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ANÚNCIO

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ANÚNCIO

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[ DIRETORIA] Presidente: Sérgio Marcolino Longen 1° Vice-Pres.: Alonso Resende do Nascimento 2° Vice-Pres.: José Francisco Veloso Ribeiro 3° Vice-Pres.: Ivo Cescon Scarcelli 1º Vice-Pres Regional: Luiz Cláudio Sabedotti Fornari 2° Vice-Pres Regional: Sidnei Pitteri Camacho 3º Vice-Pres Regional: Lourival Vieira Costa 4º Vice-Pres Regional: Roberto José Faé 5º Vice-Pres Regional: Gilson Kleber Lomba 1° Secretário: Cláudia Pinedo Zottos Volpini 2° Secretário: Juarez Falcão Alves 3° Secretário: Irineu Milanesi 1° Tesoureiro: Altair da Graça Cruz 2° Tesoureiro: Edis Gomes da Silva 3° Tesoureiro: Milene de Oliveira Nantes Diretores Lenise de Arruda Viegas Edemir Chaim Asseff João Batista de Camargo Filho Ligia Queiroz de Brito Machado Kleber Luiz Recalde Isaías Bernardini Antônio Breschigliari Filho Julião Flaves Gaúna Marismar Soares Santana Marcelo De Carli Ferreira Marcelo Alves Barbosa Zigomar Burille Marcelo Galassi Osvaldo Fleitas Centurion Antônio Carlos Nabuco Caldas Nilvo Della Senta

SISTEMA FIEMS DIRETOR CORPORATIVO SISTEMA FIEMS: Cláudio Jacinto Alves DIRETOR REGIONAL DO SENAI/MS: Jesner Marcos Escandolhero SUPERINTENDENTE DO SESI/MS: Bergson Henrique S. Amarilla

LOGO REVISTA

SUPERINTENDENTE DO IEL/MS: José Fernando Gomes do Amaral

R E V I S TA

MSINDUSTRIAL

Conselho Fiscal Efetivos: Sandro Luiz Mendonça José Paulo Rímoli Silvana Gasparini Pereira Suplentes: José Aguilar Monteiro Edson Germano Irma Tinoco Atagiba Asseff Delegados junto à CNI Efetivos: Sérgio Marcolino Longen Roberto José Faé Suplentes: Irineu Milanesi Alfredo Fernandes 4 •

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Revista da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul

Diretor de Comunicação: Robson Del Casale (DRT/MS 064) Fotos: Ademir Almeida, JJ Cajú, Nilson de Figueiredo, Ricardo Flores, Valdenir Resende e Unicom/Fiems Endereço: Avenida Afonso Pena, 1.206 - 2º Andar Bairro Amambaí - Campo Grande/MS - 79.005-901 E-mail: unicom@sfiems.com.br Site: www.fiems.com.br Fone: (67) 3389-9017 As opiniões contidas em artigos assinados são de total responsabilidade de seus autores, não refletindo, necessariamente o posicionamento do Sistema Fiems Revista Mensal - 10 mil exemplares


[ EDITORIAL]

O “NATAL” DA INDÚSTRIA “Neste mês, procuramos celebrar a indústria, pois o processo de industrialização do Estado veio para ficar” O mês de maio tem um significado especial para os empresários industriais, pois é quando se comemora o dia da Indústria. Para nós empresários do setor industrial, o dia 25 de maio é o nosso Natal. E, por isso, neste mês, procuramos celebrar a indústria, pois o processo de industrialização do Estado veio para ficar. Felizmente, ano após ano, a indústria tem contribuído com o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. Nessa linha, entendo que a indústria tem o que comemorar, pois vem avançando bem, trazendo oportunidades para muitos municípios, vem se consolidando em vários segmentos, então, é uma data importante para todos nós. O setor está se consolidando e a atividade cada vez mais vem requerendo e necessitando de cuidados. A competitividade da indústria hoje é uma preocupação de todos nós e alguns segmentos avançam, outros vêm ficando para trás, mas o Sistema Fiems, que apoia o desenvolvimento da indústria, precisa estar estruturado. Nós precisamos avaliar o que vem acontecendo com a indústria do nosso Estado, nos adaptarmos, na prática, à indústria 4.0, que é o grande desafio para 2018 de toda a nossa área técnica, e, nesse sentido, lançar novos pro-

dutos que atendam essa nova frente. É necessário avançar mais na educação básica dos trabalhadores da indústria. Hoje, temos muitas demandas por mão de obra qualificada em todo o Estado, porém, a ausência desse ensino básico acaba complicando para o trabalhador na hora de fazer uma capacitação profissional. Por isso, muitas vezes, temos dificuldade de implantar os cursos técnicos, então, esse é um desafio novo para nós. Acredito que o Estado caminha a passos largos em direção à industrialização e, apesar dos momentos de dificuldades, ainda tem boas condições de superar isso. O Brasil não é isso que muitas vezes vemos ao ligar a televisão ou lendo o jornal, mas se trata de um país de presente e de futuro, que passa por ajustes dos mais dramáticos, mas é uma nação que vem sendo passada a limpo. O papel do Poder Judiciário,

com ações que vêm dando resultados, ou seja, mostra para o mundo inteiro que o Brasil tem leis e que elas têm de ser cumpridas por todos. As instituições estão fortalecidas, mas precisamos dar segurança para a sociedade. Temos um ano propício para ajudarmos como sociedade civil, de avaliar o que está trazendo o mal para o Brasil e o que está trazendo de bom, porque é um momento importante para todos nós brasileiros. A indústria vai bem, a retomada de crescimento já é realidade em muitos segmentos e com certeza o Estado terá outras melhorias. Precisamos cada vez mais mostrar para os que aprenderam a buscar benefícios de outras formas que é no trabalho que as conquistas virão, na educação que as coisas acontecerão. Eu confio muito no trabalho e entendo que esse Brasil de hoje precisa se achar novamente na busca do direito, mas também na busca do trabalho.

SÉRGIO LONGEN - Presidente da Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul) MS INDUSTRIAL | 2018 • 5


[ SUMÁRIO]

30 CAPA

No Mês da Indústria a Fiems promove várias ações para mostrar a força do setor em MS

ENTREVISTA

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Chairman e presidente internacional do LIDE, Luiz Fernando Furlan fala sobre união empresarial

CNI

RADAR de 14 Exportação industrializados de MS já

registra aumento de 25% no ano

MICROEMPRESA

atrair e fidelizar aponta caminhos para 28 Curso 38 Para clientes, lava-jatos exportação aos empresários de Mato Grosso do Sul

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apostam em serviço delivery, agendamento por whatsapp e plano mensal

SINDICAL

22 Reparos e manutenção

mantêm atividades das indústrias metalmecânicas em Mato Grosso do Sul

INOVAÇÃO

(Núcleo de Inovação 40 NIT Tecnológica) do Senai oferece serviços de registros de marcas e patentes


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LOGÍSTICA

54

26

IEL FAZ

VAREJO

INTERNACIONAL

SESI FAZ

alerta que dívida 48 FMI bate recordes e ameaça a

com a Metodologia 50 Parceria Gustavo Borges vai oferecer

SENAI FAZ

UNIÃO

SST

técnicos na 52 Cursos modalidade a distância

do LIDE no 58 Lançamento Estado reúne empresários e

INDUSTRIALIZAÇÃO

Laguna movimenta 42 Usina a economia de Batayporã, Nova Andradina e Taquarussu

estão com matrículas abertas até o próximo dia 16 de maio

economia mundial

políticos na Casa da Indústria

aulas de natação nas escolas de Corumbá e Três Lagoas

desenvolve produto 60 Sesi para reduzir doenças e afastamentos do trabalho

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[ E N T R E V I S TA ]

Luiz Fernando Furlan

Chairman e presidente internacional do LIDE

TEMOS A TENDÊNCIA DE ACHAR QUE OS OUTROS VÃO RESOLVER OS PROBLEMAS DO BRASIL, MAS ISSO NÃO VAI ACONTECER”

Natural de Concórdia (SC), Luiz Fernando Furlan graduou-se em Engenharia Química pela Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) e em Administração de Empresas pela Universidade Sant’Anna. Fez ainda os cursos de especialização em Administração Financeira na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, e em Aprimoramento Empresarial na Universidade de São Paulo (USP). Em 1976 começou a trabalhar na Sadia e, a partir de 1993, assumiu a Presidência do Conselho de Administração. Em janeiro de 2003, assumiu o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, permanecendo no cargo até março de 2007. Em dezembro de 2007 assumiu a presidência do conselho da Fundação Amazonas Sustentável. Em outubro de 2008 reassumiu a presidência do conselho de administração da Sadia e, em 2009, com a fusão da Perdigão e Sadia, formou-se a Brasil Foods e ele assumiu a co-presidência da nova empresa. Presidiu diversas associações nacionais e internacionais, e, atualmente, acumula os cargos de chairman e presidente internacional do LIDE. MS INDUSTRIAL | 2018 • 9


Uma das indústrias que mais crescem no mundo é a indústria do lazer e do turismo. As pessoas vivem mais, têm mais tempo, têm mais renda e nós temos um potencial fantástico aqui em Mato Grosso do Sul ainda a ser desenvolvido

Como o senhor avalia o otimismo do empresário com relação a novos investimentos? Em todos os encontros do LIDE fazemos uma pesquisa aos presentes. Ela é feita por tablets e depois processada por um professor da Fundação Getúlio Vargas. Nós fazemos isso há anos e o que aconteceu na última pesquisa foi surpreendente para todos: o grau de otimismo dos 300 empresários presentes foi extraordinário. Em perguntas se vai contratar ou demitir, o demitir teve 8%, enquanto o contratar ficou com a maioria das respostas. Se vai investir foi a mesma coisa. Se as vendas vão crescer em 2018 também. Então ganhamos vários pontos percentuais de otimismo em relação ao almoço realizado no final do ano passado. E nessa série histórica nós já voltamos ao nível de otimismo que tínhamos antes da crise na visão dos empresários. Acredita que o aumento do PIB representa uma retomada da economia? Sem dúvida. Esse vai ser o ano do 4-3-3, mesmo sem querer falar de futebol. Nós vamos ter aí entre taxa de juro real, inflação e crescimento um 4-3-3. Pode10 •

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Nós precisamos nos mobilizar para fazer com que as coisas aconteçam e o LIDE é uma forma de nos organizarmos”

mos ter 4 de crescimento, 3 de inflação e 3 de juro real. Ou esse 4-3-3 pode ser um 3-4-3, mas eu sou muito otimista em relação a este ano. De que forma o LIDE pode contribuir com o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul? O LIDE tem essa vivência de mais de 15 anos de um modelo que deu certo, que os empresários que participam, que criam valor de conhecimento, de debates, de negócios e era uma lacuna dentro do LIDE não contar com Mato Grosso do Sul, porque temos outros Estados da região Centro-Oeste. O conhecimento que Mato Grosso do Sul desenvolveu em diversos setores, inclusive a gestão estadual, com apenas dez secretarias, é um bom exemplo a ser seguido. Há muitas coisas que na interação com outros Estados vão aparecer para complementar. Por isso é tão importante um grupo como o LIDE, que contribui para a troca de experiências. O Estado vai continuar pagando os servidores em dia? O governo continuará desenvolvendo uma gestão baseada na eficiência e na responsabilidade, buscando o equilíbrio fiscal, de modo a permitir a cumprir suas obrigações finan-


ceiras, dentre elas o pagamento da folha salarial dos servidores, nos prazos e condições impostas pela legislação.

Como a Fiems pode contribuir com essa missão do LIDE? O LIDE não compete com as entidades de classe. Na verdade, nós somamos. Somos uma salada mista com vários setores, várias lideranças, que criam uma agenda comum. Então a agenda da Federação das Indústrias certamente estará representada no LIDE Mato Grosso do Sul e essa interação já aparece na própria formatação do nosso grupo, em que pessoas de diversos setores e segmentos se dispõem a participar. Em sua opinião, o Governo perdeu a oportunidade de realizar a Reforma Previdenciária? Acho que perdemos um tempo caro para o Brasil. E seja quem for o candidato eleito nas próximas eleições, terá de enfrentar nos primeiros momentos essa necessidade do país. Quando eu nasci, a expectativa de vida do brasileiro era menor do que a idade que eu tenho hoje. Atualmente já se fala em pessoas que podem chegar aos 100 anos.

“A agenda

da Federação

das Indústrias

certamente estará representada

no LIDE Mato

Grosso do Sul e essa interação já

O que representa o lançamento do LIDE em Mato Grosso do Sul? Quando falamos em polos de exportação, em agronegócio, em tecnologia, nós estamos olhando para o Centro-Oeste, incluindo aí Mato Grosso do Sul. Essa convivência com a biodiversidade e oportunidades de turismo tem um potencial muito grande a ser explorado, tanto nacional como internacionalmente. Uma das indústrias que mais crescem no mundo é a indústria do lazer e do turismo. As pessoas vivem mais, têm mais tempo, têm mais renda e nós temos um potencial fantástico aqui em Mato Grosso do Sul ainda a ser desenvolvido.

aparece na própria formatação do nosso grupo

Uma criança que nasce hoje tem a capacidade de viver até bem perto dos 100 anos. Alguns trabalham 25, 30 anos e depois? Alguém vai ter de pagar por essas pessoas. Então isso vai ter de mudar. Já mudou no mundo inteiro, inclusive em países da Europa, o Japão, que é um dos países mais longevos do mundo. Há que se trabalhar mais, contribuir mais para poder garantir a aposentadoria no futuro O senhor comentou que além da Reforma da Previdência, é imprescindível uma Reforma Tributária... Eu acho que o Brasil é um dos países mais complexos e complicados do mundo. É difícil uma pequena empresa aqui cumprir com as suas obrigações tributárias. Então simplificar já seria um grande avanço, consolidando tributos, fazendo a vida de quem trabalha mais fácil. Quais os principais desafios para a classe empresária nesse momento de retomada da economia? Acho que o maior desafio é sair desse comodismo em que nos encontramos. Sou empresário, meu DNA é de quem trabalhou a vida inteira na indústria e no comércio. Temos a tendência de achar que os outros vão resolver os problemas do Brasil, mas isso não vai acontecer. Nós precisamos nos mobilizar para fazer com que as coisas aconteçam e o LIDE é uma forma de nos organizarmos. Somos um grupo apartidário, mas temos interesse em ouvir os candidatos à Presidência da República e estimular o debate, fazendo perguntas, para que possamos extrair dos candidatos o que é de interesse de todos, não apenas aquilo que eles querem colocar no discurso. MS INDUSTRIAL | 2018 • 11


[ CHARGE ]

[ OLHAR ] GOVERNO ATENDE FIEMS E ASFALTA VIA QUE LIGA DISTRITO INDUSTRIAL A AEROPORTO EM TRÊS LAGOAS Em visita ao Distrito Industrial de Três Lagoas, o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck, comunicou ao presidente da Fiems, Sérgio Longen, que as obras de pavimentação asfáltica da Avenida Marcolino Carlos de Souza, principal via de acesso do núcleo empresarial até o Aeroporto Municipal, serão concluídas na segunda quinzena do mês de junho deste ano. A pavimentação desse trecho, de cerca de 1,3 mil metros, é uma reivindicação antiga da Fiems junto ao Governo do Estado, pois, atualmente, o asfalto vai somente da BR-158 até o aeroporto e, agora, vai chegar até o parque industrial de Três Lagoas. A via é utilizada diariamente por cerca de 5,6 mil trabalhadores das indústrias instaladas no Distrito Industrial. 12 •

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SILEMS, SENAI, SEMAGRO E SED PROMOVEM CONCURSO DE DESENHO E REDAÇÃO PARA ESTUDANTES

Laboratório chamou a atenção dos visitantes da feira

IST ALIMENTOS E BEBIDAS FAZ ENSAIOS CIENTÍFICOS EM FEIRA DE TECNOLOGIA EM DOURADOS Com um laboratório para fazer ensaios microbiológicos e físico-químicos de alimentos e bebidas, o estande do IST Alimentos e Bebidas (Instituto Senai de Tecnologia em Alimentos e Bebidas) chamou a atenção dos visitantes da 3ª edição da Feira de Tecnologias e Conhecimentos para a Agricultura Familiar (Tecnofam), realizada na Embrapa Agrope-

cuária Oeste, em Dourados (MS). Segundo o coordenador do IST Alimentos e Bebidas, Carlos Henrique da Silva, o evento foi uma oportunidade de divulgar aos visitantes o portfólio de produtos e serviços técnicos e tecnológicos e consultorias disponibilizados pela unidade instalada no município da região sul do Estado.

