Issuu on Google+

Grande O FARROUPILHA

32 anos

EDIÇÃO COMEMORATIVA

#7

A cidade responde: “o que é ser jovem... Pesquisa

Os índices dos jovens na nossa região

PÁGINAS 8/9

Depoimentos PÁGINAS 6/7

Quem são e o que pensam alguns dos jovens da nossa cidade

A experiência de quem convive com os jovens PÁGINA 11

O depoimento da professora Ângela Silvestrin

Política jovem PÁGINA 10

O coordenador da Juventude de Farroupilha, Adriano Nichetti explica sua participação e objetivos nos interesses dos jovens

Evolução PÁGINA 3

A história do Grande Farroupilha nos 32 anos do jornal da nossa cidade

Representante do comércio farroupilhense

A personalidade que comanda os jovens empresários

Fernanda De Cesaro mostra como concilia sua atarefada vida pessoal e profissional

Felippe de Farias fala sobre seu trabalho e seu discernimento político

PÁGINA 10

PÁGINA 04


2

Grande

Setembro 2013

JF

Expediente

DIRETOR Jorge E. Bruxel EDITOR Marcus André Bugs MTB 12544 COORDENADOR COMERCIAL Alexandre Scholer Especial Grande Farroupilha EDITORA Claudia Iembo MTB 24693 PROJETO GRÁFICO / DIAGRAMAÇÃO Fernando Salvatori ANÚNCIOS Anderson Mariano COMERCIALIZAÇÃO DOS ANÚNCIOS Jorge E. Bruxel / Alexandre Scholer Helena Da Chary FOTOS Claudia Iembo/ Divulgação O Farroupilha /////////////////////////////////////////////////////////

O FARROUPILHA

Rua Cel. Pena de Moraes, 991 sobreloja - Farroupilha/RS Fone: (54) 3268.1800 comercial1@ofarroupilha.com.br www.ofarroupilha.com.br

Editorial

JUVENTUDE EM PAUTA

2

013 está fazendo história. Farroupilha com nova administração municipal. Em âmbito nacional, o ano em que o Brasil venceu a Copa das Confederações; em que o Rio de Janeiro sediou a Jornada Mundial da Juventude, o maior encontro internacional de jovens com o Papa; o ano em que os jovens saíram às ruas em grandes manifestações, inicialmente para contestar contra os aumentos nas tarifas de transporte público, mas depois contra a corrupção política de forma generalizada! Vandalismo à parte, os jovens pararam o país em mobilizações que não se viam desde a época de Fernando Collor, em 1992! Em resposta, várias medidas foram anunciadas e o Congresso Nacional votou várias concessões, entre elas, a revogação dos aumentos das tarifas nos transportes. Se o trabalho dos governantes não era fácil antes destas grandes manifestações, está mais difícil agora, pois está explícito o quanto a juventude quer estar envolvida na política que afeta sua vida. O Brasil foi o primeiro país da América Latina a instituir, em 2005, um conselho voltado para os jovens, o Conjuve, composto por 1/3 de representantes do poder público e 2/3 da sociedade civil. No mesmo ano foi criada a Política Nacional da Juventude, com o intuito de solucionar as questões deste público e fazer com que ele participe de debates que lhe permitam assumir um papel significativo no desenvolvimento do país. A exemplo do que já acontecia com a criança, adolescente e idoso, o

termo “jovem” foi inserido no texto constitucional pela emenda 65, a conhecida PEC da Juventude. O estatuto da Juventude assegura os direitos previstos em lei aos jovens, como educação, saúde, cultura, trabalho, participação social, sustentabilidade. Os jovens sempre estiveram em pauta e depois do impactante “junho de 2013”, os políticos estão mais atentos à força que esta população possui. Força, disposição, frescor. Adjetivos inerentes à juventude e por isso ela também é o foco de uma das maiores utopias da humanidade: fazer com que dure para sempre. Recentemente, um grupo de pesquisadores russos colocou em prática um experimento com este objetivo. A descoberta caracteriza-se por devolver ao organismo a capacidade de regeneração. Tudo em fase de teste e neste patamar deve ficar por mais alguns anos. Aos jovens também é atribuído o poder latente das iniciativas, a habilidade do realizar. Tanto é que existe até um Conselho Nacional das Associações de Jovens Empreendedores, o CONAJE, do qual faz parte a Federação das Associações de Jovens Empreendedores do Rio Grande do Sul (FAJERS). Em nosso estado existem 11 associações destas. Do estado para a nossa cidade. Aqui vivem jovens também engajados, dedicados e comprometidos com suas atuações. Em virtude disso, despontam em seus segmentos e traçam o futuro de Farroupilha. Jovem e futuro. Duas palavras que combinam entre si, que inspiram esperança – outra forte razão para termos escolhido este tema para a nossa edição especial.


Grande

Setembro 2013

Evolução sobre a educação do município e suas iniciativas pioneiras. A edição de 2006 celebrou os 25 anos de circulação do jornal, com um trabalho de fôlego que trouxe a retrospectiva de cada um dos anos desde 1981. O destaque de 2007 foi para as histórias do Grande Hotel, as marcas de ilustres farroupilhenses e a representatividade dos capiteis espalhados pelo município. Em 2008, o Grande Farroupilha estampou o trabalho sobre as principais ruas da cidade , um histórico sobre a gestão de cada um dos prefeitos que já administraram Farroupilha, além de uma matéria especial sobre as placas de homenagens e inaugurações de monumentos e obras. No ano de 2009, lideranças de Farroupilha debateram o tema “Porque Farroupilha é uma grande cidade?” avaliando os diferenciais do município.

