Issuu on Google+

Jornal Mulher Ecetista

página 8

Passando por cima da lei

ECT veta contratação de mulheres As exigências dos editais dos concursos, especialmente o teste físico, se tornaram uma barreira quase intransponível para as candidatas mulheres Enquanto nos setores sobra trabalho por falta de pessoal para dar conta do serviço, a ECT vem tornando cada vez mais difícil a contratação para o setor operacional. Ao ponto de a contratação de mulheres estar praticamente vetada. Além de não realizar concursos públicos que garantam uma ampla contratação, os editais lançados pela ECT nos últimos sete anos, pelo menos, impõem uma série de exigências que não podem ser cumpridas pelos candidatos. O principal desafio é o teste físico. É preciso um esforço imensurável, ou ser um verdadeiro atleta para conseguir realizar todas as provas e ser considerado apto. As exigências se tornaram uma barreira quase intransponível para as candidatas mulheres. E o objetivo é exatamente esse. A direção da empresa quer impedir o ingresso de mulheres na categoria por causa da exploração extrema à qual o setor operacional está submetido. No último concurso realizado em 2011 a situação chegou ao extremo. Teve região no país onde praticamente nenhuma mulher foi contratada. Elas passam com certa facilidade na prova de conhecimento, mas são reprovadas no teste físico.

Por isso a concentração maior de mulheres como atendentes, por exemplo. As exigências dos editais e a reprovação em massa de mulheres é tão escandalosa que já foi até manchete em jornais da imprensa dominada pelos patrões. Reprovar em qualquer um dos exercícios já elimina a candidata. E a diferença do teste para homens e para mulheres é mínima. Pouco mais de 5% nos testes que medem força. Sendo que na própria categoria a diferença chega a 20%, considerando, por exemplo, a diferença estabelecia para o peso da mala de um carteiro para uma carteira. Em muitos estados as candidatas procuraram os sindicatos ou entraram por conta própria com mandados de segurança para tentar reverter a situação. Mas a maioria simplesmente desistiu diante de tamanho assédio por parte da empresa. O objetivo disso tudo precisa estar claro: a empresa quer evitar a contratação de mulheres na área operacional, pois as

exigências do trabalho são tão grandes que seria impossível de esconder com grande contingente mulheres. O excesso de peso, o trabalho em que pé durante horas, as condições nos setores que é muito insalubre, falta de material, horas extras... A situação é tão grave e ilegal que foi alvo de ação do Ministério Público do Trabalho no interior de São Paulo. No edital diz que o carteiro carregará mala de até 10kg quando homem e 8kg quando mulher e percorrerá percurso de 7km. Na realidade o peso supera os 12kg e a distância ultrapassa 15km, questiona o próprio MPT. O fato é que nem os homens que conseguem passar pelo teste físico aguentam essas condições de trabalho. Nesse sentido, o veto na contratação de mulheres serve para não trazer à tona a super-exploração da categoria. No trato com as mulheres, diante de suas necessidades específicas e inclusive de legislação em sua defesa, fica impossível esconder a verdadeira escravidão que se tornou o serviço nos Correios.

JORNAL

MULHER

ECETISTA

Jornal Mulher Ecetista - nº 01 8 de março de 2013

8 DE MARÇO

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Página 4

A libertacão da mulher, escultura de Marty Olsen. Pesquisa 2011

Mulheres são maioria entre desempregados Além do desemprego a diferença salarial se manteve com mulheres recebendo no máximo 70% do salário dos homens Página 7

