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1 PRÉ-SINOPSE DA TELENOVELA

CHOCOLATE EM TUDO Copyright na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro

Autor: Felipe Moreno

COCÔZINHO é o grande barato do início do novo milênio. Em torno dele, gira uma camada de cabeças pensantes preocupada em torná-lo inesquecível. COCÔZINHO é produto principal da Chocolateria Pó Latino. Uma empresa nacional que tem tudo para tornar-se multinacional devido às circunstâncias. Ali, entre seus recursos humanos e parceiros, há enorme potencial a ser ainda explorado. Na contramão das convergências e convenções, o grupo criou o slogan COCÔZINHO, o Cacauzinho que Vicia. Claro que tudo foi bem-planejado e há respaldo de uma equipe de chocolateiros da melhor qualidade e preparo, uma vez que estes conseguiram a façanha de concretizar um produto “chocante” tanto em forma quanto em conteúdo. Um par perfeito que faz com que COCÔZINHO seja odiado e amado pelo público consumidor. E isso gera pano pra manga, isto é, polêmica, fama e status para o produto, como muito dinheiro para os proprietários da Pó Latino. E tudo isso dá ainda mais tempero quando o assunto é COCÔZINHO, o cacauzinho que vicia. Essa história começa em Friburgo, RJ, onde EDSON FRAGOSO VON DEEREST nasceu e foi criado. Ele é filho de HEINRICH VON DEEREST, teceleiro, holandês de nascimento e primeiro vereador naturalizado brasileiro, e de NORMÂNDIA PIRES FRAGOSO, uma burguesa carioca herdeira de uma fábrica de chocolates, a Normandy. EDSON tem 18 anos quando essa história começa. Desde pequeno fora seduzido pelo aroma e sabor dos chocolates da Normandy. Rendido pelo prazeroso vício do cacau, EDSON também sempre fez o tipo do curioso irrequieto, que a tudo sonda, penetra e pergunta. Nessa época, estudava com FERNANDA CASTAÑHEDA, 17 anos, a filha mais velha de FERDINANDO ROJAS CASTAÑHEDA, um mexicano radicado em Friburgo, dono de uma fazenda e de uma poderosa rede de granjas e Distribuidora de ovos em todo o Rio de Janeiro. EDSON e FERNANDA reuniam-se sempre na chocolataria da mãe dele, e já faziam planos de montar uma quando ambos terminassem a faculdade, instilados pela possibilidade de inventarem os mais diversos tipos de chocolate em formas, texturas e tamanhos.


2 Pelo fato de adorarem chocolate, obviamente interessaram-se de tal maneira pelo produto que passaram a conhecer o mecanismo de fabricação como também os dispositivos manuais para manuseio e embalagem da matériaprima. As famílias dos dois jovens eram muito amigas e estavam sempre juntas, ora nas residências fixas em Friburgo, ora em viagens para as casas de praia na cidade do Rio de Janeiro, onde ambas as famílias gostavam de ir às horas de lazer. Até acontecer uma fatalidade. Sábado, dia 14 de novembro de 2000. Quando as duas famílias estavam se dirigindo ao Rio de Janeiro em um jatinho da família Castañheda, eis que a aeronave se espatifa na costa carioca e desaparecem de forma trágica HEINRICH VON DEEREST e NORMÂNDIA FRAGOSO, assim como FERDINANDO e CRISTÁLIA CASTAÑHEDA, salvando-se da catástrofe os filhos únicos de ambas as famílias – EDSON e FERNANDA, respectivamente. E isto só foi possível porque ambos estavam por prestar provas vestibulares marcadas para o dia seguinte em Campos, cidade próxima de Friburgo. Por isso só viajariam para a praia no começo da semana seguinte. Esta tragédia antecipa os planos de EDSON e FERNANDA, indicando um novo rumo para o casal. Eles se unem de maneira tal que resolvem se casar indo para o México, para a casa de veraneio do tio de FERNANDA, JOSE GARCÍA, passar a Lua de Mel, como que querendo escapar da sombra fúnebre da fatalidade, porque os corpos dos pais não haviam até então sido localizados. De outro setor da história, na cidade do Rio de Janeiro, mais precisamente em Ipanema, vamos conhecer a casa de ROSAMARIA TERRA SANTA. Esta é uma advogada brilhante, brasileira e viúva de um também advogado chileno. Com este, teve DORA SÍLVIA, uma garota linda, sensível e extremamente impulsiva. DORA tem a esta altura 19/20 anos e estuda Artes Plásticas, mas faz vários outros cursos porque não consegue ficar parada. É obsessivo-compulsiva. Namora três caras ao mesmo tempo - um na faculdade, outro no curso de ginástica rítmica e outro pela internet – e tem adoração por chocolate. Chocólatra inveterada precisa malhar em todo tempo que arranja para queimar as calorias ingeridas do chocolate. Como não tem parada, logo que chega em casa liga a tevê e pega algumas barras do energético e estimulante para saciar a compulsão e eliminar o tédio de ficar sentada na frente do aparelho de TV. Neste dia, casualmente, ela vê pela tevê a notícia de que NORMÂNDIA PIRES FRAGOSO, a dona da Normandy, o chocolate que DORA mais consumia, havia desaparecido em decorrência do acidente. DORA fica nervosa e imagina que a


