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SEGUNDO trimestre 2007 Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Distribuição gratuita

Em foco Conheça a forma como a FEUP prepara os seus alunos e docentes para serem empreendedores

À conversa com… Raul Vidal, professor associado da FEUP e director do MIEIC, acredita no potencial das empresas portuguesas mas revela que Portugal necessita urgentemente de muitos e muito bons líderes

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I&D “Ideavity” e “Tomorrow Options” dois casos de sucesso empresarial que nasceram na FEUP

FORUM EMPRESAS 2007 9 a 11 de Outubro Inscreva a sua empresa no website:

http://sicc.fe.up.pt/ForumEmpresas/2007


SUMáRIO

EDITORIAL

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AGENDA Julho a Outubro

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Engenheiros Empreendedores EM FOCO Escola de Engenharia por excelência, a FEUP tem sido também a rampa de lançamento de spin-offs, de gestores de sucesso, de negócios criados por ex-alunos e professores cuja experiência académica foi muito para além dos bancos das salas de aula e, acima de tudo, de engenheiros com capacidade de inovar e arriscar, criando valor acrescentado. Conheça a forma como a FEUP prepara os seus alunos e docentes para serem empreendedores. À CONVERSA COM… Raul Vidal Conheça a estratégia do Mestrado Integrado em Engenharia Informática e Computação para fomentar o emprego e empreendedorismo. OPINIÃO “Afinal, o que é ser empreendedor?”. A resposta é dada por João José Pinto Ferreira, director do Mestrado em Inovação e Empreendedorismo Tecnológico. INVESTIGAÇÃO E DESENVOLVIMENTO O Mestrado em Inovação e Empreendedorismo Tecnológico. tem promovido a construção de novos negócios de base tecnológica. Dois dos casos mais bem sucedidos são a “Ideavity” e a “Tomorrow Options”. FEUP POR DENTRO Nesta edição do BiFEUP destaque para a criação do Conselho Consultivo do Mestrado em Inovação e Empreendedorismo Tecnológico e também para o lançamento do Mestrado em Engenharia de Serviços e Gestão, um mestrado inédito em Portugal. De realçar ainda a liderança da FEUP em projectos europeus de investigação de grande importância, como é o caso do Marine e do Eneas. O Prémio Jovem Investigador em Mecânica Aplicada e Computacional 2006 distingui um docente da FEUP, numa altura em que se sucederam conferências internacionais de renome na FEUP na área de engenharia.

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Editorial

José Manuel Mendonça*

Há pouco tempo surgiram na imprensa, quase em simultâneo, notícias que davam conta de um aparente paradoxo no desempenho económico do nosso país. Se, por um lado, se registava no primeiro trimestre de 2007 alguma recuperação com um crescimento económico um pouco superior a 2% do PIB, fortemente alavancado pelo crescimento das exportações na ordem dos 6%, por outro lado aumentava o desemprego, atingindo os valores máximos dos últimos anos, ultrapassando os 8%. Este aparente paradoxo causou alguma perturbação e os média precipitaram-se a escutar a opinião de economistas, empresários e políticos. Curioso, fui seguindo o arrazoado de diversos fazedores de opinião, na maior parte das vezes desinteressante e com pouco sentido. Até que, finalmente, já ao final do dia, ouvi o (pelos vistos, bem assessorado) Presidente da República dizer algo que era óbvio, mas que ninguém tinha até aí sequer aflorado. Dizia que era assim e que era bom sinal, pois, para além do crescimento se basear em exportações era feito através de actividades menos intensivas em mão-de-obra e mais dominadas pela aplicação tecnológica e pelo conhecimento. O suposto paradoxo decorria do facto de as exportações necessitarem de menos mão-de-obra, embora de mão-de-obra mais qualificada. Esta constatação de que os tecidos económico e produtivo estão a mudar, de que a criação de valor e a capacidade competitiva se deslocam para sectores e actividades que empregam menos pessoas, mas necessariamente muito mais qualificadas, significa que o crescimento, a produção de riqueza e o futuro do país estão a mudar de mãos. Quererá isto dizer que deixámos de ser competitivos nos sectores ditos “tradicionais” ou “maduros”, fortemente criadores de emprego, como o têxtil, calçado, moldes, etc., e até o automóvel, que têm sido cruciais para a nossa economia e fundamentais para tornar menos desequilibrada a nossa balança de transacções correntes? E quererá isto também dizer que, a partir de agora, seremos sobretudo exportadores em áreas como a biotecnologia, a optoelectrónica, o software ou os serviços de base tecnológica? A resposta a ambas as questões é clara: não.

Fotografia: Rui A. Cardoso

Faculdade de Engenharia Universidade do Porto

Os empreendedores e a essência do saber

Está longe o tempo em que elevadas qualificações garantiam, por si só, o emprego e a empregabilidade Temos, de facto, de nos manter em muitos dos sectores “tradicionais” ou “maduros”. Mas apostando cada vez mais nos nichos de alto valor acrescentado, exigindo design, engenharia e tecnologia avançada nos produtos, nos processos e nos serviços associados. Isto é, temos de aumentar fortemente a capacidade competitiva forjada durante décadas nesses sectores, alavancando a rede de contactos nos mercados de fornecedores e clientes e os clusters regionais de mão-de-obra especializada através de uma fortíssima componente de inovação baseada em conhecimento. Mas, por outro lado, temos também de apostar nas tecnologias, actividades e negócios do futuro, que alguns dizem na Europa estar no ambiente, na saúde e nos produtos e serviços para os cidadãos sénior.



FICHA TÉCNICA Propriedade Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Edição DCI Divisão de Comunicação e Imagem Corpo editorial  Ana Martins, Carlos Oliveira, Cristina Soares, Paulo Jesus, Raquel Pires e Victor Silva

Sede  FEUP, Rua Dr. Roberto Frias, 4200-465 - Porto Tel: 225 081 895 | Fax: 225 081 503 | e-mail: dci@fe.up.pt Impressão MARCA – Artes Gráficas Tiragem 4000 exemplares

Textos Ana Martins, Cristina Soares e Raquel Pires

Depósito legal 225.531 / 05

Fotografia  Cristina Soares, Filipe Paiva e Rui A. Cardoso

Contacto para Publicidade Jorge Carboila Telef. 225 081 598 | e-mail: dci@fe.up.pt

Design Gráfico e Produção Victor Silva | DCI FEUP

Porém, qualquer que venha a ser a nossa especialização industrial futura, uma coisa é certa: a volatilidade dos negócios no actual ambiente global, com ameaças e oportunidades a surgir diariamente com a entrada em cena das economias emergentes em rápido crescimento (Brasil, Rússia, Índia e China, os BRIC’s), veio para ficar. E isso vai encurtar a idade média das empresas, tornar mais rapidamente obsoletos os seus produtos e serviços, perturbar sistematicamente os quadros competitivos e obrigar as pessoas a mudar de emprego muito, mesmo muito, mais vezes do que no passado. Como sempre, apesar de tudo, as ameaças trazem oportunidades: nos negócios do futuro o saber vai tornar-se mais importante do que o capital, as pessoas qualificadas mais importantes do que os equipamentos e os bons gestores e empreendedores mais importantes do que os accionistas. A renovação do tecido empresarial e social que se nos impõe abre assim novas e maiores oportunidades à educação e à qualificação, mas ancoradas na criatividade e no espírito empreendedor, hoje em dia requisitos imprescindíveis, sobretudo para os mais qualificados. Está longe o tempo em que elevadas qualificações garantiam, por si só, o emprego e a empregabilidade e em que o espírito de iniciativa e o gosto pelo risco eram, na maioria dos casos, uma característica de empreendedores de sucesso, mas pouco qualificados. Aos mais qualificados das empresas do futuro, necessariamente aqueles que mais as oneram, serão pedidos saberes e competências técnicas e de gestão. Mas, cada vez mais, ser-lhes-á também exigida capacidade empreendedora geradora das constantes mudanças inerentes à operação “normal” de uma empresa ou organização dos nossos tempos. Isto é, o futuro irá pertencer aos que tiverem a capacidade de aliar uma elevada qualificação ao espírito de risco e capacidade de empreender. Tal como Confúcio teria dito: A essência do saber está em, tendo-o, aplicá-lo.

* Professor Catedrático do Departamento de Engenharia Electrotécnica e de Computadores da FEUP e Presidente do INESC Porto


AGENDA

Faculdade de Engenharia Universidade do Porto

“Probability and Statistics in Science and Technology” em Agosto na FEUP

FEUP acolhe 7º Encontro Nacional de Sismologia e Engenharia Sísmica

Patrocinado pela Bernoulli Society – prestigiada sociedade científica internacional que se dedica à área das probabilidades e estatística – o congresso “Probability and Statistics in Science and Technology” vai decorrer na FEUP, de 30 de Agosto a 1 de Setembro. Este congresso visa promover conhecimento científico capaz de dar resposta às necessidades que surgem quando nos deparamos com problemas práticos e de desenvolvimentos nas tecnologias e em diferentes áreas das engenharias. O encontro centrar-se-à em três áreas fundamentais: estatísticas espaciotemporais, simulação e classificação de dados. Contribuições de diferentes áreas enriquecerão o congresso, entre elas as aplicações em previsões energéticas, hidrodinâmica, qualidade da água, crescimento de árvores, CMB (Cosmic Microwave Background radiation), selecção de portfolios e de contratos de seguros, eficiência de sistemas com fila-de-espera, sobrevivência em doenças cancerígenas e em cirurgias, e aplicações em novos materiais. O congresso será presidido pelo Professor Doutor Holger Rootzen, reputado cientista da Universidade de Tecnologia de Chalmers (Suécia), sendo a palestra de abertura da responsabilidade de Sir David Cox (Oxford University), um dos expoentes máximos da Estatística do séc. XX. Haverá ainda lugar para inúmeras palestras e sessões temáticas proferidas por reputados especialistas nesta matéria. De destacar a presença do investigador Søren Asmussen, da Universidade de Aarhus. Mais informações em http://paginas.fe.up.pt/~bsconf07

Nos dias 26, 27 e 28 de Setembro vai decorrer no Auditório da FEUP o 7º Encontro Nacional de Sismologia e Engenharia Sísmica – Sísmica 2007, uma iniciativa do Departamento de Engenharia Civil em colaboração com a Sociedade Portuguesa de Engenharia Sísmica. Este encontro nacional trienal tem como principal objectivo difundir os avanços alcançados no estudo de sismologia e de engenharia sísmica. À semelhança dos encontros anteriores, a 7ª edição do congresso contará com comunicações convidadas e comunicações livres que abordarão temas como a avaliação da segurança, sismicidade, movimentos sísmicos e efeitos de sítio, vulnerabilidade e risco sísmico, comportamento dinâmico de solos, estruturas geotécnicas e interacção solo-estrutura, sistemas de controlo e isolamento sísmico,entre outros. O último dia do congresso será dedicado ao tema “Seismic Safety Assessment”, estando confirmada a presença de especialistas de renome internacional tendo em vista a sua contribuição para o estabelecimento do actual estado da arte neste domínio e o aprofundamento do seu conhecimento. Mais informações em www.fe.up.pt/sismica2007

“Universidade Júnior” mobiliza jovens para o universo da Engenharia À semelhança dos anos anteriores, a 3ª edição dos cursos de Verão do programa “Universidade Júnior” conta com a participação da FEUP. Durante o mês de Julho, laboratórios e salas de aula da Faculdade de Engenharia abrem-se aos jovens alunos, possibilitando um contacto mais próximo da área das engenharias. Para os mais jovens do 5º e 6º anos a proposta passa pelo programa “Experimenta no Verão”, uma iniciativa onde os pequenos “caloiros” da U.Porto podem experimentar durante toda a semana actividades em quatro diferentes áreas científicas. Para os alunos do 7º e 8º anos estão previstas as “Oficinas de Verão”, que passam pela mesma estratégia de experimentação, mas através de pequenos projectos de trabalho. Os jovens do 9º ao 11º anos têm à sua disposição o “Verão em Projecto”, cujo objectivo passa pela realização de um projecto de carácter científico na área que lhes despertar mais interesse (têm cerca de 50 projectos à escolha). Os cursos de Verão da “Universidade Júnior” são uma das maiores operações realizadas pela U.Porto, envolvendo professores, investigadores e alunos das 14 faculdades e mais de 70 unidades de investigação.