Passando por cima da lei

ECT veta contratação de mulheres Página 8


página 2

Jornal Mulher Ecetista

Editorial Um trabalho permanente em defesa da mulher ecetista

A publicação do jornal “Mulher ecetista” é uma iniciativa que visa a uma discussão sistemática sobre os problemas das mulheres da nossa categoria e dos problemas que afetam as mulheres em geral. O objetivo é ter um instrumento de discussão e de troca de informações permanente tão necessárias para o público feminino, setor que apesar de constituir metade da população é muito pouco assistido pelo poder público. A importância deste 8 de Março é justamente comemorar o dia Internacional da Mulher com uma ação prática que favoreça esta luta no decorrer do ano. Atualmente na nossa categoria as mulheres estão ameaçadas de perder importantes direitos. Em primeiro lugar é importantíssimo o esclarecimento à toda a categoria de que há a firme decisão da direção da ECT de acabar com a contratação de mulheres na área operacional (o maior contingente de funcionários). Vem diminuindo ano a ano o número de mulheres contratadas nesta área, pois a e empresa estabeleceu níveis absurdos de exigências no exame de resistência física, os quais são, praticamente, excludentes da contratação de mulheres. O veto da direção da ECT à contratação de mulheres na área operacional visa a esconder que o regime de trabalho nesta área beira à escravidão. Atualmente os homens tem enormes dificuldades para realizar os serviços diários, pois é fisicamente impossível, por longo período, suportar o excesso de serviço e de peso dos objetos, no caso dos OTT’s e da mala pelos carteiros. São inúmeros trabalhadores com doenças ocupacionais por

ficarem em pé muitas horas (os capatazes nos centros operacionais impedem os trabalhadores de se sentar durante horas) ou por ficarem horas na rua entregando correspondência. A direção da ECT quer proibir a contratação de mulheres para que possa explorar ainda mais os trabalhadores, pois se os homens não suportam o regime escravagista, nem falar das mulheres. É uma admissão tácita pela direção da ECT de que na área operacional é um vale tudo. Ocorre que a lei proíbe tal decisão pela ECT. A constituição proíbe expressamente tal preconceito em seu artigo 7°, incisos XXX – “proibição de diferença de salários, exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil”. Tal artigo nunca foi modificado pelo STF, nem se impôs qualquer tipo de limitação, situação já vista inúmeras vezes em relação ao direito de greve. No caso da contratação de mulheres, longe de se limitar a contratação nos últimos anos as mulheres vem ocupando cada vez mais vagas na construção civil, na area de transportes, no trabalho noturno etc. A direção da ECT, abertamente, é vanguarda no ataque às mulheres e nas medidas ilegais. Outra questão importantíssima é a luta de toda a categoria em defesa do convênio médico da categoria. A empresa vem diminuindo sistematicamente a cobertura do nosso convênio médico. Em várias

cidades do país, já não existe mais hospitais credenciados ao correio, para atendimento dos trabalhadores. Vários hospitais nas grandes cidades foram descredenciados, as operações são feitas com internação em infermaria, proibindo a acomodação em apartamentos. Inúmeros exames só podem ser feitos com aprovação do setor médico da empresa, os quais impõem todo tipo de restrição para dificultar e impedir que o trabalhador use o convênio. Nem falar das guias médicas que obrigam o trabalhador a ir várias vezes na empresa e nos consultórios, uma vez que a Empresa só aceita pedidos medicos em prazo curtíssimo, além das guias médicas terem prazo ainda menor para serem usadas. Se os hospitais e clínicas conveniadas não conseguem atender nos prazos curtíssimos, as guias são anuladas e os trabalhadores, novamente, têm que ir na empresa ou nos consultórios para trocar os pedidos. A empresa tem plena consciência de que o Convênio é usado em primeiríssimo lugar pelas mulheres, as quais tem que fazer obrigatoriamente uma série de exames regularmente, além das questões ligadas à gestação e aos cuidados com os filhos. A decisão da direção da ECT de tentar retirar o atendimento médico dos trabalhadores é um ataque aberto às mulheres. O movimento de mulheres da categoria deve se organizar através da nova diretoria da Fentect , para unitariamente, impedir estes ataques cínicos da direção da ECT.

