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epressão estúpida foi o que se viu em Hollywood entre os anos 1940 e 1960, na perseguição aos suspeitos de simpatizar com idéias socialistas. O pânico do comunismo se instaurava. Prendiam quem deixasse de colaborar com o Comitê de Atividades Antiamericanas – ou seja, a se declarar favorável aos grupos de esquerda – e delatar amigos, parceiros e até familiares. Sabe-se que mais de mil profissionais foram impossibilitados de trabalhar por integrar as famosas “listas negras”, cuja existência sempre foi oficialmente negada. Como tudo começou? O imbróglio nasceu pouco depois da Primeira Guerra Mundial, tempos antes de o senador republicano Joseph McCarthy tornar-se o representante máximo da direita norte-americana. Já em 1934, o congressista Samuel Dickenstein resolveu fazer campanha para investigar a difusão de ações nazistas e de outros grupos fascistas nos Estados Unidos, suspeitos de atividades antiamericanas – culminando no Special Committee on Un-American Activities, que existiu até 1937. Em 1938 foi criada a House Committee on Un-American Activities, o famigerado Comitê de Atividades Antiamericanas. Detalhe: o comitê incluía como objetos de investigação um balaio ideológico: nazistas, filiados da Ku Klux Klan, simpatizantes de grupos socialistas e membros do Partido Comunista – então uma das principais forças na organização dos sindicatos, nas reivindicações de leis trabalhistas e, mais tarde, na luta contra o fascismo, chegando a contar com mais de 50 mil membros nos Estados Unidos em 1940. Ainda naquele ano, em demonstração pública de sua mentalidade boçal, o comitê listou a atriz Shirley Temple, então uma criança famosa nas telas de cinema, por ter enviado “saudações” ao jornal francês Ce Soir – de orientação comunista, bien sûr. Mas a fofa tinha apenas 9 anos de idade! Os Estados Unidos passavam pela maior depressão econômica de 108

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sua história, iniciada com a quebra da bolsa em 1929. O presidente Franklin Roosevelt havia elaborado o New Deal na intenção de reerguer a economia do país. Esse plano, considerado progressista, irritava os grandes magnatas da época. Eles avaliavam aquelas ações do governo como uma “tentativa de acabar com o capitalismo”. Porém, com a entrada em 1941 dos Estados Unidos na Segunda Guerra, a União Soviética (já na fase stalinista) se tornaria uma das nações aliadas, calando durante alguns anos o “pavor vermelho” em terras americanas. A debacle durou pouco. O fim dos conflitos mais a vitória dos aliados e a consolidação das zonas de influência da União Soviética na Europa Oriental deram início à Guerra Fria. Fim de 1947. Vários profissionais de Hollywood foram convocados pelo Comitê de Atividades Antiamericanas, com a intenção de descobrir os “agentes vermelhos” e simpatizantes em Los Angeles que fariam “propaganda comunista subliminar” no cinema. Os convocados teriam de responder se eram ou haviam sido membros do Partido Comunista. Dez se negaram a “cooperar” apelando para a primeira emenda da Constituição, que garante liberdade de expressão. Não deu certo. Após apelo recusado pela Suprema Corte, esses profissionais foram condenados à prisão (de seis meses a um ano), quase considerados “traidores” da nação. O circo estava armado. No comando do espetáculo, figuravam desprezíveis poderosos como John Edgar Hoover (37 anos no comando do FBI) e Richard Nixon (sim, ele mesmo). Contudo, a estrela mais influente dessa ideologia seria o senador Joseph McCarthy – apesar de não ter atuado diretamente nos casos de Hollywood. As listas negras cresciam proporcionalmente ao PIB norteamericano do pós-guerra. Algumas estrelas começaram a se mexer: John Huston, Humphrey Bogart e Lauren Bacall organizaram uma comissão em prol da primeira emenda e protestaram em Washington. Outros, ao contrário, davam seus testemunhos sobre

FPG/Hulton Archive/Getty Images/ ao lado © Bettmann/CORBIS/LatinStock

O escritor Arthur Miller estava na famosa relação de 151 nomes “simpatizantes ao socialismo”; a seu lado, o diretor Elia Kazan, que arrastou por anos a aura de “delator arrependido”


Lauren Bacall e Humphrey Bogart estavam entre os raros atores que protestaram contra a perseguição ideológica ffwmag! nº 11 2008

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Por sua posição favorável à União Soviética, Charles Chaplin foi perseguido pela imprensa americana, de onde se extrai o seguinte diálogo:

Pergunta: O senhor é bolchevista? Chaplin: Sou artista, não político. Pergunta: Por que pretende visitar a Rússia? Chaplin: Porque me interessam as idéias novas. Pergunta: O que pensa de Lênin? Chaplin: Penso que é um homem que procura dar vida e expressão a uma idéia nova. Pergunta: Acredita no bolchevismo? Chaplin: Não sou político.

Charles Chaplin, o ator mais prejudicado na caça às bruxas em Hollywood 110

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© Bettmann/CORBIS/LatinStock; George Skadding//Time Life Pictures/Getty Images / ao lado © Alain Le Garsmeur/CORBIS/LatinStock

Dedos-duros com glamour: Ronald Reagan, Barbara Stanwick e Charlton Helston; ao lado a escritora Lillian Hellmann: mesmo defendendo ações anti-nazistas, entrou na “Lista Negra” do senador Joseph MacCarthy

“atividades comunistas”. Os entreguistas e dedos-duros se chamavam Ronald Reagan (sim, ele mesmo), Gary Cooper, Robert Taylor, Robert Montgomery, Jonh Wayne, Jack Warner, Barbara Stanwick, Louis B. Mayer e o “bonzinho” Walter Disney. Por oportunismo, essas pessoas não tiveram pudores em indicar nomes de supostos “comunistas” – mesmo sabendo que sofreriam perseguições. Disney foi um dos mais notórios delatores. A ascensão contínua de seu império de desenhos animados se deve, em grande parte, aos contratos milionários com que foi “presenteado” por dedurar roteiristas, atores, diretores e técnicos. Importante que os fãs do Mickey e do Pateta saibam deste fato: o cidadão Walter Disney foi o maior alcagüete em Hollywood, a serviço da extrema direita norte-americana. Igual a ele, talvez apenas John Wayne, que espumava por sua boca torta de cowboy quando alguém mencionava a palavra “comunista”. Os caçadores de bruxas continuavam expelindo fogo, enquanto os convocados que se recusavam a cooperar com o comitê tentavam outra tática: apelar para a quinta emenda da Constituição, a que dava direito ao acusado de se calar para não se incriminar. A reação logo veio. Os que se negavam a “colaborar” não conseguiam mais trabalhos nos estúdios. Estavam profissionalmente acabados. Para reverter o quadro, eles precisariam denunciar qualquer suposto comunista. O festival de delações atinge o ápice. Comitê: O sr. é comunista? Charles Chaplin: Não sou comunista! Comitê: Simpatizante comunista era a pergunta... Chaplin: Isso precisa ser redefinido. Não sei o que o senhor quer dizer com isso de “simpatizante comunista”. Eu diria o seguinte: durante a guerra, simpatizei com a Rússia por crer que sustentava a frente bélica e isso tenho na memória para agradecer. Essa nação contribuiu com sua luta e com seus mortos para a vitória dos aliados. Nesse sentido, simpatizo com ela.

A partir dos anos 1950, carreiras profissionais importantes foram destruídas pelo comitê. Bastava ter o nome declinado para que se passasse automaticamente à lista negra. Mesmo aclamado pelo público, Charles Chaplin foi praticamente obrigado a voltar para a Inglaterra, depois de morar 40 anos em território norte-americano. O dramaturgo e escritor alemão Bertold Brecht, que se exilou nos Estados Unidos fugindo do nazismo, também deixou o país um dia depois de ser interrogado. Entre os diretores, Elia Kazan foi um dos que endureceram o dedo. Por conta dessa fama de delator, passou o resto da vida se explicando através de pequenas obras-primas como Sindicato de Ladrões, com Marlon Brando. Quando o senador Joseph McCarthy assume em 1953 a liderança do Partido Republicano, seu discurso de posse é sobre a “influência do comunismo no governo Truman”. Ele então afirma que 140 funcionários do Departamento de Estado pertenceriam ao Partido Comunista, ganhando as primeiras páginas dos jornais. Nascia um dos movimentos mais tenebrosos e obscurantistas do pós-guerra, o macarthismo, onde ele via comunistas em toda a parte. A famosa lista negra começou, na verdade, com os dez primeiros que se negaram a colaborar e ficaram conhecidos como Hollywood Ten. Pouco antes da famosa lista de McCarthy, um panfleto chamado Red Channels circulou em Los Angeles, acusando 151 profissionais da indústria do entretenimento. Entre os nomes, o compositor e maestro Leonard Bernstein, os atores Edward G. Robinson, Lee J. Cobb, José Ferrer, John Garfield e Zero Mostel, as atrizes Judy Holiday, Ruth Gordon, Lee Grant e Ann Shepherd, a cantora e atriz Lena Horne, os escritores Dorothy Parker, Lillian Hellman e Arthur Miller, o músico Artie Shaw, o cantor Pete Seeger, o diretor Orson Welles, além de muitos outros. Todos “comunistas”! Atenção: a histeria não parava aí. O Screen Writers Guild, associação de roteiristas, autorizou em 1952 que os estúdios omitissem ffwmag! nº 11 2008

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Trecho do depoimento do roteirista Alvah Cecil Bessie ao Comitê de Atividades Antiamericanas:

dos créditos os nomes dos que não haviam se esclarecido perante o comitê. Com isso, alguns roteiristas passaram a escrever sob pseudônimos, coisa impossível para atores e diretores. Muitos se desesperaram, como a atriz Dorothy Camingore, que se recusou a colaborar. Seu marido, o roteirista Richard Collins, após um período na lista negra, tornou-se uma testemunha amigável do comitê; dispensou a esposa e ficou com a guarda do filho do casal. É claro que Dorothy pirou e morreu de alcoolismo e depressão. A história do casal faz parte dos enredos paralelos do filme Guilty by Suspicion (1991), com Robert de Niro e Annette Bening. Aliás, o primeiro filme a tratar da perseguição comunista nos Estados Unidos foi Storm Center, de 1956, com Bette Davis no papel da bibliotecária que se recusa a retirar da prateleira o livro O Sonho Comunista. Outros filmes sobre o tema são The Front (1976), com Woody Allen e Zero Mostel (este, uma das vítimas do macarthismo), e Good Night and Good Luck (2005), dirigido por George Clooney e baseado na história real do locutor da CBS, Edward R. Murrow. Em 1960, a paranóia começou a ceder. Depois de algumas decisões judiciais, a lista negra perde sua força. Vem o arrependimento público daqueles que colaboraram com o comitê, como os atores Lee J.Cobb e Sterling Hayden (que declarou: “Fui um rato”). O mesmo medo que serviu a tantos propósitos equivocados, irresponsáveis e criminosos durante o macarthismo é comparado hoje por alguns autores à atuação do governo norte-americano após os ataques de 11 de Setembro. Os períodos de crise são, muitas vezes, seguidos por convulsões sociais que resultam no medo e na insegurança daqueles contrários às mudanças. Esses reagem com intolerância e histeria, levando a medidas autoritárias de proporções tais que mudam completamente o rumo da história. Por mais absurdo que pareça, na falta de um inimigo claro, cria-se um mix, baseado em um fundamentalismo religioso e comportamental. Afinal, este é um tempo de crise. Trecho do depoimento de Robert Taylor (o herói romântico do filme Canção da Rússia, de 1946) para Richard Nixon: Nixon: O senhor se lembra de alguns atores que participaram de atividades suspeitas? 112

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Taylor: Bem, posso mencionar alguns poucos que pareciam perturbar as coisas. Se são comunistas, não sei. Sei de vários roteiristas da indústria cinematográfica que são possivelmente comunistas. Nixon: Poderia dar seus nomes ao comitê? Taylor: Lester Cole tem fama de ser comunista. Eu não saberia confirmá-lo. Nixon: Já atuou em algum filme cuja lealdade ao governo colocasse em dúvida? Taylor: Não que eu saiba. Nunca trabalhei sabendo que alguém era comunista. Nixon: O senhor se negaria a atuar em algum filme em cujo elenco participasse alguém que o senhor considerasse comunista? Taylor: Sem dúvida. Pode parecer preconceito, mas, se eu tivesse a mínima suspeita de que algum comunista trabalha ao meu lado, teria que escolher entre mim e ele. A defesa de um suposto “ideal democrático” nos Estados Unidos sustenta a existência e manutenção de dois partidos – não ideológicos e sem grandes diferenças entre si – que se alternam no governo de modo que não se proporcione grandes mudanças na estrutura econômico-social. “O partido é uma organização para vencer eleições e obter o controle do governo, não para defender uma ideologia”, afirma David Cushman Coyle. Alega que, não importa qual dos dois partidos vença, será sempre pelo bem da América e da democracia – eliminando a possibilidade de vitória dos partidos que ele classifica de “suicidas”, como o comunista. E me vem agora uma suposição curiosa. Por que os republicanos atuais não passam a perseguir a cantora Cher, por exemplo? Motivos não faltariam. Ela é adorada pelos gays. Pensando bem, ela também é quase gay, além de descender de armênios (seu nome é Cherilyn Sarkisian), e, embora não tenha nada a ver com árabes, para o norteamericano médio, como a senadora Sarah Palin ou George W. Bush, é tudo gente do “eixo do mal”. E mais: Cher tem uma filha lésbica... Sacaram? O ovo da serpente continua entre nós.

Macarthismo: pessoas.hsw.uol.com.br/macartismo.htm

© John Springer Collection/CORBIS/LatinStock

Pergunta: Fica evidente que o senhor segue a mesma linha do Partido Comunista. Bessie: Eu sigo a minha própria cabeça, a que tenho o privilégio de ter. Pergunta: O senhor é comunista? Bessie : Até o general Eisenhower se recusou a revelar sua filiação política. E o que é bom para ele é bom para mim.


O comportado ator Robert Taylor jamais trabalharia com “comunistas”

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r d o a ti an o nd

“califórnia é sol, é verão; praias são garotas, e garotas e praias significam diversão — tudo é diversão na califórnia ensolarada!” essa era a mensagem propagada pela surf music, gênero difundido entre 1962 e 1965 na costa oeste dos estados unidos. dançante e romântico, formava uma corrente musical tendo os beach boys como representantes máximos. hoje, o estilo sobrevive em bandas que veneram seus arranjos com notas de curta duração por rené ferri


Foto: Michael Ochs Archives/Getty Images

Principal grupo do movimento musical que sacudia a Califórnia dos anos 1960, os Beach Boys exaltavam a vida sobre as ondas, em festas à beira-mar e em encontros de “brotos”


O guitarrista Dick Dale: reverberação, notas curtas e a simulação, através da música, de estar equilibrado numa prancha de surf 116

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Carros, praia, sol, garotas e surf faziam parte da mesma cultura: romântica e dançante, inocente e alegre

fotos: Michael Ochs Archives/Getty Images / Tom Kelley/Getty Images

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ne... O Éden da Terra. Nem mais nem menos, a surf music

passava a idéia de uma Califórnia mítica, utópica, com o sol eternamente faiscando na areia e na pele dourada de gente jovem que se divertia todo o tempo nas praias de Malibu, Carmel ou Santa Monica, e onde havia sempre two girls for every boy — como prometia a canção “Surf City”, que Brian Wilson escreveu para Jan (Berry) & Dean (Torrence) despontarem no primeiro lugar da Billboard em julho de 1963 — esta a primeira surf song a se tornar um hit de grandes proporções, isso logo após os Beach Boys conseguirem seus dois primeiros sucessos, “Surf USA” e “Shutdown”. Para entender a surf music há de se recuar ainda um pouco mais no tempo, no fim dos anos 1950. Em Phoenix, Arizona, o guitarrista Duane Eddy começou a editar discos instrumentais por volta de 1958 com uma batida de guitarra pesada, que ele apelidou de twangy guitar; com a ajuda dos produtores Lee Hazlewood e Lester Sill, e de músicos locais como Al Casey, Larry Knechtel e Steve Douglas. O som twangy de Duane Eddy pontuou uma série de hits pelo selo Jamie: “Rebel-Rouser”, “Ramrod”, “Cannonball”, entre outros, tornando-o um dos músicos mais influentes de sua geração. Ao mesmo tempo, a música pop instrumental do fim dos 1950 e começo da década seguinte (feita de guitarra + baixo + bateria + saxofone) virou uma tendência forte no rock americano, com inúmeros grupos de sonoridade quase uniforme fazendo músi-

ca vibrante para dançar: foi a época da revelação de Johnny & Hurricanes, Viscounts, Ventures, Royaltones, Rockateens etc. Todas as regiões americanas possuíam grupos desse tipo, a maioria não foi além de um ou dois sucessos locais, mas foi fundamental na transição da primeira para a segunda geração do rock.

Two...

Enquanto isso, na Califórnia, os pioneiros Jan & Dean começavam a gravar seus primeiros compactos pelo selo Dore, com produção de Herb Alpert e Lou Adler — teen novelties, em sua maioria, com letras de absoluto nonsense e truques vocais emprestados de grupos de doo-wop e pop tradicional. Alpert e Adler iriam se tornar, em poucos anos, tycoons da indústria fonográfica, mas naquela época ainda davam os primeiros passos — os demos de Jan & Dean, por exemplo, eram gravados na garagem da casa de Alpert. Quem resumiu o som de milhares de bandas instrumentais então existentes, mais a pegada forte de Duane Eddy, e lhes deu a personalidade que, em seguida, ganhou identidade como o “som da surf music” foi um guitarrista canhoto de Boston, Massachusetts, chamado Dick Dale. Com grande influência de música oriental (graças a sua ascendência libanesa, segundo ele próprio), Dale foi o primeiro a experimentar com reverberação nos seus amplificadores Fender de 100 watts, os primeiros com tal potência a serem produziffwmag! nº 11 2008

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Carl Wilson, Mike Love, Dennis Wilson, Brian Wilson e David Marks: os Beach Boys faziam a linha de bons rapazes

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Maryland), Ventures (em Washington) e Santo & Johnny (em Nova York), souberam aproveitar a onda. O pioneiro-acidental Duane Eddy não torceu o nariz para o surf — seu grande hit de 1963, “Dance with the Guitar Man”, traz à memória imediatamente a canção-assinatura de Dick Dale, “The King of Surf Guitar”.

Three... Faltava

a última fase para consolidar o estilo — e ela chegou com um grupo principiante de Hawthorne, um subúrbio classe média de Los Angeles, os Beach Boys, formado por três irmãos: Dennis, Carl e Brian Wilson, um primo, Mike Love, e um amigo de ginásio, Al Jardine. Dennis despertou a atenção para o surf, esporte que deu a primeira identidade à banda, e uma música chamada “Surfin”, escrita por Love e Brian, foi a primeira de tantas dos Beach Boys identificadas com o gênero. Foi Brian Wilson, cujo gênio como compositor/arranjador/produtor se revelaria em pouco tempo, quem moldou a surf music, adotando nos BB os vocais em falsete e as frases doo-wop à maneira de Jan & Dean e assimilando a sonoridade dos grupos de surf instrumentais que ainda eram o maior sucesso na costa da Califórnia. Mais importante, ele também deu voz à cultura surf que até então, nas músicas, só existia nos títulos das canções. Logo haveria um grande número de músicas, assinadas por Brian, cujas letras derivavam da boa vida à beira-mar: praias, garotas, sol, festas e amores juvenis.

Fotos: © Michael Ochs Archives/Corbis / Gene Lester/Getty Images

dos (customizados por Leo Fender, especialmente). À reverberação (eco), Dale acrescentou o estilo stacatto, uma técnica de tocar as notas com curta duração e com suspensões entre elas, para simular a emoção de estar equilibrado numa prancha de surf, entre ondas. A popularidade de Dick Dale (& His Del-Tones) tornou-se imensa no sul da Califórnia, onde o esporte (surf) era bastante cultivado, principalmente nos clubes onde se dançava. Para ajudar, foi a época da dance craze, a mania das danças: depois do twist, a cada semana uma dança nova se revelava: hully-gully, loco-motion, the bird, mashed-potatoes etc., e nessa onda surgiu surf, a dança, fácil de aprender como o ABC: bastava ficar com os pés quase parados e agitar os braços, como se estivesse surfando. Daí, o som empolgante de Dick Dale passou a ser muito imitado, resultando na revelação de surf bands autênticas, como The Astronauts, Chantays, Rumblers, Tornadoes, Pyramids, Marketts, Surfaris, Surftones, Jerry Cole & Spacemen, Revels, Richie Allen & Pacific Surfers, Trashmen, Rip Chords, Jesters, Challengers, Ronnie & Daytonas, Belairs, Fantastic Baggys, Impacts, Fireballs. São dessa fase (1961-1962) alguns dos discos citados como os primeiros que se serviam intencionalmente da cultura surf: Mr. Moto, com The Belairs, Stick Shift, com The Duals, Moondawg, com The Gamblers, e Church Key, com The Revels. Mesmo bandas e músicos que pouco ou nada tinham a ver com surf music, como Link Wray (em


Atriz e cantora, Annette Funicello virou “ídola” ao estrelar filmes ambientados em praias, como Muscle Beach Party, de 1964 ffwmag! nº 11 2008

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A trilha do filme Pulp Fiction, estrelado em 1994 por Uma Thurman, recuperou a surf music para as novas gerações. Na página ao lado, capas de alguns discos da época do pranchão

Fotos: reprodução / snap/rex features

LeT´s rock! As canções que falavam de carros eram tantas, gravadas pelos Beach Boys e por grupos semelhantes (que brotaram feito cogumelos), que foi inventado um subgênero: hot rod music. Para a nova geração de compositores e produtores que surgiu em volta da surf music — e que incluía Bruce Johnston, Terry Melcher, Gary Usher, Roger Christian, P. F. Sloan, Steve Barri, além de Brian Wilson e Jan Berry —, os carros, a praia, o sol, as garotas, o surf, tudo era parte da mesma cultura e dividia a metáfora da Califórnia mítica, novamente a “terra prometida” da América. Aquele tipo de música, então, passou a ser chamado, simplesmente, de summer music. O cinema contribuiu para reforçar o mito da cultura surf, com frankies e annettes em turmas celebrando o bem viver na praia, como o fascinante documentário Endless Summer, a melhor síntese de cinema e música, juntando mar, praia, surf e muita summer music. A produção intensa de Brian/Beach Boys entre 1963 e 1966 é surf music no que ela tem de mais sublime e fascinante. Mas nessa época, com Beatles e Rolling Stones ditando as regras da moda na música, a surf music e seu viés clean cute ficaram fora de moda num átimo. Além disso, a própria cultura surf estava mudando: no lugar da diversão ao sol, a meditação transcendental e as drogas

químicas e alucinógenas. Além dos Beach Boys, que jamais pararam de evoluir, nenhuma outra banda de surf music daqueles tempos dourados sobreviveu. O estilo ficou vivo nos anos 1970 e 1980 por obra de bandas indies obstinadas, como Jon & The Nightriders, e de eventuais covers dos Ramones. Com Pulp Fiction, o filme de Quentin Tarantino de 1994, o público redescobriu a surf music — um dos trunfos de Pulp Fiction é sua impressionante trilha sonora, onde se destaca “Miserlou”, com Dick Dale, que voltou à moda e passou a fazer turnês internacionais, em grande forma. Hoje, com a difusão musical por meio da internet e com as facilidades para produzir, gravar e distribuir música, a surf music está em todo canto do mundo, cultivada por novas bandas, algumas de qualidade surpreendente — no Brasil, inclusive. Tocada por músicos nascidos muito depois de Brian Wilson ter feito a última das suas mil viagens de ácido, a surf music, em sua versão nova, vem descolada do esporte e recusa a Califórnia como ícone nostálgico. Tudo bem, o que vale é a diversão, o verão inteiro. Surf Music: www.surfmusic.com | The Beach Boys: www.thebeachboys.com \ Endless Summer: www.imdb.com/title/tt0060371 ffwmag! nº 11 2008

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ilustração: rafael pera


Foto Jeff Burton, do livro “The Other Place,” Twin Palms Publishers 124

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Corpos em evidência

Cifras, histórias, ângulos e penetrações da milionária indústria pornô de los angeles por ivan melo fotos jeff burton* ffwmag! nº 11 2008

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Foto Jeff Burton, do livro “The Other Place,” Twin Palms Publishers 126

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característica principal e talvez a mais facilmente identificável do cinema pornô é o exagero. Tudo tende a ser maior do que parece, e, quando não é, dá-se um jeito de fazê-lo ser. Os Estados Unidos são os maiores produtores de filmes pornôs do mundo. Com faturamento estimado em US$ 5 bilhões (há quem fale em US$ 14 bilhões), essa indústria emprega cerca de 2 mil atores e atrizes que protagonizam, no mínimo, 5 mil títulos por ano. O principal pólo de produção se encontra no vale de San Fernando, subúrbios de Los Angeles. De acordo com um documentário da HBO, intitulado Porn Valley, 90% do material pornográfico legal produzido nos EUA é feito ali, por empresas como Vivid Entertainment, Evil Empire, Wicked e VCA. Quase todas as distribuidoras de vídeo e editoras de revistas pornôs do país também se encontram no Porn Valley.

