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EDITORIAL

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Edição 01

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stamos estreiando a revista BORA, uma revista descolada e prática. O pessoal da Bora presentiará com matérias sobre lugaeres que você, viajante, sempre sonhou em conhecer, seja por mochilão, carro ou avião. Estaremos disponibilizando fotos, entrevistas, dicas de hospedagem, refeição, câmbio, enfim, diversas informações úteis para o viajante, além de apresentar belíssimas reportagens, ilustrando um pouco de cada local. Una-se a nós, vamos mergulhar neste universo que por mais que conheçamos muito temos a aprender, Bora.


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SUMÁRIO 4

1. África do Sul 2. Austrália

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3. California

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4. Costa Amalfitana 5. Machu Picchu

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África do Sul

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ituada no extremo sul do continente africano, cercada de um lado pelo Oceano Atlântico e do outro pelo Oceano Índico, a África do Sul ocupa 1.223.410 quilômetros quadrados. Possui uma flora muito diversificada, encontrando-se paisagens mediterrâneas nas zonas costeiras, florestas tropicais ao longo dos rios, savanas no altiplano e estepe semidesértica na região do Kalahari; por ter uma grande cadeia montanhosa, a variação climática é muito grande, que vai desde o clima temperado, até o desértico. A África do Sul possui onze idiomas oficiais, sendo o Afrikaans e o Inglês os principais. A seguir falaremos das três principais cidades dessa região, e seus pontos turisticos.

CIDADE DO CABO Recortada pelo litoral atlântico, a Cidade do Cabo é, sem dúvida, uma das mais belas do mundo. Apresenta vida noturna intensa, sendo a cidade sul-africana mais concorrida em termos turísticos, talvez por sua localização privilegiada, que facilita a visita à Península do Cabo da Boa Esperança, às vinícolas de Stellenbosch e, ainda, à esplêndida Garden Route (Rota do Jardim). A Cidade do Cabo conta com muitas opções para a noite e é cheia de atrações turísticas, praias, aventura e ecoturismo. As belas áreas costeiras de Camps Bay, Clifton, Llandudno, Bantry Bay, Hout Bay e Blouberg são excelentes. Muitos lugares interessantes são encontrados nos distritos da província de Western Cape, como as regiões vinícolas e Garden Route. Western Cape Fica no extremo sul do continente africano. O relevo é marcado pelo litoral estreito e entrecortado, e pelo majestoso complexo da Table Mountain. É a provincia mais visitada pelos turistas. Pos-

sui cidades importantes como Saldanha, comum porto e relevante indústria de pesca; Worcester e Stellenbosch no coração da região vinícola; George, com destacada produção agrícola e turismo; e Oudtshoorn, conhecida pelas famosas cavernas Cango. Stellenbosch, região vinícula.

longo de toda a estrada, há desfiladeiros que se tornaram alvo fácil dos praticantes de esportes radicais. Há trilhas e bungee jumps de quase cem metros, além de rios propícios para a prática de canoagem; essa rota também passa por uma das ondas mais perfeitas de todo o mundo, como as de Jeffrey’s Bay.

Cavernas de Oudshoorn.

Garden Route A rota jardim fica no distrito Garden Route & Klein Karoo, na costa sul da província Western Cape. É a única estrada de todo o mundo que costeia os oceanos Atlântico e Índico, o verde recobre quase todo o percurso, em um país marcado pela paisagem de savanas. Ao

Fotos de lugares que se passa no caminho da Garden Route.


5 DURBAN Localizada no Oceano Índico, seu clima extremamente quente contribui para tornála o retrato fiel da África na imaginação das pessoas, imagem essa enfatizada por seus impressionantes mercados de rua.

Outro atrativo de Durban são as ótimas praias, que costumam ficar repletas de surfistas, e vida noturna agitada. É a principal cidade da província de Kwazulu-Natal e um importante porto do Oceano Índico. Possui quatro quilômetros de praia e orla urbanizada com passeios, restaurantes e bares, na foto a baixo você pode notar a infraestrutura desse lugar. Os muitos dias de sol durante o ano na cidade litorânea proporcionam ondas boas, e os surfistas têm uma vantagem em Golden Mile, nome dado a uma extensão de seis quilômetros às margens do oceano Índico, onde se estabelece a maioria dos hotéis e restaurantes de Durban. Os muitos dias de sol durante o ano na Em Marine Parade, foi construído um píer, usado pelos surfistas como trampolim. Assim não precisam atravessar a arrebentação remando. Na mesma praia estão localizados parques de diversão para crianças e também um teleférico conhecido é

o mercado Vitória, que concentra produtos indianos, embora a maioria dos vendedores seja zulu. Os vendedores, empolgados, ofertam peças de artesanato feito de madeira e de marfim. Tudo isso cercado pela atmosfera do Oriente, presente nas lojas de temperos, de peixes e de ouro e na infinita variedade de outros comércios, que mostram um pouco da mistura de culturas em Durban.

Mapa da África do Sul com suas principais cidades.

JOHANNESBURGO É o coração econômico do país, atualmente, os escritórios e lojas deslocaram-se para bairros periféricos, como Sandton e Rosebank. Ainda assim, a cidade vale a pena ser vista, porque conta com bons museus, restaurantes e shopping centers e, também, é o principal ponto de partida das rotas que levam ao Kruger National Park e Sun City. Boa gastronomia e intensa vida noturna nos bares e restaurantes descolados dos subúrbios do norte, como Melville e Melrose Arch; arquitetura imponente que começa a ser redescoberta na cêntrica região de Newtown; e uma infinidade de bons museus e centros culturais que recontam os últimos milhões de anos do continente e suas culturas complexas. O visitante não pas-

sará imune por Johannesburgo. É ali que se concentram atrações de forte valor histórico como o Constitution Hill, o Apartheid Museum e o Soweto, subúrbio de Johannesburgo que abriga a construção simples da antiga casa de Mandela e o Hector Pieterson Memorial Museum, um museu dedicado a outra figura negra ligada à resistência ao separatismo racial. A cenográfica capital administrativa da África do Sul abriga imponentes edifícios oficiais de tons amarelados erguidos sobre uma colina, conhecidos como Union Buildings.