O

E

sta é a edição 1855 que O Farroupilha está entregando a seus leitores desde a sua fundação em 20 de setembro de 1981. De lá para cá, mais de 50 mil páginas já foram escritas e impressas, retratando a história de Farroupilha e dos seus personagens. Ao longo destes 32 anos, uma das edições especiais que circula desde 2005 é a do Grande Farroupilha. A primeira edição surgiu do conceito de que Grande Farroupilha deveria ser uma edição a ressaltar aspectos positivos e diferenciados de nossa comunidade. Foi assim que em 2005 foi feito um amplo trabalho

GRANDE

Foi dado destaque também para a miscigenação cultural , a necessidade de conscientização em relação a água do município e a história da Igreja Matriz. Já em 2010, nova edição do Grande Farroupilha mostrou lideranças da nossa cidade que, aos 80 anos ou mais, ainda mantém atividade regular e produtiva. Outra matéria especial reviveu as origens do transporte em Farroupilha. Outra pauta questionou “o que Farroupilha precisa para continuar crescendo”, ouvindo diferentes lideres políticos e empresariais. Ao completar 30 anos em 2011, O Farroupilha, optou por um outro formato de edição para marcar o aniversário. Em 2012, em função do período pré eleitoral e das restrições impostas pela legislação, o Grande Farroupilha não foi publicado. O retorno em 2013, traz o tema sobre os jovens, suas ideias e sua importância na construção da Grande Farroupilha.

FARROUPILHA

3


4

Grande

Setembro 2013

Felippe de Farias

No comando dos jovens empresários da CICS “Somos representados politicamente pelas lideranças políticas nas quais votamos. Temos que fazer nosso papel de fiscalizadores e cobrar com coerência nossos representantes”. O discernimento político ajuda a compor a personalidade de Felippe de Farias Foto: Guilherme de Bastian

P

ossuir uma agenda profissional repleta de compromissos aos 27 anos é para quem se compromete de verdade com a atividade que realiza, certo? Daí, uma atuação leva à outra e quando que se nota, os meios de comunicação procuram tal pessoa para entrevistas, que dificilmente serão realizadas pessoalmente, tendo em vista a atribulação de tantos compromissos. É o caso do coordenador do Núcleo de Jovens Empresários da CICS de Farroupilha, Felippe de Farias. Além do cargo que ocupa na Câmara de Indústria, Comércio e Serviços desde o começo do ano, Felippe também é tecnólogo em Gestão Comercial na Multinova Indústria de Embalagens Plásticas. Segundo ele, está sempre viajando, o que não compromete seu desempenho como coordenador na CICS. “Atualmente temos um grupo muito competente na coordenação do núcleo de Jovens que tem apoiado e levado adiante nossas atividades. De modo especial tenho um vice-coordenador, Rafael Somacal, que tem atendido muito bem as demandas e dado todo o suporte necessário em minhas ausências”, esclarece. O Núcleo de Jovens Empresários da CICS de Farroupilha existe desde 2005 e atrai a comunidade empresarial, fomentando ideias empreendedoras com palestras, visitas técnicas e diversos programas que visam a evolução econômica de Farroupilha. Com a vida profissional agitada, Felippe diz que tem trabalhado fortemente para alcançar o êxito que idealizou a si mesmo e ainda sugere aos jovens da mesma idade que a sua, e que queiram conquistar um destaque em suas carreiras, que sejam pró-ativos, tenham ousadia e acima de tudo, comprometimento e coerência. Quando o foco são os jovens, Felippe expressa suas opinões. “Acredito que o Brasil tem avançado em diversos aspectos, sejam eles educacionais, econômicos e também políticos. O jovem dentro deste contexto tem buscado se afirmar”.

Sobre as manifestações ocorridas neste ano, analisa: “Avançamos razoavelmente. Toda manifestação é um ganho para a nação democrática brasileira. Os protestos realizados perderam forças quando se protestou contra tudo. Defendo que temos que ter objetivos específicos para avançarmos gradativamente. Quem protesta contra tudo, não protesta contra nada. O Jovem tem que ter a consciência e a responsabilidade, principalmente, no momento da escolha dos seus políticos, sejam eles no âmbito Municipal, Estadual e Nacional. Somos representados politicamente pelas lideranças políticas nas quais votamos. Temos que fazer nosso papel de fiscalizadores e cobrar com coerência nossos representantes. Sou a favor da força comunitária que, unida e com objetivos claros e coerentes, tem grande chance de avançar”. Quando não está trabalhando, Felippe gosta de ficar em casa. “Gosto de cuidar da casa com minha esposa, Suelen Marchetto, de cuidar do meu cachorro e do meu jardim. Nos finais de semana faço parte do grupo vocal do CTG Ronda Charrua, onde sou violinista”, completa. Sobre si mesmo, resume: “Sou determinado e muito ligado à família. Empenho-me em ajudar as pessoas e o meio em que convivo. Sou uma pessoa ansiosa e ousada, que tem buscado o equilíbrio e a felicidade nas coisas simples da vida”.

ser jovem é... “... Ser agente de uma renovação. Farroupilha, em especial, carece de renovação cultural e política.”


6

Grande

Setembro 2013

Depoimentos

Jovens da nossa terra

Farroupilha é uma cidade acolhedora. Com inúmeros atrativos que despertam o interesse de quem busca crescimento, o resultado não poderia ser diferente: há muita gente de fora, contribuindo com o desenvolvimento do município.

Gente que já se firmou profissionalmente, gente que está no começo da trajetória. Para este segundo time, a tenra idade conta a favor! Conheça algumas destas pessoas, que também são a cara da nossa cidade, e o que pensam sobre a juventude que vivenciam

ESTELA FERRARI, 18 ANOS DJENIFER DO AMARANTE, 15 ANOS Quantos ideais povoam a mente quando se é jovem! Vontade de fazer tudo diferente, ou de fazer a dife rença. É nisso que acredita a estudante Djenifer do Amarante, de apenas 15 anos. Cursando o primeiro ano do ensino médio no Instituto Federal, a garota pretende fazer faculdade de Direito, com a finalidade de tornar-se juíza. “Reclamo tanto do que vejo acontecer no Brasil e acredito que como juíza vou fazer algo pelo país, daí se reclamar, pelo menos estarei trabalhando para mudar as coisas”, explica. Djenifer diz que faz questão de estar sempre muito ocupada. “Faço teatro, danço, toco piano e estudo bastante. Não gosto de ter a mente vazia”. Cheia de planos, entrega que não namora por opção, “porque os pais são liberais”. Prefere se reunir com as amigas e sair para jantar. Adora ser jovem, apesar de enfrentar conflitos internos. “Sempre fica uma dúvida em relação às escolhas e existe um pouco de ansiedade quanto ao futuro”, comenta.