Fórum-Empresas regressa em Outubro No âmbito das relações Universidade – Empresa, a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) organiza, nos dias 9, 10 e 11 de Outubro de 2007, o evento Fórum-Empresas que visa facilitar o contacto directo e privilegiado entre empresas, a Escola, alunos, finalistas e recémgraduados desta Faculdade. O evento contempla um espaço de stands para as empresas proporcionando a interactividade com os alunos, um espaço para conferências, workshops e debates sobre temáticas actuais da investigação, do emprego, do empreendedorismo e inovação. O programa deste ano inclui novamente as “manhãs abertas às empresas”, iniciativa que visa dar a conhecer às empresas os laboratórios de ensino e investigação da FEUP, onde os alunos desenvolvem as suas actividades durante o percurso académico. Durante as manhãs abertas, serão ainda apresentadas às empresas alguns dos Projectos PESC - Projectar, Empreender e Saber Concretizar – desenvolvidos pelos alunos da FEUP. Estarão presentes entidades ligadas à formação e à temática do emprego, ex-alunos FEUP com histórias de sucesso, empresas nacionais e internacionais para apresentarem as suas perspectivas sobre o mercado de trabalho e as actuais exigências no que respeita às competências e qualificações de um engenheiro FEUP. Mais informações em http://sicc.fe.up.pt/ForumEmpresas/2007

Projecto SENSOR 3 apela à participação de toda a comunidade



A Divisão de Cooperação da FEUP está a levar a cabo um estudo relacionado com a percepção de competências dos licenciados(as) em Engenharia e a adequação dessas competêncicas às necessidades do mercado de trabalho. Este projecto constitui uma oportunidade de reflexão sobre as exigências que o processo de Bolonha traz aos cursos do Ensino Superior, em especial na área da empregabilidade, permitindo à FEUP desenvolver uma avaliação sobre o seu estado actual e traçar linhas de orientação sustentadas para o futuro. Nesse sentido, o Projecto Sensor 3 pede a colaboração de todos os ex-alunos(as) (que tenham concluído uma licenciatura em Engenharia até ao ano de 2005): basta preencher o inquérito que se encontra disponível em http://sicc.fe.up.pt/org/dcoop/re/Sensor3.htm, até ao dia 10 de Agosto de 2007. Com esta participação os licenciados(as) passarão a receber em casa a edição trimestral do Boletim Informativo da FEUP, sem qualquer encargo. Às empresas foi solicitada a colaboração via carta e correio electrónico, com links personalizados, sendo o prazo de resposta até ao dia 15 de Setembro de 2007. As empresas interessadas em participar no estudo, que não tenham sido contactadas e queiram participar, devem manifestar o seu interesse através do seguinte endereço de e-mail: sensor@fe.up.pt. Para as empresas que participem no projecto estão previstas diversas ofertas em publicações e eventos FEUP.

FORMAÇÃO CONTÍNUA JULHO – OUTUBRO 17 de Setembro de 2007 a 31 de Julho de 2008 Segurança e Higiene Ocupacionais – Curso de Técnico Superior de Segurança e Higiene no Trabalho

Formação para peritos qualificados no âmbito do SCE – Novo RCCTE

Formador: João Santos Baptista

Datas:

Formadores: Eduardo Maldonado, Vasco Peixoto de Freitas

2ª acção compactada

27 e 28 de Setembro Projecto e Simulação Hidráulica de Redes Públicas de Abastecimento de Água

17, 18 e 19 de Setembro

Formador: Mário Valente Neves

12 de Novembro

Discussão do exercício 5 de Novembro Exame


EM FOCO

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Conheça a forma como a FEUP prepara os seus alunos e docentes para serem empreendedores

ngenheiros mpreendedores

Reportagem de Ana Martins

Escola de Engenharia por excelência, a FEUP tem sido também a rampa de lançamento de spin-offs, de gestores de sucesso, de negócios criados por ex-alunos e professores cuja experiência académica foi muito para além dos bancos das salas de aula e, acima de tudo, de engenheiros com capacidade de inovar e arriscar, criando valor acrescentado. Na base estão actividades extra-curriculares, disciplinas de gestão de projectos e marketing, projectos de I&D e formação especializada em empreendedorismo. E a certeza de que a aposta no potencial empreendedor dos engenheiros é uma aposta ganha num futuro mais inovador e competitivo.



Na disciplina de Laboratório de Gestão de Projecto aprende-se marketing e comunicação, orçamentação do produto, gestão do desenvolvimento e gestão do projecto, entre outras soft-skills.


EM FOCO

Faculdade de Engenharia Universidade do Porto

Até há um ano atrás, Ricardo Guimarães era um aluno como muitos outros: estava no seu horizonte um estágio numa empresa de grandes dimensões no fim do curso, como via acontecer com muitos dos seus colegas. Hoje, este aluno do 5º ano de Engenharia Electrotécnica e de Computadores é peremptório: “Neste momento espero criar o meu próprio emprego e levar colegas da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto comigo”. O que mudou entretanto? Desde há um ano para cá tem cooperado activamente com a equipa do Professor José Rocha e Silva [do Departamento de Engenharia de Minas e Geo-Ambiente] tendo participado em dois concursos de Inovação [Bes Inovação e Cohitec], e tendo inclusivamente integrado partes do trabalho que desenvolve com esta equipa no seu currículo académico no Mestrado Integrado em Engenharia Electrotécnica e de Computadores, nomeadamente na disciplina de Análise de Sistemas e Gestão de Projectos. Por isso, este aluno finalista não tem dúvidas ao afirmar que “os cursos de engenharia são, por excelência, o local para o aparecimento da atitude empreendedora, pois os alunos lidam com tecnologia, produtos e soluções para pessoas e empresas”. Garantias de quem foi um dos vencedores do Concurso de Ideias de Negócio Alumnidea – lançado em 2006 pela AlumniLEIC – com o projecto OPTICIM, que resultou já na criação da empresa BLB Engenharia, sedeada na Incubadora de Base Tecnológica da Universidade do Porto (UPTEC). Assegurando que na FEUP “é notório que o ensino está cada vez mais orientado ao Projecto e que a parceria com empresas em projectos extracurriculares e projectos finais de curso tem vindo a aumentar”, Ricardo Guimarães aponta ainda a criação do Mestrado em Inovação e Empreendedorismo Tecnológico (ver páginas de I&D nesta edição) como “uma peça importante neste capítulo”. Por outro lado, lembra, “a quantidade de Projectos vindos da FEUP que aparecem em concursos de inovação e programas como o COHiTEC ultrapassam os das restantes faculdades, o que é um bom indicador”. Funcionando com equipas multidisciplinares, que desenvolvem projectos reais a partir de tecnologias criadas em universidades portuguesas e utilizando para tal um processo estruturado de empreendedorismo e comercialização de tecnologia, o COHiTEC é um programa de empreendedorismo tecnológico orientado a oportunidades de negócio de elevado potencial de crescimento. Segundo o Coordenador Pedagógico da iniciativa COHiTEC.Norte@EGP e docente do Departamento de Engenharia Electrotécnica e de Computadores, João Claro, a FEUP tem tido uma participação muito elevada no COHiTEC: “Temos tido, em todas as edições, a oportunidade de trabalhar com actuais e antigos alunos da FEUP, como tecnólogos ou como alunos do MBA da Escola de Gestão do Porto. Num ambiente de aprender fazendo, muito exigente em termos de perfil e empenho dos participantes, o nível geral destas participações tem

sido muito elevado. Evidência disso é não só a qualidade dos resultados alcançados no programa, mas também o facto, que considero de particular relevância, de muitos posteriormente virem a integrar as equipas de promotores que procuram concretizar os projectos empresarialmente”.

“Os cursos de engenharia são, por excelência, o local para o aparecimento da atitude empreendedora, pois lidamos com tecnologia, produtos e soluções para pessoas e empresas”. Empreendedor ou Intra-preendedor?

Ricardo Guimarães faz parte dos 23,3 por cento dos alunos finalistas da FEUP – a maior faculdade da Universidade do Porto - com propensão para o Empreendedorismo, segundo um estudo levado a cabo entre Setembro de 2006 e Março de 2007 por Aurora Teixeira, docente da Faculdade de Economia do Porto, sobre o potencial empreendedor dos alunos universitários de todos os cursos da U. Porto. O que significa que, potencialmente, cerca de 300 alunos finalistas deste ano pela FEUP poderão vir a criar uma empresa. Esta é pelo menos a vontade de Sérgio Moreira, aluno do 5º ano do Mestrado Integrado em Engenharia Mecânica. A paixão pelos automóveis levou-o a ingressar neste curso e a abraçar os Projectos PESC – Projectar, Empreender, Concretizar (ver caixa), na busca de uma aplicação prática para o que aprendia na teoria. Lançados em 2004 pelo Professor Barbedo Magalhães, do Departamento de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial, os PESC devolveram a Sérgio Moreira a motivação pelo curso e aguçaram-lhe a vontade de criar uma empresa na área da prestação de serviços técnicos no ramo automóvel. Fazendo “um pouco de tudo, desde a gestão até às verificações técnicas” no projecto do Desafio Único (uma iniciativa organizada pela FEUP e pela Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting), Sérgio garante que os PESC têm sido determinantes na formação de futuros empreendedores, dotando-os, para além de competências técnicas e de gestão, de algo fundamental para quem queira criar uma empresa: “a capacidade de trabalhar em equipa e de se interrelacionar com os outros”. Além dos PESC, Mariana Tello de Sousa – também finalista, mas de Engenharia Civil – já aproveitou um rol infindável de oportunidades que a FEUP oferece para desenvolver aptidões ao nível do Emprendedorismo, tanto curricular como extra-curricularmente: “Disciplinas como Investigação Operacional incutiram o ‘bichinho’ do Ser Empreendedor. O meu

Sabia que… A palavra empreendedor (derivada do francês, “entrepreneur”) significa: “aquele que assume riscos e começa algo de novo”.

Nos países desenvolvidos, 58% dos empreendedores possuem formação superior.

Richard Cantillon, importante escritor e economista do século XVII, é considerado por muitos como um dos criadores do termo empreendedorismo, tendo sido um dos primeiros a diferenciar o empreendedor (aquele que assume riscos), do capitalista (aquele que fornecia o capital).

Quanto mais alto for o nível de escolaridade de um país, maior será a proporção de empreendedorismo por oportunidade.

Em 1950 Joseph Schumpeter definiu o indivíduo “empreendedor”, com sendo “uma pessoa com criatividade e capaz de fazer sucesso com inovações” 

K. Knight (em 1967) e Peter Drucker (em 1970) introduziram o conceito de risco, uma pessoa empreendedora precisa arriscar em algum negócio. Trinta anos mais tarde, em 1985, Pinchot introduz o conceito de Intra-empreendedor, que significa “uma pessoa empreendedora mas dentro de uma organização”. Pesquisas recentes realizadas nos Estados Unidos mostram que o sucesso nos negócios depende principalmente de nossos próprios comportamentos, características e atitudes, e não tanto do conhecimento técnico de gestão quanto se imaginava até há pouco tempo atrás.

A Divisão de Cooperação da FEUP organiza, em parceria com a Net Bic , uma iniciativa denominada “Consultório de Ideias”. No total são 10 consultórios por ano, em que alunos, técnicos, docentes e investigadores da U. Porto podem, com garantia de total confidencialidade, testar a suas ideias de negócios. Segundo dados apurados 2007, a partir de uma amostra de 87% dos alunos licenciados em 2005/2006, 42,4% dos alunos da FEUP estão a trabalhar antes de terminarem o curso, 85,7% encontram emprego até 4 meses depois de concluírem o curso e 92,4% estão empregados até 9 meses depois de concluírem o curso. Fontes: Wikipédia e FEUP


EM FOCO

O Empreendedorismo da FEUP visto de fora

“Integração da FEUP no UPTEC é incontornável”

Fotografia: Rui A. Cardoso

Lançado a 2 de Fevereiro de 2007, o UPTEC - Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto tem contado com a colaboração de várias faculdades, nomeadamente da Faculdade de Engenharia. Segundo o presidente do Conselho de Administração da UPTEC e ex-reitor da Universidade do Porto, José Novais Barbosa, “a FEUP foi uma das Faculdades que se empenhou em ter um espaço de incubação no Pólo da Asprela, pelo que a integração da FEUP nesta iniciativa é incontornável”. Por outro lado, acrescenta, “o coordenador do MIETE, o Prof. João José Pinto Ferreira, tem acompanhado muito de perto a evolução do projecto, estando a contribuir directamente para que este se complemente com a estratégia da FEUP para o empreendedorismo”.

D.R.

“Parece difícil transformar em empreendedor quem não nasceu para tal. Mas esse é apenas um dos extremos; no outro extremo, podem estar os que, tendo nascido com essa vocação, tardam em vê-la descoberta. A formação em empreendedorismo, por exemplo ao nível de licenciatura, pode ajudar a despertar muita gente, a descobrir muitas vocações. Portugal precisa de empreendedores, sobretudo de jovens empreendedores, tão qualificados quanto possível no plano tecnológico. Não creio que haja melhor lugar do que uma Escola de Engenharia para os encontrar; e acredito em soluções diversas de cooperação entre as Escolas de Engenharia e as Escolas de Negócios para os qualificar, e robustecer”. Daniel Bessa, director da Escola de Gestão do Porto

“A FEUP é uma escola que, pelas ciências base que ministra (Matemática, Física e Química, etc.) e pelo estudo dos processos quer físicos e químicos, quer de operações, prepara bem os alunos em termos técnicos e de compreensão de processos e sistemas para a vida real, onde a diversidade é muito grande.” João Serrenho, formado na FEUP em Engenharia Química (1975) e hoje presidente do Conselho de Administração do Grupo CIN

Uma estratégia assente na experiência da FEUP nesta área, graças a iniciativas como “o MIETE [Mestrado em Inovação e Empreendedorismo Tecnológico], ou os projectos PESC”, aponta. Por outro lado, lembra Novais Barbosa, “não podem também esquecer-se iniciativas empreendedoras provenientes quer de outros professores e investigadores, quer de actuais ou antigos alunos, em acções individuais ou em grupos”. Com o arranque das obras já em Julho, a construção do novo edifício de incubação deverá estar concluída em Julho do próximo ano, sendo de esperar o início de novas obras de construção de um edifício para instalação de centros privados de inovação, ainda em 2008. Estando já a funcionar com sete projectos empresariais e contando com 30 colaboradores, a UPTEC está também já a testar o modelo do projecto “Campus Empresa” com duas empresas e prevê para breve o alargamento do mesmo a outras, “eventualmente através de parcerias com instituições como a COTEC, a quem já foi apresentado o programa”, revela Novais Barbosa. Consistindo num programa cuja principal missão é aproximar as empresas da Universidade, o “Campus Empresa” foi lançado pela incubadora UPTEC com base no pressuposto de que em empresas de média/ grande dimensão existem empreendedores com potencial para iniciarem negócios com alto potencial de crescimento, mas a quem ainda não foi disponibilizada a ferramenta necessária para o fazer. Estes são empreendedores que conhecem o mercado – “Uma das vertentes mais importantes no lançamento de novos negócios” - e a quem a UPTEC pretende oferecer serviços de interface com a Universidade. A ideia passa por convencer as empresas a desenvolverem um ambiente de criatividade que dê origem à selecção de ideias de novos produtos, que por sua vez darão origem a novas áreas de negócio, que se materializarão na forma de novas empresas a incubar na UPTEC. Por seu turno, a UPTEC ficará responsável por, em conjunto com a U. Porto, implementar uma metodologia de criatividade na empresa, ficando a selecção das ideias dos projectos com maior potencial a cargo da empresa. Segue-se a procura de recursos humanos e tecnológicos dentro da U. Porto e a constituição de uma equipa de desenvolvimento. O investimento no projecto de I&D aplicado poderá ser assumido na totalidade pela empresa, ou poderá ser repartido quer com investidores privados (como Sociedades de Capital de Risco), ou através de financiamento público. O importante, segundo Novais Barbosa, “é criar um centro de desenvolvimento de produto que tem por base as competências e experiência da comunidade investigadora da U. Porto, transformando as mesmas em negócio, o qual, com o apoio da UPTEC, se espera que venha a crescer rapidamente. Tendo sido aprovado pela Reitoria um modelo de “Cadeia de Valor de Empreendedorismo U. Porto” que cobre todas as fases do empreendedorismo, a UPTEC está já a trabalhar com as várias unidades orgânicas da U. Porto, incluindo a Universidade do Porto Inovação (UPIN), “no sentido de tornar a UPTEC um projecto de todos e para todos, dentro do universo U. Porto”, conclui o presidente do Conselho de Administração do Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto.