Jornal Mulher Ecetista Fentect Secretaria-geral: José Rodrigues Bilar Secretaria da Mulher: Anaí Caproni Secretaria de Saúde da Mulher: Maria de Lourdes Félix Secretaria de Imprensa: James Magalhães

página 7

Jornal Mulher Ecetista

Pesquisa 2011

Mulheres foram maioria entre os desempregados Além do desemprego a diferença salarial se manteve com mulheres recebendo no máximo 70% do salário dos homens O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) realizada em 2011. “O estudo investiga dados sobre população, migração, educação, emprego, família, domicílios e rendimento”. Segundo o IBGE, “foram ouvidas 358.919 pessoas em 146.207 domicílios e a população residente em 2011 no país era de 195,2 milhões”. Destes, mais de 51% são mulheres, confirmando a maioria da população feminina no País. Além do IBGE o Ministério do Trabalho e Emprego também publicou um levantamento tendo como referência 2011. Os números confirmam a manutenção da desigualdade salarial entre homens e mulheres, inclusive no desempenho de funções iguais e apesar da maior escolaridade feminina. O desemprego, marca do período de crise, também afetou mais as mulheres. Segundo os levantamentos, as mulheres foram maioria entre os desempregados no país. Em 2011, do total de desempregados (6,7 milhões), mais da metade (59%) eram mulheres. Do total de 39,41 milhões de trabalhadoras no ano passado, 15,6% se declararam domésticas. Sendo que 10% da população feminina trabalha sem rendimento. O trabalho doméstico é o principal responsável por esse número. Sem contar a dupla jornada. Em 2011, 89,4% das mulheres ocu-

padas tinham afazeres domésticos depois do trabalho. Entre os homens apenas 47% confirmaram se ocupar dessas atividades. Maioria com nível superior no Brasil Apesar de todas as dificuldades, a parcela da população feminina adulta com diploma é superior à masculina, 12% de mulheres, ante 10% de homens. No entanto, a escolaridade superior não representa maior renda para as mulheres. Mesmo as pesquisas indicando que o diploma é um elemento fundamental na diferença salarial da população. Maior escolaridade não lhes garante emprego. As mulheres tem maior formação em áreas com menor remuneração. “Quando se analisam as pessoas que atuam em funções de nível superior, 91% dos homens estão empregados, contra 81% das mulheres”, segundo o relatório Education at a Glance, publicado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). O relatório foi abordado no Brasil pela revista Exame. Segundo dados de reportagem publicada em 13 de setembro, a situação mundial é equivalente à nacional. “Em média, 32% das mulheres adultas dos países-membros têm nível superior, ante 29% dos homens, mas as taxas de emprego das mulheres são menores que as dos homens, sem exceção, em todos os países da organi-

zação, a faixa etária mais bem remunerada, para as detentoras de diploma, é a de 55 a 64 anos. No caso dos homens, a renda é maior entre 25 e 34 anos”. Segundo a revista, subir na carreira e ocupar cargos de chefia em empresas, também não representa ter renda equivalente a do homem. O relatório aponta que “em média, salário mensal de um homem que ocupa o cargo de presidente de empresa é de R$ 64,7 mil. Para exercer a mesma função, uma mulher ganha R$ 45,6 mil”. Esta “é a segunda pior diferença salarial entre homens e mulheres”. Uma diferença de 42%. Mas a diferença continua sendo maior na base. O abismo “entre os salários oferecidos a homens e mulheres está no nível operacional. Enquanto um homem pode ganhar em média R$ 1.909, uma mulher recebe um salário de R$ 1.170”, afirma a revista. A situação é extrema e confirma que, por mais que se aprovem leis, programas e se divulgue avanços de participação econômica etc. está claro que garantir mudanças fundamentais na situação da mulher ultrapassa os limites das conquistas dentro do atual regime. É necessário destruir a estrutura econômica e social baseada na exploração dos trabalhadores, em particular das mulheres, através da luta organizada dos setores oprimidos, especialmente as mulheres que mesmo sendo maioria da população continuam enfrentando essa dura realidade.


