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ANO I

FEVEREIRO DE 2012

Número 02

ocubo.com.br

Partido Comunista discute mudanças no futuro de Cuba

Os dirigentes devem discutir um limite de idade para as autoridades, a fim de estimular a renovação da administração cubana. P2

pequenos negócios crescem com redução do Versão de “O Lago dos Cisnes” revela a emprego estatal. p3 força e a qualidade do balé cubano. p4


Partido Comunista discute mudanças no futuro de Cuba A portas fechadas, 811 delegados do Partido Comunista de Cuba discutem neste fim de semana o futuro da ilha, que vive a expectativa de mudanças. Embora as decisões tomadas na reunião tenham impacto direto sobre a vida dos cubanos, o encontro tem sido posto à sombra do campeonato de beisebol, esporte popular na ilha, pela imprensa oficial de Cuba. Os dirigentes do partido, definido pela Constituição como “a força dirigente superior do Estado e da sociedade”, devem discutir um limite de idade para as autoridades, a fim de estimular a renovação na administração cubana. Uma das resoluções mais esperadas é a limitação em dois termos, de cinco anos cada, o mandato das autoridades cubanas. A conferência é considerada a continuação do Congresso Nacional do Partido Comunista, realizado no último ano. Na ocasião, o atual líder cubano, Raúl Castro, defendeu que as mudanças na ilha estão condicionadas a mudanças no partido. Castro disse, então, que

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era preciso mudar a “mentalidade” do partido, que esteve “por anos atada a dogmas e critérios obsoletos”. Hoje com 80 anos, Castro assumiu a liderança cubana em 2008, no lugar do irmão, Fidel Castro, líder revolucionário e dirigente do país por quase cinco décadas. O documento oficial sobre a conferência em Havana diz que o encontro é destinado a uma “avaliação crítica e objetiva” do Partido Comunista cubano e irá discutir a necessidade de um “debate e uma crítica interna” do órgão dirigente do país. Embora os automóveis antigos e os edifícios deteriorados de Havana deem a impressão de que Cuba tenha parado no tempo, o regime tem impulsionado mudanças, ainda que vagarosas, nos últimos tempos. Os cubanos agora são livres para vender e comprar propriedades, abrir pequenos negócios e até empregar outros cubanos - resoluções impensáveis há poucos anos. O Estado também prepara a demissão de milhares de funcionários públicos, enquanto incentiva a abertura de negócios

privados. O regime também libertou dezenas de presos políticos, após negociações intermediadas pela Igreja Católica local e o governo da Espanha. O opositor Oscar Espinoza Chepe não acredita, no entanto, em mudanças significativas no comando do partido. “Sou pouco otimista”, diz. “Para se transformar, o partido deveria começar reconhecendo os erros que cometeu”, argumenta. “Mas quando você olha os documentos se dá conta de que é o mais do mesmo, que são apenas mudanças cosméticas”, diz.

Brasil

Ao longo da próxima semana, a presidente Dilma Rousseff fará sua primeira viagem de Estado a Cuba. Há uma grande expectativa de que o Brasil participe da abertura política e econômica da ilha. O BNDES é um das fontes de financiamento da ampliação do porto de Mariel, obra considerada estratégica para o desenvolvimento econômico cubano.


pequenos negócios crescem com redução do emprego estatal Havana - Em frente a uma das centenas de casas que cercam a Universidade de Havana, duas mesas de lata formam um balcão improvisado que separa Simone Cruz, 27 anos, de sua nova profissão. Formada em gastronomia, ela agora é vendedora de bijuterias e acessórios para cabelo. Simone deixou há apenas três meses o trabalho de assistente em um refeitório escolar. O convite para o novo emprego veio de sua vizinha, que é dona da casa e do estabelecimento, montado há oito meses: “Trabalho um pouco mais, mas ganho mais também. Eu tive medo, mas preferi arriscar e mudar”. Em meia hora de caminhada pelas ruas de Havana, é possível encontrar dezenas de cafés pequenos restaurantes domésticos montados na frente das casas, com um ou dois empregados. O cardápio tem cachorro-quente, pão com queijo ou refeições em cajitas ou pratos de plástico que não custam mais de dez pesos cubanos (o equivalente a 60 centavos de reais). Esses pequenos esta-

belecimentos agora serão parte importante da “atualização do modelo econômico cubano”, o mais importante processo político anunciado no país nos últimos anos, recebendo parte dos funcionários estatais que serão demitidos. É o que planeja o governo da ilha. “É preciso apagar para sempre a noção de que Cuba é o único país do mundo onde se pode viver sem trabalhar.” Foi com essas palavras que o presidente Raúl Castro definiu um dos pilares das mudanças que foram discutidas e ratificadas no VI Congresso do Partido Comunista, realizado em abril de 2011. Simone Cruz admite que foi um “longo e penoso processo” trocar a gastronomia – profissão para a qual estudou na universidade mais antiga do país – pela profissão de vendedora. Apesar dos riscos, contou que se sentiu motivada a apostar na mudança para juntar dinheiro. Sua meta é abrir um pequeno restaurante em sua própria casa. “Quero fazer e servir cajitas (uma espécie de marmita cubana), mas ainda preciso de capital”, afirmou.

