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A vida na cidade e nas grandes metrópoles é cheia de experiências diversificadas, tristezas e alegrias, amor e ódio, violência e paz... Sim vivemos nesta selva de pedra onde temos a impressão que só os mais fortes sobrevivem. Neste livro eu reuni algumas crônicas, poesias e pensamentos, comparações sobre diversos aspectos e experiências do que é viver na cidade.


Além dos montes

Eu nasci na cidade, tinha pouco conhecimento do que era a vida no campo, a beleza que eu conhecia eram dos shopping Center, dos grandes edifício da iluminação da cidade nas festas de fim de ano e do mar. Em algumas viagens eu pude ver belas paisagens, eu sou apaixonado por montanhas há pouco tempo descobri o porquê. Desde crianças eu via quadros ou imagens que quase sempre eram casinhas ao pé de lindas montanhas e uma estrada, às vezes as estradas se encerravam por trás dos montes, revelando que do outro lado havia algo mais e minha pergunta sempre foi, o que existem mais além dos montes? Meu pai é pernambucano e minha mãe é alagoana, se conheceram numa cidadezinha do interior do Paraná, casaram e mudaram pra cidade grande. Mas um dia voltaram para visitar esta cidadezinha e eu tive a oportunidade de conhecer, é uma cidade tão pequena que quase não se acha no mapa, é quase uma vila, chama-se barra do jacaré. Há poucos habitantes lá, mas há a agricultura por toda parte, é como um imenso tapete verde onde os gados se espalham por toda parte procurando pasto. Quando é época de plantação de trigo ou de soja ou de algodão, a terra muda de cor, às vezes bate um vento e a plantação parece um mar, formando ondas sobre toda a imensidão das terras. As ruas são em declive e o horizonte das estradas parece levar ao céu, até a noite é mais bonita lá, o céu é forrado de estrelas e os vagalumes brilham na escuridão ao som dos grilos. E eu me pergunto por que estas coisas me fazem feliz? Acho que por serem quadros lindos, imagens que só agora para mim se tornaram realidade.


A vida em fragmentos

Se tentarmos entender a realidade que nos apresenta como um espelho quebrado, muitas coisas sem sentido começam a ficar clara, principalmente quando juntamos as peças. Esta é a grande beleza do cubismo e especificamente eu poderia citar esta obra magnífica de Pablo Picasso, Les Demoiselles d'Avignon. Ou seja, realidade tem vários prismas, é como num sonho nem sempre as coisas fazem sentido, as mensagens vêm codificadas e em fragmentos, precisamos aprender a interpretar, juntar cada coisa no seu devido lugar para que tenha lógica. Como é que se aprende fazer esta leitura? Como é que se aprende a colocar as peças no seu lugar certo, porque como num quebra cabeça a vida nem sempre aceita que encaixemos as peças em qualquer lugar. Aliás, até permite, podemos fazer da vida um teatro, assumir nossos personagens e interpreta-la a nosso modo, mas será que a visão que veremos e que estamos construindo vai nos fazer felizes. Será que não deveríamos tirar nossas máscaras mais profundas e ver nossa verdadeira face, como diz a célebre frase de Sócrates: Homem conhece-te a ti mesmo. Nosso eu verdadeiros está diante de nós todos os dias, nós que não aceitamos a verdade e jogamos pedras sobre este espelho que revela quem somos, escondendo o que para nós é difícil de lidar. Mas podemos nos ferir muito com isto, porque espelhos quebrados são cortantes, uma hora pode machucar muito mais e sangrar pra valer, pois nossa verdade mais secreta sempre vem à tona. Saber quem realmente somos às vezes pode ser doloroso mas se mantermos a prática vamos aprendendo a gostar de nós mesmos e a vida fica bem melhor.


Nas pequenas cidades a vida parece ser diferente e tranquila, mas acredito que seja ilusão dos nossos olhos.

Casa da leitura Zélia Gattai, espaço de cultura e lazer.

