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PUBLISHED JUST FOR

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• O PUB INGLÊS COM PEGADA FRANCESA • A SÃO PAULO DE ANDRE CRESPO • BEBER, COMER E REZAR NO SUL DA FRANÇA • NOMAD, O NOVO PONTO HYPE EM NY

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EDITORIAL

A ARTE FLUIU

Esta revista é uma publicação da 4 Capas Conteúdo e MundoA - Gestão em Comunicação de Luxo, distribuída via correio exclusivamente aos moradores da Vila Nova Conceição e Jardins

RENAM CHRISTOFOLETTI: as tintas da moda

VENDA PROIBIDA

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CONSELHO EDITORIAL Doron Sadka, Georges Schnyder e Mariella Lazaretti

Diretor Executivo – Georges Schnyder georges@4capas.com.br Diretora Editorial – Mariella Lazaretti mariella@4capas.com.br Gerente de Publicidade – Ruth Nór ruth.nor@4capas.com.br Diretores de Arte – Ana Lucia Caldas - analucia@4capas.com.br Fabio Santos - arte@4capas.com.br COLABORARAM NESTA EDIÇÃO: Bruno Lazaretti, Camila Duarte, Luciana Bianchi, István Wessel, Karin Dauch, Lillian Vidigal, Lusa Silvestre (texto); Fabio Santos, Ricardo D´Angelo (fotos); Drica Cruz (stylist), Patrícia Calazans (revisão)

WESSEL E O CHEF DO CUT: a arte de cutelar carne PÁGINA 36

Projeto Gráfico: 4 Capas Conteúdo Rua Andrade Fernandes, 283 CEP 05449-050, São Paulo, SP Telefax: (11) 3023-5509 E-mail: 4capas@4capas.com.br

PARA ANUNCIAR

Tel. +5511 3815-1557 Diretor Executivo – Doron Sadka Cel. +5511 8366-1444 doron@mundoa.com.br Produção Gráfica – Doron Central de Compras Gráficas, tel. +5511 3813-9799 doroncentral@uol.com.br

LUSA: relaxe que é comédia PÁGINA 68

LILLIAN: entre a cruz e o garfo

Lembro-me de uma definição de Leonardo da Vinci que li em algum almanaque de frases sobre arte. “A arte diz o ‘indizível’, exprime o ‘inexprimível’, traduz o ‘intraduzível’”, dizia ele. E isso me faz pensar que Leonardo ficaria boquiaberto com a quantidade de expressões de arte existentes hoje em dia. Na gastronomia, na moda, nas artes plásticas, na literatura ou no cinema pode-se dizer que a inspiração de um artista nos faz sair do lugar comum ao tentar “exprimir o ‘inexprimível’”. Nesta edição de JUST for colocamos mais tintas (perdão pelo trocadilho simplório) neste propósito. Embora a arte sempre tenha sido contemplada em nossa revista, neste número fomos mais enfáticos irradiando sua presença em vários setores. Primeiro, unimos a moda (como negar a genialidade de um Yves Saint Laurent?) às artes plásticas. E foi assim: levamos telas enormes do jovem artista plástico Andre Crespo para um estúdio onde as lentes do fotógrafo Renam Christofoletti estavam. Unimos a isso a “interferência” exuberante da top model Caroline Ribeiro... Nem é preciso dizer que tanto o editorial de moda quanto a capa pela qual você acaba de passar emprestaram uma atmosfera sedutora à edição, o que nos levou a transpirar arte em todas as outras seções. Tanto na cobertura do evento anual no sul da França que une gastronomia e igrejas históricas como na paixão com que Ricardo Castilho, diretor da revista Prazeres da Mesa, descreve as alegrias do malte uísque. Nas deliciosas definições de gêneros do cinema do roteirista Lusa Silvestre; na história da Galeria Arte Brasileira, por Camila Duarte; ou na bem-humorada passagem do repórter Bruno Lazaretti pelo pub do interior da Inglaterra que, graças a misturas como Guinness com mariscos, ganhou duas estrelas Michelin. Cada colaborador (veja alguns deles ao lado) deu seu toque de Leonardo para a edição. Toques que procuraram traduzir a você, sentado aí nesse sofá, o que muitas vezes poderia ser ‘intraduzível’. Boa leitura! JUST for: Quem recebe não divulga. Quem lê, enriquece.

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IMPRESSÃO E ACABAMENTO Van Moorsel Gráfica e Editora A revista não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos assinados. As pessoas não listadas no expediente não estão autorizadas a falar em nome da revista ou a retirar qualquer tipo de material sem prévia autorização emitida por carta timbrada da redação.

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JUST IN CASE Caso você queira alterar seu nome, seu endereço, dar sugestões, manifestar-se ou deixar de receber esta publicação, entre em contato com justfor@4capas.com.br

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A presente Instituição aderiu ao Código ANBIMA de Regulação e Melhores Práticas para a Atividade de Private Banking no Mercado Doméstico.

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sumário

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12. Tentações Duas rodas - O estilo Diesel sobre duas rodas; a bolsa-joia da Hermés; a bicicleta sustentável da Smart e o colar Antonio Bernardo.

20. Just to Know Vista do alto - Guatemala e Belize da janela de um helicóptero; Renata Aschar vive perfumada; Las Leñas em banco quádruplo; a coleção de edredons da mãe e da filha; iQ, o menor carro para 3 pessoas e meia; a paixão que move a Galeria Arte Brasileira.

32. Ícone Guinness, vinhedos ou carne - O único pub do mundo com duas estrelas Michelin; Marqués de Riscal, o telhado maluco de Frank Gehry; a arte de servir churrasco no Cut.

38. Tecno Alô, olha o passarinho - Smartphone com projetor, carregador sustentável, a câmera fotográfica Leica.

40. Beber O cão engarrafado - A trajetória do verdadeiro uísque escocês, fiel amigo do homem.

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FOTO capa Renam Christofoletti EDIÇÃO Drica Cruz/ Abá Mgt

42. Lugar Um bairro pra chamar de seu - De Brown Zone, região esquecida de Manhattan, a NoMad quentíssima.

46. Sidney A vibe dos cangurus - As 10 atrações imperdíveis da cidade mais hype da Austrália.

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52. Moda Cenas urbanas - De Andre Crespo para uma mulher da metrópole.

62. Just Who A bela do Pará - Caroline Ribeiro gosta mesmo é de Secos e Molhados.

64. Perfil Desajustado e feliz - Andre Crespo descobriu seu talento fazendo caricaturas no período escolar.

68. Cinema Cadê a cena do beijo? - Ligue os pontos e descubra o gênero de cada filme.

72. Viagem Entre a cruz e o garfo - A festa de gastronomia e igrejas medievais no Languedoc-Rossillon.

78. Calendário De MacBeth a Tim Burton - Atrações e festivais culturais imperdíveis durante os meses de julho e agosto.

82. Click Através da gaiola - As cores de Paraisópolis na foto de Renata Castello Branco.

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Por Camila duarte

tentações

“SPECIALLY MADE FOR U” com a numeração de edição limitada atrás do assento do passageiro

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Diesel em duas rodas A Monster Diesel é a filha italiana nascida da união da Ducati, fabricante de motos, com a Diesel, grife de jeans. Seu design “urbano-chique-militar” foi a interpretação de Stefano Rosso, filho do fundador da Diesel para a moto Ducati Monster 1100 EVO. O quadro, as rodas, as tampas do motor, o sistema de escape e bifurcações receberam a pintura em verde fosco. Já as pinças de freio dianteiro receberam um amarelo chocante, que faz referência ao modelo da marca. A motocicleta tem uma gravação a laser do Moicano Diesel, logotipo da grife, no tanque de combustível, e “SPECIALLY MADE FOR U”, em uma placa com a numeração de edição limitada atrás do assento do passageiro – que pode ser personalizada com o nome do cliente. A Diesel também lança uma coleção de roupas inspirada em motociclistas militares. São jaquetas slim fit, camisetas, moletons, calças em denim cru com cinco bolsos e muitos acessórios. A Monster Diesel estará disponível nas lojas da Ducati a partir de julho, mas a marca já aceita encomendas. Valor sob consulta. www.ducati.com

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tentações

Kelly vira joia A grife Hermès lançou a mais nova integrante de sua coleção de it bags. Em parceria com o designer de joias Pierry Hardy, a bolsa Kelly, um dos maiores sucessos de todos os tempos da grife, criada em homenagem à atriz Grace Kelly, foi redesenhada em versão de joia. São quatro modelos em ouro rosa e branco, cravejados com 1160 diamantes de 90 quilates. O pequeno tesouro é para poucos. Cada peça está à venda por 1,5 milhão de euros e ainda exige decisão rápida de compra: serão fabricadas apenas três de cada modelo, ou seja, 12 unidades e ponto. A função bolsa está quase descartada: tem apenas 15 centímetros de altura e foi desenhada para ser usada como bracelete. As bolsas levaram mais de dois anos para chegarem ao mercado e podem ser encomendadas no site www.hermes.com

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TENTAÇÕES

PEDALADAS ELÉTRICAS Pegando a onda de veículos híbridos, as bicicletas elétricas são a bola da vez. A Smart, fabricante de minicarros, lançou o seu modelo de ebike, que tem a pedalada impulsionada por um motor elétrico de 0,27 cv de potência. Os quatro níveis de energia que impulsionam esse motor podem ser definidos em um painel de controle removível, que também informa a carga da bateria, a distância percorrida, o tempo de duração do passeio e a velocidade média alcançada. A ebike pode chegar até 99,7 km e pesa 26 kg. E se a bateria do iPod acabar no meio do caminho, ela pode ser recarregada pela energia da bicicleta por USB. O preço de lançamento é 2.495 libras e está disponível nas cores branca, verde, cinza e laranja. www.smart.com

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tentações

colheita de diamantes O designer Antonio Bernardo acaba de lançar a coleção que ele chama de “Momento da Colheita”. São 40 novas peças que celebram a criação, os meses de trabalho e a “colheita” da produção final, assim como acontece na natureza. Essa ideia de transformação e movimento está presente na nova coleção da joalheria, seja pela ilusão de ótica derivada do polimento ou pelas curvaturas nas peças. As pedras são protagonistas em boa parte da coleção. No colar Soft, 87 diamantes emoldurados em ouro se repetem linearmente, formando uma composição geométrica e regular (R$ 92.300). www.antoniobernardo.com.br

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Por camila duarte

just to know

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Vi do alto e me dei bem Guatemala e Belize ficam muito mais bonitas vistas das alturas

O Blue Hole , com água em temperatura constante de 25oC; as pirâmides de El Mirador (acima) e os masheños (alto, à direita): itinerários sob medida

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rês vulcões e um só destino: Guatemala. E para não correr riscos, o melhor mesmo é apreciar a bela vista do alto, da janela de um helicóptero. Os vulcões que rodeiam a cidade de Antigua Guatemala são um espetáculo e uma das opções de passeio que a Via Venture oferece. A empresa é especializada em tours aéreos pelos pontos turísticos da Guatemala, Belize e Honduras. Os passeios são montados de acordo com a preferência de cada cliente. Além dos vulcões, os turistas podem apreciar a vista de Chichicastenango, cidade com casas de telhado vermelho e ruas estreitas, lotadas de visitantes e vendedores de artesanato maia. Os masheños, cidadãos de Chichicastenango, são famosos por serem adeptos de uma ecumênica religiosidade maia e católica, que se revela na igreja de São Tomás, erguida sobre um templo do período pré-colombiano. Conhecer as pirâmides construídas pelos maias no sítio arqueológico de El Mirador também faz parte do roteiro da Via Venture. Localizado na região de El Petén, o sítio abriga cerca de 30 construções, entre plataformas e grandes pirâmides em forma de escadarias, como o templo de La Danta, com 72 metros de altura. Outras duas que se destacam são El Tigre e Los Monos, que contêm provas da presença das civilizações maias pré-clássicas. O turista que escolher visitar Belize tem uma opção a mais de passeio. A grande atração do pequeno país é o recife Blue Hole. Uma piscina natural com caverna submersa de mais de 120 metros de profundidade que abriga corais

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e diversas espécies de animais marinhos. A água dentro da caverna permanece com uma temperatura quase constante, de cerca de 25ºC, e a visibilidade geralmente excede os 45 metros. Blue Hole faz parte do Patrimônio Mundial e foi revelado por Jacques-Yves Cousteau como um dos 10 melhores lugares para mergulhar. O valor do pacote é, em média, US$ 1000 por pessoa por dia, incluindo hospedagem em hotel de luxo, pensão completa, traslados, voos internos e todos os passeios. Os mergulhos não estão inclusos no pacote, mas podem ser providenciados pela empresa, assim como safáris, trekkings, cavalgadas, golfe e pesca esportiva. www.viaventure.com

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Questão de faro Como Renata Ashcar partiu de um trabalho de conclusão de curso para fundar o Espaço do Perfume e tornar-se uma das maiores conhecedoras brasileiras do assunto

