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Relat贸rio de atividades

2011

20 a no s c on t r a o c 芒 nc e r i n fa n t i l


20 a no s c on t r a o c 芒 nc e r i n fa n t i l

Relat贸rio de atividades

2011


Sumรกrio

6 8 14 16 24

Mensagem da Diretoria

O GRAACC

Governanรงa Corporativa

Tratamento

Pesquisa


28 30 34 40 66 Ensino

Futuro

Sociedade

Demonstrações financeiras

Informações corporativas


1 . m e ns ag e m da di r e t or i a

Crescer com foco du r a n t e o a n o, f o r ta l e c e m o s pa r c e r i a s e d e m o s c o n t i n u i d a d e a o n o s s o p r i n c i pa l p r o j e t o: a m p l i a r a c a pa c i d a d e d e at e n d i m e n t o s e m d e i x a r d e l a d o o at e n d i m e n t o h u m a n i z a d o

2011 foi um ano de avanços fundamentais na estratégia de fortalecimento institucional do GRAACC. Concentramos nossos esforços em ampliar a estrutura física e consolidar a posição de referência no tratamento e pesquisa do câncer infantojuvenil na América Latina. Para isso, demos início às obras de expansão do hospital, desenvolvemos um plano estratégico e fortalecemos as parcerias com empresas, órgãos públicos e centros de pesquisa do Brasil e do exterior. Esse movimento está em consonância com os aprendizados e as experiências que o GRAACC acumulou ao longo de mais de duas décadas oferecendo tratamento especializado, com índices de cura comparáveis aos de grandes centros globais. Por meio de nossos profissionais, voluntários e parceiros, o combate a neoplasias complexas – como tumores oculares, ósseos e do sistema nervoso central – tornou-se uma prática capaz não só de salvar milhares de vidas, mas de inserir o Brasil no cenário internacional de pesquisas que expandem os horizontes da oncologia pediátrica. O câncer infantojuvenil é uma realidade desafiadora: no Brasil, a cada ano, são esperados cerca de 12 mil novos casos da doença entre menores de 18 anos, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). O papel do GRAACC é oferecer terapias eficazes e humanizadas focadas nos perfis

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de cada paciente e, com a parceria com a Unifesp, formar e capacitar novos profissionais todos os anos, disseminando o conhecimento em oncologia pediátrica no país. Com foco em manter os padrões de qualidade, avançar nas áreas de ensino e pesquisa e oferecer atenção em todas as etapas do tratamento – desde as de ambulatório, diagnóstico e internação até os serviços de terapia especializada e reabilitação –, estabelecemos como objetivo para os próximos anos ampliar a estrutura física do hospital, inaugurado em 1998. Nos últimos anos atuamos no limite da nossa capacidade, com média de 80% de ocupação, atendendo anualmente mais de 2,7 mil crianças, sendo 86% delas encaminhadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2010, recebemos da Prefeitura de São Paulo, como doação, um terreno na Vila Clementino, ao lado do atual prédio. A partir desse momento, nosso

foco foi agilizar o processo de captação de recursos para a construção do novo complexo hospitalar. O processo foi conduzido pelo Departamento de Desenvolvimento Institucional, que firmou novas parcerias e apoios em duas etapas: Anexo 1 e Anexo 2. O ano foi marcado pela aceleração das obras do Anexo 1, que têm previsão de conclusão para o fim de 2012. Nesse novo anexo, será implantado um serviço especializado em radioterapia pediátrica, assegurando uma atenção total em todas as fases do tratamento. Nossas metas e estratégias de crescimento ainda preveem expansões futuras e espera-se para um período próximo a 5 anos o complemento do complexo hospitalar que continuará beneficiando os pacientes com o aumento de leitos, expansão de centros cirúrgicos, laboratórios e ambulatórios. Em conformidade com essas metas, nossa gestão também tem passado por revisões. Em 2012, iniciamos o desenvolvimento de um plano estratégico, que fornecerá as bases para a expansão do GRAACC embasada em boas práticas de governança corporativa. Esse trabalho mobilizou comitês internos, com participação dos órgãos executivos, e visa garantir a sustentabilidade financeira e o respeito aos valores da organização ao longo de seu crescimento futuro.


Com isso, o GRAACC acredita estar cumprindo sua missão de combater – e vencer – o câncer infantil sem perder de vista o respeito ao paciente, a contribuição à ciência e a qualidade das relações com seus parceiros corporativos e institucionais. Nacionalmente ou no exterior, entidades como as sociedades nacional e internacional de Oncologia Pediátrica, o hospital St. Jude e o National Institute of Health, nos Estados Unidos, têm permitido que protocolos e terapias inovadores sejam aplicados e desenvolvidos com a participação de médicos e pesquisadores brasileiros. Tais avanços seriam impossíveis sem a contribuição dos nossos colaboradores, mantenedores, voluntários, fornecedores e parceiros. Afinal de contas, lidar com as complexidades e dinâmicas do câncer não é trabalho fácil – deve ser feito com paixão, entusiasmo e dedicação, sem riscos de desanimar diante dos desafios diários do enfrentamento da doença. Como forma de agradecer à sociedade brasileira pelo apoio que tem concedido ao GRAACC, este relatório de atividades busca agregar a prestação de contas e a comunicação de desempenho no ano de 2011. Os resultados indicam que o futuro será de avanços ainda mais consistentes no combate ao câncer infantojuvenil; tarefa essa que esperamos dividir com aqueles que tanto têm nos ajudado ao longo dos últimos 20 anos.

O GRAACC oferece terapias eficazes e humanizadas com foco em altos padrões de qualidade

Boa leitura! Sérgio Amoroso, Diretor-Presidente e Presidente do Conselho de Administração do GRAACC

G ru p o d e Ap o i o ao A d o l e sc e n t e e à C r i a n ç a c o m C â n c e r | 7


2 . o g r a acc

20 anos contra o câncer infantil a busc a pel a cu r a e o cu ida do in t egr a l da cr i a nç a t r a nsfor m a r a m a i n s t i t u i ç ã o e m c e n t r o d e r e f e r ê n c i a e m t r ata m e n t o e d i s s e m i n a ç ã o d e c o n h e c i m e n t o, c a d a v e z m a i s f o c a d a e m c a s o s a lta m e n t e c o m p l e x o s

O GRAACC é uma instituição sem fins lucrativos, que visa oferecer aos pacientes brasileiros todas as chances de cura disponíveis no mundo. Além de promover tratamentos avançados, forma profissionais especializados e produz diferentes tipos de pesquisas, para contribuir com novas descobertas para o combate à doença.

Desde que iniciou suas atividades, em 1991, o GRAACC tem evoluído ano a ano, com a elevação da qualidade técnica, a aplicação de tecnologia de ponta e construção de conhecimento por meio de pesquisas e da formação de profissionais. Para isso, o hospital do GRAACC – o Instituto de Oncologia Pediátrica (IOP/GRAACC/UNIFESP) – tem convênio técnico-científico com a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Referência no tratamento e pesquisa do câncer infantil, principalmente em casos de alta complexidade, o hospital é reconhecido pelos expressivos resultados obtidos no combate da doença, alcançando índices de cura de cerca de 70% – semelhantes aos de instituições de saúde europeias e norte-americanas.

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O GRAACC oferece tratamento personalizado, humanizado e cientificamente avançado. Todos os 650 funcionários e 437 voluntários – além de voluntários externos, médicos residentes da UNIFESP e prestadores de serviços – entendem o impacto da doença em toda a família e atuam para que todo o processo seja o mais humanizado possível.

Estratégia de atuação Consolidar-se como um centro médico que dispõe de alto nível de resolubilidade e, assim, ser capaz de elevar as chances de cura do câncer infantojuvenil resume a estratégia de atuação do GRAACC. O objetivo da instituição é firmar-se como um hospital especializado em casos de maior complexidade. Para isso, o foco está no aperfeiçoamento

contínuo da gestão e no desenvolvimento institucional como caminhos para disponibilizar cada vez mais infraestrutura, recursos humanos, novos medicamentos e tecnologias de ponta aos pacientes.

Acesso a todos A situação econômica ou a região onde cada paciente vive não interfere no acesso ao tratamento no GRAACC. 86% das crianças e adolescentes atendidos pelo GRAACC são encaminhados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e 68% têm renda mensal de até três salários mínimos. Os outros 14% são pacientes particulares ou provenientes de convênios médicos. Cerca de 22% não residem em São Paulo. Em 2011, foram atendidos 2.779 crianças e adolescentes pelo GRAACC. Atualmente, o hospital do GRAACC realiza cerca de 2.500 atendimentos por mês, que incluem consultas, sessões de quimioterapia, cirurgias, transplantes de medula óssea, entre outros procedimentos. Em 2011, foram mais de 23 mil consultas médicas, aproximadamente 1.500 cirurgias e 49 transplantes de medula óssea. No ano, o hospital recebeu 358 novos casos, quase um novo paciente a cada dia.


Distribuição de pacientes por procedência (2000-2010)

77,9% são paulo

21,4% 0,7% outros estados

outros países

Nossos números Janeiro a dezembro 2011 Triagem

571

Casos novos

358

Consultas médicas

23.051

Quimioterapias

17.233

Internações

1.216

Transplantes de medula óssea

49

Procedimentos cirúrgicos

1.476

Taxa de ocupação

79%

Média de permanência (dias)

9

Quando comecei a jogar tive o apoio de algumas pessoas e sei o quanto isso é importante. O trabalho do GRAACC é maravilhoso. No ano passado, participei da campanha do Dia Nacional do Combate ao Câncer Infantil e lembro que adotei o perfil do Rodrigo, paciente do GRAACC, no Twitter. No dia seguinte, fui escolhido o melhor jogador da Copa Libertadores e dividi o prêmio com ele e com o GRAACC. Foi muito legal. #TamojuntoGRAACC.

Neymar Jr.

A instituição do ano

J o g a d o r d o S a n t o s F. c .

Por conta dos resultados obtidos, o GRAACC foi reconhecido em 2011 como a “Instituição do Ano” no Prêmio SAÚDE!, oferecido pela revista Saúde! É Vital, da Editora Abril, que tem como objetivo valorizar iniciativas que tenham contribuído para melhorar a saúde e a qualidade de vida dos brasileiros.

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25.000

23.051 20.943 20.538

25.00020.000

12.406 11.408 10.195

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19.562 18.466 17.955 18.239

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300

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15.362 20.943 20.538

15.000 20.000

2 . o g r a acc

19.562 18.466 23.051 18.239

17.955

17.628 17.607

12.493 17.628 17.607 11.489 11.650 15.362 9.299 8.518 12.493 11.489 11.650

12.406 6.537 11.408 10.195 3.910 9.299 8.518

10.000 5.000

c a sos novos 1.024 6.537

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641 1.052

1.200

1.000 600

1.165 1.027

966 1.173

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1.440 1.476

1.165 1.027

966

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800 400 5 6416 7 8 9 10 11 9 0 01 02 03 04 138 4 5 6 97 8 91 92 93 0 20200 20 200 200 200 200 200 20 20 19 19 19 199 199 199 19 199 199 200 20 2600 26 400 200

consu lta s m édic a s 23.051 19.562 18.466 20.943 17.955 17.628 17.607 18.239 20.538 19.562 18.466 15.362 17.955 17.628 17.607 18.239

20.000 15.000

12.493 12.406 15.362 11.489 11.650 11.408 10.195 12.493 12.406 9.299 11.489 8.518 11.650 11.408 10.195 6.537 9.299 8.518 3.910 6.537

15.000 10.000 10.000 5.000

1.024 3.910 1.024

5 2 3 8 9 0 01 9 10 11 6 7 4 5 6 97 8 4 91 2 3 19 199 199 199 199 199 19 199 199 200 20 200 200 200 200 200 200 200 200 20 20 1 92 93 94 95 6 97 98 1 7 5 3 2 8 9 9 6 0 4 0 11 9 1 0 0 19 19 19 19 19 199 19 19 199 200 20 200 200 200 200 200 20 200 200 20 20

1.173

1.4001.200

1.052

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1.367 1.321 1.440 1.476 1.165 1.367 1.321

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10 91 7 2 1999 7 2009 5 2001 3 5 2 3 2006 8 2003 8 6 97 2002 9 2010 2011 9 0 2004 62008 4 2000 4 2007 01 2005 19 199 199 199 199 199 19 199 199 200 20 200 200 200 200 200 200 200 200 5 1 92 93 94 95 6 97 98 1 7 5 3 2 8 9 9 6 0 4 9 0 0 19 19 19 19 19 199 19 19 199 200 20 200 200 200 200 200 20 200 200 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011

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ta x a de o c u paç ão 73%

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c i ru rgi a s

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38 Participando dessa história 33

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38 Ter o desenvolvimento pessoal e profissional atrelado ao crescimento de uma instituição 33 22 29 25 é coisa rara de se ver. Essa é a história da supervisora ambulatorial Urânia Pinto dos 30 19 23 20 16 16 15 22 25 Santos, 51 anos, que está no GRAACC desde o início. Para ela, os pacientes representam 19 15 20 16 16 15 7 10 o maior desafio e, ao mesmo tempo, a melhor parte do trabalho. “Receber, acolher e 15 5 7 10 entender a angústia deles e tentar amenizar essa condição é extremamente desafiador.” 5 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Segundo Urânia, tais experiências fazem com que o tempo passe em um ritmo 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 diferente. “Cada dia é uma emoção. Minha visão de mundo e meus valores mudaram muito graças a tudo que vivencio aqui. Eu dava importância a tantas coisas e hoje 89% 86% 84% 84% 82% 90% 80% 80% 80% 80% 89% percebo que o importante mesmo é valorizar o que temos e fazer o bem.” 73% 73% 74% 80% 86% 84% 84% 82% 90% 80% 80% 80% 80% 70% A supervisora conta que muitos ex-pacientes costumam visitar a instituição. 73% 73% 74% 80% 60% 70% “É emocionante ver que aquelas crianças estão bem, têm uma profissão, 50% 60% 40% formaram uma família.” 50% 30% 40% Ao longo desses 20 anos, Urânia vem acompanhando o crescimento da instituição. 20% 30% 10% 20% “Só faltava a área de radioterapia, mas teremos o serviço com a expansão do hospital.”

40 35

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Missão

Garantir a crianças e adolescentes com câncer, dentro do mais avançado padrão científico, o direito de alcançar todas as chances de cura, com qualidade de vida.

Visão

♦ Disponibilizar recursos técnicos, científicos e humanos adequados, atuando como centro de referência em diagnóstico e tratamento do câncer infantojuvenil. ♦ Oferecer apoio multidisciplinar e suporte social, com a finalidade de manter a adesão ao tratamento. ♦ Treinar e capacitar profissionais, buscando multiplicar conhecimento e promover impacto na assistência à saúde do país. ♦ Trabalhar constantemente em parceria, somando esforços com a comunidade, a universidade e o empresariado, por meio de mobilização de recursos, gestão participativa e potencialização de conhecimento. ♦ Promover atuação efetiva do voluntariado. ♦ Garantir acesso ao tratamento a crianças e jovens famílias de baixa renda.

Valores

Competência, Ética, Transparência, Solidariedade, Trabalho em Equipe, Igualdade nas Relações

G ru p o d e Ap o i o ao A d o l e sc e n t e e à C r i a n ç a c o m C â n c e r | 11


2 . o g r a acc

Uma história de duas décadas A trajetória do GRAACC começou por iniciativa do médico oncologista Dr. Antônio Sérgio Petrilli, do engenheiro civil Jacinto Antonio Guidolin e da voluntária Léa Della Casa Mingione, que, ao lado de dezenas de outras pessoas, desejavam assegurar todas as chances de cura a crianças e adolescentes com câncer.

1988

Convidado pela Sociedade Americana do Câncer, o médico oncologista Antônio Sérgio Petrilli visitou hospitais americanos especializados no combate ao câncer. Ficou especialmente interessado pelo St. Jude, na cidade de Memphis, que trabalha com o apoio da sociedade, e decidiu implantar um modelo parecido no Brasil.

1990

Um sobrado localizado em frente ao Hospital São Paulo se transformou no setor de Oncologia Pediátrica da UNIFESP. A ação proporcionou um grande salto qualitativo no atendimento aos pacientes.

1991

O GRAACC é formalmente constituído pela voluntária Léa Della Casa Mingione, o engenheiro civil Jacinto Guidolin e o Dr. Sérgio Petrilli. O sobrado foi reformado e o primeiro grupo de médicos residentes começou a atuar. Além disso, iniciava-se a mobilização de voluntários.

1993

Para receber as crianças não

1 2 | r e l at ó r i o d e at i v i da d e s 2 0 11

residentes na capital paulista e suas famílias durante o tratamento, foi inaugurada a Casa de Apoio. Também nesse ano o GRAACC passa a ser o único beneficiário da cidade de São Paulo do McDia Feliz, promovido pelo McDonald’s.

1998

O hospital é inaugurado como Instituto de Oncologia Pediátrica (IOP/GRAACC/UNIFESP). O GRAACC e a UNIFESP assinam um convênio de parceria técnico-científica voltado ao atendimento e ao desenvolvimento de pesquisas. É inaugurada a Brinquedoteca Terapêutica Senninha, com a parceria do Instituto Ayrton Senna.

1999

Começam a funcionar o Laboratório de Criopreservação, o Centro de Transplante de Medula Óssea Instituto Ronald McDonald e o Centro Cirúrgico.

2001

Entram em operação os laboratórios de Genética, Biologia Molecular e Hematologia, dando ao GRAACC posição de destaque entre os principais centros de pesquisa do mundo. Esse grande

passo da instituição recebe o apoio do Banco do Brasil e da Fundação Orsa.

2004

Também em parceria com a Fundação Orsa, é inaugurada a primeira Quimioteca do Brasil, um espaço lúdico que minimiza o impacto do tratamento quimioterápico nos pacientes.

2007

As famílias de pacientes que não moram na capital paulista ganham um novo espaço. A Casa Ronald McDonald São Paulo absorve e amplia o atendimento que já era oferecido aos pacientes e seus acompanhantes que vêm de outros Estados para se tratar no Hospital do GRAACC.

2008

Com autorização do Ministério da Saúde, o GRAACC se torna um dos centros do país capacitado para realizar transplante de medula óssea não aparentado, um procedimento complexo que amplia o universo de busca de doadores compatíveis, aumentando a possibilidade de cura nos tratamentos de leucemias e linfomas. A qualidade da gestão do corpo de voluntários da


linha do tempo// Evolução da obra de Expansão

instituição ganha reconhecimento com a certificação pela norma ISO 9001.

2009

A área de genética recebe o prêmio da Sociedade Internacional de Oncologia Pediátrica. A instituição aperfeiçoa suas estruturas de atendimento com a criação da agência transfusional, responsável pelo armazenamento de sangue, pelos testes pré-transplantes e pelo acompanhamento clínico das transfusões realizadas no hospital. Os adolescentes da Casa Ronald McDonald São Paulo ganham a Adoleteca.

