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Relat贸rio


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O mercado brasileiro de animação vive hoje uma fase

governo,” disse Adilson Ruiz, representante da Secretaria

excepcional. Nunca na história tantas produções foram

do Audiovisual do Ministério da Cultura. “Isso aqui é um

feitas e nunca houve tantos acordos internacionais.

lançamento. Até aqui trabalhamos com um grupo de

Simultaneamente, há mais opções de financiamento para

voluntários, agora precisamos de um grupo de trabalho

a realização de séries, curtas e longas-metragens de

efetivo, para isso já temos um orçamento certo. O

animação. Foi esta ebulição que deu o tom à 4º edição

ProAnimação está sendo anunciado agora mas espero

do Anima Fórum, espaço oficial de debates e palestras do

que tenhamos algo mais amplo para anunciar e espero

Anima Mundi, que pela primeira vez aconteceu na etapa

que o momento não esteja longe. A partir de hoje a

carioca do festival.

etapa inicial de formatação acabou, agora é executar o plano.”

Durante quatro dias intensos, uma platéia variada, formada por jovens animadores, produtores experientes

Numa outra mesa-redonda, o presidente da RioFilme,

e convidados internacionais, acompanharam debates,

Sérgio Sá Leitão, aproveitou para falar também sobre o

estudos de caso e palestras, que esquadrinharam o

Plano de Desenvolvimento Estratégico para a Indústria

mercado de animação no Brasil e exterior. Palco de

Audiovisual do Rio, que num futuro próximo funcionará

importantes anúncios políticos em outros anos, o Anima

na Zona Portuária, contando com um pacote de

Fórum voltou a se firmar como principal encontro do

incentivos fiscais e linhas de financiamento, incluindo

gênero do país. Este ano, houve o pré-lançamento do

linhas específicas para a animação.

ProAnimação, programa federal de incentivo ao mercado de animação.

Comprovando o aquecimento do mercado, em pelo menos duas mesas foram reunidos os principais

“É uma ação de estado e de governo que tem como

agentes da animação no país. Profissionais que tiveram a

meta dar subsídios para a indústria que já está em pleno

oportunidade de falar sobre os bons resultados de seus

funcionamento. É um projeto de urgência e que vai se

produtos, como a série “Peixonauta”, lançada no primeiro

estender por mais dez anos, começando a andar neste

semestre e líder hoje no Discovery Kids.


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15 de julho | quarta-feira

17 de julho | sexta-feira

Credenciamento

Anima Business

Salão Anima Forum

Salão Anima Forum

- 10:00 às 13:00

- 10:00 às 13:00

Abertura

Apresentações | Estudos de Caso

Teatro II

Teatro 2

- 15:00 às 15:20

- 10:45 às 13:00

Palestra: Forma e conteúdo para séries animadas .Produtora: Little Airplane Teatro II

- 15:20 às 18:00

Uma reflexão sobre o conteúdo explorado nas séries animadas para TV. Quais as possibilidades ainda não exploradas? Toda serie tem que ter preocupação educacional ? Ser politicamente correto ou não? Que dimensão as culturas regionais podem ter em uma produção para exportação? Animação para adultos ainda pode ser mais explorada?

série – Wonder Pets

.Produtora: Rainbow série – Maya e Winx Club

Mesa Redonda : Quanto vale a minha idéia? O que fazer para realizá-la? 15:00 às 18:00

Teatro 2 -

Linda Simensky tem seu nome ligado profundamente à produção de animação para TV, participando da estruturação de empresas como a Cartoon Network e Nickelodeon e produzindo várias séries de sucesso. Atualmente é vice-presidente sênior de programação infantil da rede pública de TV americana PBS – Public Broadcast Service.

O longo caminho de uma boa idéia até a sua realização. A jornada de uma idéia para se tornar uma produção de animação de sucesso: o projeto é viável? Toma lá, dá cá: quem seria o melhor parceiro? Que estrutura é necessária para a produção no Brasil? Participantes – Sérgio Sá Leitão (diretor presidente da Riofilme), André Breitman (2DLabs), Paulo Boccato (Glaz Entretenimento) e Paolo Conti (Anima King)

Beth Carmona foi diretora da TV Cultura de SP, do Grupo Discovery na América Latina, Disney Channel e Presidente da TVE Brasil. É fundadora e presidente da ONG MIDIATIVA que promove e incentiva a produção de conteúdo de qualidade para crianças e adolescentes.

18 de julho | sábado Anima Business

16 de julho | quinta-feira

Salão Anima Forum

Anima Business

Teatro 2 -

Salão Anima Forum

- 10:00 às 13:00

Apresentações | Estudos de Caso Teatro II

- 10:45 às 13:00

.Produtora: Marathon série – Totally Spies .Produtora: Sesame Workshop série – Sesame Street

Mesa Redonda: Apresentação do ProAnimação Teatro II

- 15:00 às 18:00

- 10:00 às 13:00

Mesa Redonda : Da teoria à prática 15:00 às 17:50

Depois de alguns contratos fechados e da realização de alguns editais, várias produções estão em curso. Uma mesa formada somente por produtores com projetos já em fase de finalização vai discutir quais as conquistas e dificuldades enfrentadas até agora. Participantes: Kiko Mistrorigo e Celia Catunda (TV PinGuim), André Breitman e Andrés Lieban (2D Lab), Arnaldo Galvão (UM Filmes), Tiago Mello (Mixer).

As novas medidas de apoio à produção nacional de animação contida neste novo programa federal de incentivo.

Moderador: Paulo Munhoz (ABCA)

Participantes : Adilson Ruiz (SAV/Minc), Wilson Amorim (PROGEP-FIA), Luiz Alberto Carregosa Cesar (ABPITV).

Teatro 2 -

Moderador – Alê Machado (ABCA)

Encerramento

17:50 às 18:00


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15 de julho | quarta-feira

Palestra: Forma e conteúdo para séries animadas A conversa entre duas experientes personagens do mercado de animação do Brasil e dos Estados Unidos marcou a palestra de abertura do Anima Fórum 2009, cujo objetivo era discutir o conteúdo das séries animadas. Representante nacional, Beth Carmona foi escolhida por seu extenso currículo, que inclui o comando da TV Cultura, do Grupo Discovery na América Latina, do Disney Channel e a presidência da TVE. Atualmente ela está à frente da ONG Midiativa, que promove e incentiva a produção de conteúdo de qualidade para crianças e adolescentes. Já a americana Linda Simensky é um dos grandes nomes da história recente da produção de animação para TV americana. Hoje, ela é vice-presidente sênior de programação infantil da rede pública de TV americana PBS (Public Broadcasting Service), responsável direta de séries como “Curious George” (“George o Curioso”), “Sid the Science Kid” (“Sid, o cientista”), “Super Why”, “The Electric Company”, “WordGirl”, “Martha Speaks” e uma nova série chamada de “Dinosaur Train”. Antes de chegar à PBS, Linda participou da estruturação do Cartoon Network e do Nickelodeon.

Estados Unidos Linda abriu a palestra revelando, sem nenhum constrangimento, que decidiu transferir-se para a PBS em 2000, depois de uma crise de meia idade e o nascimento de seu filho. “Eu quero fazer programas nos quais as crianças aprendam alguma coisa. E o PBS é o único canal americano que tem esta missão. Por exemplo, ‘Sid, o cientista’ não é sobre fatos científicos, mas mostra como as crianças fazem perguntas, como se interessam por ciência”, disse ela. Linda lembrou que quando começou a trabalhar no mercado de animação, em 1986, não havia a divisão de faixa etária que existe hoje, eram apenas programas voltados para crianças de 2-11 anos. Hoje as emissoras cada vez mais subdividem a programação para idades cada vez mais restritas (2-5, 6-11, 9-14, etc).

Linda Simensky - vice-presidente sênior de programação infantil da PBS

“Naquela época eram programas infantis e ponto. A única meta era fazer desenhos engraçados, baseados em experiências com nossos próprios filhos.” O nascimento da TV a cabo e o surgimento de canais focados nas crianças fizeram com que a abordagem mudasse. Segundo Linda, a partir daquele momento, já nos pitchings era necessário fazer com que as pessoas rissem.

“A indústria voltou à vida. A meta antes era simplesmente vender; depois, com o tempo, foi mudando e o objetivo passou a ser criar qualidade.”


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Eis alguns elementos, segundo Linda, que contribuem para a qualidade dos programas para crianças de todas as idades:

• O canal tem que realmente focar sua programação nas crianças, construindo toda uma organização interna para isso • Ter orçamento para desenvolver ideias e programas • Desenvolvimento do personagem. Não é porque é um programa para crianças que os personagens não precisam ser complexos. Pelo contrário. Suas características devem ser elaboradoras à

Outro conselho dela é para que os animadores sejam corajosos, que se arrisquem, para buscar produtos diferenciados, que realmente provoquem mudanças no meio de comunicação. Ela diz que neste sentido, hoje, nos Estados Unidos, a maior inovação tem acontecido nas séries dedicadas ao público pré-escolar, devido à popularidade das produções, mas também a uma vontade das próprias emissoras de se aproximar dos pais, porque aparentemente eles estão mais atentos ao que os filhos estão assistindo, procurando produções mais educativas. Daí o aumento de qualidade.

exaustão, com nuances, mostrando sua complexidade e interesse. • Personagem também tem que ter defeitos e imperfeições. Mas também deve ter qualidades, características que o torne engraçado e crie empatia. “Bob Esponja”, por exemplo, tem defeitos, é atrapalhado mas ao mesmo tempo muito engraçado • Mesmo para as crianças da pré-escola, de 2-4 anos, as características dos personagens devem ser complexas. • A história em si também é muito importante • Identificação: o personagem deve ser alguém com o qual a criança se identifique, que queira ter como amigo • Autores e criadores têm que acompanhar todo o processo de criação, dando consistência ao conteúdo

Uma animação de qualidade também tem que ter os seguintes elementos:

• Um estilo visual, um traço único, diferenciado de outros programas • Variedade de vozes • Boa trilha sonora • Timing e boa direção • Humor e uma certa sensibilidade

“É a era de ouro da programação pré-escolar em termos de variedade e estilo.” Enquanto isso, segundo Linda, na faixa 6-11 há poucas novidades. Tanto que hoje as crianças menores, de 5 anos, estão vendo programas indicados para os mais velhos. “Crianças de 5-8 anos acabam assistindo a ‘High School Musical’ e quando se assiste um programa deste aos 5 anos pode-se ter uma visão louca do mundo. Nem tudo tem que ser educativo mas cada programa tem que ter meta e público-alvo. O importante é alcançar esta meta.” Linda mostrou ainda como a tecnologia tem sido uma aliada importante na animação para crianças hoje, tornando a produção mais rápida e por isso mais barata. Atualmente, com três dias de trabalho é possível fazer meia hora de programação.

