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Todos os projetos deste artigo são de propriedade intelectual do departamento de mestrado da faculdade de arquitetura The Why Factory

precisar de ordem. E foi criado um fórum no Facebook para que se autorregulamentassem. Então, diante de certo impasse, alguém achou que a solução era começarem a se matar uns aos outros. E eles votaram no FB: matamos uns aos outros? A cidade chegou a um ponto em que não era mais possível crescer. Como negociar essas questões? Assim que começam os conflitos, acaba a liberdade. E esse é exatamente o momento mais interessante: onde acaba a liberdade e quando nós começamos a precisar de regras?”, complementa Alexander Sverdlov. Sem nenhuma infraestrutura pública inicial, os moradores precisaram criar seus próprios recursos de água, comida e energia. Quando a cidade começou a crescer, surgiram os primeiros alertas. Onde deixar montanhas de detritos? Nesse ponto começaram os desafios. Os habitantes precisaram parar de agir individualmente e começar a brigar, negociar, produzir alianças, trabalhar em equipe. O professor Madrazo esclarece seu intento com um exemplo simples: “Se você resolve mudar para o campo com seus amigos e andar nu, O.K. Mas, no momento em que outras pessoas se mudam para a vizinhança, os conflitos começam a aparecer.

A nossa proposta é testar até onde a anarquia pode ir em uma situação de extrema densidade demográfica”. Todo esse processo vai virar um filme no fim do período. O projeto mais extremo do departamento T?F talvez seja o Biodiversity, que propõe a volta dos animais à cidade de Amsterdã. A ideia era que os alunos desenvolvessem projetos que ajudassem os animais a habitar as cidades, fornecendo a eles espaço e alimento. De propostas aparentemente malucas como essa surgem ideias de produtos, como, por exemplo, a Bola Biodiversidade, cuja produção a T?F pretende viabilizar para distribuir em supermercados como bônus na compra de outros produtos. A Bola Biodiversidade nada mais é que uma bola de sementes com a qual a pessoa não tem que fazer nada além de brincar com a bola na rua. Esse simples ato, no entanto, pode transformar a paisagem da cidade. A intenção é criar um produto industrial que pode mudar a face de Amsterdã. “Fazemos coisas em escala muito pequena, mas que podem afetar o cenário global”, explica Sverdlov. Ele conclui: “Nosso projeto aqui é visualizar o futuro. Seja ele feio, bonito ou assustador”.

“Com o crescimento da população da cidade (que a essa altura já chegava a 2,5 milhões e, na semana seguinte, já seriam 25 milhões!), alguns outros participantes e grupos começaram a invadir a área ocupada por nós três do grupo, ao que respondemos parasitando as estruturas deles e aproveitando as melhores vantagens que elas podiam nos oferecer, como a sombra e a altura, que nos permite pegar os ventos mais fortes e refrescantes nesta cidade quente como o Brasil, já que está logo acima da linha do Equador”

ffwmag! nº 26 2011

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ffwMag # 26 Holanda  

OLHOS NOVOS PARA O NOVO [ Brazillian magazine about fashion, culture and lifestyle ]