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LESÕES DO PLEXO BRAQUIAL NO LACTENTE 1. REVISÃO ANATÔMICA O plexo braquial é a estrutura a partir do qual têm origem os nervos dos membros superiores. Ele é formado pela união dos ramos ventrais dos quatro nervos cervicais inferiores (C5, C6, C7 e C8) e pela maior parte ventral do primeiro nervo torácico (T1) e contribuições do quarto nervo cervical (C4) e segundo torácico (T2). Os ramos unem-se para formar troncos, superior, médio e inferior. Cada tronco fornece uma divisão anterior e uma posterior que acabarão formando os fascículos lateral, medial e posterior. Do fascículo lateral origina-se o nervo músculo-cutâneo e a raiz lateral do nervo mediano; do fascículo medial, surge o nervo ulnar e a raiz medial do nervo mediano e; do fascículo posterior, os nervos axilar e o radial. (http://www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/fisioterapia/neuro/plexo_brena. html). 2. DEFINIÇÃO A lesão do plexo braquial é comum em adultos, principalmente por acidentes de moto, onde ocorre distensão dos nervos. Já a lesão do plexo braquial obstétrica (PBO) ou do lactente é conseqüente de intercorrências durante o parto, isto é, criança com peso excessivo, apresentação pélvica, tração aplicada a cabeça durante desprendimento do ombro, desproporção entre a cabeça e a pelve, que são mecanismos em que vai haver um afastamento excessivo entre a cervical e o ombro,

consequentemente,

estirando

as

raízes

nervosas.

(http://www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/fisioterapia/neuro/plexo_brena. html). À tração exercida sobre o plexo é capaz de provocar lesão das raízes superiores (C5 e C6), dando origem ao tipo de lesão do plexo que é conhecida como paralisia de Erb, ou lesão das raízes inferiores (C7, C8 e T1), resultando esta última em paralisia da musculatura da mão, também conhecida como paralisia de Klumpke (SHEPHERD, 2006). A enfermidade, conhecida como paralisia de Erb, consiste do braço em extensão, rodado internamente, o pulso em flexão e dedos em extensão (postura


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conhecida como “waiter’s tip hand”, ou mão de garçom pegando gorjeta de forma discreta). A enfermidade mais rara é a paralisia de Klumpke, onde outros nervos do plexo são afetados (raizes dos nervos C8-T1), comprometendo os músculos da mão e também a pupila do olho do mesmo lado (http://brachialplexus.wustl.edu). Excepcionalmente, a lesão afeta todas as raízes nervosas do plexo, apresentando o recém-nascido o braço completamente flácido: á a paralisia de ErbKlumpke. Torna-se muitas vezes difícil determinar a localização exata da lesão anatômica. Muitos dos recém-nascidos apresentam uma forma de lesão mista, superior e inferior (STOKES, 1992). O paciente com lesão do PB apresenta uma ampla variedade de problemas e desafios para o fisioterapeuta. As conseqüências da lesão via de regra perduram por toda a vida do indivíduo, e o paciente pode procurar o fisioterapeuta em qualquer momento após a lesão. (STOKES, 1992) A natureza da lesão varia desde o edema que afeta uma ou duas raízes nervosas, até ao arrancamento do plexo inteiro. O nervo facial também pode ser afetado pelo traumatismo, exibindo discreta paralisia facial (SHEPHERD, 2006). 3. ANATOMIA PATOLÓGICA Qualquer força capaz de modificar as relações anatômicas entre o pescoço, a cintura escapular e o úmero pode teoricamente provocar lesão do plexo, visto que este se prende à primeira costela e ao processo coracóide da escápula. O desvio lateral da cabeça, acompanhado pelo abaixamento da cintura escapular, provoca distensão dos nervos, comprimindo-os contra as primeiras costelas, podendo resultar em lesão da porção superior do plexo, enquanto a sua porção inferior pode sofrer lesão em virtude da abdução exagerada do ombro, quando acompanhada de tração sobre o braço; esta manobra provoca distensão e compressão dos nervos sob o processo coracóide (SHEPHERD, 2006). Na lesão superior ocorre uma tração dos troncos superiores C5 e C6, geralmente por uma força de tração afastando a cabeça do ombro. Já na lesão inferior, ocorre uma tração nos troncos C8 e T1, devido a uma força de estiramento do braço em abdução. E na lesão completa afeta todos os troncos do PB (C5 a T1), sedo ocasionado por lesões traumáticas e obstétricas durante o parto (SHEPHERD, 2006).


