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bi boletim informativo

FEUP

FEUP Universidade do Porto Faculdade de Engenharia

DEZEMBRO DE 2003 Propriedade e Edição da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto DISTRIBUIÇÃO GRATUITA


Registos…

Jornadas científicas, tertúlias, desporto, dança, exposições e uma feira de emprego: foram muitas as actividades que a Faculdade promoveu para receber os cerca de mil novos alunos, proporcionando-lhes uns dias diferentes para facilitar a sua integração e afirmar a vitalidade cultural da FEUP. A Faculdade de Engenharia, organizou uma Semana da FEUP que incluiu no seu programa a primeira etapa do ciclo «Conversas Notáveis», trazendo ao Porto, especificamente à FEUP, Francisco Louçã, as II Jornadas da FEUP e o espectáculo dos africanos Timbila Muzimba, que gravaram um disco ao vivo, entre múltiplas activi-

dades que permitiram aos novos alunos conhecer os cantos da casa e perceberem o dinamismo que caracteriza o dia a dia da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. As diferentes manifestações na área da cultura, procuraram dinamizar e responder a interesses heterogéneos na comunidade dos futuros engenheiros.

Rectificações ao Boletim Informativo da FEUP nº 25: Por lapso, na última edição do Boletim, na notícia sobre o "Octraxina A -Impacto da Contaminação Fungíca sobre a Competitividade de Vinhos", decorrida na FEUP a 13 de Junho de 2003, não é referida a responsabilidade da organização, neste caso do LEPAE. Pela falta apresentamos as nossas desculpas. Dadas algumas reclamações que têm sido feitas em relação ao inquérito sobre as propinas, publicado na última edição, é importante considerar que o mesmo foi realizado na primeira quinzena de Julho e que as respostas se enquadram naquele contexto temporal.

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Propriedade e Edição: Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Responsabilidade: Direcção da FEUP Coordenação editorial: Serviço de Relações Externas e Imagem Fotografia: Rui Nogueira Sede: FEUP, Rua Dr. Roberto Frias, 4200-465 — Porto / Telf. 22 508 18 95 / Fax 22 508 15 03 / E-mail: sre@fe.up.pt Design gráfico e Produção: Mediana, Sociedade Gestora de Comunicação e Imagem — Porto Impressão: Rainho & Neves, Lda. — Santa Maria da Feira Tiragem: 1500 exemplares ISSN: 0872-5241 Distribuição gratuita Dezembro 2003 BI disponivel no SIFEUP


O que pensam os alunos… A Faculdade de Engenharia organizou, de 13 a 17 de Outubro, a Semana da FEUP. 1. Participaste? 2. O que mais te agradou? 3. Tens sugestões? Inquérito realizado a 31 de Outubro de 2003

Pedro Mota [2º ano] Engenharia Civil 1. Sim, participei. 2. Confesso que fui mais participativo nas "noites", mas fui ouvir a Palestra do Louçã e gostei muito, embora o discurso "puxasse" muito para o comunismo. 3. Deveriam promover actividades que permitissem aos estudantes participar mais e aprender.

Fernando Santos [3º ano] Engenharia Electrotécnica e de Computadores 1. Participei e considero que este ano foi melhor que o outro porque não houve aulas e pudemos aproveitar mais as actividades. 2. Gostei bastante de várias iniciativas e das actividades radicais, em particular. 3. Nunca pensei noutras iniciativas, mas gostava que as actividades fossem difundidas com maior antecedência porque recebi e-mails do que ia acontecer no próprio dia. Gostava de ser informado com maior antecedência para programar a minha participação.

Paulo Jorge Dias [5º ano] Engenharia Civil 1. Foi bom. É interessante e ainda bem que não houve aulas pois permitiu aos alunos ir a todas as coisas boas que nos proporcionaram. 2. Houve actividades para quase todos os gostos. Gostei do jobshop porque para quem acaba o curso dá sempre jeito saber como está o mercado. 3. O que falta na Faculdade é mais convívio, como sessões de leitura e poesia, e um espaço para descansar e conversar, onde os alunos e professores pudessem falar e conviver.

Breves Decorreu no dia 22 de Novembro, no Funchal (Madeira), o Dia Nacional do Engenheiro. A iniciativa promovida pela Ordem dos Engenheiros proporcionou o encontro de engenheiros de várias partes do país, na comemoração de mais um aniversário da Ordem. Na Sessão Solene do DNE 2003, que se realizou no Auditório do Casino Park Hotel, foram distinguidos com a Outorga de "Membro Conselheiro", entre outros, dois docentes da FEUP: José Manuel Ferreira Lemos e Sebastião Feyo de Azevedo. Receberam, ainda, títulos de "especialista", em Engenharia Acústica, a Engª Maria Rosa Costa Monteiro de Sá Ribeiro e o Prof. Vítor Carlos Trindade Abrantes Almeida. (a este tema voltaremos no próximo boletim).

José Drumonde, responsável pela Delegação Portuguesa da Siderurgia Sueca, SSAB Swedish Steel, esteve na FEUP, no dia 20 de Novembro, no seminário sobre "Aços de alto limite elástico - materiais em constante inovação". O encontro foi organizado pelo docente do Departamento de Mecânica e Engenharia Industrial (DEMEGI), Jorge Lino, e pela SSAB Swedish Steel Portugal. O seminário inseriu-se no âmbito da disciplina Materiais de Construção Mecânica I, do 3º ano 1º semestre da licenciatura em Engenharia Mecânica. Dada a relevância do tema e da aplicação destes aços na indústria automóvel, o seminário acabou por interessar também a todos os alunos e docentes do DEMEGI e também ao Departamento de Metalurgia. Inicialmente estava planeado um seminário mais alargado com a presença de um orador da casa Mãe e intervenções de empresas nacionais que utilizam estes materiais. Por diversos motivos, esta organização foi adiada para o próximo ano lectivo. Temas abordados: Produção do aço e processo de laminagem, exemplos de aplicações, tratamentos térmicos, cálculo e mecanismos de endurecimento, casos de estudo.

O ciclo de "Conversas na Biblioteca" foi retomado com uma palestra do Prof. Doutor Pedro Moreira (Faculdade de Ciências da Nutrição UP), no dia 12 de Novembro, na Sala Ponto de Encontro (Piso 6 da Biblioteca). "O conceito de beleza actual, altamente veiculado pelos meios de comunicação e pela publicidade, é acessível a todos? Que efeitos poderá ter na sociedade essa incansável busca do corpo perfeito?". Tendo como base a temática "Alimentação na Moda?", a conversa pretendeu abordar todas estas questões, bem como muitas outras que foram surgindo num debate animado e informativo.

fala-se sobre

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Não há um só protagonista das telenovelas que seja engenheiro Carlos Costa, Director da FEUP, em entrevista, defende mudança de mentalidades

Eleito Director da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto em 2001, Carlos Costa voltou, recentemente, a assumir os destinos da Faculdade por mais dois anos. Aliás, teve em mente esta continuidade pois para «desenvolver projectos de maior envergadura», um mandato não era suficiente. E para estes próximos tempos, há grandes mudanças a operar, algumas impostas pelo exterior, outras devido ao espírito evolutivo que há já alguns anos pôs em prática determinadas alterações de fundo na instituição. Tudo para que a FEUP continue a equiparar-se às suas congéneres europeias. Numa conversa breve, mas incisiva, o Director da FEUP deixou claro que o período que a instituição No final do ano lectivo 2001/2002 voltou a assumir, por mais dois anos, a presidência do Conselho Directivo da Faculdade de Engenharia. Só um mandato não permite planear, desenvolver e muito menos concretizar projectos de maior envergadura e quando tomei a decisão de me candidatar a primeira vez já tinha em mente continuar por mais outro mandato. Quais foram os grandes objectivos que estiveram presentes na sua recandidatura à direcção da FEUP? Continuar a fomentar o espírito de grupo, o espírito pró-activo e a capacidade de risco da comunidade FEUP, continuar a construir a internacionalização sustentada da FEUP, continuar o esforço de adaptação da organização às mudanças, continuar o esforço de melhoria da gestão, aproximandoa do que melhor se faz e é possível fazer dentro dos macro–enquadramentos e continuar o esforço de aumento da produtividade. Para estes próximos dois anos, ficou ainda muito por fazer? Sim, ainda há muito a fazer para atingir os objectivos a que me propus. Um dos aspectos fundamentais que tem regido estes últimos anos é a convergência exigida pela Declaração de Bolonha. Este assunto ocupou estrategicamente a parte final do primeiro mandato e está muito presente

