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Entrevistas com Milton Leite e Renato Zanata arnos

Camisa 13 Ano 1 - Edição 1 - Outubro 2010

A fantástica fábrica de craques do barcelona

Prezado leitor, Seja muito bem vindo ao blog da Revista Camisa 13. Aqui você poderá acompanhar, além da revista mensal e eletrônica, postagens da nossa equipe, que incluem podcasts, colunas e tabelas. São 15 pessoas trabalhando para trazer o melhor do futebol nacional e internacional, sem que você precise sair de sua casa e ir às bancas. Ao longo dessas 50 páginas, o leitor tem acesso a reportagens, matérias e artigos opinativos dos nossos membros, em sua maioria jovens jornalistas ou estudantes do curso, fanáticos por futebol, digase de passagem. A Revista está disponível em três formatos: texto, .pdf e em flash, que você tem a possibilidade de folhear como se estivesse manuseando uma revista impressa convencional. O design interno foi inicialmente projetado visando não ser visualmente poluído, desagradável para a leitura. Leitura essa que tentamos deixar mais suave até para quem não é profundo conhecedor do esporte.

Instruções no uso do arquivo em flash: Se o navegador exigir a execução de um plugin, aceite. A versão folheável é apenas acessível se o computador tiver o Shockwave player. O download não dura muito, caso ainda não possua em sua máquina. Você pode usar a barra de rolagem para subir, descer ou ir para os lados da página, ajustando da maneira que julgar conveniente para a sua leitura. Com um clique nos cantos externos de cada uma das folhas é possível arrastar a imagem, que simula uma revista impressa. Caso esteja com dificuldades de enxergar, clique com o botão direito do mouse e escolha a opção “Mostrar tudo”, para ampliar o conteúdo sem perder de forma considerável a resolução das fotos e do texto inseridos. Apertando para baixo com as setas direcionais, o arquivo irá passar para a próxima página automaticamente, sem a necessidade do clique. A seta para cima volta para a folha anterior. Para a frente e para trás há o mesmo efeito. Você pode ter acesso aos textos, em ordem, na página do blog, da mesma forma que o .pdf. Nós da Camisa 13 te desejamos uma boa leitura. Faça bom proveito da publicação. Lembre-se que todo dia 13 faremos o lançamento da edição. Visite-nos e acompanhe os processos.

Equipe Revista Camisa 13 www.revistacamisa13.blogspot.com

Campeonato inglês, italiano, brasileiro, russo e muito mais! Crônicas e colunas O Paradoxo do River Plate os “hermanos” do cruzeiro

Adriano

será que ele volta aos tempos de glória jogando pela roma?

A legião estrangeira

conheça as regras e alguns exemplos dos “Forasteiros da bola


Da Redação

Índice

O primeiro passo

Revista Camisa 13 Edição de outubro

Revista

Camisa 13 Edição número 1 - outubro 2010 A Camisa 13 chega discretamente no meio de tantas outras publicações já estabelecidas no país, para quem sabe ser aquela que dá voz aos que começam na profissão do jornalismo. É um projeto que não visa a ousadia, mas sim o aprendizado. A ideia inicial é juntar jovens talentos e sua sede por informação e reunir um conteúdo que seja digno de exposição em nível nacional. Para a primeira edição, a palavra chave é “laboratório”. O nível apresentado não será o máximo potencial dos membros da equipe, mas sim uma primeira tentativa, uma pedrinha atirada no lago. Se a pedra quicar, muito bem. Se afundar, mudaremos o que tiver de ser alterado e bola pra frente. A maioria dos nossos colaboradores cursa ou já cursou Jornalismo, daí pode se entender que não é só mais uma brincadeira de estudante. Todos com uma coisa em comum: A paixão pelo futebol. Nessa paixão, tentaremos fazer uma ampla cobertura de vários campeonatos ao redor do mundo, com classificações e tabelas, casando com reportagens e curiosidades. Expressamos nosso agradecimento a você, leitor, que está nos dando um voto de confiança para quem sabe daqui a alguns anos ser uma das grandes fontes de informação futebolística. Aproveite e vista também essa camisa. A Camisa 13. Felipe Portes

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Revista Camisa 13

Publicação mensal Data de fechamento: 12/10 Equipe: Redação Geral: Felipe Portes, Rodolfo Zavati, Rodrigo Gutuzo e Guilherme Taniguchi Futebol Internacional: Guilherme Taniguchi, Luccas de Oliveira, Caio Dellagiustina, Victor Hugo Torres e Kallil Dib Futebol Nacional: Rodrigo Gutuzo, Ary Machado e William Paolieri Reportagens: Felipe Portes, Victor Hugo Torres, Rodolfo Zavati, William Paolieri e Leandro Pizoni Design e Arte: Felipe Portes, Danilo Giroto e Renato Piovan Revisão: Pedro Paulo Vaz, Mégrivi Araújo, Rodolfo Zavati, Natália Vilaça e Carla Caroline Salomão Jornalista Responsável: Elson Miguel Agradecimentos especiais: Leonardo Bertozzi, Renato Zanata Arnos, David Lucio Valverde e Luiz Felipe Fernandes

Conheça a história e o atual panorama do City, cansado de ser conhecido como o primo pobre da cidade de Manchester

A ‘Nova onda do imperador’ agora chega na cidade de Roma, onde Adriano tenta recuperar seus bons tempos de artilheiro

A fantástica fábrica de craques do barça é aberta ao público: saiba como são formados tantos craques como xavi e iniesta (foto)

A legião estrangeira da bola: conheça exemplos e saiba as regras sobre os “forasteiros” do futebol ao redor do planeta

Entrevistas com milton leite, narrador dos canais sportv e renato zanata, colunista do globoesporte.com

walter montillo e ernesto farías não são os únicos argentinos a fazerem sucesso na raposa, veja alguns dos craques do passado

pitacos da equipe

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Campeonato Russo

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Crônicas

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Campeonato Espanhol

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Colunas

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Dinheiro na mão é vendaval

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Campeonato Brasileiro

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A fantástica fábrica de craques

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Campeonato Argentino

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Ave, Adriano!

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Campeonato Inglês

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Entrevista com Milton Leite

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Campeonato italiano

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Uma nação portenha

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Campeonato alemão

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Entrevista com Renato Zanata

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Campeonato Holandês

21 O paradoxo do River Plate

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Campeonato Português

23 A legião estrangeira

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Campeonato Francês

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O mito sobre: Trifon ivanov

Revista Camisa 13 2


Pitacos da equipe

Pitacos da equipe

pitacos da equipe Um belo dia a equipe resolveu fazer uma página especial só para manifestar o palpite de cada um. O tema, desde que dentro do futebol, é livre. Vale falar sobre uniforme, esposa de boleiro, urucubaca, comemorações esquisitas e tudo mais. Aqui só não vale dançar homem com homem e mulher com mulher. Valendo!

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Revista Camisa 13

Mande o seu pitaco no twitter com a tag #pitacodacamisa13, você pode aparecer na próxima edição!

*Leonardo Bertozzi, diretor geral do site Trivela.com e comentarista dos canais ESPN concordou em ceder sua humilde frase para a seção. Diga-se de passagem, Krasic fez três gols em um jogo contra a Cagliari, na Serie A.

“Um balanço sobre custo benefício: Felipão ganha tanto e nada...Sergio Baresi mil vezes menos e nada também, pelo menos é um nada econômico.” (@renatopiovan, comparando o milionário Felipão ao humilde ex-treinador são-paulino)

“Krasic vai tirar o sono de um lateral-esquerdo por rodada. Joga demais.” (@lbertozzi, que evita comparações do meia sérvio com Pavel Nedved, mas com ressalvas)

“Eu acredito que o Birmingham será a surpresa da Premier League 2010-11 e que o West Ham será rebaixado.” (@luccasoliveira, não botando fé na campanha dos Hammers no Campeonato Inglês)

“Ser vice-campeão português não quer dizer superioridade na Europa. Depois de levar uma sapatada do Arsenal na primeira rodada da Champions, é melhor o Braga parar de sonhar.” (@kallildib, jogando água no chopp do novato luso)

“Será que o Silvio Berlusconi contratou Ronaldinho Gaúcho, Robinho e Ibrahimović para o Milan para ter mais parceiros de farras?” (@taniguchicampos contando que a chuva é molhada)

“Da série: Tem coisas que só acontecem com o Botafogo; foi só o alvinegro de General Severiano entrar no G-4, que o negócio virou G-3.” (@rodrigogutuzo só lembra o ditado popular, que não poderia ser mais verdadeiro na ocasião)

“O Schalke é o mais novo exemplo que conduta ditatorial não funciona no século XXI. O tirano Felix Magath já deu o que tinha que dar como treinador.” (@donfillippo sentindo que o espírito do Brasil em 1964 paira sob os ares do Ruhr)

“A chance do Zilina ser campeão da Champions League nesta temporada é a mesma do Val Baiano terminar o Brasileirão como artilheiro e melhor jogador.” (Victor Hugo Torres, que não tem twitter, mas mandou falar isso aqui).

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Crônicas

Crônicas

O coitado é o goleiro

Me lembro muito bem, waldir Peres Por David Valverde

Por Felipe Portes Era 1994. Eu e meu pai estávamos acompanhando a ótima campanha da Paraguaçuense na Segunda Divisão do Campeonato Paulista, Série A2. Pelo noticiário do Globo Esporte, ficamos sabendo que o novo técnico da Internacional de Limeira era Waldir Peres. São-paulino que sou, teria a oportunidade de conhecer de perto um ídolo de minha infância. Aquele goleiro que teria protagonizado um dos momentos mais incompreensíveis da história do futebol, quando o Brasil perdeu para a Itália, em pleno estádio Sarriá, sendo eliminado da Copa do Mundo da Espanha, em 1982.

Didier Drogba

Parte da imprensa e da opinião pública entendeu que a fraca atuação de Waldir na partida, foi um fator decisivo na derrota brasileira. Outros atletas, inclusive o técnico Telê Santana também sofreram com a hostilidade dos torcedores na época. Porém, talvez nenhum outro atleta tenha sido tão lembrado, ao longo dos tempos, por aquele dia fatídico como Waldir. Se existem dois clubes no cenário europeu que são tema fácil para qualquer tipo de crônica, são o Chelsea e o Barcelona. Se bem me lembro, já fiz uma sobre o encantador estilo de jogo catalão, em especial o “extraterrestre” Lionel Messi. Mas algo que o fã da bola parece não aceitar ou não dar importância é este novo esquadrão dos “blues”, montado por Carlo Ancelotti.

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suas devidas posições. Peter Cech, Branislav Ivanovic, John Terry, Ashley Cole, Michael Essien, Frank Lampard, Florent Malouda, Didier Drogba e Nicolas Anelka (Solomon Kalou). Nem foi preciso citar os onze titulares para assombrar quem lê. Ancelotti ainda pode ter o luxo de deixar o volante brasileiro Ramires no banco.

Campeão inglês, Campeão da Copa da Inglaterra e um dos melhores ataques da história da liga nacional. 103 gols em 38 jogos, entoando algumas goleadas de 6, 7 a 0 nos seus adversários. O Chelsea começou a temporada regular de 2010/2011 fazendo 12 gols em duas partidas. E então, não comentar ou se abismar com essa marca é como tentar esconder um elefante debaixo de um tapete.

O Chelsea começa todos os seus jogos ditando o ritmo. Em alguns minutos você vê uma iniciativa com belos passes, cruzamentos longos, chegarem no pé de Drogba ou Lampard. Neste momento, o espectador já se prepara para testemunhar uma verdadeira obra de arte. De repente, inauguram o marcador. Nesses jogos é imprescindível que você não tire seus olhos do espetáculo. Sair quinze ou vinte minutos da frente da telinha pode significar dois, três ou talvez mais gols.

Desde o goleiro até o último homem de ataque, o clube londrino reúne jogadores de nível altíssimo e excelência nas

A primeira coisa que me vem à mente quando os blues jogam, é a facilidade que eles tem para definir o resultado.

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Evidentemente há muita diferença em relação ao Barcelona. O espanhol joga bonito, de fato, mesmo ganhando de 1 a 0. Unanimidade no que se diz “jogo em equipe perfeito”. Nem sempre os blues encantam com seu estilo objetivo. Esse é o consenso geral, não o meu, confesso. Sou fã de goleadas na mesma medida de “academias do futebol”, como este Barça, o Milan do fim da década de 1980, o Ajax de 1995, entre outros, que ficam guardados na história como referências de arte dentro das quatro linhas.

Pode até ser dito que o clube inglês só goleia times muito inferiores. Não discordo completamente. Mas devo lembrar ao caro leitor, que se não fossem esses “pequenos”, muita lenda deixaria de ser contada de avô para neto. Salve o Stoke City, o Naviraiense, o Tiradentes. O único lado triste desses placares elásticos acaba sendo o do goleiro que os sofre. Coitado dele.

Minha tese é a de que a repetição dos gols, fato absolutamente incontestável, acaba gerando este tipo de estigma sobre o atleta, tal como as meias arriadas de Roberto Carlos, ou as mãos de Maradona. Mas, o jogo começou e ao final dele, a Inter perdia por incríveis cinco a zero. Vi meu ídolo lá, cabisbaixo, abatido e ainda ouvindo dos torcedores: -Olha o Paulo Rossi atrás de você Waldir!! Paulo Rossi foi o atleta que fez os três gols da Itália em 1982. Estávamos em 23 de janeiro de 1994, mas a lembrança do jogo na Espanha de 5 de Julho de 1982 veio à tona novamente, com certeza, para todos que haviam presenciado a despedida do Brasil daquela Copa. Para aqueles que o ofenderam, e também para quem não saiba, Waldir Peres é considerado um dos mais importantes goleiros do futebol brasileiro. Defendeu o São Paulo de 1973 a 1984, conquistando o primeiro título do Campeonato Brasileiro de 1977 brilhando em defesas de pênaltis, e a Seleção Brasileira em três Copas do Mundo, 1974, 1978 e 1982. Jogou nas décadas de 1970 e 1980, e foi considerado em boa parte desse tempo um dos melhores goleiros do Brasil. Foi reserva nas Copas do Mundo de 1974 e 1978, sendo titu-

lar na Copa do Mundo de 1982, na Espanha, onde era um dos destaques de um time que contava com Zico, Sócrates, Falcão e Oscar. Em suma, Waldir Peres é o arqueiro com menor média de gols sofridos na história da seleção brasileira entre todos aqueles que atuaram em Copas do Mundo. Pela história guardada em minha memória, tive a honra de cumprimentá-lo pessoalmente. Ele se justificou dizendo que estava treinando um grupo de garotos e que o time da Paraguaçuense era profissional. Disse que lhe era grato pelos títulos conquistados pelo São Paulo, pelas defesas incríveis que fez pela Seleção Brasileira e por vê-lo ainda no futebol. Waldir me disse que: “acima de tudo, as redes estão lá porque fazem parte do espetáculo. Invencível é todo aquele que sabe pegar a bola no fundo das redes, levantar a cabeça, e seguir em frente, como na vida, quando sofremos revezes. Mas devemos contudo, encarar todas as dificuldades como degraus para melhorarmos como homens, profissionais, seres humanos”. Waldir Peres, eu me lembro muito bem de mais esta lição de vida. Revista Camisa 13

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Colunas

Colunas

A nova ordem no verdão

Por Felipe Portes

Um espetáculo bem planejado

Renato Piovan

Por Mégrivi Araújo

Felipão e Marcos Assunção, referências no “novo Palmeiras” O Palmeiras já entrou no seu segundo ano sem títulos. Dois anos após a conquista do Campeonato Paulista, tudo caminha para que o alviverde fique três anos sem atualizar sua sala de troféus no clube. Para evitar que isso aconteça, vários reforços chegaram ao Palestra Itália, afim de vencer algo importante para a torcida que tanto cobra. O principal reforço talvez seja o técnico Luiz Felipe Scolari, que assumiu o comando, após a Copa do Mundo. Ainda foram incorporados os atletas Jorge “El Mago” Valdívia e Kléber fizeram parte do elenco campeão paulista em 2008, com Vanderlei Luxemburgo na direção. Com esses nomes, entre outros, Felipão iniciou um trabalho com a expectativa de classificar novamente o clube para a Taça Libertadores da América.

e Leandro Amaro. Mais sofrível que isso, só o banco do Atlético-GO, guardadas as devidas proporções. O pós-Copa foi terrível para os lados do alviverde da Barra Funda. Muitos empates, derrotas inexplicáveis e tropeços em times relativamente mais fracos. Especulou-se até o fim do mês de setembro que com a campanha que vinha sendo feita, o Palmeiras era um sério candidato a brigar contra o rebaixamento. Muito se questionou na imprensa se o investimento feito no pagamento exorbitante em salários para Felipão não era digno dos resultados. Mas as vitórias em sequência sobre Grêmio Prudente, Flamengo e Internacional alavancaram o ânimo do time, que se aproximou da vaga no G-3.