Brasil Linda ressaltou a importância do humor mesmo nas séries infantis para as crianças menores. “Humor é uma ferramenta eficaz porque é mais fácil aprender informações quando nos divertimos com o que está se passando. Um programa para criança tem que ser engraçado e se o humor dele não funciona, é porque não está adequado à faixa etária a que se destina. Pode-se acrescentar piadas para adultos mas nunca tirar as piadas para as crianças.” Para entender o público-alvo, ela também sugere que os criadores/autores convivam diretamente com crianças, tentando conversar com elas para entender o que desejam.

Em seguida, foi a vez de Beth Carmona falar sobre o mercado brasileiro de animação, ressaltando a evolução e particularidades do cenário nacional. Amparada por um slide show, ela começou mostrando vários personagens que há décadas estão nas telas da TV brasileira, os chamados desenhos enlatados de produção americana, exibidos em programas infantis como o “Xou da Xuxa”, “Clube do Mickey” e “Eliana”. Nos anos 80, desenhos como os “Flintstones”, “Os Jetsons” e os primeiros super-heróis começam a tomar a TV aberta, anunciando personagens com uma história mais complexa. É nesta época também que as emissoras começam a se interessar por personagens brasileiros. Já nos anos 90, os personagens começam a se sofisticar. Há a entrada de produções japonesas e séries com um humor mais refinado, como o dos Simpsons. Personagens


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engraçados e ao mesmo tempo sem gênero definido como “Bob Esponja” também caem na preferência da criançada. Beth fez questão ainda de lembrar a longa vida dos personagens de Maurício de Sousa, que sobrevivem bem há décadas nas histórias em quadrinhos, com raras incursões na animação. Outros pontos importantes elencados por Beth foram a valorização do formato de série, o surgimento das leis de fomento e o crescimento de canais segmentados para crianças. Nos anos 80 e 90, os personagens e a séries brasileiras começam a surgir com mais força. Ela lista “O Menino Maluquinho”, “Castelo Rá-tim-bum”, a “Turma do Cocoricó”. Neste momento, o mercado também passa a se aquecer, com os profissionais envolvidos na preparação de vinhetas e pequenas animações. Beth lembrou ainda da iniciativa do Ministério da Cultura, através de uma parceria da Secretaria do Audiovisual com a TVE, de criar nos anos 2000 o Curta Criança e o Curta Criança Animação, para incentivar a produção de curtas para animação. “Meu amigãozão”, que agora vai virar série numa produção internacional, foi um dos selecionados, ganhando R$ 10 mil para seu primeiro piloto. Outros projetos conseguiram produzir pilotos de 1 a 13 minutos, que facilitaram a negociação com co-produtores internacionais.

Crianças de hoje “As crianças de hoje são acostumadas a multitarefas. Ficam grudadas no computador, mas também estão ligadas em música e em vídeos. O mundo é mais fragmentado, cheio de opções, e por isso é hora de pensar em oferecer a elas conteúdos mais curtos e ao mesmo tempo mais intensos. E tudo para ser apresentado em multiplataformas, no celular, na página da web.”

Brasil x Estados Unidos As duas especialistas falaram sobre os mesmos temas, ressaltando as diferenças do mercado no Brasil e nos Estados Unidos. Financiamento governamental Beth Carmona: Iniciativas do governo nos últimos três, quatro anos, têm possibilitado, através do Brazilian TV Producers, a viagem de produtores ao exterior para conhecer o mercado. Os financiamentos do governo também são benvindos mas só eles não resolvem. A questão hoje é saber o quanto a empresa privada pode apoiar novos projetos. Linda Simensky: Temos dinheiro do Departamento Educativo, mas são eles que escolhem tudo em relação aos programas que apóiam. Além disso, o departamento é formado por gente que não é profissional do meio. É muita burocracia. Gostamos, sim, de receber dinheiro para projetos que realmente desejamos fazer.


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Dinheiro privado Linda Simensky: Isso funcionava quando as empresas tinham dinheiro mas agora, com a crise, a primeira coisa a cortar é o apoio a uma emissora como a nossa. É difícil encontrar uma empresa com dinheiro. Há algumas como o McDonald’s que têm, mas são empresas que não são boas para as crianças. Hoje dependemos dos financiamentos e dos patrocínios, porém eles realmente estão diminuindo. Licenciamento de produtos

Linda Simensky: As crianças de hoje são nativos digitais, com olhos em todas as mídias e plataformas. Temos que estar preparados para tudo que elas vão trazer de novo.

Perguntas do público: . Na questão do licenciamento, no Brasil, existe a tendência da suspensão de qualquer tipo de propaganda durante a programação infantil na TV, enquanto nos Estados Unidos a Hasbro é proprietária também de um canal de TV. Onde está o meio termo?

Beth Carmona: Licenciamento no Brasil não reverte tanto na produção nacional e não chega a pesar financeiramente.

Beth Carmona: Eu acho que os dois extremos são perigosos. Temos que discutir a questão das propagandas, sim, porque num país como o nosso, com um índice de pobreza ainda tão alto, a questão do consumo ostensivo tem que ser pensada. Mas também não dá para ser purista e paternalista, porque as crianças têm que ser incentivadas a fazer escolhas. Hoje o Senado está às voltas com uma série de leis para proibir e coibir as propagandas para crianças que podem acabar interferindo na indústria da criação.

Linda Simensky: “Bob Esponja” é uma exceção no mercado dos últimos dez anos. De lá para cá, que hits tivemos? “Ben 10” vende brinquedos mas não chega a ser um hit inquestionável. Se a minha mãe nunca ouviu falar em “Ben 10” é porque ele não chega a ser um hit absoluto. Claro que funciona na faixa etária a que se destina mas no caso do “Bob Esponja” todo mundo, independentemente da faixa etária, conhece. “As Meninas Superpoderosas” também são um sucesso, mas como há a fragmentação de público, neste caso focado mais em meninas, as vendas de licenciados não viajam tão bem.

Linda Simensky: Queremos proteger as nossas crianças com programas mais educativos. Essa fórmula da TV da Hasbro talvez seja uma alternativa para buscar mais dinheiro. A questão é será que o canal vai ter sucesso? Se tiver muito sucesso, talvez seja um problema mesmo. O que eu percebo hoje é que muitos pais não gostam do Cartoon Network. A PBS ainda é uma TV aberta, o que é bom para as crianças carentes e para as crianças com pais mais exigentes. Nos EUA, o que eu sinto é que tem muita gente querendo fazer a coisa certa.

Beth Carmona: O que eu vejo na América Latina é que logo no começo de um projeto, já há uma estimativa da receita das vendas de produtos licenciados deste projeto para convencer os patrocinadores do potencial daquele programa. Entretanto, na verdade, ninguém sabe o que vai ser sucesso.

. Vocês apostariam numa série sem personagens fixos? Por exemplo, numa série que conta a cada episódio uma lenda de um país diferente?

Linda Simensky: As pessoas investem na indústria de animação em busca de retorno e vão ter este retorno porque as crianças de hoje estão ligadas também em games e em jogos de computador. Hoje, na faixa de 8-9 anos não dá para depender só da venda de brinquedos, o programa não se sustenta só com essas vendas, tem que ter outras opções.

Plataforma e novas mídias Beth Carmona: Hoje, um produto que queira fazer sucesso tem que funcionar bem em todas as plataformas. O número de brasileiros com internet só tem aumentado, enquanto a audiência da TV entre os jovens está minguando.

Beth: Eu já estive ligada a séries mais nobres, mais caras que também são mais difíceis de fazer. São projetos importantes, que envolvem linguagens experimentais e que podem conseguir dinheiro, mas nem sempre atingem um grande público. Linda: Nos EUA esse tipo de projeto não funciona, porque não tem audiência. Quando não há um personagem para se ligar, dificilmente as pessoas vão voltar na semana seguinte em busca de uma


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experiência diferente. E também são projetos caros, porque são filmes independentes. . Meninos, em geral, não assistem a histórias de personagens femininos, enquanto as meninas normalmente vêem programas de meninos. Como o canal busca equilíbrio, sem se deixar levar apenas pela questão mercadológica da audiência?

Beth: Em geral é a audiência que manda. Linda: A questão dos personagens femininos está melhorando. Hoje a TV para crianças da pré-escola é muito diversa. Quando eu comecei a trabalhar no Nickelodeon, não existia a questão do gênero e não deu certo isso. O Cartoon Network decidiu focar nos meninos, porque era mais fácil de vender. O resultado é que perderam as meninas e não ganharam todo o dinheiro que imaginavam com merchandising. . A produção de séries mais curtas talvez seja uma solução mas sempre há o problema do encaixe na programação. O que funciona e o que não funciona neste formato?

Linda: Como nós na PBS não temos comerciais, os

produtos precisam preencher uma hora de programação. Já colocamos live action e isso nos deu uma janela para desenvolver outros programas menores. Mas não descobrimos uma fórmula para fazer isso direito, usando os programas curtos como pilotos de futuras séries. Eu acho que os interprogramas (usados geralmente nas TV públicas para ajustar a programação) são ótimas opções para serem usados em diferentes plataformas. E eles também têm o papel de criar a personalidade do canal. . A animação para o público adulto tem mercado no Brasil e no resto do mundo?

Beth: No Brasil tem público, sim. É bem vista e bem-vinda. Linda: Nos Estados Unidos, há muitas opções, mas com exceção dos Simpsons e do “King of the Hill” (“Rei do pedaço”), tudo é para homens. Num certo momento, as crianças crescem e deixam de gostar de animação? Será que não ficam chateadas em só ter opção para homens? Isso diminui as possibilidades. Eu sempre achei e ainda acho que animação é para todos.


