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Pedro Markun Diretor Julia Almeida Alquéres Editores Daniela Silva Felipe Meyer Redação Gil Tokio Capa Felipe Cunha Felipe Meyer Gil Tokio Quadrinhos

Como expor o problema do analfabetismo, a angústia e a incapacidade de escrever sem apresentar as pessoas iletradas ou em processo de aprendizagem como caricaturas? Episódios tragicômicos de um YouTube real e cheios de 'Fala Sônia' ou 'Sanduixeixe'?

Felipe Meyer Diagramação Julia Alquéres Revisão Jornal de Debates é um informativo gratuito publicado e distribuído pela Nunklaki Comunicações. Venda expressamente proibida. ERRATA: A edição número 2, com temática de Quadrinhos e Literatura, infelizmente caiu na rua com alguns erros técnicos, pelos quais pedimos desculpas e lembramos que todos os textos publicados no Jornal de Debates estão presentes também no nosso site: www.jornaldedebates.com.br. Informamos também que trocamos de fornecedor e, portanto, tais erros não devem voltar a ocorrer.

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Conheci a Julia, que coordena e edita essa edição do jornal, na Flip de 2007, a afinidade foi imediata em grande parte devido às preocupações e aspirações comuns... Meses depois encontrei com ela em São Paulo, estava atrasada e havia ficado no metrô conversando com uma menininha que vendia balas - conversaram por bastante tempo, falaram de leituras, educação e família... E falaram do tempo. Julia disse que precisava vir me encontrar, a menina quis saber quando ela voltava para poderem brincar novamente com ela. Nem sei ao certo se elas voltaram a se ver, mas sei que quando ela chegou, estava maravilhada e desconcertada com a sequência daquela conversa... Para a menina "quarta-feira" não fazia nenhum sentido e era bastante estranho que pudessem existir quatro dessas em um único mês... Tudo aquilo que estava por vir era amanhã e as coisas que já passaram representavam um ontem bastante distante. Nossa conversa embalou sobre o tempo e falamos das tribos africanas que tal qual a menina, entendem por futuro, tudo o que vier depois do amanhã. Em alguma instancia, acredito que tenha semelhanças esse desconforto com aquele do Fabiano de Graciliano Ramos, incapaz de defender-se por não conseguir articular as palavras, ou dos analfabetos desnudos frente a um mundo que depende da escrita para muitos dos processos sociais e mesmo em outra medida a nossa própria frustração burguesa quando em uma viagem para um pais estrangeiro nos vemos encurralados por uma cultura e um idioma que estão fora de nossos domínios. Mas acredito e entendo também esse futuro que não tem data, mas pode muito bem estar ali logo após o amanhã. Essa edição é uma provocação particular nesta que é a maior festa de literatura de um dos países com o maior índice de analfabetismo funcional do mundo. Precisamos, não só formar leituras e escritos mas também leitores e escritores. Criamos o LivroLivre, que pretende dar nova vida aos velhos livros que juntam poeira e adoração em nossas estantes. O Dicionário Popular Brasileiro, uma ferramenta audiovisual que permite o registro de ideias e conceitos em um suporte que passa ao largo do domínio da escrita... E nesse sábado estamos também promovendo uma oficina na Flipinha, que com a criação de pequenos livros recicláveis, pretende desconstruir e desmistificar o objeto tornando-os acessíveis para as crianças. São ações pontuais e talvez insignificantes perto de um problema colossal com causas que penetram fundo na estrutura social... Mas é a melhor resposta que conseguimos dar para essas questões. Escrever é preciso, mas para que escrevam precisamos agir. Pedro Markun


“Andar pela cidade é imaginar”. Isso me foi dito por um amigo escritor, por vocação, não por profissão; um homem que dizia haver gente destinada a viver as histórias e gente nascida para contá-las. Mas eu tinha dúvidas. Qual a diferença entre a vida que se sabe certa e a vida que se recria? Como saber se me encaixava no fazer ou no viver? Ele não me deu as respostas, morreu antes do tempo, mas bem sabia que se precisasse mesmo delas já as saberia.

grisalho. Ele tocava um pandeiro surrado e entoava um samba em busca de moedas. Continuei o passeio e vi, na Avenida Principal, um Alexandre que, no bar de esquina, devorava um bolinho frito no óleo e levava o copo gelado à boca: cerveja e ideias. Invadido por uma humanidade só possível de ser alcançada – reconhecida? – no boteco, despojado em sua calça de flanela, cabelo despenteado e barba por fazer, dividia a mesa com o jornal amassado e um caderninho de marca famosa – sentia-se imenso em sua complexidade e distinção.

