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Cristina Ivens Duarte


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Cristina Ivens Duarte

Cristina Maria Afonso Ivens Duarte, nascida a 28/08/1965, natural de Lisboa. Casada, resido no Seixal. Estive em Angola até 1974, regressei no 25 de Abril. Completei o 11º ano do curso complementar de humanisticas na escola secundária de Linda-a-velha.

Faço da poesia uma ocupação.


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Não é a casa que nos acolhe Não é a casa que nos acolhe é a ternura que nela paira o fogão aceso em lume brando o cheirinho a feijão branco da panela de sopa a borbulhar. É a campainha que toca é o carteiro, o som do chuveiro a musica a tocar e o telefone a vibrar de mensagens de amor. Não é a casa que nos acolhe são os abraços, os sorrisos o embaciar dos vidros, a lareira acesa e o pão quentinho na mesa. O que nos acolhe, é a sopinha a açorda de coentros, o cheirinho da cozinha com perfume a sentimentos. É comer o arroz doce da panela ainda morno e depenicar as as partes tostadas. Ouvir o estalar de cada trincadela e preencher o coração de aroma a canela.

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Amor e luxúria Sentimento sem peso sem cor, nem espaço com movimentos frenéticos que despertam a libido com choques eléctricos, que provocam amasso. Descargas emocionais que estremecem o corpo gotas de suor, que ficam na pele lambendo o açúcar que sobrou do mel. Tem cheiro a hormona de ambos os sexos é uma viagem a Roma sem destino, sem nexo. Barragem que alimenta os nossos desejos, os abraços os toques, o sexo e os beijos, o sentir da pimenta. Amor fugaz, que cega, que torna incapaz, de ver, ouvir ou saber. É fome, é frio, é sede de um corpo que quer gemer é prazer que acorda um morto. Mergulhado em champanhe é mar gasoso, com uva e morango é triângulo amoroso. Luxuria sem jóia, nem colar de pérola ´´é cobra, é jiboia, é veneno que rola no sangue, é glória".

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Teus braços, meu vestido É com os teus braços que me sinto vestida quando me abraças e me vestes assim é sem dúvida o vestido mais lindo que o amor oferece para mim. Tanto abraço, tanto folho tanta cor no teu tecido tanto laço nos teus braços tantos beijos no meu vestido. Como me posso sentir assim vestida, sem vestido é o amor que vem de ti do abraço tão sentido. Não há nada mais belo nada mais encantador ser vestida com um abraço estampado com amor.

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O BÊ Á Bá Da Paixão Que sentimento tão complexo! O bê à bá da paixão... Não é amor, nem é sexo, É puramente ilusão. Deixa o coração confundido, Se se gosta, ou se ama, Tem a ardência de uma tocha, O flamejo de uma chama. E no fogo da paixão... Se perde muitas vezes a cabeça, Deixando o coração sem razão, Fazendo tudo o que lhe apeteça. Loucuras, atrás de loucuras, Cegos, sem qualquer percepção, Esquecendo das horas diurnas, Regressando na escuridão. É beijo atrás de beijo, Soltando a língua voraz, Pensando que é desejo, Sem protecção capaz.. O bê à bá da paixão, Apenas pede "Passarinho," Não façamos confusão, Que o amor pede, " Ninho."

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No silêncio Do Meu Peito No silêncio do meu peito, queria dizer-te muitas coisas: Queria dizer-te as vezes que a tua imagem, de primavera luminosa, atravessou os espaços sombrios da minha alma. Que nela vagueias noite após noite, assombrando os meus pensamentos Queria dizer.te em várias línguas, vários beijos, e acima de tudo (o que é mais difícil) na nossa própria língua, o quanto te amo. De como é bom acordar todas as manhãs, e que o dia encerra sabendo que ele és tu. Que os teus olhos falam, com o seu preto brilhante e tão expressivo, erguem-se entre mim e o céu da meia noite. Invejo até o céu cintilante que te cobre, e as estrelas serenas que podem ver-te e alegrar-se. E muitas vezes na minha solidão, adormeço contigo e contigo acordo. Contudo nunca estás a meu lado; Encho os meus braços com o que de ti me recordo mas, fico com o coração despedaçado. Sinto os teus olhos fitos nos meus, mesmo quando estás longe de mim, e os meus lábios tocam nos teus, durante horas e horas sem fim. Eu penso e falo, sobre coisas de ti, para manter meu espírito em paz, mas a minha memória não se aparta de ti. Escondo o meu segredo dos olhos do mundo, penso e digo o contrário do que queria, suave é o vento que sopra do céu profundo, que só murmura histórias de Cristina Maria.


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Um desejo chamado "Palavra" No silêncio da noite, tenho muitas vezes desejado apenas algumas palavras de amor . Palavras essas...que me libertam de todo o peso e a dor da vida, e me mantêm afastada da escuridão. Embora o toque das mãos me faça ver estrelas no céu, as palavras ternas fazem-me crescer asas e voar. Cada letra da palavra amor, são coágulos de tristeza desfeitos que me fazem entrar num mundo cheio de cor. Mesmo a chover, as uso como guarda chuva, mantendo a minha felicidade húmida e verdejante. Duas solidões que se encontram durante um aguaceiro mas que se abraçam e se reconfortam uma na outra. As palavras de amor afastam todas as preocupações deste mundo e fazem-me feliz...São-me tão necessárias como a luz do sol e o ar...são o meu alimento, a minha respiração, a minha água. Dêem-me prendas atenciosas, palavras brancas e rosas, cultivadas em casa para a minha cabeceira, um passeio-surpresa de mãos dadas com elas, pelos bosques onde florescem as campainhas.