Em comemoração ao Dia Mundial do Leite, celebrado em 1º de junho, o Silems, o Senai, a Semagro e a SED promovem um concurso de desenho e redação destinado aos alunos do 1º ao 5º ano da Rede Estadual de Ensino. Para esta edição, o tema escolhido foi “Leite: Alimento para a Vida” e busca trabalhar com os alunos das escolas estaduais a importância desse alimento e seus derivados para a saúde.

SINDIVEST E SINVESUL BUSCAM INTEGRAR AÇÕES NO INTERCÂMBIO DE LIDERANÇAS SETORIAIS

COM 371 MATRÍCULAS, “SENAI NA SUA CIDADE” ABRE 20 TURMAS EM 18 MUNICÍPIOS A campanha “Senai na Sua Cidade”, que leva educação profissional a municípios onde não há uma unidade fixa por meio de salas de aula móveis ou utilizando a infraestrutura das bibliotecas da Indústria do Conhecimento do Sesi, realizou 371 matrículas distribuídas por 20 turmas nas cidades de Cassilândia, Chapadão do Sul, Inocência, Paranaíba, Aquidauana, Terenos, Deodápolis, Nova Alvorada do Sul, Rio Brilhante, Amambai, Laguna Carapã, Jardim, Bela Vista, Nioaque, Eldorado, Coxim, Rio Negro e Água Clara.

Francisco Veloso durante reunião no Rio de Janeiro

Os presidentes do Sindivest/MS (Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Vestuário, Tecelagem e Fiação de Mato Grosso do Sul) e do Sinvesul (Sindicato das Empresas do Vestuário Industrial da Região Sul do Estado), José Francisco Veloso Ribeiro e Egon Hamester, respectivamente, participaram do 4º Intercâmbio de Lideranças Setoriais da Indústria Têxtil e do Vestuário, realizado no Senai Cetiqt, no Rio de Janeiro (RJ). Eles visitaram o Veste Rio, principal plataforma de moda do País, unindo Salão de Negócios, Outlet com as melhores marcas brasileiras, ciclo de palestras, desfiles e gastronomia. MS INDUSTRIAL | 2018 • 13


[ R A DA R

FIEMS

]

MELHOR FEVEREIRO Exportação de industrializados de MS já registra aumento de 25% no ano A receita com as exportações de produtos industrializados de Mato Grosso do Sul já registra aumento de 25% no período de janeiro a fevereiro deste ano comparado com o mesmo período do ano passado, saltando de US$ 454,50 milhões para US$ 566,45 milhões, conforme levantamento do Radar Industrial da Fiems. Na comparação de fevereiro de 2017 com fevereiro de 2018, a receita com a exportação de produtos industriais é ainda maior, alcançando crescimento de 56%, saindo de US$ 193,12 milhões para US$ 300,92 milhões. Segundo o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems, Ezequiel Resende, esse foi o melhor resultado dos últimos 40 meses, sendo ainda o maior valor já registrado para o mês de fevereiro em toda a série histórica das exportações industriais de Mato Grosso do Sul. “Em relação à participação relativa, no mês, a indústria respondeu por 90% de toda a receita de exportação de Mato Grosso do Sul, enquanto no acumulado do ano, na mesma comparação, a participação ficou em 85%”, informou. Ainda de acordo com ele, os grandes responsáveis por esse bom desempenho continuam sendo os grupos “Celulose e Papel”, “Complexo Frigorífico”, “Extrativo Mineral”, “Couros e Peles” e “Óleos Vegetais” que, somados, represen14 •

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taram 93,4% da receita total das vendas sul-mato-grossenses de produtos industriais ao exterior. “No primeiro trimestre deste ano, conforme dados da Semagro, a celulose foi o produto mais exportado pelo Estado, respondendo por 41% de participação na balança comercial estadual. Condição que pode ser reforçada nos próximos meses pelo aumento do preço da celulose anunciado pela Fibria para o mês de abril”, analisou. PRINCIPAIS GRUPOS No caso do grupo “Celulose e Papel”, a receita no período avaliado foi de US$ 278,1 milhões, crescimento de 69% comparado com a somatória de janeiro e fevereiro de 2017, dos quais 97,8% foram obtidos apenas com a venda da celulose (US$ 272,1 milhões). Os principais compradores foram a China, com US$ 134,5 milhões, Itália, com US$ 35,7 milhões, Holanda, com US$ 28,7 milhões, e Estados Unidos, com US$ 18,3 milhões. Já no grupo “Complexo Frigorífico” a receita conseguida na soma de janeiro e fevereiro deste ano foi de US$ 161 milhões, uma elevação de 16% na relação ao mesmo período do ano passado, sendo que 36,3% do total alcançado são oriundos das carnes bovinas desossadas congeladas, que totalizaram US$ 58,4 milhões. Para esse grupo, os principais compradores

foram Hong Kong, com US$ 38,7 milhões, Chile, com US$ 20,4 milhões, Arábia Saudita, com US$ 12,5 milhões, e China, com US$ 10,6 milhões. O grupo “Extrativo Mineral” aparece em terceiro com melhor desempenho com uma receita de US$ 45,8 milhões no período analisado, aumento de 41% comparado com a somatória de janeiro e fevereiro do ano passado, sendo que 76,7% desse montante foi alcançado pelos minérios de ferro e seus concentrados, que somaram US$ 26 milhões. Nesse grupo, os principais compradores foram Uruguai, com US$ 22,7 milhões, Argentina, com US$ 20,6 milhões, Chile, com US$ 1,2 milhão, e Emirados Árabes Unidos, com US$ 1 milhão. OUTROS GRUPOS - Os outros grupos que também apresentaram crescimento nos primeiros dois meses deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado foram “Óleos Vegetais” e “Couros e Peles”, que tiveram altas de 385% e 36%, respectivamente. O grupo “Óleos Vegetais” obteve receita de US$ 26,4 milhões e os principais produtos vendidos para o exterior foram farinhas e pallets, com US$ 23,9 milhões. Os principais países compradores desses produtos foram Tailândia, com US$ 11,2 milhões, Indonésia, com US$ 8,7 milhões, Espanha, com US$ 3,5 milhões, e


Holanda, com US$ 2,8 milhões. “Dados do CEPEA apontam que a demanda por farelo de soja esteve maior do que a oferta do produto em fevereiro, devido à baixa disponibilidade de soja em grão no Brasil e ao menor processamento da oleaginosa na Argentina. Com isso, os valores do farelo subi-

ram com força nos Estados Unidos e no Brasil, principais concorrentes da Argentina nas exportações do derivado”, pontuou o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems. O grupo “Couros e Peles” teve receita de US$ 17,8 milhões e os principais produtos foram outros

couros e peles não divididos de bovinos, com US$ 9,8 milhões e outros couros e peles inteiros, divididos de bovinos, com US$ 3,5 milhões. Nesse grupo, os principais compradores foram China, com US$ 8,9 milhões, Itália, com US$ 4,8 milhões, e Vietnã, com US$ 1,2 milhão.

+ 25%

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Intenção de investimentos da indústria de MS tem melhor março dos últimos 5 anos O índice de intenção de investimento do empresário industrial de Mato Grosso do Sul apresentou o melhor resultado para o mês de março dos últimos cinco anos, alcançando 57,3 pontos e indicando crescimento de 4,7 pontos sobre fevereiro, quando o resultado foi de 52,6 pontos, conforme a Sondagem Industrial realizada pelo Radar Industrial da Fiems. Na prática, esse resultado é 12,4 pontos maior que a média obtida para o mês de março nos anos de 2014, 2015, 2016 e 2017, lembrando que o índice varia de zero a 100 pontos e, quanto maior o índice, maior é a intenção de investir. De acordo com o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems, Ezequiel Resende, o índice de expectativa do empresário industrial também foi positivo. “A demanda marcou 58,3 pontos, sinalizando expectativa de aumento para os próximos seis meses a partir de março, enquanto em relação à contratação de empregados o índice marcou 50,7 pontos, indicando expectativa de estabilidade nos próximos seis meses. Já em considerando a exportação o índice marcou 58,6 pontos, demonstrando expectativa de aumento nos próximos seis meses a partir de março”, detalhou Ezequiel Resende. ICEI - Em março, o Índice de Confiança do Empresário Industrial de Mato Grosso do Sul (ICEI/MS) alcançou 61,2 pontos, sendo o melhor resultado para o mês dos últimos seis anos. O índice alcançado em março de 2018 é 11,4 pontos maior que a média obtida para o mesmo mês considerando os anos de 2013, 2014, 2015, 2016 e 2017. Adicionalmente, todos os componentes do indicador de expectativas permanecem acima da linha divisória dos 50 pontos, 16 •

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sinalizando que para os próximos seis meses devem ocorrer melhoras na economia brasileira, sul-mato-grossense e, principalmente, no desempenho da própria empresa. “Em relação as condições atuais, todos os itens avaliados também apresentaram resultados superiores aos 50 pontos”, reforçou o economista, completando que, ainda no mês de março, 15,9% dos respondentes consideraram que as condições atuais da economia brasileira pioraram, no caso da economia estadual, a piora também foi apontada por 15,9% dos participantes e, com relação à própria empresa, as condições atuais também estão piores para 14,4% dos empresários. Além disso, para 43,5% dos empresários não houve alteração nas condições atuais da economia brasileira, sendo que em relação à economia sul-mato-grossense esse percentual foi de 42,0% e, a respeito da própria empresa, o número também chegou a 43,5%. E, por fim, para 33,3% dos empresários as condições atuais da economia brasileira melhoraram, enquanto em relação à economia estadual esse percentual também chegou a 33,3% e, no caso da própria empresa, o resultado foi de 31,9%. Já os que não fizeram qualquer tipo de avaliação responderam respectiva-

mente por 7,2%, 8,7% e 10,1%. EXPECTATIVAS - As expectativas para os próximos seis meses a partir de março indicam que 5,7% dos respondentes disseram que estão pessimistas em relação à economia brasileira. Em relação à economia estadual, o resultado também alcançou 5,7% e, quanto ao desempenho da própria empresa, o pessimismo também foi apontado por 5,8% dos empresários. Os que acreditam que a economia brasileira deve permanecer na mesma situação ficou em 36,2%, sendo que em relação à economia do Estado esse percentual alcançou 40,6% e, a respeito da própria empresa, o número chegou a 30,4%. Por fim, 53,6% dos empresários se mostraram confiantes e acreditam que o desempenho da economia brasileira vai melhorar. Já em relação à economia estadual, esse percentual chegou a 47,3% e, no caso da própria empresa, 59,4% dos respondentes confiam numa melhora do desempenho apresentado. Os que não fizeram qualquer tipo de avaliação das expectativas em relação à economia brasileira, estadual e do desempenho da própria empresa responderam por 4,3%, 5,8% e 4,3%, respectivamente.


Pelo 2º mês consecutivo, indústria de MS registra saldo positivo de empregos O setor industrial de Mato Grosso do Sul, que é composto pelas indústrias de transformação, de extrativismo mineral, de construção civil e de serviços de utilidade pública, voltou a registrar, pelo 2º mês consecutivo, saldo positivo na geração de empregos, conforme levantamento do Radar Industrial da Fiems. De acordo com o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems, Ezequiel Resende, a exemplo de janeiro, o mês de fevereiro deste ano teve 4.780 contratações e 4.433 demissões, resultando em um saldo de 347 postos de trabalho. Além disso, no acumulado do ano, o saldo positivo é de 917 postos de trabalho, resultado de 9.288 contratações e 8.371 demissões. No caso do mês de fevereiro, o saldo positivo pode ser creditado à indústria da construção (+143), metalúrgica (+60), da madeira e do mobiliário (+46) e de alimentos e bebidas (+46), enquanto no acumulado do ano esse bom desempenho é graças à indústria da construção (+290), de alimentos e bebidas (+186), metalúrgica (+162), química (+85), têxtil, confecção e vestuário (+81), mecânica (+80) e da madeira e do mobiliário (+78).

cios (+233), obras de terraplenagem (+94), fabricação de madeira laminada e de chapas de madeira compensada, prensada e aglomerada (+86) e fabricação de álcool (+65). Por outro lado, 75 atividades industriais apresentaram saldo negativo, ocasionando o fechamento de 718 vagas, com destaque para construção de rodovias e ferrovias (-178) e montagem de instalações industriais e de estruturas metálicas (-68). Em relação aos municípios, constatou-se que em 41 deles as atividades industriais registraram saldo positivo de contratação em fevereiro de 2018, com destaque para Campo Grande (+613), Rio Brilhante (+152), Água Clara (+151), Naviraí (+115), Dourados (+93) e Deodápolis (+76). No entanto, em 29 municípios as atividades industriais registraram saldo negativo, com destaque para Três Lagoas (-160), Corumbá (-114), Aparecida do Taboado (-112) e Angélica (-67).