Em minhas viagens ao estado do Paraná conheci a professora Aparecida Maria Silva Almeida que administra a casa da leitura Zélia Gattai. Aparecida tem organizado muitos projetos e eventos para fomentar a cultura na sua cidade, o que é um exemplo para todos que lutam pela educação no Brasil. A casa da leitura é não apenas uma biblioteca, mas um espaço que estimula a educação e cultura na cidade de Barra do Jacaré no interior do Paraná. Aparecida conseguiu ao longo dos anos uma grande quantidade de livros, tanto através de doações de moradores quanto de editoras e autores. Eu tive a oportunidade de conhecer o acervo da casa da leitura e notei que há livros de excelente qualidade, atuais e clássicos, para um bom enriquecimento cultural. Tive também oportunidade de participar de um varal de poesias num evento organizado pela casa da leitura com minha poesia aromas e perfumes no qual os participantes receberam inclusive certificado. Eu admiro muito o trabalho de Aparecida Maria, seu trabalho já ganhou até uma reportagem no Jornal nacional pela originalidade e reconhecimento do seu esforço e dedicação.


A violência e a criminalidade nas grandes cidades

Nunca foi tão alto o índice de violência e da criminalidade nas grandes cidades, os índices que calculam este crescimento apontam níveis assustadores. Não existe segurança, as pessoas tem medo de sair nas ruas, ficam apreensivas nos estabelecimentos comerciais, nas agências bancárias, nos semáforos, nos pontos de ônibus, é o caos. O nosso sistema penitenciário é cego e burro porque é como um tipo de faculdade que forma profissionais do crime, lá dentro eles aprendem a ser criminosos de verdade, e lá dentro das penitenciarias eles comandam o crime aqui fora.

O aumento da violência e da criminalidade é algo muito sério porque ele modifica toda estrutura da nossa sociedade, e isto não vai mudar enquanto que o governo não investir mais em educação e reformular todas as leis do nosso país. Apesar de todo planejamento já feito para mudar isto ainda há muita coisa a ser feita, porque percebemos o quanto estamos vulneráveis quando o crime organizado grita seu toque de recolher e toda nossa sociedade apenas obedece.


A mídia minando a educação.

Eu iniciei minhas atividades como professor eventual na rede pública e fiquei assustado a situação das salas de aulas, eu ainda pensei que o problema fosse pelo fato de eu ser professor eventual, mas analisando toda situação percebi que a situação é bastante calamitosa para todos os professores. Na faculdade estamos estudando sobre este novo momento da educação e da necessidade da implementação de uma didática critico social porque o modelo atual está totalmente ultrapassado, é preciso uma total mudança de paradigma porque o que se observa é que o modelo que se usava até então, não funciona mais. Na prática este novo modelo ainda não foi definitivamente firmado, muitos entraves impossibilitam isto, algo que envolve uma série de fatores e burocracias que impedem de ser posto em prática. Mas esta mudança ao meu ver é uma questão de educação de toda sociedade, e temos um vilão que destrói toda possibilidade de sucesso e aprendizagem, a mídia.

Não foi há muito tempo que Os Titãs cantavam “A televisão me deixou burro muito burro demais" e infelizmente isto ainda é um fato porque os maiores meio de comunicação de massa estão destruindo a educação, isto é muito transparente nas salas de aula, encontramos violência, desinteresse, agressão, e uma cultura de guerra onde o hino é o Funk. Ainda que tenhamos uma grande ferramenta que é a internet, onde temos acesso a todas as bibliotecas e museus do mundo, a falta de cultura e educação faz as pessoas ficarem presa num labirinto onde não há saída para outros aprendizados. A educação também começa em casa e se estende para as escolas, e muitos professores tem sofrido toda esta violência, reproduzida pelos meios de comunicação, isto fica claro


quando somos informados sobre professores espancados por alunos. A imagem da sala de aula é a seguinte; alunos irritados, não fazem nada no caderno, não tem interesse, os celulares invadiram as escolas, ficam no Facebook ou ouvindo música, há muitos ruídos de aprendizagem, grande movimentação nas salas impedindo outros alunos que possuem interesse em aprender e ouvir. Existe uma verdadeira conspiração levando toda uma geração a se tornar burra e alienada, porque quem comanda as grandes mídias são os poderosos e a classe dominante e eles não querem uma sociedade culta, porque todas as formas de dominação e controle só são possíveis minando a educação.