EM FOCO

Faculdade de Engenharia Universidade do Porto

envolvimento em projectos criados na FEUP como os projectos PESC, ou os projectos do Núcleo de Aeronáutica, Aeroespacial e Modelismo, permitiram-me ‘aprender fazendo’; gerar ‘riquezas’, originando conhecimento próprio tanto a nível laboral como social, e em especial em áreas como o marketing, a organização e a produção”. A oportunidade de trabalhar em grupo na Equipa de Hospedeiros (da Divisão de Comunicação e Imagem da FEUP), colaborando em diversos eventos, ou como monitora da Universidade Júnior, lidando com diferentes faixas etárias e ainda no Coral de Engenharia, revelaram-se fundamentais para adquirir habilidades que no futuro lhe permitirão lidar com diferentes pessoas de diferentes backgrounds. Foi ainda na Faculdade de Engenharia que Mariana teve oportunidade de contactar com associações como o G.A.S. Porto que contribuíram para a sua formação e crescimento pessoal, ou de interagir com outros jovens “que buscam mais do que aquilo que se lhes apresenta, e em simultâneo ter contacto com equipas inovadores e dinâmicas como as da JuniFEUP, AEFEUP ou as do Núcleo de Ambiente”, explica. Experiências que, segundo esta aluna, a dotaram de competências “ao nível do trabalho de equipa, arregaçando as mangas sempre que necessário; da criatividade, conseguindo visualizar o objectivo e os passos para o atingir; da flexibilidade, obtendo “jogo de cintura” para enfrentar os possíveis obstáculos; de liderança e de representatividade; da autoconfiança; da capacidade para ultrapassar os erros e de uma atitude pró-activa face à vida”.

Os PESC são determinantes na formação de futuros empreendedores, dotando-os de competências técnicas e de gestão e de algo fundamental para quem queira criar uma empresa: a capacidade de trabalhar em equipa e de se interrelacionar com os outros. Pinto Ferreira [responsável do MIETE] sobre inovação”, conta. Foi aliás graças a um desafio lançado no âmbito desta disciplina a Miguel Paixão, Luís Martinho, Nuno Salvaterra, Mariana Figueiredo e Rui Guerra que a Júnior Empresa da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (JUNIFEUP) realizou um projecto inovador. Miguel Paixão – membro da JUNIFEUP desde o 4º ano – propôs a criação de um plano de Marketing para um produto novo – uma aplicação de software para um sistema de reservas on-line para clientes de pequenos hotéis e residenciais. O 19 atribuído a esse projecto foi apenas a primeira vitória. Seguir-se-ia a candidatura da JUNIFEUP ao concurso para o JADE Excellence Awards nas categorias “Júnior Empresa Mais Empreendedora” e “Projecto Mais Inovador”. Apesar de o resultado não ter sido o esperado, o Plano de Marketing desta aplicação de software ficou colocado entre os três primeiros e passou à fase final. Actualmente, revela Miguel Paixão, “a JUNIFEUP encontra-se em fase de iniciação de desenvolvimento do produto e de angariação de uma base de clientes não só interessada no produto, como em comprar o produto, tarefas levadas a cabo internamente, pelo Departamento de Informática e pelo Departamento de Marketing da júnior empresa”.

Fotografia: Filipe Paiva

Os PESC de A a Z

A criação de um aeromodelo foi um dos primeiros projectos PESC. A necessidade de construir o melhor dos modelos levou uma equipa de alunos e professores a lançarem o Desafio NAAM em 2006, uma competição de aeromodelos que juntou equipas de todo o país.

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Como resultado, hoje Mariana Tello de Sousa sente-se cada vez mais inclinada a criar uma empresa. Mas será que só quem cria um novo negócio é que é empreendedor? Não. Aliás, Miguel Paixão é a prova de que o empreendedorismo também pode ser vivido no interior de uma organização. A estagiar actualmente na Alert Life Sciences Computing, S.A. – uma empresa que desenvolve e implementa software para a saúde – este aluno do Mestrado Integrado em Informática e Computação considera-se mais intra-empreendedor do que empreendedor: “Nunca criei uma empresa, mas já criei e estive à frente de projectos. E neste momento sinto que sou mais compatível com uma atitude intra-empreendedora”. E empreendedorismo é a palavra-chave na vida académica de Miguel Paixão. A nível curricular, Miguel destaca as disciplinas de Laboratório de Gestão de Projectos (LGP), Seminários, Marketing e Análise Projectos de Investimento. Em LGP, exemplifica, “havia componentes empresariais muito fortes pois, ao contrário de todos os trabalhos até então desenvolvidos, o produto final [que tem clientes reais, como a Qimonda ou a PT Inovação] era apenas uma parte da avaliação. Marketing e comunicação, orçamentação do produto, gestão do desenvolvimento, gestão do projecto, preocupações com qualidade, investigação em tecnologias nunca utilizadas em cadeiras anteriores, foram as principais componentes empresariais desta cadeira, em que se fosse implementada uma boa dose de dedicação por toda a equipa, o trabalho final seria fantástico (e a experiência incrível)!”. Já na disciplina de Seminários foram necessárias apresentações regulares de casos de sucesso de projectos ou de projectos próprios. E em Marketing, acrescenta, havia a liberdade total de definição no Projecto de Marketing, que se apresentava como sendo a componente de avaliação distribuída da cadeira. “Aqui podíamos dar largas à imaginação e até tivemos direito a uma aula do Prof. João José

Criados em 2004, os Projectos PESC - Projectar, Empreender, Saber Concretizar envolveram até hoje 427 alunos. Conheça os projectos que estão actualmente activos: Air cargo - Projecto e construção de um aeromodelo de carga “Acqua_Barrier – Barreiras de contenção contra cheias” AsasF - Controlo cooperativo de veículos aéreos autónomos Avião Solar Híbrido Banco de ensaio de motores Concepção de Micro-Satélites Construção de um Automóvel Clássico Popular de Competição Construção de um Automóvel de Competição para Ralicross Desafio Universitário UNO DOLPHIN - Modelo reduzido de navio petroleiro para ensaio em tanque de ondas e-Kart – FEUP kart FEUPhone - Telefone móvel da Faculdade de Engenharia da UP “IDEIA.M – Investigação e DEsenvolvimento de Instrumentos e Acessórios Musicais” Jogo de Gestão [IMAGE] Piloto automático Projecto e construção de uma maquete de túnel de vento Projecto e Fabrico de um motor de Kart Projecto de Portal da Construção e Engenharia Civil Reestruturação da Baixa da Cidade Sistema Automático de Introdução de Deficientes Motores num Automóvel (Projecto SAIDA) STRAPLEX - STRatospheric Plataform Experiment Veículo Pessoal Pendular VTOL-MAV (aeronaves de pequena dimensão)


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EM FOCO

Faculdade de Engenharia Universidade do Porto 12

Fotografia: Filipe Paiva

Lista de Spin-offs do Universo FEUP

Vencedor do prémio Almunidea, Ricardo Guimarães (na foto, ao centro) já se lançou na aventura de criar uma empresa a partir do projecto vencedor, a BLB Engenharia, sedeada na Incubadora de Base Tecnológica da Universidade do Porto (UPTEC)

Da ideia ao spin-off

A JUNIFEUP é uma das estruturas com as quais o Clube de Empreendedorismo da Universidade do Porto (CEdUP) tem mantido contacto, no sentido de estabelecer sinergias profícuas e duradouras. Quem o garante é Gonçalo Cruz, aluno do 5º ano do Mestrado Integrado em Engenharia e Gestão Industrial e um dos co-fundadores desta “plataforma de relacionamento entre alunos, ex-alunos, docentes e funcionários da U.Porto com interesse pela temática do empreendedorismo”. Lançado no 2º semestre deste ano, o CEdUP arrancará no primeiro dia de aulas do ano lectivo 2007/08. Como? “Organizando e promovendo eventos que divulguem o empreendedorismo na U. Porto, auxiliando o desenvolvimento de práticas empreendedoras de cariz multidisciplinar, sendo um fórum de efectiva comunicação e multiplicação de networking entre alunos, ex-alunos e professores na academia que nos une, entre outros”, revela Gonçalo Cruz. Apesar de ainda estar a concluir o seu curso, este aluno trabalha há cerca de ano e meio numa empresa multinacional, onde procura ser “empreendedor por conta doutrém”. No entanto, Gonçalo não esconde que ambiciona ter o seu próprio projecto empresarial a médio prazo, e que “criar e pertencer ao CEdUP pode ser muito interessante para discutir ideias, conhecer exemplos de sucesso e ter o contacto próximo de potenciais sócios ou apoiantes”. Criando ou não uma empresa, o empreendedor é, antes de mais, alguém com uma atitude, uma vontade de arriscar e inovar, criando valor acrescentado. E, segundo Raul Oliveira, docente do Departamento de Engenharia Electrotécnica e de Computadores e fundador de um dos spin-offs da FEUP, a iPortalMais, para “uma empresa ter sucesso necessita que os seus quadros mais importantes sejam empreendedores, e condicionem a sua actividade como se fossem eles próprios os empreendedores”. Porque “empreender é ter a capacidade de gerir o risco e a vontade de criar novas soluções, produtos ou serviços que possam ter aplicabilidade e serem rentáveis no mercado em que a empresa se insere”, resume. No entanto, acrescenta, se não houver espaço para alguém ser empreendedor dentro de uma empresa, a solução passa mesmo por “criar o seu próprio negócio”. Durante a maior parte da sua carreira académica, Raul Oliveira esteve sempre em projectos de I&D+I, todos eles muito orientados para projectos industriais. Com a conclusão do Doutoramento, este docente alcançava assim o cume em termos de realização profissional: “Já não havia mais nada, a meu ver, que pudesse constituir um desafio de relevo para a minha carreira. Precisava de provar a mim mesmo que era capaz de criar algo de raiz, gerar riqueza e, ao mesmo tempo, ter sucesso industrial ou empresarial”, justifica. Uma meta cumprida não só por Raul Oliveira mas também, entre muitos outros, por José Carlos Lopes, docente do Departamento de Engenharia Química, investigador do Laboratório de Processos de Separação e Reacção (LSRE) e actual presidente do Conselho de Administração e Chief Technology Officer da Fluidinova, um outro spin-off da FEUP, criado há

Ano

Empresa

Instituição

2007

Tomorrow Options - Microelectronics, S. A

FEUP/INESC-Porto

2007

BERD - Projecto, Investigação e Engenharia de Pontes

FEUP

2006

Bullet Solutions - Sistemas de Informação, SA

INESC-Porto

2005

FluidInova, Engenharia de Fluidos, SA

FEUP

2005

Nonius Software

INESC-Porto

2005

TRENMO, Engenharia Lda

FEUP

2004

FiberSensing - Sistemas Avançados de Monitorização, SA

INESC-Porto

2004

I-sensis - Investigação e Desenvolvimento em Engenharia Química, Lda

FEUP

2004

Sysadvance - Sistemas de Engenharia, SA

FEUP

2003

OPT – Optimização e Planeamento de Transportes S.A.

INEGI

2002

Medmat Innovation - Materiais Médicos, Lda

INEB

2002

SRE–Soluções Racionais de Energia, SA

INEGI

2000

4VDO - Sistemas e Serviços Multimédia, SA

INESC

2000

iPortalmais, Serviços de Internet e Redes, Lda

FEUP

A Fluidinova foi criada com o objectivo de alavancar a capacidade tecnológica que é conferida aos alunos de doutoramento que investigam no LSRE. menos de dois anos. Assente na produção de I&D do LSRE “e no compromisso que este tem, como qualquer laboratório associado, de transferir a tecnologia que produz para a sociedade”, a criação da Fluidinova resulta, explica José Carlos Lopes, “da própria actividade da FEUP”. Hoje docente do mesmo Departamento de Engenharia Química que o recebeu em 1975 como aluno, José Carlos Lopes garante que, ao longo destes 32 anos “muita gente arrancou com empresas”, não só neste departamento como noutros. E aponta um dos ex-alunos FEUP, Belmiro de Azevedo, como um dos muitos casos de sucesso desta escola. A Fluidinova criada em 2005 surgiu com o objectivo de alavancar a capacidade tecnológica que é conferida aos alunos de doutoramento que investigam no LSRE. Actualmente, o desafio pessoal de José Carlos Lopes é o desenvolvimento de “portuguese technology”, levando o knowhow dos alunos de doutoramento da FEUP – “alunos de alta formação, assim reconhecidos internacionalmente” – aos quatro cantos do mundo. Tendo já registado três patentes e estando neste momento a “negociar contratos de transferência de tecnologia com multinacionais na área da saúde e a arrancar com a construção de uma unidade fabril da empresa para produção de nanopartículas” a Fluidinova encontra-se cada vez mais perto deste ambicioso objectivo. E promete não ficar por aqui.


