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EXEMPLAR DE ASSINANTE ISSN 0101-3327

www.meioemensagem.com.br

com

ANO XXXII No 1439 R$ 7,50

13 DE DEZEMBRO DE 2010

Caboré celebra avanços da indústria da comunicação Vencedores Empresário ou Dirigente da Indústria da Comunicação Luiz Lara Agência de Propaganda AlmapBBDO Anunciante Procter & Gamble Profissional de Criação Mario D’Andrea Profissional de Atendimento André Paes de Barros (PB) Profissional de Planejamento Cynthia Horowicz Profissional de Mídia Paulo Gregoraci Profissional de Veículo Gilberto Corazza Profissional de Marketing João Ciaco Veículo de Comunicação – Mídia Eletrônica Globo.com Veículo de Comunicação – Mídia Impressa O Estado de S. Paulo

Os ganhadores das 13 categorias do Caboré 2010 celebram os prêmios no palco do Credicard Hall, em São Paulo

Serviço Especializado Rio 360 Produção Publicitária Dínamo Filmes

Entrevista

Empresas investem na moda como atividade paralela e fazem sucesso

Como a RBS pretende crescer mais em 5 anos

Companhias que não têm a moda como cenCoca-Cola Clothing, fabricada pela ACM Têxtil, tro de suas atividades Arecebeu o prêmio de Licensee of The Year vêm obtendo bons resultados com linhas que vinculam suas marcas ao universo fashion. A Coca-Cola Clothing terá lojas próprias em 2011. Pág. 47

A expansão do Grupo RBS — gigante da mídia O VP executivo Eduardo Sirotsky Melzer: perpetuando o legado tradicional no Sul — para o mercado nacional contempla diversas plataformas. Além da sociedade com a histórica parceira Globo para a área de eventos, o grupo entra na seara da educação e investe nas plataformas digitais, com aquisições. Págs. 12 e 13

Divulgação

Negócios

Mídia

Digital

Out of home agora na água e também no ar

As armadilhas Branquinho assume criação da Y&R Produtos de dos leilões limpeza batem A partir de janeiro a Y&R online a R$ 0,01 terá um novo vice-presidenmarca inédita

Os investimentos da TV na mídia out of home, que já contempla ônibus, metrô e trens, ganham novas paragens, como balsas e até aviões. A Rede Globo marcou para o próximo semestre sua estreia na Ponte Aérea Rio–São Paulo. Pág. 42

Sites de leilões virtuais viraram febre no Brasil, com lances que partem de centavos. Mas os diversos produtos oferecidos, de artigos variados a até um apartamento, requerem atenção redobrada às condições. Pág. 50

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Mercado

Paulo Múmia

Agências

te de criação. Rui Branquinho, ex-W/, assume o cargo em substituição a Marco Versolato com foco em ajudar a agência a aumentar as vendas dos clientes. A empresa fecha 2010 com crescimento de 15% em relação ao ano passado.Pág. 39

Paulo Múmia

Julian Marques

A 31a edição do Caboré destacou líderes que contribuem para transformar o mercado brasileiro de comunicação em um dos mais admirados do mundo. Petrônio Corrêa, fundador do Conar, recebeu o segundo Caboré Especial da história do prêmio. Luiz Lara, presidente da Associação Brasileira das Agências de Publicidade, vencedor na categoria Dirigente, pediu que seu troféu fosse visto também como reconhecimento do trabalho da entidade em defesa da liberdade de expressão comercial. Págs. 54 a 77

Profissional atuava como consultor da Etco Ogilvy

As vendas de produtos de limpeza subiram 11% e chegaram a R$ 13,5 bilhões, graças ao maior poder aquisitivo da população. É a primeira vez que o crescimento atinge os dois dígitos – os resultados são medidos desde 2003. Págs. 48 e 49

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13 DE DEZEMBRO DE 2010

EDITORIAL

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CAIXA DE RESSONÂNCIA Regina Augusto raugusto@grupomm.com.br

A liberdade de expressão talvez seja hoje o direito mais caro à sociedade. O episódio envolvendo o WikiLeaks demonstra que isso está na agenda do mundo e não só na do Brasil. O WikiLeaks irritou os EUA e outras autoridades ao começar a divulgar detalhes sobre 250 mil comunicações diplomáticas confidenciais norte-americanas. O mais interessante desse episódio, que figurou entre os mais comentados e repercutidos globalmente nos últimos dias, é que ao mesmo tempo em que o digital impôs a transparência como regra básica, deixando todos extremamente vulneráveis, fica claro que as instituições, sejam elas públicas ou privadas, ainda não sabem lidar com essa abertura e exposição a que estão sujeitas. Não faz sentido diminuir a reação de algumas pessoas à prisão do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, a simples ativismo de hackers. Na verdade, empresas – como Mastercard, Visa e Amazon – que aceitaram suspender serviços financeiros ou de internet ao site estão sofrendo as consequências por suas decisões questionáveis e que põem em xeque a liberdade de expressão. A própria ONU classificou como censura a pressão feita por governos e empresas contra o WikiLeaks,

