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INTERFACES

PARA PERCEPÇÕES URBANAS


FERNANDABRITTO BRITTO FERNANDA TGI I | IAUSC | USP

S達o Carlos, Dezembro, 2011 S達o Carlos, Dezembro, 2011.


Ă rea de projeto Vista da escadaria do viaduto Nove de Julho para o viaduto Major Quedinho


FERNANDABRITTO BRITTO FERNANDA TGI I | IAUSC | USP

S達o Carlos, Dezembro, 2011.


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INTRODUÇÃO ARQUITETURA COMO MÍDIA


INTRODUÇÃO PERCURSO, RECONHECIMENTO, APROPRIAÇÃO A intervenção urbana na avenida Nove de Julho em São Paulo, no trecho entre o Terminal Bandeira e a Radial Leste, procura tomar as camadas temporais e fluxos presentes na área como pré-existência para o projeto, propondo uma nova pele intermediária de elementos a serem re-significados e de novos elementos inseridos que, pelo percurso e transposição dessas interfaces, permita a leitura e a indagação do contexto urbano atual, explorando o potencial de informação da situação e conferindo visibilidade aos processos de formação do lugar e de história da cidade, propondo a retomada da relação do habitante com seu espaço.

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UNIVERSO PROJETUAL O universo projetual procura registrar referências e interrogações que, apesar de parecerem desconexas e heterogêneas, construíram e fomentaram a ideia conceitual do projeto ao longo de seu processo, por isso a importância dada a alguns exemplos entre tantos omitidos. A insistência em referências dos outros campos da arte e da criação aprimora o repertório e estabelece intersecções entre as diversas formas de expressão e de recepção. Os destaques estão relacionados a questões que envolvem imagem e representação, percepção, apreensão e tempo.


UNIVERSO PROJETUAL CINEMA Acerca da problemática que existe entre imagem e representação, fato e opinião, um dos melhores exemplos de suporte para discutir a questão é o cinema. Os realizadores Michelangelo Antonioni e Dziga Vertov complexificam a questão na essência de seus filmes, tanto em narrativa quanto em imagem. Antonioni, em Blow up, tem como princípio a ideia de que imagem é representação e que cinema é uma experiência artificial. O enredo simples, sem muitos acontecimentos, narra a história de um fotógrafo de modelos que pouco faz de sua vida além de usufruir dos prazeres burgueses, sem muitas pretensões ou objetivos. Em um determinado momento, o personagem pensa ter descoberto o indício de um assassinato em uma de suas fotografias, quando passa, então, a almejar a realização de ser testemunha e de ser essencial para algo. É nesse limiar entre realidade e ilusão que Antonioni desenvolve todo o filme, mas que de fato, sempre procura incitar sensações surreais que tragam de volta o espectador para a realidade de que aquilo visto é um filme, uma representação, um recorte, uma opinião. Já Dziga Vertov, através de um documentário – Man with a movie camera, procura “descrever” a Rússia dos anos 20. A singularidade e importância desse trabalho é como um documentário que, habitualmente, como princípio é o testemunho de verdades, foge de uma simples

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Imagens do filme Blow up, 1966, por Michelangelo Antonioi e do filme Man with a movie camera, 1929, por Dziga Vertov. Imagens do filme Janaúba, 1993, por Éder Santos e do filme World Mirror Cinema, 2005, por Gustav Deutsch.


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reprodução da aparência das coisas como também evita sugerir questões simbólicas. E por isso, o realizador se insere em diversas imagens em seu papel real, exibindo os pontos de vista utilizados para o filme, para além da visão da câmera. Dessa forma procura retirar todas as camadas de ilusão e opinião que a linguagem do filme poderia sugerir. Em outra chave de trabalho, mas igualmente importante para a discussão, destaca-se aqui as operações de Éder Santos, especificamente em seu filme Janaúba. O realizador busca desenvolver a ideia de convivência de temporalidades bem como a consistência (quase que material) da imagem (e também da paisagem) através da sobreposição de quadros. Trabalha com o encavalamento de instantes, depósito de camadas que dão a sensação de indeterminação e de passagem no tempo. Em termos de narrativa, Gustav Deutsch apresenta-se como um exemplo pertinente, pois trabalha com a reciclagem do cinema como uma espécie de costura – found-footage cinema. Seus filmes são constituídos de trechos figurantes de filmes dos anos 20-30, trazendo essas personagens como protagonistas. Além disso, procura provocar no espectador um estranhamento com a forma de cinema que se está habituado, o qual, sem narrativa, propõe que a imagem seja pura e imediatamente percebida.


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O terraço do apartamento para Beistegui sobre a avenida Champs ElysÊes, projeto de Le Corbusier, 1930. O conceito do projeto de Sou Fujimoto para a House N.