Ser jovem é “...uma questão de espírito e não de idade. É buscar a realização de um sonho. É achar que o mundo ainda tem solução, é acreditar e ter esperança”.

Professora de balé há três anos, Estela Ferrari, 18, é bailarina clássica desde os cinco anos de idade. Sente-se tão ela mesma quando dança, que passou a dar aulas para crianças.” Adoro o que eu faço! Quando não tenho nada para fazer, eu danço. Quero continuar com esta atividade até quando eu puder”, avisa a professora. Professora de um lado, aluna de outro. Estela está no segundo semestre de um curso que, segundo ela, está amando fazer: Engenharia Mecânica! “Há pouco tempo queria ser dentista, mas conheci a Biologia e desisti. Ainda bem porque o que eu quero mesmo é a Engenharia Mecânica. Vou muito bem em matérias exatas”, conta. Estela mora em Bento Gonçalves e vem a Farroupilha toda semana para encontrar suas pequenas bailarinas. Com o corre-corre semanal, não tem tempo de encontrar as amigas, mas sempre que possível, se reúne para ir às festas. “Adoro uma festa e como estou sempre em função do trabalho ou do estudo, sempre que dá, saio para me divertir”. A professora quer se formar, continuar dançando e ensinando seu balé clássico. “Um dia, eu também gostaria de ter uma família, mas tem tempo até lá”, diz.

Ser jovem é “... querer descobrir tudo ao mesmo tempo, querer entender o mundo. É se libertar e buscar a própria independência”.

JEAN CARLOS DE OLIVEIRA, 21 ANOS A vida de pai começou cedo para o estudante de Direito Jean Carlos de Oliveira, de 21 anos. Casado e pai de Victor Gabriel, de cinco meses, Jean trabalha como coextrusor numa empresa de plásticos e pretende, no futuro, atuar como promotor de justiça. “Na vida nada é fácil, tudo é questão de trabalho”. Habituado a acompanhar as notícias, Jean é um dos poucos jovens entrevistados que afirma gostar de política. “Gosto de política, pois ainda acredito que é possível fazer com honestidade. Amo meu Brasil e penso que estamos trilhando devagar a construção de uma economia sólida, mas temos que melhorar muito a educação, pois é nela que está o futuro do país”, afirma. Quando não está trabalhando ou estudando, o jovem joga futebol e aproveita a família, sem deixar de sair e se divertir com os amigos. “Faz parte de ser jovem o fato de ter na família o aporte necessário para crescer na vida, afinal, pai e mãe são nossos melhores amigos”.

Ser jovem é “... é aproveitar o melhor da vida. Festejar, dançar, brincar, amar, ser amigo e curtir cada momento como se fosse o último. Ter pique para começar o dia às seis da manhã e parar só à meia-noite. É poder errar e acertar sem medo. Arriscar e pensar que tudo pode dar certo. É lutar todos os dias para fazer do nosso país uma verdadeira pátria”.

TIAGO DOS SANTOS, 24 ANOS

TAIRINE MENEGAT, 23 ANOS Outra jovem que aplica os estudos em seu trabalho e, apesar da pouca idade, está certa de sua escolha profissional é Tairine Menegat, de 23 anos. Cursando Pedagogia em Caxias do Sul, a moça é uma das proprietárias da escola de educação infantil Mundo Encantado da Criança. “Eu não saberia trabalhar em outro local, porque adoro estar numa escola. Nasci para lidar com crianças e ser educadora para mim é a atividade mais bonita e gratificante que existe. É uma valiosa e infinita troca de conhecimentos, não é uma simples profissão e sim uma missão”, detalha. De olho em especializações em sua atuação, Tairine vislumbra seu futuro ali, na escola iniciada há dez anos pelos seus pais. Na vida pessoal, namora há seis anos e tem planos de casamento e filhos, já que adora crianças.

Ser jovem é “... aproveitar o melhor da vida sem esquecer os inúmeros compromissos e deveres que a vida nos coloca. É estar em busca da realização dos nossos sonhos”.

CHAYANE ANDRIGUETTI, 23 ANOS Profissional da área da saúde, Chayane Andriguetti tem a consciência de que este é um setor do Brasil que tem muito a melhorar. “Vejo muita injustiça na saúde da população”, conta a técnica de enfermagem que trabalha numa Unidade Básica de Saúde de Farroupilha. Depois de passar pelo hospital do município, a atividade na UBS realiza Chayane. “Aqui convivo com pessoas de todos os tipos e posso acompanhar cada caso. Encontrei-me neste trabalho”, revela a moça que ainda confessa que adora fazer um curativo. Casada há quatro anos, Chayane quer ter filhos, mas por enquanto aproveita seus momentos de lazer ao lado do marido, passeando e participando das competições de som.

Ser jovem é “... curtir a vida, ter mente aberta, é ter planos e projetos. É ter comprometimento e saber aproveitar as ocasiões, mas respeitando os limites”.

Recepcionista no Hospital São Carlos, Tiago dos Santos é natural de Cachoeira do Sul e está em Farroupilha há um ano. “Acho a cidade bastante tranquila, mas confesso que não tenho planos de ficar por aqui. Ficarei só se eu passar em um concurso público. O custo de vida aqui é muito alto, mas reconheço que Farroupilha foi o melhor que aconteceu em minha vida em termos de crescimento pessoal e profissio nal”, confessa. Viciado em Facebook, Tiago diz que sua vida se resume em trabalho e sono. “Nem televisão eu tenho em casa, fico sabendo das novidades pelo Facebook mesmo”, entrega sem o menor pudor. Tiago diz ter aproveitado muito sua adolescência e hoje dedica-se ao trabalho. Quer exercer uma atividade em local mais próximo de onde sua família vive, em Cachoeira do Sul.