3 Normandy vai fechar, falir ou desaparecer também e resolve ligar para a fábrica em Friburgo. Ninguém atende e ela se desespera. Sai em procura de sua mãe, ROSAMARIA, que está ao telefone orientando um cliente seu da área de saúde. DORA entra esbaforida no escritório da mãe, que se assusta e acaba dando um jeito de desligar a ligação. DORA fala de sua preocupação mas a mãe acha que DORA está fazendo uma tempestade em copo d’água. Elas discutem quase que insanamente, uma vez que o motivo é tolo, e DORA sai de casa, furiosa. Na rua, DORA, sem perceber, é observada por um rapaz boa-pinta, PLÍNIO IVO, uns 22 anos, que pode aparentemente manifestar segundas intenções. Ele espera DORA atravessar em direção à praia, tira uma barrinha de chocolate do bolso da camisa e atravessa a rua em direção à DORA. DORA senta-se na praia e rasga outra embalagem de chocolate. O rapaz se aproxima dela, sorrateiramente. O lugar está vazio e escuro. Ele senta-se do lado dela na areia e pergunta se ela é DORA SÍLVIA TERRA SANTA. DORA não parece assustada mas indignada e lhe retruca querendo saber do que se trata. Ele diz que é mensageiro de um Oficial de Justiça da Vara de Família e pergunta se ela sabe o que a sua mãe esconde dela. Agora DORA, intrigada, demonstra surpresa. Já na JB & Folk, Publicidade e Propaganda, o setor de criação da empresa pega fogo. NOVAES, o diretor de Criação, está reunido com o pessoal e de posse de um relatório de contas da empresa, no qual está apontada a queda no faturamento e a perda de dois clientes estratégicos. Há uma desestabilização ali entre eles. Discórdia entre opiniões e argumentos, quando entra JOÃO BATISTA, o sócio brasileiro da JB & Folk, com uma bomba: diz para eles esquecerem tudo aquilo a que estavam presos porque agora a única coisa que importava era o novo pedido vindo do principal cliente: a Fine Cigarettes. Isto significava em termos práticos que arregaçassem as mangas e criassem uma propaganda revolucionária cujo slogan devolvesse à credibilidade do tabaco, em contraponto a guerra deliberada contra o fumo desencadeada pela mídia e opinião pública. A Fine Cigarettes havia descoberto uma fórmula de fabricação segundo a qual o tabaco seria neutralizado pela ação do chocolate em suas misturas, propiciando em conseqüência disso menos malefício e mais sabor. O objetivo desta empresa, segundo João Batista, era a de se associar a uma fábrica de chocolates de modo a possuir matéria-prima para os seus produtos específicos. Naturalmente, todas essas informações transmitidas ali àquela altura soam esquisitas e surpreendentes. Na praia, PLÍNIO IVO faz suspense e DORA se enfeza com ele. Exige que ele prove sua procedência e ele acaba