Um dia, só, a caminhar pelo centro da cidade, entendi o que ele havia dito. Quem me fez compreendê-lo, sem dizer palavra, foi o moço da barraca de cachorro-quente ao manejar com destreza instrumentos e ingredientes. Em menos de um minuto fez um sanduíche completo, purê, batata palha e molho. Eu demorava três horas para fazer um daqueles. Deliciei-me com sua habilidade no exercício de sua profissão, com seus olhos fundos, sua mão em calos, sua risada comprida. Quem era ele? Teria uma filha chamada Andréa? Um irmão chamado Otávio? Veria um clássico do futebol todo domingo às seis da tarde no bar de um Apolinário?

Na mesa ao lado estavam algum Lucas e duas Marianas em uma conversa altiva e inflamada. Especialistas em todos os temas, de aviões que caem por panes, imperícias e peripécias à matança de pessoas em situação de rua. Nada poderia deixar de ser discutido, polemizado: desigualdade, agressão, tráfico de drogas, pedofilia, axé music. Precisavam até das almas como testemunhas de sua visão (privilegiada?) de uma realidade triste, cínica e acinzentada. Mas nenhuma verdade era suficientemente memorável para ser escrita.

Segui com ele por uns quarteirões, não em pessoa, só na cabeça, até ver uma menina espantando pombos que comiam migalhas na praça. Ela tinha cabelos negros e curtos, olhos verdes e pele morena. Gritava alto: – Avoa, avoa passarinho! – e, nesse arrebato descontrolado quase trombou com um negro

Dois quarteirões depois, o cachorroquente já no fim e a mão lambuzada de molho, vejo a placa “Redação solidária para adultos”. De lá saiu uma moça de cintura roliça, risonha. Era Maria Bonita. Aprendera que escrever era mais do que botar nome, endereço no preenchimento da ficha. Era, diria a

A anciã, incomodada, pigarreou quando Erich pediu-lhe que lesse seu destino. Pegou o braço do garoto com violência e apoiou a mão direita dele na sua esquerda, a sinistra. Com a unha comprida, fez desenhos invisíveis, resmungou alguma coisa, soltou um suspiro de descontentamento e disse: não. Empurrou-o para longe de si e afastou-se. O menino, desolado, esperou ali, sem saber o que fazer. E as ciganas, que até então vinham passando seus dias sorrindo e movendo-se com leveza, arrastando os vestidos coloridos no chão sujo, sentaram-se em círculo, com seriedade. Discutiram, gesticulando. Então, levantaram-se como rainhas e caminharam decididamente por entre a multidão de pedestres que fluía pela rua de ladrilhos. Viraram à direita, mais adiante, e Erich as perdeu de vista. Depois de alguns segundos de indecisão, correu atrás delas como quem se joga de cara em uma onda, no mar, para evitar ser arrastado de volta para a praia. Quando as errantes perceberam que o menino as seguia, o grupo parou. Rindo, uma das mais jovens aproximou-se e tocou-lhe o rosto, carinhosa. A noite que nascia tocava-lhe o rosto também, tenra. Sem falar nada, ela levou a criança até as outras e os sete continuaram a se afastar pela rua de ladrilhos. Algumas horas depois, sentaram-se no chão, protegidos pela iluminação de um poste que piscava, em vias de apagar-se. Cantaram

músicas em línguas que Erich não conhecia, dançaram balançando os vestidos surrados, falaram-lhe de lugares que não existiam e por fim deitaram-se umas em cima das outras. De manhã, o garoto acordou sozinho, deitado no chão. Não reconhecia o cenário: casas antigas, vegetação levemente verde tomando conta dos terrenos abandonados, estrelas nítidas no céu, névoa e cheiro de mar... O chão, já quase sem pavimento, estava coberto de terra e de areia molhada. Queria prosseguir, mas não sabia que caminho tomar. Triste, sentou-se no chão e cobriu os olhos com as mãos doces. Quando deu por si, a velha estava ajoelhada na sua frente, balançando a cabeça e mascando uma folha de hortelã. Estendeu-lhe a mão e disse, com a voz enrouquecida: "Os caminhos não levam a lugar nenhum; se levassem, todas as coisas já deveriam ter sido descobertas. Você só será um verdadeiro Conquistador quando deixar de usar os caminhos de pedra e de terra batida. As trilhas, meu pequeno, são só trilhas! E já foram trilhadas...". Saíram dali. Juntaram-se ao restante do grupo um pouco mais adiante, quando já estavam atravessando uma pequena floresta tropical. Afastaram as últimas samambaias e chegaram à praia. O sol atirava seus raios como se fossem flechas. Erich pisou com os pés descalços na areia gelada e úmida e caminhou em direção ao mar. Algumas