ACUMULADO - Ezequiel Resende acrescenta que, nos últimos 12 meses, o saldo ainda continua negativo de 5.192 postos de trabalho fechados pela indústria estadual, fruto das 57.883 contratações e 63.075 demissões. “Os maiores saldos nos últimos 12 meses foram registrados pelas indústrias de alimentos e bebidas (+639), do papel, papelão, editorial e gráfica (+206), da borracha, couros, peles e similares (+191), da madeira e do mobiliário (+149) e metalúrgica (+110)”, informou. Ele explica que, com esse saldo positivo, o conjunto das atividades industriais em Mato Grosso do Sul encerrou o mês de fevereiro de 2018 com 120.923 trabalhadores empregados, indicando aumento de 0,35% em relação a janeiro de 2018, quando o contingente ficou em 120.504 funcionários. “Atualmente, a atividade industrial responde por 19,1% de todo o emprego formal existente no Estado, ficando atrás dos setores de serviços, que emprega 192.228 trabalhadores e tem participação equivalente a 30,3%, de comércio, com 125.692 empregados e 19,8%, e de administração pública, com 122.470 empregados ou 19,3%”, informou. DETALHAMENTO - No mês de fevereiro, 110 atividades industriais apresentaram saldo positivo de contratação, proporcionando a abertura de 1.635 vagas, com destaque para construção de edifíMS INDUSTRIAL | 2018 • 17


[ LO G Í S T I C A ]

DE VOLTA AOS TRILHOS Com alto custo dos combustíveis, transporte ferroviário volta a ser viável e Estado tenta reativar esse modal

Mato Grosso do Sul é um estado que tem se desenvolvido em vários segmentos, como indústria e agricultura, mas que ainda tem entre os principais gargalos a questão da logística. Com o constante aumento dos preços dos combustíveis, o modelo de transporte via rodovias – do qual ainda somos muito dependentes – se torna ainda mais caro, além de ser mais demorado e mais perigoso. Diante desse problema, o Governo do Estado tem alcançado avanços importantes em relação à busca de alternativas para melhorar a logística e escoar a produção interna, que englobam as hidrovias e ferrovias. “Hoje a ferrovia é considerada um modal de suma importância para o desenvolvimento do Estado, visto que é um modelo de transporte mais eficiente, capaz de levar e trazer grandes quantidades de produtos de uma só vez e com segurança. O Governo do Estado entende isso e vê na Malha Oeste, hoje administrada pela Rumo ALL, um potencial a ser explorado”, afirmou o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck. Ele ainda ex-

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plicou que a implantação de ferrovias é um ato que demanda muito planejamento e investimento. A melhor opção para baratear o transporte da produção sul-mato-grossense seria reestruturar a malha ferroviária que já existe no Estado e que está atuando, mas não com toda sua capacidade. “Para isso, o Governo tem feito uma série de negociações com a Rumo ALL, que tem hoje a concessão da Malha Oeste, para que os investimentos neste modal continuem, assim como o transporte de cargas”, informou. Atualmente, a Malha Oeste está operante com três contratos, sendo o transporte de celulose da Fibria de Três Lagoas para Santos, minério de ferro da Vale de Corumbá até Porto Esperança e vergalhão de ferro da Arcelor Mittal de São Paulo até Corumbá, que sai para exportação pela Bolívia. Buscando maior aproveitamento da ferrovia e a integração com a América do Sul, o Governo

do Estado está apoiando o projeto que cria a ferrovia TransAmericana, que quer transformar a Malha Oeste em um corredor integrado com a Bolívia e o Chile. TRANSAMERICANA – A Ferrovia TransAmericana – que vai ligar o porto da cidade de Ilo, no Peru, ao Porto de Santos (SP), passando por Mato Grosso do Sul – deve usar tecnologia alemã para ser colocada em funcionamento. Documento assinado no final de março pelo Ministério dos Transportes e a Embaixada da Alemanha é um marco para a viabilização do projeto. A vice-governadora Rose Modes-


MALHA FERROVIÁRIA DE MS - A rede ferroviária de Mato Grosso do Sul é composta de 1.618 km de extensão - 1.208 km da Rumo - 410 km da FerroNorte - O trecho da Rumo vai de Três Lagoas a Corumbá, passando por Campo Grande e, por meio do ramal de Indubrasil, segue para Ponta Porã, com 304 km de extensão - O trecho da FerroNorte vai de Aparecida de Taboado (divisa com o Estado de São Paulo) a Alto Taquari (divisa com o Estado do Mato Grosso).

to e o secretário Jaime Verruck, da Semagro (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar) representaram o Governo do Estado durante o ato de assinatura da Declaração Conjunta de Intenção para Cooperação para o Desenvolvimento do Setor de Transportes e Infraestrutura, firmado entre o Brasil e a Alemanha. “A ligação das ferrovias ainda abre conexão com a Ferrovia Andina, ligada aos portos do Oceano Pacífico. Dessa forma, a ferrovia tem potencial para conectar oceano Atlântico e Pacífico, escoando a produção sul-mato-grossense”, destacou Jaime Verruck. O projeto é encabeçado pela Rumo, junto com a Ferrovia Oriental e Andina, o Hub Intermodal de Três Lagoas e a Transfesa. O Governo do Estado apoia a proposta e tem trabalhado para incluir a Ferrovia TransAmericana no PPI (Programa de Parcerias e Investimentos), para passar a ser prioridade também do

Governo Federal. “Para que seja viável, o projeto depende da prorrogação da concessão da Malha Oeste para a Rumo por mais 30 anos, visto que o atual contrato acaba em 10 anos. A realização de um road show com empresários e o financiamento do empreendimento orçado previamente em 2 bilhões de dólares também são condições para a TransAmericana”, explicou o titular da Semagro. FERROESTE – Além da TransAmericana, outro projeto busca a implantação de um tronco ferroviário em Mato Grosso do Sul. Trata-se da Ferrovia Dourados-Paranaguá, lançada em novembro de 2017 e encabeçada pelo Governo do Paraná com apoio do Governo de Mato Grosso do Sul, para escoar a produção de grãos dos dois Estados. O valor estimado do estudo é de R$ 24 milhões, sendo que é de R$ 10 bilhões, aproximadamente, o custo médio para a implantação da nova ferrovia e do novo ramal que,

juntos, devem alcançar a extensão de mil quilômetros de trilhos. Durante o lançamento do projeto, o presidente da Fiems, Sérgio Longen, destacou que esse investimento de melhoria das condições logísticas entre o Estado e o Paraná vai contribuir para garantir a competitividade da indústria, do comércio e do agronegócio sul-mato-grossense. “Com certeza, o maior ganho dessa ferrovia será a competitividade dos nossos produtos. Temos um levantamento feito superficialmente que pode dar uma média de R$ 5,00 a mais de ganho ao produtor pela saca de soja, se embarcando na exportação via ferrovia de Dourados. Então é um ganho significativo para o Estado e mais competitividade para os nossos produtos”, analisou Sérgio Longen. Para o governador Reinaldo Azambuja, o projeto de implantação de um tronco ferroviário ligando Dourados ao porto de Paranaguá é uma conquista para todo o setor produtivo de Mato Grosso do Sul. MS INDUSTRIAL | 2018 • 19


[ BRASIL

INDUSTRIAL

]

LIVRE COMÉRCIO

Para a indústria brasileira, rede de tratados bilaterais com Irã vai garantir regras mais estáveis

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) incluiu o Irã como uma das prioridades na Agenda Internacional da Indústria 2018, no esforço de ampliar os vínculos institucionais com o país. Desde a retirada progressiva de sanções contra o Irã, há dois anos, o setor privado brasileiro se encontrou com o governo e empresários do país em três momentos para fortalecer as relações econômicas, comerciais e de investimentos. “A CNI considera que, neste momento, devemos priorizar a agenda econômica, de comércio exterior e de investimentos com o Irã. E o início das negociações para a celebração de um acordo comercial entre o Mercosul e o Irã é um dos temas mais importantes”, disse o vice-presidente da CNI e presidente do Conselho Temático de Integração Internacional, Paulo Tigre. Ele participou da abertura do Seminário de Relações Econômicas e Comerciais Brasil-Irã, na terça-feira (10 de Abril), na sede da 20 •

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CNI em Brasília. A indústria defende, ainda, o início de negociações de Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI) e de Acordo para Evitar a Dupla Tributação, para assegurar regras mais estáveis para as empresas dos dois países. Segundo Paulo Tigre, há diversas oportunidades de comércio, investimentos, integração e de cooperação ainda não exploradas, em segmentos como energia, indústria de defesa e automotivo. O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Marcos Jorge, afirmou que é possível desenvolver projetos conjuntos, com benefícios mútuos, em setores tão diversos como máquinas e equipamentos, petróleo e gás, mineração, petroquímica, aviação, autopeças, maquinário agrícola, equipamentos médicos e alimentos processados. “Notamos que o Irã tem buscado modernizar seu parque industrial e sua infraestrutura,


para que – tenho certeza – tenha no Brasil um parceiro de primeira hora. O setor produtivo brasileiro se prontifica certamente a suprir a demanda iraniana por máquinas, equipamentos e serviços, assim como para a realização de investimentos nas diversas áreas”, disse o ministro. De acordo com o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX-Brasil), embaixador Roberto Jaguaribe, atualmente há o ressurgimento de práticas protecionistas e restritivas ao comércio, com questionamentos às regras multilaterais de comércio. “O Brasil se empenha para evitar retrocessos. Somos pragmáticos neste momento: queremos assegurar maior inserção de nosso país no mundo, estabelecendo, para isso, parcerias da mais alta confiança”, garantiu. LADO IRANIANO – Liderando comitiva de 60 empresas industriais ao Brasil, o chanceler iraniano Mohammad Javad Zarif disse querer passar de uma relação comercial simples, concentrada na exportação e importação de poucos produtos, para uma relação econômica diversificada com o Brasil. Zarif garantiu que o país é um parceiro seguro para investimentos no Oriente Médio, Ásia Leste e EuroÁsia. Zarif disse procurar uma saída à falta de financiamento direto entre Brasil e Irã. No momento, bancos brasileiros resistem a manter um relacionamento financeiro com Teerã, por medo de sofrer punições dos Estados Unidos. “O Brasil pode ser a porta de entrada do Irã na América do Sul. Mas os dois governos precisam facilitar a relação econômica e financeira entre os dois países. Uma forma de cooperação é o uso de moedas locais. Acredito que os bancos centrais dos dois países podem chegar a um acordo para nossas trocas”, afirmou o chanceler iraniano. O Irã abriu linha de crédito de US$ 1,2 bilhão para quem quiser exportar para o Brasil. MS INDUSTRIAL | 2018 • 21


[ INCUBADORA

SINDICAL

]

Nilvo Della Senta fabrica máquinas, equipamentos e acessórios, e investe em inovação com uma trava para portões residenciais

UM NOVO CENÁRIO Reparos e manutenção mantêm atividades das indústrias metalmecânicas em Mato Grosso do Sul Ainda que as previsões não sejam otimistas, as indústrias metalmecânicas de Mato Grosso do Sul encontraram um filão para se manterem estáveis no mercado: a reparação automotiva e manutenção de máquinas. Segundo o sindicato que representa o segmento no Estado, o Simemae/MS (Sindicato das Indústrias Metalmecânicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Mato Grosso do Sul), o momento está ruim para a industrialização, mas a procura por consertos 22 •

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e reformas segue crescendo. Segundo o presidente do Simemame/MS, Irineu Milanesi, o cenário é reflexo da crise econômica, que freou investimentos e reduziu o poder de compra da população. Por isso, o brasileiro prefere consertar ao invés de investir em maquinário novo. “Além disso, para aquele que fabrica, conseguir colocar um produto no mercado é praticamente impossível, porque hoje se opera muito abaixo da margem de lucro. Como o empresário não

consegue fabricar uma máquina nova, e o consumidor não pode comprar, há um equilíbrio nesta equação com os serviços de reparos”, afirma. Vice-presidente do Simemae/ MS, Nilvo Della Senta, que fabrica máquinas, equipamentos, peças e acessórios em Campo Grande, confirma o cenário. Até 2012, conta, a ND Metal Indústria produzia itens sob encomenda para grandes empresas do Estado. “Como os pedidos foram cessan-


Presidente do Simemae, Irineu Milanesi avalia que crise econômica reduziu poder de compra da população e freou investimentos

do, paramos de atender demandas de grande volume”, relata. Pela primeira vez, desde então, o empresário decidiu arriscar e, junto dos reparos, colocar um produto novo mercado – uma trava eletromagnética para ser instalada em portões de elevação. “A trava elimina e inibe arrombamento dos portões. O mercado da segurança está em crescimento e, analisando a demanda, constatamos que há uma procura crescente por dispositivos como este. As únicas empresas que fabricam estão em São Paulo e Rio Grande do Sul, ou seja, é um grande filão para a região Centro-oeste”, acrescenta Nilvo Della Senta. O equipamento já foi finalizado e testado com sucesso. Inicialmente, foram produzidas 700 peças, que serão repassadas a distribuidores. “Conforme a procura, novas unidades serão fabricadas. É uma forma de nos manter sem depender de encomendas externas”, finaliza o empresário.

Fonte: Radar Industrial Fiems MS INDUSTRIAL | 2018 • 23


[ ENERGIA]

DE OLHO NA CONTA

Com reajuste da energia elétrica, busca por fontes alternativas ganha força e Senai Empresa dá suporte às indústrias para reduzir gastos Diante do reajuste de 7,91% na tarifa de energia elétrica dos consumidores industriais dos 74 municípios de Mato Grosso do Sul atendidos pela Energisa, o Senai Empresa está reforçando junto aos empresários a disponibilidade de uma série de soluções para que possam reduzir o consumo e, consequentemente, aumentar a competitividade. De acordo com o gerente do Senai Empresa Rodolpho Caesar Mangialardo, indústrias de pequeno e médio porte ainda têm dificuldade para buscar alternativas que reduzam os gastos com energia elétrica e a instituição está pronta para orientar esses industriais.

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“Esses empresários acham que são obrigadas a seguir aquele padrão que está estabelecido na empresa deles há anos, mas conseguimos abrir um pouco a cabeça deles para que tenham um custo menor de energia e se tornem mais competitivos, reduzindo os desperdícios internos e conseguindo se manter mais estáveis no mercado”, afirmou Rodolpho Mangialardo. Ele explica que o Senai Empresa oferece em seu portfólio o PSGE (Programa Senai de Gestão Energética), que tem como objetivo apoiar a indústria para reduzir seus custos com energia elétrica, atuando no contrato de fornecimento com a


distribuidora regional na implantação de projetos de eficiência energética, no apoio à migração para o mercado livre e nos estudos para geração total ou parcial da energia elétrica consumida pela indústria. Segundo o consultor em comercialização de energia do Senai Empresa, Sebastião Dussel, pelo PSGE é possível avaliar as faturas de energia elétrica para identificar as oportunidades de redução, promover o diagnóstico energético nas instalações para otimizar processos e eliminar desperdícios de energia elétrica, avaliar a atratividade de migração para o mercado livre e elaborando estudos econômicos para implantar geração própria a partir de fontes renováveis. “Entre as opções de geração de energia própria, temos a energia fotovoltaica, que conta com linhas de crédito especiais, inclusive FCO para pessoa física. É uma excelente alternativa, que apresenta um retorno no investimento realizado em até seis anos, além do marketing ambiental e do fato de tornar as indústrias mais estáveis”, completou Sebastião Dussel, acrescentando que o Senai Empresa está à disposição do setor empresarial do Estado para avaliar as oportunidades de redução de custo nos processos produtivos.