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A distensão vigorosa das raízes nervosas ou do tronco do plexo provoca lesões que variam desde o edema das bainhas nervosas, bloqueando a condução nervosa, até à hemorragia e à formação de cicatrizes e inclusive até à ruptura completa dos axônios (SHEPHERD, 2006). Os registros eletromiográficos seriados permitem acompanhar o processo de recuperação. As alterações degenerativas dos músculos manifestam-se pela ausência de atividade das unidades motoras, por alguns poucos potenciais de degeneração e pela falta de condução nervosa. As pesquisas realizadas em lactentes indicam que a desnervação ocorrida na época do nascimento é capaz de prejudicar as modificações normais das propriedades contráteis dos músculos que caracterizam o desenvolvimento normal no período pós-natal (SHEPHERD, 2006). Podem ocorrer lesões traumáticas associadas (fraturas de clavícula ou do úmero ou subluxação do ombro ou da medula cervical). O local e o tipo da lesão da raiz nervosa determinam o prognóstico (http://manualmerck.).

Distensão do plexo braquial durante o nascimento

4.INCIDÊNCIA


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A incidência dessa patologia chega a ser 1 em cada 4000 crianças, embora venha diminuindo com o avanço da tecnologia, visto que os obstetras podem

prever

a

ocorrência

e

evitá-la.

http://www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/fisioterapia/neuro/plexo_brena.ht ml As lesões do plexo braquial ocorrem em 0,4 a 2,5 em cada 1.000 partos.(Rachel & Lopes, 2005). A incidência da assim chamada paralisia obstétrica do membro superior diminuiu espetacularmente, depois que os obstetras começaram a reconhecer a importância da desproporção entre a cabeça do feto e a pelve materna, adotando métodos para obviar esta complicação. Assim mesmo a incidência atual das lesões do plexo braquial não pode ser menosprezado. (SHEPHERD, 2006). 5. O PARTO E OS TIPOS DE LESÕES DO PLEXO BRAQUIAL O tipo da lesão braquial relaciona-se com o tipo de parto. De acordo com uma publicação, bebês com lesão do plexo braquial superior (paralisia de Erb) são, mais provavelmente, nascidos invertidos de nádegas (parto pélvico) e aqueles, com lesão mais extensa, são, mais provavelmente, nascidos de cabeça primeiro (parto cefálico). Entretanto, a paralisia do plexo braquial pode ocorrer mesmo numa cesariana (http://brachialplexus.wustl.edu). Parto pélvico: 73% das lesões do C5-6. Parto cefálico: 88% das lesões do C5-7 e 96% das lesões do C5-T1(http://brachialplexus.wustl.edu).


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6. FATORES DE RISCO •

Tamanho grande do bebê (mais de 4 quilos).

Parto pélvico.

Mãe com história de múltiplos partos.

Segundo estágio de parto prolongado.

Obesidade materna.

Gravidez prolongada (mais de 42 semanas).

Diabete materna.

Parto com intervenção cirúrgica semi-pélvica.

Parto com uso de vácuo ou fórceps.

Uma mãe, que já teve uma criança com lesão do plexo braquial, acha-se em risco, significantemente maior do que a população geral, de ter uma outra criança com a mesma enfermidade (http://brachialplexus.wustl.edu). 7. CONSEQÜÊNCIAS NA FALTA DO TRATAMENTO Além da paralisia e perda sensitiva, em muitas crianças o membro paralisado não se desenvolve totalmente, apresentando deficiências no crescimento (http://www.paralisias.com.br/obstetrica.html).

