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COLORIDO Rosângela Miranda Luiza Trindade Morena Cardoso Sônia Guajajara Rita Lino Aline Bei Paulina Chamorro Camila Achutti Daniela Cachich Raíssa Rocha Machado Melanie Bonajo Tauana Sofia Verena Smit Viviane Sassen Slam das Minas Renata Peron Ryane Leão Tabata Amaral Bruna Bento Marcella Kanner Laura Zamboni Cassia Tabatini Yasmine McDougall Sterea

NÚMERO 01

UMA PUBLICAÇÃO FREE FREE

ANO 2020


SEM REGRA, TABU, SEM MITO DE MULHER PERFEITA


EXPEDIENTE Agradecimento: Riachuelo Eqlibri Pantys

Editora chefe e diretora criativa: YASMINE MCDOUGALL STEREA Editora de conteúdo e fotografia: CASSIA TABATINI

Apoio: Molsk, Dhonella, Editora DVS, ouieieee

Projeto gráfico: STUDIO OUIEIEEE Diretora de arte: LOUISE FRESHEL Designers: RAFAELLA ALIPERTI E FELIPE FERRAZ Redatora chefe: BÁRBARA DANTINE Produtor executivo: PEDRO VENTICINQUE Redação: PATRICIA SANTOS Produção de moda: MILENA RICCIARDI Audiovisual: WENDEL CASTRO

NÚMERO 01

UMA PUBLICAÇÃO FREE FREE

ANO 2020


COLORIDO

Carta da Editora Yasmine McDougall Sterea Mulheres são leoas, zebras, lobas. São plurais. Mulheres são perfeitas em suas imperfeições. Padrão? É algo que não existe. Hoje dissolve nas terras de Gaia e transcende no que chamamos de real. Verdade. Carne e osso. Não existe corpo perfeito, família perfeita, mães perfeitas.

Mulheres são quem elas querem ser. Em suas marcas carregam sua história. Em seus cabelos, suas raízes. Em sua pele preconceitos. Em suas diferenças encontram sua força. São coragem. Usam sua voz. Em uma reconexão eterna com sua verdade. Com seu coração.

Mulheres são quem são. Sem regra, tabu, sem mito de mulher perfeita. Esse mito não cabe em mulheres que se expandem. Que saem da caixa. Mulheres que voam e alcançam o infinito.

São potência. São mulheres de verdade. De carne e osso. Mudando o mundo. Hoje. Amanhã. A gaiola de ouro se abriu. Quem foi chamada de louca, hoje é chamada de livre.


TEXTOS CARTA AO PATRIARCADO

PÁGINA 014 A MULHER DO FUTURO

PÁGINA 030

SÔNIA GUAJAJARA

PÁGINA 052 VERENA SMIT

PÁGINA 056 SLAM DAS MINAS

NOSSO PEITO TAMBÉM CHORA

PÁGINA 032 PAULINA CHAMORRO

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PÁGINA 058 DANIELA CACHICH

PÁGINA 066 CAMILA ACHUTTI

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CARTA MULHER DO FUTURO

PÁGINA 104 ONTEM:LALA ZAMBONI

PÁGINA 126 MARCELLA KANNER

PÁGINA 136 MEIA-NOITE:ALINE BEI:

PÁGINA 080 CARTA PARA MINHA MÃE

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TABATA AMARAL

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O ADIANTE NOS ESCUTA: RYANE LEÃO

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ENTREVISTAS NÚMERO 01

ROSÂNGELA MIRANDA POR LUIZA TRINDADE

RAÍSSA ROCHA MACHADO POR FREE FREE

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UMA PUBLICAÇÃO FREE FREE

ANO 2020


EDITORIAIS

A=GENTE

MELANIE BONAJO

RIACHUELO+FREE FREE

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PARTES

TRIGGERS

VIVIANE SASSEN

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MULHERES NA LINHA DE FRENTE

RITA LINO

VESTIR DESPIR COLORIR

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A=GENTE

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#a_gente precisa começar a se olhar. Se olhar com respeito, com acolhimento, com amor. Se olhar com união. #a_gente precisa trocar ideias, conhecimentos. Mulheres e homens que juntos podemos unir forças para transformar nossa sociedade. A_gente acredita em um mundo melhor, onde todos possam viver com a liberdade de ser quem é, sabendo respeitar, acolher e principalmente aprender com as diferenças. A_gente acredita em sorrisos, em histórias de vida, em experiências que agregam, em afetos que transformam e em elos que curam. Não partimos do mesmo ponto, não temos os mesmos privilégios, mas a_gente tem esperança de ver um mundo melhor e seguimos em busca de uma sociedade menos desigual. A_gente é um manifesto do Free Free em parceria com o Núcleo de Gênero do Ministério Público de São Paulo, que aborda a equidade de gênero, desigualdade social e preconceitos de forma geral. Acreditamos que acolher as diferenças é um ato revolucionário e que a melhor solução para a sociedade é o respeito e empatia. Vamos juntas e juntos por uma sociedade sem preconceito de gênero e raça e por um mundo melhor para todos nós.


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Direção: Fotos:

Yasmine McDougall Sterea Tauana Sofia

Beleza:

André Mattos Raul Hollanda Jane Santiago

Produção executiva:

Renan Cavichioli

Produção de moda:

Milena Ricciardi Luiz Freiberger

Convidadas:

Izabelle Palma Nabyrie Francelino Priscilla Menuci Jonatas Ornetta Monique Lemos Brisa Flow Renata Peron Barbara Thomaz


CARTA AO PATRIAR-

Vem, quer chegar?

Esse espaço é sagrado. Não é meu, é de muitas. Antes de entrar, silencia, baixa o tom, se atenta… Presta atenção, pede licença.

Vem, pode chegar, mas escuta antes de falar. Aqui o seu lugar é onde sua virtude te coloca, então se apruma!

Suas projeções você deixa lá fora, faça o favor. Nessa sala de espelhos, tudo é reflexo. O que mesmo você vê? Mostra a sua cara, valente! Tira essa máscara, se assume em sua feiúra. Quanto mais você se esconde, mais testemunham sua amargura. Tá com medo? Pois o sinta. Aqui tem bruxa, puta, feiticeira, histérica, louca, tem macumbeira.


Vem, quer chegar? Esse é espaço sagrado, esses Esse espaço é sagrado. corpos tão blindados. Não é meu, é de muitas. Antes de entrar, silencia, baixa o Aqui não “têm que” nada não, meu sinhô. tom, se atenta… Não é a mesma lei, não é a mesPresta atenção, pede licença. ma regra, não é nem o mesmo Vem, pode chegar, mas escuta jogo. antes de falar. Aqui o seu lugar é onde sua vir- Tá confundido? Sempre foi... só tude te coloca, então se apruma! que agora tá exposto.

Estamos saindo dos escombros, dos buracos que você nos meteu. De tanto soterrar, não é que floresceu?