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16 de julho | quinta-feira

Estudo de Caso Produtora : Sesame Workshop Série : Vila Sésamo O estudo de caso da série americana de sucesso mundial ficou a cargo de Charlotte Frances Cole, vice-presidente de educação e pesquisa do Sesame Workshop, em Nova York, responsável pelas pesquisas e desenvolvimento de coproduções internacionais. Hoje, em diferentes partes do globo, como Bangladesh e África do Sul, há adaptações do programa pré-escolar “Vila Sésamo”, envolvendo educadores e pesquisadores dos países em questão. A história do Sesame Workshop remonta a 1968, quando a produtora foi criada com o objetivo de produzir programas educativos experimentais, direcionados tanto a crianças de alta renda como às mais pobres, na idade pré-escolar. Em quatro décadas, os programas chegaram a cerca de 130 países. Outra forma de penetração em diferentes regiões foi a instituição de coproduções, focadas nas culturas específicas e nas necessidades de cada país. “Buscamos oferecer ferramentas emocionais para ajudar no futuro das crianças. A opção por bonecos (uma das marcas do Vila Sésamo) é porque acreditamos que às vezes estes bonecos conseguem se conectar com as crianças onde os pais não conseguem”.

Charlotte Frances Cole - vice-presidente de educação e pesquisa do

A proposta do programa, desde o seu início, era tirar as crianças da pobreza através da educação. E desde o início também, houve a preocupação de o trabalho de criação ser feito em parceria com educadores, algo inovador na época. Os programas envolviam e ainda envolvem temas como saúde, questões sociais e emocionais. Outra marca do “Vila Sésamo” foi ter um elenco multirracial desde o seu início. Hoje, mantendo esta tradição, no programa sul-africano há um personagem soropositivo.

Conectada com o novo milênio, a produtora americana também se transformou numa ampla fornecedora de conteúdo multimídia, oferecendo, por exemplo, material para outras plataformas. Na África do Sul há um programa de rádio, assim como também já há conteúdo para celular e material interativo. Em todos os projetos, o diferencial é ter educadores envolvidos diretamente no processo.

Atualmente, os programas se dividem entre co-produções locais e a produção americana, que chega a diferentes países em versão dublada. No Brasil, a nova versão, batizada de “3, 2, 1, Vamos!”, é exibida no Discovery Kids. Curiosamente, o Brasil, nos anos 70, foi um dos primeiros países a ter co-produção do programa.

Hoje, a tendência das co-produções locais é testar formatos específicos para cada cultura. Na Nigéria, por exemplo, os bonecos utilizados nos programas da TV ganharam um formato de animação, para tratar de assuntos de importância local, como a questão da AIDS. O formato é menor, de cinco minutos, e os programas não chegam à TV: são exibidos em diferentes tipos de instituições.

“Com as coproduções tentamos atender às necessidades específicas dos educadores de cada lugar”.

Sesame Workshop

Até chegar às telas do programa na África do Sul, um assunto delicado com a transmissão do vírus do HIV passou por uma série de estudos envolvendo


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educadores. Foi ali que o Sesame Workshop abordou o tema pela primeira vez nos programas para crianças de 3-6 anos. “As pesquisas envolvendo organizações de saúde mostraram que as crianças pequenas conheciam o termo HIV positivo e o consideravam, de alguma forma, negativo. Mas elas não sabiam o que era a doença e as suas precauções, porque havia uma cultura do silêncio em torno do tema. Por isso, criamos um roteiro simples, mostrando que não dá, por exemplo, para se contaminar brincando com um amigo infectado. É um jeito simples que ao mesmo tempo abre um canal de discussão.” Outra forma de penetração da Sesame Workshop pelo mundo é o trabalho comunitário. Em Bangladesh, carros equipados com geradores levam o programa de TV a comunidades afastadas, onde não há luz. Ali, cerca de 500 crianças se colocam de frente de um monitor pequeno para assistir às histórias. Em três anos, mais de seis mil crianças já participaram.

“Fizemos uma série de medições e até mesmo numa situação precária, vendo o programa num monitor minúsculo, rodeada por outras crianças, há um aprendizado real.” Já na Tanzânia, onde a malária ainda é um grave problema, foi feito um filme mostrando como acontece a contaminação e ensinando a prevenção com a ajuda de um kit distribuído pelo governo. Charlotte fez questão também de falar da importância da pesquisa com crianças durante o processo criativo. Em geral, a produtora reúne crianças para assistir aos pilotos, divididas em dois grupos diferentes – crianças mais envolvidas com o tema e crianças menos interessadas.

“A pesquisa te dá humildade no trabalho. Nada substitui um teste com o público antes de jogar o produto de vez no mercado.” Outro item importante, segundo Charlotte, é conseguir orquestrar todos os parceiros envolvidos nas produções, principalmente nas internacionais. Há educadores, patrocinadores privados, entidades públicas e privadas, além dos pesquisadores e as emissoras locais.

“Tentamos juntar um grupo diverso e heterogêneo, para tratar a educação de uma forma mais ampla e ainda buscar caminhos inovadores.”

Perguntas do público: . Como os programas lidam com a questão dos livros? Como podem encorajar o público a ler?

Charlotte: No cenário do “Vila Sésamo” há uma biblioteca e os personagens sempre estão envolvidos com livros, lendo, folheando. Na Holanda, por exemplo, no fim de cada episódio é lida uma história diferente. . Já abordaram no programa a questão da morte?

Charlotte: Em “Vila Sésamo” já tratamos da morte, mostrando um animal de estimação que morreu. Também um dos atores morreu e a equipe decidiu lidar com a informação no programa, então foi feito um seminário para discutir com o assunto seria tratado. Um dos personagens, o Garibaldo, apareceu em cena mostrando como estava lidando com essa morte. E em todas as experiências, pelas respostas, deu certo. Já uma vez fizemos um programa na África do Sul que se passava na escola, com crianças conversando sobre a morte de um amigo. Neste caso, o problema é que o filme que foi exibido antes não preparou as crianças para o assunto. Por isso, decidimos que este tipo de programa seria exibido dentro das escolas, onde os professores e educadores podem preparar as crianças para um assunto tão delicado.” . A proposta de trabalhar também com animação é para cortar custos?

Charlotte: A proposta foi explorar um novo formato, abrindo novas janelas numa busca constante pela ampliação do público. No começo o custo também é alto mas depois, com o tempo, tende a abaixar também. . Vocês trabalham com produtores independentes locais?

Charlotte: As coproduções são feitas com equipes locais. Tudo, em geral, envolve o parceiro local, que também gera os programas e também os filmes.


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Palestra:

Preços: Vendendo uma série pelo mundo Com: Tanya Kelen Especialista em distribuição da canadense Breakthrough Films, Tanya Kelen falou sobre os valores de pré-venda e a venda de séries no mercado internacional. Logo no começo, Tanya avisou que iria tentar elucidar o mistério das vendas. Para isso, ela listou uma série de conselhos para quem está em busca de parceiros internacionais. No Brasil, a especialista está ligada a duas séries: “Meu amigãozão” e “Peixonauta”.

. Uma vez que você conseguiu seu parceiro de distribuição, é

Eis os conselhos no relacionamento com o distribuidor internacional:

verba para a produção

importante ter prontos seu plano financeiro e o storyboard porque serão necessários ao distribuidor . A comissão de um parceiro de distribuição pode ir até 35% do valor total do projeto. Depois de produzir tudo, em geral são 26 episódios, o distribuidor vai ter direito a dividir a receita . Um agente cobra de 10% a 20% para vender e se concentrar na distribuição . É raro mas alguns distribuidores podem adiantar uma parte da . Importante negociar desde o início com o parceiro de distribuição

. Seu distribuidor deve ser também parceiro de produção: o

as novas plataformas de mídia, além de merchandising e licenciamento

distribuidor que entende a fundo o projeto vai comercializá-lo

. Importante ter acesso aos relatórios de vendas do distribuidor,

melhor

sabendo o que aconteceu nos pitchings nas demais negociações.

. Especificidades: o distribuidor local tende a conhecer melhor as

A comunicação regular é fundamental para um bom processo de

características específicas de seu território, ajudando tanto nas

parceria

vendas como no conteúdo do programa

. A autodistribuição também pode se levada em conta, caso o

. O distribuidor deve ajudar com o material de marketing e nas

produtor tenha muitas relações e contatos, mas em geral é um

reuniões de apresentação do projeto aos diferentes mercados

processo mais demorado

. O distribuidor terá papel essencial no contato com as emissoras

. Uma das ferramentas fundamentais para o trabalho de distribuição

locais, dando retorno desde o início das negociações

é o Sales Sheet, com duas páginas, contendo, numa, uma imagem

. Quem nunca trabalhou com distribuidores, pode estranhar porque

bem clara do projeto. Se tiver um piloto, melhor ainda.

às vezes não há tanta ajuda e tanto retorno como esperava . Importante saber sempre em que fase das negociações o

Dinheiro pelo mundo

distribuidor está, pedindo retorno sempre que for possível . Antes de escolher o distribuidor, é importante saber em que fase o seu projeto está e de que tipo de distribuidor você precisa. Quando você já tem patrocínio e financiamento no Brasil, o distribuidor vai precisar ajudar na busca de emissoras

Cada projeto de série é um negócio único, mas mesmo assim Tanya Kelen deu uma visão geral sobre preços e números que cercam as negociações do mercado internacional de animação:


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. Até bem pouco tempo, o orçamento de uma co-produção era de US$ 230 a US$ 280 mil por episódio mas depois da crise financeira mundial os valores foram reduzidos para algo como US$ 185 mil. . As taxas de licenciamento no Canadá são de US$ 25 mil se for só TV e de US$ 75 mil se for mais do que TV . Todas as taxas são baseadas num guia de preços e há países como França, Itália e Reino Unido onde os valores são mais altos . No Brasil, hoje, as emissoras pagam algo como US$ 10 mil por episódio e é o melhor que já se conseguiu até hoje . Uma série de sucesso mundial deve ser vendida para cerca de 140 países, com uma renda de US$ 3 milhões, de três a cinco anos. Uma série de muito sucesso pode chegar a US$ 8 milhões.

