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nº 5 • novembro 2013 • distribuição gratuita • Periodicidade: mensal

www.fep.up.pt

Histórias da FEP Ladie, a veterana economista

Página 7

Erasmus em França Todos os meses, o Fepiano traz uma nova aventura de ERASMUS, desta vez contada por Gabriel Gonzaga que esteve em França.

Página 10

Como criar um CV de sucesso

Página 7

Agenda Cultural

Página 9

O (sempre) controverso Nobel da Economia

Página 8

UPORTO International Case Competition

NILTON RODRIGUES O (RE)CONHECIDO HUMORISTA, EM ENTREVISTA

O rescaldo da primeira competição de resolução de casos de negócio, em Portugal, organizada pela FEP.

Página 3

FEP League A análise das primeiras jornadas.

Página 11

“Estamos num país em que há mais cromos do que gajos com juízo”

Págs 4-5

EMPREGO Bom e Já!

Guia Prático

O trabalho existe e há empresas a contratar. Saiba como conquistar essas vagas! Autor: Ricardo Peixe

Págs.: 232

Prefácio de Júlio Magalhães


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SEM AMARRAS

GONÇALO SOBRAL MARTINS www.gsmartins.blogspot.pt

A lotaria dos cortes E, por estes dias, lá regressaram o frio, a chuva… e os cortes. Não, ainda não estão incluídos os das pernas, como acredito que já se tenha sugerido. Estes, de que vos falo, ainda se efectuam na carteira dos portugueses. Em todo o caso, é melhor não nos fiarmos na boa-fé de quem realiza os Orçamentos do Estado: é gente habituada a cortar tudo o que seja imaginável, excepto as suas próprias regalias. Até ver, os artigos da Constituição da “República” Portuguesa – para além de caricatos – são demasiadamente vagos e, apesar de declararem que «Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana», não nos chegam a definir o conceito de alguns vocábulos dúbios como «dignidade». Numa análise mais aprofundada, garantem, conjuntamente, que em terreno nacional «a vida humana é inviolável» e que «em caso algum haverá pena de morte». Nos dias que correm, graças aos avanços da Medicina, é perfeitamente possível amputar-se um dos membros sem que para isso se viole o direito à vida. Ora, salvaguardada esta parte, uma questão que se revela essencial ver respondida é se alguém perde a «dignidade humana» pelo governo lhe cortar uma perna. Até ver, julgo que não. É certo que pode ser doloroso, mas não é, de todo, inconstitucional. E nem que fosse… Bem vistas as coisas, no nosso país a Constituição existe para ser suplantada, não fôssemos nós os recordistas de inconstitucionalidades. Pelo meio de tanto corte, no mês transacto, ainda houve tempo para contemplarmos uma suspensão partidária justificada pela diferença descoberta na decisão de voto. Tenhamos o atrevimento de recorrer, de novo, à extensa lista da Constituição nacional: no seu primeiro artigo podemos ler que Portugal é, também,

«uma República soberana empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária». Cá está a referência a outro termo ambíguo – liberdade. Ao que parece, a sociedade é «livre». Todavia, nunca tão «livre» ao ponto de poderem surgir dois pareceres distintos vindos da mesma bancada parlamentar. Dentro de um partido, todos, de forma impreterível, devem compartilhar das mesmas ideias. Certos deputados têm de compreender que, em Portugal, não se pode ter vontade própria. E muito menos opinião… [Olha-me que atrevimento!] Um elemento de uma bancada parlamentar, tão-somente, tem

de ocupar uma cadeira e encarnar o papel de “cordeirinho” – ou então de “camelo”, dada a forte competência de retenção de vencimentos líquidos que caracteriza a maioria. No tempo actual, não se compreende o porquê da manutenção de uma cáfila tão grande. Afinal, se todos estão forçados a votar de forma igual à dos seus colegas de bancada, porque é que não se opta por ter, meramente, um representante de cada partido, nesse parlamento tão atípico? Neste enredo rebuscado, ainda se tornou possível escutar Paulo Portas, nessa humo-

rística Assembleia da República, a aludir que «este Orçamento é o último do programa assinado pela troika», encontrando-se o país «na recta final de um pesadelo». Aqui há atrasado, o vice-primeiro-ministro português havia referido que estávamos «a começar a subir a escada». Pelos vistos, a escada possui demasiados degraus, dado que extensas semanas após a sua declaração ainda não ultrapassamos o «pesadelo». Em todo o caso, é óptimo saber que, salvo prova em contrário, estamos a momentos de o ultrapassar. Nem tenho a ousadia de duvidar das dissertações, aparentemente, irrevogáveis de Paulo Portas. Julgo, até, que o próximo ano será indubitavelmente melhor. Para além de figurar uma portuguesa no calendário de 2014 da Ryanair, o governo irá sortear, semanalmente e a partir de Janeiro, automóveis para incentivar os consumidores a pedirem facturas. A oposição desconfia que os veículos em causa se tratam de monolugares. Ainda assim, creio que não se deva descurar o perigo de adição – consideravelmente superior ao do Totobola –, que encaminhará todos os que pretendem ter um número avultado de facturas no sorteio a consumir muito para lá das suas possibilidades. Se este risco se revelar eficaz, então abre-se portas ao surgimento de uma nova instituição denominada por V.A.R.A. – Via de Apoio aos “Recibóticos” Anónimos. Fora disto, o único pormenor que nos resta saber é o dia da semana em que decorrerá o sorteio. Não será difícil adivinhar: Lotaria Clássica à segunda, Euromihões à terça, Totoloto à quarta, Lotaria Popular à quinta, Euromilhões (novamente) à sexta, Joker ao domingo… Totocarros ao sábado, que tal vos parece? Bem… se forem sorteadas as magníficas viaturas do governo, ainda vale a pena tentarmos a nossa sorte!


