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CRÔNICAS

Dr.Faustino Vicente

Consultor de Empresas e de Órgãos Públicos e-mail: faustino.vicente@uol.com.br – tel.(011) 4586.7426 – Jundiaí (Terra da Uva) SP

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Índice A bola e a escola Carnaval, ópera de rua Diamantes sociais 2010, ano atípico De Chernobil a Copenhague Eterno aprendiz Ozanam e o empreendedorismo social O mundo é dos curiosos Nasce uma estrela A chave da lucratividade Esses seus cabelos brancos Próspero 2010 Jesus e os sonhos de Natal A sensibilidade do poeta Saga dos Paraolímpicos Olimpíadas, o maior espetáculo da terra. A gazela e o leão Futebol, paixão ou profissão? Caos em minha empresa E agora, José? Mensagem para você Referência em voluntariado No ronco das motos ISO 14.000 e a pegada Ecológica Fé e RH das empresas Jundiaí de todos os tempos Mulher, estilo de vida Natal, validade temporária Dos Fenícios aos Shopping Centers Frutas e frutos do Natal Vicentinos, gente que faz Novo Marketing Político A espiritualidade nas empresas Por que as empresas fracassam A espada de Dâmocles Gerenciamento sem fronteiras O Everest do Futebol Escola de Samba - Exemplo de Gestão Das Vinhas aos Vinhos Sonhos de Natal O C.E.O do Terceiro Setor Fontes de Lucratividade

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Seis Sigma Emocional Do Submarino ao Discovery Ozanam, Profeta do Terceiro Setor Temos vagas A Bíblia e o clima organizacional A Escalada dos "Galácticos" Saga da Mulher Contemporânea Sonhar, Valor Agregado Carnaval, Festival de Artes O Calcanhar-de-Aquiles das Empresas Eleições, lições exemplares Secretárias adotam novo figurino Vôlei, muito mais que esporte

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A BOLA E A ESCOLA Somos, como a maioria dos brasileiros, admiradores do esporte mais popular do mundo, esse incrível futebol. Nossa opinião sobre ele é a seguinte: paixão para torcedores, profissão para jogadores, projeção para diretores e mercadão para investidores. A Copa do Mundo, chamada de o "Everest" do futebol, cuja 20ª edição vai ser disputada no Brasil em 2014 será, também, cabo eleitoral para parte da classe política. Apesar dos conhecidos retornos, que os investimentos públicos e privados deverão trazer, esperamos que os impostos que pagamos, e se transformam na elevadíssima carga tributária brasileira, – uma das maiores do mundo – sejam aplicados em obrigações e responsabilidades específicas dos Órgãos Públicos. A qualidade dos serviços públicos, exceto as "ilhas" de excelência, ainda deixa muito, mas muito a desejar. Esse é um dos motivos que leva "a voz rouca das ruas", à questionar a realização desse evento em nosso país. Sendo o futebol um segmento empresarial, os investimentos públicos que deverão ser feitos, poderiam ocorrer independentemente do patrocínio da Copa, como fizeram outros países. Sendo o 88º país do mundo em educação, tendo apenas 51% de saneamento básico, 33 milhões de analfabetos funcionais, 6º pais em homicídios entre jovens, milhões de moradores em áreas de risco, com elevadas taxas de juros e infraestrutura deficiente, evidentemente, o que falta é qualidade de vida. A educação, singular fator de inclusão social, é o caminho para melhorarmos a nossa, desconfortável, 73ª colocação no ranking internacional do IDH – Índice de Desenvolvimento Humano. Torcendo para que os benefícios pós Copa se concretizem, sugerimos que o Governo desenvolva projetos PPPs – Parcerias público-privada – , permitindo que os estádios (arenas multiuso) sejam palcos para eventos populares e exposições artísticas, motivando o brasileiro para atividades culturais. A consagração da nossa economia, como a 7ª maior do mundo (PIB de R$3,675 trilhões), evidencia que o Brasil não é um país pobre, é um país injusto socialmente e desigual financeiramente. CARNAVAL, ÓPERA DE RUA Na qualidade de presidente de uma associação, que fez do intercâmbio de informações e experiências empresariais a sua grande missão, tivemos o prazer de integrar uma Diretoria que promoveu um expressivo número de eventos sobre excelência organizacional. Japão, Argentina, Uruguai, Bolívia e Colômbia se fizeram representar nessas promoções e, do nosso país, contamos com profissionais de todos os escalões hierárquicos e dirigentes da mais 4


variadas entidades. Das várias esferas governamentais, recebemos diversas autoridades, inclusive dois Ministros de Estado. Um desses seminários, cujo tema era - Motivação e Criatividade -, ficou marcado de maneira indelével pela genialidade do seu apresentador – o consagrado carnavalesco Joãozinho Trinta. A ginga do passista e a magia do futebolista brasileiro são embaixatrizes da cultura de um povo, que fez da sua incorrigível alegria o reluzente brilho da Marca Brazil. Da riquíssima diversidade das formas de expressão do carnaval – fantástica ópera de rua - nosso enfoque vai para as escolas de samba, cujo pioneirismo pertence a “Deixa Falar” fundada em 1928, pelos sambistas: Ismael Silva, Bide, Brancura, entre outros. Do Criador à criatura, da pobreza à riqueza, da tradição à inovação, da flora à fauna, da história à geografia e da antiguidade à atualidade, surgem temas que se transformam em samba-enredo – espinha dorsal do desfile – gerador do maior espetáculo de artes ao ar livre do planeta azul. A análise gerencial, do cotidiano das escolas de samba, revela a aplicação de conceitos de consagrados especialistas mundiais, em gestão da excelência, como por exemplo o PDCA de Deming, a adequação de uso com satisfação do cliente de Juran, as equipes de trabalho de Ishikawa, a filosofia de Crosby, e os sábios ensinamentos de Peter Drucker. A empregabilidade, habilidade eclética do profissional moderno, também desfila nas avenidas deste país continente, pois os foliões sabem sambar, cantar, fazer evoluções e interpretar o personagem que representam no contexto. Motivada, a galera se levanta, estufa o peito e solta o tão aguardado grito de...é Campeã!!!...é Campeã!!!...é Campeã!!!. Por alguns instantes o sonho da igualdade universal acontece no verso do poeta, no som inconfundível do tamborim, no largo sorriso das passistas, na mistura das raças, credos, hierarquias, profissões e classes sociais Nessa hora a emoção fala mais alto e a adrenalina vai a mil, pois é o reconhecimento, e a valorização, do árduo trabalho de milhares de pessoas – a grande maioria anônima – que durante o ano todo se desdobra nas tarefas do barracão, na confecção das fantasias e das alegorias e participa dos ensaios na quadra. Colocar na passarela milhares de sambistas, com perfeita noção de tempo e de espaço e gerenciar o escasso orçamento da agremiação requer, sem dúvida alguma, muita criatividade para provocar efeitos especiais de baixo custo. Deve haver muita harmonia entre o planejamento estratégico e o “jogo de cintura” dos dirigentes, para lidar com pessoas de características tão diversificadas. 5


Da leveza das evoluções da porta-bandeira à agressividade das batidas nos surdos, podemos assistir a uma aula singular de MBA ( Master of Business Administration) que, simbolicamente, podemos traduzir por - doutoramento tupiniquim. Para que as organizações de todos os portes e segmentos, possam agregar valores com o estilo interativo das escolas de samba, basta que seus executivos dêem oportunidades (iguais) para o funcionário possa revelar e desenvolver todo seu potencial empreendedor. Sendo o carnaval brasileiro, através de suas mais variadas expressões regionais, a nossa mais internacionalizada manifestação cultural, encerramos com o seguinte alerta: vamos explorar o turismo, não o turista. DIAMANTES SOCIAIS O diamante é, sem dúvida alguma, uma das mais cobiçadas pedras preciosas do planeta azul. Quanto vale uma jazida de diamantes desconhecida? Nada, absolutamente nada. Mas existe uma “mina de diamantes e de outras pedras preciosas”, em nossa sociedade, que é minimamente reconhecida, valorizada e respeitada. Estamos nos referimos à imensa legião de pessoas aposentadas, cuja trajetória se confunde com a história do nosso desenvolvimento social, econômico, político e cultural. Essas criaturas dedicaram os melhores anos de suas vidas às empresas em que trabalharam, deixando-nos exemplares lições de profissionalismo e lealdade. São milhões de pessoas de todas as profissões e religiões, etnias e ideologias, nacionalidades diferentes e tradições surpreendentes. Se a jazida de diamantes é uma reserva mineral com valor econômico previsível, a massa de trabalhadores é um tesouro social com valores subjacentes incalculáveis. Este é o nosso novo projeto, que já deu os seus primeiros passos, com a indicação de convidados para integrarem a primeira equipe, que irá elaborar as “regras do jogo” e o calendário de atividades. O perfil ideal é que sejam pessoas aposentadas sem atividades remuneradas, desvinculadas de partidos políticos e de interesses empresariais. Estes requisitos darão a indispensável liberdade para que o grupo sugira idéias que beneficiem a coletividade, independentemente de serem, ou não, prioridades da política ou da economia. Os projetos, desenvolvidos através do MASP – Metodologia de Análise e Solução de Problemas poderão ter como foco a cidadania, meio ambiente, saúde, educação, cultura, ou outro tema, desde que o objetivo seja a melhoria da qualidade de vida. Esta nossa iniciativa irá revelar, reconhecer e valorizar pessoas excepcionais que, apesar da capacitação técnica, conduta ética e competências ecléticas, passaram a vida toda no anonimato. Encerramos com o pensamento do célebre líder pacifista 6


hindu, Mahatma Gandhi (1889-1948): “a verdade pode ser dura como o diamante ou suave como a flor do pessegueiro”.

2010, ANO ATÍPICO Não há dúvida que o corrente ano traz uma série de eventos que o transformam em atípico. Começaremos com o mais popular esporte do planeta, que terá como palco a África do Sul, com o que denominamos de “O Everest do futebol mundial”, ou seja, a realização da 18ª edição da Copa do Mundo. Praticado em todos os países, ele gera o maior “PIB” esportivo da terra. Outro fator, deste diferenciado ano, será a realização das eleições gerais, cuja disputa já se apresenta como uma das mais acirradas dos últimos tempos, cujas evidências já estão na Internet. Que, políticos ou não, cada cidadão brasileiro não venda a sua consciência por qualquer tipo de vantagem pessoal. Que o “jeitinho brasileiro”, a remuneração financeira e o status social não nos façam reféns, não nos tirem a sagrada liberdade de nos manifestar livremente e não nos transformem numa espécie de bonecos de ventríloquos. Na avaliação prévia dos candidatos, a conduta ética é condição essencial, ou seja, sem a qual o candidato não merece o nosso voto, mesmo sendo ele um gênio. Pelo histórico de vida de cada político é possível conhecermos a sua ideologia e o seu potencial como futuro gestor da Coisa Pública. Outra peculiaridade deste ano reside na expectativa de grupos empresariais conquistarem contratos dos gigantescos investimentos, que deverão ser destinados, pelos poderes públicos, por exigência da FIFA (Federação Internacional de Futebol) e do COI (Comitê Olímpico Internacional), para as obras da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, que serão realizadas no Brasil. Entre os elevados Investimentos em infra-estrutura destacamos a concretização do sonho de paulistas e cariocas, o TAV – Trem de Alta Velocidade – , popularmente chamado de “trem-bala”, que ligará os estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Finalizamos com uma reflexão, válida para cada um de nós: da mesma forma que toda droga causa dependência, toda dependência é uma droga. DE CHERNOBIL A COPENHAGUE O terrível acidente nuclear de Chernobil, ocorrido em 26 de abril de 1986, não foi suficiente para que o homem se conscientizasse de que qualidade de vida é prioridade zero na única "casa" que temos - o planeta azul. 7


Em Copenhague, a certeza de que ele se encontra em área de risco. "Nada mais difícil de manejar, mais perigoso de conduzir ou de mais incerto sucesso, do que liderar a introdução de uma nova ordem de coisas". Com esta linha de pensamento, o italiano Niccolô Machiavelli (Nicolau Maquiavel -1469-1527) tornou-se uma das figuras mais brilhantes do Renascimento europeu, consagrado em "O Príncipe", sua obra- prima em malícia política. Este é o desafio dos governantes. Os gravíssimos problemas que estão ocorrendo com o aquecimento global não devem ser atribuídos apenas a uma parcela da classe empresarial e a cada um de nós, pois os governantes, também, têm a sua parte de responsabilidade na degradação do meio ambiente. Políticas públicas ineficientes, fiscalização insuficiente, investimentos em saneamento básico aquém das necessidades, excesso de burocracia e corrupção, são fatores da mesma equação ações públicas ineficazes. A educação, formal e informal, deve contribuir para a maior consciência sobre a chamada Pegada Ecológica, que significa o "quanto da terra produtiva, área florestal, energia,habitação, água, mar, urbanização e capacidade de absorção dos dejetos cada pessoa necessita, para viver de forma minimamente digna. A esse conjunto de fatores, Martin Rees e Mathis Wackermagel deram o nome de pegada ecológica, cujo estudo indica 2,8 hectares para cada pessoa". Numa simples reflexão sobre alguns textos da Bíblia (Gênesis 1, 24-31 + 2,1-19 e Deuteronômio 8,7-10), encontramos referências sobre a preservação do meio ambiente, desenvolvimento sustentável do ser humano e a destinação social dos recursos naturais da terra. Em Apocalipse (11:18), destaque para punição aos que destroem a Terra. ETERNO APRENDIZ Há algumas décadas, o sonho de muitos jovens era diplomarse por uma conceituada universidade, pois era esse o “passaporte carimbado” que os levaria a um emprego formal e a uma carreira bem-sucedida e duradoura. A formação acadêmica representava um requisito diferenciado para o crescimento profissional, dentro de uma excelente organização. Hoje, o sonho do canudo universitário transformou em obrigação e a certeza da conquista de uma vaga no mercado, uma estressante incerteza. A globalização destruiu fronteiras e quebrou estruturas centenárias, fazendo com que milhões de vagas de trabalho se evaporassem no planeta terra. Muitas profissões desapareceram e outras floresceram. Se o primeiro emprego formal é extremamente difícil, o ultimo pode ser, extremamente, precoce. Aos 20 anos poderemos ser considerados inexperientes e aos 40 decadentes. 8


Essa realidade, que tem feito o mundo sempre melhor materialmente, nos traz à lembrança um dos clássicos do cinema norte-americano – Tempos Modernos – (1936) estrelado por Charles Chaplin. Através de sátiras, ele nos mostra tentativas de substituição do homem por máquinas. Aumentar a produtividade – fazer cada vez mais, e melhor, com cada vez menos – era o grande objetivo, mesmo que o ser humano fosse humilhado, como pode ser visto em algumas cenas do último filme mudo do genial Carlitos. A tecnologia encurtou as distâncias e distanciou as proximidades, via praticidade – “produto” essencial do novo estilo de vida gerado pela mulher contemporânea. Parte das operações bancárias pode ser considerada como exemplo expressivo dessa nossa afirmação. Cremos que vale a pena uma profunda reflexão sobre um dos versos da canção – O que é, o que é – do saudoso cantor, compositor e músico, Gonzaguinha: “ a beleza de ser um eterno aprendiz”. O profissional que tiver a percepção exata do que representa essa máxima, poderá estar descobrindo a diferença, que fará a diferença, em termos de sucesso sustentável. OZANAM E O EMPREENDEDORISMO SOCIAL As constantes transformações, provocadas pelas revolucionárias inovações tecnológicas e pelas intrigantes descobertas científicas, no século passado, tornaram a longevidade das empresas um desafio diuturno no mundo dos negócios. Somente organizações com visão, missão, valores, políticas, normas de procedimentos e ações estratégicas habilmente planejadas reúnem condições para atingir marcas históricas, pois "quando achamos que sabemos todas as respostas vem o mundo e muda todas as perguntas." A sistematização dos procedimentos da SSVP (Sociedade São Vicente de Paulo) permitiu que, de Paris para o mundo, ela se transformasse numa das fontes de "polinização" da caridade - uma das virtudes teologais. A SSVP, fundada em 1833, pelo Beato Antônio Frederico Ozanam (1813-1853), tornou a sua existência - 176 anos - uma referência internacional, no mundo do Terceiro Setor. A operacionalização das reuniões semanais, realizadas pelas Conferências Vicentinas - célula mater da SSVP -, permite que confrades e as consócias participem de uma instituição orgânica, não mecânica, que faz da Fé (Hebreus 11, 1) a sua estrela-guia. O acolhimento dos assistidos segue a metodologia de análise e solução de problemas (Masp) que nada mais é do que uma técnica aplicada, hoje, pelas empresas competitivas. O jovem Ozanam construiu, com conduta ética,capacitação técnica e competência eclética, uma entidade que pode servir de modelo para organizações de todos os portes e segmentos,pois é 9


capaz de fazer da promoção humana, a iniciativa mais nobre de inclusão social. Como um autêntico profeta do empreendedorismo social, ele viveu dois séculos à frente de seu tempo, pois além dos princípios cristãos de evangelização e santificação legou, ao movimento vicentino, valores como a cidadania, a inovação e a responsabilidade social, ações reverenciadas, hoje, pelas classes empresariais e políticas do mundo todo, como fundamentos estratégicos da sustentabilidade econômico-social. O MUNDO É DOS CURIOSOS A complexidade do mundo dos negócios sinaliza a tendência de que, “no futuro haverá apenas dois tipos de empresas, aquelas que se apaixonaram em se reinventarem e aquelas que estarão desaparecendo agarradas as suas ultrapassadas certezas.” O fato do conceito de gestão organizacional estar disponível nas universidades, na literatura, nos meios de comunicação, nos milhares de eventos anuais e na Internet comprova que, o desafio já não encontra-se mais no “o que fazer”, mas sim no “como fazer”. O exemplo está nos grandes temas que afligem a humanidade - todos falam dos problemas com muita propriedade, porém das soluções com extrema precariedade .Como o nascimento de gênios é episódico, destacamos entre as características dos que almejam uma carreira bem-sucedida: a curiosidade, a imaginação e a criatividade medalhas olímpicas do processo gerencial. Mas, qual é o significado da palavra curiosidade? “Desejo de ver, saber, informar-se, desvendar, alcançar, aprender, conhecer, investigar determinados assuntos e procurar coisas raras e originais.” Concluímos que a curiosidade é uma porta, com a chave pelo lado de dentro. Dom natural de todo Ser humano, ela fez de Leonardo da Vinci (1452-1519) a sua estrela maior. Senão vejamos. Ele foi inventor, cientista, escultor, engenheiro, músico, desenhista, cartógrafo, matemático e arquiteto,além de dominar outras áreas, como a física, astronomia, zoologia, botânica e fisiologia. Sua genialidade o consagra como o profeta da criatividade. Ele viveu séculos à frente do seu tempo. Qualidades naturais e determinação pessoal a parte, as empresas devem dar oportunidades (iguais) para que o funcionário possa revelar e/ou desenvolver o seu potencial. Mais do que nunca investir em recursos humanos é a diferença que faz a diferença, pois somente a inteligência tem o poder de gerar riquezas

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NASCE UMA ESTRELA O titulo acima é o nome de um inesquecível filme (1976) com a atriz Bárbra Streisand, que interpretou a vida de Ester Hoffman, uma cantora inocente, que sonha com o estrelato. Esta referência é para estabelecermos uma relação com a apresentação de Susan Boyle, (48 anos) cantora (amadora) escocesa que se tornou uma celebridade ao interpretar a música I Dreamed a Dream (Sonhei um sonho), no famoso programa da TV inglesa, Britain’s Got Talent. Após os jurados a receberem com cinismo, ironia e deboches, graças a sua aparência física estar fora dos padrões que a sociedade (comercialmente) elegeu como modelo de excelência, ela soltou a sua maravilhosa voz e...”calou” o júri e a plateia. Eles se curvaram diante do talento de Susan Boyle e ela foi aplaudidíssima. Se esta apresentação será o primeiro passo de uma brilhante carreira ainda não sabemos, mas as cenas representaram mais um deprimente espetáculo exibido pela TV. O constrangimento imposto à Susan – fenômeno na web - é semelhante, ao que ocorre no cotidiano com corrupção de políticos, elevada carga tributária, baixos proventos de pensionistas e aposentados, elevadíssimos juros bancários e péssimos serviços prestados pelas empresas campeãs em reclamações no PROCON. O desrespeito às pessoas encontra-se, também, nos serviços públicos ( educação e saúde) de baixa qualidade, na intolerância às “diferenças”, nas condições inadequadas às pessoas com necessidades especiais e na grosseria com que muitos gerentes tratam seus funcionários. A falta de respeito para com os professores em sala de aula, o preconceito, a violência doméstica, a discriminação, a exclusão social, escravidão infantil e o desmatamento criminoso são fatos, que a tão cortejada “era do conhecimento” não conseguiu erradicar. Solução? Independentemente de credo religioso: amar ao próximo como a si mesmo. Para nossa reflexão deixamos a célebre frase do líder pacifista indiano, Mahatma Gandhi (1869-1948) : “Miséria, a mais cruel das violências.” A CHAVE DA LUCRATIVIDADE A Grécia, berço da democracia e dos jogos olímpicos (776 a.C.), tem o seu nome gravado com letras douradas na história da humanidade. Entre os ingredientes da receita para os atletas de alto rendimento destacamos: intenso condicionamento físico, cuidadosa preparação psicológica, exaustivos treinamentos, hábito alimentar balanceado e elevada dose de determinação. Entre os campeões, destaca-se o filho do vento, o homem mais veloz da terra. Quatro anos de muita expectativa para correr (apenas) cem metros em 11


menos de dez segundos. Um simples deslize e... pronto, tudo estará perdido. A olimpíada guarda intensa semelhança com a competitividade no mundo dos negócios, podendo este ser considerado uma autêntica corrida...sem linha de chegada. O tiro de partida da qualidade de produtos, de serviços e de vida, foi dado há decadas, porém o maior desafio continua sendo o salto triplo da produtividade - fazer cada vez mais, e melhor, com cada vez menos. Menos tudo. O excesso de burocracia dos serviços públicos reina, absoluto, no topo do pódio da baixa produtividade, provocando significativa elevação do Custo Brasil. A atual crise mundial, o acirramento da concorrência, a perda do poder aquisitivo da massa trabalhadora, o maior grau de exigência dos consumidores e a elevadíssima carga tributária revelam que a qualidade é indispensável, porém torna-se vulnerável quando provoca elevação de preços. Exemplo? O fracassado Concorde, o mais veloz avião comercial do mundo, transformou-se no Titanic dos nossos dias, uma tragédia mercadológica. A história da produtividade se confunde com a trajetória da própria humanidade, o que nos leva a crer que ela surgiu quando o homem primitivo deixou de usar (diretamente) o próprio corpo para caçar, fabricando a sua primeira “ferramenta”. Um galho de árvore com uma lasca de pedra amarrada na ponta facilitaria o abate de animais. O arco e a flecha representaram, na época, um invento de alta tecnologia. A Bíblia, (Êxodo. 18 – 21 e 22) narra um caso de perda de produtividade gerencial quando Jetro, sogro de Moisés, apontou alguns procedimentos ineficazes na forma de atender o povo que era conduzido à Terra Prometida. “Tu, dentre todo povo, procura homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza: e põe-nos sobre eles por maiorais de mil, maiorais de cem e maiorais de cinquenta e maiorais de dez para que julguem este povo em todo tempo, e seja que todo negócio pequeno eles o julguem: Assim a ti mesmo te aliviarás da carga, e eles a levarão contigo”. Moisés pode ser considerado pai da estrutura organizacional. O surpreendente é que esse fato ocorreu há, aproximadamente, 3.259 anos. O filme Tempos Modernos (1936), sátira mordaz estrelada pelo genial Charlie Chaplin, mostra a aplicação dos princípios de administração científica, obra do engenheiro norteamericano Fredecick Winslow Taylor (1856-1915), e a linha de montagem do pai da indústria automobilística, Henry Ford (18631947). Os ganhos em produtividade dependem de uma “mega operação capilar” que comprometa, do presidente ao servente da empresa. O segredo do sucesso de qualquer empreendimento organizacional encontra-se nos seguintes fatores: planejamento 12


estratégico, pesquisas de tendências de mercado, sistema de incentivos motivacionais, foco no foco do cliente, intenso intercâmbio com fornecedores, investimentos em inovações tecnológicas, melhoria contínua do processo, descentralização do poder de decisão e na capacitação continuada das competências dos funcionários. Os profissionais de recursos humanos ganharam uma privilegiada condição estratégica nas organizações. A! Um lembrete: nas crises mundiais as pessoas dividem-se em dois grupos: “os que choram e os que vendem lenços”.