Eros Pode-se dizer que a indústria pornô surgiu quase que simultaneamente à invenção dos Lumière. Muitos afirmam que a primeira cena erótica do cinema foi protagonizada por Louise Willy, num striptease em Le Bain (O Banho), de 1896. Outras produções de nomes sugestivos, como Maravilhas de um Mundo não Visto, da mesma época, também trazem stripteases no enredo. Contudo, antes do cinema, a pornografia já se propagava através da fotografia e das máquinas de impressão. A chegada da imagem em movimento só fez crescer o interesse por esse tipo de material. Desde a suave sensualidade usada por Griffith nas personagens das Virgens do Fogo Sagrado da Vida, em 1916, até as cenas de sexo explícito usadas por Michael Winterbotton em Nove Canções, Vincent Galo em The Brown Bunny e John Cameron Mitchell em Shortbus, o cinema de arte tem no erotismo uma forma de expressão. US$ O negócio do pornô começou a ganhar destaque na década de 1970 e, atualmente, é visto com relativa normalidade pela sociedade norte-americana. A atriz Jenna Jameson, uma das mais conhecidas dessa indústria, fatura até US$ 15 milhões por ano e foi até garotapropaganda da Adidas. Outros milionários do setor são donos de belas casas em Malibu e têm livre acesso às mais disputadas festas de LA. Nos EUA, o custo médio de produção de um longa fica em torno de US$ 30 mil, atingindo US$ 90 mil a depender do casting. Uma atriz pouco conhecida ganha até US$ 3 mil por dia. As mais famosas, US$ 15 mil, fora os contratos de merchandising, acordos de distribuição etc. Os atores recebem a metade. Motivo: são muito mais fáceis de serem encontrados. dirty shame Foi o filme americano A Free Ride, de 1915, que deu origem aos “Stag Films” (filmes para rapazes) ou “Dirty Movies” (filmes de sacanagem), alugados com projetores para exibição em clubes exclusivos para homens. Apenas nas décadas de 1930 e 1940 os norte-americanos aprovariam leis de censura. Antes disso, centenas de fitas foram rodadas, a maioria com 10 minutos 128

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de duração e muita sacanagem: sexo oral, ménage à trois, lesbianismo e todo tipo de penetração.

PEEP SHOW Depois de duas décadas de censura (1940 e 1950), com raros filmes exibidos em peep shows, cinemas clandestinos, inferninhos, prostíbulos e festas de poderosos, os anos 1960 trouxeram a discussão do sexo livre. Intelectuais, artistas e personalidades ligadas ao cinema começaram a se pronunciar sobre suas preferências sexuais. Logo as produções de sexo explícito voltaram com tudo, ainda que num certo clima marginal.

ENGOLIR ESPADAS

No fim dos anos 1960 e início dos 1970, o cinema pornô ganha força em LA. Surge como indústria capaz de gerar fortunas para os produtores. O primeiro blockbuster pornô da história foi o cultuado Deep Throat (Garganta Profunda), que arrecadou cerca de US$ 600 milhões. Lançado em 1972, o filme conta a incrível história de uma ex-engolidora de espadas que tem um problema físico: seu clitóris se desenvolveu na traquéia. Com a ajuda nada convencional do médico e de amigos, ela descobre que para chegar ao clímax precisa continuar… “engolindo espadas”. O filme transformou a atriz Linda Lovelace em celebridade mundial. Garganta Profunda foi tão influente que virou até apelido dado pelos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, do Washington Post, a W. Mark Felto, o diretor do FBI que contribuiu para dar fim ao mandato de Nixon. Para saber mais sobre esse clássico pornô assista ao documentário Inside Deep Throat, de 2005.

INJEÇÕES DE SILICONE Pelo papel em Garganta Profunda, Linda Lovelace recebeu cachê de pouco mais de US$ 1 mil. A atriz morreu aos 53 anos, depois de fazer campanhas antipornografia. Teve diversos problemas de saúde, incluindo complicações com silicone nos seios. Nos anos 1980, depois de tentar lançar filmes bem mais leves, ela escreveu Ordenal, uma autobiografia em que conta como foi forçada a atuar muitas vezes sob ameaça de revólver. O MAIOR DO MUNDO Tudo que se refere a John Holmes é superlativo. Supõe-se que o ator tenha participado, nas décadas de 1970 e 1980, de aproximadamente 2.500 filmes. O tamanho do seu pênis, segundo anunciava a indústria pornô, era de 35 centímetros (“o maior pau do mundo”). Para amenizar a história, suas duas ex-mulheres anunciaram, depois de sua morte, que a medida na verdade girava em torno dos 25 centímetros. Seja como for, a fama de Holmes extrapolou o submundo pornográfico. Sua dependência em drogas quase o levou à falência. Em 1981, já em declínio, aceitou participar de um assalto a Eddie Nash, um dos poderosos traficantes e proprietários de clubes noturnos de LA. O acontecimento virou filme protagonizado por Val Kimmer: Os Crimes de Wonderland. Outro filme inspirado na vida de Holmes é o cultuado Boogie Nights, de Paul Thomas Anderson.


SOFT LINE Usada no início dos anos 1970, logo após a liberação que marcou o retorno das produções pornográficas, a expressão “pornô chic” descreve a onda de filmes pornográficos que, nessa época, foram apresentados nas principais salas dos EUA. Além de Garganta Produnda, vale citar Boys in The Sand, Behind The Green Door, The Devil in Miss Jone e Score. LUTA DE ESPADAS Os primeiros filmes gays e bissexuais de sexo explícito apareceram duas décadas após o surgimento da pornografia no cinema. Historiadores atribuem a The Surprise of a Knight, de 1929, a primeira cena de penetração gay no cinema americano. As restrições legais ao homoerotismo eram muito acentuadas, mas com o advento das câmeras de 16 milímetros artistas importantes se atreveram a filmar cenas de sexo gay ou de masturbação masculina, tudo comercializado longe dos olhos da lei. Dois importantes nomes: Andy Warhol, com o seu Blow Job, de 1964, e Paul Morrisey, com Flesh, de 1968. Tyler Gajewski, que atuou nos filmes de ambos, e Joe Dallesandro, que, além de atuar em produções pornôs da época, posou nu para Bob Mizer e Bruce Bellas, eram os principais nomes da cultura cine-gay-pornográfica da época. Juntam-se a esses atores, o atrevido Pat Rocco, que dirigiu Boys in The Sand, o primeiro longa-metragem pornô gay com enorme bilheteria, precedendo, inclusive, Garganta Profunda.

ELES & ELAS

O sucesso mundial de Boys in The Sand chamou atenção e, nos anos 1970, os estúdios lançavam filmes para duas classes: o pornô gay (maioria no mercado) e o pornô lésbico, que hoje cresce, principalmente na Califórnia, onde acontece um dos principais festivais do gênero: The San Francisco International Lesbian & Gay Film Festival. Maior e mais antigo evento dedicado aos gays movies, o festival acontece desde 1977, é competitivo e sempre programa filmes de sexo explícito.

LAR DOCE LAR Nenhum segmento do cinema aproveitou tão bem os vídeos domésticos, os VCR, como o pornô. Em meados da década de 1980, quase a totalidade dos cinemas pornôs de Los Angeles já havia fechado. Produções baratas encontravam no VHS o formato ideal. Credita-se ao sucesso da pornografia no home video o conforto e a discrição de se assitir em casa, além de o surgimento da Aids ter tornado os cinemas pornôs mais escassos. BUTTMAN John Stagliano filma com humor. É o chamado Pornô Gonzo. Seus primeiros sucessos, sempre com muita penetração anal, são Exercícios de Buttman, Buttman Vai ao Rio, entre outros. Sua empresa, Evil Angel, é uma das gigantes do setor. No início da carreira, Stagliano filmava com US$ 8 mil ou US$ 10 mil. Depois lucrava US$ 250 mil. O empresário tem ainda a editora Stagliano Co., que lança revistas e distribui filmes para todo o planeta.

THE FASHIONISTAS Uma das maiores façanhas de John Stagliano foi The Fashionistas, pornô de altíssimo orçamento, com roteiro, boa montagem, figurino bacana e cenas de hard sex. Conta a história de um estilista italiano levado ao sadomasoquismo por uma dominatrix. O fantasma obsessivo dele é Jesse, vivida pela atriz Belladonna, mulher com impensáveis habilidades sexuais. O filme foi rodado em 35 milímetros e teve ótimo tratamento cinematográfico. Foi o maior vencedor da história do AVN, o Oscar da indústria pornográfica. The Fashionistas virou musical em Las Vegas e originou uma trilogia, completada por Fashionistas: Safado e Fashionistas Safado: Berlin. DESEMPENHOS O AVN Awards foi criado pela principal publicação desse mercado, a AVN (Adult Video News). São inúmeras categorias em competição: melhor desempenho de ator e atriz, melhor filme, melhor cena só de mulheres, melhor penetração anal, melhor sexo oral, melhor cena de casal, melhor cena grupal e melhor solo de sexo. Este ano, a brasileira Monica Mattos recebeu o prêmio de melhor atriz estrangeira. Outro nome que tem feito barulho é Sacha Grey. Dizem que é brasileira, do Ceará, e se mudou com a mãe para os EUA aos 5 anos. Cearense ou não, ela deverá protagonizar o próximo filme de Steven Soderbergh, vencedor do Oscar por Beleza Americana. O filme irá se chamar The Girlfriend Experience e Sacha viverá o papel de uma garota de programa de alta classe de Nova York.

TOP DO TOP Apesar de ter se profissionalizado muito, o cinema pornô se mantém na marginalidade, o que faz com que seus prin-cipais astros e estrelas sejam conhecidos apenas pelo público que acompanha as produções. E, assim como em qualquer outro segmento, o cinema X-rated tem ascensões e quedas rápidas. No caso do pornô, a permanência no topo da lista dos melhores está bastante ligada ao viço da pele e à virilidade. Atualmente, entre as mulheres, os principais nomes são Amber Lynn, Tera Patrick, Belladona, Amber Michaels, Angela Summers, Briana Banks, Davia, Jenna Jamenson, Jill Kelly, Krystal Steal, Nina Hartley, Silvia Saint, Tiffany Mynx, Angel Dark e Claudia Clare. Entre os homens, héteros e gays, destacam-se Rocco Siffredi, o mais famoso de todos, Ron Jeremy, Peter Berlin, Lauro Giotto, Nacho Vidal, Roberto Chivas, Roberto Malone e Michael Lucas. WEB SEX Mais uma vez, o cinema pornô sai na frente: assim como na época do VHS, a nova onda do pornô encontra-se na internet. A quantidade de material pornográfico na web é impressionante. São páginas intermináveis onde qualquer um pode assistir a inúmeros filmes, traillers, teasers e curtas, além de produções amadoras de todo tipo. A internet também recruta atores. Para se candidatar é só enviar fotos com suas qualidades físicas ou escrever um breve texto explicando por que você deseja atuar em filmes para adultos. ffwmag! nº 11 2008

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Foto Jeff Burton, do livro “The Other Place,” Twin Palms Publishers

How Big Is Porn?: www.forbes.com/2001/05/25/0524porn.html Family Safe Media: www.familysafemedia.com/pornography_statistics.html AVN Awards: www.avnawards.com 132

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MUITO PRAZER Jeff Burton é fotógrafo (e homônimo do piloto de corrida da Nascar – a maior associação automobilística dos EUA). Jeff Burton, o fotógrafo, nasceu em 1963 na Califórnia. Mora e trabalha em Los Angeles. É formado em artes plásticas pelo California Institute of the Arts. Jeff Burton começou como fotógrafo de cinema em filmes de sexo explícito, principalmente gays. Jeff Burton deixou a obviedade do pornô para criar imagens de densidade poética. Jeff Burton se explica: “Arte, moda e pornografia obedecem a uma rígida hierarquia. Artes plásticas no topo, moda um pouco abaixo e pornografia mais abaixo ainda. Quero ir além, quebrar regras e misturar tudo”. Jeff Burton captura a idéia de sedução e sensualidade sem a dureza obrigatória do sexo hardcore. Jeff Burton investiga o pornô sem ligar para preceitos morais. Quase todos os seus modelos são atores e atrizes de filmes eróticos. Jeff Burton fotografou em 2008 a campanha da marca de Kris Van Assche, diretor criativo da Dior Homme. Jeff Burton tem três livros: Jeff Burton: Untitled (1999), Jeff Burton: Dreamland (2001) e Jeff Burton: The Other Place (2004). Este último, publicado pela editora Twin Palms Publishers (www. twinpalms.com), contém as imagens destas páginas. ffwmag! nº 11 2008

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Señor Schwarzenegger:

nosotros mexicanos, queremos imponer nuestra presencia en la California, aunque somamos más de 30 millónes que hablan español en el territorio estadunidense. Ahora ha llegado el momiento de recuperar las relaciones entre los Estados Unidos e Mexico! por eduardo logullo fotos adrian bodek

Alfredo de Batuc Muralista e pintor Nasceu em: Sonora Há 30 anos nos EUA

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Guadalupe Bojorquez

Promotora de cultura mexicana e latino-americana Nasceu em: Tijuana Nos EUA há 37 anos

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omos ZORAIDA, Hector, Ninón, Aleida, Raúl, Gael, Gloria, LUCERO, Anahí, Lourdes, Juan, ROCIO, Fernando, AURORA, Maria, Ramón, Dulce, POMPÍN, Belinda, Alejandra, Horácio, DOLORES, Magda, Verónica, TIBURCIO, Florencia, Mario, Guadalupe, Nora, Ricardo, Rodrigo, LIBERTAD. Viemos de León, Puebla, Tampico, CHOLULA, Oaxaca de Juarez, Santiago de Querétaro, Pachuca, ZACATECAS, Tuxtla Gutiérrez, San Cristóbal de Las Casas, VERA CRUZ, Tijuana, Vallalolid, Cuernavaca, Aguascalientes, Chilpancingo, Pachuca, ÁGUA PUERCA, San Luís Potosí, Acapulco, TEPIC, Monterrey, Villahermosa, Ciudad de México. Nós, mexicanos, há tempos conseguimos algumas vitórias como cidadãos. Recebemos CONTAS DE LUZ e de telefone em espanhol. Extratos bancários também. Conquistamos até canais de TV, com programas tão ruidosos e animados como no México. Funcionalmente formamos a SEGUNDA LÍNGUA do país. Mas o señor, AUSTRÍACO naturalizado norte-americano, ex-ator de produções que continuam a difundir um cinema voltado à violência (lembra-se da série Exterminador do Futuro?), declara, no papel de governador do território mais poderoso dos Estados Unidos, que nós, mexicanos, temos DIFICULDADES DE ASSIMILAÇÃO! Esse comentário é do dia 28 de outubro de 2008, em sua visita ao bairro chinês de Los Angeles. O señor sugere que fizéssemos uma imersão na cultura americana para que fôssemos “aceitos”. Aceitos de que forma, señor Schwarzenegger? Continuamos discriminados pela cultura “anglo”. Sem poderes políticos ou econô136

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micos em nossas comunidades. Para um homem que chegou a ter diâmetro de braço de 56 centímetros, que foi MISTER UNIVERSO em fisiculturismo e que ganhou US$ 45 MILHÕES por essa filmografia inicial de merda, nada nos espanta. O que assusta é saber que ainda existem pessoas que o elegem. A polêmica da nossa presença nos Estados Unidos remonta ao século XIX. O señor, BOBO DE BRAÇO LARGO, deve ignorar que a imensa parte da nação mexicana foi arrancada do mapa pelos norte-americanos. Quer saber mais? Em 1848 os Estados Unidos venceram a guerra que travavam com o México de objetivos claramente expansionistas. O resultado final do conflito foi resolvido pelo Tratado de Guadalupe Hidalgo. Aliás, bastante proveitoso, com a anexação de 1,36 MILHÃO DE QUILÔMETOS QUADRADOS, que significava 55% do território mexicano. A região, nos três séculos anteriores, havia sido tomada pelos espanhóis dos povos nativos, habitantes originais da atual parte sudeste do país: Califórnia, Wyoming, Arizona, Colorado e Novo México. O Texas, señor Schwarzenegger, que por curto tempo se proclamou uma república independente do México, foi o estopim da guerra ao ser anexado pelos Estados Unidos. As batalhas ceifaram muitas vidas. Mas tiveram nomes lindos: Batalha de CHURUBUSCO, Chapultepec, Molino Del Rey, Ressaca de la Palma, Palo Alto. Os nossos heróis se chamavam Antonio Lopes de Santa Anna, Mariano Arista, Manoel de La Peña y Peña, Valentin Gómez Farias, entre outros. O presidente americano era um democrata, James K. Polk, homem com testa imensa, suíças e nariz vermelho.


Yareli Arizmendi

Atriz Nasceu em: Cidade do México Nos EUA há 23 anos

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Federico Jiménez Caballero Designer de jóias Nasceu em: Oaxaca Nos EUA há 38 anos

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89,7% dos mexicanos são católicos e a maioria é devota de Nossa Senhora de Guadalupe, a padroeira do México

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Armida Cohen

Dona de casa Nasceu em: Ciudad Juarez, Chihuahua Nos EUA há 30 anos

Señor Schwarzenegger, claro que uma pessoa que estrelou filmes de QUINTA CATEGORIA desconhece a política externa americana conduzida desde os primórdios pelo ideário do Manifest Destiny. Sabe o que é isso, austríaco? Era a doutrina que pregava a expansão do país da costa leste à costa oeste, além da possível anexação de Canadá, México, Cuba e América Central. Cinqüenta anos depois de papar os territórios mexicanos, em 1898 os Estados Unidos entram em guerra com a Espanha. E o governo americano achou por bem fazer uma intervençãozinha MILITAR em Cuba, Porto Rico e Filipinas, então colônias espanholas que buscavam a independência. Por tudo isso, achamos terrível conviver com um governador que repete ESTEREÓTIPOS fascistas, sem nenhuma compreensão da diversidade étnica que governa. Buscamos também ascensão social e meios para sair da clandestinidade. O señor deve saber muito bem como a sociedade norte-americana é PARADOXAL: dificulta por todos os meios a nossa permanência legalizada e ao mesmo tempo não vive sem a nossa bendita mão-de-obra, já que se recusa a trabalhos menores. Quem atenderia os balcões? Quem varreria os parques? Quem consertaria motores cheios de GRAXA? Quem forneceria tequila para suas MARGARITAS? Quem limparia seus banheiros, passearia com seus cães, estacionaria seus carros, pintaria suas paredes, enterraria seus DEFUNTOS? Quem aceitaria às vezes receber US$ 7 por turno de trabalho? Nós, mister. Apenas nós, latinos. Mexicanos, salvadorenhos, hondurenhos, pouco importa. O povo que vocês chamam de SEM PAPÉIS, coisa que significa 53% dos mexicanos residindo nos Estados Unidos. 140

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Nós também, señor Schwarzenegger, sabemos que somos vistos como uma real ameaça à hegemonia de um país branco, anglosaxão e protestante. Nós, com a graça de NOSSA SENHORA DE GUADALUPE, em 2045 seremos 103 MILHÕES DE PESSOAS. A imersão cultural que o senhor pede para que sejamos assimilados já é um processo irreversível. Nossos filhos não ouvem mais rumbas, cumbias ou salsas. Preferem o hip hop, o rock, o funk. Chamamos eles de pochos: esqueceram o espanhol e criaram um ritmo batizado de reggaeton, uma mistura louca de rap, hip hop e cumbia. Eles estão de acordo com o seu perfil, señor Exterminador do Futuro? Será que Christina Aguilera, Ricky Martin e Jennifer Lopez são o TIPO IDEAL de latinos? Será que o senhor conhece o Dictionary of Spanglish, resultado de uma língua híbrida entre espanhol e inglês, bastante comum em nossas comunidades? Para encerrar, governador do miolo mole, fique sabendo que o impacto do SPANGLISH é inevitável e que a hispanização dos Estados Unidos levará o país a reconsiderar sua própria história. História que a mania do expansionismo norte-americano GEROU contornos culturais impensáveis. Tudo será revisto, refeito, redesenhado, señor Schwarzenegger. Pouco adiantará a Proposição 227, que tenta preservar o idioma com a obrigatoriedade do English Only. Com a força de nossos deuses MAIAS e AZTECAS, tomaremos de volta nossa mexicanidade, nossos territórios, nossa honra. Cuide bem para que seus descendentes não usem sombrero e bigodes de Pancho Villa. Pode ser esse o estilo da moda em 2045 na cidade de NUESTRA SEÑORA LA REINA DE LOS ÁNGELES DE PORCIÚNCULA. Hasta la vista, baby.


José Luís González

Conhecido por Joe Pintor, designer e dono de pizzaria Nasceu em: Aguascalientes Nos EUA há 58 anos

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LATARIAS + FUNILARIAS + FETICHES

Na cidade onde os veículos motorizados são protagonistas, não há sonho maior para jovens hispânicos do que pilotar máquinas quentes. As exibições são puro fetichismo em torno de antigos modelos Impala, Oldsmobile ou Pontiac. Os lowriders amam carrões, mulheres e festas Por Bruno Moreschi Fotos Paulo Netto

Chevy Coupe (“Poço Loco”) (Ano: 1951 / Dono: Mario De Alba / Clube: Elite) ffwmag! nº 11 2008

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A

alma desenfreada, potencialmente truculenta, do norte-americano encontra a cumplicidade ideal num amontoado de aço, vidro, borracha e couro. A evidência se reforça em Los Angeles, cidade em que a senda surgiu antes mesmo do que Hollywood. Os road movies criados aqui, as highways, os clarões de luzes apressados que as perpassam são rastros de uma corrida que começou no século XVII com o ir-e-vir de missionários espanhóis colonizadores. De igreja a igreja, espalhadas numa faixa de 48 quilômetros da região, eles abriram o caminho para que, no futuro, cada grupo se identificasse com seu próprio estilo de carro. Não poderia ser diferente para os hispânicos e seus filhos e netos chicanos, que representam cerca de 30% da população de Los Angeles. Suas máquinas conhecidas como lowriders, que também nomeiam os motoristas, são nitidamente distintas dos conversíveis dos playboys que rasgam com fúria as ruas de West Hollywood. A começar pelos motores antigos e barulhentos dos carros preferencialmente das décadas de 1950 e 1960 – tão lentos que quase nunca ultrapassam 80 quilômetros por hora. A tradicional suspensão dos veículos é substituída por uma hidráulica, o que permite num simples apertar de botão o subir e descer dos chassis desses carros coloridos.

