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05 Painel digital

SUMÁRI O

06 diretoria 07 editorial 08 charge 09 entrevista 12 Fala, indústria 22 giro da indústria 54 dicas 56 cultura da indústria 57 gadgets 60 quanto você pagou? 62 artigo capa

28 MADE IN MS Em 11 anos, de 2007 a 2018, a receita com as exportações de industrializados do Estado saltou de US$ 823,46 milhões para US$ 3,63 bilhões

42 iel

14 inovação Programa do Senai busca introduzir técnicas da Indústria 4.0 em pequenas e médias empresas

24 geral Setor produtivo propõe renda mínima para pequenos cartórios continuarem atuando no interior de MS

38 senai 18 FIEMS Nova diretoria é empossada com missão de ajudar a desenvolver o Estado

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Instituto Senai de Tecnologia em Alimentos e Bebidas terá laboratório para analisar sementes

Em cerimônia em Três Lagoas, 44 novas empresas recebem a certificação no PQF

61 quem te conhece que te compre

46 sesi

No Estado onde churrasco é tradição, Farofinha Crocante é um dos carroschefes da Vó Ermínia

Nas escolas da rede, identificar notícias falsas faz parte dos conteúdos aplicados em sala de aula

50 GENTE QUE FAZ Projeto “Empregá-la” ajuda mulheres a se reinserirem no mercado de trabalho

58 radar industrial Fique por dentro dos indicadores do setor industrial de MS


PAINEL DIGITAL

SISTEMA FIEMS NA REDE Fique por dentro dos nossos destaques nas redes sociais

O VT “A Escola do Futuro”, produzido pela agência 80 20 Marketing para a rede de escolas do Sesi de MS, foi o vencedor da 23ª edição do Prêmio Morena de Criação Publicitária. Parabéns aos envolvidos! #sfiems #sesims #premiomorena

Vamos usar os equipamentos de segurança, juntos e shallow now #sfiems #sesims #juntoseshallownow #sst #epi E TURMA LINDA! Registro do #trainingleaders que aconteceu em Campo Grande! Sucesso garantido! Vem com o IEL #lideranca #ielms #fiems

Se seu estágio fosse um filme, qual seria o nome dele? Conta aí.. #sfiems #ielms #estagioiel #filmes

Os cursos de Aprendizagem industrial do Senai ajudam jovens que já concluíram o ensino fundamental a dar início na carreira profissional. A aluna Berislaine da Silva Barros Carvalho conseguiu efetivação e está super agradecida ao Senai pela ajuda na conquista do emprego ;) #SenaiMS #jovemaprendiz

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D I RET ORI A

S IS TE MA F I E M S Diretor Corporativo: Cláudio Jacinto Alves Diretor Executivo: Anatole Verlaine Etges Superintendente do Sesi/MS: Bergson Henrique S. Amarilla Diretor Regional do Senai/MS: Rodolpho Caesar Mangialardo Superintendente do I EL/MS: José Fernando Gomes do Amaral

Revista da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul Diretor de Comunicação: Robson Del Casale (DRT/MS 064) Chefe de Redação: Daniel Pedra (DRT/MS 088) Jornalistas: Flávia Melo (MTB/MS 1032) Zana Zaidan (MTE/MS 1255) Fotos: Ademir Almeida, JJ Cajú, Nilson de Figueiredo, Ricardo Flores, Valdenir Resende e Dicom/Fiems Endereço: Avenida Afonso Pena, 1.206 - 2º Andar Bairro Amambaí - Campo Grande/MS - 79.005-901 E-mail: unicom@sfiems.com.br Site: www.fiems.com.br Fone: (67) 3389-9017 As opiniões contidas em artigos assinados são de total responsabilidade de seus autores, não refletindo, necessariamente o posicionamento do Sistema Fiems Revista Mensal - 10 mil exemplares

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Presidente: Sérgio Marcolino Longen 1ª Vice-pres.: Claudia Pinedo Zottos Volpini 2º Vice-pres.: Alonso Resende do Nascimento 3º Vice-pres.: José Francisco Veloso Ribeiro 1º Vice-Pres Regional: Luiz Claudio Sabedotti Fornari 2º Vice-Pres Regional: Roberto José Faé 3º Vice-Pres Regional: Romildo Carvalho Cunha 4º Vice-Pres Regional: Francisco Giobbi 5º Vice-Pres Regional: Lourival Vieira Costa 6º Vice-Pres Regional: Gilson Kleber Lomba 1º Secretário: Silvana Gasparini Pereira 2º Secretário: Antônio Carlos Nabuco Caldas 3º Secretário: Zigomar Burille 1º Tesoureiro: Altair da Graça Cruz 2º Tesoureiro: Edis Gomes da Silva 3º Tesoureiro: Nilvo Della Senta Diretores: João Batista de Camargo Filho Antônio Breschigliari Filho Julião Flaves Gaúna Marcelo Alves Barbosa Edemir Chaim Asseff Alfredo Fernandes Marcelo De Carli Ferreira Cláudio George Mendonça Marismar Soares Santana Regis Luís Comarella Walter Ferreira Cruz Walter Gargione Adames Vagner Rici Silvio Roberto Padovani Omildson Regis Guimarães José Eduardo Maksoud Rahe Conselho Fiscal: Efetivos: Milene de Oliveira Nantes Ivo Cescon Scarcelli Lenise de Arruda Viegas Suplentes: Egon Hamester Edson Luiz Germano de Souza Irma Tinoco Atagiba Asseff Delegados Suplente junto à CNI: Efetivos: Sérgio Marcolino Longen Claudia Pinedo Zottos Volpini Suplentes: Roberto José Faé José Francisco Veloso Ribeiro


ED ITOR I A L

UM NEGÓCIO DA CHINA

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os últimos 11 anos, Mato Grosso do Sul apresentou um crescimento vertiginoso nas exportações de produtos industrializados e o grande responsável por esse aumento é a celulose. O produto entrou na pauta de produtos vendidos para o exterior pelo Estado a partir de 2009, quando a planta da Suzano – antiga Fibria – iniciou a produção no município de Três Lagoas e, três anos depois, em 2012, a Eldorado também começou a produzir na cidade, mudando para sempre a história da nossa balança comercial. E, nesse cenário, um novo parceiro comercial de Mato Grosso do Sul também se consolidou: a China. Para termos uma ideia, apenas em 2018, Mato Grosso do Sul exportou para a China US$ 1,15 bilhão, enquanto para Hong Kong foram exportados US$ 190,61 milhões, colocando os chineses como nossos principais compradores e respondendo por 37,2% das exportações de produtos industrializados sul-mato-grossenses. Além disso, até abril de 2019, os chineses já respondem por 39,6% da receita total das exportações de produtos industriais de Mato Grosso do Sul, comprando, principalmente, a celulose seguida por papel, carnes, couros e peles e açúcar. Esses números mostram que precisamos criar o hábito de exportar para a China e a Fiems tem procurado se organizar no sentido de apoiar as empresas que desejam se internacionalizar e buscar o mercado chinês. Graças a esse novo cenário econômico, finalmente Mato Grosso do Sul deixou para traz o binômio soja-boi para incluir também a celulose. Porém, além da celulose, outros produtos também contribuíram por um salto de 341% nas exportações de produtos industrializados

por Mato Grosso do Sul no período de 2007 a 2018, quando saímos de US$ 823,46 milhões para US$ 3,63 bilhões. O “Complexo Frigorífico” também continua atuante na pauta e as exportações em 2018 somaram US$ 918,5 milhões, enquanto o grupo “Extrativo Mineral” acumulou uma receita de US$ 236,5 milhões no período e o grupo “Óleos Vegetais” alcançou US$ 193,5 milhões nos 12 meses do ano passado. Felizmente, os bons ventos continuam soprando e as exportações de industrializados do Estado deste ano continuam em crescimento. A receita obtida de janeiro a abril apresentou a melhor performance para o período dos últimos cinco anos ao alcançar US$ 1,23 bilhão nos quatro primeiros meses deste ano. Em 2015, conforme o Radar da Fiems, o setor obteve receita de US$ 936,8 milhões no intervalo de janeiro a abril e, de lá para cá, esse montante só tinha sido superado no ano passado, quando somou US$ 1,11 bilhão no 1º quadrimestre de 2018. Enfim, vivemos uma boa fase no que se refere às exportações de produtos industrializados pelo Estado, entretanto, para continuar voando em céu de brigadeiro é preciso continuar estimulando junto às nossas empresas a busca pela internacionalização dos seus produtos. Nesse sentido, a Fiems tem trabalhado e atuado de forma decisiva, por meio do Centro Internacional de Negócios (CIN), para que não nos desviemos do caminho.

SÉRGIO LONGEN Presidente do Sistema Fiems

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ENTREVISTA

C A P I TÃ O C O N TA R DEPUTADO ESTADUAL

“Precisamos estimular a desburocratização fiscal e administrativa para atração de novas indústrias para o Estado”

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streante na política, o deputado estadual Renan Barbosa Contar, mais conhecido como Capitão Contar, cursou a Escola Preparatória de Cadetes para o Exército (EsPCEx), formou-se na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) e é pós-graduado pela

Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO). À frente da Comissão Permanente de Turismo, Indústria e Comércio da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, promete trabalhar para trazer novas indústrias para o Estado, contribuindo para a melhoria da economia e para MS INDUSTRIAL | 2019 • 9


a geração de emprego e renda para a população. Em entrevista exclusiva à MS Industrial, comenta sobre as expectativas e desafios para o mandato e destaca a necessidade de o poder público proporcionar incentivos fiscais e tributários para atração de novos investimentos, bem como estimular a desburocratização fiscal e administrativa e a retomada de reformas em infraestrutura. Quais as expectativas e os principais desafios para o mandato? Eu não fui eleito pela minha experiência política, mas sim pelo desejo de mudança e é isso que norteia o meu mandato. Sou Capitão de carreira do Exército Brasileiro, formado na Academia Militar das Agulhas Negras. O fato de ter sido eleito não significa que o Exército saiu de mim. Sou militar para o resto da vida e continuarei cumprindo meu compromisso de defender a verdade, a soberania nacional e o estrito cumprimento do meu dever. Minhas expectativas são embasadas nas minhas propostas para com o meu Estado e com a população. Quero promover a geração de empregos, o agronegócio, a educação de qualidade, fomentar o turismo e combater a corrupção. E com estes pilares tenho desenvolvido emendas, projetos de leis e analisando todos os demais atos que norteiam o meu voto como parlamentar. Tenho liberdade e autonomia sobre meu voto, fruto do descomprometimento com velhas práticas ou amarras políticas. E esse é um dos desafios da política nacional. Quais serão as principais ações para desenvolver a indústria do Estado? Mato Grosso do Sul tem um potencial econômico maravilhoso. Nossas dimensões territoriais, aliadas à riqueza de nossas terras e abundância em águas, favorecem nossa principal vocação: o agronegócio. Mas não podemos nos esquecer dos setores de comércio e serviços, aí englobando 10 •

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o maravilhoso potencial turístico de Mato Grosso do Sul. No entanto, nosso Estado está afastado dos grandes centros consumidores e produtores de insumos, o que pode inviabilizar a instalação de indústrias que não estejam ligadas diretamente ao agronegócio. Analiso, nesse sentido, a necessidade urgente de o poder público proporcionar incentivos fiscais e tributários para atrair essas indústrias, bem como estimular a desburocratização fiscal e administrativa, a retomada de reformas estruturantes, como estradas, transportes, portos e aeroportos, e a conscientização de que a indústria é uma grande

geradora de empregos e riquezas para o Estado. O senhor apresentou projeto para melhorias das rodovias. Existem outras ações para melhorar a logística de Mato Grosso do Sul? Claro. Temos um potencial de transporte fluvial maravilhoso e terras planas que favorecem a instalação e modernização da malha ferroviária. Temos um porto seco praticamente inexplorado e uma carência imensa de aeroportos e companhias aéreas interessadas em voar no MS. Para isso é preciso políticas

“É urgente que o poder público proporcione incentivos fiscais e tributários para atrair investimentos, estimule a desburocratização fiscal e administrativa e retome reformas estruturantes, além da conscientização de que a indústria é uma grande geradora de empregos e riquezas para o Estado.”