4 mostrando a credencial emitida pelo Oficial de Justiça. DORA então insiste para que ele conte logo o que tem pra contar. PLÍNIO, em troca, quer um favor, ao que DORA rebate dizendo que depende muito da informação que ele possui. PLÍNIO diz que merece uma recompensa, pois ele se atribui alguém que vai mudar a vida de DORA para sempre. DORA se enfurece e tem a paciência esgotada. Impulsiva, arranca de suas mãos a credencial que trazia e a rasga. PLÍNIO se impressiona com aquela atitude e a agarra, furioso. Os dois brigam. Ele de repente a beija numa mistura de fúria e desejo. DORA a princípio resiste mas depois se deixa levar pelo envolvimento. Eles se sentam novamente na praia. Cria-se uma atmosfera estranha entre eles, um misto de atração e constrangimento, até que PLÍNIO quebra o gelo e começa a contar o passado de ROSAMARIA. DORA não desprega os olhos da areia. Quando então ficamos sabendo, em flash-back, do caso amoroso de ROSAMARIA com HEINRICH no Rio de Janeiro, quando DORA ainda era pequena (ROSAMARIA teve um filho com HEINRICH que se chama EDSON, no entanto, este pensa que é filho de NORMÂNDIA, uma vez que HEINRICH havia casado com NORMÂNDIA desde quando EDSON tinha um ano de idade.). DORA estranha o fato de PLÍNIO saber tantos detalhes sobre sua mãe, e ele fica como meio descoberto algo vulnerável. Alguma coisa parece perigar de vir à luz e ele se intranqüiliza e se levanta. DORA também se levanta e o aperta. PLÍNIO não consegue mais esconder; e diz que é irmão de DORA, filho também de ROSAMARIA com outro pai. DORA se revolta com ele. Pergunta-lhe como ele teve coragem de beijá-la daquela maneira. Demonstra asco e repugnância contra PLÍNIO. Ela nem se dá conta mais da informação primeira que PLÍNIO lhe trouxe, tamanho é o seu desatino por esta fixação momentânea. PLÍNIO tenta se desculpar pelo que fez, mas ela está completamente tomada de raiva e repúdio por ele. Nisso, ela sai de perto e ele a vê ir embora. Na fazenda do tio de FERNANDA no México, EDSON ganha a simpatia de JOSE GARCÍA e o apoio necessário para voltar a Friburgo com FERNANDA e retomar o trabalho de NORMÂNDIA, transferindo para a esposa o comando interno da fábrica, enquanto que, ele, EDSON, trataria de procurar novos parceiros para expandir a Pó Latino. JOSE, a esta altura, propõe-lhe a abertura de uma filial na Cidade do México, enquanto também se predispõe a sondar interessados em ingressar no negócio em países como Argentina, Chile, Uruguai e Venezuela. A esta altura, JOSE sugere a EDSON que pense em um novo produto que seja diferente, que possa ser amado e odiado ao mesmo tempo –


5 porque isso é golpe de marketing certeiro, infalível. EDSON está entusiasmado em falar com a JOSE; parece até mesmo um eventual substituto de seu pai. Consegue compreender bem o espírito da coisa e começam a discutir que tipo de produto poderia instilar repulsa e oposição em contraponto à sua aceitação e atração popular. EDSON então tem uma lembrança: diz que desde pequeno tinha uma coisa na cabeça, mas que nunca contou a ninguém por vergonha. JOSE fica curioso e quer saber do que se trata. EDSON conta que toda a vez que ia ao banheiro para evacuar olhava o seu COCÔZINHO e associava ao chocolate, talvez pela cor. Por isso gostaria de criar um chocolate com a forma de um COCÔZINHO. JOSE acha a idéia repugnante mas excelente. Entretanto, FERNANDA ouve e se opõe de imediato. Como vender a idéia de um produto associado a fezes?! JOSE se interpõe já imaginando a forma do produto. Explica como deve se proceder para o lançamento de COCÔZINHO, o Cacauzinho que Vicia. EDSON vibra com o apoio de JOSE. Mas, nesta noite, vê-se diante de uma FERNANDA rabugenta que briga com ele por causa de sua idéia. EDSON, ao contrário, não se contém; está num estado misto de excitação e delírio. Tinha convicção de que havia encontrado a galinha dos ovos de ouro da Normandy. Na JB & Folk, a nova ordem do momento é o dinamismo imposto na agência. Mais precisamente vê-se que é a dinâmica promovida pelos criadores na agência. Havia dez dias o pessoal vivia o ininterrupto dia-a-dia do brainstorming para encontrar estratégias e ações satisfatórias para a urgência que o novo clamor requeria: descobrir golpes e artifícios publicitários para a demanda do momento, a Fine Cigarettes. O pontapé inicial parecia aos poucos ficar claro: precisavam concentrar o foco na descoberta dos benefícios do chocolate; só depois é que fariam a associação deste com o tabaco. Eles sabiam que a guerra ia ser muito dura. NOVAES propõe então que o golpe publicitário proporcione um efeito estranho no mercado e no público: que a empresa de tabaco patrocine ou apóie uma propaganda de algum produto de chocolate. Para isso, no entanto, seria preciso convencer o pessoal da empresa de tabaco sobre a necessidade de se deixar a meio pé a bandeira do tabaco e sua imagem, enquanto fosse hasteados a bandeira heróica do cacau e o seu enorme status. O objetivo sugerido pela idéia era claro: a Fine Cigarettes apoiaria um determinado produto, de preferência um lançamento comercial do setor de chocolates, em troca do que, poderia, no segundo momento, comprar com desconto a matéria-prima dessa fábrica para fabricar o seu produto-descoberta. NOVAES via a coisa sem erro, dentro de uma perfeição sincronizada. Agora, contudo, a prioridade era montar esse esquema e apresentar a Fine