Consultor do Senai Empresa mostra placa solar instalada na unidade de Campo Grande

SENAI EMPRESA VIAJA O ESTADO COM PROJETO “SISTEMAS FOTOVOLTAICOS” Após percorrer 17 municípios de Mato Grosso do Sul em 2017 para disseminar entre a população do Estado a energia solar como alternativa mais barata e sustentável à energia elétrica, o Senai Empresa vai retomar a agenda de apresentações do projeto “Sistemas Fotovoltaicos”. Na ocasião, consumidores de indústrias e imóveis rurais e residenciais terão a oportunidade de realizar uma simulação de custo da instalação de placas solares, formas de financiamento e, ainda, em quanto a conta de luz pode ser reduzida. Basta levar a última fatura da conta de energia e técnicos do Senai Empresa farão a simulação. “Dependendo do consumo da empresa, a planta fotovoltaica pode suprir parcial ou totalmente a demanda, chegando próximo a zerar a conta de energia elé-

trica, sendo que a energia excedente pode ser utilizada como crédito para faturas futuras”, explicou o gerente do Senai Empresa, Rodolpho Mangialardo. Para ele, trata-se de uma oportunidade de conhecer uma fonte de energia alternativa, que reduz gastos com a conta de luz. “Os consumidores estão acostumados a serem atendidos pelo Sistema Nacional de Transmissão, porém, existem outras formas de consumir energia, que são mais baratas. Desde que o projeto começou, em agosto do ano passado, conseguimos mostrar que o consumo pode ser sustentável e que, com a economia gerada, o empresário pode se manter mais competitivo no mercado, enquanto o consumidor residencial consegue enxugar o orçamento mensal”, analisou. MS INDUSTRIAL | 2018 • 25


[ VA R E J O ]

Banca da Capital é ponto de encontro de quem busca completar álbum

ITEM PARA

COLECIONADOR

A “febre” do álbum de figurinhas da Copa do Mundo movimenta bancas e comércios da Capital

Se a internet provocou profundas mudanças nos hábitos de consumo, com os álbuns de figurinhas oficiais da Copa do Mundo não poderia ser diferente. No mundial de 2018, pela primeira vez os colecionadores têm à disposição aplicativos para smartphones que mostram estatísticas como quais figurinhas são repetidas, quantas 26 •

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faltam e quais já foram preenchidas. Saem de cena a pilha de figurinhas repetidas amarrada por um elástico e acompanhada por uma folha de caderno nas quais estariam anotadas as figurinhas que faltam, entra a tecnologia para contabilizar as figurinhas. A novidade coloca em risco de “extinção”

a tradicional brincadeira de “bater bafo” com os amigos. Nesta edição do evento, o WhatsApp também entra em cena e as tradicionais reuniões organizadas principalmente pelas bancas de revistas dão lugar aos grupos de trocas. Sites de livre comércio eletrônico, como o Mercado Livre e OLX, também viram


a procura por álbuns relacionados à Copa do Mundo aumentarem 520% após 17 de março, um dia após as figurinhas chegarem às bancas. Ainda que os tempos sejam outros, continuam os protagonistas desta história, os donos de bancas. Os próprios comerciantes, na maioria das vezes, são os organizadores dos grupos de troca no WhatsApp, e comemoram as inovações, como os aplicativos e sites que, segundo ele, só vieram para somar às vendas. “A internet veio para ajudar a manter a tradição. Os mais velhos mantêm o hábito de colecionar, enquanto os mais novos, que já nasceram mexendo em aplicativo, estão acostumados com tecnologia, pegam gosto pela coisa”, considera o proprietário da banca Modular, em Campo Grande (MS), Honório Reis. A banca é conhecida na cidade por promover reuniões de trocas de figurinhas durante o ano todo, que se intensificam no ano da Copa. Os números também corroboram a tese de Honório. A Panini, distribuidora oficial do álbum da Copa, lançou uma edição especial em capa dura, ao custo de R$ 49,90, que se esgotou em três dias na maioria das bancas da Capital, segundo os proprietários. A versão normal do álbum sai por R$ 7,90, enquanto o pacote com cinco figurinhas custa R$ 2,00.

tou o primeiro álbum da Copa em 1998, incentivado pelo pai, e guarda a coleção a sete chaves. João Roberto Gregório, 15 anos, também foi influenciado pelo pai, Marcelo. “Desde guri pedia para o meu pai deixar colar as figurinhas, mas ele não deixava, tinha ciúmes do álbum”, lembra, aos risos. “Depois de mais velho insisti tanto que meu pai passou a comprar um álbum só para mim. Meu avô apoia, compra figurinhas para mim, me ajuda a ver qual está faltando”, conta. MERCADO DAS FIGURINHAS - Na internet há quem venda a edição de capa dura do álbum da Copa, já com todas as figurinhas devidamente coladas, por até R$ 1 mil. “Perde totalmente o sentido da brincadeira, é queimar a largada”, opina Zélia Pereira, outra proprietária de banca. Em um site de comércio eletrônico, as buscas por figurinhas e álbuns relacionados à Copa do Mundo aumentaram 520% depois do dia 17 de março, um dia após as figurinhas chegarem às bancas. Os álbuns de edições antigas também estão à venda: a de de 1982 sai por R$ 2,5 mil e da Copa de 2010, por R$ 4 mil, por exemplo. “Não acho que seja ‘roubar’, compraria numa boa um álbum antigo ou uma figurinha que esteja faltando para mim”, afirma Luís Cunha, economista e colecionador dos álbuns. A Panini também disponibiliza em seu site oficial a opção de compra dos cromos faltantes, pelo mesmo valor praticado nas bancas. A diferença é que é possível selecionar a figurinha desejada, sem o fator surpresa de comprar um pacotinho lacrado.

DE PAI PARA FILHO - “Quem é fanático investe mesmo, não poupa esforços. Por mais que existam os aplicativos, o legal mesmo é participar dos encontros nas bancas. Se você não participa perde toda a diversão”, afirma o colecionador Ítalo Arruda, 28 anos, que monMS INDUSTRIAL | 2018 • 27


[ CIN]

COM FOCO NO EXTERIOR Curso aponta caminhos para exportação aos empresários de Mato Grosso do Sul Com o objetivo de esclarecer os empresários sul-mato-grossenses sobre os caminhos para a exportação, o CIN (Centro Internacional de Negócios) do IEL realizou o curso básico de comércio exterior e exportação via courrier. A capacitação foi ministrada pelo professor Paulo Narcizo Rodrigues, diretor da Caribbean Express Despachos Aduaneiros, consultor de comércio exterior e despachante aduaneiro. Segundo a gerente do CIN, Nathália Alves, o curso busca trazer para o empresário o passo a passo da exportação na prática. “Percebemos que ainda falta muito conhecimento por parte das empresas com relação ao tema, que continua pouco explorado em Mato Grosso do Sul até por conta da nossa baixa maturidade exportadora. Então vamos explicar o que é necessário para fazer uma exportação”, afirmou. Na avaliação do professor Paulo Narcizo Rodrigues, o interesse pela exportação tem aumentado nas empresas brasileiras. “Depois da crise de 2008, muitos abandonaram o mercado de exportação, até porque na época o preço do dólar estava mais baixo. Mas agora as pessoas estão voltando a buscar o mercado exterior. Por isso, esse curso é tão importante, porque ele detalha o caminho da exportação, como colocar preços”, destacou. PARTICIPANTES - Para o empresário Clair Smaniotto, da Estametal, o curso irá contribuir para buscar novos mercados para seus produtos. “Ainda não trabalhamos com exportação, mas é um assunto que eu tenho acompanhado. Participei do Encontro de Negócios com o Paraguai, promovido pelo CIN recentemente, e acredito que tenho condições de ampliar minha produção caso haja demanda”, salientou. O gerente de projetos da Real H, Afonso Jandre Neto, explicou que a empresa já exporta para o Paraguai e para a Bolívia. “Estamos agora negociando 28 •

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Paulo Rodrigues, diretor da Caribbean Express Despachos Aduaneiros durante capacitação com o Chile. Com esse crescimento de demanda no mercado externo, sentimos a necessidade de nos profissionalizar com relação à exportação”, considerou. Interessado em abrir uma exportadora no ramo do vestuário, Thiago Cabrera não pensou duas vezes quando soube do curso oferecido pelo CIN. “Eu já trabalhei com exportação no Canadá por um tempo e estou tentando montar um negócio aqui em Campo Grande agora que voltei. Acredito que é um negócio promissor, mas vim aqui aprender mais sobre o assunto e verificar se meu projeto é realmente viável”, disse. Já o contabilista da importadora e exportadora Estrela Porã, Wilson Porfirio Gimenez, espera poder ampliar suas atribuições dentro da empresa. “Acredito que devemos sempre buscar novos conhecimentos. Como trabalho numa empresa desse ramo, acho que é importante aprender mais sobre o assunto”, finalizou.


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[ C A PA ]

A FORÇA DA

INDÚSTRIA Em “Maio – Mês da Indústria 2018”, o Sistema Fiems programou extensa agenda para demonstrar importância do setor como matriz econômica do Estado

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D

esde o ano de 2014 o Sistema Fiems deixou de celebrar o Dia da Indústria, comemorado no dia 25 de maio, para festejar o Mês da Indústria com uma extensa programação desenvolvida ao longo de maio para demonstrar a força do setor industrial e sua importância como matriz econômica de Mato Grosso do Sul. Essa série de ações inclui o lançamento de vagas dos cursos de educação básica e profissional do Sesi, Senai e IEL, o lançamento de obras de modernização

e ampliação das unidades do Sesi e Senai, palestras com personalidades de renome nacional e a realização de diversas atividades, como a Ação Global e a entrega do Gran Colar da Ordem do Mérito Industrial. Segundo o presidente da Fiems, Sérgio Longen, ano a ano o Sistema Indústria vem acompanhando o desenvolvimento do setor em todo o Brasil e, em especial, em Mato Grosso do Sul, sendo importante, no mês de maio, celebrar a indústria, pois o processo de industrialização do Estado veio para ficar. “Para nós em-

presários do setor industrial, o dia 25 de maio é o nosso Natal. Nessa linha, entendo que a indústria tem o que comemorar, vem avançando bem, trazendo oportunidades para muitos municípios, vem se consolidando em vários segmentos, então, é uma data importante para todos nós”, analisa. Ele reforma que o setor está se consolidando e a atividade cada vez mais vem requerendo e necessitando de cuidados. “A competitividade da indústria hoje é uma preocupação de todos nós e alguns segmentos avançam, outros vêm ficando para trás, mas o Sistema Fiems, que apoia o desenvolvimento da indústria, precisa estar estruturado. Nós precisamos avaliar o que vem acontecendo com a indústria do nosso Estado, nos adaptarmos, na prática, à indústria 4.0, que é o grande desafio para 2018 de toda a nossa área técnica e, nesse sentido, lançar novos produtos que atendam essa nova frente”, pontua. Sérgio Longen reforça ainda que é necessário avançar mais na educação básica dos trabalhadores da indústria. “Hoje, temos muitas demandas por mão de obra qualificada em todo o Estado, porém, a ausência desse ensino básico acaba complicando para o trabalhador na hora de fazer uma capacitação profissional. Por isso, muitas vezes, temos dificuldade de implantar os cursos técnicos, então, esse é um desafio novo para nós”, reconhece. NOVA FRONTEIRA – Com relação à abertura de novos mercados para o setor industrial do Estado, o presidente da Fiems destaca que o empresariado sul-mato-grossense avançou, em muito, nas questões que envolvem o desenvolvimento dos municípios localizados nas faixas de fronteira com a Bolívia e o Paraguai. “Quero destacar o nosso programa Indústria Sem Fronteiras, que está fomentando o interesse das indústrias de se instalarem na região de fronteira com o Paraguai. Vimos avaliando e notando que pontualmente estão acontecendo as coisas que permitem que os nossos preços

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sejam mais competitivos”, afirma. O empresário lembra que, há dez anos, quando o setor industrial iniciou o processo de integração com o Paraguai, se tinham muitas dificuldades socioeconômicas. “Atualmente, inúmeras empresas estão lá na faixa de fronteira com o Paraguai e, por mais que muitos tentem mostrar que poucos números são resultados não satisfatórios, nós entendemos que a integração econômica e social vem avançando”, garante. Longen reforça que só será possível resolver os problemas da região de fronteira com a geração de emprego, com mais renda e com o desenvolvimento econômico. “Não é com polícia e nem com repressão que vamos avançar nas áreas sociais dessa área, mas com desenvolvimento. Então, é a ponte que vai avançando, é a integração agora com o porto de Concepción para exportação, o porto de Murtinho já é uma realidade, com 100% ocupado para 2018 e parte de 2019 já totalmente tomado pelas escalas de exportação. O Brasil avança com as inúmeras ações construídas nessa direção e as rotas de integração, como o corredor bioceânico, consolidam essa nova política”, fala. ESPERANÇA – O presidente da Fiems acredita que o Estado caminha a passos largos em direção à industrialização e, apesar dos momentos de dificuldades, ainda tem boas condições de superar isso. “O Brasil não é isso que muitas vezes vemos ao ligar a televisão ou lendo o jornal, mas se trata de um país de presente e de futuro, que passa por ajustes dos mais dramáticos, mas é uma nação que vem sendo passada a limpo”, ressalta. Ele destaca o papel do Poder Judiciário, com ações que vêm dando resultados, ou seja, mostra para o mundo inteiro que o Brasil tem leis e que elas têm de ser cumpridas por todos. “As instituições estão fortalecidas, mas precisamos dar segurança para a sociedade. Temos um ano propício para ajudarmos como sociedade civil, ainda mais a organizada, de avaliar o que está trazendo o mal para o Brasil

O Sesi SST está sendo finalizado para ser entregue neste mês de maio

LONGEN INAUGURA NO MÊS DA INDÚSTRIA O SESI SST PARA ATENDER DEMANDAS DA INDÚSTRIA Localizada no centro de Campo Grande (MS), a sede do Sesi SST (Centro de Inovação em Sistemas de Gestão em Saúde e Segurança do Trabalho) será inaugurada no próximo dia 25 de maio, Dia da Indústria, pelo presidente da Fiems, Sérgio Longen, como parte da programação de “Maio – Mês da Indústria 2018”. Trata-se de um espaço arrojado pensado para atender as necessidades da indústria de Mato Grosso do Sul. A obra, que é específica para suprir as demandas de saúde e segurança no trabalho, conta com um investimento de R$ 7 milhões e terá 1,2 mil metros quadrados de área construída, com três pavimentos – térreo e mais dois andares -, contendo dois consultórios, dois auditórios, duas salas de treinamento, uma sala de operação com 22 postos de trabalho, uma sala de inovação com 13 postos de trabalho, uma sala de gerência, uma sala de coordenador, uma sala com seis postos de trabalho e estacionamento para 18 vagas, sendo duas para deficientes e duas de idoso. O Sesi SST é a concretização de um projeto que vem sendo desen-

volvido há alguns anos e já é um dos oito centros de inovação no Brasil. A unidade reflete as metas do Sistema Fiems para apoiar e desenvolver o setor industrial do Estado, dando mais competitividade às empresas e abrindo um leque de novas oportunidades. Os serviços de gestão na área de saúde e segurança do trabalhador são uma grande demanda do empresariado atualmente e o Sesi SST chega para atender um desejo antigo das empresas. É o futuro dos serviços do Sesi, que envolve o grande projeto na área gestão em saúde e segurança do trabalho. Segundo Sérgio Longen, o projeto se trata de um espaço arrojado pensado para atender as necessidades da indústria de Mato Grosso do Sul. “É uma obra específica para suprir as demandas de saúde e segurança no trabalho e muito importante na atual conjuntura do Sistema Fiems”, afirmou. Já o superintendente do Sesi, Bergson Amarilla, é a concretização de um projeto que vem sendo desenvolvido há alguns anos e já é um dos oito centros de inovação no Brasil.