- CAPITÃO CONTAR Deputado Estadual


públicas de incentivo e fomento para o setor. E também cobrar as inacabadas obras estruturantes, como a duplicação de nossas rodovias. Apresentei um projeto de lei, o Voe MS, em parceria com o deputado Joao Henrique, que visa incentivar e atrair novas cias aéreas para operarem em nosso Estado. Além disso, está em fase de implantação o Corredor Bioceânico, que tornará MS um HUB logístico de grande importância para a região, pois fazemos divisa com cinco estados brasileiros e dois Países. Uma oportunidade de escoamento da nossa produção e ligação com o mercado asiático, haja vista que esse corredor nos aproximará do Oceano Pacífico, pelo porto de Antofagasta, no Chile. Outro assunto que o senhor tem demonstrado preocupação é com o turismo. Como fomentar esse setor e explorar as belezas no nosso Estado, saindo do eixo Pantanal-Bonito? Eu diria que temos que atacar esse problema em vários flancos. O primeiro é investimento focado e correto em marketing de turismo, dando maior visibilidade e credibilidade aos turistas brasileiros e estrangeiros: temos que mostrar para o mundo o que é MS, nossas riquezas e oportunidades de destinos. O segundo é viabilizar que o empresário explore o setor: reduzir a carga tributária, fiscal e os encargos trabalhistas que literalmente assassinam qualquer iniciativa em empreender no Brasil. Somos um dos Países mais burocráticos do mundo e difíceis para se abrir uma empresa e se manter no mercado. É necessária menor presença do Estado e maior liberdade econômica. Também é importante melhorar a estrutura logística de transportes (estradas, portos, ferrovias e aeroportos): sem transporte, ninguém chega aqui. O quarto ponto é a capacitação de pessoas e empresas para receber o turista: informações técnicas e históricas, idiomas, segurança, acessibilidade,

etc. Devemos ainda trabalhar a integração entre Países para viabilizar vistos e diplomacias, trazendo para cá oportunidades de negócios, congressos, comércio, instalação de redes hoteleiras, etc. E por fim baratear os preços das passagens aéreas: já parou para pesquisar e analisar quanto custa viajar de avião pelo Brasil? E se multiplicarmos pelo número de pessoas numa mesma família? É praticamente inviável chegar a MS. Um voo de São Paulo para cá não sai por menos de mil reais por pessoa. Imagine saindo em família de qualquer outro local do País. Precisamos trazer as companhias low-cost, a exemplo do que temos em Países europeus e norte-americanos. E elas só virão com incentivos e leis que as permitam operar por aqui. O Brasil tem registrado números bastante altos de desemprego e Mato Grosso do Sul não é diferente. Como melhorar esses números? Quem gera emprego não é o Estado, é a iniciativa privada. Precisamos trazer indústrias para cá. Reduzir o Estado. Fazer a economia girar. Exportar. Tornar viável a instalação de postos de trabalho: construir, modernizar, capacitar e ampliar. Trazer turistas. O papel do Estado é viabilizar isso tudo. Que projetos o senhor pretende apresentar, projetos que favoreçam a criação de empregos? Como respondi anteriormente, quem gera emprego é a inciativa privada. O Estado apenas mantém o Estado funcionando. E o empreendedor só empreenderá se ele tiver o mínimo de retorno financeiro, suficiente para que ele continue empreendendo. Do contrário, ele irá para outro País. O Estado é o maior sócio de cada pessoa e empresário brasileiro (micro, pequeno, médio e grande): a cada insumo comprado, ele leva uma parte. A cada venda realiza-

“Quem gera emprego não é o Estado, é a iniciativa privada. Precisamos trazer indústrias para cá. Reduzir o Estado. Fazer a economia girar. Exportar. Tornar viável a instalação de postos de trabalho.” da, ele leva uma parte. Vai abrir e reconhecer firma no cartório? Lá estará o Estado. A cada trabalhador contratado, o Estado também leva a sua parte: e nesse caso, ele também leva a parte do trabalhador. Mas quando o empresário leva uma multa trabalhista ou prejuízo numa operação, esse sócio não faz questão de participar. Enfim, empreender e gerar empregos no Brasil é um complexo e difícil desafio. Por isso meu respeito e admiração pelos empresários brasileiros. Uma boa solução para esses problemas seria diminuir essa sociedade estatal. E viabilizar o empreendedorismo em nosso País. Meus projetos estarão alinhados e embasados nesse posicionamento. MS INDUSTRIAL | 2019 • 11


FALA, INDÚSTRIA

Consumia em média 2.940 quilowatts por mês, um gasto exorbitante que me incomodava profundamente. Já tinha ouvido falar de energia solar, mas sempre imaginei que fosse necessário um investimento alto e inacessível” CA R L O S TA RGIN O superintende do IEL Após a instalação das placas fotovoltaicas na empresa depois de receber consultoria do Senai Empresa

É muito importante essa sensação de segurança que a gente sente recebendo a vacina antes que as temperaturas comecem a baixar, quando é mais comum que as pessoas fiquem gripadas” H A N N A V IA N A colaboradora do Sistema Fiems Durante a campanha de vacinação do Sesi

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Só em 2018, MS exportou para a China US$ 1,15 bilhão, enquanto para Hong Kong foram exportados US$ 190,61 milhões. São dados significativos e a Fiems tem se organizado no sentido de apoiar empresas que desejam se internacionalizar e buscar o mercado chinês” SÉRGI O L ONGEN presidente da Fiems


Há uma demanda de autoconhecimento e liderança e, com base nesta busca, elaboramos os temas do workshop que ensina a se comportar como um líder.” ROSÂNGEL A RAMOS coordenadora de Desenvolvimento de Carreiras do IEL Sobre o Workshop Training Leaders

Estamos presenciando um momento histórico e conseguindo avançar em uma obra que trará grande desenvolvimento para o nosso Estado, aumentando a competividade dos produtos locais no mercado interno e internacional.” CLÁUDI A VOL PI NI Vice-presidente da Fiems Sobre o avanço nas negociações da obra da Rota Bioceânica

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I N O VA Ç Ã O

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INDÚSTRIA MAIS AVANÇADA Programa do Senai busca introduzir técnicas da Indústria 4.0 em pequenas e médias empresas

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mundo já não é mais o mesmo devido às novas tecnologias frutos da conectividade, eletrônica, computação e inserção gradual da internet em todos os aspectos de nossas vidas. Para as fábricas, essas mudanças tecnológicas criaram condições para a chamada Indústria 4.0, termo cunhado na Alemanha, como alusão a uma possível quarta Revolução Industrial. Essa seria uma sequência à primeira revolução, provocada pelo uso de máquinas a vapor; à segunda, pelo uso de eletricidade, e à terceira, pela automação no processo produtivo. Uma nova geração de sensores,

atuadores e sistemas de supervisão e controle é capaz de coletar, armazenar, processar dados sobre o processo produtivo e permitir a conectividade entre equipamentos e máquinas. As instalações agora são capazes de trocar informações sobre a produção parar tomar decisões de forma autônoma e realizar ações para balanceamento, facilitando assim a supervisão humana e a eficácia das decisões. Com tantas tecnologias disponíveis, é fundamental que as empresas estejam preparadas para essa nova realidade. Por isso, o Senai criou o programa Indústria Mais Avançada, que tem o MS INDUSTRIAL | 2019 • 15


AS SOLUÇÕES OFERTADAS PARA AS INDÚSTRIAS PODEM

Indústria mais informada

objetivo de introduzir técnicas da Manufatura Avançada/Indústria 4.0 em pequenas e médias empresas brasileiras. “Além de proporcionar a implantação de bons sistemas de baixo custo, a consultoria do Indústria Mais Avançada fornece toda a base metodológica para melhoria dos indicadores dos processos produtivos, permitindo um maior controle, melhoria contínua, redução de desperdício e eficiência da produção”, afirma o gerente de gestão em inovação e tecnologia do Senai de Mato Grosso do Sul, Leandro Schneider. PROJETO PILOTO - Em outubro de 2018 uma equipe do Senai Empresa foi treinada para oferecer a consultoria do Indústria Mais Avançada. Como projeto piloto, o programa começou em apenas duas indústrias do Estado, a Macal Nutrição Animal, localizada em Campo Grande, e a Cerâmica Volpini, no município de Terenos. “Em ambas as empresas será implantado o Sistema de Execução de Manufatura (MES), interligado a conjunto de sensores para monitoramento em tempo real dos indicadores de produtividade”, informa o consultor do Senai Empresa, Alonso Simões. Ele explica que ao digitar informações do processo produtivo, as indústrias poderão monitorar em tempo real o indicador OEE 16 •

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(Overall Equipment Effectiveness), que em português significa Eficiência Geral do Equipamento, podendo dentro dos quesitos de Performance, Qualidade e Disponibilidade identificar e agir assertivamente sobre os desperdícios de produção, com objetivo de aumentar sua produtividade. “O sistema MES ainda permitirá um acompanhamento da produção remoto em tempo real, de modo que os gestores poderão saber através de seus smartphones em qualquer lugar quanto foi produzido em cada centro de trabalho, quanto falta a produzir, quantas máquinas estão paradas e quais os motivos que ocasionaram a falha”, completa Alonso Simões. RESULTADOS – O processo de implantação de todo o programa ainda não foi concluído na Macal, mas as tecnologias inseridas dentro do processo de produção já têm apresentado mudanças dentro da indústria. Segundo a engenheira de produção de líder de processos da empresa, Gabriela Lima Ferreira, a maior diferença tem sido no preenchimento de planilhas para parametrizar as paradas das máquinas. “Antes de fazermos parte do programa, o líder da máquina tinha de registrar num papel as paradas dos misturadores, quanto tempo durava a parada e o motivo, mas nem sempre esses dados

Indústria mais integrada

Indústria mais inteligente

eram confiáveis. Além disso, eu era responsável por pegar essas informações e inseri-las numa planilha e, a partir daí, gerar gráficos e conferir e a produtividade, algo que levava muito tempo e era bastante trabalhoso”, recorda Gabriela. Depois de começar a fazer parte do Indústria Mais Avançada e da instalação do novo sistema, é possível ter as mesmas informações de forma mais rápida e precisa. “O operador não precisa mais preencher o papel e ele sim-


SER ESCALONADAS DA SEGUINTE FORMA: Serão instalados sensores em máquinas e equipamentos para coleta de dados sobre a produção. O objetivo é levantar informações detalhadas da operação para controle, qualidade e tomada de decisão;

Os dados coletados serão analisados por meio de sistemas computacionais. O objetivo é otimizar a cadeia de valor, integrando fornecedores e clientes ao processo produtivo;

Serão implementados projetos de inteligência, visando à customização em massa de produtos industriais, por meio de fábricas autogerenciáveis, flexíveis, seguras e eficientes.

plesmente aciona o programa pelo celular, que fica ao lado da máquina, indicando a hora da parada e o motivo. Essas informações são automaticamente direcionadas a um banco de dados que, sozinho, gera um relatório com gráficos e com os indicadores de OEE”, explica a engenheira. Além disso, foi instalado um sensor no misturador para a realização da contagem da produção. “Esse sensor ainda está em fase de testes, mas a ideia é que ele consiga contar em tempo real a

quantidade de sacos na produção, que hoje é feita no estoque por um dos operadores e muitas vezes essa contagem é divergente, então um sistema computadorizado vai facilitar essa atividade”, comenta. A inserção de novas tecnologias sem grandes investimentos na empresa ainda facilitará todo o processo, interferindo no trabalho dos 51 funcionários, já que será possível ter acesso à produção em tempo real, sabendo qual o produto está em fase de produção e quantas unidades de cada produto está devidamente ensacado e pronto para a comercialização. “Pelo celular, qualquer um vai saber o que está acontecendo dentro da fábrica, qual produto está em fase de produção, se as máquinas estão paradas e qual o motivo. Isso vai contribuir com aumento da produtividade, porque o tempo que gastávamos preenchendo as planilhas era grande e agora podemos fazer outras atividades, que muitas vezes ficavam acumuladas. Os sensores também contribuirão com o trabalho da logística, que saberá quantos sacos de cada produto já estão prontos para serem carregados e transportados para os clientes”, conclui Gabriela Ferreira. EXPECTATIVA – Já na Cerâmica Volpini, o Programa Indústria Avançada ainda está bem no início, mas já vem geran-

do grandes expectativas entre os gestores e a equipe de colaboradores. Para a técnica de cerâmica Clarissa Zottos Volpini, que acompanha a implantação das novas tecnologias propostas pelo Senai, o grande objetivo é aumentar a produtividade da empresa e, assim, se tornar mais competitiva. “Nós ainda estamos na fase de aquisição dos produtos, mas saber que por meio de sensores teremos acesso à produção, com informações sobre quantidade de tijolos produzidos, velocidade da produção e quantidade de peças defeituosas acessando o celular vai trazer um controle maior. Isso sem falar que poderemos monitorar melhor as paradas das máquinas e equipamentos, podendo melhorar sua disponibilidade”, explica. Para ela, é fundamental que as empresas se atualizem com relação às novas tecnologias e busquem sempre inovar. “Eu fiquei muito feliz em fazermos parte desse programa do Senai porque acredito que hoje, com a evolução tecnológica, precisamos estar atentos para não perder espaço no mercado. Indústria 4.0 é um assunto extremamente atual e quem não buscar se adequar a essa nova realidade vai ficar para trás. Estou confiante de que essas alterações que estamos fazendo na empresa vão trazer excelentes resultados”, finalizou. MS INDUSTRIAL | 2019 • 17


FIEMS

PROJEÇÕES POSITIVAS 18 •

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Nova diretoria é empossada com missão de ajudar a desenvolver o Estado e colaborar com a economia nacional

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om a prioridade de criar novas oportunidades de investimentos para Mato Grosso do Sul, a Fiems empossou a nova diretoria para o quadriênio 2019/2023 e, de acordo com o presidente Sérgio Longen, reconduzido a mais um mandato à frente da entidade que representa a indústria do Estado, o momento pede resiliência, diálogo e trabalho para ajudar a

desenvolver o Estado. “De uma forma geral, a mensagem para esses próximos quatro anos é um pedido de resistência e resiliência para tudo aquilo que nos espera, que sejamos fortes e tenhamos fé em Deus. Com o trabalho vamos conseguir ajudar ainda mais o desenvolvimento de nosso Estado e colaborar com a nossa parte na economia nacional”, afirmou Sérgio Longen.