6 Cigarettes sentido.

para

a

aprovação

das

primeiras

ações

nesse

DORA chega em casa estranhamente calada. Parece que sua reflexão proporciona uma palidez facial e uma quietude em seu espírito, de modo que ROSAMARIA as percebe de imediato e indaga sobre aquele estado. DORA prefere o silêncio e a omissão e se retira. ROSAMARIA acha-a estranha, mas não lhe dá muita atenção em razão da sua própria interpretação inferir que a menina era muito jovem e com uma imprevisibilidade a toda prova. DORA, no seu quarto, pega a agenda de telefones e liga para RITA de Cássia, sua melhor amiga. E começa a contar o que lhe aconteceu com PLÍNIO gerando na outra um forte impacto. RITA sugere então a DORA que procure PLÍNIO para saber mais sobre a versão que ele contou a DORA. E a maneira pela qual a amiga lhe fala, faz com que DORA saia dali correndo para ver se consegue localizar PLÍNIO a tempo na praia. Quando a vê sair daquele jeito, ROSAMARIA chega até a ameaçar segui-la tal é o seu estado de intriga aquela altura. Na praia, DORA procura incessantemente por PLÍNIO, mas fica desolada por não localizá-lo. PLÍNIO está em outro canto de Ipanema. Pára em um orelhão e faz uma ligação misteriosa. Conta ao telefone que esteve com DORA e que ela não acreditou nele e que o abandonou ali na praia. Recebe a ordem de voltar para a praia e tentar novamente. PLÍNIO precisava convencê-la a ir para Friburgo para ambos procurar e conhecer EDSON, o outro irmão. O motivo: falar-lhe sobre a mãe em comum que eles têm. PLÍNIO indaga então sobre a possibilidade de DORA se recusar. O outro replica dizendo para falar que EDSON é dono da Normandy, que DORA não resistirá. EDSON e FERNANDA estão de partida de retorno ao Brasil. Passou-se um pouco mais de um mês e eles chegam ao Rio de Janeiro na manhã de 10 de janeiro de 2001. Juntos conseguiram superar a tragédia que assolou suas vidas em decorrência da morte de seus pais. Parecem refeitos e logo embarcam para Friburgo e reabrem a fábrica. Como tinham dado férias coletivas aos funcionários, voltaram e tiveram uma surpresa: os funcionários trabalharam o mês inteiro de dezembro, fabricando um grande número de bombons com a finalidade de serem doados a orfanatos e casas de saúde de crianças. A surpresa comove o casal, que resolve gratificar com um salário a todos os seus 50 funcionários de fábrica. E, como o clima é festivo e emocionante, o casal logo trata de convocar o pessoal para a novidade: em um mês a fábrica