Ser jovem é “... um estado de espírito. É levar a vida de maneira mais positiva possível, é plantar sementes para colher frutos quando chegar a maturidade”.


Grande

Setembro 2013

SER JOVEM

É

TATIANE ARENHARDT, 26 ANOS

Natural de Feliz, Tatiane Arenhardt conta que sempre quis morar em Farroupilha, onde está realizando seus sonhos pessoais e profissionais. Casada há oito meses, está feliz da vida como funcionária do departamento do controle de qualidade de uma das mais significativas empresas da cidade. Acorda todos os dias às quatro e quinze da manhã, faça frio ou calor! “Gosto desta responsabilidade que tenho e adoro o que eu faço porque depois do produto da empresa passar 18, é pelas nossas mãos, vai direto para os clientes. Acho isso e. Sente-fantástico!”, conta empolgada. Tatiane ainda estuda gestão administrativa porque tem dar ando o foco sempre em seu crescimento. Cedo percebeu que não teria muitas oportunidades em sua terra natal e, onr”, avisa encorajada pela família, buscou sua realização na cidade que escolheu. “Eu tinha um sonho quando morava no interior que era o de trabalhar em banco. Quando está do ela, cheguei aqui tentei e consegui um estágio de dois anos á pouco em um banco, não fiquei mais porque depois precisava ogia e ser concursado. Mas eu acreditei e fui atrás do que eu smo é queria”, afirma. matérias

oupilha ilaripo de , se mo estou sempre

ndo e bém gosá”, diz.

7

Ser jovem é

“...ter altos e baixos na vida, entusiasmos e decepções. É vibrar a cada momento e saber passar por cima daquilo que nos machuca, mantendo um sorriso no rosto. É nunca deixar de sonhar”.

VINÍCIUS ZABOT, 26 ANOS Aos 16 anos, Vinícius Zabot saiu do Senai direto para uma empresa. Começou a trabalhar cedo, adquiriu senso de responsabilidade e não parou mais. Funcionário de outra grande empresa de Farroupilha, atua como matrizeiro há oito anos. “Meu pai me educou desta forma, sempre me ensinando a buscar meus objetivos”, revela. Quando pensa no futuro, revela que quer ter seu próprio negócio, embora reconheça que está satisfeito em seu trabalho. “Gosto muito do que faço e quero até voltar a estudar por causa do meu trabalho, mas tenho como projeto ter um negócio meu”. Casado e ainda sem filhos, Vinícius aproveita suas folgas para jogar futebol com os amigos e dividir umas cervejas. ”Às vezes até discutimos política e eu costumo acompanhar bastante a política, principalmente aqui em Farroupilha”, acrescenta. “Quando eu olho para a gurizada de hoje, vejo que a maioria não quer saber de estudar, de trabalhar sério. Eles querem comprar carros, rebaixá-los, colocar um som e depois entrar no seguro desemprego para ficar em casa. É uma pena isso”, analisa.

Ser jovem é “...querer ser mais, mesmo sendo o melhor. É querer festa, jogo e o impossível, mas sempre lembrando de ser responsável e tentando construir um futuro”.

TATIANE BASTOS, 31 ANOS

JULIANA DRASZEVSKI, 27 ANOS “Nunca é tarde para quem quer aprender”. Com esta frase, Juliana Draszevski justifica seu objetivo de cursar uma faculdade de Engenharia aos 27 anos. “Aprendi com minha madrinha, que acabou de se formar em Magistério aos 50 anos de idade”, acrescenta. Enquanto corre atrás desta realização, Juliana trabalha como atendente de padaria. Natural de Mato Grosso, a moça está em Farroupilha há 12 anos. Ela acredita que pode realizar seus sonhos e está focada nisso. Quando o assunto é vida pessoal, as certezas ficam ainda mais enfatizadas: “Depois do meu último relacionamento, perdi os planos de casamento e família. Quero me realizar profissionalmente”, conclui.

Ser jovem é “... saber aproveitar as oportunidades e ter disposição para correr atrás dos objetivos”.

Cansada da correria de uma cidade como São Paulo, Tatiane Bastos, 31, chegou há cinco anos em Farroupilha. Mudou-se para cá porque conheceu o marido gaúcho. Sua jornada de trabalho começa às 8h30 e só termina às 0h40, todos os dias! A paulista é recepcionista num consultório médico durante o dia e à noite, no pronto socorro do Hospital São Carlos. “Tenho este ritmo puxado há um ano e meio porque quero comprar minha casa para ter mais segurança e conforto. Não me sinto cansada porque acho que me acostumei, mas na verdade sei que só aguento porque ainda sou jovem”, afirma. Tatiane conta que pretende ter dois filhos e que não pensa em luxo, apenas quer ter condições de dar uma boa educação para as crianças. “Não quero riquezas, até porque acredito que ganhei muito em qualidade de vida ter vindo para uma cidade como Farroupilha. Quero apenas poder educar meus filhos e não deixar faltar nada para eles. Seu eu tiver que trabalhar muito, tudo bem”, explica, pensando lá na frente. A moça ainda analisa que demorou um pouco para se habituar às diferenças culturais entre os dois estados, mas hoje se sente em casa. “As pessoas aqui no sul são mais fechadas que em São Paulo, mas depois que se faz amizade, tudo muda. Sinto falta dos barzinhos de lá, do samba e da família, mas não trocaria mais de cidade. Aqui não tenho medo da violência, sinto-me segura. Só não me adapto ao frio extremo que faz aqui”, confessa.

Ser jovem é “... ter ousadia, não ter medo de errar. É saber que este é o momento de enfiar a cara nos projetos, de aprender e de não se intimidar”.