professora, traduzir sentimento em palavra; dizer do pão e mais, do ovo e mais; do olho inchado, das pernas cansadas, dos amores azarados, do forró, do Geraldo, da cria perdida, do arroz na panela queimando, do espelho dizendo o contrário do que se implorava a ele. Fim de lanche e de tarde. Entrei no ônibus para voltar, e não pude evitar ler o nome do cobrador: Aldeir. Vinte anos, lia um livro enquanto esperava os passageiros rodarem a catraca. Sentei-me, meus olhos atravessaram a janela, deixando o centro para trás como quem deixa a própria história. De repente, escutei uma voz dizendo: “A minha família é mágica”. Voltei-me para ela, querendo saber seu rosto. Uma menina de uns cinco anos corrigiu-se logo que me viu a fitá-la: “Não, é mágica não!”. Senti-me triste. Naquele momento quis que o dia todo se repetisse muitas vezes e torci para que o ônibus demorasse a voltar para casa, não podia mais perder um minuto sequer de João, Iracema, Edivani, Josefa, Mustafá. Sim, andar pela cidade era imaginar-se dentro de todas as vidas que não a sua. E essa estranha sensação era o fardo e a delícia de quem nascera para contar histórias. Senti medo demais de morrer antes de conhecer todas elas.

gaivotas pousavam nas pedras e saudavam as ciganas. Então, uma nau apareceu no horizonte, incrível, com a madeira rachada e a vela esburacada. Vinha empurrada por um vento insistente. O barco atracou ali mesmo, enfiando-se na areia. O mastro antigo caiu a queda que vinha ensaiando há eternidades. Então, Erich viu um menino andando na água, saído da embarcação, um menino esbranquiçado, loiro, um menino magricela vestindo uma armadura cheia de lodo e ferrugem; segurava, com a mão esquerda, uma espada que pingava sangue envelhecido. Aproximou-se de Erich, olhou-o com seus olhos brancos e disse-lhe com ternura: "Retornei das brumas de Ksar-El-Quibir, vim pelas névoas de cinco séculos agonizantes e percebo que chego em boa hora. Eu, o rei desejado e adormecido, filho de muitos reis e pai de nenhum, eu desembarco aqui nessa praia e percebo que cheguei em boa hora. Atravessei desertos amarelos, venci tempestades de areia e morri ao lado do rei mouro, e ainda assim percebo que cheguei em boa hora. Venha comigo, criança, me dê a mão: juntos, traremos reparação". Erich estendeu sua mão para D. Sebastião, o Rei Infante, e os dois caminharam de volta para dentro da floresta. E as ciganas, as seis sumiram.


Dogivaldo de Jesus tem 30 anos e veio do Ceará para São Paulo faz oito dias em busca de alguma oportunidade de emprego. E apenas em uma semana já perdeu vaga em farmácia e churrascaria. O motivo? Não sabe ler nem escrever, exigências de ambos os trabalhos. Foi por isso que Dogivaldo, que nunca frequentou escola alguma, resolveu ingressar no Caminho Novo, programa de alfabetização do Arsenal da Esperança, casa no bairro da Mooca em São Paulo, que acolhe homens em situação de rua. Assim como Dogivaldo, os homens que procuram o Caminho Novo estão em busca de uma melhor oportunidade de trabalho. O alagoense Reginaldo Pereira dos Santos, 31 anos, frequenta as aulas há dois anos e diz que a alfabetização lhe ajudou muito. “Eu faço balcão e armários. Antes não sabia medir, era ruim, porque tinha que ter alguém do meu lado sempre. Agora já sei”, conta. Reginaldo diz que também resolveu aprender a ler e escrever, pois queria saber ler os cardápios de restaurantes. “Antes eu pedia qualquer coisa do cardápio, só indicava com a mão, tinha vergonha de perguntar o que era. E muitas vezes eu tinha que pagar caro por comida que eu nem gostava”, confessa. Elenito Queiroz, baiano de 36 anos, também começou a estudar no ano passado e já sente a diferença no trabalho. “Sou pedreiro e hoje ganho melhor porque já consigo escrever os materiais que preciso

comprar para o serviço”, diz. Mas aquilo que mais incomodava Elenito quando analfabeto era o fato de não poder escrever cartas para as suas namoradas. “Elas me mandavam cartas e eu não sabia ler, tinha que pedir pra alguém. E às vezes era ruim, porque tinha segredos que eu não queria que ninguém soubesse”, conta. Hoje se gaba por conseguir escrever cartas para as namoradas sem a ajuda de ninguém. Mas não é sozinho tampouco de uma hora para a outra que cada um destes homens se torna letrado. O trabalho das professoras é árduo e fundamental. As aulas acontecem de segunda a sexta à noite, das 19h às 21h30. Na última segunda-feira, dia 29 de junho, a professora Sandra Fernandes Westin ensinava à primeira turma – aquela que está começando a ser alfabetizada – a escrita de palavras que tem relação com festa junina. Para aproximar os alunos do assunto que será tratado em aula, as professoras costumam relacioná-lo com a região de origem deles. No caso da festa junina, como tinham vários alunos nordestinos, Sandra começou perguntando quais eram as comidas típicas das festas do nordeste. Pamonha, canjica e milho assado, logo responderam três dos nove alunos presentes na sala. - E qual é a bebida típica? - Quentão!