Paralisia do membro superior direito, ocorrido por falta de intervenção cirúrgica adequada. Note a grande diferença de comprimento entre um braço e o outro. 8. DESCRIÇÃO DO QUADRO CLÍNICO Observa-se, logo após ao nascimento, que o bebê apresenta postura assimétrica: o braço afetado já flácido ao seu lado, ao invés de apresentar a postura normal do recém-nascido, na qual predomina a flexão. Na paralisia que


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afeta a porção superior do braço, os seguintes músculos podem estar comprometidos: rombóides, elevador da escápula, serrátil anterior, deltóide, supraespinhoso, infra-espinhoso, bíceps braquial, braquiorradial, braquial, supinador e extensores longos do carpo, dos dedos e do polegar. A paralisia baixa do plexo pode afetar os músculos extensores do carpo e dedos, assim como os músculos intrínsecos da mão. (SHEPHERD, 2006) A fraqueza ou paralisia dos músculos leva à substituição por músculos intactos, o que resulta em desempenho motor de caráter compensatório, em contratura de tecidos moles e no possível desuso adquirido através do aprendizado. Encontram-se afetados atos tais como equilibrar-se na posição sentada, atividades bimanuais e atos que exigem a participação do braço afetado. O distúrbio motor resulta da combinação da paresia ou paralisia muscular com a atividade dos músculos cuja inervação é preservada e que não encontra oposição, e com o desequilíbrio funcional que deriva da combinação desses fatores. O comportamento motor adaptativo torna-se evidente quando o lactente procura apanhar um brinquedo: o ato será executado da melhor maneira possível, em vista da dinâmica das conexões osteomusculares e das condições do sistema muscular. (SHEPHERD, 2006) As contraturas dos tecidos moles são devidas a falta de mobilidade das articulações e a posição ocupada pelo membro em repouso. Os músculos que ligam o úmero á escapula ( subescapular, redondo menor e grande dorsal) correm maior risco de sofrer encurtamentos nas lesões da porção superior do plexo. (SHEPHERD, 2006) Pode haver perda da sensibilidade da face externa do braço, mas ela costuma ser menos acentuada que a perda correspondente da motilidade. Todas as qualidades sensitivas podem estar abolidas (dolorosa, térmica, tátil e proprioceptiva) quando a paralisia grave do braço inteiro se acompanha de perda total da sensibilidade. (SHEPHERD, 2006) 9. CLASSIFICAÇÃO A PBO ( paralisia braquial obstétrica), que é uma paralisia do membro superior que pode ocorrer com a criança no momento do parto,

é

classificada em paralisia alta (Erb-Duchenne), baixa (Klumpke) e completa . Erb-


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Duchenne é a forma mais comum (80% a 90% dos casos) e tem melhor prognóstico. A forma Klumpke é rara (5% ou menos), tem pior prognóstico e tem sido relacionada com uma forma completa que evoluiu com recuperação rápida da porção alta do plexo braquial, anomalias congênitas (costela, tendão ou vaso sangüíneo) comprimindo o plexo ou lesão medular.

Tabela 1. Classificação da Paralisia Braquial Obstétrica Tipo

Raízes

Manifestações

Erb-

C5

Braço acometido

Duchenne

a

C7

sem

(paralisia alta)

movimento,

corpo,

com

o

ao

lado

ombro

do

rodado

internamente, cotovelo estendido e

punho

ligeiramente

fletido

Perda da abdução e da rotação externa

do

braço

Incapacidade para a flexão do cotovelo

e

supinação

do

antebraço Ausência do reflexo bicipital e de Moro

no

lado

Preservação

acometido

da

força

do

antebraço e da capacidade de preensão

da

Possibilidade

mão

de

deficiência

sensorial na face externa do braço,

antebraço,

polegar

e

indicador Klumpke (paralisia baixa

C8 T1

e

Flexão cotovelo

e

supinação

do do

antebraço Acometimento dos músculos da


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mão com ausência do reflexo de preensão Reflexo