À CONVERSA COM Raul Vidal

entrevista de Cristina soares Fotografias de Rui A. Cardoso

Empregabilidade e empreendedorismo são faces da mesma moeda? Não, não são exactamente. Quando se fala de empregabilidade, pensa-se mais no fornecimento de um conjunto de capacidades ou competências aos nossos graduados que lhes aumente as possibilidades de obtenção de trabalho ou emprego num futuro mais ou menos próximo. Por outro lado, quando se fala de empreendedorismo pensa-se no fornecimento de um conjunto de competências mais específicas, tais como grande pró-actividade, fortes capacidades de liderança e de iniciativa e também capacidades para antever e assumir riscos. A formação qualificada de pessoas empreendedoras vai potenciar a inovação, a criação de novas ideias de negócio, novos nichos de mercado, induzindo, assim, o aumento do número de ofertas de postos de trabalho ou de empregos.

Director do MIEIC acredita no potencial das empresas portuguesas

”Portugal necessita urgentemente de muitos e muito bons líderes” Serão a empregabilidade e o empreendedorismo faces da mesma moeda ou, pelo contrário, opostos que se atraem por obrigação das circunstâncias? O BiFEUP esteve à conversa com uma das caras mais emblemáticas da FEUP. Falar de casos de sucesso de empregabilidade e empreendedorismo no mundo da engenharia levou-nos obrigatoriamente a estar à conversa com Raul Vidal. Professor associado e director do Mestrado Integrado em Engenharia Informática e Computação da faculdade, recebeu-nos com a boa disposição que o caracteriza e a frontalidade que já é a sua imagem de marca.

Considera que temos hoje bons exemplos de empresas portuguesas capazes de absorver os nossos licenciados/mestres? Sim, direi que temos já hoje um número razoável de bons exemplos de empresas portuguesas capazes de absorver os nossos licenciados (mestres, na actual correspondência decorrente da adequação dos cursos ao processo de Bolonha). Felizmente, mais recentemente esse número tem vindo a aumentar de forma algo significativa, nomeadamente em áreas associadas às novas tecnologias da informação. Que frase escreveria ou diria se tivesse que resumir Portugal ao nível do empreendedorismo/ empregabilidade nos dias de hoje? Portugal necessita urgentemente de muitos e muito bons líderes. Mas acredita no potencial do nosso mercado empresarial? Acredito sinceramente. Muitos dos nossos novos empresários tomaram já consciência que nos dias de hoje os negócios se fazem à escala mundial e que, portanto, para terem sucesso têm que ser diferenciadores dos demais concorrentes. Esse sucesso só é possível com uma aposta clara na inovação, na descoberta e criação de novos nichos de mercado e apontando para níveis de qualidade de excelência.


À CONVERSA COM Raul Vidal

Faculdade de Engenharia Universidade do Porto

(…) o desenho da estrutura curricular do curso, os inúmeros trabalhos curriculares que os alunos realizam durante o seu percurso e as inúmeras oportunidades de realização de actividades extracurriculares, ajudam a estimular o surgimento de novas oportunidades de emprego Algumas dessas empresas estão a surgir fruto de projectos universitários. A FEUP tem vários exemplos já implantados no mercado nacional. Considera-os exemplos de empreendedorismo? Acha importante o papel que actualmente as universidades/faculdades assumem? Sim, os exemplos que a FEUP possui já implantados no mercado, de forma directa ou através das suas instituições de interface, constituem bons exemplos de empreendedorismo. Considero muito importante o papel que as instituições universitárias vêm desempenhando neste domínio. Julgo que há que prosseguir na linha de rumo traçada e consolidar a experiência vivida. No caso particular da FEUP seja-me permitido destacar os inúmeros projectos, palestras e outras actividades realizadas de apoio à criação e consolidação de mentalidades empreendedoras nos nossos alunos, culminando com a criação do MIETE (Mestrado em Inovação e Empreendedorismo Tecnológico) que pode certamente ser já considerado um caso de sucesso. Por outro lado, temos exemplos de várias empresas estrangeiras que procuram os nossos profissionais. Que características positivas acha que temos face a outros povos e países? Acho que os portugueses possuem grandes capacidades de trabalho, de adaptação e de “desenrascanço”. Em algumas áreas possuem grandes capacidades e competências, e, frequentemente,

Estou francamente esperançado que muitos dos nossos jovens engenheiros (…) saberão promover e dinamizar o aparecimento de novos nichos de mercado maior abrangência de conhecimentos. Funcionam/ desempenham bastante bem em ambientes organizados e disciplinados. Qual é o esforço que o professor como docente e director do MIEIC faz para estimular a geração de emprego? A minha actuação neste campo faz-se sentir em duas vertentes. Na vertente interna, para além de uma pressão quase permanente, e frequentes chamadas de atenção aos alunos para que adquiram uma melhor consciencialização das inúmeras potencialidades oferecidas pelo curso e pela FEUP, alertando-os para os desafios que os esperam, o desenho da estrutura curricular

do curso, os inúmeros trabalhos curriculares que os alunos realizam durante o seu percurso e as inúmeras oportunidades de realização de actividades extracurriculares, ajudam a estimular o surgimento de novas oportunidades de emprego. Caberá aqui salientar que frequentemente alguns desses trabalhos estão directamente associados a empresas e instituições do mundo real. Na vertente externa, e tirando partido do excelente relacionamento que já conseguimos construir e consolidar com um número apreciável de empresas e instituições portuguesas, e também algumas estrangeiras, foi já possível construir algumas parcerias em projectos de investigação e desenvolvimento potenciadores de novos postos de trabalho ou de novas spin-offs. O professor tem conseguido de há uns anos a esta parte boas negociações com empresas multinacionais (como a Microsoft) no recrutamento de estagiários remunerados e que na sua maioria depois do estágio conseguem lugar nos quadros da empresa. Como mantém estas relações privilegiadas, que esforço empreende para o conseguir? Eu diria que tem sido relativamente simples. Antes de mais, a FEUP é desde há algum tempo reconhecida como escola de referência, tanto a nível nacional como internacional. Por outro lado, a LEIC/MIEIC da FEUP é já hoje um curso reconhecido como produzindo licenciados/ mestres de excelente qualidade. Atingido este

Para lá da Engenharia:

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Engenharia Electrotécnica porquê? Antes de mais, as razões da minha opção por Engenharia. Vim para Engenharia principalmente por gostar de fazer, realizar coisas concretas e também por algumas motivações de índole familiar. Devo confessar que na altura em que me candidatei ao ingresso na Universidade do Porto hesitei bastante entre a Engenharia Electrotécnica e a Engenharia Química. Acabei por optar pela primeira, penso que fundamentalmente pela abrangência do curso e por algum fascínio pelas tecnologias envolvidas. A minha opção posterior, a nível de carreira, pela Engenharia Informática, advém, uma vez mais, pelo fascínio que sempre tive pelo mundo das tecnologias e dos computadores.

Se não fosse engenheiro o que seria? Eu não gosto, não consigo estar parado (infelizmente, no dia a dia, passo muito tempo sentado, e isto tem vindo a agravar-se com o avançar da idade, dado o vício de estar sempre “pendurado” no computador). Tenho necessidade de circular, interagir com outras pessoas e de pôr coisas a rolar, a funcionar. Por isso, acho que poderia ter optado por uma carreira na área da gestão, que é, curiosamente, o que eu mais tenho vindo a exercer desde há vários anos. O seu livro de eleição: São dois os meus livros de eleição: “Amor de Perdição”, de Camilo Castelo Branco, e “Os Lusíadas”, de Luiz Vaz de Camões.

O melhor filme que já viu: Não consigo seleccionar apenas um. Do que me lembro neste momento selecciono os seguintes quatro: “África Minha”, “Ben-Hur”, “E Tudo o Vento Levou” e “Love Story” O projecto pessoal de que se orgulha: Num plano estritamente pessoal, a minha família, que constitui a minha âncora de estímulo e apoio. No plano mais profissional, o projecto de que me orgulho mais é o da criação e consolidação da Licenciatura em Engenharia Informática e Computação (LEIC) da FEUP. O seu local de sonho: Indico dois: zona dos lagos, na Escócia, e Riviera Francesa.


À CONVERSA COM RAUL VIDAL

Professor Associado da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto desde Junho de 1982 (anteriormente desempenhou funções docentes: na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, entre 1972 e finais de 1977; na Universidade do Minho, entre 1978 e Maio de 1982). Licenciado em Engenharia Electrotécnica, pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, em 1972; Mestre em Engenharia de Comunicações (“M.Sc. in Communication Engineering”), pelo UMIST, em 1974; “Ph.D. in Computer Engineering”, pelo UMIST em 1978; obteve a equivalência ao grau de Doutor em Engenharia de Sistemas-Informática, pela Universidade do Minho, em Julho de 1978. Membro eleito da Assembleia da Universidade do Porto, é também membro da Assembleia de Representantes da FEUP desde 1990, tendo sido o seu Presidente de 1990 a 1996. Director do DEEC da FEUP, com a responsabilidade pelos pelouros das relações com o exterior e da coordenação das actividades dos cursos de licenciatura e de pós-graduação em Engenharia Electrotécnica e Computadores, de Fevereiro de 1987 a Outubro de 1990. Presentemente, faz ainda parte dos seguintes órgãos de gestão da FEUP: Conselho Científico; Conselho Pedagógico; Conselho do DEEC. Investigador do Centro de Ciências e Engenharia de Sistemas da Universidade do Minho, de 1978 a 1982, e do INESC-Porto, desde 1986 até Dezembro de 1999, onde em 1990 fundou o grupo de Engenharia de Software, que liderou e que esteve envolvido em vários projectos de I&D. Mais recentemente, tem concentrado a sua actividade de investigação nos domínios da Gestão de Projectos de Software, Engenharia de Software e Desenvolvimento de Sistemas de Informação.

patamar e estabelecida uma rede de contactos, consolidada com o apoio precioso dos antigos alunos, consubstanciados na AlumniLEIC, é relativamente simples produzir o chamado efeito em cadeia. Em termos de futuro, a nossa estratégia será a mesma que assumimos desde o arranque do curso, procurando sempre fazer mais e melhor, formando melhores graduados e apontando sempre para níveis de excelência. Em sua opinião os jovens engenheiros de hoje devem dar resposta aos níveis elevados de desemprego despertando o seu lado empreendedor? A formação que a FEUP tem vindo a disponibilizar e fornecer aos nossos graduados aponta já nesse sentido. Existem na FEUP inúmeros exemplos de projectos de cooperação, tanto de investigação e desenvolvimento como de ensino, bem sucedidos entre diversas áreas de engenharia e outras áreas do saber, nomeadamente áreas das ciências sociais e humanas, da saúde, da comunicação e da economia e gestão. Estou francamente esperançado que muitos dos nossos jovens engenheiros, já dotados das novas formações e novas competências, saberão promover e dinamizar o aparecimento de novos nichos de mercado, originando novos postos de trabalho ou novos empregos, possibilitando a integração de recursos humanos provenientes de áreas em que existem elevadas taxas de desemprego.

Coordenador, de Maio de 1992 a Dezembro de 1995, em representação da Reitoria da Universidade do Porto, da participação das instituições de I&D da Região Norte de Portugal, no âmbito de um projecto RECITE, envolvendo as regiões da Baviera, Norte de Portugal, Sevilha e Valência. Delegado nacional efectivo, de Maio de 1988 a Dezembro de 1992, do programa DELTA da comunidade europeia. Por convite expresso da CCE, integrou os grupos de peritos que efectuaram a reavaliação do programa e o painel de avaliadores que efectuou a avaliação final dos projectos aprovados na respectiva fase exploratória. Responsável pela preparação, dinamização e coordenação do lançamento dos cursos de mestrado em EEC na FEUP, de que foi Coordenador/Director desde 1984 até Dezembro de 1998. Responsável pela dinamização e coordenação do processo de criação da LEIC (Licenciatura em Engenharia Informática e Computação) da FEUP, que se iniciou em Outubro de 1994. Designado em 1993/1994 Presidente da Comissão Instaladora do curso, integrou, a partir de 1994, a respectiva Comissão Científica. Desempenhou o cargo de Director da LEIC, desde Outubro de 2001 até Julho de 2006, e é, desde esta data, Director do MIEIC, curso que sucedeu à LEIC, na sequência da adequação dos cursos da FEUP às normativas decorrentes do processo de Bolonha.