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Seus donos, que adoram manter o bad to the bone nos rostos, chamam carinhosamente os veículos de low and slow (ou também baijito y suavecito). A variedade cromática das latarias é tamanha que as cores remetem a significados facilmente reconhecidos entre a irmandade. O amarelo é riqueza – e o dono que sabe seguir a estética aprovada pelo grupo complementa o brilho com rodas de aros dourados. O azul tornou-se sinônimo de lowriders preocupados em passear com a família a despeito de farrear pela noite de ritmos caribenhos de Los Angeles. Todavia, as regras são mutáveis. Atual sinal de solteirice, o vermelho já foi proibido. “Tão ofensivo quanto o sangue que os pais desses motoristas de Ferraris tanto derramaram”, repetiam os mais políticos. Bastou os negros do hip hop customizar seus carros vermelhos de maneira semelhante aos lowriders que a aversão rubra facilmente se dissipou. Até a década de 1980, lowrider que se preze era quase sempre um Chevy Impala, que já vendeu 14 milhões de unidades nos Estados Unidos, mais do que qualquer outro full-size car, aqueles carrões que se assemelham a banheiras ambulantes. Outras marcas foram aceitas em meados de 1990, com o lançamento de duas bíblias para o grupo, o How to Build a Lowrider e Lowrider’s Handbook. Entre


Chevy Impala Convertible (Ano: 1961 / Dono: Pete Macias / Clube: Elite)

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Chevy Monte Carlo (Ano: 1979 / Dono: Albert De Alba / Clube: Elite) 146

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Detalhes da traseira e do motor de dois lowriders, carros que têm como principais características a suspensão modificada e as pinturas personalizadas

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Chevy Monte Carlo (Ano: 1971 / Dono: Marc Alcala / Clube: Traffic)

os carros que passaram a ser modificados estão Chevrolet Monte Carlo, Buick Regal, Oldsmobile Cutlass Supreme e Pontiac Grand Prix, todos da General Motors. Ao pressionar a maçaneta das portas desses carros, que podem se abrir horizontal ou verticalmente, é possível encontrar quase sempre estofado de couro, lã ou veludo, luzes néons nas laterais do banco traseiro e CDs que compõem a trilha sonora desse passeio lento e rasteiro. Quando sozinhos, escutam muito hip hop. Não necessariamente a cantoria rimada na voz de um negro, mas de um chicano como Mr. Capone-E. Em ensaios fotográficos sempre na frente de algum venenoso carro, ele já vendeu 500 mil discos repetindo “sou eu a voz das ruas”. Na cidade onde os carros são protagonistas, há sonho maior para o motorista fanático? O som sombrio de Capone não agrada, porém, as mulheres tão almejadas pelo grupo – mesmo inseridos nessa relação fetichista com seus carros, eles gostam de mostrar uma irredutível masculinidade. Para convencê-las a aceitarem uma carona, colocam em seus tocadores equipados com subwoofers e amplificadores as músicas mais recentes de Janet Jackson ou de Paulina Ananda, uma Britney Spears que canta em espanhol. 150

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Curiosamente a maioria de suas acompanhantes é latina, não fazendo jus à brancura excessiva das típicas lowriders girls que estampam as capas de revistas especializadas. A mais conhecida delas é a Lowrider Magazine, cujo índice resume as prioridades de seus leitores: carros, mulheres e festas, respectivamente. Alicia Whitten, 29 anos, é uma dessas modelos. Cabelos negros, corpo magro, ligeiramente malhado, e seios muitíssimos fartos (“sim, é silicone”, confessa). Além de já ter feito três ensaios para a publicação, costuma ser contratada para lustrar o ego dos chicanos nas festas que acontecem no Car Show Bar, em Whittier Boulevard, East Los Angeles, a meca hispânica da cidade. Recebendo US$ 1.500 por aparição, enquanto as outras costumam receber menos da metade disso, ela explica que a regra é paparicar aqueles que mais possuem parafernálias em seus carros. Também pudera: muitas vezes são os donos das oficinas automotivas que comandam esses bares e que custeiam encontros promovidos por clubes como Eternal Rollez Car Club, Elite e Traffic. Numa conversa rápida pela internet, Alicia sabe que não sou um chicano dono de um carrão. Mesmo assim, persiste em seu personagem, que pronuncia respostas sempre com voz forçadamente juve-


Harley-Davidson (“El Maladrin”) (Ano: 2007 / Dono: Jesse Soto / Clube: Traffic)

Essed magnaeum exerostinci endit venim ip esequipisi. Tet, veraestrud doloreet ad min ffwmag! nº 11 2008

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Cadillac Fleetwood Brougham (Ano: 1980 / Dono: Richard Loza / Clube: Rollerz) 152

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Chevy Impala SS (Ano: 1963 / Dono: Carlos Osnaya / Clube: Rollerz) 154

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Chevy Suburban 4x4 (“Ghetto Burban”) (Ano: 1989 / Donos: Adrian e Greg De Alba / Clube: Elite)

nil. “Gosto de fazer amor num banco aveludado de um Impala, de preferência escondida de algum policial que esteja multando veículos por excesso de velocidade”, segue seu script para depois salientar que gosta de lowriders com jeito de malvados, mas sem mau hálito. É com “you drive me crazy”, expressão mais pertinente impossível, que Enrique Gutierrez, 35 anos, se declara para Alice em seu My Space. Lowrider dono de um Oldsmobile Cutlass Supreme 1969, garante que já gastou no mínimo US$ 10 mil para incrementar algo que chama de “filhote”. Nada que o destaque de outros chicanos motorizados, se não fosse suas ferrenhas críticas à falta de visão ideológica do grupo. “Andamos com nossos carros em Los Angeles, chamamos a atenção, mas não aproveitamos tamanha visibilidade para exigir nossa legalização no país”, explica numa clara referência a César Estrada (sic) Chávez, um dos mais emblemáticos militantes pelos direitos civis dos mexicanos americanos na década de 1960. Chávez, cujo carro era um Chevrolet Impala de bancos de couro, sempre depositou suas esperanças políticas no Duke’s Car Club, fundado em 1962, o mais antigo grupo de lowriders de Los Angeles, que deu origem a essa febre entre os chicanos de hoje. Ad156

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mirava aquele grupo de imigrantes orgulhosos de seus carros que brigava por mais segurança nos bairros hispânicos da Califórnia e que tanto sofreu ao lutar na Guerra do Vietnã. Ele morreu em 1993, no início da década que popularizaria os encontros mensais de lowriders no verão de Los Angeles. Em julho, no maior deles, o LA International Auto Show, vê-se de tudo um pouco, menos qualquer nuance de ativismo político. O que move multidões é o concurso da camiseta molhada, cuja vencedora em 2008 foi uma morena muito parecida com Alicia. Além disso, eles adoram entrar em seus carros e se mexerem freneticamente de forma que motorista e máquina se tornem um só gigante dançante. Como em seus velocímetros, os lowriders atuais não têm pressa, por mais que suas condições em Los Angeles faísquem tal qual a lataria de seus carros nos asfaltos das highways.

www.lowridermagazine.com www.streetlowmagazine.com www.lowriderpimps.com


Detalhe do Cadillac Fleetwood Brougham, de Richard Loza

Essed magnaeum exerostinci Essed magnaeum exerostinci endit venim ip ip esequipisi. Tet,Tet, endit venim esequipisi. veraestrud doloreet ad min veraestrud doloreet ad min ffwmag! nยบ 11 2008

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tutti frutti

Trabalho intitulado Elysian Park, do trio Fallen Fruit. Unindo ativismo social e ações práticas, eles consideram a troca de alimentos como símbolo de cultura, hospitalidade e beleza 158

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Foto: divulgação

O coletivo Fallen Fruit propõe uma missão quase impossível: plantar e mapear árvores frutíferas nos espaços públicos de Los Angeles. MAG! conversa com os criadores desse curioso projeto que incentiva a interação em sociedades individualistas Por Adrianna Lobo


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Bananas para todos: o Fallen Fruit nas ruas de LA; ao centro, mapa das árvores frutíferas em Silver Lake

ffwMAG! – O que é o Fallen Fruit? Fallen Fruit – Trata-se de uma ação colaborativa de arte que mapeia todas as árvores frutíferas em propriedades públicas de Los Angeles. O projeto é uma resposta à aceleração da urbanização e à perda da capacidade do povo de produzir seus próprios alimentos. Também trata de questões como militância popular em torno da comunidade, bem-estar e responsabilidade social. Praticamente traçamos um triângulo entre nossas três casas. Não queríamos facilitar nem deixar com cara de Google Map, por isso desenhamos os mapas como se fossem símbolos. Além do mais, ele não mostra 160

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ruas e números, o que faz com que as pessoas saíam andando para procurarem as frutas. ffwMAG! – Como surgiu a idéia para a criação do Fallen Fruit? Fallen Fruit – Iniciamos o projeto há quatro anos, em resposta a um telefonema de protesto ao Journal of Aesthetics and Protest. De forma crítica, pensamos numa solução de acordo com a localização geográfica, o ativismo social, a ecologia e o mundo. Então criamos o Fallen Fruit. ffwMAG! – Por que frutas? Fallen Fruit – As frutas não têm uma cultura específica. Estão em todo lugar e nunca foram usadas de forma negativa. São bonitas e coloridas. Além do mais, desde os tempos antigos a comida representa comunhão entre as pessoas. Lançando a agricultura como base para as ligações do homem com a terra. Entre todos os alimentos, as frutas detêm um lugar especial como símbolo da graça, significando fertilidade, beleza e hospitalidade. Frutos são cultivados nos lugares em que as pessoas vivem, e a troca social de alimentos constitui a base da cultura. Por isso, o Fallen Fruit representa tanto para uma cidade como Los Angeles. ffwMAG! – Não é utopia acreditar que, numa cidade condenada por urbanistas, ações como essa podem surtir algum efeito? Fallen Fruit – Nossa idéia de como tornar Los Angeles um lugar melhor para viver, tanto nas relações pessoais quanto a respeito do meio ambiente, está a pleno vapor e vamos fazer o possível para mapear a cidade, o Estado e o mundo. ffwMAG! – Quais são os princípios do Fallen Fruit? Fallen Fruit – 1. Frutas em propriedade pública pertencem a todos nós; 2. Mapeamento é uma forma de compartilhar com todos, aprender andando a pé pelo bairro, em vez de usar o carro; 3. Peça para seus vizinhos plantarem árvores frutíferas para uso coletivo; 4. Paisagismo funcional: fazer com que as cidades plantem árvores frutíferas em parques, estacionamentos e ruas; 5. Diálogo aberto

fotos: divulgação

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om população de mais de 3,8 milhões de habitantes, Los Angeles é a maior cidade da Califórnia e a segunda maior dos Estados Unidos, de acordo com o último censo, de 2005. É um lugar extremamente populoso e o dia-a-dia pode ser caótico e estressante. Para sobreviver, há o desafio de encontrar soluções para problemas urbanos cada vez mais graves. Nessa disputa pela sobrevivência em uma megalópole, encontramos um grupo ativista que nega ser utopia crer que as frutas podem salvar a população. Como? O trabalho do Fallen Fruit (“Frutas Caídas”, numa tradução livre) desde 2004 explora as terras angelinas, incentivando o plantio e o mapeamento de árvores frutíferas. Os criadores do projeto são David Burns, 38, Matias Viegener, 44, e Austin Young, 42. Foi num domingo de sol no outono de LA que os amigos ativistas me concederam esta entrevista. Gentilmente, Matias ofereceu sua casa, localizada em Silver Lake. A região é famosa pelas galerias de arte, pelas casas de shows e pelos bares modernos, além de ser um ótimo lugar para passar o tempo. A caminho do encontro, percebi a grande quantidade de árvores frutíferas no local. Mas apenas notei por já saber o que se passava por ali. Na verdade, é difícil andar de carro por qualquer grande cidade prestando atenção nas frutas da vizinhança. Conversas, vodca de laranja e muita informação sobre o projeto. No fim do encontro, eles ainda mandaram um recado para os paulistanos: “O governo de São Paulo tem que nos convidar para realizarmos um projeto no Brasil. Prometemos trabalhar duro”.


Geléias gratuitas e pomares em locais de uso comum: frutas ajudam a repensar a sociedade

sobre os espaços públicos em cada bairro; 6. Pense nos recursos de quem dispõe de frutas, depois compare com aqueles que não têm. ffwMAG! – E não é ilegal pegar frutas na casa dos outros? Fallen Fruit – Se você andar pelas ruas de Los Angeles, vai encontrar uma quantidade incrível de frutas caídas no quintal das casas. Por que então não dividir? Essa é uma situação bem interessante. Por exemplo, a fruta está crescendo fora da propriedade, mas está dentro dela. Pela lei da cidade, não é ilegal, desde que esteja do lado de fora. ffwMAG! – Quais os projetos atuais do Fallen Fruit? Fallen Fruit – O projeto mais recente chama-se Infusion. Fazemos vodcas com frutas de cada região, depois reunimos a vizinhança para experimentar. Mas não estão à venda. A pessoa pode encontrar em galerias de arte, pois servimos como arte, não como álcool. Essa é uma forma de fazer um conhecer o outro, conversar e trocar experiências. Tem também o Public Fruit Jam (“Geléia de Frutas Públicas”). Esse projeto é delicioso: pedimos para cada morador trazer frutas coletadas do seu próprio jardim. Todos saem com potes cheios depois de uma sessão de geléia comunitária. Os tipos de compota que fazemos são radicais: manjericão ou limão com pimenta, por exemplo. Também discutimos noções básicas de compotas e geléias, plantação e colheita, assim como a importância da divisão das coisas. Vamos realizar esse projeto em Tijuana, no México. Depois voltamos para fazê-lo em San Francisco. Entre os projetos futuros está a aquisição de terras para a plantação de diferentes tipos de frutas disponíveis na Califórnia, mas isso é bem complicado. Também queremos fazer um documentário sobre esse assunto. ffwMAG! – O que seria o pior problema na cidade de Los Angeles? Fallen Fruit (Austin) – Sem dúvida, o tráfego de carros. Houve um crescimento muito rápido. Também creio que o transporte público poderia melhorar bastante. LA é assim: as pessoas dirigem seus carros e ninguém fala com ninguém, diferente de NY, onde todos caminham. Fallen Fruit (David) – Quando eu era criança, ainda existiam fazen-

das e me lembro que pegava frutas da árvore. Hoje ninguém nem sequer sabe da existência delas. Preferem pagar quatro vezes mais para comprar uma fruta orgânica no mercado em vez de investirem naquilo que têm no jardim. Antes, todos viviam próximos de mim. Era uma cidade pequena. Agora meus vizinhos são estranhos.

O TRIO DA FRUTA David Burns nasceu em Santa Monica. Atualmente ministra aulas na California Institute of the Arts (CalArts). Formado pela CalArts, em 1993, fez mestrado em studio arts na University of California, em Irvine, em 2005. Seus últimos projetos estão no Track 16 Bergamot Station, OTIS, ArtCenter, Machine Projetc, WORKS gallery, REDCAT, MESSHALL, em Chicago, e no Artists Space, em Nova York. Tem trabalhos publicados na FAB magazine, SCOOP!, The Journal of Aesthetics and Protest, PLOT magazine e Metropolis Magazine. Matias Viegener nasceu em Buenos Aires, mas cresceu em Nova York. Escritor, ele mora em Los Angeles e é professor de estudos críticos na California Institute of the Arts (CalArts). Seus estudos são baseados em assuntos sobre gays e lésbicas e podem ser encontrados em Queer Looks: Lesbian & Gay Experimental Media (Routledge), Camp Grounds: Gay & Lesbian Style (U Mass). Seu trabalho já foi exibido no ArtCenter’s Windtunnel gallery, Mess Hall, em Chicago, entre outros. Viegener é editor e co-tradutor do livro The Trial of Gilles de Rais, de George Bataille. Austin Young nasceu em Nevada e mora em Los Angeles há oito anos. É fotógrafo e produtor de vídeos. Seu trabalho pode ser encontrado regularmente em revistas como Andy Warhol’s Interview Magazine, Surface, Flaunt, Vogue, Spin, Rolling Stone, Q, entre outras. Seu portfólio de portraits inclui fotos de Leigh Bowery, Lypsinka, Siouxsie Sioux, Nina Hagen, Debbie Harry, Jimmy Scott, John Doe, Sandra Bernhard, Ziyi Zhang, Mark Almond, Ann Magnuson, Amy Poehler, entre outras.

Fallen Fruit: www.fallenfruit.org ffwmag! nº 11 2008

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Apresenta

SURF NO ASFALTO

Criado entre as décadas de 1940 e 1950, o skateboarding foi a solução encontrada por surfistas californianos para os dias de maré baixa. A brincadeira originou uma subcultura com lifestyle, moda e ícones próprios, em que a única regra de vestuário é transgredir todas as regras possíveis Fotos Jacques dequeker edição de moda david pollak


Nesta página, Anny Ludescher veste biquíni e cinto de camurça Billabong, macaquinho Von Zipper, legging camuflado acervo pessoal, relógio Nixon. Igor Monteiro veste camiseta, calça jeans e boné Billabong, colete Element, tênis de couro Kustom. Ao Lado, Leonardo Alberici veste camiseta pólo e bermuda Billabong, tênis de couro Kustom, meião acervo pessoal, boné Element


Nesta página, Anny veste macacão, echarpe e carteira de couro Billabong, relógio Nixon. Ao lado, Leo veste bermuda e camiseta Billabong, tênis de couro Kustom, boné Element. Igor veste bermuda e camiseta Billabong, máscara mexicana de luta livre e bota de couro acervo pessoal


Nesta página, Leo veste camiseta Billabong, bermuda e boné Element, bandana camuflada acervo pessoal, tênis de couro Kustom. Ao lado, Igor veste camisa Von Zipper, bermuda Billabong, meião e gravata de couro acervo pessoal, tênis de couro Kustom


Nesta página, Igor veste bermuda Element, óculos Von Zipper, relógio Nixon. Ao lado, Anny veste jaqueta Von Zipper, calça e biquíni Billabong. Leo veste bermuda, toalha de praia e boné Billabong, óculos Von Zipper


Ass. de Edição de Moda: Kato Pollak Beleza: Robert Estevão (Glloss) Ass. de Beleza: Helder Rodrigues Modelos: Anny Ludescher, Igor Monteiro e Leonardo Alberici Agradecimentos: Sejel, Praia Grande


ilustração: rafael pera


CÂMERA, LUZ, FICÇÃO

Filmar ou fotografar são artes que fingem para o olho. Cinema é entretenimento. Cinema é ficção. Cinema é luz. MAG! se inspira na maior obsessão de Los Angeles e faz uma retrospectiva com quatro estrelas convidadas: Ana Cláudia Michels, Daniela Raizel, Luciana Curtis e Mariana Weickert. Elas vivem divas, cenas marcantes, personagens fortes, garotas lânguidas, mulheres enigmáticas. Afinal, cinema é mentira, cinema é verdade, cinema pode ser quase tudo, cinema é e d i ç ã o d e m od a pau l o mar ti nez moda. Entre nessa tela aberta f o t o s j a c que s d e que k e r

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Paletó, colete e calça sarouel Glória Coelho, camisa Ellus, gola e gravata de borracha Wallace Barros, meias TriFil, sapatos Studio TMLS, bengala Brechó Minha Avó Tinha e chapéu Plás ffwmag! nº 11 2008

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Vestido com estampa de pÊrolas Marchesa para A Space, gargantilha Reinaldo Lourenço, colar e brincos Acessórios Modernos, broche de flor usado nos cabelos Acessorize


Vestido de crepe de seda com cetim no decote e luvas de couro Forum Tufi Duek, brincos Dryzun, piteira Brech贸 Minha Av贸 Tinha, sand谩lias Zeferino


Vestido de cetim com zĂ­peres Ellus, top de neoprene Gloria Coelho


Broche de borboleta Diferenza


Colete risca de giz Essencial, camisa Andre Lima, calça jeans e cinto Levi’s, chapéu Querência Gaucha


Vestido tropical de lã Huis Clos, pulseira (grossa) Flavia Caldeira, brincos e pulseiras (finas) Trudy’s, sandálias Havaianas. Ele: Sunga Rosa Chá, sandálias Havaianas


Biquíni de lycra cirrê Alór, cinto de couro Sacada


Vestido de seda Zidi, bolero de babados de musseline D&G, sapatilhas Zeferino


Vestido de tricoline encerada Lorenzo Merlino, camisa branca Maria Bonita, corset de vichy Marita de Dirceu, meias TriFil, sapatos Fernando Pires


Vestido de tafetĂĄ de seda Rober Dognani, bolsa de strass Zeferino, bracelete Swarovisk, brincos Dryzun, tĂŞnis Converse All Star. Ele: Long John de neoprene Billabong, sapatos CNS, skate Billabong


Vestido de tule de algodĂŁo bordado Isabela Capeto, anĂŠis Swarovisk


Estola Diesel, turbante, luvas e broche no turbante Brechó Minha Avó Tinha, brincos Camila Klein, pulseira Flavia Caldeira, anel Trudy’s


Vestido de renda Barbara Bella, sapatos Schutz


Vestido de renda guipure Marcos Ferreira, tĂŞnis Vans


Colete de gabardine e cetim Alphorria, short de paetê Madame X, cinta-liga Fruit de la Passion, meias Wolford, sapatos Schutz, chapéu Plás


Bolero de tafet谩 de seda Sacada, 贸culos e cartola Acervo


Vestido de tafetá de seda com plumas Madame X, brincos e pulseiras Dryzun, tênis Vans. Ele: Smocking Empório Armani, camisa Andre Lima, sandálias Havaianas


Smocking Salvatore Ferragamo, meias arrastão TriFil, brincos e anel Dryzun, sapatos Reinaldo Lourenço, cartola e flor na lapela Acervo


Top, saia de bananas de paetês, pulseira e testeira Walério Araujo, calçola Paola Robba, sapatos Francesca Giobbi


Faixa bordada Martha Medeiros


Jaqueta de couro e quepe Trash Chic, calça de cetim com recortes de renda e pelica e foulard de renda D’Arouche, broche usado no quepe Janete Zamboni, pulseiras Flávia Caldeira, cinto Swarovisk, sapatos Studio TMLS


Cabeรงa de plumas, flor e voillete Do Estilista, top de penas Marita de Dirceu


Corset de plรกstico e renda Madame Sher, legging Laundry, sapatos Schutz


Colete de seda e cetim D’Arouche, short jeans Index, sapatos Dilly, chapÊu, flor, cinto e bolsa Acervo


Paletó de sarja Patachou, camisa de musseline Alcaçuz, saia Luciene Bernardes com aplicações de tachas de borracha Wallace Barros


Vestido de tule de algodão bordado Marilia Pitta, sandálias Havaianas. Ele: Colete de sarja e camisa Mario Queiroz, calça jeans Ellus, sapatos CNS, chapéu Plás


Vestido trench-coat de musseline de seda empapelada Mara Mac, tĂŞnis Fiat Fashion Innovation Attitude by Alexandre Herchcovitch


Maiô com incrustação de pedra brasileira Lenny. Ele: Sunga Rosa Chá


テ田ulos Ventura


Camisa Dudalina, broches de orqu铆dea Acess贸rios Modernos, prancha de surf Billabong


Top e saia de renda Espaรงo FH, sandรกlias Havaianas, asas Doc Dog


Chapéu Plás


Tricot de seda Lita Mortari, saia franjada Karina Romanenko, boina e lenรงo bordado no pescoรงo Trash Chic, cinto Andre Lima, relรณgio Swatch


Minicolete de franjas de couro Patricia Viera, regata de malha Cholet, calça de shantung de seda Iodice, cinto Fit, colar com pingente de coração, pulseiras e anéis Fabrizio Gragionne, colar de contas, pulseiras e anéis Camila Klein


Smocking Camargo Alfaiataria, camisa Andre Lima, tĂŞnis Converse All Star


Top e saia de organza de seda Triton, saiote de tule Marita de Dirceu, cinto Heckel Verri, chapéu Brechó Juisi by Licquor, gargantilha de pérolas Reinaldo Lourenço, pulseiras Diferenza, meias Wolford, sapatos Zeferino


Vestido de tafetรก de seda Reinaldo Lourenรงo, brincos Diferenza, luvas Acervo


Casaqueto Heckel Verri, vestido (por baixo) de babados de musseline Espaรงo FH, cinto Les Amis, pente de cabelo usado como broche Morana


Costume xadrez, camisa e gravata Mario Queiroz, sandรกlias Havaianas


Top de um ombro sĂł de musseline de seda Saad, turbante Lino Villaventura, colares e camĂŠlias Duza, frutas de prata Acervo, pulseiras de cristal Diferenza, pulseira de metal FlĂĄvia Caldeira


Produção de Moda: Heleno JR Beleza: Daniel Hernandez (Glloss) Ass. de Fotografia: Tavinho Costa Ass. de Produção de Moda: Alex Andrade e Gabriel Sorribas Ass. de Beleza: Henrique Martins Tratamento de Imagem: Fujocka Photodesign Agradecimentos: Hotel Pousada Tabatinga (www.hotelpousadatabatinga. com.br)

Pranchas e skates: Billabong Produção de objetos de cena: Marcio de Luna Balões: Rica Festa Asas e corvos: Inês Sacay Modelos: Ricardo Facchini, Ana Claudia Michels, Daniela Raizel, Luciana Curtis, Mariana Weickert


Top de maxipaet锚s Gl贸ria Coelho, saia de tafet谩 Bo.b么, saiote de tule Marita de Dirceu


sol i colh tude N ã ousa er flor o perm es, f i r pa azer tir ser ra s p i pr ópr arranj erturb ia, s o a emp s monu da. Rec re f otos mentais lusão f fabio a , barte brinca shion. r A lt ediçã de plan brir o a o de m r t oda p a. Louc mário, aulo u mart ras de inez verã o

Vestido de musselina de seda Victor Dzenk, tiara de metal esmaltado Elisa Stecca e touca Speedo

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Camiseta de malha Ed Hardy, broche de flor Mixed, tiaras de metal esmaltado Elisa Stecca e touca Speedo


Vestido de seda Do Estilista, broche de flor Mixed, tiaras de metal esmaltado Elisa Stecca, touca Speedo e sapatos Fernando Pires


Micro vestido de cetim Lucy in The Sky, tiara de metal esmaltado Elisa Stecca, touca Speedo e sapatos Fernando Pires


Vestido e tĂşnica de cetim de seda Madame X, tiaras de metal esmaltado Elisa Stecca, touca Speedo e sapatos Fernando Pires


Casaqueto bordado Espaรงo FH, broche de flor Mixed, tiaras de metal esmaltado Elisa Stecca e touca Speedo


Vestido de algodĂŁo de seda Marisa Ribeiro, saiote de tule Studio Pillar, faixa amarrada na cintura SinhĂĄ, tiara de metal esmaltado Elisa Stecca e touca Speedo


Blusa e calça de cetim de seda Mabel Magalhães, saiote de tule Studio Pillar, touca Speedo e sapatos Fernando Pires


Maxi gola de flor Hugo Beauty, tiara de metal esmaltado Elisa Stecca e touca Speedo


Vestido e calรงa de organza de seda Graรงa Ottoni, saiote de tule Studio Pillar e sapatos Fernando Pires


Trench coat de cetim de seda Maríllia Pitta, legging Anunciação, broche Rose Benedetti, tiara de metal esmaltado Elisa Stecca, touca Speedo e sapatos Fernando Pires.


