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` Incansavel Vlad Vladimir Brichta volta ao horário nobre e à Bahia no papel do vilão Remy Falcão, na novela “Segundo Sol”, e orgulha-se do tempo ininterrupto no ar TEXTO / TEXT FELIPE SEFFRIN FOTOS / PHOTOS ANDRÉ WANDERLEY STYLIST CUCA ELLIAS MAKE VIVI GONZO

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e você ligou a TV em qualquer momento nos últimos nove anos, com certeza viu o ator Vladimir Brichta em cena. “Desde 2010, estou no ar todos os anos, emendando um trabalho atrás do outro. Acho que ganhei até do Tony Ramos na quantidade ininterrupta de tempo na TV”, brinca. Longe de se queixar, ele se orgulha da carga puxada de trabalho. Tanto que encarou um novo papel na próxima novela das nove na Globo, “Segundo Sol”, que estreia dia 14. Uma série de fatores levaram o ator a continuar nessa maratona. Trabalhar pela primeira vez com o autor João Emanuel Carneiro, interpretar um vilão em uma novela passada na Bahia, sua terra natal, e voltar a contracenar com a esposa Adriana Esteves – para tirar férias junto com ela ao final do trabalho. “Tudo isso me encantou. E, obviamente, e mais importante de tudo, o personagem. Li e gostei muito. Já passei da etapa de contar histórias que não me interessavam tanto.” Em “Segundo Sol”, Vlad fará o papel de Remy Falcão, que vive à sombra do irmão caçula Beto (Emílio Dantas), um cantor de axé. “O fato de ser um mau caráter, que faz escolhas eticamente execráveis e duvidosas, me interessou muito. É algo que nunca fiz em uma novela.” Remy é tão obcecado pelo irmão que tem um caso com Karola (Deborah Secco), namorada do caçula. Ele vira empresário de Beto para se aproveitar da fama alheia, mas leva a família à falência. “Esse cara é tão indignado por ter um irmão com mais talento e atenção, que faz de tudo para prejudicá-lo. Mas ao mesmo tempo em que quer matar o Beto, também quer protegê-lo”, analisa Vlad, dando

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uma dimensão maior ao rótulo de vilão e deixando o posto de maior bandido da história para a esposa. “A Adriana faz a Laureta, que é uma mau-caráter, uma grande oportunista, mentora da namorada do Beto. A grande vilã é ela!” À parte qualquer vilania, voltar a trabalhar na Bahia tem um tempero especial. Apesar de ter nascido em Diamantina, Minas Gerais, foi em Salvador que o ator cresceu e se formou. Com a autoridade de quem já morou em todos os cantos de Salvador (de Graça a Nordeste de Amaralina, de Ondina a Matatu), ele pode extravasar sua baianidade. “É muito legal resgatar meu sotaque. O João [autor] também tem sido muito generoso em incentivar que a gente use algumas expressões. Temos só que dosar os palavrões, o que é meio difícil”, brinca. Rever lugares emblemáticos e contracenar com talentosos atores locais que Vlad assistia quando jovem também trouxe um axé especial. Até certa idade, o ator evitava se declarar baiano, por respeito a Minas Gerais. Mas, com o tempo, ele assumiu a identidade soteropolitana. “No começo eu tinha certo pudor. Mas não tem como dissociar minha imagem da Bahia. Meu sotaque, meus hábitos, minha formação. Até meu time de futebol é o Bahia.” Essa volta a uma novela na Bahia é especial para o ator, já que foi lá que Vladimir Brichta estreou na Globo, há 17 anos, com “Porto dos Milagres”. “De alguma forma tenho a sensação de que estou fechando um ciclo. Que estou me reencontrando em algum lugar”, filosofa. “Não sei se é pelos 17 anos, por ter amadurecido, pelo público reconhecer que eu sou de lá, mas foi a primeira vez que eu voltei e

Cardigan e camiseta Pólo Ralph Lauren, Calça Hugo Boss, BALMAIN Tênis Fiever PARA NK STORE AVIANCA EM REVISTA

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“Tenho essa vontade de produzir muito mais. De permanecer em movimento, ser motivado por desafios que toquem em temas que eu julgue cada vez mais relevantes”