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neste segundo. Outra questão que nos tem merecido uma grande atenção - e que é algo difícil de fazer de uma só vez - prende-se com a melhoria dos instrumentos de gestão. Vão-se construindo e por isso temos continuamente trabalhado no seu desenvolvimento. Neste caso refere-se a reorgazinar e reestruturar serviços? Tudo. A remodelação está a ser feita não só ao nível organizacional como também ao nível da gestão propriamente dita. A FEUP tem evoluído no sentido de tornar a sua gestão o mais profissional possível. É óbvio que não falo de gestores profissionais – esta não é questão que se me coloque – mas definimos para esta instituição uma gestão moderna, já que é exigido a quem gere uma atitude profissional. Esta medida não é nova. A FEUP está somente a avançar no sentido de se aproximar daquilo que é a evolução mais recente das suas congéneres a nível internacional. As grandes alterações feitas sentemse do ponto de vista de "sentir a máquina", isto é, ter noção perfeita da direcção que a instituição está a tomar, por exemplo, como recife à tomada de determinadas decisões. Estas mudanças procuram agilizar processos? Não só agilizar processos. Gerir melhor, é o grande objectivo. Per-

ceber quando se toma uma medida, qual o efeito que a mesma vai ter, o que se pretende com ela... A Faculdade começou esta mudança em 1990. São processos que não param e nós temos evoluído no mesmo sentido. E a Declaração de Bolonha, que grandes mudanças vai imprimir? Em termos de Bolonha resolvemos encarar as mudanças provocadas por esta Declaração procurando, simultaneamente, fazer uma grande aproximação àquilo que de melhor se faz na Europa não só em termos pedagógicos como em termos curriculares — o que se faz e como se faz. Conseguimos discutir, ao longo de um ano, as estratégias que pensamos serem as melhores no contexto de "o que fazer" e "como fazer" para que a FEUP se adapte a Bolonha e se equipare às instituições suas iguais em todo o mundo. Durante meses conseguimos chegar a um consenso em relação a estas mudanças e neste início de ano lectivo já estamos na fase operacional, a de escrever e descrever as mudanças para, posteriormente, as pôr em marcha. O que vai surgir dessa operacionalização? Por um lado, teremos que incutir e pôr em prática as mudanças impostas por Bolonha em relação ao tipo de formação, e nesta matéria a FEUP

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atravessa é de mudança. Por um lado, a concretização de «uma gestão o mais profissional possível», reestruturando e reorganizando serviços, por outro, a realização dos parâmetros da Declaração de Bolonha. Se a diminuição, nos próximos anos, de candidatos ao Ensino Superior, é uma realidade à qual não se pode fugir, o Professor defende que os discursos têm que mudar para que os jovens se sintam predispostos a áreas que envolvam matemática e física. Afinal, até ao momento «não há um só protagonista das telenovelas que seja engenheiro»! Para já, a FEUP está decidida a apostar na internacionalização da Faculdade e cativar outros públicos. já optou pelo formato 4+1. Optámos, claramente, por quatro anos pois pela experiência que temos nas formações em engenharia de banda larga e de base científica - que são as que interessam à FEUP - são necessários os quatro anos, não só em termos de espaço para ganhar as competências técnicas necessárias, mas também para adquirir as outras competências do foro pessoal, comportamental, que são cada vez mais necessárias. Nós precisamos dos quatro anos para atingir essa formação. Não bastam três, como noutros cursos e noutras instituições. Por outro lado, e em simultâneo, ficou decidido que não faríamos só o que é pedido na Declaração de Bolonha, mas optámos por fazer as alterações necessárias para nos aproximarmos das práticas em termos curriculares, de conteúdos, de capacidades pessoais, entre

outras, àquilo que de mais avançado se faz no mundo. Nesta mudança, pretendemos incluir, ainda, paulatinamente, mudanças na maneira como se faz a aprendizagem. E a nível curricular? Em termos curriculares as alterações poderão ser mais complexas. Até finais de Dezembro todas as licenciaturas da FEUP têm indicações para propor as suas sugestões ao plano curricular. São mudanças que só agora estamos a fazer, mas que já se fizeram noutras escolas do mundo há pelo menos sete anos. Ou seja, estamos com sete anos de atraso. A mudança dos esquemas de aprendizagem implica uma mudança cultural do lado dos professores e do lado dos alunos, e assim sendo vai demorar a impor-se. Não podemos aspirar a fazer uma revolução!

Este atraso é prejudicial? Não estamos necessariamente prejudicados em relação a outros, contudo a eficácia dos novos métodos já está comprovada e nós só agora os vamos começar a adoptar. E a evolução é necessária para encontrar até novos modos de motivação para ensinar e para aprender. Hoje em dia, a motivação é mínima! É preciso estar motivado para aprender já que os factores de dispersão são muito grandes na sociedades e as próprias pressões familiares e sociais são também muito fortes. A Declaração vai ser positiva? Bolonha vai ser positiva porque vai fazer avançar um conjunto de mudanças que de outra maneira seriam muito mais lentas, dada a habitual resistência às mudanças.

honra na identidade NOTAS SOLTAS...

COMIDA FILME

LIVRO TEMPO LIVRE DESTINO IDEAL DE FÉRIAS CIDADE MÁXIMA DESEJO

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São muitos os meus pratos favoritos! É melhor não dizer qual o que mais me marcou!... Dinossauro Excelentissimus, de José Cardoso Pires Desporto e socialização (conversar com amigos) Duas semanas de praia, com muito sossego e água quente Porto Minimizar conflitos É preciso repôr no pensamento social as referências éticas e morais da sociedade desenvolvida

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Esperam-se anos difíceis no que concerne à diminuição do número de candidatos ao Ensino Superior. A FEUP já sentiu essa falta de procura? A diminuição vai ser notada, paulatinamente, ao longo dos anos. Temos os nossos indicadores e estamos conscientes dessa situação. Há dois factores cruciais que não se podem escamotear: o demográfico e a vocação. No primeiro caso, os candidatos dos próximos anos já nasceram e não há volta a dar e no que se refere ao segundo aspecto, a aversão precoce à Matemática e à Física, retira muitos alunos da área da engenharia. Em termos de vagas, notou-se diminuição nos cursos que já nestes últimos dois anos ficavam com pouco alunos.

mação da opinião pública, que ignora completamente as áreas tecnológicas. E a lacuna é grave. Por exemplo: não há um só protagonista das telenovelas que seja engenheiro! Enquanto não se propagarem discursos positivos sobre as áreas menos procuradas, mas também as mais necessárias, a fuga vai continuar a ser sempre no mesmo sentido e isto reflectir-se-á de forma negativa. Mesmo a nível político, só recentemente o discurso começou a ser mais apelativo só que durante anos e anos ignorou-se e para se mudarem as mentalidades leva o seu tempo.

Há engenharias em risco? Tentaremos, dentro dos possíveis, sustentar todas as engenharias, mesmo as que têm poucos alunos. Contudo, temos a lucidez suficiente para saber que as licenciaturas são financiadas pelo número de alunos e há, também, um número mínimo de estudantes imposto para que a licenciatura funcione. Num panorama negro, é possível que essa situação se venha a verificar. Sublinho, no entanto, que tudo faremos para o evitar.

Quais são, a nível pedagógico e curricular, as características que distinguem os alunos da FEUP? As características que distinguem os alunos da FEUP são: conhecimentos técnicos e tecnológicos de alto nível; forte formação em propedêuticas e ciências da engenharia, como garante de robustez à mudança; treino nas capacidades pessoais nomeadamente: trabalho em grupo, comunicação e capacidade de risco, que garantem um complemento essencial a agentes de mudança; vivências éticas, culturais, artísticas e lúdicas como complemento essencial ao desenvolvimento de sentido de responsabilidade social.