UNIVERSO PROJETUAL ARQUITETURA As referências arquitetônicas estão fortemente ligadas à questão da forma, dos enquadramentos, estáticos ou não, à ideia de promenade architecturale e, mais uma vez, à arquitetura como interface. Um dos exemplos mais marcantes e emblemáticos para o todo o percurso do projeto é o apartamento-terraço de Beistegui desenhado por Le Corbusier. Brevemente, trata-se de um terraço construído em uma das coberturas de um edifício em Champs Elysées, Paris, para um uso mais recreativo. O projeto, um tanto surrealista, contava com a presença de elementos inusitados quase que de decoração, uma espécie de telescópio para observar o céu e diversas artimanhas tecnológicas como aberturas de janelas. Para além de tudo isso, o que de fato é mais forte no projeto é o desenho de sua área externa, seu terraço propriamente dito, fazendo o fechamento desse espaço por paredes a uma altura que o que só podia ser visto eram os quatro grandes monumentos de Paris: o arco do Triunfo, a Torre Eiffel, a Notre Dame e a Sacré Couer. Esse limite de visão provocava tensão entre a relação com o espaço urbano e o que realmente era a ideia de imagem de Paris, como se se resumisse só a seus marcos. A indefinição entre um espaço que não era público, mas que estava, de certa forma, inserido dentro de uma imagem de cidade era ainda mais tensionado, segundo a escritora Beatriz Colomina por um espelho. O objeto era posicionado entre a parede e o céu, que além de ter uma

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Imagens do conceito da Slow House, do escritório Diller Scofidio, projeto de 1991 que não foi construído. Sequência de imagens do percurso de entrada do Memorial dos Mártires da Deportação, de 1962, de Georges-Henri Pingusson.


questão simbólica de janela para o infinito por sua materialidade, colocava ainda seu usuário em cena: parte de sua imagem era refletida no mesmo plano da imagem dos monumentos, o que o colocava dentro da paisagem urbana e parte o colocava dentro de um espaço fechado, totalmente aquém da cidade. Outra referência que aparece por diversas vezes no processo projetual é a casa N de Sou Fujimoto. A ideia principal da habitação é de três volumes inscritos sucessivamente que regulam a relação entre homem, casa e rua. Essa mediação acontece pelas aberturas em cada uma dessas camadas, propondo interações gradativas de cada instância, que ao serem atravessadas trabalham como uma transição entre escalas, usos e relações. Dois outros exemplos devem ser aqui citados, como complementos ao repertório, principalmente a respeito de percursos e suas visuais (assim como sensações). O primeiro é o projeto de Diller Scofidio para uma casa de veraneio que não foi construída. A forma da casa é inspirada em uma ideia que acompanha um movimento veloz, visto que sua entrada (a fachada de entrada é formada apenas por uma porta) é por uma via expressa e seu fundo é a paisagem de um rio (vista de uma grande fachada de vidro, uma janela do tamanho de todo o volume). Essa passagem ainda da entrada física até a saída óptica (a grande janela) é controlada por uma série de planos que delimitam o campo visual de seu usuário conforme seu percurso – determinado. O segundo é o Memorial dos Mártires da Deportação, em Paris, pelo arquiteto Pingusson, em memória aos nazistas deportados da França. Construído na extremidade da Île de la Cité, atrás da Notre Dame, região central da cidade, tem como partido o silêncio, escondendo-se na paisagem de Paris. A entrada do edifício se dá por uma escadaria comprimida que desce para um nível próximo ao rio Sena, todo fechado, perdendo-se a imagem dos edifícios em seu entorno, restando apenas céu e uma pequena abertura de onde se pode ver o rio.

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Building Cuts e Conical Intersect de Matta Clark, anos 1970. Detetor de ausĂŞncias, Rubens Mano, 1994.


UNIVERSO PROJETUAL INTERVENÇÕES Citam-se aqui como intervenções exemplos de operações pertinentes no campo artístico, relevantes maneiras de se trabalhar neste projeto. Uma delas é a forma como Matta Clark trabalha literalmente com o corte de edifício a fim de tornar visíveis múltiplas e inesperadas camadas – espaciais e temporais. Com essas operações arquitetônicas negativas (cortar, escavar, des-construir) em seus Building Cuts, Matta Clark rompe com a unidade e continuidade, tensiona a relação entre estrutura e desintegração, forma e decomposição, totalidade e fragmentos, desaparecendo com as diferenças entre planos verticais e horizontais, criando fendas em edifícios, revelando e colocando em destaques as relações não vistas na unidade. Outro artista a ser citado é Rubens Mano que, por meio de uma operação imaterial, revela relações praticamente efêmeras na cidade. Em seu Detetor de Ausência, o artista posiciona dois canhões de luz em movimento voltados para o viaduto do Chá, que por momentos apreendem na paisagem alguém que passa sobre lá, como se o ato de passar fosse um acontecimento, um acontecimento recortado da multidão mas que ainda assim continua anônimo. Enfatiza-se a efemeridade de algo que acontece no tempo e que lá se perde, fato essencial para a percepção do efêmero.

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20 Shift, Richard Serra, 1970.