Vestido de malha Cristine Ban, tiaras de metal esmaltado Elisa Stecca e touca Speedo


Maxi manga de flor Hugo Beauty, calรงa de seda Cori e sapatos Fernando Pires


Top e saia de seda Balenciaga para Daslu, tiaras de metal esmaltado Elisa Stecca e touca Speedo


Vestido de musselina Patogê, tiara de metal esmaltado Elisa Stecca e touca Speedo Produção de Moda: Heleno JR Beleza: Daniel Hernandez (Glloss) Ass. de Fotografia: Tavinho Costa Ass. de Produção de Moda: Alex Andrade e Gabriel Sorribas Ass. de Beleza: Henrique Martins Modelo: Isadora di Domenico (Way)


Pranchas de surf Lost, Billabong e Rip Curl, palet贸 Rockster, camisa Essencial, sunga Blue Man, pulseiras Suzane Farias, bon茅 Brech贸 Juisi by Licquor


r O l a c u e

t Á d e m

ungas, s , e l e a, ap órias d heirO de frut m e m , c O e Ocean anças, areia, d O r i O e m verã ar, ch inha, lembr u m z e a v r i a e uve um Olas, b as, brisa mar O r h a : s m , a s h d c Onda bermu s, pran n e g a u at lidãO, t O s , r a e beachw

ediçãO a r i e madur O n a i t cris fOtOs:

de mOd

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mar : paulO

tinez


Pulseiras Suzane Farias, rel贸gio Tissot, toalha Riachuelo Retrato: Macac茫o curto jeans Zoomp, camisa p贸lo listrada Forum Tufi Duek, cinto Surface to Air, meias American Apparel, t锚nis New Balance


Sunga Body Jam, pulseiras Suzane Farias, rel贸gio Tissot, toalha Teka Retrato: Macac茫o transparente V.Rom, sunga Paola Robba


Cueca samba-canção Richard’s


Camisa quadriculada Iódice, camisa de manga longa (por baixo) VR, calça Levi’s, cueca samba-canção Richard’s, pulseiras Suzane Farias, relógio Tissot, sandálias Havaianas, prancha de surf Billabong


Sunga Poko Pano Retrato: Camisa de estampa havaiana Brech贸 Juisi by Licquor, camiseta Comme des Gar莽ons para Surface to Air, pulseiras Suzane Farias


Camisa xadrez Stone Bonker, camiseta com estampa de renda localizada Vide Bula, pulseiras Suzane Farias


Bermuda Osklen


Cardigã listrado 2nd Floor Retrato: Lenços de seda estampada Alexandre Herchcovitch, pulseiras Suzane Farias


Camisa sem mangas Gêmeas, camiseta Just for Man, calça jeans Diesel, cinto Vide Bula, pulseiras Suzane Farias


Colete Mustache para Oui, camiseta D’Arouche, sunga Vila Romana, calça jeans Depeyre para Oui, cinto Vide Bula, pulseiras Suzane Farias, relógio Swatch


Macac達o jeans 2nd Floor, cinto Surface to Air, chaveiro Reserva Retrato: Moletom estampado com capuz Alexandre Herchcovitch, bermuda Osklen


Camiseta 284


Camiseta Cavalera


Tric么 listrado Redley, pulseiras Suzane Farias, rel贸gio Tissot Retrato: Moletom estampado Pacolli para Oui, pulseiras Suzane Farias


T锚nis Converse All Star, meias American Apparel, pulseiras Suzane Farias, rel贸gio Tissot Retrato: Camisa e bermuda V.Rom, sunga Paola Robba, pulseiras Suzane Farias, rel贸gio Swatch, sand谩lias Havaianas


Tric么 listrado com z铆per Lacoste, camiseta Everlast, short 2nd Floor, sunga Vila Romana, pulseiras Suzane Farias Retrato: Short e luvas de boxe Everlast, pulseiras Suzane Farias


Camiseta listrada Alfaiataria Paramount, short estampado e sunga Vila Romana, pulseiras Suzana Farias, relรณgio Tissot Retrato: Paletรณ e bermuda jeans Ronaldo Fraga, camisa Aramis, cinto Surface to Air, lenรงo no bolso do paletรณ Alexandre Herchcovitch, gravata-borboleta Brechรณ Juisi by Licquor


Camisa pólo de linha Iódice Produção de Moda: Chialin Chiang Beleza: Paulo Campos (Glloss) Ass. de Fotografia: Ricardo Miyajima Modelo: Danilo Jurado Tratamento de imagem: Jorge Morabito Agradecimentos: Sofitel Guarujá Jequitimar (www.sofitel.com.br)


ilustração: rafael pera


PLANETA LOS ANGELES P

ara quem se preocupa com o futuro de nossas cidades, ele é um pensador obrigatório. Para los angelinos que viram suas previsões catastróficas tornarem-se realidade, um profeta. Para a MacArthur Foundation, que lhe deu uma bolsa de US$ 315 mil, um indivíduo “excepcionalmente criativo”. Para quem vive dos mitos de glamour em torno de Los Angeles, uma pedra no sapato. Ex-caminhoneiro, ex-açougueiro e ex-militante estudantil, Mike Davis redefiniu LA ao revelar a explosiva combinação de apartheid social, violência e fragilidade ambiental sob o make up sedutor – e irretocável – da cidade. A observação arguta e um ideário trabalhista, pop e de esquerda sustentam os livros em que Davis trata de LA: Cidade de Quartzo: Escavando o Futuro em Los Angeles (Boitempo, 2007) e Ecologia do Medo – Los Angeles e a Fabricação de um Desastre (Record, 2001). O primeiro mostra como a cruzada para tornar a cidade “segura”, uma demanda da classe média que o mercado imobiliário tratou de alimentar, fez nascer um espaço urbano segregado, onde ilhas de riqueza – torres de escritórios, shoppings, condomínios residenciais – são isoladas por muros, guaritas e seguranças da realidade social em torno. “A paisagem social de LA foi deliberadamente transformada em uma série de mecanismos que dividem as comunidades por raça, classe e renda de forma mais rigorosa do que em qualquer outro lugar dos Estados Unidos”, escreve Davis no livro. “As comunidades muradas dos ricos são patrulhadas por forças de segurança particulares e protegidas por sistemas de vigilância eletrônicos, enquanto as comunidades pobres, das áreas de aluguel baixo, estão isoladas por barricadas policiais que supostamente fazem a ‘guerra contra as drogas’.” Entre os efeitos sociais mais cruéis desse cenário, Davis aponta a perda de espaços públicos acessíveis à população. “O centro, em particular, se tornou uma cidadela corporativa com arquitetura de

fortaleza, separada dos bairros pobres em volta e dotada de galerias e shoppings onde a circulação de pedestres pode ser monitorada – e dos quais cidadãos que não pertencem à classe média e demais indesejáveis podem ser facilmente excluídos.” Com o processo de gentrificação, que desaloja populações pobres de regiões degradadas a pretexto de “revitalizá-las”, vai-se parte da história, acusa ainda Cidade de Quartzo. “As metrópoles precisam preservar sua herança cultural, sua cultura popular, ou viram parques temáticos arquitetônicos.” Os livros nos quais Davis relê LA à luz não exatamente embelezadora da injustiça social e da ganância imobiliária foram bestsellers nos EUA. Quando Cidade de Quartzo foi lançado, no fim dos anos 1980, a cidade começava a se notabilizar como capital americana do crack e da violência urbana. Dez anos depois, Ecologia do Medo retratava uma LA com 500 condomínios privados, 2 mil gangues, 100 mil sem-teto e em acelerado processo de adensamento, o que é temerário para um lugar sabidamente exposto a catástrofes naturais. A tese de que Los Angeles havia se tornado um símbolo de “tudo que deu errado na América urbana” não demorou a ganhar reforço dos fatos, assim como as previsões de Davis sobre as conseqüências do desprezo sistemático das autoridades às questões ambientais. Nos anos subseqüentes, LA seria palco de uma das maiores perturbações civis da história moderna do país – os riots que se seguiram ao assassinato de Rodney King, em 1992 – e enfrentaria seguidos incêndios em Malibu, além do terremoto de Northridge (1994). Demorou menos ainda para surgir sinais de que Mike Davis, um intelectual considerado “insuficientemente acadêmico” pela Universidade da Califórnia em Los Angeles, incomoda muita gente. Quando Ecologia do Medo foi lançado, o Los Angeles Times apressou-se em descrevê-lo como alguém “depressivo demais para ser um analista proeminente da alma de Los Angeles”. O The Economist

FotoS: silvia otte/ getty images

O teórico de urbanismo Mike Davis é o mais combativo analista de LA. Apontando a exclusão social em uma cidade devotada ao consumo e à segregação, ele avisa: a metrópole da costa oeste pode explodir a qualquer momento por misturar apartheid, “ilhas de riqueza”, violência e problemas ambientais Por Teté Martinho


Para o urbanista Mike Davis, Los Angeles seria “o resultado de narrativas fabricadas e perpetuadas pelos especuladores imobiliários. É um lugar continuamente reinventado, reimaginado, reembalado”


Por não preservar sua herança cultural, a cidade se transformou em “um grande parque temático arquitetônico”

foi mais longe: em artigo da época, atribuía o sucesso da publicação ao fato “de as editoras de Nova York terem um fraco por livros que retratam a cidade-chave da costa oeste, sua principal rival cultural, com as piores tintas”. Davis diz que sua obsessão por Los Angeles nasceu nos anos 1960, quando morava em uma república numa mansão decrépita em Crown Hill e ouvia histórias sobre a boêmia Bunker Hill antes da chegada das rodovias. Pouco depois, no começo dos anos 1970, dirigindo um ônibus de excursão da Gray Line, levava turistas por roteiros como Disneylândia Mágica e Hollywood à Noite, que ofendiam seu já bem treinado senso de realidade social: desde que começou a trabalhar, aos 14 anos, como açougueiro, Davis atuou em grupos pró-direitos civis, no SDS (Students for the Democratic Society), alinhado às idéias da Nova Esquerda, e no Partido Comunista. Não pensava em escrever sobre a cidade até voltar para a escola, depois de ser demitido da empresa de ônibus por agredir um motorista que, durante uma greve, atravessou um piquete e feriu um participante do movimento. Entrou na UCLA aos 28 anos, para estudar economia e história; formado, viveu alguns anos na Europa. Ao voltar, teve o manuscrito original de Cidade de Quartzo, que submeteu como projeto de tese de doutoramento, recusado pela universidade. Mais do que a especialização, foi o sucesso do livro, publicado alguns anos depois, que lhe abriu as portas do mundo acadêmico, começando pela avançada Southern California Institute of Architecture (SCI-Arc). Davis ficou conhecido por estimular seus alunos de teoria do urbanismo a desafiar o comodismo intelectual. Incentivou-os, por exemplo, a ocupar espaços industriais abandonados do centro de LA. “Eles criaram lugares bacanas, e bares e restaurantes começaram a abrir em volta. Resultado: os preços decolaram, eles foram desalojados e vieram os yuppies”, conta. Quando a tentativa de fazer seus alunos verem que poderiam se sentir seguros em qualquer bairro de LA terminou com um deles sendo esfaqueado no centro, resolveu dar um tempo da abordagem experimentalista. Vivendo em San Diego, na fronteira com o México, dá aulas na Universidade da Califórnia, em Irvine, e é um requisitado especialista nas relações entre ambiente, sociedade e urbanização. Em seu livro mais recente, Planeta Favela, relaciona os bairros precários gerados nas periferias das cidades, o êxodo rural e o aumento da informalidade, do desemprego e da criminalidade. O estudo se estende a cidades 282

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africanas e asiáticas e ao Brasil – que, segundo Davis, criou “uma enciclopédia de soluções urbanas” nos últimos 20 anos. Entre elas, ele destaca o orçamento participativo de Porto Alegre. Detrator das lendas de opulência e segurança fabricadas sobre Los Angeles, dos enclaves de ricos e dos espaços “pseudopúblicos”, Mike Davis, quem diria, não deixou de acreditar nas cidades. “Elas são a única maneira de equacionar a demanda da humanidade por igualdade e um padrão decente de vida em um planeta sustentável”, diz. Para construir cidades que façam jus à definição, porém, será preciso rever valores fundamentais, diz o “profeta”. “O substituto do consumo individual”, afirma, “é o luxo da cidade pública.” Sete vezes mike davis Los angeles “A cidade é o resultado de narrativas fabricadas e perpetuadas pelos especuladores imobiliários. É um lugar continuamente reinventado, reimaginado, reembalado.” segurança “Tornou-se um símbolo de prestígio e, muitas vezes, a fronteira decisiva entre aqueles que são apenas ‘bem de vida’ e os ‘ricos de verdade’. Essa segurança tem menos a ver com integridade pessoal do que com o grau de isolamento que ambientes residenciais, de trabalho e de consumo garantem em relação a grupos indesejáveis e à população em geral.” medo “A percepção de ameaça social estimula a mobilização por segurança, mais do que as taxas de crime. A sintaxe neomilitarista da arquitetura contemporânea insinua a violência e conjura perigos imaginários, além de estar cheia de sinais que mantêm a distância ‘o outro’ de classes mais baixas.” espaço público “Não apenas satisfaz necessidades comuns, como também cria e sacia outras. Uma coisa é estar só, em casa, com um mundo de pornografia na web. Outra, bem diferente, é ser jovem e estar cercado de gente de sua idade e das possibilidades que isso traz.” cidade “Para serem modelos, as cidades devem seguir a ética do senso comum: como crianças, mulheres e velhos são tratados? Por esses parâmetros, muitas cidades exuberantes se saem mal. Paris, por exemplo, me choca. Não tem crianças nem pobres. Se você é rico


Para o urbanista Mike Davis, a sintaxe neomilitarista da arquitetura contemporânea insinua a violência

e adulto, é o paraíso. Mas os verdadeiros heróis da vida urbana não estão mais lá. Estão em algum conjunto habitacional nos subúrbios.” ambiente “Trocar créditos de monóxido de carbono no supermercado não vai salvar a Terra. O que vai salvar a Terra é construir cidades que são realmente cidades, criar igualdade no usufruto do luxo público e reconhecer que o consumismo se tornou uma doença agressiva que nos envenena.” sociedade “A questão do socialismo continua relevante. Mesmo que soe fora de moda, não vejo nenhum mecanismo numa economia dominada por 500 corporações capaz de gerar o tipo de investimento que tornará as cidades viáveis.”

A MILITARIZAÇÃO DO TRÂNSITO “Os angelenos, assim como os paulistas, mantêm uma relação de miséria e liberdade com seus automóveis, embora dirigir livremente nas estradas tenha se tornado uma vaga lembrança nutrida somente por velhacos como eu. Desde os anos 1980, quando os congestionamentos crônicos começaram a frear a velocidade dos veículos dramaticamente, a cultura automotiva sofreu alterações muito perturbadoras e semelhantes à arquitetura, indo em direção a uma privacidade exagerada e militar. Os bons e velhos tempos de calhambeques, peruas de surfistas, buggys ripongas da Volkswagen (que sempre tinham nome de mulher) e conversíveis modernos se foram, assim como também se acabaram as Loucuras de Verão (filme) nos boulevards de San Fernando Valley e East LA. Utilitários esportivos monstruosos – que parecem saídos da Era Jurássica – agora assumem o papel de predadores no topo da cadeia evolutiva em auto-estradas que vivem congestionadas 24 horas por dia, sete dias por semana. Eles funcionam como uma analogia móvel dos subúrbios ultraprotegidos com sinais de ‘não ultrapasse’. Para uma classe média cada vez mais mimada e frustrada, esses casulos de aço oferecem segurança e funcionam também como catalisadores de agressividade. Falo por experiência própria: poucas coisas no mundo são mais assustadoras do que cruzar o caminho com um Ford Expedition em alta velocidade dirigido por uma dona de casa falando ao celular. O símbolo derradeiro da militarização do trânsito, claro, é o Hummer,

veículo de combate introduzido em nossas estradas pelo governador Arnold Schwarzenegger. Há um ano, quando o preço do combustível subiu rapidamente, surgiu também a esperança de que os híbridos ecologicamente corretos fossem alterar essa hegemonia de metal pesado, mas a transição se provou lenta e morosa. Enquanto isso, os transportes públicos têm que se adaptar ao trânsito cada vez mais caótico. Nos últimos tempos, Los Angeles gastou bilhões de dólares tentando reconstruir uma pequena porção das linhas ferroviárias elétricas (já consideradas as maiores e melhores do mundo em 1910), que foram desativadas por políticos no fim da década de 1940. A melhor maneira de descrever o sistema emergente é que ele peca pela ausência de um design racional, que seria a conexão dos principais pólos de trabalho, aeroportos e população. Embora o novo sistema de metrô seja popular, a sua construção foi conduzida por escândalos e a linha não atinge centrais importantes. Até mesmo a linha de Downtown para LAX pára muito antes dos terminais e, portanto, é inútil para os passageiros aéreos. As ferrovias gastaram uma soma significativa em dinheiro que poderia ter sido alocada na modernização do sistema de ônibus da cidade. Os principais beneficiários disso são os interessados em propriedades no centro da cidade que, finalmente, atingem o sonho de valorização de áreas antes consideradas pobres (e conseqüente deslocamento da população carente), além de um pequeno número de colarinhos-brancos que usam o transporte público. Bilhões foram gastos, mas o impacto surtido no trânsito da cidade é praticamente nulo. Como resultado, o tráfego vai continuar a ser um problema na região e, além disso, vai criar oportunidades infinitas para demagogos que fazem uso desse discurso inflamado de equacionar o problema. Um dos assuntos favoritos das estações de rádio AM, por exemplo, é culpar os imigrantes mexicanos por superlotarem as estradas e também roubar postos de trabalho e destruir o meio ambiente. A nova trilha sonora de LA é ‘Eu Não Consigo Me Mover’, e a política de tráfego continua a ser um pára-raios para todos os descontentes.”

Depoimento de Mike Davis a Daniela Sandler, exclusivo para MAG! (Leia mais sobre trânsito em LA na página 292) ffwmag! nº 11 2008

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Há mais de 20 anos a Melrose é uma referência hype em LA. Nesta página, intervenção na fachada da loja BCBG Maxazria. Ao lado, o tradicional porquinho da Off the Wall

MELROSE AVENUE

“Ninguém caminha por LA”, dizia o hit do Missing Persons. A Melrose Avenue desmente essa idéia. Graças a suas calçadas movimentadas, é considerada há três décadas um endereço trendy e kitsch. Hoje, marcas de luxo, comércio inteligente e centros de cultura renovam a vitalidade da Big Swarm Por Luiza Florence Fotos Paulo NeTto

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“Do lado de cá” da avenida, como dizem os locais, a Melrose conta com lojas como a caixa pink da Paul Smith. Na página ao lado, grafite revela o apoio que a Big Swarm deu ao “super” Barack Obama

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omo toda boa relação começa com uma apresentação, aqui vai: bem-vindo a Melrose, a célebre via que cruza o lado oeste de Los Angeles. Com cerca de 9 quilômetros, a rua começa na divisa dos bairros de Beverly Hills e West Hollywood e acaba em Silverlake. Mas isso são só dados oficiais. A Melrose, uma das mais freqüentadas avenidas da cidade, tem estilo bem característico. Conhecido pelas lojas e pela movimentação, o pedaço que concentra o comércio e o agito (da Santa Monica Boulevard até mais ou menos a La Brea Avenue) tem o poder de agradar diferentes tribos, fazendo o que era para ser uma batida de perna de meia hora se transformar em um passeio de um dia (ou mais). Era apenas mais uma rua da cidade, mas, por volta dos anos 1980, se tornou um hype de LA. Naquela época, quando o punk explodia, a Melrose era onde se encontravam grupos com estilo e atitude. Ou melhor, era onde toda novidade acontecia: lojas de tatuagens, cabelos roxos, looks ousados e pessoas na rua até de madrugada (fato incomum em LA, já que tudo aqui fecha cedo e não se vende bebida alcoólica depois das duas da manhã). Resumo: a avenida bombava. Esse trecho, que foi o sonho da cultura kitsch and trendy, abrigava os melhores (se não únicos) brechós da cidade, além de concentrar a maioria das lojas de antiguidades e restauração de móveis. Era também o circuito dos pubs underground para as bandas de rock, numa mistura de cafés e mostras de arte. Claro, quase 30 anos depois, a avenida mudou. Mas nunca perdeu seu charme, por ainda manter seus holofotes acesos. A circulação atraiu novos estabelecimentos, ocupando espaço de

antigas lojas e restaurantes que ajudaram a avenida a propagar o seu espírito vanguardista em LA. Para os estilistas que buscavam novo público-alvo, fugindo da exibicionista Rodeo Drive (a strip que abriga as lojas mais renomadas do mundo), a Melrose Avenue surgia como escolha ideal. E não deu outra: em movimento que começou há cerca de seis anos, grandes marcas inauguraram suas novas lojas nesse hot spot de compras da cidade. Logo no começo da avenida (com Santa Monica Boulevard), está a nova Balenciaga, enquanto um outdoor anuncia a chegada de Vera Wang e, claro, paparazzi rondam à espreita dos famosos freqüentadores de lá. Um pouco à frente, o aglomerado maior: Marc by Marc Jacobs, Diesel, Alexander McQueen, Paul Smith, Diane von Furstenberg, entre outras vitrines estreladas. “Aqui será uma espécie de Rodeo Drive, com um povo mais cool”, fala Paul Martino, 53, dono da marca Brad Butter, que cresce cada vez mais em LA e já com espaço reservado para sua loja. Abrir um ponto-de-venda em uma região menos conservadora era a estratégia das marcas de luxo que hoje apostam na Melrose. “Lembro que fomos os primeiros a abrir uma loja de porte aqui”, conta Todd Asselmer, 37, gerente da Marc by Marc Jacobs. “Antes havia mais lojinhas de antiguidades e o preço do aluguel era mais acessível. Mas o olhar fashion dos designers viu o potencial daqui e eles vieram atrás.” “A localização é ótima: não estamos longe da Rodeo Drive nem no meio da confusão. Essa atmosfera discreta fez diferença na decisão de abrir a loja aqui”, explica Ronald Polanco, 34, gerente da boutique Alexander McQueen na Melrose Avenue, a única loja da marca em LA. ffwmag! nº 10 2008

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Restaurante chinês garante ser “a cozinha” de Mao-Tse Tung. Na página ao lado, grafite mistura Marilyn e Dr. Spock, do seriado Jornada nas Estrelas

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O Pacifc Design Center, conhecido como Blue Wale, reúne 200 showrooms. Na página ao lado, um dos salões de beleza “unissex” da Melrose

A opinião dele coincide com outras. “Buscamos exatamente esse ar de privacidade”, fala Emily Ng, da Oscar de La Renta, loja um tanto escondida no Melrose Palace, complexo que também abriga Sergio Rossi e Marni. “Tudo aqui é mais chique. Rodeo Drive é para turistas”, fala Phoebie Gubelmann, RP da Carolina Herrera. Em meio a grandes marcas, estão charmosas lojas de design, lanchonetes e cafés hypados (Urth Cafe e Pain Le Quotidien), casas de chá (como a Dr. Tea), lojas de livros exóticos (Bodhi Tree Bookstore), entre outras. Há ainda galerias de artes e o Pacific Design Center (ou Blue Wale, como é conhecido), grande projeto construído em 1975 e que reúne cerca de 200 showrooms de móveis e acessórios. O local já foi palco de shows e festas pós-Oscar. Em meio a tantos flashes chegaram lounges e clubes como o Villa, que tem como sócio Leonardo DiCaprio. “Sabíamos que seria hot... E, melhor ainda, com aluguel bem mais razoável do que outras regiões disputadas de Los Angeles”, fala Stephen Fernandez, 38, gerente dessa casa noturna com capacidade para 150 pessoas e que investiu US$ 2 milhões para reconstruir um dos prédios antigos da Melrose. “Somos seletivos e chatos. Aqui é um refúgio para as celebridades se divertirem em paz”, explicando a fila e o aglomerado de fotógrafos na porta.