8

Grande

Setembro 2013

Pesquisa e Índices

DaDos pesquisaDos e analisaDos por: Luiz CarLos rusCheL Gomes

Perfil do jovem brasileiro

O estudo foi publicado sob os auspícios do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA)

Na pesquisa Juventude e Políticas Sociais no Brasil, vários fatos da realidade vivida pelos jovens brasileiros foram retratados e mostra como questões de cor, classe social, gênero e local interferem no acesso à educação, na violência e no mercado de trabalho.

o Perfil do JoVem Pelo TGi

Violência

De acordo com os dados do Target Group Index TGI, rede global de pesquisa de mercado, que atua em 60 países, os jovens brasileiros na faixa etária de 18 a 25 anos representam 17% da população das principais capitais e regiões metropolitanas do país, num total de 12 milhões de brasileiros. A maioria do grupo, 74% é composta por solteiros, 21% estão casados e 19% já têm filhos ou são responsáveis por alguma criança. Segundo ainda a pesquisa apenas 5% dos jovens moram sozinhos. No total, pouco mais da metade dos jovens (54%), permanece vivendo na casa dos pais.

As maiores causas de mortes entre a parcela jovem da população brasileira são o homicídio e os acidentes de trânsito. Os homicídios representam 37,8% das mortes, sendo que 93% das vítimas desse tipo de violência são do sexo masculino. Já o trânsito representa 17, 3% das mortes juvenis.

diVersidade e desiGualdades na JuVenTude

Trabalho

A maior parte dos jovens (62%) trabalha, sendo que entre eles, 90% o fazem em jornada integral. Há também 36% que trabalham e estudam ao mesmo tempo.  No total dos jovens, 23% são chefes de família, ou seja, arcam com a maior parte das contas da casa onde moram. Já entre os 38% que não trabalham, 10% estão à procura do primeiro emprego. Sobre o domínio de línguas estrangeiras, na média geral dos jovens, 26% afirmam saber inglês e 15%, o espanhol. 

O Ipea mostra na pesquisa que 30,4% dos jovens são considerados pobres, pois vivem com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo. A maioria dos não-brancos (70,8%) é pobre, enquanto os jovens brancos são 54,1% dos nãopobres. Mais da metade dos jovens (52,9%) são não-brancos (sendo 85,1% pardos, 13,5% pretos, 0,8% amarelos e 0,6% indígenas). A desigualdade entre jovens brancos e não-brancos também aparece na frequência à universidade e ao ensino médio. Segundo o Ipea, o analfabetismo entre os jovens negros é quase três vezes maior do que entre os brancos. A frequência ao ensino médio é 55,9% maior entre os brancos, e ao ensino superior é cerca de três vezes maior entre os brancos. Os jovens pretos e pardos são, de longe, as maiores vítimas da violência no Brasil, em especial dos homicídios. O Ipea mostra que as taxas desse tipo de violência entre os jovens pretos e pardos é de 148,8 e 140,9 por 100 mil habitantes, respectivamente. Já entre os brancos, a taxa despenca para 69,2. As diferenças também atingem os jovens da zona rural e da zona urbana. Na educação, por exemplo, os níveis de escolaridade dos que vivem na zona rural são 50% inferiores aos jovens das cidades. Outra realidade importante apontada pela pesquisa do Ipea é a das jovens mulheres que não trabalham e não estudam. Essa proporção aumenta de acordo com a faixa etária: 12,3% no grupo de 15 a 17 anos; 31,7% no gupo de 18 a 24 anos ; 32,7% no grupo de 25 a 29 anos.

mídias

O consumo simultâneo dos meios é um hábito para 60% dos jovens brasileiros. A navegação em redes sociais também é outra ação comum ao grupo: 92% as acessam.  Para 34% dos jovens, as mídias sociais são percebidas como uma companhia. Mas estudos apontam que a interação real entre as pessoas é menor do que se imagina. Em média, um internauta tem cerca de 352 contatos ou amigos na mídias sociais, porém, o número de pessoas com quem realmente se relaciona gira em torno de 31, ou seja, menos de 10% do total da sua rede.

Os jovens irão diminuir

esTruTura eTária Estrutura etária é a distribuição da população por idade e se divide em três faixas (população com menos de 15 anos, entre 15 e 64 e 65 anos ou mais). Essa estrutura etária também determina o envelhecimento da população e o retraimento da população jovem. Pelos percentuais, nos municípios da Serra Gaúcha, observa-se essa variação:

Segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a redução da população esperada é decorrente da queda do número médio de filhos por mulher, que vem crescendo desde a década de 1970. A taxa de fecundidade total (número médio de filhos por mulher) projetada para 2013 no país é de 1.77 filho por mulher (na região norte e centro-oeste estão os maiores índices 2,09 e 1,9 respectivamente), em 2023 será de 1,57 filho por mulher. Na Serra Gaúcha os índices já correspondem ao ano de 2023, menos a cidade de Canela.

=

os índices de enVelhecimenTo O índice de envelhecimento em 10 anos (2000 a 2010) aumentou consideravelmente em percentuais como nas cidades da região serrana:

2000 5,53%

2010

6,22%

6,38%

7,14%

6,37%

anos

9,11%

8,42%

15 64

8,14%

=

n. PeTróPolis 17,08%

benTo GonçalVes 17,79%

carlos barbosa 17,81%

anTonio Prado 17,90%

Garibaldi 16,81% canela 69%

//////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////

anTonio Prado 70,79%

O reflexo do mais baixo crescimento populacional aliado às menores taxas de natalidade e fecundidade é comprovado com o seguinte dado: a população com a idade de até 24 anos em 2000 era de 49,68% em 2010 ela baixou para 41,95% . Justaposto a questão da fecundidade que diminui, há o aumento do índice de envelhecimento, a relação existente entre o número de idosos e a população jovem.