De que modo? O que pode a FEUP – bem como outras faculdades – fazer para conquistar alunos? Temos toda uma estratégia de marketing, a possível, junto das escolas secundárias, contudo reconheço que o problema é mais profundo: trata-se de conseguir, ao nível do ensino básico e secundário, motivar os alunos para a Matemática e para a Física. Esta é uma das necessidades mais fortes e prementes! E o trabalho não é fácil! Além de uma espécie de aversão natural por estas disciplinas, todo o contexto social, ao longo dos anos, afastou os jovens destas áreas. Basta verificar o próprio discurso mediático, que tanta importância assume na for-

A procura da formação contínua também poderá diminuir? A formação contínua não está tão directamente ligada a estes factores que provocam a diminuição de alunos. Temos uma oferta que me parece suficiente e que vamos aumentando, mas temos que ter consciência que o mercado nacional é pequeno. As próprias empresas não têm capacidade financeira, nem formação cultural, nem sensibilização, para a aposta dos seus quadros superiores na formação contínua. Estamos no mercado mas com ponderação. Se não houver procura não vale a pena ter uma oferta exagerada. A FEUP está a investir noutra área...

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Qual? Cativar alunos de fora, nomeadamente do Sul. O que poderá levar um aluno a querer vir estudar para Portugal? Para a FEUP? Estamos a trabalhar na criação de condições competitivas que nos tornem atraentes a alunos estrangeiros. Já temos a qualidade das instalações, a excelência reconhecida dos nossos centros de investigação... o acolhimento é a grande lacuna. Um aluno não sai do seu país para vir para um outro, estranho, que não lhe garante condições de alojamento com qualidade e que não o integre na comunidade escolar. Não vem para morar num quarto sozinho, isolado, enquanto que se tiver uma residência onde vivem várias dezenas de alunos, se sente mais atraído pois integra-se rapidamente. E estamos a fazer um esforço nesse sentido, de colmatar essa falha.

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A construção da residência vai avançar? Nós temos possibilidade de a fazer. A Faculdade de Engenharia não está em situação económica debilitada. Ao longo destes anos temos tido uma política muito restritiva em termos de recursos humanos o que nos permitiu manter sempre uma gestão financeira folgada. Infelizmente, nestes últimos tempos, sofremos cortes reais, ao invés daqueles que nunca se importaram em controlar os gastos. Em relação à construção da residência, após negociações com a Reitoria por causa dos terrenos, estamos a discutir com os projectistas a concepção. Que outras prioridades de investimento a curto prazo? Para além dos investimentos correntes de substituição e de aquisição de novos equipamentos para o ensino e a investigação, as prioridades imediatas de investimento prendem-se com: aumento dos níveis de conforto térmico e acústico das salas de aula e equipamento multimedia; aumento do conforto térmico dos edifícios departamentais; melhoria do serviço de cafetaria e refeições, além da residência para estudantes pós-graduados.

Quem saiu da Rua dos Bragas sente falta do frenesim da cidade... Esta zona precisa, sem dúvida, de uma intervenção para que se torne mais movimentada e ofereça outros serviços que atraem as pessoas que diariamente a frequentam. É notório que saímos da cidade centro e viemos para uma zona diferente. As condições da Faculdade são, sem qualquer comparação, melhores e a zona da Asprela, em si, aos poucos, será melhorada. Sei que há projectos de reconversão das casas degradadas entre a FEUP e a FEP para criar uma praceta, onde seja criada oferta a nível de serviços como cabeleireiro, restauração, supermercado... A passagem do metro, o centro comercial junto ao Hospital de S. João, entre outras mudanças, vão acabar por equilibrar, oferecendo outros serviços.

Que comentário lhe merece o tema "Propinas"? Não me interessa discutir ao aspecto "político" das propinas. O estado português decidiu a partilha dos custos directos dos utilizadores e os custos suportados pela população portuguesa, através dos seus impostos, com os alunos. O montante encontrado foi uma decisão política que não me interessa discutir, nem é pertinente para o caso. No entanto, a partir do momento em há uma partilha, que a lei de financiamento diz que os alunos têm que pagar, consoante a natureza e a qualidade de cada curso, há directrizes a seguir e valores que devem ser definidos. Os cursos de engenharia não são os mais caros, mas são dos mais caros, logo a seguir a medicina. Em termos de qualidade, as avaliações colocam os cursos FEUP no melhor a nível nacional. O facto de ser a propina máxima ou não é discutível, mas não podemos esquecer o que os nossos congéneres fixaram. Qual a sua opinião em relação às novas políticas para o ensino superior? E ao futuro do ensino superior público? Nesta altura foram presentes à Assembleia da República várias propostas. Não ignoro que existem vários aspectos do ensino superior português que necessitam de mudanças. Espero que as que vão ocorrer, embora potencialmente induzidas pela crise económica, não se destinem só a darlhe resposta, constituindo um enquadramento legal em que o ensino superior possa de facto servir o país com a qualidade indispensável à existência de um capital humano digno de um país desenvolvido.

Carlos A. V. Costa licenciou-se em Engenharia Química na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto em 1971, tendo sido contratado como Assistente eventual. Em Janeiro de 1984 doutorou-se em Engenharia Química na mesma escola sendo contratado como Professor Auxiliar. A partir de 1988 ocupa um lugar de Professor Associado do Departamento de Engenharia Química, tendo obtido o título de Agregado em 1994 e de Professor Catedrático em 1996. Tem desempenhado várias funções de gestão, nomeadamente a de Vice-Presidente da Faculdade de Engenharia e de Director do Departamento de Engenharia Química. Recentemente tem estado ligado às áreas da avaliação da qualidade no ensino superior e do ensino da engenharia. Os seus interesses de investigação mais recentes situam-se na área da modelização, simulação e optimização de sistemas químicos e ambientais complexos. É membro da Ordem dos Engenheiros e da American Institution of Chemical Engineers. É desde 2001 Director da FEUP.

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Semana da FEUP

Engenharia integra

mil novos alunos

Jornadas científicas, tertúlias, desporto, dança, exposições e uma feira de emprego: um mundo de actividades para integrar melhor os novos alunos e afirmar a vitalidade cultural da FEUP. A Faculdade de Engenharia recebeu este ano cerca de 1000 novos alunos e, como em anos anteriores, organizou uma Semana para facilitar a integração dos discentes recémchegados ao ensino superior e à realidade específica da FEUP.

As boas-vindas foram dadas pelo Vice-Reitor Marques dos Santos, o presidente do Conselho Directivo, Carlos Costa, e o presidente da AEFEUP, Bruno Soares.

As explicações sobre a nova realidade estiveram a cargo da psicóloga da Faculdade, Helena Lopes, e Alexandre Leite (DEM) que fez considerações sobre a «profissão» de estudante do ensino superior. Um aluno da Faculdade, Ricardo Martins, deu o seu testemunho aos recém-chegados, enquanto a Raúl Vidal (LEIC) coube a tarefa de alertar para as novas atitudes e posturas que é conveniente ter em conta para quem vem do ensino secundário.

Louçã nas «Conversas Notáveis» ... e inovação nas «Jornadas» A Semana da FEUP incluiu no seu programa a primeira etapa do ciclo «Conversas Notáveis», trazendo ao Porto especificamente à FEUP Francisco Louçã, que falou sobre os contrastes que encontramos no nosso País.

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As Jornadas da FEUP foram um dos pontos altos da Semana e o debate este ano centrou-se em volta da questão «Que inovação para Portugal?». O encontro contou com a participação de representantes da UMIC-Unidade de Missão Inovação e Conhecimento da Presidência do Conselho de Ministros, da CotecAssociação Empresarial para a Inovação, da Universidade da Carolina do Norte (EUA), da Agência Portuguesa de Investimento e de

empresas e institutos de investigação tecnológica. Diogo Vasconcelos, da UMIC, referiu na ocasião que é importante assegurar condições de concorrência, já que esta «melhora a qualidade dos serviços e gera inovação». A este propósito manifestou a preocupação do Governo caso a PT venha a ganhar o monopólio do fornecimento da Internet por banda larga, face ao descontentamento e iminente desistência dos operadores privados nesta área de negócio.

em foco


Visitar a Panasqueira

É uma infinidade de objectos que a exposição patente até 15 de Janeiro mostra ao público interessado em conhecer as Minas da Panasqueira. A FEUP quis nesta Semana proporcionar uma "visita" àquela que é a única mina de volfrâmio ainda em laboração na Europa e uma das poucas do mundo. A sua singularidade está patente não só na raridade daquele minério como na sua beleza da mina, já que ninguém fica indiferente às suas formas, cores e associações de materiais.