- E do que é feito o quentão? - Gengibre. - Cachaça. - E como é feito o quentão? Novamente, aos poucos, os alunos davam as respostas e a professora as escrevia na lousa que, também aos poucos, era copiada em cada um dos nove cadernos. Assim, o “texto coletivo”, como é chamado o conteúdo presente na lousa no fim da aula, é produzido por todos dentro da classe. Todo mundo aprende, inclusive a professora Sandra. Naquela segunda-feira, por exemplo, aprendeu pelos estudantes que muitas vezes ao quentão é acrescentado um pouco pimenta do reino. “Aqui nós resgatamos a história de cada um”, afirma Sandra ao contar que a forma mais fácil de ensiná-los é fazer com que falem sobre eles mesmos, sobre suas experiências. Foi dessa maneira que Reginaldo dos Santos aprendeu a pegar apenas um ônibus para ir ao trabalho e não três, como fazia quando era analfabeto e tinha vergonha de perguntar para as pessoas qual era o ônibus que estava chegando no ponto. Também foi desse jeito que Elenito Queiroz conseguiu ter um salário melhor em seu trabalho e escrever cartas para as suas namoradas. E é assim que Dogivaldo de Jesus espera encontrar um bom emprego, aprendendo a ler e a escrever.


“Como é que você quer que comece a carta?”, é esta a primeira pergunta que os voluntários do programa Escreve Cartas, criado há oito anos pelo Governo do Estado de São Paulo, fazem para as pessoas que precisam escrever, mas não conseguem, pois possuem uma alfabetização rudimentar. No último dia 26 de junho, entretanto, por volta das três horas da tarde, quando o movimento era pequeno no Poupatempo de Santo Amaro, a voluntária Maria Elvira Valente nem teve tempo de fazer a primeira pergunta. É que Zenaide Dantas dos Santos, aracajuense de 54 anos, sentou em sua frente e começou a falar sem pausa. “Quero escrever uma carta pra alguém da televisão. Eu preciso de ajuda”, desesperava a senhora antes de atropelar a própria língua e ter os olhos encharcados de lágrimas ao contar a sua história. Do que Zenaide contava, pouco dava para entender. Sua casa de Embu Guaçu havia sido destruída e encontrava-se, segundo ela, “sem porta, sem pia, sem nada”. Dizia que a filha de 22 anos sonhava em fazer faculdade de direito e de outra coisa que não se lembrava do nome; que queria montar uma pequena

loja na casa destruída; que não via a mãe há trinta anos; que sentia saudade; que a vida era difícil. Enquanto isso, a netinha de quatro anos dormia sentada em um banco atrás da avó. E a voluntária Elvira, formada em psicologia, achou melhor interromper a senhora pedindo calma a ela. Então começou a escrever e a ler para saber se Zenaide estava de acordo com as palavras. A aracajuense fazia que sim com a cabeça e disparava a contar sua história sofrida. De tudo o que foi dito por ela, Elvira fez um pequeno resumo com as mesmas informações que entendi de Zenaide. Em primeira pessoa, ela escrevia contando da situação da senhora ao Gugu e pedindo que ele, então, arrumasse a sua casa e que ajudasse a sua filha. E quando a carta foi inteira lida, Zenaide ficou esperançosa e acalmouse. Então pode assinar com as únicas palavras que sabe escrever: Zenaide Dantas dos Santos. E há algumas pessoas que vão ao Escreve Cartas e tampouco conseguem escrever o próprio nome. Quando é assim, os escrevedores, como também

são conhecidos os voluntários, têm de pegar na mão da pessoa e, junto com ela, desenhar o nome inteiro na folha de papel. A maioria das cartas escritas no Poupatempo – o serviço foi implantado primeiramente nas duas unidades que recebem mais migrantes e pessoas de baixa renda, Santo Amaro e Itaquera, depois surgiram os postos de São Bernardo do Campo, Osasco e Guarulhos – são de pessoas como Zenaide, que fazem pedidos para programas de televisão. “Muitos também pedem para a gente escrever para a prefeitura, pedindo que arrumem a rua onde moram; que coloquem mais iluminação”, conta a voluntária Lucia Marcarini, que trabalha no programa desde o início dele. Mas há também pessoas que querem mandar cartas para parentes distantes que, na maioria das vezes, estão no nordeste. “Muitas querem localizar parentes”, diz Lucia contando da vez em que uma mãe queria localizar um filho que não via há 37 anos e que estava na Bahia. Através de uma carta, ela conseguiu. “Depois o filho dela veio para São Paulo e ela trouxe ele aqui para agradecer a gente”, conta a escrevedora. Além de terem de lidar com a emoção das pessoas, os voluntários precisam tomar cuidado especial com as palavras que escrevem. “Nossa função é escrever em português correto, sem erro de gramática, mas sem esquecer de usar a linguagem deles (pessoas que pedem para escrever as cartas)”, explica Lucia Marcarini. Se a pessoa pede para escrever uma carta para sua mãe, por exemplo, e refere-se a ela com “mainha”, é assim que o voluntário deve escrever. Além das cartas, o programa Escreve Cartas atende também pessoas que têm dificuldades para preencher os formulários dos outros serviços prestados pelo Poupatempo. Os escrevedores ainda são procurados por indivíduos que querem fazer seus currículos. E é assim que o Escreve Cartas, inspirado no filme Central do Brasil, em que Dora escreve cartas para analfabetos na estação Central do Brasil, atende em média 1,8 mil pessoas por mês na grande São Paulo. Brasileiros que, na maioria das vezes, conseguem apenas escrever o próprio nome.