Importância de projetos interativos Desde o início do projeto é importante pensar em formatos interativos que estejam ligados de alguma forma ao programa. No Canadá já existe até mesmo um fundo para financiar projetos de séries ligados às novas mídias (www.bellfund.ca). Um exemplo desse sucesso é “Total Drama Island” (no Brasil, “Ilha dos Desafios”), uma série de desenho animado canadense em formato de reality show que foi produzida pela Fresh TV Inc. em parceria com o Teletoon. O projeto incluiu dois games online exibidos ao mesmo tempo em que o programa, alcançando recordes de audiência. Cerca de 70% do público que assistia à série na TV também usava a parte interativa. Outras dicas para informação e divulgação

. Assinar revistas que tratam do mercado, como “Kidscreen” e “Worldscreen Magazine” . Importante fazer um press-release que explique à imprensa o seu projeto . Nunca é cedo demais para tentar atrair atenção da emissora para o projeto e ganhar credibilidade . Trabalhe com especialistas em marca Dicas de sucesso para quem está começando

Perguntas do público: . Ao sair em busca de um coprodutor internacional ajuda ter um piloto nas mãos?

Tanya Kelen: Se você pretende investir num piloto, meu conselho é fazer um de apenas 1 minuto, nem mais e nem menos. Às vezes é mais produtivo ter um bom roteiro e um projeto caprichado do departamento de arte. Entretanto, já houve casos, como o do “Meu amigãozão”, que um piloto bem feito deu muita credibilidade ao projeto.

. O mais importante é encontrar parceiros dos quais você goste . Informe-se sobre tendências, veja como está a concorrência . Na hora do pitching escolha alguém que realmente fale bem inglês porque a sua chance de apresentar o projeto é única . Formate o seu projeto junto com os parceiros . Tenha paciência com o tempo longo que leva para conseguir financiamento para o seu projeto – em geral, de dois a três anos . Entenda os motivos do seu projeto não ter agradado – saia de uma reunião com a clareza do que está faltando para ter um bom projeto nas mãos


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Mesa Redonda

Apresentação do ProAnimação As novas medidas de apoio à produção nacional de animação através do novo programa federal de incentivo Participação de Adilson Ruiz (SAV/Minc), Wilson Amorim (Coordenação de Pesquisas - PROGEP-FIA) e Luiz Alberto Carregosa Cesar (ABPITV). Moderação de Alê McHaddo (ABCA) Representante da Secretaria do Audiovisual, Adilson Ruiz abriu os trabalhos da primeira mesa-redonda do Anima Fórum com um anúncio importante: ali, enfim, seria feito primeiro lançamento do ProAnimação, programa federal de incentivo ao mercado de animação. Em março de 2009, um grupo formado por representantes do setor e de membros do governo começou a se reunir para formatar uma série de ações para contribuir para auto-suficiência da indústria da animação.

“É uma ação de estado e de governo que tem como meta dar subsídios para a indústria que já está em pleno funcionamento. É um projeto de urgência e que vai se estender por mais dez anos, começando a andar neste governo.” Ruiz, no entanto, ressaltou que o Anima Fórum foi o palco escolhido para o primeiro anúncio do ProAnimação mas que o lançamento oficial, portanto, formal do programa deverá ser feito em breve pelo ministro da Cultura, Juca Ferreira. “Isso aqui é um lançamento”, garantiu Adilson Ruiz. “Até aqui trabalhamos com um grupo de voluntários, agora precisamos de um grupo de trabalho efetivo, para isso já temos um orçamento certo. O ProAnimação está sendo anunciado agora mas espero que tenhamos algo mais amplo para anunciar e espero que o momento não esteja longe. A partir de hoje a etapa inicial de formatação acabou, agora é executar o plano.” Pesquisa O ProAnimação vai incluir, desde o seu início, uma longa pesquisa sobre o mercado de animação, que será comandadas Fundação Instituto de Administração (FIA) da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP). A pesquisa pretende traçar o perfil socioeconômico, institucional e do mercado do segmento de animação no audiovisual brasileiro, mostrando seus desafios e potencialidades. A proposta, segundo o professor Wilson Amorim, responsável pela condução da pesquisa, será juntar dados para entender melhor a área e ter mais conhecimentos do mercado.

A pesquisa, de acordo com o professor, vai partir de alguns pressupostos: . Quem são os atores (produtores, criadores, associações, estado)? . O que eles estão produzindo? . A opinião deles? . Qual é o mercado para o qual está trabalhando? . E como estão trabalhando?

Outro objetivo da pesquisa é levantar dados para avaliar a política pública para o setor, juntando todas as informações que existem mas estão dispersas. A pesquisa vai gerar, assim, alguns produtos práticos: . Cadastro dos principais atores – um censo de quem está atuando na área. . Características da oferta e da demanda do mercado, seus produtos e mídias . Perfil do sistema de formação da área . Análise prospectiva das tendências do mercado audiovisual

O prazo de execução da pesquisa será de dez meses, começando com o conhecimento da demanda, passando por um levantamento bibliográfico e documental e até utilizando estudos de caso para entender como funciona uma empresa típica deste setor e finalmente delineando o potencial deste mercado.

Detalhes do ProAnimação Após a explicação sobre a pesquisa, Adilson Ruiz começou a tratar do ponto mais esperado da tarde: o ProAnimação. O representante da Secretaria do Audiovisual contou que o projeto conta com a simpatia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pela relevância do mercado de animação hoje na área do audiovisual. O presidente deseja pessoalmente que sejam feitos diferentes esforços para a implantação de uma indústria de animação realmente forte e potente. Ruiz listou os principais motivos que fazem com que o governo creia que este é um mercado em expansão, no qual se deve apostar.


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. Empregabilidade: mais de 50% do orçamento de um projeto de

INFRAESTRUTURA

animação é gasto em mão de obra . Ocupação do mercado: ainda é uma participação irrisória, por isso

. Aquisição de equipamentos e aplicativos para produtoras

mesmo devem ser feitos investimentos para que ele se expanda

. Aquisição de equipamentos e aplicativos para instituições de ensino

. Cadeia produtiva da animação: não se extingue no produto e na

. Financiamento para novas plataformas

exibição, ainda tem todo o mercado de licenciamento . Potencial da animação brasileira: hoje há 12 co-produções internacionais em andamento

FORMAÇÃO

. Vocação da animação no Brasil: sucesso na TV e vigor internacional maior até que o nacional

. Formar um colegiado de profissionais para contribuir de forma sistemática nas linhas de apoio

Objetivo: estabelecer, desenvolver e manter a indústria apta a fornecer obras artísticas com capacidade de inserção nos mercados nacional e internacional. Meta: Ocupar 25% do mercado em dez anos, atingindo TV, internet, telefone e jogos Estratégia: Implementar uma política de fomento à formação, infraestrutura e produção, capaz de produzir um choque de ofertas com substancial elevação da qualidade das obras, introduzindo um modelo de negócios. Assim, o ProAnimação foi dividido em dois núcleos: 1. Programa de Fomento 2. Linhas de apoio

. Criar programa de capacitação de profissionais para criação de currículos básicos . Apoiar grupos para montar rede de formação pelo país com programas de bolsas . Acionar o Ministério da Ciência e Tecnologia para criação de Centros Vocacionais Tecnológicos para a formação de técnicos . Implementar projetos de formação à distância, por internet . Criar programa de estágio remunerado nas empresas beneficiadas pelo ProAnimação PRODUÇÃO . Editais/Fomento à produção/Produção de mecanismos não reembolsáveis

- Editais

* curta metragem

* longa metragem – infantil e juvenil de baixo orçamento

* desenvolvimento de projetos: linhas de financiamento

com fluxo continuo para desenvolvimento de projetos de série de

Programas de Fomento . Infraestrutura . Formação . Produção . Distribuição e exibição – desenvolvimento de modelos de negócios . Promoção de exportação

animação para TV, projetos de longas e de multiplaformas

- AnimaTV – projeto tendo como modelo a TV pública

. Mecanismos reembolsáveis

- Fundo

Dando sustentabilidade e criando co-responsabilidade. O modelo aqui é do Fundo Setorial do Audiovisual, que é uma espécie de sócio dos empreendimentos.

Linhas de apoio . Pesquisa socioeconômica para promover o diagnóstico do mercado . Pesquisa e desenvolvimento – a pesquisa vai construir indicadores para fazer correções de rumo . Comunicação – divulgação dos programas para agentes da cadeia produtiva . Preservação do acervo

Haverá financiamento para: 1. Séries de animação 2. Séries de baixo orçamento 3. Longas metragens 4. Conteúdos para outras plataformas: DVD, celular, internet, jogos Neste caso, para se ter acesso aos recursos, será necessário garantir a distribuição ou a exibição do produto final


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- Arranjo de produtores locais

ABPITV

Combina ações de capacitação e produção em regiões vocacionadas,

Finda a apresentação do ProAnimação, foi a vez de Luiz Alberto Carregosa Cesar, da ABPITV, falar. Ele lembrou que o projeto do ProAnimação não é uma empreitada curta e que foi criado para durar pelo menos dez anos, o que, segundo ele, vai depender da continuidade e da vontade de futuros governos.

com parceria entre produtora, poderes públicos e instituição de ensino DISTRIBUIÇÃO E EXIBIÇÃO . Fomentar a criação de canal na internet para atender o público infanto-juvenil . Formatar a implantação do portal de animação para a divulgação de conteúdos . Licenciamento e comercialização de obras brasileiras de animação . Formatar o desenvolvimento e a implantação de modelos de negócio para todas as plataformas PRODUÇÃO DE EXPORTAÇÃO . Incentivar através de mecanismos como o Brazilian TV Producers LINHAS DE APOIO . Pesquisa socioeconômica . Pesquisa de desenvolvimento tecnológico – interação com o Ministério de Ciência e Tecnologia – bolsas de iniciação científica e mestrado . Revitalização do CTAV como centro de pesquisa e atualização tecnológica, com um orçamento de R$ 5 milhões para a construção . Estimular a publicação e a tradução de obras didáticas e de referência . Implantar programa de apoio à formação e ampliação de bibliotecas A proposta prevê uma curva ascendente de investimento na área nos próximos cinco, seis anos, para que em seguida o aporte de dinheiro comece a declinar, de acordo com a sustentabilidade do setor O preparação do ProAnimação envolveu um grupo diverso de pessoas, sob a supervisão de Silvio Darin, da Secretaria do Audiovisual, e coordenação de Adilson Ruiz. Participaram: Rune Tavares (AnimaTV), Alê McHaddo (ABCA), Luiz Alberto Carregosa Cesar (ABPITV), Carlos Magalhães (Cinemateca Brasileira) e Gustavo Dahl (CTAV).