Alunos contactam com empresas

Outras Actividades

A Feira de Emprego, que anualmente se realiza numa perspectiva de integração profissional, trouxe mais uma vez ao contacto com os alunos as empresas promotoras de trabalho dependente, mas também todas as entidades cujo âmbito de actuação envolve o apoio à criação de novas empresas. Uma permuta de interesses e uma sondagem mútua, onde os discentes clarificam algumas das saídas profissionais por que poderão optar no final do curso e onde

A dança e o desporto também marcaram presença nesta Semana de acolhimento aos mais novos. O encerramento foi precisamente assinalado pela II Corrida da Asprela, que contou com mais de 100 participantes e teve o mérito de reunir população estudantil de diferentes faculdades da Universidade do Porto. Mas já antes, o torneio de futsal da AEFEUP tinha dado o tom desportivo à Semana. O espectáculo dos africanos Timbila Muzimba, que possibilitou a gravação de um disco ao vivo, os workshops de dança e a tertúlia «O Portugal Urbano», por João Ferrão, mostraram diferentes manifestações na área da cultura, dinamizando e respondendo a interesses heterogéneos na comunidade dos futuros engenheiros.

em foco

as empresas tentam cativar potenciais colaboradores. BCP, EDP, Efacec, Infineon Technologies, Lactogal, Mbit Computadores, Mota e Companhia, Sogist, INEB e Ordem dos Engenheiros foram algumas das entidades que marcaram presença. No âmbito deste "Jobshop", foram apresentados os II Jogos de Criação de Empresas, que visam que cada equipa participante elabore um plano de negócios e obtenham o patrocínio de uma empresa.

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FEUP homenageia Edgar Cardoso É um nome incontornável na engenharia civil portuguesa e deixou a sua marca em pontes que se encontram espalhadas em diferentes pontos do planeta. A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto decidiu homenagear com um livro um "filho da casa" e autor daquele que foi o maior arco de betão do mundo - a ponte da Arrábida. A cerimónia decorreu a dia 28 de Outubro de 2003, pelas 17h30, no Auditório da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, sendo apresentada publicamente a obra da autoria do Engenheiro Luís Lousada Soares, entretanto já falecido, intitulada: Edgar Cardoso, engenheiro civil.

Edgar Cardoso, engenheiro civil, livro de Luís Lousada Soares

A abertura da sessão pública de apresentação do livro ficou marcada pela actuação de um Grupo de Violinos e contou com as intervenções de especialistas da área

– Manuel Matos Fernandes, António Matos Fernandes, Adão da Fonseca e Souto Moura. O Director da FEUP, Carlos Costa, encerrou a cerimónia. A actuação da Tuna da FEUP rematou a homenagem. «Edgar Cardoso, engenheiro civil», assim se chama o livro editado pela FEUPedições onde o Engenheiro Luís Lousada Soares compilou informações, projectos e imagens sobre a vida e obra daquele projectista. Ao lançamento deste registo impresso, junta-se a exposição que está patente no Museu dos Transportes e Comunicações e montada sob a direcção do arquitecto Souto Moura. Emblemas da engenharia

Edgar Cardoso deixou a sua assinatura em mais de 500 pontes disseminadas por quatro continentes, onde se incluem países como a Índia, Moçambique e China. Em Portugal, desde o rio Sousa ao Mondego, há inúmeras travessias projectadas pelo engenheiro, mas é no Porto que se encontram porventura aquelas que são as suas obras mais emblemáticas – as pontes da Arrábida e S. João, ambas consideradas entre as 100 obras mais notáveis do século XX. A primeira espantou o mundo da

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destaque


engenharia por ter na época o maior arco de betão armado, a segunda pela sua beleza e pela inovação técnica que a caracterizou. A obra lançada pela FEUP Edições percorre diferentes aspectos que marcaram a profissão do ilustre engenheiro, desde os projectos de obras novas à recuperação de construções, passando pelos ensaios em modelos reduzidos, ensaios em obra, inventos e inovações... Os testemunhos recolhidos por Luís Lousada Soares são outro ponto de interesse deste livro. Ausente da cerimónia por motivos de saúde, o autor deliciou todos os presentes com a abordagem humanista que traçou do Engenheiro Edgar Cardoso. No pequeno texto que enviou para ser lido na apresentação do livro explica, num parágrafo sucinto, a dimensão da obra: «Os principais projectos, estudos e inventos do Professor Edgar Cardoso foram objecto de vasta bibliografia, desde livros a simples separatas técnicas. Mas muito pouco ou quase nada foi dito sobre o Homem nas suas diversas facetas, desde o seu sentido de humor, a sua ironia, o modo como intervinha nas situações mais complicadas. Meio século de trabalho intenso que o público desconhece. Concomitantemente, entre 2001 e 2002, foi possível localizar e sistematizar uma memória oral e documental de uma dimensão que talvez jamais se volte a repetir. Dos antepassados do século XVIII à Ponte de S. João é a vida de Edgar Cardoso que perpassa no livro». Comentários, para quê? Ler, analisar e reflectir o livro dá todas as respostas e esclarece dúvidas.

destaque

Nele, o ex-Presidente da República, Ramalho Eanes, fala da «personalidade desconcertante» e da «continuada novidade da sua pessoa»; Adão da Fonseca, projectista da ponte do Infante, refere-se ao seu «sentido da ilusão e vontade de sonhar»; António Freitas (director da REFER) revela «as manifestações de grande sensibilidade, escondida por detrás do técnico rigoroso e exigente consigo próprio e com os outros». Joaquim Sarmento (professor jubilado da FEUP) conta, num desses testemunhos, que Edgar Cardoso tinha uma habilidade de mãos impressionante, chegando a fabricar ele próprio peças de pequena dimensão capazes de registar fenómenos muito delicados. Uma dessas peças eram os extensómetros (observação das deformações das estruturas produzidas por alongamento) e apesar de ter à sua disposição extensómetros de marca, o professor decidiu um dia montar ele próprio um desses aparelhos. Como curiosidade, refira-se que para as hastes do extensómetro o engenho do professor utilizou duas varetas de guarda-chuva. Ficou-se a saber mais tarde que Cardoso empenhou-se nesta peça para fazer uma demonstração ao então Presidente Américo Tomaz, que pelos vistos ficou muito impressionado: Cardoso tinha o extensómetro montado num grande bloco de granito; convidou o chefe de Estado a dar um murro na estrutura que, sem ter feito grande esforço, deformou completamente o duro bloco de pedra!

100% engenheiro Entre facetas da sua personalidade e da sua vocação, este livro pretende relevar o exemplo que Edgar Cardoso constitui na sua área de actuação: não só pela criatividade, não só pelo apurado sentido estético ou pela capacidade de inovação, mas talvez pelo denominador comum de tudo isso. Como diz Carlos Costa, presidente do Conselho Directivo da FEUP, no prefácio do livro, «ele foi uma figura em que a atitude e a prática melhor traduzem o sentido etimológico da palavra que designa a profissão que abraçou: era um homem profundamente engenhoso e esta qualidade cultivou-a militantemente ao longo de seis décadas de apaixonada vida profissional». De resto, não são raras as publicações que dão conta dos projectos, estudos e inventos de Edgar Cardoso, mas como diria o autor do livro, citado pelo professor Matos Fernandes no momento da apresentação pública, «quase nada foi dito sobre o Homem na suas diversas facetas, desde o seu sentido de humor, a sua ironia, o modo como intervinha nas situações mais complicadas...». Sobre o autor, o ex-aluno de Edgar Cardoso na FEUP, Matos Fernandes sublinha a «apurada sensibilidade literária e o seu fino sentido de humor». Em 370 páginas, a Faculdade de Engenharia salvaguarda assim a memória do mais internacional dos nossos engenheiros e lança o primeiro olhar integrador de uma obra espalhada pelo mundo.

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SUNVIAUTO Flexibilidade garante crescimento em tempo de crise

A aproximação entre as empresas e o meio universitário está longe do que pode vir a ser e ambas as partes devem empenhar-se em intensificar as relações. Quem o diz é Rui Sousa, Director Industrial da Sunviauto. Esta empresa fabricante de componentes para automóveis, que factura anualmente cerca de 50 milhões de euros, tem crescido exponencialmente nos últimos anos. Receita: flexibilidade e inovação. Recentemente, a Sunviauto criou uma bolsa para desenvolvimento de projectos para alunos da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e aguarda a melhor adesão por parte dos alunos. Neste Boletim, dáse a conhecer esta empresa que pode, eventualmente, interessar aos estudantes desta área da Engenharia. A Sunviauto tem como «core business» o fabrico e comercialização de bancos para meios de transporte, especialmente para a indústria automóvel. A produção divide-se em quatro áreas: estofagem e montagem completa dos bancos, fornecendo, assim o produto final, e o fabrico parcelar das estruturas, das peças metálicas e das capas que recobrem e decoram os bancos. Este último segmento, o das capas, que conta com unidades de produção no Porto, Vila Verde e Marrocos, representa cerca de 70 por cento do total de vendas, chegando a fornecer o suficiente para equipar 2500 viaturas por dia. Entre os principais clientes estão as multinacionais do sector automóvel, como a Renault ou a Peugeot, mas quem já andou de autocarro ou combóio pode perfeitamente ter-se sentado num banco produzido pela Sunviauto. «É uma empresa 100 por cento portuguesa», diz com orgulho Rui Sousa, o que se percebe melhor quando somos confrontados com o facto da Sunviauto se ter expandido para Espanha, França e Alemanha, comercializando os produtos do grupo nesses países e instalando entrepostos logísticos para a Europa.