A visão minimalista é fenomenológica e não metafísica. Não procede da ideia e sim da experiência. Elimina toda pretensão universal e se torna acontecimento. Krauss 21

E, finalmente, em termos espaciais e formais, o princípio de intervenção na área surgirá da leitura da escultura contemporânea, principalmente pelo exemplo da obra Shift, de Richard Serra. A mínima intervenção no terreno feita como obra faz com que duas pessoas que caminhem para pontos convergentes tenham sempre a mesma sensação de altura no terreno e se vejam entre si por todo percurso. É um trabalho de sistemas de perspectivas e movimentação de terra. A grande questão é como trabalhar um objeto que interfira na percepção do contexto através do mesmo (construído), ou seja, a característica é de que o objeto seja capaz de agregar relações imateriais como a de fruição do espaço, criando interatividade entre observador e objeto.


22 Experimentações formais com referência na House N de Sou Fujimoto. A relação entre três dimensões.


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A metrópole, esse local desprovido de situação, sem medida nem limites, pode justamente ser o lugar do acontecimento. (...) O descortinar da paisagem, o acontecimento da cidade. Nelson Brissac Peixoto | Paisagens Urbanas


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INQUIETAÇÕES IMAGEM A ideia de imagem é algo por vezes perverso e subjetivo, tanto por quem a cria como por quem a vê. Sua criação, delimitação, representação e as outras diversas formas de constituir uma imagem são a impressão de uma opinião daquele que a criou, delimitou, representou. Por trás disso, por mais puro e fiel que se procure ser, a imagem é uma instância que carrega significado que nem sempre estão expostos. E por mais imparcial que sua produção pudesse ser, a recepção da imagem é outro fator relativo a essa questão. Depende de fatores associados a memória, a repertório, a distâncias, a diversas condições que interferem na apreensão da imagem e na formulação de um significado no exercício de uma leitura. Barthes dizia: cada leitura é própria do sujeito. Sendo assim, toda imagem tem como essência comunicar, mesmo que essa questão não esteja clara. A imagem é algo simbólico, é representação da realidade – e isso é importante ressaltar – há algo entre essas duas instâncias, de caráter simbólico e mediador. É justaposição de diversos suportes, tempos e dimensões em uma única interface. Dado o contexto teórico, pretende-se discutir a questão da imagem urbana para o projeto que pretende explorar recursos visuais, principalmente a ideia de imagem da própria cidade para o observador, formada sob as condições de percepção ou até mesmo pela ausência desta.


INQUIETAÇÕES IMAGEM URBANA CONTEMPORÂNEA A condição de vida contemporânea, que está constantemente sendo acelerada tanto por seus deslocamentos diários quanto pela velocidade em que as informações são transmitidas, influem diretamente na forma como percebemos imagem, tempo e cidade. Além disso, seus meios de expressão, suas plataformas, possuem papel crucial na compreensão como até mesmo na construção de um conhecimento. Um dos grandes exemplos disso é a mídia que tem transformado, cada vez mais, o mundo em um catálogo de imagens, onde tudo pode ser mimetizado a “uma leitura”, a um consumo visual. A crescente falta de sensibilidade do homem para a compreensão dessa edição, para a compreensão dessas imagens, é o que se procura trabalhar no projeto. Barthes dizia que com o surgimento do cinema e a presença da velocidade em sua percepção, comparada a de imagens estáticas, excluiu-se a capacidade reflexiva do observador, que é conduzido pela narrativa a ler de certa forma um tema e não ter pausas para a reflexão durante o assistir. A partir desse panorama espera-se articular e estabelecer relações entre homem e cidade através da arquitetura, a fim de despertar novamente um olhar puro, espontâneo e reflexivo sobre a paisagem urbana e seus processos de constituição, de origem.

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A metrópole é um lugar desprovido de situação, não tem medida nem limites. Ela não tem interior nem exterior, ali não se está dentro nem fora, tudo é estrangeiro. E nada o é. Um tráfico contínuo entre os interesses, entre as paixões, entre os pensamentos e todas essas passagens desenham a zona incerta onde se deve pensar esta conformação nunca acabada. Nelson Brissac Peixoto | Paisagens Urbanas

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Segundo Nelson Brissac Peixoto, a imagem da cidade metrópole é homogênea aos olhos, é sobreposição sucessiva de camadas de tempos, dimensões e suportes, que toma a forma de textura, pelas quais não se consegue mais estabelecer distinção. Mas sua grande questão é que a cidade é uma expressão humana e que traduz algo que não pode ser visto diretamente pelos olhos, mas que é testemunho de algo que lá está dito. Por isso, para o autor o cego é uma figura emblemática da percepção contemporânea, aquele que não enxerga, mas que vê além, que compreende.