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UPORTO International Case Competition ALICE MOREIRA CAROLINA REIS

A Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP) promoveu, de 21 a 25 de Outubro,  a primeira edição da FEP – U.Porto International Case Competition (FEP – U.PORTO ICC 2013), a primeira competição de resolução de casos de negócio, em Portugal. De salientar que a FEP já tem um reputado historial nestas competições. Em 2012 venceu a Asian Business Case Competition, em Singapura e apurou – se para a final do Global Business Case Competition, em Seattle, e em 2011 e 2013 venceu a competição em Maastricht. Participaram nesta competição, para além da FEP (que foi representada por Carolina Silva, Inês Rocha, José Guilherme Sousa e José Maria Antunes e liderada pela professora Catarina Roseira – Faculty Advisor da FEP), algumas das mais reputadas universidades e Business Schools de todo o mundo: IE Business School (Espanha), BI Norwegian Business School (Noruega), John Molson School of Business (Canada), McGill University (Canada), Nanyang Business

School (Singapura), University of New South Wales (Australia), University of Otago (Nova Zelândia) e University of Washington (EUA). A competição, que adoptou o formato Live Case como elemento diferenciador das competições já existentes, consistiu no lançamento ao vivo do desafio por parte das empresas EDP Renováveis (caso principal) e Vinho do Porto – Ramos Pinto, seguido da entrega do caso de estudo (documento sobre a situação actual da empresa e desafios estratégicos para o futuro). O trabalho teve de ser feito em equipas de quatro estudantes que tiveram que resolver o caso em 40 horas, em regime de não comunicação com o exterior (tendo os estudantes ficado isolados durante o período de resolução, alojados num hotel). As equipas fizeram uma apresentação das recomendações desenhadas para o júri presente composto por empresários de empresas de elevada reputação como McKinsey & Company, Deloitte, Sonae, Li & Fung, Rui Teixeira – CFO da EDP Renováveis e docentes da FEP, os quais avaliaram as propostas em causa e deram o respectivo feedback às equipas

participantes. Os critérios valorizados foram a capacidade de identificação de problemas, viabilidade das soluções recomendadas, adequação da análise apresentada às implicações financeiras e operacionais, desempenho na apresentação, entre outros factores. Toda a apresentação foi feita em inglês composta por um período de perguntas e respostas por parte do júri e equipas tendo sido realizada a final da competição a 25 de Outubro, pelas 15h00, no Salão Nobre da FEP. Esta foi aberta ao público e foi transmitida em directo pela TVU (Tv da

U.Porto). As três equipas apuradas para a final da FEP - UPorto International Case Competition - foram a McGill, John Molson e Otago sendo que a equipa vencedora foi a McGill University. Esta iniciativa teve o apoio de empresas como Sonae, Deloitte, Li & Fung, Ramos Pinto, Nobrinde e Vista Alegre. De salientar que estas competições desenvolvem as soft – skills dos estudantes, a sua capacidade empreendedora, estimulam a proximidade com o mercado de trabalho e preparam-nos para uma vida futura completa e de elevado sucesso.

TESTEMUNHOS epois de uma preparação exigente, mas ICC Porto 2013 foi um experiência fanfacto de ter sido Ambassador na ICC foi D ao mesmo tempo enriquecedora, a nossa Atástica por várias razões. A primeira das Omemorável para o Ambassador Daniel equipa viveu uma experiência de grande valor, quais foi a possibilidade de participar na pri- Cunha, que teve a seu cargo a BI Norwegian durante a semana da competição. Surpreendentemente, gerou-se com alguma facilidade um ambiente propício ao contacto entre as diferentes escolas que marcaram presença na ICC, muito graças às atividades dinamizadas pela organização. Além disso, não foi só uma oportunidade para conhecer grandes figuras do mundo empresarial, mas também para fazer crescer algumas capacidades associadas às soft-skills. Ainda assim, salientaria a amizade que surgiu entre os membros da nossa equipa como uma grande conquista. Em nome da equipa, gostaria de deixar uma palavra de agradecimento à nossa advisor Catarina Roseira e a toda a equipa que nos apoiou.

meira competição deste tipo organizada em Portugal e testemunhar a excelência da organização liderada pela minha colega Renata Blanc. A segunda foi a troca de experiências com pessoas das escolas de outros países, particularmente com os advisors das outras equipas. A terceira, e não menos importante, a oportunidade de acompanhar a equipa da FEP e de ver o seu progresso ao longo das semanas de trabalho que antecederam a competição. A sua motivação, formação sólida e capacidade de trabalhar em equipa resultou numa ótima prestação na competição. Foi um prazer trabalhar com a equipa. Parabéns Carolina, Inês, Guilherme e José Maria!

Business School. O estudante da nossa faculdade afirma que o inglês não foi um entrave ao desenvolvimento do projeto e que guarda memórias e experiências muito gratificantes. O seu principal objetivo era proporcionar uma boa experiência aos participantes e satisfazer todas as suas dúvidas e curiosidades que, segundo ele, foram muitas. Referiu que a multiculturalidade é um dos fatores mais presentes e mais vantojosos neste tipo de iniciativas, pois permite compreender um pouco melhor melhor as outras culturas. Felicitou ainda a organização pelo excelente trabalho desenvolvido e aguarda com alguma expetativa a repetição de eventos como este, em Portugal e na FEP.

INÊS ROCHA

PROFESSORA CATARINA ROSEIRA

DANIEL CUNHA


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O HOMEM DOS “5” OFÍCIOS, EM ENTREVISTA

Cavaqueando com... Nilton Este mês, o Fepiano saiu da Faculdade e encontrou-se com o Nilton, o (re)conhecido humorista português, no edifício da Alfândega. Num tom mais sério mas sempre informal, o homem do “5 para a meia noite” partilhou algumas das suas histórias e deixou uma mensagem aos nossos leitores: “Independentemente do que façam, sejam felizes”. GONÇALO SOBRAL MARTINS JOSÉ GUILHERME SOUSA

Normalmente, és o entrevistador. Aqui surges como entrevistado. Onde é que te sentes mais à vontade e o que te dá mais prazer? Tanto num como noutro. Enquanto entrevistado és mais surpreendido – a surpresa é algo de que gosto. No entanto, aprecio ouvir os outros e sinto que aprendes mais a ouvir do que a falar. A tua carreira começou como DJ no Algarve. Porque respondeste àquele anúncio do Expresso? Eu nasci em Angola, mas vim para Portugal – Proença-a-Nova – com a minha família quando tinha apenas quatro anos. Aos treze anos, comecei a fazer rádio, mas sempre tive dificuldade em aceitar o que me era oferecido por uma terra pequena. Além disso, sempre orientei a minha vida em função de uma premissa – faz tudo o que te apetece. E aos dezassete anos apeteceu-me ir para o Algarve e por lá fiquei durante mais doze. Como foi essa aventura de 480 km que te levou desde Proença-a-Nova até ao Algarve, numa moto DT LC? Percebi que foi apenas uma aventura parva, porque teria feito melhor se tivesse ido de comboio. Eu adorava dizer que foi espetacular, que passeei imenso, mas não. Ainda por cima, quando cheguei ao Algarve, fiquei sem a minha moto, apesar de ter acabado por aparecer ao final de quinze dias. Não sei se há relação, mas a Yamaha convidou-me para ser embaixador da marca, em Portugal. É engraçado como, passados tantos anos, temos este casamento. E, sim, diria que essa DT LC foi a minha primeira moto e aquela que, hoje, me permite ter uma garagem mais recheada.