OBA, OBAMA! Passando a Fairfax, uma das ruas transversais, surge a “outra” Melrose, aquela mais tradicional e que ainda carrega a vibe dos anos 1980 e 1990. A diferença é visível. “Do lado de cá”, como dizem os locais, os néons avisam que você está na parte funky da Big Swarm, ou minhocona, como brincam os pedestres. Aqui, diferente do lado de lá, as lojas são pequenas (mas não menos estilosas) e cheias de detalhes. Se o comércio da parte elegante fecha pontualmente às 290

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18 horas, aqui as portas se cerram das 22 horas à meia-noite. As liquors stores funcionam até 2 horas (limite imposto pelas leis da Califórnia), enquanto as lojas de tattoos atraem os que caminham pelas calçadas movimentadas. “Adoramos vir aqui. Então aproveitamos para tatuar a nossa marca”, fala Carly Butcher, 18. “Somos do time de futebol da escola e tatuamos o mesmo símbolo”, esclarece a adolescente, com o novo enfeite: a palavra strenght (“força”, em inglês) no lábio inferior. Se isso não for suficiente, ainda existem os salões de beleza e as barbearias, quase todas no estilo anos 1960, como a Rudy’s ou a Floyd’s Barbershop, para dar um trato no visual no fim da noite. OK, se a Melrose se divide em estilos, pode-se perceber que a ideologia política é a mesma: do início ao fim da avenida as vitrines fazem campanha para Barack Obama. De um lado, Mulberry, Marc Jacobs e Max Azria vestem seus manequins com bonés e camisetas do democrata e incentivam a votar (já que nos EUA o voto não é obrigatório). Do outro, estão as vintage stores fazendo apologia ao black homeboy. Talvez um norte-americano de outro Estado compreenda melhor o fenômeno da Melrose. Chris Heyman, 43, tem dois restaurantes na avenida, o Table 8, com menu exigente e localizado “do lado de lá”, e o 8oz., “do lado de cá”, uma hamburgueria que recebe DJs às terças-feiras. Um completamente diferente do outro, mas ambos lotados. “A Melrose é uma rua especial. Sou de Nova York e quando cheguei senti a mesma energia. Poderia ter meu negócio em outras avenidas, mas aqui tem esse fluxo de pessoas caminhando, um fato raro em LA. Essa rua tem vida!” Rua com vida. Eu concordo com ele. Melrose Avenue: www.seeing-stars.com/shop/Melrose.shtml


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utopiA em quAtro rodAs

FotoS: DIVULGAção

Los Angeles mantém o maior sistema mundial de vias expressas e auto-estradas: são 1.080 quilômetros de pistas nas regiões metropolitanas. Esse modelo de megalópole que escolheu o automóvel como padrão de crescimento urbano faz com que cada vez mais pessoas percorram distâncias cada vez maiores para se locomover. E, quando todos decidem sair ao mesmo tempo, a cidade entra em colapso e parece um mar de carros Por Daniela Sandler foto dAvid mAiseL


ObliviOn 1365 - 45P


S

ão cinco, seis, sete faixas de tráfego de cada lado. Quando o trânsito flui, a corrente de carros passa a mais de 120 quilômetros por hora, filas intransponíveis entre um lado e outro da rodovia. Quando há congestionamento, o mar de carros estagna numa imensidão interminável de concreto, metal e fumaça. Tudo nas freeways de Los Angeles é superdimensionado, gigante, meio monstruoso. No cruzamento mais famoso, entre as freeways 105 e 110, são cinco níveis de pistas com até 37 metros de altura. Dentro de um carro em alta velocidade, entre a fita estreita de asfalto e o céu azul que se estende por todos os lados, é fácil imaginar que se pode alçar vôo. A sedução das freeways vem da mistura da potência quase erótica do automóvel com a amplidão ilimitada do espaço aberto. Há algo de fascinante e aterrador na experiência, uma versão moderna do “sublime romântico” que artistas e escritores do século XIX encontravam em abismos e montanhas. O sublime contemporâneo não está na natureza dos Alpes europeus, mas na paisagem artificial e mecanizada da Califórnia do Sul, onde o mito do pioneirismo norte-americano se concretizou em cidades vastas e espalhadas. Com tanta imensidão por conquistar, por que se limitar a formas densas e convencionais de cidade? Los Angeles se esparrama sem parar, uma conurbação irregular de cidades, centros urbanos mais ou menos densos, espaços vazios e subúrbios esparsos que cresceram ao longo das freeways. O crítico britânico Reyner Banham, que se apaixonou pela cidade e publicou o clássico livro Los Angeles: The Architecture of Four Ecologies, chamou o modo de vida representado pelas freeways de “autopia”: uma utopia de carros, a fantasia de um mundo perfeito por meio da mobilidade individual irrestrita. Banham dividiu o território de Los Angeles em quatro áreas, ou “ecologias”: as praias, o sopé dos morros, a planície e as freeways. Para ele, as rodovias têm tamanha presença espacial que configuram uma entidade topográfica à parte, comparável aos acidentes geográficos da paisagem. Banham também observou a importância do carro como elemento de definição de identidade pessoal. Ele descreveu os carros como “obras de arte” e as freeways como as “galerias” onde as obras são expostas. Banham publicou The Architecture of Four Ecologies em 1971 e morreu em 1988, mas sua visão continua válida até hoje. Desde 2007, é possível fazer um passeio de ônibus chamado “Reyner Banham ama Los Angeles”. Los Angeles é um dos exemplos mais claros da “Nação de Asfalto”, descrita por Jane Holtz Kay em livro de mesmo nome (Asphalt Nation: How the Automobile Took Over America, and How We Can Take It Back). A autora identifica o automóvel como padrão de crescimento urbano em cidades norte-americanas de pequeno e médio porte, mas seu argumento também se aplica a Los Angeles. No início do século XX, quando o desenvolvimento no oeste americano tomou impulso, cidades como Los Angeles ofereciam um território imenso e inexplorado. O preço da terra era relativamente baixo, facilitando a expansão horizontal em vez da verticalização; ou seja, casas individuais com quintal e gramado em vez de prédios e adensamento urbano. Esse espalhamento, ou sprawl, só foi possível pela facilidade do transporte individual, com carros produzidos em massa e acessíveis

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até mesmo a famílias de renda mais baixa. Cidades dependentes de transporte público, como trem, bonde ou ônibus, concentram-se ao longo de linhas viárias, pontos e estações. Já com o transporte individual, a cidade pode crescer em todas as direções, e os habitantes ainda assim conseguem ir e vir de suas casas. Com essa mobilidade veio também a separação entre o centro da cidade, dedicado a comércio e negócios, e os bairros suburbanos, quase que exclusivamente residenciais. Esse modelo de crescimento revela a predominância da especulação imobiliária como força motora, em detrimento do planejamento público mais centralizado. O planejamento, quando houve, durante a maior parte do século XX reforçou a combinação de carro e subúrbio. Segundo Kay, o lobby das indústrias automobilísticas para incentivar o consumo de seus produtos combinou-se à pressão de companhias de petróleo e subsídios públicos para a abertura de estradas e rodovias. Em Los Angeles, a situação é ainda mais complicada. A cidade é o centro de uma megalópole – uma gigantesca rede de atividades, freeways, tráfego e crescimento urbano que se estende por centenas de quilômetros em todas as direções, unindo não apenas cidades, mas condados (subdivisão administrativa de Estados americanos), como Riverside, Orange e San Bernardino. A população da área, segundo o censo de 2006, é de quase 18 milhões de pessoas, numa área de aproximadamente 88 mil quilômetros quadrados. Para dar uma idéia da dispersão de Los Angeles, o Complexo Metropolitano Expandido de São Paulo (que une as regiões de São Paulo, Campinas, Sorocaba e São José dos Campos) tem cerca de 27 milhões de pessoas em mais ou menos metade da área (quase 43 mil quilômetros quadrados). A conseqüência do espalhamento urbano de Los Angeles é que cada vez mais pessoas percorrem distâncias cada vez maiores entre moradia, trabalho, centros de serviço e entretenimento. Por exemplo, segundo dados do censo norte-americano de 2000, 29% dos 2 milhões de residentes do condado de Riverside trabalham em outros condados da região – cerca de 600 mil habitantes. Engrossam a legião de commuters que fazem da Grande Los Angeles a região mais congestionada dos Estados Unidos, segundo a Associação dos Governos da Califórnia do Sul (SCAG). O sistema está tão saturado que, coletivamente, a população perde 5,9 milhões de horas diárias com atrasos e lentidão no trânsito – horas que poderiam ser empregadas em trabalho, lazer e outras atividades. Se a situação continuar assim, a SCAG prevê que em dez anos o tempo médio de um percurso nas freeways vai triplicar.

A PIOR SITUAÇÃO IMAGINÁVEL Além do tempo perdido, o excesso de automóveis para transporte individual e de carga faz de Los Angeles uma das regiões mais insalubres dos Estados Unidos. A topografia da área não ajuda: a depressão da bacia de Los Angeles e dos vales vizinhos, como o de San Fernando, favorece o acúmulo de poluentes. Com episódios freqüentes de inversão atmosférica, a cidade fica coberta pela camada cinzenta de smog. Um estudo publicado neste ano pela Associação

david maisel@gallery stock

DISPERSÃO

A imagem aérea do intrincado traçado viário de Los Angeles que abre esta reportagem faz parte do ensaio Oblivion, realizado entre 2004 e 2006 pelo fotógrafo norte-americano David Maisel


AUTOPIA

Indústrias automobilísticas e petrolíferas pressionaram o consumo de carros e abertura de rodovias. Esse modelo de crescimento transformou Los Angeles na cidade mais poluente dos Estados Unidos

Americana do Pulmão classifica Los Angeles como a cidade mais poluída em quantidade de partículas em suspensão e ozônio na atmosfera. O resultado é o aumento do risco de câncer em 1.200 casos adicionais por milhão de habitantes – um risco “inaceitável”, segundo o Distrito de Administração da Qualidade do Ar da Costa Sul, agência que monitora a poluição na região. Se o carro e a expansão do território são a causa do problema, é tentador imaginar que a solução para Los Angeles é investir em transporte público, especialmente veículos menos poluentes – por exemplo, trem e metrô em vez de ônibus. No entanto, essa solução “seria a pior situação imaginável”, diz o professor James Moore, diretor do programa de Engenharia dos Transportes da Universidade da Califórnia do Sul. “Nós destruiríamos o trânsito de Los Angeles, indo à falência com sistemas de trens urbanos.” Moore explica que as cidades norteamericanas são muito dispersas espacialmente. Os percursos de carro distribuem-se por todas as direções, como vasos capilares no sistema circulatório. Já as linhas de trem e metrô não oferecem a extensão e a flexibilidade de um sistema de rodovias. Como conseqüência, acabam perdendo dinheiro por não servir uma parcela suficiente da população para compensar o investimento (leia entrevista). Isso não significa abandonar a idéia de transporte coletivo. A Autoridade de Transporte Metropolitano de Los Angeles, que opera o metrô e as linhas de ônibus, publicou neste ano um plano para melhorar o tráfego e acomodar o crescimento previsto para Los Angeles nos próximos 25 anos. O plano, que vai custar cerca de US$ 150 bilhões, ainda está em fase de aprovação. Se for realizado, irá combinar a expansão do sistema de transportes coletivos ao investimento em rodovias e alternativas de transporte individual, como ciclovias. “Los Angeles não foi construída como Nova York”, observa Rick Jager, porta-voz da agência. “O sistema de freeways é um modo de vida. O que podemos fazer é oferecer alternativas para que as pessoas comecem a mudar seu comportamento. Qual é o valor do tempo para elas?” Em Los Angeles, o valor de dirigir o próprio carro nas pistas das freeways ainda supera o valor do tempo gasto com trânsito ou perdido com problemas de saúde. Reverter a cultura do carro é difícil não apenas pelas características espaciais da cidade, mas também por conta do ideal da mobilidade individual, a liberdade irrestrita de ir e vir em todas as direções, na hora em que bem se entender. Só que, quando milhões de indivíduos decidem fazer uso dessa liberdade ao mesmo tempo, as rodovias entopem, e a tal mobilidade individual parece mais uma fantasia do que experiência real. No meio do mar de carros parados é fácil entender que nem mesmo a capital do cinema vive apenas de fantasia.

“NOS EUA, TRENS NÃO SÃO EFICIENTES” James Moore é pesquisador na área de sistemas de transportes urbanos, além de diretor do Programa de Engenharia de Transportes e chefe do Departamento de Sistemas Industriais e de Engenharia na Universidade da Califórnia do Sul. Por e-mail, ele concedeu a seguinte entrevista para MAG!.

ffwMAG! – Os problemas do trânsito de Los Angeles são bem conhecidos. Há alguma mudança no modo de abordá-los hoje em dia? James Moore – A mudança mais importante nas políticas públicas é que as agências agora estão dispostas a recorrer a pedágios de congestionamento [taxação de carros durante períodos de tráfego pesado]. Quando eu pego uma freeway na hora do rush, eu torno o tráfego mais lento para os outros e poluo o ar. Esses são custos reais, mas eu os ignoro porque não pago por eles. Se usarmos o pedágio, eu só vou pegar a estrada se o meu benefício pessoal for maior do que o custo de pagar a taxa combinado aos custos que provoco para o resto dos motoristas. O pedágio vai melhorar o trânsito e gerar recursos financeiros para manter e expandir a infra-estrutura. ffwMAG! – Quais são os maiores desafios para o transporte em Los Angeles no futuro? Qual seria a pior situação imaginável? James Moore – Precisamos ser mais inteligentes e não jogar dinheiro fora com sistemas que são obviamente menos eficientes em termos de custo–benefício. Nos Estados Unidos, sistemas de trens urbanos em geral não são eficientes. Se pararmos de desperdiçar recursos, teremos mais dinheiro para os projetos que podem ter impacto real. Em alguns lugares, trens fazem sentido. Se você tem um monte de gente que tem de ir do ponto A, por exemplo, Hong Kong, para o ponto B, por exemplo, Kowloon, então o metrô é a melhor solução em termos de custo–benefício. As cidades norte-americanas contemporâneas são muito dispersas. A pior situação imaginável é que nós destruiríamos o trânsito de Los Angeles, indo à falência com sistemas de trens urbanos. ffwMAG! – Qual é o papel do transporte público em Los Angeles? James Moore – Não há nenhum mistério em prover transporte público de qualidade e atraente. O objetivo do transporte público é oferecer um nível mínimo de serviço para toda a população. É uma forma de redistribuição de renda, uma maneira de garantir transporte a pessoas que, de outra forma, não teriam acesso a ele. O problema é que o sistema é muito ineficiente, já que as empresas de transporte são subsidiadas e protegidas de competição. Seria muito mais eficaz subsidiar o consumidor de baixa renda em vez das empresas, e abrir o mercado de transporte urbano a empreendedores privados. Nós falhamos no transporte público porque insistimos em falhar. Não há vontade política para tomar as medidas que resulte em um sistema melhor.

Reyner Banham ama Los Angeles: www.esotouric.com/reyner Associação dos Governos da Califórnia do Sul: www.scag.ca.gov Associação Americana do Pulmão: www.lungusa.org Autoridade de Transporte Metropolitano de Los Angeles:www.metro.net Universidade da Califórnia do Sul: www.usc.edu David Maisel: www.davidmaisel.com ffwmag! nº 11 2008

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o mágico de oz Fúria falsa da cidade que valsa no fake. Uma geografia social que oscila entre extremos do caricato: existe vida além da lente? “Everybody I Met in L. A.” é o desvario de Jonathan Hollingsworth, jorrando cultura pop em polaróides de personagens wannabe que nunca sabem onde começa a realidade e termina a ficção por graziela peres


All Polaroids are from the series “Everybody I Ever Met in L.A.,” 2006-2008, by Jonathan Hollingsworth.”www.jonathanhollingsworth.com

Personagens sem noção, tipos sem limite de ação: o trabalho de Hollingsworth mistura humor e crítica aos estereótipos de LA


Festas, álcool, etnias, “tribos urbanas”: em Everybody I Met in L.A. todos querem ser “especiais”, “descolados” e “antenados”


Vestido de seda Do Estilista, broche de flor Mixed, tiaras de metal esmaltado Elisa Stecca, touca Speedo e sapatos Fernando Pires

“Trabalhos de sopro” fazem subir na vida? Sim. Produtoras espalhafatosas alugam “fantasmas bêbados” de atrizes do cinema mudo? Sim. Tudo fake on the rocks


Vida “saudável”, turistas deslumbrados, produtores musicais noiados, atrizes “maduras e amargas”, surfistas chatos: L.A. é over the bacon


Jonathan Hollingsworth Los ciclos. O nome dele surge de repente nesta edição. Então descobrimos que faz body of work. Morou em Los Angeles, cidade que considera “the vortex of american pop culture”. Ele brinca com caracteres que definem personagens estereotipados. Guardou essas idéias até gerar imagens em Polaroid, após cinco anos de observações. “Mudei sem trabalho. Nem tinha idéia da vida. Mas um casal de LA mostrou os contatos certos. Minha permanência gerou uma relação de amor e ódio por cinco anos: conheci os “trezentos dias ensolarados” de LA. A série de trabalhos aconteceu depois que saí. Foi inspirada no povo que vi por lá. Parecia como se eu estivesse numa cidade de alma feminina, na traseira de uma moto, sem nunca chegar na casa da mamãe”. www.jonathanhollingsworth.com


All Polaroids are from the series “Everybody I Ever Met in L.A.,” 2006-2008, by Jonathan Hollingsworth.”www.jonathanhollingsworth.com

Nem Jonathan Hollingsworth, o autor, escapa da tipologia caricata. Na cidade dos ups and downs, pouco importa viver ou morrer: o importante é virar “alguém”


Assim é chamado pela sismologia o maior de todos os terremotos, aquele que faria Los Angeles ruir em segundos. Não há como precisar a data. Mas as chances de um violento tremor de terra pôr a cidade abaixo são muito altas. Há monitoramento permanente da imensa falha geológica sob a região da Califórnia, a mais extensa do mundo. Localizada entre duas megaplacas tectônicas: a do Pacífico e a Norte-americana, depois do maciço montanhoso de San Gabriel, a falha de San Andreas pode ser vista do espaço e, segundo dizem os geofísicos, é dali que virá o sismo capaz de separar parte da Califórnia do resto do continente. Existe ainda um conjunto de falhas laterais e dobras subsuperficiais, todas ativas, que assombram os sismólogos: falha dos Chineses, dos montes Verdugos, de San Jacinto, de Elsinore, de Palos Verdes, de Elysian Park, de Whitier e até a falha de Hollywood. Por estar situada em região propensa a desastres naturais (inundações, tornados, incêndios, terremotos), LA tem aspectos bem diferentes do que propagava o jornal Los Angeles Times em 1934: “Nenhum lugar na Terra oferece maior segurança à vida, nem está mais livre de desastres naturais do que a Califórnia Meridional”. Balela? Cidade viva que sempre costuma ser, é capaz de Los Angeles sobreviver a tudo isso. E muito mais. USGS: http://earthquake.usgs.gov 306

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© Carl & Ann Purcell/CORBIS/LatinStock

THE BIG ONE


english CONTENT 42 AMERICAN DREAM 56 GANG BANG GANG 72 HAM AND EGGS? 90 DEARLY DEPARTED 102 HEAT WAVE 110 AMOEBA ATTACK! 124 BODIES OF EVIDENCE 142 PIMP MY RIDE 158 TUTTI-FRUTTI 280 PLANET L.A. 284 MELROSE AVENUE 292 UTOPIA ON WHEELS Translations by André Rodrigues

I

Throbbing of a city

t was extremely hard-hitting to single out which would be the last of all global cities in our 2008 editorial cycle. MAG! nearly found itself heading out to Istanbul, Moscow, New York, Cairo, Mexico City, Mumbai. More than a few options have been thrashed out in our meetings wherein we always pointed out the good and the bad of every single runner up. And the winner is Los Angeles. At this point I explain the reasons to why. First of all: the major city in California is also the second biggest in the USA; and the USA simply had to be a destination in our to-do list. Second to it: Los Angeles is an entirely wacky location that gathers 88 cities and counties together, being situated in a region that has been considered the greatest geological imperfection on Earth. Its population is made of over 50 different ethnic groups that get along in separate sectors connected by endless freeways built up to serve as a basis to the hugest traffic flood of North America. In L.A., there are two cars for each human being, thus the city also bears the title of most dreadful pollutant in the Northern Hemisphere.

That’s why MAG! celebrates and appraises Los Angeles. Our team of reporters and photographers has been to places that have never before come into light in Brazil. We managed to gather around demanding contributors such as photographers Jeff Burton, Julius Shulman, David Maisel and Joseph Rodrigues, not to mention body work artist Jonathan Hollingsworth. In our fashion editorials, we pay homage to the American movie industry, summer love and the hot Californian mood. We traveled back to the 1960s to dance at Malibu beach, assess controversial ideas from Mike Davis, arguably the greatest American urban theorist; remember the communist frenzy in Hollywood; sneak a quick look into the porn industry; find out people intent on growing fruit trees all over the town; and, in the course of so much unexpected contentment, we invited Ana Maria Bahiana to take a trip around the most theatrical city venues, such as the house in which Marilyn Monroe took her final sleep. We subsequently understood how imperative it was for us to have Los Angeles end this cycle. We are now counting time down to our next issue: a journey into happiness that will be made flesh in January 2009. MAG! never stops. Paulo Borges

ilustração: RAFAEL PERA

In spite of all that, Los Angeles is also the dream land, the city of illusions, home to wild capitalism, the most influential movie industry in the world, Spanish streets, gangs, hip-hop, Hollywood. Los Angeles is phony, thrilling, over the top, sexual, flashy, conservative, avant-garde, mystic, alternative, rich, discriminatory and edgy. By now, you must have realized what we did: there can be no other city like Los Angeles in the world.


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AMERICAN DREAM A half century ago, Julius Shulman photographed the International Style in California, unaware he was picturing the exact moment in which geometric shapes were accepted by architecture. His images soon spread throughout the world, helping disseminate the dreams of a capitalist development system. By Jurandy Valença Photos Julius Shulman Heavenly landscapes, American economy boom, hopes of a better balanced future, new technologies, space race, functional architecture, the California sun. He was in the right place at the right time. And that place was Los Angeles. It was the time when modernism-connected architects started to build up their dreams. In 1936, architect Richard Neutra – Born in Austria, resident to the USA in the 1920s – saw some images a youngster had occasionally taken of his works. He got impressed by the beauty and strictness through which the images could portray the essence of his architecture. That young man was Julius Shulman. From then on, their partnership endured until Neutra’s death, in 1970. Neutra’s works praised pictures were followed by several commissions from other renowned architects, especially mythical figure Frank Lloyd Wright. Shulman could still take pictures of works by masters such as Mies van der Rohe, Charles Eames, Alvar Aalto, Phillip Johnson, Louis Kahn, and even Oscar Niemeyer. Everyone knew Shulman printed on his authorial skills in order to translate architecture into precise and sophisticated images. His photographs not only served as documentation, but also and mainly psychologically assessed the captured spaces

inducing the audience to think about them. There was the complete technical control of light and the simplicity of geometric compositions, highly contrasted against the crispness of the subject in each picture. He also applied artificial lightning – when he thought it was needed – in order to enhance spaces and he could also capture the thin balance between in and outdoors, blending landscape and building into one thing altogether. Julius Shulman was Born in 1910, New York City, and has lived in Los Angeles since he retired in the 1970s, when he openly grew dissatisfied with the post-modern architecture. His pictures are imperative to everything architecture accomplished between the 1940s and 60s in the USA, mainly in California. Having thousands of images taken in that period of time, he reaffirmed the International Style optimism, which was a formal segment of modernism that presented, mainly in the USA, new shapes for a capitalist world. But it was not until the 1960s that his name reached major audiences. The reason was a sole picture that made millions of people dream of a perfect life. It is evening. Two sat down women talk in the living room of a glass house that seems to be aloft. Instead of rigid columns, the room is sustained by


Los Angeles’ lights. Due to this historical image, his name would be forever imprinted in the USA shared memory. In most of his photographs of houses, he used to blend in people and interior objects. Nowadays, Shulman is cited as the mastermind behind the diffusion of functional architecture in the USA in the 20th century. His works outreach can be seen in book Julius Shulman: Modernism Rediscovered, a monumental gathering of over 400 of his achievements, divided into three volumes under Taschen publishing company. The publisher researched over 250,000 original files dating from 1936 onward. His life and work have also become subject to documentary Visual Acoustics: The Modernism of Julius Shulman, narrated by Dustin Hoffman and directed by Eric Bricker. Shulman is forever going to be the author of cinematographic images, compositions that tease by making clear reference to utopia. His works are about people and their dwellings or workplaces, and also about the way these individuals deal with their houses. LA Obscura: www.usc.edu/dept/architecture/shulman/ Visual Acoustics: www.juliusshulmanfilm.com Taschen: www.taschen.com

Latin Americans, Jews and Asians could only buy or rent a house in previously designated areas. Each to its own. Ghetto quarrels have since then ruled the history of the city. Starting from the war between Mexico and the USA, through which Americans conquered the piece of land that had been given to Mexicans by Spaniards. Since when, there have been several instances of conflict, such as gun fighting between Chinese gangs in Chinatown, LA, 1871, which ended up killing a white man. Rampaged, five hundred white individuals decided to take on the Chinese neighborhood. As a result, nineteen Chinese men and children were killed – out of which only one had directly been connected to the original murder that ignited the revolt. Gang crews always bore strong visual identities, be it a signal on their hands, graffiti on street walls or clothes, scarves, tattoos and several other apparels that help creating their own fashion image. Visual identity was the first instrument to sort out gangs, and so it led to several problems. A clear example of that can be seen in the zoot suits in the beginning of the 1940s. Those were times of war and recession, thus, of scarcer products. The rebels at that time – artists and alternatives, mainly Latin Americans – decided to adopt the zoot suits as a dress code. Zoot suits were usually two or three numbers bigger than the wearer’s original size, thus being oversized suits worn with oversized pants to go along. Besides the Chicanos, several mafia enthusiasts adopted the dress code, thus helping stigmatize it. Then the world had a formula: oversized suits with large hats = Mexican bandits. Then a group of sailormen decided to smack a group of Latin men wearing zoot suits and the blame fell upon… members of another Mexican gang. It was the year 1943, and within a few days East Side streets were full of mariners and soldiers. Part of the white local population joined the assaults and punched a Latin or two, also enjoying the opportunity to teach African-Americans and Asians a lesson, just in case. Other similar cases happened after this, such as Watts in the 1960s, or Rodney King in the 1990s.