É preciso andar devagar

Às vezes é preciso andar devagar, mas nem todos podem acompanhar o nosso passo, então percebemos que estamos sozinhos, nem todos podem sentir o sabor que sentimos das coisas, gastar tempo que gastamos nem dar valor as coisas pequenas, nem todos tem tempo de olhar o céu, sentir o vento, tocar a chuva, olhar a vida. É preciso perceber que a vida é um sonho e despertar neste sonho é viver intensamente e conscientemente cada minuto, ver toda beleza e todo amor, perceber o desabrochar da vida e sorrir. Acho que a letra desta música fala tudo sobre isto, sobre esta estrada estreita e solitária que cada um de nós percorre. Ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso, porque já chorei demais Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei, eu nada sei Conhecer as manhas e as manhãs, o sabor das massas e das maçãs, é preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir. Penso que cumprir a vida seja simplesmente compreender a marcha, e ir tocando em frente como um velho boiadeiro levando a boiada, eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou, de estrada eu sou Todo mundo ama um dia, todo mundo chora, Um dia a gente chega, no outro vai embora Cada um de nós compõe a sua história, e cada ser em si carrega o dom de ser capaz, e ser feliz


Uma só andorinha pode fazer seu verão!

Grandes homens mudaram o mundo e influenciaram multidões, isto não aconteceu da noite pro dia, levou um certo tempo. Talvez não possamos mudar o mundo, mas se pudermos mudar uma só pessoa já tornamos o mundo melhor. Cada pessoa é importante, não devemos dizer nunca que uma andorinha só não faz verão porque cada pessoa é um sol e onde passa ilumina e aquece muitos corações. Eu já pensei que era inútil ser bom e fazer o que é certo mas eu nunca desisti de amar e de fazer a minha parte. Nossas palavras e nossas ações são sementes no coração das pessoas,sei que às vezes não enxergamos os resultados, mas nenhuma semente brota da noite para o dia. Há muitos anos atrás eu escrevi uma história sobre a semente que não cheguei publicar,era mais ou menos assim: Um dia uma semente foi lançada na terra, ela se sentia muito sozinha e abandonada, todos que passavam por ela não a notavam e pisavam e cada vez mais ela afundava na terra e chorava sua solidão de semente. E os dias se passaram, bateu chuva, bateu sol e um dia a semente se quebrou, talvez pensasse que fosse seu fim. Mas então ela olhou pra si mesma e viu que algo misterioso tinha acontecido algo saiu de dentro dela. Foi o seu grande amor e tudo de bom que ela tinha no seu coração, e ela percebeu que ela não era mais uma semente, ela agora era uma folhinha que a cada dia foi crescendo até se tornar uma plantinha. E as pessoas agora a percebiam e diziam, olha que plantinha mais bonita, até que se tornou uma grande árvore, e deram muitos frutos, os pássaros se aninhavam nos seus galhos e casais namoravam na sua sombra. Moral da história, não devemos desistir nunca de fazer o bem, de fazer a nossa parte, oque plantamos no coração das pessoas certamente irá germinar, não sabemos em quais corações, por isto devemos lançar as sementes e fazer nossa parte, nenhuma pessoa está finalizada, talvez não possamos mudar o mundo mas se mudarmos uma só pessoa já valeu a pena, portanto que cada um seja andorinha e faça seu verão por onde quer que vá.


Na cidade há tanto entretenimento, mas esquecemos de que há pessoas que precisam da gente.

O mais importante é invisível

Muitas pessoas gastam horas da sua vida se dedicando a coisas que não são importantes, alguns não conseguem perceber o quanto é vão deixar de dar atenção para as pessoas que precisam de atenção e cuidado, enquanto gastam horas com futilidades. Nesta época que vivemos isto acontece muitos mais que antigamente, quando se gasta horas na internet e esquecemos-nos da vida real e dos amigos. No livro o pequeno príncipe Saint Exupéry exalta o valor de uma amizade, ainda não vi poesia mais bela do que a expressa na amizade do pequeno príncipe com a raposa.

Cativar esta é a palavra, às vezes somos cativados e cativamos pessoas, mas caímos no silêncio e esquecemos-nos de cuidar daquilo que conquistamos. Toda flor precisa de cuidados e atenção, caso contrário ela seca e morre, cada um é eternamente responsável por aquilo que cativa.


Amizade, amor, carinho, parecem sentimentos inexistentes, coisa de outro planeta, deixamos de lado as coisas mais elementares para gastar tempo da nossa vida em vaidades. O pequeno príncipe fica admirado que na terra haja tantas rosas e as pessoas não encontram o que procuram. No entanto no seu planeta ele tem apenas uma rosa no qual ele protege com sua vida, Isto significa em outras palavras, dedicação ao que é importante. Mas muitos terão que apanhar muito na vida, seguir caminhos errados, tropeçar e se ferir para aprender a lição mais básica da vida, expressa de forma tão linda por Saint Exupéry, o essencial é invisível, só se vê bem com o coração.


Às vezes dá vontade de ir para o deserto e fugir da cidade.