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O prédio do CISS de Maracaju será reformado e modernizado ao longo deste ano

e o que está trazendo de bom, porque é um momento importante para todos nós brasileiros”, reforça. Na avaliação dele, a indústria vai bem, a retomada de crescimento já é realidade em muitos segmentos e com certeza o Estado terá outras melhorias. “A nova legislação trabalhista nem se fala, a sociedade já vem se adaptando que é no trabalho que vamos conquistar as coisas. Precisamos cada vez mais mostrar para os que aprenderam a buscar benefícios de outras formas que é no trabalho que as conquistas virão, na educação que as coisas acontecerão. Eu confio muito no trabalho e entendo que esse Brasil de hoje precisa se achar novamaente na busca do direito, mas também na busca do trabalho”, declara. DESEMPENHO DO SISTEMA FIEMS – Neste ano de 2018, o Sistema Fiems, representado pelo Sesi, Senai e IEL, tem bons números, como pode ser constatado no caso da formação profissional, com as três casas disponibilizando, ao longo deste ano, 147.679 vagas em 679 cursos, incluindo pagos e gratuitos, distribuídos pelos 79 municípios do Estado. Apenas o Sesi, por exemplo, oferece 68.568 vagas em 46 cursos, entre os ofertados ao trabalhador da indústria e na educação básica da rede de escolas regulares, tais como administre o seu tempo, atendimento ao público, método 5 S, noções básicas, comunicação no foco 34 •

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organizacional, desenvolvimento da metacompetência para o mundo do trabalho, gestão efetiva, entre outros. Já o Senai oferece 66.498 em 582 cursos, tais como agente de defesa ambiental, ajustador mecânico, almoxarife, desenhista de calçados, desenhista de caldeiraria, desenhista de construção civil, eletricista industrial, eletricista instalador predial, funilaria de brilho, funileiro automotivo, entre outros. O IEL tem 12.610 vagas em estágio, emprego e cursos online e cursos presenciais, que totalizam 51 opções, entre capacitações e treinamentos empresariais e de desenvolvimento de carreiras, tais como postura profissional, gestão do tempo, projeto de vida carreira e empregabilidade, trabalho em time, negociação e conflito, entre outros. No caso das obras de modernização, ampliação e construção de unidades do Sesi e Senai, estão previstos investimentos da ordem de R$ 100,7 milhões, contemplando as cidades de Maracaju, Naviraí, Campo Grande, Aparecida do Taboado, Dourados, Corumbá, Bonito, Três Lagoas, Rio Verde, Sidrolândia, Sonora e Paranaíba. Em Campo Grande serão construídos o Edifício Garagem do Sistema Fiems, com investimento de R$ 8,3 milhões, e o Start Up do Sesi, que consumirá R$ 2,8 milhões, enquanto em Dourados será construído um novo bloco do Sesi, que receberá recursos da ordem de R$ 25,6 milhões.

A cidade de Três Lagoas ganhará um Centro de Educação Infantil da Escola do Sesi, com investimento de R$ 8,1 milhões, enquanto Paranaíba terá um CISS (Centro Integrado Sesi Senai), que consumirá R$ 9,2 milhões. Em Corumbá, serão reformadas e modernizadas as unidades do Sesi e Senai, consumindo R$ 3,9 milhões e, em Sidrolândia, a unidade do Senai será reformada e modernizada, recebendo investimento de R$ 3,3 milhões, assim como as unidades do Sesi e Senai em Maracaju, Aparecida do Taboado, Naviraí e Sonora. Também estão previstos mais R$ 1,5 milhão para a construção de três novas bibliotecas da Indústria do Conhecimento do Sesi em cidades a serem definidas. DESEMPENHO DA INDÚSTRIA – Já os dados relativos ao desempenho do setor industrial no Brasil e em Mato Grosso do Sul ajudam a corroborar o bom momento das indústrias. Em nível nacional, o PIB (Produto Interno Bruto) fechou 2017 em 1% e as projeções para este ano e para o próximo são de que chegue a 2,8% e 3%, respectivamente, enquanto o desemprego começa a recuar, caindo de 12,7% em 2017 para 11,8% neste ano e para 11,2% em 2019. Além disso, o investimento estrangeiro direto, que reflete o aumento da confiança, deve chegar a US$ 77,5 bilhões neste ano


O Triple A é uma iniciativa dos empreendores Allan Costa, Ricardo Amorim e Arthur Igreja

NO MÊS DA INDÚSTRIA, RICARDO AMORIM TRAZ NOVA PLATAFORMA DE FOMENTO DE NEGÓCIOS Com mais de 2,5 milhões de seguidores nas redes sociais e cerca de 3 mil solicitações de palestras e eventos por ano, os especialistas Ricardo Amorim, Allan Costa e Arthur Igreja perceberam a necessidade de ampliar a capilaridade para atender um público ávido por análises disruptivas de tudo que está acontecendo em tecnologia e inovação no Brasil e no mundo, mas que não tem todo o tempo necessário para acompanhar de perto esta revolução. Para atender este público, os sócios colocaram em operação a AAA “Triple A”, que será apresentada aos empresários de Mato Grosso do Sul como parte da programação de “Maio – Mês da Indústria 2018”. O “Triple A” é, na verdade, uma multiplataforma focada em disrupção em negócios, carreiras e economia transformadora. Trata-se de um modelo pioneiro no Brasil, reunindo os maiores especialistas para apontar e analisar o que acontece de mais importante no mundo da inovação e entregar insights que podem transformar o direcionamento de empresas e profissionais. AAA vem do nome de seus fundadores / gestores / curadores e também indica o nível da proposta, que é encapsular informações de alto valor, potencializadas por uma rede de relacionamento voltada para a geração de negócios. “A razão de ser do Triple A é não só educar, mas fazer as pessoas e organizações agirem, transformando-se em algo novo e melhor. Queremos conectar informações e fomentar negócios, criatividade e disrupção”, explica Ricardo Amorim, completando que o momento pela qual o mundo está passando faz com quase todos tenham de mudar. “A escolha é dirigir a mudança ou ser atropelado por ela.” TENDÊNCIA - O modelo da AAA nada tem a ver com os infoprodutos hoje disponíveis no mercado brasi-

leiro, que, em geral, oferecem conteúdo atemporal e abordagens genéricas na intenção prioritária de alcançar um número maior de pessoas. “Apostamos em um ambiente virtual que valoriza a troca de experiências, fomentando o surgimento de conexões e operações. Queremos concentrar, filtrar, contextualizar e identificar oportunidades, viabilizando o que, normalmente, só seria possível obter investindo muitas e muitas horas preciosas em cursos, atualizações, palestras específicas dentro ou fora do país”, enfatiza Arthur Igreja. A plataforma é um sistema pago composto por vídeos, entrevistas, textos, arquivos de áudio, webinários e outras mídias. A inovação e pioneirismo, entretanto, não moram aí. Os formatos são meio e não fim. O que os autores propõem é uma curadoria que separa o que realmente importa em um universo cheio de ruídos e comunicar apenas o que faz diferença para empresas e profissionais. É fornecer conhecimento para decisões, poupando-lhes o ativo mais precioso: tempo. Com o slogan “Os 5 minutos mais transformadores do seu dia”, a ideia é disponibilizar para o assinante materiais exclusivos, desenvolvidos cuidadosamente pelos autores com base em visão privilegiada, contato com os cases mais exponenciais e o trânsito nos principais mercados do mundo. Tudo embrulhado em consumo rápido e acessível de qualquer lugar. “Em um cenário de grandes mudanças e de impactos tecnológicos indiscutíveis, nosso objetivo é provocar para uma participação ativa, traduzindo a nossa experiência em uma linguagem que o público entenda, absorva e, principalmente, utilize”, explica Allan Costa. MS INDUSTRIAL | 2018 •

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e a US$ 80 bilhões no próximo ano. Já em nível estadual, conforme o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems, Ezequiel Resende, o PIB deve apresentar um crescimento nominal médio de 4,3% ao ano entre 2015 e 2019. “Em 2017, o PIB do Estado chegou a R$ 93,2 bilhões e para este ano deve atingir R$ 97,5 bilhões, enquanto para o próximo ano a previsão é de que alcance R$ 102,5 bilhões. Hoje, a indústria responde por 22% ou R$ 16,4 bilhões, sendo o segundo maior, perdendo apenas para o setor de serviços e comércio, que responde por 41% ou R$ 30,7 bilhões”, explica. O PIB Industrial em 2017 atingiu R$ 18,3 bilhões e para este ano deve chegar a R$ 19,4 bilhões, enquanto para 2019 o montante previsto é de R$ 20,8 bilhões. “Crescimento nominal médio de 2010 a 2014 foi de 9,7% ao ano e de 2015 a 2019 está estimado com um crescimento nominal médio de 4,9% ao ano”, pontua Ezequiel Resende, completando que no ano passado o número de estabelecimentos industriais fechou em 6.032 e para este ano deve crescer para 6.201, empregando 121.500 trabalhadores. “As exportações de produtos industrializados devem fechar 2018 em US$ 3,51 bilhões, um crescimento nominal estimado de 15%. O destaque é para a celulose, que deverá responder sozinha por metade das exportações industriais, lembrando que os produtos industriais respondem, atualmente, por 64% de todas as exportações do Estado”, ressalta o economista.

CASA DA INDÚSTRIA RECEBERÁ “GABINETE ITINERANTE” DO GOVERNADOR DURANTE “MAIO – MÊS DA INDÚSTRIA” Durante “Maio – Mês da Indústria 2018”, o governador Reinaldo Azambuja vai trazer para o Edifício Casa da Indústria o “Gabinete Itinerante” para fortalecer ainda mais a integração com o setor industrial. No dia 24 de maio, das 13 às 18 horas, ele e integrantes da administração estarão despachando no gabinete montado no prédio sede do Sistema Fiems. A intenção do governador Reinaldo Azambuja é ouvir as reivindicações dos empresários industriais para avançar nas políticas públicas. A agenda dele na Casa da Indústria inclui reuniões, em separado, com os representantes dos 24 sindicatos industriais do Estado para tratar sobre os gargalos de cada segmento da indústria e buscar soluções que possam contribuir com o aumento da competitividade das empresas instaladas em Mato Grosso do Sul. Ainda durante o “Gabinete Itinerante”, o governador Reinaldo Azambuja fará um balanço do Fadefe (Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Econômico e de Equilíbrio Fiscal do Estado). O Fundo prorroga, até 2032, os incentivos fiscais concedidos pelo Governo do Estado para as empresas industriais ou comerciais que instalaram em Mato Grosso do Sul, gerando emprego e renda para milhares de famílias. O governador Reinaldo Azambuja vai despachar da Casa da Indústria 36 •

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[ MICRO

E PEQUENA EMPRESA

]

CLIENTE SEMPRE TEM RAZÃO Para atrair e fidelizar clientes, lava-jatos apostam em serviço delivery, agendamento por whatsapp e plano mensal Foi-se o tempo em que era comum ver pessoas, durante os finais de semana, em frente às casas com seus carros, bucha e sabão. Com a correria do dia a dia, esse hábito está cada vez mais raro e muitas pessoas preferem contratar os serviços de um lava-jato quando o assunto é a limpeza de seus veículos. No entanto, o microempresário Plínio Tude percebeu que até isso tem se tornado complicado para os clientes que trabalham em período integral. “Muita gente trabalha o dia todo e não pode deixar o carro no final de semana num lava-jato, porque é o momento que tem para fazer suas

coisas pessoais e geralmente nesses dias os lava-rápidos costumam estar mais cheios”, comenta. Nesse nicho ele percebeu uma grande oportunidade: oferecer o serviço de lavar carros delivery. “Na verdade, durante um desabafo com um amigo ele comentou que estava pensando em montar um negócio desse tipo para complementar a renda. Eu percebi que era uma ideia que tinha muita chance de dar certo e decidi formar uma sociedade, que conta com mais outro amigo em comum”, conta. A partir daí os três amigos deram início ao Whats Car, que começou as atividades em outubro

de 2017. Mas as pesquisas sobre o assunto e sobre o público que desejavam atingir começaram bem antes. “Campo Grande já tem muitos lava-jatos então precisávamos de um diferencial além do serviço delivery. Encontramos uma possibilidade de oferecer o serviço de lava-jato a vapor, que além de fácil, é sustentável. Isso sem falar que as pessoas agendam pelo WhatsApp”, ressalta. Plínio explica que para a lavagem dos carros é utilizado um maquinário ecológico para vaporização da água, que é usada em quantidade bem menor do que nos lava-jatos tradicionais. “Quando se lava com água, da forma convencional, são gastos em média 400 litros de água. Já no nosso processo, usamos apenas 3 litros de água. Uma economia significativa de um recurso natural tão importante”, destaca, acrescentando que a limpeza também utiliza produtos biodegradáveis. “É uma fórmula que nós desenvolvemos, só nossa, então não posso divulgar Serviço de lava-rápido delivery é solução para a correria do dia a dia