Por Vanda Fulaneto foto fabio santos

just to know

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publicitária paulistana Renata Ashcar tornou-se uma das maiores especialistas em perfumes do Brasil quase por acaso. Entre inúmeros temas que poderia escolher para apresentar um trabalho de conclusão de curso, na faculdade de publicidade, escolheu criar uma linha de perfumes. Ficou impregnada. Em 97, Renata tornou-se agente de Pierre Dinand no Brasil. Dinand, um dos mais famosos designers franceses de frascos, autor das embalagens de Opium, Calandre, Eternity e Azzaro, convidou-a para participar de uma exposição sobre o tema no Japão. Foi aí que Renata, animadíssima inicialmente, enfiou a viola no saco para a exposição, porque percebeu que não havia registros no Brasil. Em compensação, decidiu fazer um livro a respeito. Três anos de pesquisas depois nasceu Brasilessência: a cultura do perfume. “Este livro acabou servindo como base para a criação do Espaço do Perfume em 2004, montado em Curitiba e transferido para São Paulo em 2010”, diz ela. Ele está situado na frente à faculdade Santa Marcelina de Moda, em Perdizes, São Paulo. O Espaço promove pesquisas, desenvolve produtos, tem o maior material iconográfico e de pesquisa sobre perfumes. Para desenvolver o museu, Renata passou um período na Europa se aprofundando nas pesquisas em relação às marcas, antiguidades e principais fatos relacionados ao assunto. Muitas peças foram doadas pelas próprias marcas e colaboradores do projeto, distribuidoras de perfumes nacionais e internacionais. Além de peças que pertencem à Renata, uma respeitável parte do acervo do museu pertence ao fundador do O Boticário, Dr. Miguel Krigsner. Um dos frascos mais antigos em exposição é um de vidro fenício de cerca de 1400 aC. Outra peça superinteressante é o frasco usado por Napoleão Bonaparte para transportar sua colônia favorita nas botas durante as guerras. Renata adora dividir seu conhecimento organizando seminários sobre história e origem dos perfumes para profissionais da área e interessados sobre o tema. No momento, está envolvida em um grande projeto ministrando aulas para deficientes visuais na Fundação Dorina Nowil, preparando a primeira turma de avaliadores olfativos. “Levando em conta que os deficientes visuais têm o olfato mais apurado que o nosso, essa profissão é similar a de degustadores de vinhos, só que com cheiros”, ela diz. Em outubro ela parte para a França, levando um grupo para conhecer a rota do perfume, com visitas aos grandes museus, às lojas especializadas e aos

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campos de lavanda em Grasse. “O Brasil é hoje o primeiro mercado mundial em consumo de perfumes, e esse maravilhoso universo pode ser ricamente explorado através de ensinamentos”, diz. E para impregnar a todos como ela mesma foi, Renata costuma citar o trecho do livro O Perfume, de Patrick Suskind, que diz: “As pessoas podem fechar os olhos diante da grandeza, do assustador, da beleza, podem tapar os ouvidos diante de uma melodia ou de palavras sedutoras, mas não podem escapar ao aroma. Ele é o irmão da respiração, penetra nas pessoas, elas não podem escapar-lhe caso queiram viver. Bem dentro delas vai o aroma, diretamente para o coração – que faz a distinção entre atração e repulsa, horror e prazer, entre o amor e o ódio”. www.espacoperfume.com.br

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Calor nos Andes novo lift quádruplo e campeonato brasileiro esquentam a temporada de Las Leñas

Por CAMILA DUARTE

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Ao lado, o novo lift Minerva. Abaixo, a base da estação Las Leñas

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programação esquenta na estação de esqui Las Leñas neste inverno. Competidores vão suar a camisa pelos troféus do Campeonato Brasileiro Amador de Ski e Snowboard. A temporada que abre no final de junho terá ainda a inauguração de um novo lift, que reduz o tempo de espera para a subida ao topo das pistas. O novo Minerva é um teleférico do tipo quádruplo fixo, com 1.190 metros de comprimento, que permite acesso independente da base, para esquiadores que não querem perder tempo longe da emoção das pistas. O Valle de Las Leñas está a 1.200 quilômetros de Buenos Aires, bem no meio da Cordilheira dos Andes, e é considerado um dos mais importantes centros de esqui e snowboard da América do Sul. A qualidade da neve, a topografia e a segurança são alguns dos pontos que fazem sua fama na prática do esporte. A base está localizada a 2.240 metros de altura acima do nível do mar, e o topo, a 3.430 metros. São 30 pistas e um snowpark destinado aos visitantes que preferem o estilo livre. O parque ocu-

pa uma área de 17.500 hectares, possui 13 meios de elevação e capacidade aproximada de transporte de 12.100 esquiadores por hora. Para os loucos de pedra, mais propriamente “loucos de neve”, Las Leñas conta com uma das descidas ininterruptas mais longas do mundo. Apolo, Neptuno e Venus formam o percurso total de 7.050 metros. O Campeonato Brasileiro Amador de Ski e Snowboard começa no dia de 28 de julho e vai até 4 de agosto e pode ser disputado por apaixonados de todas as idades e níveis de experiência. Para os iniciantes ou os que querem aproveitar o passeio de uma maneira mais relaxante, o Valle de Las Leñas oferece um pós-pista caloroso, com boa gastronomia, vinhos, cafeterias e hospedagem de luxo. A temporada de esqui costuma ser boa de junho a outubro. Pacotes a partir de US$ 3.800 por pessoa em apartamento duplo com passagens aéreas, traslado do aeroporto ao vale, sete noites de hospedagem e lift livre. Informações e reservas - 0800 771 9400 Snowtime – 3088 3700 www.laslenas.com

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CORAÇÃO DE MÃE O IQ É O MENOR CARRO DO MUNDO PARA QUATRO OCUPANTES. OU QUASE!

POR CAMILA DUARTE

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empre cabe mais um, desde que sejam 4. O minicarro foi projetado pela Toyota, em 2009, na configuração 3+1. Isso mesmo. São três lugares para adultos e um para uma pessoa franzina, com medidas de uma criança, ou um japonês dos pequenos. Com três metros de comprimento e 1,60 m de largura, foi sucesso de vendas no Japão. Claro: fácil de estacionar e capaz de transportar a família inteira. Em uma cidade com pouco espaço, é tudo de bom! Chegou aos Estados Unidos apenas neste ano, mas para enfrentar a concorrência, teve que mudar sua identidade. Está sendo produzido pela montadora Scion, que projetou uma versão mais “moderninha” para conquistar o público jovem. Ganhou para-choques de design mais suave e rodas em alumínio com a logo da Scion. Por dentro, tela de LCD com controle de áudio e informações para navegação. E se bater ou capotar neste espaço justo? Todo mundo vira arroz de sushi? Não. O pequeno possui 11 airbags na série top da linha, tornando-se uma almofadona macia. Há airbags para a cabeça e joelhos do condutor e do passageiro da frente, nas laterais de cortina, no assento do banco e, pela primeira vez, na janela traseira. O modelo tem motor 1.3, câmbio automático de quatro marchas e consumo médio de gasolina de 16 km/l. A Scion anunciou que o iQ terá uma versão EV, com motor totalmente elétrico. O preço é de carro popular brasileiro. E tem mais. Para comover os jovens corações americanos, a montadora criou uma promoção genial: ao pagar pelo Scion iQ o valor de US$ 15.995, o cliente ganha um Play Station Vita equipado com o jogo Motor Storm RC, pronto pra jogar. Por que só lá, hein?

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Por camila duarte

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afeto e tintas no ponto Mãe e filha criam coleção de edredons e tapeçarias únicas pintadas à mão

nicas. É assim que a arquiteta e designer Inês Aquino define as peças da coleção que desenvolveu com a parceria de sua filha Lina. São tapeçarias para paredes e edredons costurados e pintados à mão. A mãe diz que a filha gostava de uma arte desde pequena: “Ela sempre pintou e desenhou muito bem. Depois que voltou de São Paulo, onde cursou faculdade de Moda, aprendeu comigo as técnicas de pintura em tecido”. Elas são de Ribeirão Preto, onde Inês manuseia os pincéis desde 1983 e cria coleções para a Companhia de Tapetes Ocidentais. O processo de fabricação de suas peças é inteiramente manual. As cores e os desenhos são definidos primeiro. A inspiração para as pinturas vem de pesquisas, viagens, memórias, humor e fantasias de mãe e filha, integrados à cultura e às raízes nacionais. “São peças impregnadas de alma e afeto com uma linguagem bem brasileira, sofisticada e descontraída, porque é assim o nosso viver contemporâneo”, diz Inês. A pintura é o segundo passo. Depois do desenho criado, é definida a paleta de cores. As tintas em acrílico são preparadas com diferentes pigmentos até atingir o tom exato, e os desenhos são tingidos nos tecidos em 100% algodão. É chegada a hora da costura. As cores são somadas ao preciosismo da  costura no matelassê de contorno. Da forma mais tradicional, o fio da costura utilizado é da mesma cor do desenho de fundo, dando volume e destaque às figuras criadas. O processo inteiro, entre criação de croquis, desenvolvimento de cores, costura e matelassê, leva, aproximadamente, um mês para cada peça de oito metros quadrados. Tudo pensado, selecionado e pintado pelas duas juntas. “O resultado e a energia foram tão bons que resolvemos montar uma exposição. Como mãe, foi um privilégio passarmos esse tempo produzindo juntas entre conversas, música e muito astral”, diz. As peças de Inês e Lina estão expostas durante o mês de junho na Sala Cultural Design Brasil, em Ribeirão Preto, e estão à venda por preços a partir de R$ 3800. Tapeçarias e edredons personalizados podem ser encomendados por R$ 600 o metro quadrado. Design Brasil – Tel.: 16 3911 9394

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amor de brasileiros A Paixão pelos genuínos artesãos da terra atravessa a terceira geração da família Gomes Dias, em 90 anos de Galeria Arte Brasileira

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ada de coisinhas, lembrancinhas ou pequenos suvenires. “Na galeria, é tudo muito especial: é a nata da Arte Popular Brasileira”, diz a fundadora Dona Célia Gomes Dias. Mais do que isso, a Galeria Arte Brasileira é um bastião da cidade. Um dos poucos pontos dos Jardins que não foi engolido por uma grife estrangeira ou butique de moda. A galeria oferece, há quase 100 anos obras de artesãos e artistas nacionais genuínos. Presentes verdadeiros para estrangeiros de bom gosto é o que a família gosta de vender desde sua fundação. Nada é réplica made in china. São peças singulares, que representam a alma brasileira, feitas por grandes artistas ou pequenos artesãos de vários pontos do Brasil. Tudo começou em 1924 com o sogro dela, João Gomes Dias, imigrante português que trabalhava como alfaiate no centro da cidade. Assim que chegou, apaixonou-se imediatamente pelos cavalinhos de barro, bois-bumbás e pedras brasileiras da artesania nacional. Comerciante nato, passou a vender em seu ateliê presentes e lembranças de artesãos do país, expondo os produtos na vitrine de sua loja. Em pouco tempo, João já tinha seis lojas de suvenires espalhadas pelo Centro de São Paulo, uma para cada um de seus seis filhos. O caçula, que leva o mesmo nome do pai, hoje aos 87 anos, falando pouco e escutando com dificuldade, foi o único que permaneceu com a loja deixada pelo pai. E é ele quem a abre e fecha, regularmente, às nove da manhã. A única coisa que mudou em sua rotina foi o endereço. Em 1976, Seu João e Dona Célia, com quem é casado há 58 anos, decidiram fechar a loja do Largo do Arouche e transferi-la para a Alameda Lorena, onde moravam. Com a ideia de uma instituição que valorizasse o artista, o artesão e a arte popular brasileira, Dona Célia fundou na loja uma galeria de Arte Primitiva Brasileira ou Arte Naïf. Nas décadas de 80 e 90, ela realizou exposições e vernissagens dos quadros coloridos dos principais artistas da época, caracterizados por temas singelos e de poucos elementos ou por qualida-

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des encontradas em obras de pintores formados pelas Belas Artes. “Hoje já não promovo mais exposições, mas tenho um acervo e consignações de quadros da arte primitiva”, diz ela. Na galeria, há obras de Nunciata Stefano e Edgar Calhado. “Além de trabalhar com Célia, temos uma amizade de anos. A galeria é uma ampla janela para o reconhecimento do nosso trabalho”, diz o pintor Edgar Calhado. “Todos os quadros que envio para a Galeria são vendidos imediatamente, não param empilhados dois dias”, diz ele. Na verdade, um único quadro de Edgar não foi vendido até hoje: o Barqueiro. E por um motivo simples: foi um presente do artista para Cláudia, filha do casal que assumiu o negócio com o irmão Fabio. É ela quem vasculha lugarejos e visita ateliês pelo país em busca de arte genuinamente brasileira. Fabio faz o trabalho administrativo. A loja é dividida em dois pavimentos. No andar debaixo ficam os presentes e pequenas peças, como imagens religiosas, artigos indígenas, toalhas, jogos americanos de renda filé e de bilro, redes, biojoias de artistas modernos e peças em pedras nacionais. O segundo andar é repleto de peças para decoração e para os apreciadores da arte brasileira: quadros e esculturas de Izabel Mendes, José Bezerra, Nenê Cavalcanti e do saudoso

ceramista Mestre Galdino. “Essas são as figuras fantásticas do Mestre”, diz Cláudia, apontando para os bonecos de cerâmica . “Cada boneco ganhava uma história escrita pelo seu criador”, conta. Dona Célia não abre mão de um horário para chegar e cuidar do desempenho da loja e das funcionárias de confiança. “Elas estão aqui há 15 anos”, diz. Relações longevas e afetivas nesta casa não faltam. José Rinaldo Castro de Santi, um dos artistas exclusivos da galeria, declara: “Deveria existir mais gente como ela no mundo, que dá valor ao nosso trabalho. Não há espaço como este, nos conhecemos há 30 anos e só trabalho com ela”, diz o pintor. Aos 82 anos, ela reclama de osteoporose, mas que não parece problema algum quando se trata de subir para o segundo andar, sua parte preferida. “É daqui que eu gosto. É neste espaço que as peças grandes, especiais e diferenciadas ficam. Tenho um carinho enorme pelos artistas e artesãos da terra. É um amor de brasileiro para brasileiro”, diz emocionada.

reTraTos do brasil MESTRE GALDINO a arte do ceramista e poeta pernambucano se transformava em pequenos bonecos de barro. Para cada um, ele escrevia uma história.

NUNCIATA STEFANO a paulistana começou a a pintar em 1971. expôs em capitais brasileiras, na frança, Holanda e inglaterra. usa técnica de óleo sobre tela. Pinta espaços floridos e rurais.