Vê-se que os palestrinos finalmente acordaram e enA tarefa é complicada. O elenco parece não jogar no contraram o caminho da vitória. Será que no fundo seu máximo potencial, a camisa pesa no corpo de das raízes e origens do clube, Scolari extraiu o elealguns jogadores. Quem não se intimida é Kléber, o mento que era tão procurado pelo elenco e torcida. Gladiador. Juntamente com Marcos Assunção e Tin- A vontade de ganhar. E ao que tudo indica, a nova ga, unem a garra com a lucidez que é essencial para ordem no Verdão é a mesma que Benito Mussolini um grupo vencedor. Suponhamos que estes três deu aos italianos, antes da final da Copa de 1934: atletas fiquem fora de combate. Scolari olha para os “Vencer ou morrer”. E como estão se agarrando à seus suplentes e enxerga Luan, Tadeu, Dinei, Rivaldo vida, os atletas... 7

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A Copa do Mundo de 2014 será no Brasil, o país do futebol, o país do qual muito se espera economicamente. Por isso, os olhos globalizados do planeta estão voltados para as terras tupiniquins. Muitas dúvidas eles ainda nutrem sobre a capacidade brasileira de receber um dos maiores eventos esportivos do mundo. Dentre elas, um dos maiores questionamentos é se o Brasil conseguirá por em prática todos os projetos entregues à FIFA no momento da candidatura. Um rápido panorama interno, permite-nos constatar que de fato há problemas consideráveis no quesito planejamento: ainda há indefinições quanto aos recursos que serão utilizados, suas origens e procedências; e estádios (como, por exemplo, o Maracanã que muito provavelmente receberá o jogo decisivo da Copa) apresentam atrasos no inícios das obras previstas para melhorias e/ou adaptação às exigências da FIFA. O estado paulista, que também receberá jogos do mundial, apresentou um dos problemas mais graves de planejamento: o clube São Paulo não concordou com os investimentos que seriam necessários ao Morumbi

e foi retirado do projeto original. Aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo, em bom “futebolês”, surgiu a proposta da construção de um novo estádio, que pertencerá ao Corínthians, e receberá a Copa. Há que se salientar que esse novo projeto traz consigo novas preocupações: ele é muito mais caro e demorado. Além do mais, uma obra simples de recuperação, será agora uma obra complexa de construção, para a qual ainda não se conseguiram todos os recursos financeiros necessários. O que poderia ser feito tranquilamente em cinco anos, terá apenas o curto espaço temporal de pouco mais de três anos para estar concluído. Para que se desfaça qualquer dúvida a respeito da capacidade organizacional do Brasil, é necessário que se estabeleça um forte e consolidado planejamento estratégico-operacional, com vistas a evitar prejuízos, desorganização e não-cumprimeno das metas. É o devido planejamento, laborado e executado com eficiência, que garantirá que os olhos do mundo possam contemplar um belo e inquestionável espetáculo verde-e-amarelo. Revista Camisa 13

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Campeonato Brasileiro

Campeonato Brasileiro

E como vai o nosso campeonato?

Por William Paolieri

O time de guerreiros

Por Ary Machado

Deco, em sua apresentação no Maracanã

Elias

Thiago Ribeiro O Campeonato Brasileiro está muito bom. Não dá para apostar no campeão com tantas rodadas de antecipação. Aliás, esse sistema de pontos corridos só fez revelar ao mundo o que nós já sabíamos, que o Campeonato Brasileiro é um dos mais disputados do mundo. Dizem que é nivelado por baixo, não concordo. É bem verdade que temos poucos craques já consagrados, mas temos muitos outros em formação, que o diga o time do Santos. A grande sensação do ano, pelo menos no primeiro semestre, possui boleiros de dar inveja a qualquer time europeu. Nesse momento não pode nem sequer ser considerado um time que briga pelo título, já que se encontra no meio da tabela. E a disputa lá em cima é espetacular. Fluminense e Corinthians realizam um revezamento na liderança que faz jus à maratona dos pontos corridos. O Timão tem um ídolo, alguém que por mais que esteja fora de forma, sem condições de participar da maioria dos jogos, chama a atenção, quando entra e quando não está em campo. Que país não gostaria de ter Ronaldo em seu campeonato? Nós temos. Até nisso o Fluminense não ficou tão atrás assim. Além de já ter Fred em seu elenco, Deco chegou para ajudar o time carioca e tem feito bem o seu papel. E ainda tem Conca. Bem que ele poderia fazer o que fez Fernando Meligeni,

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Revista Camisa 13

nenhum brasileiro reclamaria. Esses gringos inclusive fazem um bem para o futebol brasileiro, viram ídolos e às vezes possuem mais amor a camisa do clube que vestem do que alguns brazucas. Valdivia voltou para o Palmeiras, “Loco” Abreu jura amor eterno ao Botafogo, D’Alessandro e Guiñazu disputam para ver quem é mais ídolo do Internacional. Tem Petkovic no Flamengo, Herrera no Botafogo, isso para citar só alguns. Tem a ponta de baixo também, lá a briga, para ver quem não vai cair, é boa. O Grêmio Prudente, aquele clube sem teto, parece que vai cair mesmo. Não vai fazer falta. Com ele outro que pode ir é o Atlético Mineiro, que vive situação complicada, tem bons jogadores, boa estrutura, torcida presente, mas todos os indícios de que vai deixar a elite do futebol nacional, novamente. Nessa zona Goiás está representado por dois clubes da região. Um que leva o nome do próprio estado e o outro que chegou às semifinais da Copa do Brasil e parecia um candidato à sensação do Campeonato Brasileiro, mas como seu xará de Minas, o Atlético Goianiense decepciona na competição e pode estar com os dias contados na primeira divisão se não acordar. Decepção é uma palavra que está na

ponta da língua dos Flamenguistas. O atual campeão brasileiro está a perigo. Despenca desde a décima rodada. Pensou que tinha achado o problema, acreditava-se que o ataque, depois de perder Adriano e Vágner Love, nunca mais foi o mesmo. Foi às compras e contratou Deivid e Diogo, mas a situação não parece melhorar. A Série B já começa a olhar com bons olhos para a nação rubro negra. Se o Flamengo despenca, com Avaí e Ceará, que antes da parada da Copa do Mundo estavam nas primeiras colocações, à situação é a mesma. Eles que já pensaram em vaga para a Libertadores agora querem se contentar com a simples permanência na primeira divisão. Internacional e Cruzeiro vão bem, favoritos à vaga na Libertadores, mas já podem sonhar com o título. Palmeiras e São Paulo brigam contra a irregularidade. Times bons, mas com problemas na diretoria, influenciando no desempenho dos jogadores, por mais que se tente amenizar os dilemas extra-campo.

Ainda teremos muitas histórias nesse Campeonato Brasileiro, muitos clubes cairão de rendimento e outros tantos subirão o desempenho, mas o certo é que chegamos num momento crucial, um vacilo sequer pode ver todo o projeto indo por água abaixo, não é Luxemburgo?

O Time de Guerreiros, encorpado na reta final do ano passado, continua vivo no Fluminense. Depois de um início ruim em 2009 e uma recuperação fantástica nas últimas rodadas da competição, a diretoria, juntamente com o patrocinador resolveu montar uma equipe de “galácticos” para a temporada 2010.

A começar pela manutenção da base que tirou o Tricolor da zona de descenso. Gum, Mariano, Diogo e Diguinho continuam até hoje no time titular. Darío Conca, desde 2008 nas Laranjeiras, já virou ídolo da torcida. Fernando Henrique, revelado em Xerém, aparece com a camisa 1. Fred, que ainda não esqueceu das lesões, também permanece. Para se juntarem aos “guerreiros”, a Unimed, patrocinadora mor, trouxe reforços de peso, como Edwin Valencia, Deco e Washington. Além, é claro, do vitorioso Muricy Ramalho. Depois de três títulos consecutivos no São Paulo e um trabalho ruim no Palmeiras, Muricy tem dado certo no Fluminense. Ao que parece, o

trabalho será longo. No meio disso tudo apareceu até uma recusa para dirigir a Seleção Brasileira. Coisa que a maioria dos técnicos não faria, mas Muricy ousou dizer não a Ricardo Teixeira. No Brasileirão 2010, a equipe tem um aproveitamento impressionante. No primeiro turno, foram apenas três derrotas. A média de público (quase 30 mil pagantes por jogo) é a maior da competição.

Alguns atletas, porém, não vão de vento em poupa. Ezequiel “Equi” González e Willians, que não fizeram nem três jogos no campeonato, nunca tiveram chances reais. Marquinho, que fez o gol que tirou o Tricolor da Segundona no ano passado, é o reserva imediato de Conca e Deco. Mesmo com as boas atuações, não teve uma chance real, principalmente, nos lugares de Carlinhos e Júlio César, que não se firmaram. Nos próximos meses, o panorama deve continuar o mesmo no “Flu”. Muito tra-

balho. Resta saber se as vitórias continuarão. A equipe ficou praticamente todo o primeiro turno na liderança. É complicado manter o mesmo ritmo durante todo o segundo turno, ainda mais com o Maracanã fechado para obras visando a Copa do Mundo de 2014. Porém, com a de volta Fred, Conca e Deco em boa forma no meio de campo, facilitaria muito as coisas. Um bom goleiro seria necessário para continuar no topo. Fernando Henrique, já mostrou que não tem condições de ser titular de uma grande equipe. Nas laterais, Mariano e Carlinhos (Júlio César) dão conta do recado. No meio, a dúvida fica entre Diogo e Valencia. Para frente, Diguinho, Conca e Deco são titulares absolutos. No ataque, ao lado de Emerson, Fred fica com a vaga. No banco, ainda há bons nomes, como Belletti, Marquinhos e o garoto Wellington Silva, que fica até o final do campeonato. Além, é claro, do principal responsável pela reconstrução da nau tricolor: Muricy Ramalho.

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Campeonato Brasileiro

Campeonato Brasileiro

Juventude em queda livre

Por Leandro Pizoni

De quem é a culpa?

Por William Paolieri

Diego Souza e Ricardinho, duas estrelas que ainda não se acertaram no Galo

1994. No ano em que o Brasil conquistava seu quarto título mundial de futebol, o Juventude sagrava-se campeão brasileiro da Série B. O resultado, já fruto da parceira entre o clube e a Parmalat, colocou o clube de Caxias do Sul na elite do futebol nacional. Passados quase 16 anos, o clube amarga o rebaixamento para a Série D do Brasileirão. A segunda metade da década de 1990 foi de consolidação para o clube caxiense. Com o ingresso na primeira divisão nacional, o Juventude se firmou como a terceira força do Estado, atrás apenas da dupla Gre-Nal. Posição essa que foi conquistada de vez com a conquista do Campeonato Gaúcho de 1998, de forma invicta, contra o Internacional em pleno Beira-Rio. No ano seguinte, com a conquista da Copa do Brasil, o Juventude atinge o reconhecimento nacional e faz história ao eliminar Corinthians, Fluminense, Bahia e Internacional ao longo da com11 Revista Camisa 13

petição, e conquistar o título con- mente. Em 2009, mais uma queda. tra o Botafogo segurando time Pela primeira vez em sua história, carioca num Maracanã lotado. o clube caxiense disputaria a Série C. Com pouco dinheiro em Em 2000, o clube participa pela caixa, e perdendo patrimônio, o primeira vez da Copa Libertado- Ju montou um plantel modesto res da América, porém, é elimi- para a disputada o Gauchão e da nado logo na primeira fase. Ainda Terceirona. Com uma campanha nos anos 2000, o Juventude foi medíocre no Campeonato Gaúcho sétimo lugar por duas vezes no - onde lutou para não cair - a Papada, como é conhecida a torcida Brasileirão, em 2002 e 2004. do clube, já se preocupava com o Depois de mais de uma década destino da equipe na disputa do como um dos grandes clubes do torneio nacional. O sentimento futebol brasileiro, a equipe gaú- da torcida pressentia que o pior cha fez péssima campanha no estaria por vir. Brasileirão e é rebaixada para a Série B, em 2007. Tentando seguir No último dia 19 de setembro, o o exemplo de grandes clubes que Esporte Clube Juventude, foi recaíram e voltaram logo no ano baixado para a Quarta Divisão do seguinte para a elite, como Grê- futebol nacional O jogo contra o mio, Atlético-MG, Palmeiras e Criciúma, ocorrido em Santa CaBotafogo, o Juventude lutou para tarina terminou empatado em conquistar a vaga para o acesso à 1x1, resultado que não bastava Primeira Divisão, porém, não teve para o alviverde escapar da degosucesso. la. O clube está sofrendo o mais duro golpe de sua história. É prePassando mais um ano na Série ciso mais do que uma simples reB, a receita da televisão - vital estruturação para consertar o que para a vida financeira dos clubes há de errado. Se reerguer será um brasileiros - caiu consideravel- longo passo.

Antes de concluirmos algo é preciso uma análise. Os fatos estão em jogo, literalmente. O Atlético Mineiro corre risco, o rebaixamento parece cada vez mais perto. Acalme-se torcedor atleticano, pois não estou secando, apenas constatando o óbvio.

de dúvida, analisando o papel, que poderia chegar entre os primeiros, uma Libertadores emplacaria. Mas não se ganha um campeonato com nomes, tem de ter estrutura. E o Galo tem estrutura. Tem também uma torcida, das que mais comparece ao estádio, das que mais apóia o time. Então, de quem é a culpa?

Quando um clube chega nessa situação, as cornetas começam a tocar, os entendidos começam a dizer que “já sabia que isso aconteceria”, culpados aparecem de montão, em bandos ou solitários, como foi com Luxemburgo. Treinador que, aliás, já foi considerado o culpado pelo rebaixamento do Palmeiras em 2002, já que havia “montado” o elenco do Verdão. Assim como o Palmeiras de 2002, o Galo tem um time que, pelo menos no papel, não era para estar nessa situação. Dois Diegos que poderiam ser titulares em qualquer clube (Souza e Tardelli), Ricardinho e Daniel Carvalho possuem experiência e futebol de sobra para tirar o Galo dessa situação. Obina, “a lenda do futebol brasileiro”, tem a incrível capacidade de fazer a torcida sempre acreditar que dele pode sair o gol da salvação, além de um zagueiro de seleção, Réver.

Vontade estão tendo. Já ficaram quinze dias concentrados esperando resultados positivos. Eles não vieram. Tudo aponta para uma decepção, enquanto seu rival Cruzeiro está entre os líderes. Os matemáticos já apontam que só uma campanha igual a do Fluminense no primeiro turno salva o Atlético de um rebaixamento. A coisa está feia para o Galo, que sempre foi forte.

Dorival Júnior foi contratado, num erro grotesco da diretoria do Santos, fazendo com que os atleticanos voltem a acreditar na sorte. Analisando todos os elementos que envolvem um clube de futebol, o Atlético Mineiro no caso, se cria a percepção de que o conjunto da obra levou o time para essa situação e aí tudo se torna mais difícil.

Luxemburgo deve ser cobrado. Não somente pela campanha que fez, mas pelo que não tem feito ultimamente. De treinador TOP, Luxemburgo vive um inferno astral que parece não ter fim. Mesmo assim ainda acredito que não deveria ter sido demitido. O presidente do Galo Alexandre Kalil disse num dado momento que “quem colocou o Atlético nessa situação terá de tirar”. Vanderlei Luxemburgo foi demitido logo depois do vexame contra o Fluminense, quando perdeu por 5 a 1. Na ocasião Kalil defendeu com todas as letras dizendo que “pou-

Luxemburgo tem sua parcela de culpa, mas não pode levar o provável rebaixamento do Galo nas costas. E nesse momento pode-se culpar a todos, desde diretores aos atletas, por mais vontade que tenham em tirar o time desse desconforto não conseguem, não são capazes de achar um caminho e seguir confiante até a salvação, até a permanência à primeira divisão. Não é bom ter um time como o Atlético, de tantos títulos e com uma torcida tão apaixonada de fora da elite do futebol nacional, mas creio que essa será a realidade para o próximo ano. A queda parece ser inevitável.

Se me perguntassem antes do campeonato começar a real possibilidade do Atlético ser campeão, diria sem sombra

cas vezes um profissional se dedicou tanto ao trabalho quanto Luxemburgo, fiquei muito honrado em trabalhar com ele. Tentei segurá-lo, mas o que vi nesse jogo (se referindo à goleada imposta pelo Fluminense) foi algo grotesco, dava para perceber que a coisa iria desandar”. Desandou, ainda mais com a demissão do treinador.

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Campeonato Argentino

Campeonato Argentino

Façam suas apostas, hermanos! Por Felipe Portes Jogadores do River comemoram gol na estréia do Apertura

Pelo segundo ano consecutivo o Campeonato Argentino é televisionado para o país por meio de uma TV pública. Cheia de controvérsias, a competição sempre foi privilégio de emissoras particulares no país, não sendo acessível para uma parcela que não freqüenta os estádios.

órgãos governamentais. Viabilizou que o Canal 7 -estatal que exibia conteúdo cultural e político- tivesse os jogos do Argentino em sua programação. Em outras palavras, a democratização do futebol na telinha. Dos cinco canais abertos no país, o Canal 7 é o único que mantém os direitos de transmissão do Campeonato Argentino. No Brasil os Torneios Apertura e Clausura são atualmente exibidos pela TV Esporte Interativo, canal com programação única e exclusivamente voltada para o esporte.