“O projeto vai passar por este e por mais dois governos. Por isso temos que apoiar a iniciativa, sendo os atores mas também ajudando o governo a querer mais. A princípio parece pouco, esperávamos mais mas acredito que embasados no resultado da pesquisa, poderemos fazer um projeto mais executivo.” Carregosa lembrou que o grande gargalo hoje da animação brasileira é a dificuldade de parcerias e de penetração na TV aberta:

“Temos que inaugurar um modelo para a TV aberta, para criar um modelo para seduzir as emissoras a exibir e pagar pela animação brasileira. As emissoras têm que ser nossas parceiras, este é o desafio. Temos que construir um projeto com o produtor internacional que atenda ao mercado nacional.”


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Previsão de lançamento em breve Como moderador, Alê McHaddo perguntou a Adilson Ruiz qual é o estágio atual do projeto e do que depende para ser lançado oficialmente pelo MinC. Ele respondeu dizendo que o ProAnimação está para ser lançado. “Agora é o momento para definir qual é a estratégia para dar desdobramento ao projeto executivo e da aprovação da arquitetura de gerenciamento. Também falta a aprovação final dos recursos. Estamos na eminência de começar a trabalhar. Além disso, teremos que constituir grupos de trabalho para transformar o projeto em ação e encontrar parceiros financiadores, como o BNDES, por exemplo, que começa a conhecer melhor este mercado”, disse ele. Perguntado por McHaddo sobre o pouco tempo que resta ao Governo do presidente Luiz Ignácio Lula da Silva para começar a tirar o ProAnimação do papel, Adilson Ruiz confessou que gostaria que o programa já tivesse sido iniciado. Neste sentido, McHaddo fez um apelo para a classe para que ocorra uma movimentação para mostrar a importância do projeto para o governo.

Perguntas do público: . André Breitman: O projeto é bastante completo, mas seu Ano 1 já é o quarto ano na realidade. O governo investiu muito dinheiro nestes últimos quatro anos para colocar a animação brasileira em feiras internacionais. O BNDES gastou muitas horas para chegar à análise de risco. A minha impressão é que a parte mais difícil que é sair do zero já aconteceu. Hoje já temos uma linha de produção graças a quatro anos de trabalho. Acho que agora é hora de acelerar, porque eu tenho medo de que a gente perca o timing e nisso venha outro governo que vai levar mais dois anos para perceber a importância da animação brasileira.

Luiz Alberto Carregosa: Durante as discussões para a elaboração do projeto, nós elencamos todos os mecanismos e fomos identificando os problemas e o que é preciso ser mudado. Identificamos pequenas coisas no Procult para que ele seja, por exemplo, mais efetivo. . Cesar Coelho: O que vimos no mercado hoje é que a animação brasileira responde muito bem a qualquer estímulo. Minha pergunta é sobre a verba para a animação. Já que a verba do MinC é curta, quando falamos em animação como indústria, será que não valeira a pena envolver o Ministério do Planejamento, para ter verbas mais acessíveis e maiores?

Adilson Ruiz: Você tem plena razão e por isso já pensamos em fazer parcerias com os ministérios de Planejamento e da Ciência e Tecnologia. Somos parceiros natos. A questão é que hoje nossa equipe não existe de fato, precisamos montar uma equipe, fazer costuras. Há quatro anos não tínhamos linha de investimento específica e as ações foram acontecendo por causa da demanda.


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17 de julho | sexta-feira

Estudo de Caso Produtora : Rainbow Séries : Maya, Winxs e Huntik A italiana Cristiana Buzzelli, do departamento de marketing e vendas da Rainbow, apresentou duas séries de sucesso da produtora italiana: “Maya”, “Winxs” e “Huntik”. O Grupo Rainbow é uma companhia independente na Europa que trabalha em várias plataformas, de brinquedos até eventos. Na parte de TV, a produtora cuida de todos os aspectos da criação, do conceito ao roteiro e pós-produção.

A web também é uma mídia muito importante, com o site da série traduzido em 15 idiomas diferentes. Na Itália, o site está entre os dois mil mais visitados do país. Há cerca de 1,5 milhões de assinantes por isso há um grupo de dez pessoas responsáveis somente pelas respostas aos internautas. A mídia é tão forte que há um jogo multimídia, no estilo do Second Life, no qual o visitante pode freqüentar a mesma escola das fadas.

A primeira série lançada pelo grupo, “Tommy and Oscar”, data de 1997 e era dedicada às crianças da pré-escola. Em 2004, fizeram o “Winxs Club”. Hoje, a Rainbow conta com mais de 600 produtos licenciados ligados às suas séries, que são exibidas em mais de cem emissoras em todo o mundo.

O home vídeo tem cerca de dez mil cópias vendidas. Também já foi feito um musical ao vivo e um show em pista de patinação.

Winx Club

Huntik, Secrets and Seekers

A ideia inicial data de 1999/2000. Analisando a demanda do mercado, proposta foi criar uma série de TV para público feminino, de 6 e 12 anos, com aventura e romance. A inovação era a presença forte da moda, enquanto a mensagem era mostrar a amizade entre meninas, na luta contra o bem e o mal. A história gira em torno de cinco personagens que freqüentam uma escola num mundo mágico para se tornarem fadas. A partir da segunda temporada, foi incluída outra personagem, uma afro-americana, enquanto que, a partir da quarta temporada, as fadas vão até a Terra com a missão de salvar a última fada que vive aqui.

É o lançamento mais recente de animação da produtora, que foi apresentada ao mercado em 2008. É uma série pensada para o público masculino, de 4 a 9 e de 10 a 14 anos, envolvendo ação, história e lendas. A história se baseia em duas forças opostas, dois grupos que procuram amuletos que estão escondidos em lugares secretos, cujas buscas estão associadas a lendas. As características inovadoras se devem à escolha das paisagens onde se passam as histórias. São cidades européias, como Paris, Veneza e Praga, apresentadas como uma pintura digital, numa animação muito detalhista. A série já gerou um site, histórias em quadrinhos e brinquedos.

Há ainda toda uma série de brinquedos fabricados pela Rainbow Toys em parceria com outras empresas do ramo.

Inovações As personagens foram inspiradas em mulheres famosas como a cantora Beyoncé e a atriz Lucy Liu. Outro tópico importante foi a questão da moda. Por se tratar de uma produção italiana, há uma preocupação em mostrar as personagens com roupas diferenciadas, pensadas por estilistas, numa troca constante de figurinos. Hoje a série é exibida em mais de 150 países. No Brasil, é transmitida pelo Cartoon Network e pelo SBT. Produtos A série já gerou um filme criado em animação 3D, “The Secret of the last kid”. Outro filme será lançado em 2010.

Cristiana Buzzelli - departamento de marketing e vendas da Rainbow


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disso, também temos parcerias com cerca de 20 estúdios em diferentes países, incluindo China e Índia, para fazer o trabalho mais braçal. Trabalhamos com muitos estrangeiros, por isso quem estiver interessado pode nos enviar currículo. . Os projetos também envolvem estudos de marketing?

Cristiana: Sim. No caso de “Huntik”, houve um estudo de mercado para entender a reação do público, porque a maior parte das séries masculinas têm lutas. Por outro lado, queríamos mostrar o velho continente, a Europa, que aparentemente atrai muito o público americano. Deu certo nos estudos e agora os índices de audiência também têm sido bons. . Por que apostar numa produção em 3D?

Cristiana: Acabamos de lançar três séries de TV e era hora de mexer com o público, oferecendo algo mais atraente. Trata-se do primeiro longa feito na Europa em 3D.

Maya Fox É um projeto novo e um novo desafio para a Rainbow, que tem como público-alvo meninas adolescentes. Trata-se da história de uma menina de 17 anos, que vive em Londres e ali tenta desvendar o mistério da morte de meninas por um serial killer. A série está sendo pensada num formato multimídia, para a internet, além de uma revista em quadrinhos. A idéia é gerar conteúdo a partir da intervenção de internautas.

Perguntas do público: . Vocês costumam fazer co-produções?

Cristiana Buzzelli: Até agora todos os nossos projetos foram co-produzidos com a RAI da Itália. . Quem faz o conteúdo?

Cristiana: Temos uma equipe de 50 pessoas que trabalha com ideias e conceitos. Se houver muito trabalho, há um grupo que pode chegar a cem pessoas. Além

. Vocês têm dinheiro de patrocínio ou de algum fundo? Cristiana: Não recebemos nada. Nada da parte do governo. Por isso sempre tentamos vender as séries antes de produzi-las, o que não é fácil. Por isso trabalhamos com co-produtores e tentamos fazer pré-vendas antes da produção. O governo só ajudou no filme 3D. . Qual é o percentual de apoio da RAI numa co-produção?

Cristiana: O apoio é de 30%. A RAI exibe a série, ganha royalties pela edição do DVD, mas nada além disso. . O governo impõe algum limite na contratação de estrangeiros como mão de obra?

Cristiana: Não há limites específicos. Podemos contratar gente de fora sem dificuldades. Mas também não há incentivos.