página 6

Jornal Mulher Ecetista

A revolução que começou no dia 8 de março através do protesto das mulheres, diante das filas de racionamento de pão provocadas miséria vinda com a I Guerra Mundial, a partir daí o movimento se estendeu para as fábricas e quartéis derrubando a monarquia secular que governava a Russia, viria a ser também a maior conquista que as mulheres de todo o mundo jamais obtiveram em toda a história da humanidade na luta pela sua libertação . A vitória da revolução trará uma série de mudanças fundamentais na situação da mulher soviética, lutando contra a estrutura de total submetimento representada pela cultura semi-asiática do país e pelo atraso econômico representado pela maioria camponesa e pelo subdesenvolvimento urbano. As primeiras medidas adotadas pelo governo revolucionário foram o direito integral ao divórcio a partir do pedido de qualquer dos cônjuges, superando no início do século as legislações vigentes em todo o mundo ainda hoje , as quais forçam o convívio entre pessoas apesar do laço afetivo e consentimento mútuo não existir mais. No Brasil, como na maior parte do mundo, o divórcio é uma autorização que depende de decisão judicial, após um período de separação de fato, e não um direito inquestionável da pessoa, na medida em que se refere a uma decisão absolutamente particular dos casais. No caso do aborto o governo revolucionário garantiu o direito integral à sua realização, inclusive através da rede pública de saúde, gratuitamente, em todo o país, atendendo uma das reivindicações mais importantes para as mulheres: o fim da gravidez indesejada, uma violência contra a mulher, uma vez que o Estado intervém repressivamente na vida íntima das mulheres obrigando-as a tomarem uma decisão contra a sua vontade, e que no caso da maior parte das mulheres significa o abando do trabalho, do estudo, e o reforço da exploração e embrutecimento proveniente do trabalho doméstico e da dependência do marido. Em 1917, o governo de Lênin e Trostki já derrubava totalmente a distinção entre os filhos nascidos de uma união legal e os filhos “ilegítimos”.

Outra das grandes conquistas trazidas pela revolução foi a total igualdade jurídica entre os homens e mulheres, com os direitos políticos integrais, o incentivo à sua elevação cultural, a proibição da discriminação sexual, numa época em que as mulheres eram consideradas juridicamente incapazes, como no Brasil, onde o código civil até poucas décadas atrás considerava o homem como chefe de família, e, somente na sua ausência, a mulher poderia tomar decisões de forma independente. A política do governo bolchevique em defesa da mulher, igualando-a juridicamente ao homem e atendendo reivindicações fundamentais, ganhou adeptas no mundo todo estimulando o movimento de mulheres de uma forma nunca vista antes, uma vez que era a expressão do interesse de milhares de mulheres que entravam em massa no mercado de trabalho, tornando-se politicamente a referência mundial de luta pelos direitos da mulher. Posteriormente, com a vitória da burocracia stalinista contra-revolucionária na União Soviética a legislação a favor da mulher vai ser paulatinamente revogada, retirando-se o direito ao aborto, impondo restrições ao divórcio, retirando conquistas da mulher e comprovando a idéia de que a opressão da mulher nada mais é um aspecto da política contra-revolucionária da burguesia mundial, da qual a burocracia stalinista foi nada mais e nada menos que um agente no interior do Estado operário. Uma adaptação do imperialismo Os EUA até o final dos anos 60 se opunham, a que fosse comemorado o dia internacional da mulher, pelo seu caráter revolucionário o que se acentuou no marco da política de luta mortal contra a revolução mundial da Guerra Fria. Será o ascenso revolucionário que percorreu o mundo em 68 vai trazer novamente as comemorações do 8 de março para o terreno das manifestações de massa fazendo surgir no mundo inteiro amplos movimentos de libertação da mulher, bem