Mar/2011

Abr/2011

Maio/2011

Jul/2011

Ago/2011

Set/2011

Out/2011

Nov/2011

Dez/2011

Jan/2012

Fev/2012

Mar/2012

2010

A Prefeitura de São Paulo doa um terreno para ampliação do Hospital do GRAACC, ao lado do prédio atual. Recebe, pela segunda vez, o Prêmio Saúde!, promovido pela revista Saúde!, e os prêmios Onco e Rhomes Aur, da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobope), por pesquisas genéticas sobre tumores ósseos.

2011

O GRAACC dá início à construção do Anexo 1 – primeiro prédio do novo Complexo Hospitalar que será inaugurado em 2012. Além de ampliar o atendimento, o Anexo 1 abrigará um centro especializado em radioterapia pediátrica modular. O GRAACC firma parceria com o National Institute of Health (NIH – Instituto Nacional de Saúde), instituição norte-americana que desenvolve um projeto mundial de investigação do genoma dos pacientes portadores de osteossarcoma, um tipo de tumor nos ossos.

G ru p o d e Ap o i o ao A d o l e sc e n t e e à C r i a n ç a c o m C â n c e r | 1 3


3. G ov e r n a nç a cor p or at i va

Três pilares, um objetivo pau ta d o p or va l or es ét icos, o model o de g ov er na nç a d o gr a acc con t r i bu i pa r a a con t i n u i da de d o t r a b a l ho e pa r a a e x pa ns ão d o a l c a nc e da s i n ic i at i va s

O GRAACC é resultado da aliança entre a UNIFESP, a iniciativa privada (empresários voluntários que atuam na gestão estratégica) e a sociedade (voluntariado e doações). Essa tríplice aliança é assegurada por um modelo de governança corporativa em que a ética médica e empresarial orienta a tomada de decisões e o planejamento estratégico. A instituição possui quatro órgãos de administração: a Assembleia Geral, órgão soberano do GRAACC, o Conselho de Administração, o Conselho Fiscal e a Diretoria Executiva.

Orgãos de Administração Assembleia geral A Assembleia Geral é a mais importante instância deliberativa do GRAACC. É responsável por homologar as demonstrações financeiras e o balanço patrimonial da instituição, além de eleger os membros do Conselho de Administração, da Diretoria e do Conselho Fiscal, bem como decidir sobre as ações estratégicas e estatutárias. Em 2011, a Assembleia se reuniu 4 vezes, sendo que em 2 delas a reunião foi convocada extraordinariamente.

Conselho de Administração O Conselho de Administração é formado por 12 membros efetivos – podendo chegar a 21 integrantes se os associados assim quiserem –, sendo um Presidente e um Vice-Presidente. O primeiro é responsável por administrar os recursos e negócios do GRAACC, fazendo cumprir seus objetivos sociais. Com mandato de quatro anos e possibilidade de reeleição, o conselho se reuniu 4 vezes em 2011.

Conselho Fiscal Formado por três membros efetivos, o Conselho Fiscal é responsável por examinar os registros contábeis da instituição. O mandato dos membros é de quatro anos, também com possibilidade de reeleição.

14 | r e l at ó r i o d e at i v i da d e s 2 0 11

Associados

O GRAACC é constituído por um número ilimitado de associados, divididos em três categorias: ✔ Eméritos: os que tenham exercido cargo nos órgãos de administração até o dia 31 de dezembro de 2002 e as pessoas que venham a ser convidadas pela maioria absoluta dos Associados Eméritos para se integrar a esta categoria. ✔ Beneméritos: os que se distinguirem por doações relevantes, conforme critérios estabelecidos pela Diretoria. ✔ Honorários: os que se distinguirem por benefícios relevantes, a juízo do Conselho de Administração.

Composição do Conselho de Administração* Sergio Antonio Garcia Amoroso (Presidente) João Inácio Puga (Vice-presidente) Conselheiros efetivos André Guper Celso do Carmo Jatene Fernando de Castro Marques Isaura Maria Wright Pipponzi Jacinto Antonio Guidolin Luis de Melo Champalimaud Paulo Anthero Soares Barbosa Roberto José Maris de Medeiros Ronaldo Sergio Ribas Marques Ruy de Campos Filho *Em 31 de dezembro de 2011

Composição do Conselho Fiscal* Presidente Gilberto Cipullo Conselheiros Carlos Eduardo de Carvalho Pecoraro Gilberto Antonio Giuzio *Em 31 de dezembro de 2011


Organograma Assembleia geral

Instituto Ronald McDonald São Paulo

conselhos de administração / fiscal

Associação casa da família

unifesp

diretoria comissões conselho diretor

Casa Ronald McDonald São Paulo

superintendência adm. / fin. (CEO)

superintendência voluntariado

superintendência médica

comitê de ética

diretoria técnica

Diretoria

diretoria clínica

A Diretoria Executiva é responsável pela execução da política e das diretrizes aprovadas pelo Conselho de Administração. É composta de quatro membros – número que pode chegar a seis –, sendo um diretor-presidente e um diretor vice-presidente. O mandato é de quatro anos, e a reeleição é permitida. A estrutura executiva é dividida em três superintendências: a primeira voltada à administração e gerência financeira do GRAACC e outras duas voltadas à área médica e de voluntariado. Esses órgãos são responsáveis por administrar um orçamento anual de R$ 62 milhões, um corpo funcional de mais de 650 funcionários de diversas áreas e 437 voluntários.

Composição da diretoria*

Instituto de Oncologia Pediátrica

Chefe do Departamento de Pediatria – UNIFESP Prof. Dr. Mauro Batista de Moraes Chefe da Disciplina de Especialidades Pediátricas Prof. Dr. Clóvis Eduardo Tadeu Gomes Chefe do Setor de Oncologia do Departamento de Pediatria da UNIFESP e Superintendente Médico do Instituto de Oncologia Pediátrica – IOP Prof. Dr. Antonio Sérgio Petrilli Coordenadora do Curso de Pós-Graduação da Pediatria Profa. Dra. Olga Maria Silverio Amancio Diretor Superintendente do Hospital São Paulo Prof. Dr. José Roberto Ferraro Diretor do GRAACC Paulo Anthero Barbosa Diretora Clínica do Instituto de Oncologia Pediátrica – IOP Dra. Carla Macedo Superintendente Administrativo-Financeiro (CEO) do GRAACC José Hélio Contador Filho Gerente Administrativa do Instituto de Oncologia Pediátrica – IOP Cristiana Tanaka

Criado em 1998 a partir de um convênio assinado entre o GRAACC e a UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), o Instituto de Oncologia Pediátrica (IOP/GRAACC/ UNIFESP) é o hospital do GRAACC e também corresponde ao setor de Oncologia Pediátrica da Universidade, vinculado ao Departamento de Pediatria. A parceria assegura suporte técnico e científico ao GRAACC no tratamento, impulsionando também o conhecimento e a qualidade das pesquisas e, consequentemente, ampliando as chances de cura com novos tratamentos. Já para os residentes da UNIFESP, a parceria proporciona a experiência prática no hospital, aperfeiçoando a qualificação dos novos profissionais, que ajudarão a difundir técnicas de prevenção e tratamento do câncer infantil em todo o país. O Hospital do GRAACC é coordenado por um Conselho Diretor, formado por membros do GRAACC e professores doutores da universidade.

Diretor-presidente Sergio Antonio Garcia Amoroso Diretor vice-presidente Fernando de Castro Marques Diretores Paulo Anthero Soares Barbosa Ruy de Campos Filho *Em 31 de dezembro de 2011

Conselho Diretor do Instituto de Oncologia Pediátrica – IOP

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4 . T r ata m e n t o

Foco na cura r efer ênci a no tr ata mento de tumor es de a lta complexida de, o gr a acc atua no limite do conhecimento pa r a ofer ecer aos pacientes todas as ch a nces de cur a

Nos últimos anos, a maior oferta de serviços de saúde e as melhorias implementadas no Sistema Único de Saúde (SUS) possibilitaram um crescimento anual no número de diagnósticos de câncer no país. Muitos tumores, no entanto, são identificados quando já estão em estágio avançado, o que aumenta a complexidade no tratamento da doença. Os casos de tumor ósseo tratados no GRAACC com metástase no pulmão, por exemplo, cresceram de 20% para 35%. No GRAACC, o objetivo é disponibilizar as mais sofisticadas terapias existentes no mundo para atender diferentes tipos de tumores, que requerem equipamentos de ponta, salas especiais de cirurgia, UTI aparelhada, sessões de reabilitação e acompanhamento dedicado e especializado. Por isso, é foco da instituição aumentar a capacidade de atendimento, como demonstram a ampliação do hospital e a utilização de técnicas modernas de tratamento, para elevar o nível de resolubilidade do câncer infantojuvenil.

Alta complexidade Por ser especialista em doenças de maior complexidade, o GRAACC recebe casos bastante avançados, com tumores maiores e doentes de alto risco, vindos de todo o país. Em uma escala de 1 a 4, em que 1 diz respeito a tumores em estágio inicial, são encaminhados ao hospital do GRAACC um grande número de

16 | r e l at ó r i o d e at i v i da d e s 2 0 11

casos nas categorias 3 e 4. O início do tratamento, de modo geral, é mais agressivo e difícil, o que impacta a expectativa de sobrevida. Atualmente, os pacientes com tumores mais simples podem ser tratados em outros hospitais do país, que vêm melhorando sua capacidade de atendimento. Por isso, os índices de tipos de câncer tratados no GRAACC não correspondem às ocorrências na população. Entre 2000 e 2010, os pacientes com tumores no sistema nervoso central tiveram o maior percentual, de 19,1%, e os com leucemia, tipo mais comum e de risco menor, ficaram em 16,3%. No caso do retinoblastoma, o índice foi de 10,1%, enquanto, na população em geral, é de 3% , segundo pesquisa da entidade americana National Cancer Institute.

Avanços no tratamento O retinoblastoma, tumor maligno que ocorre na retina, é um dos

exemplos de câncer infantil de alta complexidade e no qual o GRAACC vem se especializando. Há cerca de um ano, o Hospital do GRAACC passou a utilizar a quimioterapia intra-arterial como opção de tratamento. A técnica, pioneira no Brasil, consiste em injetar a medicação em um cateter na artéria femoral, que segue até a artéria oftalmológica e chega ao olho. O método não é indicado para todos os casos, em geral só para os mais avançados, porém tem mostrado bons resultados e com menores efeitos colaterais. Isso graças à aquisição, em 2011, do Retcam, equipamento de alta tecnologia que permite, via câmera digital, visualizar o globo ocular e, assim, propiciar um diagnóstico mais assertivo e uma maior precisão no tratamento. Segundo literaturas europeias e americanas, é possível evitar a remoção de 60% dos olhos – volume geralmente necessário nos casos de retinoblastoma. O GRAACC tornou-se referência em pesquisas e no desenvolvimento de protocolos para tratamento desse tipo de tumor, do qual há registro de até 400 casos por ano no Brasil, e que representa 10% dos diagnósticos de câncer registrados na instituição.

Transplante de medula óssea Desde 1999, o hospital do GRAACC realizou mais de 350 transplantes de medula óssea


Espaços lúdicos contribuem para diminuir o impacto do tratamento e representam grande avanço na humanização hospitalar

(TMO). Em 2010, a média anual era de 30 procedimentos, saltando para 50 em 2011 e, até o final de 2012, são esperados cerca de 60 transplantes. A equipe da unidade de internação do Centro de Transplante de Medula Óssea é composta de quatro médicos, dois residentes oncologistas pediátricos, seis enfermeiros, 18 técnicos e uma ampla equipe de suporte multidisciplinar. Procedimento necessário no tratamento de alguns tipos de linfomas e leucemia, o transplante de medula óssea (TMO) pode ser autogênico, quando a medula vem do próprio paciente, ou alogênico,

quando vem de um doador – que pode ser aparentado ou não. No caso de não aparentados, são pesquisados doadores compatíveis, por meio de um banco de dados, ou o procedimento é feito a partir de células precursoras de medula óssea, a partir do sangue de cordão umbilical. O Brasil tornou-se o terceiro maior banco de dados do gênero no mundo, com 1,6 milhão de doadores, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), atrás apenas dos Estados Unidos (5 milhões) e da Alemanha (3 milhões). Existem 61 centros de TMO no Brasil e o GRAACC é um dos 17 centros com capacidade para realizar o

transplante entre não aparentados. Em 2011, o hospital registrou 15 procedimentos. Dos pacientes que se submetem ao método no hospital, cerca de 60% alcançam a cura. Atualmente, está em fase de estudo um novo método, chamado haploidêntico, em que uma compatibilidade de 50% com um doador aparentado é suficiente para a realização do transplante, acompanhado do uso de remédios quimioterápicos. Em geral, a compatibilidade exigida é de 80%. A expectativa é que a técnica se torne um novo protocolo de tratamento até o final de 2012.

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4 . T r ata m e n t o

Acesso ao uso de medicamentos avançados

Compartilhando conhecimento

Reconhecida pelo trabalho qualificado que vem

Em 2011, o GRAACC foi convidado a

desenvolvendo, que inclui pesquisas científicas e

participar de um simpósio na cidade de

publicações no exterior, há três anos a instituição tem

Hanoi, no Vietnã, promovido pela Worldwide

sido convidada a participar de reuniões internacionais,

Network for Blood & Marrow Transplantation

junto aos principais laboratórios farmacêuticos

(WBMT), em cooperação com a Organização

e centros de tratamento, em que se apresentam

Mundial de Saúde (OMS). O GRAACC

medicamentos em desenvolvimento. Isso permite que

compartilhou suas experiências e os desafios

pacientes do GRAACC recidivados (quando o tumor

do hospital a fim de estimular a construção

volta) ganhem uma nova chance de cura, por meio do

de unidades de transplante em países da

acesso aos novos fármacos.

Ásia e da África que não possuem estrutura

Isso possibilita que as crianças brasileiras tenham

nem equipe profissional especializada

acesso a um tratamento de ponta e coloca o país

para realizar o procedimento. Algumas das

em um novo cenário, em que participa ativamente

experiências destacadas foram as diferentes

das discussões mais avançadas na área. Em 2011, o

formas de captação de recursos, levando a

hospital do GRAACC recebeu visitas de laboratórios

mensagem de que é possível se organizar

internacionais, que trouxeram representantes de suas

para oferecer tratamentos de qualidade a

áreas de pesquisa, para conhecer a instituição.

crianças e adolescentes da região.

Hospital do GRAACC: especializado em casos de maior complexidade e alto nível de resolubilidade

1 8 | r e l at ó r i o d e at i v i da d e s 2 0 11


Tumores Frequentes / Procedência (%) 25

n=1.857

23

20

20

17

17

15

18

23

19 15

13 13

10

A pesquisa no GRAACC

12

Ano

Pesquisas institucionais

Estudos patrocinados

Total

2009

20

10

30

2010

25

13

38

2011

28

12

40

Atualmente o GRAACC está desenvolvendo 42 estudos de titulação (mestrado doutorado) nas mais diversas áreas: oncologia, infectologia, enfermagem, genética, nutrição, fisioterapia e Escola Móvel.

88

5

0

0 SP (n= 1.446)

OE (n=398)

OP (n=13)

Sistema Nervoso Central (snc) Leucemias

legenda SP: São Paulo OE: Outros Estados OP: Outros países

Tumores Ósseos Malignos Linfomas Retinoblastomas

Principais tipos de câncer (IOP/GRAACC/UNIFESP) (0-19 anos) 0-19 anos

5,7% 5,0%

0-19 anos

19,1%

0-12 anos

20,9%

5,6% 5,0% 5,5%

16,3%

5,5% 6,0%

(0-12 anos)

0-12 anos

18,7%

5,9%

6,8% 10,1%

6,8% 7,6%

13,9% 11,8%

10%

14%

Sistema Nervoso Central

Retinoblastomas

Leucemias

Sarcomas Partes moles

Tumores Renais

Tumores Ósseos Malígnos

Neoplasia Células Germ.

tumores hepáticos e outros

Linfomas

sistema nervoso simpático

tumores malígnos)

Outros (carcinomas,

Fonte: Dados do Registro Hospitalar de Câncer do GRAACC, 2000-2010. As análises e os números nos gráficos do período de 2000-2010 ao longo do relatório são de uma amostra de pacientes, dentre os que foram recebidos para tratamento pelo hospital e os que não haviam recebido tratamento em outra instituição até passarem pelos cuidados do GRAACC.

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4 . T r ata m e n t o

Para atenuar o desconforto da criança, o tratamento é diferenciado na Quimioteca

Cuidado integral Desde o início de suas atividades, nos anos 90, o GRAACC encara o desafio da cura do câncer aliando alta tecnologia, conhecimento científico específico e respeito à população por ele assistida. O objetivo tem sido garantir um tratamento humanizado, considerando a individualidade e as demandas de crianças, adolescentes e adultos jovens com câncer e suas famílias. A existência de uma equipe multiprofissional, formada por dentistas, nutricionistas, psicólogos, professores, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, assistentes sociais, médicos, enfermeiros, farmacêuticos e voluntários, tem assegurado a constante busca pela qualidade

2 0 | r e l at ó r i o d e at i v i da d e s 2 0 11

de vida dos pacientes, durante todas as fases do longo e complexo tratamento do câncer infantojuvenil.

Espaços humanizados O Hospital do GRAACC conta com dois espaços em que o lúdico contribui para diminuir o impacto do tratamento: a Brinquedoteca

Terapêutica Senninha e a Quimioteca Fundação Orsa. Esses locais representam um grande avanço na humanização do tratamento, pois permitem que as crianças se divirtam enquanto aguardam atendimento ou recebam a medicação. Em 1998, a Brinquedoteca Terapêutica do Senninha foi criada em parceria com o Instituto Ayrton Senna. Trata-se de um espaço com brinquedos, jogos, livros, entre outros itens, voltado a crianças de diferentes faixas etárias. Há, ainda, diversas oficinas e outras atividades fora do hospital – como visitas a espaços culturais, teatros e parques, e participações em festas como Páscoa, Dia das Mães e Natal.


Casa Ronald McDonald São Paulo O GRAACC recebe crianças e adolescentes de todo o Brasil, muitas vezes para um tratamento longo e que exige a mudança para a cidade de São Paulo. Assim, para hospedar esses pacientes e oferecer às crianças a oportunidade de concluir o tratamento com mais conforto e segurança, a instituição mantém a Casa Ronald McDonald São Paulo, inaugurada em parceria com o Instituto Ronald McDonald. A casa existe desde 2007 em um terreno de 1.500 m², doado pelo Governo do Estado de São Paulo. São 30 suítes que proporcionam um ambiente adequado às necessidades das crianças e de seus responsáveis. As instalações atendem cerca de 60 pessoas diariamente e contam com brinquedoteca, sala com televisão e videogames, computador com internet, biblioteca, adoleteca, cozinha e lavanderia. As atividades desenvolvidas pela Casa Ronald McDonald São Paulo envolvem palestras, encontros de leitura, passeios pelos parques da cidade, visitas a teatros e cinemas, cursos de artesanato, bordado e pintura e festas comemorativas, e focam na troca de conhecimento e na inserção das crianças na sociedade. A renda obtida com o McDia Feliz contribuiu com 50% dos custos de manutenção da Casa em 2011.