A arte de ser feliz

Adoro longas estradas, seguir e ver até onde vai dar, quando era criança eu via paisagens de estradas que sumiam sobre montes, eu tinha vontade de entrar na pintura e descobrir oque tinha do outro lado. Um dia estava numa estrada bem afastada da cidade, era um lindo dia de sol, eu estava entre duas árvores enormes, que cruzavam para um caminho de terra, o silêncio era total, às vezes passava um carro, era bom ouvir o som dos pneus cantar naquele silêncio. Eu imagino o silêncio do deserto, deve ser mágico dá pra ouvir a voz do vento. Eu gosto estradas em declive porque a gente começa a caminhar e a estrada parece que vai alcançar o céu, o mar também, adoro a linha do horizonte no mar, Céu e mar parecem se tocar no horizonte. Então nesta estrada Soprava um vento forte e o som das folhas das arvores agitadas pelo vento era como uma sinfonia, o vento passava por mim e era como um abraço. Às vezes me pego olhando para céu, nestes dias em que fica bem azul e sem nuvem, então vejo algum pássaro que voa bem alto, e isto me traz liberdade, Fico contemplando como ele plana e sinto a liberdade. Gosto de olhar para as estrelas, gosto de sentir o cheiro do mar gosto de sentir as ondas da praia bater nos meus pés, eu acho lindo quando o sol se põe, o céu fica tão lindo que não tem como não se emocionar. Precisamos aprender encontrar a felicidade nestas pequenas grandes coisas da vida.


Deserto

Seria tudo mais fácil se você estivesse aqui. Mas eu tenho que caminhar sozinho. Nunca quis encontrar alguém na estrada. Que me mandasse seguir só. Agora ando olhando para trás. Neste deserto, ando agora de vagar. Esperando que você volte e tente me alcançar. Sobe o sol, arde me queima. Sopra o vento, poeira, me faz chorar. A noite é estrelada, o céu é tão lindo. Pensei que fosse um amigo pra me acompanhar. Sinto um frio que dói na alma e não tem quem abraçar. Vejo miragens, sonhos de nós dois. Ilusões do deserto. Sinto medo, há tantos perigos, serpentes podem me picar. Mas o que me fere é a dor desta saudade. Não sei até quando posso esperar.


Quem somos, de onde viemos e para onde vamos?

Sempre tem um dia que desejamos saber das nossas origens, muitas vezes perguntamos para os nossos pais, muitas vezes eles nos contam coisas do passado das experiências que viveram. Muitos de nós tivemos o privilégio de conhecer nossos avós, eu lembro com carinho muitos momentos com meus avós, paterno e materno, são como cenas de filmes que não se apagam, às vezes dá uma imensa saudade. Eu lembro que era minha avó paterna que cortava meu cabelo, ela se chamava Nila Beatriz, alguns sempre disseram que ela era de descendência italiana, tinha o sangue bem quente. Eu tenho muitos mais cenas e vínculos com minhas avós, talvez as avós sejam sempre mais achegadas.

Minha mãe que é de Alagoas da cidade de Chã Preta diz que meu avô era artista, ela sempre disse que ele era sambista e repentista, tenho uma foto dele vejam.


Ela me disse que ele ia para festas tocar, ia para lugares bem longe e ficava dias fora de casa, ele se chamava Avelino Zacarias.

Já Minha avó Antônia Maria era senhora do lar, uma pessoa muito doce e meiga, eu lembro com muita saudade as lembranças que tenho com ela, era muito católica e tinha um altar com muito santo, pegue toda ingenuidade e bondade do mundo some e essa será minha avó materna, sempre defendendo a gente e fazendo coisas para proteger os netos porque meu avô era meio ranzinza e não tinha tanto apego ou paciência com os netos.


Minha avó materna tinha uns pratos, objetos de louça e alumínio; presentes que diziam ser desde o seu casamento, eu me lembro de um bule azul que enfeitava sua copa, ela nunca usou este bule,quando ela morreu minha mãe ficou com este bule e foi usado até se acabar, talvez seja um erro guardar as coisas, não devemos nos apegar a nada material porque o que mais vale na vida são os bons momentos.

Bom meu pai é pernambucano da cidade de Sapucaia, mas ele conheceu minha mãe no estado do Paraná, na cidade de Barra do jacaré, ambos foram morar lá com seus pais e se conheceram e se casaram, eles trabalhavam na roça ajudando os pais, sempre disseram que viveram momentos felizes, mas de muita dificuldade, trabalhavam na roça. O nome da minha mãe é Grinaura e do meu pai Valdemice Francisco, depois que se casaram vieram morar no Guarujá, mas chegaram a ter Três filhos no Paraná, Denise, Rosane e o Fernando, o Fernando foi o primeiro filho.