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indicando que apenas tribunais poderão julgar se os documentos que o grupo divulgou ferem ou não alguma lei de segurança nacional. Qualquer outra medida contra o grupo ou seu fundador, segundo as Nações Unidas, poderia ser considerada como “intimidação e pressão”. “O caso desperta questões complexas de direitos humanos a respeito do equilíbrio entre liberdade

“Estamos ainda na infância da internet e o que o WikiLeaks está provando é que os organismos governamentais e a iniciativa privada não sabem lidar com a vocação e o DNA do ambiente digital: liberdade e transferência de poder para os cidadãos”

de informação, o direito de as pessoas saberem e a necessidade de proteger a segurança nacional ou a ordem pública. Esse equilíbrio é difícil de encontrar, só tribunais e a lei podem dizer como ele se enquadra”, disse, na última quinta-feira, 9, a alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay. É evidente que Assange foi preso porque incomoda os governos e não por sua suposta má conduta sexual.

Ao desnudar a diplomacia, criar dilemas para o jornalismo, produzir embaraços e perigos para os governos, principalmente o americano, e testar o limite das democracias, ele conseguiu provocar o que está sendo chamado de “primeira guerra” na web. Estamos ainda na infância da internet e o que o WikiLeaks está provando é que os organismos governamentais e a iniciativa privada têm uma grande dificuldade em aceitar a vocação e o DNA do ambiente digital: liberdade e transferência de poder para os cidadãos. Boa parte dos documentos que o WikiLeaks tornou público não passa de pura fofoca e comentários de assuntos diplomáticos sem nenhuma diplomacia. A questão não é de segurança nacional, mas sim de exposição indesejada, que demonstrou a necessidade de uma revisão completa de sistemas de trocas de informações confidenciais. Uma demonstração clara de que o poder social, colaborativo e multiplicador do espaço digital ainda está subdimensionado por governos e empresas, enquanto que os cidadãos, por outro lado, começam a fazer valer cada vez mais a sua própria voz. @ comente este editorial no www.meioemensagem.com.br/opiniao

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12.

ENTREVISTA

13 DE DEZEMBRO DE 2010

Eduardo Sirotsky Melzer

Terra de gigante Aos 38 anos, ele presenciou, no mês passado, pela primeira vez, um show de Paul McCartney – com o detalhe de ter proporcionado isto também a outras 60 mil pessoas no estádio Beira-Rio, na capital gaúcha. O vice-presidente executivo do Grupo RBS, Eduardo Sirotsky Melzer, ou Duda, fala com orgulho daquele momento. Relaciona-o com a própria missão do conglomerado de mídia do qual é, após oito anos de atuação na empresa, o seu principal executivo abaixo do atual presidente executivo e presidente do conselho de administração, o tio por parte de mãe Nelson Sirotsky. Como todos os demais empreendimentos da família no Sul – TVs, rádios, jornais, internet, eventos – ou em São Paulo (Geo Eventos, associação com as Organizações Globo), uma nova tacada também é prenúncio de sucesso: uma sociedade fifty-fifty com a HSM Educação para uma escola de negócios. O grupo gaúcho de R$ 1 bilhão/ano de faturamento só vislumbra crescimento também para o próximo quinquênio. Para tanto, cabe agregar novos negócios. E foi após a entrevista, que você lê a seguir, que M&M apurou uma aquisição em processo avançado no segmento digital sobre a qual o VP do Grupo RBS não falou. Trata-se da Hi-Mídia, player no segmento de ad-networks, ou venda de inventários, atualmente com portfólio de 450 sites verticais. Edianez Parente Fotos: Paulo Múmia