Union Buildings

Pontos Turísticos Johannesburgo Apartheid Museum - Museu de categoria internacional, retrata a história do Apartheid. Você se sentirá como no Apartheid, você é classificado de acordo com sua cor na entrada como nos tempos antigos, TerDom 10-17hr, Há 6km do centro da cidade.

Constitution Hill - Numa colina que tem a vista de toda a cidade, já foi prisão no passado (século 19), onde brutalidades eram praticadas nos inocentes do apartheid. A Constitution Square é uma praça muito bonita. Diariamente 9-17hr.


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Austrália C

onhecida como a terra dos cangurus e dos coalas, a Austrália é praticamente uma ilha-continente do outro lado do mundo, sendo o maior país da Oceania. A ex-colônia dos ingleses é hoje umas das nações mais ricas do mundo, bem como um dos destinos preferidos de mochileiros e estudantes, pois oferece tudo do bom e do melhor: clima abrasileirado, centenas de praias bonitas e surfáveis, paisagens maravilhosas, hospitalidade, liberdade, multiculturalismo, diversão e agito. Soma-se ainda o fato da moeda local ter um câmbio melhor do que o dólar americano, o que torna a viagem mais barata. Além disso, é também um dos poucos lugares que permitem que o estrangeiro trabalhe enquanto estuda no país. Uma oportunidade única para conhecer gente de várias nacionalidades. Sua cidade mais famosa, Sydney, foi criada há 200 anos, como colônia penal inglesa. Hoje, é uma cidade moderna e multicultural, ideal para turistas descolados e amantes de arte moderna. Gold Coast, por sua vez, é famosa por suas águas cristalinas, clima sem extremo e muita diversão. Cidades como Melbourne, com clima europeu; Cairns, próxima à grande barreira de corais; e Perth, no lado oeste do país, também atraem visitantes em busca de lazer e cursos de curta ou longa duração. A seguir falaremos um pouco mais das cidades de Sydney, Melborne e Gold Coast.

SYDNEY Sydney é uma das cidades mais espetaculares do mundo com seus impressionantes portos e baías. É o primeiro ponto de escala para viajantes internacionais e há muitas opções de acomodações, excelentes conexões de transporte e muito o que se ver e fazer, o que garante que Sydney seja impressionante. Principal destino turístico da Austrália, é a cidade mais famosa do país é também multicultural, carrega um quê de Europa, com uma pitada de Brasil e um pouco de Estados Unidos. Isso para citar apenas três influências. Não é à toa que a capital do Estado de New South Wales é um dos lugares que atrai mais imigrantes no mundo. Nas 40 praias da baía perfeitamente recortada, turistas e sydneysiders, como são conhecidos os moradores de lá, disputam um es-

Bondi Beach e Manly, ao norte de Sydney, só é possível chegar de balsa.

paço na areia e um lugar ao sol. Saindo das praias, mas ainda na baía, o porto de Darling Harbour é o lugar onde ferve o agito turístico. É dali que se entra para o centro nervoso da cidade, o chamado Central Business District, ou CBD, onde uns poucos arranha-céus cortam largas avenidas. A região guarda os principais hotéis, restaurantes e bancos locais, além dos dois maiores cartões-postais da cidade, a Harbour Bridge e a Sydney Opera House. Sydney tem um povo com uma atmosfera bastante amigável. A presença dos imigrantes, muitos deles brasileiros, também ajuda - não é difícil cruzar com alguém falando português pelas ruas. Para as horas de diversão e relaxamento, bares, baladas, pubs e restaurantes de todos os tipos e para todos os gostos fazem a cabeça dos viajantes.


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MELBOURNE Jovem e vibrante, carregada de estilo e sofisticação. Em resumo, essa é a essência de Melbourne, a capital de Victoria (o menor estado do continente) e a segunda maior metrópole da Austrália. Considerada uma das cidades australianas mais fáceis de conseguir trabalho, Melbourne lembra a frenética São Paulo, por ser o centro dos negócios, dos eventos culturais e esportivos, mas apesar de ser frenética, ela foi conceituada pela revista The Economist como o melhor lugar do mundo para se viver. As universidades da cidade reinam absolutas. E são três as mais importantes: Melbourne University, Monash University e La Trobe University. Milhares de jovens estrangeiros que lá chegam para estudar inglês e pós-graduação. Os amantes da arte podem se esbaldar em museus, galerias e livrarias, sobretudo das regiões de Southbank e do centro, onde também é possível observar o contraste entre o antigo e o novo da arquitetura. O Museu de Melbourne, por exemplo, é o maior da Austrália e um dos mais modernos do mundo. Apresenta coleções que abrangem diferentes aspectos da vida humana, incluindo ciência e tecnologia até temas ligados à mente e o corpo do homem, sem deixar de lado o legado da cultura aborígine. A noite de Melbourne é muito agitada, há quase um pub por esquina. Todos sem-

¹Federation Square; ²Ilha Philip; ³Great Ocean Road e os doze apóstolos;

pre lotados no pós-expediente, sobretudo de sexta-feira. Mas tem que chegar cedo, pois os bares encerram às dez da noite, pois essa é uma das leis locais. Os momentos de puro lazer em Melbourne apresentam variados níveis de adrenalina. E nos arredores da cidade há atrações interessantíssimas. Para um contato maior com a natureza, a pedida é a ilha Phillip, a pouco mais de duas horas de carro a sudoeste. Lá, o turista vê de perto colônias de pinguins, coalas, cangurus, focas e um mar bom para pescarias. Pouco mais à frente e na mesma direção do arquipélago, fica a Great Ocean Road, um dos locais mais bonitos na Austrália. Tratase de uma estrada à beira-mar, de onde se avistam falésias que recortam a costa formando arcos e cavernas marinhas. Os pilares que emergem do mar como estátuas gigantes são conhecidos como os 12 apóstolos e valem uma foto para a posteridade. da noite, pois essa é uma das leis locais. Bells Beach é a praia australiana mais famosa entre os surfistas situa-se a uma hora e meia ao sul da cidade. Já no inverno, Mt.Buller é uma estação de esqui e esportes na neve, localizada a nordeste de Melbourne e na fronteira com o estado de New South Wales. Todo o equipamento para esquiar pode ser alugado no local por preços razoáveis. Na cidade de Melbourne existe circuito do Aquário, Zoológico e Jardim Botânico de Melbourne, que vale a pena conhecer. Melbourne Observation Deck é o edifício de 260 metros de altura tem uma vista incrível de 360 graus da metrópole. Após isso, embarque num passeio de barco pelo rio Yarra, ou de trem a vapor pelos campos do norte. O transporte mais eficiente é o tram City Circle, uma versão moderna dos bondes que circulam pelas ruas da cidade. A bordo de um deles, é possível circular por to-


