Issuu on Google+


Mas o complexo do Madeira não é a única aposta de Rondônia. Em Pimenta Bueno, a Eletrogoes prepara um conjunto de obras que reúne alta tecnologia e preocupação com o meio ambiente. O complexo de Rondon II terá hidrelétrica e termoelétrica, mas chama atenção o seu projeto de reflorestamento, que produzirá milhões de mudas de eucalipto.

páginas 4 a 8

Qual o melhor projeto para o nosso estado? A usina hidrelétrica de Santo Antonio, em Porto Velho, é uma boa aposta. Sua construção gera milhares de empregos e movimenta milhões de reais na economia do estado. Ao lado de Jirau, representa o maior investimento individual do PAC do governo federal.

SANTO ANTONIO

ESPETÁCULO DA ENGENHARIA MODERNA

páginas 10 a 13

O melhor projeto de Rondônia

Ademilde Correia - IMAGEM NEWS

CARTA AO LEITOR

Na região de Cacoal, dentro das terras indígenas Suruí, outro projeto de reflorestamento desperta a curiosidade por ter sido elaborado pelos próprios índios. Aliado à preservação da mata, o projeto estimula a manutenção das tradições desse povo e representa uma aposta para o futuro, mirando nos próximos 50 anos.

Esperança que se transformou em certeza para a população de Ariquemes, uma cidade que é modelo de desenvolvimento econômico e justiça social. Projetos que aliam uma gestão pública criativa e participativa, com um empresariado disposto a apoiar ações voltadas para a melhoria da qualidade de vida de todos os cidadãos. Cada um destes projetos tem o seu valor e sua importância no processo de desenvolvimento de nosso estado. Uma coisa é certa. As diferentes oportunidades de investimentos e de novos negócios estão presentes em cada uma das páginas da presente edição da Revista Credisis e Negócios. Boa leitura!

páginas 32 e 33

A mesma esperança que se vê maior a cada dia nas crianças do Espaço Social Sonho Meu, um dos criativos projetos gerados aqui em Rondônia pela Fundação Ji-Cred, uma campeã da responsabilidade social. E que é mantida pela Cooperativa Ji-Cred, uma instituição vitoriosa, nas finanças e na preocupação social, que acaba de ser homenageada pelo povo de Ji-Paraná, por seus dez anos de atividades.

EUCALIPTO

A CONSTRUÇÃO DA “FLORESTA ENERGÉTICA”

BANCO DO POVO DINHEIRO PARA TOCAR O PRÓPRIO NEGÓCIO

páginas 64 a 67

A usina de álcool de Santa Luzia do Oeste também corre com boas chances de faturar esse troféu. Além de gerar centenas de empregos e milhares de reais em impostos, investe no campo da responsabilidade social. Fornece coisas simples, como refeições quentes e banheiros limpos no campo de trabalho daqueles que, em outras usinas, ainda são simplesmente “bóas-frias”. Talvez por isso a usina se chame de “Boa Esperança”.

EXPEDIENTE Conselho Editorial: Presidente - Gilberto Borgio. Membros - Elton Pereira de Oliveira, Edna Okabayashi, Vornei Bernardes. Jornalista Responsável: Edna Okabayashi (DRT/RO 906). Redação: Sandro B. André (Jornalista DRT/PR 2425), Edna Okabayashi. Fotografias: Sandro B. André, Edna Okabayashi Projeto Gráfico: Raro de Oliveira. Diagramação: Érico Crokidakis. Diretor Comercial: Katuo Okabayashi (69) 8447.3276 Fotolitos e Impressão: Gráfica Líder ltda. Tiragem: 10.000 exemplares. Circulação Nacional: C.C.T. e Cultura Terra Verde | C.N.P.J.: 23.374.085/0001-73. Cartas à Redação: Avenida Guaporé, 2464 - Centro - Cacoal - CEP. 76.963-796. Fone: (69) 3441.1952 • (69) 8403.0867 • (69) 8456.1956 E-mail: ednacacoal@gmail.com – sandrocacoal@gmail.com

BR-429

COMEÇA OBRA NO VALE DO GUAPORÉ


USINA

Engenharia

4|Credisis & Neg贸cios|Julho|2009 Neg贸cios|Abril|2009


Cleris Muniz - IMAGEM NEWS

O

de ponta

turista que passeia despreocupado pelas antigas instalações da outrora majestosa ferrovia Madeira-Mamoré, no centro histórico de Porto Velho, muito dificilmente poderá perceber, bem ao longe, na margem oposta do Rio Madeira, o movimento frenético de centenas de operários que trabalham na construção da hidrelétrica de Santo Antonio. Perto de encerrar seu primeiro ano de obras, a usina já começa a mostrar suas dimensões gigantescas. Dentro do “buracão” – apelido dado pelos trabalhadores da obra ao imenso canteiro – grandes caminhões “bota-fora” mais parecem modelos de brinquedo. Aberta com doses diárias de dinamite, a enorme escavação receberá, a partir de julho, milhares de toneladas de concreto. Bem perto dali, em mais algumas semanas, entrará em funcionamento a maior central de britagem já construída na América Latina. Até o final da obra, serão 800 mil toneladas de cimento e 138 mil toneladas de barras de aço. É nesse grandioso palco que está sendo construída Santo Antonio, a maior hidrelétrica de turbinas-bulbo do mundo, que terá capacidade para gerar 3.150 megawatts (MW) de energia – o suficiente para abastecer dez milhões de casas – quando estiver totalmente concluída, em 2015. Antes disso, porém, já a partir de dezembro de 2011, o consórcio Santo Antonio Energia, responsável pelo empreendimento, espera estar operando com parte de sua capacidade. O objetivo é iniciar as primeiras turbinas seis meses antes do prazo inicialmente projetado, que a princípio seria maio de 2012. Essa rapidez para entrar em operação foi o “pulo do gato” dado pelos empreendedores do consórcio para estabelecer um valor mais baixo do MW e ganhar a concorrência pública. A antecipação permitirá trabalhar quatro anos praticando valores de mercado. Contando com a possibilidade de um “apagão elétrico” nos próximos anos, e uma subsequente alta no valor do MWh, os acionistas da Santo Antonio Energia

A construção da hidrelétrica de Santo Antonio, no Rio Madeira, em Porto Velho, segue em ritmo acelerado, mas imperceptível para a maioria dos

moradores da capital

continua>> Credisis & Negócios|Julho|2009|5


USINA

[ LEGENDA legenda e legenda e legenda e leenda e legenda ]

enquanto 30% poderão ser negociados no mercado livre. Para garantir que tudo isso aconteça, mais de 4.200 trabalhadores circulam pela obra em três turnos, dia e noite. Além deles, a usina conta com centenas de pesquisadores de múltiplas áreas – engenheiros,

geólogos, químicos, biólogos, e mais de uma dúzia de especialidades. Em média, são contratados 50 novos pesquisadores a cada trinta dias. A folha de pagamento mensal da usina ultrapassa a casa dos R$ 2,3 milhões.

OBRAS Ademilde Correia - IMAGEM NEWS

esperam obter bons lucros e recuperar boa parte do investimento inicial. A partir de 2015, e pelos próximos trinta anos, o consórcio deverá praticar o valor de contrato, ou seja, R$ 78,87 pelo megawatt-hora. Da energia gerada, 70% serão destinados ao mercado cativo,

6|Credisis & Negócios|Julho|2009

A construção foi iniciada em agosto de 2008. Em menos de um ano de obras, o resultado já é impressionante. O curso do rio foi desviado. Uma grande barreira artificial foi erguida para que se iniciassem as escavações no leito do Madeira. A antiga Ilha do Presídio hoje é apenas uma extensão do terreno seco. Da penitenciária, só restam ruínas. Na outra ponta, do alto do casario histórico, onde outrora desembarcavam os passageiros da Maria Fumaça, hoje se contempla a grande pedreira feita à dinamite. A todo momento, os grandes caminhões “bota-fora” concorrem com ônibus de operários e automóveis trazendo técnicos e, eventualmente, visitantes à obra. Para garantir a segurança de quem circula pelo canteiro, dezenas de placas de sinalização dão sentido a um emaranhado de pequenas ruas e travessas. A ordem


ETAPAS DA OBRA 1ª ETAPA O Rio Madeira permanece na sua calha principal e, com auxílio de ensecadeiras, é iniciada a construção das obras de concreto: vertedouro (estrutura por onde passará o excesso de água do reservatório durante o período de cheias) na margem direita e tomada d’água/casa de força na margem esquerda.

2ª ETAPA

é estar sempre atento, principalmente com a aproximação dos caminhões carregados de rocha bruta. Nesse sentido, a preocupação com a segurança se mostra cuidadosa e eficaz. Ao isolar o trecho do rio que vai da margem direita à Ilha do Presídio, formouse a área fechada onde se constróem parte das estruturas da usina. Neste local, serão erguidos três vãos de vertedouros e instaladas oito turbinas, de um total de 44 previstas no projeto. Nos próximos dias, será iniciado o lançamento do concreto para a construção da casa de força e do vertedouro complementar na margem direita. Em paralelo, acontece a operação de desmonte de rochas dos canais de aproximação e

restituição nessa margem e as estruturas previstas para a margem esquerda, com diversas explosões diárias. As outras 36 turbinas serão instaladas da seguinte maneira: 24 unidades na margem esquerda do Rio Madeira e 12 no leito do rio. Cada bloco de concreto, com 42,5 metros de extensão por 80 metros de comprimento, abrigará duas turbinas. Para abastecimento de energia elétrica no canteiro, foi construída uma linha de distribuição da Ceron, em 34,5 Kv. A energia proveniente da Subestação Areal da Eletronorte vai cruzar o Rio Madeira numa extensão de 1.040 metros de vão livre, com torres de 112 metros de altura. continua>>

Desvio do rio pelo vertedouro principal, com todos os vãos com soleira rebaixada. Prosseguimento das obras do conjunto tomadas d’água/casa de força.

3ª ETAPA Rio Madeira escoando pelos vãos construídos do vertedouro principal e parcialmente pela tomada d’água/casa de força. Término das obras do leito do rio e sequên­cia da geração comercial.

Credisis & Negócios|Julho|2009|7


USINA

Essa energia garantirá a entrada em funcionamento, nas próximas semanas, da maior central de britagem da América Latina, com capacidade de produção de 860 toneladas/hora de agregados graúdos (brita) e miúdos (areia artificial) para fabricação de concreto.

IMPACTOS SÓCIO-AMBIENTAIS Os impactos geralmente provocados por um empreendimento desse porte foram reduzidos com o uso de novas tecnologias de construção, em especial as turbinas bulbo. Com isso, a área alagada de Santo Antonio será extremamente reduzida em relação às turbinas convencionais. A área inundada será pouco maior do que nas cheias normais do Rio Madeira. 8|Credisis & Negócios|Julho|2009

O estudo dos peixes recebeu atenção especial. Para evitar que a procriação ao longo do rio fosse interrompida, os canais laterais da barragem, para a passagem dos peixes que sobem o rio no período da desova, terão curvas e fundo irregular que simulam as condições naturais da corredeira. Na questão social, de acordo com o consórcio da obra, 763 famílias integram o programa de remanejamento. Na área que será ocupada pelo reservatório, 700 famílias serão afetadas e na área do canteiro de obras, 63 famílias já se mudaram para as agrovilas, com título de propriedade regularizado.

ESTUDOS DE VIABILIDADE Os primeiros estudos de viabilidade técnica do projeto da usina Santo Anto-

nio começaram a ser feitos no governo Valdir Raupp. Em 1997, foi concedida a licença prévia para o projeto executivo da obra. O governo da época identificou o potencial energético disponível na bacia do Rio Madeira, já antevendo a necessidade de investimentos para suprir a demanda futura e o desenvolvimento de Rondônia. Mais de dez anos depois, a obra começa a virar realidade, num momento em que o governo brasileiro desencadeia historicamente os maiores investimentos já realizados em infra-estrutura e modernização do país. De 2001 a 2007, foram investidos R$ 150 milhões nos estudos de engenharia, inventário, viabilidade e impactos (Estudo e Relatório de Impacto Ambiental – EIA/ RIMA).


REVITALIZAÇÃO DA MADEIRA-MAMORÉ

Parte dos recursos oriundos da construção da usina será destinada para as obras de revitalização do complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, que inclui a restauração dos galpões, dos equipamentos da antiga ferrovia e obras de urbanização da Praça. Ao todo, serão investidos R$ 60 milhões nas obras do complexo histórico e turístico. O complexo vai abrigar uma praça de alimentação no galpão 1, já recuperado; um anfiteatro e sala de convenções no galpão 2, museu e oficina no galpão da rotunda e ainda um galpão para artesanatos de Rondônia no galpão 3, ainda

sob administração da Marinha. A expectativa é de que esta primeira parte esteja concluída até o final do ano. A obra vai do início da Praça da EFMM, próximo ao Mirante, até a avenida 7 de Setembro. Só neste trecho serão investidos cerca de R$ 20 milhões. O projeto global abrange ainda o Terminal Hidroviário e o Parque das Águas, que vai urbanizar toda a área onde hoje é ocupada por palafitas, nos bairros Triângulo e Baixa da União. Um conjunto de apartamentos está sendo construído para receber os moradores do local.

Credisis & Negócios|Julho|2009|9


MEIO AM B I E N T E

A construção da

floresta energética

Plantio anual de 4,6 milhões de pés de eucalipto pela empresa Eletrogoes deverá gerar energia limpa e economia de R$ 346 milhões ao estado

[ CARLOS ALBERTO SOARES MONTEIRO, engenheiro florestal ]

10|Credisis & Negócios|Abril|2009 Negócios|Julho|2009


PREOCUPAÇÃO COM O MEIO AMBIENTE

A

empresa Eletrogoes S/A está concluindo os últimos detalhes de um grande projeto de reflorestamento nas regiões de Pimenta Bueno e Vilhena. Ao todo serão plantados 10 mil hectares de eucaliptos, a chamada “floresta energética”. Toda a estrutura do viveiro já está pronta e deverá entrar em operação em julho, com capacidade para produzir cerca de 4,6 milhões de mudas por ano. O reflorestamento faz parte de um ambicioso projeto da empresa, que há vários anos realiza pesados investimentos em Rondônia. Em 2009, a Eletrogoes deverá finalizar a construção de um complexo integrado de geração de energia limpa, que inclui a usina hidrelétrica (UHE) de Rondon II, e uma usina termelétrica – que utilizará em primeira etapa e durante 3 a 4 anos a madeira a ser retirada do lago da hidrelétrica e seqüencialmente o eucalipto produzido na área de reflorestamento como fonte de combustível renovável. “Juntas, as duas usinas serão capazes de produzir anualmente cerca de 520 mil MWh”, diz Bechara Nagib Hobaika, gerente do empreendimento. “A entrada em operação das usinas, prevista para o final de 2009, deverá gerar uma economia para o estado de Rondônia, da ordem de R$ 346 milhões por ano”, calcula. Segundo Bechara, a estimativa tem como base o consumo atual do estado para gerar energia tendo como base o óleo diesel. “Hoje, o estado consome 300 mil litros de óleo diesel para cada megawatt/hora produzido. É um combustível caro e poluente, não renovável e que não gera arrecadação dentro do estado”, diz Bechara. “Com a geração de energia limpa, Rondônia ganhará em retorno de investimentos, arrecadação de impostos, geração de empregos e renda, além dos benefícios inestimáveis ao meio ambiente”. A potência instalada da hidrelétrica será de 73,5 MW e a da termelétrica de 20 MW. Com a formação do lago da represa, serão inundados sete mil hectares, que hoje concentram cerca de 600 mil m³ de madeira. A sobra resultante do beneficiamento desse material garantirá o abastecimento da termelétrica, até que se possa utilizar o reflorestamento da empresa. Por dia, a termelétrica deverá consumir 600 toneladas de combustível lenhoso.

Para cumprir a legislação ambiental, a empresa adquiriu 50 mil hectares de áreas, das quais 10 mil hectares de áreas degradadas que serão reflorestadas com eucaliptos e recuperação das áreas de preservação permanente com espécies de árvores nativas do bioma amazônico. O viveiro também irá produzir mudas de árvores frutíferas da região amazônica, como Jatobá, Muuba, Manga de Anta, Seringueira, Guanandi e outras, visando a manutenção da biodiversidade e a oferta de alimentos para os animais silvestres. “Vamos plantar estas mudas nas áreas de preservação permanente degradadas, com o intuito de buscar a sustentabilidade da produção e manutenção do equilíbrio ambiental”, diz Carlos Alberto. O engenheiro florestal também defende o uso do eucalipto em projetos de manejo ambiental. “Como todas as espécies de árvores, o eucalipto mantém água e nutrientes no solo, facilitando o desenvolvimento de culturas consorciadas, como o milho, feijão e arroz, e inclusive servindo em projetos de recuperação de áreas degradadas pela erosão”, explica. “O eucalipto também oferece abrigo e alimento para aves e animais silvestres, desde que sejam adotadas praticas de manejo de baixo impacto como as que adotamos. Temos encontrado grande variedade deles, como antas, tatus, capivaras, cervos, mutum e, acredite, até a presença de onças pintadas”, confirma. O processo de queima do eucalipto na termelétrica será totalmente limpo. “O monóxido de carbono (CO) resultante da queima liberado na atmosfera será reincorporado ao processo de crescimento das árvores plantadas anualmente para abastecimento da usina, gerando saldo positivo na fixação de carbono, outros resíduos serão as cinzas, que serão utilizadas como eficientes fertilizantes, no próprio plantio do eucalipto e adubações no viveiro de produção de mudas”, explica Carlos Alberto. Para abastecer a termelétrica, além do eucalipto, estão em estudo alternativas, como o capim-elefante, que chega a quatro metros em um ano e rende 40 toneladas por hectare.

continua>>

Credisis & Negócios|Julho|2009|11


MEIO AM B I E N T E

EUCALIPTOS O projeto da “floresta energética” recebeu investimentos de R$ 3 milhões, para a construção de um viveiro florestal, cujas instalações estão praticamente prontas, depois de aproximadamente seis meses de obras. O primeiro plantio experimental com 100 hectares de eucalipto ocorreu há um ano. Neste período, as árvores atingiram cerca de 10 metros de altura. “Estou impressionado. Em trinta anos de profissão, nunca vi um crescimento tão rápido como está acontecendo aqui em Rondônia”, comemora o engenheiro florestal Carlos Alberto Soares Monteiro. Em seis anos, as árvores deverão atingir 30 metros de altura, quando estarão prontas para o corte. Serão plantadas 1831mudas por hectare. Estão sendo testadas e avaliadas vinte espécies do ramo “Eucalyptus spp” e 15 clones adaptados para as condições climáticas regionais. No viveiro, modernas instalações garantem o ambiente perfeito para o desenvolvimento das mudas, que serão utilizadas no plantio das florestas energé12|Credisis & Negócios|Abril|2009 Negócios|Julho|2009

ticas. “O Brasil é líder mundial em tecnologia para o plantio de pinus e eucalipto”, diz Bechara. “Fomos buscar o que há de melhor, entre os mais desenvolvidos produtores do país”. “Os clones desenvolvidos pela Eletrogoes, para as condições de clima e solo locais, poderão ser oferecidos para o plantio nas comunidades, em sistema de parceria, gerando empregos e renda nas pequenas propriedades”, explica o gerente. No viveiro, com uma área de seis hectares serão produzidas 20 mil mudas por dia. Hoje, em fase inicial de operação, o viveiro conta com 20 colaboradores, mas chegará a 60 pessoas, na fase de plena produção. Considerando todas as fases do projeto, a demanda de mão-de-obra direta será de 450 colaboradores.