Meio & Mensagem — Você está completando um ano desde que assumiu o posto de vice-presidente executivo do Grupo RBS (cargo que antes era ocupado por Pedro Parente). Qual o balanço que faz da sua gestão e os principais movimentos deste período? Eduardo Sirotsky Melzer — 2010 foi de efervescência na empresa toda. Termino assim o ano com orgulho dos quase seis mil colaboradores da nossa empresa. E eu acho que o que realmente pautou este ano foi a relação das pessoas entre si e com a empresa; construímos um ambiente de parceria entre os colaboradores e a RBS, porque a gente entende os desafios e as oportunidades que se tem pela frente. M&M — E ficou mais fácil, já que pelo menos o resultado do primeiro semestre foi de crescimento de dois dígitos. Melzer — Quando a gente consegue realmente estabelecer as amarras do time, o alinhamento, a motivação, a energia, isso gera na empresa um ambiente de alinhamento e de muita atividade e realização. Então, pode escrever: vamos crescer este ano mais de 13% em relação ao ano passado, que já tinha sido um ano de crescimento muito forte, da ordem de uns 12% também. M&M — Fora da região Sul, o Grupo se mostra um tanto ousado, eu diria até agressivo para expansão nacional. Como a RBS pensa isto? Melzer — Quando o Nelson me convidou para assumir essa posição — somos dois membros da família, lembrese —, sentamos e falamos assim: “O que vamos fazer? Que empresa a gente vai construir, que cara e que alma terá esta empresa? E mais do que isso: “Para onde a gente quer levá-la?” Porque existem vários caminhos e

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a gente tem que definir qual deles seguir, para depois decidir como e o que se quer fazer. E assim investimos bastante tempo pensando: qual era o legado? O meu avô fundou a empresa, e agora o Nelson e eu definimos que temos uma causa, uma causa que é muito maior do que um projeto empresarial! Queremos ter uma perpetuação do nosso negócio e a gente trabalha para isso. M&M — Ou seja, a meta não é crescer para vender empresas? Melzer — Nem estamos trabalhando só para crescer a empresa, para ter resultado maior ou para crescer ano após ano. A gente está fazendo tudo isso porque queremos perpetuar essa empresa, como ela é hoje: uma companhia relevante que realmente tem impacto onde opera. Olha que momento o Brasil está vivendo, um país que terá uma Copa do Mundo, uma Olimpíada, com estabilidade econômica e política! Então, temos todas as condições e o sistema está pronto para quem tiver condições de aproveitar essas oportunidades. Na RBS, não queremos surfar a onda; queremos ajudar a construir essa onda toda. Queremos ser parte do motor que está por trás, ajudar a formar toda essa geração de novas oportunidades, de novos negócios. Então, o momento é único, e a gente quer aproveitá-lo e olhar daqui a quatro, cinco, dez anos e ter muito orgulho do que foi construído. M&M — Vocês têm uma parceria de 40 anos com as Organizações Globo em TV. Qual é a estratégia para os negócios de mídia tradicional e de novas mídias? Melzer — Acreditamos em rádio, TV e jornal. Há mais de dez anos, alguns profetas anteciparam o fim dessas mídias. A gente não está vendo o fim delas; ao contrário, os nossos negócios estão se ampliando. A circulação dos

nossos jornais cresce e a audiência de nossa TV aumenta, assim como o faturamento, de forma real, acima de PIB e acima de inflação. Vai ser assim sempre? Eu não sei, não tenho como saber, mas também ninguém sabe. Enquanto não tivermos sinais objetivos de queda desse negócio, não vamos acelerar qualquer tipo de declínio na indústria; vamos sim fazer de tudo para manter e ampliá-los, porque achamos que são bons, e isso tem muito a ver com a nossa operação no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Queremos cada vez mais fortalecer a nossa relação com os nossos públicos nestes estados e isto será feito através de TV, jornal, rádio e internet. Lançamos produtos novos de internet no RS e em SC este ano, de eventos, e de tudo aquilo que tenha a ver com a nossa atividade e que tiver interesse e relevância com os nossos públicos. Temos uma estratégia que é focada no mundo digital, um segundo braço de atuação da RBS, que está cada vez mais estruturado e mais independente da empresa de mídia. Acreditamos que, por uma série de razões, como avanços tecnológicos, mudança de hábito do consumidor, enfim, com o surgimento de novas mídias, esse negócio de internet vai crescer cada vez mais. A RBS quer participar ativamente desse crescimento; queremos fazer investimentos e movimentos nessa área que nos tornem um player relevante como somos em rádio, TV e jornal. Fizemos algumas aquisições e alguns movimentos nos últimos dois anos e a construção de uma identidade própria nesse segmento. M&M — Por onde vai a expansão digital? Melzer — Dentro de uma outra lógica, de uma independência sobre todos os aspectos, estamos construindo um pilar digital que é de internet e de mobile. Tanto em

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OPINIÃO

16.