Só que o Fernando morreu e quando eu nasci colocaram meu nome de José Fernando, só que nunca me chamaram de José, eu sempre fui o Fernando, Nando, Fê. Eu nasci no Guarujá, eu fui, portanto o quarto filho e depois de mim vieram mais quatro, risos, antigamente as pessoas tinham muitos filhos, acho que somente com a revolução sexual isto foi mudando. Nunca devemos esquecer-nos de onde viemos, nossas origens, ou mesmo se envergonhar delas, nossos avós, nossos pais, todos tiveram um dia seus sonhos e hoje temos o nosso, a vida passa rápido e todos os nossos sonhos permanecem para sempre no coração de Deus.


Nas cidades há o medo do fim do mundo, dos terremotos, dos tsunamis e dos furacões. Quando nosso mundo acaba

Depois de toda esta euforia sobre o fim do mundo fiquei a pensar, bom o mundo não acabou e eu na verdade nem acreditava que realmente acabaria, mesmo assim vivemos a expectativa e sensação que poderia ter acabado. Mas depois disto eu parei pra pensar sobre meus fins de mundo, daqueles dias que sentimos como se não fossemos sobreviver ao dia seguinte, vamos dormir e pensamos "meu mundo acabou" chegou ao fim. Tantas experiências não já passamos, cada um de nós já tivemos momentos difíceis no qual pensamos que era o fim, que não iríamos sobreviver a mais um fim do mundo. Amores que perdemos, pessoas que partiram, amigos que nos traíram,perdas que sofremos,cada um sabe bem qual foi seu fim do mundo e quanto foi difícil passar por ele. Não nos preparamos para o fim, não armazenamos nada para depois do fim podemos reconstruir o nosso mundo, plantar nossas sementes e reedificar nosso planeta. Mas por incrível que pareça percebemos no dia seguinte que o mundo não acabou,e que não éramos tão frágeis assim,admitimos as perdas,dizemos adeus àqueles que não quiseram caminhar conosco,bebemos nossas lágrimas para aplacar a sede,e voltamos a acreditar nos nossos sonhos. Diziam que haveria três dias e três noites de escuridão,mas já tivemos nossas várias noites de escuridão, como diz aquela música, um total eclipse of the heart, enfrentamos nossos medos e nossos terremotos, nossos tsunamys, tempestades e furacões da vida, e sobrevivemos. Acho que cada um de nós possui um abrigo subterrâneo , um lugar secreto no qual nos refugiamos quando tudo parece desmoronar e depois que tudo passa saímos pra fora como sobreviventes do fim do mundo.


Alma de criança

Às vezes vem o menino, parece que ele fica escondido e quando tudo parece mal ele põe as caras, ele perturba,ele resmunga, reclama pra valer. O menino ama, abraça,corre, grita,são apenas peraltices de menino, ele tem um bom coração e quer chamar a atenção. O menino se sente triste e ninguém parece o entender, parece mais um bebê, chora, chora, chora... Acho que as lágrimas transformam o mundo dele num mundo embaçado, e tudo fica pior, como um dia nublado. Ele não tem com quem conversar, e quando aparece e tenta dizer alguma coisa ninguém quer escutar, ninguém tem paciência com criança. Parece que ele vive num mundo de faz de contas, tudo o que ele faz é para ser visto, ele quer colo, abraço e carinho é somente um menino sozinho e que sofre de solidão. Mas ele também cansa, uma hora ele cansa, então fica em silêncio, um silêncio muito profundo então pensam que está tudo bem. Não o menino se escondeu,está chorando em silêncio,chora até pegar no sono,e pela manhã ele voltará a ser adulto novamente.


Na cidade grande tem tecnologia, mas isto deixou as pessoas mais frias.

Amor digital

Queria te ver. Te vejo na TV. Sua foto. Imagem virtual. No computador. NĂŁo TV monitor. Quero te tocar. Toco a tela. Touch screen. Amor. Saudade. LĂĄgrimas.