palmar bicipital

e

radial

Horner

(ptose

presentes Síndrome

de

palpebral, enoftalmia, miose, e anidrose

facial)

envolvimento

quando das

simpáticas

cervicais

primeiros

nervos

há fibras

e

dos

espinhais

torácicos Completa

C5 T1

a

Membro superior acometido flácido com todos os reflexos ausentes

10. PROGNÓSTICO O prognóstico depende da gravidade da lesão do plexo. Os prazos para a recuperação máxima variam entre 1 e 18 meses. A regeneração é pouco provável nos casos em que ocorre ruptura completa dos axônios. Todavia, a maioria das lesões é menos grave: em seguida à neuropraxia desacompanhada de lesão da bainha do neurilema, do cilindro-eixo ou das neurofibrilas, a reabsorção do edema e da hemorragia costuma resultar em recuperação espontânea da capacidade funcional no prazo de um mês. Tratando-se de axonotmese, lesão que consiste em destruição do cilindro-eixo, com preservação das fibras nervosas, o crescimento das partes lesadas ocorre à razão aproximada de 1mm por dia. (SHEPHERD, 2006) Portanto, a regeneração da lesão da porção superior do plexo pode completar-se no prazo de 4 a 5 meses; ele leva entre 7 e 9 meses nas lesões da porção inferior do plexo. (SHEPHERD, 2006) A atrofia muscular torna-se evidente após as primeiras semanas nos casos em que ocorreu ruptura completa do axônio. Na falta de recuperação, o membro deixará de crescer normalmente; à medida que a criança cresce, ele permanecerá visivelmente menor que o membro oposto normal.A criança que


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apresenta paralisia completa exibe um braço insensível e flácido, capaz de se deslocar em nível do ombro, mas que é completamente inútil. Na paralisia da porção superior do braço que não é seguida de recuperação, é impressionante ver como a criança se adapta bem, fazendo uso da cintura escapular e do braço para compensar a sua deficiência, desde que esta não seja demasiado grave. Ao avançar em idade, muitas dessas crianças exigem cirurgia para melhorar a sua capacidade funcional. A cirurgia desse tipo foi descrita por Sharrard (1971) e por Zancolli (1981). (SHEPHERD, 2006) 11. AVALIAÇÃO Na inspeção da criança já se nota a paralisia pela postura adotada espontaneamente pelo braço. Nos primeiros 6 meses de vida, os comandos motores do recémnascido são desenvolvidos graças aos reflexos primitivos. Nos utilizamos deste preceito para executar um exame inicial, onde ao se tocar a palma da mão de um recém-nascido a mão se fecha, e coçando o dorso da mão os dedos espontaneamente se abrem, indicando normalidade no membro examinado. Além deste exemplo existem varias outras manobras que permitem uma avaliação mais precisa. Com o passar do tempo, o controle passa a ser voluntário, e os reflexos tendem a desaparecer. Caso isto não ocorra, e os reflexos primitivos persistirem, poderemos estar diante de uma outra causa de paralisia do membro superior, chamada de paralisia cerebral. Na tentativa de buscar um teste para detectarmos alterações dos movimentos voluntários, em bebês acima dos 3 meses, desenvolvemos o teste da toalha. Este teste vem ganhando adeptos rapidamente e já foi publicado em importante

publicação

médica

inglesa(http://www.paralisias.com.br/obstetrica.html).

da

língua


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Postura em rotação interna típica da paralisia das raízes de C5 e C6.