T R ATAMEN TO DE IMAGEM: SÉRGIO PICCIARELLI - SPHOTO AGÊNCIA, FOTÓGR AFO E S T Y LIS T: ODMGT

Camisa e Calça Richards, tênis Ermenegildo Zegna

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percebi que meu corpo e minha mente estavam 100% em Salvador.” Quando nos encontrou no La Suite By Dussol, uma mansão de 1968 localizada no Joá e com uma vista exuberante do Rio de Janeiro, Vlad tinha acabado de gravar sua primeira cena com Adriana Esteves. “Os personagens não se viam há muito tempo e então ela fala: ‘Eu não confiaria tanto em mim se fosse você’. E eu respondo: ‘Mas eu confio. Sabe por quê? Porque a gente tem uma história. A gente tem um passado’”, recorda, empolgado. “Legal, né? É metalinguagem pura. Foi o maior barato eu poder dizer isso para ela. ‘A gente tem uma história’.” “Sempre fomos parceiros, mesmo que só um estivesse em cena. Ajudando a decorar o texto, a refletir sobre nosso trabalho”, relata. Uma admiração mútua entre os dois, casados há 12 anos, fez com que o compartilhamento de experiências e debates sobre tom, linguagem e motivação dos personagens fosse algo constante e natural. “A gente gosta de se ouvir, de se provocar. E agora que voltamos a contracenar, podemos tirar proveito. Isso enriquece a história.”

BINGO Além da maratona na televisão, Vlad ainda encontrou tempo para protagonizar um dos filmes de maior repercussão nacional recentemente. Em “Bingo – O Rei das Manhãs”, ele fez um papel inspirado no palhaço Bozo, sucesso de audiência nos anos 1980. “Esse filme foi um presentaço. Tinha essa questão do palhaço que vende alegria, mas que tem um mergulho nas suas questões pessoais. Pude viver o drama, o humor, o trágico. E o cara ainda por cima era ator.” Com direção de Daniel Rezende, fotografia de Lula Carvalho e uma direção de arte incrível de Cássio Amarante, “Bingo” foi o representante brasileiro na corrida pelo Oscar 2018. Sucesso de crítica, o filme permitiu a Vladimir explorar seu lado dramático. “Antes de ‘Tapas e Beijos’ eu tinha feito duas séries e quatro novelas com humor, e foram as que deram certo. Mas não tenho essa história de preferir comédia ou drama. Por isso ‘Bingo’ foi uma oportunidade gigantesca”. A veia cômica e o alto astral, porém, são características marcantes do ator. “Olha que cara de rico. Depois dos 40 estou tentando imprimir uma imagem de magnata. Onde estão os meus barcos?”, brincou, enquanto provava os looks para nossa sessão de fotos. Esse bom humor ficou cinco anos no ar como Armane, em “Tapas e Beijos”. “Gosto muito de comédia. Entendo desse gênero e me sinto confortável. ‘Tapas’ foi especial. Só tinha camisa 10, só artilheiro!” Outros trabalhos marcantes na TV nos últimos dois anos foram a série “Justiça” e a novela “Rock Story”. “Eu estava dez anos sem fazer novela e topei ‘Rock Story’ porque ia me aproximar da música, que vira e mexe está presente na minha carreira. Tinha a questão de ser um pai que presta contas com o filho e com o passado. E foi muito bom, um sucesso. Uma novela muito gostosa de fazer”, conta o ator, que dispensou qualquer dublagem nas cenas de cantoria. AVIANCA EM REVISTA

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REFLEXÕES Quando estreou na televisão em “Porto dos Milagres”, em 2001, Vlad já tinha uma carreira consolidada no teatro em Salvador e fazia sucesso com a peça “A Máquina”. Pergunto o que mudou nesses últimos 17 anos e o ator pensa bem antes de responder. “Além da ação do tempo, obviamente, meu entendimento sobre o próprio tempo e a administração da urgência.” No início, ele não sabia se o interesse pela televisão seria mútuo. Hoje, tem certeza.