Imagine se no nosso país o Brasileirão somente fosse visto por quem é assinante de empresas de TV à cabo? Grandes clássicos, jogos decisivos só poderiam ser contemplados por quem vai aos estádios e possui canais como Premiere Futebol Clube, SporTV, A história e o formato controESPN, entre outras, por mais que verso a última só transmita a Copa do Brasil, atualmente. Disputado profissionalmente desde 1931, o Argentino tem Com a baixa audiência e pouco como seu maior vencedor o River apelo, a Associação de Futebol Plate, com 33 conquistas. O Boca Argentino (AFA) tomou uma de- Juniors, multi campeão internacisão tardia juntamente com cional é o segundo mais glorioso, 13 Revista Camisa 13

tendo levantado o troféu 23 vezes. O Independiente venceu 14, San Lorenzo de Almagro 10, Racing de Avellaneda e Vélez Sársfield sete, Newell´s Old Boys com cinco, Rosario Central, Estudiantes de La Plata com quatro e Argentinos Juniors com três, fecham o quadro de clubes tradicionais e grandes campeões. Huracán, Quilmes, Lanús, Banfield, Ferro Carril Oeste e Chacarita Juniors foram outros a terem se sagrado vitoriosos em outras oportunidades. O formato é inusitado. São dois turnos, o Apertura e o Clausura. O Clausura vai de fevereiro a junho, enquanto o Apertura, de agosto a dezembro. O país é o único que não possui uma Copa, como em quase 100% das nações que possuem competições profissionais de futebol. São 20 clubes que jogam todos

contra todos. O que difere esta competição das demais é que dois times são campeões por edição. Ainda mais gritante e bizarra é a regra usada para rebaixamento. Extremamente confusa e injusta, prejudica clubes recém-promovidos. A Camisa 13 explica: soma-se o resultado da equipe nas três últimas temporadas e divide se pelo número total de jogos. Se esta equipe disputou estas três edições na Primeira divisão, a divisão dos pontos é feita por 114. Em caso de ter jogado apenas duas, o número cai para 76. Recém promovidos como o All Boys e o Olimpo de Bahía Blanca tem seus pontos divididos por 38. Seguindo a linha desta conta, quem sobe da segunda divisão é obrigado a terminar o campeonato em boa colocação, algo como 10º ou melhor. Em função desta regra, o River Plate, que é um dos líderes do Apertura se encontra em apuros por duas campanhas horrendas nos anos que se passaram. Se quiser escapar do rebaixamento terá de brigar pelo título para equilibrar essa média de pontos. Sim, é um absurdo. Mas, os “hermanos” acham que essa fórmula funciona, então, fazer o quê? Apertura 2010 Este ano temos 20 clubes na Primeira Divisão: All Boys, Argentinos Juniors, Arsenal de Sarandí, Banfield, Boca Juniors, Colón, Estudiantes, Godoy Cruz, Gimnasia y Esgrima La Plata, Newell´s Old Boys, Huracán, Independiente, Lanús, Olimpo, Quilmes, Racing, River Plate, San Lorenzo, Tigre e Vélez Sarsfield. Na atual situação do campeonato –até o fechamento desta edição-

Fique de olho Gastón Fernández

brigam pela ponta o Arsenal, Vélez, San Lorenzo, Estudiantes e River, que comprou quase um time inteiro para tentar a permanência na Primeira divisão. O Boca briga com si mesmo e não consegue vencer duas partidas seguidas, ficando na ponta de baixo na tabela. Isso porque o treinador Claudio Borghi chegou dando pinta de que arrumaria o clima nos vestiários, conturbado pela presença de medalhões como Martín Palermo e Juan Roman Riquelme. Falando em urucubaca, o último campeão, o Argentinos Juniors, precisa tomar banho de sal grosso para sair da má fase. O Independiente faz companhia no fundão. O lema dessas três equipes que estão mal das pernas poderia ser “temos nome, mas não temos time”, situação parecida com a do Brasileirão de 2010, em que vários grandes estão próximos da zona da degola. Pablo Pintos

Santiago Silva

Se você gosta ou vai passar a gostar de acompanhar as “canchas” do Argentino, deve levar em conta certos jogadores: Rogelio Funes Mori e Ariel Ortega tem feito boas partidas pelo River Plate. Podem ser heróis ou vilões da história recente do clube. Ortega, por sinal, sofria com problemas de alcoolismo até o começo deste ano. Presenciaremos uma virada? Santiago Silva e Maxi Moralez quando juntos, fazem um belo par. Mesmo que joguem em posições diferentes –Moralez é meia e Silva faz as vezes de homem de área- costumam criar muitas iniciativas para o Vélez. Tabelinhas, cruzamentos e passes de muita qualidade. Martín Palermo, Lucas Viatri e são a dupla de craques do Boca. Responsáveis por mais de 70% dos gols e jogadas do time de Claudio Borghi, os “xeneizes” podem não ter começado bem, mas vão dar trabalho... Juan Sebastián Verón e Gastón Fernandez participaram do título do Estudiantes na Copa Libertadores da América em 2009 e talvez sejam os únicos atletas que podem ser considerados como “estrelas” no elenco atual. As várias perdas de jogadores ainda não surtiram efeito no time comandado por Alejandro Sabella. Ainda... Leandro Romagnoli e Jonathan Bottinelli são dois pilares da estrutura da equipe do San Lorenzo. Fazendo bonito até aqui, o time da cidade de Almagro tem tudo para se manter em bom estado na classificação.

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Campeonato Inglês

Campeonato Inglês

O céu nunca foi tão azul Por Felipe Portes

David Silva (Manchester City), Wayne Rooney (Manchester United), Branislav Ivanovic (E) e Michael Essien (D) (Chelsea) Depois de ser dominado amplamente pelo Manchester United em três temporadas, o Campeonato Inglês mudou para as mãos do Chelsea, agora tetracampeão da competição. Todo ano, basicamente, Chelsea, Arsenal, Manchester United e mais algum clube brigam pelo título, dessa vez não foi diferente. Com a ausência do Liverpool no quadro dos quatro primeiros, o riquíssimo Manchester City tem a chance de brigar por uma vaga direta na Liga dos Campeões. Com um bom começo, os “sky blues” até conseguiram a proeza de bater no líder Chelsea, na 6ª rodada. O montante de jogadores contratados no período de dois anos parece estar fazendo efeito, pelo menos por agora. Com a integração de jogadores objetivos ao elenco, Roberto Mancini parece ter encontrado uma formação competitiva em relação a que montou no último ano. Mas a competição não se resume só ao G-4, também conta com a volta do Newcastle United à primeira divisão, após cair na temporada 2008/09. Foram promovidos além dos “magpies”, o Blackpool e o West Bromwich, que vive tran-

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sitando entre as duas principais divisões britânicas.

ram em campo nesta temporada.

Quem segue o caminho alvinegro do ´Castle rumo à despromoção é o Liverpool, que não conseguiu encontrar seu melhor futebol após a saída de Rafa Benítez, que é o novo treinador da Internazionale. Os “reds” da terra dos Beatles só conseguiram uma vitória até a sétima rodada, somando três empates e três derrotas. Com um elenco muito diferente, no papel as saídas de Javier Mascherano, Alberto Aquilani, Albert Riera e Yossi Benayoun não teriam tanto impacto se analisadas as chegadas de Christian Poulsen, Raul Meireles, Joe Cole e Steve Konchesky e Milan Jovanovic que parece ser um quinteto se não igual, talvez um pouco mais eficiente do que os quatro que deixaram o elenco.

Sofrendo do mesmo mal de não vencer, está o Everton, rival dos meninos vermelhos de Liverpool. Outra equipe que não se reforçou e segue com a mesma base da última temporada, com Tim Howard, John Heitinga, Leighton Baines, Diniyar Bilyaledtinov Mikel Arteta, Tim Cahill, Louis Saha, Marouane Fellaini e Steven Pienaar, também parecem eficientes à primeira vista, um atrativo para os jogadores virtuais. Beirando a zona da degola, os “toffees” continuam com David Moyes no comando. As chegadas de Jermaine Beckford, do Leeds United e Jan Mucha, do Legia Varsóvia, pouco adicionaram no coeficiente do time, visto que Beckford mal tem entrado e Mucha é apenas o goleiro reserva. Ao que tudo indica, os destaques pelo lado do Everton ficarão pelo uniforme “rosaperigón” e pelo cabelaço de Fellaini, que mais parece Gloria Gaynor em seus áureos tempos. Diga-se de passagem, o mega-hair do belga inspira a torcida do clube, que usa perucas imitando o visual do meia.

Entretanto, como nem tudo sai como os dirigentes querem, o novo treinador Roy Hodgson, ex-Fulham parece treinar um clube escocês, tamanha “burocracia” e falta de jogadas criativas. Ver o Liverpool jogar, exceto pelo uniforme, parece muito um Motherwell, um Hibernian ou até um St. Mirren. Mesmo com Steven Gerrard em boa forma, Fernando Torres e Dirk Kuyt aparentemente não entra-

Voltando ao topo da tabela, temos o Chelsea, novo time a ser batido no cenário mundial. Podemos resumir

esse início de temporada dos “blues” desta forma: Goleadas, golaços e liderança. Com pouquíssimos gols sofridos e praticamente o mesmo elenco que foi campeão inglês na temporada 2009/10, os londrinos só foram derrotados pelo City e atropelaram todo o resto, inclusive marcando 12 gols nos dois primeiros jogos. Fortíssimo candidato ao título, conta com a quase perfeita formação escalada por Carlo Ancelotti: Petr Cech, John Terry, Alex, Ashley Cole, Ivanovic, Michael Essien, Frank Lampard, Florent Malouda, Ramires, Didier Drogba e Nicolas Anelka. Desde o Manchester United de Cristiano Ronaldo, nenhum selecionado botava tanto medo nos oponentes quanto este atual do Chelsea. O Arsenal ganhou caras novas para esta nova disputa. Laurent Koscielny, exLorient e Sebastién Squillaci, ex-Sevilla compõem a zaga, com a ausência de Thomas Vermaelen e Marouane Chamakh chega para fortalecer o ataque, que perdeu Eduardo da Silva, contratado pelo Shakhtar Donetsk. Os três reforços já integram os titulares. Destaque também é Theo Walcott, que tem feito gols importantes e grandes jogadas. Tomas Rosicky se livrou das lesões e apresenta um bom futebol neste início. Outro que merece ser citado quando o assunto é craque, é Cesc Fàbregas, capitão dos “gunners”. Samir Nasri e Carlos Vela também são os outros integrantes da “realeza”, que se não tem brigado pela liderança, ao menos tem enchido os olhos da torcida. Por fim, o United sofre com a dependência em Wayne Rooney, que não tem sido tão decisivo como outrora. Poucas contratações, apenas Javier Hernandez, o “Chicharito”, Chris Smalling, zagueiro ex-Fulham e o atacante quase anônimo Bebé, ex-Vitória Guimarães, que é órfão e morou nas ruas por grande parte de sua infância e adolescência. Mesmo brigando pela ponta, a campanha dos “red devils” soa esquisita, irregular. Empates contra times relativamente fracos, isso para não falar na estréia da Liga dos Campeões, em que Sir Alex Ferguson escalou reservas para o jogo. Resultado: um empate magro que decepcionou a torcida. É importante salientar que o elenco de Ferguson não é ruim e nem médio, mas não impressiona.

Atenção para os jovens talentos do campeonato inglês Laurent Koscielny, zagueiro francês ex-Lorient promete evitar que a defesa do Arsenal seja penetrada nesta Premier League. Com bons desarmes e antecipações, o camisa 6 dos Gunners pode ser um dos novos destaques da competição. Bebé passou de morador de rua a jogador profissional de futebol em menos de dois anos. Chamou a atenção dos “red devils” para esta temporada e se tiver chances, pode chamar a sua também.

Javier Hernandez fez uma ótima Copa do Mundo pelo México e foi vendido pelo Chivas Guadalajara ao Manchester United. Rápido, bom finalizador e muito ágil nas armações de jogadas e tabelas, “Chicharito” pode ser o talismã do United em 2010/11.

Gael Kakuta gerou uma multa ao Chelsea em 2007 quando foi abordado para sua contratação, junto ao Lens, a FIFA considerou ilegal a transação feita pelo atleta. Com 16 anos, Kakuta já era procurado, tamanho futebol que vinha apresentando nas categorias de base. Ficou até 2010 nas equipes juvenis dos “blues” até enfim estrear na Premier League. Muitos dizem que é a nova estrela francesa no ataque.

Gareth Bale já não é só mais um garoto atrevido na lateral do Tottenham. 21 anos e titular dos Spurs desde 2008/09, o galês tem somado grandes atuações com belos gols e cruzamentos. Elemento surpresa nos ataques, promete ser ídolo no clube em pouco tempo. Sua semelhança com o astro dos videogames, Donkey Kong, também é constantemente citada pela internet. Revista Camisa 13

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Campeonato Italiano

Campeonato Italiano

Il Calcio ritorna

Por Guilherme Taniguchi

Samuel Eto´o promete muitos gols pela internazionale

O time ainda apresenta problemas no miolo de zaga - apesar de contar com o excelente zagueiro Antonio Chielini - e o ataque não inspira confiança.

nio Cassano e Gianpaolo Pazzini). Com isto, ela tenta repetir a brilhante campanha de 2009/10 e, quem sabe, alcançar novamente uma vaga na Champions.

Além dos candidatos ao título, a principal equipe na briga por uma vaga na Liga dos Campeões é a Roma. Mas para tristeza de seus tifosi, a equipe parece que não ter força para brigar pelo título como fez, mesmo que timidamente, nas temporadas anteriores. Seu grande reforço para a temporada é Adriano, uma incógnita que tentará recuperar seus melhores dias de “Imperador”.

A Fiorentina quer ter mais que um belo uniforme: quer voltar a ser um grande da Itália. Para a missão, trouxe um grande jogador: o meia Gaetano D’Agostino. Isso sem falar nos outros nomes como Stevan Jovetic, Alberto Gilardino e Adrian Mutu.

O principal feito da Sampdoria nesta temporada foi manter sua dupla ofensiva (os italianos Anto-

Jogadores brasileiros na Bota O povo italiano ama a arte. O país foi berço de gênios como Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rafael Sanzio. No futebol, não é diferente. Qual o país que produz

O novo Milan vem recheado de estrelas Peça para Mama preparar a Macarronada, pois a sobremesa está servida. O calcio está de volta. Será que algum clube é capaz de impedir o 19⁰ scudetto da Inter? Juventus e Milan se reforçaram para isto.

clubes. A azzurra, campeã da Copa do Mundo de 2006, não conseguiu repetir os feitos na Euro de 2008 e protagonizou um dos maiores vexames da história no Mundial de 2010.

Tida como melhor liga nacional em todo o globo nas décadas de 1980 e 1990, a Série A italiana passou por momentos conturbados nos anos 2000. Além de dívidas estratosféricas que, em alguns casos, culminaram na falência de clubes, Milan e Juventus, duas das três maiores equipes do país, não conseguiram se reencontrar desde que se envolveram nos escândalos de compra de resultados, nas temporadas de 2005 e 2006.

Com a queda dos bianco e rossoneri, a Itália viu o início de uma nova hegemonia em seu campeonato: a Internazionale. Atual pentacampeã, a Inter nadou de braçadas ante seus concorrentes nos títulos destas temporadas, sempre tendo somente a concorrência distante da Roma. A expectativa para a temporada 2010-2011 é que a Série A italiana volte a gozar seu status de uma das mais equilibradas ligas do mundo.

A fase negra não se limitou aos

A atual campeã Internazionale

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Principais candidatos ao título

manteve sua base e trouxe jovens revelações para seu elenco (como o promissor e habilidoso Phillipe Coutinho). Como grande força, a equipe continua a apostar na forte defesa. Mas será que a Inter sentirá saudades do trabalho do genial José Mourinho? Ou Rafa Benitez conseguirá guiar a equipe as vitórias? Com as contratações feitas nos “acréscimos” do prazo final do mercado europeu, o Milan deixou o papel de coadjuvante de lado para se tornar o principal rival da Inter pelo scudetto desta temporada. Porém, o time ainda apresenta problemas no setor defensivo, principalmente nas laterais. A Juventus foi a equipe que melhor se reforçou esta temporada, mas vem de uma pífia campanha.

os mais talentosos “pés-de-obra” do Planeta Bola? Os brasileiros. E não é a toa que os atletas canarinhos representem mais de 7% entre os inscritos que disputam o Calcio, totalizando 40 jogadores. A Itália é o país que abriga a maioria dos principais jogadores brasileiros. Em uma pequena brincadeira, somos capazes de montar um forte time verde e amarelo dos residentes italianos: Julio César; Maicon, Juan, Lúcio e Thiago Silva (improvisado); Thiago Motta, Hernanes, Phillipe Coutinho; Robinho, Pato e Ronaldinho. No banco, ainda haveria a presença de Adriano, Júlio Baptista, Mancini e Cicinho - todos eles com passagens recentes pela seleção brasileira.