ESSES SEUS CABELOS BRANCOS

Uma pesquisa realizada pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – revelou, que o contingente de pessoas com mais de sessenta anos de idade é de 19 milhões, ou seja, 10% da população brasileira. O quinto país mais populoso do planeta, e em extensão territorial, já não é mais tão jovem como se apregoava. “Daqui a 20 anos, seremos 32 milhões de idosos. É o grupo etário que mais cresce. E é por isso que nós temos que ter políticas públicas sóciais e previdenciárias eficazes. Ou seja, o idoso não é uma questão pequena. Tem que entrar na agenda de prioridades do país como algo muito sério, devido a esse enorme crescimento,que vai se ampliar mais nos próximos 10,15 anos” Se essa realidade vai exigir políticas públicas urgentes por parte do governo, para o mundo dos negócios é tendência de ampliação do mercado, numa faixa etária que exige atendimento diferenciado, face a especificidade desses clientes em potencial. Este é o novo desafio para as descobertas científicas e para as inovações tecnológicas, proporcionar melhor qualidade de vida para esse exponencial grupo de pessoas. Como essa evidência não é exclusiva do Brasil, mas mundial, a OMS – Organização Mundial de Saúde – lançou, no Rio de Janeiro, o Guia Global das Cidades Amigas do Idoso. O objetivo dessa iniciativa é orientar todas as cidades do planeta a aproveitar melhor o potencial das pessoas da Terceira Idade. Nesse universo existe um imenso oceano de capacitações técnicas, condutas éticas, competências ecléticas, informações e experiências exemplares, acervo artístico riquíssimo e talentos raros que podem, perfeitamente, colaborar para o desenvolvimento econômico, social e cultural dos países. A medicina preventiva ganha importância máxima, em todas 13


as faixas etárias, pois as informações sobre alimentação saudável, prática de atividades físicas e cuidados especiais no relacionamento interpessoal, são fatores que minimizam efeitos negativos sobre determinadas doenças. A tendência do aumento da população idosa despertará, com certeza, a necessidade de mudanças nas faculdades de medicina, nas pesquisas científicas, nas inovações tecnológicas, no planejamento nas edificações e, especialmente, na qualidade da prestação de serviços para essa massa consumidora. A busca da espiritualidade e a prática de determinada religião são fatores que contribuem para o aumento da expectativa de vida. O mundo dos negócios está atento para conquistar a massa consumidora da Melhor Idade, especialmente o turismo, que busca clientes que tenham tempo, disposição e poder aquisitivo. Estrutura física adequada, atendimento especializado na prestação de serviços e produtos diferenciados fazem parte da satisfação total dessa classe de consumidores. A diferença que fará a diferença será a oferta do “produto” mais cobiçado no mercado, principalmente, pelas mulheres: a praticidade. O delevery, os pratos semi-prontos e prontos, os sedutores shopping centers, transporte municipal gratuito, os atendimentos com exclusividade em todas atividades comerciais, e assistência médica de excelente qualidade (gratuita), são fatores essenciais para a qualidade de vida dos idosos. O maior desafio, para a qualidade de vida dessa faixa etária, reside nos baixíssimos valores dos benefícios que o INSS paga a grande maioria dos aposentados e pensionistas – um salário mínimo , valor insuficiente para a própria sobrevivência com um mínimo de dignidade. Não poderíamos deixar de destacar a lição exemplar que muitos idosos prestam para o chamado Terceiro Setor - movimento de voluntariado de responsabilidade social. Com a expectativa de que haja uma significativa evolução no respeito aos idosos, destacamos a seguinte mensagem: “se você é uma pessoa idosa alimente a esperança de nunca ficar velha”. PRÓSPERO 2010 O titulo acima não é fruto de erro de impressão gráfica, mas da avassaladora “tsunami financeira” que, partindo de seu epicentro, os Estados Unidos, espalhou pânico aos quatro cantos do planeta. Nem todo conhecimento acumulado, sobre economia e finanças, consegue diagnosticar a profundidade e a longevidade da crise. O ano de 2009 poderá ficar marcado de maneira indelével, em termos de gestão de resultados, pois caberá a ele o desafio de enfrentar, e nocautear, as maiores adversidades da atualidade: a queda do PIB mundial, a recessão e, Deus nos livre! a depressão econômica. Será o ano de ouro dos empreendedores, das pessoas criativas, das mulheres guerreiras, da juventude determinada, dos executivos experientes, dos profissionais pró-ativos, dos funcionários 14


receptivos às mudanças de paradigmas, enfim, daqueles que têm esperança, sonham e...fazem acontecer. Administração compartilhada ganha espaço nas organizações inovadoras, que partem da gestão solitária para a gestão solidária. Com a espada de Dâmocles sobre a cabeça, a classe política, tem a missão de tranqüilizar a população sobre os efeitos sociais da crise, conter um provável salto inflacionário e adotar estratégicas eficazes para reverter a turbulência. A primeira medida deve ser o “corte na própria carne”, ou seja, reduzir as despesas de custeio, nos três poderes. A recomendação é clássica e tem mais de dois mil anos. “Vamos equilibrar o orçamento, proteger o tesouro, combater a usura, e reduzir a burocracia. Caso contrário... afundaremos todos”. Essa máxima é do célebre prosador, político e orador romano, Cícero (106-43 a.C.). No campo mercadológico a competitividade estará mais acirrada do que nunca. Vacilou? Quebrou. O noticiário internacional nos mostra que, até, “monstros sagrados” da economia mundial perdem o fôlego, reduzem investimentos, fecham unidades produtivas, escritórios e filiais e sinalizam para o mais temido dos estragos sociais; demissão de milhões de trabalhadores. A palavra de ordem, para que a crise seja minimizada, abreviada e, definitivamente debelada, atende pelo nome de – inovação – a arte de transformar dificuldades em oportunidades de negócios. Inovar significa agregar valor às estratégias organizacionais, sistemas administrativos e operacionais, políticas de recursos humanos, atendimento e o relacionamento com os clientes, intercâmbio de informações e experiências com os fornecedores, projetos sociais e ambientais e aos processos da qualidade de produtos, de serviços e de vida. A inovação tem como meta melhorar a qualidade – adequação ao uso com satisfação total dos clientes - , aumentar a produtividade – fazer cada vez mais, e melhor, com cada vez menos – e, reduzir custos. ”Inovação é uma ferramenta específica dos empresários, por meio do qual eles exploram a mudança como oportunidade para um negócio ou um serviço diferente.É possível apresenta-la sob forma de disciplina, aprende-la e praticá-la.” (Peter Drucker – 1909-2005) Aos consumidores vorazes o alerta pode ser encontrado no samba Argumento, do consagrado cantor, compositor e músico brasileiro, Paulinho da Viola: “Faça como um velho marinheiro/Que durante o nevoeiro/ Leva o barco devagar”. JESUS E OS SONHOS DE NATAL Família reunida, mesa farta e muitos presentes, este é o sonho de milhões de pessoas para a festa da noite de Natal. Há os que, mesmo podendo, dispensam essa forma de comemoração. Existem ainda aqueles que, embora desejassem, não participam pelas 15


mais diversas circunstancias. Em qualquer das três alternativas é possível um Natal Feliz, desde que se tenha a consciência das reais, e sublimes, motivações que a data representa. Felicidade é, antes de tudo, estado de espírito. A história, e a trajetória triunfal, do anfitrião natalino – Jesus Cristo – nos legou o poder supremo da espiritualidade – “a dimensão mais nobre do ser humano, que o move à transcendência”. Ela pode ser manifestada através de ações práticas dos dois mandamentos mais importantes: amar a Deus sobre todas as coisas e, semelhante a este, amar o próximo como a si mesmo. Esse grau de importância foi expresso pelo próprio Cristo, quando questionado a respeito. Na evolução espiritual encontra-se o segredo que harmoniza as necessidades humanas: saúde (física e mental), convivência familiar, relacionamento social, exercício profissional e condições financeiras. O equilíbrio entre esses fatores é decisivo para o nosso bem estar. Devemos nos conscientizar que o responsável pela maior festa da cristandade, também sonhou, quando de sua passagem pela terra. Sonhou com um mundo de fartura para todos, tendo nos deixado a flora, a fauna e os recursos do solo e do subsolo. Sonhou, e pregou, a paz entre todos os povos do planeta azul. Sonhou com uma sociedade mais igualitária economicamente e mais justa socialmente. Sonhou com a inexistência da discriminação, do preconceito e de qualquer tipo de exclusão social. Sonhou com a prática da fé, da esperança e da caridade – as três virtudes teologais – que podem ser compreendidas pela leitura, e reflexão, dos textos bíblicos. O Natal é uma oportunidade, a mais, para fazermos um balanço da nossa vida espiritual e para erradicarmos as “ervas daninhas”, que insistimos em cultivar em nossa mente – os sentimentos negativos. Podemos agregar valores se entendermos, definitivamente, que é dividindo que se soma. Os fundamentos do cristianismo não servem apenas para cada um de nós, mas podem ser aplicados em qualquer atividade humana, inclusive, na gestão empresarial. Visão, missão, princípios, normas de procedimentos e metas, elementos que ganharam status organizacional no século XX, constam nas Escrituras da forma explícita. Entre as referências bíblicas encontra-se a construção da Arca de Noé (cf. Gênesis 6: 14 e 16) cujas especificações detalhadas nos fazem lembrar da ISO (International Organization Standardization). Norma técnica internacional de certificação de qualidade assegurada. A ISO pode ser entendida como – escreva o que, e como você faz, e faça como você escreveu. Célebre, também, é a exemplar lição de planejamento estratégico revelada por José do Egito, administrador admirável, (cf. Gênesis 41: 37 a 45) podendo ser comparado com o CEO (Chief Executive Officer) - Presidente Executivo de hoje. Ele soube, com extrema competência, administrar os sete anos de fartura e os sete anos de escassez. As vagarosas e silenciosas 16


passadas de Moisés pelo deserto, na caminhada à Terra Prometida, o colocaram na galeria de protagonistas históricos, pelos valores que ele agregou à gestão de recursos humanos. Ele pode ser considerado o pai da descentralização do poder e da gestão participativa (cf. Êxodo 18: 13 a 26). Daniel, nomeado pelo Rei Nabucodonosor, governador de toda a província, administrou a então poderosa Babilônia, com a ajuda de seus três amigos: Sidrac, Misac e Abdénago. (cf. Dan.2: 48 e 49) Ler, refletir e vivenciar os ensinamentos contidos na Bíblia são as referências que Jesus nos deixou para a conquista de qualidade de vida, de felicidade e da salvação eterna. A SENSIBILIDADE DO POETA Consagrada como uma das sete artes tradicionais, a poesia tem no poeta o agente que faz da palavra a sua mais nobre matériaprima. A verdade é que o poeta é muito mais que um sonhador ou vendedor de emoções e de paixões, mensageiro da nostalgia e da alegria, mas alguém que pode dar uma lição exemplar ao mais racional dos segmentos – o sistema financeiro internacional. Entre os escultores de versos, o nosso destaque vai para Paulinho da Viola, poeta, compositor e músico dos mais brilhantes do Brasil. Em Argumento, letra e música de sua autoria, vamos encontrar um alerta aos Governantes, à classe empresarial e à cada um de nós; “Faça como o velho marinheiro/que durante o nevoeiro/ toca o barco devagar”. A maior potencia (EUA) econômica, financeira e bélica do planeta, com cerca de 25% do PIB mundial, vacila, balança e revela o seu “calcanhar-de-aquiles”. De Wall Street, epicentro da crise, partiu o mais furioso “tsunami financeiro” das últimas décadas que, em segundos, varreu o planeta levando pânico à todos os Ministros de Finanças. Instalada a incerteza, palavra detestada pelo mercado, a perspectiva é que os seis bilhões e seiscentos milhões de habitantes da terra terão que pagar a conta, pelo erro de gestão de alguns banqueiros. Socializar os prejuízos é humilhante, e ver o capitalismo sendo salvo pelo socialismo é intrigante. A tão cortejada globalização transformou o mundo dos negócios numa jogada de xadrez – movimenta-se uma única peça e mexe-se no jogo todo. Com menor volume de dinheiro no mercado global, maior taxa de juros, seletividade rigorosa na concessão de empréstimos, redução de investimentos por parte das empresas, queda de consumo, menor PIB mundial, mais desemprego, lamentavelmente, haverá aumento da pobreza mundial. Reverter essa tendência é questão de competência. O crédito, que irriga o mundo dos negócios, está para o desenvolvimento (econômico e social) assim como o sangue está para o corpo humano. Nem as lições do passado, (1929/1930-EUA), o domínio das mais avançadas teorias econômicas, 17


as incríveis descobertas científicas e o espetacular desenvolvimento tecnológico foram barragens eficazes para conter esse “tsunami financeiro”, provocado, irresponsavelmente, por falha humana. O que nos deixa perplexo é saber que apesar do elevado grau de inteligência, formação acadêmica nas melhores universidades do mundo, longos anos de experiência e salários milionários, banqueiros norte-americanos tenham cometido esse gravíssimo erro de gestão. Essa ocorrência contrasta com os procedimentos da Diretoria de recursos humanos das grandes corporações, que exigem: capacitação técnica, conduta ética, competências ecléticas, visão sistêmica do negócio em que atuam, versatilidade, criatividade para reverter resultados negativos, gerenciamento interativo, entre outros. Num desses pré-requisitos os executivos falharam. A intervenção do Estado (teoria keynesiana) levará os países a destinarem alguns (?) trilhões de dólares, para resgatar a confiança nos bancos e evitar a redução drástica do ciclo produtivo. Quais seriam os benefícios, para a população de baixa renda, se esse valor (astronômico) fosse investido em projetos sociais? Erradicação da fome, que atinge mais de um bilhão de pessoas, geração de renda para milhões de desempregados, prestação de serviços públicos de elevada qualidade e a eliminação da mais aviltante das violências – a miséria. A crise torna-se real quando sai do econômico e vai para o psicológico, deslocando-se da Bolsa de Valores para o bolso dos consumidores - a parte mais sensível do corpo humano. Encerramos com o pensamento do célebre prosador, político e orador romano, Cícero (106-43 a.C): “Vamos equilibrar o orçamento, proteger o tesouro, combater a usura e reduzir a burocracia. Caso contrário...afundaremos todos”. SAGA DOS PARAOLÍMPICOS Entre as várias manifestações que recebemos pelo nosso texto – Olimpíadas, o maior espetáculo da terra – destacamos a da mãe de um jovem deficiente físico. “Ele é quase um artista e também pratica esportes. Meu interesse é numa divulgação maior das Paraolímpiadas”, afirma ela. A primeira edição das Paraolímpiadas, ocorreu em Roma (1960) e desses jogos participaram somente atletas com deficiência física. O neurologista e neurocirurgião alemão, Ludwig Guttmann, é considerado o Pai dos Jogos Paraolimpicos. Embora com menor interesse comercial, esses jogos ganham em espírito olímpico, essência dessa singular competição esportiva, cujo berço encontra-se na antiga Grécia. Além da elevada performance técnica dos atletas paraolímpicos, eles revelam ao mundo exemplares lições de vida, que nos levam a uma profunda reflexão sobre como enfrentar desafios, e superar limites, no nosso dia-a-dia. 18


Os Jogos Paraolímpicos de Pequim2008 (entre 6 e 17 de setembro) representam uma oportunidade a mais para ampliarmos o nosso horizonte sobre “os paraolímpicos da vida”, ou seja, pessoas vitimas da preconceituosa sociedade em que vivemos. Basta uma pessoa estar fora dos padrões convencionais para sofrer as cruéis conseqüências dessa, mundialmente conhecida, chaga social. Segundo o gênio Albert Eisntein (1879-1956) – “é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. A cor da pele, a etnia, a opção sexual, nível de escolaridade, faixa etária avançada, desemprego prolongado, estética fora dos padrões convencionais, residentes em área elevada violência, baixa renda e limitação física, ou mental, são alguns dos alvos preferidos pela discriminação e pelo preconceito. Falta de consciência sobre o respeito às diferenças. Precisamos estar atentos para não perdermos a nossa capacidade de nos indignar (e agir) diante das injustiças sociais. Como dizia Martin Luther King (1929-1968) –“o que me assusta não é grito dos maus, mas sim, o silêncio dos bons”. Os pais que possuem um filho, ou uma filha, com alguma necessidade especial, e é cuidado apenas por eles, enfrentam uma série enorme de dificuldades. Os que possuem recursos financeiros elevados, que são a minoria, têm a situação minimizada pela contratação de profissionais especializados da área de saúde, para ajudar nas tarefas do cotidiano. Quando além da limitação física a pessoa acumula uma deficiência mental a situação dos pais torna-se critica, e é quando a figura da mãe, mais uma vez, se agiganta. A população espera que os candidatos, à Prefeitura e à Câmara Municipal, divulguem os projetos que objetivam melhorar a qualidade de vida das pessoas com necessidades especiais. A situação torna-se dramática para as famílias que possuem filhos nessas condições e vivem na miséria que, segundo o pacifista indiano Mahatma Gandhi (1869-1948) “é a maior das violências”. Na realidade, a Medalha de Ouro que os atletas paraolimpicos buscarão no “Ninho de Pássaro, pode ser representada por oportunidades (iguais) para que possam revelar e desenvolver todo o seu potencial. Esta é a motivação maior para a conquista da tão sonhada cidadania – direito universal, natural e inalienável, de todo ser humano. Fator positivo encontra-se no Terceiro Setor - movimento de responsabilidade social - que, através de organizações não governamentais, vêm prestando relevantes serviços para a evolução profissional e social, de pessoas com necessidades especiais. A ação de voluntários é referência bíblica (Mateus 22, 36-39). “Mestre, qual é o grande mandamento da Lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e grande mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” 19


OLIMPÍADAS. O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA A China ganha manchetes nos meios de comunicação do mundo todo, não por ser o país mais populoso do planeta ou pelo seu espetacular desenvolvimento econômico dos últimos anos, mas por ser a sede da 29ª edição das olimpíadas de 2008. Os jogos olímpicos nasceram no berço da filosofia e da democracia do ocidente – a Grécia - no ano 776 a.C. na cidade de Olímpia. Foi interrompida no ano 393 d.C., por decreto do imperador romano Teodósio, e reativada pelo Barão Pierre de Coubertin em 1896, em Atenas, transformando-se no maior espetáculo da planeta azul. Além das provas esportivas, haverá um desfile de valores e cores, usos e costumes, etnias e classes sociais, ritmos e idiomas, religiões, profissões e tradições. O marketing, as estratégias e as táticas serão bandeiras organizacionais. As olimpíadas representam a mais bela manifestação cultural da espécie humana. Os avanços da medicina esportiva, as descobertas científicas e as inovações tecnológicas produzirão efeitos especiais em mais um lance da arquitetura da Paz entre os povos. Como exemplo, citamos a evolução dos meios de comunicação através dos jogos olímpicos da era moderna: Atenas (1896), telégrafo; Paris (1924), rádio; Berlim (1936), cinema; Helsinque (1952), placares eletrônicos; Roma (1960), televisão e telex; Tóquio (1964), cronômetros eletrônicos e células fotoelétricas; Munique (1972), transmissão de TV via satélite e em cores; Seul (1988), fax; Atlanta (1996), telefone celular e em Sydney (2000), Internet. Nenhuma manifestação social, econômica, cultural, política ou religiosa consegue globalizar todos os segmentos da sociedade internacional como esse evento singular. Entre as dezenas de modalidades encontramos no vôlei a expressão maior do espírito de equipe, o que nos leva a refletir sobre a necessidade de abandonarmos a gestão solitária e vivenciarmos a gestão solidária. Se concordarmos que “os movimentos realizados em conjunto pelos jogadores são chamados de tática”, concluiremos que é o vôlei que evidencia esse princípio de gestão com maior intensidade. A maioria dos pontos é resultado da logística dos três toques. Das provas de atletismo – o “DNA” das olimpíadas – em que os atletas participam tendo ao lado os seus adversários, destacamos a corrida de revezamento (4x100) com bastão. Desta modalidade tiramos a lição de que as maiores perdas nas empresas residem na “passagem de bastão” entre os vários departamentos, principalmente, por falhas de comunicação – “o calcanhar de Aquiles” – da gestão. Uma das mais fascinantes provas é a corrida dos 100 metros rasos, que faz o mundo conhecer o filho do vento – o homem mais veloz da terra. 20


Ele treina durante quatro anos, para vencer uma prova em menos de dez segundos. Esta é maior evidência de que o aperfeiçoamento continuado agrega valor. Revelamos a resposta que um atleta deu ao repórter, quando perguntado sobre quem será o seu maior adversário em Pequim. Ela veio como uma flecha certeira: “Eu mesmo. Tenho que superar a mim mesmo. Sou o meu único adversário”. Assim, cada um de nós deve encarar a vida. A nossa limitação encontra-se em nossa mente. Para conseguir a superação alguns entendem que a palavra chave é determinação, outros pensamento positivo e, para muitos, o segredo está na fé. Todos os esportistas que estarão na China são tecnicamente exemplares, mas somente os excepcionais gravarão, com letras douradas, seus nomes na história, provavelmente, por um detalhe – o equilíbrio emocional. Na “olimpíada da vida” uma carreira bem sucedida pode estar numa pequena diferença, por exemplo, “na beleza de ser um eterno aprendiz”. Como homenagem à Grécia de todos os tempos encerramos com a “frase imortal” do célebre filósofo Aristóteles (384-322) a.C: - “Só fazemos melhor aquilo que repetidamente insistimos em melhorar. A busca da excelência não deve ser um objetivo e, sim, um hábito.”