EDGAR CALHADO

NENÊ CAVALCANTI ainda criança, a paraibana transformava barro em animais e brinquedos. as bonecas gordas são sua marca e seu trabalho é reconhecido internacionalmente.

nascido em olímpia, os trabalhos em pintura com óleo e acrílico sobre tela, guache e nanquim sobre papel exploram seus temas favoritos: volta à infância, vegetações agrícolas e motivos rurais.

JOSÉ BEZERRA

IZABEL MENDES

Pernambucano escultor de peças em madeira. com um facão ou serrote na mão, árvores caídas, troncos e raízes dão origem às suas figuras. a inspiração vem do cotidiano em meio à aridez do vale do catimbau.

mineira do vale do jequitinhonha, izabel imitava a mãe, que era louceira e se dedicava à produção de cerâmica utilitária. Passou a modelar em barro vermelho animais e bonecas, pintava-os de branco e vendia para sustentar a família.

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pub

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Por Bruno Lazaretti, de Marlow Molho béarnaise e Guinness: pratos elaborados com técnica francesa, mas com produtos nacionais

Cheers, Monsieur! O The Hand & Flowers é o único pub do mundo com duas estrelas Michelin. O segredo? Mesclar o melhor da culinária francesa com o espírito hospitaleiro da taverna bretã

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xistem três tipos de pessoas que conhecem a cidadezinha britânica de Marlow: as que dormiram demais no trem que vai para oeste partindo de Londres, as que pegaram a saída errada na estrada M40 entre Oxford e a capital, e as que já ouviram falar do The Hand & Flowers, o primeiro e único pub do mundo a receber duas estrelas do Guia Michelin em 2012. O galardão colocou o pub no mesmo páreo de restaurantes como o The London, de Gordon Ramsay, e transformou a public house na atração número 1 da cidade, ultrapassando muito a casa onde viveu a escritora Mary Shelley e a ponte levadiça construída em 1832. À primeira vista, o The H&F é menos um pub do que um gastropub: a mesas com taças e talheres de prata ofuscam os meros quatro metros de bar, e os garçons altamente treinados estariam decididamente fora de lugar em uma taverna de marinheiros. Mais importante, porém, é que a culinária está mais encostada nos fundamentos da cozinha francesa do que nos batentes meio bárbaros da cozinha

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“Queria um pub onde eu pudesse ir de jeans comer pato com fritas e tomar cerveja sem pagar 180 libras por isso.” Tom Kerridge, idealizador e chef do pub

britânica. “Meu treinamento foi em restaurantes franceses, então os caldos, molhos e a técnica vêm dali”, diz Tom Kerridge, idealizador e chef do The Hand & Flowers. “Mas em contrapartida, todos os ingredientes são britânicos. Carnes, peixes... Até as trufas são daqui!” O resultado é um menu no qual convivem pacificamente a culinária das duas nações rivais. Os mariscos meunière, franceses até a medula, são cobertos com espuma de cerveja Guinness, símbolo da Irlanda. O bife proveniente do condado inglês de Lancashire é servido com uma generosa avalanche de molho béarnaise. O suflê de maracujá com sorvete de lima é coberto com toffee derretido e seria capaz de acabar a Guerra dos Cem Anos no decorrer de uma sobremesa. Se é verdade que a elaborada culinária do The H&F o distancia dos demais pubs britânicos, também é verdade que algo na atmosfera do lugar o impede de ser chamado de “restaurante”. E isso é uma coisa boa. Intencional, segundo Tom: “Quando criamos este lugar, eu e minha mulher pensamos: `Que tipo de lugar nós gostaríamos de frequentar nos nossos dias de folga?’ E é isso. Um pub em que você pode entrar de jeans e tênis, tomar cerveja e comer pato com batatas fritas sem pagar 180 libras por isso”, explica o chef, em um tom de

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voz inesperadamente suave. “Olhe para mim! Eu sou um inglês careca de 1,80 m e 160 quilos. Sou o típico frequentador de pubs. Fui feito pra este lugar”, bravateia às gargalhadas. A hospitalidade para ele é uma questão de filosofia. Como o é não esconder suas origens de Gloucester, cidade humilde do oeste da Inglaterra. Aos 20 anos, Tom mudou-se para Londres, onde trabalhou com chefs localmente conhecidos até ir parar na cozinha do Adlards, restaurante com uma estrela Michelin da cidade de Norwich, leste da Inglaterra. Depois que seu projeto de abrir um restaurante no centro de Londres foi por água abaixo antes de sair da prancheta, Tom decidiu fazer jus às suas raízes. “Eu e meu irmão não nos falamos muito. Ele continua em Gloucester. Saiu da escola aos 15 anos e até hoje, aos 35, ainda trabalha no mesmo armazém na cidade”, revela o grandalhão. “Para mim, é importante que uma pessoa como ele possa entrar no meu estabelecimento e não sentir vergonha de estar aqui. Não quero que ele se sinta fora de lugar.” E não se sentiria. Nada está deslocado no The Hand & Flowers. Especialmente as duas estrelas Michelin. The Hand & Flowers - www.thehandandflowers.co.uk

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hotel

por camila duarte

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A casa do arco-íris Criado por Frank Gehry, o hotel Marqués de Riscal é uma obra magnífica e perturbadora entre construções do século XIX

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uem conhece a rota dos vinhos espanhois, certamente já passou por Elciego. A cidade abriga as principais bodegas produtoras da região de Rioja. Mais do que vinícolas e as melhores variedades da bebida, a região oferece uma paisagem bucólica pontuada pela cultura e construções medievais. Em uma área de 100 mil metros quadrados está a vinícola Herederos Marqués de Riscal, construída em 1858. O vilarejo faz parte do Project 2000, um plano estratégico da Marqués de Riscal que cria uma ponte imaginária entre o século XIX e XXI, mesclando tradição e modernidade, em prol do bom vinho e da tradição espanhola. O plano era construir uma estrutura moderníssima com novas tecnologias, mas sem se desfazer da paisagem e da cultura locais. Assim surgiu o desconcertante Hotel Marqués de Riscal – a Luxury Collection, inaugurado em 2006. Erguido em parceria com o grupo Starwood Hotels & Resorts, foi projetado por Frank Owen Gehry, mesmo arquiteto do Museu Guggenheim de Bilbao. Gehry

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criou o edifício de luxo, mas que poderia ter sido tirado de um desenho animado, de tão fantasioso e perturbador. Sua forma ondulante e assimétrica chama atenção para si a quilômetros de distância, mas destaca-se com a expansão luminosa de um arco-íris, vinhedos, igrejas e casas de um bege cor de pedra ao redor. O telhado em chapas de aço e titânio em formato de ondas refletem luzes coloridas. As paredes e pisos acompanharam o desenho disforme. Dos 43 quartos de luxo construídos, apenas 10 são suítes, todos diferentes entre si: cada um oferece variados pontos de vista para a cidade. Foi Gehry quem também projetou o design dos restaurantes, salas e quartos, combinando couro, madeira maciça e mármore. O principal restaurante do hotel, o Marqués de Riscal, foi premiado pelo guia Michelin e oferece culinária basca tradicional com influência francesa supervisionada pelo chef Francis Paniego. As diárias custam a partir de 500 euros, com café da manhã. Um cardápio com tratamentos de beleza e relaxamento a base de vinho também é um dos atrativos do hotel, assinado pelo Spa Vinothérapie® Caudalie Marqués de Riscal. www.marquesderiscal.com

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As telhas de aço e titânio (acima) refletem um arco íris sobre a cidade medieval (à esquerda). Na página ao lado, a adega centenária e o interior de uma das suítes

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Carnes envoltas em tecidos brancos e pretos, diferenciando procedência e maturação: escolha na bandeja (à esquerda)

A carne é forte O que esperar de uma churrascaria em Londres, concebida por um chef celebridade americano? Nosso especialista em carnes foi ao CUT E não SENTIU FALTA nenhuma Da atmosfera dos pampas

Por István Wessel, de Londres

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restaurante

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uando comecei a ler sobre o “über chef” austro-americano Wolfgang Puck tive uma sensação esquisita de déjà vu, ou melhor déjà lu (já lido). Parecia mais uma daquelas histórias do menino que ajudava a mãe chefe de cozinha a quebrar ovos quando, súbito, se transforma em famoso cozinheiro. É o tipo de história que leio com bastante reticência. Mas creio que Puck, a celebridade, me impressionou pelo que conseguiu executar em um restaurante de carnes. Já fui a muitos em minha vida, sobretudo desta especialidade, que é meu negócio. Mas nossa ida ao CUT no 45 Park Lane, foi especial, por inúmeras razões. Primeiro por ser Londres, cidade extraordinária, com quase nenhuma tradição em churrascaria – que é o que CUT é, inclusive no nome (“corte” em inglês). Depois, onde ele está hospedado, o Hotel 45 Park Lane. O hotel da Rede Dorchester, inaugurado há alguns meses, foi Playboy Clube nos anos 70 e residência de seu proprietário - que sempre soube das coisas e morava em frente ao Hyde Park, privilégio de poucos. Trata-se de um hotel de 49 apartamentos, todos de frente para as árvores do parque, cuja recepção fica meio escondida, à esquerda de quem entra, em uma linda sala de estar envidraçada. Enquanto esperávamos arrumar nossa mesa, nos dirigimos a um charmoso bar por uma longa escada que acaba em uma espécie de loft no alto do pé-direito duplo do térreo. Música marcante, pouca luz e gente bonita. Muitos drinks diferentes, baseados em alcoóis sérios e bons (como as diversas marcas de Gin). Particularmente chamativo é o drink de infusão de erva-cidreira, conhecida por suas qualidades relaxantes.

Pouco depois fomos conduzidos ao salão do restaurante. Interessante notar que um restaurante de carnes grelhadas (eufemismo para nossa churrascaria), não necessariamente precisa lembrar campo, fazenda, curral, pampas, etc. No caso do CUT, o longo e elegante salão é dividido por cortinas drapeadas, dando a sensação acolhedora de se estar em um jantar na casa de amigos. Mesmo com a Libra Esterlina cotada por volta dos R$ 3, os preços do cardápio não assustam frequentadores de restaurantes paulistanos. Tudo bem! São Paulo é para profissionais! As carnes são simplesmente perfeitas desde a apresentação até a maciez, suculência e ponto. Um garçom nos entrega o cardápio e, na sequência, outro se aproxima trazendo as amostras das carnes. Ele nos apresenta umas seis ou sete peças de 1,5 kg aproximadamente, dispostas em uma bandeja. Elas vêm embrulhadas meticulosamente em panos de algodão brancos e pretos. De fora está apenas a face de cada carne, mostrando sua apetitosa cor vermelho claro. Ele aponta cada um dos cortes explicando que as embrulhadas em preto são da raça japonesa Wagyu, importada da região de Araucanía, no Chile; e a cruza de Wagyu com Black Angus vem de Darling Downs, Queensland, Austrália. As envoltas em pano branco são Angus USDA Prime*, de Creekstone Farms, Arkansas City ou de Devon, sudoeste da Grã-Bretanha. Com todo o cuidado para que não haja surpresas quanto ao sabor e maciez, pode-se escolher entre as carnes maturadas por 35 ou 28 dias. Tudo com muito cuidado e atenção. O tempo para a escolha é o que for preciso. O cardápio oferece

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o salão comprido e elegante dividido por cortinas (à direita); o chef David McIntyre (abaixo); o endereço que já foi Playboy Club (abaixo, à direita)

ainda uma opção atraente: degustação de New York Strip Loin, que para nós seria o popular bife de chorizo, como nossos vizinhos o chamam. Vêm aproximadamente 100 g do Angus americano, 100 g do britânico e 50 g da cruza australiana de Black Angus com Wagyu. Esta degustação é mais cara (55 libras), mas 280 g de strip loin de Black Angus americano custa 33 libras, ou seja, 100 reais. Os acompanhamentos têm o preço daqui: em média, R$ 15 a 18. Não é barato, e se custa como aqui, alguma coisa está errada. Aqui. Mas ainda não contei das entradas, que por si só já seriam um ótimo jantar. Degustamos o sashimi de Wagyu com fatias finas de rabanete picante; um delicioso “flan” de tutano de boi (tomara que meu cardiologista não esteja lendo), carpaccio de vieiras escocesas e minihambúrgeres Wagyu com uma fina fatia de Emmentaler. O serviço corretíssimo teve ainda um plus com a simpatia do chef em ação, David McIntyre, que nos recebeu na cozinha e na presença do diretor Alex Resnik, que fez questão de vir nos felicitar à mesa. *usda prime – é a melhor classificação de carcaças apontada pelo ministério da agricultura dos estados unidos.