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Estudo de Caso

Produtora : Little Airplane Série : The Wonder Pets! A americana Melanie Pal falou sobre a série “The Wonder Pets!” (“Super Fofos”), da produtora americana Little Airplane, que é apresentada desde 2006 no Nick Jr, do Nickelodeon. A série tem origem numa animação curta, sem diálogos, só com música clássica, estrelada por um porquinho da Índia. A Nickelodeon gostou tanto do resultado que encomendou spots, que acabaram gerando a ideia de um programa, com o porquinho da Índia, agora acompanhado por uma tartaruga e um patinho, transformados em super-heróis, que protagonizariam um opereta de 11 minutos. Houve transformações, foram incluídos diálogos mas a música clássica continua sendo um dos pontos fortes. Hoje, a série já está completando três temporadas, com 33 semanas em cada uma. Toda a preparação da série é feita in house. Desde a gravação da participação da orquestra até todos os desenhos em si, tudo é feito na casa onde funciona a produtora. O script, segundo Melanie, é a parte mais importante de cada episódio. São dez semanas trabalhando nesta parte, definindo a linha mestra de cada episódio. Depois do primeiro tratamento de texto, são acrescentadas as piadas. Com o script pronto, começa a se pensar nos personagens em si, ao lado da equipe de arte. É nesse momento que se inicia também uma pesquisa junto ao público-alvo, crianças de 3 a 5 anos, para saber se o

episódio vai funcionar bem. A história é apresentada para 15 crianças, com a ajuda do story-board, como se fosse um livro. A diretora de pesquisa conta a história, faz perguntas e depois mostra imagens. No final, surge um relatório com a reação das crianças, indicando algumas mudanças que devem ser feitas. Áudio Chega, então, o momento de trabalhar o áudio. Todos os programas contam com música especialmente composta, que é uma marca da série. Os compositores trabalham com diferentes estilos, de jazz a punk rock e música clássica. O estilo depende da história de cada episódio. No primeiro passo, o autor do roteiro lê em voz alta a história para o compositor, que em seguida cria uma trilha que é gravada em MP3 e que assim poderá ser escutada inúmeras vezes até haja a certeza de que ela está ajustada com o tempo da animação. Com a trilha totalmente pronta, pode-se criar o resto a partir dela. Começam as gravações com os atores e atrizes. A primeira leitura é feita como uma peça de teatro e as atrizes que fazem as vozes dos três animais principais já estão super acostumadas, porque fazem isso há cinco anos. Na seqüência, depois de gravadas as vozes, é a vez de gravar a orquestração e em seguida sincronizar voz com música.


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Leitura de mesa

Perguntas do público:

A próxima fase é a chamada “leitura de mesa”. O diretor reúne toda a equipe para ler o roteiro e ouvir a música já pronta. É chance de o diretor mostrar ideias, estimulando os criadores, dando sugestões e ênfases. Se há alguma inspiração específica de filmes antigos ou de outras animações, é hora de assistir tudo juntos.

. Foram criados 120 episódios da série, por isso imagino que a biblioteca com imagens seja realmente enorme. Como fazem para catalogá-los? Há divisão por nomes?

A fase seguinte é o story-board. Nos painéis, os artistas dão uma ideia geral do que será visto. Finalmente acontece a edição das vozes com os painéis de desenho. O editor cuidará para que tudo fique bem sincronizado.

Melanie Pal: Tudo é indicado por nomes, porque o título descreve a animação. Mas o mais importante é que todos os dias temos uma reunião de 15 minutos com toda a equipe, para todo mundo saber o que o outro está fazendo. Assim um ajuda o outro, vemos pilotos, comentamos coisas. E há artistas que têm todas as imagens na cabeça, lembram de tudo. . Onde se passa a história? Onde vivem os animais?

Biblioteca Na produtora há uma biblioteca enorme de painéis e texturas, o que tende a facilitar o trabalho final, porque certas cenas não precisam ser redesenhadas. “Isso economiza tempo e faz com que o designer tenha mais concentração para criar as cenas novas”, diz Melanie. Especificamente no “The Wonder Pets”, há um trabalho de Photoshop para que os animais e o cenário fiquem mais “fofos”, com os designers trabalhando em cima de fotos e estourando cores. O processo de design costuma demorar três semanas. O próximo passo é o lay-out, que em geral demora mais quatro semanas. Chega, enfim, o começo do trabalho de animação. Mas que efetivamente essa etapa comece é necessário que tudo esteja realmente nos trilhos, desenho e som inteiramente casados.

Melanie: A história se passa numa sala de aula. Cada episódio começa quando o professor vai embora e os animais começam suas aventuras. Um telefone toca dizendo que há alguém em perigo e assim eles podem viajar para algum canto, como Las Vegas. . Como são escritos os episódios? De onde vêm as ideias?

Melanie: O que fazemos é uma sessão de brainstorm a cada dois meses, para termos ideias e assim todos possam sugerir histórias. Fazemos uma lista com todas as sugestões e o coordenador de script vai anotando tudo, já pensando no que pode ou não funcionar. Mandamos dez ideias para o pessoal da Nickelodeon por vez, para que eles digam o que querem. . Tem muitos DVDs do programa?

Melanie: Toda nova temporada fazemos um DVD, com quatro ou cinco episódios. . Há a intenção de ter uma mensagem mais educativa?

Melanie: Hoje a equipe educacional é muito forte na produtora. Pensamos nisso sempre. A proposta é passar mensagens, mas ensinar temas dentro de ciências. . Quantos segundos de animação são necessários fazer por semana?

Melanie: São dez animadores trabalhando num episódio que terá 660 segundos. São duas semanas desenhando e depois uma semana aperfeiçoando, mas tudo vai depender da complexidade. Em geral se faz 40 segundos por dia mas podem virar 15 se houver muitas novidades.


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Mesa Redonda

Quanto vale a minha idéia? O que fazer para realizá-la? O longo percurso desde uma boa idéia à realização de uma produção de animação de sucesso: o projeto é viável? Toma lá, dá cá: quem seria o melhor parceiro? Que estrutura é necessária para a produção no Brasil? Participação de Sérgio Sá Leitão (diretor presidente da Riofilme), André Breitman (2DLab), Paulo Boccato (Glaz Entretenimento) e Paolo Conti (Anima King) Uma das discussões mais importantes do Anima Fórum, esta mesa mostrou na prática como é possível transformar uma boa ideia num projeto de animação. André Breitman, da 2DLab, abriu os trabalhos fazendo um depoimento público dos erros e dos acertos do seu estúdio. Ele começou falando da indústria de animação que antes era um sonho e agora virou realidade.

“Há alguns anos falávamos que estava para começar uma indústria de animação. Este ano saímos do passado e agora no presente já temos uma indústria de verdade.”

Eis alguns conselhos de Breitman: . É muito importante começar a pensar no valor do projeto desde o começo . Uma ideia tem valor zero no seu começo, por isso não é bom revelá-la para ninguém neste início. Só ter uma boa ideia não é suficiente. A ideia só é válida se puder se executada. . É importante proteger a sua ideia, mas há uma hora que vai ser necessário contar para outras pessoas. Para proteger a ideia o importante é transformá-la em algo palpável, fazendo uma bíblia, escrevendo um roteiro, registrando personagens. Tudo isso vai agregar valor ao projeto. E é nesta hora que alguém mal intencionado copiar sua ideia e aí você poderá gastar muito para provar que a ideia é sua. Mas às vezes vale a briga. . Com o projeto alinhavado e escrito, é hora de discutir os underlying rights (os direitos secundários) do projeto com o coprodutor internacional. Eu tenho direitos para o quê? Série de TV, livros, internet...O

Visão industrial A animação, lembra Breitman, não é feita sozinha mas sempre em conjunto. Por isso a necessidade de ter uma visão industrial, porque é necessário criar uma estrutura para fazer uma série de 52 episódios que vai levar meses, anos para chegar ao fim. O ideal é não desmontar esta estrutura, emendando um projeto no outro. O 2D Lab é responsável pela série “Meu Amigãozão”, uma coprodução com a Breakthrough Animation, do Canadá. São 52 episódios de 11 minutos.

outro lado vai dizer que isso tudo não vale muito mas você terá que valorizar o projeto. . Defina o que você não vai abrir mão no projeto, fazendo um documento simples amarrando tudo. . Sempre estipule prazos, para você e para o parceiro, porque não dá para ficar trabalhando com alguém que não cumpre prazos. . A partir de agora sua ideia já está sendo dividida com outros, incluindo nela outras logomarcas . Também é importante saber o passivo jurídico do parceiro, já que você será sócio da empresa/pessoa. . Os sócios devem ser complementares, para ninguém bater cabeça . A partir do momento que vai desenvolver a ideia com um parceiro, o projeto deixa de ser só seu


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Paulo Boccato (Glaz Entretenimento), Sergio Sa Leitao (Riofilme), André Breitman (2D Lab) e Paolo Conti (Anima King)

No caso do “Meu Amigãozão”, Breitman conta que o dinheiro veio da Ancine e do BNDES e que quando começaram a negociar a com o parceiro internacional o valor da ideia a proposta era ter 5% da série mas acabaram fechando por 2,5% do orçamento final, ou seja, 2,5% do orçamento todo. “Pessoalmente não gostei do valor mas preferi aceitar”, disse ele, referindo-se a quanto o estúdio ganhou por ter tido a ideia do projeto. “Além disso, também terei 50% do que fizer sucesso.”

Além do potencial do mercado, para ele, o Brasil vive um excelente momento para quem deseja viabilizar ideias ligadas à animação. “Hoje, o Brasil é o país com mais possibilidades de financiamento.” Para isso, lembra ele, há vários mecanismos: . Leis de incentivo à cultura, baseadas em captação de recursos, que na verdade é um patrocínio sem participação na receita . Lei do Audiovisual – é um dinheiro mais caro porque envolve

“Minhocas”

negociação, principalmente o artigo 3ª, que depende da parceria

Paulo Boccato, da Glaz Entretenimento, foi o segundo a falar. A Glaz não é um estúdio mas sim uma produtora, que não é focada especificamente em animação. Trata-se de um bureau que desenvolve, financia e gerencia projetos de conteúdo, incluindo longas, curtas e pilotos de série de TV. A Glaz está por trás do primeiro longa de animação brasileiro em stop motion, “Minhocas”, que é apenas o 86º longa feito no mundo nesta técnica. É uma parceria entre a Glaz e o estúdio Anima King, de Florianópolis. O filme é uma co-produção Brasil-Canadá, com 75% do orçamento vindos do Brasil e 25% do Canadá. O lançamento é previsto para 2010.

porque nos coloca próximo ao agente de mercado

Boccato falou sobre o potencial da animação brasileira, ressaltando especificamente o mercado de longas. Segundo ele, depois da retomada, os filmes de comédia têm um público médio de 900 mil pagantes, enquanto os outros todos têm uma média de 40 mil pessoas. No caso da animação, o número é de um público superior a 200 mil pessoas.

com uma emissora de TV. Mas ao mesmo tempo é interessante . Funcine – como há muitas mudanças, há agora uma incerteza em relação a este mecanismo. . Fundo Setorial – gerenciado pela Ancine e FINEP, foi recém-implantado, oferecendo opções para diferentes segmentos, de longa a séries. . Linhas de financiamento do BNDES – funciona como empréstimo, com carência e juros mas é mais favorável do que o empréstimo em banco . Mecanismos locais – leis estaduais e municipais, que em geral servem para a complementação do orçamento

Conhecendo os mecanismos, é importante saber bem o tipo de animação que se tem em mãos. “A animação do tipo família tem um grande nicho internacional mas a animação de arte nem tanto.” Para quem deseja chegar ao mercado internacional, importante fazer uma coprodução ou ter distribuidor ou ainda um agente que ajude a viabilizar o projeto. “O coprodutor deveria ser o cara que vai complementar o que você já tem no seu país.”