A GAZELA E O LEÃO Quando o sol rompe no horizonte africano e começa a clarear a sua imensa savana, dois animais, a gazela e o leão, têm os seus instintos despertados para as três principais tarefas de suas vidas – correr, correr e correr. A gazela, para não ser devorada pelo leão, e este, para saciar a sua fome. Esta é a lei que a natureza destinou à sobrevivência das espécies. Embora seja possível fazer uma analogia entre esse cenário e o mundo dos negócios, preferimos destacar a importância das parcerias estratégicas empresarias, que podem fazer parte do conceito da “teoria da extensão”, desenvolvido pelo sociólogo canadense Herbert Marshalll McLuan (1911-1980). Desta nossa linha de pensamento um dos modelos exemplares encontra-se na indústria automotiva, onde as gigantescas montadoras dependem da competência de um sem número de fabricantes de autopeças. Além deste segmento,vários outros oferecem espaços para que as empresas de menor porte peguem carona na exportação de produtos,contribuindo para a elevação do superávit da balança comercial. As certificações de normas técnicas fazem parte da garantia da qualidade. No comércio esse fenômeno também se faz presente, principalmente nos sedutores shopping centers, onde as lojas âncoras 21


e os pequenos negócios se beneficiam, reciprocamente, da praticidade oferecida à massa consumidora que busca produtos, entretenimento e serviços diversos. A mudança estrutural da economia provocada pela globalização,terceirização e pela escalada das demissões, nas grandes corporações, fez com que técnicos e executivos altamente qualificados migrassem para negócios menores. Estes fatores disponibilizaram mâo-de-obra, ou melhor, “cabeças-deobra” que chegaram para agregar valor ao desenvolvimento organizacional de empresas de menor porte. A esmagadora predominância numérica das pequenas empresas se constitui numa cristalina fonte de geração de empregos, hoje, prioridade emergencial zero. Os estabelecimentos de rua, pioneiros na comercialização e prestação de serviços,é uma “invenção” milenar que terá, sempre, o seu espaço no mundo dos negócios,desde que monitorados por periódicas pesquisas de tendência do mercado. A mundialmente famosa região da 25 de março, em São Paulo, é um modelo exemplar da pujança das lojas de rua.O sucesso de um empreendimento não está no seu porte, mas na competência gerencial de suas lideranças em atender as necessidades e hábitos dos clientes, e na audácia inovadora de superar as suas expectativas. A Internet, as entidades especializadas, a imprensa em geral e uma gama enorme de eventos desenvolvidos pelo mundo todo, têm demostrado como explorar oportunidades de negócios lucrativos, contribuindo para reduzir o índice de mortalidade empresarial, que ainda é elevado nesse universo. Como diferencial de mercado as micros e pequenas empresas, e os profissionais liberais, oferecem atendimento personalizado, agilidade para responder as mudanças conjunturais, facilidade de visão sistêmica à todos os funcionários, procedimentos desburocratizados, além do imbatível e indispensável calor humano. A participação em consórcios de exportação, a formação de cooperativas, as associações de artesãos,o aumento do número de incubadoras industriais, a receptividade dos supermercadistas para produtos sem tradição no mercado e a ativa participação em entidades de classe, são algumas das formas que devem incrementar esse grande negócio que se chama pequenas empresas. O novo formato organizacional da empresa competitiva sinaliza que aquela que não for receptiva às mudanças estruturais, e não investir em excelência continuada da gestão, estará ampliando a sua vulnerabilidade, pois, “quando a diretoria pensa que sabe todas as respostas, vem o mercado e muda todas as perguntas”. FUTEBOL, PAIXÃO OU PROFISSÃO? No próximo dia 29 de junho o Brasil estará comemorando o cinqüentenário da maior façanha da sua história esportiva – a 22


conquista, pela primeira vez, da Copa do Mundo de Futebol. Essa competição revelou ao mundo um garoto que, com apenas 17 anos, se consagraria com o nome de Pelé – o melhor craque de todos os tempos. A seqüência de títulos tornou a seleção brasileira (única) pentacampeã mundial, do esporte mais popular do planeta. Se dentro das quatro linhas do gramado detemos a supremacia da qualidade técnica, em termos de planejamento estratégico, organização, gerenciamento e lucratividade levamos de goleada de vários paises, principalmente dos milionários clubes europeus. Os investidores internacionais vislumbraram o efeito multiplicador do fabuloso “PIB futebolístico globalizado” transformando-o num lucrativo negócio. Do amor ao clube do coração à irresistível sedução dos euros, o garoto pobre da periferia já se definiu. Entre a honra de vestir a gloriosa camisa verde-amarela da seleção brasileira e jogar no exterior ele prefere driblar a miséria e marcar um golaço no maior adversário da população de baixa renda – a perversa desigualdade social e econômica. Garotos, que apesar de não passarem de promessas, afirmam entusiasticamente em entrevistas que, o grande sonho é vestir a jaqueta do Real Madrid, Milan, Chelsea, Lyon, Barcelona, Bayern de Munique, entre outros. O holandês Clarence Seedorf, do Milan, que já atuou pelo Real Madrid, Sampdoria e Inter (Milão), disparou recentemente para a imprensa: “Só o dinheiro manda no futebol.” Apesar da existência de alguns clubes bem estruturados, e de profissionais brasileiros competentes em gestão esportiva, o nosso maior desafio reside no baixo desempenho financeiro dos nossos campeonatos. O avanço da tecnologia, as fantásticas descobertas científicas e a evolução da medicina provocaram profundas transformações econômicas, sociais, religiosas e culturais em todos os segmentos. A gestão e a prática do futebol não foram poupadas. Administrações equivocadas, às vezes apaixonadas, outras vezes mal intencionadas levaram grande parte dos clubes a elevadíssimos endividamentos. O êxodo das nossas gratas revelações para o exterior e estádios sem condições físicas para oferecer conforto e segurança aos torcedores, são algumas das causas de rendas menores. O Brasil tem exportado,anualmente, centenas de jogadores que estão atuando em dezenas de países. A queda de público e do nível técnico, são evidentes em todas as divisões do nosso futebol. Calendário inadequado, que torna alguns clubes inativos por períodos inaceitáveis, ou que exigem excessos de jogos de outros,punições leves para faltas graves, erros inadmissíveis de árbitros, violência entre torcidas, desemprego masculino e até o excesso de jogos semanais, são fatores que desmotivam o público. Entre as iniciativas positivas das últimas décadas, destacamos 23


a criação das chamadas “Escolinhas de Futebol” que têm sido incentivadas por prefeituras municipais e pela iniciativa privada. O lema é o mesmo: “craque na escola, craque na bola”. A alternativa mais esperançosa para tornar, a médio e longo prazo, o futebol viável aos clubes, encontra-se na implementação de Centros de Excelência, cuja missão, visão, valores, e políticas objetivam formar homens, para revelar craques. Nos esportes de alto nível o emocional do atleta faz a diferença. Competência técnica, conduta ética e habilidade eclética devem fazer parte da qualificação de jovens aspirantes ao estrelato. Se essa estratégia não for 100% eficaz para vencer a concorrência com os países ricos, com certeza resultará em lucro pela descoberta, pelo aprimoramento dos fundamentos do futebol e pela orientação, sobre como construir (e manter) uma carreira bemsucedida. Concluímos com foco na realidade: o futebol é paixão para torcedores, profissão para jogadores e gestores e lucro para os investidores. CAOS NA MINHA EMPRESA Como produto de nossa vivência, no mundo das organizações, temos recebido informações sobre casos dos mais diversos, sobre empresas de todos os portes e segmentos. Entre eles destacamos um e-mail que recebemos recentemente, com o titulo: Caos na minha empresa. "Acompanho seu trabalho há muitos anos e quero parabenizá-lo por suas realizações. Aproveitando a oportunidade gostaria de ter sua opinião sobre o seguinte assunto: como podemos vencer o desânimo, a indiferença e a falta de iniciativa dos funcionários? Eu tenho uma loja de moda feminina (em...) e estou enfrentando sérias dificuldades. Sempre procurei fazer boas contratações, registro os funcionários a partir do momento em que são admitidos e pago salário de mercado mais 3% de comissão sobre as vendas (o mercado paga 1,5%). Fiz vários treinamentos em vendas mas os resultados não têm sido satisfatórios. A loja é muito boa, atualizada, tem produtos diferenciados e os preços são atraentes." Como reverter essa situação? O primeiro passo é planejar um criterioso diagnóstico, utilizando o processo dos 7Ms (sete emes): mercado, mão-de-obra, método, máquinas, materiais, meio ambiente e medição, para que possamos descobrir a causa (ou causas) dos problemas que estão fragilizando a organização. Em termos de mercado o que destacamos é a marcha acelerada da "globalização verde-amarela", ou seja, grandes redes varejistas abrindo filiais em cidades do interior do Brasil. Com maior poder de fogo mercadológico, enorme variedade de produtos, moderna logística de entrega, facilidade de crédito e vendedores altamente motivados, elas têm destronado uma parcela de lojistas tradicionais. Locar, ou 24


vender, o imóvel são opções que precedem o encerramento das atividades. Um atento passeio pelas principais ruas do "centro velho" das cidades, revela claramente esta nossa afirmação. Em nossa cidade (350 mil habitantes) não tem sido diferente. Ainda neste ano, mais uma casa comercial centenária encerrou suas atividades. Também no setor agrícola pode-se notar esse fenômeno. Empreendimentos que exigem grandes áreas para plantação ou criação, acabam adquirindo pequenas propriedades. Cidades próximas as grandes metrópoles como Jundiaí, que está a 50 km de São Paulo, estão sendo alvo estratégico para a construção dos atraentes condomínios residenciais. As incessantes, e profundas, transformações provocadas pelas incríveis descobertas científicas e pelo voraz avanço da tecnologia, são fatores que podem fazer a diferença no mundo dos negócios. Exemplo? O lançamento da chamada "etiqueta inteligente" para supermercados, ou seja, o equivalente ao "sem parar" dos pedágios. Ela vai aposentar o código de barras e provocar os seguintes resultados: praticidade para a consumidora e desemprego para a massa trabalhadora. A praticidade é o "produto" que mais seduz a mulher. Concorrência é isso. Vacilou...quebrou. Outro fator que merece uma profunda reflexão é a mão-deobra. Quando adequadamente qualificada, ela prefere trabalhar em empresas que ofereçam plano atraente de carreira, horizontalização de informações, clima organizacional prazeroso, sistema de incentivos motivacionais e crescente grau de descentralização de poder, de participação nas decisões e ganhos em produtividade. Profissionais empreendedores buscam empresas que tenham clareza de visão, missão, valores,normas de procedimento e políticas para o desenvolvimento de projetos sociais e ambientais. Eles sãos apaixonados por desafios e defendem o seguinte lema: nesta empresa todas as normas podem ser questionadas, menos esta. Empreendedor não é aquele que tem faro para as tendências, mas aquele que gera tendências. Estamos convencidos que estratégico (mesmo) é investir em gente, pois a mente humana é o único fator capaz de produzir riquezas. Ah! A mente é como paraquedas – só funciona quando aberta. "E AGORA, JOSÉ?" Natal, reveillon, férias, carnaval..."E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora,...você? (Carlos Drummond de Andrade – 1902-1987). O mundo dos negócios tem sido extremamente competente em criar marketing específico para cada um dos meses, cujo objetivo maior é aumentar o lucro das empresas. Essa estratégia deve beneficiar, também, o aspecto social com geração de mais empregos, aumento 25


da massa salarial, melhor distribuição de renda e, conseqüentemente, a elevação da qualidade de vida da população de baixa renda. Que a mesa farta de poucos, não represente a falta na mesa de muitos. Que o mundo sempre melhorou materialmente, é uma constatação óbvia, porém, e o lado familiar, social, espiritual, enfim, como anda o nosso interior? As descobertas científicas e as inovações tecnológicas levaram o homem às profundezas do oceano, o arremessou ao espaço sideral e o fez pousar na lua, porém ainda foram insuficientes para que o ser humano superasse o seu maior desafio - melhorar o relacionamento interpessoal e conquistar a tão sonhada Paz mundial. A ambição desenfreada, a disputada sórdida pelo poder e o domínio de recursos naturais, que o homem recebeu gratuitamente de Deus, mas que insiste em vender por preços, que apenas parte da população mundial tem condições de adquirir, são algumas das causas de insatisfação popular que assolam o planeta, inclusive em países do chamado – primeiro mundo. Esta constatação deve despertar a nossa percepção para que, embora as nossas necessidades básicas sejam as mesmas, são as valores subjacentes que caracterizam a nossa individualidade. A coexistência harmônica entre o material e o espiritual, entre o racional e o emocional é possível, porém ela somente ocorrerá quando o homem renunciar a obsessão de dominação que comanda a mente de grande parte das lideranças mundiais. Para a classe empresarial eventos como o Natal podem ser estratégicos para introduzirem a leitura da Bíblia (por exemplo) por parte de seus funcionários, onde irão encontrar referências singulares sobre missão, visão, valores e normas de procedimentos capazes de levar as organizações à excelência de gestão. Noé, Moisés e José, do Egito, são algumas referências bíblicas que abordam aspectos de planejamento estratégico e de execução de planos de ação. A descentralização do poder, o trabalho em equipe, a comunicação interativa, o reciclagem sistêmica do conhecimento e, até, processos operacionais e administrativos para normalização dos procedimentos, estão contidos nessa livro sagrado. Depois da implementação dos programas de qualidade, normas técnicas internacionais (ISO 9000 e 14000), excelência no atendimento ao cliente e de projetos sociais do Terceiro Setor, é chegada a hora da ousadia - implementar um sistema focado na espiritualidade. Objetivos da empresa e necessidade dos funcionários deverão nortear o estudo desse programa. Convencidos de que somos muito mais ignorantes do que pobres, vemos na educação – "Processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando a sua melhor integração individual e social" – o único caminho sustentável para que possamos viver numa sociedade mais igualitária 26


economicamente e mais justa socialmente. Aos governantes cabe a responsabilidade de estabelecer políticas públicas para que esses objetivos sejam atingidos, pois eles representam o maior anseio da população – inclusão social - que deve ser representada por condições dignas – sinônimo de cidadania. Para nossa reflexão deixamos a célebre frase do pastor e ativista político estadunidense, Martin Luther King (1929-1968): "O que preocupa não é o grito dos violentos, nem o barulho dos corruptos, dos sem-caráter ou dos sem-ética. O que preocupa é o silêncio dos bons." MENS@GEM PARA VOCÊ O titulo acima pertence ao filme estrelado por Tom Hanks e Meg Ryan que, via Internet, passam a vivenciar um relacionamento virtual, porém a história tem como cenário o mundo de negócios, deixando uma exemplar lição sobre competitividade. Vale a pena assistir pelas duas motivações: romance e empreendedorismo. Poderíamos resumir o enredo como... não somos desmanchaprazeres – busque o filme. A dança da liderança, no mundo dos negócios, faz parte dos negócios do mundo. Estudos e pesquisas revelam que um significativo número de empresas, que dominaram o mercado, há algumas décadas, não ostentam mais a privilegiada posição no ranking "dos monstros sagrados" da economia. Algumas delas até desapareceram. No setor bancário a visibilidade é bem evidente. No momento, a referência da ineficiência encontra-se na aviação comercial brasileira. Gerenciamento ineficaz, por parte do governo, deficiência das empresas aéreas no atendimento aos usuários e malha aeroviária inadequada são evidências que tem feito parte do noticiário nacional. O conjunto de fatores que geram a excelência em gestão pode ser resumido em 7Ms: mercado, método, meio ambiente, medição, material, máquinas e mão-de-obra, este chamado por nós de "cabeças-de-obra". Os caçadores de talentos têm garimpado, no mercado de trabalho, profissionais com competência técnica, conduta ética e habilidades ecléticas, que podem ser traduzidas por liderar, motivar e comunicar eficazmente. Bernardinho, o técnico da seleção (campeã mundial) brasileira de vôlei, é um grande exemplo do momento. Apesar das normas técnicas de padronizações de procedimentos, que as empresas têm implementado, o desafio reside na comunicação interpessoal, pois cada relacionamento é único, é singular. O sorriso ainda é a menor distância entre duas pessoas. Assim como a invenção da imprensa, a Internet provocou uma gigantesca revolução, consolidando a globalização dos meios de comunicação. Estamos convencidos de que, em determinadas circunstâncias, a tecnologia aproximou as distâncias, mas distanciou 27


as proximidades. A comunicação está para as empresas assim como a corrente sangüínea está para o organismo humano. Qualquer falha pode provocar o que denominamos de "AVC organizacional". Ele pode ser fatal ou deixar marcas indeléveis para a imagem da empresa. Investimentos em melhoria contínua de processos fazem parte da vantagem competitiva, porém alem de atender as necessidades dos consumidores, é preciso superar as suas expectativas, encantando-os, como apregoava Peter Drucker. Excelência no atendimento aos clientes, e no relacionamento com os não-clientes, pode ser o diferencial da empresa, já que a tecnologia está deixando os produtos (da mesma linha) cada vez mais parecidos. Esta constatação nos leva a crer que "marketing não é uma batalha de produtos, mas sim um guerra de percepção". Nos serviços públicos, com raras e honrosas exceções, o atendimento à população é, no mínimo, desrespeitoso. Os exemplos estão aí, principalmente na saúde pública. O sucesso do SACC – sistema de aprimoramento contínuo da comunicação – exige transparência no intercâmbio de informações e experiências com os clientes, fornecedores, com a comunidade e com os "clientes-internos", ou seja, os funcionários. Como exemplo de sucesso empresarial, indicamos mais um filme. Em Bagdá Café aparece um casal, que ao fazer turismo nos EUA, se desentende e cada um toma um rumo diferente. A mulher caminha pela estrada e, depois de muito caminhar, encontra um posto de combustíveis, que se encontrava em acentuada decadência e daí, ela começa a.... é melhor assistir o filme. Como mens@gem final para você, destacamos o bordão de um dos mais espetaculares comunicadores da televisão brasileira, Abelardo Barbosa (1917-1988), o Chacrinha, que dizia: quem não se comunica, se trumbica.

REFERÊNCIA EM VOLUNTARIADO No rastro da globalização as empresas, de todos os portes e segmentos, sentiram a necessidade de investirem em excelência de gestão, afim de tornarem-se internacionalmente competitivas. Sistemas de melhoria da qualidade, aumento da produtividade e redução de custos foram implementados para encantar os clientes, aumentar a lucratividade e dar melhores condições de trabalho aos funcionários. Vencida essa etapa elas focaram o marketing social aplicação de recursos em programas de responsabilidade social, incentivo ao voluntariado e criação de ONGs, no campo da inclusão social e na preservação do meio ambiente. Consolidava-se assim o 28


Terceiro Setor. Neste segmento o destaque vai para a SSVP – Sociedade São Vicente de Paulo – fundada há 174 anos (1833), na França, por Antonio Frederico Ozanam (1813-1853), tendo, hoje,presença em 135 países. Quantas empresas conhecemos com essa pujante longevidade? Em Jundiaí, o movimento vicentino, referência mundial em voluntariado, teve início há mais de um século, precisamente em 1897 com a fundação da primeira Conferência (célula mater da SSVP) N.S.do Desterro, na Catedral. Entre as atividades dos vicentinos (e vicentinas), dedicadas á população jundiaiense, destacamos: Hospital São Vicente de Paulo (1900), Cidade Vicentina (1939), a administração do Cemitério Parque dos Ypês e do estacionamento do velório central, vários dispensários que distribuem alimentos, roupas, etc, para os assistidos, paróquia Beato Frederico Ozanam, tradicional coleta nos portões dos cemitérios, em Finados e mais de uma centena de Conferências. A Av. Antonio Frederico Ozanam, com seus 12 quilômetros de extensão, a mais longa da cidade e a praça Ozanam (1949), são tributos da cidade á essa sociedade leiga sem fins lucrativos. A inabalável fé cristã e uma sólida estrutura administrativa foram as principais responsáveis para que a SSVP vencesse o desafio das profundas transformações científicas, tecnológicas, sociais, econômicas,religiosas e culturais, ao longo dos 174 anos de sua exemplar trajetória. Para ser mais explícito destacamos o questionamento que um fariseu fez a Cristo, e está narrado em Mateus (22, 36-40) – “Mestre, qual é o grande mandamento na Lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande primeiro mandamento, O segundo, semelhante a este é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”. Ozanam, que fundou a SSVP quando tinha apenas 20 anos, foi um homem dotado de elevado grau de inteligência, tendo sido, inclusive, professor da Universidade de Sorbonne. Vida espiritual exemplar e aguçado espírito empreendedor o tornaram um autêntico profeta do Terceiro Setor. A busca da santificação própria, através da prática dos mandamentos de Deus e da Igreja, a missão evangelizadora e o resgate da cidadania do próximo representam os sólidos alicerces das atividades vicentinas. Elas têm sido enriquecidas pelo prática das três virtudes teologais: fé, esperança e caridade e das quatro teorias humanas ou morais: prudência, justiça, fortaleza e temperança. A escolha de Ozanam pela caridade é referência divina, pois segundo São Paulo (Colossenses 3, 14), “Mas, sobre tudo isto, revesti-vos de caridade, que é o vínculo da perfeição”. É através da prática da caridade que vamos demonstrar o nosso amor à Deus e ao 29


próximo. O movimento de voluntariado, também conhecido como de responsabilidade social, é um caminho adequado para a conquista da tão sonhada Paz mundial. Apostando na ousadia dos empreendedores esperamos que, além do marketing social, as empresas abracem o marketing espiritual, para que possam agregar valores nãotecnológicos e não-econômicos, à cultura organizacional. Será viável? É crer para ver. NO RONCO DAS MOTOS Da irresistível paixão pela lendária, e centenária, HarleyDavidson, aos crescentes negócios de empresas de motoboys, as motos, das mais variadas marcas, têm escrito histórias dignas de clássicos filmes de Hollywood. ”A primeira motocicleta foi fabricada em Milwaukee, (EUA-1903) pelos dois jovens William S. Harley, de vinte e um anos, e seu amigo, Artur Davidson. Desse modelo, cuja única suspensão eram as molas do selim, foram fabricadas trinta e oito motocicletas entre 1903 e 1905”. A poderosa indústria cinematográfica norte-americana, vendedora de estilo de vida, ajudou a consagração mundial da marca com filmes como: O Exterminador do futuro 2, O Selvagem e Sem destino. “Qualquer trajeto a bordo de uma Harley, por mais simples que seja, é um ato de rebeldia. Qualquer brisa é um vento de liberdade” define o historiador inglês John Monikki. Do romantismo Da Harley-Davidson à outras marcas de competição esportiva, do passeio de casais apaixonados aos apressados motoboys (ou motogirls), da suavidade do asfalto à agressividade das manobras radicais da mítica prova Paris-Dakar, da simples entrega de uma saborosa pizza ao transporte de um importantíssimo documento, elas representam, hoje, precioso valor agregado na logística do globalizado mundo dos negócios. Baixo custo operacional e singular agilidade na entrega fizeram delas um fator indispensável para o aumento da produtividade – fazer cada vez mais, e melhor, com cada vez menos, menos tudo – e, para a melhoria da qualidade, – adequação ao uso com satisfação do cliente. Resultado: a praticidade gera maior lucratividade – remuneração do capital investido. O seu uso é extremamente democrático, pois, sem preconceito de etinia, faixa etária ou credo religioso elas circulam em todos os paises e integra a cadeia de suprimentos de organizações de todos os portes e segmentos, como elo interativo da logística. Esta apresenta-se como “ferramenta” do processo operacional do porto de Rotterdam (Holanda), o maior do mundo ou em qualquer outra atividade empresarial. Embora a logística tenha ganho destaque especial nas últimas décadas, a história nos revela que a sua existência data de milênios, principalmente, ligada aos grandes conquistadores da história, como por exemplo Alexandre, O Grande. 30