Ele ressaltou que apesar das dificuldades, ao longo desses 11 anos, a indústria de Mato Grosso do Sul gerou emprego, renda e oportunidades e o Sistema Fiems, por meio do Sesi, Senai e IEL, contribuiu para esse bom desempenho. “Nós fizemos muito pelo setor, oferecendo serviços na área da educação básica e profissional, bem como nas áreas de inovação e tecnologia. Nós acreditamos MS INDUSTRIAL | 2019 • 19


EX-DIRETORES SÃO HOMENAGEADOS POR CONTRIBUIÇÃO COM DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA DE MS

que na transformação da sociedade pela educação e pelo emprego, mas quero ressaltar que o empresário precisa de condições para produzir”, ressaltou, lamentando a confusão política em nível nacional. PROJEÇÕES – Ainda durante a cerimônia de posse, Sérgio Longen destacou que, na contramão do setor no resto do Brasil, em Mato Grosso do Sul a indústria vai bem e isso graças ao diálogo permanente com o Governo do Estado e com a Assembleia Legislativa. Por isso, de acordo com ele, é possível fazer uma projeção otimista nos indicadores econômicos industriais para os próximos quatro anos no Estado. No caso do PIB Industrial, conforme o levantamento produzido pelo Radar Industrial da Fiems, a projeção é de que em 2019 o setor feche em R$ 22 bilhões, subindo para R$ 23,4 bilhões em 2020, R$ 24,8 bilhões em 2021, R$ 26,4 bilhões em 2022 e, finalmente, atinja R$ 28,2 bilhões em 2023, ou seja, um crescimento de 28,18% no período de quatro anos. Já as exportações de industrializados devem encerrar 2019 na casa dos US$ 3,85 bilhões, enquanto em 2020 chegará a US$ 3,93 bilhões, em 2021 a US$ 4,05 bilhões, em 2022 a US$ 4,16 bilhões e, em 2023, a US$ 4,27 bilhões, o que representa uma elevação de 11% 20 •

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Ainda durante a solenidade de posse, o presidente Sérgio Longen aproveitou para homenagear oito ex-diretores do Sistema Fiems pelos serviços prestados durante a última gestão e por terem contribuído com o desenvolvimento da indústria do Estado. Os homenageados foram Sidnei Pitteri Camacho, Kleber Luiz Recalde, Osvaldo Fleitas Centurion, Juarez Falcão Alves, Irineu Milanesi, Sandro Luiz Mendonça, José Paulo Rímoli, José Aguilar Monteiro, que receberam a Comenda do Mérito da Indústria.

no período avaliado. No caso do número de estabelecimentos industriais, a projeção é que feche 2019 em 6.110, suba para 6.200 em 2020, para 6.265 em 2021, para 6.335 em 2022 e para 6.400 em 2023, tendo um crescimento de 4,75% nos próximos quatro anos. Com relação à quantidade de trabalhadores da indústria, a projeção para este ano é que fique em 122 mil, subindo para 112.915 em 2020, para 123.837 em 2021, para 124.766 em 2022 e para 125.701 em 2023, representando uma elevação de 3,03% no período. PARCEIROS - Presentes à solenidade de posse, o governador Reinaldo Azambuja, o presidente da Assembleia Legislativa, Paulo Corrêa, os secretários estaduais Eduardo Riedel (Governo e Gestão Estratégica) e Jaime Verruck (Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar) e demais representantes do setor produtivo elogiaram o trabalho da Fiems, sob o comando do presidente Sérgio Longen, em ações importantes para o Estado. O governador Reinaldo Azambuja declarou apoiar e reconhecer o trabalho desenvolvido pela Federação das Indústrias. “Já se passaram quatro anos e cinco meses de parceria e apoio mútuo, que terão continuidade

O presidente da Fiems, Sérgio Longen, reconduzido ao cargo para o quadriênio 2019-2023

ao longo deste nosso segundo mandato. É incontestável que as oportunidades de crescimento do nosso País estão dentro do setor empresarial. Em 2019, teremos o desafio de juntos encontrarmos um caminho para crescer com equilíbrio”, considerou. Para o presidente da Assembleia Legislativa, Paulo Corrêa, que por diversos mandatos esteve à frente da Comissão de Turismo, Indústria e Comércio, a Fiems é formuladora de propostas, e esta é uma percepção da Assembleia Legislativa, que conta com o apoio da Federação para entender e acompanhar as demandas do setor. “Grandes ideias


Para o empresário Juarez Falcão, receber a homenagem foi uma grande surpresa. “Não esperava e fiquei muito emocionado, principalmente porque durante a solenidade houve uma retrospectiva das ações dos últimos anos, das quais eu também participei, então realmente é um momento de muita alegria. Deixo a diretoria da Fiems com o sentimento de dever cumprido, mas deixo apenas a diretoria, essa Federação continua no meu coração e sempre estarei disposto a ajudála no que for preciso”, declarou.

para o nosso Estado surgiram em discussões iniciadas pela Fiems, como a CPI na Enersul, da qual fui presidente, o fim do horário de verão e a revisão das taxas cartorárias”, exemplificou. Na mesma linha, o secretário Eduardo Riedel ressaltou o papel da Federação da Indústria em muito mais do que defender uma categoria ou discutir especificamente o que é bom para o setor, formular e trazer grandes ideias e sugestões que colocam lado a lado o governo e o setor produtivo na busca por soluções para Mato Grosso do Sul. “Tenho certeza de que nos próximos quatros anos o Sérgio e os demais diretores vão

Kleber Recalde também considerou a restrospectiva dos trabalhos realizados pela diretoria da Fiems como uma viagem no tempo. “Foi um momento de fazer uma reflexão sobre as conquistas, desafios e superações e mesmo nos momentos difíceis, sempre temos aqui um ombro amigo para te ajudar e te restabelecer para voltar ao mercado, sempre com o foco no sucesso do Sistema S e com o objetivo de fazer com que a indústria do nosso Estado seja cada vez mais competitiva”, disse.

continuar nessa pegada, ainda mais num momento em que o Brasil vive, de tantas dificuldades e desafios que a gente vai ter pela frente e mais do que nunca temos de acelerar fundo no trabalho de tornar o setor produtivo cada vez mais competitivo”, disse. Na avaliação do secretário Jaime Verruck, o País vive uma nova diretriz e, nesse contexto, os desafios da nova diretoria da Fiems são grandes e diferentes. “Acredito que a diretoria empossada, sob a liderança do Sérgio Longen, com a maturidade que ele demonstra na condução e, principalmente, a audácia que ele tem apresentado, mostra que é um grupo que vem para desafiar a crise e mostrar que o Sistema Sesi, Senai e IEL tem como ajudar a sociedade e com certeza será um grande fator para conseguirmos melhorar a performance da economia do Estado”, salientou. SETOR PRODUTIVO – Para o presidente da Famasul, Mauricio Saito, Mato Grosso do Sul tem se destacado em diversos aspectos em relação aos demais Estados porque há uma união bastante significativa das entidades do setor produtivo em prol do desenvolvimento regional. “Trabalhamos em conjunto para geração de empregos e elaboração de uma pauta comum que traz unidade e força a estas enti-

Ele ainda reforçou que fazer parte da diretoria da Fiems foi uma uma experiência transformadora. “A gente se sente parte de uma grande família. Tive um amadurecimento pessoal e profissional muito grande, ao mesmo tempo em que a indústria e o Sistema S amadureceram junto com a gente também. Não tenho dúvidas de que vou sentir saudades, mas será uma saudade muito boa, com a certeza de que estaremos sempre juntos e do sucesso dessa nova diretoria”, finalizou.

dades. Parabenizo, acima de tudo, o grande trabalho que o Sérgio Longen vem desenvolvendo à frente da Fiems, e que impulsiona nossas ações conjuntas e dá fôlego ao setor”, afirmou. O presidente da Faems, Alfredo Zamlutti, também ressaltou que o trabalho uníssono do setor produtivo de Mato Grosso do Sul é inédito em qualquer outro Estado. “Por isso aqui somos mais fortes, e damos voz ao empresariado, ao produtor rural, à indústria. E o Sérgio está à frente disso tudo. A Fiems desenvolveu e coordenou grandes ações que propiciaram o desenvolvimento do nosso Estado e que, se não fosse pelo trabalho do Sérgio, hoje não existiria”, comentou. Representando a FecomércioMS, Adilson Puertes destacou o balanço das ações dos últimos anos apresentado por Longen frente à Fiems como um incentivo ao comércio e também a outras federações do Estado. “A Fiems trouxe esse despertar do pensar diferente e tem dado a outras federações ânimo e uma busca por inovação na forma de conduzirmos o comércio e o agronegócio. Desejo que essa equipe formada consiga fazer um destaque de Mato Grosso do Sul para conseguirmos sair desse estado de paralisação que estamos vivendo”, finalizou.

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GIRO DA INDÚSTRIA

BO L A D E NT R O Em 2017, a Fiems cantou a bola sobre os altos custos cobrados pelos serviços dos cartórios de Mato Grosso do Sul. A discussão conquistou o apoio de outras federações do setor produtivo, como a Fecomércio, Famasul e Faems, além de sindicatos e associações, e resultou em uma proposta que não só prevê a redução das taxas cartorárias, mas também alternativas viáveis para garantir a sustentabilidade dos cartórios dos pequenos municípios que, descobriu-se, capengam para conseguir pagar despesas como a conta de luz.

V I T Ó R I A D O S E TOR P ROD U TI VO Parecia que não ia decolar, mas a análise da proposta do setor produtivo, agora conduzida pelo novo corregedor-geral do Tribunal de Justiça, desembargador Sérgio Martins, empossado em janeiro deste ano, está seguindo adiante. O magistrado anunciou ter elaborado um cronograma para elaborar um anteprojeto de lei que tratará da reestruturação dos cartórios e que, segundo ele, estará nas mãos dos deputados estaduais até outubro.

SA I U DO PA PE L Outro apelo antigo do setor produtivo do Estado, e que deu mais um passo para sair do papel, é o Corredor Bioceânico. Técnicos do governo federal estiveram em Campo Grande para atestar a viabilidade da rota o que, na prática, facilita a contratação de empréstimos em bancos estatais pelo Governo do Estado para construção da obra.

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R O TA A obra da ponte – a ser construída sobre o Rio Paraguai, entre o município de Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, e Carmelo Peralta, no Paraguai – será financiada pela Itaipu Paraguai. No momento, o Governo do Estado negocia a liberação de recursos do governo federal para construção do anel viário que ligará a ponte com a rodovia BR267.

R E G UL A R I Z A Ç Ã O D E D Í VI DA S Construído com apoio da Fiems, o Fadefe, programa de incentivos fiscais do Governo do Estado, abriu prazo para as empresas que estão em débito com o fisco estadual se regularizarem. As pendências podem ser pagas em parcela única ou em até seis vezes. O prazo para quitar a dívida ou fazer o pagamento da primeira parcela é 28 de junho, e a solicitação para aderir ao novo prazo deve ser feita por meio do Portal ICMS Transparente, direto no Sistema de Abertura de Protocolo (SAP).

P OTE NC I A L A Fiems, que foi convidada a participar da reunião de apresentação do estudo de viabilidade econômica da Rota Bioceânica, já calculou: o trajeto tem potencial para movimentar US$ 1,5 bilhão por ano em exportações de carnes, açúcar, farelo de soja e couros para os outros Países por onde o corredor passará e também ao mercado asiático.

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TAXAS CARTORÁRIAS MENORES Setor produtivo propõe renda mínima para pequenos cartórios continuarem atuando no interior de MS

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A

Fiems, em conjunto com Famasul, Fecomércio, Creci, Secovi e Sindimóveis, propôs a criação de um Programa de Garantia de Renda Mínima para os pequenos cartórios do Estado, além de mecanismos para suprir os 27 serviços vagos e a redução da tabela de valores dos emolumentos utilizada atualmente. A proposta foi apresentada em audiência pública realizada pela Corregedoria-Geral de Justiça do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) no plenário do Tribunal Pleno para revisar a tabela atual dos cartórios. O advogado Carlos dos Santos Pereira, que apresentou e elaborou o levantamento que embasou a proposta do setor produtivo, mostrou que, conforme dados do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), do faturamento total dos 173 cartórios do Estado em 2018 (R$ 250 milhões), apenas 9% deles faturou entre R$ 300 mil e R$ 1 milhão por mês, enquanto 80 cartórios faturaram apenas R$ 27,5 mil, menos de 11% do montante total. “Estamos discutindo esta questão desde 2017 e chegamos à conclusão de que a sociedade e os pequenos cartórios se encontram em uma situação desfavorável”, declarou o presidente da Fiems, Sérgio Longen. Ele completa que o setor produtivo deixa claro o descontentamento com o desequilíbrio das custas cartorárias, que, quando comparadas às dos Estados vizinhos, está muito longe da realidade. “E, ao mesmo tempo, é fácil perceber que os grandes cartórios ganham muito, enquanto os pequenos não conseguem se sustentar”, comentou. Longen afirma que, além de uma renda mínima, a intenção do setor produtivo é que também seja ampliado o número de cartórios para atender à população de todas as cidades, mantendo os serviços nas pequenas cidades e garantindo a distribuição de renda entre os cartorários. “O dono do cartório é um servidor

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público, então não entendemos porque há uma diferença de ganhos tão discrepante entre um e outro”, acrescentou. O advogado Carlos dos Santos Pereira destaca que, atualmente, dos 173 cartórios do Estado, 27 encontram-se sob intervenção por serem financeiramente inviáveis e, com a implantação do Renda Mínima, 80 cartórios, inclusive esses 27, seriam beneficiados. “Os cartórios localizados nos pequenos municípios não conseguiram se manter, prejudicando a população, que precisa buscar a cidade mais próxima ou aguardar pela presença do interventor para usar o serviço.