Como é visto o mundo da noite por alguém, como tu, que não tem qualquer ligação ao tabaco, ao álcool, a drogas e que tampouco toma café? Aos dezasseis anos, apanhei uma bezana, mas depois percebi que era mais inteligente embebedar os meus amigos e eu ficar com as miúdas. Além disso, a cocaína é cara para caraças e isso já não me envolvia só a mim, mas também à minha família. Eu adorava poder orientar os sortudos da Santa Casa, porque tenho mesmo jeito para gastar dinheiro. Apesar deste talento, tenho juízo e sei fazer bons investimentos. Por isso, quando penso em cocaína, vejo-me como uma pessoa extremamente forreta. Mas não fiquem tristes, porque não falta gente a consumir a minha parte. Infelizmente, já tive que lidar com essa situação e apercebi-me que quem tomou essa opção acabou por se desviar dos seus objetivos. E, na minha opinião, há alguma incompatibilidade entre uma ligação a tudo isso e uma carreira de sucesso com base no trabalho. Como é que surgem as tuas personagens? As minhas personagens são sempre caricaturas do povo português. «O que estás a

fazer?» é uma sátira do português curioso que quer sempre saber da vida dos outros. Eles surgem para avaliar a reação dos portugueses a essas perguntas. E consigo dividir essas reações em três grupos: a passiva, que normalmente não tem piada; a reativa, que requer algum cuidado – no Porto, já levei com uma mão cheia de dedos na cara; e tens a ativa que gera uma abordagem participativa na conversa. Tenho um sketch – do «És o Fernando?» – em que abordo um Fernando desconhecido, que encontrei na rua, e o indivíduo meteu na cabeça que eu o conhecia e foi-me dando “troco” apenas por lhe ter perguntado, no seguimento do sketch, se «ainda vives lá em cima?» e «trabalhas ali no coiso?». Espremendo tudo não disse nada, mas, por vezes, basta questionar algo vago e sem conteúdo para conseguir estar largos minutos à conversa com algumas pessoas. Há algum género de “tuga” que gostes mais? Gosto do tuga que é afável e que sabe brincar consigo próprio. Embora o humor parta da degradação, não suporto o escárnio e o mundo em que tudo é mau das redes sociais. O tuga parte do princípio que o outro


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Rodrigues “O reconhecimento deve surgir com base no trabalho e em algo que deste à sociedade” é sempre inferior e nós, humoristas, somos para eles muitas vezes burrinhos que estão ali para entreter e acabamos por sofrer um bocado com isso. Por outro lado, eu acabo por chocar com esta lógica, porque, para mim, as pessoas são sempre boas e vejo as coisas de uma forma muito positiva. Sendo um homem dos sete ofícios, qual deles te dá mais gozo? Cada um deles tem a sua magia. Atuar ao vivo, num palco, dá uma adrenalina brutal, porque não tens contracena. Tens que controlar uma plateia e procurar que reajam ao teu humor, o qual surge muitas vezes de improviso. Na rádio, podes despultar a maior máquina de efeitos especiais, que é o teu cérebro. No relato, este tem de estar ativo, tem que imaginar “o bombeiro a descer a falésia para salvar a criança”. Em relação à televisão, podes ir mais longe e fazer muitas mais coisas, porque tens tudo à tua frente. No entanto, todos se complementam. Se tivesse mesmo que escolher, talvez a escrita com um pezinho no palco.

Quais as pessoas e os trabalhos que mais marcaram, até agora, a tua carreira? As pessoas que mais marcam a tua vida são invariavelmente a família e os teus amigos. Ainda assim, sou e tenho de estar aberto a novas relações, o que me tem permitido conhecer gente fantástica. Em relação a projetos, passei por inúmeros e grandes que ocuparam a minha vida por vários anos e apenas sinto a força destes quando chega a despedida. Na SIC, estive três anos; na RFM, estou quase há dois; na RTP1, no 5 para a meia-noite, há quatro anos; e todas estas experiências foram únicas e sempre envoltas de pessoas incríveis. Como tal, acredito mesmo que nós devemos estar sempre abertos ao contacto com qualquer pessoa e não definir um estereótipo assente em ideias pré-concebidas. Por exemplo, as pessoas mais inteligentes com quem privei até hoje foram um relojoeiro que conheci numa taberna, em Portimão, e um empregado de hotel que tinha uma cultura e raciocínio soberbos.

Não há razão para o Noah se queixar da pouca presença do pai? Não é uma questão que goste de abordar, mas vocês não são uma revista cor de rosa. Por exemplo, hoje é sábado e não vou poder estar com ele. Ainda assim, tenho feito um esforço para trabalhar durante a noite e tenho conseguido levá-lo e ir buscá-lo à creche, todos os dias. A verdade é que os meus horários já são naturalmente anormais – escrevo todas as noites das 4h às 5h30, para depois ir para a rádio. Como gostarias de ver o Noah daqui a uns anos? Feliz. Acho que os pais devem dar liberdade aos filhos, mas orientá-los, claro, com os princípios e premissas que vêem como mais apropriados. Neste contexto, o Presidente da Câmara de Cascais, pai de cinco filhas, é um bom exemplo para mim. Quando cada uma delas completa dezoito anos, este escreve-lhes um livro que passa uma mensagem muito simples: “Vai, sê feliz e volta a casa sempre que quiseres, independentemente do que faças”. No entanto, podes sempre dizer ao teu filho que seria porreiro que ele fosse cirurgião porque, normalmente, ganham para caraças e têm todos uma vida formidável… O chato é que também trabalham muito. continua na página seguinte


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Achas mesmo que em Portugal «quem “Papa” nunca abdica»? A verdade é que, em Portugal, há muitos a ganhar pouco e os poucos que ganham muito querem, naturalmente, ficar agarrados ao lugar. Aqueles de esquerda, por exemplo, antes de se sentarem na cadeira, garantem que não vão fazer isto e aquilo, mas, quando chegam à Assembleia da República e se sentam, percebem que a cadeira, afinal, até é confortável e quentinha e, como tal, até já se pode dizer que “sim”. Como vês um país em que se candidatam mais pessoas à Casa dos Segredos (80 mil pessoas) do que ao Ensino Superior (45 mil “imbecis”)? Estamos num país em que há mais cromos do que gajos com juízo. Além disso, pensam que ser famoso é caminho para alguma coisa. E esses famosos acabam por ser reconhecidos por serem, apenas, isso: cromos. A meu

avalio a inteligência pelo desempenho das capacidades de adaptação de cada um. O que realmente vale a pena na vida? Quando chegares aos noventa anos, não vais pensar no dinheiro que ganhaste, nem no que gastaste, mas nas experiências e bons momentos que tiveste. Então, é isso mesmo que vale a pena na vida, desde que não entres em conflito com o bem-estar dos outros. Além disso, poder ajudar os demais também dá sentido à vida. Neste momento, estou num processo de legalização de uma associação, em que procurarei ajudar pessoas que se encontrem em situações de emergência – como ter necessidade de ser operado no próximo mês, na Alemanha. O que te move e comove? A felicidade e a tristeza. Por isso, acho que se deve brincar com tudo, mesmo com a desgraça. A minha mãe teve um

“Avalio a inteligência pelo desempenho das capacidades de adaptação de cada um” ver, o reconhecimento deve surgir com base no trabalho e em algo que deste à sociedade, sendo como enfermeiro ou como matemático. Ali é tudo porque sim e constrói-se um reconhecimento em cima de nada. Mas, como disse, que sejam todos felizes!

cancro e fiz muitas piadas sobre o assunto. Costumo dizer que seria humorista, se não fosse humorista. Parece uma contradição, mas a verdade é que teria o mesmo sentido de humor se fosse pedreiro. Portanto, vivo para ser feliz e para me divertir.