À CONVERSA COM Raul Vidal

(…) a nossa estratégia será a mesma que assumimos desde o arranque do curso, procurando sempre fazer mais e melhor, formando melhores graduados e apontando sempre para níveis de excelência

Responsável, no ano lectivo de 1991/1992, e no âmbito do protocolo de cooperação celebrado entre a Universidade do Porto e a Universidade da Madeira, pela criação do curso de licenciatura em Engenharia de Sistemas e de Computadores da Universidade da Madeira, que se iniciou em Outubro de 1992. Foi, até Dezembro de 2001, o Coordenador Científico da curso, por designação do Reitor da Universidade do Porto. Responsável, de Setembro de 1990 a Junho de 1996, pela coordenação, a nível da U. Porto, de quatro projectos de cooperação inter-universitária, envolvendo 32 instituições, no âmbito do programa ERASMUS da União Europeia. Membro Senior do IEEE (Institute of Electrical and Electronics Engineers). Vice-Presidente, em 1999, do IEEE-Região 8 (Europa, África e Médio Oriente). Presidente da Secção Portuguesa do IEEE, de Outubro de 1993 a Dezembro de 1998. Em 2000, foi-lhe atribuída pelo IEEE, a “Third Millenium Medal” em reconhecimento “for Outstanding Achievements and Contributions” durante o exercício do cargo de Presidente da Secção Portuguesa do IEEE. Membro Sénior da Ordem dos Engenheiros, nas especialidades de Engenharia Electrotécnica e Informática, ocupou já os cargos de Coordenador dos Colégios da Região Norte de Engenharia Electrotécnica e de Engenharia Informática. Actualmente é membro eleito da Assembleia de Representantes da Ordem dos Engenheiros. Desde Novembro de 2004, integra a Comissão Sectorial para as Tecnologias de Informação (CS/03) do Conselho Nacional de Qualidade, em representação da FEUP. Orientou até à data quatro teses de doutoramento, 17 dissertações de mestrado, dois trabalhos de provas de aptidão pedagógica e capacidade científica e mais de três dezenas de projectos de fim de curso e estágios, todos já concluídos. É autor e co-autor de cerca de 30 artigos e comunicações no País e no estrangeiro. Integrou cerca de três dezenas de comissões organizadoras e comissões científicas de conferências realizadas em Portugal e no estrangeiro.

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OPINIÃO joão josé pinto ferreira

Afinal, o que é ser empreendedor? João José Pinto Ferreira*

Mas quem é afinal o(a) empreendedor(a)? É o(a) jovem que aproveita uma porção do quintal dos pais para plantar vegetais e vender aos vizinhos o resultado da sua agricultura biológica. É o investigador que consegue, através de uma start-up, colocar no mercado o resultado da sua investigação. Mas é fundamentalmente empreendedor aquele que, apesar de ter falhado, encara o futuro com optimismo e não esmorece perante as dificuldades, continuando a trabalhar com bom senso e paixão no projecto em que acredita. É neste contexto que gostaria de citar Peter Drucker com uma frase que considero particularmente interessante: “what all successful entrepreneurs have in common is not a certain kind of personality but a commitment to the systematic practice of innovation” Falar em empreendedorismo é, implicitamente, falar de inovação e, por isso, de uma fase de descoberta de algo novo à qual terá que estar ligada uma criação de valor económico ou social. Estamos também a falar de força de vontade aliada a uma enorme paixão por aquilo que se faz, sem a qual o gozo por aquela prática sistemática se esgota após o primeiro revés. O empreendedor emerge assim de forma natural com uma paixão e força de vontade que o move na concretização do seu projecto.

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A verdade é que, como em tudo na vida, nestas coisas da inovação nem sempre tudo dá certo, como e quando é nosso desejo. Isto obriga a que sejamos tolerantes para quem falha, para que todos sejamos capazes de continuar a tentar! Na realidade, esta necessidade de tolerância resulta de dois factores. Por um lado, todos sabemos que só não falha quem não tenta. Por outro, devemos ter a plena consciência de que levar para a frente um projecto diferente e que desafia o estabelecido não é fácil, mas foi assim que há pouco mais de 500 anos, partimos para a descoberta, e o resto é história. Finalmente, tentemos reviver os nossos primeiros anos de vida, os primeiros passos, as primeiras palavras e recordar a capacidade de aprender com os nossos erros. Sempre fomos muito bons neste processo! Falhar não é mau, faz parte do processo de aprendizagem e do jogo que é a vida!

Fotografia: Rui A. Cardoso

Faculdade de Engenharia Universidade do Porto

No seu discurso de tomada de posse, o Reitor da Universidade do Porto caracterizou claramente a Inovação e o Empreendedorismo como missão das universidades no mundo moderno e um dos pilares da missão da U.Porto. Um número do Boletim da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) dedicado ao Empreendedorismo assume uma especial relevância reforçada aqui pelo papel da Engenharia na conjugação e na integração de saberes e tecnologias para a construção de aplicações com valor económico e social nas mais diversas áreas.

É fundamentalmente empreendedor aquele que, apesar de ter falhado, encara o futuro com optimismo e não esmorece perante as dificuldades, continuando a trabalhar com bom senso e paixão no projecto em que acredita. O Mestrado em Inovação e Empreendedorismo Tecnológico (MIETE), com a sua primeira edição em 2004/06, veio colocar um desafio novo à Universidade e à sua envolvente. Poderíamos refrasear o título deste curso para Mestrado em Inovação e Pesquisa Sistemática de Oportunidades de Criação de Valor de Base Tecnológica. É mais longo, diz o mesmo, mas clarifica o objecto do nosso trabalho, contribuir para que possam ser criadas novas oportunidades de criação de valor partindo de uma tecnologia. Inconformado com o status-quo, o MIETE coloca às empresas, aos grupos de investigação e aos seus alunos, o desafio de, em conjunto, trabalhar para maximizar o bem comum através da criação de oportunidades para novos negócios. Mas como, poderão perguntar? Em 2006 o MIETE propôs

o seu Projecto Cultural como um mecanismo de promover a equipa do MIETE como a Campeã da relação Universidade-Empresa, funcionando como pivot num processo de transferência de tecnologia aliado à procura sistemática de criação de valor sobre essa mesma tecnologia. O objectivo é claro, os resultados são visíveis! Ao longo da sua curta existência, o MIETE tem procurado afirmar-se pela excelência, paixão pela sua missão e pelo optimismo perante o futuro. A competência da equipa de docentes do MIETE aliada ao seu entusiasmo e empenho, permitiu o arranque sustentado do curso e o seu actual reconhecimento a nível internacional. A recente constituição do Conselho Consultivo do MIETE e a primeira reunião que realizou com a Equipa do MIETE em 10 de Maio último, já produziu os seus primeiros resultados e orientações. Temos assim motivos para encarar o futuro com optimismo e para continuar a trabalhar com o mesmo empenho que nos trouxe até aqui, procurando estar à altura das maiores expectativas dos nossos alunos. Inovador em Portugal e também no espaço Europeu, o MIETE surge em Setembro de 2007 com um 2º Ciclo.

* Professor Associado do Departamento de Engenharia Electrotécnica e de Computadores e Director do Mestrado em Inovação e Empreendedorimo Tecnológico da FEUP.


Investigação & Desenvolvimento

Mestrado em Inovação e Empreendedorismo Tecnológico (MIETE)

O Mestrado em Inovação e Empreendedorismo Tecnológico tem uma proposta de valor única: “Formação integrada nos processos de Inovação, Comercialização de Tecnologia e em Tecnologia, promovendo a construção de novos negócios de base tecnológica. Os nossos alunos são orientados, com as ‘mãos na massa’ e em casos reais, ao longo de todo o processo de construção de novos negócios”. É deste modo possível entrar no curso e sair com um negócio e os dois projectos aqui apresentados são um excelente exemplo. No decurso da primeira edição do MIETE (2004/07) foi desenvolvido o trabalho que daria origem às duas empresas, IDEAVITY e Tomorrow Options Microelectronics, e aos seus primeiros produtos. Curiosamente, os produtos aqui apresentados são ainda exemplo de dois caminhos diferentes passíveis de ser seguidos por uma equipa multidisciplinar de alunos do MIETE. Se MINGLE foi resultado de um processo criativo, o actual produto da Tomorrow Options Microelectronics teve como motivação os resultados de um projecto de fim de licenciatura. Estamos certos que outras empresas serão lançadas por alunos do MIETE. Algumas terão sucesso e outras não. Em todas elas haverá contudo um denominador comum, a liderança e competência dos seus promotores que poderão sempre contar com todo o apoio do MIETE e da sua equipa.

Equipa jovem e dinâmica lança primeiro produto em “social networking”

O MIETE foi, sem dúvida, o primeiro elemento fundamental para a criação da Ideavity (Ideas to the Power of Creativity). A sua estrutura curricular, que aborda de forma eficaz todas as áreas de conhecimento essenciais à criação de um negócio, torna possível ao curso introduzir um enquadramento metodológico muito ágil e iterativo que permite de forma eficaz e rápida elaborar, com qualidade, planos de negócio

D.R.

Promover a “formação integrada nos processos de Inovação, Comercialização de Tecnologia e em Tecnologia e a geração de novos negócios” é o grande objectivo do Mestrado em Inovação e Empreendedorismo Tecnológico (MIETE) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. João José Pinto Ferreira, director do mestrado, reconhece o “extraordinário” trabalho das equipas de comercialização e valoriza a capacidade empreendedora dos alunos deste curso, apontando o projecto Mingle, lançado pela nova empresa “Ideavity (Ideas to the Power of Creativity)”, e a “Tomorrow Options” como dois desses exemplos. Actualmente já no mercado empresarial estas duas empresas, que surgiram como ideia de negócio na FEUP, são sinónimo de inovação e criatividade e fruto de um projecto maior que dá pelo nome de MIETE. com elevado potencial. A sua estrutura leva também os alunos a terem de dedicar tempo de qualidade na estruturação e desafio das ideias, na elaboração dos diferentes elementos do plano e na estratégia de comercialização. Estas características permitem aos alunos terem o ambiente ideal para sistematizar e planear o seu projecto de negócio.

D.R.

Faculdade de Engenharia Universidade do Porto 18

Construir oportunidades de valorização económica

Mafalda Moreira, Fernando Gomes e Jorge Santos são os elementos da equipa que hoje compõem a Ideavity, projecto iniciado na FEUP com a designação “Mingle” vencedor do concurso de ideias da NET-BIC em 2005. Aquilo que começou ainda na FEUP, durante a frequência no MIETE, rapidamente se revelou um caso de sucesso empresarial capaz de no primeiro ano de actividade conseguir o apoio do programa NEOTEC no lançamento do seu primeiro produto. A actividade principal da Ideavity é desenvolver e implementar com qualidade projectos criativos e inovadores no que se denomina por nova web (conhecida entre outros pelos seguintes termos: web 2.0, the living web, the hypernet, the active web, the read/write web). Este

conceito baseia-se fortemente na colaboração das massas como alavanca dinamizadora da capacidade de inovação e geração de valor. Conceptualmente, identificamo-nos fortemente com os princípios e modelos do conceito Wikinomics (openess, peering, sharing, and acting globally). Um factor fundamental para o sucesso da empresa é a sua equipa jovem, apaixonada e complementar em termos de áreas de conhecimento, que tem como principais valores a amizade, o respeito e a franqueza. A criatividade, imaginação e autonomia são elementos sempre presentes no dia a dia da equipa. Neste momento lançamos no mercado o nosso primeiro produto (Mingle – www.mingle.pt). O Mingle é um local de confraternização que conjuga os conceitos e tecnologias mais recentes nas áreas de social networking e espaços virtuais personalizados. É um “interface” digital para espaços personalizados, criados e evoluídos pelos próprios utilizadores, onde podem assumir diferentes representações virtuais partilhando um conjunto alargado de estados emocionais. O acesso a estes espaços pode ser através da web ou através de dispositivos móveis. Terá uma complementaridade forte com o mundo real explorando ambientes de mixed reality particularmente em ambientes de computação urbana (Urban Computing).


D.R.

Empresa conta recentemente com parceiros de peso

desenvolvimento do projecto WalkinSense foi assegurado pelos promotores iniciais, INESC Porto e pelo financiamento obtido através do Programa NEOTEC, da AdI – Agência da Inovação. Encontra-se quase concluída a negociação com a Ciencinvest, uma nova empresa de “seed capital”, que permitirá um novo aumento de capital. O restante montante necessário para a conclusão do projecto será procurado junto de empresas de capital de risco, nacionais e internacionais. A primeira versão do WalkinSense estará pronta no final de Agosto deste ano, e será utilizada em testes clínicos em Portugal, Estados Unidos da América e Reino Unido. No final de 2007, após as necessárias correcções, o dispositivo será certificado na Europa, EUA e Canadá, permitindo a sua comercialização como dispositivo médico, nestas áreas geográficas, a partir de Março de 2008. A disponibilidade, na FEUP, de projectos com elevado potencial comercial, e a possibilidade de alunos, professores e investigadores poderem adquirir competências no desenvolvimento de negócios globais através da frequência ou contacto com o MIETE, poderão ser uma “alavanca” para que mais empresas, potencialmente criadoras de valor e de emprego qualificado, surjam no curto prazo. Fundamental também para a criação de equipas bem preparadas de empreendedores é a colaboração, no MIETE, da FEP e da ESAD. www.fe.up.pt/miete www.mingle.pt www.tomorrow-options.com