O objetivo é estimular o desenvolvimento e a recuperação da autoestima e da confiança das crianças e adolescentes com câncer. O espaço lúdico também facilita a adesão dos pacientes ao tratamento e contribui para a melhoria da qualidade de vida durante e após o processo. Para as famílias acompanhantes também há atividades como as oficinas de artesanato, que auxiliam na socialização e na troca de experiências. Hoje, dois profissionais contratados e 40 voluntários organizam as atividades da brinquedoteca. A Quimioteca Fundação Orsa, inaugurada em 2004, é um espaço lúdico diferenciado para o atendimento de crianças, adolescentes e adultos jovens

durante o tratamento quimioterápico, respeitando seus desejos e necessidades individuais e também promovendo o envolvimento familiar. O GRAACC em parceria com a Fundação Orsa criou este ambiente agradável e colorido, que estimula e favorece a participação dos pacientes em atividades recreativas (com brinquedos, livros, games, notebooks), atenuando o desconforto físico e psicológico causado pela quimioterapia. Diariamente cerca de 70 crianças passam pelo local para realizar o tratamento quimioterápico e/ou de suporte. Também acontece na Quimioteca a “visita” mais aguardada: Joe, um cachorro da raça Golden Retriever do Projeto Amicão, que visita os pacientes e seus acompanhantes semanalmente durante o

Recentemente, em visita ao Hospital do GRAACC, tive a oportunidade de conhecer todos os aspectos do tratamento de quem por lá passa, desde os equipamentos e o corpo médico de primeira linha até os cuidados afetivos e a preocupação como bem-estar dos pacientes. É com grande satisfação que a Credit Suisse Hedging-Griffo é parceira do GRAACC e incentiva outras empresas e pessoas físicas a fazer o mesmo.

Luis Stuhlberger Di r e t o r d a C r e d i t S u iss e H e d g i n g - G r iff o

recebimento da quimioterapia. Para interagir com as crianças, ele recebe treinamento e cuidados especiais (alimentação, higiene e rotina diferenciada) para garantir a segurança dos pacientes do hospital. Este modelo de excelência em humanização tem sido adotado por outros hospitais pediátricos com o mesmo sucesso.

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4 . T r ata m e n t o

2 2 | r e l at 贸 r i o d e at i v i da d e s 2 0 11


Pacientes fora de tratamento Inspirado no St. Jude Children’s Research Hospital, modelo hospitalar filantrópico dos Estados Unidos, em 2005 o GRAACC idealizou e criou a Clínica Multidisciplinar de Atendimento aos Pacientes Fora de Tratamento (CForT). Com uma equipe formada por médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, nutricionistas e professores da Escola Móvel, a clínica realiza diagnóstico de efeitos tardios através de história clínica, exame físico, exames laboratoriais e de imagem dos pacientes. Entre os objetivos do projeto, está o trabalho emocional com as famílias dos pacientes. São encaminhados para a clínica crianças que completaram todo o tratamento oncológico há, no mínimo, dois anos. O atendimento com os profissionais da clínica é realizado sempre no mesmo dia. Ao término das consultas, a equipe se reúne para discutir e avaliar os casos atendidos.

Escola Móvel Com a Escola Móvel, o GRAACC disponibiliza educação básica às crianças e adolescentes em tratamento, segundo o que estabelece a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e outros documentos oficiais sobre o ensino em ambiente escolar. Patrocinada desde 2010 pela Petrobras, a Escola Móvel conta com professores especializados e residentes vinculados à UNIFESP. As aulas são individuais e para cada caso é desenvolvido um plano de estudos, sempre de acordo com a grade escolar de cada paciente. O grande desafio é que esses alunos, ao voltarem a suas instituições de ensino, após o tratamento, não estejam defasados em relação aos colegas de classe. Em outubro de 2011, dois adolescentes realizaram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no próprio GRAACC. A possibilidade surgiu a partir da parceria entre o GRAACC e as entidades organizadoras do ENEM: o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e o Centro de Seleção de Candidatos ao Ensino Superior do Grande Rio (Fundação Cesgranrio). A iniciativa, que incluiu a presença de aplicadores e fiscais de prova no hospital, permitiu que os jovens participassem do exame em condições de igualdade em relação aos demais inscritos.

Tecnologia dos tablets O GRAACC adotou os tablets como uma ferramenta terapêutica. O uso do equipamento, que funciona com uma tela sensível ao toque, permite que as crianças realizem atividades importantes enquanto recuperam a coordenação motora e os movimentos. Atualmente, a instituição conta com 22 tablets, utilizados na Terapia Ocupacional, Pesquisa Clínica, Escola Móvel e nas atividades da Brinquedoteca.

Patrocínio:

O uso da ferramenta leva conhecimento, tratamento e diversão aos pacientes.

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5. pe squ i s a

Investimento em conhecimento o gr a acc desen volv e estudos que a pr imor a m o di agnóstico, per mitem ava nços no tr ata mento e o aumento das ch a nces de cur a do c â ncer infa ntoj u v enil

Uma parte importante do trabalho desenvolvido pelo Hospital do GRAACC são as pesquisas realizadas pela instituição, de forma independente ou em parceria com organizações nacionais e internacionais. O objetivo é aprimorar a identificação das alterações presentes nas células tumorais de forma a elaborar diagnósticos específicos que permitam a prescrição de tratamentos mais eficazes, assim como participar do desenvolvimento de novas formas de tratamento que visem à cura.

Em 2011 realizamos 82 pesquisas no GRAACC, incluindo pesquisas para observação. Os trabalhos contam com o apoio técnico de profissionais de oncologia e clínica pediátrica da UNIFESP e do GRAACC, além de pesquisadores bolsistas. Parte desses estudos é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e por empresas do setor privado. Além da divulgação entre a comunidade científica por meio de publicações e participações em congressos e

eventos, os resultados revertem em tratamentos mais eficazes, com benefício direto na vida dos pacientes. Uma linha de destaque para o GRAACC é a pesquisa translacional, que correlaciona os estudos de genética e biologia molecular aos dados clínicos do paciente com o objetivo de identificar metodologias e moléculas-alvo com impacto clínico e levá-las aos pacientes. Os estudos também são realizados por meio de parcerias nacionais e internacionais relevantes. Em 2011 foi

O resultado das pesquisas é revertido em tratamentos mais eficazes, com benefícios diretos à vida dos pacientes

2 4 | r e l at ó r i o d e at i v i da d e s 2 0 11


Por conta da natureza dinâmica do tratamento do câncer, a geração de conhecimento no GRAACC se apoia em estudos que estão sendo desenvolvidos em várias partes do mundo firmado um convênio com o National Institute of Health (NIH – Instituto Nacional de Saúde), instituição norte-americana que desenvolve um projeto global de investigação do genoma dos pacientes portadores de osteossarcoma, um tipo de tumor nos ossos que acomete cerca de 350 pessoas por ano no Brasil e gera dezenas de internações no GRAACC. Para monitorar os protocolos de tratamento e os avanços da cura desse câncer, um banco de dados dos pacientes auxilia na identificação de denominadores comuns entre eles. Os estudos e as informações locais são enviados para análise no NIH, que compila dados globais sobre a doença.

Rumo às origens do câncer Além de seu papel para o diagnóstico e o tratamento adequado dos pacientes, o Laboratório de Genética do GRAACC é estratégico para o desenvolvimento de estudos e pesquisas. Isso porque, em função da natureza dos vários tipos de câncer, é essencial compreender padrões e marcadores genéticos associados aos diversos tipos de tumores. A partir desses dados, são desenvolvidas abordagens para cada tipo de tumor e são estudados potenciais marcadores moleculares que possam facilitar o desenvolvimento de novos protocolos

de tratamento e aumentar as chances de cura dos pacientes. Ao longo de 11 anos, o Laboratório de Genética, composto de cinco funcionários do GRAACC e sete alunos de pós-graduação bolsistas, conseguiu analisar e compilar um banco de material biológico comparável ao de outros centros de pesquisa de referência ao redor do mundo. Com esse acervo, as equipes são capazes de encontrar denominadores comuns entre os perfis de pacientes e analisar a evolução e o comportamento dos tumores tratados, sobretudo os de alta complexidade. Ao contrário das pesquisas na área clínica, na genética as pesquisas estão vinculadas, principalmente, a agências de fomento, como a FAPESP. Em 2011, dois estudos de relevância foram iniciados com o apoio da fundação. Ambos têm como foco a compreensão dos mecanismos biológicos do câncer, abordando os sarcomas e tumores no sistema nervoso central da infância. Além disso, a equipe está envolvida em outro projeto internacional, em parceria com o grupo farmacêutico Novartis, estudando perfis de tumores do sistema nervoso central de alta complexidade, com o intuito de desenvolver medicamentos específicos para seu tratamento. Única instituição fora da Europa e dos Estados Unidos a compor a iniciativa, o GRAACC contribui com sua experiência e seus aprendizados no combate da doença no Brasil.

A Novartis se orgulha da parceria de longa data estabelecida com o GRAACC. A determinação e o comprometimento em garantir todas as chances de cura a pequenos pacientes, sempre com o mais avançado padrão científico, é notável. A Novartis se sente honrada em poder contribuir com as pesquisas científicas em busca da cura do câncer infantil e em apoiar diversas ações da instituição para a capacitação de profissionais e a ampliação do atendimento prestado.

Yara Baxter g e r e n t e g e r a l d a N o va r t is O n c o l o g i a B r a si l

Alcance global na pesquisa clínica Além das pesquisas em andamento dentro da própria instituição, contemplando espaços como

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5. pe squ i s a

os laboratórios de Genética, Hematologia e a Agência Transfusional, o GRAACC participa de dois dos maiores estudos do mundo com a Sociedade Internacional de Oncologia Pediátrica (SIOP) e o Children’s Oncology Group (COG). Com a SIOP, foi desenvolvido um projeto que, ao longo de uma década (2001 a 2011), avaliou a possibilidade de remoção de uma droga específica dos medicamentos ministrados aos pacientes com tumores renais. A ideia era diminuir a chance de as crianças desenvolverem doenças cardíacas em função do efeito colateral do uso contínuo do medicamento. Os estudos foram concluídos, mas a divulgação dos resultados ainda será feita pelo grupo. O COG é a maior instituição global dedicada exclusivamente à pesquisa de câncer em crianças e adolescentes, com a participação 8 mil especialistas em mais de 200 instituições nos países da América do Norte, Oceania e Europa, desenvolvendo estudos de tumores de alta complexidade. O GRAACC participa de três desses estudos.

Controle de infecções Com a evolução do tratamento quimioterápico, as complicações infecciosas decorrentes da baixa resistência dos pacientes se tornaram o foco central de instituições como o GRAACC. Por isso, são desenvolvidos estudos que buscam tratar e controlar infecções fúngicas e bacterianas em crianças e jovens atendidos. A instituição desenvolve uma série de projetos focados no diagnóstico precoce dos processos

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Parcerias com o National Institute of Health e sociedades internacionais de oncologia permitem ao GRAACC participar de descobertas no tratamento de tumores complexos infecciosos. Ao final de 2011, seis pesquisas do próprio GRAACC estavam em andamento – algumas já revertidas em protocolos inovadores de tratamento. Entre esses estudos, há uma proposta de uso de medicamentos diferenciados e o diagnóstico avançado de infecções na corrente sanguínea, além da análise da presença de vacinas nos pacientes internados no Hospital do GRAACC. Em 2011, foi iniciado um estudo internacional para avaliar a segurança e a eficácia de um medicamento no tratamento da candidemia invasiva – infecção

da corrente sanguínea – em pacientes pediátricos submetidos a tratamento. O GRAACC foi o primeiro centro do Brasil a incluir pacientes na pesquisa, que também conta com participação de Estados Unidos, Canadá, França, Alemanha, Grécia, Itália, Portugal, Espanha, Rússia, Coreia e Taiwan.


Parceria permite tratamento de doença rara Há três anos, o GRAACC e o laboratório Novartis trabalham juntos para que crianças com astrocitoma subependimário de células gigantes (SEGA) tenham uma alternativa à cirurgia para retirada do tumor, que é delicada e, em muitos casos, precisa ser realizada mais de uma vez. A SEGA é um tumor cerebral associado à esclerose tuberosa, doença genética que pode causar neoplasias em diversos órgãos. A parceria possibilitou que o Afinitor® (everolimo), medicamento já usado no exterior e ainda em fase experimental no Brasil para essa indicação, começasse a ser ministrado no GRAACC por meio de uso compassivo, que ocorre quando um laboratório autoriza que seu produto seja utilizado em pacientes com risco de morte e sem tratamento convencional disponível. Fruto do avanço da biologia molecular, o medicamento tem poucos efeitos colaterais e age diretamente no gene em que ocorre o erro que causa a formação do tumor. O GRAACC identificou, com base na observação e análise da evolução do quadro clínico de quatro pacientes, os benefícios da medicação, apoiando seu ingresso no Brasil. Atualmente, o Afinitor® já está aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento de pacientes a partir de três anos com SEGA. Esse tipo de tumor abrange de 5% a 20% dos pacientes com esclerose tuberosa. Entre 1 e 2 milhões de pessoas no mundo são acometidas por essa doença. Estima-se que haja entre 10 e 30 mil portadores da desordem genética no Brasil.

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6 . e ns i n o

Disseminação do aprendizado em 20 a nos, o k now-how conquista do no tr ata mento do c â ncer infa ntoj u v enil fa z do gr a acc um propaga dor de conhecimento

Uma das premissas da visão do GRAACC é trabalhar constantemente em parceria, somando esforços com a comunidade, a universidade e o empresariado por meio da mobilização de recursos, gestão participativa e potencialização do conhecimento. Um bom exemplo da efetivação dessa visão é a parceria técnico-científica entre o GRAACC e a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) que, desde 1998, tem contribuído para o tratamento do câncer infantil e para o desenvolvimento de pesquisas que impactam em grandes avanços e elevados índices de cura. Com essa parceria foi possível criar o Instituto de Oncologia Pediátrica (IOP/ GRAACC/UNIFESP), que abriga o Setor de Oncologia Pediátrica da disciplina de Especialidades Pediátricas do Departamento de Pediatria da UNIFESP. A diretoria do GRAACC tem autonomia

administrativa e financeira para dirigir o hospital, e existe forte vínculo técnico-científico com a universidade. A troca de conhecimento entre as instituições se dá por meio de convênio estabelecido. Em 2011, o IOP/ GRAACC/UNIFESP pleiteou junto ao Ministério da Educação o título de hospital-escola, que permitirá maior acesso a recursos financeiros, entre outros benefícios. A atuação dos oncologistas pediátricos é dirigida a crianças e adolescentes e engloba as modalidades tratamento ambulatorial (em regime de internação em enfermaria e em unidade de tratamento intensivo –

UTI), procedimentos diagnósticos e terapêuticos, cirúrgicos, quimioterapia, radiologia e tratamento de suporte. O trabalho é feito em conjunto com especialistas de diversos setores, que interagem no tratamento multidisciplinar e contribuem, assim, para a obtenção de melhores resultados. A atividade didática no hospital é dirigida aos estudantes de medicina em fase de graduação (4o e 6o anos médicos) no Curso Eletivo em Oncologia Pediátrica (oferecido a alunos de 2o e 3o anos de Medicina e 3o ano de Enfermagem e Fonoaudiologia), a alunos da Liga Acadêmica de Oncologia Pediátrica e residentes de pediatria, cancerologia pediátrica e transplante de medula óssea, além de médicos cancerologistas pós-graduandos e de participantes do Curso de Residência Multiprofissional nas áreas de nutrição, psicologia e fonoaudiologia.

O Instituto de Oncologia Pediátrica (IOP/GRAACC/ UNIFESP), referência no tratamento humanizado de câncer infantojuvenil, é um parceiro do Sistema Único de Saúde (SUS), no atendimento de crianças e jovens de todo o país. A rede de apoiadores ajuda a construir a história deste hospital, tornando possível um atendimento de alto nível em ambiente acolhedor, um diferencial no GRAACC.

Alexandre Padilha M i n is t r o d a S a ú d e e P r e si d e n t e d o C o n s e l h o N a c i o n a l d e S a ú d e

2 8 | r e l at ó r i o d e at i v i da d e s 2 0 11


Como funciona

8 o andar Fisioterapia, Terapia Ocupacional – Reabilitação, Agência Transfusional, Laboratório de Citogenética e Biologia Molecular, Cantinho da Paz, Espaço Cuidar (ambulatório da dor) e Sala de Aférese.

7 o andar 12 leitos para internação, além do posto de enfermagem e do posto de nutrição clínica.

6 o andar

5 o andar

4 leitos de internação na Unidade de Cuidados Especiais e 7 leitos de internação na Unidade de Tratamento Intensivo. Conforto médico e Fisioterapeutas.

Central de Materiais e Esterilização, Centro Cirúrgico e Centro de Transplante de Medula Óssea Instituto Ronald McDonald, com 6 leitos.

4 o andar

3 o andar

Centro de Pesquisa, Laboratório de Transplante de Medula Óssea, Central de quimioterapia, RHCG (Registro Hospitalar de Câncer do GRAACC), pesquisa clínica, farmácia e conforto médico, Diretoria Médica e sala multidisciplinar.

Laboratório de hematologia e auditório. Brinquedoteca Terapêutica Senninha. Escola Móvel.

1 o andar Ambulatório Oncológico, com atendimento multidisciplinar em neurologia, oftalmologia, ortopedia, fisiatria, endocrinologia, nutrologia, psicologia e serviço social. Gerência de Enfermagem, Telefonia e Central de Guias. Supervisão ambulatorial. Sala de prescrição de QT.

2 o andar Quimioteca Fundação Orsa. O andar tem 18 poltronas e 6 camas, salas de coleta de exames e uma sala com procedimentos como punções, coleta de mielograma, biopsias de medula óssea e coleta de liquor, ambulatório de Transplante de Medula Óssea.

Térreo

1 o subsolo

O andar abriga a recepção, a administração e o Setor de Voluntariado.

SAME, nutrição e Centro de Diagnóstico por Imagem, equipado com aparelhos modernos e de alta precisão.

2 o subsolo

Rouparia, Manutenção, Higiene, Vestiários, Almoxarifado, Tecnologia da Informação e Necrotério.