A paisagem não é, portanto, o lugar da conciliação, mas o limiar entre as coisas e o olhar. A paisagem não tem a evidência daquilo que se mostra imediatamente. Ela remete a outra coisa, que só se revela àqueles que, visionários, fecham os olhos para ver. Nelson Brissac Peixoto | Paisagens Urbanas

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Outro conceito que contribui para a formulação de uma ideia de percepção contemporânea de paisagem é recorte do que Lucrécia D’Alésio Ferrara discute em seu livro Ver a cidade, que desde seu título e jogo de palavras já problematiza a questão. A autora afirma que a percepção urbana pelo homem é uma prática cultural formada por dois fatores subjetivos de leitura, que está diretamente relacionada com a compreensão de cidade. Um diz respeito ao uso da cidade, dos espaços públicos e sua apropriação e como essas ações ficam na memória. O outro é simplesmente a apreensão de elementos físicos como marcos, facilmente reconhecíveis como determinados edifícios, praças e mesmo ruas. A partir desses dois fatores ela afirma que, vindos de atividades cotidianas, acabam se tornando habituais até se tornarem quase que imperceptíveis. Um exemplo disso são os caminhos diários para se chegar de um lugar ao outro, que de tão repetitivos acabam se tornando banais. Desaparece a capacidade de perceber essa sequência de espaços e suas especificidades. Por isso, Lucrécia afirma que é necessário estranhar para ver. Posto isto, é possível afirmar que a partir do momento em que o homem é capaz de ler o espaço que vive ele será capaz de ter e pertencer à cidade. É o homem que retoma seu contato, quase que tátil, com o solo que habita, apropriando-se do espaço que lhe é de direito.


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SITUAÇÃO SÃO PAULO

31 Em destaque à esquerda, as marginais Pinheiros e Tietê, as avenidas Nove de Julho e Vinte Três de Maio em seus trechos de situação de fundo de vale, a avenida Prestes Maia, na cidade cidade de São Paulo e o recorte a ser estudado a seguir.


A imagem é síntese da infraestrutura urbana de deslocamento da área: as avenidas radiais Nove de Julho, Prestes Mais e Vinte e Três de Maio; os anéis viários Radial Leste e avenida São Luís - viaduto Nove de Julho - viado Jacareí - avenida Maria Paula; com destaque ainda para a avenida Paulista, a rua da Consolação e a rua Major Quedinho.


SÃO PAULO A FORMAÇÃO DACIDADE E SUAS AVENIDAS A fim de se discutir a percepção de paisagens urbanas com certo grau de complexidade e instabilidade de questões e imagens com todo o campo teórico formado de plano de fundo, nenhum objeto poderia ser mais apropriado para ser estudado do que a metrópole, do que São Paulo. Ao lançar o olhar para a leitura e interpretação de questões nesse cenário, mostrou-se pertinente estudar e compreender brevemente a formação da cidade, a fim de destacar áreas testemunhas desses processos, espaços onde se pudesse revelar uma fala para área em si própria como para a cidade. Compreender como a implantação da infraestrutura se deu na cidade é compreender como seu espaço foi articulado. A leitura das redes de circulação em São Paulo revela como se deu a ocupação e a expansão da metrópole, principalmente se relacionado às leituras topográfica e hídrica de sua área. O intuito de estudar os deslocamentos está relacionado ainda à ideia de espaços efêmeros, extremamente funcionais, mas que são plataformas essenciais para a construção de narrativas e imagens cotidianas da cidade.

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Foto da construção da avenida Nove de Julho, 1939.


Relevo, com destaque para os vales que conformam as avenidas Nove de Julho e Vinte e TrĂŞs de Maio.


SÃO PAULO MOBILIDADE O terreno natural da cidade de São Paulo é formado principalmente por colinas, planícies e depressões que configuram os rios e córregos existentes. As primeiras ocupações ocorreram entre os rios Tamanduateí e Anhangabaú pelos jesuítas, que se instalaram no alto da colina lá localizada, planalto do Piratininga, que em termos de segurança, possuía condição geográfica favorável, pois as várzeas dos rios eram como barreiras de proteção contra os ataques dos índios. É importante ressaltar que fluxos viários e fluxos hídricos, no caso de São Paulo, são comprometidos entre si, já que as diretrizes do desenvolvimento da rede de transportes foram subordinadas à condição da bacia hidrográfica da cidade. Foi por urgência e conformidade de se abrir mais e mais vias para conectar diferentes regiões e fazer o escoamento dos fluxos motorizados que se aproveitou das situações de não construído e de relevo para abrirem avenidas em lugar dos rios. Os espaços que antes tinham o papel de barreira, a partir de então passaram a ter papel de ligação de relações físicas, espaciais e funcionais (ou assim se esperava acontecer).

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A conformação do sistema viário com o relevo.


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Essa foi uma das diretrizes, em termos de implantação, que levou Prestes Maia e Uchôa Cintra a proporem o Plano de Avenidas entre 1920 e 1930, que principalmente determinou o desenho de três importantes conectores da metrópole que conformam o nomeado Y do plano, caracterizados como avenidas de fundo de vale por ocuparem o leito de rios que foram enterrados: a avenida Nove de Julho (ligação centro-oeste), a avenida Vinte e Três de Maio (ligação centro-sul) e a convergência das duas sobre o Vale do Anhangabaú com o nome de avenida Prestes Maia, sentido norte, desembocando na marginal Tietê.