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Furgão é equipado com maquinário e vai até o cliente

como é feita”, completa. Apesar de ser algo recente, o empresário afirma que a empresa tem atraído muitos clientes, embora não seja possível contabilizar uma média por mês. A empresa conta com duas unidades: uma minicarreta e um furgão, os dois são equipados com o maquinário ecológico utilizado na lavagem dos carros e uma tenda. Para cada unidade, são empregados dois funcionários, que conseguem lavar até sete veículos por dia. PRATICIDADE – Buscando atender os clientes da melhor forma possível, o empresário Antônio Ricardo Ferreira de Souza abriu há pouco tempo o MV Lava Jato, que oferece planos mensais, reduzindo

significativamente os gastos com a limpeza dos veículos. “O cliente paga um valor fixo e garante a lavagem quantas vezes quiser durante o mês. Geralmente o pacote para um carro de passeio custa em média R$ 60, com uma lavagem por semana, mas a gente faz o pacote de acordo com a necessidade do cliente”, explica Antônio de Souza, acrescentando que as lavagens são completas, incluindo limpeza e higienização interna, revitalização e brilho dos pneus e enceramento em pasta, utilizando produtos de qualidade e serviço técnico especializado. Ele informa que os planos de assinatura começaram em dezembro do ano passado e tiveram boa aceitação. “É uma forma de fide-

lizar o cliente, que paga um pouquinho mais caro do que uma lavagem comum, mas tem direito até quatro lavagens por mês. Para se ter uma noção de como a ideia teve aprovação, hoje temos mais de 300 clientes com assinatura”, comenta. Para dar conta dos agendamentos de tantos clientes, o MV Lava Jato disponibiliza um aplicativo. “No começo, fazíamos por telefone ou pelo WhatsApp mesmo, mas a demanda cresceu muito e percebemos uma necessidade de organizar melhor os horários. Foi aí que tivemos a ideia do aplicativo. Na hora de fazer o cadastro do cliente, geramos um login e uma senha para ele usar no aplicativo que pode ser baixado no smartphone ou no tablet”, finaliza. MS INDUSTRIAL | 2018

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[ I N OVAÇ ÃO

E T E C N O LOG I A

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MARCA

REGISTRADA NIT (Núcleo de Inovação Tecnológica) do Senai oferece serviços de registros de marcas e patentes Desde a Antiguidade é possível encontrar indícios de concessões e garantias sobre direito de propriedade intelectual. Devido aos avanços tecnológicos no mundo globalizado, questões em torno do direito de propriedade industrial foram

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ganhando cada vez mais espaço. Com isso, foi-se tornando cada vez mais necessário o registro da propriedade industrial para que as marcas e as inovações das empresas sejam protegidas, evitando assim que sejam utilizadas por terceiros sem a devida autorização. Nesse sentido, o NIT (Núcleo de Inovação Tecnológica) do Senai de Mato Grosso do Sul oferece para as empresas o serviço para registro de marcas e depósito de patentes. Segundo o gerente de tecnologia do Senai, Leandro Gustavo Schneider Neves, o NIT foi criado em julho de 2014, mas esses serviços já são oferecidos pela instituição há mais de 10 anos. “O Núcleo atende empresas que contratam projetos e serviços de inovação das unidades do Senai e também atende por meio dos consultores da instituição todas as empresas que precisam de suporte em seus próprios projetos de inovação”, explica. Ele reforça ainda que os trabalhos do Senai não se limitam ao suporte para registro de marcas e patentes, mas há ainda o acompanhamento de todo esse processo. “Uma marca, por exemplo, que tenha sido registrada precisa ser acompanhada ainda, porque existe um tempo para que o processo seja concluído. Além disso, podem haver contestações nesse período. Então esse é o grande diferencial do Senai, que entra em contato com as empresas a cada mudança de status do processo”, comenta. Além disso, o NIT do Senai também oferece o serviço de busca de anterioridade, ou seja, realiza uma pesquisa sobre o produto ou processo pela realização de pesquisas em bases de dados nacionais e internacionais e em bases científicas para identificar riscos e


potencialidades da inovação que se almeja. De acordo com o analista na área de propriedade intelectual e relações internacionais do NIT, Carlos Eduardo Alves Cordeiro, é comum empresas pensarem que estão desenvolvendo algo inovador quando, na verdade, o produto ou processo em questão já foi patenteado. “Por isso é importante que haja essa busca de anterioridade, para verificar se realmente não existe nada parecido com o que

está sendo proposto”, comenta. Ele informa que, com suporte técnico do NIT, nos últimos quatro anos, nove patentes foram depositadas e 25 marcas de empresas foram registradas no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), órgão do governo ligado ao Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, responsável pela garantia de direitos sobre a propriedade intelectual.

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[ I N D U S T R I A L I Z AÇ ÃO ]

TRÊS VEZES MAIS EMPREGOS Usina Laguna movimenta a economia de Batayporã, Nova Andradina e Taquarussu

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F

amílias inteiras de três municípios de Mato Grosso do Sul – Batayporã, Nova Andradina e Taquarussu – próximos da divisa do Estado com o Paraná, descobriram uma nova forma de trabalho com o início das operações da Usina Laguna. Há dez anos, a indústria sucroalcooleira produz etanol às margens da rodovia MS-473 e mudou a cara do emprego formal da região, antes restrito basicamente à pecuária e às lavouras de soja. Somente em Batayporã, onde está localizada a planta industrial da usina, quase um quarto dos postos de trabalho disponíveis está ligado à atividade sucroenergética e corresponde a 23,8% de todo o emprego da cidade.

O segmento fica atrás somente da administração pública, que emprega 24,3% dos bataiporãenses. O alcance da usina extrapola os limites da cidade e atrai, também, moradores dos municípios vizinhos, a saber, Nova Andradina e Taquarussu. Dados da Laguna mostram que a empresa gera 530 empregos diretos e ao menos 900 indiretos. “Em um passado não muito distante, ou se trabalhava na prefeitura ou você torcia para algum mercadinho local, um bar da região te contratar”, resume Vaniele Costa Pereira, 24 anos, que há quatro trabalha no setor de recursos humanos da Laguna.

Usina da Laguna, instalada às margens da MS-473 MS INDUSTRIAL | 2018 • 43


A jovem nasceu e cresceu no Bairro da Festa, o lugarejo vizinho à usina que, na década de 40, abrigou os primeiros sítios demarcados e vendidos em Batayporã e foi palco de notáveis quermesses e celebrações que deram nome ao povoado. “Com o passar dos anos, o bairro foi morrendo, as famílias foram morar na cidade e pouquíssimas pessoas ficaram, mas quase sem estrutura nenhuma. Precisávamos ir até a cidade para tudo, estudar, fazer compras, ir ao médico”, conta. O BAIRRO DA FESTA - A explosão demográfica do bairro se deu em meados dos anos 80, conta o prefeito da cidade, Jorge Takahashi, quando o algodão era o principal produto da agricultura local. “Depois, o algodão deu lugar à soja, e muitas áreas de plantio também começaram a ser ocupadas pela pecuária, e o bairro, que contava com cerca de 500 famílias, foi esvaziando, até quase

acabar. Se ficaram dez famílias foi muito”, afirma o atual prefeito, ele próprio agricultor, sobre o retrato da época. Com a instalação da Usina Laguna, o Festa renasceu. Inclusive porque havia interesse da sucroalcooleira em contratar mão de obra local para atuar na usina, que apoiou a reestruturação. “As ruas foram ganhando vida aos poucos. Hoje, cerca de 50 famílias habitam o bairro, e 25 moradores de lá trabalham na usina”, conta o gestor de Recursos Humanos da Laguna, Michel Rodrigo Lopes, 33 anos, morador de Nova Andradina que trabalhava em um frigorífico antes de ser recrutado. Hoje, há comércio, como bares e pequenas vendas, e atendimento médico, na figura de uma UBS (Unidade Básica de Saúde). Do bairro, 25 funcionários atuam na Laguna. MÃO DE OBRA QUALIFICADA - O caso de Michel se repete quase em todo o quadro de

colaboradores da Laguna. A grande maioria trabalhava em frigoríficos, e a migração para o segmento sucroenergético representava não somente uma mudança de área, mas cultural, conta o gestor de RH. “Trata-se de um choque de realidade. Não só pelas diferenças no local e forma de trabalho. Uma usina opera 24 horas por dia, durante três turnos, o que significa para alguns funcionários trabalhar a noite e aos sábados. Pode-se dizer que foi uma quebra de paradigmas na cidade”, lembra Michel. Além das questões culturais, a Laguna teve que investir pesado na capacitação da mão de obra, em razão da tecnologia embarcada nas máquinas e equipamentos complexos das atividades. O primeiro passo foi incorporar à mão de obra local trabalhadores vindos do Estado vizinho do Paraná com experiência em usinas. Foram eles os responsáveis por promover entre os colegas a nova cultura de trabalho, além de

“RENOVABIO TRAZ NOVO FÔLEGO PARA INDÚSTRIA SUCROENERGÉTICA”, DIZ BIOSUL

O presidente da Biosul, Roberto Hollanda

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Sancionada pelo presidente Michel Temer em dezembro de 2017, a lei que cria a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) representa um novo fôlego para a indústria sucroenergética, avalia o presidente da Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul), Roberto Hollanda Filho. “Havendo atravessado uma das maiores crises de sua história, acusada sobretudo por políticas de governo equivocadas, o segmento vê algumas distorções sendo corrigidas”, afirma. “A medida mais importante foi a sanção da lei federal que institui o RenovaBio, programa que define uma política nacional de biocombustíveis, garantindo previsibilidade, ambiente para investimentos e um papel mais importante na nossa matriz energética para os biocombustíveis”, acrescenta. Mato Grosso do Sul acaba de concluir a safra 17/18 e, na análise da Biosul, novamente, fenômenos climáticos - excesso de chuvas em abril e maio, geadas em julho e agosto - atrapalharam a produção do Estado. “Houve uma queda de 6% com relação ao período anterior, isso, no entanto, não desanima a indústria sucroenergética”, conclui Roberto Hollanda, referindo-se, novamente, à RenovaBio.


compartilhar conhecimento técnico e experiência profissional. É o caso do supervisor de manutenção Edvaldo Gonsani, que em 2010 saiu de Rolândia, a 290 quilômetros de Batayporã, para trabalhar na Laguna. “A evolução do meu pessoal de lá para cá foi de 100%. A maioria da área de manutenção é da região e, no começo, quando se depararam com equipamento diferentes, processos diferentes, houve um estranhamento. Mas hoje, todos deixaram a cultura do frigorífico para trás e mergulham de cabeça no dia a dia da usina”, analisa o supervisor, que também passou por uma grande mudança ao chegar em Mato Grosso do Sul. “Cheguei no dia 4 de junho de 2010 e deixei minha esposa e meu filho no Paraná para tentar uma nova vida em Batayporã. Dividia uma casa com mais dois colegas, que também vieram de lá para trabalhar na usina, mas nunca pensei que poderia ter sido diferente”, atesta.

Vagne, líder do setor de moenda, tem outros 12 familiares trabalhando na Laguna

Gildenete pôde voltar a estudar e vai concluir o ensino médio

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Willer, 23 anos, foi incentivado pelo pai a trabalhar na usina e agora quer fazer um curso superior na área de mecânica

EM FAMÍLIA - Vagne da Silva Santos, 32 anos, também passou por uma mudança brusca quando se viu sem emprego, assim como outros 780 funcionários da planta de Batayporã do frigorífico Minerva, que anunciou o encerramento das atividades de abate em julho de 2015. Então do setor de desossa do Minerva, Vagne hoje lidera os funcionários da moenda da Laguna, e afirma ter se encontrado dentro da usina. “Sou formado em Administração de Empresas no intuito de liderar, representar pessoas. E a Laguna tem não só me incentivado, mas me proporciona alcançar esse objetivo. Nós crescemos juntos”, afirma Vagner sobre a empresa onde começou como ajudante até alcançar o cargo de liderança. Além dele, os pais, a irmã, tios e primos também trabalham na Laguna, o que não é incomum nos quadros da usina. O motorista de caminhão canavieiro João Luiz Vieira, 51 anos, se orgulha ao dizer que levou o filho, Willer, de 23, para a empresa. “Meu pai bate no peito para dizer que o filho conseguiu um emprego na Laguna”, diz Willer. “Eu também fico muito feliz pela minha trajetória. Entrei um menino, com 18 anos, e hoje, com 23, busco mais conhecimento para crescer pro-

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NÚMEROS DA USINA LAGUNA EM 2017 • Moeu 836 mil toneladas de cana de açúcar • Produziu 64,6 milhões de litros de etanol hidratado • 100% da produção da cana voltada para produção de etanol hidratado (que abastece os veículos flex) Fonte: Usina Laguna


fissionalmente e trazer bons resultados para a empresa”, afirma ele, que atua na oficina mecânica da usina. João Luiz, natural de Francisco Badaró (MG), também se orgulha de dizer que participou do plantio dos primeiros pés de cana-de-açúcar da usina. “Tem que ter vigor para trabalhar”, afirma. Hoje, ele passa o dia fazendo o transporte da cana colhida até a usina de etanol. Quando chega do canavial, entra em cena Gildinete Costa Pereira, 54 anos, que, pilotando uma moto, leva amostras de cana até o laboratório de análises da usina para que seja verificada a quantidade de impurezas, o que determina a qualidade da matéria-prima. “É uma teta o que faço hoje”, brinca Gildinete, que antes de trabalhar na Laguna acordava diariamente às 4h30 para ordenhar manualmente 50 vacas leiteiras. O

novo emprego também permitiu que ela voltasse a estudar. “Trabalho de manhã, cuido da casa a tarde e estudo a noite”, comemora ela, que até pouco tempo tinha a 4ª série do Ensino Fundamental e agora está prestes a concluir o Ensino Médio. A LAGUNA - Vindos de Presidente Prudente, município localizado no interior do estado de São Paulo, os sócios-proprietários Olga Intashi Carvalho Cunha, José Joaquim Ferreira de Medeiros e Sebastiana Ferreira de Medeiros escolheram Batayporã para instalar a usina em função das vantagens logísticas. “Além da proximidade dos grandes centros consumidores, estando a somente 70 quilômetros dos estados de São Paulo e Paraná, a localização é privilegiada em relação à hidrovia Paraná-Tietê e

com fácil acesso ao alcoolduto projetado entre Campo Grande e Paranaguá”, afirma o diretor de Sustentabilidade da empresa, Werner Semmelroth. “A região também é muito privilegiada em relação à qualidade de seus solos e topografia, proporcionando colheita mecanizada e elevado rendimento agrícola”, acrescenta. Pesa, ainda, o fato de que desde a década de 50 os sócios mantinham propriedades rurais na região. Inicialmente, as terras eram destinadas ao cultivo de soja e à pecuária. Em 2006, passaram a investir na cana-de-açúcar e hoje mantêm mais de 19.000 hectares de terras próprias disponíveis para o desenvolvimento do empreendimento, além de contar na região com diversas propriedades de terceiros interessadas no plantio de cana de açúcar.