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7. f u t u ro

O desafio da expansão com a a mpli aç ão do hospita l, o gr a acc se forta lecer á como um dos m a ior es centros de tr ata mento do c â ncer infa ntoj u v enil da a mér ic a l atina

O GRAACC tem como objetivo se tornar um dos maiores centros de tratamento do câncer infantojuvenil da América Latina, oferecendo aos pacientes o conhecimento mais avançado, melhor e mais humanizado atendimento, além de todo o suporte social. Atendendo a esse objetivo, a construção do novo Complexo Hospitalar – cujo primeiro prédio (Anexo 1) será inaugurado em 2012 – possibilitará o crescimento de cerca de 30% na capacidade de atendimento da instituição. O novo edifício, com a reforma do prédio atual, oferecerá atendimento ambulatorial e de radioterapia pediátrica, sala para a realização de pequenos procedimentos cirúrgicos, espaço para reabilitação, leitos, consultórios, uma área especial para isolamento de pacientes com doenças infecto-contagiosas, além de uma farmácia para preparo de quimioterápicos e de uma central de esterilização de materiais. Para pacientes que necessitam de cuidados emergenciais, o Anexo 1 também traz uma unidade de prontoatendimento. A agência transfusional – que armazena o sangue, faz testes prétransplantes e acompanhamento das transfusões – será transferida para um espaço no novo prédio. Além da criação de novas estruturas, a finalização do Anexo 1 também disponibilizará serviços que antes não eram oferecidos pelo GRAACC, como a radioterapia pediátrica. O Complexo Hospitalar será um dos poucos hospitais do país com um Centro de Tratamento Radioterápico pediátrico, equipado com um aparelho

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de intensidade modulada. Parte da inovação apresentada por esse centro se dará com a previsão da instalação de uma BrainSuite, uma ferramenta de análise de ressonância magnética que funciona acoplada às unidades de neurocirurgia e de tomografia. A BrainSuite gera informações sobre os tumores cerebrais em tempo real, durante a operação, o que facilita o planejamento e a finalização da cirurgia.

A estrutura do Complexo Localizado ao lado do atual hospital, o novo Complexo Hospitalar ocupa um terreno de 4,2 mil m², doado pela prefeitura de São Paulo. O projeto será concluído em duas etapas: com a entrega do Anexo 1, em 2012, o GRAACC dará inicio ao planejamento do Anexo 2. As obras do Anexo 1 foram realizadas pela construtora Afonso França. O empreendimento arquitetônico de toda a obra foi desenvolvido pelas empresas de arquitetura Bross Consultoria e Aflalo Gasperini Arquitetos. A demanda de investimentos é de R$ 32 milhões para a primeira fase (Anexo 1). Esses valores foram arrecadados por meio de doações realizadas desde 2008. Nos próximos anos, o GRAACC enfrentará o desafio de captar os recursos para a continuidade das obras, e, ao mesmo tempo, atender ao seu orçamento anual, que já ultrapassa os R$ 70 milhões e que crescerá com a expansão do Complexo.

Anexo 1 Auditório, Superintendências, Pesquisa Clínica, Staff médico, Reabilitação, Central de Esterilização de Materiais e Voluntariado, Patologia, Agencia Transfusional, Farmácia de manipulação da Quimioterapia, Consultórios e espera, Pronto Atendimento, Assistência Social, Quarto Plantonistas, Radioterapia Pediátrica e Área técnica.


Centro de Radioterapia Pediátrica de Alta Tecnologia Segundo registro do Instituto Nacional do Câncer (Inca), estima-se 500 mil novos casos de câncer entre a população brasileira – 10 a 12 mil em crianças e adolescentes de até 18 anos. Atualmente, o Brasil conta com apenas 140 centros que oferecem o serviço radioterápico e nenhum é especializado em pediatria. No GRAACC, 38,8% dos pacientes passam pelo procedimento – em 2011, foram atendidas 137 crianças. Em grande parte dos casos, a radioterapia pediátrica ocorre ao longo de 30 dias, e, nesse período, os pacientes são direcionados a instituições parceiras, como o Hospital Albert Einstein, a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) ou o Hospital das Clínicas. Não manter o serviço em suas instalações obriga que as crianças se desloquem para outros locais para realizar o tratamento, muitas vezes em condições adversas. Com a expansão do complexo, a possibilidade de disponibilizar o tratamento no próprio Hospital do GRAACC será, portanto, um item adicional na qualidade do serviço prestado, garantindo mais comodidade e facilidade aos pacientes. O centro atenderá todas as crianças portadoras de tumores que requeiram o tratamento, e contará com um dos equipamentos que contemplam a realização de todas as técnicas de radioterapia pediátrica, no mesmo nível de qualidade e complexidade de instituições da Europa e dos Estados Unidos, cuja tecnologia permite que apenas o tumor seja irradiado. O serviço será disponibilizado no

subsolo do Anexo 1 – em uma área de 600 m2 – e estará interligado aos diferentes setores do hospital e a futuros anexos. A ideia é construir um polo especializado que possibilite o atendimento de radioterapia a qualquer criança do país. Para responder às demandas que o serviço de radioterapia pediátrica apresenta, o GRAACC terá, com a instalação do Centro de Tratamento Radioterápico, um núcleo de profissionais altamente especializados no tema. A unidade disponibilizará pós-graduação e outros cursos de especialização (presenciais ou a distância) a profissionais interessados de qualquer instituição.

Centro de Radioterapia Pediátrica Por meio da doação de um grupo privado e de várias doações por meio do Fumcad, foi construído e equipado o Centro de Radioterapia Pediátrica completo, dotado de equipamento com tecnologia que permite a realização de todos os procedimentos de alta precisão indicados em radioterapia pediátrica. Para a aquisição da máquina, a instituição contou com investimentos de cerca de R$ 5 milhões, sem considerar os custos da própria construção, em torno de R$ 1,5 milhão. A equipe contará com profissionais experientes, especializados na atenção de crianças, familiarizados com radioterapia de alta precisão, aliando tecnologia, conhecimento e humanização.

São Paulo se orgulha de ter uma instituição de saúde que é referência internacional no tratamento e pesquisa do câncer infantojuvenil e um dos importantes centros oncológicos do Sistema Único de Saúde (SUS) paulista, com índices de cura de aproximadamente 70%. O governo do Estado contribui com repasses extra-SUS para auxiliar financeiramente entidades filantrópicas sérias e comprometidas com a saúde pública e renova os cumprimentos e votos de sucesso a toda a equipe clínica e diretiva do GRAACC pelos relevantes serviços prestados aos pacientes da rede pública de saúde.

Geraldo Alckmin G o v e r n a d o r d o Es ta d o d e S ã o Pa u l o

G ru p o d e Ap o i o ao A d o l e sc e n t e e à C r i a n ç a c o m C â n c e r | 31


7. f u t u ro

Apoio que faz a diferença As seguintes empresas contribuíram para as obras de expansão do Hospital do GRAACC em 2011: • Abbott Laboratórios

• Conselho Municipal dos

• Monsanto

do Brasil

Direitos da Criança e do

• Montana Química

• Acústica & Sônica

Adolescente de São Paulo

• Montcalm

• Akzo Nobel

• Credit Suisse Hedging-Griffo

• Natura

• Alcoa

• CSN

• Nestlé

• Aldebrás

• Datora Telecomunicações

• Piraque

• Algar

• Deloitte

• Portella & Allarcon

• Ambev

• Dorma Sistemas

• Prefeitura da Cidade de

• Apsen Farmacêutica

• EMS

São Paulo

• Atlas Schindler

• ESPM e ESPM Social

• Prefeitura Municipal

• Banco Alfa

• Eurofarma Laboratórios

de Barueri

• Banco BNP Brasil Banco

• FSB Foods

• Procter & Gamble

Múltiplo

• Fundo Municipal dos

• PSA Finance Arrendamento

• Banco BPN Brasil

Direitos da Criança e do

Mercantil

• Banco Bradesco

Adolescente de São Paulo

• Rassini – NHK Automative

• Banco BTG Pactual

• Gerdau

• Razzo

• Banco Daycoval

• Grupo CCR

• Redecard

• Banco do Brasil

• Grupo Fleury

• Reed Alcantara

• Banco Itaú Unibanco

• Grupo Orsa

• Revista Sorria / Droga Raia

• Banco Pine

• Hershey’s

• Ricardo França Projetos

• Fundação Filantrópica

• HP

• Rockfibras do Brasil

• Vicky Joseph Safra

• IBM Brasil

• Secretaria Municipal

• Banco Santander

• Implamed

de Participação e Parceria

• Banco Sofisa

• ING Bank

de São Paulo

• Banco Volkswagen

• Intercam

• Siemens

• Bauducco

• JHSF – Shopping Cidade

• Sogefi Filtration do Brasil

• Bic Banco

Jardim – José Auriemo

• Suzano Papel e Celulose

• Biolab Sanus Farmacêutica

• Jonhson & Jonhson

• Takeda

• Brand Connect

• JSL

• Tegma Logística

• Carlos Freires Escritório

• Kimberly Clark

• Tenneco

Técnico

• Kraft Foods

• Ticket

• Central Nacional Unimed

• Lâmpadas Golden

• Tok&Stock

• Cielo

• Local Frios

• União Química

• Coldmix

• Man Latin America

• Verifone

• Colgate Palmolive

• Medley

• Vogler Ingredients

• Comexport

• Moinho Pacífico

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8 . S o c i e da de

Tornando o sonho realidade ao longo do a no, vá r i as inici ati vas aj uda r a m a di v ulga r a c ausa do gr a acc e a r r ec a da r fundos pa r a a instituiç ão

O envolvimento da sociedade com o dia a dia do GRAACC é fundamental para que a instituição cumpra com seus objetivos. Desde a sua fundação, em 1991, pessoas e empresas de todo o Brasil se dedicam como voluntários ou doadores, transformando o sonho de auxiliar e curar crianças com câncer em realidade.

Ao final de 2011, o GRAACC possuía mais de quatro centenas de voluntários e milhares de doadores, entre pessoas físicas e empresas parceiras. O resultado desse envolvimento é expressivo e corresponde a quase 70% de todos os recursos captados durante o ano.

Voluntários: a essência da humanização O voluntariado é um dos pilares de atuação do GRAACC. Desde o início, a presença dos voluntários transforma a vida da instituição, garantindo a humanização do atendimento hospitalar e contribuindo para o bom funcionamento da instituição. São 19 setores de atuação, com atividades que vão do apoio às crianças até aqueles que dão suporte aos serviços administrativos do hospital. O grupo participa também na captação de recursos, em campanhas, jantares e eventos de arrecadação.

3 4 | r e l at ó r i o d e at i v i da d e s 2 0 11

Atualmente, o GRAACC conta com o apoio de 437 voluntários, que dedicam quatro horas por dia,

seguindo normas e regras do voluntariado da instituição. Para participar, o primeiro passo é fazer uma visita monitorada ao hospital, quando o candidato preenche uma ficha de interesse e conhece todas as áreas e atividades. A partir daí, ele pode ser chamado para atuar em um dos setores do voluntariado, recebendo treinamento e passando por um período de três meses de estágio. Após essa etapa, ele está efetivado no cargo.

Total de voluntários 2009

400

2010

400

2011

437

437 voluntários participam ativamente do dia a dia da organização

Média de idade dos voluntários (2011)

Até 25 anos

De 26 a 35

De 36 a 45

De 46 a 55

De 56 a 65

De 66 a 75

Acima de 75 Desconhecido


Para levar alegria Há 19 anos no GRAACC, a história da voluntária Alice Fillet Fernandes, 79 anos, confunde-se com a da própria instituição. Por isso, acompanhar a trajetória e o crescimento do hospital é motivo de orgulho para ela. Atualmente, dona Alice atua no setor de internação, distribuindo materiais de higiene para as mães e as crianças, brincando e alegrando os pequenos e dando suporte aos pais. “Não posso me imaginar longe do GRAACC, gosto muito do que faço”, revela. Quem a conhece sabe que as quartas-feiras pela manhã são sagradas, período em que se dedica totalmente à instituição. Dona Alice já trouxe outras voluntárias e amigas para o GRAACC e a família também não deixou de se envolver. O marido era quem buscava ingredientes para o lanche das crianças e a filha e o neto participavam da campanha do McDia Feliz. No dia a dia do trabalho voluntário, outras amizades se formaram. Conhecidas como a dupla “Tico e Teco”, dona Alice e dona Angélica – outra voluntária – percorrem os corredores do hospital, devidamente trajadas com os jalecos repletos de bótons e

César Tralli

bichos de pelúcia, levando alegria aos pacientes.

A força do GRAACC sempre esteve diretamente atrelada a sua capacidade de mobilização. De anônimos a gente conhecida. De voluntários a profissionais bem remunerados para tocar a missão angelical de tratar inocentes enfermos. Sou fã incondicional do corpo de voluntários. É bonito, muito bonito ver o amor e a dedicação dessas pessoas. Câncer não se trata apenas com remédios de alta qualidade e complexidade. Câncer se trata com amor. E não tenho dúvida de que essa dose admirável de amor contribui diretamente para as altas taxas de recuperação dos pacientes do GRAACC. Parabéns, gente! Força e fé! Sempre.

Alice: “Não posso me imaginar longe do GRAACC, gosto muito do que faço”

J o r n a l is ta e â n c o r a d o S P T V P r i m e i r a E d i ç ão , d a TV G l o b o

Para se ligar na causa Criado em 1997, o setor de arrecadação do GRAACC realiza ligações convidando pessoas a doarem recursos para o hospital. Essas contribuições corresponderam a aproximadamente 28% das doações recebidas. Entre os doadores, há os que se tornam sócios mantenedores e passam a contribuir mensalmente com o GRAACC. Em 2011, milhares de pessoas aceitaram o convite para iniciar sua contribuição periódica.

É fácil colaborar Para o GRAACC, é fundamental a colaboração de pessoas e empresas. No link www.graacc.org.br/ estão disponíveis as diversas formas para ajudar a instituição a combater e vencer o câncer infantil.

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8 . S o c i e da de

Empresas parceiras A parceria das empresas é fundamental para o pleno desenvolvimento das atividades do GRAACC. A instituição possui uma equipe ativa que engaja empresas na missão da organização. As empresas são visitadas pessoalmente pelos profissionais do GRAACC que apresentam o dia a dia da organização, buscando a concretização de parcerias. Em 2011, como fruto desse trabalho, empresas doaram R$ 3 milhões para o combate ao câncer infantil.

Poder público O GRAACC também atua com as esferas do poder público, apresentando possibilidades de investimento e custeio para os projetos da instituição. Em 2011, as emendas parlamentares foram cerca de 60% maiores que as de 2010.

Fundo Nacional de Saúde Em 2011, o GRAACC recebeu recursos de emendas parlamentares.

Total de recursos obtidos por emendas parlamentares (em R$ milhões) 2009

1,4

2010

1,85

2011

3,976

Contribuições feitas por parlamentares Parlamentar Aline Correa Aloysio Nunes

Origem das receitas 2011

10% 6%

1% 2% 11%

4%

1% 15%

17% 33%

Cargo Dep. Federal Senador

Antonio Carlos Mendes Thame

Dep. Federal

Darcísio Perondi

Dep. Federal

Fernando Capez

Dep. Estadual

Francisco Everaldo (Tiririca)

Dep. Federal

Gabriel Chalita

Dep. Federal

Geraldo Thadeu

Dep. Federal

Keiko Ota

Dep. Federal

Jefferson Campos

Dep. Federal

João Dado

Dep. Federal

João Magalhães

Dep. Federal

Jooji Hato

Dep. Estadual

José Aníbal

Dep. Federal

Penna

Dep. Federal

José Mentor

Dep. Federal

Saraiva Felipe

Dep. Federal

Luciano Castro

Dep. Federal

sistema único de saúde (SUS)

Luiza Erundina

Dep. Federal

4%

PREFEITURA municipal de são paulo

Mara Gabrilli

Dep. Federal

1%

Governo do Estado de São Paulo

Mauro Lopes

Dep. Federal

convênios

Miro Teixeira

Dep. Federal

Particulares

Paulo Maluf

Dep. Federal

Ensino/pesquisa

Rebecca Garcia

Dep. Federal

17%

doações telemarketing (nota 13)

Roberto Freire

Dep. Federal

33%

doações de pessoas físicas e jurídicas (nota 13)

11%

15% 0% 0%

6% 10%

evento mc dia feliz (nota 15) outros eventos – DI/Voluntariado/ Administrativo (nota 15)

1%

Doação de bens (nota 13)

2%

Governamentais (nota 14)

3 6 | r e l at ó r i o d e at i v i da d e s 2 0 11

2009

2010

2011


Eventos e campanhas 11a Corrida e Caminhada GRAACC “Combatendo e vencendo o câncer infantil” é a assinatura da Corrida e Caminhada do GRAACC que, em sua 11a edição, contou com 8 mil participantes. O total arrecadado foi destinado à manutenção do hospital. Organizado pelo clube de corredores Corpore, o evento contou com participação de Paloma Bernardi e foi patrocinado pela Companhia de Comércio Exterior – Comexport (patrocinadora master), MAN Latin America (patrocinadora), Caixa Econômica Federal e Corpore (copatrocinadoras), com o apoio da CitiEsperança, Bloomberg, Shopping Eldorado, Eurofarma, Fundação Orsa, Marba, McDonald’s, Natural da Terra Hortifruti, Prefeitura Municipal de São Paulo, Sabesp, Secretaria de Esporte, Lazer e Turismo do Estado de São Paulo, OgilvyOne, Transamérica e Central Nacional Unimed.

Sou Fã de Criança Em 2011, tornaram-se embaixadores do GRAACC os apresentadores Eduardo Guedes, Ana Furtado, Chris Flores e Adriana Galisteu; os atores Reynaldo Gianecchini, Matheus Solano, Vitor Fazano, Marcelo Valle, Daniel Boaventura, Marcelo Airoldi e Elias Gleizer; as atrizes Alexandra Richter, Bruna Lombardi, Cissa Guimarães, Aparecida Petrowky, Simone Soares, Adriana Birolli, Paloma Bernardi e Mel Lisboa; o cantor Felipe Dylon, a modelo Luciana Curtis, a ex-jogadora de futebol e apresentadora Milene Domingues e a piloto Bia Figueiredo. A Malwee, a Líder Brinquedos e a Alpha Festas lançaram produtos com a marca e reverteram parte da renda obtida com as vendas para a instituição.

Doe seu perfil No Dia Nacional do Combate ao Câncer Infantil (23 de novembro), o GRAACC promoveu a campanha Doe Seu Perfil, criada voluntariamente pela agência OgilvyOne. Crianças em tratamento no hospital pediram a dez personalidades brasileiras (Neymar, Ivete Sangalo, Kaká, Ronaldo, Anderson Silva, Angélica, Nando Reis, Otávio Mesquita, Wanessa Camargo e Marco Luque) que “emprestassem” por 24 horas seus perfis e seus mais de 24 milhões de seguidores no Twitter para dar visibilidade à luta contra o câncer.

McDia Feliz A 19a edição da campanha McDia Feliz, coordenada no Brasil pelo Instituto Ronald McDonald, reverteu toda a renda obtida com a venda do sanduíche Big Mac – descontados os impostos – nas cidades de São Paulo, Barueri, Osasco e Taboão da Serra ao Hospital do GRAACC e à Casa Ronald McDonald São Paulo. Em 2011, alcançou a marca de mais de R$ 4,9 milhões arrecadados.