Não temos dúvidas de que, com a vigência do programa, esses cartórios conseguirão se reerguer e se manter sustentáveis”, avaliou. MOBILIZAÇÃO - A discussão em torno da necessidade de mudanças na tabela de emolumentos utilizada pelos cartórios do Estado teve início em fevereiro de 2017, quando a Fiems conduziu, no Edifício Casa da Indústria, reunião com outras entidades do setor produtivo – Famasul, Fecomércio, Sebrae/MS, Secovi/MS, Sinduscon e IAB/MS – a fim de propor a revisão dos valores. A questão envolveu inúmeros encontros posteriores com repre-

O advogado Carlos dos Santos Pereira representou o setor produtivo


sentantes do Ministério Público e Assembleia Legislativa, entre outras entidades, para expor a necessidade de mudanças na tabela. Necessariamente, as mudanças na Lei Estadual nº 3.003 precisam ser aprovadas pela Assembleia Legislativa, por meio de projeto de lei. Proposição neste sentido chegou a ser encaminha pelo Tribunal de Justiça à Casa de Leis em dezembro de 2017, mas, diante do pedido para que as mudanças continuassem a ser discutidas, o texto foi arquivado em novembro do ano passado. REPERCUSSÃO - Após ouvir todas as propostas durante a audiência pública, o corregedor-geral de Justiça do TJMS, desembargador Sérgio Martins, afirmou que as sugestões serão levadas em conta no momento de elaborar um anteprojeto de alteração da Lei Estadual nº 3.003, que trata dos emolumentos e serviços prestados pelos cartórios. “Nosso objetivo era chegar a um consenso mínimo entre as entidades aqui representadas para chegarmos a um projeto exequível, sobretudo à população, que vem ficando com menor poder aquisitivo”, declarou, emendando que a Corregedoria-Geral de Justiça do TJMS também está fazendo inspeções nos cartórios do interior e é sensível à situação de inviabilidade financeiras que muitos deles vêm enfrentando. Sérgio Martins afirma que, após tramitação interna no TJMS, a previsão é de que um projeto de lei seja apresentado à Assembleia Legislativa em meados de setembro ou outubro deste ano. O presidente da Casa de Leis, deputado estadual Paulo Corrêa, também participou da audiência e declarou que os parlamentares irão dar celeridade à aprovação do projeto. “Entendo que o projeto encaminhado pelo Tribunal de Justiça à Assembleia atende às demandas de toda a sociedade, e estamos certos de que isso irá acontecer, não haverá impedimentos”, atestou.

Corregedor-geral do TJMS recebe proposta das entidades

FIEMS ENTREGA PROPOSTA DO SETOR PRODUTIVO À CORREGEDORIA-GERAL DO TJMS Após audiência pública em que o setor produtivo apresentou a proposta de redução das taxas cartorárias, o presidente da Fiems, Sérgio Longen, entregou ao corregedor-geral do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), desembargador Sérgio Martins, que conduz a revisão dos emolumentos, o documento elaborado em conjunto com a Famasul, Fecomércio, Creci, Secovi e Sindimóveis. As entidades detalharam a proposta ao corregedor, que além dos custos menores à população, inclui a criação de um Programa de Garantia de Renda Mínima para os pequenos cartórios do Estado e mecanismos para suprir os serviços atualmente vagos. Para o presidente Sérgio Longen, trata-se de mais uma vitória do setor produtivo poder participar da discussão que vai resultar na revisão das taxas cartorárias. “Estar à mesa discutindo essa proposta que o setor produtivo vem debatendo desde 2017 é uma grande conquista para nós porque significa que o nosso trabalho rendeu frutos.

Saímos daqui com a certeza de que a proposta que elaboramos e hoje apresentamos será analisada”, considerou Longen, destacando, ainda, a abertura que o desembargador Sérgio Martins, empossado corregedor-geral do TJMS em janeiro deste ano, deu ao setor produtivo. “Ficamos bastante satisfeitos porque hoje, com muita clareza, o doutor Sérgio Martins abriu as portas para ouvir nossas sugestões, e o projeto está evoluindo da forma como esperávamos”, completou o presidente da Fiems. Na reunião, o corregedor-geral afirmou ter estabelecido um cronograma para elaboração do projeto de revisão das taxas e, após a audiência pública sobre o tema realizada pelo TJ no dia 9 de maio, teve início uma etapa de reuniões com representantes de órgãos que serão impactados pelas mudanças, como o Ministério Público, Defensoria Pública, Anoreg (Associação dos Notários e Registradores), entre outros.

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Em 11 anos, de 2007 a 2018, a receita com as exportações de industrializados do Estado saltou de US$ 823,46 milhões para US$ 3,63 bilhões

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A CAPA

s exportações de produtos industrializados de Mato Grosso do Sul apresentaram um verdadeiro “boom” de crescimento nos últimos 11 anos, conforme levantamento realizado pelo Radar Industrial da Fiems. No período de 2007 a 2018, a receita das vendas das mercadorias industrializas sulmato-grossenses para o mercado externo saltou de US$ 823,46 milhões para US$ 3,63 bilhões, um incremento de 341%. No entanto, o fato de a receita ter mais do que quadruplicado nesse intervalo de tempo tem uma explicação: o avanço da industrialização no Estado. Para se ter uma ideia, nos últimos 11 anos, as indústrias sul-mato-grossenses apresentaram crescimento de 68% no número de estabelecimentos, que saíram de 3.606 em 2007 para 6.050 em 2018, enquanto o PIB Industrial (Produto Interno Bruto da Indústria) apresentou um aumento

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de 384%, saltando de R$ 4,3 bilhões para R$ 20,7 bilhões. E, claramente, o reflexo desses indicadores industriais extremamente positivos pode ser visto na receita das exportações de industrializados por Mato Grosso do Sul. Além disso, a partir de 2009, a pauta de exportação de produtos industriais do Estado ganhou um produto: a celulose. Em março de 2009, a Fibria, atual Suzano, foi pioneira em desenvolver a indústria de celulose no município de Três Lagoas (MS). A unidade da empresa foi inaugurada com capacidade para produzir 1,3 milhão de toneladas de celulose por ano. Três anos depois, em 2012, a Eldorado Brasil Celulose iniciou a operação da sua primeira fábrica, com capacidade de produzir 1,5 milhão de toneladas por ano de celulose. Passados cinco anos, em 2017, a Fibria iniciou a operação da sua nova linha de produção de celulose

US$ 823,46 milhões Receita de exportação das mercadorias industrializadas sul-mato-grossenses.

3.606 Número de estabelecimentos industriais

R$ 4,3 bilhões PIB Industrial


2018

US$ 3,63 bilhões Receita de exportação das mercadorias industrializadas sul-mato-grossenses.

6.050 Número de estabelecimentos industriais

R$ 20,7 bilhões PIB Industrial

em sua fábrica de Três Lagoas, que elevou a capacidade da companhia em 1,95 milhão de toneladas por ano, totalizando 3,25 milhões de toneladas por ano. Com a operação das fábricas da Suzano e Eldorado, Três Lagoas passou a ser conhecida como a “Capital Mundial da Celulose”. NOVO BINÔMIO – Se antes Mato Grosso do Sul era conhecido como a terra do boi e da soja, agora passou a ser reconhecido como o Estado do eucalipto e da celulose. Isso ficou bem claro em 2018, quando a receita obtida com as exportações de produtos industrializados de Mato Grosso do Sul superou a projeção feita pelo setor, que era encerrar o ano próximo dos US$ 3,08 bilhões, e alcançou um montante de US$ 3,63 bilhões, um crescimento de 19% em relação a 2017, quando atingiu US$ 3,05 bilhões, conforme levantamento do Radar Industrial da Fiems. Em dezembro de 2018, a receita com a exportação de produtos industriais alcançou US$ 283,2 milhões, aumento nominal de 2% em relação ao mesmo mês de 2017, quando o valor foi de US$ 277,2 milhões. No ano, com o montante de US$ 3,63 bilhões, a indústria respondeu por 64% de toda a receita de exportação de Mato

Grosso do Sul, conforme destacou o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems, Ezequiel Resende. Os principais destaques ficaram por conta dos grupos “Celulose e Papel”, “Complexo Frigorífico”, “Extrativo Mineral”, “Óleos Vegetais”, “Açúcar e Etanol” e “Couros e Peles”, que, somados, representaram 98,0% da receita total das vendas sul-mato-grossenses de produtos industriais ao exterior. No grupo “Celulose e Papel”, por exemplo, as exportações somaram US$ 1,94 bilhão, um aumento de 79% em relação ao ano de 2017. Do US$ 1,94 bilhão, 97,4% foram obtidos apenas com a venda da celulose (US$ 1,89 bilhão), tendo como principais compradores China, com US$ 1,06 bilhão, Itália, com US$ 212,8 milhões, Holanda, com US$ 174,8 milhões, Estados Unidos, com US$ 123 milhões, e Coreia do Sul, com US$ 50,2 milhões. “Em 2018, apesar da pressão dos clientes, os preços de celulose continuaram em níveis elevados em relação a 2017, embora perto da estabilidade, como esperado. A demanda, por outro lado, permaneceu forte ao longo do ano. No segmento de papel, o cenário foi ainda melhor. A demanda e os preços internacionais mantiveram a tendência de alta, abrindo es-

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CAPA paço para incremento de preços no mercado doméstico, respondendo as melhores perspectivas para a economia brasileira”, analisa Ezequiel Resende.

NO TOPO DO RANKING Mato Grosso do Sul exportou 1/4 de toda a celulose de fibra curta exportada pelo Brasil neste ano Dados do Ministério da Economia apontam que, no primeiro quadrimestre de 2019, o Brasil exportou 5,145 milhões de toneladas de celulose de fibra curta e, desse total, 28,07%, mais de 1/4, o equivalente a 1,444 milhão de toneladas, foi produzida em Mato Grosso do Sul. Com isso, o Estado é o maior exportador em volume do produto no País, porém, em receita, é ultrapassado pelo Rio Grande do Sul, que embarcou 1,037 milhão de toneladas, 28,2% menos, mas faturou US$ 701,204 milhões, 0,65%, a mais que os US$ 696,713 milhões obtidos pelas empresas sul-matogrossenses. Além de liderar as vendas no mercado internacional, Mato Grosso do Sul também registrou um crescimento superior à média do Brasil na exportação da celulose de fibra curta, tanto na receita quanto no volume, na comparação do acumulado de janeiro a abril de 2019 com o mesmo intervalo de tempo de 2018. O Brasil contabilizou incremento de 10,36% no faturamento, de US$ 2,603 bilhões para US$ 2,873 bilhões, e de 2,54% na quantidade, de 5,017 milhões de toneladas para 5,145 milhões de toneladas.

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Já Mato Grosso do Sul registrou aumento de 10,91% no volume embarcado, de 1,302 milhão de toneladas para 1,444 milhão de toneladas e de 24,33% na receita, que aumentou em US$ 136,379 milhões, passando, na mesma comparação, de US$ 560,334 milhões para US$ 696,713 milhões. O produto foi embarcado pelas empresas do Estado neste primeiro quadrimestre do ano para 29 destinos, entre Países da Ásia, América do Norte, Europa, América do Sul, Oriente Médio, África e Oceania. O grande comprador da celulose sul-mato-grossense, assim como principal parceiro comercial do próprio Estado, é a China, que adquiriu 841,486 mil toneladas do produto, o equivalente a 58,25% de toda a exportação de Mato Grosso do Sul, o que resultou em um faturamento de US$ 393,772 milhões, 56,51% do total. A celulose também liderou o ranking de receita com exportações de Mato Grosso do Sul, já que, sozinha, respondeu no acumulado de janeiro a abril, por 42,65% de todo o faturamento do Estado com as vendas internacionais, que chegou a US$ 1,633 bilhão.

OUTROS GRUPOS - Já no grupo “Complexo Frigorífico” a receita conseguida na soma de janeiro a dezembro de 2018 foi de US$ 918,5 milhões, uma redução de 3% em relação ao mesmo período do ano passado, sendo que 36,8% do total alcançado são oriundos das carnes desossadas de bovinos congeladas, que totalizaram US$ 338,4 milhões, tendo como principais compradores Hong Kong, com US$ 185 milhões, Chile, com US$ 146,6 milhões, China, com US$ 65,7 milhões, Emirados Árabes Unidos,

Desempenho das Exportações de Industrializados de Mato Grosso do Sul 2007 a 2018


com US$ 62 milhões, e Arábia Saudita, com US$ 56,1 milhões. “Mesmo com as operações deflagradas pela Polícia Federal, escândalos em grandes grupos frigoríficos e embargos à exportação de carne em Mato Grosso do Sul, o Estado conseguiu fechar 2018 com crescimento de 6,6% em receita gerada pela comercialização de carne bovina ao mercado estrangeiro. Foram movimentados US$ 546 milhões no ano passado, diante de US$ 512 milhões do ano anterior. Em reais, o valor supera os R$ 2 bilhões”, ressaltou o economista. O grupo “Extrativo Mineral” acumulou uma receita de US$ 236,5 milhões no período analisado, aumento de 10% comparado com a somatória de janeiro a

dezembro do ano passado, sendo que 82,5% desse montante foi alcançado pelos minérios de ferro e seus concentrados, que somaram US$ 144,4 milhões, tendo como principais compradores Argentina, com US$ 139,3 milhões, e Uruguai, com US$ 90,3 milhões. “As exportações de minério de ferro do Brasil cresceram 25,4% em 2018 ante o ano anterior, mostraram dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). No ano passado, as vendas externas do minério do Brasil atingiram 394,24 milhões de toneladas, ante 314,37 milhões de toneladas em 2017. A Vale, maior exportadora de minério de ferro do mundo e responsável por grande parte das vendas externas da commodity do Brasil, previu produzir 390

milhões de toneladas em 2018, o que seria um aumento de cerca de 6,5% ante 2017. Praticamente toda a produção da Vale é exportada”, detalha o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems. Para o grupo “Óleos Vegetais”, a receita alcançou US$ 193,5 milhões nos 12 meses do ano passado, um crescimento de 73% na comparação com o mesmo período de 2017, com destaque para farinhas e pellets, que somaram US$ 138,3 milhões, tendo como principais compradores Tailândia, com US$ 60,5 milhões, Coreia do Sul, com US$ 26,7 milhões, Indonésia, com US$ 26,1 milhões, Vietnã, com US$ 22,8 milhões, e Holanda, com US$ 11 milhões. “Apesar do início tardio do