[ BECHARA NAJIB OBAIKA, gerente do empreendimento ]

Esta demanda será suprida pelas comunidades locais, como os moradores de assentamentos do Incra, a 20 quilômetros dali, e os moradores de Pimenta Bueno. A empresa fornece transporte, alimentação, equipamentos de proteção individual (EPIs) e treinamento para os funcionários. Além disso, serão criadas parcerias para treinamento de mão-de-obra.


PROJETO UNE HIDRO E TERMOELÉTRICA A termoelétrica UTE Rondon II está em fase final de implantação e deve ser inaugurada em novembro de 2009. Antes do início de sua implantação a Eletrogoes realizou um estudo de viabilidade da usina, para o enquadramento no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), para uma potência instalada de 20 MW e biomassa florestal como combustível. Esta análise de viabilidade foi fruto de parceria da Eletrogoes com Centro Clima, sediado na Coppe/UFRJ e a Universidade de Salvador (Unifacs). O estudo levou em consideração que a UTE ficará instalada junto a Usina Hidrelétrica Rondon II de 73,5 MW, no Município de Pimenta Bueno, e será utilizada para firmar a energia produzida pela hidrelétrica Rondon II na época de diminuição das precipitações pluviométricas. A UTE utilizará como combustível, inicialmente, a madeira oriunda do desmatamento do lago a ser inundado na construção da UHE Rondon II, posteriormente resíduos agrícolas e de serrarias da região no entorno da UTE e, por fim, (aguardado o ciclo de crescimento de cinco anos para floresta energética sustentada) madeira de reflorestamento a ser implantado em áreas desmatadas e/ou degradadas. Por meio desta configuração, a UTE contribuirá a substituir o óleo diesel ainda em franca utilização pelos Estados do Norte do Brasil para firmar energia; contribuirá também para recuperação de áreas desmatadas, abandonadas e degradadas; o estabelecimento de um reflorestamento em pastagens que foram desmatados antes de 1990 (condição para que o reflorestamento seja aceito no MDL); e fixará o carbono com o manejo da floresta energética que ocupará aproximadamente 10 mil hectares. O projeto desta maneira contribuirá para promover a redução dos gases de efeito estufa e da poluição ambiental local, devido à emissão de gases em razão da queima de óleo diesel nos geradores em operação. Outros aspectos, muito importantes e talvez ímpares no Brasil, referem-se à: inovação constituída pela construção associada de uma UTE a uma UHE, pela escolha de região remota onde não há outros empreendimentos do tipo no local, e pelo aproveitamento da biomassa existente na área que será inundada para geração de energia ao invés de simplesmente queimá-la, depois de aproveitamento da madeira nobre. A prática de queimada é comum na região e esta seria, a princípio, a opção convencional a ser adotada pela empresa, já que existe determinação da retirada da floresta no local inundado.

A geração de eletricidade com biomassa de reflorestamento é uma fonte renovável e tem emissão nula em monóxido de carbono. A operação desta usina de fonte renovável substituirá a queima de óleo diesel e por assim dizer tem o despacho de energia incentivado pela CCC – Conta Consumo de Combustíveis – que é o nome dado ao subsídio para o uso de óleo diesel na geração de energia elétrica.

VIABILIDADE O resultado do estudo de viabilidade da adoção do MDL por meio de geração de energia a partir da biomassa florestal, no cenário proposto, foi considerado satisfatório. Os resultados da análise preliminar da qualificação do projeto ao MDL mostraramse também bastante satisfatórios, se comparados aos números apresentados por UTE’s a diesel. A UTE Rondon II é mais competitiva, considerando-se os principais itens de custo de operação e manutenção (O&M), custo de capital de energia e custo de combustível. No ponto de vista dos indicadores de sustentabilidade o projeto teve uma nota global bastante alta por se tratar de uso de biomassa florestal para produção de energia. A contribuição à mudança do clima global com o deslocamento de combustíveis fósseis, seja diesel ou gás natural, é muito significativa diante dos critérios adotados e mereceu nota máxima. O Indicador de Sustentabilidade Local mereceu nota positiva devido a melhoria propiciada para a área degradada onde será plantada uma floresta energética. Outro aspecto positivo: haverá geração de empregos para manejar a floresta plantada na área degradada e para a operação da usina à biomassa, em geral a maioria da mão-de-obra é não especializada.

CONCLUSÃO A Eletrogoes, tendo todos os ingredientes necessários para enquadrar esse projeto no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo sustentável, optou pela sua implantação imediata. A sua construção, que está em fase de conclusão, se tornará um ponto de partida para a construção de outros tantos projetos semelhantes, levando o Estado de Rondônia a ser o pioneiro em implantar usina hidrelétrica associada a uma termoelétrica para firmar energia e explorar a biomassa como mais uma fonte de combustível para geração de energia elétrica, potencialmente abundante, limpa, renovável e sustentável.

Credisis & Negócios|Julho|2009|13


ECOLOG I A

Reflorestamento à moda indígena Povos nativos dão lições de consciência ambiental e planejamento de longo prazo

A

criação de um amplo projeto de reflorestamento das terras índigenas Sete de Setembro, pertencentes às tribos Suruí, nas cercanias do município de Cacoal, é um sonho que está sendo realizado, com sucesso, a partir do envolvimento de lideranças indígenas e de parcerias com instituições nacionais e estrangeiras. O projeto de reflorestamento Pamine, financiado por uma ONG suíça, a Aquaverde, é inovador justamente por ter sido proposto pelos próprios índios. A meta é ambiciosa: plantar um milhão de mudas de árvores nativas, frutíferas e de madeiras nobres, que servirão para o artesanato e as tradições dos Suruí. Seus objetivos: preservar a floresta, gerar emprego e renda entre os povos indígenas e brancos, além de recompor áreas degradadas pelo desmatamento e pastagens. O líder indígena Almir Suruí, criador e principal incentivador do projeto, explica que a iniciativa é de longo prazo. “Estamos propondo estratégias para os próximos 50 anos, pois sabemos que a preservação da floresta passa por iniciativas que gerem renda a partir da própria floresta”, diz Suruí. Por iniciativa dele, diversas entidades parceiras estão unidas ao projeto Pamine e a outros projetos dos Suruí. Um desses projetos é o Google Earth. Firmado em 2007, o acordo permite o livre acesso pela rede mundial de computadores, de qualquer ponto do planeta, a imagens 14|Credisis & Negócios|Abril|2009 Negócios|Julho|2009

das terras indígenas em tempo real. “É uma ferramenta de alta tecnologia que visa proteger melhor as fronteiras da reserva contra queimadas e derrubadas”, afirma o líder Suruí. Recentemente, especialistas do Google Earth estiveram visitando as aldeias Suruí, para conhecer a realidade dos índios e propor novas soluções em parceria comum. Nos últimos doze meses, mais de 220 pessoas de várias nacionalidades visitaram as aldeias, com a finalidade de conhecer as propostas de Suruí. continua>


ESPÉCIES PARA O PLANTIO

[ O LÍDER INDÍGENA Almir Suruí ]

BABAÇU • Esta espécie é usada principalmente na confecção da cobertura das casas tradicionais, que necessita ser substituída a cada 4 anos. As casas tradicionais são mais frescas e sadias que as casas de madeira e zinco introduzidas pela FUNAI e são mais baratas. Além disso, as frutas são comestíveis e produzem um óleo e uma farinha que são fontes de renda. Hoje, o Brasil tem um projeto de produção de biodiesel a partir de óleo de babaçu. AÇAÍ • Muito utilizada pela sua folhagem, notadamente pelo artesanato, para cobertura das casas, para fabricação dos trajes do principal ritual: o Mapimaí. Hoje os Suruí já consomem a fruta do açaí e estudam a possibilidade de comercialização desta. O açaí tem pouca ocorrência diante das outras espécies. TUCUMÃ • Esta variedade de palmeira é fundamental para o artesanato, já que o caroço da fruta do tucumã é usado para a confecção de jóias, acessórios e objetos decorativos. Infelizmente esta espécie hoje não se encontra na reserva, tornando os Suruís dependentes dos fazendeiros para a coleta dos coquinhos. PUPUNHA • A resistência é a principal característica da madeira tirada desta variedade de palmeira. É usada na confecção das armas tradicionais Suruís, como os arcos e facas e também na arquitetura tradicional. A fruta é consumida pelos Suruís. A espécie é cada vez mais rara no território. PATUÁ • Esta espécie é usada, da mesma forma que o açaí, para a cobertura das casas, o artesanato e a confecção de instrumentos rituais. Seu fruto é comestível. Apresenta dificuldades no plantio. As mudas são caras e difíceis de se encontrar. CASTANHEIRA • A castanha é um alimento importante para os índios e sua comercialização é bastante rentável. É uma árvore de grande porte, muito cobiçada tanto pela madeira como pelos frutos, chegando a estar ameaçada de extinção e hoje encontra-se protegida por lei. Os Suruí adoram uma larva de borboleta que se desenvolve no tronco da castanheira.

Credisis & Negócios|Julho|2009|15


ECOLOG I A

PAMINE As primeiras áreas de reflorestamento começaram a ser plantadas pelos índios em 2005. Desde então, já foram colocadas mais de 120 mil mudas em sete áreas da reserva. São árvores de madeira nobre (jatobá, mogno e cerejeira), espécies frutíferas e alimentícias (cacau, açaí, patuá, buriti e pupunha), medicinais (copaubeiro), artesanais (tucumã) e de utilização na pesca (tamboriu), entre outras espécies nativas. A culinária indígena também tem seu espaço no projeto. “O coquinho do jenipapo, por exemplo, tem uma larva muito apreciada pelo nosso povo”, ensina. Acima de tudo, os indígenas estão buscando sua auto-sustentabilidade. “Não queremos políticas assistencialistas do governo brasileiro, nosso território tem plenas condições de gerar recursos sem precisarmos derrubar a floresta. Propomos um modelo de desenvolvimento verde, diferente do modelo utilizado ao longo das últimas décadas, que transformou parte da mata em pasto e cinzas”, diz Almir. “As terras indígenas são as mais preservadas, que apresentam maior biodiversidade”, explica. Um estudo realizado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) comprova essa afirmação. “Perto de 8% das matas da nossa reserva indígena foram retiradas desde os anos 80. Nosso objetivo é recuperar as áreas degradadas e oferecer caminhos economicamente viáveis para o nosso povo e para as comunidades vizinhas”, esclarece. Para provar sua tese, Almir Suruí está elaborando projetos dentro e fora da aldeia. Iniciativas simples, como dar emprego para que as comunidades auxiliem no plantio das mudas ou no cultivo do café, até projetos ousados, como o incentivo ao turismo ecológico, a comercialização de créditos de carbono e a utilização de ferramentas de alta tecnologia, como o Google Earth, estão na agenda dos Suruí. “Hoje, temos cerca de 300 pessoas envolvidas no plantio de mudas para o reflorestamento, mas nosso objetivo é fazer com que nosso povo tenha acesso à universidade, para que possamos criar novos projetos que nos tornem autosuficientes”, diz Almir. “Para conseguir estes objetivos, estamos buscando parcerias técnicas nas mais diversas áreas, com brasileiros e estrangeiros”, explica.

16|Credisis & Negócios|Julho|2009

Um dos objetivos é calcular a quantidade de oxigênio gerada pela floresta. Outro é criar um fundo de gestão para o povo Suruí, hoje formado por 1.300 pessoas, crianças e jovens na maioria. São projetos para a proteção dos territórios indígenas, para garantir educação e saúde, para gerar consciência ambiental entre as comunidades, e muito mais. Tudo incluído num grande projeto para os próximos 50 anos, e que já começou.

SERVIÇO: Gamebey – Associação Metaleirá do Povo Indígena Suruí – Avenida JK, 5217 – Riozinho – Cacoal/RO – CEP 78980-000 – Fone/ Fax (69) 3443-2714 – orggamebey@ gmail.com - www.surui.org

CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA

O projeto de reflorestamento Pamine foi elaborado pelos Suruí segundo sua filosofia de vida. De acordo com o projeto, a recuperação da riqueza de florestas próximas das aldeias deve proporcionar a redução da dependência alimentar com relação às cidades e criar recursos no âmbito do desenvolvimento sustentável. O plantio de árvores irá acelerar o processo de equilíbrio ecológico, que seria muito lento se conduzido de forma natural. Ele permite proteger os recursos hídricos, tanto em quantidade como em qualidade. Em pequena escala, o crescimento das árvores participa do sequestro de carbono, diminuindo o efeito estufa. A escolha das espécies para reflorestamento considerou aspectos ligados à tradição e ao folclore dos Suruí, além do aspecto de sustentabilidade. Ou seja, gerar renda e empregos permanentes a partir da exploração racional dos recursos florestais.


CANA-D E -A Ç Ú C A R

Boa Esperança

inicia colheita

A

Usina de Boa Esperança já iniciou a colheita da sua safra de cana-de-açúcar. A área de plantio reúne cerca de 5 mil hectares de terras extremamente férteis no município de Santa Luzia do Oeste, na zona da mata rondoniense. A mecanização, que já ocorre na colheita da cana, este ano também está sendo incorporada à etapa de plantio. Toda a safra será destinada para a produção industrial de álcool hidratado (combustível) e anidro (para misturar na gasolina). O empreendimento possui capacidade instalada de 100 milhões de litros de álcool por ano. A expectativa é de iniciar a produção de açúcar num prazo de três a cinco anos. Com a sobra do bagaço da cana no processo industrial, a usina gera energia suficiente para abastecimento próprio. Nos próximos anos, com o aumento da produção, será possível vender parte da energia produzida. A usina emprega cerca de 100 funcionários na indústria e 300 trabalhadores na área agrícola. Quando atingir sua capacidade total, deverá empregar em torno de  mil pessoas. Tanto o plantio quanto a colheita acontecem nos meses de seca, normalmente de maio a novembro. Mas, apesar da sazonalidade, a usina mantém seus colaboradores o ano todo. “Produzimos um álcool de excelente qualidade e vendemos para praticamente todos os distribuidores do estado”, explica o diretor da Usina Boa Esperança, empresário Vandermir Francesconi. “O empreendimento trabalha dentro dos mais rigorosos padrões exigidos pela legislação ambiental e busca seu constante aperfeiçoamento”. A usina ocupa uma área de 22 hectares e possui 4,9 mil metros quadrados de área construída. Seus reservatórios armazenam cerca de 10 milhões de litros de álcool e todo o processo produtivo é controlado por sete modernas centrais de processamento de dados, com monitoramento em tempo real, na tela do computador. 18|Credisis & Negócios|Julho|2009

Empreendimento de Santa Luzia do Oeste colhe sua segunda safra de cana e começa este ano o plantio mecanizado para abastecer a usina de álcool


SEGURANÇA DO TRABALHO

FANFARRA PROMOVE INTEGRAÇÃO O projeto Fanfarra Usina Boa Esperança reúne colaboradores da usina e seus familiares. Atende 90 crianças e adolescentes. O projeto também é extensivo aos funcionários. O projeto visa criar uma alternativa para formação das crianças e promover a sua integração na comunidade. Os ensaios acontecem todos os domingos, no estádio municipal de São Felipe. O projeto foi implantado no primeiro semestre deste ano. Recentemente, a fanfarra da Usina Boa Esperança participou do primeiro encontro de bandas e fanfarras de São Felipe.

A Usina Boa Esperança investe continuamente na saúde, segurança, qualidade de vida e bem-estar de seus colaboradores, no trabalho e em sua vida na comunidade. Realiza frequentes palestras para instruir, prevenir e formar multiplicadores destes conceitos, beneficiando municípios e distritos vizinhos. Promove a Sipat - Semana Interna de Prevenção de Acidentes e uma série de atividades de conscientização de segurança, em relação às frentes de serviço (aplicação de herbicida, utilização de produto químicos; uso e conservação de EPI´s; e prevenção de acidentes). As palestras orientam sobre saúde em variados temas, da ergonomia (postura) a orientações sobre ferimentos e curativos; da prevenção do câncer de colo uterino e mama à higiene pessoal dos trabalhadores da cozinha. Palestras sobre saúde alertam sobre os riscos de doenças como hipertensão; tuberculose; aids e dengue. Campanhas de vacinação previnem contra hepatite, febre amarela, difteria, tétano e rubéola.

PREOCUPAÇÃO COM A SAÚDE As ações permanentes da usina visam avaliar, monitorar e melhorar a saúde e qualidade de vida de seus colaboradores. Orientados pela equipe de Medicina do Trabalho, técnicos de enfermagem vão a campo fazer a hidratação com soro aos colaboradores, a fim de proporcionar condições físicas adequadas para o desenvolvimento da atividade do corte de cana. A equipe médica avalia todos os colaboradores e faz o acompanhamento regular de trabalhadores com diagnóstico de hipertensão, conforme sua necessidade individual. Comida fria também é coisa do passado. A usina fornece alimentação quente para todos os funcionários rurais. É a forma de oferecer condições dignas de alimentação, com refeições saudáveis e dentro de rigorosos padrões de higiene, em todos os postos de trabalho. O regente Diógenes Sales se diz surpreso pelo empenho e os resultados alcançados. “Esta experiência só foi possível pela dedicação e força de vontade dos alunos. A partir desta primeira fase estamos nos preparando para novos eventos”, explica.