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uma redefinição das especificações iniciais do dispositivo de tal ordem que a equipa do A Tomorrow Options – Microlectronics, S.A. foi MIETE em conjunto com os dois investigadores a segunda empresa a ser criada no âmbito do concluíram que o melhor seria partir do zero e MIETE. Os sócios embrionários da empresa desenhar um novo aparelho. são dois dos primeiros alunos que terminaram O plano de negócio, elaborado ainda como a primeira edição (2004-2006) do Mestrado: trabalho do MIETE e resultado da análise de Catarina Aroso Monteiro e Paulo Ferreira dos vários segmentos de mercado em todas as Santos. suas vertentes, confirmou o potencial comercial Estes dois alunos desenvolveram durante a desta nova tecnologia não só para ser aplicada frequência do MIETE um plano de negócios no combate ao pé diabético, mas também para o desenvolvimento e comercialização de para ser utilizada em certas áreas do desporto, um dispositivo médico, o WalkinSense, para a na indústria, calçado e ortóteses, e medicina avaliação e prevenção, em clínica, dos efeitos reabilitativa. Este documento foi fundamental do pé diabético, doença que afecta, em todo para motivar os dois alunos do MIETE e os dois o mundo, cerca de 15% das cerca de 300 miinvestigadores da FEUP a constituírem uma lhões de pessoas que sofrem de diabetes. empresa para implementarem o projecto. As especificações do WalkinSense basearam-se Os promotores definiram desde o início que a num projecto de fim de licenciatura desenvolvi- nova empresa deveria desenvolver a sua actido por dois alunos do DEEC e supervisionados vidade satisfazendo necessidades globais. O pelos Professores Miguel Velhote Correia e estabelecimento de parcerias com um conjunto Sérgio Reis Cunha, denominado Projecto Andar. de entidades heterogéneas (universidades, insEste projecto tinha como objectivo avaliar a titutos de I&D, empresas, etc.) foram consideramobilidade de utilizadores de próteses dos das fundamentais para ultrapassar dificuldades membros inferiores e foi premiado pela Funda- tecnológicas ou de mercado. ção Ilídio Pinho. Com o objectivo de implementar rapidamente o projecto, pois o WalkinSense precisava de ser desenvolvido de raiz e algumas competências não existiam na equipa inicial, a Tomorrow Options estabeleceu dois protocolos de colaboração com a FEUP, um geral em Outubro de 2006 e outro específico em Dezembro de 2006. O passo seguinte, perseguindo os mesmos objectivos, foi envolver também o INESC Porto no desenvolvimento do produto, pois os seus recursos e competências revelavam-se fundamentais para ultrapassar algumas dificuldades. A receptividade desta última Instituição ao projecto foi tão grande que a levou a adquirir Os dois alunos do MIETE fizeram a avaliação do 13% do capital da empresa e à cedência de um potencial comercial desta tecnologia, no merespaço nas suas instalações para a empresa cado internacional, para a utilização prevista desenvolver as suas actividades. inicialmente e, também, para muitas outras. Outras parcerias estão já asseguradas ou em Durante o seu processo de pesquisa, tomaram negociação com entidades como o CTC – Cenconhecimento sobre a doença do Pé Diabético, tro Tecnológico do Calçado de Portugal, Hospital que não tinha sido contemplada inicialmente. de Santo António (endocrinologia), INEGI, UniverResolveram seguir essa “pista” e fizeram um le- sidade do Minho (têxteis electrónicos), CLEAR vantamento, internacional, de toda a problemá- – Scholl’s Center for Lower Extremity Ambulatory tica que envolve essa doença, nomeadamente Research (EUA) e University of West England as necessidades dos técnicos de saúde e dos (Bristol), Faculty of Health and Social Care. pacientes. O resultado desta análise levou a Cerca de 50% do investimento necessário ao

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(Textos da autoria do professor João José Pinto Ferreira e respectivas equipas dos projectos “Mingle” e “Tomorrow Options”)


FoTOREPOrTAGEM

Projectos PESC alcançam notoriedade e mobilizam adeptos

Faculdade de Engenharia Universidade do Porto

“Desafio Único” acelera a fundo nas pistas portuguesas Fotografias de Filipe Paiva e Edgar Alves

A iniciativa do Departamento de Engenharia e Gestão Industrial da FEUP (DEMEGI) em colaboração com a Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK) tem conquistado muitos adeptos nas pistas por onde tem passado: a primeira prova decorreu no circuito Vasco Sameiro, em Braga, nos dias 28 e 29 de Abril. Um mês depois, a caravana seguiu viagem até ao mítico circuito do Estoril e a 16 e 17 de Junho foi a vez de Sintra acolher os cerca de 40 Fiat Unos que integram a competição. O grande objectivo do “Desafio Único” é a construção de um carro de competição de baixo custo, onde todos os veículos reúnem as mesmas características, tornando os resultados imprevisíveis! A competição voltou às pistas, desta vez no Grande Prémio Histórico do Porto, em pleno Circuito da Boavista, no fim-de-semana de 14 e 15 de Julho. Apesar do mau tempo que se fez sentir, o público da cidade invicta marcou presença no evento. À medida que as provas se desenrolam aumenta também a expectativa relativamente à última etapa do “Challenge Desafio Único”, que irá acontecer no circuito de Vila Real de 6 a 7 de Outubro. Aqui fica um pequeno apontamento fotográfico do que tem acontecido um pouco por todo o país, numa pista perto de si. www.fe.up.pt/desafio

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FEUP por Dentro

Financiado pelo Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu

FEUP lidera projecto ambiental de um milhão de euros

Com um financiamento de um milhão de euros, 85 por cento dos quais pelo Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu e 15 por cento pela faculdade, o projecto ENEAS (European Network for Environment Assessment and Services) tem como principal objectivo a criação de uma rede transeuropeia de escolas secundárias, universidades e autarquias que recolherão, tratarão e fornecerão dados ambientais cientificamente validados em áreas como a atmosfera, a hidrologia, solos, cobertura de terrenos, entre outros. No final do processo de recolha, os dados coligidos vão ser tratados e transmitidos para diversas agências europeias, em concreto a Agência Europeia do Ambiente. Deste modo, a rede ENEAS servirá de base à análise ambiental do

país, dando assim cumprimento aos pressupostos da Agenda 21 (local e escolar). A FEUP é a instituição proponente e líder deste projecto, tendo para já como parceiros o International Institute for Geo-Information Science and Earth Observation (sedeado na Holanda), 15 escolas secundárias e as câmaras municipais de Matosinhos, Lagos, Almada, Póvoa de Lanhoso e Mirandela. Estes concelhos – e outros que venham a ser incluídos nesta rede – serão monitorizados ao longo do processo, de modo a que no final as autarquias tenham acesso ao estudo e saibam qual o seu estado ambiental. Criada a rede, os passos seguintes são a publicação na Internet dos dados, a criação de mapas e gráficos, colaboração com a comunidade científica nacional e internacional, bem como com estudantes europeus associados à rede. Para a comunidade docente, será dado apoio científico e técnico, através de acções de formação, oficinas de apoio pedagógico e guias de execução experimentais. Por fim, refira-se que o Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu abrange todos os novos estados membros da União Europeia, bem como Portugal, Espanha e Grécia. Este mecanis-

mo tem como missão principal apoiar a coesão social e económica e tem actuado em diversas áreas como a protecção do ambiente, a saúde e os cuidados a crianças, a conservação do património cultural, os recursos humanos, o desenvolvimento sustentável e a investigação académica.

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Faculdade de Engenharia Universidade do Porto

Numa altura em que se intensificam campanhas de sensibilização para a preservação do ambiente, a FEUP está empenhada num dos projectos ambientais mais ambiciosos a nível europeu: o ENEAS. O projecto - da responsabilidade do professor José Rocha e Silva do Departamento de Engenharia de Minas - , consiste na criação de uma rede transeuropeia entre várias entidades que dará cumprimento à Agenda 21 (local e escolar).

No âmbito da disciplina de Laboratório de Gestão de Projectos do MIEIC

Alunos da FEUP apresentam projectos reais para empresas

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A FEUP acolheu no dia 15 de Junho, a sessão de apresentação dos projectos finais da disciplina de Laboratório de Gestão de Projectos, do Mestrado Integrado em Engenharia Informática e de Computação (MIEIC), de que é director Raul Vidal (na foto). A disciplina, do quarto ano do curso, implica que ao longo de todo o segundo semestre se desenvolvam trabalhos práticos, que se traduzem em projectos reais, nomeadamente da área de software, de acordo com solicitações de empresas. Os alunos têm de elaborar toda uma estratégia de acção à semelhança de uma empresa real, sendo responsáveis por áreas como gestão de qualidade, auditorias, aspectos comerciais e económicos. Qimonda, Siemens Networks, Novabase, Critical Software, CPC HS e PT Inovação são algumas das empresas com as quais o MIEIC coopera há vários anos. As entidades que acompanharam todo o processo como “clientes” estiveram representadas no momento da apresentação dos respectivos projectos, e manifestaram as suas

opiniões durante o período de comentário crítico aos trabalhos. Trata-se de uma iniciativa que demonstra o dinamismo da FEUP, que pretende em todas as situações estimular a capacidade empreendedora, bem como incentivar a proximidade com o mundo real e num ambiente empresarial. Também o espírito de Bolonha, no qual a FEUP já aderiu a 100 por cento, é bem visível neste tipo de iniciativas e no método de ensino adoptado.

Microsoft recruta na FEUP Uma comitiva de representantes da Microsoft veio à FEUP recrutar jovens finalistas do MIEC para estagiar no Centro de Desenvolvimento de Copenhaga da prestigiada multinacional. A aventura para os três finalistas seleccionados começou no dia 1 de Março de 2007, altura em que rumaram até à capital da Dinamarca. O perfil do curso bastante adequado às necessidades do mercado e o desempenho de excelência dos três alunos escolhidos no ano anterior (e que actualmente integram a empresa), justificaram o regresso dos especialistas à FEUP em 2007.

Fotografia: Rui A. Cardoso

Várias entidades de renome solicitam os trabalhos e acompanham todo o desenvolvimento como se de verdadeiros clientes se tratassem. Com esta iniciativa pretende-se estimular a capacidade empreendedora dos alunos e incentivar a proximidade com o mundo real.


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FEUP acolhe notáveis do tecido empresarial

Conselho Consultivo do MIETE apresentado oficialmente

No passado dia 10 de Maio, a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) acolheu a apresentação oficial do Conselho Consultivo Internacional do Curso de Mestrado em Inovação e Empreendedorismo Tecnológico (MIETE), um novo órgão criado com a missão de avaliar o curso e sugerir medidas tendentes a torná-lo numa ferramenta incontornável no seio do tecido empresarial. Integrando nomes como Paulo Azevedo (presidente da Sonae SGPS), Ludgero Marques (presidente da Associação Empresarial de Portugal) e António Câmara (CEO da YDreams), o Conselho Consultivo deverá pronunciar-se sobre os conteúdos do curso, sobre as competências dos alunos graduados, bem como a forma como o MIETE pode inovar junto da Universidade e das empresas. Entre os nomes está também Robert Meyer, da Universidade do Texas, integrada no acordo UTA-Portugal.

MIETE aberto a áreas diversificadas O MIETE teve início em Setembro de 2004, e propõe que os alunos sejam orientados com as mãos na massa e em casos reais, ao longo de todo o processo de construção de novos negócios. Surgiu em colaboração com o HiTEC - Centre Team at the North Carolina State University, na denominada “Sequência da Comercialização de0 Tecnologia”. A COTEC Portugal – Associação Empresarial para a Inovação disponibilizou esta ferramenta de conhecimento, tendo os resultados sido visíveis em Março de 2006, quando alunos do MIETE lançaram a primeira empresa de base tecnológica, a Ideavity. Já em Fevereiro deste ano, foi criada a Tomorrow Options Microelectronics SA, a segunda empresa de alunos do mestrado. Destinado a todos quantos desejem criar novos negócios, o MIETE está aberto a candidatos de áreas tão distintas como Gestão, Engenharia, Biotecnologia, Ciências ou Design. Este mestrado promove uma combinação inovadora de formação em Tecnologia, Criatividade, Métodos de Desenvolvimento de Produto/Serviço e Gestão, posicionando-se como o elo de ligação entre a descoberta tecnológica e a comercialização de produtos e serviços inovadores de base tecnológica através da construção de novos negócios e transferência de tecnologia para empresas já existentes.

Fotografia: Cristina Soares

Paulo Azevedo da Sonae SGPS, Ludgero Marques da AEP e António Câmara da YDreams são alguns dos nomes que integram o Conselho Consultivo do Mestrado em Inovação e Empreendorismo Tecnológico (MIETE) apresentado em cerimónia oficial no passado dia 10 de Maio. Este novo órgão tem como missão avaliar o curso e sugerir medidas tendentes a torná-lo numa ferramenta incontornável no seio do tecido empresarial.

www.fe.up.pt/miete

Rede de investigação e inovação envolve Portugal, Espanha, França e Irlanda

FEUP lidera projecto europeu de protecção marítima

no espaço europeu, também em articulação com países candidatos à adesão e Estados vizinhos. O projecto MARINE vai incidir, especialmente, sobre desastres com origem humana e que acarretem consequências ambientais graves, embora todos os outros estejam sob olhar atento. Vai ser dada particular atenção aos casos cuja prevenção ou acompanhamento sejam passíveis de utilização de novas tecnologias, nomeadamente veículos não tripulados e redes de sensores. A FEUP está a liderar o projecto MARINE A monitorização será feita com peculiar atenção (Maritime Incident Research and Innovation nas diversas rotas de navegação com tráfego Network), cujo objectivo é criar as bases para uma rede de investigação e inovação vocacionada intenso. A identificação, a prevenção e protecção, a prepapara os acidentes marítimos. O trabalho será ração, a resposta e a recuperação são, assim, as efectuado em rede, sendo desenvolvido através da troca de conhecimentos em tecnologias e siste- principais actividades do projecto, que em cada uma das suas diversas fases estudará e demonsmas emergentes aplicáveis neste domínio. trará a forma mais adequada de responder às Com a duração de 18 meses e um orçamento de mais diversas situações – acções a desenvolver, 734 mil euros financiado em 55 por cento pelo programa INTERREG IIIB, esta iniciativa comu- dados a recolher e que tecnologias e sistemas utilizar. nitária transnacional visa promover a integração territorial, no sentido de alcançar um desenvolvimento sustentável, harmonioso e equilibrado

Sabia que… A FEUP tem como parceiros neste projecto a Administração dos Portos do Douro e Leixões, Instituto de Estudios Maritimos (Espanha), a Fundácion Universidad da Coruña (Espanha), a École Nationale Supérieure d’Ingénieurs (França), a Brest Pilotage (França), a University of Limerick (Irlanda) e que o MARINE conta ainda com a INOVAMAIS (Portugal) e a DHV Tecnopor (Portugal), como parceiros associados.

