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À E D R I V E


portfรณl fernando molet

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contato: moletafernando@gmail.com +55 41 99648 6167 http://cargocollective.com/fernandomoleta https://www.behance.net/fernandomoleta https://www.flickr.com/photos/fernandomoleta/


Artista visual, fotógrafo e acadêmico de arquitetura e urbanismo da UFPR com parte da graduação feita na Università Degli Studi Roma Tre. mostras coletivas: roma 20/25, MAXXI, museo nazionale delle arti del XXI secolo roma, itália, 2015 esposizione del laboratorio di arti civiche, università degli studi roma tre roma, itália, 2015 11º festival internacional de fotografia paraty em foco paraty, brasil, 2015 exposição coletiva aderiva, vidros do museu de arte do rio rio de janeiro, brasil, 2015 funalfa - jf foto 16, exposição “vazio urbano” juiz de fora, brasil, 2016 mostra independente de s conforme curitiba, brasil, 2016 tijucão cultural // deriva vertical curitiba, brasil, 2016 publicações online: revista OLD 56 (http://revistaold.com/edicoes/980/)

Sua linha de pesquisa teórica e prática converge para o múltiplo território da paisagem como construção e idealização humana. Dentro deste enorme território de possibilidades, Fernando se apropria da paisagem através da prática performática da deriva, utilizando a fotografia e as artes visuais como registros desta arte da errância.


terra rica terra seca muitos brasis dentro de um sรณ brasil


terra brasilis - instalação. acrílica sobre madeira, cactus, cristal, folha de ouro, galho de árvore, pedra e massa de modelar. 40 x 90 cm.


paisagem 01. acrĂ­lica sobre tela. 30 x 40cm.


cerrado mineiro. acrílica sobre tela com aplicação de folha de ouro. 50 x 70cm.


dla mojej matki. acrĂ­lica sobre tela, folha de ouro e purpurina. 30 x 40cm.


paisagem 02. acrĂ­lica sobre tela e folha de ouro. 60 x 70cm.


paisagem 03. acrĂ­lica sobre tela. 60 x 70cm.


meu sol. acrĂ­lica sobre tela, espelho e folha de ouro. 27 x 15 cm.


arquipĂŠlago fractal. colagem, fragmentos de espelhos, pedras e folha de ouro sobre espelho. 20 x 40 cm.


paisagens transitórias. placas metálicas e caneta hidrográfica branca. estas obras representam a idealização da paisagem através das placas metálicas transportadas pelos correios. Elas foram amassadas, deformadas e dobradas até, erráticamente, encontrar as paisagens escondidas na história do transporte

dos gostos individuais. Após, tais paisagens foram evidenciadas com o risco de uma caneta hidrográfica branca. Com isso, preenchemos de significados os espaços da transitoriedade, construindo cartografias afetivas que tem poder sobre a construção coletiva do território.


deriva vertical performance realizadano evento tijucão cultural curitiba, paraná, brasil / novembro de 2016

Edifício Tijucas. Centro de Curitiba. Pelo menos dez mil pessoas circulam diariamente por dentro do gigante vertical curitibano. Organismo vivo. Cidade vertical. Cidade esta que revela-se um lugar de estar inteiramente atravessado pelos territórios do ir e vir. Se é uma cidade, entendemos que todos temos o direito de conhecer suas entranhas, seus becos e suas praças. Para isso, utilizamos a técnica situacionista do “deixar-se ir” conhecida como “deriva”. A deriva é a exploração e reapropriação da cidade. Ela nos ensina a arte da descoberta e da transformação e propõe o caminhar como modalidade de pesquisa. Atuamos no edifício Tijucas na escala 1:1, como ação física do ambiente. O seu objetivo foi de reativar nas pessoas a sua inata capacidade de transformação criativa, de recordar que as pessoas têm um corpo e mãos para modificar o espaço no qual habitam.


A prática aconteceu de forma estrábica, através de uma meta e aquilo que distraiu da meta através dos incidentes do percurso, na possibilidade de errar o caminho deliberadamente, olhando e ouvindo os fenômenos imprevisíveis da vida vertical do edifício. O objetivo foi de conhecer o Tijucão e absorvê-lo para a prática artística. A deriva convidou à observar a vida minuciosamente e com isso propões ações materiais, imateriais e imaginárias de modo a encontrar novas formas para descrever a vida em sociedade. Uma destas formas foi o desenrolar do novelo vermelho juntamente com o caminhar ao longo dos vinte e um andares do edifício. Com isso, poderíamos criar novas situações, novos jogos e novas atmosferas. Os participantes da deriva vertical esticaram e alongaram o fio vermelho por entre portas, janelas, extintores de incêndio, rodapés, etc Criando uma instalação viva, tornando o não-espaço do corredor um lugar vivo, fazendo com que os outros espectadores interagissem dentro da transitoriedade, como um susto, afinal ninguém esperava encontrar arte nos corredores, somente esperavam salas preenchidas, partindo do pressuposto de que as pessoas vão ao encontro da arte. Desta vez a arte os encontrou. Nesse sentido comprovamos que o caminhar, mesmo não sendo a construção física de um espaço, implica uma transformação do lugar e dos seus significados.