Os trabalhadores também têm acesso a banheiros móveis na área agrícola, com todo conforto e privacidade. “Todas as usinas do país têm condições de oferecer bons médicos, refeições quentes e banheiros privativos ao pessoal que trabalha no campo. Isso significa tratar seus colaboradores com respeito e dignidade”, opina o diretor da Usina Boa Esperança.

Credisis & Negócios|Julho|2009|19


FRANGO

Crescimento

acelerado

Grupo Globoaves investe na unidade de Espigão do Oeste de olho nas exportações a partir do ano que vem

P

rimeiro frigorífico industrial de frango da região amazônica habilitado pelo SIF (Serviço de Inspeção Federal, do Ministério da Agricultura) para comercialização em todo o país, o Globoaves está ampliando suas instalações da unidade Avenorte, em Espigão do Oeste. A implantação de um moderno sistema de túneis automáticos, novas câmaras frigoríficas e sistemas de automação re20|Credisis & Negócios|Julho|2009

sultam de um investimento iniciado pelo grupo há dois anos. Na unidade de Espigão, são abatidos 45 mil frangos por turno de oito horas de trabalho, sendo que a partir de julho será iniciado um segundo turno diário. O frigorífico produz frango inteiro “in natura” congelado, frango inteiro temperado congelado e partes de frango congelado. “Cerca de 60% da produção é des-

tinada para o mercado de Manaus. O restante fica nos mercados de Rondônia, Roraima, Acre e Mato Grosso”, explica o diretor do Grupo Globoaves, Roberto Kaefer. “A meta é iniciar as exportações da unidade de Espigão a partir de 2010”. Na planta industrial de 9 mil metros quadrados, trabalham 452 colaboradores, distribuídos entre frigorífico, granja e incubatório. A empresa trabalha em parceria com granjas terceirizadas, com adoção


de rígidas normas de biossegurança. Um dos maiores parceiros em Rondônia é o empresário Nério Bianchini, de Cacoal. No incubatório da empresa, são produzidos 900 mil pintinhos por mês, com ênfase nos matrizeiros. A capacidade do incubatório é de dois milhões de pintinhos por mês. De olho na questão ambiental, a companhia aguarda para investir cerca de R$ 5 milhões em novas instalações e equipamentos.

EMPRESA DE ORIGEM FAMILIAR

GRUPO INDEPENDENTE O Globoaves é um dos 10 maiores frigoríficos de frango do país, com abate anual de 64 milhões de aves. Os números somam a produção dos frigoríficos de aves da empresa em Espigão do Oeste, Cascavel (PR), Bariri (SP) e Viana (ES). O grupo está presente em Rondônia desde 2001, quando iniciou parceria com a Avenorte, assumindo em 2004 o complexo de Espigão do Oeste. Maior produtor independente de pintos de um dia e ovos férteis do país, o grupo vem reforçando sua atuação no abate de frango caipira. Além do mercado doméstico, o produto é exportado para países da África e do Oriente Médio. Um dos frigoríficos que mais crescem no país, registra faturamento anual de R$ 1 bilhão. A empresa atua no mercado há 24 anos e tem sede em Cascavel (PR).

INCUBATÓRIOS A Globoaves produz pintos de um dia a partir de incubatórios em Rondônia e outros oito estados do sul, sudeste e nordeste do país. Além dos incubatórios, a empresa possui granjas de matrizes, controladas pela própria Globoaves, com a mesma metodologia de produção e treinamento de seus colaboradores. Nas granjas também são adotados programas de reflorestamento, como parte do programa de biossegurança da empresa. Dentro da cadeia de produção, a Globoaves dispõe de fábricas de ração próprias, que atendem exclusivamente as granjas de matrizes. A empresa é pioneira no uso de equi-

[ ROBERTO KAEFER, diretor do Grupo Globoaves ]

A Globoaves nasceu de um pequeno comércio de origem familiar, em meados do século passado, para se tornar a maior fornecedora nacional de ovos férteis e pintos de um dia para corte e postura. Nos anos 50, ainda no interior gaúcho, o patriarca Henrique Helmuth Kaefer abriu uma pequena loja de produtos agropecuários. Em 1960, o pioneiro chegou a Toledo (PR), onde abriu um pequeno armazém de “secos e molhados”. Em 1976, Helmuth e os filhos Velci, José Saldi e Roberto Kaefer constituíram a Globo Comércio e Representações, uma loja agropecuária que vendia rações, suínos e pintainhos de um dia. Dois anos depois, a família adquiriu uma pequena granja para produção e engorda de suínos. O plantel inicial era de apenas 50 matrizes. Com o crescimento vertiginoso da avicultura, em 1983 foi criada a Globoaves Comércio de Aves, voltada exclusivamente à compra e venda de pintinhos. O passo seguinte foi a implantação de uma pequena granja de matrizes e um incubatório para produção própria. Em 1985, foi fundada a Globoaves, principal empresa do grupo controlado pela holding Kaefer Administração e Participações, com atuação na avicultura, suinocultura, agricultura e pecuária. De 1985 para cá, a empresa procurou sempre se manter à frente das tendências do mercado avícola mundial, inovando em produção e tecnologia.

continua>> Credisis & Negócios|Julho|2009|21


FRANGO

pamentos de ponta. Em 2001, inovou ao utilizar na avicultura industrial a tecnologia de vacinação “in ovo”, onde os pintinhos são vacinados três dias antes da eclosão. Também foi a primeira no país a utilizar sistema de escaneamento e remoção automática de ovos inférteis. No Centro de Tecnologia Avícola, a Globoaves realiza pesquisas e projetos na produção de frangos de corte e possui um centro de genética para o desenvolvimento de linhagens coloniais.

GRANJAS A Globoaves possui modernas granjas de matrizes de corte, todas administradas pela própria empresa. As granjas de recria contam com modernos galpões “darkhouse”, com estruturas diferenciadas para alojar machos e fêmeas. Os locais são adequados para a procriação. Já em idade adulta, as aves são transferidas para granjas de produção, com aviários amplos, bem equipados e equipe qualificada para o manejo das aves e coleta de ovos, sempre de acordo com rígidas normas de biossegurança.

PRODUTOS A empresa é grande fornecedora de ovos férteis e pintos de corte, postura e colonial. Adota os mais rigorosos padrões de sanidade dos produtos. Trabalha com material

22|Credisis & Negócios|Julho|2009

genético selecionado para gerar elevados níveis de produtividade e rentabilidade. Suas unidades estão próximas aos maiores centros nacionais de produção avícola, possibilitando entrega rápida, produtos de melhor qualidade e atendimento às necessidades de cada cliente.

QUALIDADE Desde 1998, a Globoaves investe na melhoria contínua de seus processos, visando prestar melhores produtos e serviços aos seus clientes. O Programa de Gestão pela Qualidade atinge todas as etapas da cadeia produtiva da Globoaves, da seleção de matérias-primas e fornecedores até a entrega e acompanhamento dos produtos. O programa é realizado durante o ano todo e envolve os colaboradores de todos os níveis da empresa, dos diretores aos operadores. A empresa também investe em segu-

rança alimentar. Implantado em 2004, o Programa HACCP – sigla em inglês para Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle – monitora os alimentos fornecidos às aves, o cuidado com a incubação dos ovos, a criação monitorada dos frangos, e um cuidadoso processo de abate e embalagem, para garantir a máxima segurança do consumidor. Para funcionar com perfeição, o programa HACCP exige a adequação às normas BPF – Boas Práticas de Fabricação.

SEGURANÇA O Programa de Segurança de Alimentos do Frigorífico Globoaves tem por objetivo principal a adequação da unidade às normas para exportação dos produtos ao Mercado Comum Europeu, atualmente o mais exigente dos mercados consumidores de produtos avícolas brasileiros. O Incubatório Globoaves Cascavel foi o primeiro incubatório do Brasil a receber a recomendação para a certificação do sistema HACCP, pelo Senai, em parceria com o Ministério da Agricultura. O incubatório é um importante fornecedor da cadeia produtiva do frango processado pelo Frigorífico Globoaves. Estão envolvidos neste projeto os prestadores de serviço, e fornecedores de materiais da Globoaves. Foram também envolvidos os mais de 500 produtores integrados e a fábrica de rações, que recebem apoio de


FRANGO DIRETO PARA A CHINA equipes especializadas da Globoaves, para a implantação do programas de Padronização e 5S.

BIOSSEGURIDADE Como parte das atividades da biosseguridade, a empresa normatiza a entrada controlada nas granjas, com restrição de visitantes e fluxo de vazio sanitário de todos os integrantes da equipe. Cada núcleo possui portaria exclusiva, com estrutura para fumigação de materiais, desinfecção de veículos, higienização pessoal obrigatória e troca de uniformes de uso restrito a área interna da granja, para garantir o isolamento das aves. Ainda assim, os aviários passam por manejos que auxiliam na sanitização de lavagem, desinfecção e vazio sanitário, comprovados por meio de avaliação microbiológica em parceria com laboratórios especializados. A chegada de um novo lote é acompanhada por veterinários que verificam as condições e documentação sanitária das matrizes e fazem as coletas para os primeiros exames laboratoriais. A atuação preventiva garante um produto seguro e de qualidade, em atendimento às exigências do mercado consumidor.

Os frigoríficos brasileiros produtores de carne de frango comemoram o acordo assinado no final de maio, que garante a venda direta para a China. O Brasil, maior exportador mundial, com produção de 10,9 milhões de toneladas de carne, venderá para os chineses, segundo maior mercado consumidor de frango do planeta (12,7 milhões de toneladas), atrás apenas dos Estados Unidos (13,9 milhões de toneladas). Depois de quatro anos de negociações, o Brasil pode, finalmente, vender carne de frango com embarques diretos para a China, sem a necessidade de passar por Hong Kong – fator que encarecia os custos logísticos e diminuía a competitividade do produto brasileiro. O frete mais caro acabava aumentando o preço na ponta final. Segundo a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef), várias licenças de importação protocoladas devem ser confirmadas no Brasil nas próximas semanas. Atualmente, o setor tem um faturamento anual de US$ 6,4 bilhões.

NÚMEROS O Brasil abateu 5,18 bilhões de cabeças de frango no ano passado, ou 10,9 milhões de toneladas de carne. No ranking mundial, o país é o terceiro em produção, depois de EUA e China. A Abef espera fechar o ano com produção 5% maior, num total de 11,4 milhões de toneladas de carne de frango em 2009. Isso depois de reduzir o alojamento de aves em 15% no primeiro trimestre de 2009. Após China, Índia e Argélia, mercados abertos recentemente, a avicultura brasileira agora mira Indonésia, Malásia e México.

Credisis & Negócios|Julho|2009|23


CERÂMI C A

Indústria

investe em inovação Construção de forno-túnel segue em ritmo acelerado. Objetivo é produzir um milhão de telhas por mês

Pioneirismo em primeiro lugar Nascido sergipano e criado no Paraná, Francisco Alves de Andrade chegou a Rondônia em 1972, aos quinze anos de idade, para trabalhar na lavoura. Em 1980, a família fundou a Cerâmica Santa Maria, e a empresa não parou mais de crescer. “Acreditamos muito no potencial do estado, acho que estamos no caminho certo”, diz Francisco. A indústria fornece produtos para os mercados de Rondônia, Acre e Mato Grosso e gera cerca de 160 empregos diretos.

[ FRANCISCO ALVES DE ANDRADE, diretor da Cerâmica Santa Maria ] 24|Credisis & Negócios|Abril|2009 Negócios|Julho|2009


A

Cerâmica Santa Maria, uma das mais tradicionais empresas do setor em toda a região norte, inaugura neste segundo semestre um novo equipamento que promete revolucionar sua produção industrial. Trata-se do moderno forno-túnel, que recebeu R$ 2 milhões em investimentos e se encontra em fase final de implantação. Com sua entrada em funcionamento, nos próximos meses, a produção industrial deverá dobrar, atingindo o volume de um milhão de telhas por mês. Nos demais fornos, a indústria manterá a produção de tijolos, telhas, blocos, elementos vazados e para laje, peças especiais, pisos e revestimentos. São mais de 40 itens produzidos pela indústria cerâmica, que atua há três décadas no mercado e tem uma produção anual correspondente a 33,6 mil toneladas. “Nossa expectativa é concluir a instalação do forno em prazo bastante reduzido”, explica o empresário Francisco Alves de Andrade. “Iniciamos a obra em setembro de 2008 e deveremos concluir os trabalhos com menos de um ano, graças a modernas tecnologias utilizadas na execução de uma obra desta envergadura”, afirma. “Investimos cerca de R$ 1,2 milhão em recursos próprios e financiamos o restante pelo Banco da Amazônia, e acreditamos que em curto prazo poderemos recuperar todo este investimento”, diz. O empresário destaca que, além de introduzir maior produtividade, o forno-túnel também vai gerar ganhos ambientais. “O equipamento utiliza menos serragem que os fornos comuns, produz mais com menos queima de materiais, e reduz os níveis de emissão de gases, que são reaproveitados no processo de secagem”. Enquanto um forno comum depende de 4 m3 de serragem para produzir um milheiro de tijolos, o forno-túnel precisa de apenas 0,8 m3 para produzir a mesma quantidade.

LABORATÓRIO

Um dos diferenciais da Santa Maria é o seu laboratório de análise de materiais, o único do estado no setor cerâmico. O laboratório reúne informações sobre a composição de pelo menos quatro diferentes tipos de argila disponíveis para a produção da cerâmica na região. “É importante utilizar diversas variedades de argila para manter o nível de qualidade dos produtos”, explica o chefe do laboratório, Fagner Andrade. Antes de serem analisadas, todas as argilas são trituradas, moídas e peneiradas, com identificação dos resíduos. Para a pesagem das amostras em laboratório, é utilizada uma balança eletrônica de precisão. A estufa de esterilização e secagem chega a 120 graus Celsius e serve para desidratar a porção que será analisada e saber a quantidade de água daquela argila. O laboratório dispõe ainda de um forno para testar a granulometria da argila (chega a 890 graus Celsius); uma prensa de resistência, capaz de flexionar os materiais com um peso equivalente a 150 quilos; além de uma prensa capaz de comprimir tijolos, com 400 quilos de força. “Esse acompanhamento permanente garante os níveis de qualidade e uniformidade constantes em todos os nossos produtos”, diz Fagner. Os investimentos em tecnologia incluem ainda o monitoramento de toda a produção por computador. O sistema informatizado mostra dados atualizados, em tempo real, dos níveis de temperatura dos fornos. Todo o processo de queima também é feito por computador.

Credisis & Negócios|Julho|2009|25


LARANJA S

Rentabilidade A dourada Nos pomares de Espigão do Oeste estão as maiores lavouras da fruta no estado. Novo equipamento industrial deverá aumentar lucros dos agricultores 26|Credisis & Negócios|Julho|2009

fruta que na Grécia antiga era chamada de “pomo de ouro” continua valorizada nos tempos modernos. A produção de laranjas em Rondônia é um negócio lucrativo e em alta. Que o digam os produtores de Espigão do Oeste. Na principal região produtora de citros do estado, são 300 hectares que rendem cerca de R$ 1 milhão por ano. E as 2.823 toneladas da fruta retiradas das lavouras de Espigão só não rendem mais dinheiro porque ainda não existe produção que justifique a implantação de uma empresa de grande porte, em escala capaz de garantir o processamento de sucos industrializados. A produção


Acusfisio Saúde, Equilíbrio e Longevidade [ JOÃO ANTONIO QUEIROZ, produtor de laranjas ]

Clínica de Fisioterapia, Acupuntura, Pilates e Terapias Integradas

média no município atinge cerca de 9,4 toneladas por hectare. A Prefeitura local procura alternativas, como a instalação de uma máquina para produzir suco natural, sem conservantes, envazado na hora. “Nossa expectativa é de que este equipamento esteja disponível até os dias 25, 26 e 27 de setembro, quando acontece a 3ª Festa da Laranja”, diz o secretário de agricultura de Espigão, Carlos Costa. Grandes produtores do município e do estado, a família Queiroz é pioneira no plantio da laranja em Espigão, onde

chegou na década de 70. Dono de uma lavoura de 20 alqueires, o citricultor João Antonio Queiroz vende toda sua produção nas feiras livres de Espigão e Pimenta Bueno. Em média, são 100 caixas de 28 quilos, ou 2,8 toneladas de frutas vendidas semanalmente, nas variedades Pêra Rio e Pêra Natal. “A lucratividade é boa, uso pouca mão-de-obra de terceiros, mas se tivermos condições de produzir o suco e fornecer dentro da cidade, será ainda melhor”, conclui o produtor.

Tel. (69) 3443-1361 – 9963-0573 www.acusfisio.com.br contato@acusfisio.com.br

Rua José do Patrocínio, 2023 – Centro - Cacoal - RO


INFRA-E S T R U T U R A

Aviação Civil confirma obras no aeroporto

A

Secretaria Nacional de Avião Civil confirmou para a primeira semana de julho a liberação inicial de R$ 6 milhões para execução do projeto de reforma e ampliação do aeroporto José Coleto, em Ji-Paraná. O aeroporto é administrado com recursos da Fundação Ji-Cred. Os valores para essa obra são oriundos de emenda de bancada, coordenada pelo deputado federal Anselmo de Jesus (PT/ RO), e totalizam uma destinação de R$ 12 milhões. De acordo com a Secretaria de Aviação, será publicada uma portaria com o Plano de Investimentos contendo o valor dos recursos financeiros que cada Estado receberá para suas obras. No caso de Rondônia, para o aeroporto de Ji-Paraná, serão inicialmente R$ 6 milhões. Os recursos haviam sido contingenciados em dezembro 28|Credisis & Negócios|Julho|2009

Secretaria Nacional libera R$ 6 milhões para iniciar reforma da pista do terminal aeroportuário de 2008, mas somente agora finalmente foram confirmados oficialmente os valores para que seja iniciada esta obra. Para o presidente da Cooperativa JiCred, Milton Crevelaro, a realização das obras no aeroporto de Ji-Paraná será de fundamental importância para a modernização do terminal aeroportuário, que poderá futuramente operar com aeronaves de qualquer porte. “As obras trarão novos negócios para a cidade e para o estado de Rondônia. E o aeroporto continuará operando durante o período de obras”, assegurou. A abertura de licitação ainda depende

de autorização do governo do Estado, a quem caberá também uma contrapartida no valor de R$ 2 milhões. O projeto tem a coordenação do 7ª Comando Aéreo Regional (Comar). A análise positiva da documentação assegurou a destinação do recurso federal. O deputado Anselmo de Jesus, que representou o Estado de Rondônia no encontro, reiterou ao chefe da Aviação Civil Nacional os benefícios da nova pista para o interior do Estado, obtendo do Brigadeiro Jorge Godinho Barreto Nery, a garantia de que esta obra é prioridade do Comando da Aeronáutica.