Jantares Anualmente acontecem jantares para arrecadação de fundos à instituição. Em 2011, os valores obtidos com os eventos foram direcionados para a manutenção do hospital. O primeiro teve como anfitrião o Dr. Mailson da Nóbrega e foi patrocinado pela Central Nacional Unimed, com o apoio da Amway do Brasil, Casa Suíça, Clube Hebraica, Tendências Consultoria Integrada, Coca Cola, Petrobras e Bradesco. Outro jantar foi apoiado pelo Bradesco, Coca-Cola, Projesom, Colégio Dante Alighieri, Motriz, Unimed Paulistana e Moinho Eventos, com o show de música italiana do ator e cantor Daniel Boaventura. Cada evento contou com cerca de mil convidados.

Empresas parceiras Nos 20 anos de história do GRAACC, celebrados em 2011, muitas empresas e pessoas contribuíram para a continuidade das atividades da instituição. Algumas delas, já veteranas, apoiam o GRAACC há vários anos, enquanto outras, chamadas novatas, juntaram-se à causa em 2011, dando início a importantes parcerias. Conheça, a seguir, alguns dos parceiros que desenvolveram ações ou doaram recursos ao GRAACC no último ano.

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8 . S o c i e da de

alguns de seus fornecedores, realiza a campanha Natal Solidário. Na ação, parte das compras de produtos das marcas participantes é revertida ao GRAACC.

Veter anos

Abreme Em 2011, a Associação Brasileira dos Revendedores e Distribuidores de Materiais Elétricos (Abreme) realizou a VII Edição do “Prêmio Abreme de Fornecedores” e parte da renda de patrocínio do evento foi doada ao GRAACC.

American Express – Bradesco – 11 edição a

Eurofarma Desde 2003 ajuda o GRAACC na campanha McDia Feliz.

Metropom – 9a edição

O programa de fidelidade Membership Rewards, da American Express – Bradesco, permite aos associados doar pontos acumulados nas compras com o cartão de crédito a diversas instituições sociais brasileiras, entre elas o GRAACC.

A Metropom destina parte do valor arrecadado com os ingressos da Feira do Circuito das Malhas, em São Paulo, ao GRAACC. Também disponibiliza um estande para divulgação da instituição na própria feira e no Salão do Artesão no Grande ABC.

Prefeitura de Barueri – 3a edição

Opaque – 8a edição

Na principal ação da Prefeitura Municipal de Barueri, os funcionários públicos destinam um dia de trabalho do 13o salário ao GRAACC. O município também reverte parte da renda arrecadada em eventos à instituição, caso do Baile da Cidade, do Jantar Outback e da gincana Sou do Bem, além de participar ativamente da campanha McDia Feliz.

A Opaque, rede de loja de perfumes, cosméticos, maquiagem e serviços de beleza, realiza a campanha Desenhando Sorrisos, que, durante a semana da criança, doa parte da renda ao GRAACC.

Biolab Farmacêutica – 12a edição Com o Projeto Bio-vida, a Biolab Farmacêutica destina 5% do faturamento obtido com as vendas líquidas de produtos da sua linha pediátrica a entidades assistenciais que trabalham em prol do tratamento do câncer infantil, como o GRAACC. Também ajuda na campanha McDia Feliz.

C&C Casa e Construção – 6 edição

Shopping Eldorado – 7a edição Na Segunda Solidária, iniciativa do Shopping Eldorado, toda a renda líquida dos tickets de estacionamento na primeira segunda-feira de cada mês é doada ao GRAACC. A iniciativa envolve lojistas, funcionários e frequentadores do shopping. O Eldorado também disponibiliza urnas para a doação da Nota Fiscal Paulista.

Sindepark – 10a edição

a

O Sindicato das Empresas de Garagens e Estacionamentos do Estado de São Paulo (Sindepark) Durante todo o mês de dezembro, a C&C, em parceria com promove a campanha Manobra da Alegria, quando todos os estacionamentos doam 20% da receita obtida com o atendimento de veículos avulsos para A Revista Sorria, desenvolvida pela a instituição. Em 2011, o Editora Mol e à venda na rede de Sindepark também doou uma farmácias Droga Raia, reverte parte TV para a Casa de Apoio da de sua arrecadação ao GRAACC. instituição. O apoio contribui para a ampliação

Revista Sorria

da infraestrutura do hospital. Da 1ª edição à 25ª, a revista arrecadou mais de R$ 8,2 milhões – são R$ 4,78 arrecadados por minuto.

3 8 | r e l at ó r i o d e at i v i da d e s 2 0 11

SkyTV – 6a edição Com a campanha Viva Sky, os clientes cadastrados no programa de fidelidade da SkyTV podem trocar os


pontos acumulados por repasses a três instituições sociais, incluindo o GRAACC. Em dezembro de 2011, também foi realizada uma campanha no Facebook, na qual cada “Curtir” da fanpage da Sky foi revertido em R$ 1 e doado à instituição.

ESPM O projeto Bem na Moda, idealizado pela ESPM Social, reúne bazar, brechó e leilão de artigos doados pelos próprios alunos e por marcas famosas. Aberto ao público, é possível adquirir roupas novas e seminovas com até 80% de desconto. O total arrecadado e repassado ao GRAACC em 2011 foi destinado para a construção do novo hospital da instituição.

Dream Plastic A Consulta Solidária, na clínica Dream Plastic, reverte 10% de todo o faturamento obtido nas consultas de avaliação ao GRAACC.

Instituto José Auriemo – JHSF – Shopping Cidade Jardim O Instituto José Auriemo, a JHSF e o Shopping Cidade Jardim colaboram especialmente com as obras de expansão do novo hospital. Em novembro, o total arrecadado em um dia no estacionamento do shopping foi repassado ao GRAACC. Iniciada em 2011, essa e outras ações serão realizadas até 2015. A JHSF ainda fez contribuições mensais e confeccionou cofrinhos personalizados e os entregou a mais de 700 colaboradores para que esses arrecadassem moedas com familiares e amigos. C20/M0/Y80/K65

C60/M80/Y100/K45

Pantone5763

Pantone 477

C80/M95/Y100/K0 Para Jornal

N o va t o s

Pernambucanas Cidadã A Pernambucanas Cidadã se tornou sócia mantenedora do GRAACC em setembro de 2011, contribuindo com doações mensais para a instituição.

Desafio Volta ao Brasil – Passos Solidários

Moto Grupo Advogado Motociclista No Encontro do Advogado Motociclista, foram arrecadados 1.280 pacotes de fraldas para o hospital do GRAACC.

O ultramaratonista Carlos Dias destinou ao GRAACC 20% do valor arrecadado na Campanha Passos Solidários – Desafio Volta ao Brasil. O evento contou com o apoio da Tegma.

Walmart Brasil

Colégio Doze de Outubro

Bel Col

O Colégio Doze de Outubro disponibilizou uma barraca em sua Festa Junina para o GRAACC. No dia 12 de outubro, o colégio organizou uma caminhada que arrecadou 1.385 litros de leite e 100 pacotes de fraldas doados à instituição.

De novembro de 2011 a abril de 2012, a campanha “Bel Col contra o câncer de pele” destinará R$ 0,50 de cada produto da linha solar vendido ao GRAACC. Também fez doações de bloqueadores solares para as crianças e os mensageiros da instituição.

Uni-Yoga – Instituto De Rose Iniciativa da Uni-Yoga e do Instituto De Rose, o Dia da Yoga contou com a venda de produtos do GRAACC. Também foram arrecadadas doações em um fim de semana e encaminhadas à instituição.

Na Campanha de Natal 2011, o Walmart Brasil arrecadou 106 brinquedos e 10 IPad’s para as crianças do GRAACC.

Underwriters Laboratories Na campanha interna, a cada dólar doado pelos funcionários, a Underwriters Laboratories dobrou o valor da contribuição ao GRAACC.

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9. De mons t r açþe s f i n a nc e i r a s

4 0 | r e l at Ăł r i o d e at i v i da d e s 2 0 11


Demonstrações financeiras em 31 de dezembro de 2011, 2010 e 20 09

Relatório dos auditores independentes sobre as demonstrações financeiras 42 Balanços patrimoniais 43 Demonstrações das mutações do patrimônio líquido 44 Demonstrações de superávits 44 Demonstrações dos fluxos de caixa 45 Notas explicativas às demonstrações financeiras 46-65

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9. De mons t r açõe s f i n a nc e i r a s

Relatório dos auditores independentes sobre as demonstrações financeiras Aos Conselheiros do Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer São Paulo - SP Examinamos as demonstrações financeiras do Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (“Entidade”), que compreendem o balanço patrimonial em 31 de dezembro de 2011 e as respectivas demonstrações de superávit, das mutações do patrimônio social e dos fluxos de caixa para o exercício findo naquela data, assim como o resumo das principais práticas contábeis e demais notas explicativas. Responsabilidade da administração sobre as demonstrações financeiras A administração da Entidade é responsável pela elaboração e adequada apresentação dessas demonstrações financeiras de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil para pequenas e médias empresas, assim como pelos controles internos que ela determinou como necessários para permitir a elaboração de demonstrações financeiras livres de distorção relevante, independentemente se causada por fraude ou erro. Responsabilidade dos auditores independentes Nossa responsabilidade é a de expressar uma opinião sobre essas demonstrações financeiras com base em nossa auditoria, conduzida de acordo com as normas brasileiras e internacionais de auditoria. Essas normas requerem o cumprimento de exigências éticas pelos auditores e que a auditoria seja planejada e executada com o objetivo de obter segurança razoável de que as demonstrações financeiras estão livres de distorção relevante. Uma auditoria envolve a execução de procedimentos selecionados para obtenção de evidência a respeito dos valores e divulgações apresentados nas demonstrações financeiras. Os procedimentos selecionados dependem do julgamento do auditor, incluindo a avaliação dos riscos de distorção relevante nas demonstrações financeiras, independentemente se causada por fraude ou erro. Nessa avaliação de riscos, o auditor considera os controles internos relevantes para a elaboração e adequada apresentação

4 2 | r e l at ó r i o d e at i v i da d e s 2 0 11

das demonstrações financeiras da Entidade para planejar os procedimentos de auditoria que são apropriados nas circunstâncias, mas não para fins de expressar uma opinião sobre a eficácia desses controles internos da Entidade. Uma auditoria inclui, também, a avaliação da adequação das práticas contábeis utilizadas e a razoabilidade das estimativas contábeis feitas pela administração, bem como a avaliação da apresentação das demonstrações financeiras tomadas em conjunto. Acreditamos que a evidência de auditoria obtida é suficiente e apropriada para fundamentar nossa opinião. Base para opinião com ressalva sobre as demonstrações financeiras Conforme mencionado na nota explicativa 7 às demonstrações financeiras, a Entidade reavaliou seu ativo imobilizado em setembro de 2002 e não respeitou a prática contábil adotada no Brasil vigente à época que determinava uma nova reavaliação dos bens do ativo imobilizado reavaliados a cada quatro anos. Adicionalmente, a Entidade não efetuou a revisão das vidas úteis do ativo imobilizado para o exercício de 2011. Consequentemente, não foi possível determinar os efeitos sobre o ativo imobilizado em 31 de dezembro de 2011 e correspondentes impactos no superávit do exercício e patrimônio social do exercício findo nessa data. A Entidade possui pessoas físicas que atuam de forma regular e contínua prestando serviços à Entidade na forma de voluntários. A Entidade não mensurou os efeitos desse trabalho voluntário conforme requerido pelas práticas contábeis adotadas no Brasil. Consequentemente, em 31 de dezembro de 2011, os saldos de receitas com doações e custos hospitalares não contemplam a valoração dos trabalhos voluntários. Opinião com ressalva sobre as demonstrações financeiras Em nossa opinião, exceto pelos possíveis efeitos dos assuntos descritos no parágrafo Base para opinião com ressalva sobre as demonstrações financeiras, as demonstrações financeiras acima referidas apresentam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira do Grupo

de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer em 31 de dezembro de 2011, o desempenho de suas operações e os seus fluxos de caixa para o exercício findo naquela data, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil.

Outros assuntos

Auditoria dos valores correspondentes ao exercício anterior Os valores correspondentes ao exercício findo em 31 de dezembro de 2010, apresentados para fins de comparação, foram anteriormente auditados por outros auditores independentes que emitiram relatório datado em 29 de abril de 2011, que conteve ressalvas sobre a não realização de reavaliações periódicas em função de a Entidade ter reavaliado seus ativos imobilizados no exercício de 2002 e por não ter sido apurada e contabilizada a depreciação dos bens do ativo imobilizado baseada na nova vida útil dos ativos e também pelo fato de a Entidade possuir parte de suas receitas advinda de doações que somente podem ser identificadas quando registradas contabilmente. Refazimento das demonstrações financeiras correspondentes ao exercício anterior Como parte de nossos exames das demonstrações financeiras de 2011, examinamos também os ajustes descritos na Nota Explicativa 2.f que foram efetuados para alterar as demonstrações financeiras de 2010. Em nossa opinião, tais ajustes são apropriados e foram corretamente efetuados. Não fomos contratados para auditar, revisar ou aplicar quaisquer outros procedimentos sobre as demonstrações financeiras da Entidade referentes ao exercício de 2010 e, portanto, não expressamos opinião ou qualquer forma de asseguração sobre as Demonstrações financeiras de 2010 tomadas em conjunto.

São Paulo, 9 de abril de 2012

KPMG Auditores Independentes CRC 2SP014428/O-6 Marcos Antonio Boscolo Contador CRC 1SP198789/O-0


Balanços Patrimoniais EM 31 DE DEZEM BRO DE 2011 e 2010

( Va l o r e s e x pr e s s o s e m m i l h a r e s d e r e a i s )

Ativos

Nota

2011

2010

01/01/10

Caixa e equivalentes de caixa

4

15.805

11.029

7.775

Aplicações financeiras

4

3.845

1.218

1.064

Créditos a receber

5

4.171

2.947

2.293

Estoques

6

Demais contas a receber

2.279

2.151

1.914

311

412

146

Passivos Fornecedores

414

294 146 14

1.218

1.064

26.322

20.313

16.014

Intangível

48

145

255

Diferido

19

99

178

26.488

20.649

16.469

11.784

7.175

5.618

9

358

442

325

126

252

-

10

9.300

4.447

-

9.784

5.141

325

25.639

22.569

19.020

Financiamentos Receitas Diferidas

Total do passivo não circulante Patrimônio líquido Patrimônio social Reservas de reavaliação Superávit do exercício Total do patrimônio líquido

29.160

631

4.003

Contingências trabalhistas

38.406

1 2.478

Receitas Diferidas Total do passivo circulante

52.899

126 2.999

14

21

Total do ativo

139 3.741

183

92

Total do ativo não circulante

1.621

7

99 7

2.221

177

12.691

9

2010 01/01/10

(ajustado)

Outras Obrigações 17.757

Imobilizado

8

Obrigações fiscais a recolher

26.411

Depósitos judiciais

2011 3.086

Financiamentos Salários e encargos sociais

Contingências trabalhistas

Total do ativo circulante

Nota

Total do passivo

12

451

648

845

5.241

2.873

3.352

31.331

26.090

23.217

52.899

38.406

29.160

A s n o ta s e x p l i c at i va s s ã o pa r t e i n t e g r a n t e da s d e m o n s t r a ç õ e s f i n a n c e i r a s

G ru p o d e Ap o i o ao A d o l e sc e n t e e à C r i a n ç a c o m C â n c e r | 4 3


9. De mons t r açõe s f i n a nc e i r a s

Demonstrações das mutações do patrimônio líquido E x e rc íc ios f i n d os e m 31 de de z e m bro de 2011 e 2010 ( Va l o r e s e x pr e s s o s e m m i l h a r e s d e r e a i s )

Nota Saldos em 1o janeiro de 2009

Patrimônio social

Reserva de reavaliação

Superávit / (déficit)

Total do patrimônio social

19.023

1.042

(200)

19.865

(200)

-

200

-

197

(197)

-

-

12

Transferência para patrimônio social Realização da reserva de reavaliação Superávit do exercício Saldos em 31 de dezembro de 2009

12

Transferência para patrimônio social Realização da reserva de reavaliação Superávit do exercício (Ajustado) Saldos em 31 de dezembro de 2010

12

Transferência para patrimônio social Realização da reserva de reavaliação Superávit do exercício Saldos em 31 de dezembro de 2011

-

-

3.352

3.352

19.020

845

3.352

23.217

3.352

-

(3.352)

-

197

(197)

-

-

2.873

2.873

22.569

648

2.873

26.090

2.873

-

(2.873)

-

197

(197)

-

-

-

-

5.241

5.241

25.639

451

5.241

31.331

-

Demonstrações de superávit E x e rc íc ios f i n d os e m 31 de de z e m bro de 2011 e 2010 ( Valores expressos em milhares de reais)

Nota

2011

2010

(ajustado)

Receitas com serviços prestados

14

18.511

14.726

Custos hospitalares

15

(39.241)

(31.017)

(20.730)

(16.291)

(5.320)

(4.150)

30.876

23.163

52

(457)

4.878

2.265

(Déficit) bruto Despesas administrativas Outras receitas (despesas) líquidas

16

Outras perdas líquidas Superávit operacional Receitas financeiras líquidas Superávit do exercício

17

363

608

5.241

2.873

A s n o ta s e x p l i c at i va s s ã o pa r t e i n t e g r a n t e da s d e m o n s t r a ç õ e s f i n a n c e i r a s

4 4 | r e l at ó r i o d e at i v i da d e s 2 0 11


Demonstrações dos fluxos de caixa E x e rc íc ios f i n d os e m 31 de de z e m bro de 2011 e 2010 ( Va l o r e s e x pr e s s o s e m m i l h a r e s d e r e a i s )

Nota

2011

2010 (ajustado)

5.241

2.873

2.057

Fluxo de caixa das atividades operacionais Superávit do exercício Ajustes de receitas e despesas não envolvendo caixa Depreciação e amortização

7

2.440

Valor residual do ativo imobilizado baixado

7

8

464

receita com doação de bens do Imobilizado

7

(401)

(168)

Provisão (reversão) para créditos de liquidação duvidosa

13

218

(521)

Provisão para contingências trabalhistas

9

(90)

153

Créditos a receber

5

(1.442)

(133)

Estoques

6

(128)

(236)

Variação nas contas de ativo e passivo

Ativo mantido para venda

155

(155)

Demais contas a receber

(58)

(104)

Outros ativos

5

(8)

Depósito e Caução Diversos

(5)

(60)

Depósitos Judiciais Trabalhistas

(2)

(12)

865

600

Fornecedores Salários e encargos sociais

8

Obrigações Fiscais a Recolher Outras Obrigações Receitas Diferidas

10

Caixa líquido proveniente das atividades operacionais

742

521

216

120

(7)

-

7.638

154

15.395

5.545

Fluxos de caixa das atividades de investimentos Investimentos em aplicações financeiras

4

(2.627)

(654)

Aquisições de bens do ativo imobilizado

7

(7.879)

(2.015)

(10.506)

(2.669)