Exportação de produtos industriais (US$ bilhões)

VARIAÇÃO NOMINAL 2018 / 2007

341%

Fonte: RAIS / CAGED - Ministério da Economia, ComexStat MDIC, IBGE / Semagro. Estimativas: SFIEMS (Cor verde)

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CAPA

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PARCEIRO COMERCIAL Em evento do LIDE, presidente da Fiems reforça importância das exportações de industrializados de MS para o mercado asiático Ao participar do debate BrasilChina, realizado pelo LIDE/MS (Grupo de Líderes Empresariais de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande (MS), o presidente da Fiems, Sérgio Longen, reforçou a importância da China como principal parceiro comercial do Estado, respondendo por 37,2% das exportações de produtos industrializados sul-mato-grossenses. “A China é o principal importador de produtos industriais de Mato Grosso do Sul e entendemos que a ampliação dos nossos negócios com os chineses passará por esse evento. Nossos principais produtos exportados são papel e celulose, carnes, couros e peles e açúcar e esses segmentos já estão devidamente organizados para essas negociações, mas precisamos ampliar esse mercado”, afirmou Sérgio Longen. Para o presidente da Fiems, eventos como o promovido pelo LIDE proporcionam oportunidades para o segmento industrial. “Só em 2018, Mato Grosso do Sul exportou para a China US$ 1,15 bilhão, enquanto para Hong Kong foram exportados US$ 190,61 milhões. Até abril de 2019, os chineses já respondem por 39,6% da receita total das exportações de produtos industriais de Mato

Grosso do Sul. Esses números mostram que precisamos criar o hábito de exportar para a China e a Fiems tem procurado se organizar no sentido de apoiar as empresas que desejam se internacionalizar e buscar o mercado chinês”, completou. O ministro da Embaixada da República Popular da China no Brasil, Song Yang, ressaltou que nos últimos 10 anos o seu País tem sido o principal parceiro comercial e um dos maiores investidores no Brasil. “Nós torcemos muito para a retomada do crescimento econômico do Brasil e para o desenvolvimento social. Temos interesse em investir aqui em áreas como infraestrutura, energia, telecomunicações, agronegócio e ciência e tecnologia”, destacou. Ainda conforme Song Yang, o debate promovido pelo LIDE é uma oportunidade de estreitar as relações entre os dois Países. “Avalio esse evento como uma parceria ‘ganhaganha’, muito proveitoso para aprofundar nossa parceira estratégica global em benefício do povo brasileiro e sul-matogrossense e do enriquecimento do mercado chinês. Então este evento é uma oportunidade de reunir autoridades, empresários brasileiros e chineses

e bancos chineses para descobrirmos novos projetos e novos planos para o futuro”, acrescentou. Para o presidente do LIDE em Mato Grosso do Sul, Carlos Melke Filho, o Estado tem um enorme potencial produtivo, capaz de satisfazer demandas de parceiros comerciais como a China em diversas áreas. “Precisamos criar essa integração entre o nosso Estado e a China e é muito importante termos aqui no evento a presença da Fiems. Hoje já temos muitas exportações de produtos industriais e precisamos ampliar esse leque. Há muita coisa que podemos fomentar ainda”, salientou. Na mesma linha, o secretário estadual de Governo e Gestão Estratégica, Eduardo Riedel, o encontro reuniu representantes de diversas cadeias produtivas de Mato Grosso do Sul, proporcionando a aproximação desses setores com o mercado chinês. “Temos como prioridade a relação com o governo chinês e empresas com potencial de investimentos aqui no nosso Estado. Além disso, temos uma produção de alimentos muito eficiente, seguida por agroindústria igualmente eficiente e plenamente capaz de atender a China e os Países asiáticos”, concluiu.

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CAPA semeio, a temporada 2017/18 de soja registrou produção superior à anterior. Ainda assim, de acordo com informações do CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da ESALQ/ USP, os preços se sustentaram ao longo de 2018, influenciados pelo intenso ritmo das exportações da oleaginosa e dos derivados. As vendas externas, por sua vez, foram favorecidas pela disputa comercial entre os Estados Unidos e a China. Os embarques de farelo de soja foram recordes em 2018, totalizando 16,89 milhões de toneladas, 19,2% acima do volume do ano anterior, de acordo com a Secex. A receita obtida pelas vendas externas do farelo de soja foi de US$ 6,7 milhões, 34,9% superior à de 2017”, pontua Ezequiel Resende. MELHOR PERFORMANCE EM 5 ANOS – Porém, os “anos dourados” das exportações de industrializados de Mato Grosso do Sul não param em 2018, já que, neste início de 2019, os dados continuam positivos. A receita obtida com as exportações de produtos industrializados de Mato Grosso do Sul apresentou a melhor performance para o período de janeiro a abril dos últimos cinco anos ao alcançar US$ 1,23 bilhão nos quatro primeiros meses deste ano, conforme levantamento do Radar Industrial da Fiems. Em 2015, conforme o Radar da Fiems, o setor obteve receita de US$ 936,8 milhões no intervalo de janeiro a abril e, de lá para cá, esse montante só tinha sido superado no ano passado, quando somou US$ 1,11 bilhão no 1º quadrimestre de 2018. De acordo com o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems, a exportação de celulose continua sendo a grande responsável por essa performance extraordinária. “Quando esse produto industrial entrou na pauta de exportações do Estado, a receita tem crescido ano após ano e já é superior ao do complexo frigorífico, que dominava a balança comercial sul-mato-grossense”, analisa. Ezequiel Resende destaca que, em abril, a receita com a exportação de produtos industriais alcançou US$ 281,2 milhões, au36 •

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mento de 3% em relação ao mesmo mês de 2018, quando o valor ficou em US$ 273,9 milhões. “Já no acumulado de janeiro a abril de 2019 a receita total alcançou US$ 1,213 bilhão, indicando aumento de 8% em relação ao mesmo período de 2018, quando o resultado ficou em US$ 1,118 bilhão. Quanto à participação relativa, no mês, a indústria respondeu por 68% de toda a receita de exportação de Mato Grosso do Sul e, no acumulado do ano, a participação está em 74%”, informa. No período de janeiro a abril deste ano, os grupos de maior destaque nas exportações de produtos industriais de Mato Grosso do Sul são “Celulose e Papel”, “Complexo Frigorífico”, “Óleos Vegetais”, “Extrativo Mineral” e “Couros e Peles”, que, somados representaram 97,5% da receita total das vendas sul-mato-grossenses de industrializados ao exterior. O grupo “Celulose e Papel” registrou nos primeiros quatro meses deste ano receita de US$ 710,61 milhões, um aumento de 24%, que foram obtidos quase que na totalidade com a venda da celulose (US$ 696,71 milhões), tendo como principais compradores China, com US$ 393,97 milhões, Estados Unidos, com US$ 102,7 milhões, Itália, com US$ 63,3 milhões, Holanda, com US$ 54,8 milhões, e Espanha, com US$ 13,7 milhões. “A celulose manteve-se como principal produto vendido pelo Estado no mercado internacional nos quatro primeiros meses de 2019. O produto registrou um incremento no faturamento na comparação com a mesma parcial de 2018, de 24,33%, passando de US$ 560,334 milhões para US$ 696,713 milhões”, analisou Ezequiel Resende. Já no grupo “Complexo Frigorífico” a receita conseguida de janeiro a abril foi de US$ 319,3 milhões, um aumento de 4% em relação ao mesmo período do ano passado, sendo que 41,2% do total alcançado é oriundo das carnes desossadas de bovinos congeladas, que totalizaram US$ 131,5 milhões, tendo como principais compradores Hong Kong, com US$ 54 milhões, Chile, com US$ 41,2 milhões, Emirados Árabes Unidos, com US$ 39,2 milhões, China, com US$ 19,4 milhões, Arábia Saudita, com US$ 18,9 milhões, e Japão,

com US$ 14,5 milhões. “A autoridade sanitária da Índia aprovou a primeira permissão de importação para carne de frango in natura brasileira. A carne de frango é a proteína animal mais consumida na Índia e estima-se que o mercado indiano para o produto vá continuar crescendo a uma taxa de 7% a 8% ao ano. A expectativa do governo brasileiro é que as importações indianas aumentem na medida da expansão do mercado. A partir da medida anunciada, todas as plantas frigoríficas registradas no Serviço de Inspeção Federal (SIF) já podem exportar carne de frango in natura para aquele País”, ressaltou o economista. Para o grupo “Óleos Vegetais”, a receita alcançou US$ 70,6 milhões no quadrimestre, um crescimento de 19% na comparação com o mesmo período de 2018, com destaque para farinhas e pellets da extração de óleo de soja, que somaram US$ 63,3 milhões, tendo como principais compradores a Indonésia, com US$ 34,2 milhões, o Reino Unido, com US$ 10,5 milhões, a Polônia, com US$ 8,3 milhões, e Dinamarca, com US$ 3,7 milhão “A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) revisou para cima sua estimativa para a produção de soja no Brasil na temporada 2018/19. A colheita deve ser de 117,6 milhões de toneladas, acima das 116,9 milhões de toneladas esperadas em 19 de março. Para o farelo, a entidade manteve a estimativa anterior: a produção deve ser de 32,6 milhões de toneladas, a exportação de 16,2 milhões de toneladas, o consumo interno de 16,3 milhões de toneladas e o estoque final de 1,89 milhão de toneladas”, pontuou Ezequiel Resende. No grupo “Siderurgia e Metalurgia Básica”, as exportações de janeiro a abril deste ano somaram US$ 11,7 milhões, uma elevação de 142% na comparação com o mesmo período de 2018, com destaque para ferro fundido bruto não ligado, que somou US$ 10,3 milhões, tendo como principais compradores o México, com US$ 9,5 milhões, Paraguai, com US$ 900,1 mil, Argentina, com US$ 783,9 mil, e Bolívia, com US$ 504,8 mil. MS INDUSTRIAL | 2019 • 37


S EN A I

DIVERSIFICAÇÃO Instituto Senai de Tecnologia em Alimentos e Bebidas terá laboratório para analisar sementes

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região que engloba os municípios de Maracaju e Dourados está prestes a ganhar mais um espaço para melhorar a competitividade da agroindústria de Mato Grosso do Sul. O IST Alimentos e Bebidas (Instituto Senai de Tecnologia em Alimentos e Bebidas) contará com um laboratório para análise da qualidade de sementes, que já está em fase final de implantação e deve entrar em funcionamento ainda no primeiro semestre deste ano. “O espaço fará parte do complexo laboratorial do LabSenai Alimentos e Bebidas, sendo que os equipamentos, reagentes e utensílios já estão em nossa estrutura física, aguardando uma auditoria interna para o envio da documentação para o credenciamento no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Após o recebimento da documentação, precisaremos aguardar o posicionamento do Mapa para o início da oferta dos serviços”, afirmou o diretor-regional do Senai, Rodolpho Caesar Mangialardo. Ele informou que a ideia de construir o laboratório de análise

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Inicialmente serão analisadas sementes de milho e de soja

de sementes vem ao encontro de uma demanda da agroindústria da região, que já tinha manifestado uma preocupação com a qualidade dessas sementes, vindas em grande maioria da Região Sul do Brasil. “Começamos a estudar e identificamos que há uma série de características que precisam ser confiáveis para que a produtividade dos grãos seja garantida. Por isso, decidimos construir um

laboratório para ajudar a agroindústria, podendo também prestar serviço à cadeia de produção de grãos de todo o Estado”, explicou. Poderão contratar os serviços do laboratório de sementes empresas produtoras de sementes, cooperativas revendedoras, produtores de grãos que queiram atestar o vigor e qualidade do material genético adquirido para controle de qualidade de


sua lavoura, empresas de produtos agroquímicos e obtentores de cultivares e pesquisadores. Para atender essa demanda, o laboratório está estruturado com equipamentos de alta tecnologia e performance para que o melhor resultado seja atingido e conta com equipe qualificada e treinada para executar os ensaios. Segundo a coordenadora do LabSenai Alimentos e Bebidas, Daniela Menegat, incialmente, serão realizados serviços de análises laboratoriais em sementes de milho e soja, como determinação de pureza e verificação de outras cultivares, determinação de outras sementes por número, determinação do grau de umidade, teste de germinação, teste de vigor envelhecimento acelerado, teste de peroxidase e uniformidade, além de peso de mil sementes. “As análises serão realizadas de acordo com metodologias oficiais descritas nas regras de análise de sementes publicadas pelo Mapa”, avisou. O responsável técnico do LabSenai Alimentos e Bebidas, Edilson Cardoso de Oliveira Junior,

completa que as sementes puras apresentam alta qualidade física e genética. “A pureza física implica na ausência de impurezas tais como: palhas, folhas, sementes de plantas daninhas, sementes de outras culturas, etc. A pureza genética implica que o lote de sementes contenha apenas sementes com características conhecidas da variedade ou cultivar em análise”, detalhou. Ele acrescenta que o primeiro passo em direção ao máximo rendimento das culturas é obtido por meio de uma população recomendável de plantas, que requer que sementes de alta qualidade sejam semeadas. “O sucesso de uma lavoura depende de diversos fatores, mas, sem dúvida, o mais importante deles é a utilização de sementes de elevada qualidade, que gere plantas de elevado vigor e desempenho superior de campo. O uso de sementes de elevada qualidade permite o acesso aos avanços genéticos, com as garantias de qualidade e tecnologias de adaptação nas diversas regiões produtoras”, concluiu.