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Mais um nicho Boccato alerta para um nicho de mercado que se abriu recentemente. Segundo ele, com a queda de vendas do mercado de vídeo, os players estão em busca de um novo tipo de filme. “Hoje o filme de US$ 40 milhões sumiu porque é muito caro, então há mais filmes de US$ 20, 10, 8 milhões. Com o custo caindo, a animação brasileira pode explorar o longa metragem para a sala de cinema, com um custo de US$ 7 a 10 milhões, que antes não existia. O Brasil pode gerar produtos para este mercado, de uma forma inovadora e competitiva.” Na sequência, Paolo Conti, da Anima King, falou sobre a experiência dele como sócio do estúdio que está criando o longa “Minhocas”. A ideia do filme tem dez anos e desde então Conti conseguiu produzir um curta que custou R$ 60 mil e ganhou oito prêmios.

“Ganhamos prêmio até no Japão, o que simboliza que uma ideia pode dar a volta ao mundo. Hoje o ‘Minhocas’ vale R$ 10 milhões, que é o quanto já conseguimos captar para a sua realização.” Uma das estratégias da Anima King é investir na tecnologia de ponta, para emocionar o público mais jovem. “No final, o meu filme vai ser avaliado ao lado das produções da Pixar e da Fox.” Conti ainda deu um conselho para quem deseja produzir animação no Brasil:

“Acredite na ideia, corra atrás e tenha paciência. Tem que ir firme e saber que sempre existe a possibilidade do fracasso, mesmo sabendo que você fez o máximo.” RioFilme e novos projetos Fechando a primeira parte da mesa, o presidente da RioFilme, Sérgio Sá Leitão, fez um painel sobre o mercado nacional de animação, reafirmando que a animação brasileira está hoje no radar dos governos, contando com programas e projetos específicos de incentivo, que têm contribuído para a capacitação e a profissionalização do mercado.

“Tivemos uma salto de qualidade no tipo de política oferecida ao setor. E isso tem gerado um aumento na capacidade de produção. Isso sem contar o aumento da produção independente para a TV, que está conquistando cada vez mais sucesso. Hoje a animação tem um público que gosta e que se identifica com os produtos nacionais. E a nível internacional não há barreira de língua, o que torna nosso produto muito competitivo.” Por outro lado, Sá Leitão lembrou que a atividade tem altos custos de produção: “Não dá para fazer animação com uma câmera na mão e uma ideia na cabeça. É jogo de gente grande. O mercado depende de investimento em tecnologia para poder brigar em termos internacionais. Por isso tem que ter uma política de desenvolvimento industrial. Hoje é o momento da virada, é hora de dar um salto, porque se não criarmos uma cadeia de produção, todo projeto tem que começar do zero. Outro obstáculo é o desinteresse da TV aberta por produtos de animação. A história mostra que todos os países que têm uma indústria animação forte também têm uma TV forte por trás.” Parque Tecnológico Audiovisual Na sequencia, Sá Leitão começou a falar sobre uma ideia antiga, a de um Parque Tecnológico Audiovisual, que segundo ele, aos poucos, está saindo do papel, numa parceria com o Instituto Pereira Passos e as secretarias estaduais de Cultura e Fazenda. Este parque fará parte de um Plano de Desenvolvimento Estratégico para a Indústria Audiovisual do Rio, que funcionará na Zona Portuária e contará com um pacote de incentivos fiscais para a região e um conjunto de editais. As linhas de financiamento vão incluir a animação. O foco do parque será em animação mas não exclusivamente. A ideia é ter vários bureaux funcionando, desenvolvendo projetos em três turnos, oferecendo mais capacidade de produção e com isso barateando o produto. A proposta é atrair para o cluster três empresas âncoras, além de empresas especializadas, num empreendimento sustentável. Ali também irá funcionar uma escola técnica federal para formação e certificação de profissionais. Todo esse projeto faz parte de um plano de reestruturação da própria RioFilme, que quer ampliar o investimento em conteúdos audiovisuais de cinema mas também de TV e novas mídias.


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Perguntas do público: . Quais mecanismos de financiamento têm funcionado?

Paolo Conti: Ganhamos o edital do MinC e assim conseguimos fazer o curta e depois o longa. Procuramos a Glaz que era experiente na captação. Eu sugiro que se busque uma empresa maior para ser parceira que goste do projeto. Paulo Boccato: A gente optou desde o começo em não ser estúdio, porque acreditamos que não dá para gerenciar um estúdio e ser a produtora que tem que levantar o financiamento do projeto. Minha dica para quem quer produzir é participar de eventos, fazer networking. . Um aspecto importante para consolidar a indústria de animação é a distribuição. Corcorda?

Paulo Boccato: Acho que a animação no Brasil vai tão bem que dificilmente ficaríamos sem distribuição, mesmo a animação para o público adulto. Sérgio Sá Leitão: O distribuidor, infelizmente, não tem incentivos e muitas vezes coloca o seu próprio dinheiro em jogo, por isso não arrisca tanto.

. Falta à TV brasileira produzir com vitalidade. Como vai ser se nos transformarmos num pólo de animação? Como vamos convencer as TV de que trata-se de um negócio bom para eles? Os especiais para a TV, tipo especial de Páscoa ou de Natal não seriam um bom início?

André Breitman: Nos Estados Unidos, este mercado de especiais realmente existe mas aqui ninguém explora este nicho. Se alguém conseguir furar este bloqueio, seria uma brecha, sim, mas sempre lembrando que os temas teriam que seguir uma linha mais emotiva. Sérgio Sá Leitão: Recentemente uma grande emissora de TV fez uma proposta indecorosa a um grupo de animadores independentes. A proposta era comprar as produções nacionais pelo mesmo valor que eles compram o conteúdo estrangeiro, enquanto eles teriam direito a 100% dos produtos licenciados. A meu ver, é uma proposta absurda, indecorosa. Falta neste caso a intervenção dos gestores públicos para melhorar esta cadeia.


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Mesa Redonda Da teoria à prática

Depois de contratos fechados e da realização de editais, várias produções estão em curso. Esta mesa reúne produtores com projetos já em fase de finalização para discutir as conquistas e dificuldades enfrentadas por eles até agora Participação de Kiko Mistrorigo e Celia Catunda (TV Pingüim), Andrés Lieban (2DLab), Arnaldo Galvão (UM Filmes), Tiago Mello (Mixer), Eliana Russi (Brazilian TV Producers), com moderação de Paulo Munhoz (ABCA) Paulo Munhoz abriu os trabalhos da última mesa chamando, acertadamente, os convidados de seleção brasileira da animação. Ali estavam os principais agentes da animação brasileira na atualidade: produtores e animadores que conseguiram sair do zero com os seus projetos e hoje estão em diferentes estágios de produção. Numa primeira rodada, cada um foi convidado a falar especificamente sobre seus projetos em questão. Andrés Lieban (2DLab): O estúdio é responsável por dois projetos já em andamento, as séries “Meu amigãozão” e “O quarto de Jobi”. “ ‘O quarto de Jobi’ tem servido de modelo, não só econômico, como de produção para ‘Meu amigãozão’. ‘Jobi’ é uma série de 52 episódios de um minuto por semana, que envolveu 15 pessoas. Já ‘Meu amigãozão’ é um projeto de mais fôlego, com episódios de 11 minutos e uma equipe de 40 pessoas, entre designers, story boarders, animadores. Imaginamos que no auge da produção que começa no segundo semestre de 2009 vamos dobrar esse número de pessoas. Como ‘Meu amigãozão’ é uma co-produção com o Canadá, algumas coisas são feitas lá, como a pós-produção. O design original é feito aqui, enquanto o roteiro é feito lá mas também contribuímos. Houve um encontro nosso com todos os roteiristas no Canadá para que entendessem bem o programa, para que todos ficassem afinados. Fizemos uma bíblia com 60 páginas para deixar claro as características a serem desenvolvidas. Os animadores brasileiros ainda estão muito voltados para a produção de curtas metragens artesanais, por isso para formar nossa equipe é necessário muito treinamento, já que todos têm que entender o estilo do projeto. E também percebemos que precisamos de um processo mais automatizado, sem falhas. Por isso, tentamos dividir tudo em micro etapas, seguindo à risca o cronograma. ” Kiko Mistrorigo (TV Pingüim): A TV Pingüim acabou de pôr no ar a série “Peixonauta”, uma coprodução com o canal Discovery Kids. A série teve

estreia em horário nobre em 20 de abril. Agora estão tocando outros projetos aproveitando o bom espaço que se abriu após o lançamento e o sucesso imediato da série. Logo depois da estréia, a série se transformou na líder de audiência do canal e ainda ultrapassou outros canais no horário de exibição. “Agora é um momento gratificante porque estamos vendo na TV uma realização nossa, é emocionante, independentemente de todo o trabalho que tenha dado. A primeira vez que vimos a chamada para a série foi muito gratificante. A nossa série foi produzida inteiramente no Brasil. Chegamos a fazer uma co-produção com o Canadá, com a preparação do roteiro mas por problemas no contrato acabamos desistindo da parceria e tocamos o projetos só aqui no país mesmo. O que nos impulsionou foi a pré-venda para Discovery Kids. Desde o primeiro momento, o canal se interessou. O personagem acabou sendo o grande vendedor da série. Todos os 52 episódios são produzidos na produtora, com um envolvimento direto de toda a equipe. A confiança do Discovery Kids é grande mas tem horas que há conflitos. A trilha sonora, por exemplo, que é assinada por Paulo Tatit, privilegia o acordeão e outros instrumentos acústicos. O canal era contra mas nós batemos o pé, porque achamos que uma trilha diferente pode chamar a atenção do mercado internacional. Os canais adoram dizer que querem projetos diferentes mas isso é papo furado. No nosso caso, o fato de passarmos a líderes da faixa de 4 a 11 anos surpreendeu até mesmo ao Discovery. Agora, temos certeza que este fato abrirá mais espaço e dará mais receptividade para animação brasileira.” Arnaldo Galvão (UM Filmes) Experiente animador, Arnaldo Galvão mostrou o piloto do curta “Godofredo, o interruptor”, que é uma co-produção com o Canadá. Ele fez questão de


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rememorar as últimas décadas de animação no Brasil, fazendo um balanço de perdas e ganhos. Listou a criação de ANIMA MUNDI, o nascimento da ABCA, dentro do festival, pela importância da organização da classe, e da ABPITV, que tem levado a produção brasileira para o resto do mundo. Também ressaltou a importância do AnimaTV, que furou a barreira das TVs brasileiras, mostrando a animação na telinha. Para Galvão, ainda falta conseguir mais parcerias com as TVs brasileiras.