HACK AND SLASH

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GANG BANG GANG Los Angeles is among the world’s multicultural urban centers, having ethnic groups occupying territories divided between nearly one thousand organized gangs. Florencia 13, one of them, is formed by Mexican descendants and is subject to Joseph Rodriguez’s works. His images can be found in book East Side Stories and show the daily life of one of the most horrifying LA gangs. By Johann Heyss Photos Joseph Rodriguez Breathtaking landscapes, tanned blondes, silicon dolls, hunks, hills, beaches, rivers, mountains and parks. Such are the places of a cosmopolitan and excessively car-oriented city. Los Angeles’ image in the postcards is that of an icon capital. In spite of that, LA is far from being solely the capital of luxury stores and theme parks, of would-be-stars working at restaurants and David Lynch’s mood. Los Angeles stands far beyond cool beaches dotted by blondes wearing make up and high heels. The city is also home to regions such as East and Southwest LA – out of limits to the unaware. In such areas, for about four full generations, there has been a bloody match between ethnic groups: AfricanAmericans, Latin Americans, Asians and white people. Talk about racism. The first gangs appeared in such places in the 1920s, the very same decade in which a law was sanctioned to limit the purchase or rental of estates by ethnic groups to specific areas. It means African-Americans,

The first gangs were no more than juvenile rebels involved in small theft and prostitution, or only fueled by small quarrels and self-imposition matters. In order to join a gang, the would-be criminal needed to go through a series of rituals, like getting spanked and standing up to it fearlessly – to prove he was a macho man. Most gangsters strayed away from their gangs as they reached adulthood, causing the extinction of some (like the Boozies and the Magnificents). However, new gangs were shaped in the 1940s, and in the 1950s some wheeled gangs came into scene, such as the Road Devils, the Coasters and the mythical Hell’s Angels. Not to mention the Asian gangs – such as the Chinese Triads, and even the Yakuza – and the Caucasian formations, like the Aryan Brotherhood, the Nazi Lowriders and the infamous Ku Klux Klan. Gangs were created and spread out in all directions, defining territories and fighting against anything on their way as the city grew bigger. In the 1960s, some gang members started to get politically smart, well according the mood of that age. One of the most significant representatives was Bunchy Carter, former member of the Renegade Slauson, who later became leader to the Black Panther Party in Los Angeles. Among African-American gangs, the most famous quarrel is between the Crips and the Bloods. The Crips, whose origin takes us back to the 1960s, became known by that name in the 1970s. They were (and still are) identified by blue bandanas on the forehead, head, neck or over their faces. In fact, the Crips are one of the super gangs: they share their views with several lesser gangs in many different ways, also varying in race and affinity. There was a great conflict when these smaller gangs started to fight between themselves and the super gang decided to take sides by applying the red color to their bandanas, shoelaces, gloves and other pieces of garment. It was the beginning of the 1970s and the new


gang – one that united dissidents from the Crips – started being known as the Bloods. There were far too many Latin Americans in Los Angeles. And, according to street laws, they also needed to define their territory if they were to move ahead. The first Latin American gangs came from the Mexican mafia, but later started being shaped up by groups from several other Latin American countries. Three of the biggest Latin American gangs in Los Angeles nowadays are the MS-13, the 18th Street and the Florencia 13. The MS-13, or Mara Salvatrucha, is a direct by-product of the civil war that took place in the 1980s in El Salvador and that brought about 2 million Salvadorenos to the USA. Some of these immigrants settled in Los Angeles, occupying the poorer areas in town and looking for a placement in the job market – as it turned out, they were not easily accepted by the local society. For those who had just fled from a true civil war, setting up a gang was no big deal at all. Besides spreading itself throughout Rampart, Hollywood, Wilshire and Los Angeles, the Mara Salvatrucha – whose name is homage to a guerrilla from El Salvador – is also active in Central America. The 18th Street gang was established in the 1950s because of a rapture in the Clanton gang – which lost strength, but is still active in Hollywood – spreading its influence beyond the 18th Street and taking over districts like San Fernando Valley, San Gabriel Valley, South Bay, South LA, Downtown LA, Pico Union, Inglewood and Cudahy. At the beginning, it was only composed of Mexicans and their descendants, but the gang ended up accepting members from other Latin American countries. Having numbers 18, 99 and 666 tattooed all over their bodies and sprayed on walls in their territory, the 18th Street gangsters are on top of the police rewards list, even though some consider the Florencia 13, their main rival, a much more fearsome gang. Originally founded in the 1950s in the whereabouts of Florence Avenue, the Florencia 13 is basically made up of illegal immigrants who, in spite of being outnumbered by other gangs, offset the situation through the use of extreme violence in their deeds.

GLAMOUR VS. GANGS In the 1980s, there were more than 30,000 gang members in Los Angeles and drug dealing – namely crack dealing – became the easiest money source. Halfway through the 1990s, that amount overcame 280 gangs in town. At the dawn of the 21st century, the LAPD recognized the existence of nearly 1,000 organized gangs in the city. As time passed by, conflicts got bloodier. After all, times changed: racism, territorialism and rampage gave room to motivations such as money raising and drug dealing. Laws grew stricter to the point it was prohibited that two or more gangsters be seen together in public places, not to mention other initiatives to try and combat gang-related crimes. Street gangs’ soundtrack ranges from gangsta rap and hip hop to Latin beats, mixing hip hop with salsa and guitars. As a consequence, a lot of notorious rappers turned out to be former gang members. Tupac Shakur (Bloods), Ice-T (Hoover Crips), Ice Cube (Rollin’60’s Crips), Snoop Dog (Rollin’20’s Crips) and The Game (Bloods). Also, the movie industry dedicated a long stream of films to the issue. This helped bring about glamour to gangs, but also made people aware of their presence, which led several of them to stop wearing certain colors or symbols that could easily give them away. Having said all that, it comes quite naturally that some eastern and central areas of LA bear the gangs’ aesthetics as an absolute part of their visual and cultural identities. Joseph Rodriguez, a Latin photographer from New York City, shot the pictures for this article. They are part of book East Side Stories, and show a less frightening daily life of the Florencia 13 members, as well as other Los Angeles’ gangs. His idea is not to distort reality, but to refuse the usual obsession press media has toward horror images. “I do not see why one should portray violence and misery to be recognized as a successful photojournalist”, he says. In fact, in East Side Stories, Rodriguez gathers different gangs in the

area – which is, in it, a great deed – in common or not so common situations. Such is the bizarre image of a Boyle Heights couple with their baby daughter: under her mother candid figure, with bullets, clips and guns all over the floor, the father is teaching the girl how to handle a fire weapon. This particular picture is from 1993. There is no censorship or melancholy in Rodriguez’s portraits, as they are merely a journalistic proof of that family’s daily life. To the gangs, it is all about killing or being killed. The rest is as unreal as the silicon tanned dolls that stroll down Hollywood boulevards. Street Gangs: www.streetgangs.com/ LAPD Online: www.lapdonline.org/la_gangs Joseph Rodriguez: www.josephrodriguez.com/ All About Gangs: http://allaboutgangs.blogspot.com/ Know Gangs: www.knowgangs.com

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HAM AND EGGS? Something between restaurants and snack bars: waffles, pancakes, scrambled eggs, hamburgers, bacon and coffee. Diners are shrines of junkie food and thus icons of the American culture. By Bruno Moreschi Photos Paulo Netto “Health food makes me sick”, so said writer Calvin Trillin. His quote seems to be a headline for most American citizens. Being a reporter to the New Yorker magazine, he has already been all over the country in search of the most popular foods. Usually they can be found at Diners, American restaurants that bear an artificial environment, where one can buy scrambled egged, fried bacons, waffles, hamburger and a lot of spices in just one order, final touched by a slice of apple pie. One of my latest experiences in Los Angeles took place at Denny’s, a well known diner’s chain. Following an intense party that few other cities could provide for, my brother and I entered the establishment and felt like we were at the calories Disneyland. No other place could better sate our hunger: half a dozen waffles with two scoops of vanilla ice cream, loads of honey, whipped cream and toasts to soak into the extra fat from the handmade 250gr hamburger. Trudy Rahmig, a friend I met at a diner, says: “Of course I would rather have a sophisticated French-like meal, Italian pasta or Spanish paella. But then those dishes simply do not fit into American culture. To come to Los Angeles and not to eat scrambled eggs is like going to Rome and not seeing the Pope”. The idea of selling fast hot and cheap food came into existence in 1872, in Providence, Rhode Island. Walter Scoot had the idea to sell sandwiches and coffee in a cart to reporters in front of the Providence Journal building. At


the dawn of the 20th century, snack bars fueled by horses became restaurants whose owners were mostly refugees from the First or Second World Wars. At that time, a building company managed to raise 8 thousand diners. Some people believe diners are coming to an end. The first prediction took place in 1929. However, due to their low prices, diners did not even flinch before the world crisis. Forty years have passed and the same predictions came about because of fast food chains. Today, one can see pancakes living alongside McDonald’s and other similar restaurants. These diners are fueled by the American culture, from the wooden wheels on the walls to the taxidermy birds, and are thus used as a constant reference. In movie The Blob, an alien monster attacks couples dating in cars, housewives watching television and, of course, people at diners. In Pulp Fiction, Tom Roth and Amanda Plummer realized robbing banks was nonsense. And so they decided to screw diners up: “Everybody be cool this is a robbery” and “Any of you fuckin’ pricks move and I’ll execute every of you motherfucker!”. Diner City: www.dinercity.com

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DEARLY DEPARTED Horror is a word of command in the city of dreams: overdoses, suicide, cocaine, alcohol, heroin, Satanism, blood-stained walls, gangbangs, rapes, extortions. Having established herself for over 20 years in Los Angeles, journalist Ana Maria Bahiana writes about this bizarre itinerary that has inspired the Dearly Departed Tours. By Ana Maria Bahiana Photos Paulo Netto Sunday evening. September the 18th, 1932. Peg Entwistle climbed up Hollywood hills over the Beachwood Canyon. To her uncle Harold, in whose house – 2428 Beachwood Drive – she was staying, Peg (born Lillian Millicent Entwistle, 1908, Port Talbot, Wales) said she would go out for a walk to the drugstore and then pay some friends a quick visit. Instead, she went up the canyon to the gigantic HOLLYWOOD lettering. She then climbed to the top of letter H using the stairs behind the panel. In the following morning, an unidentified woman called the LAPD saying she had found “a pair of shoes, a coat and a purse” left in front of the letters. Ahead of it she also saw a body. “As I do not want to get into trouble, I just wrapped everything in a bag and left it all in front of the Hollywood police station”. Following this cue, the policemen could find the body of Peg Entwistle near to letter “H”. In her purse, she placed a farewell note: “I am afraid of being a coward. I beg forgiveness for everything. If I had done this a long time ago, I would have prevented many people from suffering. P.E.”.

After seven years in pursue of fame, Peg managed to catch it: until these days, she is the only person to have committed suicide by jumping off the top of the famous Hollywood Sign. Her death, sad as any could be (she was only 24), is wonderfully emblematic to Los Angeles and Hollywood: live or die, make your choice. Los Angeles is full of sinister and obscure events, out of which nearly all point out to the same background of frustrated dreams, broken love, fallen stars. Just think about 875 South Bundy Boulevard. Close to Wilshire Boulevard, this area scars Los Angeles from east to west, all the way into the Pacific. I am not talking about the noble part of Brentwood, neither only about the most popular southern blocks. Small luxury buildings are a constant here, specially in the surroundings of San Vicente Boulevard. At the 875, close to midnight, June the 12th 1994, a neighbor found the bodies of Nicole Brown and waiter-and-actor-to-be Ron Goldman. They both had been spanked and stabbed to death, throats cut from ear to ear. Nicole lived in the townhouse and was a former waitress would-be-actress and ex-wife to former American football star and Hollywood darling O. J. Simpson. Goldman was only her “special” friend. Simpson was acquitted of murder after two years on trial followed by a number of controversies. Today, there is no 875 South Bundy. Its new owner rebuilt the entryway and changed the number to 879. In spite of that, the place still bears a weird energy in the middle of the well taken care of bushes. Away from there, in the truly chic part of Brentwood, 12305 Fifth Helena Drive is also a calamitous address. In its noble stretch, Brentwood is an almost rural neighborhood home to green hills and the sea coast. Two of its main streets are named after the district’s founder – Helena and Anita. There is a total of 22 smaller streets close to them, named Drives and categorically numbered – 17 Helenas, ranging from South Carmelina and 5 Anitas. The white house at the end of the Fifth Anita was the final dwelling to Marilyn Monroe. There, in the first hours of August the 5th, 1962, MM’s maid, Eunice Murray, found the then world diva’s cold body. The place is not luxurious for the local standards, although it might be comfortable enough with its garden of banana trees and a nice swimming pool in the backyard. Marilyn’s room, where she was found dead, was still under refurbishing and only had a nice bed, a side table (upon which rested some 15 medication bottles) and several piles of books, magazines and scripts. Today, Marilyn is buried in the Memory Lane, in the Westwood Memorial Park crypt, Wilshire avenues, Westwood. The entrance to the place is behind a movie theater. Some other addresses in the City of Angels can tell even more terrible and more brutally ended stories. Hotels, in that sense, bear a particularly sinister background. The Landmark Hotel, today known as Highland Gardens (7047 Franklin Avenue), served as stage to Janis Joplin’s last act: the heroin overdoses that killed the then most promising singer on October the 4th, 1970. She was only 27 and, literally, was cold dead after having injected a lethal doses of heroin in her blood flow. At 9137 S. Figueroa Street, Hacienda Motel, Downtown LA, today is known as the Star Motel. In there, December, 1964, soul and blues virtuoso Sam Cooke was killed by his manager. In the Bungalow 3 of Chateau Marmont, at the corner of Sunset and Crescent Heights, John Belushi spent the night of March the 4th, 1982, doing lines, heroine and alcohol with Robin Williams and Robert de Niro. Belushi went into a coma in the following morning and was found nearly dead by his therapist. Close to Chateau Marmont, there lies the wicked walk: right across 8852 Sunset Boulevard, the Viper Room, owned by Johnny Depp. There, at about 1 a.m. October the 31st, 1993, River Phoenix, the most talented and promising actor of his time, suffered violent convulsions. His brother Joaquin and a paparazzo tried to help him and called the emergency. Phoenix was taken to the Cedars Sinai hospital, in Beverly Hills. His


skin was blue and his heart useless. Phoenix was clinically dead at 1:51 a.m. Autopsy pointed out to the overdoses of cocaine, morphine, Valium, marijuana and ephedrine (component to crystal meth it-drug in the 1990s). Following the Sunset all the way east of the Viper Room there lies another glorious pavement: 7600 West Sunset, crossed by Curson, Gardner and Sierra Bonita streets. On June the 27th, 1995, Hugh Grant was busted in action with Divine Brown. Curiously enough, following his strategic public disappearance and some apologies, Grant found more success in the aftermath than he had ever experienced before. Down Sunset toward the sea coast, going west, there are the beautiful gardens of Beverly Hills. Right across the Beverly Hills hotel (9641 W. Sunset Blvs), there lies an absolutely nice square full of palm trees, flamboyant grass, fountains and flowers: the Will Rogers Memorial Park. Or, as people call it, the George Michael Memorial Park. There, on April the 7th, 1998, the singer was busted having sexual intercourse with a boy inside the pink toilets in the square. Michael had to pay US$ 810 and provide the community with 80 hours of services. He later took revenge in his notorious “Outside” video, in which he portrayed policemen as dancers having a blast. Saving the best for last, one of my favorite venues in LA: Mulholland Drive. It swords the city from east to west throughout Santa Monica hills. Mulholland is the wild heart of Los Angeles, and it is coated with woods, grass, palm trees and extremely luxurious mansions upon the hills. When fog rises from the Pacific waters, it comes down onto Mulholland, having thus enchanted people like moviemaker David Lynch. But things are not completely sweet in Mulholland. In the Benedict Canyon, on August the 8th, 1969, Charles Manson fanatic followers brutally murdered actress Sharon Tate and five of her friends with firearms, knives and beating. Sharon was then married to moviemaker Roman Polanski, and she was pregnant of an 8-month-old baby. The house where the killing spree took place was the 10050 Cielo Drive, a small mansion with a bucolic whiff to it, originally raised in 1944 to actress Michele Morgan. The house was recently inhabited by Trent Reznor, from Nine Inch Nails, who lived there from 1991 to 1994 and built a studio named Pig (a clear reference to the word PIG!, that was written in blood by Manson’s followers in that episode). The studio served as place to record The Downward Spiral and also Portrait of An American Family, by Marilyn Manson. Reznor only gave up on his weird quest when Sharon’s sister met him in person and inquired him as to if he was trying to make a living out of her sister’s doom. In 1994, the house was demolished and a new mansion – Villa Bella – was built upon its remains, the 10066 Cielo Drive. TV producer Jeff Franklin is its current owner, and he ensures his life is a peaceful one. Not far from Cielo Drive lies 12850 Mulholland Drive – Jack Nicholson’s house. In his swimming pool, on May the 10th, 1977, something went on between Roman Polanski and Samantha Gailey, who was supposedly taking a test for a Vogue photo shoot with Polanski. The director was 44, Samantha was 13. What went on was spiced by champagne, drugs and something else that made the girl and her mother sue Roman under the allegation of rape. Polanski fled to France, he went on trial and was found guilty, but he never set foot again in Mulholland Drive or in the USA. Despite that, and because of all that, Mullholland remains as one of the most intriguing and interesting areas of Los Angeles. In the words of David Lynch, “the city is full of intrigue and mystery, and there is always a pinch of fear hanging in the air. Brace yourself, because Los Angeles full history lies in the ups and downs of this road”. Dearly Departed Tours: www.dearlydepartedtours.com

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HEAT WAVE

“If everybody had an ocean across the USA, then everybody would be surfing like California.” This was the bottom-line of surf music, spread between 1962 and 65 in the western coast of the USA. Both rhythmic and romantic, it gave life to a musical trend that bore the Beach Boys as ultimate representatives. Today, the style still thrives on. By René Ferri

One...

Eden on Earth: that was the idea surf music wanted to transmit, of a mythological California, all about utopia with an everlasting sun blazing the sand and tanning the skin of youngsters having a blast at Malibu, Carmel or Santa Monica, where there used to be two girls for every boy – as says song “Surf City”, written by Brian Wilson to Jan (Berry) & Dean (Torrence) from the Beach Boys, the legendary surf music group that became worldwide famous with hits such as “Surfin’ USA” and “Shutdown”. In order to understand surf music, one needs to travel back through time right to the end of the 1950s. Duane Eddy was a guitarist in Phoenix, Arizona, and started to compose instrumental albums in 1958 using the twangy guitar and the help of producers Lee Hazlewood and Lester Sill, as well as musicians like Al Casey, Larry Knechtel and Steve Douglas. Duane Eddy’s twangy beat marked a series of hits under Record company Jamie: “Rebel-Rouser”, “Ramrod”, “Cannonball”, which helped transform him into one of the most influential artists at his time. Pop instrumental music from the 1950s (guitar + bass guitar + saxophone) also gained strength as a trend in American rock with groups like Johnny & Hurricanes, Viscounts, Ventures, Royaltones, Rockateens, etc. Every single American region was home to such groups, although most of them did not live through a second hit, irrespective of how importantly they acted in this rock and roll transition stage.

Two... In the meanwhile, in California, pioneers Jan & Dean started to record their first albums under record company Dore, produced by Herb Alpert and Lou Adler — teen novelties, in their majority, with absolutely nonsense lyrics and doo-wop and pop vocals. Alpert and Adler would later become tycoons of the music industry. Dick Dale, a left-handed guitarist from Boston, Massachusetts, was the one to summarize the sound done by several instrumental bands to that of Duane Eddy’s and gave them personality as the face of surf music. Greatly influenced by eastern music (thanks to his Lebanese heritage, he would say), Dale was the first musician to experiment upon his 100-watts Fender amplifiers (specially customized by Leo Fender). The echo he


reproduced gave life to the staccato style, a technique of playing tunes with short duration and suspensions in-between, in order to simulate the emotion of being on a surf board, at sea. Dick Dale’s (& His Del-Tones) popularity soon became huge in southern California, where surf was a common sport. Add to that the age of the dance craze, a period of history dotted by particular dances like the twist, hully-gully, loco-motion, the bird, mashedpotatoes, etc. The surf was one of these dances, quite easy to learn: one just needed to stand still and move their arms frenetically as if they were actually surfing. Dick Dale soon started to be copied everywhere, giving birth to surf bands such as The Astronauts, Chantays, Rumblers, Tornadoes, Pyramids, Marketts, Surfaris, Surftones, Jerry Cole & Spacemen, Revels, Richie Allen & Pacific Surfers, Trashmen, Rip Chords, Jesters, Challengers, Ronnie & Daytonas, Belairs, Fantastic Baggys, Impacts, Fireballs. Surf albums such as Mr. Moto, from The Belairs, Stick Shift, from The Duals, Moondawg, from The Gamblers, and Church Key, from The Revels also started to pop up. Even those groups that had little if anything at all to do with surf music got into this heat wave, such was the case of Link Wray (from Maryland), Ventures (from Washington) and Santo & Johnny (from New York). Duane Eddy did not stray away from the surf – in fact his greatest hit from 1963 Dance with the Guitar Man – is a clear ode to Dick Dale’s The King of Surf Guitar.

surf music can be found anywhere in the world, including Brazil. However, it no longer praises California as the Promised Land. But that is all fine, as long as it keeps talking about fun, all summer long. Surf Music: www.surfmusic.com / The Beach Boys: www.thebeachboys.com / Endless Summer: www.imdb.com/title/tt0060371/

Three... The Beach Boys, from Hawthome, came about to secure style in surf music – formed by three brothers, Dennis, Carl and Brian Wilson, cousin Mike Love and school mate Al Jardine. Dennis was the one to tap into the surf music giving identity to the band through hit “Surfin”, by Love and Brian. Brian Wilson soon revealed himself to be a genius, as he was the one to set up their identity with doo-wop lyrics and falsetto singing. More importantly, he also gave a voice to the surf culture that had, until then, been restricted to songs and music, only present in song titles. There soon came about a huge number of songs created by Brian whose lyrics exalted life at the coast: beaches, girls, sun, parties and young love.