REPORTA G E M E S P E C I A L

Ariquemes, modelo de

desenvolvimento econômico e social

J

ustiça social e desenvolvimento. Esse conceito mostra o que é a cidade de Ariquemes. Modelo de programas sociais auto-sustentáveis. Projetos que se integram, num círculo virtuoso. Moradia, ecologia, educação, alimentação, agroindústria, microcrédito, empreendedorismo, informática, e investimento em infra-estrutura, tudo em doses que se completam.

Peças do mesmo motor social, os programas de Ariquemes funcionam como se fossem engrenagens. Idealizados pelo prefeito Confúcio Moura, os projetos estimulam a geração de empregos e renda a partir de idéias aparentemente simples, mas eficazes. Trabalhando em parceria a administração municipal com a sociedade civil organizada, Ariquemes assiste hoje a um ciclo inédito de desenvolvimento.

A construção de novas indústrias, o espetacular crescimento imobiliário, as obras de infra-estrutura, tudo com uma boa parcela de responsabilidade social, só poderia resultar em Ariquemes, uma cidade que privilegia o bem-estar dos seus habitantes, e que pode ser conhecida um pouco melhor, nas páginas da reportagem a seguir. continua>>

Credisis & Negócios|Julho|2009|29


ENTREV I S TA P R E F E I TO C O N F Ú C I O M O U R A

Sem medo

de sonhar

O

prefeito Confúcio Moura, de Ariquemes, foi eleito para o seu segundo mandato com 72,79% dos votos válidos. Desde a eleição, sua popularidade só cresceu. Em julho, atingiu o índice de 76,9% de aprovação, segundo pesquisa veicula no jornal Diário da Amazônia. Foi o melhor resultado entre os principais municípios do estado, aqueles com maior PIB e população economicamente ativa. Médico nascido no Tocantins e aclamado cidadão rondoniense, 61 anos de idade, foi um dos pioneiros no atendimento médico dos colonos que chegavam a Rondônia, ainda nos anos 70. Também como homem público, Confúcio tem um currículo invejável, tendo recebido inúmeros prêmios nacionais e internacionais por suas realizações. Ganhou prêmio como um dos melhores administradores do País. Dentre os motivos está a elaboração do ordenamento físico e econômico do município através do Plano Diretor Participativo, elaborado no primeiro ano de seu mandato. O projeto foi considerado pelo Ministério das Cidades e pela Caixa Econômica Federal como um dos vinte melhores instrumentos de planejamento elaborados no País e o melhor de Rondônia. Como secretário estadual de Saúde, implantou o SUS em Rondônia e teve atuação destacada em três mandatos consecutivos como deputado federal pelo PMDB (1995-2007), com brilhante atuação, onde ganhou merecido reconhecimento nas áreas da saúde, educação e agricultura. Em 2005, deixou o mandato na Câmara Federal para assumir a Prefeitura de Ariquemes, onde provocou uma verdadeira revolução. Simples e direto, sem rodeios, Confúcio Moura é o retrato de Ariquemes, uma cidade que “não tem medo de sonhar”, como ele mesmo faz questão de dizer, na entrevista a seguir. 30|Credisis & Negócios|Julho|2009

CrediSis & Negócios – Uma recente pesquisa do Instituto Rondoniense de Pesquisa coloca o Sr. com índice de aprovação bastante significativo em sua atual administração em Ariquemes. O mesmo levantamento revela um índice de 74% nas intenções de votos para o Governo de Rondônia. Como o Sr. recebe esses números? O Sr. se sente disposto a alçar vôos mais altos dentro da política? Confúcio Moura – A ambição é um defeito bom. A soberba com moderação. Humano como sou, não posso parar de sonhar. Se paro de pensar e sonhar, morro. Portanto, o que me reserva é o risco. Deixe-me voar. CrediSis & Negócios – O Sr. mostrou que é possível administrar bem uma cidade, mesmo quando não se tem muitos recursos em caixa. Existe alguma receita pronta para se tornar um bom administrador? Confúcio Moura - Minha mãe fazia isto muito bem. Sabia dividir a comida para oito filhos. Era pouca, mas todo mundo tinha a sua porção. Em uma cidade é a mesma coisa. Todo mundo tem que ter garantida a sua porção. Não pode ser uma pratada cheia pra um e nada pro outro. Na administração pública, o segredo é a austeridade. Austeridade gera filhos. Ou seja, saber administrar a despesa e não a receita. Se puder fazer bem as duas coisas ainda melhor. Um conselhinho – aprendi a fazer obras por administração direta com muita economia. Dá um trabalhão danado, por isso estou bem mais careca.


A CIDADE EM OBRAS O mais importante numa cidade é a auto-estima do povo. O povo sentir orgulho da cidade. CrediSis & Negócios - O que é mais importante para uma cidade: atrair investimentos externos ou criar melhores condições para a população mais pobre? Confúcio Moura - O mais importante numa cidade é a auto-estima do povo. O povo sentir orgulho da cidade. Isto é tudo. Daí pra frente é correr para o abraço. É levantar o farol da cidade. A onda se espalha e contagia, todo mundo mete a mão no bolso e gasta. E chega gente de fora, chega gente de dentro, e tudo se mistura, depois não se conhece mais ninguém. O povo fala bem. O forasteiro encosta e monta barraca. E pronto. CrediSis & Negócios - Ariquemes vive um “boom” de lançamentos imobiliários, com uma inédita valorização do metro quadrado no município. O Sr. acreditava que isso seria possível quando assumiu a Prefeitura? Confúcio Moura - A cidade estava apenas cochilando. Simplesmente bati na bunda dela e falei: Acorda! E ela acordou. Foi só isto. É lógico que não é tão fácil assim como estou falando, um “Abra-te Césamo”. Mas, uma coisa puxa a outra. Hoje é comprovada a valorização imobiliária e o crescimento de loteamentos novos. CrediSis & Negócios - A construção das usinas do Rio Madeira trará que tipo de benefício para Ariquemes? E qual o alcance dessas obras para a população de Rondônia? Confúcio Moura - Não espero milagres. Apenas quero que a cidade venda comida para os trabalhadores. Para Ariquemes está de bom tamanho. Também queremos vender madeira para escoramento e caixarias. Por estar perto de Porto Velho quero uma carona no emprego para os jovens. Muito bom, é dinheiro novo na cidade. CrediSis & Negócios – Como é ser prefeito de Ariquemes? Confúcio Moura - Quem ler esta entrevista pensará: como é fácil ser prefeito! Fácil mesmo é pensar grande. Difícil é o dia-a-dia. O varejo na porta da rua, o buraco maldito, o bueiro entupido, o doente sem remédio, a máquina quebrada, a luz cortada. Ai meu Deus do céu! Cada dia é uma agonia. Por isso, antes de sair de casa rezo um Pai-Nosso e faço meditação transcendental duas vezes ao dia. Só assim consigo ter paz. Glória!

PAVIMENTAÇÃO • Cinco bairros totalmente asfaltados (BNH; Colonial; Setor 8; Setor 10; e Nova República). Entre asfalto e recapeamento, são mais de 90 km de ruas e avenidas. A estimativa para este ano é de mais 25 km de asfalto. PRAÇAS NOS BAIRROS • Construção de cinco praças nos bairros, sendo duas do projeto “Praça em um dia”, com a participação da comunidade. A Praça Olhos D’Água será uma das maiores da cidade. Terá pista de caminhada, parquinho infantil, quadra de vôlei de areia, campo de futebol, ponte decorativa, quiosques, bosque para trilha e até lago artificial, preservando a nascente. Investimento inicial de R$ 680 mil. DRENAGEM URBANA • 40 km de drenagem urbana. Atualmente, as obras estão acontecendo nos bairros Parque da Gema (Rua Turmalinas e Rua Safiras); e Vila do Sossego (Avenida Ursa Maior e Rua Quatro Cachoeira). CONSTRUÇÃO DE PONTES • Construção de mil metros de pontes. A meta para este ano era de que se construir 352 metros de pontes. Até o momento, já foram executados 294 metros. ESTRADAS VICINAIS • Recuperação de estradas vicinais: São 600 km de estradas vicinais recuperadas todos os anos. NOVA PREFEITURA • Ariquemes terá a maior prefeitura do estado, com área total de 4.200 m2 e valor estimado em R$ 6 milhões. TEATRO • A cidade contará com o segundo maior teatro da região norte do país, com 528 lugares e 3.200 m2, incluindo estacionamento subterrâneo. Valor estimado em R$ 6 milhões. ROTATÓRIAS ��� Construção de quatro rotatórias em pontos estratégico da cidade, melhorando o trânsito nas principais avenidas. Este ano serão construídas mais duas rotatórias. MARGINAIS DA BR-364 • Construção das marginais da BR-364, com 11.500 m de extensão, três rotatórias e urbanização nas marginais. A obra está orçada em R$ 17 milhões. PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS • As PPPs estão transformando as alamedas em pontos de lazer. ATERRO SANITÁRIO • Investimento de R$ 5,6 milhões para a execução do CTDR - Complexo de Tratamento e Disposição Final de Resíduos (em fase de implantação). Ariquemes é o terceiro município do país e o primeiro da região norte a concluir o Plano de Saneamento Básico. Para os próximos 20 anos, a cidade tem planejamento para abastecimento de água, esgoto sanitário, limpeza e manejo dos resíduos sólidos (lixo), e serviço de drenagem pluvial urbana. HABITAÇÃO • Execução do Programa de Habitação Popular Meu Cantinho (em desenvolvimento) e Conjunto Habitacional dos Servidores. ESCOLAS E CRECHES • Construção e reforma de escolas, sendo reforma e ampliação de 17 escolas urbanas; reforma e ampliação de 5 escolas-pólos; reforma e ampliação de uma creche; construção de quatro creches, sendo duas em funcionamento e outras duas em fase de conclusão.

Credisis & Negócios|Julho|2009|31


BANCO D O P OVO

Dinheiro para o

próprio negócio

Trabalhadores autônomos de Ariquemes contam com uma fonte barata e da de crédito para compra de equipamentos e capital de giro

D

onos de pequenos negócios e trabalhadores autônomos, a maioria atuando na informalidade, mas com potencial para fazer crescer suas atividades e gerar mais empregos. Para essas pessoas, não existe oferta de crédito da rede bancária que ajude a melhorar o perfil de seus empreendimentos. Em Ariquemes, a exemplo de algumas cidades brasileiras, esta realidade está mudando. É o Banco do Povo, uma parceria entre a prefeitura e a sociedade civil, que passa a oferecer microcrédito a quem precisa, de maneira simples e rápida. A CrediAri é uma grande parceira 32|Credisis & Negócios|Julho|2009

desta iniciativa bem-sucedida. Em 2008, o Banco do Povo de Ariquemes movimentou mais de 800 mil reais. Esse dinheiro possibilitou manter cerca de 500 empregos na cidade. Primeira iniciativa em Rondônia com essas características, o Banco do Povo de Ariquemes oferece microcrédito à população urbana e rural. Assim, essa modalidade de financiamento beneficia não só os pequenos empreendedores da área urbana, mas também os agricultores que desejam instalar em sua propriedade uma pequena agroindústria. O Banco do Povo atende quem está há mais de seis meses no ramo, mesmo que

sua atividade seja informal. O crédito varia de 200 reais a até 4 mil reais. Também oferece desconto de cheques no valor máximo de 500 reais por folha, desde que provenientes de vendas. O banco cobra taxas mínimas sobre juros simples. Não usa juros capitalizados, que normalmente oneram os tomadores de empréstimos. A vocação do microcrédito é gerar emprego, por isso os juros são reduzidos. Um agente de crédito vai até a casa do interessado para analisar a situação social da família e o compromisso com o projeto a ser viabilizado pelo Banco do Povo. O solicitante não pode estar negativado


no SPC e Serasa. Ele também tem que apresentar um aval. Todo o capital do Banco do Povo está depositado na CrediAri. Quem retira o financiamento recebe um cheque da cooperativa. No ato da liberação do dinheiro, o tomador de recursos apresenta a nota fiscal do investimento feito com o dinheiro e já recebe o carnê para fazer o pagamento mensal. O valor é dividido em até 12 meses.

BANCO É FRUTO DE PARCERIAS

PEQUENOS NEGÓCIOS E MUITOS EMPREGOS O mecânico Sidney Nascimento da Silva, 37 anos, trabalhou nas principais concessionárias de veículos de Ariquemes. Com sua experiência, montou a oficina própria, mas faltava apoio para comprar equipamentos e fazer o negócio “decolar”. Com o crédito do Banco do Povo, o mecânico – popularmente conhecido pelo apelido de “Baltazar” – está realizando seu sonho de vida. “Tinha a determinação de ter o meu negócio, experiência profissional, muitos clientes, mas faltava o crédito. O que ganhava trabalhando de empregado dava apenas para pagar as despesas mensais da família”, recorda. Baltazar inaugurou sua oficina há cerca de três anos. Seu primeiro empréstimo no Banco do Povo foi de mil reais. O segundo, de 2 mil reais. Atualmente, com um limite de crédito de 4 mil reais, troca todos os cheques pré-datados que recebe dos clientes, diretamente no Banco do Povo. A mulher, Bernadete Aparecido Ribeiro, 35 anos, responsável pela administração e contabilidade da oficina, explica que a família já conquistou uma melhor qualidade de vida. Na pequena oficina, sempre lotada de veículos, também trabalha um filho do casal e outros quatro funcionários. “O Banco do Povo mudou nossas vidas”, conclui Bernadete.

O Banco do Povo é uma iniciativa do prefeito Confúcio Moura, em parceria com a Oscip Faepar – Fundo de Apoio ao Empreendimento Popular de Ariquemes – e a CrediAri – Cooperativa de Crédito Rural de Ariquemes. José Arnaldo Campos Luna, empresário do ramo de combustível estabelecido há 22 anos em Ariquemes, é o presidente da Faepar – uma instituição privada sem fins lucrativos – e responsável direto pela implantação do Banco do Povo. Para o presidente da CrediAri, Alcides Zirondi, o Banco do Povo é um instrumento de promoção ao desenvolvimento econômico e humano. Segundo Zirondi, o apoio da CrediAri se deu em atenção à sua dimensão econômica e social. “Essa é uma iniciativa que tem o reconhecimento de toda a sociedade local”, diz. A CrediAri comprou móveis e equipamentos de informática. Os funcionários foram cedidos pela prefeitura, que também disponibilizou a infraestrutura física para o projeto. A Associação Comercial e Industrial de Ariquemes oferece gratuitamente a consulta do Serasa. A prefeitura entrou com um capital de 300 mil reais. O projeto foi aprovado por unanimidade na Câmara de Vereadores. Para constituir o projeto, dez associações de bairro de Ariquemes aderiram à idéia inicial.

Credisis & Negócios|Julho|2009|33


HABITAÇ Ã O

Minha casa

F

é meu reino

rancisca Eva Bandeira depende de um salário mínimo para sustentar os cinco filhos menores. A donade-casa mora com a família num barraco e se emociona ao falar do sonho da casa própria. Ela será a primeira beneficiada com o projeto municipal “Meu Cantinho”, da Prefeitura de Ariquemes. O programa se diferencia por estar intimamente ligado a outros projetos da administração municipal. Os recursos para o financiamento são oriundos do Banco do Povo. A construção será realizada em mutirão. O treinamento é garantido pelo projeto “Escola Fábrica”. O custo com materiais de construção também é menor. Os tijolos são “ecológicos” – dispensam o processo de queima – e sua preparação envolve a mão-de-obra de detentos da Justiça. Os tijolos são confeccionados na unidade de detenção de Ariquemes e resultam na diminuição da pena. O equipamento para produção dos tijolos especiais foi doado pela CrediAri – Cooperativa de Crédito Rural de Ariquemes. Na ponta final de toda essa “rede do bem” está a dona Francisca e seus filhos, que não terão mais que viver num barraco. “Conheci o prefeito quando ele chegou à cidade, na década de 70, para trabalhar como médico”, conta a dona-de-casa, que aos 50 anos se orgulha de ter nascido em Ariquemes. “Com seu jeito simples e preocupado com o bem-estar das pessoas, ele atendia quem tinha dinheiro e quem não tinha. Hoje, ele faz mais do que cuidar da saúde da gente, ajuda a realizar nossos sonhos”. As casas são destinadas a atender a população de baixa renda. Cada moradia terá em média 45 m² e custará cerca de 15 mil reais. As prestações não ultrapassam os 150 reais. A seleção das famílias foi concluída em junho, após seis meses de entrevistas. Cerca de mil famílias foram visitadas. Ao todo, 739 atenderam aos critérios do programa. Os resultados foram apresentados para a população num evento público em 34|Credisis & Negócios|Julho|2009

Sonho da casa própria é realizado por programa habitacional do município, com recursos do Banco do Povo, construção em mutirão e uso de tijolos “ecológicos”, feitos por presos que estiveram presentes o prefeito Confúcio Moura; o diretor do Banco do Povo, José Arnaldo Campos Luna; a secretária Municipal de Desenvolvimento Social, Cláudia Moura; e a coordenadora do levantamento, assistente social Eranize Costa. Inicialmente, serão construídos dois conjuntos habitacionais. O primeiro está localizado na Linha C-65, onde serão erguidas 177 casas em alvenaria. Este conjunto receberá o nome de “Feliz Cidade” e contará com casas originais de 45 m2, com sala, dormitório, cozinha e banheiro. O segundo conjunto contará com 82 unidades residenciais, nos mesmos moldes do “Feliz Cidade”, porém em madeira. Este conjunto, denominado “Nova Esperança”, será edificado nas proximidades do Bairro Rota do Sol.