como teorias feministas de caráter pequeno-burguês que evoluíam no vazio deixado pela crise de direção histórica da classe operária. Com o mundo convulsionado pelas mobilizações políticas do final dos anos 60 e na década de 70 o imperialismo vai mudar de política, adotando a democracia como política de controle e estrangulamento das tendências revolucionárias presentes na situação política mundial, política esta simbolizada pela política de “direitos humanos” do presidente norte-americano Jimmy Carter. A decretação pela ONU, do ano de 1975, como Ano Internacional da Mulher vai corresponder a esta mudança de política, a qual significa que o imperialismo apoiará demagogicamente – uma vez que nada é feito de fato - algumas reivindicações populares, para romper o isolamente em que as mobilizações colocaram a direita anticomunista, promovendo uma nova roupagem para a mesma política de ataque às mulheres e aos explorados. Esta política será possível, também, devido ao declínio dos movimentos de mulheres da década de 60 e 70, agora dominados pelas personalidades burguesas, pela cooptação governamental e pela política democratizante do imperialismo. A década de 1975 a 1985 será considerada pela ONU a década da mulher e será organizada a 1º Conferência Mundial da Mulher no México. Em 1977 a Unesco declarará oficialmente o 8 de Março como o dia internacional da mulher e nos anos de 1980, 1985 e 1995 serão organizadas respectivamente as conferências mundiais da Mulher em Copenhague, Nairóbi e Pequim. Estas iniciativas serviram para tentar apagar a história dos verdadeiros movimentos de defesa da mulher, os socialistas e a Revolução Russa, ao mesmo tempo em que reciclou a imagem repressiva e reacionária da burguesia imperialista para conseguir submeter a mulher a uma situação de exploração, com a revogação das conquistas sociais, e submetimento aos homens, à legislação reacionária, à ideologia da mulher como instrumento nunca vista antes neste século.

página 3

Jornal Mulher Ecetista

PARA DISCUSSÃO NACIONAL A) Garantia de descanso remunerado no período de amamentação A ECT assegurará à trabalhadora durante a jornada de trabalho, dois descansos especiais de uma hora e 30 minutos cada, para amamentar seu filho, até que este complete 1 (um) ano de idade, podendo prorrogar caso a interessada venha a participar de programa de amamentação implantado pela ECT ou em caso de prescrição médica. A empregada poderá pleitear um só descanso diário, com duração de três horas, em substituição aos dois descansos especiais, estabelecidos nesta cláusula. A ECT providenciará transferência provisória, a pedido da empregada que estiver amamentando para o local mais próximo de sua residência, com o objetivo de garantir o efetivo direito desta cláusula. B) Assédio sexual e moral Será garantida, a criação de uma comissão de trabalhadoras, eleitas pelas próprias ecetistas, para apurar o assédio sexual/moral, a discriminação e opressão às trabalhadoras na ECT. A ECT punirá exemplarmente o autor (a) do comprovado assédio sexual praticado nas suas dependências, denunciando inclusive à justiça para melhor juízo e definição de pena garantindo o instrumento de ampla defesa. A pessoa assediada terá estabilidade durante o período que perdurar a investigação, sendo que, uma vez constatado o fato, a vítima terá sua estabilidade prorrogada por um ano. Durante a investigação, e mesmo depois de apurado e confirmado o fato, a vítima de assédio sexual/moral não poderá ser