Mas veja bem meu sinhô, não precisamos de mártires não... isso é coisa de vocês: que gostam da dor, gozam roucos no sofrimento. Pra ti aqui não tem nenhuma, Suas projeções você deixa lá É da ponta da flecha que avança nenhuma a mais, nem a menos, o nosso rezo: com leite nas tetas, com ou sem intento. fora, faça o favor. Nessa sala de espelhos, tudo é punhos erguidos, olhos atentos, doces sorrisos. NENHUMA, entendeu? reflexo. O que mesmo você vê? É com os pés na terra que avança Esse espaço é sagrado, não é meu, o nosso rezo: plantando se- é de muitas. Mostra a sua cara, valente! Tira essa máscara, se assume em mentes, acordando adormecidos, cantando os novos tempos, Dissipamos a carência no enconsua feiúra. tro, suas migalhas não têm mais Quanto mais você se esconde, por descansos merecidos. encanto. Temos refúgio, estamos mais testemunham sua amarguNão estamos disponíveis aos mais fortes, umas nas outras, enra. seus desserviços. contramos nosso norte - ou sul, para nossa sorte. Pensou que Tá com medo? Sei dos seus fardos, das suas nos calaria? Pois agora aguente, Pois o sinta. Aqui tem bruxa, puta, feiticeira, dores, das suas feridas e desa- o grito aqui segue o fio que atravessa o silêncio hereditário de histérica, louca, tem macumbei- mores. Essa mente dura, essa existência nossas tantas avós. Não lembrou ra. imatura. como se faz? Tem quem não tá nem aí para o Deve ser cansativo portar toda essa armadura. Então vá, deixa a velha falar. que você quer ou pensa. Aqui tem santa, tem benzedeira... intelectual, revolucionária, tem mãe, filha, tem curandeira.

MORENA CARDOSO PÁGINA

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PA RT ES PÁGINA

PARTES

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BRU NA

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BEN TO

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PARTES é uma pesquisa documental. O intelecto se fundiu à intuição e floresceu a pesquisa visual externa que me leva para dentro. Não foi pelo viés acadêmico que essa busca se fez, não foi pesquisando outros artistas que fotografam pele. Foi e é uma imersão pessoal de autoinvestigação, surgiu do simples, no que o meu eu compreende por pele, o que sinto a partir da pele, o que essa pele conta e principalmente o que a existência dela no todo capta e eu não escuto pelos ouvidos ou consciência racional, e também o que recuso a compreender e sentir a partir dessa experiência em estar em uma pele. Hoje investigo outras peles com a permissão de outras pessoas.

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Portanto nunca foi do meu interesse mostrar as formas do corpo, os tamanhos variados e todas as características que de senso comum, entendem formar um corpo. Meu interesse foi sempre na textura, no que a marca e no que ela conta de história. Neste ano, me encontrei com uma palavra que define muito o que, e o porquê desse projeto ser dessa maneira. Priorizando uma foto simples, de um pedaço de pele sem necessariamente entregar de qual parte do corpo é. A palavra é INTEIREZA, a inteireza em ser o todo. Não somos uma soma de partes mecanizadas trabalhando de forma separada para nosso funcionamento, e por mais que essa série seja sobre partes, a intenção sempre foi mostrar a inteireza do seu ser sendo revelado em cada fragmento, e que cada parte é o todo. PÁGINA

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Somos um organismo vivo, dentro de outros organismos vivos e essa natureza potente e em constante transformação exige cuidado, autorresponsabilidade e respeito em toda sua inteireza e complexidade. As transformações constantes e persistentes acontecem, o tempo revela em harmonia ou desarmonia com o que a nutrimos. Seja visível aos olhos com o meu corpo ou o corpo do outro, ou a consciência que o compreende. Sem separações, vivendo a inteireza compreendo que o corpo está além da minha inteireza individual, percebo que estou absolutamente e inteiramente conectada a tudo e todos. Que o corpo é guia e mentor dessa jornada de relembrar, entender e conectar com a inteireza universal que existe neste pequeno fragmento que somos. PÁGINA

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A MULHER DO FUTURO

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A Mulher Renata A mulher do futuro é aquela que aceitação. A mulher do futuro lu identidade. Ela não está preocupa da foi subjugada, inferiorizada. Sempre podia falar, se posicionar, não ti mesmo lugar que o homem, quando E assim foram se passando os anos, bem alto pra todos verem e quei Hoje, depois de anos de luta, ain porém somos fortes, destemidas e toda, eu disse toda, mulher seja ela,


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do Futuro Peron não precisa de rótulo, padrão ou ta pelo reconhecimento da sua em agradar. Durante séculos a mulher a colocando como submissa,não nha direito ou voto, não sentava no menstruava era dita como impura. até elas dizerem chega e gritarem marem os sutiãs em praça pública. da não chegamos onde queremos, empoderadas. Iremos lutar até que travesti, trans ou cis possa ser livre.


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NOSSO PEITO TAMBÉM CHORA

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NOSSO Fotógrafa: Tauana Sofia

PEITO Autora: Cristina Souza

TAMBÉM Mãe Fotografada Cristina Souza

CHORA


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NOSSO PEITO TAMBÉM CHORA

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um corpo a serviço de outro. peito que transborda. que na ausência enche - de leite, de saudades. que dói e chora. de tantas e tantas formas. seios que alimentam o mundo. que faz nosso mundo esperar mais um pouco. é hora do mamar. que deixa pra depois: nosso sono, a saída, o almoço, o terceiro café gelado. que alimenta, acalenta. que persiste, ainda que o mundo, a indústria e o “dotô” diga que não. venha, deleite-se que meu leite é feito de amor e luta por mim por você, minha cria e por você, mulher que amamentou por horas a fio que chorou de dor com os seios dilacerados que sentiu calafrios por eles estarem cheios demais que sentiu medo quando eles não estavam; que fez um malabarismo pra equilibrar nenê, prato de comida, e toda essa nova vida que acordou 7 vezes essa noite que teve que parar para amamentar em público e percebeu que a cidade é excludente com as mulheres mães que voltou pra casa com a blusa manchada que voltou ao trabalho e teve que parar que levou até quando pode que escolheu não levar

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pra você, mulher para que não se sinta menos por não ter conseguido (porque o amor acontece de várias formas) meu peito aberto grita.

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NOSSO PEITO TAMBÉM CHORA

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NOSSO PEITO TAMBÉM CHORA

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Ensaio fotogrรกfico via FaceTime, devido ao isolamento social.


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Entrevistada e Modelo: Rosângela Miranda Entrevista e fotos: Luiza Trindade

A MULHER DO AMANHÃ

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Quando eu imagino a mulher do amanhã, eu penso na Rosângela. A Rosângela aos cinco anos teve que trabalhar para sobreviver, ela limpava casas em troca de um prato de comida. Os pais eram alcoólatras e nunca foram presentes. Ela largou os estudos muito cedo e faxinar casas virou sua profissão. A vida inteira ela escutou não.


