá somente o pagamento de projetos contratados em anos anteriores. Mais do que um retrocesso, a baixa prioridade conferida à área de CT&I coloca em risco o futuro do país, já que educação, ciência, tecnologia e inovação são pilares do crescimento econômico e do desenvolvimento social. Por reconhecer a gravidade do momento, a Finep defende a urgente necessidade de negociação com o Ministério da Economia para garantir o descontingenciamento parcial ou total do orçamento do FNDCT. A situação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) segue trajetória semelhante. Os desembolsos do Banco com projetos de inovação estão em queda contínua desde 2016. No 1º semestre deste ano, apenas R$ 400 milhões foram alocados em inovação, sob a forma de crédito direto e indireto. No último triênio, é evidente a perda de espaço da carteira de ino-

vação frente ao total investido pelo BNDES, visto que a participação dos projetos de inovação caiu de 4,1% para 2,7%, entre 2016 e 2018. Esse ambiente de instabilidade de recursos impacta negativamente os planos de médio e longo prazo das empresas, uma vez que é sempre mais difícil inovar em ambientes de incerteza. Na tentativa de reverter esse difícil cenário, a Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) – grupo coordenado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que reúne líderes de 300 das maiores empresas que atuam no país, – lidera há mais de uma década um movimento para incentivar a inovação no país. Principal e mais bem consolidado fórum de diálogo entre os setores empresarial e público, a MEI tem uma ampla agenda voltada para pilares estratégicos para o aprimoramento do ecossistema de inovação no país. Entre as iniciativas da MEI destacam-se diagnósticos e estudos; colaboração com políticas do governo; apoio para empresários inovarem; e imersões em ecossistemas de inovação no Brasil e no exterior em grupos que reúnem empresários e representantes do governo, de agências de fomento e de universidades. O Sistema Indústria mantém Institutos SENAI de Inovação e de Tecnologia, e centros de Inovação do SESI, onde desenvolve projetos inovadores em parceria com indústrias de todos os portes. As unidades são importantes atores no ecossistema de inovação brasileiro, com investimentos em pesquisa aplicada e no uso do conhecimento científico para o desenvolvimento de novos produtos e processos inovadores que chegam ao mercado consumidor. Mesmo com tantos obstáculos, acredito imensamente que é possível e viável darmos uma guinada na agenda de inovação no Brasil, mas para isso é preciso, além de priorizar investimentos e financiamento para pequenas, médias e grandes empresas, que haja extrema coordenação entre empresas, governo e universidades. Afinal de contas sabemos que os países que operam com excelência a inovação têm como característica a tripla hélice, que é exatamente a união entre indústria, setor público e academia. É urgente fortalecermos essa articulação e asseguramos à ciência, tecnologia e inovação um papel estratégico para a retomada do crescimento.

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