Restaurante CUT – Hotel 45 Park Lane Reservas pelo telefone +44 (0) 20 7493 4554 ou e-mail restaurants.45L@dorchestercollection.com

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CANIVETE NO TRIPÉ Para quem tem espírito aventureiro e quer registrá-lo em boas fotos, a Gerber, uma cutelaria americana, lançou um canivete multiuso. São 12 funções em um aparelho só. Além de cortar, serrar abrir, apertar e enroscar, a ferramenta pode ser usada como um tripé para câmeras fotográficas e smartphones. Foram instaladas duas “pernas” dobráveis em uma das bases do canivete, permitindo que a parte da frente forme o tripé. Medindo 10 cm de comprimento (fechado) e pesando164 gramas, o supercanivete cabe no bolso e custa US$ 64. www.gerbergear.com

POR CAMILA DUARTE

TECNO

SEGURANÇA NA VOZ

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Já imaginou perder o pendrive com arquivos pessoais? E se alguém encontrar? Melhor nem pensar. A empresa nova-iorquina Hammacher Schlemmer lançou o pendrive USB que permite proteger o acesso aos arquivos por comando de voz. Ele ainda consegue identificar o usuário, mesmo que ele esteja rouco, gripado ou resfriado. A única versão fabricada é a de 8 GB, vendida por US$ 49,95. www.hammacher.com

SMART PROJETOR Mais uma função para os celulares inteligentes. A Samsung lançou o Galaxy Beam, smartphone com projetor integrado. Pode ser usado para a reprodução de fotos e vídeos armazenados. Sua tela possui 4 polegadas, a câmera traseira é de 5 MP capaz de gravar vídeos em HD (720 P), além de câmera frontal de 1.3 MP. São 8 GB de memória interna e sistema operacional Android 2.3. O Galaxy Beam chega ao Brasil em julho, custando R$ 1.700. www.samsung.com

CARREGADOR VERDE Tecnologia sustentável. Essa é a frase do momento. A empresa holandesa A-Solar já desenvolveu a sua com o Power Dock, um carregador de aparelhos com iOS, sistema operacional da Apple que usa a energia solar. Trata-se de uma pequena caixinha preta emborrachada que pode carregar uma bateria de 6000 mAh (miliampère-hora). O carregador armazena energia e tem entrada USB para carregar outros aparelhos. À venda por € 79. www.a-solar.eu

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CONEXÃO SEM FIO ATÉ DEBAIXO D’ÁGUA TG-1 iHS Tough. Esse é o nome complicado do lançamento da Olympus, uma câmera fotográfica digital diferente. Fina e leve, tem design robusto e suporta pancadas fortes e mergulhos de até 12 metros de profundidade. Vem com a tecnologia OLED, de 610 mil pixels de resolução, zoom óptico de 4x e tela de três polegadas. As pré-vendas para julho já podem ser feitas pelo site por US$ 399.99. www.olympusamerica.com

Já que a maioria das mídias pode ser conectada à internet sem precisar de fios, estava passando da hora de apresentarem uma tecnologia dessas em fones de ouvido. E foi isso que a Koss fez. A americana anunciou a linha de fones com conectividade Wi-Fi capaz de acessar e reproduzir músicas direto da rede. São dois modelos da linha Striva: o interno, chamado TAP, e o externo, PRO, que vêm acompanhados por um servidor miniatura e com o Striva Access Point, ponte de acesso sem fios para converter música de um smartphone ou computador. O Striva PRO está à venda por US$ 450, e o TAP por US$ 500. www.koss.com

OLHE A PAISAGEM, SE PUDER A Leica, em parceria com a grife francesa Hermès, lançou a M9-P, câmera exclusiva para apreciadores de fotos e elegância à moda antiga. A câmera e os acessórios são feitos à mão em titanium e customizados em couro de vitelo, embalados em uma caixa e uma bolsa para guardar. O difícil vai ser parar de admirá-la e focar na paisagem. São dois modelos de kits. O primeiro contém a Leica MP-9 e uma lente Leica Summilux-M 50 mm f/1.4 ASPH. Foram fabricadas 300 peças a US$ 25 mil cada uma. O outro kit, além da câmera, contém um livro-álbum com 200 fotos em preto e branco capturadas por Jean Louis Dumas, ex-presidente da Hermès, com a sua antiga Leica M. Esse box vem também com três lentes: uma Leica Summicron-M 28 mm f/2 ASPH, uma Leica Noctilux-M 50 mm f/0.95 ASPH e uma Leica APO-Summicron-M 90 mm f/2 ASPH. São apenas 100 caixas, disponíveis em junho a US$ 50 mil cada. www.leica-camera.com

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BEBER

FIEL

COMPANHEIRO

por ricardo castilho fotos ricardo d´angelo

eM certos MoMentos, PrinciPalMente Para relaXar, UMa dose de UÍsQUe É a coMPanhia PerFeita

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Com sua brilhante cor dourada, lembrando o mel, sabor marcante e de personalidade única, o uísque escocês faz a alegria de seus apreciadores há mais de cinco séculos. O primeiro registro sobre a bebida data precisamente de 8 de agosto de 1494. E não trata propriamente dos prazeres proporcionados por essa bebida, que é uma das mais sublimes maravilhas produzidas pelo homem, mas sim de impostos estipulados pelo Tesouro Público Escocês. O documento especifica o suprimento de eight bolls of malt para que um certo frei John Cor produzisse a acqua vitae, ou uisgue beatha, que, em gaélico, o idioma dos celtas da Grã-Bretanha e da Irlanda, significa água da vida. Graças a esse registro acredita-se que o uísque – a exemplo de muitas outras bebidas, como o champanhe e alguns licores – tenha surgido nos mosteiros, com a doce desculpa de ser utilizado em tratamentos medicinais e como elixir da vida eterna. Extraoficialmente, porém, sabe-se que a arte de destilar já era praticada há muito mais tempo pelos celtas, na Escócia e na Irlanda. Aliás, esses dois países reivindicam para si a descoberta da bebida. Uma dúvida capaz de durar eternamente. A história mais difundida é a de que a arte de destilar teria surgido na Irlanda, no século V, e emi-

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As destilarias escocesas são bem-equipadas e modernas e gozam de grande prestígio internacional

A arte de envelhecer

grado com missionários cristãos para os mosteiros escoceses pelo litoral oeste, na direção das terras altas. O certo é que, nesses longos e deliciosos anos, a Escócia se tornou a pátria do uísque, abrigando harmonicamente centenas de chaminés das destilarias com sua paisagem bucólica, repleta de ruínas de antiquíssimos castelos, lagos e rios de água cristalina. Uma água puríssima, que corre sobre a turfa, o solo esponjoso que serve como combustível para defumar a cevada, a generosa matéria-prima dos maltes. Até 1853, a Escócia tinha um só tipo de uísque, o single malte. A destilaria Usher’s foi responsável pelo surgimento de outras variedades. Como vendeu um volume superior ao que poderia produzir, precisou recorrer aos vizinhos, comprando-lhes malte que misturou ao seu, resultando daí o chamado vatted (veja o quadro ao lado). A Usher’s, além disso, desenvolveu o processo de destilação em alambiques de coluna, utilizado para a obtenção do álcool de grão, o grain uísque. Ao mesmo tempo em que desenvolviam a destilação dessa nova bebida, os escoceses passaram a exportá-la. Perceberam que os consumidores gostavam de um uísque mais leve e mais barato. Para atender a essa preferência, as destilarias começaram, em 1865, a experimentar misturas de malte uísque e uísque de grão. Surgia assim o blended scotch uísque. O sucesso dessa mistura resultou na criação da Blending Act, a Lei da Mistura. É nessa parte da história que entra a figura mais importante no processo da produção atual da bebida, o master blender. Ele é o responsável pela produção do blended e faz isso apenas por meio do olfato, observando o ponto de maturação de cada uísque. Ele pode ser comparado a um artista que combina diversos maltes com a harmonia perfeita de quem se espera que faça a mesma obra de arte todos os anos.

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O envelhecimento é a parte mais importante da elaboração da bebida. Depois de destilado, o uísque é transparente como a vodca ou o gim. Com a maturação nos barris, adquire cor e aroma de carvalho e frutas, entre outros. De acordo com o tempo de envelhecimento, os uísques recebem uma classificação definida por lei. Os conhecidos como standard, que não trazem no rótulo o tempo de envelhecimento, devem ter em sua composição bebidas com no mínimo três anos de descanso em barris de carvalho. No caso dos uísques envelhecidos – oito, 12 ou 15 anos, por exemplo –, é exigido que o malte mais novo da composição tenha no mínimo a idade que vem estampada no rótulo. Já o single malte, como o nome indica, é único. Vale lembrar, porém, que um uísque envelhecido não é necessariamente o melhor. Sua qualidade não está ligada ao tempo de envelhecimento, mas sim a um blend perfeito. Agora que você já sabe um pouco da história do nobre destilado, escolha sua marca e, como dizem os escoceses em gaélico: “Slainthe”. Ou, simplesmente: “Saúde”.

A bebida logo depois de destilada e a turfa, solo que serve como combustível para defumar a cevada

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Revolução

NoMadista por karin dauch

ou como a brown zone, uma área decadente e esquecida de Manhattan transformou-se no ponto quente da Big Apple

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Acima, o estilo industrial-chic do lobby do Ace Hotel À esquerda, um dos ambientes do The NoMad Hotel que servem as criações do chef suíço Daniel Humm. No alto, a cúpula sobre o prédio construído em 1903, que servirá de sala para 10 pessoas no bar da cobertura

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ova York é acelerada. Dizem que ela nunca dorme e desperta sempre renovada. Prova disso é o renascimento de um bairro que durante o último século ficou fora do radar até mesmo dos nova-iorquinos. NoMad era o destino de sacoleiros à procura de bijuterias, perucas, balangandãs e objetos reluzentes com paetês e purpurina para uso na confecção de fantasias. Quer dizer, as lojinhas no estilo 25 de Março continuam dominando a fachada da vizinhança ao longo da 5a Avenida e Broadway, entre as ruas 23 e 30, mas a área ganhou novo status e foi batizada como se deve. Por falta de nome ou importância, até pouco tempo atrás a região era conhecida como Brown Zone, por ser representada por um retângulo marrom nos mapas dos táxis. Há três anos, o empreendedor Andrew Zobler teve a visão de oportunidade: investiu na região levando para a área o Ace Hotel e batizando a área marrom de NoMad. Trata-se de um acrônimo que referencia sua localização geográfica, a abreviação de North of Madison Square Park. Ou seja, de um deserto “no man’s land” – a vizinhança agora conhecida como NoMad – tornou-se um point hype e desejável. Os quarteirões nobres da área, na altura das ruas 24, 28 e 30, dão uma prévia do que virá no mais novo e falado bairro de Manhattan. O empório gourmet Eataly, do chef Mario Batali, instalou-se em frente ao Madison Square Park. Embora tenha sido criticado na escolha da área, o `megachef` acabou

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No The NoMad Hotel, toda a marcenaria foi feita em mogno maciço. A escada em caracol da biblioteca foi importada do sul da França. A lareira é a original de um castelo francês. Ao lado, Daniel Humm, chef e proprietário do restaurante NoMad

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mostrando que sua escolha fora assertiva e tornou-se referência de sucesso. A casa vive lotada, atrai milhares de turistas e locais ao conglomerado culinário que abriga cinco restaurantes, uma cervejaria ao ar livre e produtos de altíssima qualidade importados da Itália. A Opening Ceremony, uma loja multimarcas, adorada pela clientela fashion, seguiu a tendência e abriu ali ao lado uma loja. No entanto, o umbigo hype dos cinco quarteirões que deram lugar às vitrines de janelas altas e roupas modernas e ousadas é o Ace Hotel. Na rua 29, a entrada principal para o lobby é agora sinônimo de endereço cool, em cujos sofás de couro escuro, portadores de iPads e iPhones passam a tarde bebericando e conversando. O negócio foi tão bom que Zobler fez uma declaração de amor ao bairro e inaugurou em abril passado, outro hotel, mais novo e imponente: The NoMad Hotel. Decorado pelo parisiense Jacques Garcia, que assina o Hotel Costes, da Saint-Honoré, em Paris, o NoMad é uma ode ao romantismo francês, começando pelo prédio, uma construção centenária no estilo Bellas Artes. A atmosfera glamorosa de uma era passa-

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A primeira filial americana da Maison Kitsuné transporta sua clientela até uma charmosa butique em Paris. Andrew Zobler (acima) investiu pesado na região com os hotéis Ace e NoMad e batizou a área.

da está nos detalhes das banheiras com pezinhos em todos os 168 quartos, na lareira de 400 anos trazida da França e nos móveis forrados de veludo vermelho. Porém, está sobretudo na concepção filosófica do espaço: foi feita uma curadoria para montar a biblioteca notável – e verdadeira –, que se estende por uma parede de pé duplo. “Imaginamos o que uma jovem parisiense que se muda para NY no final do século XVIII à procura de aventura escolheria para ler”, afirma Zobler. Em busca do espírito clássico dos hotéis europeus, o empreendedor concebeu também o restaurante, e chamou para ser seu sócio o estrelado Daniel Humm, também chef e proprietário do Eleven Madison, que acaba de ser guindado ao décimo lugar na lista dos 50 melhores restaurantes do mundo e de ganhar duas estrelas no Guia Michelin. O restaurante NoMad é dividido em vários ambientes para garantir “o nível de intimidade aconchegante que só se tem em residências”. “O estilo autêntico da construção foi o ponto de partida perfeito para que Jacques Garcia recriasse um ambiente inspirado no apartamento que morava quando jovem”, diz Zobler. O conjunto arquitetônico original facilita a sensação de ter sido transportado para Paris na Belle Époque. A Maison Kitsuné, loja da marca francesa que ocupa o espaço ao lado do lobby, na esquina da rua 28, transborda desta atmosfera do chão de taco de madeira ao pé-direito alto e das amplas janelas de estilo burguês. Em breve, Zobler promete a abertura de um bar no terraço da cobertura, com vista privilegiada para o Empire State, e uma íntima saleta para 10 pessoas sob uma restaurada e imponente cúpula de bronze. Apesar de esses lugares ainda serem microcosmos num bairro em ascensão, a tendência é que outros se agreguem à revolução `nomadista`. Antes de o SoHo se tornar o que conhecemos hoje, a região estava caindo aos pedaços, e seus prédios, ameaçados de demolição pela prefeitura. O apelido, abreviação de South of Houston, foi criado durante uma campanha para salvar o bairro na década de 60. E se o SoHo serve como exemplo do ciclo de regeneração urbana da vibrante Nova York, então a atual ressuscitação de NoMad será um sucesso. O melhor a fazer é correr hoje para se hospedar no que há de mais elegante e luxuoso na cidade que nunca dorme, porque amanhã ela vai acordar renovada – e mais cara.