O Banco do Povo vai financiar a construção das moradias mediante contrato de alienação fiduciária. Ou seja, em caso de inadimplência, o mutuário perde o direito ao imóvel que será repassado para outra pessoa. O financiamento será de baixo custo. A construção das casas será em regime de mutirão. Inicialmente, as pessoas serão capacitadas no Projeto Escola Fábrica. A cooperativa dos trabalhadores na construção civil também faz parte deste mutirão. As demais famílias que não forem contempladas por este programa municipal deverão ser incluídas no Programa “Minha Casa, Minha Vida”, do Governo Federal, que tem a meta de construir mil casas no município.


LIXO

Aterro

ecologicamente correto

Ariquemes será o primeiro município da região norte do Brasil a atender as normas ambientais na destinação do lixo

A

correta destinação dos resíduos sólidos é uns dos principais desafios a ser enfrentado pelos administradores públicos da atualidade. Em Ariquemes, o prefeito Confúcio Moura colocou em prática um audacioso projeto para enfrentar este problema. A iniciativa pioneira prevê a implantação da coleta seletiva de lixo e construção do aterro sanitário. Está previsto um investimento de 5,6 milhões de reais na implantação total do projeto. Nesta primeira fase, será executada a construção do aterro sanitário que segue rígidos padrões exigidos pelas autoridades. Tudo foi projetado para neutralizar os impactos ambientais e dar maior qualidade de vida a população. Protegido por uma manta imperme-

ável de 26 mil m² o projeto está sendo implantado em uma área de 180 mil m². Todo o lixo não reciclado será depositado nesta manta e terá cobertura diária de terra.  O “chorume” (líquido gerado da decomposição do lixo) será levado ao tanque de decantação e depois tratado. Sua destinação será monitorada em todas as fases. O local também terá espaço para armazenamento temporário de pneus, baterias, pilhas e lâmpadas. O lixo orgânico será destinado a produção de adubo. A obra também contempla toda uma estrutura para implantação de uma usina de reciclagem do lixo e os equipamentos para separar o material a ser encaminhado para reciclagem. Os trabalhadores serão organizados em cooperativas e receberão orientação e apoio da Prefeitura.

Estudantes e agentes comunitários de saúde estão sendo capacitados quanto aos procedimentos para a coleta seletiva e a correta destinação do lixo urbano. A iniciativa faz parte do processo de implantação do aterro sanitário no município. A meta da Prefeitura é tornar os agentes comunitários e  estudantes multiplicadores desta nova cultura da destinação do lixo. O vice-prefeito Márcio Londe Raposo acompanha de perto a evolução da obra. “È gratificante participar de um projeto de tão grande importância para o município de Ariquemes. Essa era uma antiga reivindicação da população que está sendo atendida”, destaca ao registrar que a obra é resultado do criterioso planejamento da primeira administração do prefeito Confúcio Moura. Credisis & Negócios|Julho|2009|35


AGROIN D Ú S T R I A

A gôndola do mercado é o destino dos produtos artesanais de Ariquemes, que ganham espaço cada vez maior entre os consumidores

Conquistando

A

uma nova clientela

prateleira do supermercado é o novo destino dos alimentos produzidos por pequenas agroindústrias artesanais de Ariquemes. A profissionalização da produção de famílias de agricultores do município está abrindo um mercado antes destinado exclusivamente aos produtos industrializados. A produção artesanal já conquistou espaço no concorrido setor de laticínios, frios, doces e produtos da cesta básica. Essa tendência é confirmada pelo gerente da rede de supermercados Gonçalves, Clemilson Lima da Silva, que já possui mais de quinze fornecedores regionais cadastrados. “Cerca de 30% de tudo o que é comercializado no setor de frios, verduras e hortifruti são produzidos no município”, garante. Os produtos da agroindústria familiar de Ariquemes levam o selo do programa 36|Credisis & Negócios|Julho|2009

municipal Prove (Programa de Verticalização da Pequena Produção Agropecuária). O programa reúne mais de 900 pessoas, divididas em aproximadamente 160 famílias e 30 agroindústrias familiares, que já encontraram uma nova fonte renda no campo. Consumidor dos produtos artesanais, o representante comercial Rudney dos Santos acredita que eles ganham em sabor e qualidade, além de terem preço mais acessível quando comparados às grandes marcas. “Valorizamos o que é da nossa terra e também contribuímos para a geração de trabalho e renda nas propriedades rurais”, opina. A expectativa é de que até o fim de 2009 já estejam funcionando pelo menos 50 pequenas agroindústrias, gerando cerca de dois mil empregos. Ariquemes é a única cidade do Norte do país a implantar este programa. Hoje, o foco principal está

na produção de derivados de leite e no beneficiamento de frutas. As agroindústrias são uma parceria da Prefeitura e associações rurais. A Prefeitura entra com a terraplenagem do local, os equipamentos para a industrialização e o suporte técnico aos agricultores. Em contrapartida as associações rurais constroem as agroindústrias. Para facilitar a construção, o município disponibiliza, em comodato, espaços em escolas da área rural. Os produtores também se utilizam do sistema de venda direta, que possibilita aos agricultores comercializar sua produção direto com as escolas públicas. Estes produtos são destinados à alimentação das crianças. São saudáveis e mais baratos, pois não necessitam de intermediários. A negociação é realizada no Centro de Comercialização implantado pela Prefeitura de Ariquemes.


ALIMEN TA Ç Ã O

Matando a fome

e o desperdício

Criado para combater o desperdício e fornecer comida de qualidade para a população carente, Banco de Alimentos de Ariquemes é pioneiro em Rondônia

U

m banco que não recebe depósitos em dinheiro, mas em comida. Esse é o espírito do Banco de Alimentos de Ariquemes. Criado em 2007, na primeira gestão de Confúcio Moura, o banco tem dupla missão: combater o desperdício e alimentar pessoas com dignidade. O banco arrecada alimentos provenientes de doações, para que sejam selecionados, separados em porções, processados ou não, embalados e distribuídos gratuitamente às entidades assistenciais e comunidades carentes, como forma de complementar as refeições diárias da população assistida. O Banco ainda inova na culinária, com receitas originais e saudáveis, agregando ao conceito do combate ao desperdício, saúde e criatividade. Em Ariquemes são atendidas 26 entidades totalizando cerca de 1,4 mil pessoas de baixa renda. Em contrapartida, as entidades atendidas participam de atividades de capacitação em educação alimentar, para repassar o conhecimento à população. As doações são feitas com a participação dos supermercados, feiras e agricultores. Recentemente, o prefeito Confúcio Moura encaminhou uma carta aos donos de supermercados, frigoríficos e feirantes de Ariquemes, conclamandoos a participar. O banco é o primeiro do gênero em

Rondônia e o segundo em toda a Região Norte. A iniciativa tem como objetivo combater o desperdício de alimentos. Para tanto, recolhe de empresas e da feira doações de produtos que, por não estarem esteticamente perfeitos, acabam sendo descartados, mesmo estando com suas qualidades nutricionais preservadas. Confúcio Moura cita que o desperdício de alimentos no Brasil é da ordem de 40% do que se produz. “É altíssimo. Enquanto isto há fome. As entidades de idosos e crianças desprotegidas passam por necessidades. As pessoas pobres têm uma alimentação que, quando não é pouca, é inadequada. E o Brasil dá-se ao luxo de desperdiçar, o que é uma vergonha”, desabafa. A Prefeitura tem divulgado o programa em reuniões, palestras e seminários,

nos quais foram servidos cafés e lanches feitos pelo Banco de Alimentos, encantando os mais diferenciados paladares. “Alguns nem acreditam que aquela comida é feita de aproveitamento. Temos impressionado bem os nossos visitantes, além de promover a cidade inteira”.

REVISTA

O Banco de Alimentos de Ariquemes aparece com destaque na publicação “Segurança Alimentar e Nutricional: Trajetória e Relatos da Construção de uma Política Nacional”. A revista é uma iniciativa do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate a Fome (MDS) e visa divulgar ações que trazem benefícios à população. A publicação ressalta o novo conceito que o Banco criou entre a população ariquemense, de que “a cultura de não se acomodar frente ao desperdício”. Credisis & Negócios|Julho|2009|37


EDUCAÇ Ã O

Projeto Burareiro,

um modelo para o país Escola integral que virou sinônimo de projeto bem-sucedido no ensino público chega ao terceiro ano conquistando prêmios e reconhecimento em nível nacional e internacional

38|Credisis & Negócios|Julho|2009


DESTAQUE NO FÓRUM MUNDIAL DE EDUCAÇÃO

U

m dos mais revolucionários exemplos de modelo educacional para o Brasil funciona em Ariquemes. O projeto Burareiro – uma homenagem aos colonizadores da região – começou em 2007 e hoje atende mais de 2.300 alunos em tempo integral, em quatro escolas municipais. Os alunos fazem três refeições diárias no período que estão em aula, das 7h30 às 17h30. O currículo escolar foi enriquecido com atividades esportivas e motoras, como futebol, natação, vôlei, atletismo, handebol, recreação e jogos de conhecimento. O lazer tem espaço em aulas de dança, música e recreação. O atendimento odontológico é uma das marcas do projeto. As oficinas pedagógicas têm a finalidade de desenvolver hábitos de estudo e de higiene. E a leitura tem um lugar especial: todos os alunos dedicam um período da aula específico para esta prática, além do estudo da matemática, informática e pesquisas. As oficinas culturais realizadas nas escolas de educação integral envolvem aulas de violão, dança contemporânea, coral, teatro, balé, artesanato, capoeira e flauta doce.   O projeto é  bastante ousado. Normalmente, a escola de educação integral custa duas vezes mais que as escolas regulares. Na fase de implantação, esse número triplica. Só na alimentação escolar são fornecidas três refeições diariamente, entre café da manhã, almoço e lanche. Mas os resultados compensam todo o esforço da administração municipal.

O Projeto Burareiro foi destaque no Fórum Mundial de Educação, realizado em Nova Iguaçu (RJ), em março deste ano. Especialistas do Instituto Paulo Freire e técnicos do Ministério da Educação assistiram apresentações de experiências de educação integral e discutiram a importância de políticas educacionais que promovam a ampliação da educação integral para toda a rede de ensino. Estiveram presentes o ministro da Educação, Fernando Haddad, e representantes de países com tradição na área educacional, como Cuba, Chile, Alemanha e Espanha, que discutiram sobre políticas públicas para educação integral. A experiência de escola de tempo integral em Ariquemes foi a única do Norte do país apresentada no Fórum. A ousadia do Projeto Burareiro em oferecer um grande número de oficinas, o atendimento odontológico e a extensão do tempo do aluno na escola de quatro para dez horas, com o oferecimento de três refeições diárias, fez com que o projeto ariquemense se diferenciasse dos demais apresentados.

PREMIADO NACIONALMENTE O Instituto HSBC Solidariedade anunciou em junho o resultado da seleção de projetos aprovados nos Conselhos dos Direitos da Infância e da Adolescência. A Prefeitura de Ariquemes foi selecionada em primeiro lugar dentre 394 projetos de todo o país apresentados em 2008. O projeto Burareiro recebeu do Instituto HSBC 70 mil reais para serem aplicados em arte, cultura e desporto. Esse recurso, de acordo com a Administração Municipal

vem potencializar as ações já desenvolvidas pela Prefeitura, contribuindo para tornar a escola um pólo irradiador de cultura. Com este apoio financeiro os alunos das escolas Roberto Turbay, Pedro Louback, Ireno A. Berticelli e Venâncio Kottwitz receberão materiais didáticos, de consumo e instrumentos musicais para as oficinas de dança, teatro, música, artes visuais, capoeira e atividades esportivas.

Credisis & Negócios|Julho|2009|39


INCLUSÃ O

Vivendo na era

digital

A

informatização dos serviços da administração municipal é o ponto de partida para a inclusão digital de toda a população de Ariquemes. O projeto Infovia reúne comunicação de dados, telefonia Voip, câmeras de vigilância e internet gratuita num audacioso plano para democratizar o acesso a tecnologias de ponta. Para o prefeito Confúcio Moura e sua equipe, estruturar a expansão do programa de inclusão digital do governo municipal é quase uma obsessão. O objetivo é bastante claro: fazer com que a tecnologia digital faça parte do cotidiano de todos os cidadãos. “Estamos contribuindo para a disseminação da tecnologia, buscando melhorar a qualidade de vida e conhecimento para todos”, destaca Confúcio. Na primeira fase do projeto Infovia, o serviço será colocado nos prédios públicos, a fim de haver comunicação de dados das secretarias, escolas municipais, unidades básicas de saúde e telecentros da rede municipal. O sistema será interligado por programas de telefonia Voip (por computador) e câmeras de vigilância. Na segunda etapa acontecerá a tão sonhada internet gratuita. A expectativa é que, com a implantação da telefonia Voip, a administração economize até 80% nos gastos com telefone. Já a instalação de câmeras de segurança deverá reduzir os índices de criminalidade e imprudência no trânsito.

TELECENTROS

Ariquemes investe em projetos integrados de tecnologia da informação para levar inclusão digital e conforto a toda a população 40|Credisis & Negócios|Julho|2009

Dentro do processo de inclusão digital, está sendo realizado o programa Ariquemes Digital. Cinco telecentros já estão funcionando em Ariquemes e atendem 350 alunos, nos cursos de informática básica e manutenção de micros. Os primeiros telecentros foram inaugurados há mais de um ano. Os usuários desses núcleos de tecnologia contam com software livre, material didático, acesso à internet, professores capacitados, salas climatizadas e computadores novos. Os cursos são gratuitos e ministrados com carga horária de 40 horas, com certificados emitidos aos participantes. Os telecentros funcionam também em parceria com empresas, que encaminham funcionários para se adequarem às exigências do mercado.


CRÉDIT O

CrediAri apóia o

desenvolvimento Cooperativa fortalece parcerias pela geração

A

de novos negócios em Ariquemes e região

CrediAri – Cooperativa de Crédito Rural de Ariquemes – movimenta mais de 9 milhões de reais em depósitos e é uma das maiores instituições financeiras de Rondônia. Os valores permanecem no município e financiam novos empreendimentos, gerando renda, emprego e desenvolvimento para Ariquemes. Os cooperados recebem sobras de acordo com sua movimentação a cada ano. O atendimento ao público cooperado é personalizado. Não existem filas nem burocracia. A cooperativa visa em primeiro lugar o seu associado, que em última análise é o verdadeiro “dono” do negócio.

Para o presidente da cooperativa, empresário Alcides Zirondi, a presença da CrediAri é importante para estimular a economia e o crescimento da cidade. “Ariquemes vive um momento econômi-

co muito bom e a CrediAri sempre tem apoiado o empresariado”, afirma. “A presença da cooperativa faz com que o dinheiro movimentado pelos associados permaneça no município”.

PARCERIA E RESPONSABILIDADE SOCIAL Além de ser um investimento rentável, a CrediAri também é parceira do município em ações de responsabilidade social. Recentemente, a cooperativa doou 75 mil reais para a compra de um moderno equipamento para a produção de tijolos “ecológicos”. A máquina compacta cimento com argila e restos de construção, fabricando tijolos mais resistentes que os comuns, e sem a necessidade de queima. A iniciativa da CrediAri foi decisiva para que a Prefeitura colocasse em prática um audacioso projeto de construção de casas populares destinado a atender as famílias de baixa renda. “São ações desta dimensão que demonstra o comprometimento da CrediAri para com o desenvolvimento de nosso município”, registrou o empresário, vice-prefeito e um dos sócios fundadores da cooperativa, Márcio Londe Raposo.

Credisis & Negócios|Julho|2009|41


ORGAN I Z A Ç Ã O

Associação estimula

empreendedorismo

Entidade do setor empresarial apresenta novo pacote de serviços para atendimento aos associados

A

arquitetura moderna da nova sede da Associação Comercial e Industrial de Ariquemes – ACIA – chama a atenção de quem passa na rua. Para quem está do lado de dentro, as mudanças vão muito além do espaço físico. Com a inauguração do prédio, realizada em julho, a entidade apresentou um novo pacote de serviços para seus associados e a comunidade local. O novo prédio conta com miniauditório para receber cursos de capacitação aos funcionários das empresas e um espaço administrativo provisório para órgãos governamentais. O auditório anexo também recebeu investimentos e foi totalmente remodelado. A partir de agora, a entidade empresarial também passa a recepcionar políticos e autoridades que visitam o município. O novo prédio conta com sala parlamentar, que é um espaço destinado às autoridades com agenda de trabalho em Ariquemes. A iniciativa inovadora é estratégica no processo de consolidar as relações institucionais das autoridades e a entidade representativa dos empresários. “Fortalecer o setor empresarial e industrial faz parte da missão da instituição, que consolida sua trajetória pela participação ativa dos seus associados”, diz o empresário Donizete José, presidente da Acia, ao lembrar que a associação foi 42|Credisis & Negócios|Julho|2009

precursora em iniciativas que se tornaram referência para toda a comunidade local. A experiência bem-sucedida dos empresários à frente da entidade serviu de motivação para criar a Cooperativa de Crédito de Ariquemes (Crediari), Associação dos Pecuaristas de Ariquemes (Apa) e mais recentemente a Cooperari. Historicamente, a Acia sempre esteve presente em diversos projetos de interesse dos empresários, e também àqueles ligados às políticas públicas executadas pela Prefeitura. Donizete José é categórico ao afirmar que ao longo dos anos, a entidade se notabilizou pela transparência. “É um importante espaço para debater e propor

projetos de interesse da sociedade”. Em Ariquemes, a palavra de ordem é “parceria”. O resultado pode ser visto nos projetos dos quais a ACIA faz parte. A incubadora de empresas é o mais recente e inovador projeto destinado à geração de emprego e renda. A iniciativa conta com a parceria do Senai, Sebrae, Fecomércio, Cooperativa de Crédito de Ariquemes – Crediari, Associação dos Pecuaristas – APA e Prefeitura. A primeira etapa do projeto contemplou a capacitação de 80 profissionais no setor calçadista. Na seqüência, o projeto funcionará em uma unidade no pólo moveleiro preparada para receber os novos empreendedores do setor de calçados.