Neste governo achas mesmo que «é tudo à grande»? Diria que este governo está a fazer um dos trabalhos mais ingratos, com políticas que se baseiam no cortar e no tirar. E acabam por levar por tabela quando são muito menos culpados do que aqueles que conduziram o país ao estado actual. As pessoas têm memória curta e preferem criar páginas contra o Passos do que contra pedófilos.

É fácil levar o Nilton a sério? Normalmente, sim. Mas não deixo de ser aquele maluquinho que diz umas palhaçadas. Por exemplo, por estes dias, telefonei para o Blatter e encarnei uma personagem que tinha um inglês indecente. Pouco depois, já tinha as pessoas a queixarem-se, porque estava a pôr em causa o nível de inglês dos portugueses e a denegrir a imagem que lá fora têm de nós. No entanto, vou estar agora em Bruxelas e na Irlanda para dar conferências enquanto humorista, em inglês, e consequentemente passar uma boa imagem de Portugal no estrangeiro. Por vezes, posso ser confundido com algumas das minhas personagens.

O que é para ti a inteligência? Tens seres inteligentes que não se safam na vida e seres espertos que se safam na vida. Darwin dizia que as espécies que avançam são as que se conseguem adaptar e não as mais fortes. Posto isto,

JOSÉ GUILHERME SOUSA

Questões (in)existenciais Nada ocupa tanto os meus pensamentos como a descoberta do Eu, este enigma, o facto de existir isolado e separado dos outros. Este Eu, cujo sentido e Natureza eu quero conhecer,  que vive também numa busca permanente da felicidade. E, nesta lógica, como posso definir o meu caminho sem que haja um conhecimento prévio e satisfatório do Eu? E será isto suficiente para afirmar que a nossa autodescoberta é um meio necessário para atingirmos um estado de plenitude? Estas questões alimentaram uma conversa recente com um asiático que, num cenário molhado pela chuva e por um bom Rosé, quase me confirmou que não sou especial. As minhas dúvidas e os meus anseios são os mesmos que o Jodl, um engenheiro filipino, trouxe à minha mesa, vindo do outro lado do mundo. Na voz de uma criança, a certa altura, perguntei-lhe o que fazia para ser feliz. Como se já tivesse pensado naquilo, retorquiu, sem hesitar, que viajava e procurava ouvir noutras línguas a resposta a essa mesma questão. E, ali, senti que

E, ali, senti que era efectivamente aquilo que acontecia: a nossa felicidade é conseguida enquanto a procuramos e o nosso objetivo é encontrá-la. era efectivamente aquilo que acontecia: a nossa felicidade é conseguida enquanto a procuramos e o nosso objetivo é encontrá-la. No entanto, nessa procura pode acontecer que os olhos apenas vejam o que se procura e nada se encontre, por estarmos tão fechados nesse objetivo. Como Hermann Hesse refere, em Siddhartha, «procurar significa ter um objetivo, mas encontrar significa ser livre, manter-se aberto, não ter objetivos». Poucos dias depois, o Jodl fez-me chegar um report sobre os passos a tomar para se ser feliz. Algo que era tão subjetivo tornava-se agora científico. Porque não será, então, a felicidade um estado de espírito generalizado? E, se o fosse, como poderia ser reconhecida essa vitória do Homem? Porque não praticamos todos exercício físico se está demonstrado que alivia o stress e liberta endorfina no nosso corpo? Esta última questão traz de novo tons de relatividade à conversa. Se não tiver como comer, não terei energia para dispensar em exercício físico. Há, portanto, condições primárias que têm de ser satisfeitas para que possamos “sorrir”? Diria que não, porque condições primárias transformam-se facilmente em últimas. Num report sobre felicidade, não se pode impor um “ceteris paribus” em relação à nossa disponibilidade, seja ela em que sentido for. Perdidos num deserto não podemos correr! Naufragados não podemos senão descer as águas com um sorriso de despedida. A nossa busca, essa, termina ali.


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Como criar um CV de sucesso QUANDO ESTIVERES A FAZER O TEU CV DEVES DAR ATENÇÃO A VÁRIOS PORMENORES. LÊ AS NOSSAS DICAS E TOMA NOTA! MARIA DE SOUSA

PERSONALIZAR Quando envias um currículo para uma empresa, deves focar os aspectos que achas que encaixam no perfil para o qual estás a concorrer. Se enviares o mesmo currículo para todas as empresas, mostras menos interesse e até podes estar a realçar aptidões que não têm nenhuma utilidade para o cargo em questão. Por exemplo: no caso de te candidatares a professor de filosofia numa escola onde é lecionada ética profissional, ser-te-á favorável mostrares que tens conhecimento na área.

INOVAR As empresas recebem imensos currículos no mesmo formato, e torna-se complicado dar atenção a todos. Um currículo chamativo e original pode ser o único que recebe atenção. Pensa se te suscitava alguma curiosidade, quando o visses. Se optares por um formato em vídeo, tenta que não ultrapasse os dois minutos. Aqui tens o exemplo do CV enviado por um candidato a designer gráfico:

Na elaboração do currículo, tenta ser o mais específico possível. Indica apenas as tuas experiências profissionais que mostrem conhecimento na área, ou que, não mostrando, achas que

HISTÓRIAS DA FEP

Ladie, a veterana economista

possam evidenciar qualidades tuas. Um currículo muito extenso é logo posto de parte, deve ter espaços em branco e ser muito objectivo, nunca ultrapassando as duas páginas. Por exemplo, se queres concorrer a gestor e já estiveste em dez empregos diferentes, coloca apenas os que tenham relação com a área.