A Mulher do Amanhã LT - Imagina não ter nada e nem saber se vai conseguir se alimentar no dia seguinte. Era assim que a Rosângela viva, ou sobrevivia, todos os dias.

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RM - “Eu não tinha nada. Sabe o que é não ter nada? Eu nem geladeira tinha. Todo dia eu me virava para conseguir alguma coisa para comer. Eu e meus irmãos pedíamos comida na rua. Aos sábados pegávamos a xepa e no domingo, o resto da feira. A gente seguia pessoas na rua, nossos vizinhos, para pedir pão duro. O pão ficava dormido e as pessoas jogavam fora. Nós pegávamos esse pão para comer e matar a fome. Foi assim que eu cresci.” COLORIDO

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A MULHER DO AMANHÃ

LT - Apesar de toda a dificuldade, a Rosângela se disse sim todas as vezes. Hoje, ela conseguiu alugar uma casa em que vive com seus dois filhos, realizou um sonho que era dar uma grande festa de 15 anos para a sua filha, com o dinheiro do seu trabalho, e nunca deixou faltar comida em casa. Para mim o amanhã é a Rosângela escutando sim, mas não só dela mesma. Em 2019 eu comecei um projeto fotográfico sobre dessexualização do corpo feminino. A proposta era fotografar algumas mulheres e entender como era a relação delas com o próprio corpo, promovendo uma aceitação. Foram seis mulheres. A Rosângela foi uma delas. Em nossa conversa ela me contou que só teve vontade de participar desse projeto porque hoje em dia ela se aceita por inteiro. Duas fotos que fizemos nesse ensaio foram selecionadas para o site da Vogue Itália. A Rosângela que escutou a patroa falar que ela nunca teria outra profissão porque era preta, e preta só servia para isso, teve sua foto selecionada para o site da Vogue Itália. Hoje, ela enxerga uma possível profissão de modelo.

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RM - “A vontade de ser mo delo veio por conta das fotos que tiramos, e eu gostei tanto que fiquei pensando se não poderia virar a minha profissão. Eu nunca tinha pensado que eu pudesse ser modelo, mas eu entendi que a cor da minha pele é bonita. E que meu corpo, gordo, é maravilhoso. Eu posso, sim, ocupar espaços que sempre me falaram que eu não poderia ocupar.”


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A MULHER DO AMANHÃ

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LT - Para tornar isto possível é preciso promover inserção e com isso caímos em questionamentos básicos. Quantas mulheres pretas, pobres e gordas estão modelando para grandes marcas? Quantas mulheres pretas e pobres estão ocupando novos espaços no mercado de trabalho? E quando eu digo novos, é porque o trabalho doméstico, infelizmente, é uma das principais formas de inserção no mercado de trabalho para mulheres negras. Eu mesma respondo: poucas, muito poucas. Não podemos esquecer que a primeira vítima de Covid-19 no Rio de Janeiro trabalhava como empregada doméstica, e pegou o vírus da patroa, no Leblon. Esse dado já mostra o racismo que muitas vezes existe dentro desta relação. Vidas negras realmente importam? Se sim, para quem? Porque não adianta promover discussão nas redes sociais, postar uma hashtag, se na prática não é feita qualquer mudança. Já passou da hora de nós, brancos, contribuirmos com a luta de emancipação dos negros, para que eles possam ocupar os espaços que historicamente já ocupamos há muito tempo. Nós precisamos ser aliados a essa luta, que é deles, mas não nos exclui. Isso não depende só de política pública, mas de decisões que devemos tomar, diariamente.

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RM - “O fato de eu estar ocupando novos espaços, faz com que outras mulheres como eu sintam-se representadas. Quero que elas pensem que podem conseguir também. Igual a Marielle, né? A Marielle era negra, veio de uma família pobre, e olha aonde ela chegou! Isso é o empoderamento negro. A gente olha e pensa: se ela conseguiu, eu também consigo!”

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LT - Marielle foi a única mulher declarada preta a ser eleita vereadora do Rio de Janeiro, um dado que nos faz menos democráticos. Precisamos eleger mulheres negras para o senado, precisamos de Marielle’s, Talíria’s, entre tantas outras. É necessário, também, questionarmos as marcas que consumimos, as empresas em que trabalhamos e, principalmente, a nós mesmos, todos os dias.

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RM - “Eu, sendo preta, vou ter sempre que me esforçar muito mais do que uma pessoa branca, mesmo que a gente tenha o mesmo nível de escolaridade. Eu falo sempre para o meu filho Ruan que ele pode tudo. Tudo que os brancos podem, ele também pode. Mas, realmente, ele vai ter que estudar, sempre, para ser melhor. Na hora que ele for competir numa oportunidade de emprego com uma pessoa branca, a pessoa branca sempre vai estar na frente dele, só porque é branca.”

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LT - Façamos então um amanhã mais justo para Rosângela e para todas as mulheres pretas do Brasil.

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RM - “Hoje, entendo que a mulher do amanhã possa ser eu. Eu que vim de uma família pobre, que sou preta e nunca tive oportunidade na vida. Eu sou guerreira. E com esta entrevista saindo, eu espero que outras pessoas comecem a abrir espaços para mim. Quero ter muito trabalho, oportunidades e conseguir voltar a estudar. E, principalmente, poder dar um futuro melhor para os meus filhos.”

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PAULINA CHAMORRO

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PAULINA CHAMORRO


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A mulher de um futuro que já chegou. As dores e traumas de um mundo desconexo com a natureza podem ser reparadas pelas mãos femininas. A mulher do futuro que já chegou cria pontes entre lados que podem caminhar juntos, como economia, ecologia, ética, respeito, igualdade, diversidade. Estimula a criação de uma nova consciência por uma sociedade mais justa e um planeta vivo. Não só porque ela pensa nas próximas gerações, mas porque entende que é o único caminho possível e se enxerga como protagonista desta virada.


Cuidar da terra é cuidar da vida Vivemos um momento crítico em relação ao meio ambiente. Além das queimadas, desmatamento, poluição e mudanças climáticas, percebemos que cada vez mais o tempo não está a nosso favor. Precisamos de uma mudança urgente para vivermos bem no planeta que é o nosso lar. Ser sustentável não é mais uma escolha, é imprescindível. Conversamos com a ativista e liderança indígena Sônia Guajajara que nos contou que cuidar da terra é a chave para vivermos com liberdade.

SÔNIA GUAJAJARA

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SÔNIA GUAJAJARA

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“A luta pela terra sempre foi a luta maior dos indígenas no Brasil. Sempre tratamos a terra como sagrada, como mãe, e nesse momento, a terra está totalmente ameaçada e nós estamos na linha de frente. Precisamos entender que a terra garante o sustento da vida, não só para nós indígenas, mas para toda a humanidade. Ela mantém a vida no planeta. Apoiar a causa indígena é apoiar sua própria existência. Essa pandemia pela qual passamos, assim como outras doenças e vírus que aparecem com frequência, estão ligados a essa exploração desenfreada da terra, desse uso predatório, da centralização na mão de poucas pessoas, tudo isso provoca desequilíbrio e a terra reage. Precisamos mudar essa forma de exploração e de produção para atender o poder econômico. Se a gente não mudar, todos corremos sérios riscos. A terra não é só um lugar, é um conjunto que inclui a água, o alimento, o ar, a chuva. Esse território, essa terra completa, é o que queremos para todo mundo. Que as pessoas possam ter liberdade, segurança e viver seu próprio modo de vida conforme sua identidade”.