13 DE DEZEMBRO DE 2010

Comunicação integrada

ANO NOVO, VIDA NOVA? ESTEJA PREPARADO PARA RUPTURAS Uma vez li essa frase que alguém escreveu, pena eu não saber quem: “Se você quer construir um navio, não convoque os homens para irem à floresta apanhar madeira, serrar e pregar tábuas. Em vez disso, ensine o desejo pelo mar.” Lindo pensamento, válido tanto para nossos filhos como para nossos profissionais. Mas existe um problema inerente a esse último target: ele cresceu indo à floresta, apanhando madeira, serrando e pregando tábuas. E de uma maneira ou outra, vem dando certo. Somente uma minoria percebeu que defender o novo é bem mais fácil que verdadeiramente romper hábitos, convicções ou até mesmo zonas de conforto. Vejo uma analogia perfeita para a tão falada comunicação integrada, que ainda encontra barreiras, às vezes inconscientes, nesse mundinho que separa um briefing de uma boa campanha na rua. Se nossa profissão nasceu pra inovar, inquietar, provocar e mobilizar... Alguém pode me explicar por que o processo interno de uma agência funciona exatamente como era há 30 anos, quando entrei nesse mercado? Eu sei a resposta. Para se praticar o novo (e não apenas discursar a respeito), dependemos de apenas uma coisa: pessoas. Pessoas, por isso tão fácil, por isso tão difícil. Somente as pessoas podem romper os velhos hábitos internos, pessoais e processuais. Comunicação integrada é uma crença e, como sempre, depende apenas da disposição e atitude para que aconteça. Dificuldade para mudar? Aqui vai a sugestão definitiva: top down. Infelizmente, é só assim que funciona. Tem profissional que ainda sofre em dar um fim aos

slogans para abrir espaço aos conceitos. Ainda se ouvem muitas explicações de por que resolver o job por meio de soluções analógicas em vez de ideias integradas, que acabam de vez com “linha” que alguns ainda insistem em verbalizar. Leva algum tempo se abandonar o cacoete de pensar em roteiro como primeira resposta para determinado problema. Qualquer evolução traz rupturas, e as rupturas passam por rever conceitos, processos, sistemas, lideranças e pessoas resistentes a ela. Sim, as agências estão cheias de pessoas resistentes a novos processos. Para acontecer de verdade a tão falada comunicação integrada, eu garanto, é preciso obsessão da liderança. E isso vai ficar ainda mais claro no artigo do próximo mês, quando comentarei a visão dos anunciantes sobre essa simples pergunta: como fazer acontecer a comunicação integrada? Foi uma sondagem bastante interessante, com muitos reflexos nas agências, mas também nos próprios anunciantes. Mas hoje, aproveitando o final e o início de um novo ano, meus melhores desejos vão para felizes atitudes de inovar, renovar, surpreender, inquietar... Tudo aquilo que se espera dos profissionais de marketing e comunicação. Pensar em inovação como algo necessariamente revolucionário e de alta tecnologia é uma visão estreita e ultrapassada. Agora a inovação começa a ser encarada como uma tarefa cotidiana. Na maior parte das vezes, ela não nasce de uma inspiração súbita, mas sim de um processo organizado, controlado e medido. Outro risco constante dos inovadores é a crença de que as regras do jogo permanecerão as mesmas. Não são

Antonio Fadiga CEO da Fischer+Fala afadiga@fischerfala.com.br

R&Ds que inovam, mas sim a ambição de abrir novos caminhos e não aceitar a inércia da marca, o maior risco num mercado competitivo como o nosso. Aí eu pergunto: sua agência tem inovado na entrega? E sua empresa, tem inovado na forma de envolver a agência num novo projeto? Inovação depende da coragem de desaprender. O maior desafio em inovar não é inventar o novo, é se desligar do antigo, como bem diz Julio Ribeiro. É inevitável existir certa tensão entre o novo e o comprovadamente adequado. Por isso a necessidade de desaprender, antes que você seja obrigado pela concorrência. Para a inovação fluir, é vital ter uma crença genuína, corretamente disseminada, para que uma nova ideia se espalhe como uma epidemia, provocando mudanças rápidas. Mas só crença não basta. Ela depende de contínua lembrança, estímulo e monitoramento. Sempre existirão ambientes internos resistentes a mudanças, e é só martelando as ideias e a própria cúpula da empresa, que se renova. Questione e reinvente seu negócio sempre que puder. A empresa inovadora não reage, mas antecipa. Mude antes que seja necessário mudar. Dois outros gurus da comunicação já escreveram: “O questionamento constante é uma grande fonte de crescimento. E o crescimento, por sua vez, é uma fonte de satisfação.” A outra: “A persistência é o caminho do êxito.” Os gurus de comunicação se chamam Bernardinho e Charles Chaplin, respectivamente. Tenham um lindo Natal e um ótimo 2011, repleto de alegria, saúde, rupturas e inovações. @ comente este artigo no www.meioemensagem.com.br/opiniao