11.1 Teste da Toalha

Imobilizando o membro não afetado e cobrimos a face do bebê com uma toalha ou lenço, tomando o cuidado de cobrir os olhos com ela. Instintivamente a criança tenta remover o objeto de cima do rosto. Se por volta do 4º mês, o bebê não retirar a toalha da face com o membro suspeito, usando insistentemente o membro são para livrar-se do incômodo (toalha), os pais e o médico devem ficar atentos. Ao 6º mês, persistindo o movimento de livrar a toalha dos olhos usando apenas o braço sadio, a cirurgia estará indicada (http://www.paralisias.com.br/obstetrica.html). O lactente deve ser encaminhado à fisioterapia, logo após o diagnóstico. O exame deve ser feito na criança despida e em ambiente de temperatura agradável. (SHEPHERD, 2006) Para avaliar a motricidade, o terapeuta deve observar os movimentos espontâneos, enquanto a criança se encontra em decúbito dorsal e ventral, ao ser carregada, ao ser acariciada e enquanto se fala com ela; o examinador deve ainda avaliar seu comportamento motor durante o exame dos reflexos e das reações (reflexo de Moro, reação de colocação das mãos, reflexo de Galant, reação de endireitamento da cabeça, reflexo de preensão). Esta observação fornece indícios sobre a atividade muscular, a qual pode ser classificada: 0 = ausente; 1 = presente, mas com amplitude inferior à normal; 2 = presente na amplitude disponível (Shepherd, 1992);


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O reflexo de Moro pode se mostrar assimentrico, com abdução insuficiente do braço, embora se possa observar extensão de cotovelo e dedos. O reflexo de preensão será normal na paralisia de Klumpke. A flexão dos dedos acompanha-se normalmente de flexão ao nivel do cotovelo; por isso, a falta de atividade dos musculos flexores do cotovelo resulta em preensão mais débil no lado afetado. O exame do reflexo de endireitamento do pescoço mostrará se a criança é capaz ou não de abduzir e fletir o ombro. (SHEPHERD, 2006) O EMG é útil para determinar a extensão e a gravidade da lesão, além de fornecer informações acerca das possibilidades de recuperação, além de ser importante, pois os aspectos eletromiográficos de recuperação costumam manifestar-se algumas semanas antes dos sinais clinicos. O aparecimento desses sinais pode então ser seguido pela intensificação do treino, a fim de estimular a atividade dos musculos em recuperação. É bem provável que o treinamento específico dos movimentos dos braços durante este estágio da recuperação possua importancia crítica para a melhor recuperação possível, tanto neurológica quanto funcional. (SHEPHERD, 2006) É preferível que o terapeuta avalie a criança cerca de uma hora apos a mamada ou refeição, quando ela está alerta e ativa. (SHEPHERD, 2006) A amplitude de movimeto articular será examinada colocando-se o braço inteiro em abdução, elevação, flexão, extensão e rotação; cada articulação deve ser avaliada separadamente em sua amplitude. Deve-se ter cuidado durante os movimentos passivos do membro, para não distender excessivamente os tecidos moles relativamente desprotegidos que cercam a articulação glenoumeral. Durante a avaliação de amplitude de movimento o terapeuta deve estar atento ao deslocamento da escápula, pois o encurtamento dos musculos que ligam a escápula ao umero fará com que a escápula se desloque além do movimento normal em torno da caixa torácica, durante os movimentos de flexão ou de abdução do braço. (SHEPHERD, 2006) 12. TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO

Segundo BURNS (1999), o fisioterapeuta desempenha um papel de destaque no tratamento conservador dos pacientes com lesão de Plexo Braquial,


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sendo ele o profissional da saúde que terá o maior contato com este paciente, onde lhe é atribuída à responsabilidade de reabilitar e oferecer melhor qualidade de vida ao paciente com lesão de plexo braquial. (ESTEVES) O tratamento da criança com Paralisia Braquial Obstétrica deve ter início o mais precocemente possível. Mesmo com dias de vida já é possível iniciar movimentos passivos suaves e orientações quanto ao posicionamento da criança. (ESTEVES) Segundo TUREK (1992), caso haja a correção cirúrgica, manter a imobilização do membro por um prazo de 1 a 4 semanas para possibilitar a reabsorção da hemorragia e do edema. (ESTEVES)

Objetivos do tratamento

Criar melhores condições possíveis para a recuperação

da capacidade funcional (prevenir contraturas de tecidos moles e das deformidades, comportamento motor adaptativo e do desuso do membro). •

Controle da dor e do edema.