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SLAM DA SLAM DA SLAM DA


AS MINAS AS MINAS AS MINAS


poema dedicado a marCo

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então foi assim que me decidiram: mulher minha mãe, minha avó, minha bisavó e todas as outras antes e depois. decidiram por elas? essa gravidade que me põe pra baixo foi ela quem decidiu? meu peito que cai? minha autoestima que vai? decidiram que seria eu. ou ela. a ser elas é essa escuridão? o medo? o medo com certeza tem a ver com isso. mas quem decidiu? os pintos introduzidos? o que realmente um falo faz na sociedade? mas quem falou: “é uma mulher” um médico obstetra? os filhos gestados, gerados e paridos? com ou sem apoio. quem decidiu? quem disse? o silêncio? o cuidado? quem me ensinou a ser mulher? quem decidiu minha sensualidade? ou sexualidade? quem falou dramáticas? essa situação foi decidida por quem? a fêmea lá na natureza é a mulher? será que fêmeas bichos têm mais escolha que mulheres? tratadas como bicho ainda somos as fêmeas parideiras? parindo filhos e criando pais? quem decidiu a erosão dos nossos corações? porque coração de mãe tem que caber um mundo? fraca e feroz? é assim? decidam-se! seremos mulheres sociáveis. ora se não. se morrer me fizer uma mulher melhor. serei essa. afinal chorar a morte de mulheres é o que temos feito. mas me diga a partir de qual momento decidiram que carregar tantos nos faria mulher? nos faria descartável? nos faria menores? preciso decidir nesse mês, afinal trinta e um dias passam rápido. cuidadosamente preciso ser “a mulher” para felicitações. março chegou e sendo ELE até esquecemos quem decide tudo por aqui.

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quem ouviu falar delas? mulheres coloridas made in america latina nossas veias que nunca fecharam ainda jorram de outros tempos, outros choros, outras mulheres e o mesmo pulsar as pernas cortadas pelo estatuto da dependência nos fez latinas las chicas esquecidas nesse sopro de mundo quem será que secará o sangue quem dará moradia, comida, respeito quem estanca o peito? terceiro mundo ainda trilha um abafar de vozes agudas santa madre que nos guarde, no útero filhos ingratos essas mujeres que carregam um continente frutificam e escorrem um corpo novo pelas suas vaginas trancafiadas por bancadas mas meus dedos que cavam essa terra não conhecem tua pólvora não tocam teu deus e essas milhares de pedras atiradas em meu peito.mira os ventres queimados de sol hay que lavar. passar. cozinhar. todo dia uma revolução mas minhas tetas secas hoje impõem o meu alimento meu corpo. sin perder la lucha. - nossa fala não é feminina. é bicho feito de riscos de caneta e memória. porque é tão difícil de entender américa abaixo da sua não é escória minha vagina não pede escolta e a história do mundo saiu de um útero.

Pam Araujo

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MULHERES NA LINHA Mães. São aquelas que cuidam, doam, acolhem. São coragem. São força e propósito. Mães na linha de frente. Salvam vidas. Ultrapassam o medo. Respiram. Entregam. Pela humanidade. São Mães. Mulheres. Heroínas.`

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MULHERES NA LINHA DE FRENTE

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“Não se nasce mulher, torna-se mulher”, Simone de Beauvoir É com essa frase que começo a refletir sobre o papel que temos, a importância de descobrirmos a nossa essência, o nosso propósito e o entendimento da forma como queremos impactar o mundo. Dos 5 aos 20 anos eu fui bailarina. Aliás, acho que ainda sou bailarina. Atualmente, danço com os olhos. Fecho meus olhos e eles me transportam para a sensação que tive durante 15 anos, toda vez que eu subia em um palco. O Ballet me moldou. Moldou o meu corpo e a forma como encaro a vida. Me deu resiliência, me ensinou o poder do coletivo, a dor, os pés em carne viva e necessidade de dançar como uma pluma, mesmo com os pés sangrando. De alguma maneira eu trago isso para mim hoje. Por trás das conquistas que tive na vida, que de fora parecem que foram fáceis, teve muito esforço, muita dor, muito choro, muita dedicação.

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DANIELA CACHICH

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E foi assim que eu fui me tornando mulher. Uma mulher que aprendeu que é preciso se colocar, ocupar seu espaço, usar sua voz e seu lugar de privilégio para poder abrir caminho para que outras mulheres venham na sequência. Que muita gente vai tentar te colocar pra baixo, dizer que você não está pronta, que você não tem potencial, que você chegou ao seu máximo. Mesmo você sabendo que seu potencial é muito maior. Eu aprendi a não deixar ninguém me colocar em um lugar que eu sei que não é o meu. Quando eu sei que posso mais, eu simplesmente olho para frente e sigo minha jornada. Da mesma maneira que eu colocava uma sapatilha para subir no palco. Mesmo sabendo que iria doer, que seria desconfortável, eu subia, porque eu sabia que quando eu terminasse aquela coreografia, a sensação de provar para mim mesma que eu havia conseguido, era algo que me fazia todos os dias querer mais.

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A maturidade faz isso com a gente. Nos preenche de uma maneira que nos empodera. Na verdade, nos faz enxergar o poder que temos dentro da gente. O poder que somente uma mulher saberá o que é. Desde sempre estamos desafiando o “status quo”. Estamos mostrando que o nosso lugar é onde quisermos chegar. Que a nossa presença em determinados lugares já é um desconforto. E isso é o que faz com que a presença de uma mulher seja tão transformadora. Hoje me sinto mais confortável com esse lugar. O lugar de uma mulher que entende que seu papel é abrir caminhos para que mais mulheres possam atingir seu máximo potencial. Para que mais mulheres tenham oportunidade (palavra que nunca foi tão importante) e que possam continuar a jornada que não começou comigo, começou com Simone, Virginia, Frida, e tantas outras. Uma jornada que precisa ser coletiva e não individual.

Por muitas vezes fui a única mulher naquela reunião, a única mulher naquele painel, a primeira mulher a ocupar determinada posição e por muitas vezes também fui questionada como era estar nesse lugar. Demorou para eu entender o tamanho da responsabilidade que é ser mulher e mais do que isso, a responsabilidade de inspirar e impactar outras mulheres.

A mudança é inevitável, o crescimento é opcional. Frase da bailarina que mora dentro de mim.