O que é a escrita? Historicamente, a escrita é uma das inúmeras tentativas de comunicação do homem. Desde os tempos da caverna, há muitos registros mundo a fora que comprovam a ação humana. Se em algum momento da História “houve um tempo em que a escrita era de difícil acesso ou atividade destinada a alguns poucos privilegiados, na atualidade, a escrita faz parte de nossa vida, seja porque somos constantemente solicitados a produzir textos escritos (bilhetes, email, listas de compras, etc.) seja porque somos solicitados a ler textos escritos em diversas situações do dia a dia: placas, letreiros, anúncios, embalagens, emails, etc, etc.” (Koch: 2009: 31). Por que escrevemos? Eduardo Galeano, para responder a esta pergunta, escreve: A gente escreve a partir de uma necessidade de comunicação e de comunhão com os demais, para denunciar o que dói e compartilhar o que dá alegria. A gente escreve contra a própria solidão e a dos outros. A gente supõe que a literatura transmite conhecimento e atua sobre a linguagem e a conduta de quem a recebe; que ajuda a nos conhecermos para nos salvarmos juntos... A gente escreve, em realidade, para a pessoa com cuja sorte ou má sorte nós nos sentimos identificados, os maldormidos, os rebeldes e os humilhados desta terra, e a maioria deles não sabe ler". A mesma pergunta foi feita a um aluno de EJA (Educação de Jovens e Adultos) de 52 anos, motorista particular, que respondeu: Eu escrevo porque tenho muita coisa dentro de mim que queria contar para outras pessoas e estas coisas não terão o mesmo sentido se forem só contadas. Eu escrevo para a minha vida ficar registrada com o pensamento que tive num momento de minha vida. Escrita para os alunos adultos A escrita é presente em nossa vida, isto já o sabemos. Mas, o que é a escrita para os alunos adultos? Diferentemente dos alunos que frequentam escola regular, os alunos adultos são trabalhadores em diferentes profissões e oriundos de camadas sociais de pouca relação com o mundo letrado. Em geral, vindos do campo por inúmeras razões e, ao chegarem na cidade, deparam-se com um mundo mais organizado pela escrita. Seja de código escrito ou visual. Neste universo, bem diverso do mundo de origem do estudante adulto de relações mais próximas com o ciclo da natureza, o adulto pouco escolarizado sente-se instado a submeter-se à apreensão dos códigos de comunicação

convencionados pela relação público/privado. Do contrário, ficará à mercê dos 'doutores' ou 'espertos' presentes neste mundo. Pode-se confirmar esta desconfiança em filmes como o A Marvada Carne, do diretor André Klotzel (Brasil, 1985). É um filme divertido sobre a cultura caipira, por onde passam várias figuras de mitologia brasileira como o Saci, o Tinhoso, a Corupira. Para a produção do filme foram feitas pesquisas sobre a vida e a cultura da roça, incluindo as técnicas construtivas de moradia (pau-a-pique), as crendices, as tradições religiosas e as expressões linguísticas, que tornam o filme excelente para a discussão tanto sobre valores culturais e cultura popular quanto para fazer a comparação entre a cultura regional e a globalizada. E, também, em Vidas secas, de Graciliano Ramos, na expectativa da família de retirantes que por não possuir bens, apenas algum “trem” para usar expressão generalizada e generalizante no universo do povo mineiro, estão em constante necessidade de deslocar-se para outro espaço. De pouca ou nenhuma familiaridade com o universo da escrita, Fabiano tem de acreditar nos apontamentos do patrão e na explicação em poucas palavras, mas impondo o distanciamento de quem fala para quem tem a necessidade de ouvir e deve respeito. Há muito que o domínio da escrita era dos escrivões e dos eruditos (BARRÉ-DEMINIAC: 2006:38) citado por Koch e Elias, mas, ainda hoje se pode verificar como a ideologia dominante está fincada no imaginário dos que buscam a escolarização nos anos de maturidade. No caso de Fabiano, a personagem principal do romance Vidas secas, é impressionante como ele tem de se apegar à mulher, aos dois filhos e à cachorra Baleia para que sua vida faça sentido. Aquela desconfiança internalizada de que as outras pessoas aproveitam-se dos 'pouco letrados' como pelo comerciante, seu Inácio, misturando água ao querosene, e o soldado amarelo provocando-o por ser gente do governo – o que ele Fabiano não podia entender bem, apenas aceita que o soldado podia mandar. Não é o caso aqui de apresentar bibliografia, ainda incipiente, sobre a escrita destes alunos, mas, há já alguns estudos que promovem discussão acerca do assunto. Importante ressaltar que é muito recente a escolarização da população como um todo e caminha-se para uma democratização do acesso aos códigos de letramento com o propósito de diminuir o número de analfabetos no país. Há, ainda, um longo caminho a se fazer, principalmente porque os professores de forma geral têm internalizada, ainda, a maneira correta de escrita e seguem um modelo defasado para a escola de hoje ou a destes alunos adultos.