SABERES VENDER-TE Ao elaborares o currículo, tenta realçar as tuas conquistas. Para além disso, mostra porque é que és uma pessoa com quem é agradável trabalhar - mostra que és optimista, compreensivo, simpático…

SER SINCERO Nunca mintas no teu currículo! Admitires os teus defeitos mostra carácter e humildade, além de que mentira pode ser facilmente apanhada. Tenta contornar as tuas falhas com outras qualidades. Faz questão de seres tu a fazê-lo, tornando-o mais pessoal e único, ao ter um “toque” teu.

ORGANIZAR No teu currículo não deves misturar a experiência profissional com as tuas habilitações. Faz com que quem o lê encontre a informção que procura rapidamente. Relê o teu CV várias vezes até teres a certeza que não tem nenhum erro.

RESUMIR

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MARTA TISTA SANTOS

Nesta edição, fomos descobrir o que para muitos é a história mais intrigante da FEP. Estamos exactamente a referir-nos a todo um percurso que a nossa mais que veteraníssima Ladie tem dentro e fora destas paredes. Acho que a nossa cadela favorita dispensa apresentações… Corria o ano de 2003, quando apareceram nas redondezas da FEP duas cadelas que estavam sempre juntas, que se defendiam mutuamente dos outros cães que por aqui passavam. Desde logo, foram bem acolhidas, não só porque eram muito meigas, como também faziam companhia aos seguranças da altura, principalmente ao fim-de-semana. Tinham os sentidos mais apurados e conseguiam detectar o mínimo barulho, dando sinal, o que facilitava o trabalho dos seguranças. Estes, por sua vez, davam-lhes de comer e tratavam delas. Com a permanência da Ladie, pela nossa Faculdade, já que a outra cadela acabou por desaparecer, a maioria do staff e até os

estudantes começaram a aceitá-la como mais um membro da nossa extensa comunidade. No entanto, sabemos que as histórias que mais intrigam os nossos leitores são as referentes às peripécias da Ladie... Tal como consta, ela foi atropelada. Estava perto da saída do parque das traseiras quando saiu disparada atrás de outro cão, atravessando a rua para o lado do bairro. Nesse momento, um carro embateu-lhe, projectando-a para debaixo de um outro veículo, relativamente perto, que se encontrava estacionado. Mas, para surpresa de todos, saiu debaixo do carro a correr em direcção à faculdade, tendo ficado a mancar por uns tempos – lesão que posteriormente sarou. Agora que levantamos o véu, esperamos que a vossa curiosidade esteja ainda mais apurada e aguardamos o surgimento de mais questões. Se pretendem fazê-las à própria Ladie – quem melhor para vos esclarecer? –, podem recorrer ao mural do Facebook que a nossa digníssima anfitriã recentemente criou!


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O (sempre) controverso Nobel da Economia JOÃO SEQUEIRA MATILDE ROSA CARDOSO

A 14 de Outubro, os economistas norte-americanos Eugene F. Fama, Lars Peter Hansen e Robert J. Shiller foram laureados com o Prémio Nobel de Economia de 2013 pela sua “análise empírica do preço dos ativos”. Comummente apontado como Nobel da Economia, este prémio é oficialmente designado Prémio de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel, tendo sido instituído pelo Banco Central da Suécia, no ano de 1968. Na verdade, esta distinção não é atribuída pela Fundação Nobel, sendo o critério de seleção e o valor monetário do prémio semelhantes aos dos prémios promovidos por esta fundação. Os três galardoados deste ano fizeram descobertas que, segundo a Academia Real, po-

dem parecer “contraditórias e surpreendentes”. Não é passível de ser previsto o preço de ações e obrigações num curto espaço de dias ou semanas, mas é exequível prever a tendência alargada destes preços em períodos temporais mais longos. Aquando da divulgação da distinção, Shiller partilhou que “a teoria financeira tem muitos aspectos controversos, mas tem também um sólido leque de conhecimentos que são úteis para a sociedade e que ajudam a melhorar o bem-estar humano”, patenteando a sua felicidade por tal ter acontecido. Além disso, pronunciou-se sobre a atual crise financeira, que considera ser resultado de “erros e imperfeições do sistema financeiro

Lars Peter Hansen

Eugene F. Fama - 74 anos - Professor na Universidade de Chicago - Economia financeira Contributos: Fama and French Three Factor Model, Efficient Market Hypothesis Prémios: Deutsche Bank Prize in Financial Economics (2005), Morgan Stanley American Finance Association Award (2008)

que já estão a ser corrigidos”. No seu ponto de vista, “a sociedade já passou por crises financeiras em épocas anteriores e, geralmente, aprendeu com elas”. Desde o momento da divulgação dos resultados, surgiram muitas críticas à decisão pela controvérsia das teorias defendidas por cada um, sobretudo a alegada antogonia entre Fama e Shiller. De facto, Fama formulou a Hipótese do Mercado Eficiente, enquanto que Shiller escreveu sobre a Exuberância Irracional. Apesar dos estudos individualizados e dos comentários mais ou menos positivos, o prémio será entregue aos galardoados numa cerimónia, em Estocolmo, no dia 10 de dezembro.

- 61 anos - Professor na Universidade de Chicago - Economia macroeconómica Contributos: Generalized Method of Moments Estimation, Controlo robusto aplicado à Macroeconomia e Asset Princing Prémios: Nemmers Prizes (2006), CME Group-MSRI Prize (2008), BBVA Foundation Frontiers of Knowledge Awards (2010)

Robert J. Shiller

- 67 anos - Professor na Universidade de Yale - Economia financeira e finanças comportamentais Contributos: Irracional Exuberance (bestseller do New York Times), Case and Shiller index Prémios: Deutsche Bank Prize in Financial Economics (2009)


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Agenda Cultural

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ANDRÉ SILVA

EVENTOS A NÃO PERDER Porto Jazz

Jamie Cullum

português da actualidade. Excelente entertainer e com temas que certamente ficarão para a história, encerrará a sua digressão internacional aqui, pelo que poderemos esperar uma grande festa com alguns convidados.

TAFEP 20 anos de história em palco 9, 16, 23, 30 de Novembro Edificio AXA - 19h Todos os sábados deste mês no quarto andar do edifício AXA, na avenida dos Aliados, temos programa às 19h. Bom Jazz para um agradável fim de tarde a custo 0. Certamente a não perder!

“Commedia à la Carte Commedia com Sotaque”

26 de Novembro Coliseu do Porto - 21h00 Preço: 20 a 38 euros O coliseu do Porto vai receber o talentoso Jamie Cullum na apresentação do seu novo disco Momentum. Partindo do Jazz e da improvisação livre no piano, consegue extravasar a sua música dando-lhe uma roupagem pop atingindo as camadas mais jovens. Músico genial e concerto absolutamente imperdível!