EXPOAR I

Rodeio de

bons negócios

Durante os nove dias de realização da 26ª ExpoAri, são esperadas cerca de 300 mil pessoas e uma movimentação de negócios estimada em 20 milhões de reais

A

Exposição Agropecuária, Comercial e Industrial de Ariquemes – ExpoAri – é uma das mais tradicionais feiras do agronegócio da região norte do país. Durante a 26ª ExpoAri, que acontece de 25 de julho a 2 de agosto, são esperadas cerca de 300 mil pessoas. A expectativa é de ocorra uma movimentação superior aos 20 milhões de reais em novos negócios durante os nove dias da exposição. A vitalidade econômica da exposição de Ariquemes mostra que a crise mundial passou longe do evento. Essa é a avaliação do presidente da Associação dos Pecuaristas de Ariquemes (APA), José Luiz. “O interesse dos expositores, das instituições financeiras e dos produtores em geral superou todas as nossas expectativas, mostrando que a crise ficou para trás”, afirma. Uma das explicações para o bom desempenho da feira de Ariquemes está

na importância do evento para a região, onde estão situados 14 municípios com vocação para o agronegócio. “A exposição de Ariquemes acaba se tornando o evento oficial de todos estes municípios, que hoje representam um dos principais centros produtores de gado de leite e de corte do país”, diz José Luiz, que comemora a presença de 250 grandes expositores na feira. Para o público em geral, atrações não irão faltar. Shows com grandes artistas, leilões de animais premiados, sorteio de camionetas e carros pequenos, rodeios com prêmios em dinheiro, bailes no melhor estilo country, shows pirotécnicos, a tradicional cavalgada de abertura e o 20º Baile do Cowboy, com a escolha da Rainha da ExpoAri. É festa para ninguém ficar parado.

NÚMEROS

O parque de exposições de Ariquemes

tem área total de 45 hectares. São três pavilhões para exposição de bovinos, totalizando 188 argolas; um pavilhão para exposição de ovinos; um pavilhão para exposição de gado leiteiro; e ainda, um pavilhão para exposição de equinos, com 20 baias. A tathersal de leilões possui em anexo um curral de 2,2 mil metros quadrados, com 68 divisões. O pavilhão para expositores do Sebrae conta com 2 mil metros quadrados. Na praça de alimentação, estão disponíveis 100 pontos comerciais. O estacionamento tem capacidade para 5 mil veículos. A arena de shows possui área de mil metros quadrados, arquibancada em concreto armado, sendo 60 camarotes com capacidade para 25 pessoas cada um. Possui estrutura de pista para provas equestres e pista de motocross. O parque de diversões possui área total de 6 mil metros quadrados. Credisis & Negócios|Julho|2009|43


CARNE

Pecuaristas

constroem frigorífico A Cooperativa dos Pecuaristas da Região de Ariquemes – Cooperari – está construindo uma moderna planta frigorífica. Inicialmente a capacidade de abate do frigorífico será de 600 cabeças por dia, mas esse volume poderá chegar a mil cabeças, a partir da conclusão da segunda fase da obra. Localizado na BR-364, km 511, o empreendimento é resultado da união de 170 pecuaristas de Ariquemes e região, com visão empresarial e capacidade administrativa. Esta será a quinta planta frigorífica do município, que conta com um rebanho de 2.344.990 mil animais. A iniciativa dos 44|Credisis & Negócios|Julho|2009

pecuaristas, além de demonstrar a força e organização do setor, cria um novo modelo em Rondônia. “O grande desafio do pecuarista sempre foi integrar o ciclo completo da cadeia produtiva. A Cooperari está provando a força do setor”, afirmou o presidente da Cooperari, empresário Antonio Aparecido Custódio. Todas as etapas da obra estão sendo realizadas com recursos próprios. A primeira fase do empreendimento conta com uma área construída de 18 mil m² e será colocada em operação ainda este ano. O frigorífico de propriedade dos pecuaristas vai injetar 30 milhões de reais na economia do município por mês e criar 800 empregos diretos.

Unidade industrial será uma das mais modernas do país. O novo empreendimento vai injetar 30 milhões mensais na economia da região “Projetado para atender as demandas ambientais e de mercado, o frigorífico está apto a atender todos os mercados mundiais segundo as mais rígidas normas internacionais”, explica Antonio Aparecido Custódio. “A partir da implantação da fase de desossa industrial, teremos uma das unidades frigoríficas mais completas do país”, argumenta o Presidente, com o compromisso de aglutinar práticas modernas de gestão financeira, gestão ambiental, rastreabilidade desde a origem do produto até o consumidor final, certificações de qualidade, elementos de exigências da nova ordem econômica e social.


AEROPO R T O

Passaredo

abre vôos em Ji-Paraná

Chegada da companhia aérea já reduz valores das passagens para destinos como Cuiabá, Goiânia, Brasília, São Paulo, Nordeste e Sul do país

O

aeroporto de Ji-Paraná, administrado pela Fundação JiCred, volta a ter duas companhias aéreas com quatro vôos diários. A Passaredo Linhas Aéreas reuniu empresários e imprensa para anunciar o início dos vôos diários no aeroporto, a partir de junho. A empresa também anunciou a utilização de novos jatos Embraer, com 50 lugares, para atender o aeroporto de Ji-Paraná. Vôos com destino aos estados do centro-sul, sudeste e nordeste do país, serão realizados pela Passaredo de segunda a sábado, com embarque em Ji-Paraná em dois horários, às 14h e às 2h50 (madrugada). Com a chegada da Passaredo, a Trip Linhas Aéreas já anunciou redução de valores em suas passagens. A Trip mantém dois vôos diários, com saídas de Ji-Paraná às 8h40 e às 14h20. A Trip também anun-

ciou a operação de novos jatos, com 86 lugares, a partir de junho. “Com a chegada da Passaredo, já observamos uma tendência de queda nos preços das passagens com saída em Ji-Paraná, além da oferta de novas aeronaves, por parte das duas empresas”, ressalta o administrador do aeroporto, Antonio Carlos Crevelaro, da Fundação Ji-Cred. “A média de embarques deve subir bastante com a chegada da empresa”, diz Crevelaro. “O aeroporto tem um potencial de embarques de 2.900 passageiros por mês, em julho devemos chegar perto desse número”, confia. Com a nova companhia aérea, os passageiros de Ji-Paraná e municípios da região contam com mais uma alternativa para vôos diretos para Cuiabá e Goiânia, além de vôos com escala para as principais

cidades do país, como Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre, Ribeirão Preto, Campinas, São José do Rio Preto e outros destinos. “Nosso objetivo é oferecer serviços de transporte aéreo com níveis elevados de confiabilidade, eficiência e conforto”, conclui o gerente da Passaredo, Ricardo Merenda.

Credisis & Negócios|Julho|2009|45


CAPA

INSTITUIÇÃO PIONEIRA DO SISTEMA CREDISIS SE DESTACA PELOS RESULTADOS FINANCEIROS E POR SUA ATUAÇÃO NO CAMPO DA RESPONSABILIDADE SOCIAL

10

Ji-Cred

O

s matemáticos sempre fazem questão de lembrar que os números não mentem. No caso da Ji-Cred - Cooperativa de Crédito Rural de Ji-Paraná – os números refletem o sucesso da instituição, que acaba de completar dez anos de bemsucedida atividade em Rondônia. Inaugurada no dia 16 de junho de 1999, a cooperativa surgiu com o desafio de vencer barreiras e conquistar a confiança de centenas de sócios-investidores. Fez bem mais do que isso. Tornou-se uma instituição financeira de sucesso, com grande envolvimento junto à sociedade local e destacadas ações de responsabilidade social. Hoje, a Ji-Cred lidera o ranking das cooperativas participantes do Sistema de Crédito Cooperativo do Noroeste Brasileiro (Sistema Credisis) e se transformou numa das maiores instituições financeiras do estado. A atuação da Ji-Cred trouxe benefícios diretos e indiretos para toda a 46|Credisis & Negócios|Julho|2009

anos

população da região de Ji-Paraná, onde a cooperativa concentra suas atividades. “O compromisso da Ji-Cred é com o desenvolvimento econômico e social da nossa região. Trabalhamos focados na promoção de negócios dos nossos cooperados e do setor produtivo de Rondônia”, afirma o presidente da Cooperativa Ji-Cred, Milton Crevelaro. “No início, tínhamos de provar que as cooperativas eram viáveis. Hoje, somos referência de um sistema que está mudando para melhor a economia dos municípios rondonienses”, diz o presidente do Sistema Credisis, Gilberto Borgio.

RENTABILIDADE Ser sócio da Ji-Cred se tornou um negócio bastante rentável para seus cooperados. A distribuição de sobras anuais nestes dez anos tem sido sempre generosa e pontual. Além disso, todos os recursos movimentados na cooperativa permanecem

dentro da cidade, gerando novos negócios e aquecendo a economia local. Para seus clientes-cooperados, a cooperativa funciona nos mesmos moldes de uma instituição financeira comum: desconta cheques, recebe depósitos, faz aplicações no mercado financeiro, presta serviços de cobrança bancária, permite saques, concede empréstimos e realiza outros serviços. Mas, além disso tudo, seus sócios têm uma série de vantagens: não enfrentam filas, recebem tratamento personalizado e os processos decisórios estão mais próximos dos cooperados. “Aqui, nossos cooperados encontram sempre um clima de amizade e, o que é ainda melhor: recebem sobras na forma de dividendos anualmente”, explica o presidente Milton Crevelaro. “Quanto mais movimentam seus recursos na cooperativa, mais os cooperados recebem na forma de sobras no final do ano”.


RESPONSABILIDADE SOCIAL Além de contribuir para a economia de Ji-Paraná, a Ji-Cred trabalha para o desenvolvimento sustentado da comunidade local. As ações e programas de responsabilidade social, realizadas pela Fundação Ji-Cred, beneficiam toda a população. Entre estas ações, destacamse os projetos Sonho Meu, Artesam, Aeroporto e Ceasa. E novos projetos, como a abertura de microcrédito para trabalhadores autônomos, em 2009, devem continuar trazendo benefícios a toda a sociedade de Ji-Paraná.

[ DIRETORES DA JI-CRED, Elton Pereira, Milton Crevelaro e Gilberto Borgio ]

“Nosso sonho era transformar o ideal de vida dessas famílias, e estamos conseguindo. Uma nova esperança está surgindo. Estamos formando cidadãos. Pessoas de bem, que poderão contribuir para construir uma cidade melhor, um país melhor”, diz o presidente da Fundação JiCred, Elton Pereira de Oliveira.

ESPAÇO SOCIAL SONHO MEU

O projeto está em seu terceiro ano e trabalha com 160 crianças e jovens de comunidades de Ji-Paraná. Trabalhando no contraturno escolar, o Projeto Sonho Meu estimula a criatividade, a vocação artística, a atividade física, o conhecimento de novas tecnologias e principalmente a socialização das crianças e jovens que integram o projeto.

AEROPORTO DE JI-PARANÁ

A Fundação Ji-Cred investiu pesados recursos na modernização do aeroporto local, que hoje opera com vôos diários da Trip Linhas Aéreas e Passaredo. Em 2008, foram 33.647 embarques, 3.500 por mês. Administrado pela fundação, o aeroporto trouxe novo impulso para a economia local, com a realização de novos negócios e a aproximação dos grandes centros.

CENTRAL DE ABASTECIMENTO

A Fundação Ji-Cred estimula a produção de alimentos através do Projeto Ceasa, que é voltado para famílias de agricultores de Ji-Paraná e municípios da região. O foco é a capacitação dos produtores para tornar sua atividade agrícola auto-suficiente e rentável, a partir da adoção de novas técnicas, com redução de custos e aumento da produtividade.

COOPERATIVA ARTESAM

Intimamente ligada ao sucesso do Espaço Social Sonho Meu, está a Cooperativa de Artesãos Sonho Meu – Artesam. Formada basicamente por mães das crianças e jovens do Espaço Social, a Artesam reúne mulheres que desenvolvem uma nova profissão, criando artesanatos a partir de materiais recicláveis e transformando seu trabalho em fonte de renda. Credisis & Negócios|Julho|2009|47


SOLENIDA D E

Vereadores homenageiamJi-Cred

Cooperativa de Crédito Rural de Ji-Paraná recebeu o reconhecimento público de sua atuação, em sessão solene da Câmara Municipal de Ji-Paraná

A

Câmara de Vereadores de JiParaná realizou sessão solene na noite de 29 de junho, em homenagem especial à JiCred (Cooperativa de Crédito Rural de Ji-Paraná), pela passagem dos dez anos de atividades da instituição. A vereadora Solange Pereira, autora da proposta, destacou que a moção honrosa concedida à instituição cooperativista de crédito é o reconhecimento público do poder legislativo e de toda a sociedade pelo trabalho desempenhado pela Ji-Cred. Solange Pereira ressaltou o comprometimento da cooperativa e de seus associados com o desenvolvimento econômico e social do município. “Estamos convencidos de que a Ji Cred se constitui em importante instrumento de promoção do desenvolvimento econômico e social”. Como representantes da instituição 48|Credisis & Negócios|Julho|2009

cooperativista, participaram da mesa principal o presidente da Ji-Cred, Milton Crevelaro; o presidente do Sistema Credisis, Gilberto Borgio; e o sócio e idealizador da cooperativa, Neudair de Souza. Na abertura da solenidade, o coral da Fundação Ji-Cred, formado por crianças e jovens atendidos pelos programas sociais da instituição, fez uma apresentação para as autoridades e o público presente. “Ficamos muito felizes com essa homenagem, e sabemos que, se a Ji-Cred tem o seu lado financeiro, com muito sucesso, também temos o outro lado da moeda, que são as nossas atividades sociais, e que sinceramente nos deixam muito satisfeitos, porque são ações que mudam a vida de muitas pessoas aqui em Ji-Paraná”, disse o presidente da Ji-Cred, Milton Crevelaro. “O cooperativismo é um fator de união e também de desenvolvimento.

Estudos realizados em todo o mundo mostram que o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) dos municípios que possuem forte ligação com o cooperativismo de crédito é superior, em relação aos demais municípios, e isso se traduz em maior qualidade de vida e bem-estar para a população”, explicou o presidente do Sistema Credisis, Gilberto Borgio. O senador Valdir Raupp, participante da mesa, lembrou o poeta lusitano Fernando Pessoa: “tudo vale à pena, quando a alma não é pequena”, disse, ao enaltecer o trabalho desenvolvido pela Ji-Cred no campo social. O senador fez um breve relato de sua contribuição pelo cooperativismo rondoniense e juntamente com os cooperativistas comemorou os resultados. Enquanto governador, Raupp apoiou e incentivou a criação das primeiras cooperativas em Rondônia. No Senado Federal, trabalhou


“A JI-CRED SURGIU DA NECESSIDADE DE SE CONSTRUIR UM INSTRUMENTO DE PROMOÇÃO DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, A PARTIR DA INICIATIVA LOCAL. A MAIOR DE TODAS AS VANTAGENS DA JI-CRED É TER TODA A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA PERMANECENDO NA PRÓPRIA CIDADE. ESSA REALIDADE IMPULSIONA NOVOS NEGÓCIOS E PROMOVE A GERAÇÃO DE EMPREGO E RENDA. O DINHEIRO TROCA DE MÃO, MAS PERMANECE NA PRÓPRIA COMUNIDADE” Milton Crevelaro - Presidente da Ji-Cred

“O SUCESSO DA JI-CRED SE DEVE À SUA FIDELIDADE AOS PRINCÍPIOS DO COOPERATIVISMO: COOPERAR, CRIAR VÍNCULOS, ASSESSORAR O COOPERADO EM BUSCA DO MELHOR NEGÓCIO PARA SEU EMPREENDIMENTO. E QUANDO FALO EM SUCESSO, NÃO POSSO DEIXAR DE CITAR A GOVERNANÇA COOPERATIVA, QUE PODE SER TRADUZIDA POR ÉTICA, TRANSPARÊNCIA ADMINISTRATIVA, GESTÃO PROFISSIONAL DOS NEGÓCIOS, PRESTAÇÃO DE CONTAS E RESPONSABILIDADE PELOS RESULTADOS. EM RESUMO, A JI-CRED PODE SER TRADUZIDA POR SEU RESPEITO AOS COOPERADOS.” Gilberto Borgio - Presidente do Sistema Credisis

“SABEMOS QUE NO MUNDO EMPRESARIAL NÃO EXISTE MÁGICA, EXISTE COMPETÊNCIA. E O MILTON CREVELARO DEMONSTROU ISSO À FRENTE DA JI-CRED. POR ISSO, QUERO PARABENIZAR A INSTITUIÇÃO POR ESSA GRANDE OBRA SOCIAL REALIZADA, MAS LEMBRAR QUE PARA ELA ACONTECER, PRIMEIRO FOI NECESSÁRIO O ÊXITO FINANCEIRO DA JICRED. HOJE, ESSE SONHO NÃO É APENAS UM SONHO MEU OU SEU, ELE É O SONHO NOSSO”. José Otonio Lima Silva - Vice-prefeito de Ji-Paraná

com afinco pela aprovação da Lei do Cooperativismo. A deputada federal Marinha Raupp, responsável por uma emenda destinada à construção de uma quadra de esportes nas instalações do Espaço Social Sonho Meu, afirmou que a cooperativa Ji-Cred “coloca seus projetos sociais na prática e é um grande exemplo para os empreendedores de todo o país”. Marinha afirmou ainda que é “testemunha do alcance econômico e social de um projeto idealizado por empresários que sempre acreditaram na força do trabalho associado ao bem-estar coletivo. Este é um modelo de desenvolvimento de sucesso”. Para o vice-prefeito de Ji-Paraná, José Otonio Lima Silva, “a Ji-Cred é um lugar de muito amigos e pessoas empreendedoras, que sempre batalharam pelo desenvolvimento de Ji-Paraná”. Já o presidente da Câmara, Nilton César Rios, lembrou que “a atuação da

Ji-Cred no campo social é, sem dúvida, o principal motivo para a homenagem realizada na Câmara de Ji-Paraná, pois seus projetos sociais são motivo de orgulho para o município”.