9 dos os pontos diariamente até a meia-noite. E mais: na região do centro da cidade opera o tram vermelho. Ele é grátis e o turista pode subir e descer quantas vezes quiser, sem colocar a mão no bolso uma única vez.

GOLD COAST A Gold Coast está localizada na costa leste da Austrália no Estado de Queensland, a 850 Km ao Norte de Sydney. A população atual supera os 440 mil habitantes, e a cidade vem apresentado ultimamente o maior índice de crescimento na Austrália. Milhares de turistas a cada ano, procuram a Gold Coast por suas praias de águas cristalinas, clima sem extremos, e principalmente pela diversão. Canais navegáveis cortam a cidade, equivalendo em extensão à 9 vezes os canais de Veneza. Os canais foram construídos nos anos 60, aproveitando-se diversos rios da região que se conectam com o mar e servem de berçário para diversas espécies que a cada verão procuram essas águas para procriar.

Tanto o mar quanto os canais, são habitados por muitos peixes, arraias, caranguejos, golfinhos, e tubarões, e são ótimos para pescar. As praias com águas mornas do Oceano Pacífico, são sempre um convite para um mergulho, surf, ou pesca de molinete. Redes contra tubarões cobrem toda a extensão da Gold Coast, e estão posicionadas à cerca de 500 metros da praia. A temperatura no mar é de 18 º no inverno, chegando a 26º no verão. Na terra a Temperatura, varia de 10° no inverno e 23° Celsius no verão. A primavera e outono são as melhores, com temperaturas deliciosas nos 25°. Pouquíssimas vezes

noite, esse bairro pulsa com gente desfilando em carrões novos ou dos anos 60, modificados ou adaptados. Surfers conta com uma infra-estrutura turística completa, e virou lugar de moda e azaração. Apesar do nome, Surfers Paradise não é o paraiso dos surfistas, pois a praia é aberta e longa, com ondas e correntes, não muito boas para a prática do surf. Ocasionalmente, oferece um surf razoável. Broadbeach é um bairro que tambem conta com ótima infra-estrutura turística, com muitos restaurantes, Shopping, Casino, Boates, Hotéis, e inúmeros Cafés com mesinhas nas calçadas. A frequência é feitas mais por residentes, mas também atrai turistas. Possui um excelente parque gramado à beira-mar, com pistas para caminhadas, aparelhos para ginastica, além de várias churrasqueiras públicas, banheiros, chuveiros, e diversas áreas para um bom picnic.

Fotos de dia e da noite de Surfer’s Paradise

durante o ano, é necessário o uso de casacos. Surfers Paradise é o bairro mais central da Gold Coast. Hotéis, restaurantes, boates e casas com todos os tipos de diversão proliferaram, e prédios, Apart-Hotéis e muitas acomodações foram construidas. Surfers Paradise então explodiu a nível de sofisticação e fama, tanto nacional como internacional. Virou uma espécie de âncora de empregos na área de turismo, atraindo aplicantes de todas as partes da Austrália e do mundo, e por consequência, tornou-se um centro de aglomeração da “rapaziada”. Qualquer dia da semana, principalmente Sexta e Sábado à

Fotos da praia e da cidade de Surfer’s Paradise


10 Ao Sul, o bairro de Coolangatta, concentra uma grande quantidade das melhores ondas para surf no mundo, com praias, como Kirra, Rainbow Bay, Snapper Rocks e Duranbah se destacando pela qualidade de suas ondas. O Aeroporto Internacional da Gold Coast, recebe além de vôos domésticos, vôos provindos da Nova Zelândia e de alguns outros países. Coolangatta faz fronteira com o estado de New South Wales, e a linha divisória passa no meio da rua, no centro da cidade de Tweed Heads, causando cenas curiosas, como o vizinho da frente ter carteira de habilitação diferente, a cerveja custar mais barata devido a impostos menores, e até mesmo um trabalhador licenciado em um estado, não ser

Kirra, Rainbow Bay, Snapper Rocks e Durban com suas ondas perfeitas.

Praia de Kirra e seus tubos perfeitos, um paraíso para os surfistas.

licenciado para trabalhar no outro lado da rua. Ao Norte, os bairros de Southport, Labrador, Runaway Bay e Paradise Point, estão bem em frente a uma ilha chamada “South Stradbroke”. Esta ilha de mais de 20 Km, funciona como uma barreira para o mar aberto, resultando em uma baía abrigada, a “Broadwater”, onde todos os tipos de esportes aquáticos são praticados. Ultimamente, essa região tem crescido muito, com a construção de novos estabelecimentos e por consequência, com grande valorização imobiliária. O Bairro de Southport, e considerado a Down Town da Gold Coast, e é onde estão a maio-

ria dos orgãos públicos, muitas escolas e cursos para estudantes internacionais, e a grande maioria de fábricas, agências de automóveis, e lojas especializadas da região. A Gold Coast é conectada com Brisbane, e de lá para outras partes da Austrália, incluindo o Aeroporto. O trem é muito bom, limpo, com ar condicionado, e parece flutuar no ar. As estações na Gold Coast ficam nos bairros de Robina e Nerang. O trem é ideal para se resolver problemas ou para se passear em Brisbane, pois para bem no centro da cidade. A viagem leva cerca de uma hora. Os preços até Brisbane sao: A$ 9,00 adulto; A$ 4.50 criança até 14 anos. No Aeroporto Internacional de Brisbane, a estação fica ao lado dos terminais doméstico e internacional, e serve a cada 30 minutos, à partir das 5 da manhã até as 8 da noite. O “ Air conect ticket”, é um bilhete com desconto do aeroporto até a porta da sua casa ou seu hotel na Gold Coast e vice versa.