Richie Campbell

9 de Novembro Coliseu do Porto - 20h30 Preço: 5 a 12 euros

8 e 9 de Novembro Teatro Sá da Bandeira - 17h30 e 21h30 Preço: 15 euros Os “Commedia à la Carte” (Cesar Mourão e Carlos M. Cunha) juntam-se ao improvisador brasileiro de renome na comédia Marco Gonçalves. O resultado é “Commedia com Sotaque”, um cocktail fresco e certamente diferente todos os dias de stand-up comedy.

29 de Novembro no Coliseu do Porto 22h00 Preço: 18 a 22 euros Teremos oportunidade de assistir, novamente, ao mais mediático cantor reggae

Regresso às origens Numa sociedade consumista, com padrões estandardizados de consumo e onde cada vez mais somos “cidadãos do mundo”, assiste-se, estranhamente, a um regresso às origens. Regresso este que é reconfortante. Regresso este que acaba com o esbater da personalidade de cada país. Regresso este que, pelo menos, no nosso “jardim à beira-mar plantado”, trouxe toda a nossa portugalidade à tona. É na base disto que pressinto um futuro risonho

no que toca à nossa cultura e ao surgimento de novos movimentos artísticos. Isto porque, tal como em qualquer bom equilíbrio (necessário ao crescimento sustentável), são necessárias forças opostas que se harmonizam, produzindo efeitos benéficos. E, também na cultura, são necessárias diferentes personalidades vincadas que, quando postas em confronto, levem a algo novo. A algo inovador. A algo refrescante. A prova disso está à nos-

sa vista. São uns Deolinda que, em melodias requintadas com influências de todo o mundo, trazem ao de cima o que de mais português há em nós. É um António Zambujo que faz fado que é tão português como do mundo. É um Tiago Bettencourt que com enorme mestria reveste grandes autores portugueses de uma nova roupagem, de uma nova cor, trazendo-os de volta. Talvez alguém o tenha ouvido quando cantou em jeito de último grito “Acorda Portugal!”.

No ano em que celebra 20 anos, a Tuna Académica da Faculdade de Economia do Porto irá comemorar este marco com um grande espetáculo no palco de excelência da sua cidade, o Coliseu do Porto. Preparem-se para uma grande noite de festa cheia de surpresas e de ambiente académico.


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EM ENTREVISTA COM GABRIEL GONZAGA

ERASMUS em França CAROLINA SILVA INÊS VASCONCELOS

No mês de Novembro, o Fepiano traz-te uma nova aventura de ERASMUS, em França. Gabriel Gonzaga frequentou durante um semestre a faculdade INSEEC Business Schools, em Paris. O estudante apreciou esta jornada por terras parisienses e aconselhou, vivamente, a capital francesa como destino de ERASMUS. Quais foram as maiores diferenças que sentiste em termos de ensino? A diferença que realmente mais me surpreendeu foi a relação pessoal que havia entre os estudantes e o pessoal docente. Foi-me possível obter uma tipologia de ensino totalmente distinta daquela que existe na FEP. Em Paris, pude experimentar um constante debate de ideias nas diferentes disciplinas entre professor e aluno, existia uma componente prática muito mais forte (por exemplo, na resolução de exercícios em espaço de aula), e era, também, mais frequente a existência de trabalhos de grupo de carácter expositivo. Conseguiste ter equivalência a todas as cadeiras que escolheste? Felizmente sim! No entanto, tive de contactar com muitas pessoas dentro da FEP. Relativamente à integração tiveste apoio por parte de alguma organização? A integração foi bastante fácil, para ser sincero. A verdade é que quando nos tentamos integrar num grupo de pessoas de diferentes nacionalidades mas todas com o mesmo espírito/propósito, as dificuldades são quase inexistentes. Porém, a existência de um grupo de estudantes responsável pelo acolhimento e integração por parte da faculdade parceira, facilitou ainda mais a situação de recém-chegado.

Sentiste dificuldades com a língua francesa? Felizmente tive a sorte de frequentar uma instituição de ensino francesa que adoptou a língua inglesa como sua principal. No entanto, fora da faculdade as dificuldades foram maiores. Como o atendimento público é apenas em francês, tratar de assuntos burocráticos não é nada fácil. Tiveste a possibilidade de visitar outras cidades, tanto em França como noutros países? Sim, assim que soube que o meu futuro passaria por Paris pensei logo em tirar proveito da sua localização a nível Europeu. No entanto, fiquei-me apenas por Londres - a eterna rival de Paris. O que é que te levou a escolher França? Já conhecia o país e, em particular, a cidade, antes de me candidatar. Cosmopolita como me considero, não ficaria realizado, a nível pessoal, se não tivesse feito Erasmus numa cidade central a nível Europeu. Para além disso, França é sinónimo de cultura, de intercâmbio cultural. E, tendo presente no seu código genético uma forte componente anglo-saxónica, foi para mim factor determinante. Relativamente à parte mais festiva da cidade, o que nos podes dizer sobre esta? Paris é uma cidade com uma enorme tradição de vida nocturna, não faltam espaços para todos os gostos, desde as famosas festas Erasmus, passando pelos diversos bares com vários estilos musicais até às ilustres discotecas nos Champs-Élysées. Digamos que a noite brilha em Paris. Em França conseguiste encontrar tanto um bom curso como uma boa vida social? Relativamente a este ponto, penso que seria impossível encontrar relação mais equilibrada entre um bom curso e uma boa vida social em Paris. O curso es-

Gabriel Gonzaga, o primeiro a contar da esquerda.

tava pensado para ser direcionado a alunos de mobilidade internacional. Relativamente à vida social, a magia de Paris encarregava-se de não deixar ficar mal nenhum de nós. Consideras que França é um bom local para início de carreira? Penso que sim, em França existem boas oportunidades de emprego para mão-de-obra qualificada. Está bem presente o setor industrial e um setor turístico, o que nos transmite um carácter de crescimento a nível da carreira. Em que aspecto é que achas que esta experiência te valorizou? Tive oportunidade de criar uma importante rede de contactos que já me trouxe algumas vantagens a nível pessoal. Qual foi a experiência mais marcante que viveste? Conheci pessoas verdadeiramente extraordinárias dos quatro

cantos do planeta. Algumas delas, sem dúvida, marcaram o meu crescimento como pessoa. Qual foi a maior dificuldade? O que aprendeste com isso? Arranjar casa em Paris pode ser uma verdadeira aventura. A procura é superior à oferta em larga escala e por isso passamos momentos complicados. No entanto, foi mais um daqueles exemplos na vida que nos ensinam a nunca desistir. Agora que já tiveste tempo para reflectir sobre todo o teu percurso em França, achas que valeu a pena? Se soubesses o que sabes hoje, voltavas a escolher a mesma faculdade? O meu percurso em Paris superou as minhas expectativas em todos os aspetos. Voltava a escolher a mesma cidade e sem dúvida que optaria pela mesma faculdade. Creio que dificilmente tomaria decisão mais acertada do que aquela que tomei.


