Page 1

Divagações de Fiilisboa

O primeiro e talvez o último volume ... =/


1-Conversas de hospital 2-Os amigos da estante 3-Seu refúgio 4-Ela era genial 5-O lençol


Conversas de hospital Em uma sala de hospital, quatro homens descansavam, cada um com uma parte do corpo enfaixada, exceto por um jovem que não aparentava ter mais que 20 anos e estava sentado quieto na sua cama fria… Um jovem que não aparentava ter mais de 25 anos resolveu puxar assunto: -Então…o que vocês estão fazendo aqui?… Como não obteve resposta resolveu continuar falando: -Eu estou aqui por que estava surfando, me desequilibrei e bati em um recife de corais…minha perna quebrou na hora do impacto…foi uma dor sinistra… Um senhor, bem velhinho do outro lado da sala falou: -Eu estou aqui por que meu dedo quebrou, estava trabalhando na minha serralheria quando um martelo caiu em cima do meu dedo… foi uma dor insuportável… Um outro homem, que aparentava ter 40 ou 45 anos disse: -Eu estou aqui por que estava tentando consertar o telhado da minha casa de campo, cai e quebrei o braço… foi uma dor horrível… Todos olharam para o mais jovem que continuava sentado, sem fazer movimentos bruscos, nem expressar qualquer surpresa com as histórias de seus companheiros, eis que eles perguntam: -E você? Por que está aqui? O jovem olhou para eles com um olhar triste e disse: -Eu estou aqui por que me apaixonei, ela não retribuiu e quebrou meu coração…foi a pior dor que já senti na minha vida…


Todos concordavam balançando as suas cabeças, para cima e para baixo e em silêncio esperaram a enfermeira atendê-los…

Os amigos da estante Era uma menina bonita, gentil e sonhadora, gostava de brincar com suas bonecas e bichinhos de pelúcia, aos quais ela gostava de chamar de “amigos da estante”… mas alguma coisa estava diferente… Ela tinha feito 12 anos, não podia mais brincar com seus “amigos da estante”, por que ela estava virando uma mocinha… por isso eles estavam lá, na estante, cheios de poeira. Passado dois meses de poeira, os bonecos resolveram tirar uma satisfação com ela, quando ela entrou no quarto, deitou na cama e já estava pegando o celular para ligar para uma de suas amigas, os “amigos da estante” subiram na cama dela, a boneca Mimi foi a primeira a falar: -Escuta aqui, que história é essa de você não brincar mais com a gente, hein? -É, nós estamos nos sentindo inúteis!- disse o urso Tony. -Se não nos quer mais, por que não nos joga fora de uma vez?Disse Puck, o palhaço. Todos os brinquedos começaram a falar ao mesmo tempo, a menina não conseguia mais ouvir todos e disse: -Parem!!! Os brinquedos olharam para ela surpresos: -Eu não posso mais brincar com vocês- disse a menina Mas por que?- Perguntou a boneca Mimi. -Por que agora eu estou crescendo!- respondeu a menina- eu já tenho 12 anos, não posso mais me sujar no quintal, brincar de boneca no quarto ou dormir abraçada a um urso de pelúcia…


Os brinquedos se olharam, pensaram por um tempo e enfim Mimi disse: -Mas você está feliz com isso? Essa pergunta fez a menina ficar sem-graça por um tempo, ela pensou e fez que não com a cabeça. Os brinquedos cruzaram o braço e Mimi disse de novo: -Crescer não significa que você tem que parar de brincar, você tem que aproveitar enquanto ainda tem criatividade para dar vida aos seus brinquedos e brincar, por que um dia você vai crescer e quando esse dia chegar, você não vai mais olhar para nós e ver amigos de verdade, mas sim, brinquedos, simples brinquedos que tem que alegrar outras crianças, mas esse dia ainda não chegou e você, apesar de querer ser uma mocinha, ainda não é.Seu cérebro diz que já está velha para brincar, mas seu coração ainda é o de uma criança, não acelere as coisas… aproveite enquanto ainda tem tempo. Mimi colocou sua mão no ombro da garota, ela abraçou Mimi e depois todos os seus brinquedos, se jogou no chão e começou a brincar com eles. À partir daquele dia, ela brincou todos os dias com seus brinquedos, dormiu abraçada com um urso, suas amigas não gostaram disso, logicamente, mas a menina não deu a mínima, pois sabia que quando voltasse da escola, teria amigos de verdade esperando por ela, seus “amigos da estante”.