O deslocamento de tropas militares, por longos períodos, sempre exigiu um exemplar planejamento estratégico em abastecimento. Para o mundo empresarial a logística significa “o gerenciamento do fluxo de material e de informação, o que possibilita ter o produto certo, na quantidade certa, no tempo certo, no lugar certo,nas condições previamente estabelecidas e, ao mínimo custo”. Presente em todas as etapas do circulo da qualidade de produtos, e da prestação de serviços, a logística é sinônimo de praticidade: “produto” dos mais sedutores para as mulheres, face ao nosso estilo de vida que elas geraram. A necessidade das empresas focarem, “cirurgicamente”, o seu negócio, proporcionou o incremento de um novo setor: a terceirização e, até a quarteirização.Um dos exemplos mais significativos encontra-se nas modernas plantas das montadoras de veículos, hoje, um autêntico shopping center de auto-peças – onde elas são “ancoras” - e os fornecedores,geograficamente próximos, as vezes na mesma área física, - empresas satélites. Na era da infovia, a competitividade mundial exige excelência na gestão dos produtos e serviços da iniciativa privada e dos investimentos governamentais em infra-estrutura. Os recursos humanos representam a diferença no desempenho da logística, pois simbolizam a única “matéria-prima” que gera riquezas - a inteligência humana.Estamos convencidos de que a moto criou um mundo de negócios, dentro dos negócios do mundo.Ah!, na “Logística Emocional” imbatível mesmo é o sorriso – a menor distância entre duas pessoas. ISO 14.000 E A PEGADA ECOLÓGICA A palavra grega ISO, que significa igualdade, é a sigla da International Organization for Standardization, ou seja, Organização Internacional para Normalização, fundada em 1947, e localizada em Genebra, na Suíça. Trata-se de uma entidade não-governamental que edita uma série de normas técnicas, reconhecidas internacionalmente, que visam padronizar e melhorar a qualidade de produtos e serviços de empresas do mundo todo. Milhares de empresas, de mais de uma centena de países, têm investido na busca de um Certificado de Qualidade ISO. Ela pode ser entendida como: – escreva o que e como você faz, e faça como você escreveu. Do elenco de normas existentes daremos destaque, nesta oportunidade, para a ISO14.001 – Sistema de Gerenciamento Ambiental –, que objetiva prevenir, eliminar ou minimizar os efeitos nocivos ao meio ambiente causados por empresas privadas e públicas. Os passos para a implementação desta norma estão assim definidos: 1.) Comprometimento e definição da política de meio ambiente – 2.) Planejamento do sistema de gestão ambiental (SGA) – 3.) Implementação do SGA – 4.) Medições e avaliações e, 5.) Revisão e melhorias contínuas. Conscientizar, envolver e 31


comprometer – do presidente ao servente – é de fundamental importância para que o SGA atinja as metas pré-estabelecidas. Acompanhar rigorosamente, e validar, cada uma das etapas do processo operacional da fabricação de produtos, e da prestação de serviços, é procedimento obrigatório para garantir o equilíbrio do meio ambiente e a melhoria continuada da qualidade de vida. Para que o SGA seja bem-sucedido é recomendável fazer um diagnóstico através do diagrama dos 7Ms: 1)mercado, 2)mão-deobra, 3)matéria-prima, 4)máquinas, 5)método, 6)medição e 7)meio ambiente. Essa análise crítica nos levará a reduzir as possibilidades de poluição, reutilizar parte do que já foi usado, reciclar todo tipo de sucata e reinventar novos processos operacionais para a fabricação de produtos e prestação de serviços. A agressão ao meio ambiente é, também, um desrespeito à massa consumidora, que está tendo a sua percepção despertada para recusar produtos e serviços de empresas ecologicamente incorretas. Os gravíssimos problemas que estão ocorrendo com o aquecimento global não devem ser atribuídos apenas á uma parcela da classe empresarial, pois os governantes, também, têm a sua parte de responsabilidade na degradação do meio ambiente. Políticas públicas ineficientes, fiscalização insuficiente, investimentos em saneamento básico aquém das necessidades, excesso de burocracia e corrupção, são fatores da mesma equação – ações públicas eficazes. Além da iniciativa privada e dos órgãos públicos cabe, a cada um dos seis bilhões e seiscentos milhões de habitantes do planeta azul, a sua cota de responsabilidade pela preservação do meio ambiente. Combate de desperdício de toda espécie, redução do volume de lixo, coleta seletiva, jogar o lixo no lixo, incentivos á cooperativas de coleta e implementação da CIPRAM – Comissão Interna de Preservação Ambiental são medidas indispensáveis á qualidade de vida. A educação pode contribuir para que tenhamos maior consciência sobre a chamada - Pegada Ecológica, que significa o “quanto da terra produtiva, área florestal, energia, habitação, água, mar, urbanização e capacidade de absorção dos dejetos cada pessoa necessita, para viver de forma minimamente digna. A esse conjunto de fatores, Martin Rees e Mathis Wackermagel, deram o nome de pegada ecológica, cujo estudo indica 2,8 hectares para cada pessoa”. Numa simples reflexão sobre alguns textos da Bíblia (Gênesis 1, 24-31 + 2,1-19 e Deuteronômio 8,7-10), podemos encontrar referências sobre a preservação do meio ambiente, desenvolvimento sustentável do ser humano e a destinação social dos recursos naturais da terra. Ah! A natureza não reclama dos maus tratos – vinga-se.

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FÉ E RH DAS EMPRESAS Uma das mais célebres frases da história da humanidade é ver pra crer – que, segundo a Bíblia, é atribuída a incredulidade de Tomé, um dos doze apóstolos de Cristo, quando soube da ressurreição do Mestre. Como Tomé errou, preferimos o - crer pra ver - mas, para acreditar, é de fundamental importância que saibamos o significado da palavra Fé. “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem.” (Hebreus, 11, 1). O cristianismo a tem como uma virtude teologal. Napoleon Hill,em seu livro A Lei do Triunfo, considera a fé como o maior dos milagres, citando exemplos de descobertas científicas e inovações tecnológicas que somente ocorreram graças à crença de inventores, cientistas e pesquisadores. Pensamento positivo, confiança no próprio talento, poder da mente, inteligência emocional e outras expressões semelhantes são, na sua essência, manifestações de fé. A mídia tem mostrado casos de pessoas com necessidades especiais,que acabaram provando que a deficiência não é, obrigatoriamente, causa da ineficiência. A extraordinária capacidade de superação do Ser humano nos mostra que o nosso destino está em nossas mãos. Desculpe, em nossa mente. Uma das situações mais constrangedoras e indignas, da atualidade, é a excessiva desigualdade econômica e social mundial – chaga viva da sociedade contemporânea – que, deve ser minimizada através de políticas públicas, marketing social das empresas e ações de solidariedade dos movimentos comunitários. Esses movimentos do Terceiro Setor, conhecidos pelos projetos sociais desenvolvidos por voluntários, são movidos pela espiritualidade, cidadania e responsabilidade social dos integrantes das ONGs. Uma dessas entidades, a SSVP, – Sociedade São Vicente de Paulo - completa neste ano 174 anos de existência, com atuação nos cinco continentes. Antônio Frederico Ozanam (1813-1853), professor da Universidade de Sorbonne (França), fundou-a quando tinha apenas 20 anos de idade. A longevidade da SSVP é referência mundial, não apenas em inclusão social, pois, sem perder a sua identidade, soube se adequar às profundas transformações que a humanidade sofreu nestes dois últimos séculos. A recente compra da Varig – oitenta anos de excelentes serviços prestados – pela Gol, com apenas seis anos em operação, ratifica a notícia de que, após 32 anos, só 23,4% das empresas mantêm o “status” no ranking das 500 maiores do Brasil. Estudo mostra que 383 dessas companhias, de 1973 a 2005, não conseguiram manter sua igual importância no mercado. Este fato não é exclusividade do nosso país. A liderança mundial assumida pela Toyota tornando-se a maior montadora do planeta, ao ultrapassar a produção da GM que estava a frente do mercado havia 70 anos, é 33


mais do que uma evidência objetiva. Esses fatos consagram a máxima: quem vacila na assistência, perde pra concorrência. Essa assistência deve ter como ponto de partida o gerenciamento de recursos humanos das organizações. A satisfação total do cliente é conquistada pelas empresas que colocam o funcionário em primeiro lugar, pois estratégico mesmo... é investir em gente. O clima organizacional que encanta os funcionários, e aumenta a lucratividade, pressupõe comunicação sistêmica, horizontal e transparente e um sistema de incentivos motivacionais que respeite os valores humanos e dê oportunidades (iguais) para que os colaboradores possam desenvolver o seu potencial. Os gestores de pessoas devem possuir competência técnica, conduta ética, habilidade eclética e liderar de forma compartilhada e interativa. Concluimos que se, além da utilização da tecnologia disponível, da aplicação dos princípios da excelência em gestão e dos recursos da infovia, lêssemos, refletíssemos e vivenciássemos os ensinamentos contidos na Bíblia, teríamos mais momentos felizes e, conseqüentemente, seriamos mais prósperos. JUNDIAÍ DE TODOS OS TEMPOS Estivemos, recentemente, ministrando uma palestra em homenagem à Mulher Ferroviária, em atenção ao honroso convite que recebemos da direção do Museu Ferroviário da Cia. Paulista. Além de algumas dinâmicas, exibição de DVD e da nossa apresentação, enriquecida com um CD com slides que montamos, apresentamos um texto de recordações do cotidiano da nossa cidade. Iniciamos assim: "Se você...dançava boleros, no Grêmio CP, ao som das orquestras City Swing e Universal...ia às quermesses da Cruzada, no pátio da Igreja São Bento...comprava sapatos na Vencedora,...fazia footing na rua Barão de Jundiaí, ao lado da Catedral N. S. do Desterro...era freguês da Farmácia Martins...foi à inauguração do Bolão...lia o jornal A Comarca...foi aluna (o) do professor Anselmo Mazzola e, da sua esposa, professora Oscarlina Mazzola...fez piquenique, pescou ou nadou na lagoa Vila Iracema...passou em frente ao Hotel Petroni...ia a procissão de sexta-feira da Paixão, que tinha o acompanhamento da Banda do Maestro Mário de Souza...tomava Café Avenida...assistiu missas celebradas pelo Monsenhor Ricci...era paciente do Dr. Nicolino de Luca...se lembra da administração do Prefeito Vasco Antonio Venchiaruti...corria pra dentro de casa, e fechava as portas, quando a boiada passava rumo ao matadouro...se lembra da visita dos alunos do Liceu (salesiano) N. S. Auxiliadora, de Campinas, em 09 de outubro de 1952...assistiu filmes no Cine Ideal...comprou peças de vestuário no Rei das Roupas Feitas... conheceu o chafariz da Vila Arens...levava sapatos para o Sr. Onofre consertar...foi à inauguração 34


do Viaduto da Ponte São João...fez compras no Mercado Municipal, hoje Centro das Artes Glória Rocha...,.e assistiu jogos do Paulista F.C., quando o campo era em frente ao Velório, dê graças a Deus por estar aqui, hoje." O aceno de cabeça, o sorriso nos lábios, o brilho nos olhos e a alegria pelas doces lembranças, durante o desenrolar das citações acima, evidenciaram que a beleza, também, pode estar nas rugas do rosto, no branco dos cabelos, na voz pausada ou nas passadas lentas da terceira idade. Pra você, que está nos prestigiando com a leitura deste texto e vivenciou algumas estas situações e, tantas outras que poderiam estar aqui destacadas, apresentamos as nossas desculpas por não serem mencionadas por absoluta falta de espaço. O Museu da Cia. Paulista de Estradas de Ferro tem uma importância singular para a vida da nossa cidade, pois ele é "a testemunha ocular da história" das transformações econômicas, sociais, sindicais e culturais de Jundiaí, e de grande parte do interior do estado de São Paulo. Ligando cidades, fazendo circular riquezas e transportando pessoas, o trem teve papel significativo na logística dos tempos idos. Esse meio de transporte, negligenciado pelos governantes brasileiros, tem até hoje,máxima importância para a economia dos países desenvolvidos. Da antiga "Maria Fumaça" ao supermoderno Trem Bala que "voa" a 300 quilômetros por hora, a ferrovia mantém a sua importância, hoje, com o valor agregado da tecnologia da nova estrada - a infovia. Registramos, como justo reconhecimento, o sucesso de empresas genuinamente jundiaienses que, graças ao espírito empreendedor de seus executivos, há décadas desenvolvem o progresso da indústria, do comércio, da prestação de serviços e da nossa agricultura, principalmente do cultivo da uva, - legado da saga dos imigrantes italianos. Não há necessidade de destacar nomes, pois a massa consumidora sabe reconhecer as organizações que investem em excelência de gestão. O poder público e a iniciativa privada da cidade souberam vencer o desafio das descobertas científicas, das inovações tecnológicas e da globalização, posicionando Jundiaí como uma das mais pujantes cidades do Brasil. Visitar um museu é ratificar a certeza de que o passado estará sempre presente no nosso futuro. MULHER, ESTILO DE VIDA A destinação do mês de março para a justa comemoração do Dia Internacional da Mulher, nos dá a oportunidade de destacar os avanços que as mulheres conquistaram em todas as atividades humanas. "Eu criei um estilo para o mundo inteiro. Vê-se em todas as lojas o "estilo Chanel". Não há nada que se assemelhe. Sou escrava do meu estilo. Um estilo não sai da moda; Chanel não sai da moda". Não resta dúvida que, Gabrielle Bonheur "Coco" Chanel 35


(1883-1971), revolucionou a década de 20, libertando a mulher dos trajes desconfortáveis e rígidos do final do século 19. Foi com ousadia, criatividade e empreendedorismo que esse verdadeiro mito do mundo fashion legou à mulher contemporânea um novo estilo de vida. Ela viveu décadas à frente de seu tempo. Apesar das mulheres terem quebrado barreiras, ultrapassado fronteiras e vencido limites nas carreiras, a novela ainda terá muitos capítulos. Os desafios do dia-a-dia são representados pelo machismo, assédio sexual e moral, salários inferiores aos dos homens, dupla jornada de trabalho, constrangimento nos coletivos urbanos e violência no lar, fatores inibidores ao desenvolvimento pessoal e à dignidade humana. A felicidade pode estar na "habilidade cirúrgica" em harmonizar o papel junto à família que a envolve, com o exercício da profissão que desenvolve. A mulher, mais do que o homem, tem investido em educação formal e informal. As pesquisas mercadológicas despertaram a percepção do mundo dos negócios para as necessidades mais prementes da mulher ampliando o espaço do produto que mais seduz a mulher contemporânea - a praticidade. A diversidade de ofertas nos shopping centers, os produtos alimentícios semi-preparados nos supermercados, o delevery, as facilidades via Internet, e a maior disponibilidade de serviços domésticos, fazem parte da receita especial do "poupa tempo feminino." Do glamour da celebridade à ternura da maternidade, é a comportamento da mulher a fonte inspiradora das tendências do mercado consumidor. O fantástico desenvolvimento, científico e tecnológico, tem provocado freqüentes e radicais transformações reservando o sucesso sustentado aos que tiverem a capacidade de adaptação à realidade. Algo análogo aos princípios da teoria evolutiva do naturalista britânico, Charles Robert Darwin (1809-1882). Senso de organização, planejamento, controle do (escasso) orçamento do lar e a simpatia no relacionamento inter-pessoal, fazem parte da receita vitoriosa da mulher, seja ela dona de casa ou astronauta da Nasa. Entre as causas do avanço feminino no mundo dos negócios destacamos o seu mérito pessoal, a escalada do desemprego que atingiu a massa trabalhadora masculina, o sonho da independência financeira e o desejo natural de assegurar melhor qualidade de vida à família. Foi fundamental a convicção de que poderiam desempenhar, com a mesma eficácia e dignidade, tantas outras atividades laborativas como as que sempre executaram no lar - as quais nunca abandonaram. Todos esses sonhos, não foram suficientes para que perdessem a capacidade de se indignar, e agir, na busca incessante de metas comunitárias: sociedade mais igualitária socialmente, mais justa economicamente e mais fraterna. O essencial, para homens e mulheres, é a consciência de que somos da mesma natureza e que as nossas diferenças (não são 36


divergências) fazem parte da pluralidade de valores indispensáveis à edificação de uma sociedade sem preconceito, sem discriminação e sem violência – chagas sociais – que delatam o desrespeito à princípios sagrados de cidadania. Um simples olhar na carreira de mulheres bem-sucedidas nos revela que, além da competência técnica, da conduta ética e da habilidade eclética elas possuem determinação de alpinista, garra de lenhador e sensibilidade de jardineiro, o que nos leva prazerosamente a concluir, que as belas estão se tornando cada vez mais “feras”. NATAL, VALIDADE TEMPORÁRIA Presenciamos uma cena num supermercado que nos levou a uma reflexão sobre a validade temporária do espírito natalino. Estávamos na fila de um caixa e na nossa frente um garoto que, ao pedir que lhe desse dinheiro para pagar o pacote de açúcar e de café, que trazia nas mãos,teve a sua iniciativa bruscamente interrompida. Ato contínuo, ao seu pedido, surgiu um segurança bem trajado, boa aparência pessoal e avantajada compleição física que,inclinando-se para o garoto, disparou a seguinte frase: “você tem trinta segundos para cair fora da loja...29,28,27...”. Assustado, o garoto largou as mercadorias e saiu em disparada. Essa foi a constrangedora cena protagonizada por um garoto pobre e um segurança despreparado profissionalmente. No exato momento nos veio a mente o pensamento do pacifista indiano Mahatma Gandhi (1869-1948), que dizia – “a pobreza é a mais cruel das violências”. Mesmo que o garoto estivesse simulando uma eventual compra, apenas para comover as pessoas à lhe dar dinheiro, a orientação da empresa poderia ser outra. Acreditamos que o segurança agiu por pura ignorância, que o dicionário conceitua como: “Ausência de conhecimento, falta de saber, condição de quem não é instruído. Estado de quem ignora ou desconhece alguma coisa, não tem conhecimento dela.” Foi exatamente o que o funcionário demonstrou não ter, conhecimento dos mais elementares princípios de respeito ao ser humano, de cidadania e da essência dos programas de responsabilidade social, cujos resultados têm sido eficazes. Cabe as empresas capacitar à todos os seus dirigentes e funcionários, a dar soluções adequadas à cada uma das situações similares a presenciada por nós. A inadequada atitude do segurança pode ter incentivado no garoto o espírito de revolta contra a sociedade. Participar de ONGs, como voluntário em projetos de responsabilidade social do Terceiro Setor, é uma das formas disponíveis para a redução da cruel desigualdade social existente hoje no mundo. Será no relacionamentos interpessoal do dia-a-dia que vamos revelar se, realmente, estamos exercitando o mais nobre dos sentimentos - o amor ao próximo. Na família, na escola, no trabalho 37


e nas nossas atividades recreativas, esportivas e sociais temos inúmeras oportunidades de demonstrar a nossa responsabilidade social (individual) tratando as pessoas como gostamos de ser tratados - como seres humanos. Cabe ao Primeiro Setor – poder público – a responsabilidade maior de diminuir o abismo existente entre a ilha de ricos e o oceano de pobres, desenvolvendo políticas públicas que levem educação e saúde de excelente qualidade à todos os cidadãos. A elevadíssima carga tributária e as altíssimas taxas de juros bancários, préembutidas nos preços dos produtos, são os mais vorazes predadores do poder aquisitivo das pessoas assalariadas. O Segundo Setor – iniciativa privada – tem, na manutenção de um clima organizacional prazeroso, a oportunidade de demonstrar o seu respeito aos funcionários através do estilo de liderança compartilhada, programas de incentivos motivacionais, sistema de comunicação interativa, oportunidades de carreiras e salários compatíveis com a função. O comportamento ético da classe empresarial poderá minar o mais poderoso império do planeta – o Quarto Setor. O “faturamento” das atividades da chamada informalidade – representa o maior “PIB” do mundo. O tão famigerado CD pirata é apenas a ponta do iceberg de uma gigantesca “nuvem” financeira que gravita em torno da terra semeando desemprego informal,sonegação de impostos e operações comercias com elevado grau de ilicitude. A cena de discriminação ocorrida no supermercado nos leva à concluir que Albert Einstein (1879-1955) tinha razão: “é mais fácil quebrar um átomo do que um preconceito.” Ah! Em dezembro teremos mais uma (curta) temporada de espírito natalino. DOS FENÍCIOS AOS SHOPPING CENTERS No mundo empresarial, a palavra empreendedorismo tornouse griffe mundial, nas últimas décadas. Para melhor entendimento fizemos uma pesquisa na Internet e encontramos o seguinte: "A palavra empreendedorismo foi utilizada pelo economista Joseph Schumpeter em 1950 como sendo uma pessoa com criatividade e fazer sucesso com inovações. Mais tarde, em 1967 com K.Knight e em 1970 com Peter Drucker foi introduzido o conceito de risco, uma pessoa empreendedora precisa arriscar em algum negócio. E em 1985 com Pinchot foi introduzido o conceito de Intra-empreendedor, uma pessoa empreendedora, mas dentro de uma organização." A palavra empreendedor é de origem francesa: entrepreneur. A leitura do texto acima nos leva à conclusão que os fenícios preencheram todos esses pré-requisitos, tornando-se referência como empreendedores na caminhada histórica da humanidade. Colocaram em prática, há mais de três mil anos, esse moderníssimo conceito de gestão. Os fenícios viveram há 3.000 a.C., no território que hoje 38


corresponde ao Líbano, mas tiveram o seu apogeu entre 1200 a.C até 800 a.C. A pujante cidade fenícia de Tiro é citada várias vezes na Bíblia, sendo a primeira delas em Josué (19.29). Eles são referências na produção de artesanatos especiais, tais como: jóias de luxo, estatuetas, caixas de marfim, entre outros. A montanhosa, e pequena extensão territorial de terras pouco férteis, levou os fenícios a se aventurarem pelo mar Mediterrâneo, explorando a pesca e o comércio marítimo. A consciência empresarial deles era tanta, que já sabiam que o segredo é a alma do negócio. Guardavam a sete chaves as informações técnicas da construção naval e a forma como estabeleciam as rotas de comércio – atividade principal desse povo. Na "arte de entender o cliente" e vencer o maior obstáculo nas negociações com outros povos - o idioma -, deram vazão à imaginação e criaram o primeiro alfabeto fonético registrado pela história. Das 22 letras iniciais derivaram os caracteres gregos e latinos que, por extensão, deram origem ao atual alfabeto que até hoje utilizamos. Guardada as devidas proporções podemos afirmar que os fenícios inventaram "a era digital" daqueles longínquos tempos facilitando a comunicação entre povos de diferentes culturas. Foram precursores na globalização, no comércio exterior, cultivo da oliveira e estabeleceram um intenso intercâmbio de informações e experiências econômicas, sociais, religiosas e culturais. Esta é mais uma evidência de que "não existe caminho novo, o que há é uma nova forma de caminhar." As descobertas científicas e as inovações tecnológicas, responsáveis pela revolução mercadológica, nos levaram aos shopping centers, hoje, – ilha da fantasia da sociedade de consumo. Caracterizados por imponentes edificações e pela enorme diversidade de ofertas de produtos e serviços, eles conseguem encantar da criançada às pessoas de idade avançada. O estilo de vida atual, gerado pela conquista da mulher contemporânea, fez dela a mais cobiçada cliente do mundo dos negócios. É ela quem escolhe a marca da maioria dos produtos e serviços disponíveis no mercado.O "produto" que mais seduz as mulheres nos shopping centers, grande parte delas com dupla jornada de trabalho, atende pelo nome de: praticidade. Outros fatores, como qualidade no atendimento, segurança, estacionamento, berçário, limpeza e higiene, climatização, entretenimento e praça de alimentação, agregam valores diferenciados à esses gigantescos centros comerciais. Ponto de encontro da juventude nos fins semana, oportunidade para compras com tranqüilidade em determinados dias e horários e, até, local adequado para fechamento de negócios durante as refeições. Concluimos que além da economia, a sociologia e a psicologia podem explicar esse fenômeno global chamado: shopping center.