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Ace Hotel www.acehotel.com/newyork 20 West 29th Street Tel.: 212 679 2222 The NoMad Hotel www.thenomadhotel.com 1170  Broadway & 28th Street   
 Tel.: 212 796 1500

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10 Sidney

PROGRAMAS BACANAS na cidade mais hipada da

AUSTRÁLIA

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...Esta é a opinião geral de quem visita a cidade mais populosa da Austrália. Cosmopolita por excelência, Sidney

Linda, organizada e com uma vibe incrível, Sidney é um paraíso hedonista...

Crave Festival: as velas magníficas da Opera House se acendem para 1 mês de atividades

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Foto: Dan Boud, destino NSW

por Luciana Bianchi

transformou o multiculturalismo em identidade e é uma das poucas cidades que consegue unir o funcionalismo ao clima constante de férias. “Somos herdeiros de criminosos britânicos. Talvez por isso nossa expressão predileta seja no worries”, nos diz o cineasta e empresário John Fink, enquanto prepara uma paella gigante (versão australiana) para os amigos no jardim de sua casa. Rodeada de parques nacionais e considerada uma das cidades portuárias mais belas do mundo, Sidney consegue cativar os turistas de todas as idades e gostos. Praia, arte, esporte e gastronomia ocupam um espaço central na cidade. Esta é a terra onde rugby, críquete e futebol são sinônimos de religião, onde se pega onda após o trabalho e onde bares e restaurantes estão lotados de segunda a domingo. Para Joanna Savill, apresentadora de TV australiana que falou à JUST for sobre Sidney, o segredo da cidade é oferecer um estilo de vida global de grande metrópole, com o espírito de comunidade das cidades pequenas. “Há aqui vida cultural intensa e uma rota gastronômica que adquiriu fama internacional nos últimos anos. No entanto, pode-se escapar para uma praia tranquila para relaxar em poucos minutos”, diz ela. Pudemos comprovar as palavras de Savill nas ruas de Sidney. Os australianos, ou aussies, são provavelmente um dos povos mais relax do planeta. O desejo de curtir a vida ao máximo é imperativo em Sidney. Essa mentalidade easy going é demonstrada de diversas formas, seja nas cédulas de dólar australiano à prova d’agua – muito práticas na hora de ir à praia – ou no andar descalço pelas ruas, mesmo em localidades distantes da praia. Os australianos também adoram encurtar as palavras e criar novas expressões. Não se assuste se alguém lhe oferecer um “barbie” ou se pedir para esperar um “mo”, pois são as versões curtas de churrasco (barbecue) e momento, respectivamente. Sidney tem açougues que parecem butiques de grife, galeria de arte ao ar livre e à beira da praia e um festival gourmet que dura 1 mês. Para os que querem conhecer esta cidade incrível, a melhor época do ano é outubro, quando o Crave Sydney International Food Festival agita a cidade durante o mês todo com programações culturais, eventos culinários ao ar livre e muita festa. Nas próximas páginas, 10 programas imperdíveis em Sidney:

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Sidney

a Ópera de Sidney Tombada pela Unesco como Patrimônio Mundial, a Opera House é uma das maiores obras arquitetônicas do século XX. O teatro, que se tornou o cartão-postal da cidade, é também a marca registrada da Austrália. Obra consagradora do dinamarquês Jørn Utzon, que levou 16 anos para ser finalizada. Com programação de mais de 450 espetáculos por ano, o gigantesco teatro apresenta óperas, balés, peças de teatro e os mais variados shows. Dica hype: fazer uma visita VIP de 2 horas para conhecer os bastidores tomando um café da manhã no camarim onde ficam as grandes celebridades.

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a gaLeria À beira da praia “Esculturas à beira do mar” é o nome da maior exposição de arte do mundo ao ar livre. As esculturas são distribuídas entre a praia de Bondi e Tamarama e ficam expostas do dia 18 de outubro ao dia 4 de novembro. No ano passado, mais de 500 mil visitantes puderam admirar as 100 obras de artistas australianos e internacionais! Um espetáculo único que coincide com o Crave Festival. www.sculpturebythesea.com

www.sydneyoperahouse.com

São 6 km de passeio com uma vista inesquecível – 2 horas de caminhada, com várias paradas para se refrescar no caminho. Cafés, restaurantes e bares legais estão ao longo desse trajeto. http://us.sydney.com/town/bondi_beach/bondi_to_coogee_coastal_ Walk/info.aspx

Foto: hamilton Lund, destino nSW

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um paSSeio ineSQuecíveL de bondi a coogee

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comer & beber Sidney é famosa por seus restaurantes, bares, mercados e lojas de delicatessen. Sempre é bom comprar e ticar uma a uma as dicas do Sydney Morning Herald Good Food Guide. E seguir as sugestões da JUST for para quem vai visitar a cidade por alguns dias:

• CAFÉ DA MANHA no bill granger O chef é o Jamie Oliver australiano e o café da manhã é inesquecível – panquecas, geléias, pães artesanais e muffins apaixonantes. www.bills.com.au

• ALMOÇO no restaurante Quay Premiado como o melhor restaurante da Austrália e na 29a posição no ranking mundial da lista ‘The World’s 50 Best Restaurants’, vale a visita. A cozinha contemporânea do chef Peter Guilmore tem como cenário a Opera House, que pode ser vista pela janela. www.quay.com.au

• AULA DE COZINHA E DEGUSTAÇÃO Ninguém espera encontrar um paraíso culinário dentro de um shopping center, mas o chef, Justin North, conseguiu a façanha. A melhor loja de delicatessen da cidade, a Quarter Twenty Oneque, que oferece aulas de cozinha e degustações, está lá. Uma confeitaria e um bistrô fazem parte do paraíso do chef. O Becasse é o ponto de encontro de celebridades. “Criamos um universo paralelo”, diz North. www.quartertwentyone.com.au - www.becasse.com.au

É a Bourke Bakery, famosa por suas tarteletes, pães artesanais e massas folhadas. Os dois padeiros são autores do livro que se tornou uma bíblia foodie e têm 4 lojas na cidade. www.bourkestreetbakery.com.au

• HAPPY HOUR no gardel’s bar A churrascaria argentina é o hotspot de Sidney na happy hour. Muitos não resistem ao cheirinho da lenha queimada e da carne assada e acabam esticando o belisquete do bar ficando para o jantar porteño. www.gardelsbar.com

• JANTAR COM AMIGOS no Sepia O ex-chef de Tetsuya Wakuda, o mais famoso chef da Austrália, ultrapassou seu mestre. Hoje, Martin Benn possui uma legião de gourmets regulares no novo Sepia. Pratos belíssimos, preços moderados e um dos melhores sommeliers da cidade fazem do cool restaurante um templo gastronômico. Foi eleito como o restaurante do ano pelo SMH Good Food Guide de Sidney. www.sepiarestaurant.com.au

• JANTAR no restaurante marque O restaurante mais original de Sidney consegue expressar a identidade culinária australiana como nenhum outro. O chef é o genial Mark Best. Delicioso e imperdível. The best! http://marquerestaurant.com.au/

• A SAIDEIRA no Wine Library Este é o melhor endereço para comprar e ter as melhores dicas sobre vinhos. É possível provar de vinhos biodinâmicos a rótulos famosos e aprender muito sobre os vinhos australianos bebendo e conversando com os especialistas do bar. http://wine-library.com.au/

• CAFÉ DA TARDE no bourke Street bakery Uma portinhola com mesinhas de madeira na entrada e uma fila quilométrica na rua para comprar pães e doces?

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Foto cedida pelo depto. de turismo de Sidney

Sidney

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compraS no WESTFIELD

Como o brasileiro, o australiano também adora um shopping center. Em Sidney, o Westfield é o paraíso das compras, com lojas Nike a Christian Louboutin, cafés, bares chiques, lojas de delicatessen e restaurantes. É fácil ficar o dia todo dentro deste shopping sem ter vontade de voltar ao hotel. www.westfield.com.au

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muSeu de arte contemporÂnea Reaberto no final de março após uma reforma de mais de 50 milhões de dólares, o museu é agora também um centro de artes contemporâneas e aprendizado criativo. Parte da Bienal de Sidney será apresentada entre junho e setembro em dois andares do MCA. Diversas exposições de artistas australianos e internacionais serão apresentadas entre outubro e dezembro, culminando com a maior exposição de Anish Kapoor apresentada até hoje na Austrália. www.mca.com.au

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CRAVE FESTIVAL internacionaL

Gastronomia é um tema tão importante para os aussies como esporte e cultura. Outubro é o melhor mês do ano para o assunto. O Crave Festival é o único do mundo que transforma toda a cidade em um grande circuito culinário e cultural por 30 dias. São eventos com chefs e escritores sempre surpreendentes. Como um jantar exclusivo dentro de uma fabulosa joalheria de pérolas ou um piquenique em uma ponte pública. Mercados asiáticos funcionam no meio da noite nos parques, assim como churrascos, filmes, exposições de arte, competições de fotografia e até um café da manhã à beira da praia com 10 mil pessoas e uma orquestra ao vivo para ver o nascer do sol. O Crave oferece a cada ano novas surpresas tornando-se uma experiência cultural memorável. Muitas atividades são gratuitas, outras só com reservas antecipadas. A bilheteria abre no dia 12 de agosto. www.cravesydney.com

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churchiLL - uma butiQue Que vocÊ nunca viu

Um açougue que mais parece uma butique Louis Vuitton. O Victor Churchill é um negócio de família que data de 1876, e hoje é considerado por muitos especialistas o açougue mais famoso do mundo. Parece loja de designer de moda. Dentro não se sente o cheiro de carne, devido a um sistema especial de circulação de ar. Atrás de uma vitrine, elegantes açougueiros trabalham cortando carne sobre toras de madeira. As peças de carne maturam em outra vitrine enorme, onde a parede é feita com tijolos de sal do Himalaia. O melhor kobe beef do mundo pode ser comprado no Churchill, e os presuntos são fatiados em máquinas históricas restauradas. A loja já ganhou vários prêmios internacionais de design. Você certamente nunca viu um açougue como este! Vale a visita. www.victorchurchill.com

Foto: Mikala Wilbow

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taronga zoo Sejamos sinceros...todo turista que vai à Austrália quer ver um canguru e um coala. Em Sidney, o zoológico Taronga oferece, além das visitas para observação dos animais, um passeio que se transforma em viagem. A flora e fauna australianas são contadas sob a perspectiva de guias aborígines. Para os que compram o passe do dia, é possível matar a vontade de segurar um coala (que é uma graça!) e tirar uma foto de lembrança. Programão para turista nenhum botar defeito! www.taronga.org.au

Foto: Susan Wright, destino nSW

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APRENDER A SURFAR Para quem sempre sonhou em surfar e nunca teve a oportunidade de aprender, a escola Sydney Surf oferece pacotes variados. O curso rápido para iniciantes garante que o aluno conseguirá pegar a sua primeira onda após uma hora de curso (em que posição é outra conversa). Os surfcamps duram de 2 a 5 dias. Os professores são profissionais e ex-campeões de surfe e oferecem não só aulas técnicas, mas também aulas de etiqueta na água. www.sydneysurf.com.au

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JUST BEAUTIFUL

Brincos Brincos dryZum dryZun Estola Estola gloria gloria coelHo coelHo Vestido Vestido barbara barbara bela bela Anéis Anéis H H.stern stern Título Título da da tela tela subindo subindo a a rua rua augusta augusta Medida Medida 280 280 x x 200 200 cm cm (diptico) (díptico)

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A MULHER NA METRÓPOLE SOB A EFERVESCÊNCIA DA CIDADE PULSAM CORES E FORMAS QUE JOGAM TODAS AS LUZES SOBRE VOCÊ

FOTOS RENAM CHRISTOFOLETTI EDIÇÃO DRICA CRUZ/ ABÁ MGT BELEZA THEO CARIAS COM CAROL RIBEIRO E OBRAS DE ANDRÉ CRESPO

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JUST BEAUTIFUL

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Camisa Vitor Zerbinato Vestido FH por Fause Haten Anel H.Stern Título da tela quando a chuva cai (detalhe) Medida 280 x 200 cm (díptico)

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Brincos Dryzun Casaco Kate Spade Pulseiras Vania Nielsen para Lia Souza Saia Max Mara Título da tela madrugada Medida 280 x 200 cm (díptico)

Cabeça acervo Davi Ramos para r. rosner Blusa Armani Exchange Macacão Espaço Fashion Anel H. Stern

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JUST BEAUTIFUL futuro

贸culos alexandre herchcovitch para garimpo chic Brincos Patricia Centurion Vestido Kate Spade Casaco Maria Bonita Luvas Juliana Jabour T铆tulo da tela Massa Medida 200 x 150 cm

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Look AcquaStudio Brincos e pulseira H.Stern TĂ­tulo da tela madrugada Medida 280 x 200 cm (dĂ­ptico)

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JUST BEAUTIFUL

CamisaBrincos AcquaStudio Vivara CasacoZerbinato R.Rosner Casaco Vitor Calça AcquaStudio Legging Stella McCartney para Adidas Anel H.Stern Bota Gloria Coelho Joelheira X-Seven para Centauro Título da tela madrugada (detalhe) Medida 280 x 200 cm (díptico)

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Brincos Dryzun Casaco Armani Exchange Vestido Christian Dior TĂ­tulo da tela quando a chuva cai Medida 280 x 200 cm (dĂ­ptico)

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JUST BEAUTIFUL

Casaco Tigresse Camisa Daslu Anéis H.Stern Colar Otavio Giora Saia Barbara Bela Botas Lança Perfume Título da tela subindo a rua augusta Medida 280 x 200 cm (díptico)

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Brincos H.Stern Vestido Talie NK Anéis H.Stern, Patricia Centurion e Dryzun Título da tela Massa Medida 200 x 150 cm