“Consegui passar por projetos muito bacanas. Praticamente tudo que fiz, gostaria de ter feito. Uma vez ou outra fui levado por impulsos, mas pude exercitar gêneros e linguagens diferentes.” A presença constante na TV também possibilitou que o ator se envolvesse com projetos mais autorais no teatro e no cinema. “Eu teria muito pudor de falar isso antes dos 40, mas hoje percebo que tenho um público. Gente que me acompanha, que reconhece minha trajetória.” Aos 42, Vladimir Brichta vive um dos melhores momentos da carreira. “Estou em um momento privilegiado de poder fazer escolhas. No início da carreira tive que dizer sim para tudo, para poder comprar o leite da criança.” O ator considera que sua faixa etária lhe permitirá a possibilidade de personagens ainda maiores. “Essa idade é muito valiosa. Nomes como Robert De Niro e Al Pacino, por exemplo, tiveram uma fase dos 40 muito rica. Por isso digo que não estou no ápice.” Para Vlad, o tempo é bem mais generoso com um ator do que com outros profissionais. “A gente consegue trabalhar com menos voz ou menos coordenação, se o papel permitir. Lidamos com um acúmulo de experiências e nos retroalimentamos delas”, analisa. “Tenho essa vontade de produzir muito mais. De permanecer em movimento, ser motivado por desafios que toquem em temas que eu julgue cada vez mais relevantes.” Se depender de Vlad, ele vai superar o próprio recorde de tempo ininterrupto no ar.

“De alguma forma tenho a sensação de que estou fechando um ciclo. Que estou me reencontrando em algum lugar” 70

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Bastidores das gravações de "Segundo Sol", onde Vladimir Brichta contracena com Deborah Secco. O ator caracterizado de palhaço no filme "Bingo O Rei das Manhãs. Personagem Gui Santiago, protagonista da novela "Rock Story"

// Tireless Vlad Vladimir Brichta returns to prime time and to Bahia in the role of the villain Remy Falcão in the soap opera "Segundo Sol", and he is proud of his uninterrupted period on the air

FOTOS: SÉRGIO Z ALIS, LUIZ MACIMIANO E JOÃO COT T/GLOBO

ORIGENS Pouca gente sabe, mas o primeiro nome do ator é Paulo. Paulo Vladimir Brichta. Inicialmente, o prenome bíblico não estava nos planos, mas a família quis evitar possíveis problemas ao batizá-lo em homenagem a Vladimir Herzog, preso político assassinado pela ditadura. O próprio pai de Vlad, Arno Brichta, estava detido. “Fui concebido na sala sete do Complexo Prisional da Mata Escura, em Salvador, durante visitas íntimas”, conta, divertindo-se. O geólogo Arno havia trabalhado com Herzog brevemente na TV Cultura, em São Paulo, admirava Vlado e tinha razões de sobra para duvidar do suicídio do jornalista nos porões do DOI-CODI. Para evitar uma afronta maior aos generais, o batismo veio com Paulo na frente. Mas o caçula sempre foi Vlad. “Já aconteceu de ligarem lá em casa, alguém querendo falar com o Paulo, e responderem que não tem ninguém com esse nome”, relembra. Vladimir nasceu em Diamantina, onde Arno trabalhou após sair da prisão. Mas logo a família cruzou o Atlântico para morar na Alemanha. E foi lá que despertou no pequeno Vlad o desejo de ser ator. “Com quatro ou cinco anos, eu via as apresentações teatrais na escola e ficava encantado. Já queria ser ator. Toda semana eu assistia os artistas e mudava meu nome para Hans ou Müller. Queria ser que nem eles.” O sonho de criança persistiu. A família Brichta voltou para Salvador, Vlad se alfabetizou e entrou em grupos teatrais escolares. Mais tarde, se familiarizou com um cenário artístico em ebulição em Salvador. Conheceu os amigos Lázaro Ramos, Wagner Moura e Marcelo Flores. Fez um curso de teatro profissionalizante. Até estudou Artes Cênicas na UFBA, mas a agenda de peças já estava puxada e ele largou a faculdade. “Nunca pensei em nada diferente. O plano B seria tentar tudo de novo.”

“Desde 2010, estou no ar todos os anos, emendando um trabalho atrás do outro. Acho que ganhei até do Tony Ramos na quantidade ininterrupta de tempo na TV”