Daniela

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CAMILA ACHUTTI

Tecnologia

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Massalia

Naef podemos mais delegar nossa

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isao e intervene 2020

1880 e sa

Livre

Dict Ilia a poesia u use a intervengai corrente como crispin apai para a

Tua

Pasias

computacionais

da Mastertech enritas porFabio Ribeiro e Intervengies deCamila Achutti


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cassia tabatini

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TRIGGERS


O que te move? O que desencadeia uma reação? O que te dispara nesse mundo? A vida é uma queda livre de emoções e sensações, as quais experimentamos através do nosso corpo. Corpo esse que tem marcas, cicatrizes, que nos impulsiona e que às vezes falha. Temos cores diferentes. Tamanhos diferentes. Somos novas. Somos velhas. Esse corpo que tem o poder de gerar uma nova vida, que amanhã terá seus próprios medos e ambições. Somos perfeitas? Não. E nem devemos ser. Somos perfeitas com nossas diferenças e potência de transformar nossa realidade. Qual o seu gatilho? O que você precisa libertar em si? Se questiona. Transforma. E vem.

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Direção:

Yasmine McDougall Sterea

Fotos:

Cassia Tabatini

Beleza:

Branca Moura

Assistente de beleza

Mayara Aleixo

Produção executiva:

Pedro Massari

Produção de moda:

Milena Ricciardi

Set designer:

Marcelo Jarosz

Convidadas:

Mona Rikumbi Beatriz Gremion Rosa Saito Jessica Lopes Raynara Negrine Alexia Duttra

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BRASIL, 08 DE MARÇO DE UM FUTURO LIVRE. PÁGINA

TABATA AMARAL

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Organizamos movimentos para eleger mais mulheres e denunciar cada abuso. Elegemos a primeira mulher indígena como deputada federal e fomos ultra-

Mulheres de 2020, esse é um convite a um futuro livre. Sigam, por todas aquelas que as antecederam e por todas que ainda virão.

Com carinho, Mulheres do amanhã

TABATA AMARAL

passando cada uma das barreiras que, até então, impediam sistematicamente que negras, periféricas, transexuais, mulheres com deficiência e tantas outras tivessem o seu direito à participação política plenamente garantido. Fortalecemos a bancada feminina em um Congresso majoritariamente masculino e, com o Quando passamos a poder votar e ser apoio da sociedade, aprovamos leis que eleitas, porém, vimos que ocupar o nos- contribuíram para que mais mulheres so lugar na política não seria nada fácil. chegassem lá. Tivemos que enfrentar inúmeras tentativas de retrocesso que queriam, entre Hoje, somos mais da metade dos paroutras coisas, o fim das cotas políticas lamentares e dividimos a construção de de gênero, assim como assédios e ata- um país mais justo, desenvolvido e étiques mentirosos que buscavam intimidar co com os homens. Alcançamos a parias candidatas e encurtar a vida pública dade salarial e, para além de quererem das eleitas. No entanto, seguimos. Mar- ser políticas, nossas meninas também se chamos por nenhum direito a menos e inspiram em nossas CEOs, engenheiras e contra o racismo. Choramos juntas pelo cientistas. Nós tínhamos razão quando assassinato de Marielle Franco e apren- dizíamos que, com mulheres no poder, meninas voltariam a sonhar. demos a transformar a dor em luta. Escrevo para as mulheres de 2020 sobre a luta pelo nosso lugar na política. O movimento sufragista brasileiro era acusado de ser composto por feministas radicais e rebeldes. No entanto, foi por causa delas que, em 1934, o direito ao voto feminino foi finalmente reconhecido.


Carta da Mulher do Futuro Lembro do tempo quando a mulher apanhava. Quando a mulher era estuprada. Quando a mulher morria na mão de homem. Mas isso acabou. Como podia acontecer tal loucura? Era aceito. Como se fosse nossa a loucura ou mesmo a culpa. Pela roupa que eu usava. Pelo batom que eu passava. Pelas coisas que eu falava. Como assim? Não poder falar? Não poder escolher? Mas essa era a realidade. Não só minha, mas das mulheres do Brasil. Meu dinheiro ele também controlava. Minha conta ele acessava. Eu perdi toda minha força. Identidade. Autoestima. Quem era eu? Mas eu lutava para um dia tudo acabar. Eu lutava pela minha filha e filho. Por isso mulher de ontem se liberte. Não aceite mais. Lute. Porque amanhã isso tudo irá passar.

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CARTA DA MULHER DO FUTURO

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Eu acredito. Eu sou você amanhã.

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ONTEM:

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eu dormi sem camiseta e senti os mamilos no lençol depois de muito tempo. quando tinha sido a última vez? a madrugada bate nas costas nuas e arrepia o passado que se acumulou na pele. o travesseiro com o cheiro familiar, a vontade de nunca mais voltar. fechos, camadas, vergonha, hormônios, quando tinha sido a última vez? meu teto não é mais o mesmo, há quanto tempo não olho para o céu? lembra aquele dia que tiramos o biquíni para tomar sol?

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LAURA ZAMBONI

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amanhã vou finalmente te contar tudo.

a quebra entre a noite e o dia é um dos lugares em que mais gosto de estar. “não é um convite, é um encontro” alguém me diria. eu concordaria. uma janela que aparece de repente. a pele interna do braço toca a pele da lateral do peito, ali, perto da dobrinha da axila, e sinto, pelos dois lados, o beijo entre as duas. liso, quente, seguro, meu. o calor desliza até o coração e esquenta a memória. as partes eram uma até outro dia, na barriga da minha mãe. e elas ainda adoram se encostar. tratos, sangue, o peito subindo e descendo. o futuro está dentro de nós o tempo todo. quando foi a última vez?

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O ATO DE VESTIR. É O ATO DE CONSTRUIR. EXPANDIR. TRANSFORMAR. TRANSFORMAR O CORPO. A VISÃO. DE SI E DO OUTRO. É DIZER AQUILO QUE ACREDITA SEM PRECISAR USAR O SOM. É VESTIR O QUE ACREDITA. VESTIR A CAMISA.

POR UM MUNDO ONDE A MULHER É LIVRE. LIVRE DE PADRÕES, PRECONCEITOS. LIVRE DE MUROS. UMA MODA QUE CURA, QUE EXPANDE. QUE VESTE A MULHER LIVRE.