///////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////

farrouPilha 71,01%

canela 2,3

Gramado 71,38%

BenTo GonÇalVes 1,6

noVa PeTróPolis 71,91%

caXias Do sul 1,5

são marcos 72,18%

GraMaDo 1,5

Canela, pela estrutura etária, tem a população mais jovem na região. Farroupilha em segundo lugar.

caxias do sul 72,55%

noVa peTrÓpolis 1,4

Garibaldi 73,91%

anTonio praDo 1,4

flores da cunha 18,58%

anos

são marcos 18,71%

15

caxias do sul 20,28%

GariBalDi 1,3

flores da cunha 73,04%

Flores Da cunHa 1,3

Gramado 20,48%

carlos BarBosa 1,3

benTo GonçalVes 73,79%

FarroupilHa 1,3

carlos barbosa 73,84%

são Marcos 1,2

canela 24,25%

PoPulação com menos

farrouPilha 21,85%

filho Por mulher na reGião:

Garibaldi tem maior população nessa faixa etária

///////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////

Por esses percentuais na Serra, Antônio Prado tem o maior índice de envelhecimento 3,86%. O menor foi de Caxias do Sul 1,53%

64 anos ou mais

=

Antônio Prado cidade com mais idosos na região serrana

caxias do sul 7,07%

=

farrouPilha 7,14%

nova petrópoLis antônio prado Caxias do suL CaneLa Gramado são marCos

Gramado 8,14%

LeGenda FarroupiLha Bento GonçLaves CarLos BarBosa FLores da Cunha GariBaLdi

carlos barbosa 8,35%

11,01%

8,89%

flores da cunha 8,38%

11,31%

9,26%

benTo GonçalVes 8,42%

7,45%

7,07%

são marcos 9,11%

7,12%

8,38%

Garibaldi 9,26%

5,54%

noVa PeTróPolis 11,01%

5,70%

6,75%

8,35%

anTonio Prado 11,31%

5,46%

6,66%


carlOs barbOsa 63,98%

caxias dO sul 63,69%

flOres da cunha 66,72%

sãO marcOs 66,96%

Vulnerabilidade social são as pessoas expostas à exclusão social. Os jovens com idades entre 15 a 24 anos que não estudam, nem trabalham são vulneráveis à pobreza. Nas principais cidades da serra gaúcha o retrato é o seguinte:

n. peTrópOlis 46,50%

GramadO 46,29%

flOres da cunha 47,51%

anTOniO pradO 47,86%

benTO GOnçalves 49,36%

canela 50,01%

Garibaldi 50,16%

caxias dO sul 51,69%

farrOupilha 55,86%

carlOs barbOsa 58,90%

1,03%

legenda Canela anTOnIO PRadO BenTO gOnÇalVeS FlOReS da CUnHa CaXIaS dO SUl FaRROUPIlHa SÃO MaRCOS gRaMadO gaRIBaldI nOVa PeTRÓPOlIS CaRlOS BaRBOSa

1,34%

5,89%

1,77% 1,82% 2,97% 2%

//////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////

2,35%

2,61%

///////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////

jOvens: hOmens e mulheres

canela 13,78%

n. peTrópOlis 18,64%

anT. pradO 18,78%

GramadO 20,10

flrs. da cunha 22,61%

b. GOnçalves 23,25%

sãO marcOs 25,05%

farrOupilha 25,08%

Garibaldi 25,24%

caxias dO sul 26,15%

2,56% carlOs barbOsa 29,17%

anOs cursandO ensinO superiOr

benTO GOnçalves 67,31%

vulnerabilidade sOcial 0,58%

sãO marcOs 62,23%

anOs cOm ensinO médiO cOmpleTO

9

///////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////

//////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////

18 20 18 24

GramadO 70,31%

anOs Que nãO mais freQuenTam a escOla

nOva peTrópOlis 72,49%

18 24

anTOniO pradO 72,22%

anTOniO pradO 50,74%

flOres da cunha 51,89%

sãO marcOs 54,53%

nOva peTrópOlis 52,20%

canela 56,15%

GramadO 57,45%

Garibaldi 57,97%

carlOs barbOsa 58,80%

farrOupilha 60,07%

anOs Ou mais cOm ensinO fundamenTal cOmpleTO

benTO GOnçalves 61,41%

18

caxias dO sul 66,77%

Pelos números do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), no indicativo Educação, pode se avaliar o nível do jovem farroupilhense e da região na educação expresso por diversos segmentos em números percentuais.

canela 79,27%

O jOvem farrOupilhense e a educaçãO

Setembro 2013

farrOupilha 63,59%

Grande

Distribuição de sexo entre os jovens compreendendo duas faixas etárias, de 20 a 24 anos e de 25 a 29 anos da população nos 11 principais municípios da Serra Gaúcha conforme os percentuais.

canela 1,62%

farrOupilha 2,02

flOres da cunha 2,09%

GramadO 2,22%

Garibaldi 2,31%

sãO marcOs 3,28%

caxias dO sul 3,32%

3,76% b. GOnçalves

anOs cursandO ensinO médiO

anTOniO pradO 5,15%

18 24

nOva peTrópOlis 6,52%

//////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////

sãO marcOs 0,0%

nOva peTrópOlis 0,0%

farrOupilha 0,0%

municípiO anTOniO pradO 0,34%

c. barbOsa 0,66%

Garibaldi 0,69%

GramadO 1,19%

flOres da cunha 1,66%

canela 1,72%

anOs cursandO ensinO fundamenTal

benTO GOnçalves 1,74%

18 24

caxias dO sul 1,76%

//////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////

Na faixa etária de 20 a 24 anos são oito homens (72,73%) e três mulheres (27,27%). Onde há mais mulheres elas estão nas cidades de Gramado, Canela e Nova Petrópolis.

Antonio Prado Bento Gonçalves Canela Carlos Barbosa Caxias do Sul Farroupilha Flores da Cunha Garibaldi Gramado Nova Petrópolis São Marcos

Na faixa etária de 25 a 29 anos predomínio também dos homens que são nove (81,82%) e duas mulheres (18,18%). As duas cidades que tem mais mulheres são Garibaldi e Canela.

20 a 24 anOs

25 a 29 anOs

MUlHeR

HOMeM

MUlHeR

HOMeM

3,71% 4,54% 4,26% 4,31% 4,58% 4,55% 4,27% 4,36% 4,03% 4,08% 4,13%

3,94% 4,63% 3,97% 4,62% 4,67% 4,76% 4,52% 4,80% 4,00% 4,03% 4,43%

3,40% 4,82% 4,39% 4,64% 4,89% 4,54% 4,49% 4,68% 4,03% 4,24% 3,94%

3,71% 5,11% 4,25% 4,80% 5,12% 4,79% 4,70% 4,48% 4,36% 4,38% 4,12%


10

Grande

Setembro 2013

ser jovem é...