Convergência

MULTIMEIOS

Alberto Magno CEO da M1ND magno@m1nd.com

Cyber-leitor, antigamente se falavam de multiplataformas, hoje isso é coisa do passado. Hoje são multimeios. Primeiro, vamos falar sobre esse tipo de mercado e sobre resultados financeiros. Segundo, podemos falar sobre métricas, porque temos que saber o resultado, ou seja, quem assiste, o quê e quando. Nossas plataformas não são apenas para celular, também são para web TV, IPTV e agora estamos criando um novo canal de televisão que vai ser transmitido por cabo e por DTH. Esperamos também chegar à TV aberta, não para concorrer com a Rede Globo, mas para fazer uma diferençazinha no caminho, para criar um ponto fora da curva. Nossa ideia é “liberar geral”, sem censura, e colocar o veículo à disposição de vocês. O produtor que tiver conteúdo pode entregar para a M1ND e receberá uma interface web para acompanhar os acessos. Nesse primeiro momento não vai ganhar dinheiro, porque agora o que temos de fazer é criar novos conceitos, formar opiniões e medir o público. Até o fim de 2010 haverá 1,5 celulares por habitante no Brasil, dos quais 87% aptos a assistir à TV. Esse futuro é o nosso presente. Por isso é que, na minha opinião, o conteúdo deve ser feito para multimeios, não mais para multiplataformas. Podemos disponibilizar um canal só para a exibição de filmes curtos e traçar gráficos e parâmetros métricos, para que todos possam acompanhar os acessos e disponibilizar a venda on demand de todos os produtos. Aí sempre pinga e, como dizia meu pai, onde pinga nunca seca. Esse é o tipo de negócio que pode ser feito hoje, a

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menos que exista algum patrocinador. Já temos alguns cases. Sete grandes anunciantes acreditaram na gente aqui no Brasil e hoje somos líderes absolutos no mercado. Estamos expandindo para América Latina, África, Leste Europeu e Oriente Médio. A princípio só queremos trabalhar no Terceiro Mundo. Nossos primeiros patrocinadores foram IBM, Xerox, Johnny Walker, Nike, Campari, Itaú e Omo. O mundo móvel se tornou tão importante que, além de transmitirmos a Copa do Mundo da África do Sul em 3D para o mundo todo, a Nike, um dos principais patrocinadores deste evento, escolheu os devices móveis (celulares) para lançar o filme da Copa, de três minutos, antes de lançá-lo em qualquer outro veículo. Esse mundo é o do IP, no qual podemos falar com cada um. Quando entregamos publicidade para alguém, é uma publicidade um-a-um. Segmentada. Pelo IP, sabemos exatamente quando a pessoa está assistindo, o quê e por quanto tempo. Não é preciso sentar todo mundo e ver a mesma coisa. Além disso, todos podem opinar, programar e formar seu line-up, porque é tudo digital. Além de chats, interação, essas coisas todas que só estarão por aqui nas TVs abertas em 2014, com a TV digital, no mundo móvel já acontece. Então, meu conselho como cientista — e fui o único que deu errado na família, o resto todo é artista — é o seguinte: busquem patrocínio apresentando todas as plataformas de exibição. Nós conseguimos oferecer os

dados da quantidade de acesso, o tempo de acesso e ainda, no mundo móvel, a pessoa que assiste e o tempo médio de visualização. Nosso modelo de negócio atualmente é igual ao de uma TV por assinatura. Oferecemos vários pacotes de canais para exibição nessa televisão que tem duas ou três polegadas — a tela do celular. O cliente compra um pacote e nós também oferecemos canais gratuitos para degustação, com o objetivo de mostrar essa diversidade cultural por meio dos filmes curtos. Nesse caso, não há dinheiro envolvido, nem da operadora, nem da dona da solução (que é a M1ND), nem do usuário final. É uma plataforma que serve para medir a aceitação dos produtos. Além das plataformas da M1ND, estamos lançando um canal de televisão chamado HUMM! TV. Montamos uma equipe de 585 profissionais voluntários — roteiristas, atores, câmeras, iluminadores, palhaços e piratas — que durante 180 dias vão trabalhar de graça, acreditando num sonho. Vamos passar esses 180 dias experimentando e ver o que dá certo. Se der audiência, vai receber a partir dessa audiência. O que estamos propondo é um estudo de viabilidade. Estamos disponibilizando um veículo para que se possa testar, ver se vai ter audiência, que tipo de público iremos atingir. Vamos precisar segmentar, ter horários específicos para o público feminino, para o público jovem. A partir do momento que der audiência, vira dinheiro. Todo mundo ganha, é uma cadeia. @ comente este artigo no www.meioemensagem.com.br/opiniao

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EM PAUTA

13 DE DEZEMBRO DE 2010

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Alexandre Zaghi Lemos – azlemos@grupomm.com.br

Taxi no Brasil Mais uma agência internacional badalada irá desembarcar em breve no Brasil. A canadense Taxi, que foi adquirida recentemente pelo WPP, está esperando o momento certo para abrir seu escritório no País. O CEO Rob Guenette disse ao Meio & Mensagem que a agência sempre teve essa intenção e o acordo com o WPP tornou a vinda ao Brasil muito mais próxima. Ligada ao braço Y&R Brands dentro do WPP, a Taxi tem escritórios em Toronto, Vancouver, Calgary, as três no Canadá, além de Nova York e Amsterdã. Na semana passada, Martin Sorrell, CEO do WPP, afirmou que ajudará a agência a expandir seus negócios para outros países.