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Criada no fim da década de 60, a Sunviauto passou de uma pequena empresa de 150 empregados para uma estrutura com 1500, o que se deveu em parte ao investimento que o grupo Mota e Companhia fez na empresa na década passada. Para passar de uma facturação de 1,5 milhões para 50 milhões de euros, a empresa tem tido um «crescimento exponencial», que se tem mantido mesmo nos últimos anos face a uma conjuntura económica depressiva. Uma das explicações para este sucesso é que «não apostamos todos os ovos no mesmo cesto», que é como quem diz, «estamos direccionados para diversos nichos de mercado, o que permite resistir às flutuações dos ciclos económicos». O director industrial da Sunviauto aponta ainda a vocação para o desenvolvimento de novas soluções encomendadas pelos clientes ou concebidas de raiz de modo a suprir as necessidades que o mercado indica ter. Segundo Rui Sousa, «a inovação e a flexibilidade, com capacidade de adaptação e resposta aos timings do cliente, são um factor de forte competitividade». A Sunviauto, que possui certificado de qualidade próprio para a indústria automóvel (ISO TS 16 949) e exporta 95 por cento do que produz, vê na modernização tecnológica, nomeadamente através da robótica, um dos grandes desafios relacionados com ganhos de produtividade.

O estreitamento com o mundo académico é outro desafio que interessa à Sunviauto e naturalmente ao meio académico: «Uma empresa em crescimento como a nossa tem sempre interesse em conhecer novos engenheiros e estes têm a contrapartida de tomar contacto com o mundo real, dinâmico». Os estágios profissionais e curriculares são uma realidade na empresa, mas segundo Rui Sousa esta colaboração pode aprofundar-se, sugerindo a inclusão nos cursos de cadeiras para realização de projectos em ambiente laboral. Neste âmbito, a Sunviauto criou recentemente uma bolsa para projectos de investigação, destinada a alunos da FEUP.

de fora cá dentro


Engenharia Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

E PR MIADA

Tradução Científica Técnica em Língua Portuguesa Prémio para o Departamento de Engenharia Química

O júri da XI Edição do Prémio de Tradução Científica e Técnica em Língua Portuguesa - União Latina / Fundação para a Ciência e Tecnologia, atribuiu o 1º Prémio ex-aequo às traduções das obras "Mecânica dos Fluidos" de B. S. Massey, e "Caminhos de Floresta" de Martin Heidegger. A primeira das obras foi traduzida pelo Professor Catedrático do Departamento de Engenharia Química, João Rui Ferreira Guedes de Carvalho. Quando o Professor Guedes de Carvalho propôs à Fundação Gulbenkian, há já alguns anos, a tradução de uma série de livros de interesse para a especialidade de Engenharia Química, não esperava que muito tempo depois a instituição lhe propusesse levar a cabo a tradução de um dos títulos propostos. A primeira reacção foi recusar pois o livro em causa é muito extenso e «um trabalho desta amplitude exigia uma dedicação pouco compatível com as restantes actividades académicas», como explicou o docente. No entanto, «por uma série de vicissitudes», aliada à vontade de produzir um documento de estudo que poderia «vir a beneficiar a população estudantil, quer do ensino universitário, quer do ensino politécnico» acabou por dedicar-se à tradução, do inglês, da obra de B.S. Massey, "Mechanics of Fluids", então na sua 6ª edição.

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Ao longo de dois anos dedicou-se com empenho à tradução do livro, que é uma obra bastante abrangente, que parte de um nível elementar, no qual se «salientam os conceitos físicos e não a componente matemática», conforme referido no prefácio da obra. E dada a vastidão de aplicações da mecânica dos fluidos, que é uma disciplina que interessa a vários ramos de engenharia, o Professor Guedes de Carvalho teve «a preocupação de contactar especialistas dos diferentes ramos, dentro e fora da FEUP, para ajudarem a encontrar as terminologias adequadas». Procurando «relativizar» o valor do Prémio, o catedrático confessa, contudo, que o trabalho «serviu para uma grande aprendizagem» para os livros que está a escrever, salientando a importância de «fortalecer e fixar vocabulário em português» e «proporcionar aos alunos dos primeiros anos do Ensino Superior, textos de qualidade na língua materna», já que muitos deles têm dificuldades evidentes no domínio da língua inglesa. «É óbvio que os alunos vão ter que se esforçar por conseguir alguma fluência em inglês, ao longo do curso, mas para aprenderem os conceitos básicos, é importante que possam dispor de textos na sua própria língua».

Nasceu assim um livro que, na edição em português, tem 998 páginas e que se espera virá beneficiar os futuros engenheiros principiantes, já que parte de um nível elementar e interessa a vários ramos da Engenharia. Após a tradução, o docente da FEUP foi informado pela Fundação Gulbenkian de que havia o Prémio de Tradução Científica, promovido pela União Latina e que o seu trabalho iria a concurso. Entre as cerca de 25 obras traduzidas, apresentadas a concurso no presente ano, coube-lhe o 1º Prémio, ex-aequo. No dia 10 de Novembro de 2003, na Fundação Gulbenkian, o professor do Departamento de Engenharia Química da FEUP recebeu metade dos 7500 euros, que é o valor total do prémio.

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Geologia no Verão Cerca de 40 participantes por ano aderem à iniciativa Decorreu, no início do ano lectivo 2003/2004, como já vem sendo hábito, mais uma edição da iniciativa "Geologia no Verão", organizada pelo Departamento de Minas da Faculdade de Engenharia, inserida no âmbito do programa Ciência Viva. Depois da primeira participação na actividade, em Setembro de 1999, com o tema "Como as Pedras se tornam úteis", a Faculdade tornou-se presença assídua na organização de programas próprios, inseridos no contexto das exigências do Ciência Viva. Alexandre Leite, docente do Departamento de Minas, tem sido o grande mentor destes encontros outonais, imbuídos de grande cariz pedagógico. Desde 2001 que têm sido organizadas acções de Geologia no Verão, com o título "A crusta terrestre: fonte de recursos".

Esta ideia teve consistência pois muito próximo da cidade do Porto exploramse e transformam-se rochas e minérios, com o objectivo da melhoria das condições de vida dos cidadãos, o que permite estabelecer uma relação muito estreita entre os objectos comuns que cada um de nós usa e a crusta terrestre, a fina película superficial do nossa planeta Terra.

Ao todo têm participado cerca de 40 pessoas, oriundas na sua maioria da Área Metropolitana do Porto, e das mais diversas faixas etárias e formações profissionais. Outro aspecto que também chama a atenção a este Professor «é que todos os anos há pessoas diferentes». E o facto é que, estas iniciativas são dirigidas a público dos 8 aos 80! Basta vestuário e calçado adequado, o cesto do farnel e muita boa disposição!

Partindo das instalações da FEUP, o passeio didáctico percorre vários cenários de exploração de rochas e minérios em Vila Nova de Gaia, Gondomar e Valongo, bem como oficinas de transformação destes materiais. «A história da exploração dos recursos naturais é realçada em diversos momentos ao longo da acção, nomeadamente na visita ao Museu Mineiro de S. Pedro da Cova e ao Museu da Lousa bem como a um fojo Romano de exploração de ouro», adianta Alexandre Leite, que tem contado com o apoio de Aurora Magalhães Futuro da Silva, Professora Auxiliar do Departamento de Minas da FEUP.

Um Centro Europeu… INEGI Os resultados do Estudo "A Comparative Analysis of Public, Semi-Public and Recently Privatised Research Centers", realizado a pedido da Comissão Europeia no âmbito do Programa EUROLAB e envolvendo 769 Centros de Investigação Europeus foram recentemente tornados públicos. O INEGI é referido como um Centro de Excelência na transferência de tecnologia para a indústria.