HISTÓRIA A Ji-Cred foi fundada por um pequeno grupo de empresários em 1997, porém começou a funcionar efetivamente apenas dois anos depois, no dia 16 de junho de 1999, com um total de 72 associados e capital inicial de R$ 150 mil. Na época, a cooperativa tinha como presidente Milton Crevelaro e vice-presidente Elton de Oliveira. Entre seus associados fundadores, Neudair de Souza foi um dos grandes incentivadores do projeto. Dez anos depois, a cooperativa é formada por mais de 600 cooperados e acumula um capital de R$ 9 milhões, sendo uma das principais instituições financeiras de Ji-Paraná. Credisis & Negócios|Julho|2009|49


FEIRA S

Expojipa comemora 30 anos em alta

Principal exposição agropecuária de Rondônia e uma das maiores da região norte, a feira de Ji-Paraná deve movimentar R$ 25 milhões em negócios este ano

C

ontrariando o panorama da crise mundial, a Exposição Agropecuária, Industrial e Comercial de Ji-Paraná chega a sua 30ª edição esbanjando vitalidade e força econômica. Principal evento do agronegócio de Rondônia, a Expojipa deve movimentar este ano cerca de R$ 25 milhões em negócios durante os nove dias do evento. A feira, considerada por muitos como a maior festa agropecuária da região norte do país, acontece em 2009 de maneira muito especial para a Associação Rural de Rondônia (ARR), realizadora da festa, em virtude da comemoração dos seus 30 anos de sucesso. Realizada de 4 a 12 de julho, a Expojipa reúne o que há de mais moderno 50|Credisis & Negócios|Julho|2009

e inovador na agropecuária rondoniense, com uma presença média de 250 mil pessoas no Parque de Exposições Hermínio Victorelli, em Ji-Paraná. Com uma vasta programação de eventos, a Expojipa promove seis grandes leilões, dando condições aos pecuaristas de adquirir animais geneticamente selecionados, com condições especiais de pagamento. A expectativa é de sejam comercializados na feira cerca de 900 animais, incluindo o gado Nelore, Brahman, Gir, Girolando, muares, ovinos, além dos cavalos quarto-de-milha e paint horse. O primeiro leilão aconteceu no dia 5, quando foram comercializados 500 animais para corte destinados à reprodução.

No dia sete de julho foi a vez do 2º Mega Touros Rondônia, que leiloou um plantel de 200 reprodutores da raça Nelore PO, Nelore Mocho PO e Brahman. No dia nove, foi a vez do Leilão de Tropa (animais de serviço, eqüinos e muares). Quarenta animais dos melhores criatórios de Rondônia e eqüinos da raça crioula, domados e adestrados, ficaram à disposição dos agropecuaristas. Outra novidade anunciada para este ano foi o Leilão de Ovinos da raça Santa Inês, com um plantel de 110 animais; o Rondônia Horse Sale, 35 animais da raça quarto de milha e paint horse; e o Leilão Gado Leiteiro, com 40 reprodutores e matrizes. “O principal propósito da Feira é


incentivar o agronegócio e por isso oferecemos durante os leilões ótimas oportunidades para os produtores melhorarem a genética de seu rebanho”, disse Coriolano Nogueira Franco, o “Curió”, presidente da Associação Rural de Rondônia (ARR). Todos os leilões acontecem no Parque de Exposições Hermínio Victorelli.

MELHORIAS ESTRUTURAIS Todos os anos a ARR viabiliza a melhoria da estrutura do parque para receber com conforto os expositores de animais, produtos e serviços. Este ano o Tathersal de leilões foi totalmente reformado, foi criado um novo espaço para expositores da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), com 1.200 metros quadrados, além de diversas melhorias nas estruturas existentes nas áreas hidráulicas, elétricas e de paisagismo. Um ambicioso projeto será viabilizado por uma emenda parlamentar do senador Valdir Raupp, via Ministério do Turismo, no valor total de R$ 7,5 milhões. Segundo o presidente da ARR, Coriolano Nogueira Franco, já estão disponíveis na Caixa Econômica Federal, R$ 2,560 milhões para a construção da primeira etapa da nova arena de rodeio. De acordo com Curió, a obra será licitada após o término da 30ª Expojipa e o projeto arquitetônico pode ser considerado muito mais que uma arena de rodeio, e sim um Centro de Convenções. Ele contempla uma arquibancada com capacidade para 20 mil pessoas, restaurantes, camarote vip, mezanino com capacidade para 300 mesas de pista, banheiros, camarotes, local especial para imprensa e palco com 600 metros quadrados. O projeto deverá levar cerca de três anos para ser completamente concluído.

FEIRAS AGROPECUÁRIAS DE RONDÔNIA JULHO EXPOJIPA RURAL FEST EXPOAZA ESPOMIR EXPOAGUM EXPOALTA EXPOARI EXPOALVA CONCURSO LEITEIRO

04 a 12/07 17 a 20/07 23 a 26/07 23 a 26/07 28/07 a 02/08 29/07 a 02/08 25/07 a 02/08 30/07 a 02/08 31/07 a 02/08

Ji-Paraná Alto Alegre Ministro Andreaza Mirante da Serra Guajará Mirim Alta Floresta Ariquemes Alvorada Primavera

05 a 09/08 07 a 09/08 12 a 16/08 12 a 16/08 20 a 23/08 22 a 25/08 26 a 30/08 27 a 30/08

Rolim de Moura Governador Jorge Teixeira Cacoal Ouro Preto Vale do Amari Urupá Monte Negro Castanheiras

03 a 06/09 03 a 06/09 03 a 06/09 05 a 07/09 05 a 13/09 25 a 27/09

Cacaulândia Parecis São Francisco Triunfo Pimenta Bueno Colina Verde

AGOSTO EXPOAGRO EXPOSIÇÃO EXPOAC AGRISHOW EXPOVALE EXPOU FESTA PIÃO EXPOSIÇÃO AGROPECUÁRIA SETEMBRO EXPOLÂNDIA FESTA DO PRODUTOR RURAL EXPOVALE EXPOTRI EXPOPIB EXPOSIÇÃO AGROPECUÁRIA

Credisis & Negócios|Julho|2009|51


AGRISHO W

Feira de Jaru movimenta

agronegócio

Leilão de animais durante a exposição agropecuária alcançou cerca de R$ 1 milhão em novos negócios, com valor médio de R$ 10 mil por animal

A

realização dos leilões e os recursos gerados por investimentos foram bastante expressivos na Agrishow – Feira Agropecuária de Jaru – que movimentou cerca de R$ 1 milhão em negócios relacionados à comercialização de animais. Na principal bacia leiteira do estado, a cada ano a Agrishow se firma como um centro de excelência em agronegócio. Este ano, a Cooperativa Agrorural de Jaru (Cooaja), que realizou o evento no 52|Credisis & Negócios|Julho|2009

período de 24 a 28 de junho, conseguiu aumentar em 50% o volume de negócios em relação a 2008. A participação do público também movimentou todos os estandes dos expositores e garantiu o sucesso dos shows artísticos. Nos leilões, o alto padrão genético dos animais disponibilizados para a venda despertou grande interesse nos participantes. O valor médio obtido na comercialização de cada animal ultrapassou a cifra dos R$10 mil. A venda de máquinas e insumos

manteve-se em alta. Na avaliação do presidente da Cooaja, Lúcio Antonio Mosquini, o resultado positivo comprova a tendência verificada a cada ano. “A Agrishow tem uma vocação natural no sentido de fortalecer o agronegócio. A exposição de animais melhorados geneticamente, a realização dos leilões e a venda de máquinas e equipamentos agrícolas representam um compromisso da Cooaja com o setor produtivo de nossa região”, assinalou.


A JaruCredi – Cooperativa de Crédito Rural de Jaru – mais uma vez marcou presença com um estande de negócios na Agrishow. “Trata-se de um evento em franco crescimento e a presença da JaruCredi significa a oferta de recursos para viabilizar a produção do setor agropecuário da nossa região”, afirmou o presidente da JaruCredi, Heraldo Bonfim. 

INVESTIMENTOS EM INFRA-ESTRUTURA Nos últimos doze meses, foram realizados significativos investimentos em obras de infra-estrutura em todos os setores do parque de Jaru. Em 2008, foi construído um centro de atendimento ao

produtor, com recursos liberados pela deputada federal Marinha Raupp. Este ano, foram executadas obras de pavimentação asfáltica no parque, no valor de R$ 250 mil reais, liberados pelo senador Valdir Raupp (PMDB). “O apoio e incentivo do senador Valdir Raupp e da deputada Marinha Raupp, assim como dos diretores e associados, foram fundamentais no processo de estruturação do parque, iniciado há apenas quatro anos”, assinalou o presidente Lucio Mosquini, da Cooaja. “Sinto-me honrado em apoiar uma iniciativa que em tão pouco tempo tem conseguido se destacar na promoção do agronegócio do estado”, destacou Raupp.

CONCURSO LEITEIRO O concurso leiteiro foi uma boa amostra do potencial de Jaru, que integra a bacia leiteira de Ji-Paraná com uma produção de 200 mil litros de leite por dia, segundo dados da Emater. A grande adesão dos produtores dos municípios da região demonstra a importância que a Agrishow tem no processo de incentivo da atividade leiteira. Muitos produtores têm investido no melhoramento genético como estratégia para aumentar a produção do leite. A vaca “Diamantina”, de propriedade do produtor Adailton Fernandes Rocha, sagrou-se campeã da categoria. O segundo lugar ficou com a vaca “Baronesa”, do produtor Eteni Silva Sobrinho, de Ouro Preto do Oeste. Na categoria novilha, a campeã foi “Paloma”, do produtor Eteni Silva Sobrinho, com produtividade de 31,025 quilos de leite. A segunda colocada foi a novilha “Margarida”, pertencente a Otair Filho, de Theobroma.

OURO PRETO REALIZA EXPOSIÇÃO  A AGRISHOW NORTE – Exposição Agropecuária de Ouro Preto do Oeste – será realizada de 12 a 16 de agosto. A realização é do Centro de Referência Agrosilvopastoril de Ouro Preto do Oeste. “Ouro Preto possui uma das maiores bacias leiteiras do estado, com um rebanho de 330 mil cabeças de gado de leite e de corte, e a realização da exposição contribui para o desenvolvimento do setor”, diz o presidente da instituição, Adiel Andrade. 08/08 SÁBADO • Grande Cavalgada 12/08 QUARTA - FEIRA • Recebimento de animais e expositores • Hasteamento das Bandeiras • Queima de Fogos • Bandas regionais 13/08 QUINTA - FEIRA • Palestra: “Incentivo ao produtor na melhoria da produção de leite e nutrição dos animais” • Concurso Leiteiro • Queima de fogos • Rodeio profissional • Show com artista de arena • Show com a dupla João Neto e Frederico • Bandas regionais 14/08 SEXTA-FEIRA • Palestra: Emater • Julgamento de Gado Leiteiro do Projeto Inseminar • Rodeio Profissional • Show do cantor Daniel 15/08 SÁBADO • Rodeio Profissional • Bandas Regionais • Encerramento do Concurso Leiteiro

16/08 DOMINGO • Encerramento do Rodeio Profissional • Queima de fogos • Bandas Regionais

Credisis & Negócios|Julho|2009|53


BÚFALO

Um rebanho em

A crescimento

Dócil e resistente, o gado bubalino tem um leite bastante nutritivo e um queijo de sabor marcante. Como gado de corte, sua produtividade é bastante superior ao bovino 54|Credisis & Negócios|Julho|2009

criação do gado bubalino ainda está engatinhando em Rondônia, se comparada com a presença do gado bovino. O maior rebanho domesticado do estado se encontra em Pimenta Bueno, com cerca de 550 cabeças (IBGE/2007). Mas, aos poucos, essa realidade vem mudando. As características de maior resistência do búfalo, mansidão no trato, maior longevidade e maior número de partos em relação ao bovino, além de um leite de maior teor de gordura, atraem novos criadores. O búfalo como gado de corte tem alta produtividade. Animais com menos de dois anos de idade rendem entre 15 e 17 arrobas e podem ser abatidos para a produção de carne. Para efeito de compa-


Além das técnicas de manejo reprodutivo e de qualidade da ordenha, foram abordados temas como nutrição animal, controle de parasitas e recuperação ambiental de propriedades. “Em Rondônia, o leite produzido pelo rebanho bovino é praticamente só a pasto e, em casos de suplementação, provém também da forragem verde. Com a criação de búfalos não é diferente”, diz o técnico da Embrapa, Cícero Mendes da Costa. O técnico explica que é importante dispor de pastagens de qualidade. “Através de sistemas rotacionados, utilizando cercas elétricas para divisão do pasto em piquetes, dimensionados de acordo com a capacidade, suporte e tamanho das pastagens, a produção e a lucratividade podem aumentar bastante”. O sombreamento também é essencial. “Dar água e pasto não é suficiente. É preciso oferecer locais para o descanso do animal, que é mais suscetível ao sol do que o gado tradicional”, diz a extensionista Ana Karina Dias Salman, da Emater. “A quantidade de sombra pode representar uma diferença no peso do animal de até 500 gramas por dia”.

PECUARISTA Um dos municípios que começam a investir na produção de leite de búfala é Espigão do Oeste. Produtores tradicionais do gado bovino que decidiram apostar na nova variedade estão satisfeitos com os resultados. É o caso do pecuarista Osmar Polizeu. Dono de um dos maiores rebanhos de gado bovino do município, Polizeu continua>>

ração, um bovino levaria, em média, mais de três anos para atingir o mesmo peso, cerca de 450 quilos. Precoce e produtivo, o búfalo também é bastante resistente a pragas e doenças.

ESTAÇÃO EXPERIMENTAL Em Presidente Médici, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) mantém uma unidade específica para o aprimoramento da raça. Os experimentos buscam sobretudo a melhoria da produtividade leiteira do búfalo. Recentemente, a empresa realizou um “dia de campo” na unidade, com palestras técnicas voltadas para o desenvolvimento do gado bubalino leiteiro.

[ OSMAR POLIZEU, pecuarista ]

Credisis & Negócios|Julho|2009|55


BÚFALO

comprou o primeiro casal de búfalos há 15 anos. Hoje, o rebanho tem cerca de 50 animais. A produção média é de seis litros por dia, mas em alguns casos chega a 12 litros. “O queijo é muito procurado”, diz Polizeu. “É um gado manso, de trato muito fácil, vale à pena apostar na criação”. O rebanho bubalino no Brasil tem aumentado cerca de 12,7% ao ano, mostrando ser uma boa alternativa à pecuária tradicional, principalmente devido à sua alta rusticidade e adaptabilidade às condições do país. Na América, o Brasil é o principal criador de búfalos.

QUEIJOS DE SABOR REFINADO

O mercado para os derivados do leite de búfala está em franca expansão no Brasil. Estes produtos, em especial o queijo mussarela e a ricota, são procurados não só por seu sabor característico, mas também por suas qualidades nutricionais. [ DIA DE CAMPO na Embrapa ]

SERVIÇO: Embrapa – Campo Experimental de Presidente Médici – Linha 124, setor Muqui, acesso pela BR 364, Km 10, sentido Cacoal. Fone (69) 3225-9387.

15 Anos com você

Rico em proteínas e minerais, o leite de búfala é adequado para a produção de derivados, como manteiga e queijo, por conta da alta taxa de gordura, em torno de 8%, quase cinco pontos percentuais mais alta que a do leite bovino. Queijos nacionais, como o marajoara, ou tradicionais e exóticos, como o provolone e o mascarpone, são muito procurados. Além dos queijos, também se produz outros lácteos com o leite bubalino, como o iogurte e o doce de leite.

B NIN

Ligue: (69)

3441-1818 3443-1818

RECAPAGEM DE PNEUS

(69) 9965-1732 / (69) 9961-2299 / (69) 9960-1818

BR 364(ao lado do Posto Machadão) Saída p/ Pimenta Bueno - Cacoal - RO


IO CÂMB SIVO S EXCLU9 MARCHA E ZF ORTO CONF ISÃO PREC 250cv R DE E MOTO CE TORQU R E OFER DO E MAIO A V IA E EL OM ECON IOR L INTER E PAINE O TICAD ADOR SOFIS COMPUT COM E BORDO D

TÊM EU S A S LH O O C M S E O S C A R U E O. ENTE. S V Ã H A N OCE À FR O I T I M A U C OCAM V M O M I X COL S Ó A R P AS ESCOLH SU

2• R: 4x O T A R T 6x4 • | 6x2 | 2 x 4 O: • R ÍGID S E Õ S • V ER

N

O

V

O

 

I

V

E

C

O

V O C Ê, À F R E N T E.

0800 702 3443


“Nossa experiência é a sua garantia”

Av. Castelo Branco, 19.209 - Tel.: (69) 3441-3473 / 3441-2837 / Fax (69) 3441-2272 e-mail: cmserras@nettravel.com.br / Cep: 76.967-491 - Cacoal - RO Filial: Rua Paraná, 2717 - Fone: (69) 3481-1819 - Espigão do Oeste - RO


MULHER

Uma história

vitoriosa A empresária ganhadora da principal premiação destinada ao empreendedorismo feminino de Rondônia conta sua trajetória de vida e de estímulo para outras mulheres

C

omo se tornar uma mulher de negócios bem-sucedida? Na opinião da médica veterinária Janete Batista e Silva, a receita do sucesso inclui doses maciças de esforço, determinação e desprendimento. Trata-se de uma opinião de muita credibilidade. Afinal, Janete foi escolhida como a grande vencedora do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2009, que seleciona empresárias com histórias de sucesso nos mais diversos ramos de atuação. Diretora da Clínica Veterinária São João, em Vilhena, Janete comprovou na

prática do trabalho cotidiano que “nada vem por acaso”. “Em alguns momentos me sentia uma fracassada e em outros uma heroína. Felizmente, inúmeras foram as “pedras” no meu caminho. Superá-las tornou-me muito mais forte”. Janete chegou a Rondônia em fevereiro de 1983, com “a cara e a coragem”. “Foi um verdadeiro desafio, longe da família, praticamente isolada do mundo, eu não tinha telefone e dependia das cabines telefônicas da Teleron”, lembra. Ela recorda que, para viajar na estação das águas, só mesmo de avião. “A preferência sempre era para doentes e

famílias com crianças. Portanto, solteira e sem filhos, eu invariavelmente acabava na fila de espera”. Com o conhecimento teórico da faculdade e a prática de laboratório e clínica de pequenos animais, Janete se viu diante do desafio de trabalhar na elaboração do projeto de uma fazenda. Em seguida, trabalhou com inspeção de carne, onde exercia a função de administradora e chefe de inspeção. “Como o trabalho era executado de madrugada eu ficava ociosa o dia todo. O desejo de voltar às origens aumentava a cada dia. Foi nesta fase que comecei a clinicar para ocupar o tempo, atendia os cães e gatos dos vizinhos e comecei a atender muitos animais da fauna regional, vindo mais tarde a desenvolver uma atividade no antigo zoológico de Vilhena, e depois nos zôos de São Paulo e de Sorocaba”. Para Janete, receber o prêmio do Sebrae foi “excitante”. “Um conjunto de incredulidade e felicidade, seguida de uma preocupação em tornar-me um referencial para outras mulheres”. A empresária estimula outras mulheres a participar do Prêmio Sebrae. “Escrevam a sua história, independente de ganhar ou não, pois o maior prêmio é o de constatarmos as inúmeras vitórias conquistadas ao longo da vida”, conclui.