Tocados pelo amor

Nem todo toque é o mesmo toque. Quando tocamos alguém diferente. A pessoa sabe e sente. Não há como não sentir. O nosso toque pode marcar alguém para sempre. Vivemos a era do toque. Tudo agora é touch screen. Portanto que nosso toque não seja frio. Sem atitude... Que seja sempre assim, cheio de virtude. Ah o amor um dia me tocou, me fez chorar como criança. Ainda o sinto fluindo incessantemente dentro de mim. Porque com o toque liberamos o amor por completo. O amor é a força mais poderosa do universo. Amar é uma escolha, amar é uma decisão. Que brota da fonte do nosso coração. Que inunda, transborda a alma de quem tocamos. E quem tocamos nunca mais será o mesmo.


Na cidade nem sempre dá pra caminhar, mas o bom é que podemos ir à praia. Meus passos

Eu não queria dar mais nenhum passo, sem você ao meu lado. Ficou tão difícil caminhar, durmo e acordo pensando em você. Mas eu só te encontro no meu pensamento, só assim posso te tocar. Queria saber se você é real, se um dia poderá me amar. Porque somente nos meus sonhos, seu amor é verdadeiro. Me tornei um rio de lágrimas, meu coração não aceita. Porque você não está aqui sempre que preciso. Eu gostaria de te dizer isto mas acho que você nem se importa. Porque você busca o perfume de todas as rosas. Mas para mim és a única rosa entre milhares. Queria nunca ter te tocado, sentido seu perfume. Queria nunca ter te beijado. Te conhecer me fez muito feliz. Sua voz é como música, seu sorriso é como o sol. Seu olhar como as estrelas do firmamento. Mas eu sem você sou poeta sem lua. Sou como uma flor da sepultura, sou passo sem estrada. Sou apenas eu sem você e mais nada.


A vida é um jogo, e viver na cidade envolve um pouco de superstição. O nove de copas

Fernando estava cansado de gastar seu tempo e suas energias pensando nas coisas que tanto o incomodavam, a vida parecia ter lhe roubado nos últimos anos tudo o que tinha direito. Embora agora vivesse um novo momento, não ter controle sobre algumas situações lhe estressavam, algumas coisas lhe causavam uma grande ansiedade. Mas esta ansiedade não era algo negativo ou ruim, era a pressa de ver algumas coisas se cumprirem, sonhos que pareciam estar à beira de se tornar realidade. Porque agora tinha evidências que o que tanto esperava estava para acontecer, sentia isto em seu coração com uma certeza profunda. No entanto não sabia que momento seria isto, e os dias e as noites passaram a ser muito longos e naquela manhã acordou disposto a não pensar mais em nada disto. O dia estava lindo, o céu estava com um azul muito profundo e sem nuvens alguma, então decidiu caminhar na praia. E ali estava ele, diante do mar a olhar a linha do horizonte, a pensar como todas as coisas na natureza são perfeitas, o vento batia na sua face, era como um carinho em seu rosto. Contemplava o quebrar das ondas e a espuma branca se formando na água, e por um momento percebeu, que tudo estava no seu lugar, sentiu uma tranquilidade como nunca sentira antes, foi seguindo caminhando com pés descalços em direção ao mar ao pisar na areia fina e quente. Fernando vestia apenas uma sunga vermelha, podia sentir o morno calor do sol da manhã na sua pele, o vento que lhe assanhavam os cabelos, sim o vento batia contra seu peito, sua sensação era de liberdade, era como se voasse. Continuou caminhando em direção ao mar, queria molhar os pés e sentir as ondas. De repente seus pés toparam num papel ao chutar a areia, era uma carta de baralho, estava meio enterrada, percebeu então que era um nove de copas. Fernando nunca acreditou em coincidências, sempre acreditou que o universo ou Deus sempre nos dava sinais e ali estava mais um.


Sim para ele aquela carta era um sinal, um sinal evidente que em pouco. tempo tudo o que lhe incomodava agora iria finalmente se dissipar. A cidade é uma selva de pedra, quase não há arvores nem frutos, tudo o que se compra está no mercado ou na feira.

Fruta do Conde

Dentro de ti. No teu nobre coração. Encontrei a doçura. Te adornas de coroa. E assenta-te no trono. Ao teu sabor eu me prosto. Digo que te adoro. Fruto maduro, que degusto. Tenro macio entre mil sementes. Sim eu te provo, sinto tua essência. Entre meus dedos e minha boca. Descubro todos teus segredos. Agora sei o que você tanto esconde. Excêntrico sabor fruta do Conde. De terras quentes, ardentes tropicais. Amor, calor, paixão.

Guarujá 12 de Junho 2013


Metropole