Manter ou aumentar a amplitude de movimento do

membro afetado. •

Proporcionar as condições ambientais necessárias para

os músculos poderem reassumir sua função. •

Treinar o controle motor mediante exercícios (feitos pelo

fisioterapeuta e pelos pais, assim que os músculos estiverem reinervados e sejam capazes de se contrair). (ESTEVES)

Proposta de Tratamento

1)Posicionamento:


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Quando a criança estiver deitada, é importante que o membro superior comprometido se mantenha em discreta abdução (afastado do corpo). A criança pode também ser colocada deitada sobre o lado envolvido, sendo esta posição benéfica em termos de estimulação sensorial. Caso a criança demonstre tendência em ficar com a face voltada para o lado contrário ao membro comprometido, deve-se posicioná-la também com a face voltada para o outro lado e estimulá-la com brinquedos para que ela vire ativamente a cabeça para ambos os lados. 2) Mobilização passiva suave: A movimentação passiva serve para prevenir as contraturas dos tecidos moles, especialmente às aderências escapuloumerais. Deve-se ter cuidado para não distender exageradamente os tecidos moles adjacentes á articulação do ombro, principalmente na presença de paralisia total do braço, tendo cuidado de não deslocar do ombro, evitando o risco de luxação da articulação glenoumeral. A família pode ser orientada e treinada para a realização de exercícios passivos de maneira suave e cuidadosa para manter as amplitudes articulares livres. Caso a criança chore, ela está sentindo dor. Os exercícios devem então ser realizados mais lentamente e os pais reorientados pelo fisioterapeuta. 3) Estimulação ativa dos movimentos: Feita inicialmente através do posicionamento da criança em decúbito dorsal, de lado, e abdome para baixo, associado a estímulos para alcançar brinquedos leves e coloridos, em todas as direções. À medida que a criança for se desenvolvendo, deve-se oferecer brinquedos de diferentes formas e tamanhos para estimular a preensão e os movimentos do braço em todas as posições, inclusive quando estiver sentada. Brincadeiras com água, na banheira, estimulam os movimentos ativos. Insistir no treinamento dos músculos abdutores, flexores e rotadores externos do ombro (movimentos de extensão do braço para o lado ou para diante dependem da ação desses músculos, bem como os supinadores do antebraço, dos extensores do carpo e do abdutor palmar do polegar). De acordo com SHEPHERD (1996), o tratamento mediante feedback é realizado para treinar e reforçar o comportamento motor desejado.


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4) Proteção para evitar maiores estiramentos: Através do uso de um alfinete de proteção prendendo a manga do membro superior comprometido à blusa, mantendo o braço em adução de ombro (junto ao corpo) e flexão de cotovelo. Utilizada apenas quando a criança for sair de casa, para evitar movimentos bruscos do braço flácido e com poucos movimentos. 5) Estimulação sensorial: Através de estímulos utilizando materiais diferentes em contato com a pele do membro envolvido (como por exemplo espuma, toalha, algodão e escova de bebê). Pode ser colocada também uma pulseirinha no punho do lado acometido para que a criança toque a pulseirinha com a outra mão estimulando a percepção do braço. 6) Estimulação do desenvolvimento motor: O treinamento motor deve ser iniciado durante o primeiro mês de vida

(desencadear

a

atividade

nos

músculos

desnervados

apenas

temporariamente, reduzir ao mínimo o desuso e as contraturas de tecidos moles, obrigam os pais a adotar uma rotina regular assegurando que os músculos sejam estimulados a contrair-se para realizarem os atos motores apropriados, assim que os nervos se tenham regenerado). Visa principalmente os atos importantes em relação à idade da criança (estender o braço para tocar,

apanhar

e

manusear

objetos

diferentes).