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FRUTAS E FRUTOS DO NATAL Final de ano é a época em que as empresas se preparam para fechar a contabilidade e apurar o saldo numérico de todas as transações comerciais realizadas, analisando se as estratégias planejadas no passado atingiram o desempenho esperado. As causas dos efeitos não desejados serão rastreadas com a devida abrangência, para que não voltem a desagradar acionistas, clientes, funcionários, fornecedores ou a comunidade. A imprensa mostrará, na retrospectiva anual, os acontecimentos políticos, sociais, religiosos e econômicos que abalaram o mundo e transformaram as nossas vidas. Merecerão destaque especial as descobertas científicas e as inovações tecnológicas que tornaram o homem capaz de destruir o planeta, mas o mantiveram incompetente para assegurar condições mínimas, e dignas, à população mundial. A classe política divulgará suas realizações e justificará as promessas de campanha não cumpridas, fato que corrobora para que “apesar de todos viverem sob o mesmo céu, nem todos desfrutem do mesmo horizonte”. O restrito acesso aos serviços de educação e saúde, de excelente qualidade, é o fator inibidor mais significativo para que as condições de igualdade do desenvolvimento do Ser humano sejam, ainda, apenas retóricas. Também as organizações do chamado terceiro setor, ou voluntariado de responsabilidade social, cujo movimento tem apresentado impressionante expansão, prestarão contas aos seus parceiros e colaboradores. O voluntário tem a nobreza de partilhar o mais precioso tesouro da nossa era - o conhecimento – certidão de nascimento da cidadania. De forma idêntica cada um de nós deve fazer a sua reflexão, analisando o seu desempenho pessoal na abrangência dos sete fatores motivacionais: saúde física, carreira profissional, vida familiar, espiritualidade, saúde mental, relacionamento social e o aspecto financeiro. A harmonia entre esses indicadores evidenciará se as metas que planejamos, os sonhos que acalentamos, e as ações que empreendemos foram desenvolvidas rumo ao objetivo maior de todo Ser humano – a felicidade. Interiormente, devemos verificar se nos tornamos menos arrogantes e mais tolerantes, menos professor e mais aprendiz, menos gananciosos e mais generosos, enfim, se estamos conscientizados de que os votos de Feliz Natal não devam ser, apenas, uma manifestação episódica de amor ao próximo, mas continuadas práticas de fraternidade. A própria transformação da “paisagem” nos contagia, pois as ruas, as fachadas das casas, as vitrines das lojas e, até árvores, ganham decorações especiais, luzes multicoloridas e enfeites criativos. As ornamentações dos interiores das residências, e das igrejas simbolizam o nascimento do homem que, para os cristãos, 40


dividiu a história da humanidade em antes, e depois dele - Jesus Cristo. Os especialistas em marketing disputam cada centímetro, e cada segundo da mídia, principalmente da irresistível telinha da TV.O simpático velhinho, com suas tradicionais barbas brancas e roupagem vermelha, continua sendo a grande esperança da criançada. Para os desempregados a chance de conseguir uma colocação, mesmo que temporária, para os empresários a oportunidade de maior faturamento e para o país o crescimento do PIB – o qual deve ter como missão a melhoria contínua da distribuição de renda. Até as frutas que serão consumidas no Natal fazem parte das estimativas dos especialistas em gestão, porém se não colhermos os frutos da espiritualidade, a morte na cruz terá sido em vão. Esperançosos que o espírito natalino sensibilize os nossos corações erradicando a discriminação, o preconceito e todas as formas de exclusão social – chagas ainda vivas na sociedade entendemos que a arquitetura de um mundo mais justo economicamente e mais igualitário socialmente, é condição essencial à conquista da tão sonhada Paz entre os povos do planeta azul. VICENTINOS, GENTE QUE FAZ Um dos segmentos que mais tem se destacado nas últimas décadas é, sem dúvida alguma, o voluntariado de responsabilidade social – chamado de Terceiro Setor. Religiosidade, solidariedade ou marketing social, são algumas das motivações que têm levado pessoas físicas, e jurídicas, a se engajarem em projetos que objetivam reduzir a perversa desigualdade econômica e social existente no mundo. Entre as excelentes organizações sem fins lucrativos destacamos a, quase bicentenária, Sociedade São Vicente de Paulo – SSVP – movimento católico internacional de leigos, fundada em 1833 pelo (hoje) Beato Antonio Frederico Ozanam (1813-1853), na França. Ele a criou, juntamente com alguns companheiros, quando tinha apenas 20 anos de idade. O seu elevado grau de inteligência e o seu espírito empreendedor os lavaram a tornar-se professor da Universidade de Sorbonne. Fazer da fé cristã uma filosofia de vida, buscar a santificação própria, pregar o evangelho de Cristo e vivenciar o amor ao próximo são alguns dos valores essenciais para os confrades e para as consocias vicentinas. Em Jundiai, as ações vicentinas iniciaram há 109 anos e podem ser percebidas no Hospital São Vicente, Paróquia Beato Frederico Ozanam, Cidade Vicentina, Cemitário parque dos Ypês, estacionamento do velório central, na sede do Conselho (Regional) Metropolitano, nos nomes de ruas, praça e, logicamente, nas Conferências Viventinas - célula-mater da SSVP. A atividade principal, visitas domiciliares, é planejada em reuniões de pequenos grupos (Conferências Vicentinas) , que se dedicam a promoção humana de pessoas necessitadas de recursos 41


materiais e de formação espiritual. Atuam, também, na administração de creches, hospitais, lares para idosos e outras obras afins. Presente em 135 paises (5 continentes), com aproximadamente 500 mil membros, a SSVP, na plenitude de seus 173 anos de vida é referência, inclusive para empresas da iniciativa privada. O maior tesouro das instituições, com missão focada na responsabilidade social, encontra-se no espírito de solidariedade dos voluntários, os quais nos dão uma lição exemplar de como administrar com escassez de recursos financeiros. Adequação de custos, produtividade, criatividade e qualidade na prestação dos serviços fazem parte da excelência em gestão do Terceiro Setor. Nenhuma pessoa se sujeitaria a trabalhar como voluntária para desperdiçar o seu precioso tempo – única matéria-prima que não tem reposição. Em nossa palestra no 6° Encontro (SP) Nacional dos Meios de Comunicação da SSVP enfatizamos a importância da criação do C.E.O. – Conselho Estratégico Organizacional. Ele deve ser integrado por formadores de opinião de entidades de classe, profissionais liberais, educadores e religiosos, funcionando como uma espécie de sensor das tendências mundiais. As constantes e radicais transformações científicas, tecnológicas, sociais, econômicas e culturais exigem, além de boa vontade, conhecimento multidisciplinar. Transparência na administração, planos de ação com metas claras e definidas, projetos sociais dotados de indicadores de resultados e foco na promoção humana, são indispensáveis na gestão de dinheiro de terceiros. A gestão solitária perde espaço para a gestão solidária. O C.E.O. ratificará o maior valor agregado para as instituições angariar recursos financeiros – a credibilidade. Modelo singular de credibilidade é a Fundação Bill & Melinda Gates – verdadeira multinacional da filantropia – que recebeu doação de 28 bilhões de dólares, parte da fortuna pessoal de Bill Gates, o homem mais rico do planeta, e 30,7 bilhões de dólares do empresário Warren Buffet, dono da segunda maior fortuna do mundo. A elevada carga tributária sobre transmissão de grandes heranças, nos Estados Unidos, acaba incentivando investimentos em fundações, cujas cifras anuais atingem 260 bilhões de dólares. O referido encontro foi encerrado por Dom Fernando Figueiredo, Bispo de Santo Amaro e com a elaboração da Carta de São Paulo, documento conclusivo que “delineou as principais resoluções do evento e as diretrizes para a comunicação vicentina nos próximos anos.” Os vicentinos têm como convicção espiritual as três virtudes teologais: fé, esperança e caridade. NOVO MARKETING POLÍTICO A complexidade do mundo dos negócios tem no marketing um valor agregado de grande importância, na conquista e na fidelização 42


dos clientes. “Marketing não é uma batalha de produtos, mas uma batalha de percepção”. A tecnologia está fazendo com que os produtos de uma mesma categoria, cada vez mais, se mostrem parecidos. Exemplo. Como distinguir a marca de um televisor, entre vários funcionando, sem a exibição da etiqueta do fabricante? Posicionar a marca na mente do consumidor é tarefa de marketing, pois a mente humana não registra dois primeiros lugares ao mesmo instante. As atuais determinações do Tribunal Superior Eleitoral - TSE, válidas para as próximas eleições têm, entre outros, o objetivo de reduzir o custo das campanhas, dar transparência e facilitar a controle público sobre os gastos dos partidos e reduzir a desigualdade do poder financeiro entre os candidatos. Entre essas medidas destacamos a proibição dos showmícios, a distribuição de brindes como camiseta, bonés, chaveiros, cestas básicas ou quaisquer outros tipos de bens materiais, que possam ser doados os eleitores. Também, os outdoors não mais serão meios de propaganda. Maior transparência sobre as doações, com restrições à entidades que recebam recursos públicos, e a prestação de contas pela Internet são medidas que, se não vão eliminar possíveis simulações contábeis, irão pelo menos dificulta-las. As novas regras do jogo visam erradicar o superficial e valorizar o essencial, ou seja, a biografia do candidato – novo enfoque do marketing político. O programa qualitativo e quantitativo das propostas dos partidos, é de fundamental importância para que se faça o planejamento estratégico dos anos de mandado,onde devem constar, de forma didática e pedagógica, cada um dos planos de ação. Não basta falar o que será feito, isto a sociedade já sabe: investimentos em educação, saúde, saneamento básico, infra-estrutura, pesquisa e desenvolvimento científico, segurança pública, preservação ambiental, assentamento de sem terras, moradias urbanas, geração de empregos, enfim combater a mais cruel das violências – a desigualdade econômica e social – linha divisória entre o oceano de pobres e a ilha de ricos. Os planos de ação não devem conter apenas o que será feito, mas quais as origens dos recursos, onde serão desenvolvidos, em que data serão implementados e quais os resultados sociais, econômicos, ambientais e coletivos. Estas propostas detalhadas poderão chegar ao conhecimento dos eleitores através da mídia, pela Internet e no espaço livre que os partidos têm na televisão e no rádio. Entidades de classe, faculdades, igrejas, clubes, ONGs, entre outras, devem promover debates para que o eleitor possa conhecer, analisar, comparar, refletir, julgar e decidir em quem votar. Conduta ética e competência técnica deverão encabeçar os pré-requisitos de uma candidatura. Para os que julgam que existem as pessoas simples não têm a devida compreensão, relatamos uma pequena história. Um ilustre 43


político convidou um famoso economista para fazer uma palestra e no final da brilhante apresentação do professor, o anfitrião apanhou o microfone e sugeriu que os participantes fizessem perguntas ao palestrante. Apesar da insistência ninguém se atrevia a falar, até que um cidadão,carinhosamente, conhecido como Zé do Mato levantou-se e falou: "Com sua licença professor - eu acho que o senhor, nessas duas horas de falatório só quis explicar uma coisa: se nós gastarmos mais do que nós ganhamos, nós quebramos." Somente os incautos menosprezam a sabedoria popular. Uma reflexão sobre cidadania nos leva a concluir que temos o direito de exigir conduta ética dos candidatos e, paralelamente, temos o dever moral de não vender a nossa consciência por qualquer espécie de vantagem pessoal futura ou em pagamento de benefício já recebido. A ESPIRITUALIDADE NAS EMPRESAS O mundo dos negócios tem sido extremamente competente em fazer marketing para cada um dos meses do ano, iniciando com as férias de janeiro. Na seqüência vem o carnaval, início do ano escolar, Semana Santa, dia das mães, festas juninas, dia dos namorados, férias semestrais, dia dos pais, início da primavera, dia das crianças e, finalmente, – Natal –, a festa magna da cristandade mundial. Apesar do objetivo maior ser o lucro, essas promoções acabam gerando empregos, aumentando a massa salarial e a melhorando a qualidade de vida das pessoas. Sabemos todos que o progresso material do mundo têm sido fantástico, porém, são ainda desalentadores os índices de evolução em termos de relacionamento interpessoal. Um recente estudo mundial da OIT (Organização Internacional do Trabalho) revela que a violência no local de trabalho, incluindo prepotência, assédio sexual e agressão física, pode estar custando entre 0,5% a 3,5% do PIB, em absenteísmo, licenças médicas e perda de produtividade. Danos psicológicos podem ser irreparáveis. As descobertas científicas e as inovações tecnológicas levaram o homem às profundezas do oceano e o fizeram pousar suavemente na lua, mas ainda têm sido insuficientes para que o ser humano supere o seu maior desafio – amar o próximo como a si mesmo. A estudo da Bíblia Sagrada, por dirigentes e funcionários nas empresas, é uma excelente oportunidade para reflexões sobre o capital e o trabalho, o econômico e o social, a hierarquia e o autoritarismo, questionar idéias, não pessoas, o preconceito e o respeito, a empresa e a família, excelência como hábito, não como objetivo, o sucesso e a felicidade, a individualidade e o espírito de equipe, a competição e a cooperação, enfim, sobre a gestão solitária e a gestão solidária. Estes questionamentos devem despertar a nossa percepção para valores subjacentes, que devem agregar melhorias ao 44


clima organizacional das empresas,tornando o trabalho prazeroso. A harmonia entre o material e o espiritual é essencial para a coexistência pacifica entre os povos. Para a classe empresarial a espiritualidade pode fazer parte do planejamento estratégico da organização, desde que exista um plano de ação que incentive o intercâmbio de informações e experiências sobre o tema, entre os seus dirigentes e funcionários. Missão, visão, valores morais e normas de procedimentos contidas na Bíblia irão contribuir para que as empresas atinjam a excelência em gestão. Os princípios de responsabilidade social, movimento em alta nas empresas, como motivar as pessoas, exemplos de liderança, trabalho em equipe, descentralização do poder, comunicação, treinamento e, até, processos operacionais e administrativos para normalização, estão contidos nesse Livro Sagrado. O marketing espiritual interno incentivará a adesão das pessoas aos projetos sociais do Terceiro Setor. Pesquisas, leituras, reflexões e estudos sobre as virtudes morais e teologais, provérbios, crônicas, orações, salmos e parábolas são inesgotáveis fontes de saber e de equilíbrio emocional. Sendo a ignorância a principal causa da pobreza, nunca é demais uma releitura do que é a educação – “Processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando a sua melhor integração individual e social.” O equilíbrio harmônico entre a capacitação técnica, a habilidade eclética e a conduta ética formam a infraestrutura da sustentabilidade de uma sociedade mais justa economicamente e mais igualitária socialmente. Já que vivemos a era do conhecimento, nada mais estratégico, e empreendedor, do que a inclusão da espiritualidade na gestão das empresas, o que nos leva a crer que, se lêssemos, refletíssemos e vivenciássemos os ensinamentos contidas na Bíblia Sagrada seriamos muito mais felizes e, de quebra,muito mais prósperos. POR QUE AS EMPRESAS FRACASSAM Ao longo do tempo, o ranking das melhores e maiores empresas tem sofrido alterações significativas. Verdadeiros “monstros sagrados” da economia mundial têm perdido o fôlego, reduzido suas atividades, fechado escritórios e fábricas, demitido em massa e amargado prejuízos. Alguns desapareceram. Causas? Algumas, subjacentes, podem nos surpreender. “Pouco reconhecimento e mau relacionamento com chefes geram alta taxa de descompromisso com o trabalho”, revela pesquisa da Gallup Organization, publicada na revista Exame (28.04.2006).“ O estudo ouviu 1.012 pessoas em onze regiões e mostra que 78% dos funcionários brasileiros não estão engajados em seu trabalho – o que 45


pode causar um custo ao país de até 88 bilhões de reais anualmente. ”O motivo de tanto descaso, diz a Gallup, é o gerenciamento ineficiente de pessoas. “Entre os trabalhadores que pedem demissão, 84% o fazem por não conseguirem manter um bom relacionamento com seu gerente direto.” Esse estudo mostra que quase 8 em cada 10 trabalhadores não estão compromissados com as metas da empresa, e sinaliza que ainda há um abismo entre as inovações tecnológicas e as relações humanas no trabalho. A competitividade internacional se acirra a cada instante e fica evidenciado que o clima organizacional insatisfatório tem como causa raiz o inadequado relacionamento interpessoal. Em nosso trabalho de consultoria temos constatado que o que mais motiva os funcionários é a certeza de que ele trabalha numa empresa orgânica, não “mecânica”. A realização da Copa do Mundo de futebol - esporte paixão mundial - nos dá a oportunidade para uma analogia com o comportamento do técnico em relação aos jogadores convocados. Esses “galácticos transnacionais” são jovens de altíssima qualidade técnica, que já realizaram todos os seus sonhos de consumo, que são endeusados por suas fanáticas torcidas, reverenciados pela mídia mundial e donos de salários milionários, capazes de causar inveja à muitos executivos de grandes empresas. O desafio maior do técnico é trabalhar o lado comportamental dos atletas. Estrategista, motivador e habilidoso na determinação de táticas “cirúrgicas” no decorrer das partidas são, atributos essenciais do técnico de sucesso. O exemplo é válido para qualquer atividade humana. A Copa do Mundo, evento que gera bilhões de euro/dólares, emociona multidões, movimenta todos os segmentos da sociedade, até o religioso e promove produtos de consumo mundial - exige um estilo de gestão digno da excelência da Universidade de Harvard. O gerenciamento de pessoas tem, também, as suas “três medalhas olímpicas”: liderança, comunicação e motivação. São elas as responsáveis pelo prazeroso clima organizacional da empresa - valor agregado para o encantamento, a conquista e a fidelização dos clientes. Para não sermos repetitivos, listando as conhecidas características de quem está na liderança de uma equipe de trabalho, destacamos um fato histórico relatado na Bíblia – a fuga do Egito. Sobre as dificuldades encontradas por Moisés, para atender os milhares de judeus que ele guiava à Terra Prometida, Jetro, seu sogro, sugeriu: “E tu, dentre todo povo, procura homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza; e põe-nos sobre eles por maiorais de mil, maiorais de cem, maiorais de cinqüenta e maiorais de dez; para que julguem este povo em todo tempo, e seja que todo negócio pequeno eles o julguem: assim a ti mesmo te aliviarás da carga, e eles a levarão contigo.” (Êxodo, 18: 46


13 a 26). Das vagarosas e silenciosas passadas do deserto, há cerca de 3.256 anos, Moisés surge como o pioneiro da descentralização do poder decisório e da gestão participativa – táticas gerenciais capazes de agregar valores à gestão de recursos humanos. Ah! Por que as empresas fracassam? Porque diretores, gerentes e chefes falham...na gestão. A ESPADA DE DÂMOCLES O poderoso Rei de Siracusa, a mais rica cidade da Sicilia, Dionísio (432-367 a.C), vivia num luxuoso palácio rodeado por guardas e empregados prontos à atender a todas as suas ordens e satisfazer todos os seus desejos. Ele comandava o império com poderes absolutos. Sua palavra era lei – uma ordem a ser cumprida sem questionamento. Acontece que, um de seus melhores amigos, Dâmocles, vivia afirmando que ele, como tinha o destino do povo em suas mãos, era o homem mais feliz da terra. Cansado de tanto ouvir a mesma conversa, desafiou o seu súdito à vivenciar, por um único dia, todas as regalias de um reinado invejável. Aceita a proposta, Dâmocles, colocou as vestes reais, recebeu o cetro e a coroa de ouro e foi apresentado à todos como o novo monarca. Para consolidar a sua autoridade o novo rei ordenou a preparação de um grande banquete, com a presença dos mais ilustres convidados. Assim foi feito. Durante a belíssima festa Dâmocles foi saborear o vinho da mais antiga safra existente na adega,levou o copo aos lábios, inclinou a cabeça para trás e, como se tivesse visto um fantasma, empalideceu. Ele viu uma brilhante e pontiaguda espada direcionada para a sua testa, segura apenas por um fio de crina de cavalo. Ninguém poderia vê-la, somente quem estivesse sentado no trono real. Enquanto ele tremia de medo, o verdadeiro rei gargalhava a sua frente. Como sobre um mesmo fato as pessoas podem ter percepções completamente diferentes entendemos que, em vários aspectos, a humanidade caminha sob a “espada de Dâmocles”. Apesar das descobertas científicas e das inovações tecnológicas das últimas décadas, a sociedade continua a negar qualidade de vida à maior parte da população mundial. Causa? Ineficiência de políticas públicas que assegurem educação e saúde de excelente qualidade à população. Responsáveis? Parte da classe política que usa o cargo apenas em benefício próprio. Efeitos? A perversa desigualdade de distribuição de renda, geradora da pobreza que, segundo Mahatma Gandhi (1869-1948), é a mais cruel das violências. A discriminação, o preconceito e o desrespeito aos mais elementares princípios de cidadania, são ainda uma vergonhosa evidência no nosso cotidiano. A avanço da informalidade no mundo dos negócios, fonte do 47


maior império do planeta – o Quarto Setor – algo em torno de 13 trilhões de dólares. A crescente violência mundial. A falta de isonomia salarial entre homens e mulheres, quando na mesma função. Agressão ambiental. O desencanto de cerca de 500 milhões de desempregados no mundo. A corrupção e o tráfico de drogas.Acentuado descompasso entre o desenvolvimento econômico e a geração de condições mínimas e dignas à população. A nossa postura democrática nas reações, mas autocrática nas ações.A insistência de conquistar a paz fazendo guerras. O equivoco cometido pelo homem ao distanciar-se de Deus. Há soluções para esses problemas? Sim. Elas dependem de ações compartilhadas entre os poderes constituídos, a classe empresarial, ONGs e a responsabilidade de cada um de nós. Estruturação familiar e relacionamento interpessoal respeitoso. Planejamento educacional que ofereça oportunidades (iguais) para que o ser humano possa relevar e desenvolver competências técnicas e habilidades ecléticas. Conduta ética de cada um de nós. Preservar a capacidade de nos indignar, e agir, diante das injustiças sociais. No campo da espiritualidade a solução está na vivência dos dois mandamentos mais importantes contidos nos Livros Sagrados – amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como a si mesmo. Quanto ao mundo dos negócios a tendência é que, no futuro, existam apenas dois tipos de organizações, independentemente de porte e segmento, “aquelas que se apaixonaram em se reinventarem, e aquelas que estarão agonizando agarradas as suas ultrapassadas certezas”. GERENCIAMENTO SEM FRONTEIRAS Entre os e-mails que recebemos sobre um de nossos artigos – Dinheiro Motiva? – destacamos as seguintes colocações: "...exerço minha profissão numa empresa que é muito boa para trabalhar. Tem muitos benefícios, mas infelizmente dá poucas oportunidades de crescimento. Os empregados estão desmotivados por não verem futuro profissional. Muitos estudam, mas mesmo assim quando surge uma vaga é raro pegarem quem já trabalha lá. Trabalho na empresa há quatro anos, estou estudando, faço cursos, mas ainda não consegui um cargo melhor. Sou líder de área, sou muito elogiada por todos, mas é só. Os gerentes acham que só os prêmios são suficientes para motivar." "Trabalho numa empresa, que não é pequena, mas a chefia é centralizadora. Aqui vale a máxima: quem pode manda, quem tem juízo obedece. Quero participar, sentir que sou parte da organização, quero interagir." Essas manifestações nos levam à refletir sobre um tema da mais alta importância para recursos humanos. È inquestionável que as fantásticas inovações tecnológicas, das últimas décadas, provocaram transformações estruturais em todos os 48


segmentos da sociedade, desde o mundo dos negócios e até as relações interpessoais. Como exemplo passamos a destacar os meios de transmissão das olimpíadas – o maior espetáculo da terra. A primeira olimpíada dos tempos modernos foi realizada em Atenas (1896), e, a tecnologia da época era o telégrafo. Paris (1924), rádio. Berlim (1936), cinema. Helsinque (1952), placares eletrônicos. Roma (1960), televisão e telex. Tóquio (1964), cronômetros eletrônicos e células fotoelétricas. Munique (1972), transmissão de TV via satélite e em cores. Seul (1988), fax. Atlanta (1996), telefone celular. Em Sydney, (2000), a novidade foi a sedutora Internet. Ela ditou um novo estilo de relações em todos os segmentos. Há um evidente descompasso entre o progresso material do mundo e a melhoria das relações interpessoais no trabalho. Esta evoluiu timidamente. Em alguns aspectos a tecnologia aproximou distâncias e distanciou proximidades. Para motivar os funcionários é preciso melhorar a comunicação interna e fazer com que o corpo gerencial da empresa pratique,diuturnamente, a liderança compartilhada. É dividindo que se soma. Ao longo do nosso trabalho de consultoria temos desenvolvido pesquisas com grupos dos mais variados segmentos e, no topo do ranking das necessidades humanas, aparece com acentuada pontuação o anseio dos funcionários em revelar e desenvolver as suas competências e as suas habilidades. Para ir de encontro a essa expectativa dos colaboradores, uma das estratégias mais eficazes reside na implementação de um sistema que consolide o espírito de equipe. Exemplo? Os fundamentos do vôlei. A globalização, que trouxe na carona, o acirramento da competitividade internacional exige estratégias que conciliem interesse dos acionistas – lucro – e sonho dos funcionários – construir uma carreira bem-sucedida e duradoura. A implementação do SEI – sistema de excelência interativa – oferece aos funcionários a liberdade de dar idéias que tenham como objetivos a melhoria contínua da qualidade, o aumento da produtividade, a "lipoaspiração" dos custos e a harmonização do clima organizacional. São esses fatores estratégicos que tornam o ambiente de trabalho prazeroso, encantam os clientes e "oxigenam" a lucratividade. Esse sistema prevê o envolvimento, a conscientização, a capacitação e o comprometimento de todos os dirigentes e funcionários – do presidente ao servente. Nas empresas de classe mundial não há lugar para funcionários, todos são gerentes. O executivo que tiver a ousadia, e a humildade, de descentralizar o poder decisório agregará valor à sua biografia e ganhará a medalha de ouro olímpica em gestão de recursos humanos - o respeito, a estima e a admiração de seus funcionários.