Cinco motivos para assistir ao campeonato italiano Fã de celebridades alheias? As TVs italianas não cansam de mostrar as personalidades esportivas presentes aos estádios; Mulher com futebol é a combinação perfeita. Lembre-se que a maioria dos clubes italianos tem a pronuncia feminina;

Milos Krasic, o novo craque da Juventus

Os ultras (como são conhecidas todas as torcidas organizadas da Itália) são um dos grupos mais fanáticos da Europa e apóiam o time sempre; faça o mesmo; Os times italianos possuem as mais belas e clássicas camisas de futebol; É chegado em tatuagens? Este é seu campeonato, boa parte dos jogadores possuí “marcas” pelo corpo. Revista Camisa 13

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Campeonato Alemão

Campeonato Alemão

A liga mais rentável da europa Por Guilherme Taniguchi

Cinco motivos para assistir à Bundesliga

Raúl, do Schalke

Acompanhe o campeonato com a maior média de público da Europa e com taxa de ocupação de 89,9% dos estádios; destaque para a galera de Dortmund;

Schweinsteiger comemora gol com Butt, do Bayern

As bandinhas oficiais de cada clube são um atrativo à parte, com marchinhas e cantos magníficos; Sensação das duas últimas Copas do Mundo, a Alemanha tem a maioria dos seus principais jogadores atuando na Bundesliga;

Andreas Beck, jovem capitão do Hoffenheim

Na Alemanha você pode tomar cerveja quente, sem parecer careta; Até a presente rodada, pudemos constatar que a média de gols está elevadíssima na temporada 2010/11. Principal economia do continente europeu, a Alemanha repete este desempenho administrativo também no futebol: A Bundesliga teve a maior média de público dos campeonatos europeus, 42.8 mil espectadores por partida. Sendo que a segunda colocada, a liga inglesa, teve uma média de público de 34 mil por jogo. E ela é a liga com maior rentabilidade econômica dentre os principais campeonatos do velho continente, +2% na temporada de 2009/10, seguida pela liga francesa.

1996/97. Sendo que a Alemanha é a quarta colocada no ranking de maiores vencedores do principal campeonato de clubes do mundo. Mudança de Perfil

A Alemanha sempre teve grandes formados na sua base, e em alguns casos chegando a exportar suas principais estrelas para clubes de maiores dos principais centros europeus, como por exemplo Lothar Matthaus e Jürgen Klinsmann para a Internazionale da Itália, e mais recentemente Mas, por este “senso econômico” Michael Ballack para o Chelsea da que domina o pensamento na Inglaterra. Alemanha, seus clubes não conseguem ter os mesmos destaques Porém, vemos uma mudança de citados, dentro de campo. São mentalidade nesta temporada, a apenas 6 conquistas na história vinda de gigantes do futebol munda Liga dos Campeões da Europa, dial como Raúl Gonzalez (contratdistribuídas entre 3 equipes, Bay- ado pelo Schalke 04), Ruud Van ern de Munique: 1973/74, 1974/75, Nistelrooy (vindo no início do ano 1975/76 e 2000/01; Hamburgo: para o Hamburgo), Diego (prin1982/83 e Borussia Dortmund: cipal reforço do Wolfsburg), a 19 Revista Camisa 13

volta do próprio Ballack (capitão da Alemanha retornou ao Bayern Leverkusen) não são contratações habituais pelos clubes germânicos. Estas contratações visam dar um calibre internacional que falta aos times da Alemanha, por mais que não sejam capazes de conduzir sozinhos seus times a conquistas, eles serão de extrema importância no sucesso de suas equipes na temporada. Destaque negativo da janela de contratações da Europa fica por conta da perda das sensações da Copa do Mundo da África, Mesut Özil e Sami Khedira que rumaram para o Real Madrid. Os “titãs” germânicos Nenhum clube alemão parece ser capaz de impedir o 23⁰ título do Bayern de Munique. Como em

todo o ano, o único e principal candidato a erguer a salva de prata é o time bávaro. Além de manter o elenco vice campeão europeu da última temporada, o time Bayern trouxe de volta a revelação do último campeonato Toni Kroos.

elenco que tenha.

Com a maior torcida da Alemanha, o Schalke 04 volta a ter motivos para sorrir esta temporada, sem conquistar o campeonato desde 1958, a equipe contratou Raúl e Klaas-Jan Huntelaar como reforço Campeão da temporada 2008/09, ao ataque, o começo ainda é teno Wolfsburg é um dos destaques ebroso para os “azuis reais”, que desta temporada, o time possui não se acertam com o comando um excelente conjunto e a prin- de Felix Magath. cipal dupla ofensiva da Alemanha (Grafite e Edin Džeko) que serão O Hoffenheim, surpreendenmuniciados pelo brasileiro Diego. te campeão do primeiro turno Principal baixa da equipe foi a saí- da temporada 08/09, manteve da do bósnio Zvjesdan Misimovic grande parte de sua base, com para o Galatasaray. a exceção de Carlos Eduardo, que foi para o Dinamo Moscou. O Hamburgo contará mais uma Andreas Beck, lateral, capitão e temporada com a genialidade de referência no time, sempre está Zé Roberto e com o faro de mata- nas convocações de Joachim dor de Nistelrooy para buscar um Low na “Nationalelf”. É um dos lugar ao sol nesta temporada. candidatos à vaga na Liga dos O ponto forte do time é a regu- Campeões. laridade. O time sempre fica na metade da tabela, não importa o Falando em surpresa, por que

não falar do Mainz? O clube da simpática cidade homônima assustou os fanáticos por futebol e encarou de igual para igual os titãs alemães. É óbvio que a temporada ainda está no início e os vermelhos podem muito bem ser “cavalos paraguaios”, mas com sete jogos e sete vitórias, no mínimo uma salva de palmas eles merecem. Encerrando, o Dortmund. Se os amarelos não possuem a maior torcida da Alemanha, certamente eles podem dizer que são a mais presente. O Borussia mantém o recorde de maior média de público da Europa, com cerca de 75 mil pessoas por jogo na Signal Iduna Arena, mais conhecida como Westfalen. O time conta com muitos jovens talentos da base alemã, além de Lucas Barrios, Shinji Kagawa e o arisco meia turco Nuri Sahin. Sebastian Kehl segue firme como capitão. Revista Camisa 13

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Campeonato Holandês

Campeonato Holandês

Domínio ameaçado Por Caio Dellagiustina

time. Denny Landzaat chega para reforçar o meio campo. Douglas, zagueiro brasileiro que começou no Joinville é um dos grandes nomes da equipe. Seu sucesso na Holanda é tanto que se cogitou a sua naturalização para o país-baixo. Utrecht: Mais um time onde o destaque é o goleiro. Michel Vorm foi reserva de Stekelenburg na Copa do Mundo. Na zaga quem garante a segurança é o zagueiro Jan Wuytens.

Luis Suárez Ola Toivonen Os últimos anos não reservaram muitas coisas boas para Ajax e PSV. A dupla perdeu espaço no cenário local nos dois anos que se passaram. AZ Alkmaar e Twente, respectivamente quebraram a hegemonia dos dois que já durava desde a temporada 1999/2000. Ajax e PSV são os dois maiores vencedores do campeonato holandês. Historicamente, o Campeonato Holandês é disputado desde a temporada 1890/1891, mas como amador. Profissionalmente, desde 1954/1955. Não demorou para a Liga adotar o formato atual em 1956/1957, tendo como primeiro campeão o Ajax. Hoje em dia a competição se chama Eredivisie, que significa “divisão honorária”, tem como seu maior vencedor o Ajax, com 29 títulos. Os “Godenzonen” venceram seu último troféu na temporada 2003/2004. O PSV vem logo atrás em número de conquistas, com 21. O Feyenoord triunfou em 14 oportunidades. O maior artilheiro do Holandês é Willy van der Kuijlen, marcando 311 gols em 545 jogos. Ele jogou durante 17 anos no PSV e encerrou a carreira no MVV no ano de 1982, além de ter sido artilheiro da Eredivisie nas temporadas 1965/66,

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Jon-Dahl Tomasson 1969/70 e 1973/74. Em 2010, são 18 times que participam do principal campeonato da Holanda. São eles: ADO Den Haag, Ajax, AZ Alkmaar, Excelsior, Groningen, Twente, Utrecht, Feyenoord, De Graafschap, Heracles, NAC Breda, NEC, PSV, Roda JC, Heerenveen, Vitesse, VVV Venlo e Willem II. O campeão tem vaga direta para a Liga dos Campeões. Do segundo ao quinto colocado, é disputado um playoff no qual o campeão tem vaga na terceira fase preliminar da competição supracitada. Do sexto ao nono colocado, também é disputado um playoff, mas este garante apenas uma vaga na Liga Europa. Confira os destaques das dezoito equipes da Eredivisie:

Para terminar, Mounir El Hamdaoui foi contratado para ajudar Suárez no ataque. AZ Alkmaar: Sérgio Romero, goleiro argentino passou a ter confiança e agora está mais seguro, o meia Brett Holman, jogou a Copa do Mundo pela seleção australiana, Graziano Pellè, italiano que só lembra no nome o Rei do futebol. O brasileiro Jonathas, ex-jogador do Cruzeiro, espera ter mais oportunidades nessa temporada. Excelsior: Cees Paauwe é um bom goleiro; o jovem Roland Bergkamp é destaque não só pelo nome, mas pelo que já fez na última temporada. No entanto, não se pode esperar muito de um time que tem sete jogadores emprestados pelo Feyenoord.

ADO Den Haag: Dmitri Bulykin, atacante que já jogou no Bayer Leverkusen e Aleksandar Radosavljevic, meia esloveno que jogou a Copa do Mundo de 2010.

Groningen: O goleiro brasileiro Luciano da Silva, que desde os vinte anos joga na Holanda, Tim Matavz, atacante esloveno que disputou a Copa do Mundo e o zagueiro sueco Andreas Granqvist.

Ajax: Luis Suárez, artilheiro da última temporada é o grande craque da equipe, Siem de Jong surge como grande promessa no clube e o goleiro Mark Stekelenburg é a segurança da defesa.

Twente: Sander Boschker, goleiro que foi para a Copa do Mundo e o atacante Bryan Ruiz, costarriquenho que quase saiu do time devido ao grande interesse de grandes clubes são os pilares do

Feyenoord: Jon-Dahl Tomasson, o atacante que é o maior artilheiro da seleção dinamarquesa também é a esperança de gols. Na defesa Ron Vlaar, que jogou a Copa do Mundo, é a segurança na defesa, juntamente com o brasileiro André Bahia. Darley é o outro brasileiro do elenco o jovem goleiro é companheiro do também goleiro Rob Van Dijk que é o jogador mais velho do campeonato com 41 anos. De Graafschap: O atacante belga Steve de Ridder é o goleador do time e o meia Rogier Meijer são os principais craques da equipe azul e branca. Heracles: No time de Almelo, poucos jogadores se destacam. Mas entre eles

está o atacante brasileiro Evérton, que jogou no antigo Grêmio Barueri e já está no Heracles há cinco anos. NAC Breda: O NAC tem como destaques, o experiente meia finlandês Joonas Kolkka, que já jogou na Alemanha e na Inglaterra. No ataque, os destaques são o ganês Matthew Amoah, que já passou pelo Borussia Dortmund e o brasileiro Leonardo, que iniciou sua carreira na Holanda aos 17 anos. Já passou por Feyenoord e Ajax. NEC Nijmegen: O goleirão húngaro Gabor Babos leva a faixa de capitão, enquanto o meia dinamarquês Lasse Schøne e o atacante belga Thomas Chatelle, ex-Anderlecht assumem as responsabilidades da equipe. PSV: Ola Toivonen é o artilheiro do campeonato holandês até o momento, Marcus Berg chegou do Hamburgo marcando muitos gols. Esses suecos no ataque e Orlando Engelaar comandando o meio campo são as esperanças para o time de Eindhoven voltar ao título. O goleiro Cássio ex-Grêmio, o zagueiro Marcelo ex-Santos e o atacante Jonathan Reis ex-Tupi são os brasileiros no elenco.

Cinco motivos para acompanhar o Campeonato Holandês

Roda JC: Um time recheado de belgas, mas nenhum deles com muito destaque. Os grandes jogadores do time de Kerkrade. Quem pode resolver alguma coisa nesse time é o atacante Anouar Hadouir e os meias Boldizsár Bodor e Eric Addo. Heerenveen: O time dos corações, já foi a casa onde Afonso Alves fez seu nome. Hoje pouca gente nesse time é capaz de decidir. O jovem atacante Roy Beerens e o meia finlandês Mika Väyrynen podem fazer a diferença. VVV Venlo: Um time muito jovem que não tem muitos destaques. Os principais são Ruud Boymans, atacante holandês, e os meias Balazs Tóth e Ken Leemans. Vitesse: Depois da chegada dos sérvios Nemanja Matic e Slobodan Rajkovic, vindos do Chelsea, reforçaram o bom elenco. Outros jogadores com destaque nesse time são o esloveno Dalibor Stevanovic e o atacante sueco Lasse Nilsson. Willem II: Um time sem muitas estrelas, que depende dos jogadores que vieram emprestados de Ajax e PSV. Van der Heiden e Lars Hutten são as esperanças do time de Tilburg.

Bryan Ruiz

Na Holanda tudo é liberado. O futebol parece ser a única coisa organizada e rígida no país. Quem gosta de ervas medicinais, adora o campeonato dos laranjas. Mas, não faremos apologia à maconha aqui também. Se não fizemos nem de vodca... As torcedoras dos dezoito clubes são quase 50% do espetáculo. Já disse que tudo no país é liberado? O que eu estava dizendo mesmo? Bem...deixa pra lá.

Sergio Romero

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Campeonato Português

Campeonato Francês

O previsível campeonato lusitano Por Kallil Dib

João Moutinho, aposta do Porto para retomar o sucesso de temporadas anteriores

“Tecnicamente fraco”, esse é o rotulo que podemos dar ao campeonato português, a temporada começa com algumas certezas. Afirmar que o título vai ficar entre Sporting de Lisboa, Porto, o atual vencedor Benfica e o vicecampeão da temporada passada Sporting Braga, não é nenhuma novidade. O campeonato português começou com uma média inusitada, segundo o site “Mais Futebol” nas primeiras quatro rodadas apenas 40% dos jogadores que entraram em campo são lusitanos, no jogo entre Braga e Marítimo somente três portugueses jogaram. O Porto tenta fazer boa campanha e esquecer o desempenho da temporada passada, onde terminou a competição em terceiro lugar com 68 pontos, atrás do Sport23 Revista Camisa 13

Futebol e petit-gateau

Por Kallil Dib

Nenê, contratado junto ao Monaco, segue fazendo gols no PSG

ing Braga, que marcou 71 e do campeão Benfica, que fez 76. Nas quatro primeiras partidas desse ano os portistas conseguiram 100 % de aproveitamento, animando sua torcida. O maior reforço para 2010/11 é a chegada do meia João Moutinho, que foi lançado pelo Sporting Lisboa.

brasileiro naturalizado português Liedson impõe respeito aos adversários. Marco Torsiglieri foi contratado para a defesa e Alberto Zapater veio da Genoa para fortalecer o meio-campo.

Atual campeão, o forte Benfica vem com tudo para conquistar o bi campeonato, apesar da saída O Sporting Braga quer manter a de Ramires, transferido para a Inregularidade no campeonato e glaterra. terminar bem novamente, classificado para a Liga dos Campeões, O time recheado de brasileiros o time do ex-goleiro corintiano Fe- não perdeu a força. Atletas como lipe tenta o título da competição os argentinos Pablo Aimar e Jacom uma legião de brasileiros, 16 vier Saviola, além da ótima dupla ao todo. de zaga brasileira David Luiz e Luisão, dão uma boa consistência a Tentando se manter entre as equipe em busca do seu 33º título principais equipes da Europa o do campeonato Português. NicoSporting de Lisboa, tem um bom lás Gaitán e Eduardo Salvio chegelenco, com jogadores de nível aram à Lisboa e podem dar uma internacional. A dupla de ataque maior consistência ao elenco, reformada por Helder Postiga e o cheado de estrangeiros.