-

378

Amortização de financiamentos e arrendamento mercantil

(113)

-

Caixa líquido (aplicado nas) proveniente das atividades de financiamentos

(113)

378

Aumento líquido de caixa e equivalentes de caixa

4.776

3.254

Caixa líquido aplicado nas atividades de investimentos

Fluxos de caixa das atividades de financiamento Aquisição de financiamentos e arrendamento mercantil

Caixa e equivalentes de caixa no início do exercício

4

11.029

7.775

Caixa e equivalentes de caixa no final do exercício

4

15.805

11.029

A s n o ta s e x p l i c at i va s s ã o pa r t e i n t e g r a n t e da s d e m o n s t r a ç õ e s f i n a n c e i r a s

G ru p o d e Ap o i o ao A d o l e sc e n t e e à C r i a n ç a c o m C â n c e r | 4 5


9. De mons t r açõe s f i n a nc e i r a s

1. Contexto operacional O Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (“GRAACC” ou “Entidade”) foi constituído em 4 de novembro de 1991, como uma Entidade de interesse social, sob a forma de Associação Civil de direito privado, de caráter assistencial, beneficente, filantrópico, educacional e cultural, sem fins econômicos. O principal objetivo da Entidade é prestar assistência e tratamento a adolescentes e crianças portadoras de câncer, dando o necessário apoio a suas famílias, sem qualquer distinção quanto a sexo, raça, cor, religião ou condição econômica ou social dos beneficiários. Para alcançar seus fins e objetivos, o GRAACC desdobra suas atividades em vários setores no campo da assistência médica, do ensino e da pesquisa. Para tanto, utiliza instalações hospitalares, ambulatoriais ou outras, próprias ou de terceiros. A principal instalação da Entidade é o imóvel hospitalar denominado Instituto de Oncologia Pediátrica (IOP), de sua propriedade, situado na Rua Botucatu, 743, São Paulo SP, inaugurado em maio de 1998. Os recursos são obtidos por meio de receitas decorrentes de atendimento médico (Sistema Único de Saúde (SUS), convênio médico e particular) e da captação de subvenções provenientes do primeiro setor (governamental), de doações provenientes do segundo setor (empresarial de fins econômicos), do terceiro setor (organizações não governamentais) e de pessoas físicas. O GRAACC também arrecada fundos por meio da realização de eventos. O GRAACC, por ser Entidade de interesse social, possui os seguintes certificados: • Título de Utilidade Pública Federal no 16.185/97-37, de 28 de agosto de 1997. • Título de Utilidade Pública Estadual no 1335 /2010

4 6 | r e l at ó r i o d e at i v i da d e s 2 0 11

• Título de Utilidade Pública Municipal no 36.776, de 16 de março de 1997. • Conselho Municipal de Assistência Social (COMAS) no 227/2009, vencimento 30 de abril de 2012. • CEBAS - Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social no 44006.000118/1997-13. • Certidão do CNAS no 71010.001829/2009-03. • CMDCA – Conselho Municipal da Criança e do Adolescente, vencimento 08 de agosto de 2014. Em 2007, o GRAACC inaugurou uma Casa de Apoio para hospedar crianças e adolescentes em tratamento no Instituto de Oncologia Pediátrica (IOP) e seus acompanhantes. O GRAACC firmou acordo com o Instituto Ronald McDonald para viabilização da assistência às crianças e aos adolescentes em tratamento de câncer, que tem sido renovado anualmente. Para tanto, e a fim de atender ao referido acordo, à área de atuação da Casa de Apoio, a diretoria do GRAACC promoveu uma cisão parcial da Entidade em 31 de julho de 2006, criando uma nova associação decorrente dessa cisão, denominada Associação Casa da Família, cujo objetivo exclusivo será a administração da Casa de Apoio.

2. Base de preparação a. Declaração de conformidade As demonstrações financeiras foram elaboradas de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil, as quais abrangem a legislação societária, os Pronunciamentos, as Orientações e as Interpretações emitidas pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) e as normas emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC).

A presente demonstração financeira inclui dados não contábeis e dados contábeis, como, operacionais, financeiros. Os dados não contábeis não foram objeto de auditoria e/ou outros procedimentos por parte dos auditores independentes. A emissão das demonstrações financeiras foi autorizada pelo Conselho de Administração em 09 de abril de 2012. b. Base de mensuração As demonstrações financeiras foram preparadas com base no custo histórico com exceção aos instrumentos financeiros não derivativos mensurados pelo valor justo por meio do resultado e ativo imobilizado recebido em doação mensurado ao valor justo. c. Demonstração do resultado abrangente Outros resultados abrangentes compreendem itens de receita e despesa (incluindo ajustes de reclassificação) que não são reconhecidos na demonstração do resultado. A Entidade não está apresentando a demonstração do resultado abrangente em função de não haver nenhuma transação passível de alocação no resultado abrangente, ou seja, o resultado do exercício é igual ao resultado abrangente total. d. Moeda funcional e moeda de apresentação Essas demonstrações financeiras são apresentadas em real, que é a moeda funcional da Entidade. Todas as informações financeiras apresentadas em real foram arredondadas para o milhar mais próximo, exceto quando indicado de outra forma. e. Uso de estimativas e julgamentos A preparação das demonstrações financeiras de acordo com as normas CPC exige que a Administração faça julgamentos, estimativas e premissas que afetam a aplicação de políticas contábeis e os valores reportados de ativos, passivos, receitas e despesas.


Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC) Notas explicativas às demonstrações financeiras Exercícios findos em 31 de dezembro de 2011, 2010 e 2009 (Em milhares de reais)

Os resultados reais podem divergir dessas estimativas. Estimativas e premissas são revistos de uma maneira contínua. Revisões com relação a estimativas contábeis são reconhecidas no exercício em que as estimativas são revisadas e em quaisquer exercícios futuros afetados. As informações sobre incertezas sobre premissas e estimativas que possuam um risco significativo de resultar em um ajuste material dentro do próximo exercício financeiro estão incluídas nas seguintes notas explicativas : • Nota 5 – Créditos a receber – Provisão para créditos de liquidação duvidosa • Nota 9 – Contingências trabalhistas f. Correção de erro de exercício anterior As demonstrações financeiras referentes ao exercício findo em 31 de dezembro de 2010, originalmente emitidas em 29 de abril de 2011, estão sendo reapresentadas, em conformidade com o CPC 23 - Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro, em decorrência de correção do registro de doação de terreno recebido da Prefeitura Municipal de São Paulo pelo valor justo de R$ 4.447 para construção de um novo anexo hospitalar, uma vez que tal doação havia sido registrada pela Entidade diretamente contra a demonstração de superávit do exercício, na rubrica de outras receitas (despesas) líquidas, no momento do recebimento do terreno. Conforme estabelece o CPC 07 – Subvenções e Assistência Governamentais, uma subvenção governamental relacionada a ativo não depreciável deve ser reconhecida como receita ao longo do período para confronto com as despesas que pretende compensar, em base sistemática. Dessa forma, a Entidade deveria ter reconhecido o terreno

recebido em doação, cujo valor justo foi determinado com base na metragem doada em relação ao seu respectivo valor de mercado na data da doação, como receita diferida e, após o término da construção do anexo hospitalar, condição estabelecida pela Prefeitura Municipal de São Paulo para a doação do terreno, reconhecer no resultado a receita diferida no mesmo prazo de depreciação do ativo imobilizado correspondente que será construído sobre o terreno, em atendimento ao CPC 07, parágrafo 18. Pelo fato de a obra do anexo hospitalar ainda estar em andamento, não há efeito de despesa de depreciação

Passivo

associado a esse ativo até o momento, nem o respectivo reconhecimento da receita nos resultados dos anos de 2010 e 2011. Abaixo demonstramos um resumo das demonstrações financeiras originalmente apresentadas, comparativas às demonstrações financeiras reapresentadas, ressaltando que não houve alterações em contas de ativo e que as alterações ocorreram somente em contas do passivo e resultado do exercício de 2010. Essa correção de erro não afeta o balanço de 31 de dezembro de 2009, que não sofreu modificação em relação ao originalmente emitido.

31/12/2010

31/12/2010 Ajuste

Ajustado

Total do passivo circulante

7.175

-

7.175

Contingências trabalhistas

442

-

442

Financiamentos

252

-

252

Receitas Diferidas Total do passivo não circulante

-

4.447

4.447

694

4.447

5.141

22.569

-

22.569

648

-

648

Patrimônio líquido Patrimônio social Reservas de reavaliação Superávit do exercício Total do patrimônio líquido Total do passivo e patrimônio líquido

Demonstrações de superávit

7.320

(4.447)

2.873

30.537

(4.447)

26.090

38.406

-

38.406

31/12/2010

31/12/2010 Ajuste

Receitas líquidas com serviços prestados

Ajustado

14.726

-

14.726

Custos hospitalares

(31.017)

-

(31.017)

(Déficit) bruto

(16.291)

-

(16.291)

Despesas administrativas

(4.150)

-

(4.150)

Outras receitas (despesas) líquidas

27.610

(4.447)

23.163

Outros perdas líquidas

(457)

-

(457)

Superávit operacional

6.712

(4.447)

2.265

608

-

608

7.320

(4.447)

2.873

Financeiras líquidas Superávit do exercício

G ru p o d e Ap o i o ao A d o l e sc e n t e e à C r i a n ç a c o m C â n c e r | 47


9. De mons t r açõe s f i n a nc e i r a s

Demonstrações dos fluxos de caixa

31/12/2010

31/12/2010 Ajuste

Ajustado

7.320

(4.447)

2.873

2.057

-

2.057

464

-

464

(4.615)

4.447

(168)

(521)

-

(521)

153

-

153

Fluxo de caixa das atividades operacionais Superávit do exercício Ajustes de receitas e despesas não envolvendo caixa Depreciação e amortização Valor residual do ativo imobilizado baixado Doação de Bens do Imobilizado Provisão (reversão) para créditos de liquidação duvidosa Provisão para contingências trabalhistas Variação nas contas de ativo e passivo Caixa líquido proveniente das atividades operacionais

687

-

687

5.545

-

5.545

(2.015)

-

(2.015)

Fluxos de caixa das atividades de investimentos Caixa líquido aplicado nas atividades de investimentos Fluxos de caixa das atividades de financiamento Caixa líquido proveniente das atividades de financiamentos

378

-

378

3.908

-

3.908

Caixa e equivalentes de caixa no início do exercício

8.339

-

8.339

Caixa e equivalentes de caixa no final do exercício

12.247

-

12.247

Aumento líquido de caixa e equivalentes de caixa

3. Principais políticas contábeis As políticas contábeis descritas em detalhes abaixo têm sido aplicadas de maneira consistente pela Entidade, exceto conforme comentado na nota explicativa 2(f), que trata das correções nas políticas contábeis. a. Instrumentos financeiros i. Ativos financeiros não derivativos A Entidade reconhece os recebíveis inicialmente na data em que foram originados. Todos os outros ativos financeiros (incluindo os ativos designados pelo valor justo por meio do resultado) são reconhecidos inicialmente na data da negociação na qual a Entidade se torna uma das partes das disposições contratuais do instrumento. A Entidade deixa de reconhecer um ativo financeiro quando os direitos contratuais aos fluxos de caixa do ativo expiram, ou

4 8 | r e l at ó r i o d e at i v i da d e s 2 0 11

quando a Entidade transfere os direitos ao recebimento dos fluxos de caixa contratuais sobre um ativo financeiro em uma transação no qual essencialmente todos os riscos e benefícios da titularidade do ativo financeiro são transferidos.

valor justo por meio do resultado caso seja classificado como mantido para negociação e seja designado como tal no momento do reconhecimento inicial. Os ativos financeiros são designados pelo valor justo por meio do resultado se a Entidade gerencia tais investimentos e toma decisões de compra e venda baseadas em seus valores justos, de acordo com a gestão de riscos documentada e a estratégia de investimentos da Entidade. Os custos da transação, após o reconhecimento inicial, são reconhecidos no resultado como incorridos. Ativos financeiros registrados pelo valor justo por meio do resultado são medidos pelo valor justo, e mudanças no valor justo desses ativos são reconhecidas no resultado do exercício. iii. Recebíveis Recebíveis são ativos financeiros com pagamentos fixos ou calculáveis que não são cotados no mercado ativo. Tais ativos são reconhecidos inicialmente pelo valor justo acrescido de quaisquer custos de transação atribuíveis. Após o reconhecimento inicial, os recebíveis são medidos pelo custo amortizado através do método dos juros efetivos, decrescidos de qualquer perda por redução ao valor recuperável.

Os ativos ou passivos financeiros são compensados e o valor líquido apresentado no balanço patrimonial quando, somente quando, a Entidade tenha o direito legal de compensar os valores e tenha a intenção de liquidar em uma base líquida ou de realizar o ativo e liquidar o passivo simultaneamente.

iv. Caixa e equivalentes de caixa

A Entidade classifica os ativos financeiros não derivativos nas seguintes categorias: ativos financeiros registrados pelo valor justo por meio do resultado e empréstimos e recebíveis.

v. Passivos financeiros não derivativos

ii. Ativos financeiros registrados pelo valor justo por meio do resultado Um ativo financeiro é classificado pelo

Caixa e equivalentes de caixa abrangem saldos de caixa. Os recursos financeiros que a Associação possui mas que estão vinculados a projetos são apresentados na rubrica de recursos vinculados a projetos.

Os passivos financeiros são reconhecidos inicialmente na data de negociação na qual a Entidade se torna uma parte das disposições contratuais do instrumento. A associação baixa um passivo financeiro quando tem suas obrigações contratuais retirada, cancelada ou vencida.


Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC) Notas explicativas às demonstrações financeiras Exercícios findos em 31 de dezembro de 2011, 2010 e 2009 (Em milhares de reais)

Tais passivos financeiros são reconhecidos inicialmente pelo valor justo acrescido de quaisquer custos de transação atribuíveis. Após o reconhecimento inicial, esses passivos financeiros são medidos pelo custo amortizado através do método dos juros efetivos. A Entidade tem os seguintes passivos financeiros não derivativos: financiamentos, fornecedores e outras obrigações. vi. Instrumentos financeiros derivativos Não houve operações com instrumentos financeiros derivativos durante os exercícios de 2011 e 2010. b. Imobilizado Os itens do imobilizado são demonstrados ao valor de reavaliação de bens efetuada em setembro de 2002, menos o valor da depreciação e de qualquer perda não recuperável acumulada. A Entidade promoveu a reavaliação dos bens integrantes do ativo imobilizado em setembro de 2002, com base em laudo emitido por peritos independentes, apurando a mais-valia de R$ 2.297. O registro contábil teve como contrapartida a conta “Reserva de reavaliação” no subgrupo do patrimônio social. Para atender às práticas contábeis adotadas no Brasil vigentes à época, uma nova reavaliação deveria ter sido procedida a cada 4 anos. Entretanto, a Entidade decidiu por não efetuar essa nova reavaliação como também não adotou o custo atribuído no balanço de transição em atendimento à Lei 11.638/07. Depreciação Itens do ativo imobilizado são depreciados pelo método linear no resultado do exercício baseado na vida útil econômica estimada de cada componente. Itens do ativo imobilizado são depreciados a partir da data em que

são instalados e estão disponíveis para uso, ou em caso de ativos construídos internamente, do dia em que a construção é finalizada e o ativo está disponível para utilização. As vidas úteis estimadas para o exercício corrente e comparativos são as seguintes:

Depreciação Edificações

25 - 52 anos

Máquinas

5 - 26 anos

Móveis e utensílios

10 - 16 anos

Os outros arrendamentos mercantis são arrendamentos operacionais e não são reconhecidos no balanço patrimonial da Entidade. e. Ativos diferidos O ativo diferido, formado até 31 de dezembro de 2008, principalmente por despesas pré-operacionais, é amortizado no período de até cinco anos. A Entidade decidiu pela manutenção do ativo diferido até o término de sua amortização. Não houve adição ao ativo diferido após 31 de dezembro de 2008.

Veículos

5 - 12 anos

f. Estoques

Instrumentos e aparelhos médicos

4 - 21 anos

Os estoques são apresentados pelo menor valor entre o custo e o valor líquido realizável. O custo é determinado usando-se o método do custo médio das compras que é inferior aos custos de reposição ou valores de realização.