O motorista João Luiz Vieira participou do plantio dos primeiros pés de cana-de-açúcar MS INDUSTRIAL | 2018 • 47


[ I N T E R N AC I O N A L ]

ENDIVIDAMENTO FMI alerta que dívida bate recordes e ameaça a economia mundial O endividamento atinge recordes, puxado pela China, e supera amplamente os níveis de 2009, pouco depois da quebra do banco Lehman Brothers, o que representa um risco para a economia mundial, adverte o Fundo Monetário Internacional (FMI). “Não há espaço para a complacência”, afirmou Vitor Gaspar, diretor de assuntos orçamentários do FMI, durante a apresentação do relatório “O Observatório Orçamentário”, antes das reuniões semestrais do Fundo e do Banco Mundial. De acordo com o documento, o conjunto da dívida atingiu 1,64 trilhão de dólares em 2016 e representa 225% do PIB mundial. “O mundo se encontra 12% mais endividado que durante o recorde precedente, em 2009”, lamenta o FMI, que atribui o aumento sobretudo a China, que representa 47% do crescimento da dívida desde 2007. O endividamento deve prosseguir após a aprovação nos Estados Unidos de uma reforma fiscal que provocará um crescimento do déficit orçamentário em um trilhão de dólares nos próximos três anos, elevando a dívida do país a 116% do PIB até 2023. Nos países desenvolvidos, a dívida está em 105% de seu PIB, o nível mais elevado desde o fim da Segunda Guerra Mundial, e nos países emergentes alcança 50%, uma proporção inédita desde a crise da dívida dos anos 1980, que atingiu duramente as economias em desenvolvimento. “A experiência demonstra que os governos com mais sucesso são aqueles que se preparam logo que surgem nuvens no horizonte”, disse Gaspar, antes de pedir aos Estados que adotem medidas para evitar problemas em caso de crise. “Um endividamento e déficit importantes reduzem as capacidades dos governos de responder com políticas orçamentárias que reforcem a economia em caso de recessão”, destacou o FMI. Os países emergentes podem ser as primeiras vítimas: “O endividamento se encontra em um nível muito elevado no mundo inteiro e geralmente a dívida acontece em dólares”, recordou o economista chefe do FMI, Maurice Obstfeld, na terça-feira. Nestas condições, caso os Estados Unidos aumentem de maneira mais rápida que o previsto as taxas de juros, os países emergentes sofreriam as consequências. RISCOS DO ENDURECIMENTO DE POLÍTICAS MONETÁRIAS - O Fundo também alertou, nesta quarta, para os riscos relacionados a um endurecimento geral das políticas monetárias e apontou que esse cenário poderia ter grave impacto na estabilidade econômica mundial. No relatório sobre a Estabilidade Financeira Global, a entidade sugeriu que investidores e mercados financeiros se preparem para um endurecimento das políticas monetárias. 48 •

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Segundo o FMI, é preciso ter atenção às fragilidades provocadas por um longo período dominado por políticas baseadas em dinheiro barato, baixas taxas de juros e níveis recordes de dívida. “Vulnerabilidades financeiras, que se acumularam ao longo dos anos de volatilidade e taxas de juros extremadamente baixas, podem tornar o caminho difícil e pôr em risco o crescimento”, alertou o Fundo. De acordo com o relatório, um fortalecimento da inflação nos Estados Unidos poderá gerar um aumento dos juros mais alto que o previso pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Esse cenário provocaria um mo-


FMI aponta risco para economia mundial

vimento brusco de ativos financeiros, fazendo que “as condições financeiras globais se endureçam drasticamente, com possíveis consequências adversas para a economia global”, aponta. O FMI também alertou que “os mercados emergentes estão expostos às repercussões relacionados com o ajuste das condições financeiras a nível mundial”. Especialistas do FMI apontaram que economia emergentes favorecem que os bancos centrais das economias avançadas adorem posições graduais e com antecipação suficiente. Por isso, se os bancos centrais não administrarem corretamente a transição para um cenário de endurecimento da política monetária, as consequ-

ências negativas serão inevitáveis. Assim, se for necessário aumentar os juros, os bancos centrais deveriam fazê-lo de forma “gradual e com comunicação abundante”. Essas medidas seriam “cruciais, dada a confluência de uma inflação ainda relativamente baixas, condições financeiras facilitadas a nível global e crescentes vulnerabilidades financeiras”, aponta o estudo. COORDENAÇÃO NECESSÁRIA PARA CRIPTOMOEDAS - O FMI ainda demonstrou sua preocupação com a necessidade de regulamentação de criptomoedas, e pediu mais atenção internacional para a questão.

Apesar de o Fundo ver potencial para as moedas digitais tornarem o sistema financeiro mais eficiente, ele alertou que elas “foram algo de casos notórios de fraude, falhas de segurança, e fracassos operacionais, e foram associados com atividades ilícitas”. Tobias Adrian, diretor do departamento de mercados financeiros e de capitais do FMI, afirmou que o setor é pequeno demais para ameaçar todo o sistema, mas lembrou essas moedas têm potencial para crescimento veloz. “Sentimos que a cooperação entre jurisdições é importante, já que investimentos em criptoativos são muito globais por natureza e os modelos de negócios no setor também”, afirmou Adrian. MS INDUSTRIAL | 2018 • 49


[ SESI

FA Z

]

NADANDO

COM UM CAMPEÃO Parceria com a Metodologia Gustavo Borges vai oferecer aulas de natação nas escolas de Corumbá e Três Lagoas Matemática, Português, Educação Física e História continuam sendo matérias essenciais no conteúdo da educação básica. Entretanto, não há dúvidas de que o pleno desenvolvimento é uma preocupação importante do desenvolvimento de crianças e adolescentes. Pesquisas apontam que há melhor desempenho escolar entre os alunos que praticam alguma atividade física, pois quando nos exercitamos, estimulamos o córtex pré-frontal (parte da frente do nosso cérebro), responsável pelas funções executivas, como planejamento, organização, foco e memória. Dentro desse amplo espaço de desenvolvimento, destaca-se a natação como uma modalidade que oferece diversos benefícios ao desenvolvimento infantil. Por isso, o Sesi de Mato Grosso do Sul lança parceria com a Metodologia Gustavo Borges (MGB), desenvolvida pelo campeão olímpico para a oferta de natação nas escolas de Corumbá e Três Lagoas. “Nosso objetivo é dar continuidade à oferta de educação por meio da natação. Nesta proposta, os momentos das aulas ultrapassam a técnica e a arte de nadar para o despertar da capacidade que todos possuem de superação, de contínua aprendizagem e convivência esportiva e coletiva”, afirma a gerente de educação do Sesi, Simone Cruz. Ela ainda explica que, entre as principais vantagens da Metodologia Gustavo Borges, cada momento da aula tem intenções pedagógicas, esportivas e socioemocionais, há o reconhecimento de cada habilidade desenvolvida e os pais e alunos recebem feedback das aulas por meio de um passaporte e flâmulas a cada conquista. Nesse sentido, Simone Cruz reforça que é imprescindível a formação dos professores para a plena operacionalização da Metodologia. “Fechamos a parceria e estamos na fase de estruturação da oferta, 50 •

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BENEFÍCIOS DA NATAÇÃO Um dos esportes mais completos e recomendados, a natação proporciona desde a perda calórica e equilíbrio muscular, até o auxílio na recuperação de lesões. Não tem impacto: é um esporte que não afeta as articulações, promove o relaxamento dos músculos e ajuda a aliviar a tensão muscular. Proporciona equilíbrio muscular: a natação é uma das modalidades mais completas. Os movimentos realizados durante a atividade envolvem a maior parte dos músculos. Melhora a postura: aumenta a flexibilidade da coluna e remove a dor. Melhora a capacidade aeróbica: como a natação exige muito da nossa respiração, o corpo requer uma grande quantidade de oxigênio. Estimula a circulação: praticar a natação, moderadamente, de 30 minutos a uma hora, pelo menos, duas vezes por semana, melhora a circulação sanguínea, o que facilita o transporte de nutrientes e oxigênio para células, músculos e órgãos. Promove a flexibilidade muscular: A modalidade ainda ajuda a manter as articulações saudáveis e reduz o risco de doenças ósseas, como a osteoartrite. Exercícios de baixo impacto (como a natação) mantêm os ligamentos exigidos fluidos e em bom estado. Ajuda na recuperação de lesões: atletas lesionados são incentivados a praticar natação ou fazer a reabilitação na piscina. Isso acontece devido à resistência da água, que faz com que os músculos trabalhem sem a tensão do impacto sentido na colisão contra o chão ou outra superfície. É para todas as idades: por ser um esporte sem impacto, principalmente, crianças, idosos e mulheres não correm o risco de lesões ósseas e musculares. Requer maior gasto de energia: na água, seus músculos trabalham cinco, seis vezes mais do que em terra, portanto, o gasto calórico é maior do que em outros esportes.

dos ambientes e materiais, a formação metodológica dos professores para podermos abrir as matrículas”, acrescenta.

Natação desperta habilidade das crianças e jovens

METODOLOGIA – A história da MGB (Metodologia Gustavo Borges) começou com a construção da primeira academia Gustavo Borges em Curitiba em 2001. Na ocasião, a necessidade de ter uma metodologia de aprendizado era fundamental para o su-

cesso do grupo. Atualmente, a MGB oferece ferramentas práticas para as empresas, que vão desde avaliações dos alunos a processos de planejamento de aulas. O objetivo é encontrar soluções para as empresas comprometidas com o aprendizado aquático e melhorar a qualidade das aulas dos alunos. No Brasil, o projeto está presente em 220 cidades, registrando um total de 170 mil alunos. MS INDUSTRIAL | 2018 • 51


[ SENAI

FA Z

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EDUCAÇÃO EM QUALQUER LUGAR Cursos técnicos na modalidade a distância estão com matrículas abertas até o próximo dia 16 de maio O Senai de Mato Grosso do Sul continua com o período de matrículas abertas para preencher 517 vagas distribuídas entre seis cursos técnicos de nível médio na modalidade EaD (Ensino a Distância) e os interessados devem procurar as secretarias das unidades operacionais de Campo Grande, Corumbá, Dourados, Maracaju, Naviraí e Três Lagoas até o próximo dia 16 de maio. Os seis cursos oferecidos são os de técnico em automação industrial, técnico em manutenção e suporte em informática, técnico em edificações, técnico em segurança do trabalho, técnico em eletroeletrônica e técnico em técnico em alimentos. Apesar de os cursos técnicos de nível médio serem na modalidade EaD, parte das aulas são presenciais e serão ministradas nas unidades operacionais localizadas nas cidades já citadas. A vantagem é que o aluno pode assistir às aulas pela Internet no momento em que preferir, desde que dedique, pelo menos, 20 horas por semana e cumpra a carga horária obrigatória em aulas presenciais, sendo que o início das aulas está previsto para o dia 19 de maio. Para se matricular é necessário ter concluído ou estar cursando o Ensino Médio e, no caso de menores de 18 anos, estar acompanhado dos pais ou responsáveis, portando os seguintes documentos (originais e cópias): uma foto 3x4 recente, carteira de identidade, CNH dentro do período de validade, CPF ou declaração da Receita Federal, título de eleitor (para maiores de 18 anos), histórico escolar do Ensino Médio, comprovante de residência atualizado, certificado de reservista, certificado de

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alistamento militar ou certificado de dispensa de incorporação (caso seja do sexo masculino e maior de 18 anos) e, no caso de candidatos estrangeiros, passaporte ou registro nacional de estrangeiro. DISTRIBUIÇÃO DAS VAGAS - Em Campo Grande, são 172 vagas distribuídas pelos cursos técnico em manutenção e suporte em informática (40 vagas), técnico em manutenção industrial (40 vagas), técnico em segurança do trabalho (44 vagas) e técnico em edificações (48 vagas). Já em Corumbá são 80 vagas distribuídas pelos cursos técnico em eletroeletrônica (40 vagas) e técnico em edificações (40 vagas). Para Dourados, são 105 vagas distribuídas entre cursos técnico em segurança do trabalho (25 vagas), técnico em edificações (30 vagas), técnico em alimentos (25 vagas) e técnico em automação industrial (25 vagas). Em Maracaju são 30 vagas para o curso técnico em manutenção e suporte em informática, enquanto em Naviraí são 30 vagas para o curso técnico em automação industrial. Na cidade de Três Lagoas são 100 vagas distribuídas entre os cursos técnico em segurança do trabalho (50 vagas) e técnico em automação industrial (50 vagas). As aulas presenciais serão oferecidas nos períodos vespertino e noturno nas segundas-feiras, nas terças-feiras, nas quartas-feiras, nas sextas-feiras e aos sábados, dependendo da cidade e do curso. Serviço – Mais informações 0800-707-0745


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[ IEL

FA Z

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Cerimônia de certificação do PQF reuniu empresários em Três Lagoas

FORTALECIMENTO Em 10 anos, PQF movimenta mais de R$ 816 milhões em volume de negócios no Estado

Criado para qualificar e fortalecer empresas locais dentro de requisitos básicos de fornecimento às indústrias e aos órgãos públicos, o PQF (Programa de Qualificação de Fornecedores), que é desenvolvido pelo IEL em parceria com Sebrae/MS, prefeituras de Campo Grande, Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas e as empresas-âncoras Fibria, Bemis e Sitrel, completa dez anos em Mato Grosso do Sul com números expressivos: R$ 816,3 milhões em volume de negócios, levando-se em conta as relações comerciais entre ân54 •

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coras e fornecedoras. Além da cifra quase bilionária em negócios gerados, o Programa contabiliza também 300 empresas fornecedoras, 551 pessoas capacitadas em seminários e treinamentos, 25 mil horas de consultorias junto às empresas, 8,3 mil horas de diagnósticos, avaliações e auditorias, 340 pessoas formadas como auditoras da norma ISSO 9001, e 226 empresas fornecedoras certificadas, sendo 65 na metodologia básica e 171 na metodologia avançada.


“A 1ª turma foi aberta em 2008 e encerrada em 2010, a 2ª começou em 2009 e foi concluída em 2011, ambas em Três Lagoas, a 3ª turma iniciou-se em 2017 e finalizada em 2018, em Campo Grande e Ribas do Rio Pardo”, informou.