Porém, esta própria iniciativa do Jornal de Debates – um jornal a ser distribuído na Flip, espaço privilegiado de escritores – mostrou interesse em escrever uma matéria sobre a escrita dos estudantes adultos que procuram ou procuraram a escola como meio de inserção sócio-histórico-cultural. Uma digressãozinha! Neste universo de múltiplas relações, é possível que à sua frente, ou ao lado, haja um homem ou uma mulher que ainda não sabe ler nem escrever. E ela ou ele preparou o espaço onde você se sentiu bem – ou mal, pois somos muito apegados ao nosso universo pessoal! – porque o local estava limpo, a flor no vaso, viçosa... Quais serão os desejos deste ser? O que ele escreveria sobre o evento? Que modos de representação tem de suas 'desconfianças'? À pluralidade de perguntas, coloca-se várias respostas que nos fazem “pensar que o modo pelo qual concebemos a escrita não se encontra dissociado do modo pelo qual entendemos a linguagem, o texto e o sujeito que escreve. Em outras palavras, subjaz uma concepção de linguagem, de texto e de sujeito escritor ao modo pelo qual etendemos, praticamos e ensinamos a escrita, ainda que não tenhamos consciência disto.”(Koch e Elias; 2009:32) Na perspectiva de uma escrita interacional (dialógica – termo tão caro a Paulo Freire!) – a escrita é vista como produção textual, e isto significa dizer que aquele que produz o texto pensa no que vai escrever e, também, no leitor; e depois que escreve, lê o que escreveu, revê ou reescreve o que julga necessário, seja para verificar a clareza das ideias ou completar o pensamento presente no texto ou mesmo por acréscimo de novas informações. E a escrita assim entendida, não é pensada apenas como uma competência do uso do código, mas sim na perspectiva da construção de uma teia invisível que vai desvelando as experiências e sentimentos desta mulher ou homem adulto que frequentemente durante o dia pode ver a patroa ou o patrão, ou os estudantes da casa praticando o ato de escrever. E tem de escrever a lista de compras da casa e ver os outdoors na rua. Ao assimilar este instrumento, o aluno adulto, também, torna-se pertencente a este universo, porque escrever é uma maneira de sentir e ressentir o mundo e a vida. A escrita para os alunos adultos, então, é uma atividade que mobiliza um vasto conjunto de conhecimentos do escritor em seu sentido mais geral que tem em si aprisionado um mundo de sentimentos, expressões e experiência. É, portanto, um modo de organizar a alma do indivíduo e de um povo. Gosto de pensar a educação – e a escrita dos alunos adultos – como prática de liberdade.


Quando em maio foram divulgados os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2007, a imprensa deu destaque à persistência de elevados índices de analfabetismo entre os jovens e adultos brasileiros: 14 milhões de pessoas, o que representa 10% da população com 15 anos ou mais de idade, responderam à Pesquisa que não sabiam ler ou escrever um bilhete simples. Mantido esse lento ritmo de redução do analfabetismo - de 0,5% ao ano em média – a superação desse fenômeno pode demorar ainda duas décadas. Se esse indicador revela a baixa eficiência das campanhas de alfabetização de jovens e adultos implementadas no país desde a década de 1950, é ainda mais expressivo o dado de que 25% dos jovens e adultos não concluíram sequer quatro anos de estudos, condição que a UNESCO identifica como analfabetismo funcional, pois está associada a um manejo incipiente das habilidades de leitura e escrita. A escolarização é utilizada como medida de alfabetismo, pois as pesquisas indicam que, embora este não seja o único processo pelo qual se adquire e desenvolve a leitura e escrita, a frequência à escola é determi-nante na aquisição dessas habilidades. A expressão analfabetismo funcional é empregada nos estudos sobre o letramento para designar a condição de pessoas que passaram por processos de alfabetização, podem escrever e ler palavras, frases ou textos curtos, mas que não são capazes de interpretar textos e expressar-se por escrito com propriedade, fluência e autonomia, o que restringe a comunicação, o acesso a informações e aprendizagens, e a participação em muitas das práticas letradas que permeiam a vida social contemporânea, em especial no meio urbano. A maior parte das pesquisas (e também as matérias jornalísticas) que tratam do alfabetismo entre as pessoas