O Campeonato Francês começou equilibrado, diferente dos últimos anos onde o Olympique de Lyon até a temporada de 2007 ganhou tudo o que disputou em território nacional. Na última temporada o Olympique de Marseille foi absoluto, sagrando-se campeão da Copa da Liga e do Campeonato Francês o que não acontecia há 18 anos, o time de Marseille não começou muito bem a competição com dois empates duas derrotas, mas a classificação para uma das ligas européias deve acontecer sem dificuldade. Nesse ano o torneio começou disputado e o equilíbrio se destaca desde as primeiras rodadas, o Saint Etiénne é um dos times que tentam se manter nas primeiras colocações, começou bem com quatro vitórias em seis jogos, na estréia perdeu para o tradicional PSG. A esperança do time de Paris fazer uma boa campanha esta em dois dos seus principais jogadores, o capitão Claude Makelélé

e o experiente atacante Ludovic não mostra força nesse ano, nas Giuly. No ano passado o time ter- primeiras seis partidas foram minou a competição amargando quatro derrotas e dois empates. a 13ª posição. O Lyon terminou na segunda Já o Toulouse entra na com- colocação a última temporada, petição visando uma vaga na Liga mas nessa edição o começo não dos Campeões e jogando em seus foi empolgante, jogando tudo na domínios é um time “enjoado” de Liga dos Campeões o time em ser batido. Detalhe o uniforme seis partidas conquistou apenas roxo e branco é totalmente fash- uma vitória. Mas com o elenco que tem a equipe pode almejar ion. algo mais no campeonato, já que O Bordeaux que venceu a Copa da os adversários não são tão poderLiga na temporada 2008/09, busca osos, o ex lateral esquerdo da uma classificação para a “Champi- seleção brasileira, Michel Bastos ons”, o atacante brasileiro Jussiê é é meia-atacante no time francês. uma das principais esperanças da Ele e o eficiente argentino Lisanequipe. O começo não foi bom, dro López são referências no time com três derrotas e um empate o e esperanças de gol pelos lados do clube amarga a zona de rebaixa- heptacampeão. mento, mas com um gol no fim da partida os “Girondins de Bor- Os três primeiros colocados se deaux” ganharam do Lyon e de- classificam para a disputa da Liga ixaram as últimas colocações. dos Campeões, enquanto o quarto disputa na temporada seguinte Entre os times franceses que dis- a Liga Europa. Não devem aconputam a maior competição de tecer surpresas na classificação clubes do mundo está o Auxerre, final, diferente da última edição desconhecido internacional- do campeonato que Auxerre e mente o time já ganhou o francês Lille terminaram entre os quatro na temporada 1995/1996, mas primeiros, contrariando os crítifocado na competição européia cos que não apostavam no feito. Revista Camisa 13

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Campeonato Russo

Campeonato Russo

18 anos de futebol no kremlin Por Felipe Portes

Cinco motivos para assistir ao Russão

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Vágner Love

Jogadores de Spartak Moscou e Zenit em duelo no ano de 2009

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Desde 1992, os clubes russos possuem o seu próprio campeonato, à parte dos ucranianos, bielo-russos, geórgios, entre outros. O certame passou a ser chamado de Premier League em 2001. Atualmente, o sistema é de pontos corridos, exatamente como na maioria dos países europeus. O calendário é que não bate, visto que a competição acontece de Janeiro a Dezembro. Na edição de 2010, temos 16 participantes, sendo eles: Alania Vladikavkaz, Amkar Perm, Anzhi Makhachkala, CSKA Moscow, Dynamo Moscow, Rostov, Krylia Sovetov, Lokomotiv Moscow, Rubin Kazan, Saturn Moscow Oblast, Sibir Novosibirsk, Spartak Moscow, Spartak Nalchik, Terek Grozny, Tom Tomsk e Zenit St. Petersburgo. O Spartak Moscow é o maior vencedor do torneio, com nove títulos. Ganharia tudo por quase uma década, se o Alania não tivesse sido o campeão de 1995. Até o ano de 2001, a equipe de Alex, Ibson e Welliton era o bicho papão. Eis que o Lokomotiv, seu rival local, levou o caneco em 2002, para acabar com a festa espartaquiana. Desde então, nunca mais o Spartak conseguiu vencer. Com menos títulos, estão o CSKA, com três conquistas (2003, 2005, 2006), o Lokomotiv (2002, 2004) e o Rubin Kazan com duas (2008, 2009), o Alania (1995) e o Zenit, com uma (2007).

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Oleg Veretennikov foi o maior goleaor de todas as 18 edições. Marcou 143 tentos e foi artilheiro em três oportunidades, jogando no Rotor Volgograd em grande parte de sua carreira. O Rotor foi duas vezes vice-campeão da Premier League russa nesse período. Em questão de jogos, o atleta que mais teve participações foi Dmitri Loskov, que ainda joga pelo Lokomotiv, após ter passado alguns anos no Saturn Moscow. O Russão costuma ser conhecido em terras brasileiras como aquele campeonato chato e principalmente pela região territorial ser extremamente fria. Foi-se o tempo que as equipes soviéticas eram simples aproveitadores das condições climáticas. O investimento no futebol do país é cada vez maior, como no Zenit, que conta com o patrocínio de uma grande empresa do ramo de gás (a mesma empresa que patrocina o Schalke 04 da Alemanha). Em questão de competições europeias , o Spartak Moscou e o Rubin Kazan estão disputando a fase de grupos da Liga dos Campeões. Já o CSKA e o Zenit encaram o longo e árduo caminho da Liga Europa, com seus zilhões de grupos e infinitos times. Vale lembrar que os dois únicos clubes soviéticos a conquistarem alguma copa continental, são justamente o Zenit e o CSKA, campeões da extinta Copa Uefa.

Nunca é tarde para aprender a pronunciar nomes de cidades maravilhosas, como Vladikavkaz, Novosibirsk e Makhachkala, e de jogadores como Aleksandr Kerzhakov, Vasiliy Berezutskiy, Sergey Ignashevich, Aleksandr Sheshukov, Sergey Parshivlyuk, entre outros. Você pode se gabar de ser o único cara da turma que sabe alguma coisa sobre futebol na Rússia. Junte isso com a pronúncia no item anterior e seja feliz. Na Rússia, o Campeonato assiste você! (Reversal Russa sobre a Primeira Divisão nacional.) Prestigie a terra de Maria Sharapova, Anna Kournikova e Eduard Khil (mais conhecido como Trololó Man, na internet). Se você é chegado numa vodka, as rodadas do Russão são um ótimo pretexto social para juntar seus amigos que não sabem nada sobre a Liga. No entanto, não faremos apologia e nem propaganda dessa bebida nesta revista.

1 - Savin, do Krylya e Kolodin, do Dinamo disputam lance em 2010, 2- Jogo entre Rubin Kazan e Lokomotiv 3- Aliev, do Lokomotiv As estrelas do Russão Zenit: Bruno Alves e Fernando Meira, que fazem da porrada uma arte; Danny, o português malandro e bom de bola; e Danko Lazovic, matador sérvio que adora uma encenação. O titular da seleção russa, Aleksandr Kerzhakov, completa um bom elenco por parte dos campeões da Copa Uefa 2007/08. Rubin Kazan: Sergei Semak, meia veloz; Carlos Eduardo, selecionável e recémchegado ao clube da Tartária; e Obafemi Martins, estrela nigeriana. CSKA: Zoran Tosic, jovem joia da seleção sérvia; Vágner Love, artilheiro em território soviético; Igor Akinfeev, monstro da meta moscovita; e Mark González e Keisuke Honda, que foram à última Copa e fizeram bonito. Spartak: O trio brasileiro Ibson, Alex e Welliton, os irmãos ex-Dinamo Moscou Kirill e Dmitri Kombarov, sem falar em Ivan Saenko, titular na campanha surpreendente dos russos na Euro-2008. Lokomotiv: O goleiro Guilherme se mostrou seguro e Rodolfo, o zagueiro, já é lenda no clube e capitão. Dmitri Loskov, Dmitry Torbinskiy, Wagner e Peter

Odemwingie são outros nomes notáveis na equipe.

sua graça em clubes como o Corinthians, Portuguesa e Sport do Recife.

Dinamo: Conta com poucos, mas bons nomes. Denis Kolodin na zaga, Igor Semshov na meia e Kevin Kuranyi e Andriy Voronin na frente. Fora isso, nada de especial ou espetacular num time que já teve Lev Yashin na meta.

Rostov: O norte-coreano Hong Yong-Jo, capitão de sua pátria na Copa de 2010 faz as vezes de ícone do Rostov, alinhado com Roman Adamov, que foi emprestado ao clube pelo Rubin Kazan.

Alania: Pouquíssimos jogadores que podem ser considerados como estrelas. O meia romeno Gheorghe Florescu e o capitão Jambulad Bazayev são destaques do clube campeão russo de 1995.

Sibir: Vindo da Segundona e classificado para a Liga Europa, o time da Sibéria conta com Egor Filipenko, zagueirão emprestado pelo Spartak Moscow.

Krylya: O homem de área Yevgeni Savin, o meia bielo-russo Denis Kovba e o zagueirão Ivan Taranov são nomes de mais peso em relação ao restante do elenco do time de Samara.

Tom Tomsk: Kim Nam-Il, norte-coreano selecionável; Serghei Covalciuc, moldavo que jogou durante muito tempo no Spartak Moscow e o recém-contratado junto ao Grenoble, Daisuke Matsui, meia japonês talentoso que disputou a última Copa.

Saturn: Zelão, o mítico xerife ex-Corinthians agora bota ordem na cozinha do Saturn. Ivan Topic é o encarregado de fazer gols e Denis Boyarintsev é um dos homens de criação.

Anzhi: O maior destaque do clube, é o fato de carregar o nome da cidade de Makhachkala. Dentro do campo, o tcheco Jan Holenda, ex-Sparta Praga, é a peça-chave.

Terek: Maurício, ex-meia do Fluminense é o cara do time da Chechênia. Juntamente com ele, “astros” como o capitão Shamil Lakhiyalov e o “Garrincha boliviano” Juan Carlos Arce, que já deu o ar de

Amkar: Sem quase nenhum nome relevante, vamos de Vitaliy Fedoriv, zagueiro ucraniano ex-Dinamo Kiev; e o atacante japa Seiichiro Maki, que disputou a Copa de 2006.

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Campeonato Espanhol

Campeonato Espanhol

Será que esse já tem dono? Por Kallil DIb

Cinco motivos para assistir ao espanhol

Bom negócio é assistir as transmissões da TV espanhola, de preferência as que a repórter Sara Carbonero -namorada de Iker Casilllas- aparece. Que grande parte do Barcelona é a base da seleção nacional, você já sabe. Que eles jogam bonito, também. Agora, se vão ganhar algo este ano, só vai descobrir se assistir. O Hércules tem nome e principais características do besouro homônimo. (pequeno e aguenta carregar um peso infinitamente superior do que o próprio) Promete dar trabalho nesta temporada. Sami Khedira e Mesut Özil prometem unir o excelente meio-campo alemão, terceiro colocado na última Copa, com a velocidade de Cristiano Ronaldo e a maestria de Kaká. Receita de bom futebol, no mínimo. Precisa dizer que é o futebol campeão do mundo?

Já virou clichê, Real Madrid e Barcelona são as equipes favoritas ao título dessa temporada, pois é... Desde 2004 os torcedores do campeonato espanhol sabem qual vai ser a disputa final; depois do titulo do Valencia na temporada 2003/04 as duas maiores equipes da Espanha se alternam na conquista do campeonato. Nos últimos seis anos a equipe catalã levou o caneco quatro vezes, contra duas do rival madrilenho e nessa temporada não deve ser diferente. Analisando as 20 equipes que disputam o torneio não é difícil fazer previsões. Os sempre regulares Atlético de Madrid e Valencia começaram bem o campeonato, mas uma classificação para a Liga dos Campeões já esta de bom tamanho. A equipe de Valencia perdeu “metade” do time com a saída dos dois principais jogadores da equipe nos últimos anos, David Silva que foi jogar no Manchester City e David Villa que reforçou o Barcelona. Na falta das estrelas, alguns jogadores começam a brilhar, como o meia Joaquín

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Sanchez, por exemplo, já foi apontado por muitos um dos melhores de sua posição mas não vive boa fase, tem a chance de voltar a ser o belo jogador de quando surgiu no Real Betis. Logo na primeira rodada, ele marcou dois gols na vitoria do seu time, fora de casa, contra o Málaga. O Atlético de Madrid vem com moral para a disputa da “liga das estrelas”, depois de ganhar a Liga Europa e a Supercopa Européia. O time comandado pela eficiente dupla de ataque, Diego Forlán e Sérgio Aguero almeja algo a mais nesse campeonato. O melhor jogador da Copa do Mundo de 2010, Forlán é a peça chave do time, seus importantes gols podem ajudar o Atlético a buscar uma vaga entre os quatro primeiros colocados. Mallorca, Racing, Levante, Almeria, Sporting de Gijón, Getafe e Osasuna, são meros coadjuvantes na tabela do Espanhol. Com um péssimo time e uma desorganização total, o Levante é o saco de pancadas e sério candidato a retornar à Segunda Divisão espanhola na próxima

temporada. O que se vê no sempre previsível Sevilla, é que ele vem para conquistar uma vaga na Liga Europa com um time regular e fácil de ser batido. Na frente, Luís Fabiano, Frederic Kanouté e Jesús Navas fazem boas partidas, mas a desentrosada defesa e um goleiro “brincalhão” como Andrés Palop não permitem ao time da Andaluzia ter alguma chance de título. O Zaragoza, time do brasileiro e expalmeirense Edmilson, fez um jogo diferente contra o Málaga na segunda rodada, numa partida de oito gols. No entanto, acabou perdendo em casa por 5 a 3, para a decepção de seus torcedores. Ambas as equipes devem ficar na zona intermediária da tabela. O atacante Nilmar conquistou seu lugar definitivo na equipe titular do Villarreal, que em casa é um time enjoado e difícil de ser batido; o ataque é rápido e fazedor de gols, contando ainda com o italiano Giuseppe Rossi. O desempenho deste “duo dinâmico” pode ser fatalmente afe-

tado se Nilmar sofrer alguma contusão ao longo da temporada. O “Submarino Amarelo” tem chances de brigar até por uma vaga na Liga dos Campeões. Já o Deportivo La Coruña, Espanyol, Athletic Bilbao e o Real Sociedad são times que sempre fazem o mesmo papel: brigam pra não cair e tiram pontos importantes dos grandes. Um time em especial, é cercado de grandes expectativas para a temporada. O desconhecido Hércules, da cidade de Alicante, investiu bem para trazer jogadores importantes no cenário europeu, como os atacantes Nelson Valdéz (que defendia o Borussia Dortmund da Alemanha) e David Trezeguet ex-Juventus, além do lateral holandês Royston Drenthe, (contratado junto ao Real Madrid) são as principais contratações do clube. Podemos dizer que no papel é uma equipe bem montada que chega quietinha, mas impressiona. Foi assim na segunda rodada, quando conquistou uma surpreendente vitória sobre o todo podero-

so Barcelona em pleno Camp Nou. O primeiro objetivo do Hércules é se manter na primeira divisão, mas os torcedores estão otimistas com as contratações realizadas, o que custa sonhar com uma Liga Europa? Não fugindo do prognóstico inicial, as duas maiores equipes espanholas vão brigar pelo título. O sempre galáctico Real Madrid tenta fazer jus ao apelido nessa temporada e quebrar a seqüência de conquistas do seu maior rival. Para isso, ótimas contratações foram feitas. Chegaram a Madrid o renomado técnico português José Mourinho; os meio campistas alemães Sami Khedira e Mesut Özil, além do ótimo argentino Ángel Di María. Apesar da contusão de Kaká, os merengues prometem não decepcionar esse ano. Mourinho conta com um time e tanto nas mãos, basta saber montar uma equipe eficiente. Fechando os onze iniciais, o ataque badalado (até demais) com Cristiano Ronaldo, Karim Benzema

e Gonzalo Higuaín sabem qual é o caminho das redes. Será que dessa vez vai? O Barça, por outro lado, tem uma equipe muito bem entrosada, experiente e acostumada a vencer. A direção optou por não fazer muitas contratações, mas quando abriu o caixa apostou em nomes muito eficientes, como o lateral brasileiro Adriano ex-Sevilla, (ótimo no apoio e se encaixa bem ao estilo de jogo do time); Javier Mascherano, ex-Liverpool, um volante marcador e bom de fazer faltas, que ainda tem de se adaptar ao futebol espanhol, e por fim David Villa, que desembarca em Barcelona como a principal contratação, ídolo espanhol que foi titular e artilheiro da equipe campeã mundial na África do Sul. Victor Valdés, Gerard Piqué, Carles Puyol, Dani Alves, Adriano, Javier Mascherano, Eric Abidal, Xavi Hernández, Andrés Iniesta, Lionel Messi e David Villa formam o esquadrão “blaugrana” para 2010/2011. Ao que tudo indica, os comandados de Mourinho podem ir tirando o cavalinho da chuva, pois este título nacional já tem dono.

