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Wega - Meio c igano, meio y uppie Desde que se casaram, há 12 anos, Mattijn e Sabine Hartemink vivem no Wega, um barco construído em 1905. Os filhos do casal, Sam, de 8 anos, e Noor, de 5, nasceram ali. Mattijn é ator, locutor de rádio e carpinteiro. Mantém uma oficina ao lado de casa, em outro barco, chamado Avontuur, cuja entrada dá para o jardim da mulher. Sabine trabalha com doentes mentais, dando aulas de teatro duas vezes por semana. O resto do tempo dedica aos filhos, ao marido e às flores. A escolha de viver a bordo veio de Mattijn, que já tinha um barco antes de conhecer Sabine. “Você se sente livre. Quando liga o motor, é um lugar diferente, uma luz diferente. Eu gosto de trabalhar com as mãos, e quando você mora em um barco, o trabalho nunca termina.” Já Sabine gosta mesmo é de viajar de férias dentro da própria casa. O 72

Wega, hoje em dia, tem 27 metros de comprimento, mas já teve 36. O encurtamento se deu porque o barco não entrava no canal em que o antigo proprietário do barco vivia. Parece brincadeira, mas aumentar e diminuir embarcações, segundo o tamanho do canal em que se mora, é prática comum na Holanda. Quem pensa que a opção de morar sobre as águas tem a ver com economia está muito enganado. Um barco custa o mesmo preço de um apartamento em Amsterdã e ainda paga licença e estacionamento nos canais. “Antigamente, as pessoas que viviam no mar eram consideradas ciganas. Hoje são yuppies muito bem pagos”, ironiza Mattijn, que vai comemorar os seus 40 anos com uma superfesta em um big boat.

ffwmag! nº 26 2011

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ffwMag # 26 Holanda  

OLHOS NOVOS PARA O NOVO [ Brazillian magazine about fashion, culture and lifestyle ]