transferida do seu local de trabalho, a não ser por livre escolha. Confirmados os fatos, o assediador deverá ser punido com demissão por justa causa. A ECT disponibilizará à vítima de assedio sexual/moral total apoio psicológico, mantendo o acusado afastado do convívio da vítima durante as investigações. Será criada por cada sindicato uma Comissão, com acompanhamento de um representante da ECT, para avaliação e acompanhamento e encaminhamentos das denúncias de Assédio Sexual e moral. C)Adaptação em período de gravidez A ECT garantirá, com acompanhamento do sindicato, a transferência imediata da empregada gestante, a partir da confirmação da gravidez, e especialmente aquela da área operacional (Carteiro, Motorista, Motociclista e OTT), para locais de trabalho que preservem o estado de saúde da mãe e da criança. A licença maternidade será de 12 (doze) meses, podendo a trabalhadora optar por conciliar as férias com o final da licença. Também será mantida sua permanência em serviço interno por mais dois meses para permitir o direito da mãe de prestar assistência integral ao seu filho. Fica garantida à empregada, durante a licença maternidade, o recebimento de todos os benefícios (vale refeição e vale cesta), inclusive assistência médica. Será facultada à mulher gestante, decidir o início de sua licença maternidade, não sendo obrigatório o seu afastamento no 8º (oitavo) mês de gestação, conforme previsão da CLT. O pagamento da trabalhadora em licença maternidade será efetuado pela empresa com repasse do INSS para a ECT.

D) Condições de trabalho da mulher A ECT garantirá as seguintes condições de trabalho à mulher Ecetista: a) Banheiros específicos, masculinos e femininos, com adequação para deficientes físicos e com vestiários e ducha higiênica nas unidades de trabalho. b) Fornecimento de uniforme para o sexo feminino diferenciado do sexo masculino, inclusive para gestante, com fornecimento de meias de pressão para prevenção de varizes, conforme prescrição médica. c) O peso máximo para as empregadas movimentarem e transportarem, não poderá ser superior a 06 (seis) quilos. d) A ECT ficará obrigada a criar um sistema alternativo de entrega, porta a porta, que não coloque em risco o trabalhador e nem prejudique o cliente. e) Redução da jornada de trabalho em duas horas para companheiras que estiverem com TPM ou iniciado período de menopausa, mediante prescrição médica. f) A ECT garantirá à empregada o direito de igualdade de exercer a função motorizada. g) Trabalho interno para Carteiro feminino, no mínimo de três dias no seu ciclo menstrual. h) Jornada externa reduzida para as mulheres. E) Licença-adoção A ECT concederá 150 (cento e cinqüenta) dias corridos, a título de licença-adoção, aos trabalhadores (as) que adotarem crianças na faixa etária de 0 (zero) a 14 (quatorze) anos de idade, iniciando-se a contagem do benefício a partir da comprovação oficial da guarda da criança, mesmo que provisória.


página 4

Jornal Mulher Ecetista

8 de março As raízes proletárias e revolucionárias do dia internacional da mulher Festejado hoje pelas organizações imperialistas, como a ONU, o 8 de março surgiu como dia de luta da mulher operária contra o imperialismo Apesar de ser celebrado, hoje, oficialmente no mundo todo, sendo inclusive data oficial reconhecida pela ONU e por inúmeros países do globo, são raríssimas as informações a respeito da origem da luta das mulheres pelo 8 de março, não existindo nenhuma história organizada sobre os fatos e discussões que levaram ao estabelecimento desta data como o dia internacional de luta na consciência das mulheres. O silêncio sobre a história de um dia tão comemorado e instrumento de campanhas supostamente em defesa da mulher pelo mundo todo, chama a atenção dos espíritos mais críticos e daqueles que lutam para resgatar a história do movimento operário, das suas lutas e das suas grandes realizações. O 8 de março é justamente mais uma destas grandes iniciativas da classe operária mundial que, com a Revolução Russa de 1917, firmouse como um instrumento de defesa internacional das mulheres. Posteriormente o imperialismo adaptou-se à esta conquista operária, procurando apagar suas origens revolucionárias, transformando o 8 de março em mais um instrumento da democrática política do imperialismo de ataque às mulheres, encoberta com os discursos e campanhas demagógicas sobre os “direitos da mulher”. O 8 de março A data do 8 de março está ligada à luta das operárias têxteis de Nova Iorque. Foi uma das primeiras greves destas operárias têxteis novaiorquinas, no ano de 1857 que deu origem à data. Nesta greve as operárias permaneceram paradas durante semanas, sendo brutalmente