AQUI UMA RETROSPECTIVA DE QUEM VESTE A CAMISA FREE FREE + RIACHUELO


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Direção:

Yasmine McDougall Sterea

Fotos:

Cassia Tabatini

Beleza:

Branca Moura

Assistente de beleza:

Lita Filiê

Produção executiva:

Pedro Massari

Produção de moda:

Milena Ricciardi

Modelos:

Clara Moneke Loiane Bienow

Artistas das camisetas:

Paula Hemm, Stephanie Medeiros, Manu Cunhas, Luiza Mussnich

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o d ia l a o o d p lia m a o te p o em d o t d r a i o l e rd a o z p em fa aze t o f zer d do a fa i l a o p m e t fazer do fazer do te mpo aliad faze o faz r do tem er po a do liad tem o po ali ad o

Marcella Kanner

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do ia al o po liad m te oa o mp r d te ado o ali ze do fa er emp faz r do t faze o fazer do tempo aliad faz fa er do temp o a l faz zer d i a do o e t e r m d p o o

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o d m a li te a o o p d m r e t o e do d a i z l oa p fa zer m fa er do te faz fazer do tempo aliado fazer d faze o tempo aliado faz r do tem er po do alia tem do po ali ad o

Vivemos tempos de reflexĂŁo e eu tenho feito isso diariamente. Nossa vida sempre foi corrida, com mil afazeres e pouco tempo para nĂłs mesmas quando mais precisĂĄvamos drasticamente de uma pausa. PĂ GINA

MARCELLA KANNER

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Para algumas de nós o ano foi justamente sobre isso. Pausar, respirar, se reinventar, aprender novas formas de produzir. Para outras está sendo um momento da mais absoluta sobrecarga. Nunca antes misturamos tanto os horários da vida profissional e pessoal. Muitas mulheres talvez até se orgulhem de conseguir fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Uma errada glamourização de ser multitarefa. Muitas de nós (inclusive eu) gostamos de nos ver assim, com uma capacidade quase sobrenatural de dar conta de tudo ao mesmo tempo e fazer um verdadeiro milagre com as finitas horas do dia. Mas a que custo?   Hoje eu compreendo muito bem o termo “multitarefa danosa”, porque ele é real e só nos faz mal. Nós não estamos realmente executando várias tarefas ao mesmo tempo. Na verdade, nosso cérebro está começando e parando várias atividades o tempo todo, e poucas coisas são mais estressantes do que isso. Inclusive precisamos ressignificar as tarefas, algo que soa como um fardo, para atividades que podem e devem ser positivas. Precisamos passar nossas valiosas horas sentindo que estamos fazendo algo de valor, que acrescenta e não apenas obrigações das quais queremos nos livrar o mais rápido possível. Quanto do seu tempo você está de fato vivendo? Porque no fim das contas é isso, precisamos viver o dia, não sobreviver a ele.   Sei que no atual cenário, com muitas de nós com os filhos em casa, tendo que ajudar na escola virtual enquanto fazemos reuniões intermináveis pelo Zoom, ter foco e essa necessária leveza é algo quase utópico, mas acredito que ter a consciência de que ser supermulher e multitarefa não ajudam em nada é o primeiro passo.   Eu tento planejar meu dia em janelas de 20 minutos ou uma hora para executar uma tarefa específica em cada uma delas. Muitas vezes sou interrompida e preciso adaptar meu planejamento. Essa organização, que permite que o planejado aconteça ou se adapte, é o que faz os dias serem mais produtivos e felizes.   Também é fundamental escutar nosso corpo e mente. Aprendi a respeitar o meu período produtivo diário. Para mim, funciona bem começar meu dia bem cedo porque depois das 18h já fica mais difícil conseguir me concentrar e executar atividades importantes. Isso é diferente para cada uma de nós, mas quando você tenta executar tarefas por períodos muito longos acaba extrapolando sua “janela produtiva” e a sensação é a de que trabalhou muito e produziu pouco - frustração pura.   É época de muito trabalho, mas também de pensarmos sobre a forma como trabalhamos, como planejamos melhor nossas horas e com quem dividimos as nossas responsabilidades. Não precisamos, nem devemos, dar conta de tudo sozinhas. Tem dias que dá muito certo, outros nem tanto, mas desde que entendi isso, minha relação com o tempo mudou e estou me sentindo mais realizada e feliz. Mais leve. Quis dividir isso com vocês para, quem sabe, ajudar nessa reflexão que é de todas nós. Faça do tempo seu aliado. Viva, com qualidade, todo dia.

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meia noite

éramos apenas um casal olhando o mar esperando o próximo ano, talvez um pouco mais vagarosos do que os outros casais com taças e rosas para Iemanjá. qualquer um ali poderia morrer nesse próximo ano que começaria em minutos poderia perder um ente querido ou alguma coisa inclusive dentro de si, mas ainda não e nós dois de costas pra tudo isso, alheios feito uma árvore. acontecia na parca distância entre o meu corpo sentando e o seu corpo sentado algo forte e por isso invisível, quem sabe o mar pudesse dar nome ao que nos acontecia, poderia ser, e eu gostaria de sussurrar isto, porque dizer a palavra já é perder a palavra poderia ser a

tínhamos combinado de assistir os fogos mas não esse silêncio, estava tudo dito e calmo entre nós. enquanto isso as pessoas conversavam e o que é conversar se não uma tentativa de deixar um pouco nosso o quarto de um desconhecido. as vozes elas iam ficando cada vez mais nas nossas costas parecia que eles estavam celebrando um ano que já passou 1996 num filme gravado em super 8 desses que a gente coloca no natal e a família assiste alguns choram eu não. estar ao seu lado na praia era o melhor que já tinha me acontecido apesar de saber que hora ou outra a gente teria que voltar para o hotel. porque não existe ficar pra sempre e ainda que tivéssemos essa coragem: chegaria o momento em que a nossa ( felicidade? )

felicidade ?

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ALINE BEI

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se transformaria em outra coisa só porque um pássaro voou baixo demais e o mar sentiu o cheiro da ave e a ave sentiu o cheiro do mar e de repente migraríamos para a nossa infância você se lembraria da sua mãe bêbada no primeiro natal que ela passou sem teu pai eu me lembraria do avô que me tocou a calcinha e de uma festa anos depois o vô já morto que eu não fui, não pude, e lembraríamos dos amores que tivemos, dos términos, cada um deles e todos juntos nos trouxeram até aqui na praia onde já não estamos porque é humanamente impossível permanecer no agora por muito tempo assim como a palavra, nós somos feitos de deslizes, de fugas,

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Cada jornada é única, com seus des caminho que tomamos era aquele que está justamente em descobrir quem aparecem. Com a Raíssa foi assim. sonho durante a infância. Mas com in ela abraçou o caminho e, hoje, com nos Jogos Parapan-Americanos de Atletismo de Doha (2015) e Jogos Para conquistou uma medalha de ouro. lançamento de dardo, têm sido um Raíssa soube se reinventar. Sua histór sentir bonita e entender que estar em uma má formação congênita não a tor é capaz de realizar tudo aquilo que Para a mulheres do futuro? Raís Veja como foi o papo PÁGINA

RAÍSSA ROCHA MACHADO

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afios e recompensas. Nem sempre o queríamos desde o início, mas a beleza somos a partir das oportunidades que Ser uma atleta paralímpica não era seu centivos de treinadores e professores seus 24 anos já representou o Brasil Toronto (2015), Mundial Paralímpico de pan-Americanos de Lima (2019), onde Os treinos de sua modalidade, o desafio agora com a pandemia, mas ia passa por aprender a se amar, a se um a cadeira de rodas por conta de na menos completa. Hoje ela sabe que deseja, e que isso só depende dela. sa quer mais união e aceitação. com o Free Free: PÁGINA

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Free Free entrevista Raíssa Rocha Machado Como descobriu o esporte? Eu sempre falo que foi o esporte que me descobriu. Comecei por acaso, no começo não queria. Rejeitava os treinos, mas os professores que Deus colocou na minha vida sempre me incentivaram para eu seguir esse caminho. Hoje sou muito grata a eles, mas foi uma luta grande. Para mim, eu era a única cadeirante do mundo. Não conhecia outros deficientes. Os que eu vi eram pessoas mais velhas, que ficavam dentro de casa. Eu era bem mais nova, tinha uns doze para treze anos. Comecei na ginástica e meu treinador me incentivou a fazer o esporte (lançamento de dardo). Me falavam que eu nasci para ser atleta e que eu ainda ia agradecer por isso. Hoje de fato eu agradeço.