Direção Executiva e Direção de Arte: Felipe Tadeu Mangaba Produções Produção: Fátima Sosa e Bia Saueia – Mangaba Produções produção de moda: SATOMI MAEDA E FERNANDA MARANHO Artista Plástico: Andre Crespo tratamento de imagens: daniela liberal Agradecimentos Acquastudio (11) 3223 2133 Alexandre Herchcovitch (11) 3063 2888 AX Armani Exchange (11) 3062 2660 Barbara Bela (31) 3291 0773 Christian Dior (11) 3061 9299 Daslu (11) 3044 2490 Dryzun 0300 115 0100 Fause Haten (11) 3062 2240 Garimpo chic www.garimpochic.com Gloria Coelho (11) 3186 5765 H.Stern 0800 022 7442 Juliana Jabour (11) 3823 2365 Kate Spade (11) 3081 5721 Lança Perfume Concept 0300 140 6900 Lia Souza (11) 3062 3877 Maria Bonita (11) 3068 6500 Max Mara (11) 3062-0617 Otavio Giora (11) 3663 3463 Patricia Centurion (11) 3061 1548 R.Rosner (11) 3129 5685 Talie NK (11) 3897 2600 Tigresse (11) 3052 2338 Vitor Zerbinato (11) 3061 0145

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Essência Paraense linda, curiosa, fã da banda secos e molhados e do Discovery

Channel, CarolinE RIBEIRO se impõe como apresentadora do semanal It MTV, sem abandonar seu caso de amor com as lentes fotográficas

por camila duarte fotos fabio santos

Q

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uando ela posa para lentes fotográficas exigentes como as de Renam Christofoletti, tudo ao redor fica mais escuro. Toda luz está nela, emanando dela. O corpo e a altura de sílfide, o olhar de índia amazônica, a discrição elegante, a conversa honesta e sem afetações fazem de Caroline Ribeiro uma personalidade com atrativos que vão além da passarela. Aos 16 anos venceu o concurso Elite Model Look. E de Belém do Pará, sua cidade natal, a garota ganhou espaço internacional, primeiro no Japão e depois em Nova York. Sua carreira deslanchou de vez quando passou a desfilar para a Gucci e Yves Saint Laurent, a convite do estilista Tom Ford. Foi a escolhida para substituir Cindy Crawford na campanha da Revlon e, em 2000, integrou-se ao time de “angels”, da Victoria’s Secret. O nascimento de João Felipe, hoje com 8 anos e 1,50 metro de altura, não aumentou uma polegada seu manequim 38.  Carol Ribeiro adora Belém, e, consequentemente, a Fafá e a comida do chef Thiago Castanho, do Remanso do Bosque. “Ele transforma os pratos típicos da região com pitadas de sofisticação. Ele faz uma caldeirada de peixe deliciosa”, diz. Em seu iPod há música popular brasileira de Maria Bethânia e – pasme! – a lendária e improvável banda Secos e Molhados. Ah, claro, sua diva Fafá de Belém também embala seu dia. Depois de 17 anos de passarelas, Carol está entrando no quarto ano como apresentadora da MTV e desde 2010 à frente do programa It MTV. “Reestreamos no dia 4 de junho e, este ano, o programa está mais a minha cara. Estamos falando de música, moda e comportamento. Procuramos pessoas e casos diferentes”, diz. Mas a paixão dela pela fotografia é recíproca: as lentes amam esta mulher. Risonha e elegante Caroline Ribeiro é altamente profissional. Posou sem desgrudar do smartphone e mandando atualizações nas redes sociais. Ela tem compromisso com um grupo respeitável de seguidores. Só no Twitter são quase 46 mil. Essas e mais curiosidades da “Carol dos bastidores” foram respondidas em um bate-bola rápido nos intervalos entre uma foto e outra.

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Qual seu livro de cabeceira? Não tenho um livro de cabeceira. Começo a ler uns cinco de uma vez e vou revezando. Estou lendo O Caderno de Maya, da Isabel Allende, e A Sombra e o Vento, de Carlos Ruiz Zafón.

Qual filme você elegeria como “seu” filme de todos os tempos? Por incrível que pareça não me lembro dos nomes dos filmes a que assisto, mas sou capaz de eleger diversos filmes bons. Um deles é aquele com o Will Smith e seu filho (à Procura da Felicidade). Achei lindo!

Quais grifes entram no seu guarda-roupa? Não tenho grifes preferidas. Uso peças que me caem bem e tenham um bom corte. Gucci, Armani, André Lima e Alexandre Herchcovitch sempre têm ótimos cortes. Posso dizer que um blazer preto é fundamental que toda mulher tenha no armário. E tento compor looks básicos com acessórios transados. Sou assim: experimento, gosto e compro. Corro do óbvio.

O que não pode faltar na sua geladeira? Queijo branco.

Qual seu ponto fraco? Cigarro.

O que você assiste na TV? Amo documentários como os da Discovery Channel. E assisto bastante a programas de auditório e talk shows. Acho que é a melhor maneira de nos mantermos informados e de uma maneira divertida. Sabemos o que está acontecendo na política e o que está rolando na internet.

Qual seu hobby? Estar com a família e ler. Não gosto de ficar parada. Tenho que me mexer sempre.

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Caroline Ribeiro durante a maquiagem (na página à esquerda) e sessão de fotos para JUST for clicadas por Renam Christofoletti

Você desistiu das passarelas? Não desisti. Só estou fazendo menos desfiles. Optei por não fazer de biquíni e é neste momento que saem as coleções de verão. Estou conciliando outros trabalhos como modelo e as gravações da MTV.

A carreira de modelo tem data de validade? Depende das escolhas que fazemos. Você direciona para aquilo que você quer, mas não acaba.

Você já experimentou a carreira de modelo e a de apresentadora. Qual você prefere? Prefiro agora o que estou produzindo mais, que é como apresentadora. Estou curtindo e o programa tem um pouco da minha alma. Estou fazendo aquilo que gosto de fazer. Preparando pautas mais politizadas e descobrindo pessoas, culturas, arte e moda. O primeiro ano foi muito complicado, mas agora estou muito feliz com o meu trabalho.

Se houvesse uma máquina do tempo e você pudesse refazer coisas do seu passado, o que você gostaria de mudar ou que tivesse sido diferente? Nada. Eu não mudaria nada e não gostaria que nada tivesse sido diferente. Acho que as coisas estão no seu lugar. Se você mudar alguma coisa, outras podem mudar também e gerar consequências. Deixa tudo como está!

Se o mundo realmente fosse acabar em dezembro deste ano (não vai, não se preocupe), que providência você tomaria? Então, deixa acabar! Vou vivendo até lá. Acho que faz parte do nosso destino. Prefiro deixar as coisas acontecerem como têm de acontecer.

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perfil

por Lillian Vidigal fotos fábio santos

que falam Andre Crespo, o artista que vem ganhando o mundo com suas cenas urbanas, empresta uma atmosfera

fog ao editorial de moda

O hall de entrada onde Andre Crespo nos recebe já transborda arte, tomado por

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grandes telas, algumas com quase três metros, que aguardam embrulhadas em plástico-bolha pela transportadora que viria no dia seguinte para levá-las para uma exposição. As paredes da sala do apartamento da Vila Madalena, que ele transformou em estúdio, estão todas tomadas por suas obras. Há mais outras em pé, no chão, e uma no cavalete ainda em fase de finalização. Um PowerMac de tela grande fica ao lado da janela, perto de uma bancada cheia de pinceis e tintas. Tudo aqui é harmônico. A playlist toca jazz, folk, MPB, bossa nova, música turca, francesa e mais um pouco de tudo. O caos é organizado a ponto de Crespo entrar num dos quartos, onde todo o seu acervo está guardado, e encontrar imediatamente o que procura. As telas de tamanhos variados ficam empilhadas, uma atrás da outra, tomando de uma parede a outra, sobrando apenas um estreito corredor para passagem. No alto, há prateleiras com mais pinturas, ainda enroladas. É sua mulher, Cinthia, quem o ajuda na organização e catalogação das obras. Dono de gestos amplos, Andre Crespo joga para trás uma mecha do cabelo escuro que insiste em cair sobre os olhos enquanto ele conta, com um copo de uísque on the rocks na mão, sobre o próximo projeto, que une moda e arte. São quadros grandes. Alguns duplos. Serão fotografados num estúdio de pé-direito alto com a modelo e apresentadora Carolina Ribeiro. Sim, este editorial que você vê na págína 52. As telas foram feitas para esta sessão fotográfica de JUST for. Os toques finais foram feitos na hora das fotos. O trabalho vai virar uma exposição

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perfil

Crespo em ação e suas obras: cores, atmosfera e encantos urbanos

Foi na escola que Crespo aprendeu que o encanto causado pela sua arte tinha poder: uma caricatura irônica no momento certo, etéreos retratos das meninas mais bonitas, um desenho caprichado no meio da aula e voilà!

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online, na edição de JUST for iPad, onde os leitores poderão clicar nos quadros para comprá-los. Já se passaram quase 10 anos desde a sua primeira exposição individual, aos 25 anos. De lá para cá, já expôs, ao lado de grandes nomes da arte contemporânea, em dezenas de museus e galerias do mundo, incluindo o Louvre. Foi na escola que Crespo aprendeu que o encanto causado pela sua arte tinha poder: uma caricatura irônica no momento certo, etéreos retratos das meninas mais bonitas, um desenho caprichado no meio da aula e voilà! Estava enturmado, arrancava suspiros das garotas e ganhava a simpatia dos professores... Até que era expulso e começava tudo outra vez na escola seguinte. Num curto período da adolescência, chegou a se achar “O Artista”. Dedicou esse período aos experimentos: pintura sobre trapos de malha, mistura de tintas, técnicas incompatíveis e estilos que não eram bem o seu. Até que se encontrou. Não chegou a terminar a faculdade de Artes Plásticas na FAAP, mas seguiu um obstinado aprendizado extra-acadêmico, absorvendo tudo o que podia dos pintores veteranos que conhecia e trabalhando duro como assistente de Newton Mesquita, que o introduziu efetivamente no mundo das artes e de quem herdou muito do estilo e da técnica. Andre Crespo não precisou matar ninguém dentro de si para fazer nascer o artista, porque já nasceu artista. Não houve revolução. Apenas revelação. Não fez loucuras. Não passou fome. Não teve briga na família quando se afastou da indústria do cinema publicitário para se dedicar exclusivamente à sua arte. Não houve ruptura. Tudo aconteceu gradativamente, por puro mérito, conforme as encomendas aumentavam e os convites para exposições exigiam viagens. Mais do que procurar o sucesso, era a arte quem o procurava, por meio de

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colecionadores, marchands, galeristas e curadores. Hoje, ao falar de seu trabalho, Andre Crespo passa uma sensação de equilíbrio. Já é maduro e ainda é jovem. Não há arrogância nem prepotência no seu discurso. Nem humildade excessiva ou modéstia. Não é metódico ao extremo, muito menos desleixado. Tem técnica, mas não perde a espontaneidade. Ele soube aprimorar seu talento. Encara com naturalidade o reconhecimento crescente. E deixa que seu trabalho fale por si. As primeiras grandes encomendas vieram de aficionados por carros, motos, cavalos, jogos de polo e de golfe. Viram que o detalhismo de Crespo era capaz de, com belas manchas de cor, retratar o ronco de um motor, a tensão em cada músculo do cavalo e do cavaleiro durante um jogo ou a velocidade da grama e da terra que voam junto com a bola. Crespo depois usou essa força em quadros que fez para si, representando as jogadas do time de futebol favorito e o fervor da torcida. Pintou também marinas e mulheres. Mas o que o tornou célebre foram as paisagens urbanas. Principalmente de São Paulo, que é por onde ele transita, e também de cidades da Europa e do litoral brasileiro. As cores são vibrantes. A pincelada, gestual. As pinturas são baseadas em fotos que ele mesmo faz, com o olhar de quem já trabalhou com cinema. Dialoga com a cena. Acrescenta elementos imaginários, elimina o que não é estético. Pinta o que viu e o que sentiu. E contagia quem vê as telas com as mesmas sensações. Consegue pintar o “astral” de um momento. A vibração. A temperatura. Quase os sons. Os cheiros. Alegria, melancolia, talvez um leve pilequinho. Até o estado de espírito transparece ali, em traços soltos e imprecisos. Em cores que podem não ser as reais, mas são as que melhor traduzem a atmosfera. Ao olhar para uma tela de Crespo, vestimos seus olhos. www.andrecrespo.com

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CINEMA

NÃO ME ENGANA QUE

EU GOSTO NINGUÉM GOSTA DE PAGAR PARA ASSISTIR A UMA HISTÓRIA DE AMOR DOCINHA E SE VER ESPREMIDO DE TERROR NA CADEIRA. POR ISSO, CADA GÊNERO CINEMATOGRÁFICO SEGUE UMA MATEMÁTICA DE CLICHÊS QUE NORTEIAM UMA OBRA PARA O SUCESSO. ENTENDA A SEGUIR A FÓRMULA QUE FEZ DESSES FILMES ÍCONES DE SUA ESPÉCIE POR LUSA SILVESTRE

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S

eres humanos gostam de pensar em gavetinhas. Adoram olhar para a arte, por exemplo, e encaixar o que viram no armário cultural que se formou ao longo da própria vida. Seres humanos precisam ouvir uma música e entender que gostam dela porque é samba. Funciona com músicas, com quadros, com livros, com teatro e – claro – com cinema. Com cinema, as tais gavetinhas são as “convenções do gênero”. São as regrinhas – os truques, vai – que determinam se o filme é terror, comédia, aventura, romance, e por aí vai. Assim sendo, filme de terror tem seus truques: ter um padre, ou crianças silenciosas, ou uma casa abandonada cercada por neve e ursos famintos, etc e tal. As convenções existem porque a própria plateia espera ver isso num filme. Cada gênero tem seus fãs e clichês, e essa relação plateia/convenções é exatamente por onde o cinema de bilheteria trafega. Ninguém gosta de ser enganado. Ninguém gosta de pagar vintão pra ver uma história de amor docinha e ser surpreendido por sangue e monstros alienígenas. Vamos lembrar que A Tragédia de Romeu e Julieta tem esse nome para avisar a plateia e críticos de que é pra levar lencinhos ao teatro. Hollywood, que foge do imprevisível como o diabo foge da cruz (outro clichê do terror), adora essas gavetinhas. Porque daí se sabe direitinho onde o filme se encaixa como produto, qual o público, as coisas que o roteiro precisa ter. Os produtores pegam, literalmente, o texto e vão ticando as convenções do gênero tal e qual fazemos diante da banca de fruta na hora da feira. Isso não é feio. Pelo contrário: ajuda um filme a funcionar, ajuda a gente a ir sempre nos filmes de que mais gostamos com a certeza de sermos felizes. No cinemão de Hollywood, os produtores só não querem controlar a qualidade da pipoca.