Califórnia A

Califórnia, privilegiada pela natureza e sede de Hollywood, é, sem dúvida, o mais cinematográfico dos estados norte-americanos. Vale a pena planejar uma viagem mais prolongada e você pode escolher entre alugar um carro e percorrer livremente o estado pela Highway 1, com suas curvas a beira mar, ou embarcar em um roteiro descolado com outros jovens do mundo todo. Se a sua opção for a independência de um trajeto de carro, a sugestão é iniciar a viagem pela descontraída San Diego, é bom reservar alguns dias para curtir Los Angeles, e San Francisco é a escolha perfeita para encerrar sua viagem

SAN DIEGO A cidade de San Diego, fica bem no sul do estado, quase na fronteira com o México. Ela é uma das cidades mais antigas da Califórnia. Até 1870, foi desenvolvida em torno do presídio, o forte militar dos espanhóis, na área agora chamada de Old Town San Diego State Historic Park. A parte antiga foi preservada. Praias limpas, parques bem arquitetados e um skyline deslumbrante é o que os cerca de 16 milhões de turistas anuais e 1,3 milhão de moradores encontram em San Diego, no sul da Califórnia (EUA). Costeira e ensolarada, a cidade surpreende pela beleza natural e alta qualidade de vida. É “ecofriendly”, antitabagista, antialcoólica e tem entretenimento para todos os gostos, do surfe à Legolândia — parque de diversões em que os brinquedos são feitos de Lego. A grande San Diego tem cerca de 90 museus, grandes anfiteatros, 117 km de praias, cidade histórica e parques com atrativos suficientes para manter o turista ocupado durante dias. Além de seus encantos naturais,

é porta de entrada para Tijuana —cidade do México que fica na fronteira com os Estados Unidos, cerca de 30 km ao sul de San Diego. O clima da cidade é quente e seco, com temperaturas agradáveis durante quase todo o ano. A média anual é de 21ºC e a mínima, de 4ºC, no inverno. A umidade do ar é baixa, e as chuvas se concentram entre dezembro e março. Entre as principais atrações turísticas de San Diego estão o Balboa Park —que abriga Flame Cardif, uma das muitas praias de San Diego. 15 museus, teatros, jardins, centros de arte e zoológico —, o Mission Bay Park, as É permitido fazer piqueniques nos parques e praias, La Jolla, Coronado Island, Old Town, nas praias, mas cerveja e vinho devem esEmbarcadero, Sea World e Legolândia. tar fora do menu. Por força de lei municipal, é proibido fumar e ingerir bebida alcoólica nos parques e praias de San Diego. A multa pode chegar a US$ 1.000, e turistas também estão submetidos à regra. Quem quer beber tem de ir a um bar ou restaurante, e quem quer fumar deve ficar a, pelo menos, cem metros de distância de qualquer prédio, praia ou parque público. A cidade apresenta grandes festivais de música, cinema, balé e ópera durante todo o ano. MusicUm dos principais pontos turísticos ais da Broadway também vão a San Diego. de San Diego, o Balboa Park.

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12 A cidade é um convite à prática de esportes. A Grande San Diego tem cerca de 90 campos de golfe e quadras esportivas. Nas praias, alugam-se caiaques e pranchas de surfe. Quem gosta de correr tem à disposição uma longa orla marítima. Veja o Sea World, construído nos mesmos moldes dos outros parques marinhos que exibem animais. As baleias orca fazem espetáculo à parte. Há também o fantástico zoológico de San Diego. Graças a um conceito inovador de climatização de ambientes, os bicho vivem tão felizes com sua imitação de habitat que dão verdadeiros espetáculos espontâneos, não treinados. Em vez de grades, simples paredes e vidro separam os animais das pessoas, tal qual gigantescos aquários habitados por hipótamos, pandas e gorilas. A primeira cidade a ser colonizada e a terceira maior em população da Califórnia, San Diego não é tão conhecida como suas vizinhas Los Angeles e São Francisco, mas oferece lugares atraentes como os bairros mexicanos de Old Town e Gaslamp Quarter e a existência de diversos museus, só em Balboa Park. Abaixo fotos do parque SEA World.

LOS ANGELES Los Angeles é a maior cidade da Califórnia e a segunda mais populosa dos EUA. A combinação de parques temáticos, estúdios de cinema, museus e espetáculos de música e dança é o que leva cerca de 26 milhões de visitantes por ano a Los Angeles, nos Estados Unidos. A Meca do cinema é também uma das capitais mundiais do entretenimento, ao lado de Las Vegas, Orlando e Nova York. A cidade, que oferece atrações para públicos de todas as idades, é uma ótima opção para viagens de férias com a família. A visita a Los Angeles mostra a realidade dos cenários de cinema. Lá estão Hollywood, Beverly Hills, Malibu, Long Beach, Downtown e a até a violenta South Central, onde é gravada boa parte dos filmes americanos que têm como temática as brigas de gangues. Os estúdios de Walt Disney, da Universal, Warner Bros., ABC, CBS e NBC também estão instalados na cidade. A 50 km do centro, em Anaheim, fica a Disneylândia, o primeiro parque temático erguido por Walt Disney, criador dos personagens Mickey Mouse e Pato Donald.

Fotos de Beverly Hills, Hollywood, Malibu e Downtown.