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A FEUP está a liderar um projecto europeu de protecção do espaço marítimo no eixo Atlântico que terá a duração de 18 meses. Este projecto é levado a cabo em parceria com Espanha, França e Irlanda. O trabalho será efectuado em rede e é desenvolvido através da troca de conhecimentos em tecnologias e sistemas emergentes aplicáveis neste domínio.


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FEUP e CMP assinaram acordo de cooperação

Obras nos bairros e escolas auditadas

A Câmara Municipal do Porto assinou recentemente um protocolo com a FEUP que visa a realização de auditorias às obras de reabilitação, requalificação ou construção dos bairros sociais do Porto e de reabilitação das escolas do 1º ciclo. No âmbito destas auditorias a CMP recorrerá ao Laboratório de Física das Construções, do Departamento de Engenharia Civil da FEUP, que fará vistorias às obras, concluídas em Outubro de 2005 ou iniciadas depois desta data. O objectivo camarário será exigir responsabilidades quando se verificarem anomalias nas construções, mesmo que se venha a verificar que os erros correspondem às empresas municipais de Gestão de Obras Públicas. Carlos Costa, director da FEUP (na foto), mostrou a disponibilidade da Faculdade para colaborar e admitiu que destas experiências serão retirados ensinamentos de peso para futuras intervenções.

Fotolegenda

Fotografia: Filipe Paiva

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FEUP distingue melhores alunos em cerimónia oficial Realizou-se no passado dia 19 de Maio, no Auditório da FEUP, a 11ª edição do Dia da Graduação. Esta cerimónia reuniu, a exemplo de anos anteriores, alunos recém-licenciados, graduados e respectivas famílias, em como todo o corpo docente e não docente da FEUP, e visou a entrega de diplomas de fim de curso. Foram ainda entregues vários prémios patrocinados por empresas ou instituições (nomeadamente, Prémio Engº Cristiano P. Spratley, Prémio Mota Engil, Prémio Luís Gomes Bessa, Prémio Tintas CIN, Prémio Fernando Simão, Prémio Prof. Doutor Horácio Maia e Costa, Prémio CPCIS SGPS, Prémio Metro do Porto, Prémio Qimonda, Prémio Fundação Engº António de Almeida, Prémio Joaquim Sarmento) que se associaram a estas comemorações e distinguiram os melhores alunos nas diferentes áreas de engenharia. O convidado a orador deste ano foi o Engº Armando Tavares, presidente do Conselho de Administração da Qimonda - Portugal.

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Faculdade de Engenharia Universidade do Porto

A FEUP assinou no passado mês de Maio um protocolo com a Câmara Municipal do Porto que visa a realização de auditorias às obras de requalificação dos bairros sociais e das escolas do ensino básico. As auditorias serão realizadas pelo Laboratório de Física das Construções da Faculdade.


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Campeonato Europeu disputado na Alemanha

FEUP sagra-se bicampeã na modalidade de robôs pequenos A equipa da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) de futebol robótico, na modalidade robôs pequenos, sagrou-se bicampeã europeia, ao derrotar na final a Alemanha por 1-0. O Hannover German Open 2007 realizou-se entre os passados dias 16 e 21 de Abril, tendo a FEUP participado em cinco variantes com as equipas FC Portugal e 5DPO. De resto, foi esta última quem, na competição de robôs pequenos, se tornou bicampeã, depois de um percurso sem mácula: marcou 33 golos e não sofreu nenhum. Na competição de simulação em três dimensões, a equipa do FC Portugal (uma parceria FEUP/ Universidade de Aveiro) também subiu ao lugar mais alto do pódio, após derrotar com relativa facilidade os alemães Virtual Werder, por 3-0. Realce para o facto de a equipa do FC Portugal ser a actual campeã mundial desta modalidade. Esta formação esteve igualmente em destaque, ao conquistar um brilhante segundo lugar na prova de simulação em duas dimensões. Na final,

Sabia que…

frente aos alemães dos Brainstormers (campeões mundiais em 2005 e vice-campeões mundiais em 2006), a equipa portuguesa garantiu um empate sem golos até ao prolongamento. Na marcação de grandes penalidades, os germânicos ganharam por 2-1. Portugal foi assim o segundo país com mais troféus neste Europeu, logo a seguir à Alemanha, tendo a FEUP conquistado dois títulos de campeão europeu e um de vice-campeão europeu.

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Portugal foi o segundo país com mais troféus no Campeonato Europeu – “Hannover German Open 2007”, logo a seguir à Alemanha, anfitriã da competição. A FEUP fez-se representar pelas equipas FC Portugal e 5DPO, conseguindo dois títulos de campeão europeu e um de vice-campeão europeu.

A equipa de robótica da FEUP participou recentemente (entre 3 e 6 de Maio), no Fórum EDUK – uma feira de ensino que teve lugar na Exponor, em Matosinhos. Este ano, o evento integrou a “Cidade do Conhecimento” onde estiveram representadas todas as fases do percurso formativo, desde o Pré-Ensino, à Universidade Sénior. Esteve dotada com as mais recentes novidades e soluções, em termos didácticos e educativos. A participação da FEUP fez-se no âmbito da “Universidade na Cidade do Conhecimento” com um stand convidado, organizado pelos docentes do Departamento de Engenharia Electrotécnica e Computação da FEUP, com demonstrações de Futebol Robótico: Small-Size, 4 Legged e Simulação (com a colaboração das equipas 5DPO e FC Portugal da FEUP) e de Jogos Interactivos 3D (com a colaboração do Núcleo Estudantil de Computação Gráfica da FEUP). Destaca-se que a exposição contou com mais de uma centena de expositores e recebeu mais de 20 mil visitantes.


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Evolução da Economia Industrial para uma Economia de Serviços lança novas regras no ensino

FEUP apresenta curso inédito em Portugal

O MESG surge numa altura em que o sector dos serviços é responsável por mais de 70 por cento do emprego e do PIB nas economias ocidentais. A Economia de Serviços assenta cada vez mais em tecnologias, uma tendência que tem criado novos desafios à engenharia e à gestão. O curso tem por objectivo desenvolver competências para conceber, desenhar, implementar e operar sistemas de prestação de serviços assentes em tecnologias. Os alunos do MESG estarão especialmente preparados para fazer a ponte entre o cliente, o negócio e a gestão de serviços, bem como desenvolver e gerir os sistemas de base tecnológica que lhes servem de suporte. As 25 vagas disponíveis destinam-se a licenciados nas áreas de Engenharia, Ciências da Engenharia, Matemática, Informática, Economia ou Gestão. Já adaptado ao Processo de Bolonha, o Mestrado obriga a uma

Fotolegenda

dedicação plena durante dois anos lectivos, não estando adaptado a um regime pós-laboral. O know-how da FEUP ao nível de Engenharia de Serviços e Gestão está consolidado há já vários anos. Assim, a criação do MESG vem apenas oficializar a criação de uma fonte de formação nesta área. A apresentação do novo curso esteve a cargo do professor João Falcão e Cunha, director do MESG. Estiveram ainda presentes Daniel Bessa, director da Escola de Gestão do Porto, e José Joaquim de Oliveira, presidente e administradordelegado da IBM (na foto). Este curso tem um importante apoio da IBM, entidade que definiu recentemente a área da Ciência, Engenharia e Gestão de Serviços como prioridade, dada a falta de recursos qualificados a nível internacional neste campo e à importância que o sector de serviços tem na sua actividade e na economia em geral. Mais de 50 por cento da facturação global da IBM é em serviços, já não sendo tão preponderante a venda de hardware e de software. A Faculdade de Engenharia está a negociar a possibilidade de os alunos fazerem estágios em unidades/projectos da IBM ou trabalhos de investigação nos seus laboratórios, em várias partes do mundo. A instituição espera ainda que

a IBM continue a fornecer apoio como até aqui, nomeadamente ao nível da disponibilização de equipamentos, software ou mesmo serviços de apoio à investigação. Banco BPI, Critical Software, McKinsey, Portugal Telecom, PT Inovação, SAGE ou Sonae Distribuição são outras empresas que apoiam o MESG. www.fe.up.pt/mesg

Fotografia: Rui A. Cardoso

Faculdade de Engenharia Universidade do Porto

O grande objectivo do Mestrado em Engenharia de Serviços e Gestão (MESG) é dotar os alunos de conhecimentos que lhes permitam fazer a ponte entre o negócio e a gestão de serviços, bem como desenvolver e gerir os sistemas de base tecnológica que lhes servem de suporte. A apresentação do mais recente curso de 2º ciclo da FEUP decorreu na Sala Nobre do DEC, no dia 26 de Junho.

Engenharte apresenta “O Arranca Corações”

Fotografia: Raquel Ferreira

Em colaboração com o Comissariado Cultural e a Associação de Estudantes da FEUP, o Engenharte – grupo de teatro da FEUP – subiu ao palco do Auditório nos dias 30 de Abril, 1 e 2 de Maio com a peça “O Arranca Corações”, uma adaptação da obra de Boris Vian. Com encenação de António Júlio, Andrea Moisés e António A. Silva a peça pretende sobretudo captar a atenção do público para o surrealismo que rodeia todos os personagens da peça: “ao tomarmos cada uma das nossas palavras habituais ao pé da letra, deparamo-nos com o país monstruoso que nos cerca, o dos nossos desejos mais implacáveis, onde cada amor esconde um ódio, onde os homens sonham com navios, e as mulheres com muralhas”, como se pôde ler na sinopse do texto. Foi mais uma iniciativa de âmbito cultural na FEUP, numa tentativa de dinamizar a comunidade para as actividades de carácter artístico e lúdico.

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Conferência NECTAR discute transportes na cidade do Porto

FEUP recebe especialistas europeus em transportes

Temas como a colocação de portagens à entrada das grandes cidades – como há em Londres – começaram a ser discutidos no seio do NECTAR. Na edição deste ano, realizada na FEUP durante o mês de Maio, discutiu-se a possibilidade de expansão da rede do metropolitano do Porto para os concelhos mais afectados pelo trânsito, bem como a integração das empresas privadas de transporte de passageiros na bilhética actual (Andante). A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) recebeu entre 9 e 12 de Maio, numa organização do Grupo de Investigação Europeu de Comunicação e Transportes (Network on European Communication and Transportation Activities Research), a nona Conferência do NECTAR, um projecto que reuniu especialistas europeus e norte-americanos em Comunicação e Transportes.

A conferência debateu as tendências mais recentes de um domínio que suscita inúmeras discussões públicas. Como exemplo, refira-se que a colocação de portagens à entrada das grandes metrópoles (como em Londres, em algumas cidades da Noruega ou em Singapura) começou por ser debatida no seio do NECTAR. Nesta conferência, a possibilidade de expansão da rede do metropolitano do Porto para os concelhos mais afectados pelo trânsito, bem como a integração das empresas privadas de transporte de passageiros na bilhética actual (Andante) foram alguns dos grandes temas em cima da mesa. Além disso, foi debatida a evolução da actividade de investigação científica dos membros desta rede de conhecimento. Todas as conferências têm avaliado publicações em temas relevantes na área dos transportes.

Sabia que… A primeira conferência NECTAR foi organizada em 1993, em Pádua (Itália), tendo depois passado por Espinho, Mons (Bélgica), Shefayim (Israel), Delft (Holanda), Helsinkia (Finlândia), Ümea (Suécia) e Las Palmas (Espanha).

Faculdade de Engenharia domina o Prémio REN Estimação”. O prémio REN foi entregue no dia 23 de Maio, no auditório da Rede Eléctrica Nacional, em Sacavém. Recentemente premiada com o Prémio SECIL Universidades, através do projecto “Reconstrução da Ponte Pênsil entre as Ribeiras do Porto e Gaia”, a FEUP continua a dar cartas na área de Investigação & Desenvolvimento, mostrando ser uma instituição dinâmica. O Prémio REN – Rede Eléctrica Nacional, S.A., instituído em 1995, visa estreitar e intensificar os laços com as escolas de engenharia, contribuindo estas instituições para o elevado nível que hoje apresenta o sector do Transporte de Energia Eléctrica e Gás. O galardão é atribuído anualmente e distingue, em anos alternados, as melhores teses de mestrado ou os melhores trabalhos de licenciatura realizados em universidades portuguesas sobre temas no âmbito das redes dos Sistemas Eléctricos de Energia e Gás Natural. D.R.