“Começamos a estudar e identificamos que há uma série de características que precisam ser confiáveis para que a produtividade dos grãos seja garantida. Por isso, decidimos construir um laboratório para ajudar a agroindústria, podendo também prestar serviço à cadeia de produção de grãos de todo o Estado” - RODOLPHO MANGIALARDO

Diretor-regional do Senai-MS

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IEL

NOVA ETAPA,

MAIS COMPETITIVIDADE 42 •

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Em cerimônia na cidade de Três Lagoas, 44 novas empresas recebem a certificação no Programa de Qualificação de Fornecedores

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epois de passarem por um “choque de gestão”, mais 44 micro e pequenas empresas de Campo Grande, Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo receberam os certificados de conclusão do PQF (Programa de Qualificação de Fornecedores), oferecido pelo IEL e tendo o Sebrae/MS como parceiro-executor. A cerimônia, que contou com a presença de autoridades e empresários dos municípios, foi realizada no auditório do Sesi de Três Lagoas. Na ocasião, também foi anunciada a abertura da turma de 2019, que já conta com 43 novas empresas inscritas, mas a meta é chegar a 90. O certificado atesta a capacidade das empresas que participaram de fornecer produtos e prestar serviços de acordo com as demandas e necessidades das empresas-âncoras do PQF, a Suzano e a Bemis, além das prefeituras de Campo Grande, Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo. Representando o presidente da Fiems, Sérgio Longen, o diretor Julião Flaves Gaúna falou sobre a relevância do PQF para fomentar as empresas e desenvolver o Estado. “As empresas trabalham muito para crescer, mas, nem sempre, detêm o conhecimento necessário para se destacar em um mercado competitivo como o de hoje. E o IEL, por meio do PQF, proporciona este tipo de conhecimento para o empresário que busca evoluir em seus negócios, permitindo que ele gere mais empregos e invista mais no nosso Estado”, pontuou. O superintendente do IEL, José Fernando do Amaral, afirmou que a etapa de certificação do PQF representa um momento único dentro do programa. “São 11 anos, o que demonstra o sucesso e os bons resultados alcançados pelas empresas que dele participam. Estas empresas que hoje demonstram confiança irrestrita no que o IEL faz, porque alcançaram, depois do PQF, um novo patamar de gestão, o que propicia a elas uma experiência para lidar de uma maneira diferenciada com momentos de crise, como o que passamos nos últimos anos”, declarou. Além da conclusão das turmas de 2018 e abertura das turmas de 2019, o gestor do PQF no Estado e coordenador da área de desenvolvimento empresarial do IEL,

COMO FUNCIONA O PQF Desde que começou em Mato Grosso do Sul, em 2008, o PQF resultou na movimentação de mais de R$ 1,15 bilhão em negócios e atendeu 398 micro e pequenas empresas, que foram qualificadas para fornecer e prestar serviços às chamadas empresas âncoras, a Suzano e a Bemis, além das prefeituras de Campo Grande, Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo. Destas, 279 já receberam os certificados, incluindo as que foram contempladas na cerimônia. Desde então, foram 34 mil horas de consultorias, 14 mil horas em diagnósticos, avaliações e auditorias e 400 pessoas formadas como auditoras da Norma ISO9001, na qual o programa se baseia. Para que atendam com precisão às expectati-

R$ 1,15 BILHÃO Foi o valor movimentado pelo PQF em negócios

398 Micro e pequenas empresas qualificadas pelo PQF

O superintendente do IEL, José Fernando do Amaral

Gráfica Pontual foi uma das empresas certificadas pelo PQF 44 •

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vas das empresas-âncora, as empresas-fornecedoras participantes do PQF passam por um detalhado processo de qualificação. Primeiro, o IEL constitui um comitê gestor local para conduzir o programa no ambiente empresarial em que ele será implementado, além da determinação de um plano de qualificação a ser desenvolvido. Em seguida, cada empresa participante passa por uma etapa de diagnóstico, a partir de requisitos definidos pelas empresas-âncoras, e o IEL avalia quais aspectos do negócio podem ser aprimorados. Na etapa de desenvolvimento do programa, o IEL atua em duas frentes - capacitações e consultorias. As capacitações são coletivas, dirigidas a todas as empresas fornece-

doras participantes, enquanto as consultorias são individuais, realizadas em cada empresa.

Hugo Bittar, anunciou o início de um projeto piloto no âmbito do PQF, que será iniciado em Três Lagoas. “As 13 empresas que já receberam o certificado do nível avançado participarão de um projeto do nível máster do PQF, que se baseia em procedimentos de revisão dos projetos já adotados, utilizando conceitos de lean manufaturing, de forma a reduzir custos”, explicou. A gerente do Sebrae/MS, Josi Queiroz Signori, agradeceu ao IEL por fazer parte do programa. “Estamos completando 11 anos e como resultado já foram 400 micro e pequenas empresas fornecedoras, os ganhos são imensuráveis, porque quando uma empresa se certifica, e realmente implementa um sistema de gestão, passa a ter resultados sólidos”, disse, acrescentando que esses ganhos já levaram a uma fila de novos empreendimentos interessados em participar do programa.

fomentada de diversas maneiras, gerando mais empregos, mão de obra qualificada, e até mesmo arrecadação, via ISSQN, o que nos permite investir mais, e oferecer mais à população”, disse. Já o prefeito de Ribas do Rio Pardo, Paulo Tucura, destacou que o PQF é uma grande oportunidade de qualificar as empresas do município. “Ribas tem grandes perspectivas para 2019, no mais tardar 2020, para que possamos acompanhar a onda de desenvolvimento pela qual diversas regiões de Mato Grosso do Sul passam neste momento”, pontuou, parabenizando os empresários da cidade que receberam os certificados. Representando a Prefeitura de Campo Grande, a gerente da Sedesc (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia), Patricia Saraiva Sousa de Moraes, avaliou que o PQF será o responsável por contribuir para o desenvolvimento das empresas de Mato Grosso do Sul. “As prefeituras do Estado como um todo têm se preocupado com o progresso do mercado regional, de forma a conseguir atender as grandes empresas que

ÂNCORAS - Prefeito de Três Lagoas, Angelo Guerreiro salientou a relevância do PQF para as pequenas e médias empresas da cidade. “No decorrer de 11 anos a economia municipal foi

Então, é chegado o momento da certificação, inicialmente realizada pelo IEL de modo individual. Por meio de auditorias independentes, verifica-se se os requisitos estabelecidos para todas as áreas de gestão do programa são atendidos. A atividade de auditoria também envolve a identificação e preparação de auditores, a elaboração de procedimentos, o planejamento e a programação de auditorias para aprovação pelo comitê gestor local. As empresas fornecedoras que obtiveram aprovação no processo de certificação durante as auditorias realizadas – índice que chega a 97% das participantes.

esperamos atrair nos próximos anos, e vemos no PQF um grande caminho para que os negócios locais consigam alcançar um patamar de excelência”, avaliou. A coordenadora do Comitê Gestor do PQF, Renata Lima Pentagna, que é coordenadora de suprimentos da Suzano, deu as boas-vindas às empresas que vão participar do PQF em 2109. “Este número de 43 empresas que já atingimos pouco tempo depois de abrirmos as inscrições para as turmas deste ano mostra a diferença que o programa faz nas empresas por onde passa”, disse. Rafael Procópio Ferreira, gerente de planta da Bemis, contou que, pouco depois de chegar a Três Lagoas para trabalhar na empresa, viu a diferença que o PQF faz nos negócios da cidade. “Lidamos com prestadores de serviços e fornecedores preparados para atender o padrão de qualidade da empresa, e esse nível de excelência é alcançado com o PQF”, pontuou. EMPRESAS CERTIFICADAS - Representando a Arquivoteca de Campo Grande, que recebeu o certificado do nível avançado do PQF, Gilmar França dos Santos afirmou que o programa teve um papel fundamental, especialmente no quesito atendimento ao cliente. “O PQF impacta diretamente nas pessoas. Abrem-se possibilidades de troca de experiências, conhecer pessoas, melhorar processos. Oferecer um bom atendimento nem sempre é uma tarefa fácil, e sei que a qualidade é o caminho para melhorar as empresas, por isso somos muito gratos aos ensinamentos que as consultorias e auditorias nos proporcionaram”, falou. A Padrão Energia fabrica produtos metalúrgicos na Capital há 19 anos e, com o PQF, passou a conseguir atender a demanda dos clientes, conta o proprietário da empresa, Edinaldo Silva de Oliveira. “Nossos itens de fabricação própria e serviços são procurados por empresas de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, mas não tínhamos condições de atender aos pedidos por uma questão de gestão correta. Nossa empresa, posso afirmar, passou então pelo que eu chamo de um verdadeiro choque de gestão e evoluímos em todos os aspectos”, considerou ele, que agora já se prepara para exportar para Países da América do Sul. MS INDUSTRIAL | 2019 • 45


S ES I

Combate às Nas escolas da rede, identificar notícias falsas faz parte dos conteúdos aplicados em sala de aula

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Nas Escolas do Sesi, a discussão em torno das fake news faz parte da rotina dos alunos

luna do 6º ano do Ensino Fundamental da Escola do Sesi de Aparecida do Taboado, Sofia Liz Alves Queiroz alertou em casa e aos vizinhos que a Momo, personagem fictícia que alarmou pais e crianças de todo o Brasil, não passava de uma fake news. Em meio aos computadores do laboratório de informática da Escola do Sesi de Aparecida do Taboado, ela conta como descobriu que a informação de que tivesse “invasões” da Momo em vídeos da plataforma YouTube Kids – voltada para crianças de até 13 anos e com restrições em tese mais rígidas do que as do YouTube tradicional – era uma mentira disseminada em correntes de WhatsApp e outras redes sociais. “Nossa professora explicou que nenhum jornalista ou outro órgão sério tinha conseguido confirmar que o vídeo da Momo aparecia no Youtube. Ou seja, era fake news”, concluiu Sofia

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Queiroz, depois de participar de mais uma oficina semanal usando a Guten News, uma das plataformas online utilizadas pela Rede de Ensino do Sesi de Mato Grosso do Sul. “Nenhum colega da minha sala ou amigo meu tinha assistido esse vídeo pelo Youtube. Fomos pesquisar mais e, realmente, não tinha nenhuma confirmação de que a Momo estivesse ali”, acrescentou a estudante. Nas escolas do Sesi, a discussão em torno das fake news faz parte da rotina dos alunos e é aprimorada com o reforço da Guten. O recurso multimídia desmistifica a linguagem jornalística e aproxima dos estudantes da Língua Portuguesa e interpretação de texto. Semanalmente, seis novos textos jornalísticos podem ser trabalhados com os alunos, do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental. Com uma curadoria realizada por jornalistas profissionais, a plataforma disponibiliza con-

teúdos de diferentes editorias – mundo, Brasil, comportamento, cultura e bem-estar. Para cada notícia há games com exercícios, que testam o conhecimento do aluno, além de fazer conexão com outras disciplinas. “Se, desde cedo, crianças e jovens forem incentivados a desenvolver um senso crítico e, com isso, questionarem a si mesmos o conteúdo de algumas informações disseminadas nas redes sociais antes de tomá-lo como verdade e repassá-lo a mais pessoas, já é um grande passo para conter a proliferação das fake news”, afirmou a diretora da Escola do Sesi de Aparecida do Taboado, Sílvia Watanabe. DESENVOLVIMENTO DA LEITURA E ESCRITA - Diante do uso cada vez mais precoce das redes sociais e, consequentemente, do acesso a muitas informações de fontes de qualidade ruim, a diretora também aposta no chamado “letramento


curso adicional tem contribuído para os alunos desenvolverem estas habilidades e, lá na frente, veremos boas redações no Enem e profissionais que dominam a língua a portuguesa”, analisou.

jornalístico” dos jovens, um dos programas da Guten. “Queremos que os alunos saibam avaliar se uma fonte é confiável. Porque, além de mostrar a responsabilidade social que eles têm de não compartilhar conteúdo falso, a escola também tem o compromisso de ensinálos a lidar com essa questão, que faz parte do desenvolvimento do senso crítico, de uma boa inter-

pretação de texto”, acrescentou Silvia Watanabe. Em sala de aula, a evolução dos alunos é notável, afirma a professora de Língua Portuguesa e Técnica de Redação, Rosa Maria Oliveira Alves. “O processo de leitura e compreensão textual não é automático, e exige trabalho contínuo. O mesmo vale para a elaboração de um bom texto. A Guten como re-

PLATAFORMAS ONLINE Além da Guten News, as setes escolas do Sesi de Mato Grosso do Sul – localizadas em Campo Grande, Dourados, Três Lagoas, Corumbá, Maracaju, Naviraí e Aparecida do Taboado – disponibilizam inúmeras plataformas online para despertar o interesse do aluno em Matemática, Português e outras disciplinas, além de tornar o ensino dinâmico e inovador. O Mangahigh, por exemplo, é um site utilizado no mundo todo e baseia o ensino de Matemática em games, ou seja, o aluno aprende brincando. Já a Robogarden, plataforma desenvolvida no Canadá, permite ao aluno sair do Ensino Médio capaz de programar nas linguagens Java e Phyton, enquanto o Imaginie simula um corretor da redação do Enem, para que o aluno possa treinar a elaboração de textos dentro dos parâmetros exigidos na prova que é porta de entrada para as principais universidades do País. SERVIÇO - Quem quiser conhecer a estrutura das escolas, tirar dúvidas e buscar mais informações sobre a metodologia inovadora de ensino da rede de educação do Sesi, basta acessar o site www.aescoladofuturo.com. br ou pelos telefones 0800 723 7374 e (67) 99228-0075 (WhatsApp) MS INDUSTRIAL | 2019 • 49