Adriano Nichetti

De olho nos interesses da Juventude “O jovem tem que tomar conhecimento cada vez mais cedo sobre política porque envolve a vida dele. Participação é a palavra chave”. E o coordenador da Juventude de Farroupilha trabalha com este objetivo: atrair a participação desta camada da população “É complicado falar de si mesmo”. Esta foi a mais reticente resposta da entrevista com o Coordenador Municipal da Juventude, Adriano Nichetti. Quando o foco é pessoal, o sorriso entrega a reserva, mas se é para falar sobre trabalho, juventude e projetos, sobram palavras, bem empregadas e capazes de expressarem as ideias deste farroupilhense de 28 anos, estudante de Ciências Políticas. “Vamos promover um fórum permanente de debates com a juventude e para isso estamos finalizando parcerias com apoio da CDL Jovem, da CICS e do Ministério Público. As temáticas serão inerentes aos jovens para fazer com que se expressem e opinem para que nós possamos absorver o que eles pensam. Será desta forma que iremos oportunizar e fortalecer a participação da juventude”, explica. Gestão pública é no que está envolvido e o que quer atualmente. No cargo desde o começo do ano, Adriano revela estar feliz, apesar das dificuldades que enfrenta. Pretende formar uma equipe e não esconde o fato de que ser conhecido na sociedade facilita suas negociações à frente da coordenadoria da juventude. Para o futuro entrega que pensa em Marketing Político. “Mesmo porque há semelhanças entre ele e comunicação, com o que sempre trabalhei. Em ambos os casos é preciso entender e solucionar a necessidade

“... estar engajado, ter objetivos. É um período de grande efervescência porque é o principal marco da vida. Não é apenas uma fase de transição, mas de maturação.”

do cliente”, analisa. Adriano filiou-se ao PSB há dois anos e na última eleição foi candidato a vereador. É notório o quanto é forte sua veia política e em se tratando do tema juventude, suas opiniões são ainda mais veementes.” O jovem tem que tomar conhecimento cada vez mais cedo sobre política porque envolve a vida dele. Participação é a palavra chave. Mas participação com organização porque quem está organizado é melhor ouvido, pode contestar e isso pode refletir nas decisões futuras da sociedade”. Filho único, mora com os pais. Não namora, mas tem muitos amigos com quem gosta de se reunir para conversar, pedalar e tocar bateria. Tem até uma banda, a Super 8, mais voltada para o Rock ´n Roll. Diz que não tem religião, mas faz suas orações. Não vai à igreja, mas acha bonita a crença. “Sou uma pessoa com muitas inquietudes”, resume. Quando questionado sobre o que pensa por estar conseguindo um destaque profissional com a pouca idade que tem, ressalta virtudes que considera valores necessários para a vida política: “procuro ser verdadeiro, fiel”. Seu conselho para os jovens? “Informem-se, mas tenham muito discernimento em relação às notícias, principalmente em redes sociais”, adverte.

Fernanda De Cesaro

Jovens Lojistas bem representados Tempo é artigo raro para esta farroupilhense que cursa duas faculdades, trabalha o dia inteiro nas lojas da família e ainda coordena a CDL Jovem.

Eu não desisto do que quero fazer”. Este deve ser o segredo...

Tem gente jovem que trabalha muito, que aprendeu desde cedo a valorizar e a fazer crescer o patrimônio iniciado pelos pais. Farroupilha é o berço de pessoas deste tipo, como Fernanda De Cesaro! Quem passa pela Pena de Moraes encanta-se com as lojas especializadas em bebês e crianças que levam o nome da família da moça. Ao entrar, é possível encontrar a herdeira vestindo o avental uniforme da loja e atendendo aos clientes. “Cresci dentro da loja, aos 18 anos comecei a trabalhar aqui e não parei mais, por isso amo o comércio”, conta a jovem de 30 anos. Seu empenho na empresa familiar lhe rendeu

um convite, há sete anos, para iniciar a CDL Jovem, um departamento da Câmara de Dirigentes Lojistas. Desde então, Fernanda é a coordenadora da CDL Jovem, além de diretora de produtos e serviços da instituição. “Aprendo demais com o trabalho na CDL porque tenho a oportunidade de conhecer muitas pessoas e isso faz com que eu me desenvolva bastante”, acrescenta. Em sua rotina de manter os negócios de suas lojas, organizar palestras e projetos pela CDL, Fernanda ainda encontra tempo para fazer duas faculdades – uma de Gestão Comercial e outra de Gestão em Marketing – e namorar. Formou-se em Educação Física e especializou-se em Gestão Empresarial antes de fazer o que faz hoje, mas como ela mesma diz, “por amar o comércio, deixou a Educação Física de lado, mas não desistiu totalmente dela”. Segundo ela, estudar é o que mais faz na vida e aproveita todo o conhecimento que adquire para colocá-lo em prática nas lojas. Dedica-se tanto ao trabalho e aos estudos que pensa em casar sim, mas um dia – como ela mesma brinca. Por viver no universo de objetos infantis, pensa em ter filhos. “Dois. Gêmeos. Maria Fernanda e Felipe”, entrega entre risadas. “A vontade de ter filhos é grande, mas por enquanto vou curtindo meu afilhado Joaquim e os filhos das minhas amigas”.

ser jovem é... “... Manter-se jovem em espírito. É ter atitudes, é buscar sempre novos conhecimentos. Ter vontade de aprender, sempre.” Falante, sorridente e agitada, Fernanda não economiza simpatia, nem mesmo num dia de trabalho intenso pela falta de duas vendedoras nas lojas. “Gosto muito do contato com as pessoas. Quando estou com algum problema ou chateada, minha solução é atender aos clientes. Amo isso e sinto-me plenamente realizada”. A jovem utiliza uma frase conhecida para aconselhar quem quer atingir tal realização: “não se pode desistir dos sonhos. É preciso ter objetivos e fazer de tudo para alcançá-los”. Breve, no dia 6 de outubro, haverá a I Convenção Regional Varejista em Foco, com palestras, teatro e shows no Clube Santa Rita. O evento também contou com a participação de Fernanda. Quer ver algo realizado? Delegue a quem não tem tempo... Conhece esta?