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As gavetinhas de cada um Regra geral: todo filme tem a famosa força opositora, aquele desafio que o protagonista precisa enfrentar durante a trama (e superar, no caso do final feliz). A partir disso, cada gênero resolve esse confronto à sua maneira.

Melodrama

Gata em Teto de Zinco Quente, com Paul Newman e Liz Taylor Aqui temos o melodrama clássico, gênero mais comum às novelas – mas que quando benfeito, funciona pacas no cinema. Melodrama tem várias forças opositoras: traição, doenças terminais, mulheres grávidas de meios-irmãos, travestis – enfim, o mais sofrido e apelativo `chororô` que se pode produzir. Hoje, Almodóvar pratica o gênero como ninguém, trazendo-o mais para comédia. Os clichês são tão exagerados que acabam provocando o riso – intencionalmente.

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cinema

Aventura

O Senhor dos Anéis, com Elijah Wood, Ian McKellen and Viggo Mortensen Aventura sempre tem a mais famosa força opositora de todas – o vilão. Por consequência, sempre terá também o mocinho perfeito e a mocinha indefesa. A mitologia tem alimentado o gênero com sábios, menestréis, gurus e tudo o mais que possa ajudar a contar histórias. O clichê básico do gênero é a tal “jornada do herói”, ou seja: o herói saindo pelo mundo em busca de aventuras e enfrentando os piores desafios. E vencendo, claro! Porque Hollywood não gosta de surpresas.

Terror

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O Iluminado, com Jack Nicholson Um dos maiores filmes de medo de todos os tempos. Tem a loucura, as alucinações, a criança, o guru, o pretenso salvador, o terror se dando em casa (o ambiente mais seguro de todos, supostamente). Em resumo: o pacote completo de convenções do gênero. E ainda conta com a incrível atuação de Jack Nicholson como o maluco de olhos esbugalhados e machado na mão. Imperdível! Perto dele, Jason parece a Noviça Rebelde.

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Romance

As Pontes de Madison, com Clint Eastwood e Meryl Streep Ah, o amor... é tão lindo! Mas não para Hollywwod. Filme do tipo romance precisa ter a força opositora impedindo o amor – e, no caso deste, é o fato de ela ser casada. As Pontes de Madison tem esse sofrimento, aliado à incrível performance dos atores. Aliás, diga-se de passagem, neste filme, o elenco escapa do clichê: os atores estão já com cinquentinha nas costas. Normalmente o amor tem que ocorrer entre pessoas novas, siliconadas e de dentição perfeita.

Comédia

Quem Vai Ficar com Mary?, com Cameron Diaz, Matt Dillon e Ben Stiller Tudo aquilo que faz rir é bem-recebido na comédia. Que acabou, por causa dessa liberdade em parir vários subgêneros. Comédia romântica tem casalzinho normalmente se formando só no fim da história, comédia de faculdade tem mulher pelada, e por aí vai. Quem vai ficar com Mary? trouxe ao mundo um novo subgênero: a comédia politicamente incorreta. Tem escatologias, piadas com deficientes, piadas sexistas e, principalmente, tem graça.

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viagem

Vinho, Igrejas e Carnaval Fomos ver como os produtores de vinhos da região do Languedoc-Roussillon bancam a restauração do patrimônio histórico local com um leilão apoteótico por Lillian Vidigal

A Basílica de Saint Nazaire, em Carcassonne

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aja vinho para conseguir harmonizar carnaval com igrejas medievais, cinema e alta-gastronomia. E não é que tudo se encaixa com naturalidade no Languedoc-Roussillon? A região no sul da França, também conhecida como Pays d’Oc, produz sozinha mais vinho que os Estados Unidos. Antes de plantar lavanda e fazer perfumes, os occitanos já plantavam uvas e produziam bons vinhos nas terras aos pés dos Pirineus e às margens do Mar Mediterrâneo. Mas foi só nos anos 80 que um grupo seleto de produtores da área ao redor da cidade de Limoux se uniu para criar a cooperativa Sieur d’Arques, que trouxe novo significado para seus vinhos. Juntos, eles fazem o espumante Première Bulle, que significa “a primeira bolha”. É que há registros de 1531 de que foi ali, nas caves da abadia de Saint Hillaire, que monges beneditinos viram com surpresa seus vinhos feitos da uva blanquette passarem por uma segunda fermentação na garrafa, ganhando uma fina perlage faiscante. Nascia o primeiro vinho espumante da França. Aprimoraram o método e criaram o que hoje é conhecido como Blanquette De Limoux. Dizem ainda que mais de 100 anos depois, Dom Pérignon foi o jovem monge que ali, antes de se instalar na região de Champagne, usou o mesmo método com as uvas pinot noir. Foi então que ele disse: “Venham ver, estou bebendo estrelas”. Além dos vinhos, outras grandes estrelas do Pays d’Oc são suas igrejas medievais. Cada vilarejo tem a sua. Pequenina e singela ou grandiosa e imponente. Poucas têm registros históricos precisos. As datas de construção variam do ano 1000 ao século XIV. Algumas são de pedra rústica; outras, ricamente esculpidas. Vitrais iluminam seus interiores com uma profusão de cores, paz e história. E sempre há um sino, no alto de um campanário, que toca ao longe, precisamente, como sempre tocou ao longo de todos estes séculos. Foram esses campanários – clochers, em francês – que inspiraram a cooperativa Sieur d’Arques a criar os vinhos Toques et Clochers (chapéus de chef e campanários). Cada rótulo leva o nome do clocher mais próximo ao seu terroir e é assinado pelo produtor. São 60 vinhos, representando 44 clochers. Desde 1990, a divisão de vinhos da Sotheby’s organiza um leilão internacional da safra, ainda nas barricas. É o segundo maior leilão de vinhos da França, depois do de Borgonha. E a cada ano, parte da renda do leilão é cedida pelos produtores e revertida para a restauração de um campanário. Já foram doados mais de 1,5 milhão de euros, que restauraram 21 igrejas.

Maquetes das igrejas da região seguem em procissão pela cidade de Antugnac, abrindo a festa popular

Ao lado, degustação do espumante Première Bulle e Claude Troisgros cai no samba, depois do sucesso do jantar de gala

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viagem

bonecos da sétima arte

Tradicionalmente, um dia antes do leilão, a cidade que foi beneficiada pela renda do ano anterior faz uma festa de rua com música, comidas típicas regionais e – claro – muito vinho. É uma forma de agradecer e retribuir, mostrando o que está sendo feito. O governo costuma aproveitar a oportunidade para dar uma atenção especial à cidade, investindo na restauração de pontes, iluminação e calçamento para que no dia da festa tudo esteja tinindo. Este ano, os 320 habitantes de Antugnac, cidadezinha incrustada nos Pirineus, viram suas ruas tomadas por quase 40 mil pessoas, vindas de todas as partes do mundo. Elegeram como tema o Cinema e enfeitaram canteiros e esquinas com bonecos feitos por eles mesmos, representando cenas memoráveis de clássicos da sétima arte. A festa começa à tarde com um desfile das outras 21 cidades que já tiveram seus clochers restaurados: ao som de uma banda tradicional, uma maquete de cada igreja atravessa o vilarejo, levada por representantes da sua cidade vestidos com trajes medievais. Ao término do cortejo, bandas jovens de diversos estilos mostravam seu som em palcos improvisados. A cada esquina havia uma barraquinha com um vinho e um prato regional: ostras frescas, cassoulet, pato, moules et frites, queijos artesanais e outras iguarias. A alegria segue noite adentro, sem hora para terminar.

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Mas no dia seguinte as degustações “sérias” começam cedo na sede da Sieur d’Arques. Compradores do mundo todo experimentam amostras dos vinhos que serão leiloados à tarde, servidas pessoalmente pelos respectivos produtores. As provas são um exercício de “futurologia”, já que os vinhos são retirados diretamente das barricas, ainda sem terem passado pelo amadurecimento em garrafa. Os compradores são experts em identificar quais notas do caráter do vinho provavelmente sobressairão. O que é salinidade nesta etapa pode com o tempo se revelar uma fresca mineralidade. Além disso, o que se experimenta ali são dezenas de vinhos que são muito semelhantes: são todos 100% chardonnay, da mesma safra, com processo de vinificação idêntico e de terroirs vizinhos, mas com características distintas, devido aos ventos oceânicos ou mediterrâneos que incidem sobre uns e outros e à altitude e umidade da terra. Mesmo assim, há os vinhos que todos os anos se destacam pela prenotável elegância e alcançam recordes de valor.

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frança

Três Chefs e um Sommelier Brasileiros na França

A cidade de Carcassonne vista de fora, ao entardecer

O leilão teve início depois de um almoço formal para os compradores com a presença da Baronesa Philippine de Rothschild, produtora dos únicos vinhos tintos da Sieur d’Arques. Em fila e vestido com a gravata-símbolo da Sieur d’Arques, cada produtor atravessou a plateia solenemente levando um estandarte com o nome do clocher que seu vinho representava, ao som dramático de Carmina Burana. Sentaram-se atrás dos leiloeiros para ouvir o discurso de abertura e se levantavam quando era o seu vinho que estava sendo disputado, agradecendo com uma deferência após o lance final. O barril do Clocher Serpent, assinado por André Cavailles, foi arrematado por € 8.800. Uma barganha, já que no passado o restaurante Alain Ducasse comprou o mesmo vinho por € 12.500. Genericamente, há uma valorização de cerca de 10% ao ano no valor médio de cada barrica. Sorte da igrejas medievais. O evento sempre esteve relacionado ao Carnaval, já que o jantar de gala encerra o Carnaval de Limoux – o mais longo do planeta, comemorado todos os fins de semana, desde o carnaval propriamente dito até o Domingo de Ramos. É uma tradição secular, intrinsicamente ligada à agricultura, que comemora o fim do inverno. Mas é um carnaval europeu, com palhaços de máscaras melancólicas, música provinciana e uma dancinha comportada com varetas, que simboliza a maceração das uvas.

Pois neste ano, Toques et Clochers ganhou um toque de `ziriguidum`. Pela primeira vez, decidiram homenagear um país, e este país foi o Brasil. Talvez pela curiosidade pelo nosso carnaval não tão longo, mas incomparavelmente grandioso, talvez pela crescente participação de compradores brasileiros nos leilões, ou talvez simplesmente porque o Brasil está na moda. Quem fez o discurso de abertura do leilão foi a chef brasileira Roberta Sudbrack. O jantar de gala que encerra o evento é sempre feito por um chef três estrelas Michelin. Já que no Brasil não há a classificação, foram chamadas três grandes estrelas da gastronomia para dividir as panelas: Roberta e os chefs franco-cariocas Roland Villard e Claude Troisgros – que teve a ajuda do filho Thomas e cujo pai, Pierre, cozinhou na primeira edição do evento, em 1990. E foi Dionísio Chaves, o jovem e consagrado sommelier carioca, quem presidiu as degustações e escolheu os vinhos Sieur d’Arques harmonizados com o menu de quatro tempos preparado pelos chefs. Foi um sucesso: os 900 convidados encheram a pista de dança antes mesmo da sobremesa e seguiram sambando até o amanhecer. A noite se encerrou com um cafezinho Ipanema Coffees e levou nota 10 nos quesitos enredo, evolução e harmonia.

À esquerda e abaixo, o sommelier brasileiro Dionísio Chaves recebe aplausos no leilão da safra 2011. Abaixo, a Basílica de Saint Nazaire

900 convidados encheram a pista de dança 72a76_França TRAT.indd 43

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viagem

A região vale uma visita cada com muros duplos de pedra, quando ganhou um castelo e uma imponente catedral. Serviu de prisão durante a guerra e depois caiu no esquecimento, até que foi redescoberta por turistas ingleses. Hoje é o segundo destino turístico mais visitado da França. Tem menos de 100 habitantes residentes, mas recebe milhares de famílias e grupos escolares todos os dias.

Restaurantes

hotéis

Além das 44 igrejas em pequenos vilarejos bucólicos, espalhados pela paisagem agrícola, há no Languedoc-Roussillon uma verdadeira joia cuja origem remonta há 3 mil anos. É a cidade murada de Carcassonne, Patrimônio Mundial pela Unesco. Uma pequena elevação à beira do rio Aude, que já foi ocupada por celtas e visigodos e na Idade Média foi fortifi-

Domaine d’Auriac

Hôtel de la Cité

Le Donjon

Relais et Château requintado, instalado num palacete de quartos amplos no meio de um parque com campo de golfe, piscina e quadras de tênis.

Construído no início do século XX dentro da cidade murada e frequentemente restaurado, o hotel ganhou sua quinta estrela em 2010.