Instalações

10 anos

Benfeitorias em propriedades de terceiros

20 anos

c. Ativos intangíveis Os softwares que são adquiridos pela Entidade e que têm vidas úteis finitas são mensurados pelo custo, deduzido da amortização acumulada e das perdas por redução ao valor recuperável acumuladas. Amortização A amortização é reconhecida no resultado baseando-se no método linear baseada nas vidas úteis estimadas de ativos intangíveis, a partir da data em que estes estão disponíveis para uso. A vida útil estimada para o período corrente e comparativos é de 5 anos. d. Ativos arrendados Os arrendamentos em cujos termos a Entidade assume os riscos e benefícios inerentes à propriedade são classificados como arredamentos financeiros. No reconhecimento inicial o ativo arrendado é medido pelo valor igual ao menor valor entre o seu valor justo e o valor presente dos pagamentos mínimos do arrendamento mercantil. Após o reconhecimento inicial, o ativo é registrado de acordo com a política contábil aplicável ao ativo.

g. Redução ao valor recuperável (impairment) i. Ativos financeiros (incluindo recebíveis) Um ativo financeiro não mensurado pelo valor justo por meio do resultado é avaliado a cada data de apresentação para apurar se há evidência objetiva de que tenha ocorrido perda no seu valor recuperável. Um ativo tem perda no seu valor recuperável se uma evidência objetiva indica que um evento de perda ocorreu após o reconhecimento inicial do ativo. A evidência objetiva de que os ativos financeiros perderam valor pode incluir o não pagamento ou atraso no pagamento por parte do devedor ou indicações de que o devedor ou emissor entrará em processo de falência. ii. Ativos financeiros mensurados pelo custo amortizado A Entidade considera evidência de perda de valor de ativos mensurados pelo custo amortizado (para recebíveis)

G ru p o d e Ap o i o ao A d o l e sc e n t e e à C r i a n ç a c o m C â n c e r | 4 9


9. De mons t r açõe s f i n a nc e i r a s

tanto no nível individualizado como no nível coletivo. Ativos individualmente significativos são avaliados quanto à perda de valor específico. Todos os recebíveis individualmente significativos identificados como não tendo sofrido perda de valor individualmente são então avaliados coletivamente quanto a qualquer perda de valor que tenha ocorrido, mas não tenha sido ainda identificada. Ativos individualmente importantes são avaliados coletivamente quanto à perda de valor por agrupamento conjunto desses títulos com características de risco similares. Ao avaliar a perda de valor recuperável de forma coletiva a Entidade utiliza tendências históricas da probabilidade de inadimplência, do prazo de recuperação e dos valores de perda incorridos, ajustados para refletir o julgamento da Administração quanto às premissas se as condições econômicas e de crédito atuais são tais que as perdas reais provavelmente serão maiores ou menores que as sugeridas pelas tendências históricas. As perdas são reconhecidas no resultado e refletidas em uma conta de provisão contra recebíveis. Os juros sobre o ativo que perdeu valor continuam sendo reconhecidos. Quando um evento subsequente indica reversão da perda de valor, a diminuição nessa perda é revertida e registrada no resultado. iii. Ativos não financeiros Os valores contábeis dos ativos não financeiros da Entidade, que não os estoques, são revistos a cada data de apresentação para apurar se há indicação de perda no valor recuperável. Caso ocorra tal indicação, então o valor recuperável do ativo é estimado. Uma perda por redução no valor recuperável é reconhecida se o valor contábil do ativo exceder o seu valor recuperável. A administração da Entidade não identificou qualquer evidência que

5 0 | r e l at ó r i o d e at i v i da d e s 2 0 11

justificasse a necessidade de redução ao valor recuperável no período corrente e comparativos. h. Benefícios a empregados i. Benefícios de curto prazo a empregados Obrigações de benefícios de curto prazo a empregados são mensuradas em uma base não descontada e são incorridas como despesas conforme o serviço relacionado seja prestado. i. Provisões Uma provisão é reconhecida, em função de um evento passado, se a Entidade tem uma obrigação legal ou construtiva que possa ser estimada de maneira confiável, e é provável que um recurso econômico seja exigido para liquidar a obrigação. As provisões são apuradas através do desconto dos fluxos de caixa futuros esperados a uma taxa antes de impostos que reflete as avaliações atuais de mercado quanto ao valor do dinheiro no tempo e riscos específicos para o passivo. Os custos financeiros incorridos são registrados no resultado. j. Receitas i. Serviços A receita de serviços prestados é reconhecida no resultado com base no estágio de conclusão do serviço na data de apresentação das demonstrações financeiras. O estágio de conclusão é avaliado por referência à alta do paciente. ii. Doações As receitas de doações são registradas quando do recebimento em função da impossibilidade de prever os valores e os períodos de recebimentos e, consequentemente, registrar por competência a entrada de tais recursos. As doações são advindas de ações de telemarketing efetuadas pela Entidade, pessoas físicas e jurídicas e eventos.

iii. Subvenção governamental Os recursos monetários obtidos com a celebração e a execução de convênios para custeio de programas assistenciais entre outras entidades governamentais e o GRAACC são registrados na conta bancos em contrapartida de receita diferida em conta patrimonial do passivo. Essa receita é lançada no resultado quando do registro da despesa relacionada ao custeio de programas assistenciais. Os recursos não monetários recebidos são registrados como ativo não monetário (ativo imobilizado) também em contrapartida de receita diferida, sendo lançado ao resultado quando as condições estabelecidas na respectiva doação são atendidas. No caso específico do terreno recebido em doação da Prefeitura de São Paulo, a receita diferida será lançada no resultado no mesmo prazo da depreciação do ativo imobilizado correspondente. Os bens não monetários são registrados pelo seu valor justo na data da respectiva doação. Os registros das subvenções monetárias e não monetárias são efetuados em conformidade com o CPC 07 Subvenção e Assistência Governamentais, e à medida que as atividades e ações previstas no plano de trabalho são executadas, as receitas são apropriadas no resultado do exercício. k. Receitas financeiras e despesas financeiras As receitas financeiras abrangem receitas de juros sobre aplicações financeiras. A receita de juros é reconhecida no resultado, através do método dos juros efetivos. As despesas financeiras abrangem despesas com juros sobre empréstimos. Custos de empréstimo que não são diretamente atribuíveis à aquisição, construção ou produção de um ativo qualificável são mensurados no resultado através do método de juros efetivos.


Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC) Notas explicativas às demonstrações financeiras Exercícios findos em 31 de dezembro de 2011, 2010 e 2009 (Em milhares de reais)

4. Caixa e equivalentes de caixa e aplicações financeiras Caixa e equivalentes de caixa e aplicações financeiras Caixa - Fundo Fixo Bancos conta movimento Aplicações financeiras

2011

2010

01/01/10

5

6

3

2.507

2.996

3.515

17.138

9.245

4.821

Total

19.650

12.247

8.339

Caixa e equivalentes de caixa

15.805

11.029

7.775

3.845

1.218

1.064

Aplicações financeiras

As aplicações financeiras são representadas por Fundos de investimento a curto prazo (FiF), com rendimentos auferidos pro rata temporis entre 90% e 100% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) e poupanças com rendimentos auferidos pela TR. A exposição da Entidade a riscos de taxas de juro e uma análise de sensibilidade para ativos e passivos financeiros são divulgadas na nota explicativa 13.

5. Créditos a receber Créditos a receber

2011

2010

01/01/10

SUS/Hospital São Paulo

1.827

1.648

1.323

2.080

1.032

1.313

-

-

5

617

402

308

Convênios Particulares Cheques pré-datados Total

4.524

3.082

2.949

Provisão para créditos de liquidação duvidosa

(353)

(135)

(656)

Total

4.171

2.947

2.293

A exposição da Entidade a riscos de crédito e moeda e perdas por redução no valor recuperável relacionadas à créditos a receber e a outras contas são divulgadas na nota explicativa 13.

6. Estoques Estoques

2011

2010

01/01/10

915

911

999

Medicamentos

1.364

1.240

915

Total

2.279

2.151

1.914

Materiais hospitalares

G ru p o d e Ap o i o ao A d o l e sc e n t e e à C r i a n ç a c o m C â n c e r | 51


9. De mons t r açõe s f i n a nc e i r a s

7. Imobilizado Movimentação do custo 31/12/2010 a 31/12/2011

31/12/2010

Aquisições/ doações

Transf.

Baixas

31/12/2011

Terrenos

5.260

-

-

-

5.260

Edifícios e construções

7.660

-

-

(7)

7.654

782

67

-

-

848

1.136

96

-

(10)

1.221

234

-

-

-

235

Máquinas e equipamentos Móveis e utensílios Veículos Instrumentos e aparelhos médicos

9.828

321

482

(25)

10.605

Instalações

457

1

-

-

458

Benfeitorias

607

570

(217)

-

961

Equipamentos de informática

1.414

226

36

(32)

1.643

3.096

-

51

-

3.147

Construção em andamento

372

6.201

166

-

6.739

Importação em andamento

-

798

(518)

-

280

30.846

8.280

-

(74)

39.051

31/12/2010

Aquisições/ doações

Transf.

Baixas

31/12/2011

Benfeitorias em propriedade de terceiros (a)

Total

Movimentação da depreciação 31/12/2010 a 31/12/2011

(2.397)

(323)

-

2

(2.719)

Máquinas e equipamentos

Edifícios e construções

(435)

(116)

-

-

(550)

Móveis e utensílios

(569)

(111)

-

8

(672)

(91)

(20)

-

-

(111) (6.732)

Veículos

(5.558)

(1.198)

-

25

Instalações

Instrumentos aparelhos médicos

(281)

(46)

-

-

(327)

Equipamentos de informática

(607)

(292)

-

31

(867)

Benfeitorias em propriedade de terceiros (a) Total

Imobilizado líquido 31/12/2010 a 31/12/2011

(595)

(157)

-

-

(751)

(10.533)

(2.263)

-

66

(12.729)

20.313

6.017

-

(8)

26.322

A Entidade promoveu a reavaliação dos bens integrantes do ativo imobilizado em setembro de 2002, com base em laudo emitido por peritos independentes, apurando a mais-valia de R$ 2.297. O registro contábil teve como contrapartida a conta “Reserva de reavaliação” no subgrupo do patrimônio social. Após essa reavaliação a Entidade optou por não efetuar novas reavaliações a cada período de quatro anos, considerando que a oscilação do preço desses bens não era relevante em atendimento a legislação vigente à época, registrando as novas aquisições de imobilizado com base no custo de aquisição. Adicionalmente, quando da

5 2 | r e l at ó r i o d e at i v i da d e s 2 0 11


Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC) Notas explicativas às demonstrações financeiras Exercícios findos em 31 de dezembro de 2011, 2010 e 2009 (Em milhares de reais)

Movimentação do custo 01/01/2010 a 31/12/2010

01/01/2010

Aquisições/ doações

Terrenos Edifícios e construções Máquinas e equipamentos Móveis utensílios

Baixas

31/12/2010

813

4.447

-

-

5.260

7.660

-

-

-

7.660

782

34

-

(34)

782

1.427

72

-

(363)

1.136

87

147

-

-

234 9.828

Veículos Instrumentos e aparelhos médicos

Transf.

9.842

464

31

(509)

Instalações

457

-

-

-

457

Benfeitorias

19

588

-

-

607

Equipamentos de informática

994

498

-

(80)

1.414

3.096

-

-

-

3.096

Construção em andamento

-

372

-

-

372

Importação em andamento

24

7

(31)

-

-

25.201

6.629

-

(986)

30.846

01/01/2010

Aquisições/ doações (a)

Transf.

Baixas

31/12/2010

Benfeitorias em propriedade de terceiros (a)

Total

Movimentação da depreciação 01/01/2010 a 31/12/2010 Edifícios e construções

(2.091)

(306)

-

-

(2.397)

Máquinas e equipamentos

(372)

(79)

-

16

(435)

Móveis utensílios

(594)

(144)

-

169

(569)

(70)

(21)

-

-

(91) (5.558)

Veículos Instrumentos aparelhos médicos

(4.835)

(981)

-

258

Instalações

(236)

(46)

-

-

(281)

Equipamentos de informática

(549)

(135)

-

78

(607)

(440)

(155)

-

-

(595)

Total

Benfeitorias em propriedade de terceiros (a)

(9.187)

(1.867)

-

521

(10.533)

Imobilizado líquido 01/01/2010 a 31/12/2010

16.014

4.762

-

(465)

20.313

(a) A conta “Benfeitorias em propriedade de terceiros” representa gastos incorridos em 2006 e 2007 na construção da Associação Casa da Família, reduzida ao custo de depreciação de 5% ao ano em virtude da concessão do terreno por um período de 20 anos pelo Governo do Estado de São Paulo.

transição da Lei 11.638/07, a Entidade também optou pela não adoção do custo atribuído. Além disso, a Entidade contratou uma empresa especializada para proceder a revisão das vidas úteis do ativo imobilizado para o exercício de 2010, cujo laudo foi emitido em 30 de março de 2011, ocorrendo o cálculo de depreciação dos bens integrantes do ativo imobilizado somente no exercício de 2011. Para as revisões dos bens do ativo imobilizado do exercício de 2011, a Entidade não efetuou a revisão das vidas úteis do ativo imobilizado.

G ru p o d e Ap o i o ao A d o l e sc e n t e e à C r i a n ç a c o m C â n c e r | 5 3


9. De mons t r açõe s f i n a nc e i r a s

Equipamento arrendado

Em 22 de dezembro de 2010, a Entidade efetuou contrato de arrendamento de um servidor de informática. O bem arrendado encontram-se registrado no ativo imobilizado e está representado pelo custo original no valor de R$ 378. O valor residual do ativo pode ser resumido como segue:

2011 Equipamento arrendado

2010

Data de aquisição

Custo original

Depreciação acumulada

Valor residual

Valor residual

22.12.10

378

63

265

378

Servidor IBM

8. Salários e encargos sociais Salários e encargos sociais

2011

2010

01/01/10

Salários a Pagar

1.298

1.033

860

INSS a Pagar

148

114

85

FGTS a Pagar

226

179

131

2.062

1.663

1.382

7

10

20

3.741

2.999

2.478

Provisão para férias e encargos Outros Total

9. Contingências trabalhistas

A Entidade é parte envolvida em processos trabalhistas e cíveis em andamento e está discutindo essas questões na esfera judicial, as quais, quando aplicáveis, são amparadas por depósitos judiciais. As provisões para as eventuais perdas decorrentes desses processos são estimadas e atualizadas pela administração, amparada pela opinião de seus consultores legais externos. Na data das demonstrações financeiras, a Entidade apresentava os seguintes passivos, e correspondentes depósitos judiciais, relacionados a contingências:

Contingências trabalhistas Contingências Trabalhistas Circulante Não circulante

5 4 | r e l at ó r i o d e at i v i da d e s 2 0 11

2011

2010

01/01/10

535

625

471

177

183

146

358

442

325


Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC) Notas explicativas às demonstrações financeiras Exercícios findos em 31 de dezembro de 2011, 2010 e 2009 (Em milhares de reais)

A movimentação da provisão no exercício de 2011 está demonstrada a seguir:

Movimentação da provisão

2011

Saldo em 01 de janeiro de 2010

471

Adições

254

Baixas

(101)

Saldo em 31 de dezembro de 2010

625

Adições

15

Baixas

(105)

Saldo em 31 de dezembro de 2011

535

A entidade tem ações de natureza trabalhista, envolvendo riscos de perda classificados pela administração como possíveis, com base na avaliação de seus consultores jurídicos, para as quais não há provisão constituída no montante de R$ 138 (R$ 63 em 2010 e R$ 33 em 01/01/10).

10. Receita diferida Receita diferida

2011

Subvenções governamentais (a) Terreno (b) Edificações (c)

2010

01/01/10

3.845

1.218

1.064

4.447

4.447

-

5.011

-

-

13.303

5.665

1.064

Circulante

4.003

1.218

1.064

Não circulante

9.300

4.447

-

(a) No exercício de 2011, a Entidade recebeu da União Federal, por meio de convênio celebrado com o Ministério da Saúde, apoio financeiro no montante de R$ 2.532, para compra de medicamentos, visando ao fortalecimento do serviço de atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS). A Entidade recebeu da Prefeitura da cidade de São Paulo, por intermédio da Secretaria Municipal de Participação e Parceria, apoios financeiros nos montantes de R$ 4.797, sendo R$ 125 para o projeto “Preparo psicológico para procedimentos invasivos no tratamento da criança com câncer”, R$ 56 para o projeto “Família Participante” e R$ 4.616 para utilização no projeto de ampliação do hospital anexo, com objetivo de aumentar os tratamentos das crianças com câncer no município de São Paulo (nota (c) abaixo). Adicionalmente, a Entidade recebeu da Secretaria Estadual da Saúde o montante de R$ 44 para aquisição de material/medicamento e equipamentos de informática.

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9. De mons t r açõe s f i n a nc e i r a s

O saldo de R$ 3.845 em 2011 (R$ 1.218 em 2010 e R$ 1.064 em 01/01/2010) representa os montantes já recebidos financeiramente pela Entidade que ainda não haviam sido empregados nos propósitos a que se destinavam. (b) Em 2010, a Entidade recebeu em doação da Prefeitura Municipal de São Paulo um terreno no valor justo total de R$ 4.447 sendo condicionada à edificação no local de instalações destinadas à prestação de assistência e tratamento a adolescentes e crianças portadoras de câncer. (c) Para a edificação citada no item (b) acima a Entidade recebeu da Prefeitura Municipal de São Paulo através dos Convênios – FUMCAD/SMPP o valor total de R$ 4.616, que, somado a doações de empresa privada no valor de R$ 395, totalizou R$ 5.011. Este montante já foi empregado na construção da edificação no terreno recebido por doação da Prefeitura Municipal de São Paulo conforme nota (b) acima. A amortização das receitas será efetuada conforme a vida útil do edifício, quando entrar em operação.

11. Partes relacionadas Operações com pessoal-chave da administração Remuneração de pessoal-chave da administração O pessoal-chave da administração inclui somente os administradores da Entidade. A remuneração paga ou a pagar ao pessoal-chave da administração por serviços prestados está apresentada a seguir:

Operações com pessoal-chave da administração Remuneração do pessoal-chave da administração

2011

2010

01/01/10

890

818

498

12. Patrimônio líquido

O patrimônio líquido do GRAACC é constituído por bens e direitos adquiridos ou recebidos em doação e resultados líquidos de suas atividades. No caso de dissolução do GRAACC, o respectivo patrimônio líquido será transferido para entidades congêneres devidamente registradas perante o Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, escolhida pela totalidade dos membros de seu Conselho de Administração ou à Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP/EPM. • Reserva de reavaliação Constituída em decorrência das reavaliações de bens do ativo imobilizado com base em laudo de avaliação elaborado por peritos avaliadores independentes. A reserva de reavaliação está sendo realizada por depreciação ou baixa dos bens reavaliados contra superávits acumulados no montante anual de R$ 197.

5 6 | r e l at ó r i o d e at i v i da d e s 2 0 11


Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC) Notas explicativas às demonstrações financeiras Exercícios findos em 31 de dezembro de 2011, 2010 e 2009 (Em milhares de reais)

13. Instrumentos financeiros Gerenciamento dos riscos financeiros Visão geral A Entidade possui exposição para os seguintes riscos resultantes de instrumentos financeiros: • Risco de crédito; • Risco de liquidez; • Risco de mercado. Riscos de crédito Risco de crédito é o risco de a Entidade incorrer em perdas decorrentes de um cliente ou de uma contraparte em um instrumento financeiro, decorrentes da falha destes em cumprir com suas obrigações contratuais. O risco é basicamente proveniente dos créditos a receber e de instrumentos financeiros conforme apresentado abaixo. Exposição a riscos de crédito O valor contábil dos ativos financeiros representa a exposição máxima do crédito. A exposição máxima do risco do crédito na data das demonstrações financeiras foi: Exposição a riscos de crédito

Nota

2011

2010

01/01/10

5

4.171

2.947

2.293

311

412

146

Aplicações financeiras

4

3.845

1.218

1.064

Caixa e equivalentes de caixa

4

15.805

11.029

7.775

24.132

15.451

11.262

Créditos a receber Demais contas a receber

Créditos a receber e outros recebíveis A exposição da Entidade a risco de crédito é influenciada principalmente pelas características individuais de cada cliente. A Entidade estabelece uma provisão para perda com recuperação que representa sua estimativa de despesas incorridas com os créditos a receber e outros recebíveis. O principal componente dessa provisão é o item de perda específico relacionado a exposições individuais, e a uma perda coletiva estabelecida para grupos de ativos similares com relação a perdas que já foram incorridas, porém ainda não identificadas. A perda coletiva é baseada nas taxas históricas de perda para ativos similares. Perdas por redução no valor recuperável A composição por vencimento dos créditos a receber e outros recebíveis na data das demonstrações financeiras para os quais não foram reconhecidas perdas por redução no valor recuperável era a seguinte: Perdas por redução no valor recuperável

2011

A vencer

3.804

Vencido de 1 a 30 dias

320

Vencido de 31 a 90 dias

215

Vencido de 90 a 180 dias

143

Vencido acima de 360 dias

37 4.482

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9. De mons t r açõe s f i n a nc e i r a s

O movimento na provisão para perdas por redução no valor recuperável em relação aos créditos a receber e outros recebíveis durante o exercício foi o seguinte:

Provisão para perdas por redução no valor recuperável

2011

Saldo em 01 de janeiro de 2010

(656)

Reversão de provisão para redução ao valor recuperável

521

Saldo em 31 de dezembro de 2010

(135)

Constituição de provisão para redução ao valor recuperável reconhecido

(218)

Saldo em 31 de dezembro de 2011

(353)

A Entidade acredita que os montantes que não sofreram perda por redução no valor recuperável e que estão vencidos há mais de 30 dias ainda são cobráveis, com base em histórico de comportamento de pagamento. Risco de liquidez Risco de liquidez é o risco em que a Entidade irá encontrar dificuldades em cumprir com as obrigações associadas com seus passivos financeiros que são liquidados com pagamentos à vista. A abordagem da Entidade na administração de liquidez é garantir, o máximo possível, que sempre tenha liquidez suficiente para cumprir com suas obrigações ao vencerem, sob condições normais e de estresse, sem causar perdas inaceitáveis ou com risco de prejudicar a reputação da Entidade. A seguir, estão os vencimentos contratuais de passivos financeiros, incluindo pagamentos de juros estimados e excluindo o impacto dos acordos de compensação.