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O objectivo desta análise era desenvolver um estudo comparado dos vários centros e fazer um levantamento das suas capacidades, importância regional e internacional e, igualmente, constatar da sua relevância para o desenvolvimento das ciências e indústrias europeias. No entanto, e devido ao grande número de Centros Tecnológicos, foram seleccionados apenas 49 como "case study". O INEGI foi um deles e foi também o único Centro português seleccionado.

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Com estes "passeios didácticos", subordinados à temática da crusta terrestre, pretende-se possibilitar aos participantes na acção um contacto com a actividade extractiva de matérias primas naturais em redor da cidade do Porto. «Com esta intenção, temos em vista sensibilizar os presentes sobre o papel dos recursos minerais na história da humanidade e, em particular, na sociedade moderna», acrescenta o docente.

O programa Ciência Viva atribui uma pequena verba à Faculdade para esta iniciativa, que permite, pelo menos, que a participação seja gratuita, estando contemplada a oferta de caneta, pastas com documentação diversa e ainda uma pequena lousa escolar. Se tudo correr como o previsto, em Julho de 2004 começará a ser feita a divulgação e, em Setembro, mais uma Geologia no Verão. Diz, quem costuma ir, que vale a pena!

Como tudo começou...CIÊNCIA VIVA 1993 Junho–Julho Organiza-se na FEUP um CURSO DE FORMAÇÃO CONTÍNUA DE PROFESSORES no âmbito do Programa FOCO – 90 horas – Ciências da Terra. 1993 Outubro–Novembro Organiza-se na FEUP uma OFICINA DE FORMAÇÃO CONTÍNUA DE PROFESSORES no âmbito do Programa FOCO – 90 horas – Actividades Práticas em Ciências da Terra 1998–1999 Organiza-se uma Acção (PIII-480) no âmbito do Programa Ciência viva do Ministério da Ciência e Tecnologia "Da Idade da Pedra aos nossos dias: os recursos naturais na sociedade moderna" destinado a 100 alunos do 11º ano de 4 escolas da área do Porto. 1999 Maio Participa-se no 3º Fórum Ciência Viva: — Parque das Nações Lisboa 2001 Foram também organizadas as seguintes Acções de Geologia no Verão: — "Venha conhecer hoje as minas de ontem", Serra da Gralheira em Arouca e S. Pedro do Sul. — "A terra com Vida. O Parque Biológico de Gaia" — "A Terra com Vida. Percurso à descoberta do Litoral"

…de referência Realizado por um Consórcio Europeu sob a coordenação da Universidade de Manchester o Estudo dedica 11 páginas ao INEGI, abordando aspectos da sua estrutura e das actividades que desenvolve, numa análise aprofundada das capacidades do Instituto enquanto infra-estrutura tecnológica.

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Na conclusão o INEGI é referido como um "bom exemplo de uma organização sem fins lucrativos" e "único no contexto português", tornando-se "uma instituição independente em termos de infra-estruturas e recursos humanos", e capaz de "desenvolver uma cooperação eficaz com a indústria nas áreas da prestação de serviços e investigação".

Mais informações sobre os objectivos e conclusões do Estudo podem ser obtidas consultando o Press do Gabinete de Imprensa da Comissão Europeia para a área da Investigação em: http://europa.eu.int/comm/ research/press/2003/pr1807en.html

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Notáveis...

...em conversas notáveis

A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto organizou, numa parceria da Faculdade com a JuniFEUP, Associação de Estudantes e a Secção de Gestão e Engenharia Industrial, um ciclo de encontros intitulado "Conversas Notáveis" . O primeiro "notável" foi recebido durante a Semana da FEUP, a 15 de Outubro. Coube a Francisco Louçã abrir as conversas, mas a sala cheia e a audiência participativa e entusiasmada que caracterizaram a sua vinda à Faculdade de Engenharia foram a tónica que marcou todas as palestras que se seguiram: Daniel Bessa, José Sócrates, José Miguel Júdice, Artur Santos Silva e Marcelo Rebelo de Sousa. Pretendeu–se, essencialmente, com mercados, novos desafios, novos esta iniciativa, dotar o programa lecrumos" (21 de Outubro). José Sócrativo de uma faceta mais prática, tes trouxe o tema "Gestão ambienconhecendo, através dos diversos oratal: até quando podemos ignorá-la?" dores, realidades que os próprios pre(29 de Outubro), "A Justiça de um conizam através das suas vivências País Injusto", foi discutida por José profissionais, transpondo para o Miguel Júdice (31 de Outubro), ensino universitário cenários da reaenquanto que o encerramento ficou lidade industrial, sócio-económica e a cargo de Artur Santos Silva, "Globafinanceira de Portugal. A aposta em lização: o que é? Para que serve? figuras conhecidas, com grande creQuem a quer?" e Marcelo Rebelo de dibilidade junto da opinião pública, Sousa "0 a 20: o exame final de os temas actuais e pertinentes, resulPortugal" (5 de Novembro). taram numa fórmula de sucesso que cativou não só os futuros engenheiros como toda a população da FEUP e até da Universidade e zona da Asprela. O Auditório da Faculdade foi pequeno para receber todos aqueles que quiseram ouvir Francisco Louçã a falar sobre "Portugal, um país de contrastes" (15 de Outubro), Daniel Bessa com "Indústria portuguesa: novos

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Inovação e Empreendedorismo estiveram em debate

Procuram-se novos valores nas Universidades! A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) recebeu, de 24 de Setembro a 10 de Dezembro, alguns Seminários NET, Inovação e Materiais e Inovação de Produtos, respectivamente. Mas ao longo do ano lectivo estão agendados outros encontros que têm como objectivo cativar alunos, professores e investigadores para as novas tecnologias. A iniciativa é da NET - Novas Empresas e Tecnologias (BIC do Porto) e contou com a colaboração da FEUP e da Ordem dos Engenheiros Região Norte. Este encontro surgiu no âmbito do projecto SPADE - Soluções em Parceria para a Dinamização do Empreendedorismo" que constitui uma parceria entre a NET, o CPIN – Centro Promotor de Inovação e Negócios e o IAPMEI – Instituto de Apoio ao Inves-

timento e às Pequenas e Médias Empresas, no contexto da componente Parcerias e Iniciativas Públicas do Programa Operacional da Economia. Este projecto tem como público alvo: universitários de cursos tecnológicos, professores e investigadores. Os destinatários são: Empreendedores e portadores de projectos empresariais inovadores de base tecnológica.

DEMEGI O Departamento de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial está a desenvolver um processo de remodelação das duas licenciaturas, tentando responder ao desafio lançado pelo Conselho Directivo da FEUP no âmbito das recomendações da Declaração de Bolonha.

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remodela licenciaturas

A partir do excelente pretexto que este documento internacional proporciona, a aposta do DEMEGI direcciona-se, entre outras coisas, para o desenvolvimento de novas competências por parte dos alunos, nomeadamente ao nível das capacidades de comunicação e liderança, de trabalho

em equipa e relações humanas. Os currículos das licenciaturas (Mecânica e Gestão e Engenharia Industrial) deverão ainda contemplar mais tempo ao desenvolvimento de trabalhos extra-aula e proporcionar um contacto mais precoce com as empresas.

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Comissariado Cultural da Faculdade de Engenharia continua a promover actividades

Jóias da Terra...

O Minério da Panasqueira – exposição de espólio

A Biblioteca da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) tem patente ao público desde o dia 15 de Outubro de 2003 e até 15 de Janeiro de 2004, uma exposição sobre as Minas da Panasqueira. "Jóias da Terra, o Minério da Panasqueira" é o título da mostra que expõe os minérios característicos daquela exploração, bem como objectos que fazem parte do arquivo histórico da Panasqueira. A organização é da responsabilidade do Comissariado Cultural da FEUP e conta com o apoio do Museu Nacional de História Natural. A abertura da exposição integrou-se no programa da Semana da FEUP. Desde o "coelho" (lubrificador de linha) à imagem de Santa Bárbara (padroeira dos fundidores, mineiros, artilheiros e ainda dos bombeiros), passando por modelo de antiga "lavaria de preparação de minérios", pelo martelo ligeiro para perfuração de rocha, pela pilha de madeira (usada no suporte do tecto dos desmontes da mina da Panasqueira, evitando o seu desmoronamento enquanto os mineiros exerciam

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actividade de remoção do minério), pelos gasómetros (nas minas era necessário muita luminosidade para os trabalhos aí realizados e por este motivo, foram usados gasómetros que funcionam a água e carboneto de cálcio) e pelos explosores e aparelhos de topografia, entre uma infinidade de outros objectos que contam a história da Panasqueira, a exposição mostra ao público todos os fragmentos da única

mina de volfrâmio a laborar na Europa e uma das poucas do mundo.