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Destaque para os vazios vinculados às avenidas de fundo de vale e para as transposiçþes do relevo, configurando os viadutos a serem analisados.


Vista do viaduto Major Quedinho sobre a avenida Nove de Julho sentido avenida Paulista. Passarela de pedestres, viaduto Martinho Prado, Radial Leste.


O mesmo acidentado da topografia determinou também este outro traço característico e já referido, que são os viadutos, (...) o modelado do terreno o impõe, a cidade acabará com um verdadeiro sistema complexo de vias públicas suspensas que lhe emprestará um caráter talvez único no mundo. Com os viadutos virão os túneis (...) e será este mais um traço original de São Paulo que, com o outro, fará dela uma cidade dividida em dois planos sobrepostos, cidade de dois pavimentos. Caio Prado Jr – Evolução política do Brasil e outros estudos.

SÃO PAULO AVENIDAS E SEUS CRUZAMENTOS Como já dito anteriormente, essas avenidas foram estrategicamente posicionadas sobre o leito de rios que foram tamponados, o córrego Saracura sob a avenida Nove de Julho e o córrego Itororó sob a avenida Vinte e Três de Maio que se encontram no que hoje configura o Terminal Bandeira. A leitura dessa conformidade fica clara na imagem do relevo da região, mostrando a coincidência entre vales e avenidas, e como as águas que acompanham o terreno nascem em um dos pontos mais altos da cidade, na Avenida Paulista. A escolha de ocupar os leitos dos rios para a inserção no tecido urbano dessas grandes vias de escoamento de fluxos rápidos e intensos é dada pela disponibilidade da área que não envolveria desapropriações e que ainda estimularia a ocupação de seus perímetros, renegados pela situação de várzea de rio.

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Em amarelo, os vazios no nĂ­vel das avenidas, em cinza, no nĂ­vel dos viadutos e travessias.


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Além das avenidas como elementos chave de leitura e de projeto, é pertinente o estudo da consequência de suas situações de fundo de vale, estabelecendo dois diferentes pavimentos de cidade: a cota da avenida e a cota de suas travessias, que configuram uma série de viadutos ao longo de sua dimensão. Esse tipo de arranjo é indício de que a cidade praticamente se inscreveu sobre as planícies, onde as depressões são como um obstáculo às conexões e ao deslocamento e as transposições são símbolo de superação. Posto isto, um estudo mais aprofundado foi realizado ao longo dessas avenidas e de seus viadutos, para que, pela reincidência de relações pudesse se revelar os rastros físicos e simbólicos deixados nos processos de conformação urbana.


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Localização das transposições a serem estudadas.

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abaixo configura-se estacionamentos cercados, impedindo seu cruzamento, descaracterizando a relação de rua-fachada observar como o viaduto some com a paisagem para além dele a partir da visão do pedestre vão para o cruzamento de ruas ensaio de espaço público cercado como playgrounds pouco utilizado o desenho da estrutura cria quadros como filtro na paisagem no nível da avenida nove de julho pontos de ônibus elevados, no nível do viaduto, totalmente contrário ao nível do usuário rótula concentra fluxos e usos

LEITURAS

tanto do pedestre como do Uma série carro de trechos nos quais ocorriam cruzamentos de diferentes níveis ao longo das duas avenidas foram brevemente analisados sistematicamente, como observadas a seguir. As leituras auxiliaram na determinação de três diferentes situações para a intervenção.

ponto de ônibus percursos relevantes barreira deslocamento vertical túnel entradas

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M M

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a percepção visual de carros a partir do viaduto santa efigênia é quase nula dada sua altura. ligação dos dois pontos mais altos do centro, conectando ainda dois marcos religiosos: igreja de santa efigênia e colégio são bento

grande parte do fluxo de pedestre é direcionado ao mercadão e a rua vinte e cinco de março, pontos bem mais baixos e próximos ao rio tamanduateí

ponto de ônibus percursos relevantes barreira deslocamento vertical túnel

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M a praça pérola byington está acima da radial leste e dois níveis acima da avenida vinte e três de maio. configura a cota do pedestre na área. a radial leste passa sobre a vinte e três de maio mas não funciona como travessia de pedestre que pouco acontece na área.

ponto de ônibus percursos relevantes barreira deslocamento vertical túnel

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Aproximação para o encontro dos vales.