Seu refúgio Cresceu em uma casa bonita, família rica, mas por uma fatalidade parou nas ruas… Agora vivia em uma caixa de papelão…sua rotina…mais miserável impossível! Acordava todos os dias com os barulhos dos carros,ia para alguma lixeira procurar seu café da manhã. Andava pela cidade inteira e ninguém se importava, a não ser quando chegava em algum bairro nobre, por que aí sim maltratavam ele… Como se sua vida não importasse, jogavam água nele, o chamavam de feio, nojento, porco e sujo…mesmo que por dentro fossem todos iguais. De tarde, sem nada pra fazer, deitava-se à sombra de alguma árvore no parque, ao menos lá ninguém podia expulsá-lo… Mas todos olhavam para ele com nojo. Mas ele não se importava, o parque era o seu refúgio…seu local das ideias…aonde elepodia pensar sobre a vida, sobre o futuro, mesmo sabendo que talvez nunca teria um… Gostava de olhar as pessoas, admirava os humildes, tinha aversão aos esnobes, invejava os ricos e se igualava aos pobres… Quando os calorosos raios de sol davam lugar ao brilho sombrio da lua, ele se retirava…ia para sua caixa de papelão e torcia para que não chovesse… Por que a chuva acabava com sua casa…a caixa de papelão… Naquela noite choveu, seu único refúgio foi uma loja com um toldo…ficou lá, deitado e mesmo com seu olhar implorando por ajuda, ninguém se comoveu.


E enquanto olhava as pessoas andando na rua, pensava: -Se eu fosse humano, eles sentiriam pena de mim? Pobre cão de rua.

Ela era genial! Em uma sala de aula da quarta série a professora diz o trabalho que os alunos devem fazer em casa: -Alunos! Quero que façam um texto para amanhã…o tema é livre! O sinal tocou, os alunos saíram da sala de aula e foram para suas casas… Luisinha era uma menina diferente, ela gostava de brincar com os meninos, não fazia por mal, mas suas brincadeiras não demonstravam ser brincadeiras de uma menina, gostava de carrinhos, futebol e correr pra todo lado…além de ter uma grande habilidade com desenhos e textos! Durante o recreio, depois de recolher os textos das crianças a professora resolveu ler o exto de Luisinha…ficou chocada, fez questão de mostrar isso para a secretária da escola, esta por sua vez ficou chocada e fez questão de mostrar para a supervisora dos alunos. A supervisora també ficou chocada e fez questão de mostrar o texto para o diretor, ele também ficou chocado. Ligou para os pais de Luisinha, falou para eles irem para a escola imediatamente, eles foram. Ao lerem o texto de Luisinha, os pais ficaram chocados…leram mais um vez e se impressionaram de novo…em sua mente as palavras daquele texto aumentavam e pareciam falar… As palavras eram: “Sinto você me chupando, seu gemido em enlouquece. Procuro teu corpo e não acho. Acendo a luz.


Agora te pego pernilongo desgraçado.” Mal sabiam eles que tinha uma filha tão genial…

O lençol Em uma família de classe média uma garota insistia para a mãe achar o seu “lençol fofinho”: -Mamãe, você tem que achar o lençol fofinho! -Mas por que ele é tão importante, filha?-Indagava a mãe. -Por que sem ele eu não durmo direito, mamãe e nem tenho sonhos maravilhosos. A mãe foi até a lavanderia da casa, pegou o lençol, que ela havia lavado naquele dia, e o entregou à sua filha. A menina, de apenas 5 anos, dormiu tranquilamente e mais uma vez teve sonhos maravilhosos. Dois anos depois, aquela família tinha mais um integrante, o casal tivera um bebê, um lindo menininho. Em uma manhã de outono, a filha pronta para ir para a escola, sentou na mesa para o café da manhã e notou que seus pais estavam estranhos: -Pai, por que você está com os olhos roxos? -A sua mãe me bateu ontem!-Respondeu o pai com um sorriso no rosto. A mãe mostrou a língua para seu marido e disse à filha: -Não é nada disso, filha! O que aconteceu é que eu e seu pai não conseguimos dormir direito, por que seu irmão acorda pelo menos três vezes por noite…e por isso nossos olhos estão roxos, isso se chama olheiras. A menina reparou que sua mãe também estava com olheiras. Durante a tarde, a menina arrumando seu quarto encontrou em seu armário o seu antigo “lençol fofinho” e teve uma ideia.


Naquela noite, quando seus pais deitaram na cama, a menina apareceu no quarto deles, subiu na cama e entregou um pedaço de pano para cada um de seus pais e um para o bebê. Os pais surpresos perguntaram o por que daquilo e a menina respondeu: -Eu cortei o meu antigo lençol fofinho em três pedaços, assim vocês e o bebê poderão dormir tranquilos e terem sonhos maravilhosos. Os pais emocionados abraçaram a filha e ela voltou para o seu quarto e dormiu. Aquela foi a primeira vez que o bebê dormiu a noite toda e os pais tiveram maravilhosos sonhos.

Divagações  

Um amontoado de textos que estavam no meu tumblr!