Patrocínios lotados É grande o volume de patrocínios já fechados para a grade de programação de 2011 da Rede Globo. Até para o Rock in Rio, que acontece em setembro, a emissora já fechou cotas. São elas: Banco do Brasil (máster), Heineken, CocaCola, Claro, Volkswagen e Alpargatas. Todas as novelas do horário nobre já estão negociadas, assim como as principais atrações da linha de shows, jornalismo e eventos esportivos. Para o Big Brother Brasil, destaque para as cotas de merchandising. Além dos patrocinadores da atração (Ambev, Johnson, Fiat, Niely e Unilever), também garantiram ações no programa as marcas Chili Beans, Brastemp, Bont’s, Grendene, Honda, Luckscolor, Kibon, Rossi Residencial e Samsung. Vaga para patrocínio só no Domingão do Faustão, mesmo assim o programa já tem dois cotistas de merchan garantidos: Claro e Credicard.

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Meta agressiva A Loducca conquistou a conta da Epson, marca japonesa de impressoras, projetores e scanners que tem fábrica em Barueri, na Grande São Paulo. Desde o início de 2005 o cliente era atendido pela Fabra & Quinteiro. A missão da nova agência será a de ajudar a fortalecer a imagem da marca, além de trabalhar seus novos lançamentos. O gerente de marketing da Epson do Brasil, Sérgio Villa, revela que a empresa tem uma meta agressiva: dobrar de tamanho em três anos.

Wave 2011 O Wave Festival in Rio já prepara sua edição de 2011. Como nas três anteriores, o evento será realizado no Copacabana Palace. Entretanto, como o hotel passará por reformas no ano que vem, o Wave teve de ser adiantado de maio, mês em que normalmente acontece, para abril, entre os dias 18 e 20. Dois presidentes de júris já estão confirmados: Mario D’Andrea, que acaba de conquistar o Prêmio Caboré de Profissional de Criação (ler mais a partir da pág. 54), irá comandar o julgamento da área de Film, enquanto Rodrigo Grau, diretor-geral de criação da BBDO Argentina, capitaneará a avaliação dos trabalhos inscritos em Press.

Lisboa em Buenos Aires Carlos Lisboa, indicado ao Caboré 2010 como Profissional de Marketing, estará de casa nova em janeiro. Com 17 anos de companhia, o executivo pernambucano deixa o cargo de vice-presidente de marketing da Ambev no Brasil para assumir o comando da operação latina, com base na Argentina e atuação em outros

quatro países: Uruguai, Paraguai, Chile e Bolívia. Seu substituto no Brasil será o executivo argentino Jorge Mastroizi. Antes da mudança para Buenos Aires, Lisboa pretende concluir a escolha da agência que atenderá a conta brasileira da Budweiser: Africa ou DM9DDB. A transferência do executivo é apenas um dos mais de 50 descolamentos de cargos e funções planejados pela Ambev para a virada do ano.

Oriente Express O jornal Zero Hora terá circulação especial em Abu Dhabi e em Dubai nesta semana, entre 13 e 19 de dezembro, para acompanhar seu público leitor torcedor do Internacional de Porto Alegre, que disputa o Mundial de Clubes. Serão cinco mil exemplares diários distribuídos em hotéis e em outros pontos de concentração de brasileiros nas duas cidades. Nos dias de jogos, também haverá entregadores uniformizados levando os exemplares aos portões dos estádios. O Zero Hora enviou 21 jornalistas para os Emirados Árabes e a impressão do jornal será feita por gráficas de Dubai.

urgência e expectativa de que até o final do ano o governo argentino adote medidas que reestabeleçam a normalidade”, afirma Rangel, sobre o trecho da Ley de Medios, que restringe, na Argentina, a veiculação de comerciais produzidos fora do país.

Corra, Asics, corra A marca esportiva Asics, que foca sua comunicação em produtos para praticantes de running, redefiniu sua estratégia de relacionamento com agências para 2011. Antes concentrada na Energy, a conta do anunciante será dividida entre Babel (publicidade) e Razorfish (digital). Não por acaso, as duas agências têm maratonistas no seu corpo diretivo: Ricardo Chester, na Babel, e Fernando Tassinari, na Razorfish. A MKT Mix (RP) e Aktuel (PDV) foram mantidas pela Asics.