A FEUP venceu recentemente a edição de 2006 do Prémio REN, um conceituado galardão entregue pela Rede Eléctrica Nacional, S.A., destinado a distinguir trabalhos de licenciatura. Tratou-se de uma participação inédita no concurso, na medida em que cinco dos nove trabalhos que entraram na competição eram da FEUP. O pódio foi totalmente ocupado pela Faculdade de Engenharia, tendo os trabalhos vencedores sido realizados por alunos licenciados em Engenharia Electrotécnica e de Computadores nos anos lectivos de 2005 e 2006. O primeiro prémio foi atribuído ao trabalho “Impacto da Produção Dispersa nas Redes de Distribuição”, realizado por Miguel Jorge Freitas, que receberá 12.500 euros. Em segundo lugar surge Rita Rebelo (na foto), autora do estudo “Sistemas de Monitorização de Transformadores de Potência”, premiada com 6.500 euros. Na terceira posição ficou Sérgio Mendes que receberá 3.500 euros pela “Análise e Simulação de Algoritmos de

Engenharia do futuro em discussão na FEUP A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) acolheu de 25 a 27 de Junho a 4ª Conferência Internacional sobre Remote Engineering and Virtual Instrumentation - REV2007 A conferência, de renome internacional, teve como principal objectivo discutir fundamentos, aplicações e experiências no campo da engenharia on-line, quer ao nível da indústria quer no âmbito académico. Durante a conferência foram discutidas directrizes para a educação em cursos universitários neste domínio, tendo em vista o futuro próximo. O REV2007 combinou um interessante programa técnico com oportunidades de contactar com outros investigadores. De entre os vários conferencistas, importa destacar a presença de Jesús de Alamo - docente de Engenharia Electrónica

no Departamento de Engenharia Electrónica e Ciências de Computação no Massachusetts Institute of Technology (MIT) -, Peter Scott, da Open University, e Ulrich Karras, gestor de produto da Festo Didactic GmbH & Co. A Engenharia Remota e a Instrumentação Virtual são tendências futuras no âmbito da engenharia e da ciência, devido a factores como a crescente complexidade das tarefas na área da engenharia e o facto de o equipamento ser cada vez mais especializado e dispendioso. É necessário permitir e organizar o uso partilhado de equipamentos, e também software especializado como simuladores. Foi nesse sentido que os organizadores encorajaram sobretudo as pessoas da indústria a apresentar a sua experiência e aplicações na área da engenharia remota e da instrumentação virtual.

A FEUP, através dos seus investigadores, como é o caso do professor José Martins Ferreira, presidente do comité organizador, tem participado em diversos projectos neste domínio. A título de exemplo, Martins Ferreira contribuiu de forma decisiva para que o laboratório intercontinental RexNet se tornasse realidade. Este laboratório virtual decorreu entre Janeiro de 2005 e Dezembro de 2006 e teve o alto patrocínio da Comissão das Comunidades Europeias. Os estudantes envolvidos neste projecto (que envolveu estabelecimentos de ensino da Europa e da América Latina) ficaram, na prática, munidos das ferramentas necessárias para entrarem com sucesso no mercado de trabalho.

http://ptse.fe.up.pt/moodle

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Ex-alunos de Engenharia Electrotécnica visitam pólo da Asprela

Trabalho de alunos da FEUP distinguido no ENDIEL 2007

http://finalistas1972.blogspot.com

FEUP colabora com Campeonato Nacional de Rallies

Alunos da FEUP concebem produto inovador para hotelaria No inicio do semestre passado, Setembro de 2006, um grupo de alunos do MIEIC/LEIC (Miguel Paixão, Luís Martinho, Nuno Salvaterra, Mariana Figueiredo e Rui Guerra) desenvolveu para a cadeira de Marketing leccionada pela professora Lia Patrício, um Plano de Marketing que resultou numa aplicação de software de reservas on-line destinada a pequenos hotéis e residenciais. A ideia foi a posteriori aproveitada pela JuniFEUP (Júnior Empresa da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto), que considerou interessante o objectivo do produto: inovar o mercado hoteleiro da cidade do Porto, quem sabe nacional, de gama baixa. Assim, foram realizados inquéritos telefónicos a cerca de 50 hotéis e residenciais na zona do Porto, e entrevistas pessoais a cinco estabelecimentos desta gama, fazendo crescer algumas especificidades do projecto, que concorreu ao concurso JADE Excellence Awards e também à Melhor Júnior Empresa. A maior surpresa deveu-se ao facto de a candidatura do plano de Marketing ter ficado entre as três melhores, e ter passado à fase final. A candidatura foi apresentada pelo Vice-Presidente da JuniFEUP, Manuel Parente, em Bruxelas no decorrer do JADE Presidents Meeting 2007. Apesar de não terem conseguido o 1º prémio, esta participação revelouse muito positiva pelos laços criados com outras juniores empresas que ficaram bastante interessadas no produto e não descoraram a hipótese de futuras parcerias para uma distribuição noutros países. A JuniFEUP encontra-se em fase de iniciação de desenvolvimento do produto e de angariação de uma base de clientes interessados em adquiri-lo, tarefas levadas a cabo internamente pelo Departamento de Informática e pelo Departamento de Marketing da júnior empresa. 28

Prof. Novais Barbosa profere a última aula na FEUP Organizado pelo Departamento de Engenharia Civil (DEC) como forma de reforçar o “reconhecimento por uma longa e profícua vida de grande dedicação à FEUP e à U. Porto”, o Auditório da FEUP foi palco, no passado dia 31 de Maio, de uma lição sobre “Hidráulica Geral e Funcionamento das Universidades” proferida pelo professor José Novais Barbosa. O ex-reitor da U. Porto teve uma plateia de investigadores da FEUP e pessoas amigas no momento de se despedir da carreira universitária, enquanto professor. Após a palestra seguiu-se um jantar no Círculo Universitário, que reuniu diversas personalidades que não quiseram deixar de estar presentes nesta homenagem.

A FEUP colaborou na edição de 2007 do Campeonato Nacional de Rallies da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting, que decorreu dias 11 e 12 de Maio, na cidade do Porto e em Fafe. Organizada pelo F.C. Porto - Desportos Motorizados, a competição compreendeu um percurso total de 316,90 quilómetros e contou com oito provas de classificação, destacando-se a Super Especial, realizada em asfalto, a escassos quilómetros da FEUP, na Alameda do Dragão. A FEUP colaborou cedendo as instalações para as seguintes actividades: verificações técnicas realizadas no Campus da FEUP (garagem coberta); selagem de alguns órgãos das viaturas a concurso (pavilhão de Mecânica); exposição de carros e camiões de Assistência (Parque de Estacionamento P1 - na foto); e, verificações documentais (Sala da Biblioteca). Durante o evento foram levadas a efeito várias surpresas para alunos.

Fotografia: Cristina Soares

D.R.

Faculdade de Engenharia Universidade do Porto

André Martins, Daniel Gonçalves e Sílvio Augusto, alunos do curso de Engenharia Mecânica da FEUP, sob a orientação do Prof. Francisco Freitas, desenvolveram o trabalho intitulado “Simulador Sísmico Multiaxial”, distinguido com uma “Menção Honrosa” do ENDIEL - Encontro para o Desenvolvimento do Sector Eléctrico e Electrónico, este ano realizado na FIL. Seleccionado entre os 14 trabalhos a concurso o trabalho desenvolveu um sistema de teste, com cinco graus de liberdade, para efectuar ensaios de simulação sísmica, essencialmente para fins didácticos e de apoio ao desenvolvimento de produtos. Importa referir que o evento decorreu de 15 a 19 de Maio de 2007, em simultâneo com o “Salão de Inovação e Criatividade” que premeia trabalhos de investigação e desenvolvimento propostos a concurso. Este ano os prémios foram patrocinados pela FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia e pela Firma Alcatel.

A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto abriu as suas portas no passado dia 19 de Maio às comemorações do 35º aniversário do curso de 1972 da Licenciatura em Engenharia Electrotécnica. Do evento participaram cerca de 70 dos 106 alunos do curso, que se fizeram acompanhar por familiares e amigos, num total de 100 pessoas. Esta foi a primeira vez que algumas destas caras, que frequentaram Engenharia nas antigas instalações da FEUP na Rua dos Bragas, visitaram as novas instalações da Faculdade no pólo da Asprela. As comemorações prosseguiram até ao dia 20 de Maio com um programa mais social e recreativo, na Curia.

Biblioteca disponibiliza o maior repositório português de teses em formato electrónico Prestando um serviço de difusão de informação científica e técnica de inegável valor, a Biblioteca da FEUP orgulha-se de disponibilizar o maior repositório português de acesso livre a teses e dissertações em formato electrónico. A entrega de uma versão das teses e dissertações em formato electrónico tornou-se obrigatória, na FEUP, em 2004, altura em que o acervo de teses e dissertações que existia na Biblioteca foi digitalizado e disponibilizado através do Catálogo. Para pesquisar o acervo de teses e dissertações entre em http://biblioteca. fe.up.pt e terá acesso ao Catálogo da Biblioteca. Seleccione a opção Provas Académicas na barra lateral direita, e utilize os diferentes campos de pesquisa predefinidos na Janela de Pesquisa.

FEUP arrecada o 3º lugar no Campeonato Nacional de Vela No passado dia 25 de Maio, a FEUP obteve o 3º lugar no Campeonato Nacional de Vela entre estudantes universitários. Foi a primeira vez que a FEUP participou num evento desta natureza, tendo-se estreado com um lugar no pódio: a equipa constítuida pelos alunos Augusto Rocha (MIEM), Diogo Barros (MIEM), João Martins (MIEIG), Madalena Barbosa (MIEA), Pedro Freitas (MIEC), Sebatião Rosas (MIEMM) e Sofia Furtado (MIEM), promete voltar a repetir a experiência no próximo ano. Composta por quatro regatas, esta competição foi vencida pela Escola Náutica Infante D. Henrique.


FEUP por Dentro

NaFEUP promove política dos 3 R’s

O Comissariado Cultural da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) promoveu durante dois dias do mês de Maio um workshop intitulado “Universo Sonoro – Entre a percepção e a coisa”, levado a cabo por Adriana Sá. Neste workshop desenvolveram-se lógicas de percepção e de acção e questionaram-se noções de som, espaço, movimento, lugar, singular, colectivo, material e imaterial, propondo-se ainda experiências, exercícios e discussões que convidaram a uma perspectiva musical sobre a realidade. Questões como “O que são gestos sonoros e o que significam?” ou “Como criar a percepção de movimento através do som?” foram o ponto de partida para uma reflexão sobre o universo dos sons. Tendo por base a improvisação, os participantes foram convidados a explorar o significado do som, através de experiências de captação, edição e reutilização sonora. Adriana Sá é uma artista de enorme versatilidade, formada em música, belas artes e design hypermedia. Interessa-se pelos paradoxos de percepção e significação, tendo desenvolvido e apresentado o seu trabalho pela Europa, EUA e Japão. Adriana é ainda performer, improvisadora, compositora, Adriana, fazendo igualmente parte do seu processo de criação o desenho e a construção da instrumentação.

O relvado central da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) acolheu dia 23 de Maio uma Feira de Trocas. A iniciativa, levado a cabo pelo Núcleo Ambiental da FEUP, consistiu essencialmente na troca de objectos em segunda mão. Cada participante pôde comparecer e efectuar trocas de materiais de forma livre e autónoma, sem envolver dinheiro, trocando objectos vários, nomeadamente material informático, roupa, livros, material de escritório, entre muitos outros. Destaque-se que esta actividade teve uma importante missão ecológica, pois visou estimular a política dos 3 R’s – Reduzir, Reutilizar, Reciclar – em toda a comunidade FEUP. www.fe.up.pt/nafeup

Fotografia: Rui A. Cardoso

Faculdade de Engenharia Universidade do Porto

Workshop “Universo Sonoro”

Prémio Jovem Investigador em Mecânica Aplicada e Computacional 2006

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Gerir o desenvolvimento de novos produtos e serviços é um dos desafios mais complexos que as empresas têm de enfrentar actualmente, devido à relativa escassez de quem desenhe estratégias, defina o modo de actuação e confira a sua implementação. Para ajudar a reflectir e a adoptar mecanismos capazes de suprimir esta dificuldade, o auditório da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) acolheu nos dias 11 e 12 de Junho a 14th International Product Development Management Conference - IPDM 2007. O evento é organizado anualmente pelo EIASM - European Institute for Advanced Studies in Management, uma rede internacional com mais de 33 mil cientistas em inovação e desenvolvimento, com o apoio logístico local. Na presente edição este apoio foi dado pela Faculdades de Engenharia e Economia da Universidade do Porto. A IPDM - 2007 torna-se mais pertinente dado o constante apelo por parte das mais diversas entidades privadas e também das que estão ligadas ao Estado para que as empresas apostem na inovação, para assim competirem num mundo empresarial cada vez mais agressivo e globalizado. Investigadores, profissionais da indústria, comércio e serviços foram, assim, alguns dos alvos desta sessão de trabalho, que procurou dar novas pistas sobre a adopção de processos criativos e sobre a gestão dos recursos (materiais e humanos) disponíveis. “Inovações radicais”, “Liderança e gestão da criatividade” ou “Empreendedorismo e desenvolvimento de produto” foram alguns dos temas que estiveram em discussão por parte de autores de 36 países, tendo sido apresentadas cerca de 160 comunicações. A palestra de arranque do evento foi proferida por António Câmara, CEO da YDreams.

D.R.

Especialistas europeus em inovação reunidos na FEUP

O docente Pedro Leal Ribeiro, do Departamento de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial da FEUP, foi distinguido com o Prémio Jovem Investigador em Mecânica Aplicada e Computacional 2006, cujo objectivo é distinguir investigadores com menos de 40 anos, membros da Associação Portuguesa de Mecânica Teórica, Aplicada e Computacional (APMTAC), com sólido currículo científico em qualquer área da Mecânica Aplicada e Computacional. O premiado recebeu no mês de Junho, durante o Congresso Internacional em Métodos Numéricos em Engenharia, o valor simbólico de 1000 euros, para participação em Congressos e Conferências da APMTAC, ECCOMAS (European Community on Computacional Methods in Applied Sciences) ou IACM (Internacional Association for Computacional Mechanics). Recordamos que a edição de 2005 deste prémio foi já atribuído a um docente da FEUP, o professor Pedro Camanho também do mesmo departamento, e que já em 2004 Pedro Leal Ribeiro recebeu uma Menção Honrosa.


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A revista Engenharia é uma publicação semestral de divulgação externa das atividades da FEUP nas áreas de ensino, investigação e desenvolvim...

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