Grande

Setembro 2013

11

Ângela Silvestrin

Os jovens são frutos do seu tempo

A frase é de alguém habituada a conviver com os jovens e a enxergar o potencial de cada indivíduo: Ângela Silvestrin, a professora de português, que acredita fielmente no trabalho em grupo como forma de crescimento profissional e pessoal

“Acredito que o fato da mulher precisar trabalhar e deixar seus filhos, acabou repercutindo nesta solidão dos jovens de hoje. Por isso toda a sociedade tem um objetivo a cumprir em relação a estes jovens. A mídia precisa tratá-los com mais respeito, eles precisam de mais escolas, mais saúde. Precisamos dispensar atenção a eles”. A professora fala com tanta paixão sobre os jovens, que fica evidente a saudade que tem da sala de aula, embora esteja feliz com seu trabalho atual. “Numa sala de aula eu me ilumino, os alunos me fazem brilhar! Mas em minha atual atividade eu tenho a possibilidade de fazer algo para um número maior de pessoas, levando aquilo que eu acredito para mais escolas”, explica.

)

Q

uem passou pela vida estudantil e desfrutou do privilégio do vínculo com algum professor, sabe o quanto isso pode influenciar determinadas decisões. Minha semente do jornalismo, particularmente, foi adubada por uma professora do ensino fundamental. “Esse é um dos grandes papéis de um educador: adubar sementes, enxergando o potencial de cada indivíduo”, complementa Ângela Maria Jung Silvestrin, a professora de Português de muitos jovens de hoje e de ontem em Farroupilha, afinal, são quase quarenta anos de profissão! Acostumada a lidar com a agitação típica da juventude, a professora Ângela identificou há muito tempo a necessidade de transmitir conhecimento de maneira menos tradicional. “Eu fazia de tudo para ensinar Gramática e constatava que os alunos não aprendiam. Foi então que comecei a trabalhar com teatro e jornal estudantil. Era a forma que os alunos praticavam Português, pela expressão oral e produção textual e o mais importante: em grupo. Deu muito certo e eu me realizei”, conta. Nos anos em sala de aula, Ângela viu acontecer muitas mudanças, tanto em seus alunos, quanto no modo de produzir as ferramentas para ensinar nossa língua portuguesa. Começou seus jornais estudantis de forma manuscrita e rodados em mimiógrafo, só depois utilizou a reprodução fotocopiadora. Parou de lecionar no ano passado, quando os jornais eram produzidos em versão virtual. “Os jovens são frutos do seu tempo. Hoje, eles sabem que têm acesso ao mundo todo pela Internet. Mas exatamente por causa disso, acabam muito sozinhos. Daí a importância de ofertarmos mais opções esportivas, culturais, artísticas, embora tenhamos nossos CTG´s e DMD, não são suficientes. Com mais opções, os jovens vão aprender a viver, a trabalhar em equipe, a construir relacionamentos afetivos e sociais com outros jovens”, enxerga a educadora, que hoje atua como Diretora do Departamento de Apoio Pedagógico da Prefeitura do município. Ângela ainda mergulha fundo na missão de desvendar a juventude, à qual sempre esteve ligada.

risadas! A jovialidade de Ângela talvez explique o fato das pessoas não conseguirem tratá-la por “dona Ângela”, “nem mesmo meus alunos conseguem me chamar de dona”, conta. Casada há 33 anos com Gervásio Silvestrin, ao lado de quem construiu sua família, Ângela sempre trabalhou e sempre estudou. Adora ler, como ela mesma afirma, mas ultimamente anda meio sem tempo, até por conta de outra atribuição que soma ao seu currículo, a de Conselheira Municipal de Educação, para a qual está finalizando um curso sobre legislação. Dona de frases bem articuladas, sem ser esnobe, a professora Ângela é pura simpatia. Possui uma visão positiva da vida e acredita que não adianta reclamar

Numa sala de aula eu me ilumino, os alunos me fazem brilhar! Mas em minha atual atividade eu tenho a possibilidade de fazer algo para um número maior de pessoas, levando aquilo que eu acredito para mais escolas.

Hoje, seus objetivos profissionais fazem parte do universo em que está inserida, mas ainda assim o foco é o jovem: “Precisamos valorizar, acolher e apoiar os profissionais da educação porque eles têm papel fundamental na formação das crianças e dos jovens da nossa sociedade. Outra meta é oferecer educação infantil para todos, pois se trabalharmos com a infância, os problemas não crescem com o indivíduo”, analisa. No âmbito pessoal também lida com a juventude dos filhos: Mariana, de 31 anos, que mora na África; Lara, 28, e Elias, 27. É avó de três: Luara, Vicente e Alice. “Amor de avó é maior que amor de mãe e eu procuro ser uma avó bem alegre”, comenta. Realizada em sua vida pessoal, na profissional revela que ainda tem muito a contribuir. “Tenho apenas 57 anos, sou uma menina”, acrescenta entre

)

dos problemas. Usa muito o verbo “iluminar” quando se refere a algo da sua carreira de professora. “Educação tem que ter pertinência, tem que iluminar a pessoa”! Seu interesse em compreender as necessidades dos jovens, que sempre a cercaram, a fez formar a seguinte opinião sobre eles: “Os jovens têm o poder da ação, possuem uma natureza contestadora e correm atrás daquilo que acreditam. Essa é uma energia que faz crescer e merece ser trabalhada sempre”. A professora Ângela, no decorrer dos seus 40 anos de magistério, certamente iluminou muitos profissionais que hoje estão no mercado de trabalho, conquistando seus ideais. Pessoas que se realizam também porque tiveram a semente de suas aptidões adubada por ela.



Grande Farroupilha