7 vai lançar o produto mais repugnantemente delicioso do mercado de chocolates: COCÔZINHO, o Cacauzinho que Vicia. Na JB & Folker, JOÃO BATISTA finalmente recebe o aval para implementar a estratégia de apoio ao produto de chocolate pela empresa de fumo. No entanto, a empresa condiciona-lhe que, para isso, é conveniente que a fábrica de chocolates seja de porte mediano e que, de preferência, esteja lançando um produto novo. JB procura NOVAES, que lhe diz que a Normandy pode se encaixar na estratégia, afinal, argumenta, a fábrica deve estar passando por uma transição difícil pela morte da proprietária e que isso pode ser uma boa alavanca para um projeto de parceria. JB se empolga e determina a NOVAES que viaje para Friburgo e procure o responsável pela Pó Latino. Deve fazer-lhe uma proposta irrecusável: A JB bancará a campanha inicial de lançamento em todo Estado do Rio de Janeiro de um novo produto com apoio exclusivo da Fine Cigarettes em troca de cessão de matéria-prima mais barata para esta no decorrer do eventual contrato a ser firmado entre essas duas empresas. NOVAES arruma as suas coisas para viajar. Em Friburgo, os preparativos do novo produto já estão sendo encaminhados: Operários na fábrica preparando as fôrmas diferentes para o COCÔZINHO; no setor de embalagens estão sendo testadas diferentes matérias-primas para embalar o produto; EDSON faz discurso otimista na Câmara de Vereadores sobre a retomada da Normandy e à memória do pai. Na fábrica, FERNANDA fala aos EMPREGADOS que não gosta da idéia desse novo produto e tenta instigar o pessoal a falar com EDSON e fazer com que ele troque o nome do produto. Desde o surgimento de PLÍNIO, DORA mudou muito com ROSAMARIA. Em casa, a filha procura sempre fugir de um enfrentamento cara a cara com a mãe. ROSAMARIA tem se esgotado com isso. Nessa noite, ROSAMARIA chega irritada do Fórum por causa de uma causa perdida e encontra DORA em frente da TV comendo chocolate. DORA já se levanta para sair, mas ROSAMARIA vai para cima dela querendo saber o porquê de tal comportamento com ela. DORA chora de raiva. ROSAMARIA aperta-a para que ela fale. DORA fala que ela a traiu. Que guardara coisas que não devia guardar. ROSAMARIA estremece. Sente que tem alguma coisa no ar e reage com muita agressividade. As duas se xingam. O clima está muito tenso. O telefone toca. ROSAMARIA vai atender mas logo larga o telefone ao saber que era para DORA. DORA atende e vê a mãe sair. Do outro lado, a voz de PLÍNIO a coloca em estado de alerta. NOVAES chega a Friburgo. Ele marcou com EDSON pelo telefone uma reunião, por isso EDSON o está esperando na Câmara dos Vereadores. EDSON conta-lhe que seria melhor


8 fazerem a reunião ali pelo fato de FERNANDA, sua mulher, ainda estar cismada com o nome do novo produto, sobre o qual NOVAES não faz idéia àquela altura. NOVAES fica muito satisfeito em saber que EDSON tem em mente lançar um novo produto e coloca a proposta que o levou até ali. Aumenta a disposição entre eles; parece que realmente a circunstância nunca foi tão propícia para ambas às partes. EDSON sonda NOVAES antes de lhe revelar o nome do produto. Antes disso, liga para JOSE GARCÍA no México e lhe diz que o Diretor de Criação de uma grande empresa na área estava ali com ele. JOSE incentiva a EDSON dizendo para ele ser autoconfiante e otimista. COCÔZINHO era o melhor nome para um chocolate de sucesso. EDSON disfarça a NOVAES e diz que JOSE é seu consultor para negócios da América Latina. NOVAES propõe então que façam um jingle para o novo produto. EDSON diz que o nome do produto vai causar frisson no mercado e que não tem intenção de mudá-lo de modo algum. Aproveita e conta do por que eles estarem ali e não na Normandy: por causa de FERNANDA e sua recusa contra o nome do produto. NOVAES fica curioso e quer saber. EDSON faz um pouco de suspense dizendo que ou ele será odiado ou amado. Talvez os dois, dependendo do público. NOVAES diz que sem o nome não dá para começar a pensar na estratégia publicitária de lançamento. EDSON conta. NOVAES se surpreende, mas lhe cumprimenta satisfeito. PLÍNIO marca encontro com DORA. Desde aquele dia, DORA só pensava naquele beijo ardente e inesperado de PLÍNIO. Era como se naquele instante tivesse um grande despertar hormonal, fazendo aumentar a sua libido de ser amada selvagemente porque estava irremediavelmente atraída por PLÍNIO. Mas carregava o peso de saber que ele era seu meioirmão. E isso era proibido. Já lera em algum lugar que os filhos nascidos de irmãos traziam deformidades impressionantes. E isso a atormentava em contraste ao desejo íntimo que vinha nutrindo por PLÍNIO, desde aquele primeiro beijo. PLÍNIO percebe que ela está diferente daquela primeira vez. A sua voz é mais amena, mais dócil. E isto dá a PLÍNIO a convicção de tentar subjugá-la a seu modo. Ele diz que precisa vê-la novamente. Que não podem ficar separados depois que se encontraram. Que só assim é que encontrarão respostas para os seus destinos. Ele está envolvente e profundo, cativando a atenção de DORA. Eles marcam novo encontro na praia. Na Normandy, OTÁVIO PEREIRA, chefe do setor industrial, procura EDSON em nome de seus funcionários para pedir a ele que modifique o nome do novo produto. Alega que fez uma enquete entre eles e reparou que a maioria não simpatizava com ele. EDSON tenta defender o nome, dizendo que ele é estratégia de marketing, que o vai ajudar a construir uma