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dinheiro na mão é vendaval

Apenas uma parte dos jogadores contratados pelo Manchester City na temporada 2010/11: Aleksandr Kolarov, David Silva, Yaya Touré e Jerome Boateng Em 130 anos de história, o Manchester City é tão tradicional quanto instável. Duas vezes campeão inglês (1936/37 e 1967/68), quatro vezes campeão da Copa da Inglaterra (1904, 1934, 1956 e 1969),duas da Copa da Liga Inglesa (1970-1976) e campeão da Recopa Europeia (1969/70), o clube que nutre a maior rivalidade com o Manchester United já venceu sete vezes a Segundona. É isso mesmo! Sete vezes! Dos clubes que disputam a Premier League, e são considerados grandes, só fica à frente do Liverpool, que, mesmo com os vários títulos europeus e domésticos, já amargou o rebaixamento por cinco oportunidades. Mesmo sendo este time “transitório”, o City teve grandes nomes em seu elenco, como o mítico atacante escocês Denis Law, herói e algoz dos dois times de Manchester, tendo, na temporada 1962/63, pelo United, marcado o gol que rebaixou o rival. Não contente em ser marcado 29

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por isso, Law fez a mesma proeza Fowler, Trevor Sinclair e Steve Mcem 1973/74, rebaixando os Reds. Nanaman passavam pelo elenco, havia uma deterioração nos basPassado este período, o time tidores e na estrutura do City. No venceu mais um Campeonato In- ano de 2006, uma ruptura marcou glês, na temporada de 1967/68, e, a história do clube. como último triunfo antes da fase de decadência, a Copa da Liga In- Beirando a falência e lutando para glesa, em 1976. Conforme os anos evitar uma nova queda para a Sepassavam, a equipe se consoli- gundona, a figura do ex-primeiro dava cada vez mais como média ministro tailandês, Thaksin Shiem relação às outras que disputa- nawatra, adquire todos os direitos vam as principais competições. do clube e dá vida nova ao “primo Colin Bell, Mike Summerbee, Alan pobre do United”, como era conOakes, Joe Corrigan e Kazimierz hecido na época. Um grande conDeyna foram os principais nomes tingente de jogadores chegava, do clube neste período dos anos por ainda maiores quantias de 1970/80. Dois rebaixamentos na dinheiro, como Elano, Giovanni, década de 1980 diziam aos torce- Rolando Bianchi e Georgios Sadores que dificilmente aqueles maras. Para quem estava carente tempos de glória voltariam. O úl- de nomes para idolatrar, ou libras timo rebaixamento seria na tem- para se gabar, até que o City esporada de 2000/01. Os ídolos es- tava bem. Os altos valores de netavam cada vez mais escassos. gociação já não eram novidade para o público e imprensa inglePior do que os descensos foi a ses, já que desde 2004 o Chelsea, situação financeira medíocre em de Roman Abramovich, também que os “blues” se encontraram. abria os cofres sem medo. Enquanto David Seaman, Nicolas Anelka, Paul Bosvelt, Robbie A tendência de gastar o quanto Revista Camisa 13

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dinheiro na mão é vendaval A extensa lista de gastos do City em apenas duas temporadas

La Masia: A fantástica fábrica de craques

*Em libras (£) Jogador/ Valor/ Ex-clube Agosto/08 Jô - £19m – CSKA Moscou-RUS Tal Ben Haim - £5m – Chelsea-ING Vincent Kompany - £6m – HamburgoALE Shaun Wright-Phillips - £10m – Chelsea-ING Pablo Zabaleta - £6.45m – EspanyolESP Robinho - £32.5m – Real Madrid-ESP

Yaya Touré, uma das novas caras nos “sky blues” podia foi aumentando até que Shinawatra resolveu passar a tocha para um outro investidor, após fracassos significativos na tabela da Premier League. O novo mandatário seria Mansour bin Zayed bin Sultan Al Nahyan, sheik dos Emirados Árabes, que chegou em setembro de 2008. De pronto, uma enorme contratação: €40 milhões por Robinho, que estava no Real Madrid. Craig Bellamy, Vincent Kompany, Shaun Wright-Phillips, que retornava ao time após passagem pelo Chelsea, eram alguns dos nomes que “pipocavam” entre as transferências realizadas pelo sheik gastão. Na última rodada da temporada 2009/10, perdeu a vaga na Liga dos Campeões para o Tottenham, selando mais uma temporada decepcionante para os torcedores. A solução? Mais injeção de grana. Somente no ano de 2010, chegaram Patrick Vieira, Adam Johnson, Jerôme Boateng, David Silva, Yaya Touré, James Milner, Mario Balotelli e Aleksandr Kolarov, nas 31 Revista Camisa 13

janelas de janeiro e agosto. O que mais se pergunta a respeito do City é se tantas chegadas não vão minar o entrosamento do plantel. Como pode se entender em campo um grupo que sempre muda de cinco a 10 peças por ano? Em outros casos como este, o fiasco foi o adjetivo mais cabível. Quem não se lembra do Real de Ronaldo, Zinedine Zidane, Luís Figo, David Beckham e Roberto Carlos? Nos primeiros anos, a ideia funcionou, ganhando até uma Liga dos Campeões. Mas a constante mudança de grande parte do time ocasionou desunião e as famosas panelinhas, que eram lideradas por Raúl e Guti. Poderão os citizens festejar um novo título, com todas estas chegadas e partidas? E, mais importante, terão alguém que leve consigo o espírito e a cara do clube? Em um ou dois anos, fica difícil aparecer alguém que cumpra com estes requisitos. Um forte candidato para o cargo é Carlitos Tévez.

Janeiro/09 Wayne Bridge – Valor não revelado – Chelsea-ING Craig Bellamy - £14m – West Ham-ING Nigel De Jong - £17m – HamburgoALE Shay Given - £6m – Newcastle-ING Agosto/09 Gareth Barry - £12m – Aston Villa-ING Roque Santa Cruz - £18m – BlackburnING Stuart Taylor – Valor não revelado – Aston Villa-ING Carlos Tévez - £25m – Manchester United-ING Emmanuel Adebayor - £25m – Arsenal-ING Kolo Touré - £16m – Arsenal-ING Joleon Lescott - £24m – Everton-ING Sylvinho – Valor não revelado – Barcelona-ESP Janeiro/2010 Patrick Vieira – Empréstimo – Internazionale-ITA Adam Johnson – Valor não revelado – Middlesbrough-ING Agosto/2010 Jerôme Boateng – Valor não revelado – Hamburgo-ALE David Silva - £24m – Valencia-ESP Yaya Touré - £28m – Barcelona-ESP James Milner - £30m – Aston Villa-ING Mario Balotelli - £28m – Internazionale-ITA Aleksandr Kolarov - £14m – Lazio-ITA Total: £390 milhões de libras, ou €477 milhões de euros.

Por Victor Hugo Torres


A fantástica fábrica de craques

A fantástica fábrica de craques

Carles Puyol, Lionel Messi, Andrés Iniesta e xavi Hernandez, crias de La Masia. O quarteto integrou um dos maiores times de toda a história do Barça. Ídolos de toda uma geração e referências em suas posições. Até o treinador, Guardiola, é uma aposta da base.

O jogador que passou por La Masia tem algo diferente para o resto dos outros centros. É um plus que você só vê de ter competido em uma camisa do Barcelona a partir do momento que você era uma criança”. (Josep Guardiola)

Nos últimos anos temos acompanhado no mundo do futebol, clubes que, como o Real Madrid, o Chelsea e, mais recentemente, o Manchester City, gastam os tubos para formar times que vençam e encantem. Para isso, contratam jogadores (em sua maioria, estrangeiros) por preços exorbitantes, que vão além do real valor do contratado, e que resulta na inflação do mercado.

vens dos clubes espanhóis), o que resultou na formação da base da seleção espanhola (recentemente campeã mundial). A base da seleção espanhola ainda é o Barcelona

Quem vê esse sucesso todo na formação de atletas de alto nível, pode até pensar que foi por puro passe de mágica. Porém, não é bem assim. Os “blaugrana” tem um modo invejável de gerenciar sua categoria de formação, não só pela estrutura que possuem, mas também pela filosofia de jogo que sustentam, enchendo os olhos dos amantes do futebol, atraindo cada vez mais admiradores.

Do time da Espanha que entrou em campo contra a Holanda na final da última Copa e se sagrou campeão, seis jogadores eram formados pelo clube catalão. Por Outro grave problema desses sinal, vale ressaltar que a Fúria O ninho clubes, e de seus modelos de joga de uma maneira muito paregestão, é a não valorização das cida com o time azul-grená. Para abrigar os garotos da base, o categorias de base. AparenteBarça possui a academia de futemente, os times não confiam O Barça é um dos poucos clubes, bol de “La Masia”, que é um casaem suas crias. Optam por buscar senão o único, dentre as grandes rão de pedras com 610m², localjogadores já formados e maduros. potências futebolísticas, que izado nos fundos do Camp Nou. Na contramão de todos esses fa- consegue formar um elenco com Remodelada algumas vezes, a tores supracitados, temos o Bar- quase todos seus atletas feitos em academia tem uma infra-estrutucelona, que se destaca como uma casa. Nessa conta ainda se inclui ra excelente, com biblioteca, sala equipe que une o jogo bonito e o treinador do time, Josep Guar- de convivência, computadores e coletivo com trocas de passes diola, ex-volante do clube, que vestiários. “O jogador que passou sucessivas. Além do mais, o time ascendeu do Barcelona B. A base por La Masia tem algo diferente espanhol utiliza muitos joga- hoje é comandada pelo, também para o resto dos outros centros. dores de suas canteras (como são ex-jogador e ídolo barcelonista, É um plus que você só vê de ter chamadas as academias de jo- Luís Henrique. competido em uma camisa do 33 Revista Camisa 13

Barcelona a partir do momento que você era uma criança”, afirma o técnico Guardiola. O treinador pediu na temporada 2008/2009 ao então presidente, Joan Laporta, que concluísse as obras da Cidade Esportiva Joan Gamper, complexo esportivo ainda mais estruturado que La Masia. A Cidade Esportiva abrange não somente o futebol, mas também as equipes de basquete, handebol e futsal. Pedido feito e aceito. Em janeiro de 2009, as obras estavam finalizadas e, desde então, o Barcelona tem à sua disposição um dos maiores e melhores centros de treinamento de toda Europa. Há, ainda, a construção da “La Masia do Século XXI”, dez vezes maior que a velha localidade, onde os garotos da base serão alojados, com o objetivo de se acompanhar mais de perto o desenvolvimento deles. Contudo, de que adiantaria toda essa estrutura e modernidade, se

as categorias de base não tivessem um estilo de jogo qualificado, e que a técnica fosse deixada de lado? É ai que entra o trabalho feito por Johan Cruyff e Carlos Rexach, dois antigos ídolos do clube, que em 1988 assumiram o comando do time (como técnico e auxiliar respectivamente). Os dois implantaram um sistema de jogo bastante interessante, em que o time todo se movimenta trocando passes sucessivos, cada jogador dá poucos toques na bola, fazendo com que os onze atletas joguem com muita velocidade. Esse estilo, chamado de “futebol total”, se assemelha ao da Laranja Mecânica, vice-campeã do mundo em 1974, que, não por acaso, tinha como seu capitão e grande estrela, Cruyff.

Team“, comprovando dentro de campo a eficiência desse jeito de jogar. Desde então, o “futebol total” é usado por todas as categorias inferiores barcelonistas, fazendo com que no momento do ingresso desses garotos no elenco principal, eles já estejam acostumados com o modo do time jogar, acelerando, assim, o processo de adaptação, sem falar na identificação que eles vão criando com o clube.

Com um trabalho tão bem feito em suas canteras, de forma natural, os craques foram surgindo. A primeira geração teve nomes como: Josep Guardiola, Guillermo Amor, Sergi Barjuán e Ivan de la Peña. A segunda teve ainda mais sucesso com Victor Valdés, o atual capitão Carles Puyol e Xavi Jogando assim, o Barcelona foi Hernández. por quatro vezes consecutivas o campeão espanhol, e foi, ainda, Logo após, vieram garotos que pela primeira vez, campeão eu- hoje estão entre os melhores do ropeu em 1992, com o time que mundo em suas posições. São ficou conhecido como “Dream eles: Cesc Fàbregas (que aos 16 Revista Camisa 13 34


A fantástica fábrica de craques

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1- Jeffrén Suárez, venezuelano naturalizado espanhol, uma das novas promessas dos blaugranas; 2- Thiago Alcântara, filho do tetra-campeão mundial em 1994, Mazinho. anos se mudou para o Arsenal, em busca de um salário mais elevado), Andrés Iniesta, Bojan Krkic, Giovani dos Santos, Pedro Rodríguez, Sergio Busquets, Gerard Piqué e um argentino nanico, mais conhecido como Lionel Messi. Como o show não pode parar, a próxima geração já esta sendo preparada para ser jogada aos leões, destacam-se os garotos Jonathan dos Santos (irmão de Giovani), Thiago Alcântara (filho do tetracampeão Mazinho) e Jeffrén Suárez. Assim, o Barcelona vai dando lições principalmente em seu rival Real Madrid (os madrilenhos só tem Iker Casillas como prata da casa). Para ter sucesso não é preciso sair por aí gastando exageradamente, basta que se tenha um trabalho sério internamente e, no futuro, seus craques serão tirados diretamente de suas categorias de base, economizando milhões e milhões de euros. 35

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Ave, Adriano!

Ave, Adriano!

Adriano em sua apresentação no Fla, em 2009 (E) e na sua chegada à Roma (D); os sorrisos voltarão?

Artilheiro por onde passou, (Flamengo, Fiorentina, Parma, Internazionale e São Paulo) Adriano acumula belos gols e confusões extra-campo. Aos 27 anos, em abril de 2009, depois de somente nove temporadas como profissional, o “Imperador” -como era conhecido nos seus bons tempos de Internazionale- resolveu parar com a carreira em função de alguns problemas pessoais que estavam o levando às ruínas. As suspeitas de alcoolismo foram confirmadas por pessoas próximas ao atleta. Três semanas depois, dia 06 de maio, o atacante estava assinando contrato com o Flamengo, clube onde deu seus primeiros passos no mundo da bola. Em pouco tempo já era ídolo na Gávea, marcando gols constantemente. Foi uma das peças fundamentais que levaram o rubro negro ao título nacional. Marcou 19 gols e foi artilheiro do Brasileirão, 37 Revista Camisa 13

ao lado de Diego Tardelli, do Atlé- intimidar o Corinthians, o elenco tico Mineiro. carioca viajou à São Paulo pressionado e sabendo que poderia sair da competição por causa do Laureado e com Vágner Love no placar pouco convincente. Eis que ataque do time carioca, Adriano o resultado estava 2 a 0, até que entrou em 2010 cheio de moti- Vágner Love fez o tento que crevação. Disputaria novamente a denciou o rubro negro a enfrentar Taça Libertadores. Entretanto, o Universidad de Chile, nas quara “lua de mel” com a torcida fla- tas de final da competição. menguista começou a dar errado no Campeonato Carioca. Com o Botafogo de Joel Santana e Se- O inferno astral de Adriano estava bastián “Loco” Abreu vencendo só começando. Especulava-se na os dois turnos do estadual, a mas- mídia que ele estaria se transfersa que apoiava a equipe já estava indo para a Roma, na janela de perdendo a paciência. agosto. Novas suspeitas de alcoolismo eram levantadas pela imprensa, na medida em que o Oitavas de final da Libertadores, Imperador teve suas atuações Flamengo x Corinthians, jogo piorando cada vez mais. O Fladecisivo entre as duas maiores mengo acabou sendo eliminado torcidas do país. A tensão toma- da competição sul americana. va conta da equipe comandada Logo depois, sai a convocação por Andrade, o técnico do hexa- de Dunga dos 23 jogadores que campeonato. Na primeira partida, iriam para a África do Sul disputar o Fla bateu o time de Ronaldo, Ro- a Copa. Adriano não estava nela, berto Carlos e cia. por 1 a 0. Pre- em virtude de seu “sumiço” dos cisando mais do que um gol para gramados, má forma e problemas

É triste ver um talento tão grande ser desperdiçado em vão, seja lá qual o motivo. disciplinares.

é, pode se esperar quase o mes- do próprio Ranieri, que tinha sido mo milagre de recuperação de tremendamente desmoralizado, A nova mudança de ares para Ronaldo, o fenômeno? o escolhido para entrar foi Vucina capital italiana de fato aconic. Três minutos depois, saía o gol teceu. Em Julho, ele estava se da vitória do time da capital. apresentando no Centro de Trein- As razões que o levam a oscilar amento de Trigoria, no clube gial- tanto entre o “craque” e “maçã lorosso. Com pompa de estrela, o podre” ainda não estão muito Em menos de um semestre, a toratacante chegou para brigar por claras, mas quando se esforça de cida da Roma já começa a olhar uma vaga nos onze titulares da fato, Adriano é um dos melhores com desconfiança para o atleta. A Roma, ao lado de Francesco Totti, jogadores de sua posição. Porém, própria mãe do atacante declarou Mirko Vucinic, entre outros. Fez seu estado psicológico tem sido à imprensa que ele estava desanium gol na estréia, num amistoso uma incógnita, um caso à parte. mado com o rumo que a carreira contra um clube de divisões infe- É triste ver um talento tão grande havia tomado. Para quem está ser desperdiçado em vão, seja lá ligado no assunto, uma porção de riores. perguntas vem à tona: qual o motivo. Logo no início da nova temporada, apresentou problemas musculares e perdeu os dois primeiros jogos do time no Campeonato Italiano (empate com a Cesena e derrota para a Cagliari por 5 a 1). Na maioria das fotos em que foi clicado por fotógrafos, Adriano aparentava estar acima do peso. Mas, como jogador decisivo que

Um episódio ainda mal explicado que ocorreu, foi a vitória da Roma contra a Internazionale, pelo Campeonato Italiano. O treinador Claudio Ranieri ordenou que Adriano iniciasse o aquecimento, restando dez minutos para o final da partida. O ex-flamenguista alegou não estar pronto e se recusou. Por sorte dos romanistas e

Será que aqueles problemas pessoais obscuros vão desaparecer? O velho discurso de recuperar a alegria no futebol, tão usado por jogadores brasileiros que falham em suas carreiras, vai enfim ser uma realidade? E por fim, quanto tempo dura o Imperador no futebol? Revista Camisa 13 38


Entrevista com Milton Leite

Entrevista com Milton Leite

Por Ary Machado

O primeiro entrevistado da Camisa 13 é Milton Leite, narrador do SporTV. Milton é narrador e jornalista há mais de 20 anos. Começou no Jornal de Jundiaí. Passou pela TV Jovem Pan, ESPN Brasil e atualmente está no SporTV. Milton se mostrou muito humilde e descontraído durante o bate-papo: Ary Machado: Como foi seu início no jornalismo? Milton Leite: Comecei em Jundiaí, mais especificamente no Jornal de Jundiaí, em 1978, quando ainda estava no primeiro ano da faculdade. Um ano depois, comecei a trabalhar também na Rádio Difusora Jundiaiense, que pertencia ao mesmo grupo. Eu morava na cidade na época. Qual jogo ou evento mais marcou sua carreira? Por quê? Em mais de 20 anos de carreira é complicado encontrar um evento só. São vários. As duas finais de Copa que já transmiti, algumas provas de atletismo em Sydney-2000, medalha de ouro do vôlei masculino em Atenas-2004, ouro do Cielo em Pequim, três finais de Libertadores com a participação de equipes brasileiras...