Valor contábil

12 meses ou menos

1-2 anos

2-5 anos

265

139

126

-

3.086

3.086

-

-

7

7

-

-

3.358

3.232

126

378

126

139

113

2.221

2.221

-

-

31 de dezembro de 2011 Passivos financeiros não derivativos Passivo de arrendamento financeiro Fornecedores Outras obrigações

31 de dezembro de 2010 Passivos financeiros não derivativos Passivo de arrendamento financeiro Fornecedores Outras obrigações

14

14

-

-

2.613

2.361

139

113

1

1

-

-

1.621

1.621

-

-

14

14

-

-

1.636

1.636

-

-

01 de janeiro de 2010 Passivos financeiros não derivativos Passivo de arrendamento financeiro Fornecedores Outras obrigações

5 8 | r e l at ó r i o d e at i v i da d e s 2 0 11


Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC) Notas explicativas às demonstrações financeiras Exercícios findos em 31 de dezembro de 2011, 2010 e 2009 (Em milhares de reais)

Risco de mercado Risco de mercado é o risco de alterações nos preços de mercado ou de parâmetros que influenciam os preços de mercado, tais como as taxas de juros. O objetivo do gerenciamento de risco de mercado é gerenciar e controlar as exposições a riscos de mercados, dentro de parâmetros aceitáveis, e ao mesmo tempo otimizar o retorno. Risco de taxa de juros Na data das demonstrações financeiras, o perfil dos instrumentos financeiros remunerados por juros da entidade era:

Valor contábil 2011

2010

01/01/10

Instrumentos de taxa fixa Passivo de arrendamento financeiro

265

378

1

265

378

1

17.138

9.245

4.821

17.138

9.245

4.821

Instrumentos de taxa variável Aplicações financeiras

Análise de sensibilidade de valor justo para instrumentos de taxa fixa O grupo não contabiliza nenhum ativo ou passivo financeiro de taxa de juros fixa pelo valor justo por meio do resultado. Portanto, uma alteração nas taxas de juros na data de relatório não alteraria o resultado. Análise de sensibilidade de fluxo de caixa para instrumentos de taxa variável A administração considera que as variáveis de risco das taxas de juros, que são atreladas ao CDI e à TR, não apresentam tendência de oscilações relevantes e, portanto, não afetariam significativamente os valores contábeis dos instrumentos financeiros de taxa variável. Classificações contábeis e valores justos Valor justo contra valor contábil O justo valor dos ativos e passivos financeiros, juntamente com os valores contábeis apresentados na demonstração financeira, são os seguintes:

Valor justo contra valor contábil

Nota

Designados ao valor justo

Recebíveis

Outros passivos financeiros

Total contábil

Valor justo

31 de dezembro 2011 Caixa e equivalentes de caixa

4

15.805

-

-

15.805

15.805

Aplicações financeiras

4

3.845

-

-

3.845

3.845

Créditos a receber

5

-

4.171

-

4.171

4.171

Demais contas a receber

-

311

-

311

311

Passivos de arrendamento financeiros

-

-

(265)

(265)

(265)

Fornecedores

-

-

(3.086)

(3.086)

(3.086)

Outras obrigações

-

-

(7)

(7)

(7)

19.650

3.824

(3.358)

20.116

20.116

G ru p o d e Ap o i o ao A d o l e sc e n t e e à C r i a n ç a c o m C â n c e r | 59


9. De mons t r açõe s f i n a nc e i r a s

Valor justo contra valor contábil

Nota

Designados ao valor justo

Recebíveis

Outros passivos financeiros

Total contábil

Valor justo

-

-

11.029

11.029

31 de dezembro 2010 Caixa e equivalentes de caixa

4

11.029

Aplicações financeiras

4

1.218

-

-

1.218

1.218

Créditos a receber

5

-

2.947

-

2.947

2.947

Demais contas a receber

-

412

-

412

412

Passivos de arrendamento financeiros

-

-

(378)

(378)

(378)

Fornecedores

-

-

(2.221)

(2.221)

(2.221)

Outras obrigações

Valor justo contra valor contábil

Nota

-

-

(14)

(14)

(14)

12.247

3.204

(2.599)

12.852

12.852

Designados ao valor justo

Recebíveis

Outros passivos financeiros

Total contábil

Valor justo

01 de janeiro de 2010 Caixa e equivalentes de caixa

4

7.775

-

-

7.775

7.775

Aplicações financeiras

4

1.064

-

-

1.064

1.064

Créditos a receber

5

-

2.293

-

2.293

2.293

-

146

-

146

146

Demais contas a receber Passivos de arrendamento financeiros

-

-

(1)

(1)

(1)

Fornecedores

-

-

(1.621)

(1.621)

(1.621)

Outras obrigações

-

-

(14)

(14)

(14)

8.339

2.439

(1.622)

9.156

9.156

Hierarquia de valor justo A tabela a seguir apresenta instrumentos financeiros registrados pelo valor justo, utilizando um método de avaliação. Os diferentes níveis foram definidos como a seguir: • Nível 1 - Preços cotados (não ajustados) em mercados ativos para ativos e passivos e idênticos • Nível 2 - Inputs, exceto preços cotados, incluídas no Nível 1 que são observáveis para o ativo ou passivo, diretamente (preços) ou indiretamente (derivado de preços) • Nível 3 - Premissas, para o ativo ou passivo, que não são baseadas em dados observáveis de mercado (inputs não observáveis). Todos os instrumentos financeiros registrados ou divulgados pelo valor justo foram mensurados utilizando o método de avaliação do nível 2.

14. Receitas com serviços prestados A seguir apresentamos a conciliação entre as receitas bruta para fins fiscais e as receitas apresentadas na demonstração de superávit:

6 0 | r e l at ó r i o d e at i v i da d e s 2 0 11


Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC) Notas explicativas às demonstrações financeiras Exercícios findos em 31 de dezembro de 2011, 2010 e 2009 (Em milhares de reais)

Receita com serviços prestados Sistema Único de Saúde (SUS) Prefeitura Municipal de São Paulo Governo do Estado de São Paulo Convênios

2011

2010

7.211

7.960

2.692

2.372

454

461

9.489

4.933

Particulares

29

13

Ensino/pesquisa

101

135

19. 976

15.874

(228)

(102)

Deduções e abatimentos

(1.237)

(1.046)

Total de receita contábil

18.511

14.726

2011

2010

(16.805)

(12.861)

(6.684)

(5.030) (3.590)

Receita bruta fiscal Menos: Impostos

15. Custos hospitalares Custos hospitalares Salários e encargos diretos e auxiliares Serviços profissionais Custos hospitalares

(4.285)

Medicamentos e materiais

(9.028)

(7.479)

Depreciação e amortização

(2.439)

(2.057)

(39.241)

(31.017)

Nota

2011

2010

(a)

10.683

10.245

Doações de pessoas físicas e jurídicas

(a)

21.239

15.068

Evento McDia Feliz

(b)

3.737

3.299

Outros eventos (DI/Adm./Voluntariado)

(b)

6.510

4.254

16. Outras receitas (despesas) líquidas Outras receitas (despesas) líquidas Doações telemarketing

Doação de bens

542

324

Governamentais

906

954

Outras receitas Salários e encargos (DI/TLMKT/Voluntariado)

(c)

Administrativas (DI/TLMKT/Voluntariado)

(c)

43.617

34.144

(7.265)

(6.453)

(5.476)

(4.528)

Outras despesas

(12.741)

(10.981)

Outras receitas (despesas) líquidas

30.876

23.163

a. Doações No exercício de 2011, a Entidade recebeu doações em dinheiro e materiais no valor de R$ 31.922 (R$ 25.313 em 2010) de diversas pessoas físicas e jurídicas, as quais foram contabilizadas nas rubricas “Doações telemarketing” e “Doações de pessoas físicas e jurídicas”. A Entidade também recebeu doações de bens no valor de R$ 542, sendo R$ 535 doações de imóveis para venda e R$ 7 doações de equipamentos registrado no ativo imobilizado.

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9. De mons t r açõe s f i n a nc e i r a s

b. Eventos Os recursos decorrentes do evento anual “McDia Feliz” (renda obtida com a venda do “Big Mac” na cidade de São Paulo) são repassados como doação à Entidade. Adicionalmente, com o apoio de voluntários na venda de souvenirs, bem como de padrinhos e patrocinadores desta campanha, a Entidade arrecadou no exercício de 2011 o valor líquido de R$ 3.737 (R$ 3.299 em 2010), de acordo com o plano de trabalho firmado entre o Instituto Ronald McDonald e o GRAACC, respeitando o critério de reconhecimento da receita conforme mencionado na Nota 2. O GRAACC também obteve recursos líquidos no valor de R$ 6.510 (R$ 4.254 em 2010) por meio de outros eventos programados anualmente pela própria Entidade, bem como por iniciativa de empresas doadoras. c. Despesas com salários, encargos e administrativas Despesas com pessoal e administrativas relacionadas aos centros de custos responsáveis pela obtenção dos recursos de doações e eventos mencionados nas notas (a) e (b) acima.

17. Receitas e despesas financeiras Receitas e despesas financeiras

2011

2010

Rendimentos de aplicação financeira

439

651

Outras receitas financeiras

136

13

Receitas financeiras

575

664

(125)

(45)

(87)

(8)

Despesa com comissões e tarifas bancárias Despesa com juros Despesa com variação cambial

-

(1)

Outras despesas financeiras

-

(2)

Despesas financeiras

(212)

(56)

Financeiras líquidas

363

608

18. Imunidade do imposto de renda e isenção das contribuições previdenciárias e sociais O GRAACC é uma Entidade sem fins lucrativos, imune de recolhimento do imposto de renda e isenta da contribuição social sobre o superávit. Com relação aos demais tributos sobre as atividades próprias da Entidade, destacamos os seguintes: (a) Programa de Integração Social (PIS) - contribuição de 1% incidente sobre o montante da folha de pagamento; (b) contribuição para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) - isenta do pagamento da contribuição patronal incidente sobre o montante da folha de pagamento; (c) Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) - recolhimento de 2% sobre os serviços prestados a pessoa jurídica e física (convênios e particulares); (d) Imposto sobre Transmissão “Causa Mortis” e Doações (ITCMD) isenta nos termos do artigo 4o do Decreto no 46.665/02 e Resolução conjunta SF/SJDC - 1o a 5 de dezembro de 2002; e (e) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) isenta sobre as receitas próprias de sua atividade social. Com relação à COFINS, a Medida Provisória (MP) no 2.158-35, em seu artigo 14, inciso X, dispôs que as instituições de educação e assistência social, de caráter filantrópico que preencham as condições e requisitos do artigo 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro 2007 são isentas do recolhimento da COFINS sobre o montante das receitas relativas às atividades próprias, de repasses e financeiras. Consideram-se receitas derivadas das atividades próprias: 1 - Somente àquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou

6 2 | r e l at ó r i o d e at i v i da d e s 2 0 11


Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC) Notas explicativas às demonstrações financeiras Exercícios findos em 31 de dezembro de 2011, 2010 e 2009 (Em milhares de reais)

mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais (IN SRF no 247, de 2002, artigo 47, § 2o) 2 - Os recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista (IN SRF no 247, de 2002, artigo 47, § 2o). De acordo com o Decreto no 5.442, de 2005, estão reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras. Em observância ao artigo 2o do Decreto no 4.327, de 8 de agosto de 2002 (que alterou o parágrafo 4o do artigo 3o do Decreto no 2.536, de 6 de abril de 1998), o número de atendimentos a pacientes do SUS foi superior ao limite mínimo estabelecido de 60% em relação ao total de atendimentos efetivados pela Entidade, como segue: 2011

2010

Qtd de atendimentos

Percentual

Qtd de atendimentos

Percentual

75.150

85

68.247

86

Atendimentos hospitalares SUS Convênios e particulares

13.262

15

11.110

14

88.412

100

79.357

100

1.022

84

1.044

82

194

16

234

18

1.216

100

1.278

100

Internações SUS Convênios e particulares

As isenções das contribuições previdenciárias e sociais usufruídas no exercício foram de R$ 7.095, composta dos seguintes valores: 2011 Cota patronal ao INSS

5.114

COFINS

1.553

CSSL

428 7.095

19. Arrendamentos mercantis operacionais Os arrendamentos operacionais serão pagos da seguinte forma:

Arrendamentos mercantis operacionais

2011

2010

Menos de um ano

322

322

Entre um e cinco anos

885

1.207

Mais de cinco anos Total

-

-

1.207

1.529

A Entidade arrenda imóveis sob arrendamentos operacionais. Durante o ano, o montante de R$ 387 foi reconhecido como despesa no resultado com relação a arrendamentos operacionais (2010: R$ 222).

G ru p o d e Ap o i o ao A d o l e sc e n t e e à C r i a n ç a c o m C â n c e r | 6 3


9. De mons t r açõe s f i n a nc e i r a s

20. Demonstração de superávit por função Demonstração de superávit por função

Nota

2011

2010 (ajustado)

7.211

7.960

2.692

2.372

454

461

Receita com serviços prestados Sistema Único de Saúde (SUS) Prefeitura Municipal de São Paulo Governo do Estado de São Paulo Convênios

9.489

4.933

Particulares

29

13

Ensino/pesquisa

101

135

19.976

15.874

(1.465)

(1.148)

18.511

14.726

(16.805)

(12.861)

(6.684)

(5.030)

Custos hospitalares

(4.285)

(3.590)

Medicamentos e materiais

(9.028)

(7.479)

Deduções da receita Receita líquida

14

Custos hospitalares Salários e encargos diretos e auxiliares Serviços profissionais

Depreciação e amortização 15

(2.439)

(2.057)

(39.241)

(31.017)

Despesas administrativas Administrativas em geral

(1.375)

(292)

Salários e encargos administrativos

(3.014)

(2.570)

(124)

(143)

(56)

(57)

Brinquedoteca Odontologia Casa da família

(316)

(695)

Psicologia

(302)

(295)

Serviço social

(133)

(98)

(5.320)

(4.150)

Doações telemarketing

10.683

10.245

Doações de pessoas físicas e jurídicas

21.239

15.068

Evento McDia Feliz

3.737

3.299

Outros eventos – DI/Adm./Voluntariado

6.510

4.254

Outras receitas (despesas) líquidas

Salários e encargos (DI/TLMKT/Voluntariado)

(7.265)

(6.453)

Administrativas (DI/TLMKT/Voluntariado)

(5.476)

(4.528)

Doação de bens

542

324

Governamentais

906

954

30.876

23.163

52

(457)

4.253

2.265

575

664

(212)

(56)

363

608

5.241

2.873

16 Outras perdas líquidas Superávit operacional Receitas financeiras Despesas financeiras Financeiras Líquidas Superávit do exercício

6 4 | r e l at ó r i o d e at i v i da d e s 2 0 11

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Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC) Notas explicativas às demonstrações financeiras Exercícios findos em 31 de dezembro de 2011, 2010 e 2009 (Em milhares de reais)

21. Cobertura de seguros

A Entidade adota a política de contratar cobertura de seguros para os bens sujeitos a riscos por montantes considerados suficientes para cobrir eventuais sinistros, considerando a natureza de sua atividade. As premissas de risco adotadas, dada a sua natureza, não fazem parte do escopo de uma auditoria das demonstrações financeiras, consequentemente não foram analisadas pelos nossos auditores independentes. O valor das apólices de seguros mantidas pela Entidade propiciam as seguintes coberturas: Modalidade de seguro

2011

2010

2009

26.790

27.560

18.560

600

600

600

Risco operacional (incêndios, explosão, danos elétricos e outros) Incêndio de Imóveis e Bens do imobilizado Equipamentos especiais Riscos diversos (sinistros em geral) Veículos Automóveis - casco - valor de mercado - % * Responsabilidade civil

116

127

65

-

6.600

6.600

* Foi utilizada para cálculo dos valores de automóveis a tabela FIPE (dezembro 2011).

José Hélio Contador Filho CEO = Superintendente Administrativo/Financeiro

Carlos Eduardo de Barros Contador CRC/SP 202835/O-8

G ru p o d e Ap o i o ao A d o l e sc e n t e e à C r i a n ç a c o m C â n c e r | 6 5


Informações corporativas Conselho de Administração Sérgio Antônio Garcia Amoroso (presidente) João Inácio Puga (vice-presidente) André Guper Celso do Carmo Jatene Fernando de Castro Marques Isaura Maria Wright Pipponzi Jacinto Antonio Guidolin Luis de Melo Champalimaud Paulo Anthero Soares Barbosa Roberto José Maris de Medeiros Ronaldo Sergio Ribas Marques Ruy de Campos Filho

Superintendência Médica Antonio Sérgio Petrilli Superintendência Administrativo-Financeira (CEO) José Hélio Contador Filho Superintendência do Voluntariado Lea Della Casa Mingione

Este relatório de atividades é de responsabilidade do Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC). A versão online está disponível no endereço www.graacc.org.br Para informações, críticas ou sugestões, ou para saber mais sobre o trabalho desenvolvido pelo GRAACC, entre em contato com:

Diretoria Clínica Dra. Carla Macedo

Conselho Fiscal Gilberto Cipullo (presidente) Carlos Eduardo de Carvalho Pecoraro Gilberto Antonio Giuzio

Diretoria Sergio Antonio Garcia Amoroso (diretor-presidente) Fernando de Castro Marques (diretor vice-presidente) Paulo Anthero Soares Barbosa Ruy de Campos Filho (diretores)

Expediente Redação e edição Report Sustentabilidade Fotografia Gustavo Scatena Julio Vilela Projeto gráfico e diagramação Mentes Design

Revisão Assertiva Produções Editoriais Impressão e acabamento Gráfica Editora Aquarela Tintas: Sunchemical do Brasil Papel: Central de Papeis Tiragem: 6.000 exemplares

Endereço: Rua Botucatu, 743, Vila Clementino, 04023-062 São Paulo – SP Telefone: 11 5080 8400 Site: www.graacc.org.br E-mail: graacc@graacc.org.br Twitter: www.twitter.com/graacc Facebook: www.facebook.com/graacc


Rua Botucatu, 743, Vila Clementino, 04023-062 – São Paulo – SP www.graacc.org.br

Relatório de Atividades GRAACC 2011  

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