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Interrupções As avenidas fundo de vale abaixo das planíeies ocupadas


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Os anéis viários sobrepostos no tecido urbano. Camada 1 | Nove de Julho e Vinte e Três de Maio Camada 2 | Tecido Urbano e viadutos


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INTERPRETAÇÕES O principal código reconhecido na área que é repetido em diversas situações e em diversos tempos é definido pelo termo negação. O ato de negar tanto o leito do rio como suas margens pode ser observado desde a primeira proximidade com as águas até a presente situação. É histórico. Antes mesmo da abertura das avenidas e do tamponamento dos rios, as áreas das várzeas já eram rejeitadas, pois, pela condição irregular do terreno com as cheias, eram ocupadas por aqueles que se submetiam a situação por não terem outra opção. Os mais pobres construíam ali suas casas enquanto os que podiam se afastavam da região que consequentemente se tornava cada vez mais e mais insalubre. Logo, a submissão das águas às avenidas aparecia como solução aos problemas que na verdade eram indício de outras questões: estruturais e econômicas. E esse tipo de relação se repete ainda de outras maneiras na cidade como o exemplo da avenida Boa Vista, com várias sedes de bancos e localizada em um ponto mais alto que uma de suas paralelas, a rua Vinte e Cinco de Março, símbolo do mercado informal e irregular. É a situação de terreno acidentado como forma de segregação. E como dito, a condição de negação historicamente se repete e hoje seu resultado é o mar-


cante número de vazios existentes ao longo dessas avenidas e mesmo a fraqueza dos meios que tentam conectar essas camadas. Vazios resultantes dos processos de aberturas de consequentes anéis viários que rasgam o tecido urbano, fragilizando os encontros sociais e os espaços públicos, fragilizando tradições depositadas ao longo da história, fragilizando a relação que se construiu no tempo do homem com a cidade. Essas rupturas e seus intervalos são ainda indícios de processos maiores na escala metropolitana, gerados pelos movimentos de descentralização e expansão horizontal, limitados, muitas vezes, por áreas intensamente densas – como no caso dos centros históricos – que deveriam aparecer não como espaços de degradação e ausência, mas como espaços de proposição e desafogo. Vazios que, se explorados, poderiam proporcionar qualidades de paisagem e de lugar para usos públicos que não seriam necessariamente fixados, mas que pudessem receber diversas atividades em diferentes temporalidades. Nos casos específicos das avenidas, a Vinte e Três de Maio se conformou de maneira muito diferente à Nove de Julho, com isso pode-se notar a presença maior de vazios por seu comprimento e seus recuos em relação à cidade é muito mais marcado, mesmo porque seu fluxo é mais intenso e mais veloz. Como se mantivesse ali a memória das margens dos rios, os vazios são desenhados por taludes muitas vezes arborizados, mas que da mesma forma, não tenta estabelecer um vínculo com a cidade. Já no caso da Nove de Julho, a condição de negação está presente, mas é possível ler proposições e questões que traduzem uma relação mínima e mais próxima entre o homem, o relevo e a avenida. Apesar de críticas, existem respostas para a situação. O primeiro indício é perceber que os desenhos topográficos dos vazios que existem na Vinte e Três de Maio como taludes, em trechos da Nove de Julhos se configuram como ilhas ocupadas, em que seus edifícios procuram resolver minimamente a questão do relevo. Logo, nota-se que as entradas dos edifícios acontecem por suas ruas paralelas que estão mais próximas do nível das planícies do que dos níveis dos vales. Sendo assim, os edifícios dão as costas para a avenida e também para as ruas que formam as ilhas de transição, respondendo então entradas para e espaços de estacionamento. O trecho é basicamente pensado para o automóvel, desprovido de espaços públicos. Quase ironicamente, pela condição infra estrutural da avenida Nove de Julho, há um grande número de transporte coletivo que passa sobre ela ao mesmo tempo que poucas pessoas circulam ao longo dela. Os acessos à avenida e consequentemente aos pontos de ônibus são feitos pelas escadas subordinadas mais uma vez a outra lógica, à lógica dos viadutos. Vale ressaltar a ambiguidade da situação causada pela rede de mobilidade, que se por um lado esgarça relações em situações locais, por outro lado é articuladora na grande escala. Além da visibilidade que poderia ser conferida das relações presentes em um ponto da ci dade, a presença de fluxos que atravessam o local possui grande potencial conector, em algo mais subjetivo de transmissão de informações, ideias, opiniões etc.

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O recorte.


ÁREA DE PROJETO O RECORTE Após diversas leituras ao longo da avenida Nove de Julho, optou-se por um recorte a ser trabalhado que tem como bordas o Terminal Bandeira e Radial leste, a rua da Consolação e a rua Santo Antônio, paralelas ao eixo da avenida, devido a uma maior complexidade de camadas e alguns vazios pontuais mas de tamanhos relativamente passíveis da intervenção a ser proposta. Sobre suas camadas, além da questão topográfica que já foi amplamente discutida, é necessário revelar algumas dimensões de história e de tradição. A Consolação tem seu traçado desde quando ainda era um caminho da colônia que ligava a vila São Paulo a Vila Pinheiros. É importante corredor de ônibus na cidade e dentro da área de projeto, e é quase que limitada por três importantes pontos, marcos reconhecíveis: a praça Roosevelt e a Igreja da Consolação do lado oeste e Largo da Memória com saída do metrô Anhangabaú do lado leste e a biblioteca Mário de Andrade ao centro. Já a rua Santo Antônio também tem tradição histórica, advinda da construção da Igreja Santo Antônio, uma das primeiras igrejas da cidade de São Paulo. É ainda prolongamento (se não fosse o rasgo criado pela avenida Vinte e Três de Maio) da rua X onde podemos conectar

