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Photo_escrita

#01

felipederosso fotografia


Photo_escrita #01 Criação e edição - Felipe de Rosso Revisão de texto - Francine Spinelli

Contato: flrosso@gmail.com

Agosto de 2012


O inesperado eo Espont창neo


A

fotografia torna-se, muitas vezes, surpreendente para quem fotografa na rua. Uma mudança de luminosidade, o tempo de exposição ou composição pode acabar criando oportunidades inesperadas e mudar totalmente o rumo ou a ideia da imagem. Não há combinação, pose nem indicação do momento certo para a fotografia ideal, há apenas o registro da vida natural, e nela está impregnado o inesperado. Impregnada está, também, a atitude espontânea, ainda mais, quando trata-se de crianças. É difícil prever quando o menino vai sair correndo, quando a menina vai fazer cara de choro para a mãe, ou quando um barulho vai surpreender os três amigos ao mesmo tempo. Talvez aí é que resida o fato interessante - a combinação do inesperado com o espontâneo pode ser mágica. Felipe de Rosso


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felipe de

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Trança a dança No camarote da infância!


E se acaso Deus tivesse olhos, Encontrarias tu os meus?


O menino e o homem O homem entende de motores O menino de equilĂ­brio O homem compreende a velocidade O menino, o tempo O homem conta a idade O menino, as estrelas O homem vive de verdades O menino, uma brincadeira De homem para menino O que muda, ĂŠ o olhar


Numa só rua A mulher agachada Cisca casca de laranja Os pintinhos espalhados Nem levantam as pestanas Alma distraída Posa pronta pro retrato Na barriga um ovo Sem forças para ser chocado Todos passam com pressa O vento carrega e espalha A sombra dos comentários - Está entorpecida! - Está enlouquecida! - Está condenada! - Deve ser a nova droga... Que casam os príncipes Que matam terroristas Que estremece e inunda a Terra O jornal que voa, bate e gruda na vitrine De dentro lê a vendedora Alugam-se casas e apartamentos Precisa-se de auxiliar de padeiro E a Bovespa diz ser a boa era Bastardos Otários Vadios Espertos Sarcásticos Panacas Arcanjos Atenção aposentados e pensionistas Procuro meu cachorro e recompenso A folha arrasta-se no ar Embora leva as notícias Tudo para trás fica Como o início da avenida O caminho dos pés O segundo seguinte Paul McCartney toca o clássico “Get back” Os meninos não voltam para escola A moda desfila índios e as virgens da década de 30 Católicos fazem sua romaria Prendem na cruz Teus medos Tuas pobrezas Teus pecados

Tuas fraquezas Iconoclastia, necrologia, rei, inolvidável Devolvem com sangue a paz O soldado estuprou tuas filhas O dominador te doutrinou É sangue que sai para nascer É sangue marca da fertilidade É sangue que anuncia a morte O rubi é escolhido pelo amante O perfume enfeita a brita Olhos se encontram e se largam Mãos se juntam Mãos disparam Comida mata quem não comeu Foi morte também do obeso Os aviões espalham efeitos de artifício E quase virou poesia os gemidos e o espanto de quem assistiu debaixo E ainda malabaristas simularam o despertar das estrelas A lua serviu de palco para arte dramática O sol acorda Uni duni tê Salamê míngüe Sorvete colorê Sonho encantado onde esta você? E tudo vai acontecendo Sem ninguém enxergar o passado Todos têm um caminho Outros tiveram o seu desmatado E para o mundo, basta dar um carrinho Para a tribo dos palhaços


Recolhi meu rosto Enquanto tu passavas Mas minha alma Perdida ficou, Ali, paralisada.


Sem mapas de retorno Ora, porque te fiz sofrer Se não fosse através do sofrimento O que mais nos aproximaria? O amor que ora me dás E ora me tiras? E sem lástimas Nem mesmo carícias Se vens com o fim e findas Não seria a dor de ti Que eu renunciaria? Até mesmo o dormir em mim se fez poesia Entro pela porta do cansaço Para que nos olhos de um abraço Eu possa sonhar contigo em vida Se chegares, se saíres Nem diga adeus de palavra Nem palavra de boas vindas Se a noite é o que me apaga

Morro também de dia Não é apenas saudade Não é apenas lágrima escorrida É um vôo parado Na espera da tua partida Se me lanço em outro muro Olho para trás, ainda enxergo a trilha Mas não foram passos dados Foram asas batidas Sem rastros pisados Sem marcas no céu Se me perco no norte Ou se no vento me levo Não sei mais se te veria Mas minha angústia não seria o esquecimento vão E sim a pergunta que eu faria Acaso tu decides Para onde retornarias?


De repente comecei a sentir uma febre E o meu corpo transmutava Respirava, remexia-se, dançava Não sabia o que acontecera Se doía, se alegrava Era uma febre, um fogo, uma estrela Meu íntimo em uma colisão de chamas Num lapso de sentidos resgatados Percebeu


O amor me picou Inseto, insensato, inesperado Estou envenenada por este louco Louco insolente Que chega sem se anunciar Quando tarda, n達o demora, vai embora Sem se despedir Mas antes me mata com este veneno De tanto sorrir!


colabor_ações

felipe de rosso Biólogo, bacharel pela Universidade Federal de Santa Maria, tem suas origens fotográficas no registro do comportamento animal experimental e na observação da natureza. Atualmente, dedica-se à fotografia artística em Porto Alegre. Contato: flrosso@gmail.com flickr.com/photos/felipederosso facebook.com/felipe.derosso


núbia knabben Estudante de Letras, trabalha com criação de textos, em Porto Alegre, desde 2009.

Contato: bknabben@gmail.com

COLA BORE DIVUL GUE! A photo_escrita é uma produção independente, idealizada com a simples idéia de ser um canal para disseminar trabalhos e fotos de amigos e possíveis interessados. Para contribuir com o conteúdo do próximo volume, entre em contato com flrosso@gmail.com e divulgue sua produção cultural. Fotos, ilustrações, artigos, poesia, etc, toda a forma de expressão cultural é bem-vinda! :)


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Revista digital independente dedicada a divulgaçao de cultura em geral.