9 marca e expandir os negócios e produtos da Pó Latino. OTÁVIO insiste para EDSON procurar um meio termo, menos indecoroso talvez. EDSON se irrita com isso e pede para OTÁVIO dizer para os outros não mais se intrometerem. OTÁVIO sai e EDSON fica pensativo. Afinal, ele confiava muito em OTÁVIO e em seu grupo de funcionários, mas estava convicto em não modificar o nome. À noite, em casa, é a vez de FERNANDA confronta-lo mais uma vez por causa do nome. EDSON, ainda engasgado com a situação passada com OTÁVIO, reage como nunca havia reagido, revelando um traço agressivo que FERNANDA ainda não conhecia. Na JB, NOVAES conta a JOÃO BATISTA a novidade sobre o novo produto da Normandy. JB fica um pouco temeroso achando que a Fine Cigarettes talvez não queira se associar a um produto com nome de merda, mas NOVAES diz que eles poderiam faturar em cima dessa possibilidade convencendo a Fine de que tudo tende a se encaixar perfeitamente, isto é, poderse-ia criar um slogan ambíguo segundo o qual a Fine poderia encampar o seguinte bordão: “COCÔZINHO não faz fumaça mas enche a boca dos que sabem fumar!” E, assim, estaria preparando o terreno seguinte do lançamento do produto da Fine, a mistura de tabaco e chocolate, matéria-prima esta fornecida pela Normandy. JOSE GARCÍA liga do México para EDSON e diz que conseguiu contatos promissores em alguns países da América Latina. E tudo ajudou devido ao próprio nome da fábrica: Pó Latino. EDSON fica animado mas JOSE percebe alguma intranqüilidade no tom de voz de EDSON e faz com ele lhe fale sobre o problema que está vivendo por causa do nome do novo produto. JOSE continua apoiando-o sobre isto e pede para falar com FERNANDA, sua sobrinha. FERNANDA está abatida e chorosa; sentiu muito a atitude de EDSON e acaba passando ao tio o seu alarmante estado emocional. JOSE, diplomático, consegue demove-la, pelo menos momentaneamente. Quando desliga, FERNANDA confronta o olhar arrependido de EDSON. Nesta noite, os dois se amam como nunca se amaram. Nesta mesma noite, PLÍNIO e DORA resolvem estender o tempo combinando alguma coisa muito grave: PLÍNIO a convenceu da necessidade de conhecer EDSON, seu outro meioirmão em Friburgo. DORA se sente segura com PLÍNIO; tem a sensação de que ele é realmente o irmão que lhe faltava, no entanto está virtualmente apaixonada por ele. Tenta esconder isso dele. PLÍNIO parece não perceber uma vez que sua preocupação está limitada à intenção de convencê-la a conhecer EDSON. Eles chegam a uma decisão importante: DORA vai ter que fugir de casa e PLÍNIO precisará lhe ajudar.