O bordão “que beleeeza” faz muito sucesso em suas narrações. Você teve a ideia de fazê-lo ou saiu na hora? Na verdade, quem usava e continua usando essa expressão, com o caráter irônico que ela contém, é o Wanderley Nogueira, da Jovem Pan. A convivência com ele me fez incorporar a frase ao meu linguajar do cotidiano. Um dia usei numa transmissão, as pesO que é mais difícil para o narra- soas gostaram. Acabou ficando, dor? Quais são os principais obs- virou bordão. táculos? Talvez conviver com as paixões dos torcedores, que acaba cegan- No jornalismo atual, com tanta do um pouco as pessoas. No mais, violência nos estádios, é possível como todas as profissões, a nar- ser torcedor assumido de algum ração esportiva depende de você time? estar preparado, estudar o que Possível é, desde que você não vá tem a fazer, dedicar-se, fazer com ao estádio, ou vá cercado de seguranças. Eu prefiro não arriscar. simplicidade e honestidade.

sas que faço, seja numa Copa do Mundo, seja num jogo qualquer da Série B. O importante é procurar ser melhor a cada transmissão e ir acumulando experiências. Procuro aprender sempre. Quem você mais admira no jornalismo? Tem várias pessoas que admiro, que me influenciaram e continuam me influenciando: Juca Kfouri, Tostão, Jota Jr., Maurício Noriega, Armando Nogueira, Wanderley Nogueira, Fernando Viera de Mello (o pai, já falecido)....

Milton, muito obrigado pela entrevista. Deixe um recado para os leitores da Camisa 13. Um grande abraço para todo mundo e que as pessoas entenO que dá mais gosto ao narrador? No meu caso específico, é par- O SporTV, mais uma vez, fez uma dam que esporte é diversão, lazticipar dos grandes eventos, ter a excelente cobertura da Copa da er, entretenimento. Nenhuma chance de viajar muito para trans- África da Sul. Trouxe alguma lição partida de futebol deveria levar alguém a querer agredir um admitir jogos, estar em contato com de lá? Procuro tirar lições de todas as coi- versário. os principais atletas do planeta.

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Uma nação portenha

Entrevista com Renato Zanata

Entrevista com Renato Zanata Arnos

Um dos grandes clubes brasileiros que mais apostam em jogadores estrangeiros, o Cruzeiro conta com três argentinos para se manter na briga pelo título brasileiro até o fim. O trio, composto por Sebastián Prediguer (volante), Walter Montillo (meia) e Ernesto Farías (atacante) desembarcou na Toca da Raposa buscando repetir os passos vitoriosos de dois hermanos que fizeram história na raposa: o zagueiro Roberto Perfumo e o lateral Juan Sorín. Walter Montillo Destaque da Universidad de Chile na Libertadores 2010, o meia Walter Damián Montillo é o principal dos três reforços portenhos a desembarcar na Toca da Raposa, custando 3.5 milhões de dólares aos cofres celestes. Rapidamente, caiu nas graças da torcida, com grandes atuações e belos gols logo nos primeiros jogos. Inscrito com a camisa 10, trata-se do típico armador argentino: 1.71 de altura, técnica, habilidade e muita criatividade com a perna direita. Se mantiver o alto nível de suas primeiras atuações, deverá disputar o título de melhor jogador do Brasileirão. Revelado pelo San Lorenzo, Montillo disputou, em 2003, o Mundial Sub-20 pela seleção argentina. Em 2006, é vendido ao Monarcas Morelia, do México. No ano seguinte, já estava de volta a Almagro, onde não seria aproveitado como titular. Surge, então, o Universidad Católica: por um milhão de dólares, o meia assina um contrato de cinco anos com “La U”, naquela que seria a maior compra de um clube chileno até então. Foi vestindo a camisa azul da equipe chilena que o meia passou a chamar atenção dos grandes clubes brasileiros. Na Taça Libertadores de 2010, marcou golaço contra o Flamengo e foi a grande referência técnica do bom time de Santiago, que só parou nas semifinais. Curiosamente, o próprio Flamengo tentou levar o jogador para a Gávea, mas o negócio não aconteceu. Ernesto Farías Atacante experiente e com passagem pela seleção argentina, Ernesto Antonio Farías, 30 anos, chegou ao futebol brasileiro após frustradas passagens pelo futebol europeu. Goleador emérito com a camisa do Estudiantes, onde marcou 96 gols e foi artilheiro do Apertura de 2003, Farías foi um fracasso retumbante

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Por Felipe Portes

Walter Montillo, Ernesto Farías e Sebastian Prediger: os novos candidatos a ídolo argentino pelos lados da Toca da Raposa no Palermo. No clube da Sicília, não balançou as redes em nenhum dos 13 jogos que fez pela Série A. Ao fim da temporada, estava de volta ao futebol de sua terra natal, acertado com o River Plate. Com a camisa dos milionários, Ernesto recuperou o faro de gol e ganhou suas primeiras convocações para a seleção argentina, estreando contra o Paraguai, em setembro de 2005. Em julho de 2007, após uma frustrada transferência para o Toluca (MEX), o Porto paga 4 milhões de euros ao River para contar com os gols de "El Tecla" (apelido ganho pelo atacante, quando juvenil, por seus dentes parecem teclas de piano). Nos gigantes portugueses, Farías não se firmou como titular, embora tenha atingido uma razoável média de gols e marcando sempre que entrava nos jogos. Em julho de 2010, o Cruzeiro anunciou a contratação do atacante, num negócio que incluiu a cessão de uma porcentagem dos direitos do zagueiro Maicon. Logo na estréia, Farías mostrou a que veio, substituindo Wellington Paulista e marcando o gol que valeu a virada diante do Palmeiras. Sebastián Prediger Meia defensivo ao estilo "cão de guarda", Leonardo Sebastián Prediger, 24 anos, é outro reforço oriundo do Porto. Emprestado pelo clube lusitano, Prediger se destacou pelo Colón e viu seu nome chamado por Diego Maradona para um amistoso contra o Panamá, em maio de

2009, numa convocação que contou apenas com atletas que atuavam no futebol argentino. Ainda naquele ano, é vendido ao Porto, onde não conquistou espaço entre os títulares. Antes de desembarcar em Belo Horizonte, o volante ainda teve uma passagem por empréstimo ao Boca Juniors, onde chegou a atuar improvisado como armador graças a sua boa técnica. Sem ritmo de jogo, também não conseguiu repetir o bom futebol dos tempos de Colón. Após aproximadamente um mês de sua chegada, Prediger ainda aguardava a oportunidade de fazer seu primeiro jogo pelo Cruzeiro.

Histórico Reforços internacionais não são novidades na Toca da Raposa. Jogadores de toda América do Sul e até de Camarões (como o goleiro William Andem) vestiram a camisa celeste. Os mais bem sucedidos, porém, foram mesmo os argentinos. O zagueiro Roberto Alfredo Perfumo veio já consagrado do Racing, em 1971, para ser tricampeão mineiro em 1972/1973/1974. Mais recentemente, foi a vez do lateral Sorín encantar a torcida com um futebol de garra e contundência no apoio ao ataque. Ambos são nomes frequentes nas seleções históricas escaladas pela torcida cruzeirense. Certamente, são essas as expectativas da torcida celeste para os três novos nomes.

Renato Zanata Arnos é colunista do site Futebol Argentino, no Globoesporte.com, além de ser professor de História e pesquisador e analista tático. Em uma completa entrevista, explicou vários aspectos do “futebol hermano” além de desmistificar alguns dogmas criados em razão da rivalidade entre brasileiros e argentinos. Confira na íntegra à seguir. Sabemos que o investimento feito no futebol argentino, em geral, é baixo. Você diria que mesmo com isso, o Campeonato nacional é um belo espetáculo? Ou tem muito o que melhorar em questões de regulamento, transmissão? Sim, o campeonato nacional argentino é um belo espetáculo, apesar de questões extra campo (infelizmente não é privilégio da Argentina) como os inúmeros registros de casos de violência urbana relacionados aos confrontos entre torcidas organizadas (Barras Bravas). Mesmo com início do Apertura 2009 adiado devido a uma enorme dívida de dezenas de clubes com vários de seus jogadores e o conseqüente auxílio financeiro estatal com a intervenção do governo federal no futebol, passando ele a administrar as transmissões das partidas do campeonato, via canais abertos, principalmente através da TV pública, Canal 7.

co, principalmente em se tratando da boa qualidade de jogadores de meia cancha e ataque, vários times com elencos capacitados para conquistar títulos e mantém nas arquibancadas o tradicional e especial envolvimento das torcidas com suas peculiares canções e bandeiras em estádios com boa média de público.

Quanto ao nível das transmissões dos jogos pela TV, considero bastante satisfatório a qualidade e a quantidade de imagens disponibilizadas aos telespectadores e no início desta nova temporada com auxílio de uma providencial medida tomada pela AFA estão tentando moralizar os exagerados atrasos que as equipes provocavam no começo e nos intervalos das partidas. Agora, a equipe que atrasar o início ou reinicio das partidas, terá seu treinador expulso do banco de reservas. A punição foi aplicada pela 1ª vez neste Apertura ao treinador do Lanús, O futebol argentino tem apresen- Luis Zubeldia, em partida contra tado além de um bom nível técni- o Banfield pela 4ª rodada, já que

seu time só retornou do intervalo após permanecer no vestiário por 16 minutos e 30 segundos. Você pensa que o Boca, com todos esses problemas dentro do elenco, pode se acertar ainda no Apertura? Acho que tão importante quanto o Claudio Borghi conseguir administrar desavenças extra campo entre Riquelme e Palermo ou entre outros jogadores do grupo é conseguir logo com que o seu 3-4-1-2 que o levou ao título do último Clausura com o Argentinos Juniors, se torne eficiente dentro das 4 linhas. Borghi tem a difícil missão de atingir uma solidez tática tendo em mãos um elenco profissional cheio de caras novas, principalmente na defesa. As equipes que brigarão pelo título serão mesmo Vélez e River, ou você acredita no Arsenal e até mesmo no San Lorenzo? Como uma temporada da 1ª divisão do futebol argentino é dividida em dois campeonatos distin Revista Camisa 13 42


Entrevista com Renato Zanata tos e “curtos” (19 jogos para cada equipe), acredito mais nos times que conseguem manter uma boa base formada se não há dois, três anos, pelo menos na temporada anterior, e que conseguem encaixar um bom futebol logo nas primeiras rodadas da nova temporada em disputa. Com base nesta observação, vejo o Estudiantes de La Plata, o Godoy Cruz, o Vélez Sarsfield e o River Plate como os principais candidatos ao título do Apertura 2010. Vélez 9º colocado e River Plate, 13º na tabela do último Clausura tem demonstrado uma nítida melhora de rendimento no atual campeonato e principalmente o Estudiantes e o Godoy Cruz, respectivamente, 2º e 3º colocados no mesmo Clausura, seguem bem como no primeiro semestre deste ano e não oscilaram tecnicamente como os já citados, River e Vélez. Estes quatro clubes possuem em suas equipes na atual temporada ao menos seis jogadores que chegaram à titularidade no 1º semestre deste ano e mantiveram seus treinadores, diferentemente do San Lorenzo que terminou o Clausura na 15ª colocação, trocando de treinador com a saída de Diego Simeone após a 12ª rodada, substituído por Sebastían Méndez e agora recomeça o trabalho sob o comando de Ramon Diaz. Em minha opinião, San Lorenzo, Arsenal e Banfield, correm por fora. A que você atribui o excelente desempenho argentino na Libertadores e Sul Americana, visto que eles não gastam e investem como os clubes brasileiros? Boa pergunta para que possamos senão acabar de vez, ao menos tentar inibir um pouco o velho e ultrapassado discurso de que o 43

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argentino ‘só conquista Libertadores’ porque é o criador e dono exclusivo da catimba e porque também se utiliza com igual exclusividade de atitudes violentas dentro e fora das 4 linhas para intimidar adversários.

obter ou não conseguem retorno repatriando jogadores de nome, que geralmente vivem maus momentos técnicos e físicos em seus clubes no exterior, ao invés de aproveitarem melhor em seus times profissionais os talentos que despontam em suas divisões Acho que a tentativa de se per- inferiores. petuar ainda hoje este discurso é uma atitude preguiçosa e muita Muito se comenta no Brasil que das vezes mal intencionada para clube A ou B, construiu excelente ofuscar e minimizar a liderança centro de treinamento só comcom folga da Argentina sobre parado com os grandes clubes outros países Sul-Americanos no europeus. Pois bem, além de usuquadro de títulos da Copa Liberta- fruir do conforto das instalações dores da América. destes centros de treinamentos, quantos clubes brasileiros têm se Não vejo como se referir ao 1º beneficiado concretamente dos título de Libertadores conquis- jovens jogadores produzidos em tado por um time argentino e suas divisões de base? não exaltar naquele Racing Club a qualidade do treinador Juan José Na Argentina, por mais que os Pizzuti, do maestro Humberto clubes vendam várias de suas Maschio e do trio de ataque for- jovens promessas juvenis para mado pelo brasileiro Cardoso, equilibrarem suas dívidas e não Cárdenas e Raffo. Não podemos fecharem as portas, os jovens negar a importância da aplicação talentos da base são muito mais tática desenvolvida por Osvaldo bem aproveitados e valorizados Zubeldia naquele Estudiantes tri- nos times profissionais do que campeão em 1968,69 e 70. aqui no Brasil. Quanto a Copa Sul-Americana, a superioridade da Argentina detentora de 4 títulos, com Boca Juniors (duas vezes), Arsenal de Sarandí e San Lorenzo é resultado da competência destas equipes em suas respectivas conquistas.

A paciência e consequentemente as oportunidades dadas a um garoto da base para que ele se firme no time profissional é maior nos clubes argentinos, sem falar na maior quantidade, melhor qualidade e maturidade dos novos talentos desenvolvidos por lá nos Sobre a questão de ‘gastar e in- últimos anos. vestir’ dos clubes brasileiros seria necessário refletir se estes gas- As divisões de base dos principais tos e investimentos feitos têm clubes argentinos sempre foram sido de fato aproveitados em produtoras de bons jogadores, benefício dos times profissionais como por exemplo, o fabuloso e destes clubes.Importantes clubes já citado Racing de José Pizzuti brasileiros ainda não possuem es- nas conquistas de 1967, assim tádio próprio, ao contrário do que como sempre foi reconhecida a acontece na Argentina. qualidade deste tipo de trabalho realizado em tradicionais clubes Vários clubes no Brasil demoram a brasileiros.

Entrevista com Renato Zanata Se os times brasileiros acreditassem realmente que jogador argentino pratica mais catimba do que futebol, não teríamos “hermanos” atuando em grandes clubes do nosso país, exercendo o protagonismo nos principais setores de criação e conclusão de jogadas, ou seja, na meia cancha e no ataque. Um excelente exemplo disso foi a contratação por parte do Grêmio do enganche Alejandro Sabella daquele Estudiantes de 1983. Um time muito técnico que foi difamado no Brasil através da farsa chamada ‘Batalha de La Plata’. Se o Estudiantes conseguiu empatar em 3 a 3 aquela partida em La Plata pela Libertadores de 1983 mesmo com apenas 7 jogadores em campo, foi muito mais pela bela atuação de Sabella na 2ª etapa do que por supostas ameaças criadas fora das 4 linhas. Sabella acabou com o Grêmio, mas na bola. O time gaúcho sabe disso, tanto que contratou depois o meia argentino, hoje treinador do mesmo Estudiantes de La Plata. Atualmente atuam no Brasil, volantes e meias argentinos. E o que reforça esta grande carência dos times brasileiros na produção de jogadores com qualidade e/ ou maturidade para assumirem a titularidade nos profissionais. Vejo o jogador argentino com uma cultura tática maior que o jogador brasileiro. A cultura do jogo coletivo que pode ser resumida pelo ‘Toco y me voy’, expressão chave para se entender a escola argentina de futebol. O costume de se doar taticamente, com e sem a posse de bola.