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Nº 5 - novembro 2013

FEP League: classificações

AFONSO VIEIRA

GRUPO A J

V

E

D

GM

GS

DG

P

5

1

4

6

8

4

4

4

1

Bleque Mambas

2

2

2

Xerifes Utd

2

1

3

JAS

2

1

1

10

4

6

3

4

Siga Maluco

2

1

1

6

6

0

3

5

Prescritos

2

1

1

7

8

-1

3

6

Botafogo e Deixa Arder

2

1

1

6

7

-1

3

7

TAFEP SMMM

1

1

4

4

0

1

8

Talhantes

2

1

1

5

8

-3

1

Pi100Pé

2

1

1

3

10

-7

1

TAFEP SAD

1

1

1

3

-2

0

D

GM

GS

DG

P

14

6

8

6

12

3

9

4

7

1

6

3

9 10

1

GRUPO B J

V

1

Jocivalter

2

2

2

Atlético Atum

2

1

3

IPM

1

1

4

Team Rocket

1

1

5

A.R.M.’A

2

1

6

CTT

2

7

Zééé’s

8 9

E 1

3

0

3

3

1

2

7

-5

3

1

1

3

4

-1

1

2

1

1

9

11

-2

1

Montanelas

2

1

1

5

14

-9

1

Galasataray

2

2

2

11

-9

0

Começada a FEP League 2013/2014, é possível afirmar-se que nos espera um ano repleto de emoções e de grandes jogos. Os campeões em título fizeram a sua estreia perdendo para os Siga Maluco, demonstrando esta equipa que a FEP League será bastante renhida e que mui-

tas equipas poderão surpreender. Os campeões da FEP Cup também escorregaram, tendo na 2ª jornada cedido um empate para uma equipa nova na competição, os Pi100Pé. De realçar é também o facto dos Bleque Mambas terem arrancado a todo o gás, mostrando-se preparados

defensivamente e cientes das suas oportunidades, conquistando algum respeito num grupo potencialmente muito forte. No Grupo B, assistimos à estreia dos CTT, equipa emblemática da FEP League, tendo estes perdido para os A.R.M.’A, causando alguma surpresa. Ainda assim, na

PRIMEIRA SEMANA DE JOGOS DAS SELEÇÕES DA FEP Futsal Feminino

AEFEP

1-0

AEFFUP

Futsal Masculino

AEFEP

0-4

AEISMAI

Basket Feminino

AEFEP

18-46

Andebol Masculino

AEFEP

0-15

Voleibol Feminino

AEFEP

0-2

Católica Porto

Voleibol Masculino

AEFEP

1-2

AEFEUP

É de destacar a alma e o coração com que as atletas do futsal feminino da FEP representaram as nossas cores, sendo que a nossa equipa apenas contou com 4 elementos e o sacrifício saiu recompensado com a vitória por 1-0 sobre a Faculdade de Farmácia. Marcamos na primeira parte e a garra a defender fez o

resto, segurando o resultado até ao final do jogo. Por outro lado, a nossa seleção de andebol perdeu por falta de comparência. Na próxima semana, esperam-se resultados melhores, sendo que a primeira fase dos Campeonatos Académicos do Porto é constituída por poucos encontros e são todos muito importantes.

IPP AEFADEUP

2ª jornada protagonizaram talvez o jogo da jornada, ao empatarem a 3 com o Atlético Atum, potenciais favoritos à conquista das competições da FEP. É também notório o bom arranque dos Jocivalter e dos IPM, equipas também a ter em conta no que respeita a candidatos ao título.


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APARTES ECONÓMICOS LEIS BIZARRAS • Na Noruega, as bebidas que contenham mais de 4,75% de álcool não podem ser vendidas nas eleições.

Fidel estava autorizado a usá-los. A proibição, segundo ele, acontecia porque se tratavam de “sacrifícios necessários” na “batalha de ideias” contra os EUA. A lei só foi revogada quando Raúl Castro assumiu o controlo do país, em 2008.

• Enquanto Fidel Castro governou Cuba, proibiu o uso de telemóveis. Somente quem trabalhasse com questões internacionais ou para o governo de

• Na Dinamarca, não és obrigado a pagar pela tua comida, a menos que, na tua opinião, estejas satisfeito ao final da refeição

põem de forma devida, graças ao clima e ao solo local. Por isso, o cemitério local parou de receber corpos nos últimos 70 anos. Quem fica doente e corre o risco de morrer precisa de ser “despachado” e enterrado noutro local.

• Uma cidade remota do Ártico, Longyearbyen, proibiu as pessoas de morrerem. Isto porque os corpos não se decom-

TOP DO MÊS LIVROS “O Homem de Constantinopla” José Rodrigues dos Santos

MÚSICA “Impossible” James Arthur

PERFUME “Light Blue” Dolce & Gabbana

VÍDEO “Wrecking Ball” Miley Cyrus

NOVIDADES PERSONALIDADES Merkel esteve sob escuta da NSA desde 2002, segundo a revista Der Spiegel O número de telemóvel da chanceler alemã constava de uma lista de registo de escutas desde 2002 e ainda lá estava semanas antes de Obama visitar Berlim em Junho deste ano. Marcelo Rebelo de Sousa admite candidatura às presidenciais de 2016 O ex-líder do PSD Marcelo Rebelo de Sousa admitiu uma eventual candidatura às eleições presidenciais de 2016, afirmando que não se exclui da corrida a Belém. Obama interrompe discurso para evitar desmaio Durante um discurso de Barack Obama, uma mulher quase desmaiou, sendo amparada pelo Presidente dos EUA.

FILME “Capitão Phillips” Paul Greengrass

RESTAURANTE “Cufra” Porto


Nº 5 - novembro 2013

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Janet Yellen, a primeira presidente nos 100 anos de história do FED

5. Foi na cantina da divisão de Finan-

8. É partidária de uma política monetária

1. Licenciada em economia pela Universi-

ças Internacionais do FED que conheceu o seu marido, George Akerlof (Nobel da Economia em 2001).

2. No final do liceu, quando era direto-

6. Após ser mãe, desenvolveu a teoria de

9. Acredita que aumentar as taxas de juro “é

MATILDE ROSA CARDOSO

dade de Brown e doutorada na mesma área por Yale. ra do jornal da Fort Hamilton High School e, como era da praxe, tinha de entrevistar o melhor aluno, entrevistou-se a si própria.

3. Os seus apontamentos das aulas com o

professor que mais a marcou, James Tobin (economista keynesiano de Yale que venceu um Nobel), foram tão bem escritos que várias gerações de estudantes os usaram como guia de estudos sobre este autor.