Tiago Mello (Mixer): Está à frente da série “Escola para Cachorro”, uma co-produção do Brasil com o Canadá, com parceria da Nickelodeon, TV Ontário e da Rádio Canadá, além da TV Cultura. A história se passa numa escola, onde os donos de cães deixam seus animais diariamente. Às voltas com este projeto há quatro anos, foi em 2005 que Mello começou a viajar para o exterior em busca de parcerias. “Aos poucos fui percebendo que quando se faz acordo com alguém é como se fosse um casamento, porque vamos viver juntos durante 3, 4 anos. Para piorar, a pessoa ou empresa vem de outro país, de outra cultura. E o modelo de financiamento de lá é muito diferente do nosso. No Canadá, por exemplo, tem que estar ligado logo de início a uma TV, para ter mais recursos. É importante saber que o parceiro vai querer olhar e dar opinião em tudo. Além disso, não é fácil para os estrangeiros entenderem o nosso mecanismo de financiamento, que envolve, por exemplo, o BNDES. Cada um tem que entender o que acontece em seu país e o desafio é fazer com que a energia para o trabalho e o dinheiro apareçam no mesmo momento. No nosso caso, só começamos a produzir quando conseguimos 100% dos recursos. E tudo é feito com acompanhamento semanal de ambos os lados, Brasil e Canadá. Nós fizemos um orçamento detalhado, dividimos em detalhes o que cada um faria, montamos planilhas, com item por item, para descobrir também o que era mais barato fazer no Canadá e o que era melhor fazer aqui. Hoje já estamos com três episódios prontos.” Eliana Russi (Brazilian TV Producers): A representante do Brazilian TV Producers fez um pequeno histórico da parceria da animação brasileira com a canadense. Na verdade, tudo tem origem na compra

de satélites canadenses pela Embrafilme. Numa contrapartida, o governo canadense equipou o Centro Técnico Audivisual (o CTAV), ofereceu treinamento e ainda firmou um acordo com o National Film Board. Em 2005, o Consulado do Canadá retomou o programa de relacionamento com os animadores brasileiros, dando início a um intercâmbio de ideias e de profissionais, numa parceria com a Secretaria do Audiovisual do MinC.

A atual produção brasileira em números * * * *

18 co-produções internacionais em andamento 11 países envolvidos na co-produção 51 milhões de dólares de investimento Veiculação para 118 países

Perguntas do público: . Por que os programas de um minuto podem ser interessantes para as emissoras?

Andrés Lieban: Existem vários modelos de formato. Em geral, as emissoras trabalham com blocos de meia hora por isso o mais comum são episódios de 22 ou 11 minutos. Mas muitas vezes os produtores não se seguem à risca o tempo determinado para cada episódio e cabe ao programador preencher a grade, daí a necessidade dos chamados interprogramas, as séries menores para cobrir espaços vagos de programação. . Como funciona o processo de aprovação do animatic com os parceiros?

Célia Catunda: Inicialmente o canal canadense provocou muito atrasos, mas depois que ficamos só com o Discovery Kids, em geral, não tem polêmica. Tiago Mello: Os canais canadenses que em geral davam opinião mas também fiz questão para que o Nickelodeon e a TV Cultura também aprovassem para evitar problemas posteriores. Criar essa cultura de aprovação de tudo é importante. É fundamental que os canais aprovem as sinopses, o roteiro, o animatic, a produção de criação e depois a versão final.


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Arnaldo Galvão: Ainda estou longe deste processo com a TV canadense mas pediram para eu suavizar a história do “Godofredo”, porque é para crianças de 6 a 11 anos. . Qual é a expectativa de retorno financeiro de vocês?

Kiko Mistrorigo: O modelo de negócios leva em conta licença para TV, homevideo, internet, licenciamento de produto. Existe um cálculo que prevê quanto se ganha à medida que cada país vai veiculando a série. Além do Discovery Kids, nossa primeira venda internacional foi para a TV Al Jazeera. Agora já vendemos para 60 países. O nosso plano com o BNDES é começar a devolver o dinheiro em cinco anos. Confesso que nunca imaginei dever tanto dinheiro. Mas há o imponderável em jogo, como foi no nosso caso a liderança imediata de audiência. De repente surgiram muitas propostas de licenciamento mas originalmente tínhamos feito um plano de negócios conservador. Em pouco tempo fechamos com a Paramount para a distribuição de DVD, vamos lançar livros pela Ática e faremos uma peça de teatro com a Aventurinha, a mesma empresa que está fazendo o espetáculo do “Charlie e Lola”. Tiago Mello: Vamos começar nossas vendas internacionais no MIP Júnior e estamos devendo também ao BNDES. . Quem cuida das vendas?

Andrés Lieban: Vária de contrato para contrato. Você pode repartir o mundo entre os co-produtores. Tiago Mello: Como é um negócio estabelecido, o produtor não vai fazer bem, por isso é necessário escolher um distribuidor que se tenha confiança. O ideal também é ter um distribuidor no Brasil. No modelo canadense, o produtor tem um braço de distribuição. Eliana Russi: O Pic (Programa Internacional de Capacitação) mostrou que e importante treinar a distribuição, por isso já estamos programando um Pic inteiramente dedicado à distribuição. . O mercado de animação adulta não pode ser mais bem explorado?

Tiago Mello: A animação adulta tem menos dinheiro. O adulto compra menos filmes e há poucos canais disponíveis. Sei que o pessoal da MTV está se articulando para investir mais em animação adulta mas basicamente é um mercado menor mesmo. Arnaldo Galvão: Mas vale acrescentar que o mercado de longa para o público adulto é mais receptivo.

. Se o modelo de coprodução tem que agradar aos parceiros internacionais, o que é realmente brasileiro nas séries?

Andrés Lieban: Não há necessidade de colocar rótulo mas não podemos ficar alheios ao que temos aqui. Nós fiscalizamos o roteiro. E se surge algo muito específico do Canadá, como já aconteceu com o beisebol, trocamos por um esporte mais universal. Kiko Mistrorigo: Não temos uma preocupação ufanista. Automaticamente fazemos algo com uma linguagem mais universal. Tiago Mello: A animação como negócio só tem sentido se vendermos os nossos produtos para o mundo inteiro. . Quando se deve negociar os direitos autorais, antes ou depois do pitching?

Kiko Mistrorigo: Todos nós temos essa preocupação. Todas os personagens das nossas séries são registrados na Biblioteca Nacional. INFORMAÇÃO EXTRA: Custa de US$ 30 a US$ 40 mil dólares para fazer pesquisa e registro de marca na Comunidade Européia, Canadá, EUA, Japão, China e Brasil. . Há uma nova categoria de profissional surgindo no mercado que é a de produtor de animação. Como vocês estão formando este profissional?

Célia Catunda: Formamos profissionais em um ano e meio de trabalho e agora fazemos questão de não dispensá-los. Queremos manter uma equipe estável. Andrés Lieban: No nosso caso, a produção não tinha know-how, por isso sempre foi uma das etapas a cargo dos canadenses. Mas tudo que estamos fazendo tem sempre brasileiros e brasileiros aprendendo. Tiago Mello: Peguei duas pessoas acostumadas em produções grandes para o trabalho e agora quando terminarmos quero que elas fiquem um mês nos Estados Unidos se aperfeiçoando.


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BALANÇO FINAL: No final da última mesa redonda, Cesar Coelho, do Anima Mundi, convidou a platéia do Anima Fórum a deixar suas sugestões para a próxima edição do evento. . Uma hora a mais na duração dos debates . Agendar o programa de capacitação, o Pic, para terminar um dia antes do início do Anima Mundi. Aproveitando assim a reunião de profissionais da área, daqui e do exterior. . Tradução para o inglês em todos os encontros . Um local específico para encontros com convidados de fora . Ter mais discussões sobre a animação direcionada ao público jovem e adulto . Ampliar a discussão sobre diferentes plataformas . Mais debates sobre capacitação . Mais discussões sobre games


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Contatos

Créditos

www.bndes.gov.br

Direção e coordenação Aida Queiroz Cesar Coelho Lea Zagury Marcos Magalhães

www.animamundi.com.br www.braziliantvproducers.com www.midiativa.tv www.pbs.org www.sesameworkshop.org www.minc.gov.br www.abpitv.com.br www.abca.org.br www.rbw.it www.littleairplane.com www.rio.rj.gov.br/riofilme www.laboratoriodedesenhos.com.br www.glazcinema.com.br www.animaking.com.br www.tvpinguim.com.br www.mixer.com.br

Assistentes de direção Michelle Guimarães Andrea Couto Ellen Gaspar Produção Vertigo Produção Cultural Assistentes de produção Elisa Favre Paula Taborda Intérprete Martha Moreira Lima Edição e Redação do relatório Adriana Pavlova

www.tecnokena.com.br Projeto Gráfico do Relatório Bernardo Mendes Projeto Gráfico do Forum Helena de Barros Paula Mello Produção Gráfica Gustavo Franck Fotos Angêlo Antonio Duarte Projeto do salão Anima Business Simone Melo


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Relatório Anima Forum 2009