Os 6 títulos mundiais na categoria sub-20 e as duas medalhas de ouro em Olimpíadas são exemplos concretos de que os argentinos estão sabendo produzir melhor e em maior quantidade, principalmente jogadores de meia cancha e ataque, que o Brasil ou qualquer outro grande centro do futebol mundial.

tre jogadores brasileiros e argentinos quando ambos passaram a defender os mesmos clubes em ligas européias, principalmente a partir da década de 80, foi servindo para diminuir ao menos entre os boleiros, os aspectos estúpidos desta rivalidade.

Dê cinco motivos breves para o leitor acompanhar o Campeonato Para o jogador argentino, os con- Argentino. frontos com times do Brasil são encarados como vida ou morte, questão de honra? Ou isso é algo 1º - Campeonato de pontos corda nossa cultura, somente? ridos de ‘tiro curto’, se, por exA rivalidade entre Brasil e Argenti- emplo, comparado ao nosso na no futebol é enorme, mas vejo Brasileirão, geralmente propornos brasileiros uma preocupação ciona jogos muito disputados e e desejo maior em alimentar uma emocionantes desde a 1ª rodada. raiva que chega a beirar a uma repulsa cultural. 2º - De cinco a sete equipes com boas chances de conquistarem o Vale lembrar que antes do sur- título. gimento e crescimento da rivalidade entre Brasil e Argentina no 3º - Esta temporada promete uma futebol, os grandes rivais dos ar- emoção extra devido à disputa gentinos eram os uruguaios, já paralela rodada a rodada na luta que estes venceram nas barbas contra o rebaixamento por parte dos argentinos, uma final de Copa de tradicionais clubes como River do Mundo e uma final Olímpica. Plate, Racing, Huracán e GimnaAlém de se preocuparem mais sia y Esgrima de La Plata. em ir à forra com os uruguaios, os argentinos levavam nítida van- 4º - A presença de jogadores como tagem nos confrontos contra o Sebástian “La Brujita” Verón, Ariel Brasil até a década de 1960. Este Ortega, Martin Palermo, Juan Rocontexto parece ter criado uma man Riquelme, Matias Almeyda, necessidade maior nos brasileiros Nestor Ortigoza, Rodrigo Braña, em alimentar uma rivalidade am- Patrício Toranzo, Victor Lopez, arga, mesmo depois que o Bra- Claudio Yacob, Walter Erviti, Maxi sil passou a conquistar Copas do Moralez, Adrian Gabbarini, Sebá Mundo e a superar os argentinos Blanco, Manuel Lanzini, Mauro na passagem do século XX para o Formica, Marcelo Cañete, GabriXXI. el Peñalba e David Ramírez, enganche do Godoy Cruz, que vem Para os brasileiros, principal- fazendo um excelente começo de mente os torcedores, parece ai- campeonato. nda não haver muito espaço para o exercício da admiração dentro 5º - O espetáculo sensacional e desta rivalidade. único que as torcidas argentinas proporcionam nos estádios antes Já o convívio mais frequente en- da bola rolar e durante os jogos. Revista Camisa 13 44


O Paradoxo do River Plate

O paradoxo do River Plate

Por Renato Zanata Arnos

A legião estrangeira

Além da entrevista concedida, Renato Zanata Arnos fez a cortesia de explicar aos leitores da revista, a delicadíssima situação do River Plate no Torneo Apertura 2010. Grande parte dos leitores não sabe como funciona o rebaixamento no Campeonato Argentino, que funciona por meio de uma média de pontos. Sendo assim, pedimos a Renato que detalhasse a missão espinhosa que os “Millonarios” tem pela frente:

time do River Plate montado pelo treinador Angel Cappa, mesclando jogadores experientes como Matias Almeyda e Ariel Ortega e jovens promessas, como Manuel Lanzini e Rogelio Funes Mori, tem pela frente a difícil missão de lutar pelas conquistas dos torneios, Apertura e Clausura e conseqüentemente melhorar o seu promedio afastando o perigo de rebaixamento ao final do 1º semestre de 2011.

Após ter somado 43 pontos e conquistado o título do torneio Clausura que fechou a temporada 2007/2008, o River Plate fez um péssimo torneio Apertura na temporada 2008/2009, terminando a competição em último lugar, somando apenas 14 pontos, sofrendo nove derrotas e conquistando apenas duas vitórias. No fechamento desta mesma temporada, o River só conseguiu o 8ª lugar no torneio Clausura, somando apenas 26 pontos e sofrendo sete derrotas.

O River Plate tem esta obrigação de jogar a cada rodada no seu limite técnico, tático e emocional, como se estivesse disputando a cada partida uma final de campeonato, principalmente contra os times que assim como ele, estão correndo sérios riscos de também serem rebaixados ao final da temporada. Os clubes que assim como o River estão em situação delicada na tabela de promedio são: Arsenal, Racing, Huracán, Tigre e o Gimnasia de La Plata, sem contar, é lógico, All Boys, Quilmes e Olimpo, recém promovidos a 1ª divisão.

Na temporada 2009/2010, dois outros resultados ruins. O clube Millonario terminou o Apertura em 14ª lugar e o torneio Clausura na 13ª colocação. Para esta temporada 2010/2011 o bom

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No confronto direto com estas equipes na fuga pela degola, o River Plate já enfrentou e superou neste Apertura, o Tigre, o Huracán e o Arsenal, vencendo

todos estes três adversários, pelo magro placar de 1 a 0. O regulamento que prevê o rebaixamento de quatro equipes com base no sistema de promedio de puntos, ou seja, através da média atingida pelos clubes após somados os pontos obtidos por cada um deles em suas últimas três temporadas e ao dividir o resultado desta soma pelo número de partidas jogadas no mesmo período. Após este cálculo os clubes que se posicionam na 19ª e 20ª colocações na tabela do promedio são diretamente rebaixados. Aqueles clubes que ocupam a 17ª e 18º colocações disputam a permanência na primeira divisão, com o 3° e 4° colocados da Primeira B Nacional, através do sistema conhecido como Promoción. A Promoción consiste na realização de dois jogos (ida e volta) entre estas quatro equipes e se após estes confrontos, houver igualdade no número de pontos e saldo de gols em um ou nos dois cruzamentos, disputa (m) a 1ª divisão na temporada seguinte, o(s) time (s) que já integrava (m) a divisão principal do campeonato argentino.

Por Felipe Portes


A legião estrangeira

A legião estrangeira dial de 1990, na Itália. Sem cavar muito no assunto, detectamos que o número de atletas de outros países aumentou. Analise o elenco dos grandes clubes ingleses, e faça as contas de quantos titulares são naturais da própria Inglaterra. A começar pelo Chelsea que era repleto de portugueses, (Hilário, Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Bosingwa, Deco) tem um goleiro tcheco (Peter Cech), um volante ganês (Michael Essien) e um ataque marfinense (Didier Drogba e Solomon Kalou). O Manchester United conta com goleiro holandês (Edwin Van der Sar), zagueiro sérvio (Nemanja Vidic), lateral francês (Patrice Evra), meia sul-coreano (Park Ji-Sung), ponta português (Nani) e atacante búlgaro (Dmitri Berbatov). Fora os reservas, que são de todas as regiões do planeta.

David Luiz, zagueiro do Benfica e da Seleção brasileira

Há tempos veiculam na imprensa e em fóruns sobre futebol, discussões sobre o problema de identidade da Internazionale de Milão. Mas, não é uma simples questão de ídolos, porque estes são muitos, como Javier Zanetti, Julio César, Samuel Eto´o, Diego Milito, Wesley Sneijder, que aparentemente ficarão um bom tempo entre os jogadores do clube. Agora leia estes nomes e pense consigo: Quantos deles são italianos? Na última conquista da Liga dos Campeões, é preciso pesquisar para dizer quem é. Marco Materazzi, Francesco Toldo, Davide Santon e olhe lá... Tudo bem, desde a década de 1990, os clubes italianos passaram a não revelar tantos nomes locais, adotando uma doutrina de contratações de estrangeiros. Um exemplo foi o trio holandês Frank Rijkaard-Ruud Gullit-Marco 47 Revista Camisa 13

van Basten. Grande time do Milan que ficou gravado na mente dos “rossoneri”. Entretanto, o tema principal desta reportagem é a invasão de atletas “forasteiros” nas competições de futebol ao redor do mundo. No Benfica, de Portugal, apenas um português é titular da equipe. É o excelente lateral lusitano Fábio Coentrão, que ocupa o lado esquerdo dos “Encarnados”. De resto, quatro argentinos, (Nicolas Gaitán, Eduardo Salvio, Pablo Aimar e Javier Saviola) dois espanhóis, (o goleiro Roberto e o meia Javi García) dois brasileiros, (Luisão e David Luiz) um uruguaio (Maxi Pereira) e um paraguaio. (Oscar Cardozo). Ao todo, o Benfica acumula 18 estrangeiros e somente nove portugueses no plantel principal.

dado, fica mais do que evidente que por mais que alguns destes jogadores se tornem figuras de respeito perante a torcida, sempre vai haver a carência de nomes do próprio país. Isso sim é crise de identidade. Raros portugueses conseguem se tornar ídolos em sua terra natal. Porque são exportados precocemente, como é o caso de Nani e Cristiano Ronaldo ou pela razão supracitada: a importação exagerada de talentos. Vejamos outros exemplos curiosos ao redor do mundo. A Inglaterra e seus fiascos

Muitos falam que os países que pouco revelam jovens, têm seu potencial refletido nas seleções nacionais. Esse assunto tem como especialista a Inglaterra. Depois de 1966, quando foi campeã mundial em casa, nunca mais foi bem Olhando num contexto aprofun- em Copas, com exceção do Mun-

capital. Mesmo sem os principais jogadores do seu campeonato, a Premier Russa não deixou de ter bons jogos e clubes. A quantidade de estrangeiros espalhados na competição pode ser considerada grande, mas não atrapalha a harmonia.

Na Rússia, o buraco é mais em- Outras competições ao redor do baixo mundo utilizam regulamentos que limitam contratações de esAcredite se quiser, mas o Campe- trangeiros. O “Calcio” italiano, onato Russo anda na contra mão por exemplo, gerou polêmica ao deste processo involutivo. O reg- reduzir de dois para três atletas, ulamento só permite que quatro enfrentando vários protestos dos atletas não-soviéticos estejam representantes de clubes. No entre os titulares. No restante do fim, a nova regra foi aprovada e a plantel, não há limitações. A liga é mamata de ter dezenas de outras relativamente forte, os times es- bandeiras num lugar só, foi para o tão em boa condição financeira e espaço. o investimento no futebol do país cresce a cada ano. Brasileirão exporta, mas não enfraquece A seleção não dá vexame. Não é uma das mais fortes da Europa, No novo milênio, o futebol mas tem quatro excelentes joga- brasileiro tem sofrido com um dores no setor ofensivo. Andrei problema crônico. Nenhum Arshavin, Pavel Pogrebnyak, Yuri grande ídolo que é revelado perZhirkov e Roman Pavlyuchenko manece mais de dois anos na são as estrelas do time. Os dois mesma equipe. É a ‘síndrome da primeiros foram revelados no Ze- janela européia’. Jovens como nit São Petersburgo, Zhirkov veio Neymar, Paulo Henrique Ganso, do CSKA Moscou e Pavlyuchen- Bruno César, Giuliano e outros ko era do Spartak, também da não têm vida longa no Brasil, se

Liédson, há tempos como ícone do Sporting, jogou a última Copa por Portugal; e Helton, goleiro brasileiro que manda no gol do Porto ganham destaque. Atualmente, a vontade de ficar no seu ninho de criação não tem peso perante os euros oferecidos pelos gigantes de fora. Em outros casos, como o de Robinho e Vágner Love, o atleta chega a entrar em disputa judicial com o clube, para embarcar em aventuras no desconhecido. Quantos deles vão e não dão certo? Já foram centenas promessas que tentaram a sorte em pequenos centros como Azerbaijão, Ucrânia, Suécia, Polônia. O último exemplo foi Alan, do Fluminense, que protagonizou uma novela Revista Camisa 13 48


A legião estrangeira

O mito sobre: Trifon Ivanov

O mito sobre: Trifon Ivanov

Por Felipe Portes

Darío Conca, “Loco” Abreu, Jorge Valdivia e Matías Defederico, alguns dos gringos mais conhecidos pelos gramados brasileiros, atualmente

para deixar o tricolor carioca e tel é de três estrangeiros e nos assinou com o Red Bull Salzburg, 20 times do Brasileirão, a grande da Áustria. maioria conta com atletas argentinos, paraguaios, chilenos ou coHá anos, na tentativa de prevenir lombianos. A chegada de maior que esse tipo de situação influen- impacto foi a do luso-brasileiro cie negativamente no trabalho Deco. Os maiores destaques são dos participantes da Primeira Pablo Horácio Guiñazu e Andrés Divisão, jornalistas e cartolas de- D´Alessandro do Inter, Dario Confendem a mudança do calendário ca e Deco do Fluminense, Jorge em que as competições no país ‘El Mago’ Valdivia do Palmeiras, são disputadas. Um projeto aqui Walter Montillo, Sebastian Predie outro ali, mas nada concreto. A ger e Ernesto Farías do Cruzeiro, tendência é que continue da mes- Aldo Bobadilla do Corinthians, ma forma. Cristian Borja e Claudio Maldonado do Flamengo, Sebástian ‘Loco’ No entanto, os brasileiros tam- Abreu do Botafogo e outros que bém importam. O limite no plan- enfeitam e dão uma cara dife49 Revista Camisa 13

rente aos elencos. O resultado dessa tímida mistura, resulta num campeonato disputado, que tem briga pelo título até as rodadas finais e com grande número de candidatos. O maior exemplo foi o último Nacional, em que o Flamengo foi campeão após o evento ter mais de cinco líderes diferentes. Ao menos até agora, os ‘gringos’ têm trazido bom nível às nossas terras. O complicado seria se um Corinthians, Flamengo, Grêmio ou Cruzeiro tivessem um capitão e mais dez marujos de outras ilhas passando a bola em nossos gramados...

No meio de tanta globalização, a coisa mais fácil para quem é amante do futebol, é ser fã de jogadores como Cristiano Ronaldo, Lionel Messi, Kaká, Wayne Rooney, Cesc Fàbregas, entre outros. Estão em capas de revistas, comerciais, outdoors, pôsteres, jogos de videogame e camisas de seus respectivos times. Todos esses jogam em grandes clubes, são chamados por grandes seleções. Mesmo os que não são espanhóis, brasileiros, ingleses e argentinos, apóiam estas nações quando se trata de Copa do Mundo. Mas pense cá comigo, caro leitor: Quem é que um dia torceu para a Bulgária além dos próprios búlgaros? Vou além, quem é que torceu para eles, em razão do fanatismo por algum outro jogador que não Hristo Stoichkov. Ninguém nunca se lembrou do mítico camisa 3 da seleção búlgara? Alto, barbudo, caneleiro e com um “mullets” inesquecível? Trifon Marinov Ivanov, nascido em 27 de julho de 1965 em Veliko Tarnovo, o homem que mandava na defesa. Bom cabeceador e cobrador de faltas, Ivanov foi ícone

por uma década, enquanto vestiu a camisa do selecionado nacional – de 1988 a 1998 - Conhecido como “Lobo Búlgaro”, Trifon fez parte da Bulgária que foi 4ª colocada na Copa de 1994. Jogou por clubes como CSKA Sófia, Real Bétis, Rapid e Austria Viena. O homem que já era lenda no país eslavo, por sua agilidade, seus desarmes e pancadas fantásticas, foi construído como herói nacional ao fazer o tento que classificou a sua pátria para a Copa de 1998, na França, com um gol em cima da Rússia. Trifon também tinha como ponto forte os chutes. Não nos adversários, mas sim de longa distância. Ainda sim, o índice de canelas inimigas atingidas era alto. Será que alguma criança neste mundo já guardou um pôster do nosso herói búlgaro? Por que não merece estar no hall dos grandes jogadores nacionais, como um soldado que deu seu sangue vestindo as cores do seu país? Trifon Ivanov foi o capitão dos eslavos de 1996 a 98. Melhor jogador búlgaro do ano de 1996, ainda ganhou uma indicação para o prêmio Bola de Ouro, no mes-

mo ano. Ao menos podia ficar ao lado de Hristo Stoichkov, Hristo Bonev, Emil Kostadinov, Krasimir Balakov e Dmitri Berbatov como grande lenda futebolística em sua nação. Para os amantes do futebol alternativo, do futebol como modalidade de arte marcial ou até mesmo como fonte de risadas, digo que Trifon Marinov Ivanov é um mito do esporte. E seu “mullet” nunca será esquecido. Vida longa ao astro búlgaro. Revista Camisa 13

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Revista Camisa 13 - Outubro 2010