Um três estrelas dentro da cidade, pertencente à cadeia Best Western. Confortável e bem-localizado.

www.domaine-d-auriac.com +33 (0) 4 68 25 72 22

www.hoteldelacite.fr/ +33 (0) 4 68 71 98 71

Le Parc

Restaurant du Domaine d’Auriac

O restaurante do chef Franck Putelat leva três estrelas no Guia Michelin e expressa a liberdade de suas criações em menus emocionais. www.restaurantleparcfranckputelat.fr +33 (0) 04.68.71.80.80

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Tradicional e requintado, funciona no hotel de mesmo nome, sob a batuta do estrelado chef Philippe Ducos.

www.hotel-donjon.fr/ + 33 (0)4 68 11 23 00

La Barbacane Comandado pelo chef Jérome Ryon, mantém sua estrela Michelin desde 1ue a conquistou, em 2002.

www.hoteldelacite.fr/ www.domaine-d-auriac.com/menus.php?v=1 restaurants/la-barbacane +33 (0) 4 68 71 98 71 +33 (0) 4 68 25 72 22

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publi editorial

Um acessório de moda que

transforma o visual E

scolher armações de óculos parece uma tarefa tão fácil como comprar uma camiseta, um par de sapatos ou uma bermuda: escolheu, experimentou, levou. Nada mais distante da realidade. No sistema personalizado de atendimento, todas as características dos clientes são observadas para que os óculos respeitem rigorosamente cada perfil. Criado nos anos 1970 por Miguel Giannini, a estética ótica analisa todas as dimensões do rosto, tipo de personalidade e estilo do suposto cliente em função dos dados do receituário prescrito pelo oftalmologista. “Nem sempre podemos usar o modelo de armação que desejamos”, diz o esteta ótico e designer Miguel Giannini, “porque elementos técnicos de ótica devem se aliar à estética da face em uma só armação”. Trocando em miúdos, quando o cliente chega à ótica, sua única preocupação é entregar o receituário. Todo o restante é responsabilidade de Miguel e seus consultores porque, na verdade, quem escolhe o modelo e o tipo de lentes adequado é o atendente. Após a leitura dos dados técnicos escritos, Miguel já sabe o que pode ou não indicar como sugestão. “Graus altos exigem armações com aros pequenos. Quanto menos peso carregarmos sobre o rosto, melhor, porque a pele sobre o nariz é frágil e não deve ser sobrecarregada com peso extra”, explica detalhadamente Giannini, há mais de 40 anos líder no mercado ótico nacional. A peça deve ser leve, confortável e atender às necessidades de cada pessoa. A partir de uma análise rápida da altura e largura do nariz e da altura das sobrancelhas, meio caminho já foi percorrido em busca da armação perfeita. “As pessoas acreditam que o elemento determinante para a escolha do modelo resume-

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-se ao formato do rosto. Errado. O formato é apenas um dos dados a ser considerado na escolha da armação, que inclui cor dos olhos, altura dos malares, cor dos cabelos e largura da testa”, descreve Giannini, responsável pelo visual dos últimos quatro presidentes da República. A cor ou tonalidade da armação também é um fator importante na seleção de um par de óculos, “porque há clientes com personalidades introvertidas, que preferem peças discretas, quase diluídas; já outros preferem cores e modelos descolados”, ressalta o esteta ótico, que já atende os netos dos seus primeiros clientes da loja acanhada no centro comercial de São Paulo. Todo esse trabalho de pesquisa e análise do perfil de clienMiguel Giannini te refere-se à escolha de óculos com lentes de grau. Para solares, não há tanto detalhe a ser observado. “Ao contrário”, diz Miguel, ”armações para óculos escuros preferencialmente devem ser maiores para proteger olhos e pálpebras dos raios solares, causadores de diversas doenças oculares importantes, como a catarata, que não tem tratamento, apenas solução cirúrgica.” As lentes escuras eliminam em até 100% a luminosidade solar porque recebem de fábrica camadas de filtros protetores contra raios ultravioleta, altamente perniciosos ao ser humano até em dias frios e nublados.

“Quanto menos peso carregarmos sobre o rosto, melhor, porque a pele sobre o nariz é frágil e não deve ser sobrecarregada com peso extra.”

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POR caMila dUarTe

calendário

15 Mai

Bellini, tiCiano e lotto Pintores norte – italianos da Accademia Carrara Bergamo – A exposição vai até 3 de setembro no Metropolitan Museu de Nova York e apresenta obras dos principais artistas dos séculos XVIII e XIX. Sob a curadoria de Andrea Bayer e Cristina Maria Rodeschini, diretora da Accademia Carrara Bergamo. Entradas: US$25. Informações: www.metmuseum.org

11 aBr 7 Mar

tiM Burton 5 ago EM Exposição Tim Burton em Exposição – São mais de 500 trabalhos realizados pelo iconoplasta Tim Burton, que vão de esboços, caricaturas e desenhos a premiados filmes produzidos e dirigidos por ele. A mesma mostra do criador de Edward Mãos de Tesoura e da animação de A Noiva Cadáver esteve no MoMA, em Nova York, em 2009. A exposição fica em cartaz até o dia 5 de agosto na La Cinémathèque Française, em Paris. Entradas: € 11. Informações: www.cinematheque.fr

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3 sEt

29 Jul

exPosiÇão mestres da desordem Figuras de 300 bruxos de vudu, demônios, deuses e xamãs retratam a ordem imperfeita, o controle do caos e da catarse. Magia, rituais sagrados e festas populares de diversas culturas e tradições para conter o caos e estabelecer o equilíbrio da desordem no mundo estão em cartaz até o dia 29 de julho, no Musée du Quai Branly, em Paris. Entradas: € 13,70. Informações: www.quaibranly.fr

cristÓBal BalEnciaga E 7 out rEi KaWaKuBo 13 aBr

Fashion Collection e Comme des Garçons - White Drama: Duas exposições imperdíveis no Musée Galliera, em Paris. São mais de 70 peças, entre vestidos e casacos de alta-costura, criadas por Cristóbal Balenciaga entre 1937 e 1968. A coleção foi doada ao museu pelos apaixonados pela moda e pela família, em homenagem aos 40 anos da morte do estilista. No mesmo local também estão expostas criações da estilista Rei Kawakubo, da grife Comme des Garçons, feitas para o desfile do verão 2012. A estilista apostou em uma coleção completamente branca, que destaca as etapas da vida: nascimento, casamento, morte e transcendência. Em exposição até o dia 7 de outubro. Entradas: € 6. Informações: www.paris.fr

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15 MAI

American Ballet Theatre 7 JUL Spring Season

14 MAI

Spring Season – Os bailarinos da ABT retornam aos palcos do Metropolitan Opera House para mais uma temporada. O destaque é a nova produção de John Cranko, Onegin, com a música de Tchaikovsky. Os balés Giselle, La Bayadère, Romeu e Julieta e Lago dos Cisnes também estão na programação. A temporada vai até o dia 7 de julho. Ingressos entre US$ 25 e US$ 245. Informações e programação: www.abt.org ou www.metoperafamily.org

2 SET

Christer Strömholm: Les Amies de Place Blanche Um dos grandes fotógrafos do século XX, o sueco Christer Strömholm tem seu trabalho mais polêmico em exposição no International Center of Photography, em Nova York. A mostra apresenta fotos de transexuais, conhecidas “damas da noite”, feitas em Paris na década de 1960. Em cartaz até o dia 2 de setembro. Entradas: US$ 12. Informações: www.icp.org

17 MAI

12 AGO

Visões de Guerra As obras do pintor Lasar Segall ganham espaço no Centro da Cultura Judaica. A exposição apresenta o caderno Visões de Guerra, produzido pelo artista entre 1940 e 1943. São 75 desenhos aquarelados de imagens dramáticas do cenário de guerra. A mostra vai até o dia 12 de agosto. Entrada gratuita. Informações: www. culturajudaica.org.br

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22 MAI

15 JUL

Quatro Ecologias, Bang e Bill Lundberg

Tempo de fotografia no espaço Oi Futuro Flamengo. Vários artistas/fotógrafos têm seus trabalhos na galeria até dia 15 de julho. A artista visual Regina Vater faz uma retrospectiva de suas obras dividindo-as em quatro ecologias – social, ambiental, (trans)midiática e mental. Bang é a exposição de Ana Vitória Mussi e retrata a condição da imagem no mundo contemporâneo e nossa submissão a seus poderes. As obras de Bill Lundberg também estão em cartaz no Oi Futuro. Conhecido por ser um dos pioneiros na arte da videoinstalação em artes plásticas, ele exibe seu trabalho “filme-escultura”. Informações: www.oifuturo.org.br

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calendário

21 JUN

7 JUL

Roger Waters Tour

1 JUN

22 JUL

Quem perdeu a apresentação no Brasil poderá conferir em Nova York o espetáculo da turnê The Wall, do ex-Pink Floyd Roger Waters. O momento especial do espetáculo acontece na canção Fallen Loved Ones, em que fotografias e histórias de pessoas que perderam suas vidas em guerras, incluindo o pai do cantor, Eric, são apresentadas no telão. Roger fará apresentações nos dias 21e 28 de junho e 6 e 7 de julho. As entradas custam entre US$ 55 e US$ 268. Informações: www. tour.rogerwaters.com

Macbeth Estrelado por Marcelo Antony, a peça Macbeth ficará em cartaz no Teatro Vivo até 22 de julho. Um homem incapaz de lidar com sua natureza ambiciosa e, instigado pela cruel esposa, passa de herói a tirano, capaz de cometer um assassinato para chegar ao poder. Como feito na época do autor Shakespeare, Gabriel Villela monta a peça só com atores homens. Entradas: sextas e domingos, R$ 50; sábados, R$ 70. Informações: www.vivo.com.br

Exposição Misia, Queen 9 SET of Paris 12 JUN

2 JUN

90º Festival Arena di Verona 22 SET Amantes de ópera, façam fila. O festival apresenta os espetáculos Don Giovanni, Aida, Carmen, Romeu e Julieta, Turandot e Tosca, programados em três atrações para cada dia. Os ingressos custam de € 47 a € 242 por dia. As apresentações vão até o dia 22 de setembro na Fondazione Arena di Verona - Via Roma 7/d - 37121 Verona. Informações e programação: www.arena.it

Belas mulheres foram retratadas por pintores e escultores franceses. Mas você sabe quem foram? Misia Godebska foi uma dessas musas inspiradoras. Figura lendária do cenário artístico francês da Belle Époque nos anos 20, pintada por Bonnard, Vuillard, Vallotton, Toulouse-Lautrec e Renoir. Foi amiga e confidente da estilista Coco Chanel, do poeta Jean Cocteau e do músico Igor Stravinsky, além dos bailarinos Sergei Diaghilev e Vaslav Nijinsky, do Balé Russo, companhia que Misia patrocionou por mais de 10 anos. A exposição multidisciplinar, que reúne retratos, obras, documentos e contas de artistas contemporâneos inspirados pela “Rainha de Paris”, fica em cartaz até dia 9 de setembro no Musée d’Orsay. Entradas: € 9. Informações: www.musee-orsay.fr

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29 JUN

14 JUL

46º Festival de Jazz de Montreux O Brasil mostra o seu jazz no festival de Montreux. Adriana Calcanhotto e Luiz Melodia estão escalados para se apresentarem na cidade do belo lago. Buddy Guy e Bob Dylan também estão na programação, que vai até o dia 14 de julho. Os ingressos vão de 82 a 240 francos suíços (aproximadamente € 68 e € 200) por dia. Informações e programação: www. montreuxjazzfestival.com

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4 JUL

8 JUL

Festa Literária Internacional de Paraty

30 JUN

29 JUL

43º Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão O frio é só um detalhe, porque até o dia 29 de julho a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo já está com a programação completa para o festival. Sob a regência de Marin Alsop, Sir Richard Armstrong e Giancarlo Guerrero serão mais de 60 concertos em Campos do Jordão e na Sala São Paulo. Informações e programação: www. festivalcamposdojordao. org.br

Nesta edição de comemoração pelos 10 anos da festa, o homenageado será Carlos Drummond de Andrade. Zuenir Ventura já confirmou presença, e Luis Fernando Veríssimo é quem abre a conferência na noite do dia 4. Ian McEwan e a americana Jennifer Egan, que escreveu A Visita Cruel do Tempo, ganhadora do Prêmio Pulitzer, fazem parte de uma das mesas mais aguardadas. A Flip vai até o dia 8 de julho. Os ingressos custam entre R$ 10 e R$ 40, dependendo da tenda visitada. Informações e programação: www.flip.org.br

40º Festival de Cinema 18 AGO de Gramado 10 AGO

Dia 18 de agosto é a data marcada para premiar as melhores produções cinematográficas nacionais e da América Latina com o Kikito de Ouro. Os preparativos e os eventos que envolvem a premiação começam antes, com exibição de filmes e debates. Informações: www.festivaldegramado.net

26 JUL

Caravaggio 23 SET no MASP Depois de passar por Minas Gerais, o Museu de Arte de São Paulo recebe a mostra que exibe várias versões da obra de Caravaggio. Ele foi um dos artistas mais copiados e também copiou suas próprias obras, mas nunca à perfeição. As obras originais e as réplicas ficam em cartaz até o dia 23 de setembro. Entradas: R$15. Informações: www.masp.art.br

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Click

Renata Castello Branco A fotógrafa e publicitária paulista é especialista em retratos corporativos e de políticos, mas sua paixão é encontrar beleza nas comunidades populares. Já participou de exposições individuais e publicou um livro com fotografias sobre a paisagem de Heliópolis, em São Paulo. Este e mais 94 registros fazem parte da exposição Paraisópolis, uma cidade dentro da outra, em cartaz no Sesc Pompeia. www.renatacastellobranco.com.br

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25/05/2012


Revista Just For  

Edição 9 da Revista Just For Published

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