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Tertúlias da Faculdade de Engenharia

Grande Porto

a Bom Porto

Nuno Portas Teresa Sá Marques Ainda da responsabilidade do Comissariado Cultural decorreu, no âmbito da iniciativa Tertúlias da FEUP, no dia 30 de Outubro, no Anfiteatro B001, mais uma "conversa". Desta vez o tema era uma interrogação "Grande Porto a Bom Porto?" e as respostas foram dadas, na ponta da língua, pelo Professor Nuno Portas e pela Professora Teresa Sá Marques. Para o Arquitecto Nuno Portas há uma falta de «estratégia governativa» na faixa litoral que vai da Póvoa de Varzim até Aveiro, abarcando o Vale do Ave e o Porto e a sua Área

Metropolitano. Durante o debate o arquitecto defendeu uma governação polarizada de toda esta área, acrescentando que «a falta de visão intermunicipal da Área Metropolitana do Porto acaba por prejudicá-la quando comparada com Lisboa». Já Teresa Sá Marque pintou, igualmente, um quadro pouco favorável. Para a professora e geógrafa «as discrepâncias nacionais ao nível do ensino, conhecimento e investigação e qualidade de vida são acentuadas». E se a região de Lisboa tem melhorado com o aumento da oferta de espaços

atractivos, culturais e de convívio, fundamentais para o conhecimento, o mesmo não se passa com o Porto. «Lisboa tem vindo a ultrapassar as barreiras e mostra competências para a nova economia, enquanto que o Porto tem caminhado muito devagar», rematou a docente. O debate permitiu esclarecer algumas das estratégias pensadas para o desenvolvimento da região Norte, nomeadamente da Área Metropolitana do Porto e, embora os prognósticos não sejam felizes, a discussão proporcionou a reflexão séria e atenta.

Recital de Violoncelo e Piano O Comissariado Cultural da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto promoveu mais uma actividade direccionada para a música. No dia 18,

às 18h00, teve lugar, no Auditório da FEUP, um Recital de Violoncelo e Piano, com Vanessa Pires (violoncelo) e Artur Pereira e Luís Filipe Sá (ambos

ao piano). Com estas iniciativas o Comissariado procura despoletar nos estudantes de engenharia o gosto pelas actividades culturais.

2ª edição jazz POR DENTRO

No seguimento do primeiro concerto comentado de jazz, realizado em Março na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, o Comissariado Cultural da FEUP promoveu a segunda edição do JAZZ por DENTRO, no dia 6 de Novembro, no Auditório da Faculdade. O concerto teve como objectivo fundamental divulgar a música de jazz, fazendo com que a audiência, maioritariamente composta por futuros engenheiros, perceba como é que este tipo de música é feito ao vivo e o que é que o distingue de outros tipos de música (erudita, popular/ligeira, entre outros).

Num concerto-aula, o líder do grupo, o pianista Paulo Gomes, falou - para além de tocar. Este objectivo inserese na estratégia geral do Comissariado Cultural, que é a de fazer com que a população da FEUP

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e das zonas adjacentes da cidade, incluindo as outras faculdades, usufrua e participe em diversas actividades artísticas/culturais que conjuguem a componente lúdica com componente pedagógica.

Paulo Gomes (piano), Fátima Serro (voz), João Pedro Brandão (flauta e saxofone), José Lima (contrabaixo) e Mário Teixeira (bateria) proporcionaram um concerto comentado, no mínimo diferente.

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Disciplina de Estruturas de Betão 2, Engenharia Civil

Concurso Inter Turmas

2002/2003

Este ano realizou-se pela primeira vez, no âmbito da disciplina de Estruturas de Betão 2 da licenciatura em Engenharia Civil, um concurso inter turmas cujo objectivo era conceber uma viga em betão armado que, mediante determinadas condições impostas, obtivesse um melhor desempenho estrutural. Este desafio foi aceite pelas onze turmas práticas da disciplina, as quais se organizaram entre si repartindo as diferentes tarefas por grupos de trabalho.

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Após a aprovação da proposta que representaria a turma, partiu-se para a fase de execução da viga. Era vê-los no Laboratório de Estruturas: as mãos sujas denunciavam a árdua tarefa que tiveram pela frente no corte, dobragem e montagem das armaduras; as mesas e ferramentas começaram a ser escassas devido à afluência simultânea dos diversos grupos ao local de trabalho. Mas valeu a pena… no fim, abraçados e de peito levantado, tiravam fotografias ao lado da viga para perpetuar o feito histórico que estavam prestes a alcançar. No dia 30 de Abril, procedeu-se à betonagem dos modelos. Os funcionários do laboratório e os docentes da disciplina (alguns, diga-se de passagem, com jeito para a arte) arregaçaram as mangas e prepararam o betão para o entornarem nos moldes sob o olhar atento dos participantes. Até que o grande dia chegou: o dia de início dos ensaios, 15 de Maio. Os modelos foram colocados um a um sobre o pórtico e ensaiados até à rotura. A preocupa-

ção e ansiedade inicial, estampada nos rostos dos concorrentes, foram sucessivamente substituídas por sorrisos disfarçados entre os dentes ou por desolação de quem via todo o seu trabalho a esvaír-se em maus resultados. Mas no final de contas todos aprenderam coisas que nunca vão esquecer, apesar do não conformismo de alguns que olharam os resultados finais com desconfiança, não fosse o nome da viga vencedora "vigarista".

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3as Jornadas do Departamento de Engenharia Química

do estudo à realidade 3ªs Jornadas do Departamento de Engenharia Química

O Papel da Indústria na Formação do Engenheiro Químico: Que lugar deverão desempenhar as empresas na definição, estruturação e orientação do programa dos cursos? Visto que são poucas as empresas ou universidades que por si conseguem investigar e desenvolver novos produtos e tecnologias, não será a colaboração e união de meios o caminho para a evolução de ambas? Foram estas as premissas que estiveram na base das 3ªs Jornadas do Departamento de Engenharia Química da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, realizadas no dia 4 de Novembro, na FEUP. António Maia de Miranda (Colégio de Engenharia Química da Ordem dos Engenheiros), Ludgero Marques (Prese imperativo que as empresas sidente do Conselho de Administraencontrem novos trunfos para comção da AEP), Ricardo Bayão Horta petir no mercado, ao passo que para (Presidente do Conselho de Adminisas universidades os últimos tempos tração da CIRES, S.A), Clemente Pedro têm registado um decréscimo nos Nunes (Administrador do grupo CUF), apoios e meios financeiros para proDaniel Bessa Coelho (Escola de mover investigação de ponta, proalgumas das individualidades chaGestão do Porto) e Henrique Neto blemas agravados pela falta de tramadas a intervir nesta problemática. (Presidente do Conselho de Adminisdição em investigação em Portugal. O actual desenvolvimento do plano tração da Iberomoldes S.A.), foram sócio-económico tem-se reflectido na - cada vez mais - profunda interligação de mercados quer nacionais, quer regionais (a chamada globalização da economia) colocando as empresas portuguesas em cenários de alta competitividade, onde lutam, por vezes, pela própria sobrevivência. É neste contexto que a colaboração entre Universidade e Indústria ganha uma posição de destaque e controversa. É esta a preocupação dos estudantes de Engenharia Química da FEUP, conscientes que o programa do curso, por muito bom que seja, nunca prepara completamente o futuro engenheiro para as funções que vai desempenhar. Torna-

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A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto dispõe desde 1999 de uma editora: a FEUP edições. OS OBJECTIVOS SÃO PRECISOS: - difundir as actividades de I&D realizadas no seu seio, - publicar instrumentos pedagógicos de suporte às actividades de ensino e aprendizagem nas áreas de engenharia. A FEUP edições está na Web em:

http://feupedicoes.fe.up.pt. Através do nosso site pode: - aceder à informação sobre as obras publicadas e seus sites complementares; - proceder a encomenda das obras; - candidatar uma obra para ser publicada pela FEUP edições; - ter acesso a notícias editoriais, como próximos lançamentos, e outras;