Naming rights O projeto de uma nova emissora de rádio que levará o nome de uma marca internacional tirou, na

semana passada, Marcelo Braga da vice-presidência do Grupo Mix de Comunicação, onde atuou por 12 anos. Ele também deve anunciar em breve sua saída da sociedade da Dial Brasil, que controla a FM SulAmérica Paradiso, no Rio de Janeiro. O novo projeto de Braga, a ser lançado em março, será suportado por um grupo investidor e quer unir rádio e internet.

Novos leitores via iPad A Veja, que estreou no iPad em 4 de setembro, contabiliza uma média de 2.500 downloads por edição. Na semana passada, quando o mercado recebeu os primeiros lotes oficiais do tablet no Brasil, a revista colocou no ar uma edição gratuita, repleta de recursos interativos, inclusive na publicidade. A Editora Abril estima que o total de downloads, desta vez, chegará a 15 mil. Uma pesquisa feita com as pessoas que baixaram esse número trouxe uma boa notícia: dos que responderam, 32% disseram não ser assinantes. Ou seja, são leitores novos.

Colaboraram Edianez Parente, Felipe Turlão, Jonas Furtado e Renato Pezzotti

Prazo para os argentinos O governo do Brasil solicitou à Argentina que as produções publicitárias brasileiras voltem a circular sem restrições no país vizinho ainda em 2010. O pedido foi feito pelo embaixador Enio Cordeiro e o presidente da Ancine Manoel Rangel aos executivos da Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual da Argentina, em encontro realizado semana passada, em Buenos Aires. “Manifestamos nosso estranhamento em relação à lei e colocamos a nossa

PEGAMOS GER AL. Giovanni+Draf tfcb. Nove contas novas em 2010. www.facebook.com/giovannidraftfcb www.twitter.com/giovanni_dfcb

Simples.

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24.

MIX

13 DE DEZEMBRO DE 2010

Patrocínio

Anuários

Clubes de futebol faturaram Análise Editorial aposta em segmentação R$ 374 milhões em 2010 Dentro de campo a festa foi do Fluminense, que conquistou seu segundo título brasileiro na Série A de 2010. Já no que diz respeito à receita de patrocínio, quem ficou na ponta da tabela foi o Corinthians. Se não levantou a taça no centenário, o alvinegro investiu forte em ações de marketing e fechou o ano com receita de patrocínio da ordem de R$ 59,5 milhões, aponta o estudo Patrocinadores do Futebol Brasileiro, realizado pela Trevisan Gestão do Esporte. Na sequência aparecem Flamengo, com R$ 57 milhões, e São Paulo, com R$ 46 milhões. O Fluminense é apenas o décimo, com R$ 18,5 milhões. (ver tabela). O levantamento leva em conta os rendimentos oriundos de patrocínio máster (que dá direito de estampar a marca no peito e nas costas do uniforme), patrocínios complementares (que envolve outras partes do uniforme e propriedades do time) e de fornecedores de material esportivo. De acordo com a Trevisan, os clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro arrecadaram mais de R$ 374 milhões em patrocínios ao longo de 2010. Deste total, R$ 175 milhões vieram de patrocínios máster, R$ 85,53 milhões de complementares e R$ 113,6 milhões foram provenientes de fornecedores de materiais

Os 10 clubes com maior valor de patrocínio na temporada 2010 Corinthians Flamengo

R$ 59,5 milhões R$ 57 milhões

São Paulo

R$ 46 milhões

Palmeiras

R$ 27,7 milhões

Santos

R$ 24,5 milhões

Cruzeiro

R$ 23 milhões

Grêmio

R$ 22,1 milhões

Vasco

R$ 21,2 milhões

Atlético Mineiro Fluminense

R$ 21 milhões R$ 18,5 milhões

Fonte: Patrocinadores do Futebol Brasileiro/ Trevisan Gestão do Esporte

esportivos. Os maiores investidores foram os bancos, responsáveis por 30% deste volume, seguidos pelas organizações de assistência médica e pelas indústrias de bebidas, ambas com 14,2%. No que tange ao patrocínio máster, o BMG se destacou como o principal patrocinador do futebol brasileiro na temporada, respondendo por 22,5% dos aportes aos times. O banco esteve presente em seis equipes da Série A e em três da Série B. Na segunda posição apareceu a Hypermarcas — cujo contrato de R$ 38 milhões com o Corinthians é o maior do futebol brasileiro —, com 10% dos investimentos. As marcas da empresa estão em quatro times da primeira divisão.