Credisis & Negócios|Julho|2009|59


E NSINO

Farol debate

desenvolvimento sustentável Ciclo de palestras teve a colaboração dos acadêmicos de Administração e destacou temas de interesse para os futuros profissionais da área

N

os dias 22, 23 e 24 de junho, a Farol – Faculdade de Rolim de Moura – promoveu o II Ciclo de Palestras de Administração. O tema este ano foi “A Administração e a Interdisciplinariedade do Conhecimento”. O encontro foi realizado em parceria com os acadêmicos do 5º período, sob coordenação da professora Simone Marçal Quintino. A solenidade de abertura do evento teve a presença do senador Valdir Raupp de Matos (PMDB/RO). Bacharel em Administração de Empresas, com larga experiência na vida pública, ex-governador de Rondônia, Raupp abordou o tema “Perspectivas de crescimento do Estado

60|Credisis & Negócios|Julho|2009

[ DONA BENTA PERES, diretora da Farol ]

de Rondônia com ênfase nas instalações das usinas”. No segundo dia do evento, o médicoveterinário Fernando Pinto, da Superintendência do Ministério da Agricultura em Rondônia, falou sobre “O cenário da pecuária em Rondônia: Situação atual”. Em paralelo ao encontro, foram realizadas várias oficinas com os seguintes temas: “Oratória e etiqueta social”;

“Código de Defesa do Consumidor”; “Marketing pessoal”; “Técnicas de venda e negociação”; “Pilates no combate ao estresse”; “As mudanças da contabilidade contemporânea com vistas à convergência aos padrões internacionais”; “Alimentos transgênicos”; “Ergonomia aplicada à qualidade de vida”; “Segurança no trabalho e qualidade de vida”; e “Relações interpessoais”.


APROVADOS NO VESTIBULAR

eXtramídia

A Farol divulgou no dia 24 de junho a lista de aprovados no vestibular para os cursos de graduação em Administração, Geografia, História, Pedagogia e Psicologia. A lista está disponível no site www.farol.edu.br Instalada em sede própria na BR-383, km 01 (saída para Santa Luzia), no município de Rolim de Moura, a Farol possui uma área de 60,5 mil m2. Mantida pela Sociedade Rolimourense de Educação e Cultura, a Farol foi credenciada junto ao Ministério da Educação no dia 22 de outubro de 2003. Na mesma data, foram autorizados os cursos de Ciências Contábeis, Turismo, Administração em Gestão e Finanças e Administração em Recursos Humanos. Posteriormente, foram autorizados os cursos de Direito e Psicologia e, na seqüência, Geografia, História e Pedagogia. Dentro do processo de expansão da Farol, deverão ser implantados os cursos de Educação Física, Letras e Sistemas de Informação. Neste sentido, a instituição já recebeu inclusive a visita da Comissão Avaliadora do Ministério da Educação. A faculdade possui ainda uma extensa lista de cursos de pós-graduação à distância, em diversos municípios de Rondônia e do Mato Grosso.

módulos de potência

alarmes

alto-falantes

Fone: (69) 3441-5386 / 3441-2164 Av. Castelo Branco, 18.478 - cep: 76.964-012 - Cacoal - Rondônia

auto-rádios/dvds


CREDIES P I G Ã O

Movimentando a

economia local Cooperativa integrante do Sistema Credisis trabalha para o desenvolvimento

de Espigão do Oeste, mantendo recursos dentro do município

A

Cooperativa de Crédito Rural de Espigão do Oeste – CrediEspigão – é uma das principais instituições financeiras do município. Mas o maior diferencial da cooperativa é o fato de colaborar diretamente para o desenvolvimento econômico de Espigão. “Todos os recursos movimentados na cooperativa permanecem em nossa região, ao contrário das demais instituições financeiras, que levam o capital daqui para outras regiões do país”,

explica o presidente da CrediEspigão, Antonio Carlos de Azevedo. Com vitalidade financeira e números positivos a cada novo exercício fiscal, a cooperativa trabalha com um perfil conservador. “Temos sempre os pés no chão, essa política faz com que a cooperativa se mantenha em constante crescimento e com bons índices de liquidez, mantendo a confiabilidade e credibilidade junto aos nossos mais de 100 sócios-cooperados”, afirma o presidente.

Mesmo com a crise financeira internacional e seus reflexos no país, no ano passado, a cooperativa manteve um excelente volume de sobras para seus associados no final do período. Os dividendos foram distribuídos na assembléia geral realizada no primeiro semestre, e divididos entre os cooperados. “Esse resultado só nos motiva a investir cada vez mais na melhoria do atendimento aos associados e acreditar num crescimento gradual e extremamente satisfatório para o próximo período”, conclui.

[ ANTONIO CARLOS DE AZEVEDO, presidente da CrediEspigão ] 62|Credisis & Negócios|Julho|2009


POLÍTIC A

Transparência

administrativa

Prefeito de Espigão rompe com período de assistencialismo que predominou no município e defende economia nos gastos públicos e investimentos em infra-estrutura

[ PREFEITO CÉLIO RENATO TEIXEIRA, de Espigão do Oeste ]

O

prefeito de Espigão do Oeste, Célio Renato Silveira, é funcionário público de carreira. Advogado, com mais de 20 anos de atuação dentro do serviço público municipal, conhece a máquina como poucos. Esse é um dos motivos para o prefeito Célio, como é conhecido, procurar fazer seu trabalho sem atropelos. “Quero transparência administrativa, busco a participação popular nas decisões, não adianta fazer política assistencialista sem metas, sem objetivos, isso é enganar a população, é jogar dinheiro público fora”, argumenta. Nos primeiros três meses de sua administração, Célio promoveu uma economia

equivalente a R$ 3 milhões nas contas da Prefeitura. Não é pouco, considerando que a arrecadação mensal do município é de R$ 2,3 milhões. “Cortei os gastos com combustíveis e diárias de servidores, incluindo as do prefeito, e com essa economia pretendo investir na aquisição de maquinários, para arrumar mais de 2.100 quilômetros de estradas vicinais, e de ônibus para o transporte público dos escolares”. Espigão do Oeste tem uma população de aproximadamente 28 mil habitantes. O PIB (soma das riquezas do município ao longo do ano) soma R$ 210 milhões. O setor de serviços representa R$ R$ 116 milhões; R$ 55 milhões da agropecuária e

R$ 20 milhões da indústria. São 620 servidores municipais e a folha de pagamento varia entre 46% e 48% da arrecadação municipal, muito próximo do limite permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. “Defendo acima de tudo a austeridade administrativa, e a partir dela vamos melhorar a cidade, que se encontra com diversos problemas herdados das gestões anteriores”, diz o prefeito. “Vamos buscar recursos para financiar investimentos em rede de esgoto, construção de casas populares, engenharia de trânsito, pavimentação de ruas, melhoria das estradas vicinais, e principalmente atender os setores de educação e saúde, que são prioritários”, conclui. Credisis & Negócios|Julho|2009|63


RODOV I A

Pavimentação da BR-429

já é realidade

Depois de uma espera de quase 30 anos, as obras de asfaltamento dos aproximadamente 300 quilômetros da rodovia começaram, para alívio da população do Vale do Guaporé 64|Credisis & Negócios|Julho|2009


O

Departamento Nacional de Infra-estrutura Terrestre (DNIT) iniciou, em maio, as obras de pavimentação da BR-429. A data é considerada histórica para a população do Vale do Guaporé. Afinal, há trinta anos os moradores dos cinco municípios e dos dois distritos cortados pela rodovia aguardavam sua realização. Muitos se mostravam descrentes. Hoje, agradecem emocionados pela realização da obra. Trabalhando no sentido de resolver de forma definitiva os problemas decorrentes principalmente da estação das águas na região do Vale do Guaporé, o superintendente regional do Dnit, José Ribamar de Oliveira, declarou que “o consórcio vencedor da licitação já está orientado a priorizar os pontos mais críticos da rodovia, de forma a assegurar trafegabilidade, conforto e segurança para os usuários. Em breve, os resultados do trabalho serão sentidos pela população da região”, garante. O projeto do Dnit prevê uma solução definitiva para todos os pontos críticos da rodovia, com a construção de novas pontes e bueiros de concreto, para assegurar um rápido escoamento das águas, além da elevação definitiva do leito da rodovia. O DNIT autorizou o início imediato das obras de pavimentação asfáltica da BR-429, em duas frentes: uma no trecho partindo do município de Alvorada do

Oeste (Km 76,94 ao Km 94,9) e a outra partindo do município de São Miguel do Guaporé (km 177,5 ao Km 94,9). Por interveniência da deputada federal Marinha Raupp junto à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, está garantida a inclusão da obra no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de três trechos restantes da rodovia: do km 177,5 ao 258,66; do km 259,90 ao 341,90; e do km 341,90 ao 382,25, situados entre os municípios de São Miguel do Guaporé e Costa Marques, na divisa com a Bolívia, passando pelos municípios de Seringueiras e São Francisco do Guaporé.

OBRA AGUARDADA O início das obras na rodovia foi recebida com entusiasmo pela população local. Políticos, empresários, agricultores, donas-de-casa, estudantes, pecuaristas, comerciantes, todos aguardavam há muitos anos a pavimentação da estrada. Chamada de “Madrinha da 429” por seu empenho durante mais de 15 anos para que a pavimentação saísse do papel, a deputada federal Marinha Raupp (PMDB) é tida pelos políticos e lideranças dos municípios do Guaporé como a grande responsável por intermediar as obras junto ao DNIT e ao governo federal.

continua>>

Credisis & Negócios|Julho|2009|65


RODOV I A

O último capítulo da “novela 429” foi a reunião da deputada Marinha Raupp com a ministra-chefe do Gabinete Civil da Presidência da República, Dilma Rousseff, em dezembro de 2008, que garantiu a inclusão da obra no PAC do governo federal. Em evento realizado na Câmara de São Miguel do Guaporé, em maio, a deputada recebeu homenagens e teve oportunidade de contar, em detalhes, os passos que levaram a luta pela pavimentação da 429” a um final feliz. “Estou pessoalmente emocionada por ver que essa obra está acontecendo, nunca deixamos de acreditar nisso e, sinceramente, acho que isso foi decisivo para que esse sonho fosse realizado”, diz Marinha. Para o pioneiro João Bananeira, que conhece a 429 como poucos, “se existe alguém responsável por finalmente conseguirmos o asfaltamento dessa rodovia, essa pessoa é a Marinha Raupp”. “Estou muito feliz, não esperava que chegasse neste momento, estamos de parabéns, muito bonito o trabalho, só posso agradecer a deputada”, disse Devaíra Silva Moraes, pioneira de São Miguel do Guaporé, que há três décadas aguardava pela realização da obra. O evento contou ainda com as presenças de lideranças políticas locais, como o prefeito de São Miguel, Angelo Pastório, o prefeito de Seringueiras, Celso Garda, o ex-prefeito de São Miguel, Sidinei Poletini, além dos vereadores e lideranças dos municípios atendidos. “A população está até um pouco espantada, pois muitos não acreditavam na realização da obra, e hoje estão vendo que é um projeto realizado, a concretização de um sonho, com apoio decisivo da deputada e do senador Valdir Raupp (PMDB)”, completa o vereador Amarildo Gomes, de São Miguel do Guaporé.

66|Credisis & Negócios|Julho|2009

São Miguel registra crescimento

Com cerca de 25 mil habitantes, o município de São Miguel do Guaporé foi o primeiro a sentir os reflexos positivos da pavimentação da BR-429. Beneficiado recentemente por uma ligação asfáltica até Rolim de Moura (via Nova Brasilândia), São Miguel também é passagem obrigatória para os demais municípios do Vale do Guaporé. O município terá destaque ainda maior com as obras na rodovia federal. Em junho, São Miguel inaugurou o primeiro frigorífico da região, com geração de 500 empregos e capacidade de abate de 700 animais por dia. Para o presidente da Associação Comercial de São Miguel, Paulinho da Farmácia, isso é só o início. “Acredito que a pavimentação da BR-429 trará o desenvolvimento tão esperado para o nosso município e toda a região do Guaporé”, avalia.

O empresário destaca que aumentou muito o movimento nos hotéis e no comércio da cidade. “Não há vagas nos hotéis, o aluguel de pontos comerciais está sendo bastante disputado. O movimento nos restaurantes está sendo considerado excelente. No setor de auto-peças e oficinas mecânicas, assistimos a um crescimento jamais visto”, diz Paulinho. “No ramo imobiliário, houve uma elevação de 300% no valor de mercado dos imóveis e também no valor dos aluguéis”, explica. “Acredito que, com o início das obras na rodovia, teremos uma valorização ainda maior”. O empresário destaca ainda que houve um aumento de 100% no número de sócios da instituição que preside. “A nossa Associação Comercial está sendo fortalecida e, com isso, todos ganham”, conclui.


OBRAS NA PONTE DO MUQUI

Consultoria Econômica

O início das obras de aterramento nas proximidades do Rio Muqui, no Vale do Guaporé, está sendo bastante festejada pela população da região. Ali se encontra um dos trechos mais complicados da BR-429, por causa das cheias anuais nos primeiros meses do ano, provocando inundações e o isolamento das populações. A confirmação das obras no Muqui, dentro do pacote autorizado para a reconstrução e pavimentação da BR-429, veio do Ministério dos Transportes, por meio do DNIT, que autorizou o empenho de recursos de aproximadamente R$ 21 milhões para a construção do Trecho Rodoviário da 9ª Linha até Alvorada do Oeste, numa extensão de 16 quilômetros. Os recursos foram garantidos por intermédio da atuação da deputada federal Marinha Raupp, que em 2006 já havia apresentado emenda parlamentar de bancada no valor de R$ 15,8 milhões em favor da prefeitura de Alvorada do Oeste para a construção desse trecho rodoviário. “Valeu a espera”, comemorou a parlamentar do PMDB.

• Projetos Econômicos para Financiamentos (FNO, BNDES, PROGER) • Projetos Econômicos para Incentivos Tributários (ICMS, IR/SUDAM, Prefeituras) • Avaliação Econômica do Valor de Mercado de Empresas

Assessoria à Indústria de Alimentos • Desenvolvimento de Rótulos e Embalagens; • Padronização de Produtos • Implantação de BPF e HACCP

Assessoria Agropecuária • Programas IATF e Transferência de Embriões • Exames Andrológicos • Manejo Nutricional e de Pastagem Oberdan P. Ermita - Economista Cel. (69) 8111-8661 oberdan@metodoconsultoriaro.com.br

Alexandre Foroni - Zootecnista Cel. (69) 8111-8436 alexandre@metodoconsultoriaro.com.br [ VEREADOR AMARILDO GOMES, com a deputada Marinha Raupp ]

www.metodoconsult.com

(69) 3451-2525 Rua Tenente Portela, 131 Pimenta Bueno - RO


Caderno de negócios Anuncie na Credisis & Negócios • comercialrevistacredisis@gmail.com • (69) 8403-0867 • (69) 8447-3276

-

.

.

.


Especializada em avaliações imobiliárias para fins de concessão de crédito

Consultoria, Compra e Venda, Administração e Avaliação www.sefrinweb.com.br Av. Dois de Junho, 2447 - Centro - Cacoal/RO - Tel.: (69) 3441-8998 - Fax (69) 3441-9779

 Refrigeração e Ar-Condicionado Bebedouros industriais para igrejas, escolas, fábricas, escritórios e o comércio em geral

Ligue: (69) 3441-2741 9986-8039 / 8402-5514

Rua São Luiz, 1476 - Centro - Cep: 76963-763 Cacoal/RO - e-mail: refricol@hotmail.com

ESCOLA DANIEL BERG apresenta projeto de iniciação científica em Manaus

Alunos da Escola Daniel Berg tiveram trabalho aceito para apresentação no 61º Congresso Nacional da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), a ser realizado na cidade de Manaus-AM, de 12 a 18 de julho, na UFAM (Universidade Federal do Amazonas). Com o título “Ordenamento Territorial Rondoniense”, os alu-

nos Jadison Ronaldo Paganini, Sergio Rafael Pinheiro de Andrade e Vitor Anthony Duarte, sob a orientação do professor de Geografia Reginaldo Conceição da Silva, que também teve

seu trabalho aceito, elaboraram o projeto, fizeram a pesquisa e escreveram o artigo que foi submetido à banca de seleção por renomados pesquisadores do congresso. Por entender a necessidade de preparar os alunos para o ingresso no ensino superior, a Escola Daniel Berg apoiou o projeto de iniciação científica, desenvolvido com os alunos do 2º.X, durante o 1º. bimestre de 2009, preparando assim seus alunos para a pesquisa, dentro da formação superior que os educandos venham a escolher.

O NOSSO ALUNO FAZ A NOSSA HISTÓRIA Fone: (69) 3441-6148 Av. São Paulo, 3070 – Cacoal/RO www.escoladanielberg.com.br – danielberg@nettravel.com.br


PALACE HOTEL

Apartamentos com ar-condicionado, TV, frigobar e telefone estacionamento fechado

Fone: (69) 3451-2131 Fax: (69) 3451-8360 Av. Presidente Dutra, 566 - Centro - Pimenta Bueno - RO

Assistência Técnica Autorizada para Ferramentas Elétricas Bosch Ji-Paraná - RO: Av. Transcontinental, 2320 - Bairro Primavera - Cep: 76.914-826 Cacoal - RO: Rua São Luiz, 1566 - Centro - Cep: 76.963-763 / Fone: (69) 3441-3372 Porto Velho - RO: Av. Nações Unidas, 1000 - Cep: 76804-420 / Fone: (69) 3223-3133 CARTO

e-mail: aibaraji@aibara.com.br


Restaurante e Pizzaria

Aqui come-se bem!

Disque entrega Av. Porto Velho, 2919 - Centro - Cacoal - RO

(69)

3441-5355

Fone: (69) 3441-5242 Aberto todos os dias, das 11h Ă s 14h30 Av. Castelo Branco, 16.958 Cep. 76.967-247 - Cacoal - RO



Revista Credisis & Negócios - Nº 16