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Quando o Museu Municipal de Haia (1935), no oeste do Holanda, passou por uma reforma em 1996, a olaria reproduziu azulejos, e foram centenas de testes até chegar ao resultado ideal. Entre outros trabalhos de restauração estão os azulejos da prefeitura de Hilversum (1931), as telhas vitrificadas da Bolsa de Valores de Roterdã e os vasos de cerâmica do rei William III e da rainha Mary II, da Inglaterra, do século 17

do prédio ganhou novo revestimento. O material sintético, nada resistente à luz do sol, perdeu quase toda a coloração em 15 anos e foi substituído por azulejos de cerâmica de 120 cm2, superresistentes aos raios solares e com cores personalizadas. Quem encomendou o material à Royal Tichelaar Makkum foi o top arquiteto italiano Alessandro Mendini. Mais algumas amostras do alcance criativo da companhia: em 2003, o designer holandês Marcel Wanders criou os Patchwork Plates, pratos de cerâmica branca que combinavam estampas silk-screen com tradicionais pinturas à mão; em 2006, foi lançada a Pérolas de Makkum, coleção de brincos e colares de porcelana assinada por Alexander van Slobbe; em 2007, a linha Work, de Dick van Hoff, explorou a possibilidade de criação de produtos funcionais, como relógios e luminárias, com louças tradicionais; em 2009, a Fundamentals of Makkum, também de Van Hoff, era composta por dois modelos de fogão à lenha, feitos de... Cerâmica!

Gerações

de

Midas

Muito da atual vitalidade produtiva da Royal Tichelaar Makkum se deve a duas sábias decisões tomadas ao longo de sua história. A primeira foi em 1890, quando Jan Pieters Tichelaar, tataravô do atual diretor, decidiu ir contra a corrente e passou a produzir

cerâmicas pintadas à mão mantendo os exaustivos processos tradicionais. Gastou mais tempo e dinheiro, mas fez o que ninguém mais fazia. A segunda começou a tomar forma em 1995, quando outro Jan Tichelaar – o representante da 13ª geração da família à frente da empresa – assumiu como diretor-administrativo da empresa. Na obra Brad Cloepfil / Allied Works Architecture, publicada pela luxuosa editora Gregory R. Miller & Co., há uma conversa entre o arquiteto norte-americano Cloepfil e Jan Tichelaar horas antes da inauguração do Museu de Artes e Design de Nova York, fruto de uma colaboração dos dois. O holandês fala sobre a filosofia de combinar tradição mais criatividade e resume suas motivações à frente da companhia: “O jeito fácil é se concentrar em ganhar dinheiro. E para mim é impossível fazer as coisas do jeito fácil. Quero mostrar como um objeto ou produto pode comunicar ideias e princípios. Acho que isso tem a ver com a habilidade de mostrar que a concepção de uma construção ou produto foi realizada com o máximo de cuidado. Você espera que as pessoas reconheçam que o mais importante é o processo criativo. Acho que quando você se dedica a esse processo com amor e carinho, consegue ver isso no resultado. Eu espero que isso toque as pessoas e as ajude a ter um olhar mais intuitivo e menos racional”. ffwmag! nº 26 2011

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ffwMag # 26 Holanda  

OLHOS NOVOS PARA O NOVO [ Brazillian magazine about fashion, culture and lifestyle ]