4. Lecionou em Harvard e Berkeley. Escre-

veu sobre tópicos como causas de desemprego, desigualdade de rendimentos, o valor da liberalização do comércio, nascimentos fora do casamento e a Alemanha Oriental.

que as pessoas mais bem pagas trabalham melhor, tendo comprovado este pressuposto com as sucessivas babysitters que contratou.

7.

Em 2007, detectou precocemente problemas no mercado imobiliário norte-americano, tendo comparado a grave situação com um gorila de 270 quilos presente na sala de reuniões do FED: “Sinto a presença de um gorila de 270 quilos na sala que representa o sector imobiliário. O risco para a continuação da sua deterioração, com os preços de casas a cair e o crédito malparado a subir, angustia-me bastante”.

expansiva, estando atualmente mais preocupada com o elevado desemprego do que com um possível aumento da inflação. o instrumento errado” para prevenir bolhas especulativas nos mercados quando a economia está fraca e acredita que a “supervisão e regulação é a principal linha de defesa”.

10. A sua experiência no FED é vasta,

tendo ocupado vários cargos desde 1977. Foi governadora entre 1994 e 1997 sob o mandato de Alan Greenspan; chefe do Conselho de Assessores Económicos de Bill Clinton entre 1997 e 1999, onde lidou com a crise asiática; presidente do FED de São Franciso entre 2004 e 2010. Desde aí, ocupa o lugar de vice-presidente da Reserva Federal. Liderou o sub-comité da Reserva Federal que recomendou mais transparência na instituição.


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O Tecto da Dívida Norte-Americana

PEDRO SANTOS TIAGO FONSECA*

Pouco antes da meia-noite do dia 30 de Setembro, ocorreu nos Estados Unidos da América o primeiro “shutdown” governamental dos últimos 17 anos. As agências federais deram início a um processo de suspensão de serviços públicos federais não essenciais que viria a prolongar-se por 16 dias. Este encerramento está temporariamente resolvido com o acordo no Senado norte-americano do aumento do tecto da dívida, ou seja, do limite máximo de endividamento do país. De uma forma sistemática o governo dos Estados Unidos da América gasta mais do que as receitas que consegue gerar, sendo essa discrepância financiada por dívida. No entanto, a legislação americana prevê desde 1974 um limite máximo para o valor da divida pública, conhecido como tecto da dívida. Na história dos EUA, foram registadas 18 paralisias governamentais durante as Administrações Ford, Carter e Clinton, desde que este procedimento de orçamentação federal foi instituído. A dívida norte-americana tem vindo a crescer exponencialmente nos últimos anos, como pode ser observado no gráfico apresentado, e durante estes anos foram várias as vezes em que o Congresso aprovou

um aumento do tecto da dívida pública. Em Maio de 2013, a dívida acumulada pelos EUA atingiu o valor de 16.7 biliões de dólares, alcançando novamente o tecto máximo que esta poderia ter. Contudo, no cenário político, democratas e republicanos apresentavam divergências relativas a diversas questões. De entre estas destacava-se a vontade do Presidente Obama em mu-

Durante pouco mais de duas semanas, o impasse permaneceu, com alguns membros do Congresso a dizerem que o tecto da dívida devia ser elevado para o governo retomar o normal funcionamento, enquanto outros insistiam que tinha chegado a hora de o Tio Sam aprender a sobreviver com o nível de endividamento que tinha. Neste contexto, 17 de Outu-

relativos a pagamentos da Segurança Social e da Medicare, bem como as remunerações dos trabalhores federais, seriam devidos sem que houvesse fundos para serem liquidados. Sendo as obrigações do tesouro norte-americano consideradas o activo mais seguro a nível mundial, um incumprimento causaria um golpe muito duro na confiança que as pessoas e instituições têm nos mer-

dar o sistema de saúde americano, com um pacote de medidas vulgarmente conhecido como “ObamaCare”, para as quais os republicanos se opunham a providenciar financiamento, dados os custos elevados que acarretavam. Sendo assim, as negociações do orçamento para o próximo ano fiscal falhou e o Governo federal entrou em “shutdown”.

bro constituiu-se como um referencial para a data limite de um acordo entre as duas partes, tendo sido este alcançado no dia anterior. Caso isso não acontecesse, o tesouro norte-americano teria nessa dia em mãos 30 mil milhões de dólares de compromissos que não conseguiria cumprir. Adicionalmente, no dia 1 de Novembro, 43 mil milhões de dólares

cados financeiros. Por outro lado, existiria a possibilidade de ocorrer um rápido decrescimento da actividade económica norte-americana, que poderia resultar numa crise mundial significativamente pior que a de 2007-2008.

http://www.fep.up.pt/conferencias/fepmasterclass/inscricao.php

* ANÁLISE PELOS ASSOCIADOS DA FEP FINANCE CLUB


Nº 5 - novembro 2013

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Os números inteiros x e y satisfazem a igualdade 2x = 5y. Apenas uma das opções seguintes pode ser x + y. Qual é? (A) 2011 (B) 2010 (C) 2009 (D) 2008 (E) 2007

solução no próximo número

A solução do desafio da edição anterior encontra-se disponível no nosso Facebook: www.facebook.com/fepianojornal

O EXUP e a AEFEP vão colocar a tua cultura geral à prova!

No dia 26 de novembro, pelas 20h30,

acontecerá no Salão Nobre da FEP, pela

primeira vez, o “Desafio Final”. O concurso seguirá os moldes dos tradicionais concursos televisivos do género e selecionará o FEPiano com mais cultura geral da faculdade. O prémio será aliciante e a apresentação ficará a cargo de uma personalidade portuense! Haverá ainda muita animação e algumas surpresas preparadas. Portanto, se te consideras um devorador de cultura e gostas de um verdadeiro desafio, prepara-te e inscreve-te até dia 19 de novembro!

O teu primeiro desafio é: Quantos filmes teve a saga “Harry Potter”?

a)6 b) 7 c) 8 d) 9 Inscrições: www.exup.pt | www.aefep.pt


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Nº 5 - novembro 2013

70 metros PUB

Coordenação: Gonçalo Sobral Martins e José Guilherme Sousa Redação: Afonso Vieira, Alice Moreira, André Silva, Carolina Reis, Carolina Silva, Inês Vasconcelos, João Sequeira, Maria de Sousa, Marta Tista Santos e Matilde Rosa Cardoso Paginação: Célia César - Grupo Editorial Vida Económica, S.A. Impressão: Papelicópia Morada: Rua Dr. Roberto Frias, 4200-464 (Porto, Portugal) Contacto: jornalfepiano@gmail.com Facebook: www.facebook.com/fepianojornal

APOIOS:

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Fepiano V