A noite de Los Angeles é tão agitada quanto o dia. Hollywood, Venice e Sunset Boulevard têm casas noturnas, bares e cozinhas de todos os tipos, mas quem não faz reserva antecipadamente pode ter de esperar até uma hora por uma mesa em um dos restaurantes da moda. Quem vai a Los Angeles na expectativa de fazer compras pode sair frustrado. A cidade é cara, e os artigos de luxo têm preço para super stars. Vale a pena visitar a Rodeo Drive, um dos centros comerciais mais sofisticados do mundo, mas quem quer economizar deve comprar nas lojas de pechinchas de Chinatown, no centro, ou na Third Street(foto), em Santa Monica, onde


13 se encontram grifes mais jovens, com artigos mais acessíveis do que os de Rodeo Drive. A cidade é ensolarada durante quase todo o ano. O clima é quente, com baixo nível de umidade, e as temperaturas médias da região ficam em 13ºC e 23ºC. Chove pouco, a temperatura da água é mais agradável e não há ventos frios na maior parte do ano. Nudismo, bebida alcoólica e fumo não são permitidos nas praias de Los Angeles.

Em Hollywood, cidade celebrizada pela indústria do cinema, as chances de se ver algum rosto conhecido das telonas são bem mais nas ruas arborizadas e mansões nababescas de Bervely Hills, a poucas quadras dali. Beverly Hills é uma cidade independente de L.A. que desde o início dos anos 20 é o endereço preferido da indústria cinematográfica. O lugar dos ricos e de suas mansões localizadas, em sua maioria, na Sunset Boulevard. Na visita a essa cidade não pode faltar um passeio em Rodeo Drive, uma rua que abriga as lojas mais exclusivas dos EUA, lojas de estilistas internacionais, galerias de arte, museus e restaurantes. As praias de Manhattan Beach, ao sul, e Malibu, ao norte, são as mais badaladas e popular. Já Hermosa Beach é uma praia freqüentada por famílias, indicada para quem gosta de esportes à beira-mar. O clima festivo de Venice Beach nunca deix-

ou de existir. No início do século passado a cidade foi projetada para ser uma espécie de Veneza americana, com canais substituindo ruas, pontes conectando avenidas e etc. Hoje quase todos os canais foram aterrados. No calçadão, nos finais de semana, homens e mulheres passam em bicicletas, patins, skates, enquanto uma multidão de artistas de rua entretém as pessoas. A Venice Beach é segura para caminhar de dia, mas é melhor evitá-la de noite. As fotos abaixo mostam um pouco dos ares de Venice, sua pista de skate na praia, seu pier e o famoso calçadão.

A atmosfera em Santa Monica é tipicamente californiana, com lojas charmosas, bons restaurantes e pessoas de todas as idades andam de patins, bicicleta, surfam, tomam sol, caminham e aproveitam a boa vida. A localização de Santa Monica garante um clima ameno, com sol praticamente todos os dias do ano. Um cenário de palmeiras, praias e montanhas muito populares nos filmes.

Pier de Santa Monica, um dos mais famosos da Califórnia, já apareceu em vários filmes.

Ela é facilmente reconhecível pelo seu famoso píer com uma montanha russa em cima - aquele que sempre aparece nos filmes ambientados na Cidade dos Anjos. Na praia de Santa Monica, há um pier que é uma unanimidade entre moradores e turistas. Têm várias atrações típicas de cidade de praia, como pipoca, algodão doce, carrinhos bate-bate e uma galeria com brinquedos. O visitante não pode passar por Santa Monica sem conferir a Third Street Promenade, que transformou-se em um dos lugares da moda em L.A. Um imenso calçadão de três quadras, oferece várias lojas, livrarias, bares, restaurantes e cafés, sendo muito procurado à noite, quando artistas fazem diversas apresentações de música, dança e teatro ao ar livre.


14 SAN FRANCISCO

San Francisco fica na costa Oeste dos EUA e é a quarta maior cidade da Califórnia em população, depois de Los Angeles, San Diego e São José. São Francisco é uma cidade jovem, apesar da aparência de velha emprestado pelas milhares de casinhas vitorianas que recobrem suas colinas. Ousada e sempre pronta a experimentar, suas ruas já balançaram ao som de acordes psicodélicos das guitarras hippies, no verão do amor de 1967, e foram enfeitadas com bandeiras coloridas, para apoiar o movimento pelo orgulho gay, nas décadas de 70 e 80. Na ensolarada Califórnia, São Francisco, ou “Frisco”, como a denominam seus habitantes, é uma das cidades mais animadas dos Estados Unidos: caleidoscópio de vibrantes atrações, famosa por suas ladeiras e por seus bondes, com grande diversidade cultural, vibrante, interessantíssima e cosmopolita, oferece milhares de possibilidades ao viajante. San Francisco encanta pela geografia, arquitetura, música, gastronomia, pelo clima, pelos parques, passeios e pelas boas compras. A cidade foi construída em meio a 43 montanhas e colinas. Tem como cenário o mar do Pacífico, ladeiras, artistas de rua, espigões que contrastam

com casas vitorianas, museus importantes, grandes casas de espetáculo e uma ponte que é considerada uma das maravilhas arquitetônicas do mundo -a Golden Gate Bridge. A cidade oferece atividades de cultura e de lazer durante o ano inteiro. Dependendo da estação, o turista pode acompanhar temporadas de balé, de óperas, o SFJF (San Francisco Jazz Festival), a parada do orgulho gay, maratonas, festas de Halloween (Dia das Bruxas) e até Carnaval - normalmente acontece em maio ou junho. Na bagagem, até os mais calorentos devem levar um casaco. O clima de San Francisco varia bruscamente num mesmo dia. Mesmo no verão, a temperatura pode cair até 9ºC, da manhã para a noite. É comum enfrentar frio de 16ºC nos meses de junho e julho. O clima é seco, variando entre quente e frio.

Ir a São Francisco e não passear de cable car, os charmosos bondinhos que percorrem os principais pontos turísticos da cidade, é mais ou menos como visitar o Rio e não subir até o Cristo Redentor. O bondinho é todo aberto. Seu design ainda é o mesmo de quando começaram a operar os primeiros cable cars, no fim do século passado. Na época, eles eram um dos principais meios de transporte da cidade. Havia mais de 600 deles operando mais de 21 rotas. Com o terremoto de 1906, esse sistema de transporte foi destruído. Chegou a haver uma tentativa de eliminar os bondinhos, mas um movimento popular preservou-os. Desde 1982, restaurados pela prefeitura, os cable cars voltaram a funcionar, agora com forte apelo turístico. O bilhete custa US$ 2 e o passeio completo demora cerca de uma hora.