Novos parâmetros

A taxa de desemprego em Cuba (2%) é um número considerado baixo para os padrões latino-americanos. No Brasil, o índice está em torno de 6%, contra 8,7% no Chile e 5,6% no México, por exemplo. “Nunca houve desemprego em massa, a política de Estado, contra a crise, foi a de garantir o pleno emprego”, explica Mateo. O vice-ministro reconhece o risco, agora, de aumentar o índice de desemprego no país, mas garante que a economia cubana poderá absorver grande parte dessa mão-de-obra. “O conta-propismo é uma alternativa de trabalho. Os trabalhadores demitidos recebem, além de um mês de salário no primeiro mês sem emprego, até 60% de seu último vencimento por outros 120 dias, dependendo da antiguidade no serviço público. A fórmula modifica a política anterior, pela qual havia um seguro de desemprego que, em alguns caso, se prolongava indefinidamente. Para Mateo, Cuba tem enfrentado uma queda na eficiência, efeito colateral da política do pleno emprego, uma das vitrines do chamado “socialismo real”. Na regra vigente antes das reformas, um empregado sabia que, se seu desempenho não fosse satisfatório, a máxima punição seria a transferência de função. Quase 80% dos cinco milhões de trabalhadores cubanos são servidores públicos e calcula-se em um milhão a gordura nas folhas salariais do governo e suas empresas. A possibilidade de ser demitido por razões produtivas criará uma insegurança inédita para o trabalhador cubano, admite o vice-ministro, mas deve ajudar na busca de eficácia das autarquias e companhias estatais. “Enxugar a máquina é fundamental para atingir os objetivos propostos no Congresso, entre os quais a elevação dos salários e a redução dos gastos públicos improdutivos”, destaca Mateo. “Sem a elevação da produtividade também não poderemos arcar com as despesas sociais próprias de nosso sistema.”

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O Lago dos Cisnes” revela a força e a qualidade do balé cubano Quando se fala em Cuba, é comum pensarmos nos carros antigos, na música marcante do Buena Vista Social Club e na tradição do esporte vencedor, apesar das dificuldades econômicas impostas pelo embargo norte-americano. Porém, exemplos como o do Balé Nacional de Cuba, mostram o quão rica e surpreendente a pequena ilha caribenha pode ser. A apresentação de “O Lago dos Cisnes” no próximo dia 28 de janeiro, no Memorial da América Latina, em São Paulo, é uma oportunidade para quem deseja conhecer o estilo cubano de dançar balé e entender o porquê de atualmente ela ser comparada com as mais tradicionais escola do gênero. O espetáculo comemora os 20 anos da escola no Brasil, que já teve em seu repertório peças consagradas como: “Dom Quixote”, “Romeu e Julieta”, “La Bayadere” e “O Corsário”. Para Luiza Alonso, filha de Laura Alonso – fundadora e principal nome do balé cubano, o grande mérito da escola cubana se deve a busca pela inovação e o diálogo artístico com os estilos mais tradicionais. “A escola cubana é a mais jovem de todas as escolas balé e por isso pode incorporar o melhor das outras escolas e oferecer coisa novas”, observa Luiza.

Vários bailarinos cubanos como José Carreño e Carlos Acosta, os dois com passagem pelas renomadas Royal Ballet e America Ballet Theatre , têm alcançado destaque e recebido elogios da crítica especializada , a qual destaca a força e agilidade dos dançarinos. “O Lago dos Cisnes” narra em quatro atos a história de amor do príncipe Siengfried e Odette, uma mulher transformada em cisne por um feiticeiro. Na véspera do baile no qual escolherá sua esposa, o príncipe se apaixona por Odette ao vê-la dançando com cisnes na beira de um lago. Na noite do baile, Siengfried espera por sua amada para declarála como sua futura esposa, mas quem aparece é o feiticeiro, acompanhado de uma falsa Odette.

Rússia e Cuba, uma cooperação mutuamente vantajosa Moscou, 11 fev, O interesse da Rússia em um país amigo como Cuba, e vice-versa, passa hoje por uma cooperação econômica, cultural e esportiva mutuamente vantajosa que passou na prova do tempo, com cada vez maiores perspectivas. Sem tomar em conta a ebulição da campanha eleitoral diante das eleições presidenciais de 4 de março, quando cada milímetro de imprensa plana multiplica seu valor para as forças políticas desse processo, o jornal Rassiskaya Gazeta dedica uma

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página inteira a Cuba. O interesse cresce pela ilha com a aplicação dos alinhamentos econômicos aprovados no VI Congresso do Partido Comunista de Cuba, a participação de empresas russas na economia do estado caribenho e o incremento de turistas que viajam a esse país. De fato, em Cuba já opera a empresa petroleira Gazpromneft que participa dos trabalhos relacionados com a zona econômica exclusiva de Cuba no Golfo do México.

Quanto a constante acusação da influência do governo em tudo que acontece na ilha, Luiza é direta e taxativa: “O governo participa da escola ajudando financeiramente, exatamente como acontece em qualquer país civilizado!”. Em apresentação única “O Lago dos Cisneis” à cubana promete mostrar, em grande estilo, que Cuba merece definições que vão muito além do que dizem por aí... Serviço: Balé “O Lago dos Cisnes” Cuballet – direção Laura Alonso. 28 de janeiro (sábado) Sessões às 16hs e às 20hs. Auditório Simon Bolívar Ingressos: R$ 30,00 e R$ 15,00 (meia entrada).

Expediente ocubo.com.br Publicação de: Felipe de Almeida Semente Professora: Adrianna Rabelo Coutinho Noticias: http://goo.gl/LpfBX http://goo.gl/qnDve http://goo.gl/1nZzr http://goo.gl/L8fWs AESO Olinda, 2012


O Cubo (Jornal Fictício)  

Jornal desenvolvido para a disciplina de Design editorial do curso de Design gráfico da AESO Barros Mello

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