If you turned on the TV anytime in the last nine years, you certainly saw actor Vladimir Brichta on the scene. "Since 2010, I have been on the air every year, joining one job after another. I think I even beat Tony Ramos in the uninterrupted amount of time on TV", he jokes. Far from complaining, he prides himself on the load from work. So much that he took up a new role in the next 8 o'clock soap opera in Globo, "Segundo Sol" (The Second Sun), debuting on the 14th. A number of factors led the actor to continue in this marathon. Working for the first time with author João Emanuel Carneiro, playing a villain in a soap opera in Bahia, his native land, and returning to work with his wife Adriana Esteves - to take vacations together at the end of work. "The whole thing enchanted me. And obviously, and most important of all, the character. I read it and I liked it very much. I have already been through the phase of telling stories that did not interest me so much". In "Segundo Sol", Vlad will play the role of Remy Falcão, who lives in the shadow of his younger brother Beto (Emilio Dantas), an axé singer. "Playing an evil character, who makes ethically execrable and dubious choices, interested me a lot. It's something I've never done in a soap opera". Remy is so obsessed with his brother that he has an affair with Karola (Deborah Secco), his younger brother's girlfriend. He becomes Beto's manager to take advantage of the others' fame, but he leads the family into bankruptcy. "This guy is so indignant to have a brother with more talent and attention, that he does everything to hurt him. But at the same time he wants to kill Beto, he also wants to protect him", Vlad analyzes, giving a larger dimension to the label of villain and giving the position of greatest villain in the plot to his wife. "Adriana plays Lau-

reta, who is a bad character, a great opportunist, mentor of Beto's girlfriend. She is the great villain"! Apart from any villainy, returning to work in Bahia has a special seasoning. Although he was born in Diamantina, Minas Gerais, it was in Salvador that the actor grew up and graduated. With the authority of those who have lived in all corners of Salvador (from Graça to Northeast Amaralina, from Ondina to Matatu), he can express his Baianity. "It's very cool to rescue my accent. João [author] has also been very generous in encouraging us to use some expressions. We just have to dose the profanity, which is kind of difficult", he jokes. To review emblematic places and to engage with talented local actors who Vlad watched as a young man also brought a special axé. Up to a certain age, the actor avoided declaring himself a Bahian, out of respect for Minas Gerais. But, over time, he assumed the Soteropolitan identity. "At first I had a certain modesty. However, I cannot disassociate my image from Bahia. My accent, my habits, my background. Even my soccer team is the Bahia". This return to a soap opera in Bahia is special for the actor, since it was there that Vladimir Brichta debuted in Globo 17 years ago with "Porto dos Milagres" (Port of Miracles). "Somehow I get the feeling that I'm closing a cycle. That I'm rediscovering myself somewhere", he says. "I don't know if it's for the 17 years, for having matured, for the audience to acknowledge I'm from there, but it was the first time I came back and realized that my body and my mind were 100% in Salvador". When he met us at La Suite By Dussol, a 1968 mansion located in Joá and with an exuberant view of Rio de Janeiro, Vlad had just finished recording his first scene with Adriana Esteves. "The characters had not seen each other for a long time and then she says, 'I would not trust me so much if I were you'. And I reply, 'But I would. Do you know why? Because we have a history. We have a past'", he recalls excited. "Cool huh? It's pure metalanguage. It was really cool saying that to her. 'We have a history'". AVIANCA EM REVISTA

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"We were always partners, even if only one was in the scene. Helping to memorize the text, to reflect on our work", he reports. A mutual admiration between the two, married for 12 years, made the sharing of experiences and debates about the tone, language and motivation of the characters something constant and natural. "We like to listen, to tease each other. And now that we're working back together, we can enjoy this. That enriches the story". BINGO In addition to the marathon on television, Vlad also found time to star in one of the most nationally influential films recently. In “Bingo – O Rei das Manhãs” (Bingo – The King of the Mornings), he played the role inspired by the clown Bozo, a TV success in the 1980s. "This film was a great gift. There was this matter of the clown who sells joy, but who dives deep into his personal issues. I could live the drama, the humor, the tragedy. And on top of that, the guy was an actor". With direction by Daniel Rezende, photography by Lula Carvalho and an incredible art direction by Cássio Amarante, "Bingo" was the Brazilian representative in the race for the 2018 Oscar. A success with the critics, the film allowed Vladimir to explore his dramatic side. "Before 'Tapas e Beijos' (Slaps and Kisses) I had been in two TV series and four soap operas with humor, and they were the ones that worked. However, I do not have this thing of preferring comedy or drama. That's why 'Bingo' was a gigantic opportunity". Nevertheless, the comic vein and the high spirits are strong characteristics of the actor. "Look at this rich man's face. After 40 I'm trying to print an image of a tycoon. Where are my boats?", he joked as he tried the looks for our photo shoot. This good mood remained on the air for five years as Armane in "Tapas e Beijos". "I really like comedy. I understand this genre and I feel comfortable. 'Tapas' was special. The people were all aces there, just top notch"! Other notable works on TV in the last two years were the TV series "Justice" and the soap opera "Rock Story". "I had been ten years without doing soap operas and I took 'Rock Story' because I was going to get closer to music, which is always present in my career. There was the issue of being a father who has to answer to his son and to the past. And it was very good, a hit. A very enjoyable soap opera to do", says the actor who refused any dubbing in the singing scenes. ORIGINS Few people know, but the actor's first name is Paulo. Paulo Vladimir Brichta. Initially, the biblical name was not in the plans, but the family wanted to avoid possible problems by naming him in honor of Vladimir Herzog, a political prisoner murdered by the dictatorship. Vlad's own father, Arno Brichta, was detained. "I was conceived in room seven of the Prisional Complex of Mata Escura, in Salvador, during intimate visits", he says amusing himself. The geologist Arno had worked with Herzog briefly on TV Cultura in São Paulo, he admired Vlado, and had plenty of reasons to doubt the journalist's suicide in DOI-CODI's dungeons. To avoid a greater affront to the generals, baptism came with Paulo up first. But the youngest was always Vlad. "It's happened that someone would call at home wishing to talk to Paulo, and the answer was that there was no one by that name", he recalls. Vladimir was born in Diamantina, where Arno worked after leaving prison. Soon the family crossed the Atlantic to live in Germany. And that is where little Vlad first felt the desire to be an actor. "At the age of four or five, I watched the theatrical perfor-