10 Dia 15 de fevereiro de 2001. Na mansão dos Von Deerest em Friburgo, EDSON e FERNANDA combinam os últimos preparativos para a grande festa de lançamento de “COCÔZINHO”. Muitos CONVIDADOS da elite de Friburgo como também amigos dos pais de EDSON e FERNANDA virão do Rio de Janeiro para a grande festa. A JB também estará presente preparando uma grande surpresa para apresentar neste dia: Será passada em primeira mão o primeiro comercial de lançamento de COCÔZINHO, o Cacauzinho que Vicia. Mesmo o diretor da Fine Cigarettes também virá para representar a empresa de fumos. JOSE GARCÍA, tio de FERNANDA, prometeu desembarcar no aeroporto do Galeão na tarde do dia 16, no mesmo dia do grande evento. Na Normandy, a produção da primeira safra de COCÔZINHO está adiantada. Esta servirá apenas para consumo entre os convidados do evento de lançamento. Mas há grande mobilização entre os FUNCIONÁRIOS. Na fábrica, COCÔZINHO foi desenhado e ilustrado de várias formas pelas fachadas dos setores, dando um colorido todo especial ao clima de pré-lançamento. PLÍNIO e DORA encontram-se na praia. Só que eles não fazem idéia de que ROSAMARIA contratou um detetive para seguir a filha, depois de tanto desconfiar pelas seguidas mudanças notadas nesta. PLÍNIO combina com DORA a fuga. Eles vão se encontrar no final do dia, logo após a aula de ginástica de DORA, quando então seguirão até a rodoviária e pegarão um ônibus. O detetive fotografa o casal, mas PLÍNIO percebe e tenta pegá-lo, mas o detetive entra no carro e some. No escritório, ROSAMARIA atende BARRETO, o detetive, que descreve PLÍNIO para ela. ROSAMARIA ordena-lhe para que não desgrude PLÍNIO. Ela está desconfiada de que ele seja alguém muito perigoso porque DORA mudou depois que passou a se encontrar com ele. Barreto sai e ROSAMARIA atende um telefonema. Dou outro lado, NOVAES fala com ela. Diz-lhe que indo viajar por uns três dias e que vai sentir saudade dela. ROSAMARIA diz que quando ele voltar ela quer passar uma semana de férias com ele na Costa do Sauípe. Eles se despedem amorosamente. Na academia de ginástica, DORA conversa com RITA DE CÁSSIA. Diz sobre o seu sentimento e interesse por PLÍNIO. RITA incentiva-a a ser feliz mesmo que ele seja meio-irmão dela. DORA está incomodada e RITA percebe, mas pensa que é a angústia que ela está passando, mas na verdade DORA está intranqüila é com outra coisa. Na rua, PLÍNIO a espera com uma mochila às costas. Estacionado dentro do carro, BARRETO observa-o atento. DORA sai da academia e se despede de RITA e corre para encontrar PLÍNIO. Este a pega pela mão e ambos saem correndo entrando


11 numa galeria. BARRETO, preocupado, sai do carro e procura por eles, mas os perde de vista. Então sai na direção da galeria. Corre e procura pelo casal mas este sumiu da vista. Tenta aqui e acolá, até que desiste. Pega o celular e liga para ROSAMARIA. Quando esta atende, recebe um golpe na cabeça e desfalece. Vemos PLÍNIO falando para DORA que agora ele não escapou. Na rodoviária, PLÍNIO compra as passagens para Friburgo. Eles embarcam e o ônibus vai deixando a cidade. Mais tarde, BARRETO, já recuperado, liga para ROSAMARIA. Esta, furiosa com o desenlace contado por BARRETO, o despede. Ele tenta redargüir, mas ela desliga na sua cara. Dia 16 de fevereiro. Friburgo. A cidade está praticamente mobilizada para a grande festa. Há só uma preocupação: o lançamento de COCÔZINHO, o Cacauzinho que Vicia. NOVAES chega à cidade e vai se encontrar com EDSON. Também chegam PLÍNIO e DORA e entram no clima de expectativa reinante ali. DORA pergunta se ele sabia da festa; PLÍNIO diz que não fazia mínima idéia. Logo chegam JOSE GARCÍA e mais três GRINGOS latino-americanos, investidores estratégicos em produtos. Na festa, EDSON e FERNANDA recepcionam os CONVIDADOS. Pela casa, ornamentos especialmente preparados decoram os ambientes com a figura de COCÔZINHO nos mais diferentes aspectos. O contraste é chocante, porém original. Muitos convidados chegam ao local. NOVAES passa no telão o filme de lançamento. COCÔZINHO é a coqueluche; em todos os grupos, ouvimos algo a seu respeito. É o centro de tudo. Na festa, os funcionários da fábrica, genuinamente fantasiados de COCÔZINHO, distribuem o produto embalado diversificadamente. O evento é um sucesso. Como a festa é aberta ao povo da cidade, chegam DORA e PLÍNIO. PLÍNIO mostra para ela a figura de EDSON. EDSON conversa com NOVAES. DORA se aproxima sozinha dos dois e pede uma palavrinha com EDSON, que lhe faz a gentileza. DORA lhe diz que ela é sua irmã. EDSON tem um baque.


Chocolate em Tudo