Durante cerimônia realizada no Auditório José Paulo Rímoli, no Novo Sesi de Três Lagoas, para comemorar a data, mais 91 empresas que passaram pelo programa nos municípios de Campo Grande, Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas foram certificadas. Para o presidente da Fiems, Sérgio Longen, o PQF é um programa inovador, que veio para mudar as relações das empresas com clientes tanto de outras empresas quanto o consumidor final. “É um trabalho que mudou o cenário do município e contribui para o desenvolvimento de pequenas e médias empresas, que passam a ter condições de fornecer e oferecer seus produtos para grandes

empresas como a Fibria, Bemis e Sitrel”, declarou Sérgio Longen, parabenizando o superintendente do IEL, José Fernando Amaral, pela condução do Programa. “Colocamos como meta a estadualização do PQF, que começou há dez anos em Três Lagoas, e hoje está também na Capital do Estado, em Ribas do Rio Pardo e chegará a outros municípios, porque não há barreiras”, acrescentou o superintendente do IEL, José Fernando Amaral, comemorando os números expressivos do PQF. Ele ressalta que, ao longo desses dez anos, além da Fibria, Bemis e Sitrel, também já foram empresas-âncora a International Paper, a Eldorado Brasil e a Petrobras.

REPERCUSSÃO - Na avaliação do secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck, o PQF segue uma trajetória ideal em razão de adotar uma metodologia participativa. “Esse envolvimento de diversos entes é fundamental. A Fiems, por meio do IEL, as prefeituras e empresas-âncora trabalham juntas para levar às empresas destes municípios por um caminho de conhecimento e expertise e que para elas significa um crescimento bastante positivo”, avaliou. Prefeito de Três Lagoas, Ângelo Guerreiro ressaltou a movimentação econômica proporcionada pelo programa. “O empresário enxergava a magnitude da instalação de empresas como a Fibria e a Eldorado na nossa cidade, mas se perguntavam como poderiam participar daquele processo, o pequeno padeiro queria vender o pão, o dono oficina consertar peças e hoje isso já é possível”, contou o prefeito, que falou em nome dos gestores dos municípios participantes. O superintendente do Sebrae/ MS, Cláudio Mendonça, destacou a importância do PQF para o micro e pequeno empresário. “O diferencial do programa é que ele inclui o pequeno, que passa a estar preparado para fornecer não somente à grande empresa, mas também o cliente final, que volta sempre que é bem atendido, gerando toda uma cadeia de bons negócios”, pontuou, reforçando que o Sebrae subsidia, por meio do programa Sebraetec, a maior parte das consultorias e dos custos do PQF e realizou investimentos de R$ 4,1 milhões nos últimos dez anos, garantindo a capacitação das micro e pequenas empresas fornecedoras. MS INDUSTRIAL | 2018

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ÂNCORAS E FORNECEDORES - O gerente-geral industrial da Fibria, Maurício Miranda, salientou que o PQF permitiu à empresa cumprir uma de suas premissas, a de valorizar e mobilizar a economia local. “Até porque para qualquer empresa alcançar cada vez mais competitividade é fundamental ter agilidade nas entregas, facilidades logísticas, e um bom relacionamento com a comunidade local”, pontuou. Para o diretor de operações da Bemis, Manoel Padula, o programa contribui para o desenvolvimento e também para a competitividade. “Esse programa não é importante só para prestar serviço para as empresas âncoras, ele prepara as empresas para o mercado como um todo e até internacionalmente. A cada ano o número de fornecedores locais aumenta, e esses serviços prestados contribuem para geração de emprego e geração de renda, o desenvolvimento da cidade como um todo”, analisou. O novo coordenador do Comitê Gestor do PQF, Luís Carlos Felippe, que é coordenador de suprimentos da Fibria, destacou 56 •

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o avanço das empresas nesses últimos dez anos. “É importante salientar que não criamos empresas dependentes das âncoras, nosso objetivo é torná-las capazes de fornecer para todos”. Na avaliação de Jozeane Zanella Cassol, sócia-propr ietária do Cadi (Centro Avançado de Diagnósticos e Imagens), o programa permitiu o avanço da empresa no domínio do processo de negócio. “O PQF mudou o cenário da empresa, principalmente, na documentação e controle e isso contribui para o nosso desenvolvimento”, comentou. Para Ruy Luiz Faco Filho, da Floricultura Primavera, o PQF contribuiu para que a empresa, até então familiar, crescesse. “Por meio do programa, conseguimos reorganizar a empresa e dar uma nova visão tanto na parte de qua-

O superintendente do IEL, José Fernando Amaral, apresenta resultados do PQF ao longo de dez anos

lificação como também na questão ambiental”, disse. Já Sayuri Baez, uma das primeiras empresárias a passar pela qualificação em Três Lagoas, destacou que o PQF contribui para o desenvolvimento das empresas, tornando-as mais competitivas. “Acredito que o programa permitiu maior organização financeira, de manutenção e despesas, além de melhorar a comunicação interna e externa”, afirmou.


[ INDICADORES ]

Fonte: Portal Transparência MS. Elaboração: SFIEMS DICOR UNIEP

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[ M O B I L I Z AÇ ÃO ]

Lideranças e autoridades do setor produtivo nacional se reuniram em Campo Grande para participar do evento

UNIÃO EMPRESARIAL

Lançamento do LIDE no Estado reúne empresários e políticos na Casa da Indústria

Na cerimônia de lançamento do LIDE (Grupo de Líderes Empresariais) em Mato Grosso do Sul), realizada no dia 27 de março no Edifício Casa da Indústria, em Campo Grande (MS), o presidente da Fiems, Sérgio Longen, ressaltou a força e importância do movimento empresarial para auxiliar o poder público na construção de políticas públicas para o desenvolvimento social e econômico do País. Para Longen, que também é presidente do Conselho do LIDE no Estado, o associativismo é o caminho para Mato Grosso do Sul e o Brasil avançarem. “Precisamos encontrar empresários interessados e realmente dispostos a participar, a discutir e construir um ambiente de negócios favorável ao crescimento da economia brasileira, acompanhando a formulação de 58 •

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políticas públicas no Poder Executivo e no Legislativo”, declarou, ao fazer um chamamento para que os empresários sul-mato-grossenses se filiassem ao Grupo, que inicia suas atividades no Estado com 60 empresários filiados. O LIDE, que foi fundado no Brasil em 2003 pelo atual prefeito de São Paulo (SP), João Dória, conta com 1.700 empresários associados e, além o Brasil, também atua em 13 países em diferentes áreas, como agronegócio, comércio, empreendedorismo, inovação, educação, cultura, entre outros. Presente ao evento, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, fez uma análise do cenário do País e destacou que o momento é propício para investimentos. “O presidente Michel Temer, o melhor presidente da história do

Brasil por hora de mandato, foi o único que teve coragem de promover mudanças necessárias para a sustentabilidade da economia, como as reformas, o teto de gastos, e uma economia mais estável leva à confiança e aumento dos investimentos”, reforçou Carlso Marun. Presidente internacional do LIDE, o ex-ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, destacou que o grupo também é uma oportunidade de empresários fazerem negócios. “Fazemos isso no sentido de construir uma agenda de desenvolvimento, de prosperidade e de uma oportunidade para que os empresários também façam negócio. Estamos replicando esse modelo em Mato Grosso do Sul esperando ter uma participação muito amistosa com as entidades


locais, como a Fiems”, declarou. Representando o governador Reinaldo Azambuja, o secretário estadual de Governo e Gestão Estratégica, Eduardo Riedel, ressaltou as lições que a iniciativa pública pode tirar da gestão privada. “Por isso é determinante que haja união para construção de uma pauta comum, que auxilie o poder público na elaboração de políticas e leis modernas, que reduzam a burocracia e garantam segurança jurídica para o investidor”, salientou. CEO do LIDE, Gustavo Ene ressaltou que o intuito grupo é, também, promover a integração entre diversos países e empresários, fomentando o ambiente de negócios como um todo. “Nossa proposta é justamente a aproximação entre os empresários e também das figuras públicas, para promover um bom debate que possa ajudar no desenvolvimento socioeconômico do País, discutindo uma agenda de melhorias que o País precisa, incluindo as reformas, que se fazem muito necessárias. Já tivemos sucesso na reforma trabalhista, que já vem apresentando seus resultados, mas não podemos tirar da pauta a previdenciária e a tributária”, exemplificou. Para o presidente do LIDE no Estado, Carlos Augusto Melke Filho, Mato Grosso do Sul apresenta diversas vantagens competitivas, como a proximidade com países do Mercosul, e o grupo vem para agregar mais valor aos negócios locais. “Somos vizinhos das regiões Sul e Sudeste e de países como Paraguai e Bolívia. O desafio do LIDE é agregar valor por meio de conhecimento compartilhado, trazendo todas as lideranças empresariais para essa discussão de agregar valor ao nosso Estado”, finalizou. Serviço – Os empresários interessados em se filiar podem se candidatar acessando o site www.lideglobal.com/ filie-se MS INDUSTRIAL | 2018 • 59


[ SST]

eSOCIAL

Sesi desenvolve produto para reduzir doenças e afastamentos do trabalho É de conhecimento dos empresários que o cronograma do eSocial (Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas) teve início em janeiro deste ano. Mas você já parou para pensar se sua empresa está preparada para atender as obrigações do e-Social no que diz respeito à Saúde e Segurança do Trabalho, etapa que será obrigatória em janeiro de 2019? O Sesi de Mato Grosso do Sul, por meio da Gestão em SST (Segurança e Saúde do Trabalho), dará início a uma série de capacitações com o objetivo de orientar e instruir empresários a respeito da área e envio de dados. “Vamos demonstrar que o eSocial não introduzirá nenhuma nova obrigação ao setor empresarial. As informações que serão encaminhadas ao programa já precisam ser registradas hoje pelas empresas em diferentes datas e meios, alguns deles ainda em papel, e todo o processo passará a ser online”, explica a advogada da Fiems, Karine Ignácio Pinto. Inicialmente, a capacitação será realizada nos municípios onde há unidades físicas do Sesi, a começar por Bonito. Em cada cidade, a advogada, acompanhada de técnicos da área de SST da instituição, apresentará a palestra “Como fazer a gestão Empresários durante palestra do SESI em Bonito

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de sua empresa na era do eSocial”. O tema é pertinente, acrescenta a diretora de SST do Sesi regional, a médica do trabalho Adriana Rossignoli Sato. “As mudanças exigirão das empresas avanços na gestão de SST, porque o mero controle formal e documental não será mais suficiente, será necessária a reformulação da rotina e a cultura interna da empresa,

para que as informações antes disponíveis em diferentes departamentos possam ser integradas e geradas com precisão”, analisa. SISTEMA INFORMATIZADO DE GESTÃO - Além da capacitação, o Sesi auxilia o empresário a se adequar às mudanças advindas do eSocial disponibilizando


o Sistema Informatizado de Gestão em SST, capaz de integrar as informações relacionadas à Segurança e Saúde do Trabalho, bem como validar os dados para envio à plataforma do eSocial. O sistema dará maior agilidade operacional para

a Gestão dos Leiautes e Eventos de Saúde e Segurança Ocupacional exigidos pelo Governo Federal. Além desta ferramenta, o Sesi também oferece serviços de consultorias, diagnósticos de NRs e elaborações de programas.

ATENDE OS SEGUINTES REQUISITOS EXIGIDOS PELO ESOCIAL •  S-1060 - Tabela de Ambientes de Trabalho; •  S-2210 - Comunicação de Acidente de Trabalho; •  S-2220 - Monitoramento da Saúde do Trabalhador; •  S-2240 - Condições Ambientais do Trabalho - Fatores de Risco; •  S-2241 - Insalubridade, Periculosidade e Aposentadoria Especial

Projeto conjunto do Governo Federal que integra Ministério do Trabalho, Caixa Econômica, Secretaria de Previdência, INSS e Receita Federal, para que mais de 18 milhões de empregadores prestem informações a mais de 44 milhões de trabalhadores. Reúne informações fiscais, trabalhistas e previdenciárias de forma unificada e organizada, reduzindo custos, processos e tempo gastos hoje pelas empresas com essas ações. Não introduz nenhuma nova obrigação ao setor empresarial. As informações que serão encaminhadas ao programa já precisam ser registradas hoje pelas empresas em diferentes datas e meios, alguns deles ainda em papel. MS INDUSTRIAL | 2018 • 61


[ ARTIGO ] DIÁLOGO BENEFICIA EMPRESA E TRABALHADOR A Lei nº 13.467/2017, que instituiu a reforma trabalhista, é um marco em favor da sociedade brasileira. Essa modernização oferece condições mínimas, no âmbito das relações de trabalho, para que o País tenha oportunidades de enfrentar a escalada de competitividade do mercado mundial, além de reagir às adversidades econômicas e sociais da atualidade. Emperrado por uma legislação arcaica, inapropriada para uma Nação que se pretende moderna, o Brasil precisava de uma reforma nesse campo, como em outros. Entre as várias mudanças necessárias possibilitadas pela lei, que entrou em vigor em novembro, talvez a mais importante tenha sido o fortalecimento de um instrumento poderoso de administração das relações de trabalho: a negociação coletiva. Um primeiro benefício esperado dessa alteração é, ao mesmo tempo, um dos fundamentos da nova lei: a valorização do diálogo e da negociação entre empresas e empregados de modo a encontrar soluções que compatibilizem os respectivos interesses e necessidades. Assim, ainda que a negociação possa se mostrar árdua em alguns momentos, os acordos refletem a efetiva vontade das partes, gerando satisfação e redução de conflitos posteriores. Outra vantagem são as adaptações, feitas por empresas e empregados, na realidade do trabalho e da produção. A legislação trabalhista tradicional costuma enquadrar uniformemente todas as pessoas e companhias num único padrão geral, sem atentar para particularidades. Entretan62 •

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to, quando há a possibilidade de ajustes mais precisos, regiões do País, grupos, categorias e setores podem ter suas necessidades específicas devidamente reguladas. Dessa maneira, a negociação coletiva passa a ser um meio de alcançar a descentralização normativa, sem perder de vista a proteção aos trabalhadores e permitindo adaptar as regras gerais a contextos específicos. Consegue-se, por meio dela, enfrentar, com rapidez, contingências e incertezas do sistema econômico e da realidade social, dando sustentabilidade à relação de trabalho. Tudo isso pode ser obtido sem que seja necessário o recurso à burocracia estatal ou a alterações legislativas que demandem longo processo legislativo e estabelecimento de uma regra genérica. Negociações coletivas seguras, que contam com o aval das partes envolvidas, podem gerar ganhos recíprocos, pois permitem soluções que aumentem a produtividade e a competitividade das empresas, assegurando remuneração justa e benefícios aos trabalhadores. Finalmente, o Brasil grande e diverso deixará de lado a rigidez da legislação e passará, de comum acordo entre trabalhadores e empregadores, a adaptar as relações de trabalho às exigências da economia contemporânea. A força da autonomia privada coletiva traz uma outra vantagem: o fortalecimento das entidades sindicais, contribuindo para um ambiente de confiança, coesão social e com ganhos para todos. A nova lei, por todos os motivos, é muito bem-vinda.

Robson Braga de Andrade Presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria)

Emperrado por uma legislação arcaica, inapropriada para uma Nação que se pretende moderna, o Brasil precisava de uma reforma nesse campo, como em outros”


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Revista MS Industrial  

Edição 97

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