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a praça do Patriarca e o largo São Francisco. Ao longo de seu curso existiam diversos lotes compridos de casarões que iam até a avenida, mas que muitos foram demolidos ou reestruturados devido a situação de má conservação desses edifícios. Perpendicular a essas ruas, precisamente no sentido da Nove de Julho para a Consolação está a avenida São Luís, que nos tempos coloniais era a rua dos grandes casarões da elite cafeeira, mas que sofreu transformações com a inserção do anel viário, seu leito carroçável foi ampliado e seus casarões foram substituídos por edifícios modernos dos anos 50-60-70. Configura então a sequência da avenida São Luís, o viaduto Nove de Julho, o viaduto Jacareí, terminando como a avenida Maria Paula. Sobre essa via estão situados edifícios emblemáticos como o edifício Garagens e a Câmara Municipal e ainda é esquina com a biblioteca Mário de Andrade. O segundo viaduto Major Quedinho parece ser consequência e prolongamento de um traçado da cidade tradicional, diferente da importância urbana de conexão do viaduto Nove de Julho. Na outra extremidade do recorte, há o viaduto X que tem a função de conector dos dois lados da Nove de Julho e paralelo passa a Radial Leste, segundo anel viário vindo do centro, de tráfego rápido e intenso, sem intervalos ou conexões com a área em si, estabelecendo quase que um terceiro nível (uma terceira cota da cidade), que não espera vencer a descontinuidade do terreno, mas literalmente passa por cima todas as questões presentes. Finalmente, o reconhecimento de elementos em termos formais como indícios da história da área são, sistematicamente, os muros de arrimo – que delimitam os vazios e que registram os movimentos do solo – e os viadutos e suas escadas que, imponentes estruturas, são marcas da continuidade e descontinuidade desse tecido tanto na escala do pedestre quanto para o automóvel. Ambos os elementos são facilmente reconhecidos na paisagem e de certa forma são barreiras visuais e que serão importantes articuladores no sistema de intervenção do projeto.

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Tempos Antes de 1800 Antes de 1900 1940-50 1970


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Vista da escadaria do viaduto Major Quedinho para o Viaduto Nove de Julho


Leitura da negação da avenida, do vale e do rio. Os edifícios dão as costas para a situação. Primeiras proposições de integração. Re-significar elementos existentes. Propor alternativas de percursos relacionados ao relevo.

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Modelo fĂ­sico do terreno


Muros e visuais. Enfatizar a relação presente.

MAQUETES EXPERIMENTAÇÕES

Grelha de elementos verticais. O padrão auxilia na leitura.

Percursos Novos percursos a partir dos percursos consolidados.

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PROJETO INTENÇÕES A leitura do “conceito” de lugar sobre os vazios urbanos, por vezes parece contraditória. Diferentemente dos historicistas e regionalistas que buscam no lugar referências tipológicas para a elaboração de sua arquitetura, o caso dos vazios mostra-se muito singular, dado que ou há poucas características a serem levantadas ou a complexidade de questões presentes é tão grande, a ponto desse espaço se tornar ponto de tensão circundado por inúmeras diferenças. Posto isto, a exploração formal e simbólica que escancare essas questões que aparecem homogêneas se faz pertinente antes de se pensar na proposição de novos programas. A chave está em trabalhar estrategicamente o solo e o lugar sem que seja extremamente necessário estabelecer usos por todo o projeto, mas que tenha como partido pontos de indeterminação, potencializando a apropriação espontânea e criativa do espaço. Para isso, retoma-se todo o conjunto de ideias formado a cerca da percepção urbana e da arquitetura como interface e como instância capaz de acionar e estabelecer as relações imateriais no espaço para a elaboração do projeto.


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Pretende-se trabalhar com a ideia de que a situação é organizada em camadas – horizontais e verticais – que se entrelaçam e se relacionam através dos percursos. A fim de ativar a percepção deste jogo complexo de camadas, propõe-se a inserção de uma nova pele intermediária em processos sistemáticos que toma elementos pré-existentes e sugere novos elementos que por comparação e contradição seja capaz de revelar e elaborar novas e existentes relações. Pele, pois essa, de certa forma, se acomodará as questões existentes sem esconder ou negar, mas tensionar. Intermediária, pois, fisicamente se coloca entre as camadas claramente consolidadas da cidade – o nível dos viadutos e das planícies versus o nível da avenida e do vale. E que, mimeticamente, estará entre os tempos presentes e o tempo que virá. O motor do projeto está nos percursos que atravessarão as novas lógicas propostas, enfatizando, então, a percepção da pele e principalmente da pele com o todo – o intuito é provocar a leitura e a reflexão sobre o todo. Uma série de leituras e ensaios analíticos e intuitivos foi realizada para que fosse possível estabelecer as diretrizes do projeto. A coincidência de lógicas e tensões revelam a organização dos caminhos bem como dos pontos de foco do projeto.