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O EVEREST DO FUTEBOL O lugar mais alto do planeta azul é muito mais que uma imponente montanha coberta de gelo.O Everest – teto do mundo com seus 8.844,43 metros de altura - não perde o poder de atração. É o pódio reservado para uma classe especial de seres humanos – pessoas que sabem transformar dificuldades em vitórias memoráveis. Nas imediações do pico da montanha, cada passo é uma decisão solitária e arriscada - que exige conhecimento, coragem, experiência, determinação, autocontrole e fé inabalável na superação do maior obstáculo para o ser humano – ele próprio. O local mais ambicionado pelos amantes do alpinismo é, paradoxalmente, o mais agreste e isolado da terra. A permanência humana nesse local só é suportável por pouco tempo, consagrando a máxima de que a chave do sucesso encontra-se na caminhada, não na chegada. Uma reflexão sobre o montanhismo pode deixar lições exemplares para todos aqueles que buscam uma carreira bemsucedida e duradoura. A Copa do Mundo é, sem dúvida alguma, o Everest do futebol. Este esporte tem a magia de oferecer oportunidades para que garotos da periferia apliquem dribles sensacionais na pobreza e tornem-se cidadãos do mundo. Apesar de existirem clubes que possuem excelentes infraestruturas, o berço natural de craques continua sendo os campinhos de terra nos bairros das cidades. Aí, um grupo de garotos, sem camisas e descalços, corre atrás da bola e, naturalmente, de seu sonho maior – vestir a sedutora camisa da seleção de seu país. A descoberta das vantagens do marketing esportivo, pelo mundo dos negócios, levou os clubes à profissionalização da gestão. Planejamento estratégico, comissão técnica multidisciplinar, investimentos em infra-estrutura física e excelência na gestão de recursos humanos, são ingredientes da receita indicada à conquista de títulos. O esporte e a arte, são segmentos democráticos, pois dão oportunidades (iguais) para que as pessoas possam revelar, e desenvolver, o seu potencial. A realização da Copa do Mundo é o mais atraente evento esportivo do planeta, pois movimenta todos os segmentos da sociedade, até o religioso. Orações de torcedores e promessas de jogadores são práticas comuns. Atraídos pelos “euro-dólares” os craques têm trocado de clubes, e até de continente, com extrema facilidade, ao mesmo tempo em que cuidam da saúde física e aprimoram-se nos fundamentos essenciais da profissão. São os atletas globais, jovens que conseguiram fazer de suas excepcionais habilidades um meio de ganhar salários de fazer inveja à executivos de muitas empresas. Adquiriram a consciência de que dependem exclusivamente de seu desempenho em campo e da contribuição efetiva que devem 50


dar para a conquista de títulos para suas equipes. No esporte de alto rendimento a avaliação de desempenho acontece, ao vivo e a cores, pela comissão técnica, pelos profissionais da mídia e, principalmente, por aquela que contribui com os elevados saldos bancários dos jogadores – a apaixonada torcida. Diante dessa realidade vale a pena enfatizar que cada trabalhador, independentemente da função que exerça, deve se considerar presidente da mais importante empresa do planeta – ele próprio. O capital de cada um de nós é o nosso potencial – competência técnica, habilidade eclética e conduta ética – valores agregados que levam à concretização de nossas metas, ideais e, até de nossos sonhos. O sucesso (sustentável) de uma carreira depende da visão estratégica da atividade em que se atue. Essa percepção tem sido o passaporte para que ex-jogadores tornem-se técnicos, garotos-propaganda, comentaristas, empresários e, até incentivadores do Terceiro Setor. Estamos convencidos que os executivos que tiverem a ousadia, e a humildade, de criar essa cultura empreendedora em suas empresas, estarão atingindo o pico do “Everest organizacional”.

ESCOLA DE SAMBA, EXEMPLO DE GESTÃO Quando presidente de uma associação, que fez do intercâmbio de informações e experiências a sua grande missão, tivemos o prazer de integrar uma equipe que promoveu expressivo número de eventos sobre excelência organizacional. Um deles, cujo tema era - Motivação e Criatividade - , ficou marcado de forma indelével pela genialidade do seu apresentador – o consagrado carnavalesco Joãozinho Trinta. Esse maranhense de nascimento, e bailarino por vocação, deu um show, não apenas pelo seu indiscutível talento profissional, mas, também, pela sua cultura, sensibilidade e responsabilidade social. Ele enfatizou que o grande responsável por colocar uma escola de samba na avenida tem nome e sobrenome espírito de equipe. A iniciativa privada e a administração pública agregariam preciosos valores se fizessem uma profunda reflexão sobre os fundamentos e os processos operacionais das escolas de samba. A ginga do passista e a magia do futebolista brasileiro são embaixatrizes da cultura de um povo que faz da sua incorrigível alegria o brilhantismo da Marca Brazil. Da riquíssima diversidade das formas de expressão do carnaval – fantástica ópera de rua - nosso enfoque vai para as escolas de samba, cujo pionerismo pertence a “Deixa Falar” fundada, em 1928, pelos sambistas Ismael Silva, Bide, 51


Brancura, entre outros. Do Criador à criatura, da flora à fauna, da história à geografia, da pobreza à riqueza e da antiguidade à modernidade, surgem temas que se transformam em samba-enredo – espinha dorsal do desfile – gerador do maior espetáculo de artes ao ar livre do planeta. A análise gerencial do cotidiano das escolas de samba revela a aplicação de conceitos de consagrados especialistas mundiais em gestão da excelência, como por exemplo, o PDCA de Deming, a adequação de uso com satisfação do cliente de Juran, as equipes de trabalho de Ishikawa, a filosofia de Crosby, o controle total da qualidade de Feigenbaum e os ensinamentos de Peter Drucker. A empregabilidade, habilidade eclética do profissional moderno, também desfila nas avenidas do país, pois os foliões sambam, cantam, fazem evoluções e interpretam o papel que representam no contexto. Motivada, a galera se levanta, enche o peito e solta o tão aguardado grito de...é Campeã...é Campeã...é Campeã. Por alguns instantes o sonho da igualdade universal acontece no verso do poeta, no som inconfundível do tamborim, no largo sorriso das passistas, na mistura das raças, credos, hierárquias, profissões e classes sociais Nessa hora a emoção fala mais alto e a adrenalina vai a mil, pois é o reconhecimento do árduo trabalho de milhares de pessoas – a grande maioria anônima – que durante o ano todo se desdobra nas tarefas do barracão, na confecção das fantasias e nos ensaios na quadra. Colocar na passarela milhares de sambistas com perfeita noção de tempo e de espaço e, gerenciar o escasso orçamento da agremiação requer, sem dúvida alguma, muita criatividade para provocar efeitos especiais com baixo investimento. Deve reinar muita harmonia entre o planejamento estratégico e o “jogo de cintura” para lidar com pessoas de características tão diferenciadas. Da leveza das evoluções da porta-bandeira à agressividade das batidas nos surdos, pode-se assistir a uma aula da singular MBA tupiniquim. Para que as organizações, de todos os portes e segmentos, possam agregar valor com o estilo interativo das escolas de samba,basta que seus executivos expressem a naturalidade revelada pelo superastro do basquete mundial – o norte-americano Michael Jordan. “Errei mais de nove mil cestas e perdi quase trezentos jogos.Em vinte e seis diferentes finais de partida,fui encarregado de jogar a bola que venceria o jogo...e falhei.Eu tenho uma história repleta de falhas e fracassos em minha vida.E é exatamente por isso que sou um sucesso.” DAS VINHAS AOS VINHOS "E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora,José?" Esses versos são frutos do talento, e da sensibilidade, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), 52


inesquecível poeta brasileiro, nascido na cidade mineira de Itabira do Mato Dentro. E agora, José? Esta é a indagação que cada um de nós deve fazer, à si próprio, para transformar as saudações de próspero ano novo em realidade. Devemos desenvolver planos de ação para a concretização das nossas metas, desejos e, até, de nossos sonhos. As manifestações de amizade, de carinho e de responsabilidade social que semeamos, nas festas de final de ano, são compromissos assumimos. Os desafios permanecem aí, a espera da nossa ousadia, criatividade, determinação, respeito ao ser humano e ao meio ambiente. Com o verão dando as boas vindas ao ano novo, a incorrigível alegria do povo brasileiro apresenta-se como anfitriã perfeita do fomento de um dos mais promissores segmentos da economia mundial - o turismo – fonte de divisas e de geração de empregos. Dentre as alternativas da indústria de entretenimento a nossa reflexão vai para o ecoturismo – polinização da cultura ambiental. O aumento da rentabilidade das pequenas propriedades rurais é fruto do valor agregado em atividades complementares. Do cafezal ao cafezinho, do trigal ao desjejum colonial ou das vinhas aos vinhos, descortina-se uma paisagem sedutora aos que cultivam o estressante estilo de vida urbano. Cidades que produzem uva e vinho colhem o privilégio de tornarem-se autênticas grifes mundiais pela qualificação do sabor, aroma, cor e valor de seus produtos. Noé, o da Arca, é citado em Gênesis (9, 20) sobre uva, e no mesmo livro, (9, 21) sobre o vinho. Além dessas citações, há muitas outras destacando esses produtos na Bíblia e, naturalmente, em outros livros que relatam a milenar caminhada da humanidade. Relíquias históricas provam que o trigo e a videira são cultivados desde tempos imemoráveis. Não foi por acaso, que o pão e o vinho foram escolhidos por Jesus Cristo (Ceia do Senhor) como símbolos vivos da sua missão divina aqui na terra. O solo, o clima e o manejo revestem a uva, e por conseqüência o vinho, de uma nobreza laboral, social, cultural e até religiosa, capaz de abrir excelentes oportunidades comerciais. Os imigrantes italianos, trouxeram para o nosso pais a experiência do plantio da uva, do processo da fabricação do vinho e de tantos outros derivados enriquecidos de tradições, usos e costumes, ainda hoje preservados por famílias que vivem no campo. Lembranças da pátria distante, comida caseira, música típica, exposição, artesanato, contato com a flora e a fauna e atividades recreativas podem retratar um cenário de encantamento aos turistas. Com extensão continental, o Brasil pode fazer do agronegócios, das suas belezas naturais, da magia do seu futebol, da maior ópera de rua do planeta - o carnaval brasileiro - e da singular hospitalidade de seu povo, uma fantástica “cruzada de marketing” capaz de incrementar o turismo e alavancar as exportações. Lembrete: vamos 53


explorar o turismo, não os turistas. O acirramento da concorrência globalizada e o maior grau de exigência de clientes e consumidores, motivaram as empresas à consolidar políticas estratégicas de melhoria contínua de seus processos operacionais e de capacitação de seus recursos humanos. Como, hoje, o indispensável diploma universitário tem se mostrado insuficiente, para um bela carreira sustentável, temos que sistematicamente agregar competências técnicas, aprimorar habilidades de relações interpessoais e preservar a conduta ética – diferenças que fazem a diferença – no disputadíssimo mercado de trabalho. Concluímos que a safra mais famosa de empreendedores é reconhecida pela "beleza de ser um eterno aprendiz". SONHOS DE NATAL Família reunida, mesa farta e muitos presentes, este é o sonho de milhões de pessoas para a festa da noite de Natal. Há os que, embora possam faze-lo, dispensam essa forma de comemoração. Existem, ainda, aqueles que, embora desejassem, não participam pelas mais variadas circunstâncias. Em qualquer das três alternativas é possível um Natal Feliz, desde que se tenha a convicção das reais, e sublimes, motivações que a data representa. Felicidade é estado de espírito. A história, e a trajetória triunfal, do anfitrião natalino – Jesus Cristo – nos legou o poder supremo da espiritualidade – "a dimensão mais nobre do ser humano, que o move à transcendência". Ela pode ser manifestada através de ações práticas dos dois mandamentos mais importantes: amar a Deus sobre todos as coisas e, semelhante a este, amar o próximo como a si mesmo. Esse grau de importância foi expresso pelo próprio Cristo, quando questionado a respeito. Na evolução espiritual encontra-se o segredo que harmoniza as necessidades humanas: saúde (física e mental), convivência familiar, relacionamento social, exercício profissional e condições financeiras. O equilíbrio entre esses fatores é decisivo para o nosso bem estar. Devemos nos conscientizar que o responsável pela maior festa da cristandade, também sonhou, quando de sua passagem pela terra. Sonhou com um mundo de fartura para todos, tendo nos deixado a flora, a fauna e os recursos do do solo e do subsolo. Sonhou, e pregou, a paz entre todos os povos do planeta azul. Sonhou com uma sociedade mais igualitária economicamente e mais justa socialmente. Sonhou com a inexistência da discriminação, do preconceito e de qualquer tipo de exclusão social. Sonhou com a prática da fé, da esperança e da caridade – as três virtudes teologais – que poderão ser compreendidas pela leitura, e reflexão, dos textos bíblicos. O Natal é uma oportunidade, que temos anualmente, para fazermos um balanço da nossa vida espiritual, e para erradicarmos as 54


"ervas daninhas" que insistimos em cultivamos em nossa mente – os nossos sentimentos negativos. Podemos agregar valores se entendermos, definitivamente, que é dividindo que se soma. Os fundamentos do cristianismo não servem apenas para cada um de nós, mas podem ser aplicados em qualquer atividade humana, inclusive, na gestão empresarial. Visão, missão, princípios,normas de procedimentos e metas, elementos que ganharam status organizacional no século XX, constam nas Escrituras da forma explícita. Entre as referências bíblicas encontra-se a construção da Arca de Noé (Gênesis 6: 14 e 16) cujas especificações detalhadas nos fazem lembrar da ISO (International Organization Standardization). Norma técnica internacional de certificação de qualidade assegurada. A ISO pode ser entendida como – escreva o que, e como você faz, e faça como você escreveu. Célebre,também, é a exemplar lição de planejamento estratégico revelada por José do Egito, administrador admirável, (Gênesis 41: 37 a 45) podendo ser comparado com o CEO (Chief Executive Officer) - Presidente Executivo de hoje. Ele soube, com extrema competência, administrar os sete anos de fartura e os sete anos de escassez. As vagarosas e silenciosas passadas de Moisés pelo deserto, na caminhada à Terra Prometida, o colocaram na galeria de protagonistas históricos, pelos valores que ele agregou à gestão de recursos humanos. Ele pode ser considerado o pai da descentralização do poder e da gestão participativa (Êxodo 18: 13 a 26). Daniel, nomeado pelo Rei Nabucodonosor, governador de toda a província, administrou a então poderosa Babilônia, com a ajuda de seus três amigos: Sidrac, Misac e Abdénago. (Dan.2: 48 e 49) Ler, refletir e vivenciar os ensinamentos contidos na Bíblia são as pegadas que Jesus deixou para os cristãos conquistarem qualidade de vida, felicidade e a salvação eterna. O C.E.O. DO TERCEIRO SETOR As incríveis descobertas científicas, o espetacular avanço das inovações tecnológicas e o elevado aumento da população mundial, ocorridas no século passado, provocaram profundas transformações econômicas e sociais tornando a administração de empresas, e de organizações de todos os portes e segmentos, extremamente complexa. Uma das formas eficazes para que as instituições do Terceiro Setor assegurem um futuro promissor, é a criação do C.E.O. – Conselho Estratégico Organizacional. Ele deve ser coordenado por membros da ONG, porém, integrado por pessoas de variados segmentos da sociedade. As normas de procedimento para a implementação do C.E.O. devem ser cuidadosamente planejadas, para que a sua atuação agregue valores, indispensáveis à consecução das metas pré-estabelecidas. 55


A paisagem composta da ilha de ricos e do oceano de pobres simboliza a mais vergonhosa chaga viva da sociedade mundial. Essa constrangedora realidade aguçou a percepção de um elevado número de pessoas, que chamaram para si a responsabilidade social dinamizando o movimento de solidariedade. É imperativo não perder a sensibilidade de se indignar. O primeiro setor é o Governo e o segundo a iniciativa privada. O voluntário é o destacado protagonista do terceiro setor, pela nobreza que tem de partilhar o mais precioso tesouro do desenvolvimento integral das pessoas - o saber. Empreendedor, generoso e sonhador, o voluntário é, antes de tudo, uma pessoa de muita fé. Neste setor encontram-se os mais diversos tipos de instituições sem fins lucrativos, parte delas chamadas de ONGs organizações não governamentais. Elas têm a missão de sensibilizar empresários, políticos e, a sociedade como um todo, à colaborarem no resgate da cidadania da população carente. Entre os trabalhos desenvolvidos, sem dúvida alguma, o essencial é aquele que coloca a disposição das pessoas a educação. Mas, o que é educação? O dicionário Aurélio explica: “Educação é o processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando a melhor integração individual e social. "A erradicação da ignorância, através de investimento no ser humano, é a estratégia mais eficaz para a construção de uma sociedade mais justa economicamente e mais igualitária socialmente. A conduta ética, o domínio de conceitos e práticas da melhoria contínua de processo, e a excelência no relacionamento interpessoal são contribuições indispensáveis à sustentabilidade de qualquer empreendimento. Quando afirmamos, numa palestra, que o crescimento do Terceiro Setor tem sido significativo fomos questionado se as empresas não estão fazendo apenas marketing, em nome da caridade. Responsabilidade social estaria virando grife. Repetimos, aqui, a resposta no citado treinamento. Existem três grupos de empresas: as que fazem responsabilidade social por valores éticos e humanísticos, enraizados em sua gestão; aquelas que fazem por marketing e as que participam pelas duas motivações. Os três casos são válidos, pois contribuem para a viabilização de desenvolvimento de projetos educacionais, culturais, esportivos e artísticos que têm como meta a promoção humana. Nota-se que as doações de empresas privadas e verbas governamentais, cada vez mais, estão sendo vinculadas a comprovação da eficácia da gestão das instituições sem fins lucrativos. É preciso que se faça justiça às centenárias entidades beneficentes, muitas delas de origem religiosa, fontes inspiradoras do atual movimento de responsabilidade social. Destaque, também, para associações que têm aglutinado várias ONGs, de uma mesma cidade, 56


cuja sinergia tem apresentado resultados altamente positivos. O maior mérito do C.E.O. é funcionar como um sensor das tendências econômicas e sociais do mundo globalizado. FONTES DE LUCRATIVIDADE Numa de nossas palestras, em atenção à uma pergunta sobre gestão de excelência, não tivemos dúvida em destacar o pensamento do célebre filósofo Aristóteles (384-322a.C.). Dizia ele: “Só fazemos melhor aquilo que repetidamente insistimos em melhorar. A busca da excelência não deve ser um objetivo, sim um hábito.” O avanço da globalização, provocado pelas descobertas científicas e inovações tecnológicas, tem sido determinante para o acirramento da competitividade internacional. A qualidade das instituições públicas afeta a competitividade do Brasil, classificado pelo Fórum Econômico Mundial na 65ª colocação, entre 117 países. A missão do Estado é dar condições estruturais favoráveis ao desenvolvimento econômico e social. Lição singular deu o Japão ao ressurgir das cinzas, como Fênix, tornando-se a segunda maior potência econômica do planeta. Qual o segredo do “tigre” asiático? Elevados investimentos em educação por parte do governo e, em recursos humanos, pela iniciativa privada. A pedagogia alavanca a tecnologia e sinaliza que “não existe país subdesenvolvido, o que existe é país sub administrado” (Peter Drucker). A iniciativa do país do sol nascente levou até Órgãos governamentais à implementação de programas de qualidade - adequação ao uso, com satisfação de clientes e consumidores. Qualidade é indispensável, porém sem produtividade – fazer cada vez mais,e melhor,com cada vez menos – torna-se insuficiente na redução de custos operacionais, deixando as organizações vulneráveis à competitividade. Custos, principalmente os indiretos, nos faz lembrar de unha, que deve ser cortada freqüentemente pela sua incorrigível tendência de crescer. Um dos fatores que mais provoca perda de produtividade nos serviços públicos é o excesso de burocracia, que além de não impedir corrupções e fraudes, tem inibido o desempenho das empresas, motivado a sonegação fiscal e incentivado a informalidade. As atividades comerciais sem registro contábil deram origem ao mais poderoso império da história da humanidade – o Quarto Setor. Longas filas nas repartições públicas, morosidade do andamento de processos judiciais, demora na aprovação de projetos e regulamentação de leis e exigências exageradas para abertura de empresas são alguns indicadores de baixo índice de produtividade. Entre os serviços públicos eficazes destacamos os prestados pelo Corpo de Bombeiros, inegavelmente, a instituição mais admirada pela população. Agregar valor na gestão pública significa investir em projetos 57


que aumentem a produtividade oferecendo à população um dos mais valiosos bens da atualidade – a praticidade. Os ganhos em produtividade passam por uma ¨revisão cirúrgica sistemática”, de cada detalhe dos processos operacionais, objetivando a redução de etapas, inovação em cada uma delas minimizando tempo e, melhor ainda, a eliminação de normas de procedimento. Os prestadores de serviços devem ter consciência que usam a mais valiosa das matérias-primas – o tempo – a única que não tem reposição. A excelência dos serviços públicos, especialmente em educação e saúde, é a melhor das estratégias para reduzir a vergonhosa desigualdade social - referência maior do oceano de pobres e da ilha de ricos. A chave da eficácia encontra-se na redução das atividadesmeios e na eliminação das formalidades que não agregam valores às atividades-fins. O maior desafio da classe política e dos gestores públicos é transformar uma instituição mecânica, em orgânica.Gestão transparente, interativa e que coloque (mesmo) o cidadão em primeiro lugar - é um modelo exemplar. Vale a pena uma reflexão sobre o pensamento do célebre político, orador e prosador romano – Cícero (106-43 a.C) “Vamos equilibrar o orçamento, proteger o tesouro, combater a usura e reduzir a burocracia. Caso contrário, afundaremos todos.” SEIS SIGMA EMOCIONAL Ao longo das últimas décadas surgiram no mercado uma série de programas sobre gestão empresarial apresentados, via de regra, como estratégias de negócios capazes de revolucionar o processo gerencial. Entre os que emergiram, uns continuam até hoje na crista da onda,outros submergiram,tragados pela mesmice. O Seis Sigma, que mede (estatisticamente) a capacidade do processo em trabalhar sem falhas,está desfrutando de grande destaque entre empresas que buscam a excelência. Sigma é a décima oitava letra do alfabeto grego, correspondente ao nosso S. Como limite de especificação, parte da classe Um Sigma, que apresenta 697.700 defeitos por milhão e atinge o Seis Sigma com apenas 3,4 falhas por milhão,ou seja, 99,99966% de perfeição. Um autêntico DNA. Entre os especialistas do segmento encontramos uns que entendem que finalmente surgiu algo inovador, outros não tem medo em afirmar que trata-se de um filme que já viram. Polêmica à parte, nota-se que todas estratégias gerenciais têm os mesmos objetivos: eliminar as falhas, melhorar a qualidade, reduzir custos, aumentar a produtividade, satisfazer os clientes e elevar a lucratividade. A diferença pode estar na metodologia. A própria implementação das estratégias de negócios encerra uma semelhança muito grande: comprometimento da alta administração para alocar recursos e mudar o próprio comportamento, formação de 58