jovens e adultas abordam a força da oralidade na cultura popular brasileira ou as singularidades das práticas de leitura nesse meio, sendo pouco conhecidas características da produção textual de brasileiros com pouca ou nenhuma escolaridade. Alguns desses estudos desvelam o preconceito de que são vítimas as pessoas cujos direitos educativos foram violados, uma vez que em sociedades grafocêntricas o analfabetismo e a baixa escolaridade são expressões culturais de processos mais amplos de exclusão social, e o significado negativo atribuído a essa condição combina-se a outras hierarquias decorrentes da situação econômica, da origem regional, do pertencimento étnico-racial ou da variante linguística praticada. Em meio à escassez de estudos aprofundados, são os professores envolvidos na educação de jovens e adultos aqueles que melhor conhecem as práticas de leitura e escrita das pessoas recém alfabetizadas ou com reduzida escolaridade. Para os espaços formativos destinados aos adultos acorrem migrantes rurais privados do estudo na infância e adolescência pela ausência de escolas e pelo trabalho precoce, e também jovens das periferias urbanas cujas trajetórias escolares foram descontínuas e mal sucedidas. Nos grupos com menor escolaridade, predominam os migrantes, cuja vivência rural foi avara em contatos sociais e práticas de leitura e escrita, restritas a eventuais cartas, contas de armazém e cerimônias religiosas. Para esses adultos e idosos, o estudo é parte do difícil processo de adaptação às linguagens, modos de vida e ocupações urbanas, sempre mediados pela escrita e símbolos visuais. A escrita dos jovens e adultos em processo de escolarização está distante da norma culta, denota o aprendizado incipiente das regras da sintaxe, ortografia e gramática, mas cumpre sua

função comunicativa. Que usos fazem da escrita esses aprendizes? Na escola, os educadores incentivam que, para além do registro, a escrita seja empregada como forma de expressão da subjetividade. Nesse âmbito, predominam os relatos autobiográficos, ricos de referências à família, aos costumes e à natureza nos territórios de origem, à rememoração das dificuldades da vida na pobreza e no trabalho braçal, às raras festividades e eventos sociais. Do pouco que se conhece de suas práticas de escrita na vida cotidiana, consta um uso instrumental para fins de planejamento e controle, conformado por registros simples realizados em casa ou no trabalho (listas, quantidades, preços, memorandos) ou tarefas burocráticas (assinaturas, formulários). Mas é recorrente a menção ao uso não pragmático da escrita de cartas pessoais, por meio das quais esses jovens e adultos reafirmam e nutrem os laços afetivos com as famílias e os amigos separados pela migração. Para além dos usos cotidianos, devemos nos perguntar sobre os sentidos que atribuem às práticas de leitura e escrita os jovens e adultos cujo processo de alfabetização é recente ou ainda está em curso. Além de se apropriar de ferramentas culturais cuja privação serve à construção de hierarquias sociais que nutrem preconceitos e promovem exclusões, esses jovens e adultos estão em busca de autonomia para mover-se no espaço urbano, melhorar seu posicionamento no mercado de trabalho, ter acesso à informação e fruir os bens culturais. Autonomia para prescindir do escriba ou do leitor, cuja assistência solidária acaba por violar a privacidade da correspondência. Autonomia para participar dos assuntos públicos e formar juízos com independência em relação aos patrões, aos mandantes políticos e aos meios de comunicação de massa.


Fabiano cochilava, a cabeça pesada inclinava-se para o peito e levantava-se. Devia ter comprado o querosene de seu Inácio. A mulher e os meninos agüentando fumaça nos olhos. Acordou sobressaltado. Pois não estava misturando as pessoas, desatinando? Talvez fosse efeito da cachaça. Não era: tinha bebido um copo, tanto assim, quatro dedos. Se lhe dessem tempo, contaria o que se passara. Ouviu o falatório desconexo do bêbedo, caiu numa indecisão dolorosa. Ele também dizia palavras sem sentido, conversava à toa. Mas irou-se com a comparação, deu marradas na parede. Era bruto, sim senhor, nunca havia aprendido, não sabia explicar-se. Estava preso por isso? Como era? Então mete-se um homem na cadeia porque ele não sabe falar direito? Que mal fazia a brutalidade dele? Vivia trabalhando como um escravo. Desentupia o bebedouro, consertava as cercas, curava os animais - aproveitara um casco de fazenda sem valor. Tudo em ordem, podiam ver. Tinha culpa de ser bruto? Quem tinha culpa? Se não fosse aquilo ... Nem sabia. O fio da idéia cresceu, engrossou - e partiu-se. Difícil pensar. Vivia tão agarrado aos bichos. .. Nunca vira uma escola. Por isso não conseguia defender-se, botar as coisas nos seus lugares. O demônio daquela história entrava-lhe na cabeça e saía. Era para um cristão endoidecer. Se lhe tivessem dado ensino, encontraria meio de entendê-la. Impossível, só sabia lidar com bichos. Enfim, contanto ... Seu Tomás daria informações. Fossem perguntar a ele.