A FEUP edições mantém uma linha editorial, organizada em colecções, identificada pela qualidade gráfica das suas publicações e pela validação dos conteúdos nelas apresentados. PRÓXIMA PUBLICAÇÃO: Prontuário do MATLAB - em Formato de e-Book OBRAS PUBLICADAS: – Monografias – História do Ensino da Engenharia Química na Universidade do Porto – Meteorização do Granito e deterior. da pedra em edifícios e monum. do Porto – Memórias da FEUP – As Pontes do Porto: história de uma paixão. – Projecções da Memória, – Edgar Cardoso, engenheiro civil MANUAIS: – Introdução ao Projecto com Sistemas Digitais e Microcontroladores – Instrumentação electrónica. Métodos e Técnicas de Medição – Problemas de equações diferenciais – Problemas de Optimização Não-Linear – Laboratórios de Engenharia Química – Mercados de Electricidade - Regulação e Tarifação de Uso das Redes

ENSAIOS: – Codificação de fonte: duas breves visitas COLECÇÃO COLECTÂNEAS: – Osmotic Treatments for the Food Industry – WBLE – Web-Based Learning Environments – Actas do XVII Simpósio Ibero-americano de Catálise – Modelling of Sandwich Structures and Adhesive Bonded Joints – Pré-fabricação em Betão - 3as Jornadas de Estruturas de Betão – Betão estrutural 2000 – O impacto da inovação tecnológica na organização das empresas e do trabalho – Segurança e reabilitação das pontes em Portugal – European Control Conference – ECC’01 Book of abstracts – European Control Conference – ECC’01 Student Forum – Internet business and the industry of construction – EUNIS 2002 - Proceedings of the 8th International conference of European University Information Systems – Global Engineer: Education and Training for Mobility

http://feupedicoes.fe.up.pt.

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Provas académicas

AGREGAÇÃO

DOUTORAMENTO

provas académicas TÍTULO

NOME

DEPARTAMENTO

A Corrosão e Protecção dos Metais

José Inácio Ferrão de Paiva e Martins

DEQ

06 e 07.10

Centros de Controlo e Condução de Redes Eléctricas - Questões relativas ao Tratamento da Informação

Maria Zita Almeida do Vale

DEEC

13 e 14.10

DATA

TÍTULO

NOME

ORIENTADOR

— CIÊNCIAS DE ENGENHARIA

Formação, Estrutura e Propriedades de Polímeros Alquídicos Dispersáveis em Água

Susana Pinto Araújo da Silva Estima Martins

Mário Rui Pinto Ferreira Nunes da Costa

— ENGENHARIA CIVIL

Estudo Sobre Caldas de Injecção das Bainhas de PréEsforço

Alberto Mário Vasconcelos Tavares Moreira

— ENGENHARIA ELECTROTÉCNICA E DE COMPUTADORES

Coordenação em Sistemas Multi-Agente: Aplicações na Gestão Universitária e Futebol Robótico

Luís Paulo Gonçalves dos Reis

Eugénio da Costa Oliveira

11.09.2003

Gestão de Recursos e Controlo de Tráfego em Redes com Integração de Serviços

Fernando Joaquim Lopes Moreira

José António Ruela Simões Fernandes

12.09.2003

Projecto de Unidades de Cálculo em Vírgula Flutuante para Aplicações Específicas

António José Duarte Araújo

Finite Element Technology, Damage Modeling, Contact Constraints and Fracture Analysis

Pedro Miguel de Almeida Areias

Carlos Alberto da Conceição António

12.09.2003

Análise do Comportamento Dinâmico dos Componentes Estruturais sob Solicitações Generalizadas

Fernando José Ferreira

Mário Augusto Pires vaz

15.09.2003

Shape and Vibration Control of Composite Structures With Piezoelectric Elements Using Genetic Algorithms

Suzana Lara Morais Pereira da Mota e Silva

José Fernando Dias Rodrigues

22.09.2003

Modelling of Association Effects by Group-Contribution: Application to Natural Products

Maria Olga de Amorim e Sá Ferreira

Maria Eugénia Rebello de Almeida Macedo

15.09.2003

— ENGENHARIA MECÂNICA

— ENGENHARIA QUÍMICA

MESTRADO

DATA 19.09.2003 22.10.2003

16.09.2003

TÍTULO

NOME

ORIENTADOR

— DESIGN INDUSTRIAL

Novas Tecnologias para Outras Formas de Brincar e Aprender, uma proposta de interface: imat

Maria Teresa Vasconcelos Moraes Sarmento Lopes

Jeremy Aston

07.11.2003

— ENGENHARIA BIOMÉDICA

Modelos de Forma Activos na Detecção de Contornos Pulmonares em Radiografias Toráxicas

Raul Cerveira Pinto Sousa Lima

Jorge Alves da Silva

03.10.2003

— ENGENHARIA DO AMBIENTE

Modelação de Intrusão Salina na Península de Macaneta

Sérgio Manuel Tomás de Barros

Abílio Augusto Tinoco Cavalheiro

12.09.2003

Avaliação do Comportamento de Reactores UASB Operados de um Modo Intermitente no Tratamento de Efluentes de Indústrias de Lacticínios

Nuno Miguel Gabriel Coelho

Rui Alfredo da Rocha Boaventura

31.10.2003

Redes Móveis de Terceira Geração - especificação de um sistema de Comutação para a Rede de Acesso

Sérgio Armindo Lopes Crisóstomo

José António Ruela Simões Fernandes

11.09.2003

Infra-Estrutura Laboratorial para Experimentação Remota

Ricardo Jorge Guedes da Silva Nunes da Costa

José Manuel Martins Ferreira

08.10.2003

Optimização de Linha de Produção em Indústria de Processo

Manuel Pedro Soares Marques

Adriano da Silva Carvalho

19.11.2003

Sistema de Navegação Baseado na Leitura Óptica do Terreno

Armindo Fernandes dos Santos Martins

Francisco José de Oliveira Restivo

19.11.2003

Determinação Experimental dos Coeficientes de Sorção e Difusão de COVs em Materiais de Construção

Mário Jorge Dias Guindeira

Armando Manuel da Silva Santos

10.10.2003

Efeito da Utilização de Insertos Metálicos nas Características de Juntas Aparafusadas em Compósitos

Cassilda Maria Lopes Tavares

Pedro Manuel Ponces Rodrigues de Castro Camanho

28.11.2003

Controlo dos Sistemas AVAC para a Qualidade do Ar Interior: Estudo de uma Sonda

Joaquim Alexandre Airosa Alves

Eduardo Guimarães de Oliveira Fernandes

28.11.2003

— ESTATÍSTICA APLICADA E MODELAÇÃO

Análise Quantitativa dos Potenciais Cerebrais ERP 300 em Adultos-Jovens

Estela Maria dos Santos Ramos Vilhena

Denise Maria de Melo Vasques de Mendonça

23.09.2003

— FUNDAMENTOS E APLICAÇÕES DA MECÂNICA DOS FLUIDOS

Perdas de Carga em Tês de Derivação de Sistemas de Tubagens: o Caso da Bifurcação a 60º

Nuno Fernando Pereira da Costa

Rodrigo Jorge Fonseca de Oliveira Maia

01.10.2003

— MECÂNICA DOS SOLOS E ENGENHARIA GEOTÉCNICA

Contribuição para o conhecimento de anisotropia induzida em solos argilosos regionais portugueses. Estudo experimental sobre algumas amostras representativas

Carla Alexandra Pereira de Carvalho

António Joaquim Pereira Viana da Fonseca

26.11.2003

— REDES E SERVIÇOS DE COMUNICAÇÃO

Security and Authorization Mechanisms in a Distributed Digital Asset Management System

João Manuel de Vila Fernandes Orvalho

José António Ruela Simões Fernandes

Tecnologias de Suporte a VPN's

António Pedro Valinhas Santos Ferreira

José António Ruela Simões Fernandes

11.11.2003

ANIMATROPE - Máquina Virtual de Animação - Contributo Conceptual para uma Aplicação Didáctica Mutimédia

Sérgio Augusto dos Santos Nogueira

Vasco Afonso da Silva Branco

12.11.2003

— ENGENHARIA ELECTROTÉCNICA E DE COMPUTADORES

— ENGENHARIA MECÂNICA

DATA

30.10.2003

— TECNOLOGIA MULTIMÉDIA

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