Estimulação das etapas do desenvolvimento (rolar, sentar, engatinhar). Todas as crianças com PBO adquirem a marcha e, se esta aquisição for alcançada um pouco mais tarde, melhor será a estimulação dos braços. A criança deve ser incentivada a engatinhar para que ela apoie e movimente o braço envolvido e a família deve ser orientada a não estimular a marcha precocemente. Na posição sentada deve ser estimulado o apoio do braço acometido no chão através do alcance de brinquedos oferecidos à outra mão. Crianças com mais idade, jogos devem ser utilizados com finalidade de melhorar a percepção sensitiva em relação ao membro afetado. 7)Hidroterapia: Após a criança adquirir controle cervical ela está apta a iniciar exercícios na piscina.


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Estes exercícios são os mais indicados para a criança com PBO, pois com atividades recreativas ela poderá movimentar todos os músculos que tiverem alguma função. 8) Órteses: As órteses são utilizadas para prevenir o uso exagerado dos músculos que não encontram oposição, podendo, além disso, obrigar o músculo parético

a

se

contrair.

(SHEPHERD,

1996)

Aplicação de talas: evitar o encurtamento de tecidos moles (controvertido). Se, durante o tratamento, forem verificados encurtamentos nos músculos flexores dos dedos da mão, há indicação para o uso de órtese quando a criança estiver dormindo e assim não comprometer a função durante as atividades. O que determina a melhora dos movimentos não é a quantidade ou freqüência dos exercícios e sim o grau e a extensão da lesão dos nervos envolvidos. Após sete meses de idade, os movimentos que não estiverem presentes provavelmente não vão se recuperar. O comprometimento pode variar desde uma discreta fraqueza à ausência completa de movimento em todo o braço. Após um ano de idade, os exercícios em piscina e atividades próprias da idade substituem a realização dos movimentos passivos visando estimular ativamente os movimentos funcionais. Para as crianças que não apresentam nenhuma melhora nos primeiros seis meses o tratamento cirúrgico (transferência ou enxerto de nervo) é considerado por algumas equipes que tratam PBO. O treinamento deve prosseguir enquanto durar o processo de recuperação. A falta de uso do membro afetado pode contribuir para a falta de recuperação da função muscular, após a regeneração ter ocorrido.O programa de treinamento da motricidade deve incorporar períodos de contenção do membro superior sadio (ex. manter o braço normal sob as roupas da criança ou amassando-o de leve ao seu lado ou organizando o ambiente da criança de forma tal que ela só consiga alcançar um objeto que deseja, usando para tanto o braço (SHEPHERD, 2006)

afetado).


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REFERÊNCIAS

ESTEVES, Tiago. A importância da reabilitação fisioterapeuticas nas lesões do plexo

braquial

superior.

Acessado

em:

10/05/2009.

Retirado

de:

<www.nead.unama.br/site/bibdigital/pdf/artigos.../110.pdf>.

Rachel, L.; Lopes, D. V. Lesão do Plexo Braquial, 2005. REDE SARAH DE HOSPITAIS DE REABILITAÇÃO. Paralisia Braquial Obstétrica. Acessado

em:

10/05/09.

Retirado

de:

<http://www.sarah.br/paginas/doencas/PO/p_10_paralisia_braquial_obst.htm#Anchor -Tratament-15920>.

SHEPHERD, R. Fisioterapia em Pediatria. 3ª ed. São Paulo: Livraria Editora Santos, 2006. http://www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/fisioterapia/neuro/plexo_brena.ht ml


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http://www.paralisias.com.br/obstetrica.html. http://brachialplexus.wustl.edu. http://manualmerck.com.br.

Lesoes do plexo braquial em lactentes  
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