Na Ilha de Alcatraz, em seus tempos áureos a estadia do mafioso Al Capone, bem no meio da Baía de São Francisco. A cadeia hoje desativada já foi tema de vários filmes de Hollywood. A ilha já foi uma importante base militar americana antes de ser uma cadeia. Hoje, Alcatraz é um museu visitado por 1,2 milhão de pessoas por ano, interessadas em descobrir os mistérios que rondam a ilha e também em desfrutar uma das mais belas vistas da baía e da cidade de São Francisco. Devido a alta procura, é melhor reservar a visita à ilha com pelo menos duas semanas de antecedência, principalmente no verão. De Fisherman’s Wharf partem vários barcos para o museu. O passeio custa US$ 15 e inclui visita às celas de prisioneiros e caminhadas pela ilha. O tour é narrado por ex-presidiários e guardas e dura cerca de uma hora.


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Costa Amalfitana A

Costa Amalfitana é um trecho de 60 km do litoral da Campânia, entre Sorrento e Salerno, servido uma estrada costeira que é uma passarela estreitíssima, esculpida, em boa parte, no precipício. Ao longo da estrada, entre uma vista vertiginosa e outra, encontram-se cidades históricas como Amalfi (à beira do mar Tirreno) e Ravello (no alto da montanha), além de um lindo vilarejo que escorrega pela encosta até a praia: Positano. Já Capri é um destino cobiçado desde a época dos imperadores romanos – Otaviano e Tibério construíram palacetes por lá. Por sua proximidade à Costa Amalfitana, pode ser visitada na mesma viagem.

POSITANO Em Sorrento que você leva o primeiro susto – no bom sentido é claro. É aqui que a estradinha vinda de Pompéia escala os penhascos à beira mar e se transforma, oficialmente, na Costeira Amalfitana. Daí, até Salerno, são 60km de curvas (centenas), túneis (alguns) e emoções (muitas), sempre vendo o litoral de uma posição privilegiada, seja dentro de um carro ou de um ônibus de excursão. Se for ônibus, brigue para ficar na janela, no lado direito no sentido Sorrento-Salerno. Se for de carro, parabéns: você poderá parar para apreciar a vista sempre que quiser, o que é muito melhor. Antes de seguir em frente, porém, saiba por que Sorrento era a cidade favorita de Enrico Caruso, o tenor que deu fama mundial à canção Torna Sorrento. Explore seus mirantes, pegue a estradinha até Nerano, onde estão às primeiras praias da Costa Amalfitana, e, no dia seguinte, deixe o carro em uma garagem e tome o barco para Capri. De volta à Costiera, prepare-se, então para o encontro com a cidade mais charmosa de

todo o roteiro: Positano. Rode devagar, que são apenas 17km até lá e Positano merece ser comida com os olhos calmamente. A cidade, empilhada quase verticalmente sobre a montanha, tem a forma de uma pirâmide e lembra Veneza pelo labirinto de becos e ruelas, só que num sobe-desce que não acaba mais. Assim que achar vaga em um estacionamento (o que não é tão fácil) deixe o carro e faca um passeio que dá mais prazer em Positano: aquele em que você se perde e acaba descobrindo sem querer, um terraço para tomar um drinque à espera do pôrdo-sol, ou um atalho que vai dar na praia. Caso se perca de verdade, pergunte pelo Le Sirenuse, hotel mais romântico da cidade, que serviu de cenário para o filme Only You, em que os personagens de Marisa Tomei e Robert Downey Jr. Descobrem em Positano que haviam nascido um para o outro. É o lugar ideal para fazer a grande extravagância da viagem, jantando a luz de velas com a pirâmide branca de Positano a seus pés. ¹Posiano Beach; ²Sua cidade que lembra a forma de uma pirâmide.


16 RAVELLO Se ficar em dúvida, pare o carro. E sempre que encontrar um punhado de automóveis estacionados à beira da estrada, pare sem a menor dúvida. Essas são as regras básicas para quem quiser conhecer tudo o que vale a pena na Costeira Amalfitana. Se não for assim, você corre o risco de passar batido pelas praias mais escondidas, como Furore, que é cercada por um Fiorde de 300m de altura, que mais parece saído da Noruega. A maioria das praias fica no trecho entre Positano e Amalfi, a cidade que dá nome a costa inteira. Além de Furore, passa-se por Praiano, Sant’Andrea, Marmoratta e outras. Um pouquinho antes de chegar a Amalfi, há uma atração diferente: a Gruta Esmeralda., cujas águas límpidas que refletem a luz e deixam ver um presépio submerso. Amalfi lembra Positana na maneira como ocupa as encostas. É uma cidade de trajetória curiosa: mil anos atrás era a grande rival de Pisa e Genova no comercio do Mediterrâneo, mas hoje não tem nem sombra da importância econômica de antes. Continua sendo, porém, uma potencia na fé e na gastronomia. Sua catedral vistosa, herança daqueles áureos tempos, guarda o tumulo do apostolo Santo Andre, padroeiro da cidade. E seus restaurantes servem consagrados pratos do mar. Já Ravello, quem vem logo após Amalfi, é um caso à parte. Ao contrario das demais atrações da Costiera Amalfitana, não fica ao nível da estrada nem abaixo dela, mais aci-

DE POSITANO A RAVELLO

Foto 1 (ao lado): Furore Foto2 (a cima): Sant’Andrea

ma. Para chegar lá, é preciso encarar uma subida em caracol, que vai dar em um platô de onde se tem a vistoria mais ampla da costa. Difícil é dizer se a mais bonita das visões é a que se tem da Villa Rufolo ou da Villa Cimbrone, as duas mansões mais luxuosas de Ravello, hoje transformadas em museus. Há um detalhe, porem que torna a Villa Rufolo mais especial. Ela serviu de residência ao compositor Richard Wagner no passado e serve hoje como palco de boa parte dos concertos apresentados quase diariamente na cidade de março a novembro. Os concertos são apresentados nos jardins da mansão, ao ar livre, e melhor de frente para a costa mais bonita da Itália.