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mances at school and was delighted. I already wanted to be an actor. Every week I watched the artists and changed my name to Hans or Müller. I wanted to be like them". The childhood dream persisted. The Brichta family returned to Salvador, Vlad was alphabetized and entered groups of school theater. Later, he became familiar with a boiling art scene in Salvador. He met his friends Lázaro Ramos, Wagner Moura and Marcelo Flores. He took a course in vocational theater. He even studied Performing Arts at UFBA, but the agenda of plays was already heavy and he left college. "I've never thought of anything different. Plan B would be trying it all over again". REFLECTIONS When he made his television debut in "Porto dos Milagres" in 2001, Vlad already had a consolidated career in theater in Salvador and he was successful with the play "A Máquina" (The Machine). I ask what has changed in the last 17 years and the actor thinks hard before answering. "Beyond the action of time, obviously, my understanding about time itself and the management of urgency". At first, he did not know whether the interest in television would be mutual. He is certain of it today. "I managed to go through really cool projects. Pretty much everything I did, I wanted to do it. At one time or another I was driven by impulses, but I was able to exercise different genres and languages". The constant presence on TV also allowed the actor to get involved with more authorial projects in theater and cinema. "I would be very shy to say that before I was 40, but today I realize that I have an audience. People who accompany me, who recognize my trajectory". At 42, Vladimir Brichta is in one of the best moments of his career. "I'm in a privileged moment of being able to make choices. At the beginning of my career, I had to say yes to everything so that I could buy the child's milk". The actor considers that his age group will allow him the possibility of even greater characters. "This age is very valuable. Names like Robert De Niro and Al Pacino, for example, they had a very rich phase in the 40's. That's why I say I'm not at the peak". For Vlad, time is much more generous with an actor than with other professionals. "You can work with less voice or less coordination, if allowed by the role. We deal with an accumulation of experiences and we feedback from them", he says. "I have this desire to produce much more. To stay on the move, to be motivated by challenges that touch upon themes that I deem increasingly relevant". If it is up to Vlad, he will outgrow his own record of uninterrupted time on the air. “Since 2010, I have been on the air every year, joining one job after another. I think I even beat Tony Ramos in the uninterrupted amount of time on TV” “Somehow I get the feeling that I'm closing a cycle. That I'm rediscovering myself somewhere” “I have this desire to produce much more. To stay on the move, to be motivated by challenges that touch upon themes that I deem increasingly relevant"

CAPTION PAGE 70 Backstage of the recordings of "Second Sun", where Vladimir Brichta acts with Deborah Secco. The actor featured as a clown in the movie "Bingo - The King of the Mornings". Character Gui Santiago, protagonist of the novel "Rock Story"

ANÚNCIO SIMPLES

Avianca em Revista #94 - Incansável Vlad  

Matéria de capa com o ator Vladimir Brichta, para a edição de maio de 2018 da Avianca em Revista.

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