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Que recado você daria para meninas que queiram trilhar um caminho semelhante no esporte? Ou que mensagem daria para um menina que tem dificuldades em se amar? Deficiente ou não, a gente passa por isso. É normal. Eu não sabia que eu era normal, não me aceitava, não queria saber de mim, não gostava de mim, do meu cabelo, da minha cor, de nada, me sentia um monstro. Achava que não tinha lugar nesse mundo e até tentei me matar. Eu vejo agora o quanto eu mudei quando comecei a me mostrar para as pessoas no Instagram. É muito bom ouvir que você é linda, mas às vezes, quando estamos naquele momento em que a gente não se aceita, o elogio fica diferente. Você pensa “a pessoa está me chamando de linda mas eu sou horrorosa”. O esporte me trouxe independência. Eu moro sozinha, sem a minha mãe, lavo roupa, cozinho, posso ter filhos, e também trouxe a minha aceitação. Me fez crescer como atleta e como mulher. Hoje me aceito e tento aprender comigo, descobrir o que gosto e o que me representa ou não. Em muitas coisas a gente tem que se conhecer. Ainda falta isso para as meninas de hoje. O recado que eu deixo para todas que querem seguir o esporte ou qualquer outra profissão é que basta lutar mesmo. Querer e realizar. Quanto mais a gente luta, mais sonha e mais realiza. E quanto mais a gente realiza, mais a gente sonha. A mulher tem que ficar do jeito que ela gosta, se aceitar mais, se olhar mais. Quando estou descabelada me olho no espelho e me acho linda. Não estou nem aí. Sou eu, sou assim. Não é todo dia que estou com maquiagem. Acho que a mulher tem que se aceitar e largar de querer competir, querer ser mais bonita que a outra. Você tem que ser você, se amar do jeito que é. Quer colocar silicone ou fazer outra cirurgia, faça por você, não pelos outros. Eu me aceito, sou forte, sou cadeirante, tenho as perninhas tortas, cabelo cacheado, sou negra. Quero e tenho que passar essa mensagem. Não tem que pensar em quem é mais linda, mas saber que são belezas diferentes.

Como é a mulher do futuro? O que precisamos conquistar? Espero que as mulheres fiquem mais unidas, se ajudem. Se eu morrer e nascer de novo queria voltar deficiente com uma deficiência nova para aprender mais. A mulher do futuro não é a Mulher-Maravilha, é a gente mesmo, se aceitando, se valorizando, não deixando homens ou outras mulheres te abalarem. Precisamos parar de olhar foto editada no feed e querer ficar igual. Pode ser gordinha, magrinha, fortona, cadeirante ou amputada, a mulher do futuro deve se aceitar do jeito que é. Já ouvi “você é tão linda, mas está em cima de uma cadeira de rodas”, aliás sempre escuto isso, mas eu posso ser linda em cima da cadeira de rodas. O que tem a ver? Faz parte de mim. Eu brinco que mulher compra sapato para ir nas festas com um vestidão. Eu compro cadeira. Só muda isso, esse detalhe.

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Vivemos em uma sociedade que de forma geral é competitiva e que cobra da mulher que ela seja competitiva, que dê conta de tudo, que normaliza a jornada tripla. Isso afeta muitas pessoas. Como você acha que o esporte ensina a lidar com a competitividade de forma mais saudável? O que o esporte pode ensinar para mulheres no geral? No esporte, infelizmente, o número de mulheres ainda é muito pequeno. Mas as mulheres estão dando conta do recado, vieram para ficar. Isso é muito bom. As poucas que tem, estão sabendo lidar com isso. A gente mulher já tem esse negócio de ser competitiva uma contra a outra, e era difícil ver mulheres unidas. Hoje não, uma torce para a outra, não torce contra. Eu sempre tento fazer o meu melhor e ajudar, compartilhar o meu conhecimento. Às vezes a pessoa precisa de uma técnica e eu ensino mesmo na hora da competição. Lidar com essa competitividade é normal porque sou atleta e preciso competir contra alguém, preciso ganhar, mas não preciso não ter humildade para enxergar que aquela outra pessoa, outra mulher, pode precisar de um toque meu. Sempre vou ajudar independentemente de estar competindo. E temos que levar isso para a vida. Muitas pessoas dizem que as mulheres se vestem para competir com as outras. A gente tem que se vestir para nós mesmas, não para competir, para chamar atenção. Temos que nos sentir bem. É muito gratificante que em pleno século 21, em plena pandemia, estamos aprendendo muita coisa.

Ter pessoas com deficiência na mídia pode contribuir para dar visibilidade e reduzir o preconceito? Você sofreu preconceito? Acho muito importante dar voz, conseguir mostrar que não é só o esporte olímpico, mas tem o paralímpico que ainda é desvalorizado. Precisa ter a mesma valorização. Sobre preconceito, tem momentos que você pensa “nossa, isso aconteceu comigo real?”. Você não espera que poderia passar por aquilo. No meu caso foi bom para o meu crescimento. Estava em uma competição muito importante e uma rodinha de amigos homens estavam falando mal de umas meninas. Eu não curti isso. Me fez tão mal e bem naquele momento que eu tinha que estar focada na minha competição, porque o psicológico demanda muito. Depois não consegui olhar na cara de nenhum deles e eram amigos que eu confiava. Está devagar, mas o mundo está evoluindo. Acontece isso de ter preconceito, de um falar mal do outro. No meu caso, a minha deficiência faz parte de mim, se eu não tivesse ela não seria atleta. Tem gente que pergunta “Raíssa você não tem vontade de andar?”, e eu respondo que não, porque eu nunca andei. Não foi algo que eu experimentei, não tenho aquilo que as pessoas que andam e depois viram deficientes têm, uma memória. Eu nunca tive. Acho que hoje tem alguns preconceitos, mas eu não dou a mínima, porque não acrescenta. As pessoas que me faziam mal antes, hoje consigo lidar. Eu não pararia de conversar com as pessoas, mas eu daria uma lição de moral. Hoje, com aquele grupo de amigos, nós nos acertamos, pediram desculpas, mas fica uma cicatriz.