Ao mesmo tempo sentimos a instalação do caos. Corpos se contraindo, se abaixando, reclamando, erguendo-se, contrariando-se. Sucesso. A instalação viva serviu justamente para isso. Para as pessoas prestarem atenção e pararem. Pararem seu ritmo frenético imerso no líquido amniótico do não lugar e aproveitar o corpo e as mãos que tem. Interagirem com o prédio e com os demais. Sentirem. Tocarem. Descemos assim, construindo situações do 21º até o 11º, quando o fio resolveu nos deixar. Nos despedimos do nosso aliado. Ritual fúnebre. Caminhamos até o 6º andar. Entramos na sala do Clube da Colagem de Curitiba para o último exercício. Apresentei a ideia do “Mapa Psicogeográfico”, onde iríamos desenhar o percurso, como mapa mental, e assim transcrever sobre o papel a nossa experiência. Os mapas concebidos foram traçados de um percurso, onde a viagem foi utilizada como estrutura narrativa. Partimos novamente. Desta vez em direção a Rua XV e ao fim da expedição. Já era fim de tarde e o pôr do sol se aproximava junto com o calor da multidão. Assim finalizamos a errância no lugar de sua excelência: a rua, no princípio da convivência. Espaço magistral de recepção dos desígnios coletivos. Fotos: Lucía Alonso, Guilherme da Costa e Fernando Moleta


deriva

errare roma west ensaio participante da exposição Roma 20/25 no Museu MAXXI de Roma.


Trabalho fotográfico elaborado para o Laboratório di Arti Civiche na Università degli Studi Roma Tre. O trabalho consiste de retratos em dupla exposição de personagens e texturas encontradas nas caminhadas pela Roma Oeste durante o segundo semestre de 2015. “Perder-se significa que entre nós e o espaço não existe somente uma relação de domínio, de controle por parte do sujeito, mas também a possibilidade do espaço nos dominar”. (CARERI, Francesco. Walkscapes, O caminhar como prática estética). Para este ensaio eu fotografei personagens que contavam a história do nosso percurso. E esta é a minha narração, uma história dos personagens da Roma Oeste através das fotos. Porém, devo dizer que quando se trabalha com uma câmera analógica deve-se levar em conta que ela tem uma vida própria. Ela faz as suas próprias escolhas, como se pudesse opinar e atuar de maneira ativa no processo fotográfico. Lhes conto o porquê; Como já disse, a idéia era de retratar os personagens com os quais nos encontramos durante o nosso percurso e, junto a isto, produzir duplas exposições sobre o retrato. A idéia era de trazer junto com o retrato as texturas do percurso, mas a minha Zenit, fez duplas exposições como bem quis, ou seja: produziu imagens que eu jamais esperava (provavelmente tudo fruto de algum travamento no processo de

rodagem interna da película). Ou seja, o fato de não saber o que esperar da sua foto e ser surpreendido com o resultado é um fato extremamente belo que somente a fotografia analógica pode produzir. É como se entre o fotógrafo e a câmera não existisse somente uma relação de domínio, mas também a possibilidade da câmera dominar a foto em uma clara ilusão a definição do “perder-se” escrita no livro “Walkscapes - O caminhar como prática estética” de Francesco Careri. Ou seja, isso tudo faz sentindo quando o processo do caminhar a deriva condiz com a produção destes “erros fotográficos” dentro do imaginário das errâncias situacionistas.


Il signor testa di cavallo Fotografia analรณgica. Kodak iso 100


Noi siamo tutti uguali Fotografia analรณgica. Kodak iso 100


Il giardino dei bambini Fotografia analรณgica. Kodak iso 100


La custode Fotografia analรณgica. Kodak iso 100


Signora, permesso Fotografia analรณgica. Kodak iso 100


L’architetti Fotografia analógica. Kodak iso 100


novas errâncias


Sempre me perguntei o que significa perder tempo. Sempre achei o conceito de que em algum momento estamos “perdendo tempo” demasiado equivocado. Mesmo assim, costumava aproveitar bem o meu tempo. Quando me deslocava a pé estava sempre no celular, escrevendo emails, lendo artigos, procurando por referências etc. Até que um certo dia reparei em como a luz do final da tarde incidia sobre uma empena cega de um edifício, parecia uma pintura. E de fato era, uma pintura efêmera. Pintura esta que só pode ser observada por seres sensíveis, que perdem tempo, mas constroem a paisagem. Sim, paisagens são vulgares, não são feitas de espetáculos, nem muito menos são horizontes para contemplar. Nós a olhamos de dentro dela, no seu interior. Afinal, nós habitamos a paisagem. Comecei a deambular pela cidade, sem fins específicos. Em italiano isso chama-se “andare a zonzo” que significa “perder tempo vagando sem objetivo”. Então cheguei a ter contato com a Teoria da Deriva. A prática da deriva nasceu com a Internacional Situacionista, ela é uma técnica para conhecer espaços urbanos através do “deixar-se ir”. Através desta técnica eu descobri o caminhar como exploração e reapropriação da cidade. Descobri o caminhar como uma maneira de habitar a paisagem, uma maneira

de fazer paisagem, de se juntar à paisagem atuando na escala 1:1, através do corpo a corpo com a cidade. Andei pelo centro de Curitiba um pouco mais atento. As empenas me motivavam. Decidi então sair do núcleo mais urbanizado para atravessar atravessar os vazios urbanos para reconstruir os fragmentos de cidade na qual vivemos. Estava olhando e ouvindo os fenômenos imprevisíveis da vida urbana. Me propus a encontrar uma realidade desconhecida, em modo indireto, lúdico, não funcional, tropeçando em território desconhecido de onde nascem novas interrogações. Com isso eu percebi que os espaços de transição, a transitoriedade, não espera ser preenchida de coisas, mas sim de significados. E estes significados são pessoais, eles constroem a geografia afetiva e o seu poder de ressonância que os locais tem sobre a imaginação. Paul Klee disse que existem duas linhas: a linha que parte em passeio, que passeia livremente e sem entraves, e a linha que se desloca para negócios, de um ponto específico a outro ponto específico.


À Deriva (a cima) Continuidade (ao lado) Fotografias participantes da exposição coletiva “Vazio Urbano” promovida pela FUNALFA em Juiz de Fora, Minas Gerais.



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