uma equipe de gestores que irá elaborar as normas de procedimentos e o calendário de atividades, capacitação de todos os funcionários, identificação de oportunidades,critérios para avaliação de resultados e a criação de um sistema de incentivos motivacionais. Acreditando na eficácia do programa, deveríamos aproveitar a mesma metodologia (estatística) para o implementar o "Seis Sigma Emocional". Vamos erradicar as “puxadas de tapetes”, a vaidade, as injustiças, o desrespeito profissional, a inveja, as intrigas, o preconceito, a mentira, a arrogância e a discriminação. Devemos, também, eliminar o constrangimento moral, as fofocas, os assédios sexuais, as ameaças, a traição, o revanchismo e a hipocrisia. Podemos, ainda, banir as demissões humilhantes de funcionários que trabalharam por décadas na empresa e são demitidos por carta, telefonema e por outras formas vexatórias. Os sentimentos negativos têm estado na raiz das causas de desvio de carreiras promissoras, falência de empresas e queda de governos como, por exemplo, o então poderoso Império Romano - o mais célebre da história da humanidade. Enfim, em que classe de Sigma Emocional estarão a maioria das empresas brasileiras? A falta de lealdade provoca um clima de incertezas, levando parte das pessoas à diferentes graus de desequilíbrio emocional. “Nos paises industrializados uma em cada grupo de quatro pessoas (25%) sofre perturbações psíquicas durante sua vida de trabalho. Estudo publicado pelo OIT (Organização Internacional do Trabalho), considera que os distúrbios emocionais se devem ao “stress”no trabalho. Estes distúrbios variam de grave ansiedade e depressão até doença mental crônica. Seriam causas do “stress” supervisão muito constante,o barulho excessivo, situações perigosas e uma atitude impessoal dos supervisores frente aos trabalhadores”. O mais grave é que essa publicação data de 1987. Uma pesquisa realizada em 1998, nos Estados Unidos, com 305 executivos de recursos humanos revelou que as faltas por estresse quase que se nivelam com as provocadas por doenças físicas. Considerando que nos últimos anos tem havido maior acirramento da concorrência, ameaça de desemprego, perda do poder aquisitivo da classe trabalhadora e pressão para aumento da produtividade, podemos concluir que, a implementação, à custo zero, do “Seis Sigma Emocional” pode resgatar o orgulho e o prazer de trabalhar em determinada organização. DO SUBMARINO AO DISCOVERY Do sensacional resgate do submarino, preso no fundo do mar, ao triunfal retorno do Discovery à terra, o homem – o maior espetáculo do universo - deu mais um show de planejamento, tecnologia e competência. Esses fatos nos levam às obras do escritor francês – Júlio Verne (1828-1905) – o profeta das viagens 59


submarinas e espaciais. Apesar de todo conhecimento acumulado temos que assumir a nossa imprudência e negligência em termos ambientais. Dos desmatamentos irregulares à não obediência de um princípio elementar – jogar o lixo e no lixo – gravitam inúmeras causas de agressão ao nosso hábitat. É o poder público que não aplica recursos suficientes em saneamento básico, as empresas que utilizam processos operacionais inadequados e cada um de nós que agimos de forma irresponsável. O impacto, entre o ato e o fato, é tão impressionante que ”se uma borboleta bater (fortemente) as asas no Brasil, poderá provocar um vendaval no Japão.” Exagero à parte, devemos nos conscientizar que a situação é emergencial. A necessidade de implementar o sistema de gestão ambiental, vem acompanhada da argumentação de que os investimentos serão elevados,o que em parte é verdadeira, face ao brutal estrago que tem sido provocado em nome do progresso. A ISO - Organização Internacional para Normalização - é uma entidade de referência mundial em normas técnicas, que tem como objetivo estabelecer padrões de excelência de produtos, serviços e, principalmente, de vida. A ISO.14000 é o modelo que destina-se a implementação de sistema de gestão ambiental, cujo planejamento é a ferramenta mais eficaz da prevenção. De uma maneira bem simples, as normas ISO podem ser entendidas como: escreva o que e como você faz, e faça como você escreveu. Embora não obrigatória, a certificação por essa entidade coloca a empresa em conformidade com a legislação vigente e com as exigências de seus clientes e consumidores. Em alguns aspectos a preservação do planeta depende muito mais da pedagogia do que da tecnologia. Um exemplo pode ser encontrado nas imediações de determinada escola, onde um vendedor ambulante (e família) vende sorvetes e doces. Terminado o horário de saída e de entrada dos alunos esse homem dá uma autêntica lição de cidadania. Pega uma vassoura,uma pá e um saco de lixo e passa a varrer e recolher os papéis jogados no chão. Ele percorre o quarteirão todo limpando a rua e as calçadas. Trata-se de uma pessoa que se traja adequadamente e atende à todos com educação e simpatia. Sem contra indicação, e a baixíssimo custo, existe um programa que pode ser implementado em empresas de qualquer porte e segmento,órgãos públicos e, até, em residências. Trata-se do 5S – cinco sensos - , cuja origem japonesa vem das seguintes palavras: seiri (utilização), seiton (arrumação), seiso (limpeza), seiketsu (saúde e higiene) e shitsuke (autodisciplina). Ele é âncora para palestras na SIPAT – Semana (anual) Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho. O primeiro senso consiste em separar o que é útil do inútil. A fase seguinte tem como objetivo manter arrumado tudo que utilizamos no nosso dia-a-dia. O terceiro passo é o da limpeza, porém 60


com o enfoque preventivo de não sujar. A quarta etapa aborda a saúde e a higiene sugerindo um ambiente arejado, que privilegie a qualidade de vida. O último procedimento refere-se a auto-disciplina, que tem como meta a reeducação das nossas atitudes inadequadas. O sucesso do programa 5s encontra-se no exercício da gestão próativa. Esses procedimentos, aparentemente simples, são de tamanha importância que estão em perfeita sintonia com uma das oito metas do milênio – garantir a sustentabilidade ambiental. Elas foram aprovadas por 191 países da ONU, que estabeleceu determinados resultados até 2015. Ah! Lembrete: a natureza não reclama das agressões do homem, vinga-se. OZANAM, PROFETA DO TERCEIRO SETOR O século passado notabilizou-se por importantíssimas descobertas científicas e por fantásticas inovações tecnológicas, acontecimentos que provocaram constantes transformações no mundo dos negócios e no estilo de vida das pessoas. Diante desse desafio os executivos passaram a reavaliar os fundamentos subjacentes da missão, visão, valores e políticas de suas empresas objetivando maximizar o grau de satisfação dos acionistas, clientes, funcionários e parceiros estratégicos. Uma das iniciativas que ganhou força nas últimas décadas foi a da responsabilidade social ou Terceiro Setor. A ação de voluntários em módulo educacional é o caminho mais eficaz para reduzir a desigualdade social – chaga viva da sociedade contemporânea. As congregações religiosas são, reconhecidamente, referências históricas no exercício da caridade – uma das virtudes teologais. Nesta oportunidade destacamos a SSVP – Sociedade São Vicente de Paulo – instituição católica internacional (de leigos) fundada, em 1833, pelo então jovem Antonio Frederico Ozanam (1813-1853), em Paris. Foi professor da Universidade de Sorbonne, faleceu aos quarenta anos e deixou uma obra social singular. A sua exemplar vida espiritual lhe rendeu a beatificação, em 1997, pelo então Papa João Paulo II. Baseada em princípios cristãos, a SSVP tem como grandes metas a espiritualidade de seus membros, a evangelização do próximo e a promoção social e econômica, dos excluídos. As ações vicentinas, podem ser notadas na gestão de creches, hospitais, casas de repouso para idosos e nas visitas domiciliares aos assistidos, em campanhas humanitárias, nas atividades paroquiais e, especialmente, nas atividades diárias da sua célula mater – as chamadas Conferências Vicentinas. A visão empreendedora do seu fundador foi responsável pela expansão do movimento nos cinco continentes e pelos seus cento e setenta e dois anos de existência. Quantas empresas da iniciativa privada, administradas por geniais executivos, conseguiram essa longevidade histórica? O segredo? Ela é orgânica, não mecânica. 61


Ozanam - profeta do terceiro setor – viveu dois séculos à frente do seu tempo. A SSVP pode agregar valor ao gerenciamento de empresas de todos os portes e segmentos, pois tem na sua essência fundamentos organizacionais exemplares. Senão, vejamos. As atividades das reuniões semanais das Conferências Vicentinas têm os procedimentos padronizados, que encerram uma certa semelhança com as normas ISO (Organização Internacional para Normalização) – uma das “ferramentas” da qualidade total, que pode ser sintetizada na seguinte frase: escreva o que e como você faz, e faça como você escreveu. Exemplo? Receita de bolo. A metodologia de prevenção e solução de problemas utilizada, lembra o CCQ – Círculos de Controle da Qualidade – técnica criada em 1962 pelo saudoso Prof. Kaoru Ishikawa. São equipes de trabalho que caracterizam a gestão interativa. Exemplo? Jogo de vôlei. A revolução dos meios de comunicação, e a mobilização evolutiva da sociedade, levarão a classe política e empresarial à oferecer provas reais, até 2015, das ações práticas que estão desenvolvendo para a melhoria dos indicadores, das oito metas do milênio. Essas metas, estabelecidas em 2000 na ONU, por 191 países signatários, são: erradicar a fome e a extrema pobreza; universalizar o ensino básico; promover a igualdade entre os sexos; conter a mortalidade infantil; melhorar a saúde da mulher; combater as doenças; garantir a sustentabilidade ambiental e estabelecer uma parceria mundial pelo desenvolvimento. A tendência do mercado é o surgimento de um consumidor que passe à adquirir produtos e serviços de qualidade comprovada, não apenas pelo marketing social da empresa, mas pela postura ética, e pelo compromisso com a Qualidade de Vida, que ela evidenciar. TEMOS VAGAS "Há vagas no comércio, mas os lojistas enfrentam dificuldades para encontrar profissionais de venda com talento e experiência". Essa frase faz parte de uma reportagem jornalística e está intimamente ligada a excelência no atendimento, e no relacionamento com os clientes. Vendas, essa verdadeira arte milenar, exige, cada vez mais, conduta ética, competência técnica e habilidade eclética. Mas, quais seriam as razões que estariam levando os empresários a exigirem elevada qualificação profissional de seus funcionários? Entre elas destacamos a maior exigência por parte dos consumidores, a revolução tecnológica, o novo estilo de vida gerado pela crescente participação da mulher no mundo dos negócios, os “efeitos colaterais” da globalização, o aumento do número da concorrência e a perda do poder aquisitivo provocada pela escalada de desemprego. Somam-se, ainda, o impacto da carga tributária e as altas taxas de juros, na redução da margem de lucratividade das 62


empresas. Com todos esses desafios no horizonte os candidatos às vagas disponíveis terão que superar a expectativa da empresa contratante. Além da qualificação profissional, que permite comunicar-se adequadamente com os clientes, o vendedor deve revelar valores subjacentes, tais como: humildade para “ser um eterno aprendiz”, criatividade no desenvolvimento do processo de associação de idéias, habilidade no relacionamento interpessoal e solidariedade para trabalhar em equipe. Acrescente-se, a percepção de que o mundo é dos curiosos. As vendas, nos dias de hoje, dependem de uma série de valores-chave como a credibilidade, produto ou serviço de excelente qualidade, sistema diferenciado de atendimento ao cliente e gestão inovadora. Não podemos nos esquecer do preço, planos de pagamento, prazo de entrega e serviços complementares como são oferecidos pelos shopping centers através da enorme concentração de ofertas. Pós-vendas é alavanca para fidelização. Já não basta vender é preciso conquistar a mente do cliente – lugar onde não cabem dois primeiros colocados. O marketing – “que não é uma batalha de produtos, mas uma guerra de percepção” – nos leva a concluir que o diferencial entre o fracasso e o sucesso de uma empresa, encontra-se no SEG sistema de excelência da gestão – um conjunto de estratégias, políticas e normas de procedimento, que devem ser compartilhadas, apaixonadamente, por todos os dirigentes e funcionários. Evidência exemplar dessa nossa afirmação está no setor de aviação, onde empresas – com elevado conceito e muita experiência amargam prejuízos, enquanto outras mais novas festejam lucros e crescente participação no mercado. Detalhes sobre esse segmento têm sido destaque em todos os meios de comunicação. O curioso é que os aeroportos são os mesmos, os fabricantes dos aviões também, o espaço aéreo idem, a tripulação tem a mesma formação técnica restando, naturalmente, o sistema de excelência da gestão. A variabilidade, a perecibilidade, a intangibilidade e a inseparabilidade, características essenciais da prestação de serviços, exigem que o processo de melhoria da qualidade faça da inovação o fator que excede a expectativa do cliente - encantando-o. A empresa pode perder uma venda, pode até perder um cliente, mas nunca deve perder a sua identidade – um de seus dois patrimônios intocáveis - a sua marca. O outro? Seus recursos humanos. Para os apaixonados por vendas, e para os que sonham com um carreira bem-sucedida, lembramos um pouquinho da genial estilista – Gabrielle "Coco" Chanel – (1883-1971) "Eu criei um estilo de vida para o mundo inteiro; Não há nada que se assemelhe." Ela, nos anos 1920, liberou as mulheres do uso de corpetes introduzindo uma moda feminina elegante, confortável e casual "dando as

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mulheres a possibilidade de rir e comer, sem necessariamente desmaiar". A BÍBLIA E O CLIMA ORGANIZACIONAL Solicitados, numa de nossas palestras, a sugerir a leitura de um livro especial na abordagem de conceitos e práticas sobre clima organizacional, indicamos a Bíblia – o que causou uma certa estranheza – pela equivocada percepção da abrangência, e da profundidade, desse best-seller cristão – um legitimo manual de Qualidade da Vida. Visão, missão, valores, princípios, normas de procedimento e metas, elementos que ganharam status organizacional no século XX, constam nas Escrituras de forma explícita. Uma das primeiras referências encontra-se na construção da Arca de Noé. A ordem de serviço veio com todas as especificações técnicas: “Faze uma arca de tábuas de cipreste; nela farás compartimentos e a calafetarás com betume por dentro e por fora. Deste modo a farás: de trezentos côvados será o comprimento; de cinqüenta, largura; e a altura, de trinta. Farás ao seu redor uma abertura de um côvado de altura; a porta da arca colocarás lateralmente; farás pavimentos na arca: um em baixo, um segundo e um terceiro” (Gênesis 6: 14 a 16). Hoje, produtos e serviços são desenvolvidos obedecendo normas técnicas internacionais, cujos certificados são verdadeiros passaportes para a inserção das empresas nos negócios globalizados. Entre as habilidades gerenciais de Noé destaca-se a sua capacidade de planejamento organizacional, disciplina tática no cumprimento do cronograma, “ouvido de mercador” frente as provocações dos incrédulos de plantão e a aguçada percepção no aproveitamento das características individuais de cada um de seus colaboradores. Formou uma equipe, motivou-a, alocou recursos, estabeleceu processos operacionais, distribuiu tarefas, informou o prazo e gerenciou o andamento do projeto. Noé não foi apóstolo da burocracia. Outro personagem histórico da Bíblia é José do Egito – administrador admirável, (Gênesis 41: 37 a 45) que pode ser comparado com o CEO (Chief Executive Officer) Presidente Executivo, de hoje. Notabilizou-se, principalmente, pela administração do país nos períodos “das sete vagas gordas e das sete vagas magras” – interpretados como anos de fartura e de escassez. Em termos de relacionamento inter-pessoal, a vida de José é uma das mais comoventes e atraentes da história. As vagarosas e silenciosas passadas de Moisés pelo deserto o colocaram na galeria dos protagonistas que agregam valores à gestão de recursos humanos. Dentre os seus desafios destaca-se a complexidade no atendimento das necessidades dos milhares de judeus que liderava à caminho da Terra Prometida. A solução do 64


problema partiu de seu sogro, Jetro, quando lhe disse: “E tu,dentre todo povo, procura homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza; e põe-nos sobre eles por maiorais de mil, maiorais de cem, maiorais de cinqüenta e maiorais de dez; para que julguem este povo em todo tempo, e seja que todo negócio pequeno eles o julguem: assim a ti mesmo te aliviarás da carga, e eles a levarão contigo” (Êxodo, 18: 13 a 26). Nascia, assim, uma metodologia de descentralização do poder – o “calcanhar-de-aquiles” das atividades humanas. Reagimos como democratas, mas agimos como autocratas. Esta é a mais devastadora das causas de desmotivação de funcionários e do desaparecimento prematuro de promissoras lideranças. O clima organizacional das empresas depende, essencialmente, de uma política de recursos humanos que consolide a seguinte prática: dar oportunidades (iguais) para que os funcionários possam revelar e/ou desenvolver o seu potencial. Questionar as idéias, não as pessoas é a mais eficaz das estratégias para manter a indispensável “oxigenação” do processo gerencial. Entendemos que, se lêssemos, refletíssemos e vivenciamos, com maior freqüência, os ensinamentos contidos na Bíblia seríamos muito mais felizes e, de quebra, muito mais prósperos. È crer para ver. A ESCALADA DOS "GALÁCTICOS" Um dos sonhos mais acalentados pelo ser humano é, sem dúvida alguma, construir uma carreira profissional bem-sucedida e duradoura. Para os mais ousados é chegar no topo do organograma da empresa ou ser o número um do ranking de uma profissão liberal. Por analogia podemos citar o desafio da escalada do Monte Everest – o ponto mais alto do planeta – com seus 8.848 metros de altitude, na fronteira do Nepal com o Tibet. O seu pico somente foi atingido pelo homem em 1953 pelo alpinista neozelandês Edmundo Hillary e seu guia, o nepalês Tenzing Norgay. Chegar no topo do "Everest profissional" é um desafio extremamente difícil, mas permanecer lá é um privilégio de poucos. Um caso, de visibilidade pública, sobre as dificuldades para manter-se na liderança pode ser encontrado, atualmente, no campo esportivo. Dentre as melhores equipes mundiais uma delas é, sem dúvida alguma, o Real Madrid da Espanha. A sua Diretoria formou, a peso de euros, um autêntico Dream Team – o time dos sonhos - com um elenco de craques da mais alta qualidade técnica objetivando, é lógico, a conquista das mais importantes competições futebolísticas. Acontece que, apesar das indiscutíveis habilidades técnicas dessas "estrelas" - carinhosamente chamadas de "galácticos" – a falta de brilho das mesmas tem frustrado as expectativas da sua fiel torcida. Mesmo com uma estrutura, física, técnica e administrativa, de 65


excelente padrão e um apreciável faturamento anual, os resultados de campo têm sido incompatíveis com as metas do planejamento estratégico. Salários de causar inveja à executivos de grandes empresas, excelentes condições de trabalho, qualidade de vida de alto padrão, aplausos da torcida e constante exposição na mídia, têm sido insuficientes para evitar os momentos de incertezas, que vivem os "galácticos". Segundo o noticiário esportivo, entre as possíveis causas do baixo rendimento desses diferenciados atletas podem estar a queda das condições físicas de alguns jogadores, uma gorda conta bancária capaz de impedir que a motivação seja a mesma do início da carreira, o excesso de confiança no próprio potencial, a melhor performance de outras equipes, o empenho extra dos adversários em ter o prazer especial de derrotar a consagrada equipe madrileña, o desvio de foco face a vida privada e as atividades empresariais fora do futebol. Certamente, os dirigentes e jogadores do Real Madrid têm competência gerencial e habilidades individuais para reverter a incômoda situação, desde que superem o seu maior adversário – eles próprios. Esse exemplo revela que, como no alpinismo um passo em falso pode ser fatal, também no mundo dos negócios não é diferente – o mercado pode até não reclamar, mas nunca esquece de se vingar. A alternância da liderança, ao longo da caminhada da humanidade, é encontrada na sucessão dos impérios ou no poderio de nações que no passado dominaram grande parte do planeta e hoje se restringem a pequenos territórios, algumas com economias expressivas, outras pouco representativas. No campo empresarial a história não é diferente, bastando um olhar através do túnel do tempo, e comparar as empresas líderes de hoje com as de décadas passadas. Algumas se mantiveram, outras perderam fôlego e muitas, simplesmente, desaparecem por que não souberam se reinventar. Assim como no esporte de alto rendimento, as estrelas brilham em todas as atividades humanas, e dessa constelação destacamos: Moisés, Leonardo da Vinci, Madre Teresa de Calcutá, Nelson Mandela, Pelé e Bill Gates. Para reflexão, de cada um de nós, fica a lição de que a conquista da alta performance sustentada encontra-se na atitude do skatista, que usa a ousadia para suas manobras radicais e a humildade para transformar cada queda num degrau a mais na escalada do ranking mundial. SAGA DA MULHER CONTEMPORÂNEA O século passado notabilizou-se por grandes transformações científicas, tecnológicas, econômicas e sociais, tendo os historiadores destinado um capitulo especial para o despertar da mulher, na busca de seus direitos e resgate de valores subjacentes. Consciente, e inconscientemente, a mulher deu a luz a maior revolução 66


mercadológica das últimas décadas levando as lideranças empresariais a descobrirem o riquíssimo potencial do “produto” que mais agrega valor para a mulher contemporânea – a praticidade.Fruto desse valor percebido surgiram os alimentos semipreparados e prontos, as roupas feitas para todos os gostos e bolsos, os eletrodomésticos de grande utilidade no lar e uma gama enorme de serviços domiciliares. A concentração de produtos e serviços oferecidos pelos shopping centers, os transportadores de escolares, o delivery e tantas outras ofertas que tiveram como alvo principal poupar tempo – única “matéria-prima” que não tem reposição daquelas que cumprem, no mínimo, duas jornadas de trabalho. Ah! Não podemos nos esquecer das facilidades da sedutora Internet e do irresistível celular, que revolucionaram o sistema de comunicação. A instituição do Dia Internacional da Mulher nos permite crer que elas têm, sim,o que comemorar, porém entendemos que a data deva se constituir num fórum de debates sobre a não observância de determinados direitos, que continuam privilegiando os homens. Um dos exemplos mais gritantes é o da não aplicação do princípio da isonomia salarial. Ciente dos desafios que a esperam, a mulher tem investido em sua formação acadêmica, competência técnica e habilidades ecléticas, fatores que a faz referência como formadora de opinião e, conseqüentemente, agente de mudanças. Esta realidade despertou a percepção dos especialistas em marketing, que se convenceram do poder de decisão da mulher na hora de escolher a marca de um determinado produto. Entre as diversas causas do avanço da participação da mulher no mundo dos negócios destacamos o seu mérito pessoal, a escalada de desemprego, o sonho da independência financeira e econômica e a ajuda no orçamento familiar. Colaboraram, também, a perda do poder aquisitiva, o desejo natural de assegurar melhor padrão de qualidade de vida aos filhos e a certeza de que poderia desempenhar, com a mesma eficácia e dignidade, tantas outras tarefas como a de dona de casa – que aliás, ela nunca abandonou. Suprir essas necessidades e acreditar no sonho de dias melhores motivam as mulheres a “trabalhar fora”, apesar da injustiça salarial caracterizar grande parte do universo feminino. Servidoras públicas, profissionais liberais e funcionárias de empresas que, realmente, praticam os princípios da responsabilidade social são alguns exemplos de isonomia salarial. É justo reconhecer que a mulher é alma do Terceiro Setor, cujo desenvolvimento tem resgatado a cidadania de um sem número de pessoas. A sua sensibilidade e a sua capacidade de se indignar diante das injustiças sociais mostram que ela é mais generosa em compartilhar, com o próximo, o mais precioso tesouro do planeta – o conhecimento.Ela prova que a parte mais importante do corpo humano não é o cérebro e nem o coração - é o ombro... o ombro amigo. 67