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Tudo por ti Tivesse eu do firmamento mil véus bordados, com fios de ouro e de prata, azuis claros e escuros, como a noite e a luz da penumbra, estenderia-os a teus pés: Caminhavas levemente sobre os meus sonhos e ficarias a saber o quanto te amo. Neles verias, as colheres de açúcar que os nossos beijos sorvem o cacau a dissolver-se no palato das nossas bocas deixando cair pelo teu peito tenebroso, um viscoso licor achocolatado. Tivesse eu capacidade de te abocanhar de uma só vez, como uma leoa, serias o meu alimento e saciarias a minha sede. Romperia a tua pele como um cordeiro e aninhava-me numa costela solta pelo meu desvaire e loucura. Antes de ti, parece-me ter somente memórias a preto e branco mas, quando vieste, trouxeste as estrelas contigo, balões encarnados e bolhinhas de champanhe. Como vês, tu estás sempre nos meus sonhos, despido, como um anjo, com as asas prontas para voar mesmo dormindo, pedindo que te acorde e te chame de amor.


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A queda para a serenidade Os meus pés sentem uma forte atracção pela queda livre e em milésimos de segundos atiram-me para a frente como se dissessem: Vai, ali serás eterna, orienta o voo com as pálpebras e suaviza o impacto chorando um pouco, até formares um pequeno lago. Lá, encontrarás o dicionário da vida, filtra o conhecimento com as pontas dos dedos e pede ajuda aos girassóis se não achares a serenidade. Vais encontrar pelo caminho várias vagens de baunilha para purificar o teu intimo e marcar o teu território. Tem cuidado com o açafrão, não confundas as cores, as liláses provocam confusão e as brancas dissabores. Canta durante o voo, os rouxinóis esperam-te com migalhas de amor para celebrar a tua chegada. Sentirás um nó na garganta quando eu te empurrar mas, é um pequeno ataque de ansiedade provocado pela alegria, de compartilhares com o vento a sensação de voar.

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Um amor de verdade Com uma varinha de condão eu gostava de fazer magia rodopiava a minha mão tornava a tristeza em alegria. Virava anjo para poder voar admirar castelos e poisar uma princesa eu queria ser com um príncipe sonhava casar. Era um sonho tornado realidade inspirado nos livros de poesia vem dos tempos da minha mocidade em que eu lia, relia e relia. São mil contos, mil histórias gravadas com léguas e léguas de comprimento com as minhas lágrimas, jamais lavadas ou esquecidas com o sofrimento. Esse amor na vida encontrei o meu sonho virou realidade não é príncipe, nem é rei é um homem de verdade.

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Há dias Há dias que o meu olhar só pede flores mas, chove tanto lá dentro que nem a poesia cabe em nenhum lugar. As palavras ficam presas nas minhas pálpebras e na sua vez, caiem lágrimas de vazio, que num só trago as engulo, como se de um bom cálice de vinho se tratasse. Mas não, está toda arruinada a inspiração, só vem à mente sinónimos de solidão, tristeza e desamparo.. Só queria que o corpo se ergue-se e desse um grito de aleluia aonde a minha poesia fosse de amor e calmaria. Sei que há nuvens passageiras que nos cobrem, como persianas e nos deixam ás escuras por vários dias, sentindo-nos nas mais profundas tristezas, capazes de nos transformar em seres inúteis e incapazes. Mas é assim, há dias.

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A minha Santa inocência Ainda me lembro com saudades da minha linda primeira vez quando perdi a virgindade e aquela mulher se fez. Fui ao céu e voltei foi loucura, senti dormência gritei pela virgem Maria minha Santa inocência. Senti o poder divino o clímax no meu ventre brindei com cálices de vinho o meu corpo ainda quente. Perdi os sentidos com ele fiquei rouca, sem voz senti a Virgem Maria e os pastores a olhar para nós. Sou testemunha de um milagre quando me envolvo em pecados sinto o diabo no corpo peço que me faça maldades. Porque Deus não castiga e amar não é horror até a pequena formiga sente a picada do amor.

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Liberta o amor Ama muito, grita bem alto, faz soltar o asfalto, és vulcão. Explode, alivia a pressão, deixa sair a lava que te queima as mãos, solta fumos e fagulhas, abre crateras, rompe as costuras espalha as cinzas, incendeia as bocas que não sabem beijar. Sai do inferno, arde, arde de sentimento, bombardeia tudo, a terra, o cimento. Queima, faz ferver, grita de prazer, ateia, faz lume, espalha o teu perfume, encosta o teu ombro e chora, rebenta, o sentimento não tem hora.

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Lugares onde pode encontrar a autora http:// www.cristinainspiracoes.blogspot.pt/ https://www.facebook.com/cristinaduarte.afonso http://www.casadospoetasedapoesia.ning.com/members/CristinaMariaAfonsoIvensDuar http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=183562 http:// www.laosdepoesia.blogspot.ca/

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