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Convergência de fluxos de pedestre. Metrô Anhangabú. Termina Bandeira. Conexões verticais | escadarias dos viadutos.


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A conex達o das duas camadas acontece somente pelas escadarias.


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A partir das conex천es verticais, dissipar os fluxos.


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Integrar a ilha e a avenida às imediaçþes de cidade.


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Vazios visuais no nĂ­vel 1 - avenida Nove de Julho


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Principais eixos visuais resultado dos vazios e das barreiras - muros e escadas. Tensões entre as limitações do campo visual.


MAPA COM AS VISUAIS

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Vazios visuais no n´vel 2 - viadutos e tecido urbano.


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Principais eixos visuais provocados pelo vazio. Possibilidade de relacionar espaรงos visualmente.


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Barreiras | Interfaces Muros e escadarias


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Perfil


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Destaque para a situação. As barreiras | Muros de arrimo, viadutos e escadarias.


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Sobreposição dos campos visuais dois níveis.


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OPERAÇÕES INSERÇÃO 1 Compreensão da área. Avenida Nove de Julho como eixo estruturador 1 e viaduto Nove de julho como eixo estruturador 2. Viadutos e escadas como espinha dorsal do projeto, concentradores de fluxos e dis- tribuidores de fluxos. Muros, taludes e vazios como plataformas para trabalhar a percepção. 2 Inserção da pele articuladora. Novos percursos surgem dos nódulos dos fluxos consolidados, principalmente enfati zando o deslocamento entre níveis. Intervenção sobre as plataformas reconhecidas e a adição de novos elementos. 3 Proposição de usos. Inserir espaços de uso de acesso público, como equipamentos culturais e esportivos, em volumes vinculados ao relevo, estruturando o sistema de áreas públicas-livres.


OPERAÇÕES LINGUAGEM A Conexão e ruptura Transformar as rupturas de percurso em conexões de níveis. Bem como, a partir de conexões existentes (escadarias) propor rupturas e aberturas para novas conexões. Apresentar os níveis intermediários. B Passagem e permanência Os pontos entre passagens propõem espaços de permanência. C Diferenças visuais | gradação A recepção visual conforme o percurso que procura ocorrer por uma sequencia de planos que regulam pela diversidade de enquadramentos, ressaltando – anunciando – determinados quadros. As grandes perspectivas são propostas como pontos estáticos sobre as plataformas. D Materialidades A serem pesquisadas

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Proposições de percursos que rasgam o terreno. Conformação de volumes semi enterrados a partir dos muros existentes. Percuso entre os volumes que acompanha o relevo. Conexões entre os dois níveis e o nível intermediário proposto. Ponto de divergência de fluxos. Tensões.


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Relações visuais dos dois níveis.

Proposições de percursos que rasgam o terreno. Conformação de volumes semi enterrados a partir dos muros existentes. Percuso entre os volumes que acompanha o relevo. Conexões entre os dois níveis e o nível intermediário proposto. Ponto de divergência de fluxos. Tensões.


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OPERAÇÕES CAMADAS E NÍVEL INTERMEDIÁRIO O projeto proposto intercala entre espaços públicos e espaços mais delimitados, formados pelas conformações do terreno e muros existentes, através de lajes intermediárias interligadas pelos percursos internos e externos, privados e públicos. Os volumes semi enterrados são como plataformas no nível intermediário proposto constituindo os espaços públicos e seus interiores são voltados para equipamentos culturais de caráter mais restrito, mas que abrem janelas de exibição para a avenida. O percurso que segue o relevo, atravessa as camadas, volumes, fazendo a interligação interna dessas situações. Já os percursos propostos a partir das conexões verticais e dos fluxos consolidados rasgam o terreno se relacionando com as plataformas, também atravessando as diversas camadas. Ao lado, ensaios sobre como se dará a relação (tensão) entre os níveis intermediários intencionados com as pré existências: rasgar, tocar ou afastar e a relação de percurso entre níveis - aumentar e dissipar fluxos.


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Intersecçþes de percursos abertos e fechados, podendo conformar as entradas dos edifícios.


Plataformas | Praças O vazio na paisagem se mantem.

Conformação com o terreno | Volume “enterrado” criando possíveis passagens públicas

Primeiros estudos sobre o modelo físico da linguagem de projeto | Percursos, plataformas, volumes.


Proposições para trechos do projeto. Inserção de novos nívies e as interligações entre eles e os existentes.


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Cada objeto ĂŠ espelho de todos os demais. Nelson Brissac Peixoto | Paisagens Urbanas


Fernanda Britto_Caderno TGI1  

caderno de tgi 1_2011_Fernanda Britto

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