Vista da Villa Rufolo

Pegue o carro e vá pela Costeira Amalfitana na direção de Positano. São apenas 23km, que podem ser percorridos tranquilamente em menos de meia hora de carro – mas esta é uma viagem em que a pressa não tem o menor sentido. Rode devagar e não perca a oportunidade de parar em cada brecha que encontrar à beira da estrada para curtir o visual. Positano, que ocupa de alto e baixo uma encosta íngreme, parece desafiar a gravidade de tão vertical. E é bonita de mais, de qualquer ângulo de se olhe. Perca-se o quanto antes em suas ruelas, parando no charmoso Hotel Le Sirenuese para um café. Praiano, 6km adiante, é a melhor opção para um banho de mar. Reserve o final do dia para Ravello, 13km depois de Praiano, que é a cidade mais alta da Costa Amalfitana. Você terá dificuldade em decidir de onde se tem melhor panorama ao pôr-do-sol, se dos jardins da Villa Rufolo ou Da Villa Simbrone, em Rovello.

Vista das Masões da Villa Cimbrone.


17 ILHA DE CAPRI

Capri é tão bonita que é mesmo de deixar qualquer um indeciso sobre por onde começar. Quando você acha que não pode haver nada mais bonito do que a vista que se tem logo ao chegar à ilha, do mirante ao lado da estação do bondinho, entra na trilha ao Arco Natural (um portal de pedra, esculpido pela natureza, à beira-mar) e fica em dúvida. Então, vai até Punta Tragara, dá de cara com os Faraglioni (três rochedos que se erguem no mar), e decide: sim, este é o canto mais especial da ilha. Mas pode mudar de idéia de novo e de novo, quando contornar a ilha de barco, embrenhar-se de canoa na Gruta Azul, assistir ao nascer do sol nas ruínas de Villa

Jovis (a maior das casas de Tibério) ou perambular pelos jardins de Villa Saum Michelle, em Anacapri, a segunda cidade da ilha. Não é a toa que Capri, mesmo só tendo pouco mais da metade do tamanho de Fernando de Noronha, chega a receber quase dois milhões de visitantes por ano, que é o número a que se chega somando o movimento das barcas que partem de Nápoles, Sorrento, Positano, e Amalfi – alguns privilegiados chegam de helicóptero e iates particulares, mas essa já é outra história. A maior parte desses turistas desembarca de manhã e vai embora à tarde, depois de bater perna pelas trilhas principais e dar um mergulho na

praia de Marina Piccola. É que não existe estrutura na ilha para acomodar tanta gente. Também por falta de espaço, o transporte dentro da ilha é restrito a um bondinho que liga o porto à cidade de Capri, e aos ônibus e taxis que circulam entre as duas cidades. Por isso, para conhecer a ilha na intimidade é preciso caminhar bastante. A vantagem é que assim você acaba vendo mais. *Capri não faz parte da Costa Amalfitana, é uma ilha separada dessas, porém muitos turistas que vão essa costa aproveitam e já visitam Capri por ser perto, por isso botamos ela nesse capítulo.


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MACHU PICCHU Cr么nicas por Maur铆cio Tonetto

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Nesta matéria será apresentado o percurso percorrido da cidade de Cusco à Machu Picchu por um grupo de 8 mochileiros, sob o olhar do jornalista Mauricio Tonetto, integrante do grupo e blogueiro de viagens.

Estamos sendo observados Após quase oito horas de subidas e descidas pelas altitudes do vale sagrado dos incas, chegamos à ferrovia que conduz aos pés de machu picchu. Durante o trajeto fomos presenteados com um visual deslumbrante e místico, muito característico das paisagens andinas. o nosso guia disse, numa charla, que os índios andavam pelo vale sagrado há mais de cinco séculos buscando o lugar prometido onde deveria ser erguida a cidade perdida. É difícil imaginar como eles conseguiam sobreviver em meio a um ambiente selvagem, úmido e alto. Mas os incas sabiam bem mais do mundo do que nós. A van parou na ferrovia ao lado da hidrelétrica de machu picchu, onde fomos obrigados a descer com as mochilas e seguir o resto do trajeto até aguas calientes a pé. esta pequena cidade, cujo nome oficial é machupicchu pueblo, transformou-se num ponto de parada obrigatório dos mochileiros de toda parte do mundo que seguem para as mais impressionantes ruínas incas.

A trilha na ferrovia começou excitante e terminou desgastante. Mesmo que a caminhada tenha sido uniforme e plana, a altitude e a umidade da selva desidratam e sugam as forças. Cada um seguia o trecho no seu ritmo, mascando folhas de coca e ouvindo o som do rio urubamba. Forte e vigoroso, ele descia do alto da montanha com uma velocidade incrível. afluente do soberano amazonas, o urubamba pode ser observado em machu picchu. Quando começou a anoitecer, a caminhada ficou um tanto dramática. com lanternas nas mãos, enxergávamos um palmo na frente e escutávamos apenas o rio e os animais. como que pressentindo uma força maior, o sandália comentou comigo o seguinte: estou me sentindo observado. A sensação foi essa mesmo! como se alguém estivesse dizendo que era preciso muito respeito pelo lugar onde estávamos… Como se essa força estivesse nos ajudando e ao mesmo tempo nos controlando. em silêncio,

chegamos a aguas calientes, tema do próximo post. De noite, no hall do albergue, deu para observar a silhueta da majestosa montaña vieja. Estava de costas para nós, esperando o encontro.