GENTE QUE FAZ

CLUBE DA

"Luluzinha" CORPORATIVO

Projeto “Empregála” ajuda mulheres a se reinserirem no mercado de trabalho e, em paralelo, busca estimular empresas a repensarem a composição de seu quadro de empregados

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advogada Maria Clara Loureiro Pinheiro Furlan nunca se esqueceu de uma cena que presenciou ainda quando era estagiária numa das maiores bancas de advogados do País. Um sócio do escritório, judeu, convidou um estagiário da mesma religião, mesmo sem conhecê-lo, para fazer parte da nova turma de estagiários do escritório. Para ser contratado para esta banca o processo seletivo era longo, com pelo menos quatro entrevistas, além de redações e testes diversos. O rapaz, contudo, já havia recebido uma oferta melhor no exterior e optou por não integrar o time, mas a experiência deixou um grande aprendizado para a advogada: a comunidade judaica se ajuda. Entre optar por apoiar um projeto, contratar um serviço, comprar um produto qualquer e um realizado por integrante do seu grupo religioso ou da sua nacionalidade, eles optam por apoiar aquele determinado grupo com o qual se identificam. Isso, percebeu a advogada, torna a corrente mais forte. Foi com esse pensamento que Maria Clara, anos depois de formada, decidiu criar o site “Empregá-la” (www.emprega.la), que tem como principal objetivo ajudar mulheres a se recolocarem no mercado de trabalho. “Quando uma mulher opta por contratar outra mulher ela não contribui somente para a melhora da condição de vida dessa pessoa como também, ao admiti-la, contribui para a mudança de perspectiva de uma cultura na qual mulheres ainda são associadas unicamente à realização de trabalhos domésticos”, explica. A ideia de criar o “Emprega-la” também surgiu depois de Maria Clara perceber como o mercado de trabalho costuma ser cruel para as mulheres. “Constatei que muitas amigas não conseguem empregos mesmo tendo uma formação excelente. Eu mesma passei por isso logo que voltei da minha pós-graduação no exterior. Falo quatro idiomas, estudei em universidades renomadas no Brasil e na Europa, trabalhei em excelentes lugares, igualmente renomados, mas nada disso me colocava à frente de concorrentes 52 •

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MUDANÇAS DE HÁBITO Quais são seus maiores defeitos? O que você tem feito para tornar o mundo melhor? De que forma você contribui para a preservação do meio ambiente no seu dia a dia? Quem é uma referência para você e por quê? O que você faz no seu tempo livre? Qual o último livro que você leu? Você o recomendaria? Você realiza algum trabalho voluntário? Se pudesse viajar hoje para qualquer lugar do mundo, para onde iria e por quê? Essas são algumas das perguntas com as quais as candidatas a uma vaga de trabalho e que buscam ajuda no “Empregá-la” devem responder. Longe de serem questões óbvias e simples de responder, elas têm como objetivo preparar as mulheres para entrevistas de emprego e ainda buscar uma reflexão para uma mudança de hábito e, consequentemente, para a construção de um mundo melhor.

e fazendo trabalhos voluntários para ajudar outras pessoas”, explica Maria Clara Furlan. Depois de respondidos, cada um desses questionários é revisado atentamente pela advogada, que responde um por um, dando dicas de melhorias nas respostas ou como deixar o currículo mais interessante. “Já me deparei com respostas vagas, com apenas uma linha ou uma única palavra e isso não deixa de ser frustrante. Nesses casos, redijo um texto e encaminho por e-mail explicando porque a candidata deveria se dedicar mais ao questionário e reforço o treino para uma entrevista oficial de emprego”, comenta a advogada, acrescentando também que há mulheres que dão respostas extremamente interessantes.

“São questões que podem existir numa entrevista e o site é uma oportunidade para ela já ir treinando, refletindo e repensando sua rotina e seus hábitos. Além disso, é uma forma de ir exercitando o poder de argumentação e de redação. Com relação aos hábitos, é importante você mostrar que ocupa seu tempo livre com coisas úteis, como lendo livros, buscando conhecimento

Como o trabalho do “Empregála” é bem extenso e intenso e os recursos são escassos, Maria Clara reforça a necessidade de voluntários para contribuírem com a causa, em qualquer área. “Tem gente que pode ajudar no recrutamento, porque tem um bom relacionamento com várias empresas. Tem gente que pode ajudar com as artes para as redes sociais. E tem gente que pode ajudar apenas divulgando para sua rede de contatos. Qualquer ajuda é muito bem-vinda”, completa.

homens, mesmo que eles fossem menos gabaritados”, recorda. Além disso, perguntas como “você pensa em ter filhos?” ou “você é solteira?” foram recorrentes em diversos processos seletivos. “Embora homens e mulheres sejam igualmente competentes, infelizmente existe ainda uma lacuna social grande entre os gêneros. Mulheres engravidam, são culturalmente re-

sponsáveis pela manutenção da ordem em suas casas, também são culturalmente responsáveis pelo cuidado dos idosos da família, entre outros fatores que tendem a colocá-las em segundo plano no momento de uma contratação, algo bastante injusto. Nosso objetivo é transformar esse cenário, dando mais oportunidades para profissionais que, como quaisquer outros, querem e têm capaci-


CONFIRA OS PRINCIPAIS SERVIÇOS DO “EMPREGÁ-LA” CORREÇÃO DE CVS: Muitas pessoas não sabem como fazer esse documento tão relevante para a sua contratação, o que acaba por desclassificá-las na hora de conseguir uma vaga de emprego. Pensando nisso, a equipe do “Empregá-la corrige, sugere alterações e fornece um modelo de diagramação visando melhorar essa primeira apresentação da candidata às empresas.

ORIENTAÇÃO: Tendo como base um formulário preenchido por cada candidata e de posse de seu CV original em mãos, os consultores do “Empregá-la” analisam essa profissional com o objetivo de criar um perfil a ser repassado às empresas parceiras. Muitas candidatas, porém, chegam ao site em busca de esclarecimento quanto a carreira. Por isso, depois de fazer essa análise, a candidata é colocada em contato com profissionais da área, voluntários, que podem ajudá-la a se encontrar profissionalmente.

INDICAÇÃO: As candidatas são indicadas para vagas/empresas relevantes de acordo com cada perfil. O maior objetivo do projeto é ajudar as pessoas a se recolocarem no mercado. Por isso, o “Empregá-la” tem uma rede de contatos e voluntários e encaminha o CV da candidata para quem ocupa um cargo de liderança, de gestão ou de recursos humanos.

MURAL DE SERVIÇOS: Nessa área, são indicadas profissionais autônomas (que não buscam uma contratação efetiva). É o caso de professores particulares, massagistas, maquiadoras, web-designers, etc. O objetivo é dar visibilidade a essas profissionais.

- MARIA CLARA FURLAN

Advogada e criadora do site “Empregá-la”

dade para se sobressair em suas carreiras, independentemente do que o meio impõe”, afirma a advogada. SERVIÇOS OFERECIDOS - No ar desde março deste ano, o site ajuda mulheres a elaborarem seus currículos, com dicas práticas e fáceis, além de também funcionar como “recrutador”, entrando em contato com diversas empresas e empregadores parceiros e indicando as candidatas que mais se encaixam. Com um “mural online” e um “mural local”, é possível ainda ter seu nome e trabalho divulgados na plataforma. Há ainda um serviço de orientação para quem não tem muita ideia da área em que deseja atuar. A ideia é ajudar profissionais que tenham formação técnica ou de nível superior, autônomas ou não, casadas, solteiras, viúvas, com ou sem filhos, independentemente de opinião política, estado civil, religião ou opção sexual. “Temos um olhar especial para aquelas que, por causa dos diversos papéis sociais que ocupam, estiveram afastadas do mercado de trabalho nos últimos anos, para as que são negras ou pardas, para as com deficiências (PCD) e, finalmente, para as que, com muita coragem, tornaram-se mulheres, contrariando a biologia”, detalha Maria Clara Loureiro.

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DICAS

O PESO DA ENERGIA Além das medidas usuais, como desligar eletrodomésticos, consultor do Senai Empresa apresenta alternativas para economizar energia A alta na conta de luz pesou no bolso? Desde que o reajuste no valor da energia elétrica em Mato Grosso do Sul foi homologado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) – 12,48% para consumidores residenciais e comerciais, e 12,17% para as indústrias – somado a sucessivos aumentos nas bandeiras tarifárias, não há quem não procure alternativas para economizar quilowatts-hora. Mas, se você usou menos energia elétrica nos últimos meses e, mesmo assim, a conta de luz não diminuiu, o consultor do Programa Senai de Gestão Energética do Senai Empresa, o engenheiro eletricista Sebastião Dussel, apresenta algumas dicas que fogem do óbvio, mas que podem fazer toda diferença na hora de pagar a fatura.

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VERIFIQUE AS INSTALAÇÕES ELÉTRICAS Para residências, comércios, indústrias e órgãos públicos, a principal orientação é observar, rigorosamente, as condições das instalações elétricas, “Verifique se o dimensionamento dos condutores está compatível com as cargas a vincularem, para evitar perdas de energia por efeito joule e risco de dano ao patrimônio ocasionado por incêndio”, explica o consultor.

CONTRATO COM A DISTRIBUIDORA DE ENERGIA Pouca gente sabe, especialmente quando se tratam de inquilinos, que entram nos imóveis com a instalação elétrica concluída, mas os grandes consumidores de energia devem se atentar para os contratos de fornecimento com a concessionária. “Observe se o montante da demanda contratada é compatível com as reais necessidades do consumo da planta, e se o enquadramento tarifário está adequado para produzir o menor valor para a fatura de energia elétrica”, orienta Sebastião Dussel.

PARA RESIDÊNCIAS

PARA COMÉRCIOS

Não tem como fugir: nas residências, a economia deve ser focada nos sistemas de refrigeração, aquecimento e de iluminação. “As ações para reduzir o consumo de energia elétrica não fogem das tradicionais dicas de economia, como apagar as luzes, não abusar do ar condicionado, tirar aparelhos do modo stand by, e ficar de olho em eletrodomésticos como a máquina de lavar e ferro de passar roupas”, afirma.

Nos comércios, os vilões do consumo costumam ser a ventilação, a iluminação e a refrigeração. As ações de economia, afirma Sebastião Dussel, estão fortemente apoiadas na substituição da iluminação tradicional por lâmpadas de led, e no uso de sistemas de ventilação e de refrigeração com alto nível de eficiência e baixo consumo, acompanhado de uma política sistemática de manutenção.

INDÚSTRIAS Na indústria, o maior consumo vem dos sistemas de motorização, solda, aquecimento e ar comprimido, o que requer a utilização de sistemas com alto rendimento e baixo consumo, além de políticas de manutenções preditivas e preventivas rigorosas que evitem paradas inesperadas da produção causadas por equipamentos fora de operação.

ÓRGÃOS PÚBLICOS Nos órgãos públicos o consumo de energia elétrica está associado aos sistemas de iluminação e refrigeração, que deverá observar as mesmas medidas recomendas para o setor comercial, enquanto que no meio rural as ações sugestivas vão depender da atividade desenvolvida.

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C U LT U R A D A I N D Ú S T R I A LIVRO

“O ÚNICO LIVRO QUE TODO EMPRESÁRIO PRECISA”, DE PAULO MARANHÃO

Frequentemente Paulo Maranhão é procurado por donos de negócio de todos os tamanhos para salvar empresas de crises e alavancar seu crescimento. E, segundo ele, todas as empresas parecem ser uma só quando tratamos dos problemas. Com uma trajetória que vai desde o faturamento de mais de 100 milhões até a falência – e de volta aos milhões –, o autor se tornou um dos pioneiros do e-commerce no Brasil e já atuou em empresas de todos os portes. Ele diz que existe uma única coisa que todos os empresários de sucesso têm em comum: espírito de vendedor aliado à uma resiliência imbatível. Quer dobrar o tamanho da empresa? Sair das dívidas? Descobrir por que os clientes não sabem que seu produto existe? Abra imediatamente este livro.

“MAUÁ - EMPRESÁRIO DO IMPÉRIO”, DE JORGE CALDEIRA LIVRO

“LIÇÕES DE UM EMPRESÁRIO RADICAL”, DE RAY C. ANDERSON LIVRO

Pioneirismo, guerras, intrigas, reis e escroques: a carreira do visconde de Mauá (1813-1889) teve de tudo. Para montar a primeira indústria - um grande estaleiro e uma fundição em Niterói -, a primeira estrada de ferro e o primeiro banco a operar em grande escala no Brasil, ele teve de brigar contra uma sociedade provinciana, que considerava o feitor de escravos como o melhor gerente de recursos humanos. Quando expandiu seus negócios em escala planetária, com dezessete empresas em seis Países, aí sim vieram os grandes adversários. Banqueiros internacionais, ditadores latinos, políticos de alto coturno e figuras da sociedade passaram a fazer parte da luta diária do visconde, numa história que se confunde com a do próprio nascimento de um País chamado Brasil.

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Em 1994, Ray Anderson, fundador e CEO da Interface, definiu uma meta audaciosa para a sua empresa de carpetes: não tirar da Terra o que a Terra não possa repor. Agora, neste livro extraordinário, Anderson lidera o caminho à frente e nos desafia a compartilhar essa meta. Com ideias práticas e consequências mensuráveis que qualquer negócio pode utilizar, Anderson mostra que o lucro e a sustentabilidade não são mutuamente exclusivos; as empresas podem melhorar os seus resultados financeiros e agir de modo sustentável. Escrito com paixão e o know-how realista de um executivo, Lições de um Empresário Radical é o livro de negócios mais inspirador da nossa época.