No quinto país em área e população do mundo, há mais de dez formas de se dizer "pão". Embora não haja consenso sobre a questão, teóricos indicam a existência de 11 dialetos derivados da língua portuguesa no Brasil. Mapear os diferentes sentidos, sotaques e modos de dizer é a proposta do Dicionário Popular Brasileiro, projeto que vai criar um mosaico audiovisual de significados, composto pelas percepções de pessoas das várias regiões, etnias, crenças e classes sociais do país. Enfrentamos a iminência de uma unificação das diferentes línguas portuguesas sob a égide do novo regime ortográfico. Este é, pois, um momento importante para a criação desse repositório

Homem bom, seu Tomás da bolandeira, homem aprendido. Cada qual como Deus o fez. Ele, Fabiano, era aquilo mesmo, um bruto. O que desejava ... An! Esquecia-se. Agora se recordava da viagem que tinha feito pelo sertão a cair de fome. As pernas dos meninos eram finas como bilros, Sinha Vitória tropicava debaixo do baú de trens. Na beira do rio haviam comido o papagaio, que não sabia falar. Necessidade.

Fabiano também não sabia falar. As vezes largava nomes arrevesados, por embromação. Via perfeitamente que tudo era besteira. Não podia arrumar o que tinha no interior. Se pudesse ... Ah! Se pudesse, atacaria os soldados amarelos que espancam as criaturas inofensivas.

central de significados, que dê conta não só dos registros dos letrados, mas que - através da multimidia e da oralidade - possa acolher o entendimento daqueles que não conseguem ou não querem transpor as barreiras técnicas da escrita.

tornando-se também ruído. O Dicionário Popular Brasileiro surge com o intuito de explicitar essa realidade, trazendo à tona os multiplos significados das palavras, que fogem das margens rígidas do dicionário para virem se ocultar e penetrar o campo da cultura, da oralidade e dos usos populares.

Em teoria de comunicação, chama-se de ruído toda a interferência que dificulte o entendimento de uma mensagem. Usualmente fala-se do exemplo de Babel, com sua torre e o castigo divino das diferentes línguas, que acabaram por inviabilizar o término de construção. Esquece-se, no entanto, que mesmo que exista um só idioma, as interpretações e significados estão tão atrelados às individualidades e aos valores regionais que acabam por muitas vezes

Durante a FLIP a equipe do Jornal de Debates vai lançar uma primeira versão do projeto que pretende entender e definir "Dicionário", "Popular" e "Brasileiro". Para participar, basta gravar um vídeo-depoimento e enviar através de www.dici onariopopular.com.br ou procurar alguém de nossa equipe.


Perguntamos às crianças o que elas escreveriam se tivessem a oportunidade de se tornarem autores de livros. Veja abaixo o que elas responderam, e também os desenhos que ilustram seus "projetos editoriais":

Filipe Lopes de Melo, 5 anos, gostaria de escrever um livro sobre a sua vida como jogador de futebol da seleção brasileira, mas só depois que ele ficasse um pouco mais velho.

Gustavo Lopes de Melo, 9 anos, é palmeirense de coração e não pensa em outra coisa: gostaria de escrever um livro sobre futebol.

"Meu Passeio no Parquinho" seria o título do livro de Giovanna Costa, de 6 anos. Ela contou que sua prima Dani e sua irmazinha recém-nascida Gabi também teriam que aparecer na história.

Quem participa da Flipinha já viu e ouviu boas histórias por aqui. Que tal agora fazer um livro, com as suas próprias mãos? Três oficineiras podem te ajudar a fazer um livro de verdade, com tudo que um livro de verdade tem! Texto, desenho, capa, ficha catalogàafica, ISBN e outras coisas que voce vai descobrir. A Bianca faz mestrado em Educaçao na USP e já trabalhou em grandes editoras de livros infantis. Ela até ajudou a publicar livrinhos do Charlie e da Lola. A Luciana escreve sobre Educaçao pra Editora Abril e conta uma história como ninguém. E a Marcella faz uma revista muito legal com os alunos do Dante Alighieri, em Sao Paulo. O pessoal vira jornalista-mirim de primeira! Peça pros seus pais ou professores te levarem lá! Eles podem pedir mais informaçoes sobre a nossa oficina pelo telefone 8146 7930, pelo e-mail contato@jornaldedebates.com.br, ou pessoalmente, na Casa do Jornal de Debates, que fica ao lado da Livraria Nova Paraty, no centro da cidade. Participe!



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