reprimidas pela polícia e perseguidas pelos patrões em uma grande manifestação exatamente nesta data. transformando-se num símbolo de luta para as trabalhadoras e as socialistas norte-aemericanas. Esta greve é comumente confundida com o trágico incêndio da fábrica de vestimentas novaiorquina Triangle em 1911 – em decorrência das péssimas condições de trabalho - que matou mais de 100 operárias, acontecimento que ganhou tamanha notoriedade, pela denúncia feita pelos socialistas, quando estas começaram a realizar as primeiras manifestações para marcar o dia de luta das mulheres, que se apresenta, para muitos, como a explicação para a extraordinária repercussão trazida pela paralisação de 1857. Na realidade a greve das operárias têxteis, no século XIX, foi a primeira faísca da luta feminina que se transformaria no início do século XX num movimento internacional com manifestações de centenas de milhares de mulheres reivindicando o fim da discriminação. A importância da greve das operárias em 1857 refere-se ao fato de que o movimento foi pioneiro ao levantar as reivindicações femininas em um momento em que da entrada das mulheres no mercado de trabalho era ainda mais a exceção do que a regra. Em 1907, no dia 8 de março, uma comemoração desta greve vai iniciar, nos EUA, um ciclo de mobilizações de massas de mulheres, expressando o fenômeno mais geral da integração em massa das mulheres no mercado de trabalho e a superexploração da sua mão-de-obra pelo capitalismo. Neste ano as operárias e os socialistas de Nova Iorque vão convocar o dia 8 de março, para lembrar a greve de 1857, uma grande “Marcha da

Fome”, para reivindicar a diminuição da jornada de trabalho para 10 horas, melhores salários e condições de trabalho sendo brutalmente reprimidas pela polícia de Nova Iorque. Em 1908, novamente no 8 de março, as mulheres vão sair às ruas para comemorar as mobilizações de1857 e de 1907. Neste momento, também, o Partido Socialista Norteamericano vai criar o comitê de mulheres pelo voto levantando além das reivindicações econômicas como salários iguais para trabalhos iguais e o fim do trabalho infantil, uma campanha política pelo sufrágio feminino. Em 1909, novamente por iniciativa dos socialistas, o trabalho entre as mulheres será ampliado com o importante êxito obtido com a realização do primeiro dia Nacional das Mulheres, realizando manifestações em todo o país no último domingo de fevereiro, repetindo estas comemorações todos os anos até 1913, quando os movimentos adquirem o caráter de protesto contra a guerra que já se apresentava como uma terrível ameaça. Já em 1910 com o crescimento do movimento de mulheres, Lena Lewis, uma das principais representantes do movimento feminista norte-americano vai declarar que não era uma época para celebrar nada, mas um dia para antecipar as lutas que viriam quando “poderemos eventualmente e para sempre erradicar o último vestígio do egotismo masculino e seu desejo de dominar as mulheres”. O Dia Internacional da Mulher A criação do dia internacional de luta da mulher é obra do II Congresso Internacional das Mulheres Socialistas, realizado em 1910 na Dinamarca,