Já não são as mulheres que seguem as tendências mundiais, mas as tendências é que buscam inspiração no novo estilo de vida redesenhado pela mulher. O essencial, para mulheres e homens, é a consciência de que somos da mesma natureza e que nossas diferenças nada mais são do que características complementares, à construção de uma sociedade sem preconceito, sem discriminação e sem violência à mulher – chagas sociais, ainda, vivas no mundo todo. Finalizamos com uma sonora, e prazerosa, comprovação: as belas estão se tornando, cada vez mais, “feras”. SONHAR, VALOR AGREGADO Que garoto pobre, e apaixonado por futebol, não sonha fazer o gol do título e cair nas graças de uma torcida que lota o estádio, numa final de campeonato de juniores? Essa frase não é nossa, ela pertence aos repórteres esportivos. Ser destaque na decisão de um título pode representar a grande chance de dar um sensacional drible na miséria e abraçar um elevado padrão de vida à família. O desfile de astros, dos principais clubes do esporte mais popular do planeta, comprova essa tese. O esporte e o mundo das artes são segmentos democráticos, pois permitem que pessoas de qualquer condição social possam, através de suas habilidades, competências e dons, arquitetar uma vida bem-sucedida. De uma mensagem que recebemos pela Internet destacamos alguns exemplos para os céticos em sua própria capacidade de realização. Walt Disney foi despedido pelo editor de um jornal por falta de idéias. Difícil imaginar tal fato. Antes de construir a Disneylândia ele foi a falência, mas nunca desanimou. Richard Bach teve recusada a sua história por várias editoras. Era a narrativa sobre uma ave chamada Fernão Capelo Gaivota. Por ser determinado, em 1970, a Macmillan publicou o livro, que transformou-se num bestseller mundial. Charles Darwin era considerado pelos seus professores e por seu próprio pai, um garoto comum. Por não se permitir desanimar, transformou-se no pai da teoria da evolução das espécies. Outro caso exemplar foi Abraham Lincoln, que antes de se consagrar como presidente dos Estados Unidos, foi derrotado em outras eleições, fracassou como empresário indo a falência e colheu mais três insucessos como homem de negócios. Sabemos todos que talento é indispensável, porém insuficiente para o sucesso sustentado. Mas qual será a diferença que pode fazer a diferença, na qualidade de vida da criatura humana? Entendemos que ela está na atitude das pessoas. O seu aprimoramento ocorre através da educação formal, e informal, alicerce do desenvolvimento humano. Entre as várias ações, que passamos a descrever, e que devemos praticar para atingirmos as nossas metas, priorizamos a “beleza de ser um eterno aprendiz”. Conscientizar-se de que a busca da excelência deve ser um hábito, e 68


não um objetivo, como dizia o filósofo Aristóteles. Acreditar que os sonhos estão para a motivação como o oxigênio está para os pulmões. Proceder como um campeão de skate que, pela ousadia e pela humildade, faz de cada queda uma nova etapa do processo de melhoria contínua. Investir nos valores essenciais da vida como a felicidade, por exemplo, objetivo comum à toda criatura humana. Demonstrar solidariedade com o próximo, compartilhando com ele o mais precioso dos tesouros – a sabedoria – pedra angular da cultura coletiva.Questionar as idéias, não as pessoas, acreditando que a inovação é fruto da imaginação. Contribuir para que o relacionamento inter-pessoal – semente das transformações - seja uma fonte inesgotável de harmonia no clima organizacional. Quanto as empresas, a tendência é que tenham percepção suficiente para compreender que somente a felicidade de seus funcionários poderá gerar maior produtividade – fazer cada vez mais e melhor, com cada vez menos – fator decisivo para o êxito de qualquer empreendimento. Se apesar de todas as nossas ações, as incertezas nos parecer a única certeza e a ciência não nos der mais esperanças poderemos contar, sempre, com a mais poderosa das nossas aliadas – a Fé – em cujo conceito o impossível não existe. “William James (1842-1910), o pai da psicologia americana, disse que a maior descoberta do século XIX não era no reino da ciência física. A maior descoberta, afirmou, era a força do subconsciente sustentada pela Fé. Em cada ser humano existe um reservatório ilimitado de força, capaz de superar qualquer problema do mundo.” CARNAVAL, ÓPERA DE RUA Na qualidade de presidente de uma associação, que fez do intercâmbio de informações e experiências empresariais a sua grande missão, tivemos o prazer de integrar uma Diretoria que promoveu um expressivo número de eventos sobre excelência organizacional. Japão, Argentina, Uruguai, Bolívia e Colômbia se fizeram representar nessas promoções e, do nosso país, contamos com profissionais de todos os escalões hierárquicos e dirigentes da mais variadas entidades. Das várias esferas governamentais, recebemos diversas autoridades, inclusive dois Ministros de Estado. Um desses seminários, cujo tema era - Motivação e Criatividade -, ficou marcado de maneira indelével pela genialidade do seu apresentador – o consagrado carnavalesco Joãozinho Trinta. A ginga do passista e a magia do futebolista brasileiro são embaixatrizes da cultura de um povo, que fez da sua incorrigível alegria o reluzente brilho da Marca Brazil. Da riquíssima diversidade das formas de expressão do carnaval – fantástica ópera de rua - nosso enfoque vai para as 69


escolas de samba, cujo pioneirismo pertence a “Deixa Falar” fundada em 1928, pelos sambistas: Ismael Silva, Bide, Brancura, entre outros. Do Criador à criatura, da pobreza à riqueza, da tradição à inovação, da flora à fauna, da história à geografia e da antiguidade à atualidade, surgem temas que se transformam em samba-enredo – espinha dorsal do desfile – gerador do maior espetáculo de artes ao ar livre do planeta azul. A análise gerencial, do cotidiano das escolas de samba, revela a aplicação de conceitos de consagrados especialistas mundiais, em gestão da excelência, como por exemplo o PDCA de Deming, a adequação de uso com satisfação do cliente de Juran, as equipes de trabalho de Ishikawa, a filosofia de Crosby, e os sábios ensinamentos de Peter Drucker. A empregabilidade, habilidade eclética do profissional moderno, também desfila nas avenidas deste país continente, pois os foliões sabem sambar, cantar, fazer evoluções e interpretar o personagem que representam no contexto. Motivada, a galera se levanta, estufa o peito e solta o tão aguardado grito de...é Campeã!!!...é Campeã!!!...é Campeã!!!. Por alguns instantes o sonho da igualdade universal acontece no verso do poeta, no som inconfundível do tamborim, no largo sorriso das passistas, na mistura das raças, credos, hierarquias, profissões e classes sociais Nessa hora a emoção fala mais alto e a adrenalina vai a mil, pois é o reconhecimento, e a valorização, do árduo trabalho de milhares de pessoas – a grande maioria anônima – que durante o ano todo se desdobra nas tarefas do barracão, na confecção das fantasias e das alegorias e participa dos ensaios na quadra. Colocar na passarela milhares de sambistas, com perfeita noção de tempo e de espaço e gerenciar o escasso orçamento da agremiação requer, sem dúvida alguma, muita criatividade para provocar efeitos especiais de baixo custo. Deve haver muita harmonia entre o planejamento estratégico e o “jogo de cintura” dos dirigentes, para lidar com pessoas de características tão diversificadas. Da leveza das evoluções da porta-bandeira à agressividade das batidas nos surdos, podemos assistir a uma aula singular de MBA ( Master of Business Administration) que, simbolicamente, podemos traduzir por - doutoramento tupiniquim. Para que as organizações de todos os portes e segmentos, possam agregar valores com o estilo interativo das escolas de samba, basta que seus executivos dêem oportunidades (iguais) para o funcionário possa revelar e desenvolver todo seu potencial empreendedor. Sendo o carnaval brasileiro, através de suas mais variadas 70


expressões regionais, a nossa mais internacionalizada manifestação cultural, encerramos com o seguinte alerta: vamos explorar o turismo, não o turista. O CALCANHAR-DE-AQUILES DAS EMPRESAS O ano velho partiu. “E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? E agora, Você?” Navegando suavemente nos versos do nosso poeta, Carlos Drummond de Andrade, deparamos com o momento de perguntar – e agora??? O que cada um de nós vai fazer com o presentão que ganhou? – 8.760 horas na poupança virtual de 2005. É a hora da verdade. Ajudar o próximo com práticas continuadas de solidariedade. Acionar o motor de arranque dos planos de ação para que os objetivos possam ser atingidos, no tempo e no espaço que planejamos. Passagem de ano é como corrida com bastão...sem linha de chegada. No mundo dos negócios é preciso alerta máxima, pois quando achamos que temos todas as respostas vem o mercado e muda todas as perguntas. Para melhorar a nossa pouco honrosa colocação (57ª) no ranking mundial de competitividade, é emergencial otimizar os investimentos em infra-estrutura e em IDH – índice de desenvolvimento humano – alicerces para o desenvolvimento harmônico da economia e do social. Eliminar o excesso da burocracia e do peso da carga tributária são políticas essenciais ao maior grau de internacionalização da nossa economia. Para a iniciativa privada fica a lição de que a liderança de mercado pode, também, ser transitória. Uma simples análise no ranking das 50 Maiores e Melhores empresas dos últimos 30 anos revela que 66% delas não mais fazem parte dessa elite olímpica. Das 500 empresas que constaram no primeiro anuário - Melhores e Maiores da Revista Exame - publicado em 1974, apenas 88 companhias apareceram na listagem de 2004, sem se ausentar um só ano. Liderança é resultado do processo de melhoria contínua. No campo pessoal, é preciso ter a percepção de que qualidade de vida, felicidade pessoal e carreira bem-sucedida são fatores da mesma equação: “a beleza de ser um eterno aprendiz”. Conduta ética, competência técnica, habilidades ecléticas, relacionamento inter-pessoal, capacidade para decidir acertadamente, são prérequisitos à conquista profissional. A classe política, o empresariado e cada cidadão, pode tirar lições exemplares do maior espetáculo da terra – as olimpíadas. Com efeito cascata, esse evento envolve todos os segmentos da economia mundial e da sociedade como um todo. Entre as dezenas de modalidades esportivas elegemos o vôlei como modelo de gestão. Ele é referência em planejamento, conhecimento e “fazejamento” compartilhados – ingredientes indispensáveis da receita de sucesso para qualquer empreendimento. Tendo como 71


fundamentos principais o compartilhamento do conhecimento, a descentralização do poder e o espírito de equipe, o modelo de gestão interativa encontra, na cultura das organizações, a grande muralha para sua consolidação. Nós ainda temos um estilo autoritário de administrar, inclusive pelas raízes pouco profundas da nossa democracia. Este é o calcanhar-de-aquiles das empresas, fator inibidor para que os funcionários sintam prazer pelo trabalho e orgulho da empresa – prérequisitos indispensáveis para encantar os clientes. Este inadequado jeito de gerenciar pode ser comprovado pelas ocorrências conflitantes do dia-a-dia das empresas e pela divulgação de pesquisas, como a coordenada pela professora Betânia Tanure de Barros, da escola para executivos Fundação Dom Cabral (MG), que concluiu: - “Se comparado a 30 anos atrás o nível de concentração de poder mudou muito pouco no Brasil. Só o discurso é diferente.” A descentralização do poder decisório é um dos fundamentos do novo perfil da organização competitiva, seja ela pública ou privada. Este estilo gerencial – que melhora as relações entre o capital e o trabalho - provoca motivação nos funcionários, fidelização dos clientes, maior lucratividade através de parcerias estratégicas e desburocratização dos serviços públicos. Enfim, reduz o Custo Brasil. Concluímos que para mudar o modelo de gestão temos que radicalizar, ou seja, temos que “virar a própria mesa”, pois para fazer omelete é indispensável quebrar os ovos. ELEIÇÕES, LIÇÕES EXEMPLARES A par da exemplar lição de democracia que o povo brasileiro deu ao mundo, e do sucesso do projeto desenvolvido pelo Tribunal Superior Eleitoral, os resultados das eleições de 2004 redesenharam o mapa geopolítico do Brasil.Uma simples análise da situação atual, comparada com a de duas décadas, revela que a conjuntura fez desaparecer estruturas incompatíveis com os anseios da população. Esta constatação nos leva ao pensamento do filosofo grego Heráclito, de Êfeso, (a.C 540-480 a.C) que dizia: – “ Tudo é fluxo,nada é estático. Nenhum homem tomará banho duas vez sequer no mesmo rio, pois o rio não será o mesmo e nem o homem será o mesmo” . A decência, a competência e a transparência administrativa são valores indispensáveis à gestão pública. Numa de nossas palestras fomos questionado sobre a política econômica do governo. Como não somos economistas,recorremos a seguinte história: “Certa vez,um conceituado político do cenário nacional,e influente liderança em determinada região, promoveu uma palestra convidando um renomado especialista em ciências econômicas, para expor as suas idéias à mais de duas centenas de pequenos empresários de agronegócios. 72


Terminada a exposição, feita com rara competência,e ao som de muitos aplausos,foi sugerido que os presentes dirigissem perguntas ao ilustre conferencista,com a finalidade de esclarecer dúvidas de interesse individual. Passados alguns minutos de constrangedor silêncio, e na insistência do político anfitrião,o senhor Zé do Mato,homem dotado de raro sentido prático da vida,disparou do alto dos seus 81 anos,a seguinte afirmação: Professô,eu intendi que cum tudo esse palavrório difici o sinhô só quis dizê uma coisa - si nóis gasta mais do que nóis ganha,nóis quebra.” Esse é o fundamento essencial da economia,seja ela micro,ou macro. O rigor no cumprimento do “dever de casa” por parte dos homens públicos, dos três poderes e das três esferas governamentais, a gestão empreendedora por parte da iniciativa privada e o comprometimento de cada cidadão em se desenvolver continuadamente, são os ingredientes da receita para vencer os desafios na ordem econômica e social. Indicadores como o grau de internacionalização, economia interna,comportamento do governo,recursos humanos, infra-estrutura, processos administrativos,finanças e ciência de tecnologia, devem ser otimizados para que possamos conquistar uma honrosa classificação no ranking da competitividade mundial. A redução da burocracia que, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, é da ordem de 5% do PIB e o combate à todas as formas de desperdício, que é superior a esse percentual, são,sem nenhuma dúvida, formas inteligentes de conseguirmos recursos próprios para investimento na qualidade da educação e da saúde. Estas são as colunas mestras da arquitetura de uma sociedade mais justa economicamente e mais igualitária socialmente. Os meios à serem utilizados passam pela vontade política, sistemas de gerenciamento focados em resultados e pela consciência de cada cidadão de que o nosso destino está em nossas mãos, ou melhor, em nossas mentes. Os inevitáveis “efeitos colaterais” dos acontecimentos internacionais têm gerado a necessidade de que a gestão organizacional seja pautada pela flexibilidade. Investimentos em planejamento, pesquisas de mercado,conhecimento e liderança compartilhados, gestão solidária,respeito ao Ser humano, sistema de incentivos motivacionais, processo de associação de idéias, comunicação interativa, preservação do meio ambiente e parcerias estratégicas fazem parte das exigência conjunturais. Encerramos com o milenar ensinamento do célebre prosador, político e orador romano Cícero (106-43 a.C) – Vamos equilibrar o 73


orçamento,proteger o tesouro,combater a usura e reduzir a burocracia.Caso contrário,afundaremos todos.

SECRETÁRIAS ADOTAM NOVO FIGURINO De mandona a meiga, de negra a branca,de principiante a experiente,de “extintor de incêndio” a anjo da guarda,todas as participantes do desfile de milhões de secretárias do mundo todo,conquistaram esse singular lugar nas organizações, graças a competência,habilidade e simpatia – o trilha do sucesso.A mais espetacular revolução da história da humanidade foi protagonizada pela mulher que, nas últimas décadas invadiu o mercado de trabalho, gerou um novo estilo de vida mundial e obrigou as empresas a desenvolveremn inovadoras estratégias mercadológicas. A Secretária é, sem dúvida alguma, uma das pioneiras desse movimento. Grande parte das responsabilidades da profissão é encontrada no Livro dos Provérbios,nas antigas civilizações gregas e egípcias,atribuições que deverão perdurar ao longo dos tempos. Não visualizo a perda de importância da nova roupagem da profissão,a qual transformou-se numa destacada passarela que abre espaço para vôos mais altos,dentro das organizações. Até em filmes como “Uma Secretária de Futuro”, estrela por Melaine Griffith,que interpreta a eficiente,mas,exageradamente ambiciosa secretária ou de “Loucuras de Amor”onde,a então estonteante Marilyn Monroe.contracenou com o incrível Groucho Marx ,ou de “Amor Eletrônico”com a excepcional Katerine Hepburn,ou ainda na novela brasileira Indomada com a caricata Mérilu,pode-se encontrar ingredientes especiais,sobre a receita do sucesso em tão atraente profissão. Observando os requisitos indispensáveis de uma secretária de uma grande empresa transnacional,de um profissional liberal,de um pequeno negócio,de um empreendimento rural ou de uma lojista,concluímos que a essência é a mesma,porém,a peculiaridade de cada organização,provoca ações operacionais diferenciadas.Com as profundas transformações estruturais e tecnológicas provocadas pela globalização,o futuro destas profissionais continua vinculado ao significado (do latim) original da palavra secretária – secretum – aquela que guarda segredo de outrem – conduzindo-a a uma assessoria executiva,com todas as prerrogativas do cargo. O sucesso na carreira passa,obrigatoriamente,por um curso específico de Secretariado e pela participação continuada em eventos e atividades que potencializem o seu talento e,enriqueçam o seu desempenho. A habilidade na operação dos modernos meios de comunicação eletrônica,com seus processadores de textos,Internet,software dos mais sofisticados,Intranet e outros dispositivos, têm contribuído com o sistema de excelência da gestão 74


das empresas,de todos os portes e segmentos. A fusão de empresas multinacionais evidencia que o domínio do inglês tornou-se obrigatório,mas,ser fluente em mais de um idioma,poderá representar a diferença que fará a diferença na ascensão da carreira. A busca incessante da redução de custos operacionais tem exigido que uma mesma funcionária atenda a várias Diretorias, ou setores da empresa, desempenhando uma multiplicidade de tarefas,que têm sido facilitadas graças ao cotidiano da mulher,que sempre exigiu dela a tão propalada empregabilidade,mesmo quando o termo não era usual no mercado de trabalho. Saber aplicar os fundamentos de administração de empresa, estar em sintonia com o planejamento estratégico,primar pelo relacionamento interpessoal com os clientes/fornecedores internos e externos e, principalmente, ter habilidade para lidar com a imprevisibilidade do Chefe,são aviamentos de um figurino que,cada vez mais,ganha silhueta gerencial. Com a lembrança de que a prioridade zero da Secretária de sucesso é saber, exatamente, o que ela nunca deve fazer,encerro com o bordão daquela talentosa, e simpática, comediante da TV brasileira – “está provado que eu não sou apenas um rostinho bonito,mas,que aqui tem muita cuca no lance”.

VÔLEI, MUITO MAIS QUE ESPORTE Os jogos olímpicos de Atenas deixaram, entre as muitas lições, a certeza de que talento e treinamento, determinação e superação, técnica e ética, tradição e inovação e grandiosidade e humildade são fatores indispensáveis à uma carreira bem-sucedida. Harmonizar esses fundamentos é a diferença que faz a diferença. A espetacular conquista da medalha de ouro pela seleção masculina de vôlei do Brasil, merece muito mais do que calorosos aplausos, é digna de uma reflexão maior, pois foi obtida contra equipes de excelente qualidade técnica. Criado em 1895, nos Estados Unidos, por William G. Morgan, com o objetivo de incentivar a prática de atividades físicas em ginásios, o popular “esporte da rede” abriga conceitos e fundamentos que podem, e devem, ser inseridos na gestão das empresas objetivando a melhoria contínua da performance. A meta é a vitória. Não há empate. É vencer ou perder, como no mundo dos negócios. O atleta precisa ter uma ampla visão de conjunto para poder reagir, rapidamente, às mudanças determinadas pelo técnico, que conta com a colaboração de todos os integrantes da comissão técnica. Se concordarmos que “os movimentos realizados em conjunto pelos jogadores de uma equipe são chamados de táticas”, concluímos que trata-se do esporte que usa com mais intensidade esse princípio de administração, área em que Peter F. Drucker é pole position. 75


Esse esporte aplica, ao longo das partidas, um autêntico Controle Estatístico do Processo – recurso que o técnico usa para corrigir falhas da sua equipe e para explorar os pontos fracos dos adversários. A avaliação de desempenho individual, e coletiva, é instantânea. Conclui-se que as decisões não são apenas baseadas no talento, na percepção, na experiência ou nos berros, mas num princípio onde o inesquecível Deming foi imbatível - a estatística. A comunicação, ponto que ainda deixa muito à desejar em grande parte das empresas, tem nos sinais do vôlei um valor agregado que pode definir um ponto, uma partida ou a conquista do ouro olímpico.Princípio essencial nesse esporte é o espírito de equipe que deve reinar entre os “ clientes e fornecedores internos” que tem no saudoso engenheiro Kaoru Ishikawa o seu mais destacado representante. Pai dos círculos de controle da qualidade, que muitas empresas abrasileiraram para times da qualidade, grupos de trabalho e tantas outras denominações, os quais se constituem no maior estímulo motivacional aos funcionários, pois sentem que a gestão solitária deu lugar a gestão solidária. A conquista da maioria dos pontos no vôlei é resultado da logística dos três toques, onde a solidariedade se faz presente. Uma das mais fascinantes evidências do vôlei é que cada ponto é uma decisão olímpica, uma comemoração, uma motivação a mais - pura adrenalina. Até o Código de Defesa do Consumidor é respeitado no vôlei, pois quem paga para assistir de 3 à 5 sets, vai apreciá-los com toda intensidade, pois nessa modalidade não existe a famosa “cera” - retenção da bola para que o tempo se esgote - e nem a lamentável freada de um piloto para que o outro vença. Conhecimento compartilhado, disciplina, flexibilidade, rapidez de reflexos, superação, concentração, equilíbrio emocional, harmonia, capacidade de reagir às condições adversas são alguns fatores de aprendizagem coletiva, inclusive com os adversários. Com o decrescente número de níveis hierárquicos e a consequente descentralização do processo decisório é de fundamental importância treinar (exaustivamente) todos os funcionários, para que saibam tomar decisões certeiras e, em tempo hábil. Enriquecer a gestão da empresa com a filosofia do vôlei é agregar um valor especialíssimo na incessante busca da satisfação total dos quatro protagonistas do mundo dos negócios: os acionistas, os funcionários, os clientes e os fornecedores.

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Cronicas de Faustino Vicente  
Cronicas de Faustino Vicente  

Cronicas de Dr.Faustino Vicente Consultor de Empresas e de Órgãos Públicos e-mail: faustino.vicente@uol.com.br tel.(011) 4586.7426 - Jund...

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