E M B OA C OMPA NHIA

Os empreendedores sabem que mudanças fazem parte do dia a dia e é importante que eles estejam preparados para elas. O filme Em boa Companhia aborda uma situação comum nas empresas nos dias de hoje, que é a troca de um chefe mais experiente por outro bem mais jovem. Na obra, o chefe na casa dos 50 anos não foi demitido, apenas perdeu o seu posto de liderança. Para se segurar no emprego e pagar as contas de casa, ele precisa aprender a se adaptar às mudanças.

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WA LL S TRE E T – PO D E R E CO BIÇA

Nova York, 1985. Bud Fox (Charlie Sheen) é um jovem e ambicioso corretor que trabalha no mercado de ações. Após várias tentativas ele consegue falar com Gordon Gekko (Michael Douglas), um inescrupuloso bilionário. Durante a conversa Bud revela uma dica muito quente para ter a atenção de Gekko e então lhe fala o que seu pai, Carl Fox (Martin Sheen), um líder sindical, tinha lhe dito, que a Bluestar, a companhia aérea para a qual trabalha, ganhou um importante processo. Esta informação não foi ainda divulgada, mas quando isto acontecer as ações terão uma significativa alta. Bud obtém sucesso, o que faz seu padrão de vida mudar. Porém se os ganhos são bem maiores, os riscos também são. 56 •

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GADGETS A Amazon.com está desenvolvendo um dispositivo vestível (wearable) ativado por voz que pode reconhecer as emoções de seres humanos. O aparelho de pulso é descrito como um produto de saúde e bem-estar em documentos internos analisados pela Bloomberg.

DISPOSITIVO PARA RECONHECER EMOÇÕES HUMANAS DA AMAZON

O produto é resultado de uma parceria entre o Lab126, o grupo de desenvolvimento de hardware por trás do celular Fire da Amazon e o alto-falante inteligente Echo, e a equipe de software de voz da Alexa. Projetado para funcionar com um aplicativo de smartphone, o dispositivo possui microfones pareados com softwares que podem discernir o estado emocional do usuário a partir do som da voz, segundo documentos e informações de uma pessoa a par do programa. No futuro, a tecnologia pode ser capaz de aconselhar o usuário a interagir de forma mais eficaz com os outros, mostram os documentos. Não está claro o estágio de desenvolvimento do projeto ou se algum dia será lançado comercialmente.

Três anos depois de a SanDisk anunciar oficialmente um acessório do tipo, os cartões de memória SD com 1 TB de capacidade finalmente vão chegar ao mercado. Mas não pelas mãos da marca norte-americana. A pioneira é outra empresa dos EUA, que “voltou das cinzas” depois de basicamente fechar as portas em 2017: a Lexar. O novo acessório, Professional 633X, já está à venda com preço sugerido de US$ 500,00. Não é exatamente vantajoso em termos de custo-benefício — com o valor, é possível comprar dois ou até mais cartões SD de 512 GB de boas marcas. No entanto, um dispositivo com toda essa capacidade permite gravar vídeos maiores em 4K sem interrupções para trocar a mídia da câmera, uma possível vantagem para produtores de conteúdo.

LAVADORA HIGH-TECH DA SAMSUNG

CARTÕES DE MEMÓRIA DE 1 TB

Em alta temporada para troca de lavadoras, a Samsung trouxe ao mercado a QDrive, uma lava e seca que vem com conexão com a internet e recursos tecnológicos. Disponível a partir de agosto com preço sugerido de R$ 5.699,00, ela tem capacidade de 10,2 quilos e se integra ao portfólio da marca de aparelhos para casas conectadas. Por ora, apenas Samsung e LG vendem lavadoras high-tech com esse objetivo no mercado brasileiro. A nova QDrive tem suporte para a plataforma SmartThings, que unifica os dispositivos da Samsung, como TVs da linha QLED e o ar condicionado WindFree. O aplicativo, disponível para Android e iPhone, pode controlar a lavadora à distância ou funcionar como um controle remoto.

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RADAR INDUSTRIAL EM PREGO A retomada na geração de emprego pelo setor industrial de Mato Grosso do Sul, que é composto pelas indústrias de transformação, de extrativismo mineral, de construção civil e de serviços de utilidade pública, consolidou-se no período de janeiro a abril deste ano, conforme aponta levantamento realizado pelo Radar Industrial da Fiems. De acordo com os dados disponibilizados, nesses quatro meses, as indústrias do Estado registram saldo positivo de 2.234 postos de trabalho, que é resultado de 20.904 contratações e 18.670 demissões. Nos últimos 12 meses, o saldo também segue positivo, com a abertura de 1.247 postos de trabalho na indústria estadual, que é resultado de 57.054 contratações e 55.807 demissões. No mês de abril, o saldo também foi positivo em 605 postos de trabalho, fruto de 5.198 contratações e 4.593 demissões. No ano, o saldo positivo pode ser creditado às indústrias de alimentos e bebidas (+876), química (+564), da construção (+504), da borracha, couros, peles e similares (+97) e de produtos minerais não metálicos (+78), enquanto nos últimos 12 meses o bom desempenho pode ser atribuído às indústrias de alimentos e bebidas (+1.857), extrativa mineral (+153), mecânica (+138) e metalúrgica (+91). Com relação a abril, o saldo positivo é relativo às indústrias química (+451), de papel, papelão, editorial e gráfica (+78) e produtos minerais não metálicos (+31).

EXPORTAÇÃO A receita obtida com as exportações de produtos industrializados de Mato Grosso do Sul apresentou a melhor performance para o período de janeiro a abril dos últimos cinco anos ao alcançar US$ 1,23 bilhão nos quatro primeiros meses deste ano, conforme levantamento do Radar Industrial da Fiems. Em 2015, conforme o Radar da Fiems, o setor obteve receita de US$ 936,8 milhões no intervalo de janeiro a abril e, de lá para cá, esse montante só tinha sido superado no ano passado, quando somou US$ 1,11 bilhões no 1º quadrimestre de 2018. Se for analisar desde o início da série histórica do levantamento, ou seja, 2009, o período de janeiro a abril de 2019 é o melhor para as exportações de industrializados de Mato Grosso do Sul dos últimos 10 anos. A exportação de celulose é a grande responsável por essa performance extraordinária, pois, quando esse produto industrial entrou na pauta de exportações do Estado, a receita tem crescido ano após ano e já é superior ao do complexo frigorífico, que dominava a balança comercial sul-mato-grossense. Em abril, a receita com a exportação de produtos industriais alcançou US$ 281,2 milhões, aumento de 3% em relação ao mesmo mês de 2018, quando o valor ficou em US$ 273,9 milhões. Já no acumulado de janeiro a abril de 2019 a receita total alcançou US$ 1,213 bilhão, indicando aumento de 8% em relação ao mesmo período de 2018, quando o resultado ficou em US$ 1,118 bilhão.

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PRODUÇÃO INDUSTRIAL A produção industrial sul-mato-grossense prossegue estável em abril deste ano na maior parte das empresas, porém, o número de estabelecimentos com aumento na produção caiu na comparação com o mês anterior, de acordo com a Sondagem Industrial realizada pelo Radar Industrial da Fiems junto a 73 empresas no período de 2 a 13 de maio. Pelo levantamento, em abril, 58,9% das empresas industriais de Mato Grosso do Sul apresentaram estabilidade na produção, enquanto no mês anterior esse resultado foi de 54,5%. Já as empresas que apresentaram expansão responderam por 12,4% do total, contra 18,2% no último levantamento. O que pode sugerir uma redução no ritmo da atividade industrial na passagem entre os meses de março e abril. Em abril, a ociosidade média na indústria sul-mato-grossense foi de 32%. Somado a isso, o índice de utilização fechou o mês em 41,6 pontos, sendo que resultados abaixo dos 50 pontos sinalizam que a utilização da capacidade instalada foi inferior ao que era esperado para o período. Por fim, a sondagem mostrou que, em abril, a utilização da capacidade instalada ficou abaixo do usual para 39,8% dos respondentes, igual ao usual para 53,4% e acima para 6,8%.

DESEMPENHO INDUSTRIAL O IGDI (Índice Geral de Desempenho Industrial) de Mato Grosso do Sul, que foi criado pelo Radar Industrial da Fiems e é calculado com base nas pesquisas de Confiança e Sondagem Industrial, alcançou, em abril, 53,5 pontos, indicando queda de 0,9 ponto sobre o mês de março. Com as variáveis de avaliação apresentando o seguinte desempenho na passagem entre os dois meses: recuo nos índices de intenção de investimento, confiança e na participação das empresas com produção estável ou crescente. E estabilidade na utilização da capacidade instalada e na participação das empresas que contrataram. Quanto à atividade, constata-se que a produção ficou estável em 58,9% dos estabelecimentos. No mês anterior, esse resultado era de 54,5%. Já a participação das empresas com expansão diminuiu de 18,2% para 12,4%, na mesma comparação. Ou seja, o ritmo de produção menos intenso pode ser a razão que explica a maior cautela apresentada pelos empresários industriais de Mato Grosso do Sul em relação à confiança e a intenção de investimento para os próximos meses. Por fim, considerando os dados consolidados, constata-se que, apesar da queda na passagem mensal, o IGDI continuou acima dos 50 pontos no mês de abril. Indicando que, na média geral, o desempenho ainda foi relativamente positivo, segundo a percepção dos empresários respondentes.

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QUANTO VOCÊ P A G O U ?

Fonte: Portal Transparência MS e SEFAZ/MS. Elaboração; SFIEMS COEP

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Quem te conhece NO ESTADO ONDE CHURRASCO É TRADIÇÃO, FAROFINHA CROCANTE É UM DOS CARROS-CHEFES DA VÓ ERMÍNIA Depois da carne e da mandioca, churrasco não pode deixar de ter farofa. Pelo menos é essa a tradição em Mato Grosso do Sul e a Vó Ermínia, indústria localizada na Capital, desenvolveu em 2015 a Farofinha Crocante, um produto especial para atender os sul-mato-grossenses. O sucesso foi tão grande que hoje o alimento é encontrado ainda nos Estados de Mato Grosso, Goiás, São Paulo e Rondônia. A história da Farofinha Crocante surgiu a partir de uma necessidade notada pelo empresário Rui Murilo Galvanini. “Eu sentia falta no mercado de uma farofa boa, daquelas que você pode comer de colher, sem nenhum outro acompanhamento, de tão gostosa

que é. Não via esse tipo de produto em nenhum lugar. Numa viagem a Corumbá, me apresentaram uma farofa que tinha a embalagem linda, fina, sofisticada, fiquei super empolgado, mas na hora de provar, achei horrível. Então resolvi que nós da Vó Ermínia, com nossa tradição em temperos e alimentos, iríamos produzir essa farofa”, recorda. Foram meses de pesquisa, testes de receitas até chegar ao resultado aprovado. “Eu e minha esposa sempre trabalhamos juntos. Numa de minhas viagens a negócios ela preparou sozinha a farofa e quando eu voltei, já estava pronta. Provei e achei boa, mas ainda assim muito forte no tempero. Conversamos sobre os

ingredientes e decidimos mudar alguns pontos. Depois disso, sentimos que a nossa Farofinha Crocante estava pronta”, afirma Rui Galvanini. À base de farinha, proteína de soja texturizada, que se parece com um torresmo, temperos e ervas, o empresário garante que o sucesso da Farofinha Crocante é a forma de fazer. “O segredo é a quantidade de cada ingrediente. Depois da Farofinha Crocante, ainda decidimos adaptar a receita para aqueles que gostam de sabores picantes e acrescentamos uma pasta de pimenta, criando assim a Farofinha Crocante Apimentada”, completa o empresário.

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A RT IG O

OS MITOS DA INDÚSTRIA 4.0 - M ARCEL O PRI M

Gerente-executivo de Inovação e Tecnologia do Senai Nacional

Andando pelo Brasil, e visitando outros Países, deparo-me com mitos sobre a Indústria 4.0 com muita frequência. Talvez o principal deles é o famoso “Indústria 4.0 é coisa de grande empresa”. Bom, capacidade de investimento certamente é um fator importante para qualquer empresa, isso não pode ser negado. Mas será que, para uma empresa iniciar seu processo rumo à Indústria 4.0, ela precisa, necessariamente, de capacidade de investimento? Será que existem outros fatores, que não apenas tecnológicos, que influenciam na maturidade em processos de manufatura digital? Lançamos, em 2018, um teste online e gratuito, para que qualquer empresa possa conhecer o seu nível de maturidade neste processo - www.senai40.com.br. Até o momento, 412 empresas responderam a esse formulário:

A média de maturidade, do total de respondentes, é de 2.45, em uma escala de 0 a 5. Ou seja, na média, as empresas brasileiras estão apenas no início do trajeto.

Mas existem empresas com alta maturidade. Por curiosidade, analisamos então as 50 melhores empresas (maturidade >=3,52) e as comparamos com as 50 piores empresas neste ranking (maturidade <= 1,61).

Entre as empresas de pior índice de maturidade, há predominância das pequenas e microempresas, mas, ainda assim, existem grandes e médias empresas:

Curiosamente, entre as empresas com melhores índices de maturidade em indústria 4.0, podemos perceber uma participação quase que igualitária entre os diferentes portes: Total 412 respostas

Percebe-se, então, que porte é importante, mas não é determinante. Sendo assim, a próxima pergunta que se faz é: o que, então, é determinante? Qual a sua opinião?

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Revista MS Industrial - Ed. 104  

Revista MS Industrial Ed. 103 - Made in MS

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