Let’s rock! Songs about cars grew so frequent that people created a new style: the hot rod music. To young composers and producers that were spawned from the surf music wave – such as Bruce Johnston, Terry Melcher, Gary Usher, Roger Christian, P. F. Sloan, Steve Barri, Brian Wilson and Jan Berry —, cars, beaches, Sun, girls and surf, those were everything part of an emblematic California, the American promised land. Then that kind of music ended up being called summer music. Movie industry contributed to reinforce the surf culture with frankies and annettes in gangs celebrating life at the coast, such is the case of fascinating documentary Endless Summer, the best synthesis of movie and music, joining together sea, beaches, surf and summer music. But at that time, the Beatles and the Rolling Stones were starting to dictate the rules of music and fashion, and surf music soon became and old fashioned subject. Besides, the surf culture was changing in itself: instead of fun under the sun, people started to meditate and do drugs. Besides Beach Boys, who never stopped evolving, no other surf band from that age survived. The style remained alive in indie bands from the 1970s and 80s, such as Jon & The Nightriders and some covers from the Ramones. Audiences rediscovered surf music in Quentin Tarantino’s Pulp Fiction, 1994. The movie makes use of Dick Dale’s Miserlou in its soundtrack. Today, thanks to internet and all technologies,

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AMOEBA ATTACK! In the age of internet-MP3-iPod-iPhone, people buy fewer CDs if any at all. Amoeba Records (the largest record store in the world), is doing very well, though. And it is planning to launch a music supermarket on the web. By Lúcio Ribeiro The coolest and largest independent CD store in the world, Amoeba Records, was founded in 1990 by hippie early adopter Marc Weinstein, has three different stores in California and does not care at all about the global record industry crisis. And that is because this company has always been concerned about one thing alone: music. The largest of its huge stores is located at Sunset Boulevard, and may be the most famous spot in Los Angeles. Much alike the Walk of Fame and the Hollywood Sign upon the hill, the store has become a touristic spot in town. “Every Saturday more than 10 thousand people come in and out our store in Los Angeles”, says Kara Lane, marketing director to Amoeba LA. “Even in these times of trouble, we are selling 100,000 CDs/month, not to mention LPs, DVDs, posters, collector’s items, t-shirts, etc. I guess we cannot complain”. If Hollywood is the Dream Land, then Amoeba is the dream store to those fond of music and willing to spend some money, for its prices are far from being friendly. Home to punk and indie, jazz and metal and folk, Amoeba is a supermarket bearing the best soundtrack on Earth. There you will find yourself pushing a trolley and spending over two hours looking for products and going through checkers. Most definitely, it stands out as a beacon within the broken record industry. While traditional music stores go down and are forced to sell mainly the


hit makers, or else close the doors, such as Tower Records, Virgin and HMV, Amoeba seems unaffected by the current download trend and crisis. What is its secret? “First of all, our stores are very much integrated to the communities they are located in. We know what local people enjoy, and help somehow improve the region through several actions, mainly environmentally and culturally. Second to it – and that is the trademark of Amoeba – our employees are mainly musicians of some sort, and most of them have blogs and websites about music”, explains Kara Lane. “The fact of employing people that enjoy music is certainly a differential in keeping the customer flow into the store. It also helps us fight against the crisis and motivates people to find out news and seek counseling of specialized professionals. No other store can offer it. People connect to us”. And that seems to be true: one of the most visited stands in the store is the “recommended albums”, a selection of releases according to the store specialists, people that can talk about Ting Tings and MGMT, Beach Boys, Beatles and Madonna. Besides, the staff edits a magazine that is distributed within the store and can also be found in their website. You are never alone. Amoeba Records is more than just records. More than just environmentally and community friendly. More than just CDs, DVDs, posters and miniatures. It is a record store that serves as stage to unbelievable live performances. “We do host live and free of charge shows within the store. We only play what we enjoy, such as Nomadic Blues, Paul McCartney and Elvis Costello. People come in, spread throughout the store to watch the show, get some autographs and get to buy CDs they did not even plan to. What we promote is musical celebration”, says Lane. Some of the live shows within Amoeba turn out to be albums under the original label. The store also operates as a business promenade; such is the case of the used CDs, DVDs, LPs and even cassettes. Amoeba sells, buys and swaps music. “We have experts working on that everyday. They evaluate what used material comes in and price them all. Amoeba pays in cash or offers credits for purchasing in the store”. The company was created in the campus of Berkeley University, founded by a crew of hippies led by Marc Weinstein. He and his friends who have always had jobs in album stores created Amoeba Records right on the corner with Rasputin, the album megastore where they had worked up until then. Amoeba was born exactly in the fall of LP and rise of CDs, when the world believed album stores would face hard times. Even that way, Weinstein decided to sustain the business, believing in two basic features: 1) good music and 2) treat well consumers. According to him, the business needed to be huge in size, but cozy enough. In other words: the largest music lounge in the world. Seven years later, with rock and roll doing very well due to post-grunge, new punk, alternative music and Britpop, Amoeba became even bigger in San Francisco, establishing itself in a 2,000m² warehouse that used to be a bowling club. In 2001, with the bang of new rock and electronic music, the store grew bigger, built a second floor and set itself in Hollywood. Today, in spite of the crisis, Amoeba is preparing itself to open a new store. And this time around it is certainly going to be the hugest: its online store. “We plan on launching our digital music store next summer, in the first half of 2009. Our main worry is preserving what our real stores offer, but online. We are also going to focus on rare items, things that have gone out of line. And, of course, new music”, says the marketing director. The virtual universe has no size. But it will not come as a surprise if Amoeba becomes also the largest online store. The internet is house to all music nerds. And Amoeba is the way to go.

TOP TEN 2008 AMOEBA RECORDS LOS ANGELES Vampire Weekend MGMT Portishead Coldplay Beck Flight of The Conchords She & Him Juno Soundtrack Gnarls Barkley Death Cab for Cutie Amoeba Records: www.amoeba.com/

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BODIES OF EVIDENCE

Numbers, stories, angles and a deep penetration into the million-dollar porn industry of Los Angeles. By Ivan Melo Photos Jeff Burton The porn movies industry is easily recognizable by exaggeration. Everything tends to seem bigger than their atcual size. The USA are the main porn movies producer in the world. The industry stands for about US$ 5 billion (although some say it ranges all the way up to US$ 14 billion) and employs nearly 2,000 male and female performers who play, at least, 5,000 roles a year. San Fernando, suburban Los Angeles, accounts for most of this outcome. According to an HBO documentary called Porn Valley, 90% of all porn stuff in the USA is shot there by companies like Vivd Entertainment, Evil Empire, Wicked and VCA. Nearly every porn video distributors and magazine publishers can also be found in the Porn Valley.

EROS One can say the birth of the porn industry took place at the same time as the Lumière invention. Many believe the first erotic appearance in movies was played by Louise Willy in a striptease in movie Le Bain, 1986. Other footages also featured stripteases in their content. However, long before the movie industry came into existence, porn stuff already ran amock through pictures and printing machines. The movies only boosted people’s secret desires. From the tender sexiness of Griffith in Virgins of The Sacred Fires of Life (1916) to the explicit footage of Michael Winterbotton (9 Songs) and Vincent Galo (The Browny Bunny) and Cameron Mitchell (Shortbus), the art movies always find a way of expressing themselves through eroticism.


US$ The porn industry started to gather pace in the 1970s and is currently well accepted by the American society. Actress Jenna Jameson, one of the most renowned in the porn industry, manages to earn US$ 15 million a year. She even got a short-term contract with Adidas. In the USA, the average cost of a porn movie is of about US$ 30,000 but it can be stretched to US$ 90,000 depending on the casting. An ordinary actress can get US$ 3,000 a day. The most renowned ones can get US$ 15,000 a day, not to mention money from mechandising, distribution, etc. Actors are paid half of that: for they are more easily found. DIRTY SHAME It was american movie A Free Ride (1915) that gave birth to Stag Films and Dirty Movies, initially rented for projection in men-only clubs. In the 1930s and 40s, Americans sanctioned censorship laws. But before the laws took effect, hundreds of tapes had been distributed full of sex: oral, ménage à tróis, lesbians and all sorts of penetrations.

PEEP SHOW Following two strong censorship decades (1940s and 50s), when porn movies could only be watched in peep shows, illegal movie theaters, brothels and private parties, the 1960s brought about freedom issues. Intellectuals and artists alike started to voice their sexual orientations. Soon after that, porn movies gained strength once more. SWORD EATER At the end of the 1960s and dawn of the 70s, the porn industry gathered pace in Los Angeles. It appeared as an economy capable of generating huge amounts of money to its producers. The first porn blockbuster was Deep Throat, which raised over US$ 600 million. The movie was released in 1972 telling the amazing story of a former sword eater that faced an anatomical problem: her clitoris grew in her throat. The movie turned actress Linda Lovelace into a world celebrity. Deep Throat was so influential it was adopted as a nickname by journalists Bob Woodward and Carl Bernstein, from the Washington Post, who exchanged information with W. Mark Felto, director to FBI, and helped taking Nixon away from the power. If you want to get further into this classic, watch documentary Inside Deep Throat, 2005.

SILICONE VALLEY Linda Lovelace was paid US$ 1,000 for her role in Deep Throat. The actress died at age 53, and she became an antiporn activist. She had several health problems, including setbacks with her silicone breast implants. In the 1980s, she wrote Ordinal, a self-biopic piece that tells how many times she was forced to act under the barrel of a gun. GARGANTUA Everything about John Holmes was superlative. Some say the actor took part in about 2,500 movies between the 1970s and 80s. His penis was 14 inches large. But his two ex-wives announced, after his death, the atcual size was no larger than 10 inches. Irrespective of the size, his fame went beyond the porn underworld. Because of drugs, Holmes bankrupted. In 1981, he accepted to take part in a major robbery by Eddie Nash, a powerful drug dealer and owner to several nightclubs in LA. The event became a movie with Val Kimmer: Wonderland. Also Boogie Nights, another Holmesinspired movie, was shot by Paul Thomas Anderson.

SOFT LINE A wave of porn chic movies started to be shown in the USA movie theaters in the beginning of the 1970s. Besides Deep Throat, look for Boys in The Sand, Behind The Green Door, The Devil in Miss Jone and Score.

SWORD FIGHTING The

first explicit porn gay and bisexual movies appeared two decades after the porn industry was originally founded. Scholars say The Surprise of a Knight (1929) featured the first gay penetration footage in the USA. Legal resraint toward homosexuality was very strong, but 16-mm enabled artists to shoot gay sex scenes. Andy Warhol, with Blow Job (1964) and Paul Morrisey, with Flesh (1968) are landmarks in that field. Tyler Gajewski, who acted in both movies, and Joe Dallesandro, who took part in the movies and also served as model to Bob Mizer and Bruce Bellas, were the main names of the gay porn industry at that time. Pat Rocco was also important, for he directed Boys in The Sand, the very first gay porn movie to reach major audiences and break the box office record of Deep Throat.

HE & SHE The global success of Boys in The Sand drew attention and, in the 1970s, record companies released movies to both classes: the gay porn and the lesbian porn. The latter is now gathering pace in California, which hosts The San Francisco International Lesbian & Gay Film Festival. The festival happens since 1977 and has been the biggest of its kind in the world.

SWEET HOME No other movie industry segment has used the VCRs, the home-made videos, to their full extent like the porn industry. In the 1980s, nearly every porn movie theater in Los Angeles was closed. Cheap productions found solace in the VHS. Some believe the trend was due to the discretion offered by such productions, that could be watched at home.

BUTTMAN John Stagliano shoots with good humor. He is known as the Porn Gonzo. His movie hits are remarkable for the anal intercourses. His company, Evil Angel, is one of the biggest in its sector. At the beginning, Stagliano filmed within a budget of US$ 8,000 to 10,000. Then he profited US$ 250,000. The businessman has a publishing company that today releases movies and magazines to the whole planet. THE FASHIONISTAS One of John Stagliano’s hugest achievements was high-budget movie The Fashionistas. The movie tells the story of an italian fashion designer who is taken to S&M by a dominatrix. His obsession is Jesse, played by actress Belladonna. The movie was shot in 35-mm and had prime final touching. It was the biggest winner of AVN Awards, the porn industry Oscar. The Fashionistas became a musical play in Las Vegas and gave birth to a trilogy. CATEGORIES The AVN Awards were created by Adult Video News, the main publication for the segment. They offer a number of categories: best actor and actress, best movie, best all-girl sex scene, best anal, best oral, best couple, best group and best solo. This past year, brazilian actress Monica Mattos got the best foreign actress award. Another name to drop is Sacha Grey. People say she is a brazilian girl from Ceara. Truth or not, she is about to act in a new Steven Soderbergh movie, the director who won an Oscar for American Beauty. The movie will be named The Girlfriend Experience and Sacha will play the role of a high class whore in New York City.

TOP OF TOPS The porn industry is still kept on the edge, thus making its stars be known to a very restricted audience. Just like any other economy slice, the porn industry is subject to ups and downs. For actors and actresses, being on top means being young and active. Currently, the main women are Amber Lynn, Tera Patrick, Belladona, Amber


Michaels, Angela Summers, Briana Banks, Davia, Jenna Jamenson, Jill Kelly, Krystal Steal, Nina Hartley, Silvia Saint, Tiffany Mynx, Angel Dark and Claudia Clare. For men, highlights stay with Rocco Siffredi, Ron Jeremy, Peter Berlin, Lauro Giotto, Nacho Vidal, Roberto Chivas, Roberto Malone and Michael Lucas.

WEB SEX Once again, the porn industry moves ahead: just like in the age of VHS, the new porn wave is on the Internet. The amount of web-hosted porn stuff is amazing. There are endless webpages where anyone can watch a number of movies, trailers, teasers and short movies, not to mention amateur productions of all sorts, from all corners of the planet. Internet also helps recruiting new actors and actresses. Jeff Burton is a photographer (his name is homonymic to the Nascar racing pilot). Jeff Burton, the photographer, was Born in 1963, California. He lives and works in Los Angeles and has majored in Arts at the California Institute of the Arts. Jeff Burton began taking pictures in porn movies, namely gay ones. Jeff Burton explores poetry and density in his images. Jeff Burton explains: “art, fashion and pornography comply with a strict hierarchy. Arts are on top, fashion is a little lower and porn stuff is deep down. I want to break rules and bring everything together”. Jeff Burton captures the idea of sexiness and seduction straying from the hardcore sex. Jeff Burton portrays free of moral precepts porn stuff. Nearly every model he shoots is an actor or actress from the porn industry. Jeff Burton photographed Kris Van Assche (creative director to Dior Homme) 2008 campaign. Jeff Burton has published three books: Jeff Burton: Untitled (1999), Jeff Burton: Dreamland (2001) and Jeff Burton: The Other Place (2004). The latter, published by company Twin Palms Publishers (www.twinpalms.com), bear the images you see in the MAG! Article. How Big Is Porn?: www.forbes.com/2001/05/25/0524porn.html Family Safe Media: www.familysafemedia.com/pornography_statistics.html AVN Awards: www.avnawards.com

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PIMP MY RIDE In the city where cars play a major role, there is no bigger dream than staying behind the wheel. Vintage models like Impala, Oldsmobile or Pontiac become subjects to utmost fetish. Lowriders love crowds, parties and cars. By Bruno Moreschi Photos Paulo Neto

The American soul is harsh, as are the conglomerates of steel, glass, rubber and leather. This concept is further enhanced by cities like Los Angeles, in which roads were placed long before Hollywood came into existence. The road movies, freeways, and speedy cars are traces of a race that began in the 17th century with the coming and going of Spanish colonizers. They opened the path so that, later on, each group could identify to their own proper car style. It could not be any different to Spaniards and their children and grandchildren, which now stand for about 30% of Los Angeles population. Their cars are known as lowriders, as the drivers, and are clearly distinct from the playboy convertibles that can be seen in West Hollywood. Things started in the 1950s and 60s, with old engines and noisy cars so slow they could not break the limit of 50 mph. What they did was taking away the original parts of the car and replacing them by hydraulic models, thus allowing for the chassis to come up and down by pressing a button. Their owners, who love to keep the bad to the bone mood, warmly call their cars low and slow (or also baijito y suavecito). The color variety of cars is so huge it can tap into easily recognizable visual elements within their community. This way, yellow stands for wealth and the driver knows he must final touch the car with golden coated wheels. Blue indicates the lowrider is more concerned about his family than about fooling around in Los Angeles. However, rules are not absolute. Red had already been banned from the community, but now it surges as an iconic representation of singleness. “So aggressive as the blood shed by families that own Ferraris”, some are used to saying. When black hip hop singers started to customize their cars in red colors in the same fashion as lowriders, red became a quick turn down in their community. Up until the 1980s, the Chevy Impala model was a nearly omnipresent car in the lowrider subculture, having sold over 14 millions units in the USA. Other brands and models gradually became more accepted, specially in the 1990s, when two books on the subject were released: How to Build a Lowrider and the Lowrider’s Handbook. Models such as the Chevrolet Monte Carlo, Buick Regal, Oldsmobile Cutlass Supreme and Pontiac Grand Prix, all from General Motors, started being modified. Inside the cars, one can find leather, wool or velvet, bright lights and top-notch sound systems. Their drivers do enjoy listening to hip hop. Preferably in the voice of a Chicano star such as Mr. Capone-E. The singer has sold over 500,000 copies of his albums, in which he usually affirms “he is the voice of the streets”. In the city where cars play a major role, is there any bigger dream to any given driver? Capone’s music does not please women, however. In order to set a date and go for a drive with that certain girl, the driver knows he must out loudly play Janet Jackson or Paulina Anan, the latter being some sort of Spanish Britney Spears. Curiously enough, most girls that follow lowriders are Latin Americans, as opposed to what magazines and newspapers show in their covers about lowriders. The most famous publication in that segment is the Lowrider Magazine, whose priorities are cars, women and parties. Alicia Whitten, 29, is one of these role models. She has dark hair, fit body and huge breasts (“yes, they are silicon”, she gives away). Besides her three photo shootings to the magazine, she is usually hired by parties such as Car Show Bar, in Whittier Boulevard, East Los Angeles, the Spanish quarter in town. She is paid US$ 1,500 by apparition, while other models are used to getting half of that. She explains the rule is to pamper the guys that have more gadgets installed in their cars. Quite unimpressive, as frequently the organizers of these parties are the owners of car shops that customize cars and also own clubs in which they host parties like Eternal Rollez Car Club, Elite and Traffic. In a quick


chat over the web, Alicia gets to know I am no Chicano and I have no lowrider at all. Even though, she insists on living up to her reputation, answering questions in a forcedly juvenile voice. “I enjoy making love on the velvet backseat of an Impala, preferably hiding from a cop that is giving out tickets to cars crossing the speed limits”. She adds to that she likes mean lowriders, but not the ones with bad breath. “You drive me crazy”, says Enrique Gutierrez, 35, to Alice in his MySpace webpage. He is a lowrider and owns an Oldsmobile Cutlass Supreme 1969, having spent over US$ 10,000 to tune up what he calls “a puppy”. He would stroll unnoticed amid so many other lowriders, were it not for his fierce criticism to the group’s ideals. “We drive our cars around LA, draw attention, but we do not use that in our favor to demand citizenship legalization, for instance”, he explains, thus paying clear homage to César Estrada Chávez, one of the most renowned civil rights Mexican militants of the 1960s. Chávez, whose car was a Chevrolet Impala with leather seats, has always placed hopes in the policies of the Duke’s Car Club, founded in 1962, it is the oldest lowrider group in Los Angeles. He admired that group of drivers that were proud of their rides and fought for more safety in the Spanish quarters of California, a group that also suffered greatly in the Vietnam War. He died in 1993, at the dawn of the decade in which lowriders meetings grew ever more popular. In July, the LA International Auto Show displays a little bit of everything, but bears no political background at all. What draws people to it is the wet shirt contest, whose winner in 2008 was an Alice lookalike. Besides, they love to get into their cars and dance as if the driver and the machine became one rhythmic being in harmony. Current lowriders are in no hurry at all, in spite of the urgent need for a change. www.lowridermagazine.com / www.streetlowmagazine.com / www.lowriderpimps.com

and chaotic. In order to survive, one must stand up to the challenge and find out solutions to problems that become ever direr. Amidst all chaos is a group of activists that believes salvation lies in fruits. How so? The Fallen Fruit project was founded in 2007 and is intent on exploring Los Angeles lands, thus incentivizing seeding and mapping of fruit trees. David Burns (38), Matias Viegner (44) and Austin Young (42) are the three masterminds behind the project. It was on a sunny autumn Sunday in LA they agreed to give an interview to MAG! Matias then offered his house, located in Silver Lake. The region is well-known for its art galleries, concert houses and contemporary pubs, not to mention it being a wonderful place to spend the time. As I was heading to my encounter, I realized the huge amount of fruit trees in the area. But then I only realized it because I knew what was going on there. After all, paying attention to anything else, while driving, is a hard task in LA. Then we had some conversations, drank orange vodka and shared a lot of information on the project. At the end of our meeting, they sent a message to people from Sao Paulo: “Sao Paulo government has to invite us to carry out a project in Brazil. We promise to work very hard”. ffwMAG! – What is the Fallen Fruit project? Fallen Fruit – It is a cooperative art project that maps all fruit trees in public areas of Los Angeles. It is an answer to the urban acceleration and the scarcer ability people have to grow their own food. It is also about issues like popular struggle for a better community, better welfare and further social responsibility. We do not want things to look like Google Maps, so we are using symbols instead of traditional maps. Besides, our map does not show streets or house numbers, and that is intentional so people come into the streets to seek out the fruit trees. ffwMAG! – How was the project conceived? Fallen Fruit – We began it four years ago, answering to a protest against the Journal of Aesthetics and Protest. In a critical way, we thought about a solution that would be accordingly geographical area, social activism, ecology and the world. So we created the Fallen Fruit.

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TUTTI-FRUTTI

ffwMAG! – Why fruits? Fallen Fruit – Fruits are free of cultural prejudice. They can be found anywhere and have never been employed to any negative end. They are beautiful and colorful. Besides, since ancient times, food stands for communion. Agriculture is the connection between people and the land. Fruits mean loveliness, fertility, beauty and hospitality. They have been grown everywhere there are people living and are part of our culture. Because of all that, the Fallen Fruit project is so meaningful to Los Angeles.

Fallen Fruit activists challenge Los Angeles urban chaos through an art collective that proposes a nearly utopia: seed and map fruit trees in public areas. MAG! interviews the people behind the project that is causing a never seen before interaction in this city where individualism is still the way to go around. By Adrianna Lobo

ffwMAG! – Is it not utopia to believe a city that has been condemned by urban planners can get something out of this project? Fallen Fruit – We want to turn Los Angeles into a better place for people, both in terms of relationships and environment. Our project has been operating full gallop and we will make what we can to map the city, the state and the world.

With a population of more than 3.8 million individuals, Los Angeles is by far the biggest city in California and second biggest in the USA, according to the latest poll dating from 2005. It is an extremely populated site and so daily life can be quite stressful

ffwMAG! – What are the principles of the Fallen Fruit Project? Fallen Fruit – 1) Fruits in public areas belong to everyone; 2) Mapping is a way of sharing with everyone, and it also teaches people to stroll around their neighborhoods instead of driv-


ing cars; 3) Ask your friends to grow fruit trees for the sake of everyone; 4) Functional landscaping: cities can plant fruit trees in parks, parking lots and streets; 5) Open dialogue about public areas in every neighborhood; 6) Think about all positive things fruits help bring about. ffwMAG! – Is it not illegal to grab fruits from other people’s lands? Fallen Fruit – If you take a trip around Los Angeles, you will end up seeing a lot of fallen fruits in front of houses or even in their gardens. Why not share that? This is a very interesting situation. For instance, the fruit comes from inside an estate, but its branch can bend over the wall. According to Los Angeles’ laws, it is not illegal to grab that fruit, as long as it stays in the outside. ffwMAG! – What are the current Fallen Fruit projects? Fallen Fruit – Our most recent project is named Infusion. We produce vodka out of special fruits, and then we gather people around for drinking. Of course, they always want a second glass! We do not sell the liquor, as we do not produce it in large amounts. People can find the special vodka in art galleries, because it is served as art, not as alcohol. It is a way of getting to know other people, and exchange experiences. There is also the Public Fruit Jam project. This is a delicious one: we ask every citizen to bring fruits he or she collected from their own garden, and also an empty and clean bottle. After a jam session, everyone goes home with the bottle full of sweet. The kinds of jam we prepare are radical like lemon with pepper, for instance. We also discuss basic notions of jams, seeding, growing and cropping fruits, as well as the importance of sharing things. It is quite funny; you should take part in it next time around. We are taking this project to Tijuana, Mexico. Then we will come back to San Francisco. We are planning on buying some land to plant different kinds of Californian fruits, but that is a more complicated matter. We also plan on making a documentary about this. ffwMAG! – What is Los Angeles’ worst problem? Fallen Fruit (Austin) – Undoubtedly, the traffic. The city has undergone dramatic growth. I also believe the public transportation could be improved. LA is like that: people drive their cars around and nobody talks to each other, differently from NY, where everybody walks. Fallen Fruit (David) – When I was a kid, there still used to be farms and I can recall grabbing fruits from trees. Today, nobody knows about their existence. People would rather pay four times as much to buy organic food in the market instead of investing in their gardens. In the past, everybody lived so close to each other. It was a small town. Now my neighbors are complete strangers to me.

THE FRUIT TRIO David Burns was born in Santa Monica. Today he teaches at the California Institute of the Arts (CalArts). Graduated from CalArts, in 1993, he took a masters course in Studio Arts at the University of California, Irvine, in 2005. His latest projects are Track 16, Bergamot Station, OTIS, ArtCenter, Machine Projetc, WORKS gallery, REDCAT, MESSHALL, in Chicago, and in the Artists Space, in New York. He has got his works published in the FAB magazine, SCOOP!, The Journal of Aesthetics and Protest, PLOT magazine and Metropolis Magazine.