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Qual foi o maior desafio que você já teve que superar? Foi nas paralimpíadas de 2016. Mas aprendi muito, comecei a dar valor para as coisas ali. Eu sempre ganhava medalhas, sempre trazia algo, mas lá foi diferente das outras competições em que eu não treinava e não me dedicava, porque não gostava. Eu estava treinando que nem louca, queria ganhar, mas não foi como imaginava. O psicológico estava abalado, o dardo não ia. Nunca aconteceu aquilo, de entrar na prova sabendo que ia perder. Chorei no meio da prova. Foi um baque muito grande. Voltei para a minha cidade que na época era Uberaba e achei que ia entrar em depressão. Não queria mais ser atleta. Meu treinador falou comigo, que era normal perder, mas essa derrota foi tão dolorida porque eu perdi para mim mesma, não podia culpar ninguém além de mim. Em 2017 treinei muito, com custo. Estava indo mal em todas as competições, mas foi diferente, não deixei o psicológico me abalar. No fim do ano, na última competição, falei para o meu treinador que ia fazer mais de 20 metros na prova. Ele disse que se eu chegasse a 20 já estaria ótimo. Eu fiz 21 metros e 11 centímetros, quase bati o recorde das Américas naquele dia. Foi quando eu percebi que basta querer e lutar que você consegue. Depois dessa competição recebi o convite para treinar no centro de treinamento de São Paulo, passei por todo o processo de morar com um colega, não dar certo, e depois morar sozinha. Passei por uma questão financeira difícil e depois comecei a crescer no Instagram e aí as portas se abriram. Abriram também depois da entrevista da Glamour que contou quem sou eu, minha história. Aí comecei a realizar sonhos que tinha desde pequena, como ser modelo. Fui modelo e desfilei, foi muito gratificante.

E como estão os planos para Tóquio em 2021? A gente estava com foco total antes da pandemia, para conseguir o índice para poder ir para Tóquio. A competição seria em março, mas foi cancelada. Achávamos que a pandemia ia ser coisa de 15 dias, que era só esperar passar e voltar. Acabamos ficando seis meses fora de casa, muitos voltaram para suas cidades, para ficar com a família. Quando recebemos a notícia que não ia ter nem olimpíada nem paralimpíada, foi um alívio e tristeza ao mesmo tempo. Alívio porque não estávamos treinando, sem a estrutura do CT, e tristeza porque queríamos muito ir, mas não tinha outra saída além de se cuidar e ficar em casa. Muitos de nós começaram a treinar com o que tínhamos em casa. Um amigo meu que está em outra cidade fez uma academia basicamente inteira de cimento para treinar. Eu que sou cadeirante, não tenho mobilidade para fazer isso, mas consegui treinar do meu jeito também, com garrafa pet, tijolo, foi bom que aprendemos a se virar e nos manter ativos. Sentimos saudade da estrutura que é fornecida para nós, atletas. A pandemia pegou a gente de surpresa, mas trouxe coisas boas também. Pessoas que nunca acharam que iam conseguir trabalhar de casa, fazer outras coisas, conseguiram. Cada um se descobriu. Pessoas que tinham medo de trabalhar com outras coisas, montar loja, começaram a fazer seu próprio negócio. Mostraram que o brasileiro pode muito mais em um momento difícil. Sabemos nos reinventar.

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Carta Para Minha Mãe A era da eterna padronização da mulher está acabando. Hoje vivemos um mundo de transformação. Os muros que nos cercavam desmoronaram, a terra virou de cabeça para baixo, a gaiola de ouro se abriu. As mulheres começam a perceber que são elas que decidem suas vidas. A loucura mudou de endereço. A brisa do vento voltou a refrescar a pele. A beleza transmutou. O diferente hoje é aplaudido. Não existe mais o fora do padrão. Afinal, quem decidiu esse padrão? Aqueles que ainda pensam como antigamente sofrem e lutam para o velho se tornar o novo. Mas isso já não tem mais como. O mundo mudou. A nova era chegou. Quem não deixar escorrer conceitos ultrapassados do que é certo e errado sofrerá. Essa será a nova loucura. Tudo o que, em algum momento, a fez se sentir presa é hoje o que a faz voar. Trecho do livro Eu Decido Ser Eu

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O adiante nos escuta Ryane Leão

pretinha, a primeira coisa que gostaria de te dizer hoje é que ainda temos muito pra existir você sabe que eu já te disse isso antes mas tempos pesados tendem a roubar palavras que custamos a memorizar pretinha, o reinado inesgotável que te habita me pediu pra te contar ninguém pode te tirar a sua grandeza ancestral a forma como as suas raízes te chamam pra dançar e desenham coroas na sua pele a fé que você conseguiu botar em si mesma depois que secou, depois que imergiu depois dos terremotos dentro do peito que destruíram o seu costume em achar que somente a dor sabe dizer seu nome pretinha, eu vejo o riso que você dá quando vê que saiu sol eu sei que você gosta de se vestir dourada pra ecoar o dia em seu corpo e sei também que você costuma anotar memórias pra que elas te acolham quando você precisa de refúgio memórias de discos antigos, de cheiro de café de cidades que te viveram, de amigos que te cresceram pretinha, quanta coisa, né? os cômodos da sua casa tem contado histórias o quarto narra noites mais longas e sonhos abstratos cuidado pra não interpretar tudo como abismo há bem mais que dois lados nos cantos que perpassam o seu equilíbrio a cozinha te vê preparando algo enquanto canta músicas do repertório do teu dentro a luz do banheiro queimou, mas só por fora e a porta tende a se abrir com menos frequência mas isso não conseguiu te fazer caminhar menos você continua dando passagem ao futuro rainha, eu só vim te avisar pra continuar cuidando do agora e pra seguir escrevendo cartas para o que está por vir o adiante nos escuta te garanto.

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VESTIR DESPIR COLORIR Vestir e despir é um ato de se descobrir, expandir, reconhecer. Afinal, quem é você?

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Direção e fotos:

Yasmine McDougall Sterea

Light design:

Edu Malta

Produção executiva:

Renan Cavichiolli

Produção de moda:

Milena Ricciardi Luiz Freiberger

Convidadas:

Mariana Santos Laís Teles Monique Lemos Estela Novaes

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ALEXANDRA LORAS

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mulheres que se expandem.

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EGO R EGO ER EGO TER EGO LTER EGO ALTER EGO


Colaboradoras:

Rosângela Miranda Luiza Trindade Morena Cardoso Sônia Guajajara Rita Lino Aline Bei Paulina Chamorro Camila Achutti Daniela Cachich Raíssa Rocha Machado Melanie Bonajo Tauana Sofia Verena Smit Viviane Sassen Slam das Minas Renata Peron Ryane Leão Tabata Amaral Bruna Bento Marcella Kanner Laura Zamboni Cassia Tabatini Yasmine McDougall Sterea

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