Com 25 edições sobre diversos temas, a Análise Editorial comemora cinco anos no mercado com boas perspectivas para os próximos cinco. Segundo Silvana Quaglio, sócia-diretora da editora, a An��lise “colou o ovo em pé” nestes cinco anos: “Neste período nós não só identificamos um mercado, mas também nichos, e trabalhamos com eles. Além disso, olhamos para uma segmentação ainda maior dentro destes nichos, que são os anuários voltados para profissionais. Faço um balanço bastante positivo da nossa trajetória”, afirma. Surgida em 2005, quando publicou seu primeiro anuário (Comércio Exterior e Negócios Internacionais), a empresa é fruto da sociedade entre três jornalistas (Silvana, Eduardo Oinegue e Alexandre Secco) que, ao perceberem uma certa carência por informação estatística no Brasil, resolveram abrir uma editora que abordasse melhor este segmento. Com o público identificado (formadores de opinião e tomadores de decisão), nasceu a Análise, editora voltada para anuários temáticos e estatísticos com um enfoque de cunho mais jornalístico. Sempre com uma abordagem do ponto de vista da economia e do ambiente de negócios, a editora ampliou suas publicações para outras áreas logo em seu segundo ano, quando lançou o anuário de Advocacia. Este chegou como novidade no País, tendo garantido grande importância dentro do setor. Com uma tiragem em torno de

42 mil exemplares, é o único que não é bilíngue dentre os anuários da editora, uma vez que circula somente no Brasil. Deste total, 30 mil exemplares são voltados para distribuição gratuita. Com versões eletrônicas (em PDF) dos anuários antigos, a maior parte da receita da editora fica por conta da publicidade, visto que só uma fração dos exemplares é voltada para venda. Mas, para Silvana, o mercado ainda precisa enxergar melhor este segmento: “Um dos desafios que enfrentamos é o de catequizar o mercado, levando-o a perceber o valor que tem uma publicação com um conteúdo diferenciado”, afirma. Mesmo assim, a editora apresenta bons resultados em 2010. “É preciso ver que o que fazemos é efetivamente novo e não tem no mercado brasileiro. A Análise Editorial não faz mais do mesmo. Este é um diferencial nosso”, finaliza Silvana. Bruno Borin

Internet

Ibope traça perfil do público do e-commerce O comércio eletrônico está em franco crescimento no País. Com o objetivo de buscar mais informações sobre o motor deste movimento, o público, o Ibope Mídia desenvolveu uma pesquisa para traçar o perfil do consumidor de e-commerce. Feito exclusivamente com internautas, por meio da metodologia TG.net, o levantamento analisou dados demográficos e comportamentais da amostra, suas preferências, opiniões e atitudes e o que pretendem comprar. De acordo com os resultados, o consumidor eletrônico está inserido, predominantemente, na classe AB, tem alto grau de escolaridade, compra produtos de uso pessoal e gasta, em média, R$ 118 por mês. A classe AB é responsável por 61% do total do público consumidor, enquanto a classe C responde por 35%. Já a classe DE representa 4% desse universo. Em termos de faixa etária, aqueles com idade entre 25 e 44 anos representam a maioria: 48%. Os adolescentes e jovens adultos também estão bem representados: 15% dos consumidores têm entre 15 e 19 anos e 17% entre 20 e 24 anos. Na outra ponta da pirâmide demográfica, 13% têm de 45 a 54 anos e apenas 6% têm entre 55 e 64 anos. A idade média do consumidor das lojas virtuais é de 33 anos.

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Em termos de gênero, os homens estão mais habituados a comprar pela internet: 54% ante 46% das mulheres. O percentual de solteiros também é maior em relação aos casados: são 49% contra 41%. O estudo mostrou também que 36% dos pesquisados estão matriculados em instituições de ensino e até 32% falam uma segunda língua. Por fim, as cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo reúnem 37% do total dos compradores. Os resultados apontam ainda que cerca de 80% dos internautas usam a internet para comparar preços; 25% buscam um carro novo; e 18% realizam compras profissionais. Já cerca de 43% dos internautas costumam recorrer à internet antes de realizar compras e, se o produto tiver valor superior a R$ 1,5 mil, é na web que buscarão mais informações. Mais de 66% dos consumidores realizaram de uma a cinco compras nos últimos seis meses e 30% gastaram, pelo menos, R$ 224. Dentre os produtos preferidos estão livros (30%), telefones e acessórios para celulares (20%), eletrodomésticos (18%) e produtos de tecnologia pessoal (17%), como câmeras digitais e leitores de MP3. Nos próximos seis meses, 25% pretendem comprar uma câmera digital; 17% um telefone celular 3G; 17% um telefone celular com câmera; e 15% um iPhone.

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