Matias Viegener was born in Buenos Aires and raised in New York. He is a writer and lives in Los Angeles, where he teaches at the California Institute of the Arts (CalArts). His studies are mainly based on subjects concerning gays and lesbians. They can be found in books Queer Looks: Lesbian & Gay Experimental Media (Routledge), Camp Grounds: Gay & Lesbian Style (U Mass). His works have already been exhibited at the ArtCenter’s Windtunnel gallery, Mess Hall, in Chicago, and other venues. Viegener is editor and co-translator to book The Trial of Gilles de Rais, by George Bataille. Austin Young was born in Nevada and has lived in Los Angeles for about eight years. He is a photographer and video maker. His works can be found in magazines such as Andy Warhol’s Interview Magazine, Surface, Flaunt, Vogue, Spin, Rolling Stone, Q, and others. His portraits include Leigh Bowery, Lypsinka, Siouxsie Sioux, Nina Hagen, Debbie Harry, Jimmy Scott, John Doe, Sandra Bernhard, Ziyi Zhang, Mark Almond, Ann Magnuson, Amy Poehler, and others. Fallen Fruit: www.fallenfruit.org

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PLANET L.A. Urban theorist Mike Davis is the fiercest LA analyst. He points out social segregation in a consumer-oriented city and says Los Angeles is standing on the brink of catastrophe because it mixes apartheid, rich spots, violence and environmental problems. By Teté Martinho To anyone concerned about the future of our civilization, he is an inevitable thinker. To Angelenos who witnessed his predictions coming true, he is a doomsayer. To MacArthur Foundation, which granted him a US$ 315,000 scholarship, he is an exceptionally creative individual. To those who thrive upon Los Angeles myths and legends, he is a huge obstacle. Mike Davis was a truck driver, a butcher and a school activist that helped reshape LA and reveal its flare-up potential coming from social apartheid, violence and environmental frailty, flaws that had been lying underneath the city’s apparently flawless make up. His keen observations allied to a heightened perception of society, popculture and the left wing sustains his books about City of Quartz: Excavating the Future in Los Angeles and Ecology of Fear: Los Angeles and the Imagination of Disaster (2000). The first explains how the crusade to make the city safer – born in the middle classes, this ideal was fueled up by real estate investors – made room for a segregational urban planning, where rich isles – offices, shopping centers and residential areas – are isolated by walls and watchposts from the surrounding social reality. “LA social landscape has been deliberately transformed into a series of mechanisms that split communities by their race, class and monthly income in a way that is more dramatic than anywhere else in the USA”, says Davis. “The rich people walled communities are patrolled by private security reinforcements and protected by electronic surveillance systems, as opposed to poor communities that are located in low rent areas and isolated by police barricades that, supposedly, are fighting against drugs”. Davis points out the loss of public areas that should be accessible by population as a dire consequence of this scenario.


“Downtown LA, in particular, has become a corporate citadel bearing the architecture traits of a fortress, totally segregated from the poor neighborhoods around it and dotted by art galleries and shopping malls where people are constantly monitored. There, those who do not fit into certain upper social classes can be easily cast out”. Gentrification is also a villain in the story, according to City of Quartz. “Big cities need to preserve their cultural heritage, their popular culture, or else they become architectual amusemente parks”. Davis’ books, which portray LA in a different perspective from that of the beautening injustices and real estate greedy dispute, have become best-sellers in the USA. When the City of Quartz was released, in the end of the 1980s, LA was increasingly becoming the american crack and violence spot. Ten years later, the Ecology of Fear portrayed LA with its five hundred private housing areas, two thousand active gangs, 100,000 homelesses and an ever growing process of expansion, which is quite fearsome to a place exposed to natural catastrophes. Facts reinforced the thesis that Los Angeles had become a symbol of “everything than went wrong in urban America”, as did forecasts by Davis on the consequences of systematic carelessness from authorities toward environmental issues. In the subsequent years, LA became stage to one of the biggest civil unquietnesses of all times – the riots following Rodney King’s murder, in 1992 – and went through a series of arsons in Malibu, besides the Northridge earthquake in 1994. It took even less time so people could realize Mike Davis, in spite of being considered an insufficiently graduated scholar, can bother many people. When the Ecology of Fear was released, the Los Angeles Times described him as someone “too depressive to become an important LA analyst”. The Economist went further beyond, affirming that publishing companies from New York had a bad habit of portraying Los Angeles, arguably the Big Apple’s greatest enemy, as something low and putrid.

Diego, close to Mexico, and teaches at University of California, in Irvine, and is a highly recommended specialist in environment, society and urban planning. In his most recent book, Planet of Slums, he lists the poor neighborhoods that have been generated in most cities, the exodus from rural areas and the rise of informality, unemployment and criminality. This study ranges from African to Asian and Brazilian cities, in which the latter, according to David, have created an encyclopedia of urban solutions in the last 20 years, among which he outlines the shared budget in Porto Alegre. Disparate from all opulence and security myths fabricated in Los Angeles, Mike Davis, believe it or not, still trusts cities can flourish. “They are the only option to balance mankind’s demand for egalitarianism and a decent life standard in a sustainable planet”, he says. In order to build cities that can live up to that motto, however, people will need to have another look at their fundamental values. “The replacement for individual habits is the luxury of having a truly public city”.

CHALLENGING THE INTELLECT

4 PUBLIC VENUES “They do not only sate common needs, but also help create and sate other needs. There is a difference between standing alone at home with access to a world of web porn stuff and being a youngster surrounded by peers and possibilities”.

Davis says his obsessions toward Los Angeles were born in the 1960s, when he lived in Corn Hill and heard stories of bohemian Bunker Hill even before freeways were built. At the dawn of the 1970s, he was driver to a Gray Line excursion bus, taking tourists to Disneyland and Hollywood. Since he began to work at age 14, as a butcher, Davis has always taken part into civil rights communities, SDS (Students for the Democratic Society), and he was also fond of communist and left wing ideas. He did not consider writing about the city until he came back to school, right after being fired from a bus company because he assaulted a driver who, at a strike, drove his bus through the crowd and hurt one of the protesters. He joined UCLA at age 28 in order to major in Economy and History. After graduation, he moved to Europe for a few years. Upon his comeback, he wrote the original piece of City of Quartz, which was then subject to a doctorship thesis, then refused by the University. The book got published a few years later, opening the doors of places like the Southern California Institute of Architecture (SCI-Arc). Davis grew famous for stimulating his students to challenge intellectual stillness. He incentivated them, for instance, to reside in industrial places that have been abandoned Downtown LA. “They set up nice places, and then bars and restaurants started to pop up all around them. As a result, prices went up and they got moved out from the region to make room for the yuppies”, he says. He gave up on the field testing when one of his students ended up being stabbed in Downtown LA. Today he lives in San

SEVEN TIMES MIKE DAVIS What the theorist has got to say about polemic issues in LA: 1 LOS ANGELES “The city is a result of real estate investors, who fabricated and nurtured ideas around it. It is a place going through constant reinvention, reimagination and repackaging”. 2 SECURITY “It has become a symbol of prestige and, often enough, it operates as the decisive limit between those who have a good life and the truly rich people. Security is more about being isolated from other undesirable social groups than about protecting one’s integrity”. 3 FEAR “Social threats stimulate the urge for security, even more than crime rates. Architecture is military and implies violence, besides having clear signals meant to cast out undesirable social groups”.

5 CITIES “In order to become role models, cities must follow common sense ethics: how should children, elders and women be treated? In those terms, several cities are lacking development. Paris, for instance, shocks me. There there are not poor people, or even children. If you are rich and adult, then Paris is a paradise. But the true urban life heroes do not live there anymore. They are actually located in suburban dwellings and districts”. 6 ENVIRONMENT “Exchanging carbon credits at the supermarket will not save the planet. What will, instead, is building up cities that can act as true cities, equal in the sense of public luxury. We need to recognize that our individual-oriented lives have taken us to the brink of bedlam”. 7 SOCIETY “Socialism is still alive. Irrespective of how old fashioned it may sound, I do not see how any current mechanism in a financial system that has been under control of 500 companies can manage to generate the kind of investment that will make our cities viable”.


MILITARIZING THE TRAFFIC Mike Davis exclusive to Daniela Sandler, reporter to MAG!: “Angelenos, like Paulistas, view their automobiles both as freedom and misery, although the truly open road is only a faint memory retained by geezers like me. Since the 1980s, as chronic gridlock has begun to slow commutes to almost horse-and-buggy speeds, car culture has mutated in the same unsettling direction as house style, toward oversized and militarized privacy. The carefree days of cheap jalopies, beachboy station-wagons, hippie VW bugs (always with a girl’s name), and jaunty convertibles are long gone; as is (thanks to decades of police repression) the hallowed American Graffiti tradition of ‘cruise nights’ on the boulevards of the San Fernando Valley and East L.A. Monstrous arrogant SUVs, like throwbacks to a Jurassaic Age, now rule as top predators in a freeway ecology of 24/7 congestion. They are the mobile analogues to gated suburbs and McMansions with ‘armed response’ signs. To a spoiled but frustrated middle class, these steel cocoons offer a reassurance of security as well as an outlet for aggression. In my experience, few things are more terrifying than being overtaken at warp speed by an enormous Ford Expedition driven by a housewife on a cell phone. The ultimate symbol of the militarization of the commute, of course, is the Cult of the Hummer, the combat vehicle introduced onto our roadways by Governor Schwarzenegger himself. A year ago, as fuel prices soared, there seemed a glimmer of hope that green hybrids might challenge the hegemony of heavy metal, but the transition will be slow. In the meantime, public transit plays a doomed game of catch-up with gridlock. Over the last generation, Los Angeles has expended billions trying to reconstruct a small part of the regional electrified rail system (largest and Best in the world in 1910) that our visionary politicians allowed to be dismantled in the late 1940s. The kindest way of describing the emerging system is that it fails the minimal test of a rational design, which is to connect the major nodes of work, travel and population. Although the new subway is popular, its construction was scandal-ridden and the line fails to reach any of the crucial hubs, from MidWilshire westward, The light-rail line from Downtown to LAX, meanwhile, stops far short of the terminals and is useless to most air travelers. The rail systems command large per-passenger subsidies that would have been better applied to modernizing the city’s overcrowded bus system. The main beneficiaries have been downtown real-estate interests who are finally achieving their dream of gentrification (and displacement of the poor), as well as relatively small numbers of white-collar commuters. Billions have been spent, but the impact on single-passenger car trips has been negligible. As a result, traffic will continue to strangle the region, while creating endless opportunities for demagogues to make inflammatory equations between declining physical and economic mobility. A favorite topic on AM ‘hate’ radio (we have many local versions of Rush Limbaugh), for example, is blaming Mexican immigrants for clogging the feeways as well as taking away jobs and wrecking the environment. As the new soundtrack to LA life becomes ‘I Don’t Get Around,’ the politics of traffic will be a lightening rod for all of our discontents.

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MELROSE AVENUE

“Nobody walks in LA”, says Missing Persons record hit. Thanks to its crowded pavements, LA has been considered, for three decades, home to everything ranging from trendy to kitsch. Today, luxury brands, intelligent business and cultural centers help renew the Big Worm. By Luiza Florence Photos Paulo Neto Welcome to Melrose, the legendary avenue that scars Los Angeles in its western side. Stretching out for about nine kilometers, the street cradles at the border of Beverly Hills and West Hollywood and meets its end at Silverlake. Melrose bears very particular traits. It is known for its stores and flow of people, putting together business and partying (from Santa Monica Boulevard to La Brea Avenue). It also has the power to gather different tribes together, turning a single walk into a whole day venue. Melrose was meant to be another ordinary street in LA, but in the 1980s it became a major hype. At that time, when punks spread out everywhere, Melrose was the place to find stylish groups. It was the spot where everything new began: tattoo shops, purple heads, edgy looks and people out in the streets till all hours of the night (quite uncommon for today’s way of life in Los Angeles, where every establishment closes its doors early in the evening and alcoholic drinks cannot be sold after 2 a.m.). In other words: the avenue was hot. The area hosted the best, if not only, vintage stores in town, besides putting together most antique décor shops in LA. It was also the place for underground pubs and rock bands, a mix of cafes and art galleries. Thirty years have passed, and the avenue has undergone dramatic changes. In spite of that, it never quite lost its charm. New establishments were open in the place of old shops and restaurants, helping the avenue keep up with modern times. It was the hotspot to new fashion designers who wanted to stay clear of the excesses at Rodeo Drive. About six years ago, renowned brands opened their stores at Melrose. At the beginning of the avenue stretch (with Santa Monica Boulevard) lies the new Balenciaga store, as a billboard announces Vera Wang is coming


into town, paparazzi eagerly seek out the famous celebrities in the area. Marc by Marc Jacobs, Diesel, Alexander McQueen, Paul Smith, Diane von Furstenberg, and several other famous brands are there. “We want to turn it into some kind of Rodeo Drive, only it is targeting cooler people”, says Paul Martino, 53, owner of Brad Butter. Luxury brands are looking forward to opening stores in less conservative areas, and thus they seek out Melrose. “From what I recall, we were the very first to open a big store here”, says Todd Asselmer, 37, manager to Marc by Marc Jacobs. “Before, there were only small antique shops and rents were quite reasonable. But fashion tapped into the place’s potential, and it was soon followed by others”. “The location is amazing: we are not far from Rodeo Drive, but we are not within the mess. This differential is what counted most when we decided to open a store here”, says Ronald Polanco, 34, manager to Alexander McQueen at Melrose Avenue, the only place where the brand has a store in Los Angeles. His opinion is reinforced by others’. “We indeed came after privacy”, says Emily Ng, from Oscar de La Renta, at the Melrose Palace, a complex that is also home to Sergio Rossi and Marni. “Everything here is more sophisticated. Rodeo Drive, on the other hand, is for tourists”, says Phoebie Gubelmann, PR to Carolina Herrerra. Amid big brands, there are charming design shops, snack bars and cafes (Urth Cafe and Pain Le Quotidien), tea houses (such as Dr. Tea), exotic bookshops (Bodhi Tree Bookstore), and others. There are even art galleries and the Pacific Design Center (or Blue Whale, as it is better known), a huge project built in 1975 that hosts more than two hundred furniture and accessories showrooms. The place has also served as stage to some shows and afterparties from the Oscar Awards. Lounges and clubs such as Villa, with Leo DiCaprio as a partner, dot the landscape. “We knew it would be hot… And, furthermore, the rent is quite more reasonable than in other LA districts”, explains Stephen Fernandez, 38, manager to a club that can host up to 150 people, having invested US$ 2 million to rebuild one of Melrose’s old buildings. “We are picky and demanding. Here is a refuge so celebrities have fun in peace”.

OBAMA ALL THE WAY! Past Fairfax there lies the other side of Melrose, one that still carries on the vibe from the 1980s and 90s. “On this side”, as the locals are used to saying, neon lightning makes it clear you are walking past the funky part of the Big Worm. “Here”, as opposed to “there”, stores are much smaller (although they do not lack the necessary style) and full of details. In the elegant side, stores close at 6 p.m., but here they stay open till 10 p.m. or even 12 a.m. The liquor stores work till 2 a.m. (abiding to California laws), while tattoo shops share the area. “We love to stroll down here, and we even made a tattoo of our school soccer team”, says Carly Butcher, 18. In the inner part of her lower lip, a tattoo reads “strength”. There are also beauty parlors and 1960s-styled barber shops, such as Rudy’s or Floyd’s Barbershop. Melrose might be split into different styles, but it is united by political views: throughout its whole stretch, Barack Obama is supported in nearly every shop. Mulberry, Marc Jacobs and Max Azria dress their mannequins with caps and shirts from the democrat. On the other side, vintage stores praise the black homeboy. Perhaps an American citizen coming from a different state might better understand the Melrose phenomenon. Chris Heyman, 43, owns two restaurants in the avenue, the Table 8, on “that side”, and the 8oz., on “this side”. Being completely different from one another, they are both booked solid everyday. “Melrose is a very special venue. I am originally from New York and when I established here I could realize the energy. I could have opened my business at any other avenue, but only here I found an everlasting flow of people. This street is alive”. Melrose Avenue: www.seeing-stars.com/shop/Melrose.shtml

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UTOPIA ON WHEELS Los Angeles is home to the world’s largest freeway system: 672 miles of lanes in the city landscape. This model of growth (that has chosen cars as a means of evolution) forces people to cover bigger and bigger distances. When everyone decides to go behind the wheel at the same time, the city collapses and becomes an ocean of cars. By Daniela Sandler There are five, six, seven driving lanes on each side of the freeway. When traffic goes well, a car can speed up to 75 mph. When there is a gridlock, an ocean of cars covers the huge and endless asphalt with metal and smoke. Everything in Los Angeles freeways is super dimensioned, gigantic, and monstrous. At the most well-known intersection, between freeways 105 and 110, there are five different levels of lanes up to 37 meter-tall. Inside a car in high speed, between the road and the blue sky above, one can easily imagine taking off at anytime. Seduction from freeways comes from the mix between nearly erotic power of cars and the limitless width of open spaces. There is something fascinating yet horrifying to this experience, something like a contemporary version of the absolute romanticism, which artists and writers from the 19th century found in abysses and mountains. The contemporary absolute cannot be found in the nature of the Alps, but yes in the artificial and mechanical landscape of South California, where the pioneer myth of America has come true in the shape of huge cities. With so much width to conquer about, why keep to the dense and conventional shapes of the city? Los Angeles spreads out nonstop, like an irregular conurbation of urban centers, hollow spaces and sparse suburbs that have been settled alongside the freeways. British critic Reyner Banham, who fell in love with the city and published the classic book Los Angeles: The Architecture of Four Ecologies, named the freeway lifestyle of “autopia”: an utopia of cars, a vision of a perfect world by means of individual limitless mobility. Banham divides Los Angeles in four areas, namely “ecologies”: the beaches, the mountains, the plains and the freeways. According to him, the freeways have so much presence they can be detached as a geographic entity by themselves. Banham also observed the importance of cars as elements of personal identity definition. He described cars as “masterpieces” and freeways as “galleries” where the artworks should come into exhibition. Banham published The Architecture of Four Ecologies in 1971 and died in 1988, but his predictions still take effect. Since 2007, one can take a bus trip named “Reyner Banham Loves Los Angeles”. Los Angeles is one of the clearest examples of the “Asphalt Nation”, described by Jane Holtz Kay in the homonymous book (Asphalt Nation: How the Automobile Took Over America, and How We Can Take It Back). The writer identifies the cars as an urban growth standard in American cities of small to medium size, but her ideas are also applicable to Los Angeles. At the dawn of the 20th century, when the western American development gained strength, cities such as Los Angeles offered immense and unexplored territory opportunities. The price of land was relatively low, thus facilitating the horizontal growth instead of the vertical one, which means, individual houses with gardens and yards instead of buildings and skyscrapers. This possibility, named sprawl, was only possible due to the individual transportation viability, through mass production of cars that could be bought even by the lowest income families. Cities that depended on public transportation, such as railways or buses, are usually located close to an immense infrastructure. In the case of individual transportation, however, the city is able to grow in all directions and inhabitants are able to easily come from and go to their houses. This mobility also brings about segregation between the city and its downtown area, usually devoted to commerce and


business, and the suburban areas, devoted to dwellings. This growth model reveals the importance of real estate conjecture as a main power, instead of public planning. When this took place in the 20th century, it only reinforced the combination between cars and suburbs. According to Kay, the lobby from car industries to empower the purchase of their products has allied itself to the oil companies’ pressure and public subsidiaries to open roads and freeways. In Los Angeles, things are even more complicated. The city is a center to a megalopolis – a gigantic net of activities, freeways, traffic and urban growth that spreads out to hundreds of miles in all directions, uniting not only cities, but also counties (administrative subdivisions in American states), such as Riverside, Orange and San Bernardino. The population in the area, according to a poll from 2006, is of nearly 18,000,000 people in about 88,000 km². So to have a clearer idea of Los Angeles thinning out, the Metropolitan Complex of Sao Paulo (Sao Paulo, Campinas, Sorocaba and Sao Jose dos Campos) has nearly 27,000,000 people in about 43,000 km². As a consequence of Los Angeles dispersion, people have to cover big distances between dwellings, work, services and entertainment areas. According to a US poll from 2000, 29% of 2 million people living in the county of Riverside work in different counties in the region – nearly 600,000 inhabitants. They add up to an ever growing legion of commuters that help turn Los Angeles into the most crowded area of the USA, according to Southern California Association of Governments (SCAG). The system is so flooded that, as a group, population loses 6 million of daily hours with delays and slow downs in the gridlocks – such time could be employed at work, leisure and several other activities. If things go on like that, SCAG forecasts that within ten years the average time to cover a given freeway distance will become three times slower. Besides the waste of time, the huge amount of cars in Los Angeles transforms the city into one of the most hazardous centers to human health. The landscaping does not help at all: the depression of Los Angeles basin and surrounding areas, such as San Fernando, helps accumulate pollutants. Atmospheric inversion increasingly becomes a more and more common event, leaving the city covered by a grey layer of smog. A recent study by the American Lung Association rates Los Angeles as the most polluted city in terms of hovering particles and ozone in the atmosphere. The result is a major increase in the risk of cancer, which has reached 1,200 additional cases per million inhabitants. However, according to the Southern California Air Quality Management District, that is an acceptable figure. If cars and land availability is the cradle of all problems, then one could think the best solution to Los Angeles is investment toward public transportation, specially in the shape of less pollutant vehicles – for instance, railways and subways instead of buses. However, “this solution would be the worst imaginable”, says James Moore, professor and director to the National Center for Metropolitan Transportation Research of the University of Southern California. “We have brought Los Angeles traffic system to the frame of calamity, thus bankrupting railway systems”. Moore explains that American cities are spatially dispersed. Car coverage areas spread out in all directions, such as our blood flow system. As opposed to that, railway and subway systems cannot offer either extension or flexibility in comparison to freeways. As a consequence, they end up wasting money and resources because they do not provide for a significant amount of the population (see interview below). But that does not mean we have to abandon the idea of mass transportation. The Metropolitan Transportation Authority of Los Angeles, which takes care of subway and buses in the city, disclosed a planning this year in order to improve experience in traffic and sustain the forecast growth of Los Angeles in the next 25 years. The plan, which will cost nearly US$ 150 billion, is still under evaluation by government. If it is put into practice, it will combine the outreach of mass transportation services to the investment in freeways and alternatives to individual transportation, such as

bicycle lanes. “Los Angeles was not built like New York City”, says Rick Jager, spokesman to the agency. “Freeways are a way of life. What we can do is offer alternatives so that people can start changing their behavior. How valuable is time for them?” In Los Angeles, people still value driving in a freeway on top of wasting time and acquiring health problems. Overcoming the car culture is not an easy task, not only because of the land space but also and mainly because of the individual mobility, the freedom to come and go in all directions, at any time. Thing is, when millions of individuals decide to put such freedom into practice at the same time, freeways get gridlocked and the idea of mobility becomes a nearly unreal achievement.

“IN THE USA, RAILWAYS ARE MEANT TO FAIL” James Moore is a researcher of urban transportation and systems, and also director to the National Center for Metropolitan Transportation Research of the University of Southern California. He answered some questions of MAG! via e-mail: ffwMAG! – Los Angeles traffic issues are well known to everyone. Is there any innovation in the way they are being assessed nowadays? James Moore – The most important change concerning public policies is that agencies are now willing to tax gridlocks (meaning, taxing drivers in the rush hours). When I take a freeway in the rush hours, I help make the traffic heavier, and I also pollute the atmosphere. These costs are very real, but I ignore them because I do not see the money coming out of my pocket. If we do implement a freeway intelligent taxing system, people will think twice before taking the freeways. They will think more about other people, and also about the environment. These taxes can help improve traffic and generate financial resources to upkeep and enhance freeways’ infrastructure. ffwMAG! – What are the main challenges Los Angeles traffic is going to face in the next years? Which can be the worst imaginable situation ever? James Moore – We need to act more intelligently and not waste money on systems that are clearly less efficient in terms of results. In the USA, in general, railway systems are meant to fail. If we stop wasting resources, we will have more money to carry out projects that can have real effects. In some places, railway does make sense. Say you have a lot of people needing to go from spot A to spot B, in that case the subway offers the best cost-efficiency balance. American cities are too dispersed. The worst imaginable situation ever is that we can and will ruin Los Angeles traffic system should we adopt railway as a means of transportation. ffwMAG! – Then what is the role of mass transportation in Los Angeles? James Moore – There is no secret in offering quality and attractive mass transportation resources. Its objective is to offer a minimal level of service to the maximum of people. It is a way of redistributing incomes, a way of ensuring good transportation to people that, otherwise, would not have access to it. The problem is this system is too precarious, as transportation companies end up being subsidized and protected from fair competition. It would have been much more effective to subsidize low income consumers instead of companies and open up the urban transportation market to private investors. We have failed greatly in the mass transportation systems simply because we insisted on failing. There is no political drive nowadays that can take actions to result in a better system for everyone. Reyner Banham Loves Los Angeles: www.esotouric.com/reyner / Southern California Association of Governments: www.scag.ca.gov / American Lung Association: www. lungusa.org / Metropolitan Transportation Authority of Los Angeles: www.metro.net / University of Southern California: www.usc.edu


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ilustração: RAFAEL PERA


Mag#11 Los Angeles