página 5

por iniciativa das militantes revolucionária da II Internacional. Nesta conferência foi aprovada a proposta feita por Clara Zetkin, responsável pela organização do trabalho de mulheres da social democracia alemã e editora do jornal de mulheres do partido, Igualdade . Segundo ela era necessário estabelecer um dia como referência mundial de luta para as mulheres na medida em que tanto na Europa como nos EUA os partidos socialistas já vinham realizando manifestações com este caráter, reunindo milhares de mulheres para lutar por reivindicações fundamentais como a redução da jornada, o voto feminino etc. A proposta do partido alemão era de que as comemorações realizassem-se no domingo, seguindo analogamente a política defendida por este partido em relação às comemorações do 1º de Maio algumas décadas antes, ou seja, fazer manifestações após o expediente, no caso da mulher, no domingo, para evitar um confronto aberto com a burguesia numa situação onde consideravam que não havia condições para impor uma derrota ao governo, particularmente na Alemanha. Participaram da conferência cerca de 100 mulheres representando 17 países, incluindo as três primeiras mulheres socialistas eleitas para o parlamento finlandês. Como plataforma para a organização das manifestações do dia internacional da mulher foi aprovada a luta pelo direito de voto feminino, o sufrágio universal e o seguro-maternidade para todas as mulheres casadas com filhos, em oposição a uma proposta de que o benefício fosse concedido independentemente do estado civil da mãe, proposta defendida pelos russos representados por Alexandra Kollontai. Mobilizações de massa Em 1911 a 1º comemoração do dia internacional da mulher, organizada pelo Secretariado Feminino da II Internacional, ocorreu no dia 19 de março na Alemanha, Dinamarca, Austria, Suiça, EUA e vários outros países europeus, sendo realizado nesta data em homenagem à revolução de 1848 na Alemanha, onde foi conseguido

Jornal Mulher Ecetista

o direito de voto feminino, revogado posteriormente pela derrota da revolução. Segundo a revolucionária russa Alexandra Collontai este primeiro “dia internacional das mulheres excedeu todas as expectativas. (... ) “A Alemanha e a Áustria eram um mar ondulante de mulheres. Reuniões eram organizadas em todos os lugares. (...) “Nas pesquenas cidades, até mesmo nas aldeias, os salões estavam tão cheios que havia pedidos para os trabalhadores homens cederem seus lugares para as mulheres. Os homens ficaram

todas as fábricas, causando uma grande comoção entre um movimento de mulheres massivo e radicalizado com a terrível confirmação das denúncias feitas dias anteriores. Esta tragédia marcou de forma indelével o dia internacional da mulher como um símbolo da situação de exploração das mulheres e do acerto das denúncias e reivindicações feitas pelas mulheres socialistas dos principais países do mundo. Uma conquista da Revolução

Trabalhadores em greve. em casa com as crianças para variar, e suas esposas, as escravizadas donasde-casa, foram às reuniões. Durante as maiores manifestações de rua, nas quais tomavam parte 30 mil pessoas, a polícia decidiu remover as faixas dos manifestantes: as trabalhadoras se opuseram. Na luta que se seguiu, o derramamento de sangue foi evitado apenas com a ajuda dos deputados socialistas no parlamento”. A manifestação reuniu 1 milhão de mulheres em todo o mundo, caracterizando-se como a erupção de um gigantesco movimento de massas, reivindicando o direito de voto, o de ocupar cargos públicos, direito ao trabalho, treinamento profissional, fim da discriminação nos locais de trabalho etc. Uma semana depois da manifestação, no dia 25 de março, o já mencionado incêndio na empresa Triangle, em Nova Iorque, matou 140 operárias têxteis, em função das péssimas condições de trabalho que vigorava em

Russa O dia Internacional da Mulher vai se estabelecer definitivamente no 8 de março com a vitória da revolução na Rússia. Não por coincidência, foi a manifestação convocada pelas operárias ligadas ao socialismo russo, o estopim da Revolução de Fevereiro de 1917, ao se transformar em uma greve geral na enorme concentração operária do bairro Viborg em S. Petersburgo, principal cidade industrial do país. Com a vitória da ditadura do proletariado, o governo soviético transformou a data em feriado comunista, procurando impulsionar a luta internacional das mulheres, não apenas por que foram elas as iniciadoras da revolução mas porque são a camada mais explorada da classe operária consituindo potencialmente um vasto movimento revolucionário e, segundo Lênin, sem elas “não haveríamos vencido, ou haveríamos vencido a duras penas”.


Jornal Mulher Ecetista 1