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Noite de um minuto A ansiedade tomou conta de todo mundo na véspera da escalada a machu picchu. chegamos em aguas calientes cansados, com fome, sede e loucos para se atirar na cama. O outro dia seria inesquecível. o principal objetivo do mochilão pela américa latina estava quase cumprido. Quando fizemos o roteiro e saímos de santa maria, o pacto era o seguinte: aconteça o que acontecer, temos que conhecer machu picchu! e lá estávamos, bem próximos do nosso objetivo. Um redemoinho de pensamentos e emoções tomou conta de mim com tanta força que aguas calientes me passou praticamente desapercebida. Não que a cidadezinha que foi construída após o descobrimento de machu picchu seja sem graça. Pelo contrário… Na entrada do povoado há uma piscina com águas termais quentes, o ambiente é rústico, há muitas lojinhas bacanas e gente do mundo todo. Só que eu estava com o pensamento fixo em machu picchu. Não conseguia parar de pensar na montaña vieja e no seu misticismo. O fato de poder observar a sua silhueta envolta na noite andina reforçava esta minha quase obsessão. Não sei explicar o porquê disso. era uma coisa mais forte do que eu e eu deixei tomar conta. Um ano depois, me lembro nitidamente que estava sentado nas escadas em frente ao hostel enquanto o pessoal se arrumava para jantar e olhava as costas da montanha. é difícil de traduzir em palavras o passeio que a mente deu até um dos locais mais enigmáticos deste planeta. talvez você já tenha sentido algo semelhante alguma vez na vida. É como se o tempo parasse e uma imagem ficasse imortalizada. uma imagem com milhões de significados. Uma imagem que pode valer por toda uma existência. Os olhos se fecharam e se abriram como num toque. A noite durou um minuto. Às 4h30min da madrugada as mochilas estavam nas costas e o cajado pronto para subir.


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A escalada O despertador do celular tocou às 4h15min. Acordar nesse horário, normalmente, é um horror (quem trabalhou em rádio sabe). Mas como toda regra tem uma exceção para confirmá-la, nunca levantei tão animado e curioso ao mesmo tempo. Tinha 15 minutos para lavar o rosto, escovar os dentes, calçar os tênis, colocar a mochila nas costas, pegar o cajado e começar a trilha para machu picchu. A noite estava silenciosa e fria. Uma garoa fina anunciava uma caminhada complicada. às 4h30min foi entregue o kit-lanche, que pulou para dentro da mochila. Não tinha fome nem sede, apenas a vontade de entrar logo na trilha e conferir o que estava para acontecer. Saímos os oito juntos e naturalmente fomos nos dividindo na subida. Cada um mantinha um ritmo diferente e não tinha sentido esperar para fazer a trilha em conjunto. O engraçado era que em determinados pontos a gente se encontrava, mas era difícil falar e respirar do fundo do pé ao mesmo tempo… O ar rarefeito castiga. Como se respira menos – e pior -, o enjoo e a dor de cabeça são recorrentes. Todos os nossos limites são testados na altitude, ainda mais quando se caminha para cima. A trilha para machu picchu é feita de pedras talhadas em forma de degraus. algumas vezes é preciso se agarrar nelas para não perder o equilíbrio. O incrível é que há 500 anos os índios percorriam esses caminhos com um fôlego de dar inveja a qualquer atleta de hoje.

O QUE ESSE INCAS TINHAM DE ESPECIAL? Eles não deixaram livros para contar a sua história. todos os seus ensinamentos foram transmitidos oralmente e terminaram deturpados pelos espanhóis. os seus líderes foram degolados. toda a linhagem. Por qual motivo os conquistadores temiam tanto a presença dos incas? Quanto mais machu picchu se aproximava, mais esses questionamentos ganhavam força. Impossível passar incólume a esta experiência.


Nas alturas de Machu Picchu Na vastidão da terra juntai todos / os silenciosos lábios derramados / e do fundo falai-me toda esta longa noite / como se eu estivesse ancorado convosco, / contai-me tudo, cadeia a cadeia, / contai elo por elo, e passo a passo, / afiai os facões que conservastes, / ponde-os em meu peito e em minha mão, / como um rio de raios amarelos, / como um rio de tigres enterrados, / e deixai-me chorar, horas, dias, anos, / idades cegas, séculos estelares. / dai-me o silêncio, e a água, e a esperança. / dai-me o combate, daime o aço e os vulcões. / trazei a mim os corpos como ímãs. / acudi minha boca e minhas veias. / falai pelo meu verbo e por meu sangue. (alturas de macchu picchu por PABLO NERUDA in canto geral) Ninguém melhor do que o maior dos poetas latinos para decifrar o sentimento de estar em Machu Picchu. Um dia Pablo Neruda também andou entre as montanhas e sentiu na alma um arrepio inexplicável. Um dia che guevara, lendo neruda, tocou as pedras das antigas casas incas e sentiu na alma um arrepio inexplicável. Porque machu picchu vai além das explicações históricas. Construída no século 15 sob as ordens do inka Pachacuti, a “cidade perdida” pode ter sido um grande palco para rituais ou um estratégico ponto de controle da água que abastecia cusco. Existe ainda a hipótese de que machu picchu tenha sido um refúgio seguro para o inka. quem sabe as três coisas ao mesmo tempo…

Uma lenda inca diz que durante muitos anos os índios peregrinaram pelos altiplanos atrás de um local sagrado que simbolizasse as quatro pontas da cruz andina. as quatro montanhas que circundam as ruínas da cidade perdida teriam sido o terreno perfeito. Deve ter sido muito difícil erguer a cidade perdida por causa dos rigores da selva. no seu auge viviam mais de mil pessoas de diferentes classes sociais. Cercada de mistérios, machu picchu é um dos locais mais intrigantes do mundo. ainda não conheço as pirâmides do egito, mas posso afirmar que a comparação com as obras faraônicas é cabível. Toda grande cultura que passou pelo planeta deixou algo marcante. nas américas, não há nada superior a machu picchu neste quesito. Nos próximos posts vou descrever o que senti e o que vi caminhando pelas ruínas. Há pessoas que veem machu picchu como um amontoado de pedras históricas. Há outras pessoas que acham interessante a história e fotografam tudo o que podem. E há pessoas que ficam sensibilizadas de tal forma com machu picchu que esta experiência modifica as suas vidas. Eu me enquadro na última categoria.

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Bora - trip magazine  

Revista digital Projeto desenvolvido junto a uma colega de aula. Fui responsável pela capa, verso, editorial, sumário e matéria de Machu Pic...

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